Daniel Scioli, Maurício Macri e Sergio Massa
Faltando 10 dias para as eleições presidenciais argentinas, Maurício Macri e Sergio Massa, inquietos, têm como foco apenas um tema: o voto útil. Disputam às cotoveladas, um ao outro, o tal de voto útil, necessário, segundo eles, para levar um ou outro ao segundo turno contra Daniel Scioli, candidato do kirchnerismo.

Massa diz que se Macri chega ao segundo turno perde para Scioli e pede um debate cara a cara. Macri responde “Já debatemos, o próximo debate será com Scioli no segundo turno”.

A disputa entre as duas principais alianças opositoras para ver quem fica em segundo lugar, na tentativa de forçar um hipotético segundo turno, não tem trégua.

Massa insiste: “Estou convencido de que se Macri vai para o segundo turno perde para Scioli”. E voltou a desafiar o prefeito de Buenos Aires para “um debate mano a mano, onde ele quiser, com as regras que quiser a fim de comparar quem tem as melhores propostas e a melhor equipe em condições de conquistar o triunfo frente a esse governo de Cristina”. O aspirante Cambiemos fechou as portas ao desafio de Massa: “Já debatemos, foi bom, porém o próximo debate será com Scioli no segundo turno”.  Dirigentes de ambas as campanhas se somaram à pugna com chicanas cruzadas sobre o voto útil e o voto inútil.

Convencido que se mantiver firme sua iniciativa pode esmerilhar votos opositores de Macri, Massa reiterou sua proposta num ato de campanha: “Os argentinos merecem ter a oportunidade de comparar para poder eleger. E se querem terminar com os 12 anos de kirchnerismo tem em nós a garantia de que se formos para o segundo turno, Scioli não ganha. Peço com muito respeito ao engenheiro Macri que aproveitemos que estamos ambos convidados para um programa de televisão para debater”. E alfinetou: “Se votarmos no marketing, virá o desencanto. O voto inútil é para Macri”.

Os dirigentes da coalizão Unidos por uma Nova Argentina seguiram os passos de Massa: “Macri está caindo e Massa, apesar dos esforços governamentais para tirá-lo do jogo, está crescendo e entrará no segundo turno.” E sentencia o chefe de campanha, o ex-ministro da Fazenda Roberto Lavagna:”Convidamo-os a debater se vamos ao país do progresso, como propomos com Massa, ou ao país do ajuste, como propõe Macri”.

“Falar de voto útil é faltar com o respeito ao eleitor”, sustentou o governador da província de Córdoba, José Manuel de la Sota, também candidato à presidência porém com nenhuma chance: “Esses meninos ricos de Macri nos acusavam de filokirchneristas. Agora pedem nosso apoio. Acho que perderam o rumo”.

A tropa de Macri saiu a respaldá-lo: “Se o voto se dispersa, não vai haver segundo turno”, disse sua companheira de chapa Gabriela Michetti. “Como Cambiemos foi a força mais votada nas eleições primárias, é a que hoje tem maior credencial de disputar o segundo turno, comandar uma convocação geral de pacificação, ganhar as eleições e desenvolver todo o potencial da Argentina”.

E aduziu: “Parece-me algo espantoso isto de ‘voto útil’. É uma palavra muito feia, é como estar usurpando a vontade do eleitor”, afirmou Michetti e buscou uma palavra mais sedutora para angariar votantes: “Se há um voto que quer a mudança, esse voto tem de ser o mais inteligente possível a fim de dar ao candidato que mais possibilidades tem a oportunidade de chegar ao segundo turno”. Como o ‘voto útil’ é feio, cunhou o ‘voto inteligente’ que parece mais simpático.

Outros ‘macristas’ preferiram ‘chutar o balde’ como as ásperas deputadas Elisa Carrió e Patricia Bullrich: “Massa foi kirchnerista durate 10 anos. Se o Scioli ganhar, ele e seus deputados vão correndo à residência presidencial de Olivos para se acertar com os kirchneristas, se já não o fizeram”.

Desta briga de foice está resultando o seguinte: Macri está perdendo um ou dois pontinhos, situando-se entre 27 e 29 pontos; Massa está crescendo menos de um ponto percentual, fixando-se um pouco acima de 20 pontos. Scioli mantém-se firme um pouco acima de 40 pontos. Diante desse quadro o eleitor argentino pode muito bem decidir: eu vou votar ‘útil’ e vou votar ‘inteligente’, vou votar Scioli e liquidar a fatura já no primeiro turno.