4 de out de 2015

Num longínquo Poder Judiciário


Leia Mais ►

Polícia tucana investiga propina


Leia Mais ►

Onze coisas que procurei e não achei

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7671

1) A capa da Veja sobre as contas secretas de Eduardo Cunha na Suíça.

2) Uma manifestação indignada de tucanos contra a corrupção envolvendo Eduardo Cunha.

3) Um pedido de afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara de Deputados feito pelo DEM.

4) Manifestações sendo organizadas nas redes sociais contra Eduardo Cunha por MBL e outros que tais.

5) Post de coxinhas e lacerdinhas contra a corrupção do PMDB, do PSDB e do PP.

6) A capa da Veja e da Época sobre as 124 viagens de Aécio Neves em avião oficial para namorar ou passear.

7) Uma resposta para a questão: Dilma renunciou, o PMDB deu um golpe de Estado sem disparar um tiro ou o parlamentarismo foi implantado no Brasil sem que a mídia soubesse?

8) Um comentário sobre o fato de que o tosco Argel e Roger Guardiola caíram abraçados na Copa do Brasil.

9) O futebol prometido pelo Internacional para 2015.

10) Um pênalti marcado contra o Corinthians no Brasileirão.

11) Um nome para o codinome “tio” numa importante operação do Ministério Público Federal.
Leia Mais ►

Os próximos passos para a prisão de Eduardo Cunha


Seis delatores (até aqui) estão revelando que o presidente da Câmara dos Deputados, na verdade, não é o “mocinho” que aparenta. Eles o acusam de ser um grande Al Capone (lavagem de dinheiro, corrupção passiva, crime organizado etc.). Em apenas uma das “negociatas” atribuídas ao peemedebista, ele teria recebido US$ 5 milhões de propina (que teriam sido pagos pela Samsung e Mitsui). Agora o Ministério Público da Suíça (que o investigou desde abril) mandou todas as provas colhidas para o Ministério Público brasileiro.

Em março, Eduardo Cunha, na CPI da Petrobras, afirmou que não tinha conta fora do Brasil. Mentiu. Essa falta de decoro tem que lhe custar, no mínimo, o mandato de presidente da Câmara. Sua tropa, até aqui conivente com suas extravagâncias e vulgaridades, se não cassar seu cargo diretivo (ou mesmo seu mandato), vai para o Otary Club.

Juridicamente falando, os próximos passos (dentro do Estado de Direito) que podem levar Eduardo Cunha para o presídio da Papuda são os seguintes:

1. É preciso que o STF receba a denúncia já oferecida (assim como as que serão oferecidas) contra ele (há indícios mais do que suficientes para isso). Esse ato é do Plenário (não só da 2ª Turma, por onde tramita o caso Petrobras), por se tratar do presidente da Câmara dos Deputados.

2. Nossa tese (de Márlon Reis e minha) é no sentido de que o recebimento da denúncia contra qualquer um dos ocupantes de cargos na linha sucessória da Presidência da República (vice-presidente e presidentes da Câmara, do Senado e do STF) gera automaticamente o seu afastamento do cargo diretivo (tal como se dá no afastamento do Presidente da República, nos termos do art. 86, § 1º, da CF). Se esse afastamento não for automático, cabe impô-lo por força do art. 319, VI, do CPP (porque o réu está usando a estrutura da Câmara para fazer sua defesa, já teria ameaçado testemunhas, há indícios de destruição de provas etc.).

3. Outra hipótese possível, para além da sua cassação imperiosa por falta de decoro, é sua renúncia ao cargo de presidente da Câmara (tal como fizera Severino Cavalcanti, por exemplo). Aliás, logo que for mostrado um extrato bancário das suas contas na Suíça, torna-se insustentável sua permanência nesse cargo diretivo. Sob pena de subir nosso grau de “investimento”, ou melhor, nosso grau de “mafiocracia”. Nenhum poder pode ser chefiado por quem tem conta bancária de propinas na Suíça. Até a desfaçatez tem limite. Ninguém pode ficar impune quando se enrola em sua própria esperteza (Josias de Souza).

4. Em nenhum país do mundo com cultura menos corrupta que a do Brasil (os dez melhores colocados no ranking da Transparência Internacional, por exemplo) a presidência de um poder seria ocupada por alguém acusado (com provas exuberantes) de ter recebido US$ 5 milhões de propina. A cultura desses países (do império da lei e da certeza do castigo) é totalmente distinta da permissividade que vigora nas mafiocracias (cleptocracia com envolvimento de grandes corporações econômicas e financeiras).

5. A prisão de Eduardo Cunha (se todas as acusações ficarem provadas) só pode ocorrer depois de condenação criminal com trânsito em julgado. Não cabe prisão preventiva contra deputados e senadores, desde a expedição do diploma respectivo (CF, art. 53, § 2º). Eles só podem ser presos em flagrante, em crime inafiançável. Fora do flagrante, nenhuma outra prisão cautelar (antes da sentença final) cabe contra deputado ou senador (trata-se de um privilégio que jamais deveria existir, salvo quando em jogo está a independência parlamentar).

6. Ninguém pode ser condenado criminalmente sem provas válidas. As provas são produzidas dentro do devido processo legal. As delações premiadas, isoladamente, não podem ser utilizadas para condenar quem quer seja. As delações são válidas somente quando comprovadas em juízo. No caso de Eduardo Cunha as provas estão aparecendo diariamente. Com base nessas provas sua condenação será inevitável.

7. Depois da condenação penal definitiva cabe à Câmara decidir sobre a perda do mandato parlamentar (CF, art. 55, § 2º). Caberia ao STF rever esse ponto, para dar eficácia imediata para sua sentença condenatória assim como para a perda do cargo (decretada por força do art. 92 do CP).

8. Na condenação de Eduardo Cunha (se tudo ficar provado) caberá ao STF definir o tempo de duração da pena de prisão assim como o regime cabível (fechado, semiaberto ou aberto). Pena acima de quatro anos, no mínimo é o regime semiaberto. Pena superior a 8 anos, o regime é obrigatoriamente o fechado. Pela quantidade de crimes imputados a Eduardo Cunha e pelo volume de dinheiro que foi surrupiado do povo brasileiro, é muito grande a chance de acontecer o regime fechado (terá que ir para um presídio, como a Papuda, por exemplo).

9. Logo após o trânsito em julgado a Corte Suprema emite a carta de guia e o condenado começa a cumprir sua pena, em estabelecimento penal compatível com o regime fixado na sentença (reitere-se, muito provavelmente o fechado).

Esse decrépito e maligno estilo de fazer política (por meio da fraude, do financiamento mafioso de campanha, dos privilégios indecorosos, dos salários e vantagens estapafúrdios etc.) tem que ser banido do nosso horizonte. A mudança cultural necessária passa pelo sentimento de vergonha (veja Kwame Anthony Appiah). Isso precisa ser recuperado. O ato de corrupção precisa gerar vergonha (no eleito, nos seus familiares assim como nos eleitores coniventes com ela). Foi a vergonha que acabou com a tradição milenar de amarrar os pés das chinesas, com o duelo etc. A vergonha promove mudanças culturais.

Eduardo Cunha, com suas espalhafatosas “pautas-bombas”, manipulou como ninguém as emoções das massas jogando inescrupulosamente para elas. Faltou na sua estratégia, no entanto, reler Nietzsche, que nos adverte que o que mais gera prazer na população (certamente depois dos orgasmos) é a condenação e prisão de um criminoso, sobretudo quando poderoso.  A vingança é festa (Nietzsche). Na performance de “mocinho” ele promoveu imenso entretenimento ao povo; mas nada supera o escalofriante frisson gerado pela condenação criminal de um poderoso que, eleito como bode expiatório, traz um imenso alívio para as almas dos pecadores espectadores. O cadeião, para muitos devassos do dinheiro público, é o preço que os larápios pagam pelos seus prazeres. Mas isso (que é necessário) é puro espetáculo. Faz parte do carnaval. O Brasil, no entanto, para ter um futuro civilizado, precisa de algo que represente muito mais que um carnaval. Mudança de cultura, que passa pelo restabelecimento da vergonha.

Luiz Flávio Gomes, jurista e coeditor do portal Atualidades do Direito
No 247
Leia Mais ►

Dilma corta a Presidência da República

"É preciso dar um sinal inequívoco para o mercado", defendeu Dilma
REPÚBLICA BOLIVARIANA — Comprometida com o sentido mais amplo da palavra "austeridade", Dilma Rousseff cortou o próprio cargo de Presidente da República. "Todo mundo estava vendo que a função não faz mais sentido. Doravante o comando do país está oficialmente nas mãos do PMDB, tendo Lula como ombudsman", declarou a ex-mandatária. Em seguida, comprou passagens para o Balneário Camboriú. "Saio da lida para entrar na piscina", concluiu.

Com o corte do cargo majoritário, organizou-se um fisiologismo de coalizão. "Trata-se de uma forma de governo descentralizada em que cada cacique comanda sua tribo na caçada por cargos e verbas", explicou, didaticamente, José Serra. "O sistema, inclusive, já rendeu frutos. Encontramos ministérios até na Suíça", comemorou Kátia Abreu, líder da tribo dos anti-indígenas.

Em nome da governabilidade, o fisiologismo de coalizão revelou que está buscando para a Casa Civil um profissional fora do meio político. O nome mais cotado é de MacGyver .


No The i-Piauí Herald
Leia Mais ►

Dono de fábrica de bonecos investe em Cunha inflado e vai à falência


O que era para ser uma oportunidade de negócios supostamente infalível acabou se transformando num fiasco. Dono da “Inflation”, fábrica de bonecos inflados, Marcelino Pereira acabou mobilizando todo o seu capital na fabricação de Cunhas Inflados, mas não vendeu sequer um boneco.

“Eu achei que, como fizeram o do Lula e da Dilma, fariam também o do Cunha e resolvi me antecipar”, disse ele, que investiu R$ 200 mil para fabricar 100 bonecos. “A corrupção está clara ali, tem dinheiro na Suiça, tem tudo. O que falta para os bonecos saírem? “, pergunta o empresário, desolado.

No Sensacionalista
Leia Mais ►

Cunha, mesmo com a tolerância da imprensa, se desfaz com os dias…


Chega pelo Facebook do velho companheiro de lutas Osvaldo Maneschy a montagem com o noticiário internacional sobre as contas suíças de Eduardo Cunha, que as nossas revistas “de informação” rebarbaram, para disparar, de novo, histórias pastosas sobre Lula.

Juntei, então, sem a devida licença, a charge do agudíssimo Aroeira para dizer o óbvio: não há silêncio que possa parar o tempo para Eduardo Cunha.

Como também não haverá gritaria que o faça, colocando às pressas em votação o pedido de impeachment de Dilma Rousseff.

Preservar Cunha para que “ele derrube a Dilma antes de ser preso”, como explicitamente sugere um dos pit bulls da Veja chega próximo à hilaridade, ainda que o Brasil costume ser o país das piadas.

Por enquanto, porém, a oposição — a formal, do PSDB/DEM, mudo, e a real, a mídia — segue sendo esta.

Não achei, nos jornais de domingo, como seria de esperar depois do surgimento das contas suíças, uma página — e daria para preencher duas, fácil — com história dos casos escabrosos da carreira de Eduardo Cunha, desde seus tempos de enfant gaté de Paulo Cesar Farias.

De resto, por tudo o que já se publicou, a matéria estaria semipronta.

Operação inútil, porque há agora um fato, material e indesmentível. A Justiça da Suíça não enviou nem assumiu publicamente o conteúdo de sua investigação sem documentação que o sustentasse. E isso vai aparecer, não demora.

Nem a Procuradoria Geral da República, por mais que estejam pressionados — e já estiveram mais — pela mídia compreendem o horror institucional que será uma presidente que — embora sobre ela possam ter todas as criticas políticas — não admite discussão sobre sua honradez pessoal seja deposta por um  criminoso que tem uma infinidade de acusações diretas e provas materiais dos seus achaques e do fruto que lhe renderam.

A correria, portanto, é patética, sobretudo agora que o Governo tomou as atitudes minimamente necessárias para conter e reverter a desagregação parlamentar que o corrói desde o início do mandato, da qual Cunha tornou-se o maior símbolo.

O tempo de Eduardo Cunha se esvai, como se esvai sua força política e é esta a verdade cortante da charge de Aroeira.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

PMDB quer maioria na Suíça

Eduardo Cunha engaveta pedido de impeachment de Eduardo Cunha
ZURIQUE — Reunidos no tradicional Hotel Baur au Lac — diárias a partir de 2769,21 reais, imposto municipal à parte —, dirigentes do PMDB se encontraram com membros da FIFA para traçar uma estratégia para a defesa de Eduardo Cunha. "Unidos seremos capazes de conseguir maioria na Suíça e acabar com esse espírito de neutralidade que atrasa a entrada desse país no século XXI", defendeu o pastor Everaldo, abraçado a Joseph Blatter. Erguendo uma foto de Cunha, o pastor completou: "Nosso deputado merece respeito!"

No Brasil, o partido se articulou em duas frentes: a fim de estabelecer novas diretrizes para as relações fisiológicas e bancárias com a pátria do cuco, o PMDB abriu negociações para a indicação de Leonardo Picciani ao ministério das Relações Exteriores. Em paralelo, a pedido do deputado Celso Pansera, Adilson Laranjeira — assessor de imprensa de Paulo Maluf — foi integrado ao PMDB. Em sua primeira declaração pública sobre o caso, Laranjeira foi taxativo: "Eduardo Cunha não tem, nunca teve, nem nunca terá conta no exterior."

No final da tarde, Eduardo Cunha prometeu colocar em pauta a legalização do financiamento suíço de campanhas políticas.

No The i-Piauí Herald
Leia Mais ►

Luis Costa Pinto, ex-Veja e Época denuncia o silêncio mafioso da mídia


O jornalista Luis Costa Pinto, que já foi editor de Veja e Época, classificou como "omertá" o silêncio das duas revistas semanais sobre as contas de US$ 5 milhões do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na Suíça.

"O silêncio das revistas semanais, em suas capas, desconhecendo a chegada aos Brasil dos documentos que comprovam a existência de contas secretas de Eduardo Cunha e de sua família na Suíça não é omissão. É omertá", disse ele.

Aparentemente, Globo e Abril partem do princípio de que Cunha, mesmo culpado, pode vir a ser útil na tentativa de derrubar a presidente Dilma Rousseff — daí o silêncio mafioso sobre as suas contas na Suíça.

Costa Pinto, que foi o autor da celebre entrevista com Pedro Collor, que desencadeou o impeachment de Fernando Collor, também ironizou o fato de Veja ter sido capaz de descobrir contas falsas de Romário na Suíça, mas não enxergar as reais de Cunha no mesmo país.

"Fechou a tampa do baú. Pode enterrar", disse ele.

No 247
Leia Mais ►

PIG passa vergonha perante a imprensa mundial

Mídia brasileira não dá destaque ao flagrante de corrupção de Cunha, mas o mundo dá


No Blog do Mello
Leia Mais ►

Nota de pesar pela morte de José Eduardo Dutra

A presidenta Dilma Rousseff divulgou, neste domingo (4), nota de pesar pelo falecimento do ex-senador José Eduardo Dutra. Dilma expressou solidariedade aos familiares e amigos.

Confira a nota na íntegra:
“Hoje o Brasil se despede de um grande brasileiro, o ex-senador, meu amigo e companheiro, José Eduardo Dutra. Ao longo de toda sua vida, ele foi uma liderança comprometida com o Brasil e nosso povo. Dutra foi presidente do Sindicato dos Mineiros do Estado de Sergipe, dirigente nacional da Central Única dos Trabalhadores e presidente do Partido os Trabalhadores. Esteve à frente da Petrobras durante o governo do ex-presidente Lula. Tive o privilégio de conviver com José Eduardo. Sua dignidade, inteireza de caráter e seriedade jamais serão esquecidas e são a nossa grande perda. Presto minha solidariedade a toda sua família e amigos.”

Dilma Rousseff
Presidenta da República
Leia Mais ►

Entrevista de Flávio Dino no programa da Mariana Godoy


Leia Mais ►

Amor

Os três melhores negócios no Brasil, hoje, a julgar pela quantidade, são: farmácias, academias de ginástica e lojas para animais domésticos. Deduções sociológicas à vontade.

Multiplicam-se as farmácias por que o país está doente ou por que há uma oferta cada vez maior de remédios vitais ou paliativos e perfumaria, promovidos agressivamente por uma indústria bilionária sem limites de verba publicitária?

Academias de ginástica por todo lado atestam o culto à forma física que cresce no mundo inteiro e são também pontos de encontro, em que as pessoas suam e confraternizam em doses iguais.

Dizem que nas academias já existe até uma rotina de paquera chamada de “romance de esteira”, que raramente dura até depois do banho, mas pode ficar sério. De qualquer maneira, o brasileiro está malhando, o que é bom para a saúde nacional — sem falar na saúde financeira dos fornecedores de acessórios para ginástica.

E nas lojas para animais domésticos encontra-se de tudo para gatos, cachorros e outros bichos de estimação. Sua proliferação é mais difícil de explicar. A procura pelos seus produtos e serviços — casaquinhos para o frio, pratinhos personalizados, xampus, escova, manicure, veterinários de plantão, até atendimento psiquiátrico — já era grande, e nos últimos anos tem aumentado.

É fácil ridicularizar essa atenção exagerada a bichos, uma atenção que é negada às crianças abandonadas, por exemplo, uma crítica sempre repetida. Mas a relação das pessoas com seus animais e destes com seus donos ultrapassa o ridículo, é uma forma de amor mais profunda do que qualquer outra. Muito mais profunda do que a do amor entre humanos.

O animal domesticado garante ao seu dono amor desinteressado. Ou, vá lá, devoção total e eterna em troca de pouca coisa, só casa e comida. Entre dono e bicho existe um entendimento impossível ou muito raro no convívio humano.

De um lado, um extremo de carinho que só existe igual no amor a um filho ou no amor sexual, sem nenhuma das complicações do amor a um filho e do amor sexual; do outro, lealdade absoluta. Ajuda o fato de o bicho não saber falar, salvo no caso de papagaios respondões. Amor sem discussão, o ideal.

Entende-se, portanto, que se queira dar aos animais tudo o que é possível comprar numa das lojas especializadas que hoje já são, no Brasil, mais numerosas do que videoshops. É amor. Se sobrar algum para as crianças abandonadas, melhor.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Mundo doente

Todas as garrafas que lancei ao mar com mensagens ao desconhecido voltaram sem réplica, ou com o texto corrigido. Nenhum dos meus gurus tinha resposta para minhas indagações existenciais e um até confessou que era surdo e não ouvia as minhas perguntas, o que explica ele ter respondido “sim” quando eu perguntei se deveria seguir o Bhagavad-Gita, o Kama Sutra, O Capital ou uma combinação dos três. Todos os meus telefonemas dão em secretárias eletrônicas com a voz exatamente igual. Da última vez que implorei por um contato humano, alguma coisa viva — uma hesitação, um erro de concordância, um resfriado, até, em último caso, uma reação irritada — a voz disse: “Para reação irritada, digite 4”.

Decidi procurar consolo na internet, mas sabia o que me esperava. Cairia num site que me ensinaria a fazer bombas caseiras, outro de alguém que teria tara por Matildes, outro o de um movimento pela canonização do papa Francisco em vida, outro de um onanista compulsivo cheio de erros de digitação porque, presumivelmente, seus textos seriam escritos com uma mão só, outro de um homem que propunha a troca de fotografias do seu bigode ridículo com as de bigodes ridículos de todo o mundo, com a possibilidade de casamento, e até imaginei o site de alguém que pediria para comprar vários dos meus órgãos para comer. Este eu nem pensaria em atender, sou muito apegado a todos os meus órgãos, apesar do que alguns têm me feito passar, mas, só por curiosidade, perguntaria como ele prepararia, por exemplo, meu fígado e, num rasgo de sentimentalismo, sugeriria que o servisse acompanhado de um Sauterne de boa safra. E que desagravasse meu coração com batatas dauphinoise.

Todos, inclusive o cara que estaria a fim das minhas tripas à moda de Caen, só demonstrariam como eu entrara num fascinante mundo doente, o da humanidade reduzida às suas fomes e às suas esquisitices primevas, ao entrar na internet. Terroristas, fascistas, fetichistas e canibais são — ou espero que sejam — minorias entre os habitantes deste mundo, e se sexo é o assunto preferido da maioria é porque sexo, no fim, é a preocupação dominante da espécie, nada de novo. Mas há algo de assustador nessa variedade de prospecções predatórias de gente atrás de afinidades. Sei lá se eu não tenho alguma obsessão secreta (pés de noviças? ) só esperando um correspondente para se manifestar. Mas desisti de localizar meus similares (os revoltados com a revolta, os que já desistiram até de desistir) e concluí que a primeira condição para encontrar a minha turma é jamais frequentar a internet.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Morre o ex-senador José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras e do PT

----------------------------------------------------------------------------------------


Atualmente na suplência do senador Antonio Carlos Valadares, o petista tinha 58 anos e lutava contra um câncer. Ele foi um dos coordenadores da campanha presidencial de Dilma em 2010

Morreu na madrugada deste domingo (4), em Belo Horizonte, o ex-senador José Eduardo Dutra (PT-SE), ex-presidente do PT e da Petrobras. Ele tinha 58 anos e lutava contra um câncer. O corpo dele deve ser velado e cremado na capital mineira, nesta segunda-feira (5). Carioca, Dutra trilhou sua trajetória política em Sergipe. Dirigente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) entre 1988 e 1990, presidiu o Sindicato dos Mineiros do Estado de Sergipe (Sindimina) de 1989 a 1994, ano em que se elegeu senador.

José Eduardo Dutra foi presidente da Petrobras de janeiro de 2003 a julho de 2005. Dois anos depois, presidiu Petrobras Distribuidora, onde permaneceu até agosto de 2009.

Ele presidiu o PT entre 2010 e 2011, quando renunciou ao mandato que só terminaria em 2012 por problemas de saúde. Dutra foi um dos coordenadores da campanha da primeira eleição da presidente Dilma, ao lado do ex-ministro Antônio Palocci e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Com o agravamento da doença, ele se afastou da vida partidária para cuidar da saúde. Atualmente era o primeiro suplente do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE).
Leia Mais ►

Quanto pior

Decorridos nove meses do ato de sua criação — qualquer semelhança com outro período assim é mera coincidência —, dizem na Presidência que começa o segundo mandato de Dilma Rousseff. Embora não seja a Dilma Rousseff eleita para um segundo mandato. Nem o mandato, no melhor sentido de incumbência e representação, seja o entregue a Dilma Rousseff pela maioria dos eleitores.

A rigor, não se sabe o que será esse mandato. Sabe-se o que não será. Os retalhos que vêm formar um pretenso ministério não têm o mínimo de ideia e de substância. Condicionados, além do mais, ao único objetivo verdadeiro do governo: empobrecer-se e empobrecer a atividade econômica da qual depende a grande maioria da população.

Que conceitos regeram a (de)formação desse governo hipotético? Dilma Rousseff explicou: "O governo de coalizão, como é o caso do meu [sic] e de todos os governos depois da democratização, precisam de apoio no Congresso. Nós vivemos em uma democracia e temos que dialogar com o Congresso eleito pelo povo, em favor da população".

Sem dúvida. Mas não há como ver no recém-chegado Celso Pansera mais do que um representante de Eduardo Cunha e do clã Picciani, e, ainda bem, não do Congresso. Todos os novos ministros representam apenas os grupos do mercantilismo toma-lá/dá-cá, que enoja o país. E por tal condição é que foram adotados, para aplacar as voracidades ainda não atendidas. Foi aceito como bom para o ministério, portanto, o que devia ser recusado a priori.

O oposto, a negação a associar-se aos grupos da política degenerada, é visto como alternativa irreal. Mas o repudiado pelo país quase todo não é a irrealidade, é a realidade. Contra essa opressão da realidade maldita é que vale a pena batalhar. E é preciso batalhar. Se é para sujeitar-se à realidade por ser realidade, por que, por exemplo, combater a corrupção espraiada pelo país todo, tão fácil e tão rentável? Adotemos o lucrativo tráfico de drogas que é uma realidade de todas as classes.

O que existe no Brasil sob o nome de política é outra coisa. Mas o governante, por melhores que sejam seus propósitos, é forçado a aceitar o jogo, ou não governará. Substituída a política pela grande teia de interesses, ao governante não restam meios operacionais fora dessa cadeia — é a convicção estabelecida.

Mas o que falta aos governantes é, sobretudo, determinação para exigir outras relações com políticos e partidos. Importa-lhes preservar suas perspectivas e as conveniências partidárias, os apoios e os arranjos grupais. A obviedade, porém, é outra: no país em que mesmo um guri oportunista e ignorante convoca massas e é atendido, só por fazê-lo para protestos contra os métodos e consequências da falsa política e do desgoverno, são desnecessárias outras evidências do poder oferecido pela saturação da tolerância pública. Tão disponível, da mesma ou de outras formas, para o guri quanto para o governante que repudiasse "a realidade".

A solução aceita por Dilma como ruptura do cerco peemedebista faz o seu reencontro com Lula. Dele partiu não só o apoio para os maus enlaces já encaminhados. Mais do que isso, Lula incentivou-a a sujeições ainda mais extremadas. Como a incorporação ao ministério de um representante de Eduardo Cunha. E o atendimento ao velho desejo do PMDB de tirar Aloizio Mercadante da Casa Civil, o que os peemedebistas nem cobravam mais.

Aliás, Dilma já desejava ter Jaques Wagner nas proximidades há muito tempo, pensou até em dar-lhe uma sala na Presidência como ministro da Defesa. Não colou. Agora Jaques Wagner é o novo ministro da Casa Civil, que tem muito trabalho. Mas quem vai trabalhar?

O que importa é estar tudo pronto, enfim: quanto pior, pior.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►