3 de out de 2015

A morte na sarjeta das revistas semanais brasileiras

Fernando Morais e as capas infames
É a morte do jornalismo semanal. E uma morte infame, desonrosa, suja.

Tantas revelações em torno de Eduardo Cunha com suas contas na Suíça, e nenhuma revista semanal o deu na capa.

Que ele precisaria fazer para ir para a capa da Veja, da Época e da IstoÉ?

A mídia fala tanto em corrupção, e quando aparece um caso espetacular destes finge que não viu.

É uma amostra do que a imprensa sempre faz quando se trata de político amigo: joga a corrupção para baixo no tapete.

Isto se chama manipulação.

O brasileiro ingênuo é, simplesmente, ludibriado. Depois, corre para as redes sociais para vomitar as besteiras que leu na imprensa.

Durante a semana a mesma coisa ocorrera com os jornais. Eles esconderam o caso Cunha.

Fernando Morais comentou as capas logo na manhã de sábado. Notou, com razão, que parte disso é culpa do próprio PT por ter enchido de dinheiro público empresas de mídia que desinformam e não hesitam em sabotar a democracia quando sentem que seus inumeráveis privilégios correm risco.

As capas das revistas semanais e as primeiras páginas dos jornais nestes dias demonstram que, na prática, existe um monopólio na mídia brasileira.

São quatro ou cinco famílias, e na verdade uma só voz.

Não fosse a mão invisível do mercado, para usar a grande expressão de Adam Smith, e o poder das grandes corporações jornalísticas seria um obstáculo formidável ao avanço social brasileiro.

Mas a mão invisível trouxe a internet, e com ela um jornalismo que se contrapõe ao gangsterismo editorial das grandes corporações.

Fazer jornais e revistas de papel é coisa para grandes empresas, pelo tamanho dos investimentos necessários.

Mas montar um site é barato. Você não tem que imprimir sua publicação em gráficas, pagar uma distribuidora, comprar papel em fábricas finlandesas e coisas do gênero.

Seu custo é infinitamente mais baixo.

Paralelamente, a voz única das grandes corporações abre um espaço enorme para visões de mundo diferentes.

Foi assim que surgiu e floresceu, na internet, um jornalismo dissidente vital para a democracia nacional.

Considere: sob Getúlio e Jango, vítimas da imprensa, não houve contraponto à narrativa golpista da imprensa.

(Getúlio, um homem de visão, tentou resistir aos barões da imprensa com a criação de um jornal, a Última Hora, mas era quase nada diante da avalanche dos grandes jornais.)

Avalie como seriam as coisas sem o contraponto dos sites independentes.

O caso Eduardo Cunha mostra muitas coisas, e não apenas sobre a mídia. Estampa a parcialidade da Justiça e da Polícia Federal, também.

Cunha tinha que estar dedicando todo o seu tempo a se defender das acusações terríveis que pairam sobre ele.

Em vez disso, trama a derrubada de Dilma como se não tivesse nada além do impeachment em sua agenda.

Ele só faz isso porque sabe que goza de ampla proteção.

Essa proteção ficou grotescamente evidente neste final de semana, nas bancas brasileiras, com as capas das revistas semanais.

Paulo Nogueira
No DCM
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Putin volta a irromper no cenário

O início de intensos ataques aéreos pela Rússia a posições estratégicas do autodenominado Estado Islâmico (EI) na Síria é uma clara expressão do mundo multipolar em que os Estados Unidos e seus aliados já não podem atuar a seu talante.


Há 20 dias, o chanceler Serguei Lavrov disse que a Rússia mantém sua cooperação militar com a Síria e que podia incrementá-la se Damasco o solicitasse. “Temos ajudado, seguimos ajudando e ajudaremos o governo sírio quando se trate de fornecer tudo de que o exército sírio necessite”, acrescentou. Disse que a Rússia queria evitar que a Síria se convertesse em outra Líbia, em alusão ao imenso caos reinante neste país desde que foi bombardeado e despedaçado pela Otan.

Nesta semana, ao dirigir-se à Assembleia Geral da ONU, o presidente Vladimir Putin foi muito crítico aos países que se sentem com o direito de atuar à margem da organização internacional e de sua Carta, que intervieram militarmente e dilaceraram vários países do Oriente Médio. Ao referir-se à responsabilidade da Otan no surgimento do EI e à hipocrisia de alguns que dizem lutar contra o terrorismo, repreendeu: “Quero dirigir-me a todos aqueles que ajudaram de fora a avivar os conflitos no Oriente Médio e na África: Dão-se conta do que fizeram?” “Todos os intentos de jogar com os terroristas, de financiá-los, são fatais e podem ter consequências catastróficas. Senhores, estão se metendo com pessoas muito cruéis, mas que não são tontas nem primitivas. Não são mais tontas que vocês e não se sabe quem utiliza quem para seus próprios fins”.

O EI é outro Frankstein criado pelo afã de despojo imperialista. Estados Unidos, Reino Unido, França, Arábia Saudita, Turquia e Catar financiaram rebeldes sírios supostamente moderados que terminaram ocupando extensas zonas do país árabe às ordens da Al Qaeda e algumas de suas filiais. Logo, ao que parece, com uma boa mão dos serviços secretos de Israel derivaram nesse ente bárbaro e sanguinário que saiu do seu controle — como lhes ocorreu em dado momento com os talibãs no Afeganistão — e já se estende por vastas regiões da Síria, do Iraque e tenta desestabilizar o Líbano. Seu propósito declarado é constituir um califado “islâmico” em todo o mundo muçulmano. Contudo, despertou a condenação das mais prestigiosas autoridades teológicas do islã.

Até agora a coalizão criada pelos Estados Unidos há um ano para combater o EI, supostamente constituída por 60 países, não conseguiu provocar nem cócegas com seus bombardeios aéreos. Enquanto isso, o Pentágono confessou o fracasso de seus multimilionários planos para treinar rebeldes sírios “moderados” que façam frente à organização extremista. Muitos deles foram mortos assim que entraram no território sírio ou se passaram com armas e bagagens às fileiras do inimigo que se supunha deviam combater.

Uma diferença crucial entre a coalizão criada pelos Estados Unidos e o esforço que a Rússia inicia é que a primeira surgiu sem contar com o governo legítimo sírio do presidente Bashar al-Assad nem com o Conselho de Segurança da ONU. Suas ações, portanto, são ilegais e ilegítimas.

Diferentemente, a força aérea russa está na Síria por solicitação de Damasco e em acordo com os governos do Irã e do Iraque. Na capital deste último estabeleceram um Centro de Informação que coadjuva o intercâmbio de inteligência e ajuda a coordenar as ações contra o EI. Em linha com isso, Putin fez um chamamento aos Estados Unidos e seus aliados a somar-se a um esforço conjunto para liquidar o EI e inclusive dissuadir os jovens que se sentem atraídos por este e dar a oportunidade de que aqueles que entraram na aventura possam sair.

Mas fazê-lo mediante uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. Sublinhou, ademais, que era “chave” a participação dos países árabes e islâmicos e mencionou em particular o Irã, a Arábia Saudita e o Egito. É impossível seguir aguentando a ordem mundial existente, resumiu Putin.

Ao completar-se os 70 anos da fundação da ONU pudemos apreciar uma argumentação semelhante nas brilhantes e muito aplaudidas palavras do presidente Raúl Castro, o que é muito importante, pois Cuba é referência mundial dos povos que lutam pela justiça social, a paz e a cooperação internacional.

Angel Guerra Cabrera, Jornalista cubano residente no México
No Resistência
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El racismo y el fascismo se han convertido en una plaga en Suecia

Un artículo publicado por el diario británico The Guardian narra la historia de Kyle James, un afroamericano que fue expulsado en julio de un club de Estocolmo por dos vigilantes jurados, que le golpearon y le agredieron con gas pimienta.

Posteriormente, la policía sueca detuvo a James, que fue acusado de haber golpeado a uno de los agentes de seguridad, y tras obligarle a despojarse de su ropa, fue encerrado en una celda desnudo durante horas. Según James, "fue una de las experiencias más humillantes de mi vida".

"Siempre tuve la percepción de que la gente era liberal y de mente abierta en Escandinavia, pero ni siquiera un animal debería ser tratado así", relató el afectado.

The Guardian recuerda que, según un informe de la ONU presentado el pasado lunes al Consejo de Derechos Humanos de la ONU, el aumento de la violencia racista en Suecia, particularmente contra los ciudadanos procedentes de África, es "un problema social".

Los crímenes racistas hacia los suecos de origen africano se incrementaron más de un 40 por ciento entre 2008 y 2014, según cifras oficiales del Consejo Nacional de Prevención del Crimen de Suecia.

Christer Mattson, director del Instituto Segerstedt — un observatorio del fascismo dependiente de la Universidad de Gotemburgo — denuncia a The Guardian la situación, agregando que Suecia no ha debatido suficientemente su pasado racista.

Lo mismo que en el III Reich, en Suecia se aprobaron leyes eugenésicas que permitían esterilizar a la población por motivos raciales. Estuvo vigente hasta los años sesenta. En 1996 los socialdemócratas se opusieron a una ley para indemnizar a las víctimas de la eugenesia, que no se pudo aprobar hasta 1999.


No Movimento Político de Resistencia
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Manifestação contra o ajuste fiscal bloqueia a Avenida Paulista

Manifestação contra o ajuste fiscal bloqueia a Avenida Paulista

A manifestação em defesa da democracia e contra o ajuste fiscal foi organizada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), movimentos sociais e União Nacional dos Estudantes (UNE). Estima-se que 5 mil pessoas participam do protesto

A manifestação das centrais sindicais em defesa da democracia e contra o ajuste fiscal bloqueia todas as faixas da Avenida Paulista no sentido Paraíso. O protesto é organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), movimentos sociais e a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Os manifestantes iniciaram a caminhada em frente ao prédio da Petrobras, na Avenida Paulista, e seguiram pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio até a Praça da Sé, no centro. Douglas Martins Izzo, presidente da CUT-SP, estima que 5 mil pessoas participam do protesto. A Polícia Militar informou que não divulgará número de manifestantes.

Douglas reforça a posição da CUT contrária ao ajuste fiscal. “A retirada de recursos da infraestrutura e dos programas sociais não tem contribuído para o país sair dessa situação. Entendemos que essa política de ajuste e cortes está aprofundando a crise no país,” declarou.

A CUT, segundo ele, defende uma proposta alternativa, impulsionada pela liberação de crédito. “Entendemos que uma das saídas para retomar o crescimento econômico é o fortalecimento do mercado interno e, consequentemente, fortalecimento da produção, que gera emprego e renda”, disse.

Carina Vitral, presidente da UNE, cita ainda a necessidade de defender a sobrevivência da Petrobras. Ela espera que a destinação dos royalties do petróleo para a educação possa se efetivar.

“Nós, do movimento estudantil, temos uma história de luta contra a corrupção. Achamos importante que exista uma operação para tentar varrer a corrupção da Petrobras. Só não pode levar a Petrobras junto, fragilizando a nossa maior empresa, orgulho nacional para a juventude”, disse.

Fernanda Cruz
No Agência Brasil|Fórum
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Así actúan las embajadas… de EEUU

Estados Unidos evaluó la posibilidad de asesinar al presidente boliviano Evo Morales en el año 2008, según revela un libro sobre Wikileaks publicado en septiembre que da cuenta de la intervención política de este país en América Latina para desestabilizar a los Gobiernos progresistas del continente.

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En el año 2008, “el Departamento de Estado (de los EEUU) analizó seriamente la posibilidad de un golpe de Estado (en Bolivia), o el asesinato del presidente boliviano Evo Morales“, explican Alexander Main y Dan Beeton, autores de uno de los capítulos del libro, en un artículo publicado la semana pasada en Jacobin Magazine.

Main y Beeton trabajan en el Centro para la Investigación Económica y Política, con sede en Washington.

Durante agosto y septiembre de 2008, el Gobierno de Evo Morales se enfrentó a los líderes opositores que gobernaban los departamentos de la región conocida como la Media Luna, quienes se oponían a las reformas impulsadas por el presidente y llamaron a crear departamentos autónomos en el país.

El libro prueba que durante el conflicto, Estados Unidos estaba en “comunicación regular” con los líderes autonomistas, con quienes mantuvieron conversaciones en las que hablaron de “hacer explotar gaseoductos” y de utilizar la “violencia como una probabilidad para forzar al Gobierno…a tomar en serio cualquier diálogo”.

El conflicto de mediados de 2008 puso en riesgo la permanencia de Morales al frente de la presidencia y los enfrentamientos dejaron más de 30 personas muertas; la gran mayoría partidarias del presidente boliviano.

La situación llevó a Morales a expulsar al embajador estadounidense, Philip Goldberg, a quien acusó de colaborar con los líderes de las manifestaciones contra el Gobierno.

El libro, The Wikileaks Files: The World According to US Empire (Los Archivos de Wikileaks: El Mundo según el Imperio de los Estados Unidos), analiza decenas de miles de cables filtrados por la organización, que van desde los primeros años de la primera presidencia de George W. Bush (2001-2009), hasta la administración de Barack Obama, iniciada en 2009.

Los cables “revelan el día a día de los mecanismos de intervención política de Washington en América Latina” y ridiculizan “el mantra del Departamento de Estado de que ‘los EEUU no interfieren en la política interna de otros países'”.

Según los autores, queda demostrado que Estados Unidos proveyó de material y “soporte estratégico” a partidos opositores de derecha, “algunos de los cuales son violentos y antidemocráticos”.

“Los cables dibujan además una vívida imagen de la mentalidad de Guerra Fría de algunos embajadores estadounidenses y los muestran usando medidas coercitivas”, contra los mandatarios progresistas latinoamericanos, explican Main y Beeton.

El caso de Venezuela

También en el caso de Venezuela, la información provista por las filtraciones de Wikileaks, prueban que EEUU estuvo detrás de varios intentos de derrocamiento del fallecido expresidente Hugo Chávez (1999-2013).

Además del intento de golpe de Estado del año 2002, que quitó a Chávez del poder durante 48 horas, los cables revelan que el Departamento de Estado entrenó y apoyó a líderes estudiantiles opositores, algunos de ellos conocidos por sus intenciones de “linchar” a dirigentes del Gobierno.

Una de las comunicaciones filtradas por Wikileaks, muestran en detalle la estrategia de EEUU para sacar del poder a Chávez, que incluye “dividir al chavismo” y “aislar internacionalmente” al presidente de Venezuela.

En 2010 Wikileaks ya había dado a conocer comunicaciones secretas entre altas autoridades del Gobierno estadounidense, quienes acordaron implementar un plan para “fortalecer los lazos con los líderes militares de la región que compartan nuestra preocupación por Chávez”.

El libro menciona también la intervención política estadounidense en países como Ecuador y Nicaragua.

Wikileaks fue fundada en el año 2006 por Julian Assange, quien escribe el prólogo del libro.

Bajo el lema “abrimos los gobiernos”, la organización lleva filtrados más de un 1,2 millones de documentos clasificados de Gobiernos de todo el mundo.

Iroel Sánchez
No La Pupila Insomne
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Tucanos já traem Eduardo Cunha


Recentemente, alguns fascistas mirins rotularam a cambaleante Aécio Neves de "arregão" por ele ter fugido das marchas pelo impeachment de Dilma. Mas a traição parece estar no DNA do PSDB. Após garantir total respaldo às ações irresponsáveis de Eduardo Cunha na presidência da Câmara Federal, a sigla agora ameaça abandoná-lo a própria sorte. Segundo uma notinha postada no site da Época nesta quinta-feira (1), a revoada dos tucanos já começou numa prova cabal do seu oportunismo político. A sorte é que não dá para deletar as centenas de fotos dos golpistas — mirins e velhacos — com o lobista que mantém contas secretas na Suíça. Vale conferir a notinha da revista:

O deputado Valdir Rossoni (PSDB-PR) publicou na noite da quinta-feira, no Twitter, uma imagem crítica ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A montagem traz duas fotos, uma da presidente Dilma Rousseff e outra de Cunha. Acima delas, uma pergunta: 'Quem faz mais mal ao Brasil?'... O PSDB da Câmara é aliado de Cunha e o tem poupado diante das acusações. Apesar disso, Rossoni é o segundo deputado da legenda que questiona o presidente da Câmara nesta semana. O primeiro foi o deputado Betinho Gomes, que defendeu o afastamento de Cunha da presidência da Casa".

"Rossoni disse que publicou a mensagem para 'sentir a temperatura' dos seus eleitores nas redes. Se eles defendiam o afastamento de Dilma, de Cunha ou dos dois. 'Eu achava que o Eduardo Cunha tinha a coragem de colocar em votação o impeachment. Se ele cair acho que vai tudo por água abaixo', disse o deputado. Questionado, o tucano disse que, se ficar provado que Cunha tem contas na Suíça, 'nada justifica'. 'Se os recursos não tiverem origem, tem de ser cassação (do mandato). Se for verdade a história da conta na Suíça, não existe como defender', concluiu".

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"Sequestrados pelo chantagista"

Aos poucos, Eduardo Cunha vai caindo no total isolamento. No próprio PMDB, seu partido, a reação ao lobista é crescente. Na semana passada, o senador Jader Barbalho, do Pará, foi duro nas críticas ao presidente da Câmara, que sabotou a votação dos vetos presidenciais ao pacote de ajuste fiscal. "Nós estamos sequestrados pelo chantagista", afirmou. Segundo relato do Jornal do Brasil, "numa reunião a portas fechadas com Renan Calheiros, Eduardo Cunha foi classificado como 'chantagista' tanto por senadores peemedebistas quanto por parlamentares de outros partidos". 

Diante das denúncias, que podem resultar na sua cassação — e até na sua prisão —, o lobista ainda tenta resistir e não vacila em utilizar de todos os expedientes. Na semana passada, segundo denúncia da Folha, o deputado ordenou o uso da estrutura da própria Câmara Federal para produzir sua defesa. "Por determinação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a presidência da Câmara encaminhou à bancada do PMDB modelos de requerimentos com o objetivo de produzir documentos para uso em sua defesa na apuração do esquema de corrupção na Petrobras", informa o jornal, que já rifou o lobista.

Eduardo Cunha, que tem a fama de 'calculista', também procura aparentar calma. Nesta terça-feira (29), ele até reuniu uns 50 aliados na sua animada festa de aniversário. A revista Época, que antes bajulava o golpista, mas que agora também resolveu rifá-lo, deu detalhes da festança — que evidencia a doença do cretinismo parlamentar. Muitos dos que cantaram parabéns para o poderoso lobista agora devem estar apunhalando-o pelas costas. Vale conferir a reportagem de Ricardo Della Coletta:

* * *

Eram sete da noite da terça-feira quando o deputado Carlos Marun (PMDB-RS) começou a mobilizar os deputados do partido para a festa de aniversário do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Os peemedebistas foram avisados que o encontro ocorreria, após o fim da votação no Plenário da Casa, num restaurante do Lago Sul, em Brasília. Não por acaso, a sessão da terça não se estendeu até muito tarde e foi encerrada pouco antes das 21 horas.

Ministro dos Grandes Eventos

O empenho de Marun na organização da celebração dos 57 anos de Eduardo Cunha lhe rendeu um apelido entre os deputados do PMDB. Os parlamentares brincaram durante a noite que Marun deveria ser indicado por Dilma ministro “dos Grandes Eventos”. É merecedor do título: cerca de 50 parlamentares passaram pelo local. E não só peemedebistas. Estavam Maurício Quintella Lessa, líder do PR, e os deputados Fernando Francischini (Solidariedade) e Arthur Lira (PP). Também marcou presença o senador Benedito de Lira (PP).

Mesa dos ministeriáveis

Ao fundo do salão, uma das mesas abrigou quatro ministeriáveis do PMDB da Câmara. Manoel Junior e Marcelo Castro, na lista da bancada de indicados para o ministério da Saúde; e Celso Pansera e José Priante, cotados para a segunda pasta que deve ser entregue aos peemedebistas da Câmara. “Quem sentar aqui já pode ser nomeado ministro”, brincou um dos presentes.

Viola minha viola

Cunha chegou pouco antes das 22 horas e foi fortemente aplaudido pelos deputados. Desde o início do jantar, um violonista deu o ritmo da festa. Começou com Lulu Santos e passou por títulos como “Não deixa o samba morrer” e “Tocando em frente”.

O ministro solta a voz

Principal aposta para assumir o ministério da Saúde, o deputado Manoel Junior soltou a voz. Cantou “Espumas ao vento”, de Accioly Neto, “Garçom”, de Reginaldo Rossi, e “Dia Branco”, Geraldo Azevedo. Será que Manoel Junior vai cantar na Esplanada?

Credenciais

Quando Manoel Junior terminou sua primeira canção, alguns deputados brincaram com Marcelo Castro, outro possível ministro da Saúde: “Marcelo, agora é a tua vez!” Castro nem chegou perto do microfone.

Repertório curto

Os parlamentares não deram trégua a Manoel Junior. Disseram que ele tem um repertório de seis músicas e que sempre as repete. O deputado reagiu com bom-humor e revelou que sabe de cor uns 10 títulos de música popular brasileira. Já de forró, continuou o paraibano, sabe cantar umas 20 músicas.

Perdendo votos

Nem mesmo Eduardo Cunha poupou o deputado-cantor. Numa roda de conversa, contou que Manoel Junior o acompanhou em viagens durante a campanha pela presidência da Câmara e, nos encontros com parlamentares, sempre cantou uma ou duas canções. “Perdi muito voto por causa disso”, brincou Cunha.

Parabéns para você

Cunha fez um discurso, mas foi extremamente econômico. Depois do “Parabéns pra você”, limitou-se a agradecer aos presentes. “Que a gente sempre continue juntos, brigando, lutando, compartilhando, sofrendo e rindo. A gente juntos sempre fomos muito mais forte”, declarou.

Ministeriáveis e ministros

O jantar em homenagem a Cunha não teve só ministeriáveis. Apareceram por lá os ministros Henrique Eduardo Alves, do Turismo, e Luís Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União. O chefe da AGU disse que estava em um jantar no mesmo restaurante e que passou para cumprimentar os parlamentares.

Pendura

Não é só o governo Dilma que tem de lidar com déficit. Os deputados racharam a conta do jantar, mas ao final Carlos Marun, "o ministro dos Grandes Eventos", teve de bancar a diferença de R$ 800 entre o que os deputados arrecadaram e gastaram. Hoje, ele deve procurar colegas da bancada para socializar o prejuízo.

Altamiro Borges
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Abraçados ao Cunha

A decisão do Ministério Público Suiço de repassar às autoridades brasileiras, documentação sobre investigação por suspeita de lavagem de capitais, que abriu contra Eduardo Cunha naquele país e, que resultou em bloqueio do montante de dinheiro nas quatro contas que são atribuídas a ele e sua família, além de jogar muita água na fogueira golpista, permite ainda que o observador menos informado, que vem recebendo informações distorcidas do que está sendo investigado, comece a entender o que de fato acontece no cenário político atual: corruptos de vários partidos e grupos de comunicação que sempre sobreviveram das tetas da república esperneando por seus esquemas estarem sendo desmontados.

É uma desmoralização em praça pública de grupos ditos “anticorrupção” que confraternizaram em Brasília, tirando fotos em meio a sorrisos amarelos, com aquele que segundo o Ministério Público Suiço abriu empresas de fachada para lavar dinheiro naquele país.

A oposição silencia obsequiosamente sobre a deterioração de Cunha, inclusive o neo-falastrão FHC, que foi escondido por seu próprio partido durante dez anos depois de um governo desastroso, e não pode ser de outra forma. O único projeto da oposição é conseguir uma forma de voltar ao poder sem ter que enfrentar novas eleições em 2018 contra Lula.

Os grandes grupos de comunicação do país estão no mesmo barco da oposição, em franca crise de credibilidade que precede a financeira, não conseguirão manter atuais impérios por mais oito anos sem que seus aliados políticos retomem o controle da verba publicitária federal, fracionada durante governos petistas.

O que resulta dessa mistura explosiva é essa situação esquizofrênica que vemos no país, onde o presidente da câmara afundado até o último fio de cabelo na lama é tratado como se sua continuidade no cargo fosse normal, inclusive para tocar um processo de impeachment contra um mandatário sem uma acusação sequer.

Fica difícil até para o Homer Simpson entender, mesmo sendo tratado como analfabeto político todo esse tempo, e uma hora ele vai conseguir fazer uma sinapse e perceber que o roteiro que lhe empurraram goela abaixo está cheio de furos, enquanto puderam manter Vaccari e José Dirceu na linha de tiro com o seletivo Moro era possível sustentar aquele roteiro.

A fábrica de tapiocas que montaram para acusar Lula de defender divisas e empregos brasileiros através da diplomacia, como qualquer presidente que preza o seu povo e cumpre seu papel (a despeito de outros que se orgulhavam de serem tratados como vira-latas) já não serve para blindar aliados feridos de morte, nem para esconder discursos falsos-moralistas de políticos que não sabem diferenciar o público do privado quando exercem seus mandatos, como Aécio Neves.

Na imprensa já está um pandemônio, uns analistas já pregam abandonar Cunha, outros mais temerosos que suas cabeças sejam as próximas no seguinte passaralho, insistem que “não é nada demais” e que excetuando petistas, todos devem ter o direito da presunção de inocência.

No meio disso tudo, Dilma reduziu número de ministérios, número de cargos de confiança e seu próprio salário, parece ter recuperado base de sustentação mais firme na câmara, teve uma atuação importante na ONU e, continua mostrando para a população que não cansa de procurar maneiras de superar a crise financeira, que tende a reduzir com o fracasso dos golpistas. Nada poderia ser melhor para ela nesse momento que os ataques de quem aos olhos do país não passa de um bandido.

Aos que permanecem abraçados ao Cunha resta o alerta que podem ir todos para o fundo. Eles agora são indissociáveis.

No Ponto&Contraponto
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Governo sai das cordas e oposição fica nos braços de Cunha

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/10/03/governo-sai-das-cordas-e-oposicao-fica-nos-bracos-de-cunha/

 Governo sai das cordas e oposição fica nos braços de Cunha

No "day after" da reforma ministerial, inverteram-se as posições na tabela do Brasileirão do poder em Brasília. O governo Dilma retomou a iniciativa política e conseguiu sair das cordas, enquanto a oposição quedava de vez nos braços de Eduardo Cunha, na mesma semana em que autoridades da Suíça confirmavam: o presidente da Câmara tem  5 milhões de dólares em quatro contas naquele país, que já foram bloqueadas.

Com o silêncio ensurdecedor dos seus principais líderes, a começar por FHC e Aécio Neves, o PSDB ainda não se manifestou sobre o agravamento da situação do seu principal aliado na batalha pelo impeachment , temporariamente suspensa. Que autoridade moral e legitimidade as oposições têm agora?

Dilma conseguiu seu principal objetivo com a reforma: ampliar a governabilidade. Após o anúncio dos nomes da nova equipe, os principais lideres do PMDB, maior aliado do governo, agora dono de sete ministérios, falaram em reconciliação e fidelidade.

A única exceção foi exatamente Eduardo Cunha, para quem "não mudou nada", o mesmo discurso dos lideres da oposição e dos porta-vozes de amplos setores da mídia, mais uma vez derrotados.

Qualquer que seja o resultado das mudanças a médio prazo, o fato é que a próxima semana começa com o governo fortalecido no Congresso e a oposição acuada, sem poder romper o acordo com Cunha sobre um possível processo de impeachment, nem defendê-lo publicamente, o que não pegaria muito bem para a sua já desgastada imagem de defensora intransigente da moral e dos bons costumes políticos.

Na outra ponta, o mercado reagiu bem: o dólar caiu, ficando abaixo de 4 reais, e a Bolsa subiu 3,8%, na maior valorização diária desde novembro do ano passado. Nove meses após a posse no segundo mandato, em que Dilma pretendia fazer um governo mais independente do PMDB e do ex-presidente Lula, agora ela teve que ceder a ambos para retomar a iniciativa política. Antes tarde do que nunca.

Entre os novos nomes da Esplanada, é sintomático que se destaque a especialidade do Ministro da Saúde, Marcelo de Castro (PMDB-PI): médico psiquiatra. Pacientes certamente não lhe faltarão em Brasília. Vem bem a calhar...

Vida que segue.
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Requião relembra Banestado: roubalheira tucana desviou meio trilhão


O senador Roberto Requião (PMDB-PR) fez um duro pronunciamento esta semana sobre a mãe de todas as corrupções. (assista abaixo)

Não foi mensalão, não foi petrolão.

Foi o Banestado.

(Na época, a imprensa não dava apelido com "ão", não fazia infográficos, charges, não fazia campanha).

Os desvios chegaram a mais de US$ 124 bilhões, ou quase R$ 500 bilhões.

Calculem aí quem souber o quanto isso significaria hoje, contabilizando a inflação.

O próprio Requião lembra que o valor correspondia a bem mais do que as reservas internacionais do Brasil.

É um escândalo totalmente tucano, mas nenhum tucano foi preso.

O juiz do caso foi Sergio Moro, alguns procuradores eram os mesmos da Lava Jato. Não fizeram nada.

Moro soltou Youssef, o principal doleiro do escândalo, e Youssef voltou a roubar.

Miguel do Rosário
No Cafezinho

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As novas mentiras da Revista Época


A Revista Época insiste em mentir, distorcer documentos, misturar acontecimentos sem relação e enganar o leitor de forma impressionante na sua sanha de atacar a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em sua nova edição, a revista começa falando de uma  conversa entre Lula e o vice-presidente da Guiné  Equatorial. Lula nunca escondeu que defendeu a promoção de empresas brasileiras no exterior e não recebe remuneração por isso.  A exportação de bens e serviços brasileiros gera empregos no Brasil, mas a Época deveria preferir que eles fossem gerados na China ou nos Estados Unidos. A Odebrecht não ganhou a referida licitação, e a Guiné Equatorial não tem nenhum financiamento do BNDES.

O ex-presidente Lula sempre defendeu a ampliação das relações comerciais entre Brasil e África, de forma pública e não remunerada. Fez isso inúmeras vezes, inclusive, em um seminário em Brasília, no dia 22 de maio de 2013, em evento organizado pelo jornal Valor Econômico, intitulado “As Relações do Brasil com a África, a Nova Fronteira do Capitalismo Global”. Nesse evento, Lula disse: “Quando assumi a presidência, tinha consciência de que o Brasil precisava conversar com quem tinha maior compromisso histórico ou proximidade com a gente. Isso era essencial para o nosso crescimento, para a nossa expansão. Acabou o tempo em que a gente fica na expectativa do que os americanos iriam gostar. Acabou o tempo em que a Europa ditava as regras.  O Brasil está aprendendo o seu tamanho, a sua importância, a sua capacidade de fazer as coisas. Hoje o mundo comercial é competitivo e ninguém vai dar colher de chá para nós”.

O ex-presidente não recebe remuneração para defender empresas brasileiras, de qualquer setor, no exterior. Faz isso porque acredita na importância disso para o desenvolvimento do Brasil. Fez quando era presidente e continuará fazendo como ex-presidente. 

Lula recebe remuneração profissional apenas e especificamente quando é contratado para dar palestras para empresas privadas, o que fez não só para a Odebrecht, mas 71 vezes para 42 empresas diferentes ao longo de 4 anos e 6 meses. Lula não faz lobby ou consultoria. O valor que foi recebido pelo ex-presidente por palestra para a Odebrecht é o mesmo que o cobrado para palestras para outras empresas. Nem mais, nem menos. Todas as palestras contratadas aconteceram e os dados sobre elas e as viagens do ex-presidente foram repassados ao Ministério Público. A empresa Infoglobo, por exemplo, do mesmo grupo proprietário da revista Época, pagou o mesmo valor que outras empresas por uma palestra de Lula feita no Rio de Janeiro, em 2013. A lista completa de empresas que contrataram palestras de Lula entre 2011 e 2014 é pública. Repetindo: Lula não é lobista, consultor, ou funcionário de nenhuma empresa. É contratado para palestras e só.

A revista depois cita visita do ex-presidente em Gana. Mesmo no trecho parcial do documento exposto por Época, é o presidente de Gana, John Dramani Mahama que cita a questão de financiamento, não Lula. O ex-presidente não interferiu no processo técnico ou critérios de autorização de empréstimo para aquele país. A conversa com o presidente de Gana foi acompanhada e relatada pelo corpo diplomático brasileiro. Qualquer solicitação e liberação de empréstimo no BNDES tem que seguir o mesmo processo de liberação, cuja decisão tem órgãos definidos e responsáveis. Impressiona que a revista Época fale de um chefe de estado estrangeiro sem procurar ouvir a sua versão da história (e errando a grafia do seu nome). Talvez não fizesse o mesmo se a matéria se referisse ao governo norte-americano ou francês.

Época ainda  confunde o leitor sobre as atividades de Lula como ex-presidente ao mencionar dois telegramas diplomáticos de quando Lula era presidente: um de 2007, quando recebeu o presidente de Moçambique e, segundo o telegrama, teve uma atuação absolutamente institucional no encaminhamento de um comunicado do chefe de estado daquele país e o outro uma mensagem diplomática da embaixadora Leda Lucia Camargo sobre possíveis financiamentos à empresa Marcopolo, que como a própria revista registra, sequer aconteceram. É Época que confunde o leitor sobre a diferença de um presidente e um ex-presidente. Não Lula.

Época manipula também seu contato com o Instituto Lula para uma simulação da prática do “outro lado”, ou suposta checagem de informações (que não faz) com o Instituto Lula. A revista diz que o Instituto teria dito que processará jornalistas de Época. É mentira. A Assessoria de Imprensa do Instituto Lula (ou qualquer outra pessoa do Instituto) não disse que processará os jornalistas. O Instituto informou, por e-mail registrado, que o ex-presidente já processa a revista Época por reparação de danos morais, em ação que foi protocolada na Justiça em agosto, por matéria da revista publicada em abril, conforme foi divulgado no site do Instituto Lula , e que por isso não comenta documentos citados pela revista a não ser que tenha acesso ao conteúdo original deles. Por atitudes desse tipo, faz tempo que todos os contatos com a revista Época são feitos através de e-mail ou gravados, para registro, devido ao histórico de alguns jornalistas da revista de distorcer respostas e documentos.

A revista Época já ultrapassou qualquer fronteira da imparcialidade e objetividade jornalística em uma campanha para tentar criminalizar a prática da diplomacia comercial e as atividades de Lula como ex-presidente, quando já não mais ocupava qualquer cargo público. A revista, por exemplo, até hoje não corrigiu nenhum dos erros factuais apontados em matérias anteriores, como os citados no texto “As sete mentiras da Revista Época" 

Todas as viagens e atividades do ex-presidente foram divulgadas para a imprensa quando aconteceram e elas poderiam ter sido acompanhadas naqueles países se houvesse real interesse nas atividades de Lula na África. Mas a revista insiste em tratá-las como se fossem viagens clandestinas e ignorar as ações do Instituto Lula em prol do desenvolvimento social do continente africano – como a participação em reunião da comissão da Unaids no Malauí, e importante Conferência de combate à fome na África organizada pelo Instituto Lula na Etiópia, junto com a FAO e a União Africana, além das inúmeras reuniões e atividades sobre África no Brasil com empresários e acadêmicos, como mostram nosso relatório de atividades.

Especificamente sobre a viagem de 2013 mencionada pela revista Época, copiamos aqui as informações que a revista ignorou.  E no próximo link, um relato das atividades da Iniciativa África do Instituto Lula em 2013. 

Reiteramos a absoluta certeza na legalidade das atividades do ex-presidente Lula, antes, durante e depois da presidência da República. E lamentamos a falta de objetividade, ética, boas práticas jornalísticas e acima de tudo, os preconceitos da revista Época em relação a África e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula
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Como classificar o silêncio de Aécio e FHC sobre Cunha?

Rindo do quê?
Sabe o silêncio que Cunha fez quando Chico Alencar perguntou a ele na Câmara se tinha mesmo contas na Suíça?

Como poderíamos classificá-lo?

Cínico. Cafageste. Culpado. Canalha. Indecente. Patético. Debochado.

Bem, é só ir ao dicionário em busca de palavras negativas e você vai ver que cada uma delas caberá ao silêncio de Cunha diante de Chico Alencar.

Você verá, também, que cada um dos adjetivos vale, igualmente, para o silêncio de FHC, Aécio e Serra sobre o escândalo das contas de Cunha na Suíça.

É um silêncio particularmente revelador este dos tucanos porque mostra a natureza da sua pregação anticorrupção.

Como os golpistas de 1954 e 1964, que tanto usaram o “mar de lama” para derrubar governos democraticamente eleitos pelo povo, o que menos interessa aos tucanos hoje é acabar com a corrupção.

Eles querem é dar um golpe. Não mais e nem menos que isso.

Não que isto fosse novidade.

É estranho alguém como falar em corrupção quando, como FHC, deve um mandato à compra, com cédulas acomodadas em malas, de deputados para aprovar uma emenda.

Ou quando, como no caso de Aécio, usa dinheiro público para irrigar rádios da família e para fazer um aeroporto particular.

O moralismo é o último refúgio dos demagogos, e FHC e Aécio comprovam esta frase.

Escrevi, há algum tempo, que Cunha era um morto vivo. Agora, ele mudou de categoria: é um morto morto.

E não há nada que seus aliados de ocasião possam fazer para devolvê-lo à vida.

As contas suíças são uma cadeira elétrica para o presidente da Câmara. Não apenas a existência delas, mas os detalhes que as autoridades suíças passaram aos brasileiros.

Cunha usou empresas fantasmas para tentar enganar o sistema financeiro suíço, sabemos agora. Colocou pessoas da família como titulares delas, em seu lugar.

Quis ser mais esperto que os suíços, mas deixou suas digitais em sua delinquência. Em todas as contas abastecidas de dinheiro sujo lá estava ele como beneficiário.

A esta altura, você pode resumir o caso assim. Quem está mentindo: os suíços ou Cunha?

O episódio mostra por que é vital acabar com o financiamento privado de campanhas.

As sobras, muitas vezes milionárias, vão terminar em contas como as de Cunha na Suíça.

É por isso que tanta gente se bate pela permanência do dinheiro de empresas na política.

Não é apenas uma forma de se eleger, uma vez que sem dinheiro ninguém faz nada.

É também porque sempre haverá sobras capazes de enriquecer pessoas como Eduardo Cunha.

E o interesse público diante desse descalabro? Ora, dane-se o interesse público.

Enfrentar verdadeiramente a corrupção é varrer da política figuras como Eduardo Cunha.

Mas não é isso — um saneamento — o que querem os cardeais tucanos.

Eles na verdade são um obstáculo no enfrentamento à corrupção.

Por isso, num mundo menos imperfeitos eles acabariam varridos da política como Eduardo Cunha.

Paulo Nogueira
No DCM
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O PMDB nu e cru

O partido bota as unhas de fora, expõe seu famélico desejo de poder e deixa o papel de coadjuvante

Dilma Rousseff e Mercadante (PT) ao lado de Temer, Calheiros e Cunha, todos do PMDB
Sem qualquer constrangimento, o PMDB, nas últimas semanas, desnudou-se para o público em geral, e para a presidenta Dilma Rousseff em particular. Na disputa por mais espaço na administração federal, o partido deu uma lição nua e crua de como pode ser a política de coalizão no que ela tem de pior.

E sempre piora mais quando os aliados, como é o caso de agora, não são agregados em torno de objetivos programáticos. Ou seja, são de campo ideológico diferente. Por isso, os compromissos dão-se em torno do conhecido e amaldiçoado “toma lá dá cá”. 

Embora tenha perdido parte do vigor eleitoral desde a ascensão do PT, o PMDB é ainda o dono da mais poderosa representação no Congresso, com 17 senadores e 67 deputados federais. Além disso, é senhor dos votos capazes de evitar ou promover o impeachment buscado obsessivamente pela oposição. O partido, além da força própria, comanda um bloco de 150 votos na Câmara.

Desiludam-se os ainda iludidos. Se é que eles existem. 

Força-do-PMDB
 
Não se governa sem base sólida no Congresso. É disso que o “aliado” se aproveita para travar queda de braço com Dilma e o PT. Como detentor de uma robusta capilaridade por todo o País, não quer perdê-la. Números oficiais da agremiação indicam o controle de quase mil prefeituras e cerca de 8 mil vereadores. Com essa força, mas sem liderança, tornou-se um aliado do “presidente atual”.

Na pós-ditadura, o partido “ficou” com Sarney, Collor e FHC. Com esses os peemedebistas têm algum parentesco. Com Lula foi difícil a convivência. Com Dilma tem sido muito pior.

Após ganhar a eleição presidencial de 2002, não foi fácil para o presidente montar esse apoio parlamentar. Superou tudo graças à elevadíssima popularidade. Segundo números do Ibope, ele deixou o governo, em 2010, com uma avaliação de 80% no patamar “ótimo/bom”. A confiança nele arrastava 81% da população, e a maneira de governar explodia com 87% de aprovação.

Dilma herdou esse legado. Os bons números, porém, foram se derretendo ao longo do primeiro mandato. Já reeleita, terminou 2014 com 40% de “ótimo/bom”. Tinha a confiança de 51% da sociedade e a aprovação da “maneira de governar” estava na casa dos 52%. 

Ela teve vitória difícil na moldura de uma economia que se desmancharia no começo de 2015.

Além dos erros já admitidos pela presidenta, e com o modelo econômico esgotado, o PMDB botou as unhas de fora e expôs seu famélico desejo de poder. Deixou o papel de coadjuvante e alcançou posição de destaque. Com a reação, com cheiro de chantagem política, abocanhou sete ministérios. Entre eles o poderoso Ministério da Saúde, posto estratégico para os objetivos do partido em 2016 e, quiçá, em 2018. 

Congresso
O PMDB é ainda o dono da mais poderosa representação no Congresso
Geraldo Magela/Agência Senado
Com qual candidato a presidenta iria?

Aconchegado às novas cadeiras da administração, o PMDB só romperá a aliança em tempo hábil para disputar a eleição de 2018 ou para arrumar novo par. Eis o PMDB como ele é.

Maurício Dias
No CartaCapital
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Como é o TCU que vai julgar as contas de Dilma Rousseff


A edição brasileira do Le Monde Diplomatique (a versão internacional mais chamada de “Diplo“) publica artigo esclarecedor — e estarrecedor para quem não conhece as cortes administrativas brasileiras — sobre o Tribunal de Contas da União que, na semana que vem, começa a julgar a contabilidade de 2014 do Governo de Dilma Rousseff.

O texto é de 2009, alertaram-me os leitores, o que o torna mais insuspeito de ser motivado por uma intenção de proteger Dilma Rousseff. Seu autor, que assina com o pseudônimo de João da Silva — o jornal se responsabiliza expressamente por ele — é, provavelmente, servidor ou ex-servidor do órgão, e narrava assim a composição do TCU:

“O TCU (…) é composto majoritariamente por indicados pelo Congresso Nacional entre ex-políticos e funcionários de carreira do Parlamento. No total, os seis integrantes estão assim dispostos: três membros do partido Democratas (DEM) — ministros Aroldo Cedraz (ex-deputado federal), José Jorge (ex-senador) e Raimundo Carreiro (ex-funcionário do Senado); um do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) — ministro Ubiratan Aguiar (ex-deputado federal); um do Partido Progressista (PP) — ministro Augusto Nardes (ex-deputado federal); e um do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) — ministro Valmir Campelo (ex-senador). Integram também o colegiado os três indicados pelo presidente da República: Marcos Villaça (nomeado diretamente por José Sarney); Benjamin Zymler (colocado na vaga de ministro-substituto pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso); e Walton Alencar (também recomendado por FHC na vaga do Ministério Público junto ao TCU). Estes dois últimos ingressaram no TCU por concurso público. “

Os ministros que eram parlamentares, lembra o texto, tiveram suas campanhas financiadas por empresas que tem as contas de obras que realizam ou realizaram para o governo julgadas ali: “O ex-senador José Jorge, por exemplo, teve como principal financiador de sua eleição em 1998 a CBPO Engenharia. Já o ministro Aroldo Cedraz, em sua campanha para deputado federal pela Bahia em 2006, recebeu recursos da empresa Norberto Odebrech, uma das maiores prestadoras de serviços ao governo federal”.

E mesmo os que não têm esta origem passam, ali, a ter grandes amizades.

“Recentemente, a Polícia Federal abriu investigação sobre a empreiteira Camargo Corrêa por suspeita de remessa ilegal, superfaturamento de obras públicas e doação irregular a partidos. Por duas vezes, a investigação esbarrou no TCU. A primeira, com o filho do ministro Valmir Campelo, Luiz Henrique, diretor de Relações Institucionais da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e citado na operação como intermediário de supostas doações ilegais da empreiteira Camargo Corrêa para políticos. Valmir Campelo é relator da auditoria que investiga supostas irregularidades nas obras da refinaria do Nordeste, em Pernambuco, que tem participação da Camargo Corrêa. A segunda foi com o ministro Augusto Nardes: soube-se, via investigação da PF, que um funcionário da empresa, Guilherme Cunha Costa, atuou para que o ex-deputado Nardes fosse nomeado ministro do TCU, em 2005. Já no cargo, Nardes avaliou o contrato da Camargo Corrêa para a construção da eclusa da hidrelétrica de Tucuruí (PA) e permitiu à empresa obter um pagamento extra, maior que o previsto no contrato — de R$ 62 milhões, o adicional passou para R$ 155 milhões. “

João da Silva pergunta: quem controla essas decisões do TCU?

“Em tese, o peso e contrapeso (…) poderia ser exercido pelo Ministério Público junto ao TCU. Porém, o procurador-geral Lucas Furtado, que está há dez anos no cargo, expediu portaria em 2005 limitando a atuação dos demais procuradores e avocando para si a prerrogativa de interpor recurso em qualquer processo.”

Lá no TCU, o poder  “é meu e ninguém tasca”…

Fernando Brito
No Tijolaço
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Lula escreve carta em resposta a José Eduardo, filho de Hélio Bicudo

Em outros tempos
Lula escreveu uma carta a José Eduardo Pereira Wilken Bicudo, filho de Hélio Bicudo. José Eduardo deu um depoimento ao DCM em que manifestou seu descontentamento com a guinada conservadora do pai.

“O pedido de impeachment do qual meu pai é signatário é uma das inúmeras decorrências de sua infeliz trajetória nos últimos dez anos”, disse, dando sua visão para o que chamou de “rancor desmedido em relação ao PT e sobretudo a Lula”.

A resposta de Lula foi enviada com exclusividade ao DCM. Confira:

Caro José Eduardo,

Agradeço, de coração, o testemunho isento que você prestou sobre minha convivência com seu pai. Seu depoimento denota um grande força de caráter, pois imagino o quanto deve ser doloroso para um filho divergir publicamente do pai em questões dessa natureza.

Poucas coisas na vida são tão importantes quanto manter o respeito e a consideração pelas pessoas, acima de eventuais divergências, mesmo que o tempo nos leve a trilhar caminhos distintos.

Nos últimos anos, tenho recebido em silêncio os sucessivos ataques do doutor Hélio Bicudo, pontuados de um rancor cujos motivos, José Eduardo, você caracteriza claramente em seu depoimento.

Tais manifestações, no entanto, ultrapassaram todos os limites numa recente entrevista, na qual ele atacou frontalmente minha honra pessoal e fez acusações caluniosas, ofensivas e desprovidas de qualquer fundamento.

Diante desses ataques, não posso permanecer calado, em respeito à minha família, aos meus companheiros e aos que sempre compartilharam conosco a luta por um Brasil melhor e mais justo.

Por isso dirijo a você essa mensagem, caro José Eduardo.

São infâmias proferidas por uma pessoa que, no passado, destacou-se pela defesa da lei e da verdade. E que tristemente se apequena aos olhos do presente e do futuro.

Compartilho com você o sentimento de repúdio ao comportamento oportunista de setores da imprensa que exploram politicamente essa triste situação.

Espero que as deliberadas injustiças que o doutor Hélio Bicudo hoje comete não ofusquem a contribuição que ele já deu ao Estado de Direito no nosso país. Mas a calúnia rancorosa e sua exploração pela imprensa servem para nos  alertar sobre a necessidade de limites morais na disputa política.

Querido José, eu até pensei em tomar medidas judiciais a propósito dessas injúrias. Mas não o farei em atenção a você e a seus familiares. Eu e seu pai somos cristãos e ele tem consciência de que Deus sabe que ele está mentindo.

Luiz Inácio Lula da Silva

Kiko Nogueira
No DCM
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O erro de Padilha ao ser novamente hostilizado num restaurante de SP




Alexandre Padilha foi novamente hostilizado em um restaurante de São Paulo.

Não é a primeira vez. Em maio, no Itaim Bibi, um sujeito o xingou falando do Mais Médicos, programa implementado em sua gestão.

A segunda vez foi há dias no Jardim Paulista. Padilha almoçava, tomando uma cerveja, num lugar chamado Aldeia. Um bando numa mesa atrás da dele passou a fotografá-lo e a filmá-lo. Padilha os interpelou e então vieram os insultos de “ladrão”, “filho da puta” etc.

No vídeo, é possível vê-lo trocando algumas palavras com os homens, mas não dá para entender o que diz. O secretário de saúde finalmente sai e eles ficam ali, sem maiores, na paz.

De acordo com um funcionário da casa ouvido pela Folha, Padilha estava tranquilo e falou que não ligava porque “já está acostumado” e “faz parte da política”.

Mais tarde, ele divulgou um comunicado: “Meus amigos e amigas, repudio toda e qualquer manifestação de ódio e intolerância”. Condenou “pessoas que querem expulsar do convívio social quem pensa e age diferente delas”.

Padilha errou.

Errou porque esse tipo de covardia deixou de “fazer parte da política”, como ele argumentou, para se tornar um modus operandi que precisa de uma resposta na forma da lei. Não faz sentido achar normal ser expulso de um estabelecimento comercial por uma escória.

Constrangimento ilegal é crime previsto no Código Penal. É necessário chamar a polícia. Depois, como fez Mantega, que se processem os caras. A omissão favorece o canalha.

Em agosto, um protesto de neonazis em Liverpool foi humilhado. Houve um enfrentamento com antifascistas, que atiraram ovos e garrafas pet nos manifestantes. Encurralados na estação de trem, tiveram de desistir do programa.

“Uma coisa é a liberdade de expressão, pela qual temos todo o apreço. Outra é a pregação da violência e da barbárie e isso nós não permitiremos na nossa cidade”, afirmou um morador.

Paulo Maluf nunca foi incomodado em nenhum local público de São Paulo. Eduardo Cunha, se andasse por Moema, provavelmente seria ovacionado e daria autógrafos.

Cretinos podem exercer sua indignação seletiva à vontade. Mas não estão acima da lei, ao menos por enquanto.

Kiko Nogueira
No DCM

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Fernando Morais analisa a capa das revistas semanais


O presidente da Câmara dos Deputados é acusado pelo governo da Suíça de manter várias contas secretas no país, para lavagem de dinheiro — fato que ele havia negado diante de uma CPI.

E o que é o assunto de capa das três maiores revistas nacionais?

O ex-presidente Lula.

É a merecida paga que o PT recebe por ter, durante doze anos, chocado o ovo dessa serpente com verbas publicitárias do Estado.

Fernando Morais
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Vergonha e Redenção à Esquerda

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=202

Em sessenta e cinco anos de história brasileira, os grupos políticos à esquerda amealharam algumas dolorosas derrotas. Logo ao início dos anos 50, feroz oposição liderada pelo Partidão ao segundo governo de Getulio Vargas só cessou quando a oposição conservadora emudeceu perante o suicídio presidencial, em agosto de 1954. A memória seletiva da esquerda tradicional apagou a ferida de que a morte de Getulio não calou apenas a direita.

Triunfalismo na interpretação da vitória sobre a tentativa golpista de impedir a posse de João Goulart, em 1961, estimulou radicalismo esquerdista crescente que, somado à míope presunção antecipada de poder, manietou o governo trabalhista e pariu a anestesia de todos os setores da esquerda, espectadora aturdida da marcha patusca de Mourão Filho, em 31 de março/ 1 de abril de 1964, transformada em vitória da reação, quarenta e oito horas depois, sem enfrentar resistência séria. A versão canônica da esquerda some com vários personagens do enredo e coloca fuzileiros navais americanos, que não estavam no roteiro, dando sentinela às portas do palácio do Governo, recebendo os golpistas que atravessavam a rua, vindos do Congresso. A derrota perdurou por 21 anos.

A partir de 1969, com o início da segunda edição do golpe civil-militar, registrada como Ato Institucional nº 5, veteranos de organizações revolucionárias convocaram a paixão de generosa juventude e acreditaram na via armada para o socialismo. A desilusão com as históricas lideranças progressistas, particularmente com o Partidão, cobriu de simpatia o apelo heroico e, a acreditar no testemunho posterior e memorialístico de sobreviventes, o estoque natural de solidariedade dos dezoito anos fez com que muitos ingressassem na rebelião acompanhando amigos de geração ou colegas de colégios e universidades. Para alguns mais lúcidos, a guerra foi perdida quando se deram conta de que “reagrupamentos de forças” escondiam contundentes derrotas físicas e, mais friamente, quando a taxa de recrutamento de combatentes ficou sistematicamente abaixo da taxa de perdas por desaparecimento, morte e prisão. Duríssimos momentos em que a rendição significava aparente e irreparável traição emocional aos companheiros mortos pela causa que estavam prestes a confessar perdida. Desde 1974, a tentativa revolucionária, como opção coletiva, estava destruída. Os militares, no entanto, fizeram dos mortos fantasmas a assustar conservadores e liberais por mais 11 anos.

De todas as desventuras, inclusive menores, os grupos à esquerda saíram feridos, mas não envergonhados. O rubor nunca fez parte do cardápio do campo progressista da política. Até recentemente. Por maior que seja o exagero e a falsificação do noticiário, por extensa que se prove a arbitrariedade do judiciário curitibano, não é possível à esquerda fingir que não é com ela. Reinterpretar a história para ficar bem na foto é estratégia eficaz enquanto a emoção não entrega os pontos. E não há cremes e batons que disfarcem o embaraçoso corado da face, o caminhar desorientado, o desânimo vocal. Trata-se de uma prostração histórica, não da batalha circunstancial de uma eleição ou outra. Vitórias eleitorais serão importantes, mas insuficientes para convencerem bons filhos a retornarem à casa antiga. A ruptura com os seduzidos pelos nefandos hábitos da direita privada, sempre pronta a expropriar clandestinamente os recursos públicos, é inevitável. Difícil e triste, pois exige autocondenar a negligência com que cada um se deixou encantar por um punhado de bravos, que o foram, quando deixaram de o ser. Crimes da direita não redimem pecados da esquerda.

A favor dos direitos civis e políticos de todos, não satisfaz à esquerda, contudo, refutar ilícitos de que herdaram a responsabilidade política com a denúncia de ilícitos cometidos pela processualística das investigações. A purga do desencaminhamento será amarga e lancinante. A começar pelo desconforto de reconhecer por ações e palavras que parte dos decaídos, a maior talvez, não está mais entre nós. E convocar os dispostos à longa reconstrução institucional do destacamento de vanguarda do país. A contabilidade de quantos bons filhos de boa fé sobraram é urgente.
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Marcelo Tas e a embaixada ianque

Sem qualquer pudor nacionalista, a Folha colonizada publicou uma curiosa notinha nesta sexta-feira (2): "O apresentador Marcelo Tas virou assunto de e-mails trocados por assessores de Hillary Clinton com a então secretária de Estado em 2011. O motivo? Tas repassou, em sua conta no Twitter, uma mensagem do então assessor de Hillary para Inovação, Alec Ross. Ross narrou o feito em e-mail de agosto de 2011 a Thomas Shannon, então embaixador dos EUA. 'Você já me ouviu falar sobre como devemos cultivar 'influenciadores de mídias sociais' com o objetivo de validar e amplificar a nossa mensagem', disse Ross".

"Influenciadores de mídias sociais" poderiam ser encarados como porta-vozes de luxo das políticas do império. Mas a Folha não faz qualquer reparo e ainda acrescenta: "O assessor [Ross] conta então que Marcelo Tas foi convidado para um 'café' por iniciativa da embaixada meses antes durante uma visita ao Brasil. 'Nesta manhã, publiquei algo sobre Síria no meu Twitter. Tas pegou, reescreveu em português e então o disseminou para os seus quase 2 milhões de seguidores no Twitter', disse. 'O mais importante é que eles não pensam que isso seja algo que o governo dos EUA está colocando, mas sim o Marcelo Tas', completou. A troca de e-mails chegou a Hillary, que celebrou: 'É um bom exemplo'".

De fato, um baita "influenciador de mídias sociais" e, tudo indica, sem remuneração. Ainda segundo a Folha, Marcelo Tas tem hoje 8 milhões de seguidores no Twitter. Ele garante que "Alec Ross não lhe pediu para publicar nada. 'A gente conversou sobre mídias sociais, assunto em que ele é especialista'. A celebração de seu tuíte por assessores é 'normal', diz o apresentador. 'A novidade é o Estado americano me achar relevante', afirma". Além de influenciador de mídias sociais, o rapaz é modesto! No seu tempo de chefão do CQC, na Band, ele também era bastante comedido nas suas críticas ao chamado "lulopetismo", que tanto desagrada o império ianque nas suas relações internacionais. 

Altamiro Borges
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Lula e Levy: salvar as empresas e punir os culpados

Proposta permite que se resolva a questão econômica das ações de indenização sem retirar os processos de responsabilização criminal


O Presidente Lula e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, incentivam a proposta de um acordo de adesão que permite que as empresas envolvidas na Operação Lava Jato ressarçam os recursos discutidos em ações de indenização. A ideia é de que as empresas paguem a União e a Petrobras com participações nas Sociedades de Propósito Específico (SPE), montadas para os projetos de infraestrutura.

A informação é do jornal Valor Econômico, da última sexta-feira (2).

A proposta foi explicada por Gilberto Bercovici, em entrevista ao Conversa Afiada.

Bercovici é um dos autores da proposta.

Ao Valor:

Lula e Levy incentivam proposta para acordo com empresas

A proposta de um acordo de adesão que permita às empreiteiras envolvidas na Operação Lava ­Jato ressarcir os recursos discutidos em ações de indenização ganhou ímpeto. Abraçada no nascedouro pelo ex-­presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ideia de que as empresas ressarçam a União e a Petrobras com as participações nas Sociedades de Propósito Específico (SPE) montadas para os projetos de infraestrutura conta com opiniões favoráveis de reconhecidos especialistas em economia e direito e com o aval público do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

A proposta não depende de nenhuma mudança legislativa: poderá ser aplicada por decreto presidencial. Foi originada a partir de parecer de três advogados de São Paulo e possibilita resolver a questão econômica envolvida nas ações de indenização, sem retirar ou suspender os processos para responsabilização criminal.

O parecer deve ser editado em livro em cerca de 15 dias, com comentário de Levy, do ex­-ministro da Fazenda Delfim Netto, do economista Luiz Gonzaga Belluzzo e dos juristas Modesto Carvalhosa e Heleno Taveira Torres. Lula é citado pelos autores, como "um dos primeiros e principais entusiastas do plano". O ex­presidente teve acesso ao parecer antes do próprio ministro da Fazenda.

No texto que assina no livro, Levy conta que recebeu no segundo trimestre de 2015 o parecer de autoria dos advogados Walfrido Jorge Warde Jr., Gilberto Bercovici e José Francisco Siqueira Neto. O trabalho, conta, chegou às suas mãos por Torres, que incentivou os advogados a colocar a ideia no papel.

No livro, Levy considera que o aspecto mais inovador da proposta é permitir uma forma de pagamento que permita, além do ressarcimento das partes lesadas, a abertura de mercado não só de ativos, mas de contratos de construção de infraestrutura.

(...)

No CAf
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Países do Brics partilham sistema de mídia que defende interesses da elite, diz pesquisadora

Raquel Paiva, coordenadora de estudo que mapeia a mídia no bloco emergente e professora da UFRJ, aponta similaridades do jornalismo nos cinco países

Raquel Paiva é professora titular da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Raquel Paiva é a pesquisadora responsável por coordenar o núcleo brasileiro de pesquisa que faz um mapeamento da mídia nos Brics. Em entrevista a Opera Mundi, a professora de comunicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) apresentou os primeiros resultados do estudo comparativo do Brasil com Rússia, Índia, China e África do Sul.

A perspectiva inicial é que os problemas de concentração e os interesse econômicos e políticos a frente dos veículos de comunicação é uma questão em comum entre os países do bloco emergente.Na esteira do crescimento dos Brics, Raquel acredita no esforço conjunto de grupos de pesquisa, profissionais e sociedade civil para que o bloco emergente possa também representar um novo modelo comunicacional contra-hegemônico.

Por que é importante discutir mídia e comunicação social na perspectiva dos Brics? O que há em comum entre os países que compõe o bloco em termos de comunicação?

Acredito que da mesma maneira que se discutem outras variáveis com relação a este bloco que se iniciou e se consolidou a partir principalmente do viés econômico, outras forças também passam a ser elencadas como passíveis de discussão. Até mesmo questões que estejam de fato relacionadas à vida de suas populações e à solução de problemas seculares. A comunicação social em todas as abordagens é fundamental neste contexto.

De comum entre os países que compõe este bloco acho que há principalmente o sofrimento da maior parte da população, a existência de castas e elites transnacionais, um sistema de mídia que defende os interesses dessa elite politica e econômica, concentração de veículos, uma legislação restritiva de produção e um avanço tecnológico que pode interferir de maneira decisiva nessa concentração dos centros produtores de informação e entretenimento.

Enquanto bloco emergente, você acredita que os países que integram os Brics podem apresentar contribuições para pensar a comunicação para além de uma lógica hegemônica? Ou seja, é possível pensar em novas formas de produção que nascem na esteira de uma nova organização mundial?

Bom acho que sim, é possível idealizar e mesmo gestar novas formas de comunicação. Mas até agora constatamos a presença do mesmo modelo e com uma censura forte que se não é politica, mas é econômica. Não sei exatamente se estas novas possibilidades discursivas surgiriam a partir de um novo bloco governamental, mas acredito firmemente que grupos de pesquisa, de professores, de jornalistas desse bloco capazes de dialogar podem sim gestar novas possibilidades informacionais e comunicacionais.



Você poderia explicar em termos gerais a pesquisa que você coordena no Brasil? Como ela se integra com o que os colegas de outras universidades dos Brics estão desenvolvendo. O que é particular ao Brasil pensando no bloco?

A pesquisa, financiada pela Academia de Ciências da Finlândia, tem um grande jornalista e pesquisador importante na área como condutor: Kaarle Nordestreng. Desde 2012, temos trabalhado em conjunto no sentido de estabelecer focos de pesquisa, metodologias capazes de fazer dialogar estruturas comunicacionais aparentemente tão distantes uma das outras. O primeiro trabalho foi de análise da profissão do jornalista nos países deste bloco. A pesquisa obedeceu a uma metodologia bastante rígida de entrevistas com profissionais de quatro cidades com perfil previamente determinado. Foram 144 entrevistas em cada país e os dados encontrados foram bem semelhantes aos das demais pesquisas realizadas recentemente no país. Ou seja, uma profissão exercida cada vez pelos mais jovens, não filiados a sindicatos, salários baixos, com diploma de jornalismo e ainda acreditando na função social do jornalismo e alguns dados mais específicos da pesquisa como filiação, opinião sobre censura, protestos, uso de novas ferramentas como as redes sociais,produção de matéria paga, etc.

Quais são os próximos passos para a pesquisa?

A segunda pesquisa está sendo realizada sobre sistemas de mídia em cada um dos países, também teremos ainda uma incursão sobre a produção ficcional. Esta primeira etapa do projeto estará concluída no próximo ano. Estamos agora também em fase de elaboração das novas metas do projeto para os próximos quatro anos. Eu acredito que tem sido fundamental para todos nós envolvidos no projeto, professores e pesquisadores nos países que integram o bloco. O trabalho coletivo e as trocas de conhecimento têm sido fenomenal. Acredito que devemos pensar em sermos daqui para frente mais propositivos, trabalhando com cenários e propondo novos formatos de comunicação. Eu tenho falado com muita frequência com os colegas da possibilidade de criação de uma agência de noticias (dos Brics). Pode parecer um sonho, mas acho cada vez mais viável.

Cada país tem uma linha de pesquisa que adota, principalmente marcada pelos estudos anglo-americanos. A pesquisa na área da comunicação no Brasil recebeu também uma forte influência francesa e isso consolidou seu aspecto crítico e criativo. Eu continuo achando que a pesquisa brasileira, pelo menos na área da comunicação que eu conheço de perto, é de ponta. Conseguimos gerar uma produção empírica, de análise dos fenômenos, mas ao mesmo tempo com critica, analítica e interpretativa. E temos conseguido inserir essa perspectiva nas discussões com o grupo.

(*) Raquel Paiva, professora titular da Escola de Comunicação da UFRJ, pesquisadora 1A do CNPq, coordenadora do Laboratorio de Comunicação Comunitária - LECC
Dodô Calixto
No Opera Mundi
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Lula interpela jornalistas a explicar calúnias na Justiça


Nota à imprensa:

São Paulo, 2 de outubro de 2015,

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva  apresentaram pedidos de interpelação judicial para que jornalistas das revistas Época e Veja reafirmem ou não informações mentirosas publicadas em seus meios de comunicação.

Ao longo deste ano, Lula tem sido alvo de uma campanha de difamação que tem como objetivo manchar sua biografia e distorcer a percepção de sua gestão à frente da Presidência da República, que teve ampla avaliação positiva. Respeitando a liberdade de imprensa, o ex-presidente exerce seu direito de ir à Justiça questionar informações equivocadas veiculadas pela imprensa. 

Os advogados do ex-presidente Lula apresentaram ações de interpelação judicial contra os jornalistas Filipe Coutinho, da revista Época, Rodrigo Rangel e Hugo César Marques, editor e repórter da revista Veja, para que eles esclareçam textos que relacionam, de forma mentirosa, Lula às investigações da Operação Lava Jato.  E também pela reportagem “Nosso Homem em Havana”, de Thiago Bronzatto, publicada na revista Época em agosto, que acusa o ex-presidente de tráfico de influência em seus encontros com presidentes de outros países. Após o fim do seu mandato, Lula se encontrou com mais de 45 chefes de estado (entre presidentes e primeiros-ministros). A lista desses encontros  está disponível no relatório do Instituto Lula (http://www.institutolula.org/relatorios/institutolula2015.pdf). O texto de Época afirma que “sempre” teria havido tráfico de influência em tais encontros, o que jamais aconteceu.
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