28 de set de 2015

Eleição argentina pode terminar no primeiro turno


Apresentada como derrotada, a presidenta argentina Cristina Kirchner está a pouca distância de conseguir comemorar a vitória, em primeiro turno, de seu candidato a Casa Rosada, Daniel Scioli, segundo admitiu até  jornal oposicionista Clarín na semana passada.

Não é certo, claro, porque é preciso chegar a 45% dos votos, ou então obter mais de 40% e  abrir uma vantagem mínima de 10 pontos sobre o segundo colocado.

Quase todos os levantamentos colocam Sciolli entre 39 e 41%, mas dos votos totais, não dos válidos, e atribuem 30% ou pouco menos ao líder do Cambiemos, Maurício Macri, coligação da direita. Com isso — e a margem de erro das pesquisas — não é impossível que a eleição seja decidida já em 25 de outubro.

Mesmo com poucas alterações, o quadro nas últimas semanas é de ligeira ascensão de Scioli e pequenas quedas de Maurício Macri e Sergio Masa, seus principais concorrentes.

As projeções de segundo turno, caso aconteça, indicam a mesma diferença dos prognósticos do primeiro turno entre Scioli e Macri: cerca de 10 pontos, também.

De quebra, Macri foi atingido pela denúncia do jornal Tiempo Argentino de que o jornalista Fernando Niembro, comentarista da Fox Sports, através de sua produtora “La Usina” havia irregularmente faturado contratos com o Governo da Cidade de Buenos Aires de US$ 20 milhões durante sua gestão.

Nada mau para um país que aqui é apresentado como “quebrado” pelo “populismo kirchnerista”, não é?

Fernando Brito
No Tijolaço
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Promovido pelo MPF, seminário defende mídia plural e democrática

Toby Mendel: 'Mídia precisa de ambiente plural e democrático'.
Foto: PFDC
“É fundamental entendermos a regulação da mídia como um instrumento de promoção da liberdade de expressão, e não como censura”, defendeu Aurélio Rios, Procurador Federal dos Direitos do Cidadão. A afirmação foi feita na abertura do Seminário Internacional Regulação da Mídia e Direito à Comunicação, nesta quarta-feira (23), em São Paulo.

No primeiro evento em que o Ministério Público Federal dedica-se exclusivamente a discutir o tema, Rios argumentou que a questão da regulação é de extrema importância à sociedade e à democracia. Segundo ele, “uma mídia plural e democrática tem a ver com o acesso a direitos e com a visibilidade ou invisibilidade de grupos sociais”.

As experiências e reflexões trazidas por debatedores brasileiros e estrangeiros, na avaliação do procurador, ajudam a jogar luz sobre um debate interditado pelos grandes meios de comunicação. “O momento crítico que atravessamos, com o debate político no subsolo, torna urgente discutirmos liberdade de expressão com pluralidade e respeito à democracia”, opinou. “É imprescindível que haja multiplicidade de vozes e pontos de vista no debate público”.

Secretário-Executivo das Comunicações, Luiz Azevedo concordou que o Ministério das Comunicações tem sido, há anos, omisso acerca do tema. “Historicamente, o Ministério é mais um cartório de outorgas de concessões do que um elaborador de políticas públicas”, criticou.

Em janeiro de 2015, o Ministério acumulava 54 mil processos de outorga em aberto. A lógica, segundo Azevedo, é de “quanto menos o Ministério funcionar e menos outorgas emitir, mais concentração e, consequentemente, maior poder aos grandes veículos”.

Este processo, segundo o Secretário-Executivo, é agravado pelo coronelismo eletrônico que impera no sistema de comunicação brasileiro. “Quem no Congresso não tem nenhum vínculo ou relação íntima com algum veículo de comunicação?”, questiona. “A pasta sempre obedeceu essa diretriz de que a mídia é uma plataforma de construção de poder regional ou nacional”.

Apesar da vontade de envolver a sociedade em um amplo debate sobre regulação da mídia, algo que tem sido repetido pelo Ministério desde que Ricardo Berzoini o assumiu no início de 2015, Azevedo reconhece que a conjuntura é desfavorável para iniciativas concretas. Por isso, afirma, o Ministério tem focado em se ‘desburocratizar’.

O poder que se enfrenta ao colidir com os interesses dos grandes grupos do setor, porém, é enorme. “Portarias do Ministério que beneficiam e desburocratizam o processo de outorgas para rádios comunitárias mal foram publicadas e já receberam contestações judiciais por parte da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert – entidade patronal do setor)”, revelou. “A musculatura do movimento social e iniciativas dos órgãos públicos, como o MPF, são ferramentas importantes para enfrentar essa conjuntura”.

Toby Mendel, Diretor-Executivo do Centro de Direito e Democracia e consultor internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), traçou um breve paralelo entre o caso brasileiro e o de Myanmar. “Há apenas três anos, o país asiático era um dos mais repressivos do mundo quanto à mídia, com forte sistema de censura prévia”, afirma. “Hoje, conta com uma lei avançada, dentro de padrões internacionais de liberdade de expressão”. Enquanto isso, “o Brasil superou a censura há décadas e segue sem regulação”.

Liberdade de expressão, um conceito em disputa

De acordo com Mendel, não existe liberdade de expressão de fato se esta está restrita a um punhado de meios com linhas editoriais homogêneas. “O direito de receber informação deve compreender o acesso a um amplo leque de informação e ideias”, assinala. “Esse é o conceito de media diversity (diversidade midiática), fundamental à cidadania”.

O especialista destaca que é papel do Estado promover um ambiente plural e democrática através da regulação, que deve ser feita, impreterivelmente, por órgãos independentes. “Não são os políticos que devem decidir quem pode e quem não pode ser um player da mídia. É injusto com os meios e com o público”, pontua. “Você não pode regular o setor se o setor te controla”.

Há mais de 10 anos acompanhando a situação do Brasil, Mendel lamenta a postura dos conglomerados midiáticos nesse debate. “Há um argumento dominante com uma compreensão muito rasa quanto ao que é liberdade de expressão. Dessa forma, os meios dominantes inflamam a discussão e a opinião pública contra a regulação”.

Experiências no Cone Sul

Renata Mielli, do Barão de Itararé, mediou mesa com Gustavo Gómez e Martín Becerra.
Enquanto o Brasil vacila, diversos países do continente avançaram na construção de leis que desconcentram a mídia e iniciam um processo de democratização do setor. No Seminário, foram destacados os casos de Argentina e Uruguai, que aprovaram leis definindo regras democráticas para a exploração dos serviços de radiodifusão.

Professor na Universidade de Buenos Aires e na Universidade Nacional de Quilmes, Martín Becerra explicou que, em toda a América Latina, a ausência de regulação forma o que alguns autores chamam “sistema ‘politicamente dócil’ de comunicação”. “São sistemas concentrados, pouco regulados e carentes de uma voz pública que não seja comercial e que não se reduza à propaganda governamental”, disse.

Não há lei perfeita, que abarque e solucione todos os problemas do setor, argumenta Becerra. As leis aprovadas no continente, entretanto, buscam reduzir os danos à democracia causados pela falta de regras, limites e transparência no setor.

“A Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual da Argentina não regula a linha editorial de nenhum veículo”, defende o estudioso. “O que ela faz é dividir o espectro radioelétrico, sendo que um terço é destinado a meios comunitários e sem fins lucrativos, enquanto o restante é dividido entre meios comerciais e o restante dos veículos”.

Ainda que seja uma referência para o movimento social brasileiro, Becerra pondera que, há seis anos de sua aprovação, a lei obteve pouquíssimos avanços. “Há um forte processo de judicialização por parte do grupo Clarín, que conta com uma boa dose de generosidade do Poder Judiciário”, explica.

Mas há outras problemáticas, segundo Becerra, que dificultam a missão de transformar a lei em realidade concreta. “Não se muda nada apenas aprovando leis se não há políticas públicas que se somem a elas”, sentencia. “Trata-se de uma estrutura muito arraigada, difícil de alterar”, acrescenta. “É uma questão de maturação política”.

Gustavo Gómez, ex-secretário nacional de Telecomunicações do Uruguai e um dos formuladores da Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual, aprovada em 2014, lista três razões suficientes para regular o setor.

Em primeiro, para atualizar legislações ultrapassadas — na Argentina, no Uruguai e na maioria dos países do continente, vigoravam ou vigoram leis de imprensa criadas por ditaduras militares. Depois, para ampliar a liberdade de expressão e, por fim, para dar conta de desafios tecnológicos.

O uruguaio cita o ex-presidente José Mujica para rebater as constantes acusações de que a lei de seu país representaria uma agressão à liberdade de expressão. “A lei não apenas não promove a censura, como cria segurança jurídica para os atores do setor, que caminham em terrenos ainda movediços”. Em seus 200 artigos, explicou Gómez, apenas cinco tratam da regulação de conteúdo: “Algumas das regras dizem respeito à proteção da infância e da adolescência, entre outros direitos que precisam ser balanceados”.

Em cenário similar ao argentino, a lei uruguaia acumula mais de 20 ações de inconstitucionalidade movidos pelos grandes meios de comunicação. “A opção do presidente Tabaré Vázquez foi aguardar o parecer da Justiça para levar a lei a cabo”, sublinha, garantindo que “a sociedade civil está trabalhando intensamente para que não se perca mais tempo”.

Elogioso à iniciativa do Ministério Público Federal em debater o assunto ‘espinhoso’, Gómez declarou-se admirado com o acúmulo que o Brasil vem criando. “Em termos de aliança e mobilização, o movimento social brasileiro está muito a frente de países que, circunstancialmente, aprovaram leis para o setor”.

Felipe Bianchi
No Barão
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No RS Secretário da Segurança defende que “pessoas mais desprendidas” façam trabalho da polícia

“A lei permite que qualquer cidadão prenda em flagrante quem estiver cometendo crimes”, disse o Secretário
da Segurança do RS



O Secretário da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Wantuir Jacini, defendeu que a parcela “mais desprendida” da população exercite o papel de polícia e aja por conta própria quando presenciar algum crime. A afirmação foi feita durante entrevista ao programa Conexão Guaíba, da Rádio Guaíba. Na entrevista, Jacini rejeitou o pedido feito pelo prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, que defendeu a convocação da Força Nacional de Segurança para enfrentar a onda de violência que se abateu sobre o Estado nos últimos meses. Ao invés disso, pediu apoio das “pessoas mais desprendidas” para enfrentar a criminalidade:

“Concordo que a sociedade não tem esse preparo, no entanto, a lei permite que qualquer cidadão prenda em flagrante quem estiver cometendo crimes. A obrigação é da polícia, não estou dizendo que todo cidadão faça isso, mas as pessoas mais desprendidas que fizerem estão respaldadas pela lei. Melhor seria não atuar, mas se for inevitável, que atuem”.

As declarações do Secretário contrariam as orientações expressas dos órgãos de segurança que orientam as pessoas a não reagir em caso de assaltos ou outros tipos de crimes. A página da Brigada Militar dá as seguintes orientações à população:

— Não reaja, a reação pode cuasar sua morte.

— Procure manter a calma diante de uma arma, mesmo que isso pareça difícil.

— Acredite sempre que a arma do bandido é verdadeira e está carregada.

— O bandido está quase sempre mais nervoso que a vítima, mas, em geral, não tem a intenção de matar.

— Não faça movimentos bruscos e procure alertar o assaltante dos gestos que pretende realizar, como pegar uma carteira, por exemplo.

— Tenha consciência de que há possibilidade de existir outra pessoa dando cobertura ao crime.

— Lembre-se que o bem maior é a vida. Bens materiais podem ser adquiridos novamente.

— Procure observar as características dos assaltantes, se possível.

— Após o criminoso sair, ligue imediatamente para a Brigada Militar, pelo telefone de emergência 190 (CIOSP), transmita as características do assaltante e direção que tomou.

— Memorize as características e as placas de seu veículo, isto é fundamental para recuperação do mesmo.

— Ao se deparar com sua residência arrombada, não entre, ligue para a Brigada Militar, pelo telefone de emergência 190 (CIOSP) e aguarde a chegada de uma viatura policial.

Marco Aurélio Weissheimer
No RS Urgente
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ONU: Programa de inspiração brasileira ajuda a alimentar 20 mil crianças no Senegal

O PAA África contribui para construir uma agenda de financiamento público para a compra local de alimentos que beneficiam programas de alimentação escolar no Senegal.

Mais de 20 mil alunos do ensino público já se beneficiaram com o
programa de alimentação escolar no Senegal.
Foto: Facebook/PAA África
Ligar a produção local de alimentos aos programas de alimentação escolar está mostrando resultados positivos no Senegal, onde estratégias de compras públicas de alimentos apoia a produção agrícola dos pequenos agricultores familiares.

Inspirado no programa público brasileiro de aquisição de alimentos, o programa PAA África — em inglês Purchase from Africans for Africa — no Senegal está sendo implementado na região de Kédougou, uma das mais pobres do país. Como resultado, a iniciativa já triplicou a produtividade agrícola e comprou em torno de 100 toneladas de arroz para alimentar mais de 20 mil estudantes do ensino público.

Apoiar os agricultores pobres vulneráveis, fornecer refeições escolares diárias e impulsionar economias locais, estes são alguns dos desafios operacionais abordados pelo projeto PAA África no Senegal. A experiência senegalesa é parte do Programa PAA África — que também é implementado na Etiópia, Malaui, Moçambique e Níger — e que congrega a expertise da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Programa Mundial de Alimentos (PMA) para promover intercâmbios Sul-Sul entre Brasil e África.

“Antes da parceria, os nossos rendimentos eram muito baixos. As crianças que iam para a escola com fome, sentiam os impactos negativos nos seus resultados escolares.”, relatou a presidenta do grupo de Mulheres em Kédougou, Aissatou Diallo.

O programa reforça a capacidade dos agricultores do de participação no mercado, por meio de insumos agrícolas, capacitação sobre boas práticas agrícolas e habilidades do agronegócio, bem como em relação aos contratos assinados com associações de agricultores para garantir a comercialização dos seus produtos para as escolas nas proximidades. O programa desenvolve, portanto, o potencial para aumentar a renda das famílias, sua segurança alimentar e bem-estar.

No ONUBR
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Bill Gates desmente suposto processo contra a Petrobras

Presidenta recebeu casal Bill e Melinda Gates, no domingo (27) para conversar sobre Cúpula da Nutrição, sediada pelo Brasil em 2016, e ações para o desenvolvimento africano


A presidenta Dilma Rousseff se reuniu, neste domingo (27), com o casal Bill e Melinda Gates no hotel em que está hospedada, em Nova York. Ela está na cidade americana para participar da Assembleia Geral da ONU.

Durante o encontro, Bill Gates pediu desculpas “pelo constrangimento” causado pelos boatos divulgados de que a fundação que leva seu nome estaria processando a Petrobras para recuperar valores perdidos com ações da empresa. A informação, desmentida por Gates, foi divulgada por vários veículos de comunicação brasileiros na sexta-feira (25).

Dilma e Gates também conversaram sobre parcerias na área de segurança alimentar e agricultura familiar. O governo brasileiro negocia com a Fundação Bill & Melina Gates uma parceria para a realização da Cúpula “Nutrição para o Crescimento” em 2016, no Brasil.

A ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, participou do encontro. “Temos experiência importante em alimentação escolar e as boas práticas brasileiras serão a tônica dessa Cúpula que estamos organizando”, ressaltou a ministra.

De acordo com ela, há uma possibilidade de cooperação conjunta para a África. O Brasil apoia diversas iniciativas de desenvolvimento do continente, assim como a fundação do criador da Microsoft.

Ao final do encontro, de cerca de uma hora, a presidenta entregou os mascotes olímpico e paraolímpico Tom e Vinicius ao casal.

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Desvio


Não há nada que não possa ser feito no Brasil. Seja na conversa ou no jeitinho, sempre se arranja uma forma de acomodar as vontades de todos. Ou de alguns que dizem falar por todos. O certo é que temos que dar um basta nisso. Mas como dar um basta se o seu conforto está apenas a uma nota de distância?

Elenco:
Luis Lobianco
Rafael Infante
Rafael Portugal

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Comissão aponta que Cunha teve lucro indevido de R$ 900 mil


A área técnica da Comissão de Valores Mobiliários, órgão responsável pela fiscalização do mercado financeiro, apontou em relatório sigiloso de março passado que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), obteve um "lucro indevido" de R$ 900 mil por operações realizadas entre 2003 e 2006 com fundos de investimento movimentados pela Prece, o fundo de pensão dos funcionários da Cedae, a companhia de água e esgoto do Rio de Janeiro.

É a primeira vez que surge uma ligação direta entre Cunha e prejuízos de um fundo de pensão ligado a um órgão de sua área de influência política no Rio — um dos ex-presidentes da Cedae foi afilhado político do deputado.

A CVM diz que Cunha é responsável por "ter anuído e se beneficiado de negócios realizados em seu nome" intermediados pela corretora Laeta DTVM, "caracterizada a realização de práticas não equitativas, estando configurada a conduta vedada" em instrução da CVM.

A Prece operava em sete fundos de investimento por meio de corretoras, entre as quais a Laeta. Documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que a CVM investigou o caso em duas etapas.

No primeiro inquérito, aberto em 2005 para apurar operações da Prece realizadas entre 2002 e 2003, foram identificados prejuízos de R$ 17 milhões, com acusação a 93 pessoas e empresas.

A segunda etapa, aberta em 2012, apontou prejuízos de mais R$ 39 milhões, com suspeitas sobre 37 pessoas e empresas, incluindo Cunha.

A fraude, conforme a CVM, consistiu "na montagem de um esquema" que gerou "ajustes do dia negativos (perdas) para os fundos da Prece e ajustes do dia positivos (ganhos) para determinados clientes" das corretoras.

A fraude foi possível, segundo a CVM, porque a indicação da identidade dos beneficiários finais das transações na antiga BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) de São Paulo ocorria apenas ao final do pregão, "podendo, assim, ser realizada a distribuição dos negócios de acordo com o que se mostrasse mais conveniente".

Segundo a CVM, os lucros foram distribuídos entre pessoas jurídicas e físicas, entre as quais Cunha. Já os prejuízos ficaram com a Prece.

O prazo para defesa dos acusados foi aberto em abril. Após o recebimento das defesas, o processo será julgado, em data não definida, pelo colegiado da CVM, formado pelo presidente do órgão e três diretores. Os investigados podem apresentar termos de compromisso, pelos quais reconhecem a culpa, pagam multas e encerram o caso na área administrativa.

Dos 37 investigados no inquérito de Cunha, três já manifestaram intenção de firmar o compromisso — até o fechamento desta edição, o deputado não optou por esse caminho. O colegiado também poderá absolver alguns ou todos os acusados. Cabe recurso ao CRSFN (Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional) em Brasília.

A área técnica da CVM também pediu que o relatório seja enviado ao Ministério Público Federal do Rio para ser anexado a um inquérito civil em andamento sobre a Prece.

Corretor

No mesmo inquérito que traz o nome de Cunha, a CVM também acusa o corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro por supostos lucros indevidos no valor de R$ 800 mil e o corretor José Carlos Batista. Ambos foram investigados em 2005 no escândalo do mensalão por terem viabilizado, pela empresa Guaranhuns, cerca de R$ 5 milhões ao PL, hoje PR, em acordo fechado pela sigla com o PT.

A Laeta, que intermediou lucros para Cunha, também foi investigada na CPI dos Correios, mas o nome do deputado não veio à tona na época desta investigação.

Outro lado

Procurado em seu telefone celular na quinta-feira (17) para falar sobre o inquérito da CVM, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não deu retorno até o fechamento desta edição. Advogados que atuam na defesa do peemedebista também não se manifestaram.

O corretor Lúcio Bolonha Funaro informou, via e-mail enviado por sua assessoria, que o processo na CVM "está sob sigilo e a defesa será apresentada no tempo oportuno". Sobre uma multa de R$ 599 mil que a CVM lhe aplicou em virtude de outro inquérito que também tratou da Prece, Funaro afirmou que apresentou recurso ao órgão, ainda pendente de julgamento.

"No caso de a multa prevalecer, será paga normalmente. O Sr. Funaro nunca teve condenação em definitivo em nenhum processo administrativo da CVM. Isso porque jamais desrespeitou as regras do mercado", diz a nota.

Indagado pela reportagem se mantém ou manteve algum negócio com o presidente da Câmara, Funaro afirmou que as "questões envolvem minha vida particular, que não deve ser exposta em meios de comunicação".
O dono da Laeta, Cezar Sassoun, não foi localizado pela reportagem.

Rubens Valente
No fAlha
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Mídia e Democracia nas Américas — Seminário completo


A urgência da democratização dos meios de comunicação



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As experiências da Bolívia, Equador e Venezuela



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Um dia de doméstica para Ana Maria Braga


Empregada doméstica oferece um choque de realidade pra Ana Maria Braga, em resposta ao 'Dia de Patroa'.

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Dilma abre a 70ª Assembleia Geral da ONU


A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi a primeira, depois de Ban Ki-moon e Mogens Lykketoft, a fazer discurso na 70 Assembleia Geral da ONU

O limite de cada discurso é de 15 minutos.

Confira a lista dos oradores, divulgada pela ONU:

1. Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon

2. Presidente da Assambleia Geral da ONU, Mogens Lykketoft

3. Presidente do Brasil, Dilma Rousseff

4. Presidente dos EUA, Barack Obama

5. Presidente da Polônia, Andrzej Duda

6. Presidente da China, Xi Jinping

7. Presidente da Jordânia, Abdullah II Ibn al Hussein

8. Presidente da Rússia, Vladimir Putin

9. Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye

10. Presidente do Irã, Hassan Rouhani

11. Presidente da França, François Hollande

12. Amir do Qatar, Sheikh Tamim Bin Hamad Al-Thani

13. Presidente de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi

14. Rei de Países Baixos, Willem-Alexander

15. Presidente de Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev

16. Presidente do México, Enrique Peña Nieto

17. Presidente de Portugal, Aníbal António Cavaco Silva

18. Primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Rasmussen

19. Primeiro-ministro da Etiópia, Hailemariam Dessalegn







A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, começa o seu discurso no âmbito do debate geral da 70ª sessão de Assembleia Geral da ONU. É a primeira participante da sessão.

"Minhas primeiras palavras são de congratulações pela sua escolha de presidir esta sessão", diz Dilma a Morgen Lykketoft

Temas como desafios urbanos, a questão do gênero, as quetões de raça ganharam prioridade, diz Dilma

A multiplicação de conflitos regionais e a expansão do terrorismo mostra que a ONU "está adiante de um grande desafio", diz Dilma Rousseff

Recebemos gente de todo o mundo, inclusive os europeus. "Estamos de braços abertos para receber refugiados", diz Dilma, ganhando uma ovação potente
Brasil está de braços abertos a refugiados, diz Dilma na Assembleia Geral da ONU
Dilma critica a expansão dos assentamentos israelenses no solo palestino, ganhando outro forte aplauso.

Dilma destaca a ação do governo de reduzir o desmatamento no Brasil e prevê o fim do desmatamento ilegal, com recuperação de pastagens degradadas.

Desde 2003, políticas sociais contribuíram para que uma parte considerável dos brasileiros saíssem da pobreza extrema, lembra Dilma

Brasil saiu no ano passado do mapa mundial da fome, diz a presidente.

O esforço para superar a pobresa deve ser global, adverte Dilma Rousseff

A presidente Rousseff sublinhou que no entanto o Brasil não tem problemas estruturais graves na economia, mas tendo em conta a crise econômica mundial já realiza uma série de medidas para prevenir consequências graves dela

A presidente Rousseff sublinhou que no entanto o Brasil não tem problemas estruturais graves na economia, mas tendo em conta a crise econômica mundial já realiza uma série de medidas para prevenir consequências graves dela

A democracia braisleira se fortalece e não permitirá corrupção, ressalta Dilma Rousseff

"O governo e sociedade brasileiros não toleram e não tolerarão a corrupção"

Dilma cita o ex-presidente do Uruguai José Mujica: "Esta democracia não é perfeita, porque nós não somos perfeitos. Mas temos que defendê-la para melhorá-la, não para sepultá-la"

Dilma: os murais da sede da ONU, pintados pelo artista braseiro Portinari, guardam uma mensagem atual ainda hoje
"Trabalhar até que os anseios da paza passem a ser atendidos", adverte Dilma.

'Queremos um país em que o confronto de ideias se dê em um ambiente livre e diverso' - diz Dilma Rousseff
Dilma terminou o seu discurso, com um forte aplauso da sala

No Sputinik Brasil
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Debate: A mídia e o ovo da serpente




A crise política e econômica brasileira e o papel da mídia no avanço do conservadorismo serão temas de debate no dia 28 de setembro, em São Paulo. A discussão contará com as presenças de Roberto Amaral (dirigente do PSB), Tarso Genro (ex-governador do Rio Grande do Sul) e Luciana Santos (deputada federal e presidente do PCdoB). A atividade, que tem apoio do Fórum 21, acontece às 19h, na sede do Barão de Itararé (Rua Rego Freitas, 454, conjunto 83 - próximo ao metrô República).

O evento marcará o lançamento do livro A serpente sem casca - Da 'crise' à Frente Popular (Ed. Altadena), uma coleção de artigos produzidos por Roberto Amaral sobre o fervilhante quadro político nacional, mais precisamente a partir de outubro de 2014. Amaral defende que os meios de comunicação são responsáveis por amplificar o sentido da crise e catalisar o crescimento do conservadorismo no país. "A velha imprensa conservadora está ganhando o discurso ideológico que se dissemina junto à crescente classe média. Quem está perdendo é a esquerda", pontua.

O debate é aberto ao público.

Se você não é da cidade de SP, teremos transmissão ao vivo pelo site do Barão www.baraodeitarare.org.br e pelo site da Fundação Perseu Abramo
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fAlha corta as asas de Aécio


Editorial
Folha de S.Paulo

Asas de um tucano

Oscilando entre a vulgaridade confessa e a sugestão picante, uma copiosa literatura de entretenimento se produz na Grã-Bretanha em torno da vida íntima da casa real.

A curiosidade e a titilação não se limitam aos atuais herdeiros do trono — estando a rainha Elizabeth 2ª, pelo que se sabe, acima de pecadilhos mundanos —, mas também a figuras do passado.

Um típico exemplar do gênero, de autoria de Stephen Clarke, dedicou-se recentemente às não muito discretas escapadas daquele que seria o futuro Edward 7º, rei da Inglaterra entre 1901 e 1910.

Submetido ao controle rigoroso de sua mãe, a rainha Vitória, o jovem Albert Edward encontrou maneiras de entregar-se a movimentados, e não propriamente discretos, lazeres em Paris.

A crônica histórica tende a tratá-lo, hoje, com salaciosa indulgência — a que se pode acrescentar uma dose de diplomacia, uma pitada de geopolítica. As sendas de uma produtiva "entente" entre França e Inglaterra puderam abrir-se, em parte, graças à desenvoltura do membro da realeza nos estabelecimentos alegres da cidade luz.

As relações entre Minas Gerais e o Rio de Janeiro, sem dúvida, não se mostram tão tensas como as que marcaram França e Reino Unido ao longo da história. No papel de governador de Minas, e de herdeiro reluzente nas ordens do tucanato, o atual senador Aécio Neves aprimorou com garbo, mesmo assim, os contatos interestaduais.

Foram 124 viagens suas ao Rio de Janeiro, nos sete anos e três meses em que foi governador (2003-2010), a maioria delas entre quinta-feira e domingo. Partissem os voos do aeroporto de Cláudio, ao menos Aécio teria tirado aquela obra, construída com dinheiro público em terras familiares, do triste abandono em que se encontra.

Embora feitas em avião oficial, o fato é que não se registraram justificativas de Estado para tanta movimentação. Decreto assinado pelo próprio Aécio Neves permitiu seu acesso a aeronaves públicas em deslocamentos pessoais, "por questões de segurança".

Não será fora de propósito, em todo caso, invocar o antigo mote da mais alta condecoração britânica, a Ordem da Jarreteira: "honni soit qui mal y pense". Abominado seja quem pensar mal de tudo isso. Os ingleses entendem do assunto.
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Aventuras de Zé Lotes, repórter da Rede Baita Sol

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7654

O mais novo repórter da Rede Baita Sol, de Palomas, é o Zé Lotes. Recém-contratado para atuar em todos os veículos da empresa, Rádio Gaudéria, Diário Gaudério, TV Gaudéria e jornal Meia-Noite, por falta de luz, Zé Lotes paga mico pelo seu idealismo e pela sua ingenuidade. Sonha com grandes manchetes, “furos” de repercussão internacional e reportagens capazes de derrubar um presidente. Leu tudo sobre os jornalistas do caso Watergate. Zé Lotes é puro entusiasmo. Sente-se um missionário da verdade e da informação. Outro dia, chegou esbaforido à redação e quase gritou “parem as máquinas”.

— Tenho uma bomba – disse.

— Quem bomba é essa? – inquietou-se o chefe.

— Uma mega-bomba.

— Já te disse para evitar superlativos. Objetividade, piá. Que bomba é essa?

— Uma operação…

— Ai, ai, ai. Que operação?

— Propina para pagar menos impostos de grandes empresas.

— Esquece, Zé Lotes. Sepulta.

— Como?

— Sonega.

— Sim, é disso que estou falando, sonegação.

— Esquece. Deleta.

— Mas é verdade!

— Só nega, guri.

Zé Lotes coçou a cabeça, ficou vermelho, gaguejou por segundos intermináveis. Parecia à beira de uma apoplexia. O chefe permaneceu impassível. Limpava uma unha minuciosamente.

— Como fica o nosso compromisso de dizer a verdade?

— Diz uma parte.

— Que parte?

— Dez por cento.

O guri engasgou. Ficou olhando para o chefe como se acabasse de ter perdido a virgindade. Depois de algum tempo, a cor voltou ao seu rosto. Aí ele falou bem baixinho.

— O senhor tem certeza?

— Não me chame de senhor. Sou o Chuck.

— Chuck?

— Não te mostraram na faculdade A montanha dos sete abutres?

— Sim, mostraram, com o Kirk Douglas. Mas o Chuck era um canalha.

— Depende do ponto de vista.

— Sério?

— Como a sonegação.

— Sério mesmo?

— Na Rede Baita Sol, achamos que sonegar é um ato de legítima defesa. Entregar dinheiro para o governo é burrice. O retorno é muito baixo. Precisamos nos defender desse roubo.

— Inclusive sonegar informação, Chuck? – atreveu-se Zé Lotes.

— Chamamos isso de seleção.

Zé Lotes voltou para casa totalmente desasado. Entrou no pequeno apartamento, dividido com o amigo Lava-Jato, frentista num posto de gasolina, arrastando dolorosamente os pés, meio descadeirado, como se estivesse com um pneu furado. Lavo-Jato tomou um susto.

— Até parece que te pegaram por trás, Zé Lotes.

— Foi. Sem lubrificante.
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O problema da foto de Sérgio Moro com João Dória

Mais sorridente que Dória
O problema da foto de Sérgio Moro com João Dória é a absoluta falta de noção demonstrada por Moro.

Dória é político e homem de negócios, e então se entende que ele se faça de papagaio de pirata.

Mas Moro é um juiz.

E um juiz que detém um enorme poder em suas mãos neste momento.

Juízes devem transmitir uma imagem de imparcialidade, ou viram políticos de toga como é o triste caso de Gilmar Mendes.

E a foto é a completa negação disso.

No plano do simbolismo, ela aparece como uma aliança entre Moro e as forças que Dória representa, num primeiro nível, o seu partido, o PSDB, e num nível mais profundo, a plutocracia.

Joseph Pulitzer, o grande nome por trás do jornalismo moderno, tinha uma frase que se aplica a jornalistas e a juízes igualmente.

“Jornalista não tem amigo”, dizia ele.

Amizades interferem no trabalho do jornalístico. Os amigos são, sempre, protegidos.

Eu tinha esta frase, impressa e destacada, no mural de minha sala, nos anos de diretor da Exame e outras revistas da Abril.

E repetia-a constantemente aos jornalistas que trabalhavam comigo.

Relações cordiais e profissionais com fontes, sim, claro. Mas jamais amizade, ou se cria um conflito de interesse do qual a principal vítima é o leitor e, por extensão, a sociedade.

A grande lição de Pulitzer, lamentavelmente, é pouco seguida no jornalismo brasileiro.

Neste final de semana, por exemplo, Marta Suplicy postou no Twitter uma foto de suas “grandes amigas” jornalistas, entre elas Renata Lo Prete, da Globonews, e Vera Magalhães, que acaba de deixar a Folha rumo à seção Radar da Veja. (Casada com um assessor de Aécio, Vera, neste momento de transição, é um conflito de interesses em movimento.)

Todas as “grandes amigas” de Marta estavam sorridentes como Moro e Dória.

Marta e as "grandes amigas"
Marta e as “grandes amigas”
A máxima impecável de Pulitzer vale para juízes. O único real amigo de um juiz é a Justiça.

Mas não parece ser este o entendimento de Moro, a julgar pela foto infame.

Mais de uma vez escrevi, no DCM, sobre a indecência que eram as imagens de jornalistas como Merval e Reinaldo Azevedo confraternizando com juízes como Gilmar Mendes.

Como esperar qualquer tipo de isenção dos juízes amigos em casos que digam respeito a estes jornalistas e suas empresas?

Da mesma forma, como os jornalistas podem tratar com honestidade juízes dos quais são íntimos?

A foto de Moro com Dória é um triste retrato destes tempos no Brasil. Não exatamente por Dória, um político em campanha.

Mas por Sérgio Moro.

Paulo Nogueira
No DCM
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