27 de set de 2015

10 frases da filiação de Marta ao PMDB que provam que nasceu uma comediante

Eles
A senadora Marta Suplicy oficializou no sábado (26) sua filiação ao PMDB em grande estilo.

Depois de 33 anos no PT, a septuagenária Marta inaugura não apenas uma fase em sua vida política, mas uma nova carreira: a de comediante de stand up.

No Tuca, no bairro das Perdizes, ela brindou a plateia com tiradas inspiradas, que levaram os presentes às gargalhadas — consta que alguns militantes pagos tiveram que ser hospitalizados.

Divido com vocês dez piadas da rediviva Marta Suplicy e seu peemedebismo maroto, seu politiquês moleque, sua graça, seu frescor e seu humor contundente e honesto:
. “Michel Temer vai reunificar o Brasil”

. “Olhei nos olhos de Michel e senti confiança”

. “José Sarney é um gigante da política”

. “O PMDB soube devolver a nós o que há de mais valioso na vida. A liberdade, o direito de ir e vir, de mudar de ideia”

. “Eu senti que eu caibo por causa disso, é um partido amplo”

. “A gente quer um Brasil livre da corrupção, livre das mentiras, livre daqueles que usam a política como meio de obter vantagens pessoais”

. “Vamos todos unir o país”

. “Chalita, a vida pública é cheia de armadilhas, mas Deus escreve certo por linhas tortas. Juntos, vamos fazer o PMDB cada vez mais forte”

. “Um, dois, três, quatro, cinco mil, Marta e Michel em São Paulo e no Brasil” (junto com a audiência, num momento orgástico)
Aplausos. Risos. E segue o baile.

Kiko Nogueira
No DCM
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Dilma na ONU sobre metas ambientais


Senhoras e senhores.

A Agenda 2030 desenha o futuro que queremos.

Os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável reafirmam o preceito da Rio+20: que é possível crescer, incluir, conservar e proteger.

Estabelecem metas verdadeiramente universais, evidenciam a necessidade de cooperação entre os povos e mostram um caminho comum para a humanidade.

Esta inovadora Agenda exige a solidariedade global, a determinação de cada um de nós e o compromisso com o enfrentamento da mudança do clima, com a superação da pobreza e a construção de oportunidades para todos.

Devemos fortalecer a Convenção do Clima, com pleno cumprimento de seus preceitos e o respeito a seus princípios. Nossas obrigações devem ser ambiciosas, de forma coerente com o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.

A Conferência de Paris é oportunidade única para construirmos uma resposta comum ao desafio global da mudança do clima.

O Brasil tem feito grande esforço para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, sem comprometer nosso desenvolvimento social e econômico.

Para tanto, continuamos diversificando as fontes renováveis em nossa matriz energética, uma das mais limpas do mundo.

Estamos investindo na agricultura de baixo carbono.

Reduzimos em 82% o desmatamento na Amazônia.

Podem ficar certos que a ambição continuará a pautar nossas ações.

Por isso, quero anunciar que será de 37%, até 2025, a contribuição do Brasil para redução das emissões de gases de efeito estufa. Para 2030, nossa ambição é chegar a uma redução de 43%. Lembro que, em ambos os casos, o ano base é 2005.

É neste contexto que, até 2030, o Brasil pretende:

No que se refere ao uso da terra e à agropecuária:

1º - o fim do desmatamento ilegal;

2º - a restauração e o reflorestamento de 12 milhões de hectares.;

3° - a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas;

4º- a integração de 5 milhões de hectares de lavoura-pecuária-florestas.

Na área de energia:

1º - a garantia de 45% de fontes renováveis no total da matriz energética. Note-se que no mundo a média é de apenas 13%;

2º - a participação de 66% da fonte hídrica na geração de eletricidade;

3º - a participação de 23% das fontes renováveis —eólica, solar e biomassa— na geração de energia elétrica;

4º - o aumento de cerca de 10% na eficiência elétrica.

5º - a participação de 16% de etanol carburante e das demais biomassas derivadas da cana-de-açúcar no total da matriz energética.

Em conclusão, as adaptações necessárias frente à mudança do clima estão sendo acompanhadas por transformações importantes nas áreas de uso da terra e florestas, agropecuária, energia, padrões de produção e de consumo.

O Brasil contribui, assim, decisivamente, para que o mundo possa atender as recomendações do Painel de Mudança do Clima, que estabelece o limite máximo de 2º C de aumento de temperatura, neste século.

O Brasil é um dos poucos países em desenvolvimento a assumir uma meta absoluta de redução de emissões. Temos uma das maiores populações e PIB do mundo e nossas metas são tão ou mais ambiciosas que aquelas dos países desenvolvidos.

Nossa INDC considera ações de mitigação e adaptação, assim como as necessidades de financiamento, de transferência de tecnologia e de formação de capacidade.

Inclui ações que aumentam a resiliência do meio ambiente e reduz os riscos associados aos efeitos negativos da mudança do clima sobre as populações mais pobres e vulneráveis, com atenção para as questões de gênero, direito dos trabalhadores, das comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais.

Reconhecemos a importância da cooperação Sul-Sul no esforço global de combater a mudança do clima.

Enfatizo que faz parte de tudo isso a dimensão social e inclusiva.

Desde 2003, políticas sociais e de transferência de renda contribuíram para que mais de 36 milhões de brasileiros superassem a pobreza extrema. O Brasil saiu, no ano passado, do Mapa Mundial da Fome.

Graças à política de valorização do salário mínimo cresceu o poder de compra da população.

Tivemos grandes avanços em programas habitacionais; no acesso ao ensino básico; nas questões de saúde pública; na igualdade de gênero. Atingimos esses resultados porque tivemos o entendimento de que a pobreza é um fenômeno multidimensional.

Na transição para uma economia de baixo carbono, consideramos importante que sejam asseguradas, condições dignas e justas para o mundo do trabalho. O desenvolvimento sustentável exige de todos a promoção do trabalho decente, a geração de empregos de qualidade e a garantia de oportunidades.

Esse é o futuro que queremos e estamos construindo.

O esforço para erradicar a pobreza e promover o desenvolvimento tem de ser coletivo e global.

Em meu país, porém, sabemos que o fim da pobreza é só um começo de uma longa trajetória.

Muito obrigada.
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O Peregrino

http://www.maurosantayana.com/2015/09/o-peregrino.html

 

O Papa Francisco teve uma semana movimentada. Passou por Cuba, onde rezou em Havana, na Praça da Revolução, para dezenas de milhares de fiéis católicos, e visitou Holguin e Santiago, depois de se encontrar com Fidel Castro, a quem tratou com atenção e simpatia.

De lá, voou para os Estados Unidos, onde foi recebido por Barrack Obama, rezou em frente à Casa Branca, para uma multidão de fiéis, e discursou, durante uma hora, sendo várias vezes interrompido por aplausos, no Congresso norte-americano.

Falou também em Nova Iorque, no plenário das Nações Unidas, denunciando a "asfixia" imposta pelo sistema financeiro internacional, e no Marco Zero dfas Torres Gêmeas, reverenciando as vítimas do 11 de setembro, lembrando, no entanto, ao lado de sacerdotes católicos, judeus e muçulmanos, que "a vida está sempre destinada a triunfar sobre os profetas da destruição", que devemos ser forças da reconciliação, da paz e da justiça", e que é preciso se "livrar dos sentimentos de ódio, vingança e rancor" para alcançar "a paz, neste mundo vasto que Deus nos deu como casa de todos e para todos."

Não foi apenas pela proximidade geográfica que o Papa fez questão de ir a Cuba e aos EUA, em um único périplo.

Ao escolher visitar, praticamente ao mesmo tempo, o país mais bem armado do mundo, e a pequena ilha do Caribe, que sobrevive, há décadas, em frente à costa dos Estados Unidos, com um projeto alternativo, que não segue a cartilha do "American Way of Life", o Papa quis mostrar que não existem países mais importantes que os outros, e que todas as nações têm direito a buscar seu próprio caminho para o desenvolvimento, que pode estar simbolizado tanto por grandes foguetes e naves espaciais, como pela eliminação do analfabetismo, uma medicina de qualidade, o aumento da expectativa de vida de seus habitantes, ou um dos mais baixos índices de mortalidade infantil do mundo.

É esse desejo, de paz na diversidade, tão presente na viagem do Papa, que fez com que Francisco tenha participado ativamente do processo de reaproximação diplomática entre os Estados Unidos e Cuba, concretizado com a recente reabertura da embaixada dos EUA, com a presença do Vice-presidente norte-americano, Joe Biden, em Havana.

O seu papel foi reconhecido em discurso, nos jardins da Casa Branca, pelo próprio presidente dos Estados Unidos, que agradeceu a contribuição do Papa nesses acordos, que representam um dos momentos mais marcantes da história recente.

O Papa Francisco também está por trás — por seu reiterado e decidido apoio — de outro episódio inédito, de grande importância para o continente, ocorrido em Havana, apenas um dia após a sua partida: o aperto de mão, na presença do Presidente cubano Raul Castro como mediador, entre o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o líder guerrilheiro e comandante das FARC - Forças Armadas Revolucionárias, Rodrigo Londoño, também conhecido como Timoshenko, que sela a contagem regressiva para a conquista de uma paz definitiva, depois de mais de 50 anos de guerra civil, em um dos principais países latino-americanos.

É claro que os dois fatos — a reaproximação entre Cuba e os EUA e entre o governo colombiano e as FARC — não podem agradar aos babosos, ignorantes e hipócritas anticomunistas de sempre, que, movidos por outros interesses, como a permanente gigolagem de fantasmas da Guerra Fria, prefeririam ver os Estados Unidos tentando outra frustrada invasão da ilha, quem sabe armando grupelhos radicais de vetustos, obtusos e anacrônicos anticastristas de Miami, ou aumentando sua presença militar na Colômbia, transformando aquela nação em uma espécie de Vietnam sul-americano.

Daí, por isso, o ódio dos conservadores, fundamentalistas e tradicionalistas católicos contra Francisco, um latino-americano tão independente com relação aos EUA, que nunca tinha pisado o território norte-americano antes desta semana, e que, mesmo assim, teve a honra de ser primeiro pontífice a ser recebido e a falar diretamente, como líder estrangeiro de uma religião que não é a mais importante nos EUA, para dezenas de deputados e senadores, dentro do edifício do Capitólio.

Em um mundo em que países que alegam defender a democracia bombardeiam e destroem outras nações, metendo-se em seus assuntos internos, armando mercenários e terroristas para derrubar governos que consideram hostis, sem levar em conta o terrível balanço de suas ações, em mortes, torturas, estupros e na "produção" de milhões de refugiados; em que esses mesmos refugiados morrem sem ter para onde ir, em desertos, montanhas, fronteiras ou mares como o Mediterrâneo, e são recebidos, muitas vezes, a patadas por onde chegam, ou mantidos em cercados disputando no braço um naco de pão para seus filhos, que a polícia lhes atira, com luvas de borracha, como se fossem cães; em que o egoísmo, o fascismo, a arrogância, o ódio, a hipocrisia, a mentira, renascem com renovada força, e muitos não tem mais vergonha de pregar o individualismo, o consumismo, uma pseudo "meritocracia" como doutrina a justificar a exclusão, na busca enriquecimento individual e material a qualquer preço — como se o destino de cada um dependesse apenas de si mesmo, e em nada do meio que o cerca ou das forças terrenas que o governam, explorando-o ou enganando-o, de forma permanente, e a humanidade não fosse uma construção coletiva, fruto de centenas de gerações que nos antecederam — Francisco, que une no lugar de dividir, que ri, em vez de fazer cara feia, que prega a paz e a solidariedade no lugar do ódio, da vingança e da cobiça, é um farol a iluminar o que resta de sensatez na espécie humana — uma bússola para indicar o caminho nestes tempos sombrios, em que as forças do ódio e do atraso insistem em tentar impedir que amanheça, neste novo século, um novo dia.

Que seu pontificado dure muitos e muitos anos, já que o mundo e a História poucas vezes precisaram tanto, diante de tanto preconceito e ignorância, de um Papa como ele à frente da Igreja Apostólica Romana.

O diabo, se existir, deve estar espumando pela boca, e esbravejando impropérios que só ele conhece, nos nove círculos do Inferno.

De nada adiantou que tenha, eventualmente, tentado cardeais, ou soprado segredos e sortilégios no ouvido daqueles que votaram no último Conclave.

Francisco está onde está — no lugar em que o Mal não queria ver, nunca, um homem como ele:

À frente do Vaticano, no trono de São Pedro, com a Estola, o Anel do Pescador e o Báculo que o sustenta quando se move, com a certeza de que Deus caminha a seu lado, Peregrino da Paz, contra a insanidade do mundo.
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Meu fusca

Se entendi bem, carros movidos a diesel da Volkswagen eram equipados com um computador mentiroso. Quando o carro era testado para se saber se estava poluindo o ar ou não o computador dizia “Nein!”, até com um certo tom de ultrajado.

Usados normalmente, longe da inspeção, os carros envenenavam o ambiente à vontade, abençoados pelo computador. Que, além de salafrário, era inteligente. Sabia quando era teste, e ele deveria mentir, e quando não era. Não me pergunte como.

Que mundo é este, em que não se pode confiar mais nem na engenharia alemã? Me lembrei, com carinho, do meu primeiro carro, um Fusca cor de chocolate. Podia-se dizer tudo sobre o Fusca — um dos seus apelidos era Cascudo Maldito — menos que não fosse honesto.

Ele era desprovido de qualquer ornamento supérfluo, o que significava que custava pouco. Havia algo de sério e confiável na sua simplicidade, e era fácil mantê-lo e estacioná-lo. E ele nos serviu com segurança durante muito tempo.

Uma vez fomos de Fusca de Porto Alegre ao Rio, com as duas meninas pequenas e a Lucia grávida. O único percalço no caminho não foi culpa dele, foi minha. Calculei mal, e a gasolina acabou no meio da estrada, a poucos quilômetros de Lajes, em Santa Catarina.

Tive que ir a pé procurar um posto, no escuro. Quando voltei para o carro com um balde de gasolina ele, sempre amigo, não fez nenhum comentário sobre minha falha.

Aventura mesmo, nesta e em outras viagens de carro que fizemos ao Rio, era atravessar São Paulo. Naquele tempo a sinalização dentro da cidade era escassa, avançava-se na direção do Centro e — com sorte — um hotel barato confiando na intuição, e na bússola interior que sempre acaba, de um jeito ou de outro, ajudando os desorientados do mundo.

Outro problema era sair do Centro na manhã seguinte e encontrar a saída de São Paulo para o Rio. Também nestes casos nunca me faltou a compreensão do Fusca.

Estou falando do Fusca porque, de certa forma, ele simbolizou uma reconciliação mundial com a Volkswagen, cujo passado não a recomendava. O cascudo simpático desculpava a sua participação na máquina de guerra nazista, e o sucesso das suas outras marcas significou o perdão pela sua cumplicidade no terror e o reconhecimento da sua competência.

Agora a Volkswagen está tendo que pedir desculpas de novo. Quanto ao nosso Fusca cor de chocolate, tenho certeza que ele nunca aceitaria fazer parte da fraude.

Luís Fernando Veríssimo
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Impasse político está nos levando à anomia social

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/09/27/impasse-politico-esta-nos-levando-a-anomia-social/

"Um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos Marta para São Paulo e Temer para o Brasil" (refrão lançado pelo locutor da festa de filiação da ex-petista Marta Suplicy no PMDB, neste sábado, na capital paulista, ao lado de Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha).

O PMDB, afinal, está no governo ou na oposição? De qual PMDB estamos falando? Com mais alas do que escolas de samba, o partido está com um pé em cada canoa, como de costume, e é o principal responsável pelo impasse político que o país está vivendo. Para contemplar a todas estas alas e seus respectivos caciques, a presidente Dilma corre o risco de aumentar em vez de diminuir o número de ministérios.

"Ganhe quem ganhar, quem vai mandar é o velho PMDB": este  foi o título da minha coluna publicada aqui no dia 2 de setembro de 2014, um mês antes do primeiro turno da eleição presidencial. Nunca, como agora, em que a reforma ministerial está empacada, foi tão verdadeira esta constatação. O partido de Temer, Renan, Cunha e, agora Marta, manda no Brasil há exatos 30 anos, desde o final da ditadura militar, com o advento da Nova República de Tancredo/Sarney.

É muito difícil governar com o PMDB e é praticamente impossível governar sem o PMDB. Fernando Henrique Cardoso e Lula que o digam. Nas piores crises dos seus governos, foi ao eterno fiel da balança que recorreram. FHC viu-se obrigado a nomear Renan Calheiros para o seu ministério — para o Ministério da Justiça, acreditem — e Lula entregou ao partido o comando dos Ministérios de Minas e Energia, e Saúde, entre outros.

Com Dilma Rousseff em viagem aos Estados Unidos, sem conseguir antes anunciar o novo ministério, como pretendia, o PMDB deitou e rolou por aqui. Primeiro, colocou no ar o seu programa de propaganda eleitoral no rádio e na TV, em que não citou nenhuma vez o nome da presidente e bateu pesado no PT, sem muita sutileza, anunciando o fim de um ciclo e o início de outro. "É hora de deixar os estrelismos de lado" e "o Brasil não pode ficar no vermelho" foram algumas das finas ironias dos peemedebistas a caminho do desenlace.

A ofensiva continuou no fim de semana com a pajelança anti-PT montada para receber a nova estrela do partido, pré-candidata a prefeita de São Paulo, cargo que já ocupou. Aclamado pela plateia, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, denunciado na Lava Jato, deu o tom: "Chega de viver a reboque do PT. Time que não joga não tem torcida".

Depois de justificar sua saída do PT por razões éticas, Marta namorou com o PSB e caiu nos braços do PMDB alegando que quer lutar por "um Brasil livre da corrupção". Empolgada, a ex-prefeita, ex-ministra e atual senadora elogiou seus novos companheiros, deu beijos e abraços, sobrou até para o ex-presidente José Sarney: "Considero Sarney um gigante da política".

Para não estragar a festa, ainda bem que a direção partidária teve o cuidado de cortar um pedaço do programa de TV em que aparecia Ulysses Guimarães, como revelou Jorge Moreno em sua coluna de sábado. Era um trecho do discurso de lançamento da anti-candidatura dele a presidente em 1973, em que dizia: "A moral é o cerne da política. A corrupção é o cupim da República". De fato, com tantos caciques do partido envolvidos na Operação Lava Jato, era melhor não tocar neste assunto.

É tanta hipocrisia e cara de pau nestes tempos plúmbeos, sem rumo e sem perspectivas de mudanças, que passei a semana procurando a expressão certa para definir o momento que estamos vivendo. É anomia social.

Frequentei apenas os dois primeiros anos do curso de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo, onde FHC foi professor, mas me lembrava vagamente deste conceito de Émile Durkheim (1858-1917), sociólogo, psicólogo social e filósofo francês.

Segundo Durkheim, citado na Enciclopédia de Sociologia, anomia designa "um estado  do indivíduo caracterizado pela falta de objetivos e pela perda da identidade, em grande medida originado pelas profundas transformações que ocorrem nas sociedades modernas e que não fornecem novos valores para colocar no lugar daqueles que por elas são demolidos (...). Não se sabe o que é possível e o que não é, o que é justo ou injusto, quais as reivindicações e esperanças legítimas, quais as que ultrapassam a medida". No Dicionário de Sociologia, anomia é assim definida: "Ausência de normas. Aplica-se tanto à sociedade como a pessoas. Significa estado de desorganização social".

Na barafunda das intermináveis discussões e votações sobre o ajuste fiscal do governo e a "pauta-bomba" de Eduardo Cunha, com sua reforma política particular na Câmara, já não se sabe a esta altura do campeonato o que foi aprovado ou rejeitado e o que está valendo, para onde estas mudanças vão nos levar.

Neste cenário sombrio, a violência dos arrastões nas praias cariocas e as chacinas impunes na periferia paulistana são apenas os sinais mais visíveis de anomia social numa sociedade doente, que parece já não acreditar nas leis e nos discursos das autoridades. A impressão que dá é que estamos vivendo o final de um ciclo político, como escrevi aqui pela primeira vez no dia 15 de março, e ninguém sabe como será o próximo. Só uma coisa é certa: o PMDB vai continuar mandando.

Vida que segue.
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Raúl en la ONU: Cuba cumplió objetivos del milenio a pesar del bloqueo de EEUU

Discurso del Presidente de Cuba, Raúl Castro, la mañana de este sábado 26 de septiembre de 2015 en la cumbre de la ONU sobre los objetivos de desarrollo sostenible 2015-2030.


Estimados jefes y jefas de Estado y de Gobierno:

Distinguidos jefes y jefas de delegaciones:

Señor Secretario General de las Naciones Unidas:

Señor Presidente:

La inestabilidad en numerosas regiones tiene sus raíces en la situación de subdesarrollo en que viven dos tercios de la población mundial.

Los avances, quince años después de adoptados los Objetivos de Desarrollo del Milenio, son insuficientes y desigualmente distribuidos. Persisten, e incluso se agravan en muchos casos, niveles inaceptables de pobreza y desigualdad social, incluso en las propias naciones industrializadas. La brecha entre el Norte y el Sur y la polarización de la riqueza se incrementan.

Constatamos que estamos aún muy lejos de contar con una verdadera asociación mundial para el desarrollo.

No menos de 2 mil 700 millones de personas en el mundo viven en la pobreza. La tasa global de mortalidad infantil en menores de cinco años, sigue siendo varias veces la de los países desarrollados. La mortalidad materna en las regiones en desarrollo es 14 veces más alta que en aquellos.

En medio de la actual crisis económica y financiera, los acaudalados y las compañías transnacionales se hacen cada vez más ricos, y aumentan dramáticamente los pobres, los desempleados y las personas sin casa debido a crueles políticas llamadas “de austeridad”. Oleadas de inmigrantes desesperados arriban a Europa huyendo de la miseria y de los conflictos que otros desataron.

Los medios para implementar la Agenda, sin compromisos medibles ni calendarios, no son proporcionales al alcance de sus 17 objetivos de desarrollo sostenible.

Si queremos un mundo habitable, de paz y concordia entre las naciones, de democracia, justicia social, dignidad y respeto a los derechos humanos de todos, tendríamos que adoptar cuanto antes compromisos tangibles en materia de ayuda al desarrollo y solucionar el problema de la deuda ya pagada varias veces. Habría que construir otra arquitectura financiera internacional, eliminar el monopolio tecnológico y del conocimiento, y cambiar el orden económico internacional vigente.

Los países industrializados debieran aceptar su deuda histórica y ejercer el principio de “responsabilidades comunes pero diferenciadas”. No puede esgrimirse como pretexto la falta de recursos cuando se invierten 1,7 millones de millones de dólares anuales en gastos militares, sin cuya reducción no serán posibles el desarrollo ni una paz estable y duradera.

Sr. Presidente:

El restablecimiento de las relaciones diplomáticas entre Cuba y los Estados Unidos, la apertura de embajadas y los cambios que el presidente Barack Obama ha declarado en la política hacia nuestro país constituyen un importante avance, que ha concitado el más amplio apoyo de la comunidad internacional.

Sin embargo, persiste el bloqueo económico, comercial y financiero contra Cuba, por más de medio siglo, el cual causa daños y privaciones al pueblo cubano, es el principal obstáculo para el desarrollo económico de nuestro país, afecta a otras naciones por su alcance extraterritorial y continúa perjudicando los intereses de los ciudadanos y las compañías estadounidenses. Esta política es rechazada por 188 Estados miembros de las Naciones Unidas que demandan ponerle fin.

Pese a todo, Cuba cumplió los Objetivos de Desarrollo del Milenio y brindó su cooperación a otros países en desarrollo en varios sectores, lo que continuaremos haciendo en la medida de nuestras modestas posibilidades.

No renunciaremos jamás a la dignidad, la solidaridad humana y a la justicia social, que son convicciones profundas de nuestra sociedad socialista.

No La Pupila Insomne
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Inconsequência heroica

A impotência das Nações Unidas diante da tragédia dos refugiados no Mediterrâneo é igual à sua incapacidade de resolver a crise permanente do Oriente Médio e evitar as guerras que pipocam pelo mundo. A ONU é, ao mesmo tempo, um monumento aos melhores sentimentos humanos e uma prova de que os bons sentimentos não bastam, portanto um monumento à inconsequência. O fracasso da ONU na sua missão mais importante torna as suas outras utilidades supérfluas. Pouca gente sabe tudo que ela faz nos campos da saúde, da agricultura, dos direitos humanos, etc., como pouca gente sabia que a Liga das Nações, sua precursora (1918-1946, ou de um pós-guerra a outro), também promovia cooperação técnica entre nações e programas sociais, além de tentar, inutilmente, manter a paz. A diferença da ONU e da Liga das Nações é que uma sobrevive às frustrações que liquidaram com a outra e tem a adesão dos Estados Unidos. Apesar do presidente americano durante a Primeira Guerra Mundial, Woodrow Wilson, ser um entusiasta da Liga que, segundo ele, acabaria com todas as guerras, o Congresso americano rejeitou a participação dos Estados Unidos na organização, o que matou Wilson de desgosto. O Congresso aprovou a entrada do país na ONU depois da Segunda Guerra, mas a antipatia continuou. O desdém dos Estados Unidos e das outras grandes potências pela ONU ou por qualquer entidade supranacional é uma constante, e a invasão do Iraque foi uma prova recente desta desfeita.E, no entanto, a ONU já dura mais do que o dobro do que durou a Liga das Nações. Ela também é um monumento à perseverança sem nada que justifique.

Talvez se deva adotar a ONU como símbolo justamente dessa insensata insistência, dessa inconsequência heroica. Com todas as suas contradições e frustrações, ela representa a teimosia da razão em existir num mundo que teima em desmoralizá-la. Pode persistir como uma cidadela do Bem, na falta de palavra menos vaporosa, nem que seja só pra gente fingir que acredita nele, e nela, e em nós. Porque a alternativa é a desistência, é aceitar que, incapaz de vencer o desprezo e a prepotência dos que a desacreditam, a ideia de uma comunidade mundial esteja começando a sua segunda agonia. A Liga das Nações agonizou durante quase 30 sangrentos anos até morrer de irrelevância. A ONU só terá levado mais tempo para se convencer da sua própria impossibilidade.

Luís Fernando Veríssimo
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Choque de propósitos

As posições contrárias do Supremo e da Lava Jato quanto à jurisdição apropriada para os processos não ligados aos desvios na Petrobras azedou com inconveniência para os dois lados.

Desagradados com a decisão do Supremo de encaminhar para outro juízo um inquérito que não inclui Petrobras, mas está na Lava Jato, o juiz Sergio Moro e procuradores fazem afirmações agudas. É da regra judicial brasileira, porém, que os inquéritos e processos corram onde teria havido o fato em questão, deslocando-se os julgamentos em casos de extrema excepcionalidade. O Supremo transferiu, de Curitiba para o judiciário federal em São Paulo, o processo sobre pagamentos da empresa Consist que a Lava Jato supõe retribuírem um contrato de gerenciamento do crédito consignado.

Os comentários mais simbólicos da argumentação e da carga forte da Lava Jato contra o decidido pelo Supremo foram postos por Moro em sua sentença condenatória de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT. Escreveu ele que a "dispersão das ações penais não serve à causa da Justiça, tendo por propósito pulverizar o conjunto probatório e dificultar o julgamento".

Sendo quem são, no caso, os imaginados portadores de tal propósito, não há como ver sensatez na afirmação do juiz Sergio Moro, descreditada ainda por valer-se do que deveria ser só uma sentença.

Mas, já que se trata da distribuição de inquéritos, pode-se dispor de um outro trecho de texto. É do balanço feito pelo Ministério Público Federal sobre a ação da sua força-tarefa que se ocupou do grande caso Banestado, aquele das contas CC5. Diz que os inquéritos "se desdobraram em cerca de 3.600 procedimentos criminais, que foram distribuídos para as subseções judiciárias do domicílio dos representados, permanecendo cerca de 600 procedimentos criminais na capital paranaense".

Foi distribuição como a atacada na sentença, e em outras situações, por Sergio Moro, e em diversas ocasiões por procuradores da Lava Jato. Mas os procuradores da Lava Jato estavam na força-tarefa do Banestado. Tanto que o autor do balanço foi Januário Paludo, procurador nas duas forças-tarefas. E quem procedeu à distribuição dos inquéritos para as jurisdições "do domicílio dos representados", em qualquer parte do Brasil, foi o juiz Sergio Moro.

É Fogo
O Conselho Nacional de Trânsito extinguiu, no dia 17, a obrigatoriedade de extintor de incêndio em carros de passeio. Tudo o que foi invocado para a medida já existia três meses antes, quando o Contran, além de manter, exigiu que todos os carros estivessem com um determinado modelo de extintor (o ABC) a partir do próximo dia 1º.

A quantidade de extintores vendidos nos três meses leva a indícios que não se apagam sem investigações da Polícia Federal.

A Jato

1 — Também usado na Lava Jato contra a distribuição de inquéritos alheios à Petrobras, é infundado o argumento de que não podem mais ser exigidas informações sobre outras áreas para acordos de delação premiada. A decisão do Supremo não proibiu a exigência, nem qualquer tipo de tema e de indagação.

2 — Hoje é o 100º dia de prisão de Marcelo Odebrecht. Nesse tempo, só foi ouvido uma vez pela Lava Jato, e no último dia do prazo para o inquérito.

3 — Fernando Soares, o Baiano, esteve meses citado como o grande perigo para Eduardo Cunha. A conclusão, agora, é de que o privilégio cabe a Leonardo Meirelles, ex-sócio de Alberto Youssef em um laboratório. Mas o assunto pede prudência: não é um ou outro, se, para Eduardo Cunha, podem ser os dois.

Janio de Freitas
No fAlha
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