26 de set de 2015

E eis que surge o coveiro do impeachment

Um sobe, o outro desce: Picciani e Cunha
E eis que irrompe, para desespero dos golpistas, o coveiro do impeachment.

Trata-se de Leonardo Picciani, líder do PMDB na Câmara.

Picciani demonstrou, na prática, que Eduardo Cunha já não controla o PMDB — e, a rigor, nem si próprio.

Numa entrevista ao jornalista Paulo Moreira Leite, Picciani disse: “O impeachment não vai caminhar por falta de fatos e de votos.” (leia abaixo).

Poderia ser este o epitáfio da abjeta tentativa de remover Dilma do cargo e, na prática, cassar 54 milhões de votos.

Picciani foi vital na boa semana de Dilma ao ajudar em vetos essenciais a projetos destinados a inviabilizar o governo — e a República — pelos gastos irresponsáveis.

Claro que ele terá a sua cota de retribuição em cargos, mas política é assim mesmo.

Dilma, que jamais foi propriamente política, demorou mais de um mandato para perceber isso, algo em que seu antecessor era e é um mestre.

Mas percebeu, e a tempo de salvar seu mandato.

A importância maior de Picciani é expor a fraqueza de Cunha, ele que até há pouco tempo agia como dono do Congresso e, de certa forma, do Brasil.

Quis muito, tomado pela ganância, e deve acabar com uma tornozeleira eletrônica, tais e tantas as evidências de corrupção desenfreada que se acumulam contra ele.

Cunha ascendeu ao ajudar a eleger um número expressivo de deputados, graça ao dinheiro copioso que arrecadou via achaques, como mostram os depoimentos de delatores.

Esse dinheiro, do qual o primeiro beneficiário foi ele próprio, irrigou várias campanhas, e sabem todos como os recursos dão vantagem a quem os tem em disputas eleitorais caras como as brasileiras.

Mas não existe nada mais morto do que um chefe em vias de ser preso, e esta é a realidade, já faz algum tempo, de Eduardo Cunha.

Hoje, ele é pouco mais que uma perna à espera de uma tornozeleira.

Na política, como em tudo, você tem períodos cíclicos de destruição criativa. Algo se desfaz e outra coisa emerge.

Cunha é o que se desfez, e Picciani é o que emergiu.

Com essa troca de força no PMDB, o impeachment deixa de ser uma possibilidade. (Não que tenha sido, efetivamente, em algum momento: o que havia era mais barulho que substância.)

Caminha assim para seus últimos anos, sem o trauma de um golpe, o casamento de conveniência entre PT e PMDB.

Será uma benção para a sociedade, tais os atrasos representados pelo PMDB.

Em 2018, o PMDB terá seu candidato próprio, que não será Cunha e, até por razões etárias, nem Temer.

Picciani talvez sonhe com essa candidatura.

Mas é cedo para especulações.

O que há de relevante é que Picciani enterrou o impeachment, e é bom que isso tenha ocorrido.

O Brasil provou que não é a Republiqueta de Banana que os golpistas imaginavam que fosse.

Paulo Nogueira
No DCM



Picciani: 'tendência para governo é de melhora'


Liderança emergente na Câmara, o deputado federal Leonardo Picciani (PMDB-RJ), disse ao 247 que o projeto de impeachment não irá caminhar "por falta de fatos e de votos."

Um dos responsáveis pela articulação que permitiu a manutenção dos vetos na madrugada de terça-feira passada, vitória que deu um novo fôlego ao governo Dilma, Picciani atua em combinação direta com Luiz Fernando Pezão, um dos principais aliados do Planalto entre os governadores de Estado. Ele nasceu numa família de políticos liderada pelo pai, Jorge Picciani, que ocupou uma Secretaria no governo Leonel Brizola, já presidiu a Assembléia Legislativa do Estado e hoje é presidente regional do PMDB.

Defensor de uma maior aproximação com o Planalto, Picciani falou ao 247 depois da exibição do programa de televisão do partido, do qual é líder. No vídeo, o PMDB assumiu uma postura distante do governo, como se não tivesse a menor responsabilidade pelo que acontece país. Sem participar da concepção do programa, muito menos da definição de sua linha política, Leonardo Picciani gravou uma fala na qual limitou-se a necessidade de abrir o diálogo para a retomada do crescimento. Na mesma postura, Pezão disse que "estamos todos no mesmo barco."

Depois de uma vitória importante na manutenção da maioria dos vetos, ocorreu a sessão onde Eduardo Cunha começou a discutir o ritual do impeachment. Parece que toda semana o governo anda para frente e depois, para trás. Por que?

A tendência do momento é de melhora. A presidente tem feito mais diálogos, algumas reivindicações começam a ser atendidas. Isso deve consolidado com a reforma do ministério. O governo está no momento de consolidar a maioria.

Como é essa maioria?

Temos, teoricamente, 300 parlamentares mas em Brasília há pelo menos 200 que não se alinham com a tese do impeachment, mas não seguem a orientação do governo. Este é o esforço. A reforma ministerial que está sendo negociada deve encontrar um novo ponto de equilíbrio político. A partir daí, será possível aprovar medidas do ajuste, o que dará credibilidade ao governo. Também será possível apontar para uma perspectiva de crescimento econômico.

Como entender a postura do presidente da Câmara, Eduardo Cunha?

Ele tem uma visão um pouco mais crítica do que a nossa sobre o governo e tem expresso isso. Mas é possível que essa postura crítica diminua, se o governo ajudar para que ele se sinta mais confortável. O governo precisaria dialogar mais, conversar mais.

Um dos pontos do ajuste é a aprovação da CPMF. Ela será aprovada?

A CPMF será aprovada no momento certo. É uma medida necessária, mas que envolve um debate que precisa construído. Em princípio, ninguém quer mais impostos nem novas taxas. Claro que não. A CPMF virá como uma imposição da vida real, uma necessidade que aos poucos ficará clara para a maioria das pessoas.

Como será isso?

Hoje nós já temos uma noção das dificuldades na arrecadação da União e entendemos a necessidade de fazer cortes e elevar receitas. Mas é preciso entender que muitos governos estaduais e prefeituras enfrentam uma situação muito mais grave do que o governo federal. Em muitos casos, a queda de receitas está sendo muito maior.

No Rio de Janeiro, por exemplo...

O Rio enfrenta uma crise muito mais grave do que outros estados do país. Temos uma crise na indústria do petróleo, que envolve a paralisia de vários investimentos realizados nos últimos anos. A perda de receitas tem sido enorme. O governo está fazendo cortes e tem usado depósitos judiciais para enfrentar despesas que não podem ser adiadas. Nesta situação, como a CPMF prevê que uma parcela de seus recursos seja destinada para estados e municípios, não será difícil compreender que ela se tornou necessária.

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Ciro Gomes: os golpistas tucanos e o picareta Eduardo Cunha


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Carlos Sampaio, líder do PSDB e do golpe, doou mala de dinheiro a si mesmo

Deputado paulista coleciona histórico de defesa de amigos envolvidos em corrupção e apresentou contas de campanha com doação suspeita e com informações falsas sobre sua atividade empresarial

Carlos Sampaio, que ganhou espaço no PSDB a custa de bravatas:
dinheiro vivo na própria campanha
No início deste setembro, o deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE) foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por crime de falsificação de documentos para fins eleitorais.

O motivo? Chamou atenção doações dele para sua própria campanha por meio de depósitos em dinheiro no valor de R$ 207,4 mil. Aníbal é investigado no âmbito da Operação Lava Jato. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa o delatou como intermediário dos interesses do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) junto à estatal. A Procuradoria suspeitou de que o deputado estivesse doando em seu próprio nome para ocultar a origem de algum doador que não pudesse aparecer.

Chamado a depor, Aníbal disse que cerca de R$ 100 mil vinham de amigos e parentes, e que por serem várias pequenas quantias, ele juntou tudo e declarou a doação em seu nome. O procurador-geral o denunciou por declaração falsa à Justiça Eleitoral e considerou o ato lesivo à fiscalização, impedindo aos órgãos de controle verificar se os verdadeiros doadores cumpriram limites legais.

O líder do PSDB na Câmara, deputado federal Carlos Sampaio (SP), tem a mesma peculiaridade em sua prestação de contas eleitoral. Ele mesmo doou R$ 40 mil para sua campanha. Mas o que chama atenção é que a doação dele para ele mesmo não saiu de suas contas bancárias. Foi em dinheiro vivo, e sem que ele tenha declarado possuir dinheiro em espécie em sua declaração de bens, da qual também não consta nenhuma atividade econômica que possa receber dinheiro em espécie, como é comum em caso de lojistas, por exemplo.

Abaixo, a doação de Carlos Sampaio para ele mesmo, conforme registro no Tribunal Superior Eleitoral:

doações

Sua biografia, porém, mostra que ele sempre foi ou funcionário público — promotor do estado de São Paulo desde 1987 — ou ocupou cargos políticos desde 1993, cujos rendimentos sempre são pagos em conta corrente e pela rede bancária.

Sampaio também afirma, em sua declaração de bens, ser um dos sócios da empresa Ciage (Centro de Inteligência, Análise e Gestão Educacional Ltda), aberta em fevereiro de 2013 e com sede em Campinas (SP). Mas, na verdade, é a mulher do tucano — a psicóloga Anna Beatriz R. F. Sampaio — que é a detentora, registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo e no quadro de sócios do CNPJ da Receita Federal, de 34% das cotas da Ciage.

De acordo com o site da empresa, a Ciage assessora a gestão de escolas privadas e oferece consultoria, também em educação, para órgãos públicos. A empresa teve alteração de atividades em novembro de 2014, quando passou a incluir comércio de livros, jornais e revistas, além de desenvolvimento e licenciamento de programas de computador.

Pau a pau

Se Janot quiser fazer valer sua frase "pau que dá em Chico, dá também em Francisco", que declarou na sabatina no Senado que o reconduziu ao cargo, precisa aplicar o "pau que dá em Aníbal Gomes, dá também em Carlos Sampaio", e abrir investigação sobre o tucano. Afinal, há pelo menos uma doação fortemente suspeita e indícios de falsidade ideológica na declaração de bens relativa à Ciage.

Carlos Sampaio ganhou notoriedade nacional quando entrou com representação — já arquivada — que pedia a cassação da presidenta Dilma Rousseff, ainda no primeiro mandato, por ela ter usado vestido vermelho em um pronunciamento em rede nacional de televisão.

Caiu no ridículo, mas encantou o então candidato tucano a presidente, Aécio Neves. Desde então, Sampaio se tornou coordenador jurídico da campanha de Aécio em 2014 e tentou de todos os modos cassar a candidatura da presidenta. Após a derrota do PSDB nas eleições, não desistiu. É um dos principais conspiradores do golpe do impeachment de Dilma na Câmara.

O deputado tucano também se esforçou ao longo dos anos para se apresentar como "paladino da ética". Mas esta imagem anda arranhada desde a CPI do Cachoeira, quando deu um show de hipocrisia ao defender a blindagem da corrupção no governo goiano de Marconi Perillo (PSDB) e de companheiros de partido enrolados naquele escândalo.

Comportamento semelhante teve no "trensalão", escândalo das propinas no Metrô e trens paulistas sob gestão tucana. E tem se repetido em todos os episódios que envolvem tucanos. Recentemente, enquanto acusava o governo federal de aparelhamento, seu pai ganhava um cargo comissionado com salário de R$ 11.656,20 na prefeitura de Valinhos (SP), cidade vizinha a Campinas comandada por um prefeito também tucano, seu aliado.

Outro grave deslize é conspirar pelo golpe do impeachment com notórios deputados denunciados por corrupção, enquanto ajuda a manter engavetados dezenas de processos de cassação desses mesmos deputados, por quebra de decoro, no Conselho de Ética da Casa.

Por fim, gravíssimo o voto e o comando da bancada tucana para votar a favor da chamada "PEC da Corrupção", aquela que queria manter o financiamento empresarial de campanha, mesmo considerado inconstitucional pelo STF.

Assim, ele se candidata, no máximo, a "paladino" da ética seletiva, aquela que só vale para "inimigos". Para os "amigos" vale tudo.

Helena Sthephanowitz
No RBA
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Congreso aprobó proyecto de ley que permite reelección de Evo

El pasado sábado Morales aseguró que “si el pueblo dice que se modifique la Constitución para 
la reelección se hará, si no, no”.
Con 112 votos a favor y 41 en contra, de los 152 del Congreso boliviano, éste habilitó este sábado al presidente Evo Morales para repostularse a una nueva elección presidencial.

El Congreso de Bolivia habilitó este sábado al mandatario Evo Morales para una nueva elección presidencial, a través de una reforma parcial a la Carta Magna que será sometida a referendo en febrero de 2016.

Esta reforma parcial a la Constitución boliviana fue aprobada con 112 votos a favor del total de 153 sitios en el Congreso, en una sesión que duró dieciocho horas. Con esta modificación el mandatario podría postularse para la reelección presidencial por dos veces de forma continua.

El próximo paso será que el pueblo apruebe esta habilitación durante un referendo que se realizará en el 2016, en el que Morales aseguró que no hará campaña política a su favor.

"El primer período constitucional, en aplicación de la nueva Constitución (...), fue el comprendido entre 2010 y 2015. La primera reelección es la que corresponde al período 2015-2020 y la segunda reelección constitucional sería la correspondiente al período 2020-2025", especificó el punto relativo a la postulación presidencial.

De ganar las elecciones previstas para 2019, Morales se convertiría en uno de los presidentes más antiguos de Bolivia y también de la región sudamericana.

En contexto

Esta reforma ocurre tras la solicitud realizada por la Central Obrera Boliviana (COB) y otros movimientos sociales del país ante el Parlamento de esa nación para que se modifique la Constitución y se permita su reelección.

“Sé tomar decisiones escuchando al pueblo”, dijo Morales en torno a esta petición y agregó que a pesar de no ser “insustituible”, su gestión “genera consenso, amistad, confianza. Más que liderazgo es confianza”. Afirmó que no se trata de una auto proclamación “para ser reelegido”, sino que “ha habido una petición por unanimidad de la central obrera. Eso nunca se vio en Bolivia”.

Evo Morales asumió como presidente de Bolivia en 2006 y en 2010, luego de la aprobación de una nueva Constitución y se convirtió en el primer presidente del Estado Plurinacional con opción a un segundo y último mandato, iniciado en enero de este año.

Para aspirar a un nuevo periodo es necesario modificar la Constitución, lo cual implica para su aprobación un referendo o consulta a la población que está prevista para el 2016.

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Lacerdismo tardio e metamorfoses do golpismo

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7643

Carlos Lacerda foi o algoz de Getúlio Vargas em 1954 e de João Goulart em 1964. Mas a sua vocação para o golpismo não lhe garantiu a realização do seu maior sonho: chegar à presidência da República. A UDN, partido de direita que o adotou (era bastardo do comunismo), só tomaria o poder pela terceirização, via ditadura militar, adotando o nome de ARENA. Foi o que lhe sobrou. Não era o projeto de todos os udenistas. Foi a aposta de muitos. Lacerda achava que o jogo seria rápido. Há quem pense que a UDN chegou ao poder antes com Jânio Quadros. É mais ou menos como convencer alguns peemedebistas gaúchos de que o PMDB está no poder, de fato, desde que se aliou como Lula e Dilma. Jânio era um cavaleiro solitário de triste figura.

A cavalgadura de Sancho Pança.

Carlos Lacerda, o Corvo, vivia para o golpismo. Ficou famosa a sua tirada sobre a candidatura de Getúlio para a eleição de 1950: “Vargas não deve ser candidato. Se for candidato, não deve ser eleito. Se for eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar”. Lacerda quase sempre perdia. Jamais admitia. Getúlio foi eleito, tomou posse e tentou governar. Foi acuado com tentativas de golpe de todos os tipos, formatos e fórmulas. Pediu-se a sua renúncia. Tentou-se o seu impeachment.

Getúlio havia cometido crimes hediondos como defender o petróleo brasileiro, criar a Petrobras, elevar o salário mínimo em 100% e aumentar a contribuição patronal para a previdência. Contra ele se ergueu a bandeira moral do combate à corrupção.

Getúlio optou pelo suicídio. Saiu da vida e da história para virar mito.

A história, como dizia Karl Marx, só se repete como farsa. Marx, na verdade, disse isto: “Hegel observa em uma das suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.

A farsa é a tragédia da repetição da história como caricatura.

A UDN foi a tragédia.

Até Lacerda foi trucidado. Não levou a presidência. O poder não lhe caiu no colo. Foi o  Corvo que caiu em desgraça. Perdeu.

A bola da vez agora é Lula. Em 2018, não deve ser candidato. Se for candidato, não deve ser eleito. Se for eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar. Se tentar governar, deve ser acuado por tentativas de impeachment e pedidos de renúncia. Se quiser se suicidar, os adversários não lamentarão. Alguns já pediram o mesmo à presidente Dilma Rousseff. Por enquanto, a operação do lacerdismo tardio consiste em tentar evitar que Lula seja candidato à sucessão de Dilma. A prova disso é “Projeto de Emenda Constitucional” protocolado na Câmara de Deputados por Cristina Brasil, filha de Roberto Jefferson, o homem que detonou o escândalo do mensalão. Um Projeto de Emenda Constitucional, nomenclatura que me parece mais pertinente pela natureza dos conteúdos, é uma Proposta de Emenda à Constituição. Como projeto, antecipa o futuro, quase sempre por razões pouco presentes. Como proposta, enfrenta o contraditório. Como realidade, neste caso, é um casuísmo.

A PEC 125/2015, apelidada de PEC anti-Lula, tem um único objetivo: evitar que Lula possa se eleger daqui a três anos e meio.

É um recibo de manobra eleitoreira.

Mostra o medo que a direita tem de perder outra vez para Lula. O texto, que atinge de prefeitos a presidente da República, tem alvo certo. Proíbe a “reeleição por períodos descontinuados para cargos do Executivo”. Ou seja, quem cumpriu seus mandatos, está fora do jogo para sempre. O oportunismo da PEC tem a sutileza de um coice. A justificativa da proposta merece ser estudada em cursos de lógica: “Ademais, um candidato recorrente possui uma vantagem desproporcional e desleal sobre os seus adversários, visto que este já possui um nome e um legado já conhecido pelo povo”. Melhor é não possuir nome nem legado conhecido pelo povo. E se o povo considerar o legado bom? Não pode o povo decidir por conta própria? Ou o povo não sabe escolher e deve ser protegido das suas escolhas irracionais? Deve-se proteger o povo de votar nos outros.

A Europa dá, por outros caminhos, exemplos frutíferos de continuidade.

A rigor, numa democracia, não deveria existir qualquer limitação de mandatos. Quem escolhe é o eleitor. Se ele quer mais do mesmo, bom ou ruim, por que não? A limitação de mandatos é uma forma de dizer que a população não vota racionalmente ou se deixa enganar com facilidade. Não deixa de ser uma modalidade de tutela e de paternalismo. Quem está no poder, gosta de reeleições. Quem não está, quer sempre acabar com elas. Os tucanos, a nova UDN, garantiram por meios pouco republicanos, com valores declarados por deputados réus confessos (que não se tornaram réus de fato por falta de vontade investigativa e punitiva com a turma dos camarotes), a emenda de reeleição que deu a FHC um segundo mandato. Hoje, militam contra a reeleição e devem apoiar a PEC anti-Lula. Um espectro ronda o Brasil. Não é o comunismo. É o lacerdismo tardio.

Como foi que a PSDB, nascido para ser social-democrata, quem sabe um PTB (de antes de 1964) de elite, tornou-se neoliberal e golpista, sucedâneo da UDN e, por extensão, uma mutação da ARENA? O DEM, que foi PFL, metamorfose da ARENA, deve morrer de inveja. O PSDB tomou-lhe as bandeiras e já se apropria também da sua biografia. Do corvo ao vampiro.

Como foi que o PT passou de partido da ética a partido da corrupção?

Só o PMDB não muda.

Conseguiu um modus vivendi com a ditadura.

Ajeitou-se na transição.

Convive com o PT.

FHC bola fórmulas lacerdistas: pacto nacional e depois renúncia de Dilma. Não se envergonha?

Como doutor em sociologia e historiador, especializado em Brasil do século XX, conhecedor da era Vargas e das raízes do golpe de 1964, com livros sobre o assunto, não tenho dúvidas: a tragédia atual é a farsa do golpismo como solução democrática.

Há brasileiros que, por índole monarquista, preferem eleger para o presidencialismo, mas, por tendência histórica golpista e de falta de paciência para esperar o final dos mandatos, preferem derrubar por uma espécie de parlamentarismo de ocasião.

Em 1964, a UDN foi a tragédia (tentativa de repetição de 1954).

Quem é a farsa hoje?

Pode a história acontecer três vezes?

Ganha um bico de ouro quem acertar.
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MPF arquiva último inquérito sobre Lula no Mensalão

Não foram encontras provas sobre suposto repasse de US$ 7 milhões da Portugal Telecom para o PT

A Procuradoria da República no Distrito Federal pediu o arquivamento de um inquérito instaurado para investigar um suposto repasse de US$ 7 milhões da Portugal Telecom para o PT. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci eram suspeitos de terem participado diretamente da negociação do repasse. Essa era a última investigação em curso sobre eventual envolvimento de Lula em crimes correlatos ao "Mensalão".

A apuração foi aberta em 2013, a partir de um depoimento do publicitário Marcos Valério, preso desde novembro daquele ano por ter sido o operador do esquema. Valério afirmou que a transferência em questão foi acertada em uma reunião no Palácio do Planalto, na presença de Lula e Palocci. Valério apontou as contas no exterior que teriam sido indicadas ao empresário Miguel Horta, diretor da Portugal Telecom, para realizar as transações com o PT.

No depoimento, Valério disse que Lula tinha conhecimento do mensalão e que o suposto empréstimo da Brasil Telecom serviria para quitar dívidas de campanhas do PT de 2002 e 2004. De acordo com o publicitário, à época, a companhia portuguesa pretendia adquirir o controle da brasileira Telemig Celular.

A polícia não conseguiu rastrear, porém, os supostos desembolsos da Portugal Telecom, "seja porque algumas das contas não foram localizadas, seja porque não foram identificadas movimentações financeiras capazes de indicar pagamentos aos ora investigados", afirma a Procuradoria no despacho de arquivamento, que data do último dia 3.

De quatro contas investigadas, uma não existia e duas não puderam ser rastreadas, porque a China e a Bélgica não firmaram acordo de cooperação com o Brasil. Apenas uma conta pôde ser localizada e rastreada pela PF: levou a uma empresa corretora de grãos, com sede em São Paulo e filial na Suíça. Não foram encontrados, no entanto, vínculos entre o dinheiro que por ali passou e a empresa portuguesa e o PT.

A investigação ouviu cerca de 20 pessoas em mais de dois anos, entre elas Lula, que depôs em Brasília em dezembro de 2014, e Horta, ouvido no início deste ano. Ambos negaram os repasses. Também prestaram depoimento Palocci, Dirceu e o ex-deputado Roberto Jefferson, delator do mensalão.

Ao final do despacho de arquivamento, a Procuradoria conclui: "As investigações não conseguiram comprovar o desembolso de valores da empresa em favor do Partido dos Trabalhadores". Agora, o arquivamento aguarda análise da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, especializada em casos de lavagem de dinheiro.

No JB
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A política na literatura e a narrativa das gentes


Foram três dias de muita efervescência intelectual na XI edição das Jornadas Bolivarianas que esse ano teve por tema a literatura e a política na América Latina. De maneira bastante original cada um dos convidados foi traçando o paralelo entre as obras literárias de importantes autores latino-americanos e a vida real, o cotidiano nada mágico da grande Abya Yala (as três américas).

No primeiro dia, Victor Moncayo trouxe a obra de Gabriel Garcia Márquez, que, afinal, nada tem de realismo mágico. Toda temática narrada por Gabo, bem como seus personagens, estão completamente inspirados na realidade. A solidão retratada no “Cem anos de solidão” ou no “Ninguém escreve ao coronel” é a típica solidão que acomete o indivíduo premido pelo sistema capitalista. A dura realidade colombiana, o colonialismo que ainda perdura na América Latina, tudo é concreto e cotidiano.

Tânia Ramos trouxe aspectos da vida e da obra de Jorge Amado que foram encontrados escondidos numa velha mala deixada para trás no seu autoexílio em Montevidéu. Esquecida por lá, foi guardada pela sua anfitriã e agora veio parar nas mãos da professora catarinense. Dentro dela, mais de 1.500 documentos e um livro inédito. Cartas aos amigos e editores que mostram a sua ligação com o Partido Comunista e suas inquietações quanto à realidade brasileira. Um achado que ainda renderá muitos trabalho e análises.

Fábio Lopes traçou um paralelo entre os que narraram o ultraje vivido durante a segunda grande guerra pelos judeus, ciganos e comunistas e os que narram hoje a vida dos desgraçados. Lembrou que os que conseguem colocar à luz a dor e o sofrimento vivido em situações tão violentas, são os que ficaram na “zona cinzenta”, ou seja, os que, ao sobreviverem não viveram até o fundo a dor. Mas, ainda assim, e por isso mesmo, conseguem contar de todo o terror.

Luis Alvarenga apresentou o poeta salvadorenho Roque Dalton, um escritor que abriu a consciência da nação ao trazer para sua poesia aspectos da cultura e da história que os governantes buscavam manter escondidos. Ele inaugura em El salvador não apenas uma nova forma de fazer poesia, mas também serve de luminária numa noite escura, na qual a memória dos massacres, das mortes e da miséria das gentes insistia em existir. Roque Dalton aponta caminhos para toda uma geração insistindo que a poesia é, em si, política e que, com ela, se pode esgrimir o esquecimento.

Gilberto Felisberto Vasconcellos trouxe a poesia e o texto de Oswald de Andrade, mostrando que ele foi um dos primeiros a compreender que o sol deveria ser a fonte da energia vital e cósmica a gerir a existência dos trópicos. Poeticamente antecipou o que mais tarde foi concebido como a teoria da Biomassa por Bautista Vidal e Marcelo Guimarães. Oswald compôs sua obra dando destaque para o que era nossa terra antes da conquista, buscando levantar valores dos povos originários que ainda valem a pena serem preservados. O soloswald, sol e solo, apaixonado pela nação.

Natália Vinelli apresentou a vida e a obra do jornalista argentino Rodolfo Walsh, um homem que mudou radicalmente sua existência quando, já escritor afamado, conheceu um “fuzilado que vivia”, sobrevivente de um massacre de trabalhadores que permanecia esquecido na memória das gentes. Ele entrevistou o homem e a partir daí descortinou um novo destino, saindo do conforto liberal e passando a ser um militante comunista. Depois, mais tarde, quando já estava completamente envolvido com a realidade das gentes, ele mesmo assume a condição de um militante político ativo sendo, ao fim, morto e desaparecido pela ditadura militar. Seus livros e sua militância no jornalismo mostram um intelectual que buscou se pautar pela dura realidade do povo oprimido, em vez da segura e protetora quentura da literatura desligada do cotidiano das gentes.

Por fim, Denilson Botelho trouxe Lima Barreto, esse escritor brasileiro que conseguiu, como ninguém, narrar a vida da primeira república na perspectiva dos trabalhadores, da gente simples. Um homem que escrevia para as massas, com suas crônicas certeiras e seus romances publicados em capítulos nas páginas dos jornais. Lima Barreto escrevia para ser entendido, para transformar, para escancarar a realidade da corrupção, da mídia dominada pelos interesses mercantis, da sordidez da política. Lima Barreto também foi capaz de criar um personagem como o Major Quaresma, um nacionalista, tão caricato quanto singelo, representando não só o profundo amor do escritor pelo Brasil, mas também a tristeza de ver a ideia de nação se esboroar em meio ao colonialismo e a negação da soberania.

De uma maneira bastante profunda todos os conferencistas realizaram a ligação entre a literatura e a política, discutiram criticamente a forma de narrar, a estética, o comprometimento político, a história, a importância da memória. Enfim, foi mais um desses momentos repletos de riqueza em que a totalidade pode ser abraçada a partir do particular. Falar de literatura na América Latina não pode ser apenas realizar o debate estilístico ou gramatical. A literatura de nosso continente é rica, colorida, engajada e espelha, muito mais do que os “papers” acadêmicos, a dura/bela/complexa realidade das gentes.

Além dos debates que buscaram a radicalidade da obra de arte no contexto do real, as Jornadas ainda abriram espaço para o lançamento de livros como o do Gilberto Felisberto Vasconcellos, “Darcy: a razão iracunda”, sobre o educador Darcy Ribeiro, e o de Gert Shinke, “O golpe da Reforma Agrária”, sobre a fraude de distribuição de terras em Santa Catarina durante o regime militar.

Não faltou também um protesto organizado por estudantes da direita local que entraram no auditório com cartazes pedindo a libertação de Leopoldo Lopez, o ex-prefeito de Chacao que incitou, via televisão, seus cidadãos a matarem mais de 40 pessoas nas chamadas “guarimbas” (protestos contra o governo) na Venezuela. Por conta desse crime ele está preso, e a direita Venezuelana prega a ideologia de que ele é um preso político, como se tivesse sido preso por ser contra o governo. Não é esse seu crime. Nada tem a ver com censura ou a não garantia do direito a liberdade de expressão. Leopoldo convocou seus partidários ao confronto, incitando as mortes que se seguiram.

Os estudantes ainda seguravam um paradoxal cartaz no qual estava escrito “o bolivarianismo mata”. A considerar que quem incitou a matança de mais de 40 pessoas foi o liberal Leopoldo López, como é o bolivarianismo que mata? Estranha percepção.

Como muito bem comprovaram os conferencistas convidados, com suas falas e reflexões sobre a literatura latino-americana, o que mata mesmo é o capitalismo, capaz de massacres e violências sem fim em nome do lucro de alguns, todas elas narradas pelos escritores que insistem em não permitir que os cadáveres produzidos pelo capital fiquem embaixo do tapete.


Fotos: Rubens Lopes e Ricardo Conceição.
Elaine Tavares
No Desacato
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Um presentinho do Latuff para o Stédile


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A radicalização conservadora

Ela ganha terreno no mundo, mas exibe particularidades no caso brasileiro

Fox News, a emissora de televisão partidarizada e retrógrada
de Rupert Murdoch.
A radicalização conservadora em avanço no Brasil é semelhante àquela que assola as principais sociedades democráticas. Mas tem, como seria de esperar, características próprias.

Em praticamente todo o mundo, o crescimento das organizações e da militância de extrema-direita é uma marca dos últimos 30 anos. Saímos do século XX e entramos no XXI obrigados a conviver com algo que parecia extinto desde quando o nazifascismo foi derrotado na Segunda Guerra Mundial.

A base da cultura democrática generalizada no pós-Guerra foi a tolerância e o reconhecimento da legitimidade do outro na interlocução política. Ao mesmo tempo que admitia a existência de interesses e pontos de vista distintos na sociedade, estabelecia o princípio de que ninguém tinha o direito de impor os seus aos demais, muito menos agir para eliminar aqueles de quem discordasse. Paradoxalmente, até as ditaduras do período, como a brasileira a partir de 1964, buscaram nesses valores sua racionalização, apresentando-se como “etapa” e “mal necessário” no processo de concretizá-los.

Como mostram os estudos disponíveis, até meados da década de 1980, o típico cidadão norte-americano considerava que republicanos e democratas, apesar de suas discordâncias, eram igualmente bem-intencionados. Os eleitores podiam filiar-se a partidos diferentes e acreditar em coisas diferentes, mas reconheciam-se como iguais. Dissentir em matéria política não os tornava adversários e, muito menos, inimigos.

Esse quadro se desfez. Como revela um trabalho de 2014 dos professores S. Iyengar, da Universidade de Stanford, e S. Westwood, da Universidade de Princeton, “(...) no ambiente político norte-americano contemporâneo, constata-se uma crescente hostilidade entre os cidadãos (...), quem se identifica com um partido expressa visão negativa em relação ao outro e a seus simpatizantes. Enquanto os republicanos percebem seus correligionários como patrióticos, bem informados e altruístas, julgam os democratas como se possuíssem os traços opostos”.

O pior, segundo os autores, é que a crescente polarização baseada em identidades político-partidárias as extravasa: elas “(...) fornecem os elementos para juízos de valor e comportamentos não políticos (...) levando os indivíduos a frequentemente discriminar aqueles com quem não se sentem identificados”. Para eles: “(Hoje) na sociedade norte-americana, a animosidade entre aqueles que se identificam com algum partido é mais alta do que a hostilidade racial”.

Outras pesquisas mostram que os níveis de antagonismo tendem a ser significativamente maiores entre conservadores e republicanos. Os “fortemente republicanos”, entre eles os integrantes do ultrarreacionário Tea Party, são aqueles que mais discriminam. Na Europa, os exemplos de crescimento de organizações de extrema-direita são tão conhecidos que nem é preciso enumerá-los.

Portanto, não somente no Brasil aumenta a radicalização conservadora, embora tenha, entre nós, especificidades.

A primeira é a velocidade com que emergiu. Nos Estados Unidos ela precisou de décadas, aqui, de pouquíssimos anos. No início de 2013, ninguém acreditaria que teríamos uma direita furiosa nas ruas dali a meses, como vimos nos “movimentos” de junho e julho daquele ano.

A segunda é a inexistência, no Brasil de hoje, um elemento integrado há séculos no cenário político democrático: uma imprensa plural, com alguns veículos ligados aos partidos e outros equidistantes de todos. Se, nos EUA e na Europa, os dois (ou mais) lados vão à guerra partidária com suas tropas políticas, seus militantes e suas máquinas de comunicação, enquanto instituições como o Judiciário e a imprensa independente arbitram o conflito, aqui, a bem dizer, só existe um lado.

A velocidade com a qual cresceu a extrema-direita brasileira é consequência de nossa “grande” imprensa funcionar como uma única e imensa Fox News, a emissora de televisão partidarizada e retrógrada de Rupert Murdoch. A onda conservadora teria se formado mais rapidamente nos EUA se lá existisse um despropósito semelhante ao nosso, um conglomerado de empresas de comunicação que monopoliza a mídia de massa e se proclama como “fazendo de fato a posição oposicionista deste país”, nas inesquecíveis palavras da ex-presidente da Associação Nacional dos Jornais.

A terceira é nosso passado recente de ditadura, em uma sociedade cronicamente hierárquica. Para inspirar-se, a direita brasileira tem apenas de olhar para trás. De lá vem a sua truculência.

Marcos Coimbra
No CartaCapital
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Vem ao caso: tucano gordo e morto era corrupto

Empresário reafirma que ex-presidente do PSDB recebeu propina

Guerra (E), Príncipe, Senador do Leblon e (D) Cerra Tarja Preta


Em depoimento à CPI da Petrobras, Leonardo Meirelles confirma a informação de que houve pagamento a Sérgio Guerra para evitar investigação pelo Congresso

O empresário Leonardo Meirelles, um dos donos do Labogen e acusado de envolvimento na Operação Lava-Jato reafirmou, nesta quinta-feira (24), em depoimento à CPI da Petrobras, que o ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra, recebeu propina para evitar a abertura de uma CPI no Congresso Nacional.

“Confirmo o depoimento que dei anteriormente. Em uma determinada oportunidade, Youssef estava ao telefone com alguém e confirmou que faltava uma parte dos valores a serem pagos naquela situação do Sérgio”, declarou, em resposta ao relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

Meirelles afirmou, no entanto, que não viu o dinheiro nem presenciou a operação. Sérgio Guerra morreu em 2014.

Durante acareação na CPI, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa voltaram a dizer que pagaram R$ 10 milhões para evitar a investigação por parlamentares. Eles já haviam dito isso à Justiça Federal.

Youssef declarou que o valor foi pago pela empreiteira Camargo Correia ao então presidente do PSDB.

Paulo Roberto Costa disse que foi procurado por Guerra e pelo deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) para falar sobre o pagamento.

Costa declarou ainda que Fonte intermediou o encontro com o ex-presidente do PSDB, em um hotel no Rio de Janeiro.


No CAf
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