16 de set de 2015

A reação de Villa ao processo movido por Lula é o triunfo do descaramento

Sem noção
A reação do pseudo-historiador Marco Antônio Villa ao processo de Lula desafia a imaginação.

Villa há tempos calunia Lula com frequência maníaca.

Lula, segundo Villa, é ladrão, bandido, chefe do Petrolão e outras barbaridades.

Com notável atraso, mas ainda assim com total acerto, Lula decidiu enfim se defender na Justiça.

Quem não se defende quando injustiçado, como ensinou o jurista alemão do sécula 19 Rudolf von Ihering, merece rastejar como um verme.

Lula tem seguido os ensinamentos consagrados de Ihering.

Villa tem sido predador, agressor, canalha mesmo ao tratar de Lula.

Mas, diante da notícia do processo tardio, ele se colocou na posição de vítima, de coitadinho, de perseguido.

E veste a fantasia de mártir.

Villa diz que não vai se calar, que não vai se deixar intimidar.

Ora, Lula não falou em calá-lo. Com o processo, Lula quer apenas de proteger das infâmias ininterruptas de Villa.

Villa pode dizer o que quiser, de Lula ou de quem quer que seja. Mas tem que ter provas que vão além de sua garganta maledicente.

Nos Estados Unidos, há muito Villa estaria em apuros sérios.

Ao contrário da brasileira, a Justiça americana exige provas para acusadores.

E se não as há as indenizações são altíssimas, exatamente para desestimular o tipo de coisa que Villa e tantos outros fazem sem a menor cerimônia.

Uma das coisas que explicam a baixa qualidade do jornalismo brasileiro é a complacência da Justiça diante de assassinatos de reputação sem provas.

Você se sente desestimulado de buscar reparação.

Mas aí também vem as lições de Ihering: a Justiça só melhora quando a sociedade se movimenta e cobra dela que impeça abusos como os de Villa.

É dentro dessa lógica que Ihering dizia que o atingido não tem apenas o direito de procurar a Justiça — mas o dever perante a sociedade.

Porque quando você age outras pessoas podem se beneficiar — eventuais futuras vítimas de predadores das palavras.

Villa está bravateando.

Mas, com certeza, já está tratando de achar um bom advogado. Também vai pensar duas vezes antes de produzir o veneno que sai dele em doses copiosas.

Outros Villas estarão também menos efusivos em suas investidas.

Sociedades avançadas não toleram pessoas como Villa, e ele se comporta como se o Brasil fosse uma República das Bananas.

Villa tem que ser protegido de Villa, de uma certa forma.

O que ele faria se alguém o acusasse de criminoso, ladrão, bandido, chefe de quadrilha?

Faria exatamente o que Lula está fazendo.

Por tudo isso, sua reação ao processo é o triunfo do descaro e da falta de noção.

Paulo Nogueira
No DCM
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De Vargas a Dilma: o que os barões da mídia escondem por trás das denúncias do “mar de lama”


A advogada Maria Goretti reproduziu no Facebook um recorte do Zero Hora de pouco depois do golpe de 1964, quando o diário gaúcho ainda era propriedade de Ary de Carvalho — em 1970, a família Sirotski adquiriu o controle completo da empresa que deu origem a seu império no Sul, a RBS.

A RBS é aquela que foi pega com a boca na botija na Operação Zelotes, acusada de fraudar processos tributários para sonegar impostos. Valor total do rombo que teria sido causado em 74 processos de várias empresas: R$ 21 bilhões! Trata-se de corrupção do mesmo quilate da qual são acusadas as empreiteiras na Operação Lava Jato.


Segundo o auditor da Receita, a Globo fez um “investimento” na Empire e usou o capital para comprar os direitos de transmissão da Copa do Mundo, com isso deixando de pagar os impostos devidos no Brasil.

São estes aí — RBS e Globo — que clamam contra novos impostos, especialmente — Deus me livre! — sobre os ricos. Propugnam, ao invés disso, pelo corte dos programas sociais.

Voltemos ao recorte do Zero Hora.

Segundo a lógica do jornal, os comunistas promoviam a inflação galopante no governo de João Goulart com o objetivo de “levar você ao desespero e à adesão às violências do comunismo”.

Que plano diabólico!

Por essa lógica, vai ver que José Sarney, quando ocupava o Planalto com inflação de 1.000% ao mês, recebia ouro de Moscou sem que a gente soubesse.

O fato é que João Goulart caiu em 1964 por propor as reformas de base. Ponto. Eram reformas tímidas. Porém, além de ameaçar os latifundiários locais, contradiziam o que o capitalismo precisava em países periféricos: salários baixos, mão-de-obra sob controle e remessa de lucros à vontade, das empresas multinacionais a seus países de origem.

Goulart não era comunista, longe disso. Na tradição de Getúlio Vargas, era um reformista, na mesma linha de Lula e Dilma. No caso dos petistas, “reformismo fraco”, nas palavras do economista Márcio Pochmann: longe de tocar em privilégios num dos países mais desiguais do planeta, o reformismo do PT permitiu aos de cima lucros e benesses extraordinárias do Estado. Ou seja, muitos daqueles que hoje denunciam Dilma por “destruir a economia” tiraram proveito, via desonerações, da “destruição”.

Os jovens — que obviamente não viveram sob Vargas, Goulart ou sob a ditadura militar — têm grande dificuldade de compreender este fio condutor que liga os trabalhistas e os anti-trabalhistas na política brasileira. É mesmo difícil, a não ser para quem tenha vivido ou lido muito a respeito, identificar a continuidade — cheia de nuances, é óbvio — entre UDN/PSDB e PTB/PT, com o PMDB fazendo o papel de fiel da balança, o PSD.

Mais difícil ainda, por falta de acesso aos arquivos dos jornais e emissoras de rádio e TV da época, saber que sob o “mar de lama” — do qual Getúlio Vargas era acusado por Carlos Lacerda — estavam os verdadeiros alvos dos anti-trabalhistas, da Petrobras à Consolidação das Leis de Trabalho (CLT); sob o “anarcosindicalismo” de João Goulart, tão denunciado na imprensa, com amplo financiamento dos Estados Unidos via IPES, estava o presidente que quando ministro de Vargas ousara propor aumento do miserável salário mínimo em 100%; sob os “maiores escândalos de corrupção da História do Universo”, de Lula e Dilma, se escondem o ódio de classe dos que agora penam para encontrar serviçais domésticos, a turma que rejeita o Bolsa Esmola como “assistencialismo” e vê aturdida a infiltração vermelha — de negros comunistas! — através do Mais Médicos.

Da mesma forma, existe uma linha tênue ligando os que não reproduziram o discurso dos barões da mídia: Samuel Wainer, que com seu jornal Última Hora apoiou Vargas, foi investigado numa CPI e teve seus anunciantes publicamente denunciados; Mário Wallace Simonsen, da TV Excelsior, que noticiou o golpe como golpe — e não Revolução — teve seu império destroçado por concorrentes; e os blogueiros, nos dias de hoje, são igualmente criminalizados, enquanto a Globo embolsa R$ 6,2 bilhões em dinheiro público em 12 anos de governos petistas. É “estado máximo” para os herdeiros de Roberto Marinho e “estado mínimo” para os outros.

Por isso, para os jovens, a leitura de O Quarto Poder, de Paulo Henrique Amorim, é altamente recomendável. Didaticamente, ele demonstra como o golpismo está no DNA dos barões da mídia brasileira desde sempre, afinados exclusivamente com os interesses do capital — especialmente o próprio.

Qual foi a justificativa da Folha de S. Paulo para a quartelada do primeiro de abril de 1964?

PHA reproduz texto do editorial Em defesa da lei.
São claros os termos do manifesto do comandante do II Exército. Não houve rebelião contra lei, mas uma tomada de posição em favor da lei. Na verdade, as Forças Armadas destinaram-se a defender a pátria e garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem.
Ou seja, aqueles tanques que desceram de Minas para o Rio de Janeiro foram uma ilusão de ótica. Não teve golpe.

Mais de 50 anos se passaram e pouco mudou na Barão de Limeira.

A família Frias, que promoveu, apoiou e lucrou com a ditadura militar, é a mesmíssima que dá um ultimato à presidente eleita pela maioria dos brasileiros, com o sugestivo título de Última Chance.

O que disse Roberto Marinho, o da nave-mãe, em 1964?
A legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem.
Pois é, outro que não viu o golpe! Justo ele, um dos arquitetos da “legalidade” que sucedeu Goulart e resultou em censura e tortura.

Roberto Marinho, o homem que inventou o Operário Padrão, que aparecia com grande destaque recebendo seu prêmio no Jornal Nacional, descrito assim pela pesquisadora Daniela de Campos:
O Concurso Operário Padrão, primeiramente uma iniciativa exclusiva do jornal O Globo, iniciou ainda na década de 1950, circunscrito ao estado do Rio de Janeiro. Na década seguinte, sob a ditadura militar, o Serviço Social da Indústria – SESI alia-se ao jornal para tornar a campanha nacional. Em 1965 firmou-se o acordo definitivo entre o SESI e o Globo para a promoção anual do concurso. Segundo Weinstein (2000), após 1964, o SESI pouco inovou em programas e ações voltadas ao trabalhador. Sua inserção no concurso para premiar um operário modelo foi uma das poucas inovações implantadas após o golpe militar, uma vez que o contexto político favorecia esse tipo de investida. Para a entidade empresarial essa Campanha se configurava num “veículo conveniente para um discurso que enfatizava o esforço individual e a cooperação com o patrão como a chave da ascensão social para os operários” (Weinstein, 2000: 351).
O trabalhador como um “colaborador” dócil, é o resumo do que buscavam contra Vargas, Jango e mais recentemente Lula e Dilma. Aquele mesmo, cujas passeatas hoje “atrapalham o trânsito”.

A campanha do impeachment é contra o que restou de “trabalhismo” no governo Dilma. É para espetar a conta da crise integralmente nas costas do Operário Padrão.

É justamente por isso que, hoje, a mesma mídia que denunciava Vargas não esclarece que a campanha pelo impeachment de um governo eleito pela maioria é patrocinada por Aécio Furnas Neves, Ronaldo Cachoeira Caiado, Agripino Detran Maia, Eduardo Lava Jato Cunha e  Aloysio 200 mil em cash Nunes, dentre outros.

Afinal, estão todos — inclusive os sonegadores da Globo e da RBS — contra o “mar de lama” e em defesa do Operário Padrão. Ontem, hoje e sempre.

Abaixo, um pouco da história do capitalista que o golpe de 64 destruiu com requintes de crueldade:


Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Ataques paramilitares contra os Guarani Kaiowá envolveriam até senador e deputados

Ruralistas proclamam: “tem que eliminar esses índios inúteis”

Cleber Buzzato
A comunidade da Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, homologada pela Presidência da República há mais de dez anos, foi atacada em 29 de agosto por um grupo de proprietários rurais, o que levou ao assassinato da liderança Semião Vilhalva Guarani e Kaiowá, de 24 anos. Cleber Buzatto, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) alerta que os Guarani Kaiowá estão vivendo uma situação insustentável. Ele denuncia também uma preparação mediática a partir de mentiras para justificar os ataques.

— O Cimi denuncia uma orquestração midiática preparando o clima para esses ataques, que culminaram no assassinato de Semião. Como foi isso?

— Já no início da semana, e mesmo no próprio sábado antes do assassinato de Semião Vilhalva Guarani e Kaiowá, havia ações organizadas por lideranças sindicais e seus familiares fazendeiros no Mato Grosso do Sul.

Uma das fazendeiras divulgou um vídeo incitando a população local contra os índios, e uma série de boatos foram espalhados naquela região. Entre os boatos, diziam que os indígenas iam invadir a cidade, para colocar fogo nela.

No dia 27, Pedro Pedrossian Filho postou uma mentira no seu perfil do Facebook que se espalhou virtualmente. Ele pegou fotografias de um maquinário queimado em uma fazenda do Paraguai e escreveu que aquele maquinário tinha sido queimado pelos indígenas.

Espalhou isso, com mais de mil e quinhentos compartilhamentos, com uma série de comentários mais do que racistas, ameaçando fazer ataques e assassinatos contra os indígenas Guarani Kaiowá.

Foi criado todo um ambiente para que houvesse uma espécie de justificativa para esse ataque perpetrado e posto em prática pelos latifundiários. Sendo que o ataque aconteceu após uma reunião no sindicato rural da cidade de Antônio João (MS), onde a Sra. Roseli Maria Ruiz incentivava o ataque.

Estejam preparados para o conflito, para a guerra!

Tiro, bomba e porrada nesses vagabundos

— Havia dois deputados e um senador envolvidos?

— Havia. A presidente do Sindicato Rural do município Roseli Maria Ruiz, os deputados federais Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Tereza Cristina (PSB), e o senador Waldemir Moka (PMDB) estiveram presentes na reunião que incentivou produtores rurais a organizar o ataque à comunidade indígena.

O Mandetta inclusive acompanhou os fazendeiros na ocasião do ataque.

No sábado de manhã, dia 29, Roseli Maria Ruiz convocou uma reunião de fazendeiros e teria feito um discurso exaltado, chamando os fazendeiros para que a acompanhassem no ataque aos Guarani Kaiowá, que haviam retomado as fazendas desde o dia 22.

Durante o ataque, Semião levou o tiro que o matou. Além da sua morte, vários indígenas, entre eles crianças, ficaram feridos a pauladas. Uma criança de um ano e poucos meses levou um tiro de borracha nas costas e outro na cabeça.

— Tiros de borracha não são armas da polícia?

— Durante o conflito, agentes do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), que é um órgão oficial, um destacamento de operações de fronteira, estava no local. Portanto, ou os tiros partiram dos próprios policiais ou dos fazendeiros.

Se partiram dos fazendeiros significa que estão tendo acesso a armamento restrito, e se partiram dos policiais, significa que participaram junto com os fazendeiros. Ou seja, essa é uma questão que também precisa ser resolvida.

Neste caso o governo federal enviou a força de segurança na região da Terra Indígena Nanderú Marangatu contra essas ações paramilitares, visando a inibir essas atitudes que atentam contra o estado democrático e de direito

— O que se espera do governo e das autoridades pertinentes?

— Esperamos que o Poder Executivo tome medidas concretas e profícuas, no sentido de dar sequência aos procedimentos administrativos de demarcação das terras dos povos indígenas dessa região.

E que o Judiciário reveja alguns posicionamentos que tem adotado de suspender ou anular os efeitos de atos administrativos de demarcação de terras indígenas locais, porque está mais do que evidente que só poderemos encontrar uma solução definitiva para essa situação de tensões no Mato Grosso do Sul com a retirada dos não-índios das terras indígenas.

Duas investigações estão em curso, uma pela Polícia Federal e outra pelo Ministério Público Federal (MPF) do Mato Grosso do Sul — em decorrência dos ataques de fazendeiros contra as comunidades das terras indígenas que culminaram no assassinato da liderança Semião Vilhalva Guarani e Kaiowá, de Guyra Kamby'i, no Distrito de Bacajá — que fica a cerca de 30 quilômetros do município de Dourados, no Mato Grosso do Sul.

Não basta matar, precisam calar o Cimi

E assim encobrir ações paramilitares

— A deputada estadual Mara Caseiro (PT do B), apresentou petição para abertura de uma CPI. Ela afirma ter documentos que comprovariam que o Cimi incita invasões de terras em Mato Grosso do Sul.

— Essa deputada não possui nenhum elemento concreto, que justifique esse pedido de CPI.

O seu pedido contra o Cimi se trata de uma cortina de fumaça para tentar encobrir as ações paramilitares postas em prática pelos fazendeiros no Mato Grosso do Sul, bem como o assassinato da liderança cometido pelos fazendeiros.

As ações de retomadas de terras feitas pelos povos indígenas são autônomas, pois eles são senhores e sujeitos de suas posições, análises, decisões e ações. E, portanto, são plenamente conscientes das consequências potenciais advindas dessas ações políticas.

É exatamente por isso que muitas comunidades têm aguardado décadas para realizar algumas dessas ações. E eles só as realizam realmente quando se sentem em uma situação limite.

Essa retomada só foi feita depois de mais de dez anos estando acampados em um espaço extremamente reduzido. E o nosso papel nessas situações, quando somos acionados pelas lideranças, é o de dar visibilidade e acionar os órgãos, buscando não haver maiores consequências contra os povos.

Portanto, o que temos feito é divulgar e visibilizar a luta dos povos e principalmente denunciar as violências cometidas contra eles.

E para isso agradecemos especialmente a ajuda da Rel-UITA.

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A crise de hoje é piada perto do que fez FHC em 1998




Se você vendesse a sua única casa e desse uma festança torrando todo o dinheiro que recebeu por ela, você iria parecer uma pessoa rica, mesmo sem ter casa para morar. Foi isso o que aconteceu com o Brasil em 1998, quando o governo se abriu todo aos investidores de Nova York, de Londres e da Suíça, e vendeu muitos ativos a preço de banana. Foi uma festa de dinheiro entrando no país, mas, ao acabarem-se os ativos, os investidores se foram deixando apenas os débitos.

A reserva brasileira caiu de $ 70 para $ 26 bilhões de dólares, Fernando Henrique Cardoso teve de vender nossas empresas energéticas a preço de banana para obter fundos a fim de pagar os débitos. Como, ainda que drástica, essa medida não bastava, ele aumentou taxas de juros em 70%, que chegava para o consumidor final em até 200%. Isso é o que se pode chamar de crise. Mas éramos subdesenvolvidos e estávamos acostumados.

Só que FHC quis fazer mais festa e fez um novo empréstimo de $ 41 bilhões para gastar com a sua reeleição. E a imprensa não se vendeu por pouco para ficar calada, abocanhou o seu quinhão e fez até campanha. O Brasil, cada vez mais pobre, passou a abrigar brasileiros que constavam nos ranques dos mais milionários do mundo. FHC foi reeleito e a conta a pagar ao FMI já estava muito cara para o país. Para pagar esse débito, o governo pôs à venda tudo o que conseguiu, por bagatelas.

Lembro-me do Mário Covas brigando com FHC para não sucatear o Banespa. Isso já não é mais crise, isso é crime, e é motivo de fato e de lei para um impeachment. Mas a imprensa, essa que quer o golpe hoje, se encheu de dinheiro para se calar. E não só a imprensa, imagine você que FHC anunciou ao povo que houve uma entrada de 85,2 bilhões de reais de lucros com as privatizações, mas omitiu o fato de que, simultaneamente, na mesma “entrada de caixa”, saiu 87,6 bilhões de reais de contas escondidas.

A festa só acabou quando Lula ganhou as eleições. O que você acha que aconteceu com a dívida externa que degolava os brasileiros? Evaporou? O FMI ficou com peninha e deixou para lá? Não. O Lula peitou os investidores e disse: “essa dívida não é minha, nem do Brasil”.

Então fomos ameaçados de falência pelos investidores, mas demos a volta por cima. Alguém aí sabe como? Lula “abriu os cofres públicos e emprestou mais de meio TRILHÃO de dólares para fábricas, fazendas, infraestrutura — mas nem um real para derivativos, aquisições hostis ou CDOs, os bancos estatais deram aos seus proprietários-cidadão mais crédito do que o FMI dava a mais de 100 nações.” Foi assim que a economia brasileira saiu da lama. Isso é História. A "crise" de hoje é piada perto disso.

Fontes:
PALAST, Greg. Picnic de Abutres: em busca dos porcos do petróleo, piratas da energia e carnívoros da alta finança. Rio de Janeiro: Alta Books, 2014.


BIONDI, Aloysio. O Brasil privatizado: Um balanço do desmonte do Estado. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2003.

Ana Cláudia Dantas Ferreira
No GGN
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House of Cunha

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Petrobras é recorde em cima de recorde. Chora, Moro, chora!

O Chico Buarque vai ficar feliz, não é isso, Cerra?


Produção de petróleo e gás natural da Petrobras cresce e bate recorde em agosto

No mês de agosto, a produção de petróleo e gás natural da Petrobras, no Brasil e no exterior, atingiu a marca de 2,88 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), um recorde histórico, 0,8% superior ao recorde anterior de de 2,86 milhões boed alcançado em dezembro de 2014. Esse volume é também 4,5% maior que o registrado em agosto de 2014 (2,76 milhões boed). Em relação ao mês anterior (julho), houve um crescimento na produção de petróleo e gás natural de 3,1%, quando foram produzidos 2,80 milhões.

A produção total de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil foi de 2,69 milhões boed, 3,1% superior ao mês anterior (2,61 milhões boed), representando também novo recorde de produção nacional (0,6% superior ao recorde anterior de 2,67 milhões boed atingido em dezembro de 2014). Vale destacar que a produção total operada pela Petrobras no país, incluída a parcela operada para empresas parceiras, ultrapassou pela primeira vez os 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia, atingindo 3,01 milhões boed. A produção de petróleo da Companhia foi de 2,21 milhões bpd (3% acima dos 2,14 milhões bpd produzidos no mês anterior), constituindo-se, assim, a segunda melhor marca histórica.

O crescimento reflete a entrada em operação em 31 de julho do FPSO Cidade de Itaguaí, ancorado em Iracema Norte, área localizada na porção noroeste do campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos. Essa plataforma tem capacidade para processar diariamente 150 mil bpd de petróleo e 8 milhões de m³/dia de gás natural. Adicionalmente, a retomada da operação de plataformas que estavam com paradas programadas para manutenção também foi um fator que contribuiu com o bom desempenho do mês.

A produção de gás natural no Brasil, excluído o volume liquefeito, também apresentou novo recorde de 77,2 milhões m³/dia (3,6% acima do mês anterior).

Novos recordes no pré-sal

Na área do pré-sal, foram atingidos dois novos recordes: o de produção diária operada pela Petrobras, com volume de 896 mil bpd registrado em 19 de agosto; e o de produção mensal operada pela Companhia, que alcançou 859 mil bpd no mês.

Produção de óleo e gás no exterior

No exterior foram produzidos 192 mil boed, 3,8% acima dos 185 mil boed produzidos em julho, devido, principalmente, ao retorno das operações da plataforma do Campo de Saint Malo, no Golfo do México norte-americano. A produção de petróleo foi de 101 mil bpd, 5,2% acima dos 969 mil bpd produzidos em julho e a produção média de gás natural no exterior foi de 15,4 milhões m³/dia, 1,9% acima da produção de julho, que foi de 15,1 milhões m³/dia.

No CAf
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O perigo não é Cunha: é Tombini


O perigo não tem a face adunca e sibilina de Eduardo Cunha. O perigo mora ao lado e tem a cara bonachona de Alexandre Tombini, o presidente do Banco Central.

Vamos supor que o Congresso aprove o pacote fiscal de Dilma Rousseff, a base de apoio seja recomposta e os defensores do impeachment se acalmem.

Neste momento, a economia está rodando a quase -3%. Na melhor das hipóteses, o Banco Central manterá a Selic em 14,5%. Na pior das hipóteses, aumentará mais ainda. Segundo Alexandre Tombini, presidente do BC, em hipótese alguma o banco abandonará o objetivo de trazer a inflação para a meta ainda em 2016.

Ajuste fiscal, trancamento do crédito e taxa de juros em níveis especiais derrubarão mais ainda o PIB em 2016. No acumulado, há a possibilidade de queda do PIB de 5 a 6% em dois anos, derrubando mais que proporcionalmente as receitas fiscais.

Uma pequena operação aritmética — receita caindo 5% em dois anos, dívida aumentando 20% ao ano — é suficiente para saber que nada salvará o país do rebaixamento das agências de risco. E será o menor dos problemas que o governo enfrentará.

O perigo mora ao lado, no Banco Central, que adquiriu vida própria. A presidente não ousa chegar perto. E o Ministro da Fazenda Joaquim Levy está preso a um receituário ideológico. Ora, o que caracteriza os grandes Ministros da Fazenda é o pragmatismo, a capacidade de analisar os fatos e projetar os resultados. É mais que evidente, é de uma obviedade assustadora e não há teoria que possa endossar, essa combinação de ajuste fiscal e política monetária extraordinariamente restritiva em uma quadra recessiva.

O governo não tem cacife político para segurar esse baque. Se tivesse, perderia porque a conta final não fecharia.

Ou seja, essa combinação é politicamente desastrosa, economicamente ruinosa e financeiramente inviável.

Luís Nassif
No GGN
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Vídeo: Conte para todo mundo! Os objetivos globais da ONU #GlobalGoals


Está se aproximando um importante evento que definirá objetivos para todos os países do mundo que querem acabar com a pobreza extrema, combater a desigualdade e deter as mudanças climáticas. “Conte para todo mundo” tem a participação de Mafikizolo (África do Sul), Yemi Alade (Nigéria), Diamond (Tanzânia), Sauti Sol (Quênia), Toofan (Togo), Becca & Sarkodie (Gana).



No ONUBR
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Folha de S. Paulo adere ao golpismo

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7614


O jornal Folha de S. Paulo, junto com Jornal do Brasil, O Globo e O Estado de S. Paulo, foi um dos pilares da ditadura militar de 1964. A Folha ficou famosa por emprestar suas camionetes para a OBAN transportar gente a ser torturada. Nos últimos tempos, a Folha vinha tentando não mostrar muito apetite por um golpe branco no Brasil. Mas cachorro comedor de ovelha não tem jeito. No último domingo, o jornal de Otávio Frias Filho, num editorial intitulado “Última chance”, voltou às suas origens golpistas: pediu a renúncia da presidente Dilma Rousseff ou o corte de programas sociais: ”O país, contudo, não tem escolha. A presidente Dilma Rousseff tampouco: não lhe restará, caso se dobre sob o peso da crise, senão abandonar suas responsabilidades presidenciais e, eventualmente, o cargo que ocupa”.

Forçar um presidente eleito a renunciar em função da crise é uma forma de fazer o jogo de uma oposição incapaz de ter paciência para esperar a eleição seguinte. É a obsessão pelo atalho. A mídia brasileira não se contém mais. Empurra a própria oposição a ser mais radical. A Folha de S. Paulo elegeu o seu bode expiatório: “A contenção de despesas deve se concentrar em benefícios perdulários da Previdência, cujas regras estão em descompasso não só com a conjuntura mas também com a evolução demográfica nacional. Deve mirar ainda subsídios a setores específicos da economia e desembolsos para parte dos programas sociais”. É uma confissão. A corrupção, que grassa e deve ser combatida, tem sido um pretexto para atacar o que realmente incomoda, os “desembolsos para programas sociais”. Eis.

Para salvar a turma dos camarotes, o editorial da Folha defendeu sacrificar a educação e a saúde: “As circunstâncias dramáticas também demandam uma desobrigação parcial e temporária de gastos compulsórios em saúde e educação, que se acompanharia de criteriosa revisão desses dispêndios no futuro”. Numa tentativa pífia de mostrar-se equilibrada, a Folha dispensa uma linha para aumentos de impostos com novas alíquotas “sobre a renda dos privilegiados”. Nada sobre taxar grandes fortunas ou pesar a mão sobre os lucros dos bancos. Nas redes sociais, o pau comeu. Simultaneamente, no site da Folha, quem clicou no malfadado editorial passou a receber a seguinte mensagem: “Erro 404 Desculpe, página não encontrada. A página que você procura não existe nos servidores da Folha de S. Paulo”.

Hummm!

No jogo de banco imobiliário da política brasileira, a oposição quer aproveitar a crise para chegar logo ao poder. Se fosse mais séria, ajudaria a equilibrar o país agora e se cacifaria para ganhar o próximo pleito. Do ponto de vista econômico, trata-se de aproveitar a situação para voltar várias casas atrás anulando o melhor dos governos petistas, a consolidação e ampliação dos programas sociais. A direita passou anos dizendo que não havia mais esquerda e direita. Nos últimos meses, desmentiu-se totalmente. Nunca a dicotomia esquerda e direita foi tão forte no Brasil no século XXI. O PT não é esquerda?

Não. Mas o que fez de melhor, na mira da direita, era.

No passado, o PT fez discurso moralista e atrapalhou os negócios seculares.

Ninguém o perdoa por isso.

Depois, entrou nos eixos e passou a fazer como todos.

Se não tivesse prejudicado as transações do passado e não tivesse mania de programas sociais, teria sido perdoado, faria parte do clube como qualquer um e viveria tranquilamente no reino encantado da corrupção. Não é o seu presente que incomoda os seus adversários, mas o seu passado.

O PT mudou. Para pior.

Só a mídia não muda. Muitos menos para melhor.

Continua golpista.
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Discussão sobre impeachment gera bate-boca na Câmara — vídeo




A apresentação da questão de ordem do líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), sobre o roteiro de um eventual processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff gerou bate-boca no plenário entre os deputados Orlando Silva (PC do B-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ).

"A sua presidente da República assaltou a Petrobrás”, disse Bolsonaro. "Vamos até o final para cassar esta mulher que não deveria nem ter chegado à Presidência", afirmou. "Se preparem bem, senão Lula vem aí", disse Orlando Silva, que foi retrucado pelo plenário com gritos de "Cadeia! Cadeia!". O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), teve de pedir a intervenção da segurança da Casa.

A oposição pressiona Cunha a definir um prazo sobre a análise da questão até, no máximo, o início da próxima semana.

O líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), defendeu a legitimidade do mandato da presidente Dilma Rousseff. "Nós ganhamos a eleição e é com base nesse mandato popular que vamos governar pelos próximos três anos e seis meses. A oposição disputou a eleição e não aceita o resultado do voto popular", disse.

Já o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) acusou os oposicionistas de tentarem patrocinar um golpe de Estado: “Anunciaram aqui que estão dispostos, através do golpe, a tentar abreviar o mandato legítimo da presidente Dilma Rousseff.”

No 247
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Quem tem medo de Lula

Filha de Roberto Jefferson, deputada apresenta PEC para impedir candidatura de Lula em 2018


Presidente nacional do PTB, a deputada federal Cristiane Brasil (RJ) apresentou no último dia 9 de setembro, na Câmara dos Deputados, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para barrar a “reeleição por períodos descontinuados, para os cargos do Poder Executivo”. Se aprovada, a medida poderia impedir, por exemplo, a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi presidente do Brasil entre 2003 e 2010.

Cristiane, que é filha do ex-deputado e presidente licenciado do PTB, Roberto Jefferson — condenado por envolvimento no mensalão, esquema que denunciou —, deixou claro, em sua página no Twitter, que Lula é mesmo o alvo da proposta. Para ela, “ninguém pode se perpetuar no poder”, em uma referência aos 12 anos de gestão petista no Palácio do Planalto — hoje com Dilma Rousseff.





A alteração, se aprovada, vale também para prefeitos e governadores, ficando assim proibida a “reeleição por períodos descontínuos”. Na justificativa da proposta, a deputada fluminense se inspira em proibição semelhante que existe na Constitução dos Estados Unidos, adequando também a realidade brasileira, “não permitindo que subexista um comando recorrente das rédeas da Chefia do Poder Executivo”.

“Esta proposta elucida a reeleição desencadeia uma desarmonia na seara eleitoral, ocasionando um prejuízo à governabilidade, dando espaço a um sentimento de perpetuação, de uma dinastia, no qual nada tem a ver com os ditames da democracia, ferindo inclusive o princípio republicano (...). A possibilidade de reeleição em períodos descontínuos consiste numa forma de subjulgar o princípio da alternância no poder, que é uma das características essenciais dos regimes democráticos”.

A Mesa Diretora da Câmara, comandada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já deu encaminhamento à proposta, cuja tramitação é em caráter especial. Com 181 assinaturas confirmadas, a PEC ainda não tem data para ser analisada pelo plenário da Câmara.

Um detalhe curioso: do total de assinantes, quatro eram do PT: Vicente Cândido (SP), Rubens Otoni (GO), Reginaldo Lopes (MG), e Zé Geraldo (PA) — este último solicitou a retirada da sua assinatura nesta terça-feira (15).

A reeleição no Executivo foi derrubada na mais recente reforma política, aprovada no Congresso Nacional. Entretanto, ela só terá validade caso seja sancionada por Dilma, decisão que deve sair nas próximas semanas.
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Tucano que chamou Lula de 'chefe de quadrilha' desdenha da Justiça


O historiador Marco Antonio Villa, alvo de queixa-crime movida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desdenhou da Justiça e disse que a ação não o fará recuar. “Lula quer me intimidar. Vai perder seu tempo. Não darei um passo atrás.”
Villa disse que ‘continuará combatendo o ‘projeto criminoso de poder’, sábia definição do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, em um dos votos do processo do mensalão.”

Os advogados do ex-presidente entraram nesta terça-feira (15) com queixa-crime contra ele por conta de afirmações caluniosas proferidas por ele na edição de 20 de julho do Jornal da Cultura 2ª edição, onde é parte do elenco fixo de comentaristas. A ação é referente a apenas um dos recorrentes comentários caluniosos que o professor da Ufscar repete contra o ex-presidente no jornal noturno da TV pública do governo do Estado de São Paulo.

No comentário, Villa disse que o ex-presidente “mente, mente”, que é culpado de “tráfico de influência internacional, sim”, além de “réu oculto do mensalão”, “chefe do petrolão”, “chefe da quadrilha” e teria organizado “todo o esquema de corrupção”. O historiador deixou claro ainda que “quem está dizendo sou eu, Marco Antonio Villa”, embora não tenha apresentado sequer uma evidência das graves acusações que fez. Todas essas afirmações do historiador não condizem com a verdade e por isso foi a justiça foi acionada contra o historiador e comentarista político.



Leia a nota de Villa sobre a ação: 

“Lula quer me intimidar. Vai perder seu tempo. Não darei um passo atrás. Continuarei combatendo o “projeto criminoso de poder”, sábia definição do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, em um dos votos do processo do mensalão.

Tenho por princípio defender os valores republicanos. Vou continuar nesta luta. Nada vai me calar. Vivemos uma quadra histórica decisiva para o Brasil. A hora não é dos fracos. Não tenho medo. Confio na Justiça do meu país.”

No 247
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Dando nome aos bois

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Sabesp manda água de esgoto para torneiras de Ribeirão Pires


Moradores relatam mau cheiro e fezes nas caixas d'água, torneiras e chuveiros. Empresa não alerta e pouco esclarece. Cerca de um terço da cidade foi afetado

Em vez de água potável, por pelo menos duas vezes, em agosto passado, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) abasteceu parte dos moradores de Ribeirão Pires (município do Grande ABC, região metropolitana da capital paulista) com água suja, barrenta e em alguns casos, contaminada por fezes.

"Lavamos a caixa de água por uma semana com cloro, porque, em vez de água, recebemos cocô", afirmou o motorista Gilson Marcos da Silva, 51 anos, morador do Bairro Rancho Alegre. O bairro, juntamente com Jardim Bandeirantes, Jardim Eucalipto e Itrapoã, foram alguns dos primeiros a serem atingidos pelo abastecimento de esgoto, em vez de água tratada. "Estava lavando o para-brisa do caminhão quando senti aquele cheiro de merda. Era a água", relatou Gilson.

Assista ao vídeo:



Conforme o Conselho Municipal de Saúde daquela cidade, o problema atingiu cerca de 30% do município e afetou todos os bairros abastecidos pelo mesmo reservatório da companhia estadual, na Vila Pereira Barreto. A estimativa é que mais de 30 bairros e 11 mil famílias de Ribeirão Pires tenham sido afetados.

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Ronilson e a água da torneira de casa:
“Começou a ficar escura e fedia muito”
Mais recentemente, entre a quinta e a sexta-feira (10 e 11), o problema voltou a se repetir, afetando moradores do Bairro Nossa Senhora de Fátima. "Cheguei em casa e fui tomar banho. A água começou a ficar escura e com cheiro estranho. Fedia muito", disse o morador Ronilson Oliveira Santos.

Vizinha de Ronilson, a costureira Maria do Carmo Cunha, teve de comprar água para beber e cozinhar. "Primeiro ficamos sem água, depois quando voltou estava suja, preta, e fedia", comentou. Anaide Santo da Silva, 45 anos, também do mesmo bairro, ficou sem banho e sem escovar os dentes. "A Sabesp veio depois e disse que a água tinha sido misturada com a rede de esgoto", afirmou.

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Anaide Silva ficou sem banho e sem
escovar os dentes
Até o fechamento desta matéria, a Sabesp ainda não havia respondido à reportagem sobre as razões para o problema em Ribeirão Pires. Em agosto, quando os primeiros casos vieram à tona, a justificativa apresentada para a população foi que uma obra do DER (Departamento de Estradas de Rodagem, estadual) havia estourado uma tubulação de esgoto.

Para Ronilson, o maior problema foi o fato de a Sabesp não ter comunicado a população sobre a situação. "Muita gente achou a água estranha, mas imaginou que era apenas barro ou cloro demais. A Sabesp deveria ter usado um caminhão de som avisando sobre o problema", criticou.

"Pode até ter sido um acidente, mas a Sabesp precisa comunicar a população, o que não foi feito", criticou Hamilton Rocha, membro do Coletivo de Luta pela Água, formado por moradores e entidades da região.

"Acreditamos que o rodízio camuflado, com o abre e fecha de torneiras, cause esse 'efeito chicote' que pode causar infiltrações da rede de esgoto na rede de água. Isso pode ter sido causado por essas manobras da Sabesp", analisa Hamilton. "Vamos continuar cobrando uma explicação."

"Passei muito mal"

Numa das ocasiões em que teve a rede de água invadida pela de esgoto, Antônio Pereira da Silva, morador do Bairro Vale do Sol, percebeu que a água estava estranha, mas bebeu normalmente, adoecendo em seguida. "Passei muito mal. Fui parar no médico com vômito e diarreia", disse.

"A água contaminada com coliformes fecais pode causar diarreia infecciosa e cólera, entre outras doenças", explica o conselheiro de Saúde de Ribeirão Pires, Alaor Vieira.

Diante das denúncias apresentadas por moradores de Ribeirão Pires, o Coletivo de Luta pela Água levará o caso ao Ministério Público de São Paulo, Ministério Público Federal e ao relator da ONU (Organização das Nações Unidas), Leo Heller, que busca apurar se a crise hídrica de São Paulo está violando os direitos humanos, especialmente o direito universal de acesso à água, ao esgotamento sanitário e à saúde.

No RBA
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Wadih Damous: Delegado que quer investigar Lula não possui as mínimas condições para a função

Wadih questiona atuação política da PF e critica delegado que pediu investigação de Lula
Em pronunciamento na tribuna da Câmara, nesta terça-feira (15), o deputado Wadih Damous (PT-RJ) se disse preocupado com “segmentos da Polícia Federal que passam a se comportar como polícia política” e criticou duramente o pedido de um delegado da PF ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ex-presidente Lula seja investigado.

“Reconhecendo não ter qualquer prova, não ter indícios, baseando-se na presunção, não dele, na presunção de delatores premiados, o delegado resolve pedir ao Supremo Tribunal Federal investigação contra o ex-presidente Lula. Isso é um verdadeiro absurdo!”, protestou Damous.

O parlamentar considera que o delegado — Josélio Sousa, da força-tarefa da Operação Lava Jato — não possui as condições mínimas necessárias para cumprir a sua função. “Se eu fosse adotar o mesmo procedimento do delegado e me equiparar moralmente a ele, eu diria que esse delegado é militante de algum partido de oposição. Mas eu não vou fazer isso. Eu não faço afirmações peremptórias com base em ilações, com base em achismos”, comparou o deputado.“Não vou me equiparar a ele, dizendo que ele tem carteirinha assinada em algum partido de oposição, vou dizer que ele não tem condições funcionais de ser delegado da Polícia Federal. Deveria ser imediatamente afastado do seu cargo porque não tem conhecimento jurídico e técnico mínimo para exercer uma função tão importante”, completou Damous.

“Um delegado deve apurar provas no inquérito. Deve abrir investigação quando há provas e indícios veementes. Quando não há, ele tem que arquivar esse inquérito”, citou.

Além da crítica direta ao delegado, Wadih Damous manifestou preocupação com a desvirtuamento do trabalho da Polícia Federal. “Fico muito preocupado quando determinados segmentos da Polícia Federal passam a se comportar não como polícia, não como órgão de Estado, mas como polícia política, e isso é atentatório ao Estado democrático de direito”, disse.

A busca pelos “holofotes” por parte de autoridades, em nome do suposto combate à criminalidade e à corrupção, também foi alvo das críticas do petista, que considera as práticas desta natureza “atentados à ordem jurídica” e “desrespeitos aos direitos e garantias fundamentais” dos indivíduos e da sociedade como um todo. “Um delegado da Polícia Federal sai da sua obscuridade para ganhar os holofotes, como, aliás, está virando moda, está virando um anseio de determinadas autoridades, de juízes e membros do Ministério Público, na busca da celebridade, dos seus 15 segundos de glória, e isso às custas ate de perseguir a maior liderança popular desse País, aquele que, malgrado todo o massacre midiático que vem sofrendo nos últimos tempos, continua sendo considerado o melhor presidente da história desse País”, afirmou Damous.

Medo

Wadih Damous lembrou ainda o real motivo que explica a perseguição permanente ao ex-presidente. “O que move determinado tipo de atitude, de comportamento, é o medo das urnas, é o medo da volta do ex-presidente Lula, é o medo de enfrenta-lo no embate democrático, direto, do banho de democracia que as urnas dão”, apontou o parlamentar, que vai recomendar ao ex-presidente Lula que denuncie o delegado à corregedoria da Polícia Federal.



No Viomundo
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