15 de set de 2015

Estadão coloca o Peru na Eurásia

O Estadão resolveu traduzir Turkey e colocou o Peru na Europa. Que fase vive o jornalismo...


Jornalismo Wando
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Lula move queixa-crime contra calúnias de Marco Antônio Villa — assista


Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram hoje (15) com queixa-crime contra o historiador Marco Antonio Villa, por conta de afirmações caluniosas proferidas por ele na edição de 20 de julho do Jornal da Cultura 2ª edição, onde é parte do elenco fixo de comentaristas. A ação é referente a apenas um dos recorrentes comentários caluniosos que o professor da Unesp (Universidade do Estadual Paulista) repete contra o ex-presidente no jornal noturno da TV pública do governo do Estado de São Paulo.



No referido comentário, Villa disse que o ex-presidente “mente, mente”, que é culpado de “tráfico de influência internacional, sim”, além de “réu oculto do mensalão”, “chefe do petrolão”, “chefe da quadrilha” e teria organizado “todo o esquema de corrupção”. O historiador deixou claro ainda que “quem está dizendo sou eu, Marco Antonio Villa”, embora não tenha apresentado sequer uma evidência das graves acusações que fez. Todas essas afirmações do historiador não condizem com a verdade e por isso foi a justiça foi acionada contra o historiador e comentarista político.

No texto protocolado na Justiça Estadual de São Paulo, a defesa de Lula aponta que as acusações de Villa incorrem em calúnia, injúria e difamação. “Essas afirmações foram emitidas sem qualquer elemento que pudesse respaldá-las”, diz a queixa-crime. “Nesse contexto, verifica-se que o querelado [Villa] passou longe de qualquer comentário jornalístico ou do dever de informar, e promoveu descabidos e rasteiros juízos de valor sobre o querelante [Lula] e, ainda, fez afirmações mentirosas sobre sua trajetória política, conduta e identidade”.
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A nora de J.Hawilla revoltada

De Isabella Fiorentino Hawilla, em seu Facebook, indignada:

(…) “que esse lixo de governo tome vergonha na cara e pare de Roubar bilhões q deveria (sic) ir pra saúde e educação. Chega gente!”(…)


Além de desconhecer o beabá da concordância, não consta que a modelo e apresentadora de TV tenha se revoltado com o sogro, o empresário José Hawilla, réu confesso e proibido, pelo FBI, de sair de Miami.

A isso se chama cinismo, hipocrisia, indignação seletiva, ou quem ela pensa que engana?

 

Juca Kfouri
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Roberto Marinho, o Globo e os colunistas patronais: minhas impressões sobre o livro de PHA

Criador e criatura
Um dos melhores momentos do livro de Paulo Henrique Amorim sobre a imprensa, Quarto Poder: uma outra história, é uma conversa dele com um amigo de Roberto Marinho sob a condição de anonimato.

Segundo o amigo, Roberto Marinho mudaria muita coisa no Globo, caso estivesse vivo.

Particularmente, a questão da opinião, diz o amigo.

Nos tempos de RM, a opinião do Globo era a opinião dele mesmo, expressa em editoriais. Eles eram escritos por subordinados, uma vez que, como a imensa maioria dos barões de imprensa brasileiros, RM não sabia escrever.

O Globo teria, de acordo com este raciocínio, cedido sua opinião a colunistas como Merval e Míriam Leitão.

Tenho outra visão.

Colunistas como os citados acima, e tantos outros, servem na verdade aos propósitos dos donos das grandes empresas de jornalismo.

Eles transmitem aos leitores menos avisados a sensação de que o ideário de jornais e revistas não é monopolizado pelos donos.

Isso dá um falso ar de democracia à opinião de jornais como o Globo.

Na verdade, colunistas como Merval e Míriam têm completa independência para publicar artigos que reforcem as opiniões da família Marinho.

A melhor definição desse tipo de jornalista, para mim, é colunista patronal.

No caso da Globo, especificamente, as luzes dirigidas aos colunistas que dizem amém aos donos tem um benefício lateral para os acionistas.

Com o destaque, eles podem ganhar fora da empresa muito dinheiro com conferências. E isso permite à Globo pagar salários medíocres.

Era uma tática empregada na área de entretenimento que se estendeu para o jornalismo.

Lembro de um depoimento, para as memórias da Globo, de Fernanda Montenegro.

Ela dizia, essencialmente, que a Globo pagava salários baixos porque sabia que a celebridade que a emissora trazia aos atores lhes traria dinheiro com publicidade, festas de formatura e outras atividades extracurriculares.

Era uma troca.

Uma ou duas conferências de Merval, ou Míriam, ou Jabor, dão mais que um mês de salário pago pela Globo.

Sair da Globo para eles seria uma tragédia financeira não pelo que recebem na casa, mas pelo que levantam fora dela.

O maior talento dos Marinhos não é jornalismo, não é televisão, não é administração: é a arte de ganhar dinheiro.

Os colunistas que dizem amém dão sua contribuição para que a empresa mantenha sua folha de pagamentos num nível muito abaixo do que seria de esperar.

O livro O Quarto Poder traz também bastidores divertidos de figuras como Paulo Francis e suas sessões de flatulência no escritório da Globo em Nova York, que Paulo Henrique Amorim dirigiu nos anos 1990.

O melhor de PHA, para mim, viria depois disso. Ao lado de Nassif, ele foi um precursor no contraponto à brutal manipulação jornalística das empresas de jornalismo. É uma contribuição milionária à sociedade.

Hoje, ele produz os melhores vídeos críticos do que sai na mídia, com uma mistura de galhofa e extrema agudeza política.

Gostaria de ver mais do Conversa Afiada num eventual próximo livro de PHA.

No mais, minha maior curiosidade em relação ao livro é a seguinte: por que PHA não lhe deu o nome de PIG, a expressão que ele consagrou em seu site?

Paulo Nogueira
No DCM
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De onde a Folha tirou que a carga tributária brasileira é ‘obscena’?

Quanto o dono da Folha pagou de impostos sobre a herança do pai?
Quem tem mais equipamento para discutir uma carga tributária: os Frias e seus editorialistas ou o economista francês Piketty?

Minha pergunta se deve a que, no editorial infame em que dá um ridículo ultimato a Dilma, a Folha fala que a carga tributária brasileira é “obscena”.

Que dados sustentam uma afirmação tão peremptória e tão leviana?

Nenhum.

Em sua passagem pelo Brasil, Piketty falou sobre os impostos nacionais com mais riqueza e mais profundidade do que o conjunto do conteúdo produzido, em muitos anos, pelas empresas jornalísticas.

Vamos do básico.

A carga tributária do Brasil se situa em torno de 35% do PIB. O país está mais ou menos no meio do caminho, como notou Piketty em seu divertido inglês afrancesado ao falar para plateias brasileiras.

Mais para cima, com cargas na casa dos 50%, você tem os países escandinavos, os mais avançados socialmente do mundo.

Mais para baixo, com cargas na casa dos 20%, você tem países como Romênia e Bulgária, socialmente primitivos.

Perguntou Piketty: o que vocês querem ser, Escandinávia ou Romênia?

A Folha não quer que o Brasil seja a Escandinávia, é claro. Nem as demais grandes corporações jornalísticas.

Por uma razão: elas teriam que pagar o imposto justo.

Na Editora Abril, chamávamos as campanhas regulares antiimpostos de “Pautas do Roberto”. Roberto é, ou era, Roberto Civita.

Contra todas as evidências, as revistas Veja e Exame viviam em meu tempo — vivem ainda, imagino — alimentando a falácia da “obscena carga tributária” nacional.

Ora, obsceno é os ricos pagarem tão pouco no Brasil.

O sistema brasileiro é cruel. A principal fonte de receita de impostos vem do consumo, o que dá no seguinte. Os Frias e os mendigos da Barão de Limeira pagam a mesma coisa ao comprar um maço de cigarros ou uma Coca Cola.

Obsceno, para seguir por aí, são os 4% pagos pelos herdeiros de Octavio Frias de Oliveira a título de imposto sobre herança.

É uma ninharia, é um insultos.

Na França e na Inglaterra, o imposto sobre herança é dez vezes maior.

As companhias de jornalismo criaram o mito — terrível para a sociedade — de que os brasileiros pagam muitos impostos. Também forçaram no mito de que o dinheiro arrecadado termina nas mãos de corruptos.

Impostos constroem escolas, pavimentam ruas e estradas, viabilizam hospitais, pagam professores etc etc.

Você pode, perfeitamente, controlar o uso que se dá ao dinheiro dos impostos. Basta haver um choque de transparência na Receita Federal.

Hoje, é uma caixa preta indefensável.

Há um bom tempo sabe-se que a Globo sonegou brutalmente na compra dos direitos da Copa de 2002.

A Receita jamais se manifestou sobre o assunto.

Meses atrás, o Bradesco foi flagrado num esquema de evasão fiscal com base no uso de um paraíso fiscal.

Pouco depois disso, o presidente do Bradesco foi convidado para ser o ministro da Economia de Dilma. Como ele recusou, o convite foi passado a um diretor do banco, Levy.

Qual a mensagem que se passa aos brasileiros que pagam impostos com este tipo de atitude do governo?

A pior possível.

Isso sim é obsceno, e não, como disse falaciosamente a Folha, a carga tributária brasileira.

Paulo Nogueira
No DCM
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Folha foi tomada pela “síndrome da Troika”


Em 2 de abril de 1964, logo após o golpe, o jornal O Globo publicou editorial intitulado "Ressurge a Democracia", saudando o término do regime democrático. O editorial paradoxal começava com uma frase retumbante: "Vive a Nação dias gloriosos". Entrou para a História. Como tragédia.

Em agosto de 2013, quase meio século depois, O Globo reconheceu que o editorial fora um "erro".

Foi, no entanto, muito mais que um erro isolado. Na realidade, o editorial apenas refletia uma posição política consolidada, sistemática e duradoura de apoio às forças mais reacionárias do país. Com efeito, tanto O Globo como outros grandes jornais do país se dedicaram, ao longo de suas histórias, com inegável consistência ideológica, a desestabilizar governos progressistas, como o segundo governo Vargas e o governo Goulart.

Na ditadura, eles emprestaram suas plumas à defesa dos "dias gloriosos" e da "democracia" sem Congresso, sem partidos e, sobretudo, sem povo. Alguns órgãos de imprensa foram mais longe e emprestaram também viaturas para as forças democráticas de torturadores e assassinos.

Até há alguns anos, muito julgavam, ingenuamente, que esse período heroico da grande imprensa tupiniquim estava definitivamente enterrado pelos anos transcorridos desde a redemocratização, que nos afastou dos "dias de glória".

Engano. Foi só um outro governo de índole política progressista se instalar no Planalto para que o invariável DNA reacionário e golpista da nossa brava grande mídia voltasse a se manifestar. Com efeito, desde 2005 que a nossa velha mídia, talvez saudosa dos dias gloriosos, faz campanha sistemática e raivosa contra os governos do PT, os quais são sempre apresentados como os piores governos da História do Brasil; talvez do mundo, quiçá do Universo.

Nesse último período, os grandes acertos desses governos foram ocultados da opinião pública e seus erros foram grosseiramente amplificados. Institui-se um festival neoudenista de mentiras e meias verdades, de escândalos fabricados ou superdimensionados, para deslegitimar os governos que conseguiram fazer ascender 40 milhões de excluídos à classe média, eliminar a pobreza extrema e retirar o Brasil do Mapa da Fome. Trivialidades sem importância de dias de pouca glória.

No último dia 13, contudo, a imprensa conservadora se superou. Em editorial delirante e arrogante, intitulado "Última Chance", a Folha de S. Paulo resolveu dar singelo ultimato à presidenta Dilma Rousseff. Como o editorial de 1964, esse também já entrou para a História. Como farsa.

Ignorando os 54 milhões de votos obtidos pela presidenta nas últimas eleições, mero detalhe, o jornal afirma que, caso Dilma Rousseff não tome as medidas aconselhadas, não lhe restará alternativa a não ser "abandonar suas responsabilidades presidenciais e, eventualmente, o cargo que ocupa".

Não se sabe bem porque a Folha resolveu substituir o julgamento do povo nas urnas por seu próprio e glorioso julgamento. Sabe-se bem, não obstante, o que está por trás disso.

A Folha recomenda a Dilma que tome medidas radicais para conter a crise. Aconselha cortes drásticos na Previdência, nas políticas sociais e até mesmo nas despesas obrigatórias em Saúde e Educação. Ou seja, a Folha quer que o governo adote um ajuste ainda mais pesado e recessivo que o que vem fazendo para reequilibrar as contas públicas. E que se coloque o custo maior do ajuste no lombo dos de sempre. Uma espécie de opção preferencial pelos pobres adulterada.

Em outras palavras: ou Dilma topa regredir no progresso social feito nos governos do PT ou tem de sair. Ou aceita sua morte política ou será devidamente assassinada politicamente por um golpe.

Conforme a Folha, esse convidativo convite teria de ser aceito pela presidenta, pois ela teria "abusado de sua capacidade de errar". Gozado é que, em nenhum momento, o editorial da Folha menciona o aumento das taxas de juros, que neutralizou todo o esforço fiscal feito até agora. Mais curioso ainda é a falta total de menção à pior crise internacional desde a Grande Depressão de 1929, muito mais profunda, extensa e duradoura que as crises periféricas que atravessaram os governos tucanos, preferidos da Folha, e que, como se sabe, nunca erravam. Mesmo quando afundavam o país e pediam arrego ao FMI, eles estavam absolutamente certos e contavam com o apoio da democrática Folha. Dias gloriosos.

A Folha parece saber o que ninguém sabe: a economia brasileira é uma entidade metafísica que se move por leis próprias. Forte crise mundial? Fim do ciclo das commodities? Gigante chinês em queda? Mais de 80% dos países do mundo com déficits orçamentários? Boa parte dos países desenvolvidos com indicadores econômicos piores que os brasileiros? Tudo frescura. Afinal, a Folha sabe que o Leman Brothers quebrou mesmo por causa do Lula.

A ironia maior, contudo, tange ao fato de que o patriótico editorial não menciona uma única vez as palavras corrupção, crime, ilícitos etc. Até agora, essas eram as desculpas para o golpe.

Não são mais. Agora, a desculpa é a política econômica. A Folha inventou nova regra constitucional pela qual indicadores econômicos negativos podem dar ensejo ao golpe. Só não se sabe por que a Folha não inventou essa moda nos tempos gloriosos do paleoliberalismo tupiniquim. Teria nos poupado de muito sofrimento. E, convenhamos, se a nova regra constitucional da Folha fosse aplicada ao mundo de hoje, pouquíssimos governos sobreviveriam.

De qualquer modo, no caso do Brasil, a Folha, como muitos, confunde efeito com causa. Na realidade, o grande problema econômico do Brasil de hoje está no clima político deteriorado, nesse calculado pessimismo que os derrotados de 2014 infundem continuamente à Nação. Não há medida econômica, por mais "drástica" que seja, que possa funcionar adequadamente nesse clima de crise política permanente alimentada pelos neoudenistas de plantão e pelos que se recusam a aceitar sua derrota no último pleito eleitoral. Alimentada, também, pela Folha.

Não há ajuste econômico capaz de dar jeito nessa falta de compromisso com o Brasil e sua democracia.

A Folha foi tomada pela "síndrome da Troika". Acha que suas receitas draconianas devem ser impostas independentemente do que achem os eleitores de Dilma Rousseff. Independentemente da democracia.

Talvez não se possa esperar mais desse e de outros jornais, assim como de políticos que, por motivos menores e torpes, se recusam a colaborar com seu próprio país.

Mas a Folha, que, nos dias de glória, foi tão generosa com ditadores e torturadores, podia ser mais generosa com uma presidenta recém-reeleita.

Podia, sobretudo, ser generosa com o Brasil e sua democracia. A Folha pode até não perceber, mas dar ultimato à presidenta eleita é dar ultimado ao povo que a elegeu.

A Folha ainda tem uma última chance de abraçar a democracia.

Marcelo Zero
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Mídia parte para a 'chantagem descarada', afirma Rui Falcão

Presidente do PT e Renato Rabelo, ex-presidente do PCdoB, alertam para nova ofensiva conservadora, que usa rebaixamento do Brasil pela Standard & Poors como novo pretexto para depor Dilma

"À falta de fundamento legal para o impeachment, partem para a
chantagem", diz dirigente
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, disse em artigo publicado hoje (14), na página do partido na internet, que os “jornalões da grande mídia” estão usando chantagem e apostando no retrocesso na tentativa de “depor” a presidenta Dilma Rousseff. “À falta de fundamento legal para o impeachment, e certos de que renúncia não consta do dicionário da presidenta, partem para a chantagem descarada”, afirma o dirigente. “Ou Dilma faz o que a oposição político-midiática deseja, ou o esquema de poder, que a direita organiza, fará mais ainda do que já vem fazendo para depor a presidenta.”

Segundo ele, a redução da nota do Brasil pela agência de rating Standard & Poors passou a servir de “senha” para a nova ofensiva midiática. Falcão denuncia que o setor conservador da oposição defende o retrocesso ao exigir cortes nos programas sociais, revogação de direitos, revisão da lei do salário mínimo, sanção do projeto de reforma política que autoriza o financiamento empresarial. “Enfim, uma pauta inaceitável, que só agravaria os problemas que o país vem enfrentando.”

Em tom de ameaça, a Folha de S. Paulo publicou ontem (13) um editorial de capa intitulado “A última chance”. Nele, o jornal defende uma série de medidas neoliberais na economia, que chama de “medidas extremas”, incluindo os gastos em saúde e educação.

O diário da família Frias conclui o editorial afirmando que Dilma não tem "escolha": "não lhe restará, caso se dobre sob o peso da crise, senão abandonar suas responsabilidades presidenciais e, eventualmente, o cargo que ocupa".

Em seu texto, Falcão não deixou de criticar o ajuste fiscal, defendendo “mais receitas e menos cortes”. Mesmo quando os cortes forem necessários, eles “não devem sacrificar os que mais precisam das políticas públicas, nem recaírem sobre conquistas dos trabalhadores e do povo”.

Para a União aumentar sua arrecadação, o presidente do partido sugere a elevação da Cide, acabar com a dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, tributar lucros e dividendos, recriar a CPMF, que deveria ser compartilhada, em sua opinião, com os estados, taxar grandes fortunas e grandes heranças.

Em artigo também publicado hoje, o ex-presidente do PCdoB Renato Rabelo diz que a oposição não aceitou a quarta derrota eleitoral seguida, em 2014, e que “o consórcio oposicionista coloca todas as suas garras de fora, se aproveitando do entroncamento de uma crise mundial estrutural do capitalismo”.

Também para Rabelo, o rebaixamento da nota do Brasil pela S&P serviu de senha para a nova ofensiva, tendo usado para isso, como “estopim”, o orçamento com déficit enviado ao Congresso. “Estamos diante do ápice de um ataque contra o Estado democrático de direito e o mandato constitucional da presidenta da República”, escreveu Rabelo.

No RBA
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Primeira denúncia da Zelotes deve revelar detalhes sobre ramificação da fraude no RS

Relator da subcomissão que acompanha o andamento da Operação Zelotes, na Câmara Federal, Paulo Pimenta
fez um resumo das investigações realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.
Foto: Guilherme Santos
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou nesta segunda-feira (14), durante audiência pública na Assembleia Legislativa gaúcha, que as investigações da Operação Zelotes trazem um conjunto consistente de indícios sobre a ramificação, no Rio Grande do Sul, do esquema de sonegação e fraudes tributárias praticadas junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscal (Carf). Relator da subcomissão que acompanha o andamento da Operação Zelotes, na Câmara Federal, Pimenta fez um resumo das investigações realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, na audiência pública convocada pela Frente Parlamentar de Defesa dos Serviços Públicos. Segundo o parlamentar, o MP Federal deve apresentar, ainda neste mês de setembro, a primeira etapa da denúncia, que deve trazer a responsabilização de seis grandes empresas, sendo uma delas do Rio Grande do Sul.

“Dos 74 casos sob investigação, há um primeiro grupo que envolve seis empresas e valores da ordem de 5,7 bilhões de reais, cuja denúncia deve sair ainda em setembro.  Essa denúncia proporá a responsabilização criminal de pessoas físicas e a responsabilização civil dessas seis empresas”, disse Pimenta.

A Operação Zelotes foi desencadeada no dia 28 de março deste ano por diversos órgãos federais para desbaratar um esquema de fraudes tributárias envolvendo grandes empresas brasileiras e multinacionais. As investigações foram conduzidas por uma força-tarefa formada pela Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público Federal e Corregedoria do Ministério da Fazenda. O Grupo RBS, a Gerdau, os bancos Bradesco, Santander, Safra, Pontual e Bank Boston, as montadoras Ford e Mitsubishi e um grupo de outras grandes empresas estão sendo investigadas pela suspeita de pagamento de propina a integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para anular multas tributárias milionárias.

O plenarinho da Assembleia ficou lotado para a audiência pública da Frente Parlamentar de Defesa dos Serviços Públicos. (Foto: Guilherme Santos)
O plenarinho da Assembleia ficou lotado para a audiência pública da Frente Parlamentar de Defesa dos
Serviços Públicos.
Foto: Guilherme Santos
Entre os crimes investigados na Zelotes estão advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério da Fazenda, o esquema envolveria a contratação de empresas de consultoria que, mediante trânsito facilitado junto ao Conselho, conseguiam controlar o resultado do julgamento de forma a favorecer o contribuinte autuado. Constatou-se que muitas dessas consultorias tinham como sócios conselheiros ou ex-conselheiros do Carf. Segundo as investigações feitas até aqui, pelo menos 74 processos tributários podem ter sido fraudados, provocando um prejuízo de aproximadamente R$ 21,6 bilhões aos cofres públicos. Os casos que estão sob investigação teriam ocorrido entre os anos de 2005 e 2015.

Os desdobramentos da Zelotes no RS

O plenarinho da Assembleia ficou lotado para a audiência pública presidida pela deputada Stela Farias (PT), presidente da Frente Parlamentar de Defesa dos Serviços Públicos. Além do deputado Paulo Pimenta, falaram sobre a Operação Zelotes representantes do Tribunal de Contas do Estado, do Ministério Público, da Ajuris, OAB, Defensoria Pública, Sindifisco, CUT, CTB e do Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais (Tarf), órgão estadual gaúcho correlato do Carf. “Estamos promovendo essa audiência não para fazer proselitismo, mas sim para inicia um trabalho sério aqui no Estado”, disse a parlamentar ao abrir o encontro. A Frente Parlamentar pretende acompanhar os desdobramentos da Operação Zelotes no Rio Grande do Sul.

Paulo Pimenta destacou que há vários tipos de irregularidades sendo investigadas: vendas de sentenças com pagamento de propina, negociação para indicação de conselheiros, trocas de conselheiros de turmas e pedidos de vistas para retardar o julgamento de processos. Segundo o parlamentar, as investigações mostraram a existência de duas máfias agindo conjuntamente com a participação de conselheiros, escritórios de advocacia e contabilidade e empresas de consultoria de fachada.

“A maioria dessa grande mídia está silenciosa. É compreensível. Uma das seis grandes famílias que dominam a mídia no Brasil, que é aqui do Rio Grande do Sul, está sob investigação", disse juiz Mauro Caum. (Foto: Guilherme Santos)
“A maioria dessa grande mídia está silenciosa. É compreensível. Uma das seis grandes famílias que dominam a
mídia no Brasil, que é aqui do Rio Grande do Sul, está sob investigação”, disse juiz Mauro Caum.
Foto: Guilherme Santos
Pimenta afirmou ainda que as investigações da Operação Zelotes foram profundamente prejudicadas pela ação do Judiciário, mais especificamente, da 10ª Vara da Fazenda de Brasília, que chegou a ser batizada de “cemitério”. “Feita a investigação preliminar, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal pediram a prisão de 26 pessoas, entre eles, 9 conselheiros do Carf, mas a Justiça negou. Também foram negados pedidos de autorização para interceptações telefônicas e telemáticas, e para a quebra do sigilo do inquérito. Foi tudo ao contrário do que aconteceu na Operação Lava-Jato”, assinalou.

O parlamentar destacou a decisão da Corregedora Nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi, que determinou a notificação do juiz Ricardo Augusto Soares Leite, responsável pela 10ª Vara Federal do DF, a partir de uma representação feita por ele para averiguação dos critérios que embasaram essas decisões. Em maio, a Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 1ª região já havia acatado representação do Ministério Público Federal contra o mesmo magistrado.

Após a juíza Mariana Boré assumir o processo, comentou ainda Pimenta, uma nova etapa da Operação Zelotes começou, com foco de atuação em quatro cidades: Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Santo Ângelo. A operação de busca realizada na cidade gaúcha envolveu uma empresa de consultoria, na qual o ministro Augusto Nardes, do TCU, tinha uma sociedade com o sobrinho Carlos Juliano Ribeiro Nardes. Essa empresa estaria envolvida em negociações no âmbito do Carf que estão sob investigação. Com o surgimento de nomes com foro privilegiado, parte do processo foi remetida para o Supremo Tribunal Federal (STF) que decidirá sobre o futuro dessas investigações.

A Frente Parlamentar em Defesa dos Serviços Públicos pretende acompanhar os desdobramentos da Operação Zelotes no Rio Grande do Sul. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
A Frente Parlamentar em Defesa dos Serviços Públicos pretende acompanhar os desdobramentos da Operação
Zelotes no Rio Grande do Sul.
Foto: Guilherme Santos/Sul21

As investigações da Operação Zelotes, acrescentou o relator da Subcomissão da Câmara Federal, revelaram que os dois grupos tinham um esquema muito sofisticado de funcionamento. Foram criadas empresas de consultoria laranjas que funcionavam como captadoras de negócios, visitando empresas com problemas fiscais e oferecendo a solução desses problemas junto ao Carf. “Essas grandes empresas que estão sendo investigadas pagavam pelos serviços dessas consultorias em sua contabilidade oficial. Está tudo documentado. A tese que chegou a ser levantada por uma dessas empresas, de que ela teria sido vítima de escritórios de advocacia, já foi desconstituída, uma vez que os pagamentos foram feitos diretamente a essas empresas de consultoria que estão sob investigação”.

O silêncio midiático em torno da Zelotes

O fato de, entre os envolvidos, aparecerem empresas de comunicação e grandes anunciantes da imprensa brasileira, está contribuindo, na avaliação de Pimenta, para o silêncio midiático que cerca o caso, especialmente quando se compara com a cobertura que é realizada sobre as investigações da Operação Lava Jato. “Não é difícil entender esse silêncio. Entre os envolvidos estão alguns dos maiores anunciantes do país. Estamos diante de um escândalo de proporções absurdas. Aqui ninguém rouba migalhas, são casos de 100, 200, 500 milhões. É a corrupção da elite”.

O juiz Mauro Caum Gonçalves, da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), afirmou que a Zelotes é muito simbólica por revelar “a relação promíscua do empresariado com alguns setores da administração pública”. O magistrado também comentou a postura da maior parte da mídia neste caso. “A maioria dessa grande mídia está silenciosa. É compreensível. Uma das seis grandes famílias que dominam a mídia no Brasil, que é aqui do Rio Grande do Sul, está sob investigação. Os senhores deputados, que têm imunidade parlamentar, tem que aproveitar essa condição para denunciar esses crimes. E a sonegação é uma forma de corrupção, sim”, afirmou.

Diógenes de Oliveira lembrou o depoimento que prestou, em 2001, na CPI da Segurança Pública, durante o governo Olívio Dutra. “As provas contra a RBS estão aqui na Assembleia, no Ministério Público Federal e na Junta Comercial. Falem com o procurador Celso Três que ele conhece o assunto. No dia 5 de novembro de 2001, nesta mesma sala, denunciei a RBS pelas práticas de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Naquela época, o grupo devia cerca de 212 milhões de reais. Entrei com uma representação junto ao Ministério Público Federal que também se amorcegou”, lamentou Diógenes, que foi bastante aplaudido após sua fala.

Marco Weissheimer
No Sul21
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O país não comporta mais retrocesso social


Há um jogo oportunista e míope em torno da crise política, cujo ápice foi a orquestração entre a Folha de S. Paulo, Aécio Neves e colunistas aliados, valendo-se da fragilidade política de Dilma Rousseff para pressionar por mudanças constitucionais que revertam o Estado de bem-estar implementado a partir da Constituição de 1988.

Todas as manifestações vieram na direção de desvincular as despesas obrigatórias em educação, saúde e transferências constitucionais como condição para de obter a paz.

Esse tipo de exigência é a comprovação de que a perda de rumo e da sensibilidade política não é prerrogativa de Dilma e do PT, mas também desse conjunto fluido de forças autodenominadas de oposição.

* * *

Momentos pontuais de crise passam a sensação de que o país caminha a reboque da política. Engano! Há uma linha de evolução política e sociológica que vai muito além desses momentos de crise e à qual terão que se subordinar todos os governos do atual aos futuros.

A inclusão já ocorreu, um vitorioso processo que foi inaugurado com a Constituição de 1988, prossegue com a estabilização econômica e se acelera com as políticas sociais. Abriu-se a caixa de pandora e o gênio da cidadania escapou da garrafa — e não volta mais.

Os pessimistas dirão que a era dos direitos chegou antes da era da competitividade; os que enxergam o país para além das planilhas dirão que as exigências da cidadania é que empurram o país para frente.

A impopularidade do governo Dilma decorre de seus erros, sim, mas especialmente do fato de não ter conseguido proporcionar um horizonte que garantisse a continuidade da ascensão das novas classes.

* * *

Sabia-se desde o início que sua ascensão mudaria radicalmente o cenário, criando uma nova realidade política. Sem o sentido golpista das manifestações subsequentes, as passeatas de junho de 2013 assinalaram o inicio de uma nova era.

Nem Dilma, nem o PT, nem Lula se deram conta da velocidade dessas mudanças, a necessidade de aprofundamento das formas de participação política, a melhoria dos serviços púbicos, a desburocratização.

Se não entenderam, menos ainda a oposição, que se limitou a alianças oportunistas com o rebotalho dos manifestantes, aqueles que exaram preconceitos pelas narinas, e a exercitar diuturnamente o golpismo, jogando fora grandes gestos que, em outros tempos, ajudaram a construir a mística do PSDB, como o partido que não apostava no tanto pior, melhor.

* * *

O que pretendem desmontando o aparato social da Constituinte? Provavelmente conseguirão acelerar o fim do governo Dilma. Mas criarão problemas intransponíveis para qualquer novo governo que se apresente.

Não é por outro motivo que André Lara Rezende, o mais esperto e mais intelectualizado dos economistas do Real, há tempos fixou como prioridade política o atendimento do bem-estar do cidadão. E, como ele, pensa a parte mais preparada do grande empresariado paulista.

O avanço da cidadania é o dado intemporal, em torno do qual as variáveis deverão se acomodar.

Em vez de buscar o caos, o momento é de juntar as forças para reverter o aprofundamento da crise.

* * *

PS – O PMDB majoritário, de Michel Temer, não está em vias de pular do barco. Dilma terá que piorar um pouco mais para que pulem do barco.

Luís Nassif
No GGN
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“Novas medidas chegam com força no andar de cima”


As medidas apresentadas pelos ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa nesta segunda-feira 14, a fim de reajustar o orçamento de 2016, faz o Brasil recuperar sua credibilidade "diante do mercado, do País e do mundo", avalia o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães, em entrevista ao 247.

Além disso, junto com outras ações debatidas e algumas já aprovadas no Congresso, as medidas "chegam com força no andar de cima", diz ele, em alusão à maior oneração sobre os que possuem rendas mais elevadas.

A equipe econômica anunciou um corte de gastos de R$ 26 bilhões para 2016 e uma proposta de aumento de receitas, incluindo a criação de novas, como a volta da CPMF. O objetivo do governo é obter R$ 64,9 bilhões a fim de reverter o déficit orçamentário de R$ 30,5 bilhões no ano que vem e fechar as contas no azul. Questionado por que o governo não havia discutido essas medidas antes de enviar ao Congresso uma proposta de orçamento deficitário, Guimarães falou sobre a necessidade de diálogo.

"O governo demorou e foi necessário amadurecer, dialogar sobre a consistência e a amplitude das medidas. Se não tivessem esse grau de consistência toda, elas naufragariam no meio do caminho e não dariam credibilidade ao governo, que é, no meu entendimento, o maior significado de todas as medidas que estão sendo tomadas. Dar credibilidade ao governo para o País e para fora do país", disse.

Para o deputado, "foi preciso cortar na própria carne para ganhar credibilidade". Em sua avaliação, além de trazer credibilidade ao governo e reequilibrar as contas, "o plano anuncia o futuro sem prejudicar os direitos dos trabalhadores, sem tirar e nem prejudicar. E chega com força no andar de cima".

O deputado citou, como exemplos, a aprovação da Medida Provisória 675/15, que aumenta de 15% para 20% a alíquota da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) cobrada de instituições financeiras; a suspensão das desonerações tributárias — o chamado PL das desonerações; a tributação sobre grande capital, feita de forma progressiva, conforme lembra o deputado. A volta da CPMF no valor de 0,2% — "uma quantia ínfima", destaca Guimarães —, "não irá atingir a não ser os grandes rentistas do País".

Ao destacar que a quantia anunciada para o novo tributo é muito pequena, Guimarães afirma que "esse monstro que a oposição vem criticando [sobre aumento de impostos] é na cabeça deles". "É claro que a oposição sempre vai ser contra qualquer coisa, ela está no lugar dela. Eles reclamavam tanto que o governo não fazia cortes, quero ver qual governo tem coragem de fazer esses cortes", disparou.

"Nós, do governo, temos agora que aprimorar as medidas aqui no Congresso, dialogar com os trabalhadores. Porque estamos fazendo todas essas mudanças sem tirar um direito dos trabalhadores", lembra o parlamentar. O petista fala ainda em "vencer o pessimismo e derrotar os conspiradores, que não falam em outra coisa nos bastidores a não ser de golpe".




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Derrubar a Dilma, "ouvir o Lula na PF" e ... silênciar sobre a oposição


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Ministro Mangabeira Unger deixa a Secretaria de Assuntos Estratégicos


Nota à Imprensa

Pedido de demissão do Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos

A Presidenta da República Dilma Rousseff recebeu o pedido de demissão do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger. A Presidenta aceitou o pedido e agradeceu todo trabalho prestado por Unger durante sua gestão no comando da Pasta, esperando que ele possa continuar contribuindo com seus valorosos serviços como consultor do Governo Federal.

Secretaria de Imprensa
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
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Globo manipula Cinema: “Fantástico” transforma “Que Horas ela Volta” numa fábula de amor entre patrões e empregados



Ei!!! Que horas ele, o jornalismo, voltará às telas da Globo?
Ricardo Calil não entendeu nada. No blog que mantem no UOL, o crítico de Cinema estranhou a forma como o jornalismo da TV Globo tratou o filme “Que Horas Ela Volta?”.

O filme, diz Calil, é “uma reflexão crítica sobre as contradições sociais brasileiras centrada nas relações entre uma família de classe alta de São Paulo, sua empregada doméstica e a filha desta (que chega do Recife e fica morando um tempo na casa dos patrões). O filme de Anna Muylaert — que vem fazendo merecido sucesso mundo afora e foi escolhido como candidato brasileiro ao Oscar — revela o quanto ainda há de “Casa Grande e Senzala” nessas relações e o quanto o Brasil se libertou das heranças escravagistas nos últimos anos.”

Mas o programa dominical da Globo, afirma Calil, conseguiu transformar o filme estrelado por Regina Casé em “uma história de amor entre patrões e empregadas — ao colocá-lo lado a lado com duas histórias reais ´edificantes´ que versam sobre o mesmo tema.”

O Jornalismo da Globo, dirigido por Ali Kamel, não gosta muito de explicitar contradições. O diretor de Jornalismo da Globo acredita que não há racismo no Brasil: “não somos racistas”, diz ele.

O curioso é que o filme de Muylaert é uma co-produção da Globo Filmes, braço cinematográfico da Rede Globo.

“Isso significa que a reportagem do “Fantástico” é um curioso caso em que se fez o marketing de um filme afirmando o contrário do que ele defende“, estranha Calil, que emenda: “Não se via nada parecido desde que a Globo transformou em elogios as críticas do filme ‘ Tim Maia ‘ a Roberto Carlos.



O crítico também reproduz entrevista da diretora — em que ela explica do que o filme trata…

— “O filme retrata a diferença social entre os personagens e a quebra de regras sociais pré-estabelecidas. Como você avalia essa relação patrão x empregadas no Brasil?

(Anna Muylaert) Acho que a PEC das empregadas deu um grande passo no sentido da profissionalização da doméstica, mas acho que ainda falta bastante para a sociedade brasileira abandonar seus arraigados hábitos coloniais.

— A PEC influenciou na construção do filme?

Eu escrevi este roteiro pensando em falar das regras de convivência sociais no âmbito doméstico. Essas regras separatistas, nós sabemos, não são faladas, mas estão aí. Quando eu criei a Jéssica tão segura de si, não estava pensando em política, mas em fugir de um clichê dramatúrgico da coitadinha da filha da empregada. Mas, quando o filme ficou pronto, todos reconheceram que ele estava falando de um Brasil pós-Lula. E eu concordei. Uma personagem como a Jéssica não seria verossímil antes de seu governo. Acho que, entre erros e acertos, houve uma melhora da autoestima do povo brasileiro. E a PEC das empregadas, sem dúvida, tem a ver com o final do filme. Acho que foi um grande passo para tirar o estigma do escravagismo e tornar a empregada doméstica uma profissional como qualquer outra.”

Ou seja, quem for ao cinema assistir a “Que Horas Ela Volta?” esperando encontrar uma história de amor entre patrões e empregados vai se sentir tão “satisfeito” quanto os espectadores que foram ver “Praia do Futuro” para reencontrar a macheza do Capitão Nascimento.

Clique aqui para ler o texto de Ricardo Calil, na íntegra

Rodrigo Vianna
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Um presente para Lula

Ganhar presente é uma das delícias, só comparável à de dar presente. Deve ser por isso que Lula se mostrou, na Argentina, tão vibrante e afirmativo como o Lula dos velhos tempos. Mas não foi um presente argentino, se bem que Buenos Aires, com sua mesa e suas livrarias, possa ser um presente por si mesma. (PS: Com boa companhia, claro).

Foi lá que Lula recebeu a notícia de que Dilma se curvava aos cortes de verbas dos chamados programas sociais e do PAC, cobrados pelos neoliberais, pelos adeptos do impeachment e pela oposição vai com as outras. Sua reação imediata foi inflamada, com centro na declarada "incapacidade de entender esses ajustes que cortam ganhos sociais e dos trabalhadores".

Mas Lula, arguto, sabe que a face política do plano de "ajuste" pregado pela oposição e aceito por Dilma lhe é favorável. É um presente, involuntário embora, que resolve o seu mais grave problema na eventualidade de desejar candidatar-se em 2018.

São, ou eram, duas possibilidades. Caso o governo de Dilma seguisse, durante o atual mandato, na batida que teve durante a maior parte do primeiro, a próxima sucessão não seria fácil para Lula. As insatisfações deixadas mesmo pelos melhores governos, a vontade quase instintiva de mudança, um cansaço vago mais efetivo, isso influi no eleitorado depois de governos longos como quatro mandatos de mesma linhagem. Por muito menos, Lula, com todo o seu êxito, sofreu para eleger Dilma. E Dilma se reelegeu ajudada por Aécio com sua campanha desprovida de ideia, obcecado com críticas ao governo e ataques à concorrente. José Serra já sucumbira a isso mesmo, e Aécio não percebeu.

O segundo mandato de Dilma não teve a oportunidade de imitar os melhores aspectos do primeiro. Mantenha-se com ela ou passe-se a outro, está condenado a outra imitação: a do "ajuste" aplicado em Portugal, na Grécia, em menor escala na Espanha e em outras terras de povos arrochados. No começo do ano, Joaquim Levy prometia que já neste segundo semestre teríamos os primeiros "benefícios" do seu "ajuste". Veio aumentando as exigências para o "ajuste" à medida que a situação veio se agravando: no nono mês de ajustanças, nada melhorou, nada mostrou sequer indício de melhora próxima. Esse "ajuste" vai longe.

Vai até 2017 com folga. Ano em que a sucessão presidencial se lançará, precipitada pelas ansiedades do PSDB e, forçado, do PMDB. E então Lula, se disposto a candidatar-se, será ele o candidato da mudança. Com a bandeira de restauração da luta contra as desigualdades, de retomada do crescimento industrial e do emprego, da distribuição de renda e do Bolsa Família atualizado, do Brasil no mundo com a diplomacia ativa — tudo que ele vê como seu legado perdido. Terá ganho estas bandeiras de Dilma e dos seus adversários.

E a verdade é que — está provado desde Getúlio, depois Juscelino e Jango —  são bandeiras muito fortes, tão persuasivas que os três continuam vivos. Ao passo que a oposição fica na contingência de repetir José Serra, impossibilitado de propor a continuidade do governo Fernando Henrique e de adotar posições contrárias às que vinham de lá, rejeitadas por acúmulo de inflação alta, arrocho e paralisia econômica.

A decisão de 2018 será nas urnas, não no impeachment.

Janio de Freitas
No fAlha
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