12 de set de 2015

Youssef confirma ter financiado Álvaro Dias, mas tucano 'não vem ao caso'

Doleiro foi claro ao dizer que foi contatado por secretário de prefeito de Maringá na campanha do senador, que em 2000 foi candidato ao governo do Paraná. Passou "despercebido"

Senador Álvaro Dias, do PSDB paranaense: mais uma vez, mídia
mostra pouco interesse por denúncias contra tucanos
Já no final da longa sessão da CPI da Petrobras realizada em fins de agosto, durante acareação entre o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, o relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) perguntou: "vossa senhoria teve um jato alugado pela prefeitura de Maringá e em determinado momento esse jato foi utilizado por políticos?".

Youssef respondeu: "Na época eu fiz a campanha do senador Alvaro Dias... e parte destas horas voadas foram pagas pelo Paolicchi, que foi secretário de fazenda da Prefeitura de Maringá. E parte foram doações mesmo que eu fiz das horas voadas".

Pela dedução imediata do que se vê e ouve (assista ao vídeo abaixo) o próprio Youssef financiou a campanha de Álvaro Dias (DEM-OR) em 1998. Além disso é pertinente concluir que tudo indica não terem sido doações contabilizadas na campanha (ou seja, tenha sido o vulgo caixa dois) e pior: que teriam sido pagas com dinheiro desviado da prefeitura de Maringá.



Porém, bem no estilo "não vem ao caso", que domina o noticiário da mídia tradicional, o relato passou despercebido, mesmo sendo transmitido ao vivo pela TV Câmara e por alguns canais de notícias. A verdade é que foi a primeira vez que Youssef confirmou este fato em uma sessão pública de dimensão nacional.

As primeiras denúncias do relacionamento entre Dias e Yousseff surgiu no ano de 2000, quando o ex-secretário de fazenda de Maringá, Luiz Antônio Paolicchi, foi preso pela Polícia Federal e fez o relato em seu depoimento à Justiça Federal. "O prefeito (Gianoto) chamou o Alberto Youssef e pediu para deixar um avião à disposição do senador (Álvaro Dias). E depois, quando acabou a campanha, eu até levei um susto quando veio a conta para pagar. (...) Eu me lembro que paguei, pelo táxi aéreo, duzentos e tantos mil reais na época", relatou.

Paolicchi e o ex-prefeito Jairo Morais Gianoto, eleito pelo PSDB para o mandato de 1997 a 2000, perpetraram um esquema de corrupção na prefeitura em que emitiam cheques simulando pagamentos oficiais, mas o dinheiro era desviado para contas de parentes, laranjas e pagamento de avião para campanha eleitoral de aliado.

Em processo por improbidade administrativa na Justiça Estadual, eles e outros réus, incluindo o próprio Alberto Youssef, foram condenados em 2010 a devolver aos cofres públicos de Maringá o valor desviado que, corrigido, corresponde a cerca de R$ 1 bilhão. Como coube recurso, o processo ainda tramita nas instâncias superiores.

Na Vara Federal Criminal de Maringá, o juiz Raphael Cazelli de Almeida Carvalho condenou Gianoto a 14 anos de prisão em regime fechado e Paolicchi a 12 anos e seis meses. Mas nenhum deles cumpriu pena até agora, mesmo com a condenação completando dez anos de aniversário no próximo fevereiro.

Paolicchi morreu assassinado em outubro de 2011 a mando de seu par afetivo Vagner Eizing Ferreira Pio. Ao confessar o crime, Vagner afirmou que o companheiro se interessou em oficializar a união estável com comunhão de bens como estratégia para preservar parte do patrimônio obtido por enriquecimento ilícito.

O ex-prefeito tucano recorre da condenação enquanto vive em sua fazenda, em Mato Grosso. Segundo o Ministério Público, o dinheiro desviado da prefeitura foi usado, entre outras coisas, para compra de fazendas, colheitadeiras, insumos agrícolas, aviões e carros de luxo.

O promotor da causa, José Aparecido Cruz, encontrou indícios de que uma parte do dinheiro de Maringá teria sido desviada para contas no exterior, provavelmente na Europa. Mas parece que esse assunto "não veio ao caso" na primeira delação premiada do doleiro Alberto Youssef durante o processo do Banestado. Mesmo se tratando da cidade onde o juiz Sérgio Moro, que homologou a delação, nasceu, cresceu e estudou.

Durante as eleições de 2002, o jornal paranaense Hora H publicou a história. Mesmo reproduzindo declarações oficiais em depoimento à Justiça Federal, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR) mandou apreender a publicação e tirar do ar o site do jornal na internet, a pedido de Alvaro Dias, na época candidato a governador. O tucano perdeu aquela eleição mas, com o assunto sendo engavetado, foi reeleito senador em 2006 e 2014.

Este blog solicitou ao TRE-PR, com base na Lei de Acesso a Informação, a prestação de contas do senador Alvaro Dias nas eleições de 1998 para conferir as doações feitas pelo doleiro Alberto Youssef, já que o TSE respondeu só estarem digitalizadas e centralizadas as contas de 2002 em diante. O pedido à Justiça Eleitoral paranaense foi feito em 27/06/2013 as 14:20 com número de protocolo 948127061324046. Passados mais de dois anos, "não veio ao caso" uma resposta.

Helena Sthephanowitz
No RBA
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A Folha levou a seção Erramos às últimas consequências

Culpa compartilhada
A Folha levou a seção Erramos às últimas consequências nestes dias.

O jornal, sem nenhuma cerimônia ou constrangimento, decidiu compartilhar a responsabilidade por um “erro grave”.

Erramos virou, literalmente, erramos mesmo: nós e eles.

A Folha disse que o Teori, do STF, abrira inquérito contra Mercadante — um alvo frequente do jornal — no âmbito da Lava Jato.

Não era verdade, o jornal admitiu.

Mas o mais extraordinário viria na longa explicação do erro.

A Folha disse que o primeiro veículo a dar a falsa informação foi o Jornal Nacional. Quer dizer: ainda hoje, em plena Era Digital, quando televisão parece dinossauro, a Folha se pauta, bovinamente, pelo JN.

E ainda delata quando é induzida a erro ao copiar. Maus modos em dose dupla: primeiro, ao surrupiar conteúdo. Segundo, ao ser dedo duro quando constadada a barrigada.

Mas a Folha não delatou apenas o JN.

Também entregou “duas fontes ligadas à investigação da Lava Jato”.

Você pode avaliar, por aí, a confiabilidade da cobertura da Folha.

Duas fontes conseguiram passar uma informação falsa sobre um tema em que elas estão mergulhadas.

Quantas imprecisões o leitor da Folha não engoliu nos últimos meses, na Lava Jato, por conta de fontes como estas delatadas?

Fonte anônima é uma das pragas do jornalismo nacional destes tempos. Quem paga mesmo o preço é o leitor.

Como as corporações jornalísticas estão em guerra aberta — a guerra fria ficou lá para trás — contra o governo, você pode imaginar quantas fontes não são simplesmente inventadas para sabotar Dilma, Lula e o PT.

Nenhum repórter ou editor será cobrado pela direção a revelar internamente o nome de alguma fonte anônima num assunto que tenha gerado controvérsia.

É nesse ambiente de militarização editorial que brotam desmentidos patéticos como este em que a Folha dividiu a responsabilidade por mais um “erro grave” contra as vítimas de sempre.

Paulo Nogueira
No DCM
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O inspirador exemplo de Mantega de buscar justiça diante de desequilibrados que insultam

Clap, clap, clap
Mantega deu uma lição de como tratar com analfabetos políticos que pensam que têm o direito de insultar alguém sem consequências.

Ele foi injustiçado. Dois imbecis xingaram-no num restaurante.

Em vez de assistir calado à agressão, e ver impotente as redes sociais espalharem o ódio de que foi vítima, buscou a Justiça.

Conseguiu o nome dos meliantes, contratou um bom advogado e exigiu satisfações.

Ele fez o que o grande criminalista alemão do século 19 Rudolf von Ihering defendeu numa tese então inovadora.

Foi atrás de Justiça.

Ihering disse que procurar a Justiça não é apenas direito do ofendido, mas dever perante a sociedade. Porque o direito não é uma coisa estática: muda ao sabor das circunstâncias e das ações das pessoas.

E também porque ao lutar contra injustiças você pode livrar outras pessoas do mesmo tipo de coisa.

Daí o dever segundo Ihering, e não apenas o direito.

Foi o caso de Mantega.

A patética retratação dos ofensores  — José João Armada Locaselli e Marcelo Maktas Melsohn — certamente levará outros desequilibrados a pensar duas, três vezes antes de importunarem pessoas que estão em seu canto, sossegadas.

Porque poderão ter que se explicar com a Justiça.

E isso significa dor de cabeça. Você tem que pagar advogado, enfrentar a possibilidade de uma multa e outros aborrecimentos dos quais pessoas que se comportam civilizadamente estão livres.

Muito se tem falado da propagação do ódio entre os brasileiros.

Uma das formas de combatê-lo é enfrentando-o como fez Mantega.

Que seu exemplo seja seguido. Isso vai melhorar o Brasil.

É talvez a maior contribuição de Mantega, um homem digno que foi um bom ministro da Economia por longos anos, à causa pública no Brasil.

Paulo Nogueira
No DCM
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O “Mensageiro da Morte”: o agente “Guarany”

“Sargento paraquedista levou a bomba à OAB”

Magno Cantarino, em 1981, na cena do atentado à bomba
no Riocentro.
Foto: Anibal Philot/O Globo (cedida à CEV-Rio)
Magno Cantarino Mota, mais conhecido como “Guarany”, sargento paraquedista que por livre e espontânea vontade serviu como agente do Centro de Informação do Exército (CIE) durante o período mais duro da ditadura militar, foi o portador da carta-bomba que, em 27 de agosto de 1970, matou Lyda Monteiro da Silva, a então secretária do presidente do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Seabra Fagundes.

A carta era dirigida ao presidente da Ordem e tinha como objetivo, ao matá-lo, intimidar a instituição que empunhava a bandeira da redemocratização do país, a punição dos culpados pelas violações aos Direitos Humanos cometidas nos 16 anos de ditadura (64 a 80) e os esclarecimentos sobre os mortos e desaparecidos políticos.

A revelação da identidade do portador da carta-bomba, o “mensageiro da morte” de Lyda Monteiro, foi feita na manhã desta sexta-feira (11/09) pela Comissão Estadual da Verdade, do Rio de Janeiro (CEV-Rio) em cerimônia da qual participaram Felipe Monteiro da Silva, filho de Lyda, o presidente do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, a secretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Teresa Cristina Cosentino e o vice-presidente da OAB-RJ, Ronaldo Eduardo Cramer Veiga.

A cerimônia foi presidida pela presidente da CEV-Rio, Rosa Cardoso, e o presidente de honra da Comissão, Wady Damous, hoje deputado federal pelo PT do Rio de Janeiro. Foi Damous, há três anos, quando tomou possse na CEV-RJ, quem prometeu a Felipe Monteiro que apurar o assassinato da mãe dele era uma questão de honra. Ao discursar, Felipe confessou-se “aliviado” com o resultado da apuração.

Ele agora declarou esperar que o ministro da Defesa, Jacques Wagner, e os comandantes das Forças Armadas peçam desculpas não apenas à família de Lyda Monteiro, mas a toda a nação brasileira pelo envolvimento de militares no atentado terrorista que roubou a vida de sua mãe

Na próxima semana, como informou Wadih Damous, ele, Rosa Cardoso, e Marcus Vinicius irão levar todas as evidências recolhidas pela CEV-Rio para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Caberá à Procuradoria aprofundar as investigações e decidir se deve ou não denunciar Magno — por enquanto o único envolvido que se conhece que está vivo — pelo homicídio. Teoricamente, como o crime foi cometido em 1980, ele não se beneficia da Lei da Anistia, de 1979.

Wadih, Rosa e Marcus Vinicius também deverão procurar o ministro da Defesa a quem além de entregar o material levantado nos últimos dois anos pela Comissão, cobrarão o pedido de desculpas proposto por Felipe Monteiro.

Ao longo destes 35 anos, muitas pessoas apontaram para o agente “Guarany” como o portador da carta-bomba. O próprio, em 2014, ao ser procurado pela jornalista e pesquisadora da CEV-Rio, Denis Assis, parecia querer falar sobre o caso, mas recuou por interferência de sua mulher.

Havia evidências e testemunhos, faltava, porém, quem o reconhecesse como o homemvisto com a carta-bomba na sede da OAB. Isto foi conseguido pela CEV-Rio, na semana passada, quando uma testemunha que se encontrava no prédio da Avenida Marechal Câmara, centro do Rio, e crusou com o portador da carta-bomba, o reconheceu nas fotos apresentadas por Denise de Assis, na presença de Felipe Monteiro.

O agente paraquedista não agiu sozinho. Segundo depoimento do ex-delegado de Policia Civil do Espírito Santo, Claudio Guerra, o chamado autor intelectual do plano foi o já falecido coronel Freddie Perdigão Pereira, que por muito tempo atuou no CIE, mas também teve participação ativa no DOI-CODI/RJ e na agência do Rio de Janeiro do Serviço Nacional de Informações (SNI), onde estava quando decidiu pelo envio da carta-bomba.

O terceiro militar envolvido também já está morto. Trata-se do sargento Guilherme Pereira do Rosário, paraquedista da turma de Guarany, especialista em explosivos. Ele montou o artefato levado por Guarany à OAB, em uma oficina de um primo seu, como revelou à CEV-Rio o ex-delegado Guerra, que convivia com todos eles, principalmente com Perdigão.

Rosário faleceu ao tentar executar um novo atentado que, pelas evidências levantadas, partiu do mesmo grupo de militares: a explosão de uma bomba no show em comemoração ao dia do trabalhador, no Riocentro, Zona Oeste do Rio, em 30 de abril de 1981. Acabou sendo a única vítima fatal da bomba que ele próprio montou. Com ele estava o então capitão Wilson Dias Machado, que mesmo bastante ferido conseguiu sobreviver.

Na noite do atentado do Riocentro, Guarany estava no local. A foto dele acima é um recorte de uma foto maior em que ele aparece ao lado do Puma onde seu colega de farda e de quartel, Rosário, faleceu com a bomba no colo. Segundo explicou à CEV-Rio o coronel Paulo Malhães, o artefato explodiu quando a corrente do relógio do sargento fez o contato com os polos positivo e negativo do artefato.

Magno Cantarino, com a pistola no coldre, ao lado do Puma em que morreu seu amigo Rosário Pereira Foto: Anibal Pilhot/O Globo (cedida à CEV-Rio)
Magno Cantarino, com a pistola no coldre, ao lado do Puma em que morreu seu amigo Rosário Pereira
Foto: Anibal Pilhot/O Globo (cedida à CEV-Rio)
Como nesta seta-feira lembrou o jornalista Chico Otávio em reportagem em O Globo, Rosário, dias depois do atentado à OAB, foi encontrado por duas parentes de Lyda Monteiro na beira do túmulo dela, chorando, como se estivesse pedindo desculpas. As duas senhoras só vieram a saber a identidade daquele estranho visitante quando da sua morte no Riocentro, através das fotos divulgadas pelos jornais.

Nas entrevistas dadas à CEV-Rio nos meses de fevereiro e março de 2014, Paulo Malhães, ao ser questionado sobre a possivel participação de Guarany na morte de Lyda, admitiu o envolvimento, apenas ressalvando que ele não seria o autor da ideia:

“Eu conheço o Guarany. Pode até ter sido enviado por alguém para colocar essa bomba. Partir dele, não”.

Além de Guerra, dois outros companheiros de Guarany revelaram à CEV-Rio que é ele quem aparece no retrato falado feito na Policia Federal, em 1990, em um segundo inquérito o qual, controlado pelo próprio Perdigão, tentou jogar a responsabilidade no americano Ronald James Watters, que acabou inocentado pela Justiça por falta de provas.

Valdemar Martins, também paraquedista da turma de Guarany e Rosário, no último dia 3 confirmou o que já havia dito em 2014 à Denise Assis:

“Na época em que eu estive ai dando o depoimento para vocês, vi algumas fotos … Falei que era o Magno Cantarino Motta… Um agente que era sargento paraquedista, que serviu na mesma unidade que eu, junto com o Guilherme Rosário, ai no Rio de Janeiro. Era o agente Guarany… Confirmo que era o Magno Cantarino Motta, sargento paraquedista que serviu na minha unidade...

CEV-Rio: Então podemos considerar um depoimento oficial para a CEV-Rio, uma declaração sua de que reconheceu aqui na sede da Comissão o paraquedista Magno Cantarino, o agente Guarany, como autor da entrega?

Valdemar: Sim.”

O outro testemunho foi de Emanuel Matos Pontes (Manolo), ex-militar do Exército, cedido ao DOPS para missões do CIE. Apresentou-se como amigo, quase irmão, do agente Guarany. P≥rocurado por Denise Assis, em 2014, sabendo do câncer do amigo, recomendou: “Vocês deveriam procurar o Guarani. Estive hospedado na casa dele e ele está bastante fragilizado. Este é o momento de procurá-lo. Quando estivemos juntos senti que ele quer falar. Ele ficou rodeando o assunto, mas eu não quis aprofundar”. Manolo faleceu recentemente, em Salvador, onde residia.

Todo o trabalho da CEV-Rio foi relatado, na enttrevista concedida nesta sexta-feira, pela presidente da Comissão, Rosa Cardoso, através de um dossiê, reproduzido abaixo:
CEV-Rio aponta autores do atentado à Bomba na OAB

“Após uma investigação que durou dois anos, a Comissão da Verdade do Rio comprovou uma hipótese sempre levantada: o atentado contra a OAB, praticado em 27 de agosto de 1980, foi obra de um grupo de oficiais ligados ao Centro de Informação do Exército (CIE). A investigação da CEV-Rio chegou a quatro testemunhas que caracterizaram a autoria do fato. Uma ocular, que reconheceu a pessoa que levou a bomba à OAB, e três agentes vinculados à estrutura repressiva da ditadura.

O sargento Magno Cantarino Mota, formado na turma de paraquedistas do Exército, foi quem entregou pessoalmente a carta com o artefato que vitimou D. Lida Monteiro, secretária do então presidente da OAB, Seabra Fagundes. Na atividade de agente da repressão vinculado ao CIE, Magno adotou o codinome “Guarany”.

Para executar a ação, Guarany subiu pelo elevador até o 4º andar do prédio da OAB, na Av. Marechal Câmara, 210, Centro do Rio — endereço em que hoje funciona a CEV-Rio. Segundo a testemunha ocular, que dialogou com o militar momentos antes de ele entregar o envelope pardo, contendo a bomba de fabricação artesanal, o sargento vestia calça e camisa social “como os muitos rapazes que trabalhavam pelos escritórios da região”. A testemunha relatou também que ele tinha cabelos encaracolados abaixo das orelhas e aparentava pouco mais de trinta anos. De estatura média, falava pausado e agiu com cordialidade com as pessoas que encontrou em seu trajeto.

Segundo as testemunhas ouvidas pela CEV Rio, a ação foi comandada pelo coronel Freddie Perdigão Pereira, do CIE, e a confecção da bomba esteve a cargo do sargento Guilherme Pereira do Rosário, morto no atentado ao Riocentro, no ano seguinte, em consequência da explosão da bomba que trazia no colo, também de sua fabricação, e que seria instalada no interior do auditório, onde cerca de 20 mil pessoas comemoravam o 1º de Maio.

Naquele período, a OAB tinha um papel importante na defesa dos direitos humanos e restauração das liberdades democráticas. Para intimidar a entidade, o grupo que agia sob o comando do Centro de Informações do Exército, iniciou uma série de atentados, que teve como alvos parlamentares de oposição, bancas de jornal, jornais e entidades como a ABI, numa tentativa de responsabilizar organizações de esquerda.

O RELATO DAS TESTEMUNHAS

A principal testemunha identificou o autor do assassinato a partir de fotos, do retrato falado feito na época, e de outro, confeccionado no ano de 2000. Em seu último depoimento, assinou uma declaração que confirma o reconhecimento do agente Guarany, nos seguintes termos:

Lyda monteiro

“Eu, Testemunha X, declaro para os devidos fins, à Comissão da Verdade do Rio, que reconheci na foto para mim exibida onde aparece o rapaz de camisa branca, perto de um ferido no interior de um Puma, a mesma pessoa que me abordou na entrada da OAB, no dia 27 de agosto de 1980.”

A seu pedido, visando preservar a sua integridade e segurança, a CEV-RIO não divulgará o seu nome. A proteção à identidade da testemunha é autorizada pelas normas do Direito Internacional a da Lei que constituiu a Comissão da Verdade.

Examinando uma foto em que “Guarany” aparece em 1981, socorrendo os colegas atingidos dentro do Puma, no Riocentro, vestido com uma camisa clara e uma arma de uso das Forças Armadas enfiada no coldre, ela confirmou que, vendo-o “mais novo, e de corpo inteiro”, reconheceu “o porte” do agente que esteve na OAB no dia do assassinato. “O mesmo cabelo e o mesmo tipo”.

No último dia 3 de setembro, a Comissão do Rio ouviu o depoimento do paraquedista da turma de 1964, Valdemar Martins. Ao examinar o retrato falado de “Guarany” e a foto do Riocentro, onde ele aparece jovem, sem qualquer dúvida, Valdemar afirmou:

O agente Guarany em 1981 (esq.); o retrato falado feito em 1990 (centro); e Guarany em foto mais recente, levada à CEV-Rio pelo jornalista Chico Otávio. (Reprodução)
O agente Guarany em 1981 (esq.); o retrato falado feito em 1990 (centro); e Guarany em foto mais recente,
levada à CEV-Rio pelo jornalista Chico Otávio. (Reprodução)
“Na época em que eu estive ai dando o depoimento para vocês, vi algumas fotos… Falei que era o Magno Cantarino Motta… Um agente que era sargento paraquedista, que serviu na mesma unidade que eu, junto com o Guilherme Rosário, ai no Rio de Janeiro. Era o agente Guarany… Confirmo que era o Magno Cantarino Motta, sargento paraquedista que serviu na minha unidade...

CEV-Rio: Então podemos considerar um depoimento oficial para a CEV-Rio, uma declaração sua de que reconheceu aqui na sede da Comissão o paraquedista Magno Cantarino, o agente Guarany, como autor da entrega?

Valdemar: Sim.”

O ex-delegado do DOPS-ES, Claudio Guerra, afirmou à Comissão em três oportunidades que Guarany trouxe a bomba para a OAB; que a o sargento Guilherme do Rosário foi o encarregado de sua fabricação e a que a ordem para a execução do atentado partiu do coronel Freddie Perdigão Pereira na sede do SNI, do Rio.

Em depoimento 26 de fevereiro de 2014: “O Perdigão mandou.”

Em depoimento no dia 3 de setembro passado: “ Quem montou a bomba foi o Rosário, numa oficina dum primo dele, que parece que tem até hoje.”

Em email no dia 11 de junho de 2014: “A Carta Bomba era endereçada ao Presidente do Conselho Federal da OAB, Eduardo Seabra Fagundes, por uma fatalidade quem abriu a carta foi a senhora Lyda. Quem entregou a carta, o artefato, foi o agente Guarany, Magno Cantarini Mota, que está vivo e reside em Campinho, próximo a Jacarepaguá.

Posso ainda afirmar, que, na mesma ocasião, o mesmo grupo (Equipe secreta de militares do Cel. Perdigão composta, pelo Sgt Rosário, Guarani e outros, foi responsável pelo artefato que foi colocado no gabinete de um vereador, não lembro o nome, e outra na Tribuna da Imprensa. A motivação, o combate intensivo que a OAB fazia para que fossem apontados os responsáveis pelos desaparecimentos e torturas”.

A quarta testemunha ouvida Emanuel Matos Pontes (Manolo), ex-militar do Exército, cedido ao DOPS para missões do CIE. Apresentou-se como amigo, quase irmão, do agente Guarany. Sua declaração para a pesquisadora Denise Assis, da CEV Rio, é a seguinte: “Vocês deveriam procurar o Guarani. Estive agora hospedado na casa dele e ele está bastante fragilizado. Este é o momento de procurá-lo. Quando estivemos juntos senti que ele quer falar. Ele ficou rodeando o assunto, mas eu não quis aprofundar. Estava hospedado na casa dele e ele poderia ficar aborrecido. Sinto que agora, que ele passou por este período da doença, está fragilizado, ele repensou bastante a vida. Senti que essas coisas desta época estão incomodando e ele quer falar, mas para mim é difícil. Com jeito, vocês indo lá, ele acaba contando. Foi ele quem levou aquela bomba da OAB e ele não pode continuar negando isto. O Rosário fez a bomba, mas foi ele quem levou.”

Diante de tais fatos, a Comissão da Verdade do Rio considerou identificados os autores do crime do ponto de vista factual, conforme a praxe das Comissões de Verdade. Identificou também a cadeia de comando da época, relacionada ao fato.
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A oposição só derruba Dilma se ela ajudar


Esqueçam erros cometidos após as eleições, que culminaram com a queda da popularidade de Dilma Rousseff em uma rapidez recorde. Deixem de lado também as tentativas golpistas da oposição, o infindável terceiro turno, por ser um dado da realidade, que independe de Dilma.

Fiquemos apenas com os últimos movimentos.

Quando o incêndio lavrava por todos os cantos, Dilma invocou o vice-presidente Michel Temer para rearticular a base. A temperatura baixou e pensava-se que se tinha encontrado o caminho para a estabilização política.

Foi só conseguir um pouco de oxigênio para tomar uma série de decisões, intrigas e trapalhadas desgastarem a relação entre ambos.

Desde o começo do ano, o MPOG (Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão) trabalha em um redesenho dos processos internos de governo. Trabalho completo, o anúncio teria um bom potencial político, mostrando a recuperação de conceitos de gestão abandonados por Dilma.

Aí Dilma obriga o Ministro do Planejamento a anunciar o trabalho antes de estar pronto, queimando um bom trunfo para a virada de mesa nas expectativas.

As quedas do nível de atividade e da receita criam um rombo nas previsões orçamentárias para 2016. Dilma decide ressuscitar a CPMF e toca a telefonar — ela e ministros — para políticos, jornalistas, economistas, buscando apoio. Por um momento, passa a ideia de pro-atividade e consegue uma breve aglutinação das forças pro-estabilidade, Delfim, alguns economistas responsáveis de mercado, alguns jornalistas econômicos.

Delfim faz mais: defende a medida para uma plateia de 300 homens de mercado reunidos no encontro anual em Campos do Jordão.

Dilma esquece de avisar Temer que iria tentar a CPMF, enfraquecendo uma aliança importante.  No final do dia, abandona a ideia da CPMF e não avisa Delfim nem os jornalistas econômicos procurados, perdendo, em Delfim, outro aliado importante. E tem a criativa ideia de mandar o orçamento deficitário para o Congresso se virar, precipitando a decisão da Standard & Poor´s de rebaixar a nota do país.

Enquanto isto, alguns petistas ingênuos — como o Ministro Aloisio Mercadante e o prefeito de São Paulo Fernando Haddad — procuram aproximação com o mais improvável dos aliados, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Com mais de 80 anos, o único objetivo de FHC é destruir o legado de Lula.

A cada dia que passa, mais surpreende a falta de informação e de visão estratégica desse pessoal.

A notícia boa é que Dilma depende apenas dos seus pontos para se manter no campeonato. Basta conferir um mínimo de estrutura ao seu governo. A notícia ruim é que ela não está conseguindo. Desenvolveu uma incrível capacidade de queimar uma a uma as amarras que seguram no cais o navio da estabilidade.

Luís Nassif
No GGN
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Janot resistirá à pressão?


Três semanas depois de ter sido reconduzido ao cargo de Procurador Geral da República, Rodrigo Janot foi colocado diante de uma ótima oportunidade para mostrar a que veio depois que o delegado Josélio de Souza, da PF, decidiu pedir que Lula seja ouvido sobre denúncias de corrupção na Petrobras.

É mais um pedido para gerar manchetes que pretendem alimentar o ambiente de criminalização do Partido dos Trabalhadores, sempre útil para dar credibilidade aos pedidos de impeachment de Dilma Rousseff, mas é puro absurdo.

O próprio delegado admite que não há um fiapo de prova contra o ex-presidente. Menciona em seu relatório que os delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef “presumiram que era impossível que Lula não soubesse de nada”, mas reconhece que nenhum dois apontou um “elemento concreto” para embasar essa possibilidade.

Só não é um pedido inteiramente inútil porque, ao admitir que não há “elementos concretos”, o delegado Josélio questiona oficialmente a manchete “Eles sabiam”, usada pela VEJA para tentar, na última hora, reverter a eleição de 2014, certo?

Num país onde vigora o princípio da presunção da inocência, parte essencial do Estado Democrático de Direito, as pessoas não podem ser tratadas como suspeitas em potencial, obrigadas a explicar-se sobre rumores, presunções e hipóteses especulativas. Isso é típico de regimes policiais, onde as pessoas são levadas a uma delegacia “para averiguações.”

“Isso é presunção da culpa”, afirma Wadih Damous (PT-RJ), que já foi presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB.

Destinada a punir pecados — noções puramente espirituais — o Santo Ofício da Inquisição não estava interessada em provas. Queria confissões. Era o que bastava. Mas o acusado não era deixado em paz enquanto não admitisse aquilo que era exibigido, com aqueles métodos que todos conhecemos e não precisamos lembrar aqui.

Num estado onde se presume a culpa, os cidadãos devem encontrar aquilo que, em Direito, chama-se “prova diabólica,” onde são obrigados a provar que não fizeram alguma coisa, tarefa que, muitas vezes é impossível. Foi isso que  explicou o juiz e professor Rubens Casara, num debate na quarta-feira passada, onde o assunto era a PLS 402, que questiona a presunção da inocência ao autorizar a prisão para condenados em crimes graves antes do transito em julgado — como prevê a Constituição.

Como se vê, o tema é bem atual.

O esforço para ouvir Lula num depoimento sem elementos concretos atende ao objetivo político-eleitoral de tentar criminalizar a herança de mudanças positivas ocorridas  no país a partir de 2003. 

Em 13 de agosto, Janot deu uma pequena aula sobre regras democráticas quando assinou despacho em que mandava arquivar uma denúncia encaminhada por Gilmar Mendes, envolvendo uma gráfica que prestou serviços de campanha ao Partidos Trabalhadores, esclarecendo que “não há providencias de talhe cível ou criminal a adotar.”

No mesmo documento, o PGR deixou claro que, numa democracia, o essencial é respeitar a vontade popular. Escreveu que “os atores principais” de uma eleição devem ser "candidatos e eleitores". Também lembrou a "inconveniência de serem, Justiça Eleitoral e Ministério Público Eleitoral, protagonistas — exagerados do espetáculo da democracia."

Mas essa clareza não impediu que, pouco depois, Janot recomendasse a abertura de investigações sobre as campanhas de 2010, quando Dilma obteve o primeiro mandato, e ainda em 2006, quando Lula foi reeleito, um ano depois das denúncias da AP 470.

Vivemos num país onde vigora o inciso XXXVI do artigo 5º da Constituição. Ali se pode ler que a “a lei não prejudicará o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.”

Isso acontece porque os cidadãos precisam ter segurança de que decisões judiciais, depois que já cumpriram as etapas previstas para serem questionadas e examinadas, não podem ser revistas ao sabor das conveniências de outras épocas e outros personagens — muito menos quando dizem respeito ao próprio poder de Estado.   

Os eventuais crimes eleitorais prescrevem em três anos, justamente porque nem juízes nem promotores devem ser “protagonistas exagerados do espetáculo da democracia”, muito menos pela eternidade.  

As contas de 2006 — nove anos atrás — foram aprovadas e arquivadas em 2009. As contas de 2010 prescreveram em 2013.

O que aconteceu, então?

Quarenta e oito horas depois que se divulgou que o PGR mandara arquivar o pedido de investigação, Gilmar Mendes afirmou que Janot se comportava como “advogado da presidente.”

Ao noticiar a decisão de investigar as campanhas já julgadas, a revista Época escreveu que “Janot fica incomodado com críticas de que blinda as investigações contra próceres do PT.”  

Deu para entender, não?

Depois de inverter o princípio da presunção da inocência pela presunção da culpa, o que se pretende é colocar o Procurador Geral da República sob suspeita — caminho mais fácil para ser pressionado a não cumprir seu dever.

Paulo Moreira Leite
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PF vai investigar mensagens de ódio no Facebook contra presidenta Dilma


A Secretaria-Geral da Presidência da República informou hoje (12) que pediu à Polícia Federal para investigar a empresa que prestaria serviços de buffet no evento Dialoga Brasil, em Teresina, ontem (11), durante visita da presidenta Dilma Rousseff. Segundo a nota, informações publicadas horas antes do evento, em rede social, poderiam colocar em risco a segurança da presidenta da República, com possível caracterização de incitação a crime contra a sua pessoa.

Uma funcionária do buffet La Trufel, contratado pela Presidência da República, fez uma postagem controversa no Facebook. Ela dizia que “hoje, a nossa presidente Dilma está em Teresina, e vou ter o 'prazer' de fazer o evento para ela e toda equipe. Queria saber dos meus colegas se alguém tem algum pedido especial, afinal é uma oportunidade única”.

A publicação foi respondida por internautas com mensagens de ódio, inclusive com sugestões de envenenamento da presidenta. A assessoria da Secretaria-Geral disse que a mensagem foi vista pela equipe de monitoramento das redes sociais da Presidência, e o serviço foi suspenso duas horas antes do evento.

"Repudiamos qualquer forma de incitação a crime ou a atentado contra qualquer pessoa", diz a nota.
A Advocacia-Geral da União vai avaliar as medidas cabíveis para eventual responsabilização penal e civil dos envolvidos.

Até o fechamento desta matéria, a Agência Brasil não conseguiu contato com o buffet La Trufel nem com a funcionária que fez a publicação.

Maiana Diniz
No Agência Brasil
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Veja mente sobre o Bolsa Família

Foram cancelados cerca de 800 mil benefícios de famílias com renda acima do que estabelece a lei, 
como a família acima. A foto diz tudo.
Nota de esclarecimento do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS)

O Bolsa Família não sofreu corte no Orçamento, está integralmente preservado

A revista Veja desta semana mente quando diz que o governo corta benefícios do Bolsa Família para fazer o ajuste fiscal. O Bolsa Família não sofreu corte no Orçamento, está integralmente preservado.

Veja erra quando diz que o número de famílias beneficiárias caiu para 13, 2 milhões. A folha de pagamento de setembro repassou benefícios para 13, 9 milhões de familias. O número de beneficiários vem se mantendo estável desde 2012, com a saída de quem melhora de renda e a entrada de novas famílias.

O governo reafirma seu compromisso com o Bolsa Família e com as rotinas de controle, para que só recebam o benefício (em média R$ 167 mensais por família) os mais pobres, com renda de até R$ 154 por pessoa da família. Para manter o programa bem focalizado, o Ministério do Desenvolvimento Social promove todos os anos a atualização dos cadastros e o cruzamento com outras bases de dados da União.

Neste ano, foram cancelados cerca de 800 mil benefícios de famílias identificadas em cruzamento de bases de dados de salários e aposentadorias (INSS, RAIS e CAGED) com renda acima do que estabelece a lei. No mesmo período, número equivalente de novas famílias passaram a receber o bolsa. Esse movimento é semelhante ao registrado no ano passado, ano eleitoral. O “pente-fino” de que Veja reclama é, portanto, uma rotina de controle muito bem sucedida que garante o foco do programa e zela pelo bom uso dos recursos públicos.

Além disso e diferentemente do que diz a Veja, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) mantém rigorosamente o acompanhamento da frequência de crianças e jovens às aulas mensalmente, de forma a garantir a presença dos alunos na escola.

O MDS reitera que o Bolsa Família está integralmente preservado de cortes no Orçamento. Neste ano, a previsão de gastos é de R$ 27,7 bilhões. Esse dinheiro vem mantendo milhares de famílias fora da miséria e, mais importante, garante acesso à educação, saúde e serviços.

A revista Veja poderia ter evitado o erro se tivesse procurado o ministério para checar as informações, como recomenda o bom jornalismo.

No MDS
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A dificuldade de ser complexo

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7606

Fico perplexo quando me acusam de ter partido.

Durante muitos anos, fui rotulado de direitista.

Os petistas faziam abaixo-assinado contra mim.

Fui o primeiro a escrever Lulla.

Em outro campo, fui colorado na infância.

Depois, quando era repórter no Grêmio, virei tricolor.

Voltei a ser colorado.

Agora, sou ex-colorado. Por quê? Porque nunca consegui ser clubista. A verdade me importa mais do que a filiação.

Sou infiel. Anarquista epistemológico.

Admiro o tradicionalismo gaúcho pelo seu caráter de agregador social. É Michel Maffesoli na veia: lógica do estar-junto, da vibração em comum, cultura do sentimento, cimento social, compartilhamento, comunhão, tribalismo, pós-modernidade.

Mas não aceito a ideologia conservadora subjacente. Como historiador, que estudou a Revolução Farroupilha como poucos, tendo debulhado 15 mil documentos e dissecado, como ninguém, a traição aos negros em Porongos, não posso negar o passado.

Não poderia o estar-junto tribal existir sem um mito fundador do passado?

Na política, vejo o Brasil atolado: PT, PMDB, PP, DEM e PSDB se equivalem. Critiquei o mensalão e, ao mesmo tempo, apontei os casuísmos do julgamento comandado por Joaquim Barbosa como a teoria do domínio de fato, que permite condenar por ilação. Quero condenações globais. Questiono: por que o mensalão tucano não é julgado? Busco coerência.

Quero os mesmos parâmetros para todos.

Critiquei o governo Tarso Genro por não pagar o piso do magistério.

Critico o governo Sartori por atrasar os salários do funcionalismo podendo não fazer isso.

Defendo os salários em dia do funcionalismo, mas sou a favor de mudanças na previdência estadual.

Todos devem ter o mesmo regime de previdência, até o teto do INSS mais aposentadoria complementar para quem quiser.

Sou a favor do aumento de impostos proposto por Sartori e da volta da CPMF desejada por Dilma.

Defendo um Estado forte, mas não me oponho à privatização de empresas estranhas ao papel do Estado.

Acho que o governo Dilma se atolou e que o PT deu os doces. O Brasil precisa refundar quase todos os seus partidos.

Até os nomes dessas siglas precisam desaparecer.

Mas até agora não vi provas que possam determinar o impeachment da presidente Dilma. Sou legalista, garantista, objetivista e desconfio do ativismo jurídico, do subjetivismo ideológico e da política que se toma por moralismo.

Abomino a corrupção petista, tucana, peemedebista, democrata, pepista e outra mais. Aplaudo as políticas sociais dos últimos anos. Em educação, foi uma revolução inclusiva. Nunca tantos pobres e não brancos tiveram tanto acesso à universidade.

Aceito todos os pontos de vista, mas não posso legitimar o uso da corrupção como mecanismo ideológico para derrubar Dilma não pelos ilícitos possíveis do seu partido, mas por ódio às políticas sociais herdadas dos governos Lula.

Derrubem Dilma pela corrupção, se houver provas da sua responsabilidade, não pelo bolsa-família, pelas cotas e pelo ProUni.

Sou múltiplo, complexo, polissêmico, plural, eclético, independente, espacial, transoceânico, o máximo.

Minimamente.
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A tropa de choque de Eduardo Cunha

Apesar de estar mais sujo do que pau de galinheiro, o lobista Eduardo Cunha, presidente da Câmara Federal, segue com a sua agenda golpista e conservadora em plena atividade. Adepto da tática de que a melhor defesa é o ataque, ele abusa do diversionismo para ofuscar a denúncia de que recebeu US$ 5 milhões em propina no esquema de corrupção da Petrobras, conforme acusação já apresentada pela midiática Operação Lava-Jato. Neste esforço de sobrevivência, ele conta com a cumplicidade de mais de 100 deputados que ajudou a eleger e com a ação de uma ativa e barulhenta tropa de choque.

Entre outras peripécias, nos últimos dias Eduardo Cunha estimulou os deputados do PSDB, DEM, SD e PPS, que anunciaram o ingresso do pedido formal de impeachment de Dilma. Conhecido por suas manobras regimentais, ele já informou que apresentará o projeto diretamente ao plenário da Câmara Federal. Desta forma, o parlamentar que chafurda na lama pretende evitar maiores constrangimentos. Além de atiçar os golpistas, Eduardo Cunha também abanou a proposta ridícula da proibição do uso de minissaias e decotes nos corredores do parlamento. Esta iniciativa foi pura pirotecnia.

Mais grave ainda foram outras duas sinalizações. Segundo Mônica Bergamo, da Folha, "o presidente da Câmara dos Deputados considera inevitável que os programas sociais sofram cortes profundos no Orçamento de 2016, em discussão no Congresso... 'Muitos programas vão ter que acabar, não tem outro jeito', disse à coluna, citando que o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, por exemplo, 'tem 2.000 programas'... 'É preciso ter arrecadação [de imposto] para sustentar tudo isso. A sociedade vai ter que decidir se quer manter esses programas'". Outro projeto que ele pretende dar celeridade é o do fim do regime de partilha no pré-sal, segundo festejou o Estadão neste semana.

Aécio Neves e seus jagunços

A desinibição de Eduardo Cunha só se justifica porque ele sabe que tem as costas quentes. Na ânsia de "derrubar" ou "sangrar" a presidenta Dilma, a oposição demotucana e a mídia venal lhe garantem total respaldo. O cambaleante Aécio Neves até ensaiou um certo distanciamento do lobista, mas logo recuou — confirmando o rótulo "arregão" dado pelos fascistas mirins. "O senador Aécio Neves enviou recados ao presidente da Câmara dos Deputados, pedindo desculpas por dizer que ele deveria deixar o cargo caso virasse réu nas investigações da Lava Jato. Ele informou que chegou a pensar em convocar entrevista coletiva para se explicar, mas depois optou por deixar o assunto morrer na imprensa", confirmou a insuspeita Folha. De fato, o escândalo "morreu na imprensa".

Além do respaldo da oposição e da mídia venal, Eduardo Cunha conta com a sua própria bancada no parlamento. Estimativas modestas apontam que ele ajudou a eleger, com a grana que garfou de várias empresas, mais de 100 deputados federais. O lobista, que obteve quase o monopólio da palavra 'Jesus' na internet, também é seguido pelos fiéis da "bancada da Bíblia". Segundo o delator Júlio Camargo, parte da propina do 'petrolão' foi paga "com transferências à Igreja Evangélica, a pedido de Eduardo Cunha". E na linha de frente destes servos, o presidente da Câmara ainda possui uma estridente tropa de choque. A lista dos seus "jagunços", elaborada pela Folha, explica a coragem do "valentão".

* * *

Os homens do presidente

Fiéis seguidores de Eduardo Cunha cuidam de projetos e fazem manobras de seu interesse

— Rodrigo Maia (DEM-RJ) - Presidiu comissão da reforma política articulada por Cunha e mudou o texto da proposta para atender aos interesses do peemedebista.

— Celso Pansera (PMDB-RJ) - Pediu à CPI da Petrobras para convocar a advogada Beatriz Catta Preta, cujo cliente acusou Cunha, e os familiares do doleiro Alberto Youssef, que também acusou Cunha.

— Paulinho da Força (SD-SP) - Pediu à CPI da Petrobras para quebrar sigilo do procurador-geral Rodrigo Janot, que investiga Cunha, e convocá-lo a depor, ainda tentou barrar sua recondução.

— Hugo Motta (PMDB-PB) - Presidente da CPI da Petrobras, evitou pautar requerimentos contra Cunha e contratou a filha do presidente da Câmara para lhe prestar serviços de comunicação política.

— André Moura (PSC-SE) - Presidente da comissão que apresentou projeto para reduzir maioridade penal; na CPI da Petrobras, pediu acareação entre Dilma Rousseff e Youssef.

Altamiro Borges
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Dilma não é Jango


Dilma não é Jango. O primeiro foi deposto pela mira de canhões por um golpe de Estado. A segunda pode ser deposta por instituições democráticas que seu poder sustenta: ações do Tribunal Superior Eleitoral e do Tribunal de Contas da União, que justificariam um pedido de impeachment ao Congresso. Tropas e tanques, dispensados.

Poder Legislativo e Judiciário, com a implosão do Executivo, a destronariam. Sua baixa popularidade é uma aliada que cria rachas por todo lado. Num infeliz (ou bem calculado) comentário, Michel Temer, vice-presidente, lembra Francis Underwood, protagonista de House of Card, que colabora para enfraquecer a presidência. 

Dilma deve saber, porque até eu sei por conversas aqui e ali com fontes bem informadas e boêmias: Temer nega a intriga, mas passou agosto visitando empresas de comunicações e federações empresariais, apresentando suas credenciais; o PSDB já prometeu a primeira valsa; o segundo escalão do TCU, o técnico, ameaça um motim caso o primeiro escalão, o político, não condene as contas de Dilma, como manda a cartilha.

Gilmar Mendes, do STF e TSE, já partiu para a grosseria ao classificar o arquivamento do pedido de investigação da campanha de Dilma, do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como “ridículo”, que “vai de infantil a pueril”. Janot voltou atrás e aceitou a denúncia.

O racha no Brasil de Jango era parte de um complô da guerra fria. A ameaça comunista, as Reformas de Base, que tocavam em pontos sensíveis do capitalismo, como reforma agrária e controle de remessa de lucros, a radicalização do discurso e motins de soldados e marinheiros uniram partidos da oposição, a Igreja, órgãos de imprensa, políticos populares e as Forças Armadas, que já tinham tentado um golpe anos antes, para impedir a posse de Juscelino.

Em pesquisa secreta do Ibope, feita na véspera do movimento militar de 1964 em três cidades paulistas de diferentes portes (São Paulo, Araraquara e Avaí), encomendada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo, diferentemente de Dilma, Jango tinha apoio popular: 45% consideravam seu governo ótimo ou bom, 24% regular, e 16% mau ou péssimo.

Noutra pesquisa de eleitores de oito capitais, feita em março de 64 pelo Ibope e também engavetada, descoberta recentemente em arquivo da Unicamp, 49,8% admitiam votar em Jango se ele pudesse se candidatar à reeleição, o que não era permitido pela Constituição em vigor.

Márcia Cavallari, diretora do Ibope, disse que os critérios aplicados na pesquisa da década de 60 são semelhantes às recentes, como a encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) e divulgada em julho, que apontou que a avaliação do governo Dilma é de apenas 9% como ótimo ou bom, 21% regular, e 68% ruim ou péssimo. 

Se Jango tinha 45% de aprovação, Dilma tem 9%. Mas a inflação de Jango era aterrorizante: chegou a 23% no primeiro trimestre de 1963, e a variação em 12 meses acelerou de 45,6% em dezembro de 1962 para 69,9% em março de 1963. 

A crise política e com o mercado externo e FMI detonou o Plano Trienal de Jango. A inflação fechou em 1963 encostando em 80%, bem pior que a de Dilma. Mas a taxa de crescimento do PIB era um pouco melhor: caiu de 6,6% em 1962 para 0,6% em 1963.

Jango e seu PTB foram depostos em horas, com o racha de base aliada, o PSD. Dilma e o PT vêm a base aliada rachar, mas sem a ameaça de intervenção militar e a menor possibilidade de um golpe de Estado, já que as instituições democráticas estão preservadas, oposição envolvida nos mesmos escândalos de corrupção, que provam a falência do sistema partidário e das regras políticas em vigor.

Um paradoxo interessante explica o Golpe de 1964. A popularidade de Jango teria sido decisiva para a sua deposição pela força, já que as frentes políticas adversárias não se sentiam encorajadas: em outra pesquisa engavetada pelo Ibope, 59% dos entrevistados eram a favor das medidas anunciadas em 13 de março de 64 no comício da Central do Brasil por Jango, as que desencadearam o golpe. 

Porém, os movimentos sociais pouco fizeram para impedir o desmantelamento do governo. Uma Greve Geral convocada pelas Centrais Sindicais e pela UNE em 1.º de abril atrapalhou mais do que ajudou. Tropas marcharam sem encontrar resistência, o que surpreendeu o próprio governo deposto.

É impensável calcular como os movimentos sociais ligados ao PT e partidos de esquerda, movimentos sindicais, CUT, sem-teto e sem-terra, mercado externo, acionistas, EUA, FMI, ONU, OEA, Mercosul reagiriam no caso de um impeachment, sintoma da instabilidade da República brasileira, que raramente vê um presidente cumprir o prazo designado pelo voto.

Deodoro da Fonseca ficou dois anos e foi forçado a renunciar na Revolta da Armada, depois de destituir o Legislativo. Floriano e Afonso Pena, que morreu antes de completar o mandato, ficaram só três anos. Rodrigo Alves, como Tancredo Neves, morreu antes de tomar posse. 

Washington Luís foi deposto pela Revolução de 1930, e seu sucessor eleito, Júlio Prestes, não tomou posse. Dutra ficou cinco anos, como Sarney. Getúlio entrou para a história e deu um tiro no peito. Café Filho foi afastado por motivo de saúde e ficou um ano. Carlos Luz, seu sucessor, foi deposto, e JK assumiu antes. 

Jânio Quadros viu forças ocultas e renunciou dois anos depois de ter sido eleito. Jango foi deposto, Collor, impeachado. FHC era para ficar quatro anos, ficou oito. E Dilma... 

Cumpre a sina da maldição presidencial do nosso doente processo representativo. E já tentamos de tudo: mandato de quatro anos, de cinco, de quatro com reeleição, vice eleito de outra chapa, junta militar provisória, parlamentarismo (em dois plebiscitos rejeitados), até monarquia, ironicamente, o governo mais estável da nossa história.

Muita gente festejará a queda de Dilma, como uma vitória da democracia. Mas deveria lamentar o nosso fracasso de projeto republicano.

Marcelo Rubens Paiva
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Ódio? Sim, de classe

O governo cede às pressões da casa-grande e aceita o naufrágio dos avanços sociais que ele próprio promoveu nos últimos 12 anos

Tudo como dantes, a situação de hoje prova que o Brasil não muda
A crise econômica oferece à casa-grande a oportunidade de impor sua vontade, favorecida pela leniência de quem haveria de resistir. E está claro que, antes de econômica, a questão é política e social, e diz respeito à estrutura medieval da sociedade nativa. Sofre de miopia quem supõe, do ponto de vista político, que tudo se resuma na disputa do poder entre PT e PSDB, acirrada por níveis de ódio nunca dantes navegados, enquanto PMDB ora assiste de camarote, ora joga lenha na fogueira. Que o diga o vice Temer ao vaticinar impávido que Dilma, de tão impopular, não resiste até o fim do mandato.

Quem não precisa de oculista, percebe, isto sim, que o País é sempre o mesmo e que a situação propicia à casa-grande a oportunidade da revanche depois de 12 anos de batalhas perdidas. O ódio, aquecido pela chance, é o de classe. Ou seja, o de sempre. Na moldura, a chantagem evidente. Dilma fica, vinga, porém, o receituário neoliberal, e o sofrimento da senzala, minorado ao longo de três mandatos petistas, volta a ser aquele que lhe cabe na visão dos senhores.

Programas implementados por Lula, e por Dilma no seu primeiro mandato, responsáveis pela evolução das classes menos favorecidas, ou melhor, miseráveis, são atacados de rijo, a ponto de questionar, paradoxalmente, a razão de ser de um partido dito dos trabalhadores, a se apresentar na origem como de esquerda. Tentativas de escapar ao retorno, do passado, são frustradas no nascedouro, tanto mais agora que uma das agências de rating escaladas pelo neoliberalismo para arbitrar a sorte do mundo sentencia o Brasil como mau pagador.

Penso no fracasso da proposta de reeditar a CPMF, recomendável de todos os pontos de vista e de seguro efeito. Por que soçobrou muito antes de alcançar a praia? Porque mexe com os interesses do privilégio, por menores que sejam, mínimos para o pessoal graúdo. Em compensação, qualquer corte na Educação, ou na Previdência Social, é recebida com indiferença absoluta pelos usuários do cheque.

Como de hábito, paga a maioria, em um país que alega ser democrático e onde a civilização é confundida com o luxo provinciano e espalhafatoso dos bairros ditos nobres, embora despidos de qualquer nobreza em proveito do exibicionismo vulgar. A situação empurra o praticante do jornalismo honesto a duas conclusões.

A primeira diz respeito ao governo. Da Nação ou da minoria? Ou simplesmente desarmado, acuado pela pressão e incapaz de reação? Ou inadequado à gravidade do momento? Ou súcubo da prepotência da casa-grande? CartaCapital sempre defenderá o legítimo, intocável mandato de Dilma Rousseff contra o golpismo que nem me abalo a definir como reacionário, pois anterior à ideia de reação, bem mais moderna, digamos assim.

No princípio, no nosso miúdo universo, não era o verbo, e sim coabitavam o hábito da prepotência e o hábito da submissão. Para romper com esta turva realidade, resistente até hoje, são indispensáveis ousadia intelectual e desassombro moral. Por exemplo, para levar adiante, tenazmente, a proposta do retorno à CPMF, de mais e mais sacrifício tão pequeno para quem pode contribuir à saída da crise.

O desastre ocorre se também um governo eleito dentro da lei entrega-se ao hábito da submissão. Murmuram sinistramente os meus botões: falta é peito, e também coerência. Por parte do governo, que faz genuflexão aos pés do altar do deus mercado, assim como do PT, ameaçado literalmente de extinção.

Governo e partido parecem incapacitados para a aposta certa, no próprio povo brasileiro, esse bem tão importante quanto as dádivas da natureza. Povo espezinhado, mantido o quanto for possível na senzala material e moral. Se porções da população subitamente conseguem evadir-se, que sejam reconduzidas às condições iniciais como o escravo fugido. Trata-se agora de reduzir os percalços de uns poucos para dilatar o sofrimento de muitos.

A segunda conclusão decorre da primeira, e não leva em conta o confronto entre PSDB e PT, ambos traidores, a seu modo, dos princípios e valores que diziam defender. Cabe dividir os brasileiros, não direi em duas classes, e sim em duas categorias. De um lado, aqueles que só cogitam da felicidade própria e dos seus pares, fechados no mundo do privilégio. Do outro, aqueles que se percebem responsáveis pelo destino do País e da Nação, e enxergam sua terra como sua casa e como iguais os conterrâneos, próximos ou distantes.

Mino Carta
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Delegado da PF do zé foi exonerado!

E quer prender o Lula!


O Conversa Afiada publica informação de Stanley Burburinho

Delegado da PF que pediu para Lula depor na Lava Jato foi exonerado de cargo de chefia em 08/2013, pelo atual diretor-geral da PF


O delegado da Polícia Federal, Joselio Azevedo de Sousa, que pediu ao STF que autorize Lula depor na Lava Jato, mesmo sem ter provas contra ele, conforme diz o próprio delegado no seu pedido, foi exonerado de cargo de chefia em 08/2013, pelo atual Diretor-Geral da Polícia Federal, Leandro Daiello. Veja na imagem abaixo o trecho do Diário Oficial da União falando sobre a exoneração. Para conferir, coloquei o link:

http://www.jusbrasil.com.br/diarios/57612195/dou-secao-2-09-08-2013-pg-47
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Volume Vivo


“A negação da crise” é o primeiro episódio da websérie Volume Vivo.

Com imagens de noticiários televisivos, depoimentos de especialistas e de quem já convive com o racionamento “não oficial” de água narra a resistência do governo paulista em admitir a gravidade da crise hídrica e a falta de transparência ao não informar a população sobre as consequências dos baixos níveis do reservatório Cantareira, responsável pelo fornecimento de água a 49% da população da Grande São Paulo.

A websérie é parte de um projeto homônimo de pesquisa audiovisual que tem por objetivo chamar a atenção para a necessidade de descentralizar a gestão da água e mostrar a importância da participação da sociedade civil na busca de soluções para o problema.

No total serão produzidos quatro episódios com duração de 15 a 25 minutos cada um. Tais vídeos serão produzidos até o final de 2015, acompanhando o desenrolar da crise. Sempre que um episódio for concluído será disponibilizado, gratuitamente, por meio do website do Volume Vivo.

Equipe

Direção – Caio Ferraz
Roteiro – Caio Ferraz e Diego Lajst
Colaboração de Direção – Diego Lajst
Câmera – Andrei Moyssiadis, Caio Ferraz, Diego Lajst, Luiz Romero, Paulo Plá, Renato Helena, Rogério Nunes, Tomas Vianna.
Som Direto – Diego Lajst, Luiz Romero, Paulo Plá
Edição – Fred Siviero
Ass. Edição – Renato Helena
Mixagem - Andrei Moyssiadis
Pesquisa – Caio Ferraz, Diego Lajst, Fernanda Sindlinger, Luiz Miller
Produção Executiva – Caio Ferraz, Fernanda Sindlinger
Produção – Caio Ferraz, Diego Lajst, Fernanda Sindlinger, Luiz Miller
Animações – Aline Marques e Rogério Nunes
Assessoria de Comunicação – Ana Rosa Colhado
Locução – Luciana Oliveira

Imagens Adicionais – Galeria Experiência,Rodolfo Figueiredo (Ecofalante), Carolina Garcia e Vitor Sorano (Portal IG)
Imagens Aéreas – Guilherme Barbosa (Caraca Imagens)

Entrevistados
Antônio Carlos Zuffo
Carlos Thadeu C. de Oliveira
Francisco Lahoz
José Borges
Marússia Whately
Natália Viana

Patrocinio
Bem-Ti-Vi Diversidade
SOS Mata Atlântica
WRI Brasil
SPAVENTURA Ecolodge
BANANAL Ecolodge

Apoio
Colégio São Luis
Aliança pela Água
Escola VIVA
Sibite


Áudio Adicional
Revista Fórum – Áudio Sabesp – Dilma
https://soundcloud.com/revistaforum/a...

Musicas

Rumbo Reverso – Palinkas
Rumbo Reverso – Urso 73
Gugge Kristofferson - Upright
Gugge Kristofferson – We are one
Severed Personality – Abstract Anxiety
Heinali – Melt
Desert Sun – JP
Sakra Buraja – Vali Wasn’t Afraid of Cages





A Água de Dentro, segundo episódio da web-série Volume Vivo expõe as possíveis consequências de uma gestão de recursos hídricos que tem como lógica buscar água cada vez mais longe ao mesmo tempo que negligencia as fontes de água próximas. Essa dinâmica, perpetuada desde o início da urbanização, leva São Paulo a recorrer a fontes de água em bacias hidrográficas vizinhas, ignorando os conflitos gerados pelas transposições, enquanto os rios e represas de sua própria bacia sofrem com a poluição.

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