10 de set de 2015

Globo dá uma rasteira no leitor

Globo alterou legenda da foto com o sr. sírio que foi derrubado por cinegrafista húngara

1 — Observe a legenda na primeira foto que a Globo publicou dizendo que o sr. sírio carregando uma criança no colo, "tropeçou na perna da cinegrafista húngara"


2 — Observe a legenda da segunda foto que a Globo alterou às 14h19m

08/09/2015 18h34 - Atualizado em 10/09/2015 14h19

legenda dois.png
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/video-mostra-reporter-hungara-chutando-e-dando-rasteira-em-refugiados.html

Stanley Burburinho
No CAf
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A Mula e os Vermes

http://www.maurosantayana.com/2015/09/a-mula-e-os-vermes.html


O reerguimento despudorado da extrema direita em todo o mundo, como reação tardia à descolonização da África e da Ásia, à vitória de regimes nacionalistas e de esquerda na América Latina, à resistência de países como a Rússia contra o cerco ocidental, e ao fortalecimento dos BRICS, que estão criando um banco internacional de fomento que reúne alguns dos principais credores dos EUA e um fundo de reservas no valor de 100 bilhões de dólares, tem sido pródigo em cenas dantescas e episódios emblemáticos, que poucos imaginariam possíveis, em sua sordidez e brutalidade, neste primeiro quarto do século XXI.

Na Alemanha, dois neonazistas invadem uma cabine de trem, e, aos gritos de Heil Hitler!, depois de fazer a saudação nazista, urinam sobre uma imigrante e suas duas crianças pequenas.

Na Suécia, um imigrante romeno, cigano e sem teto, é atacado com ácido no rosto, enquanto dormia em um parque de Estocolmo.

Na Ucrânia e em vários países do leste do Velho Continente, os ciganos se encontram acossados, em seus próprios bairros, que tem sido invadidos por milícias racistas e fascistas.

Na França e em outras nações, judeus de classe média, profissionais liberais, artistas e empresários, fazem fila para emigrar para Israel, assustados com o recrudescimento de um virulento antissemitismo, por parte daqueles que também sempre atacaram árabes, negros e outras minorias.

As ameaças de neonazistas ao Papa Francisco, às vésperas de sua viagem aos Estados Unidos, e as cenas de uma cinegrafista, de emissora ligada ao partido de extrema direta Jobbik, dando coices, como uma mula ensandecida, em crianças de menos de dez anos, e derrubando com rasteiras pais desesperados, carregados de bebês, que tentavam escapar das agressões da polícia na fronteira da Hungria, sob aplausos, na internet, dos mesmos brasileiros — "Se alguém com coragem tivesse feito isso nos paus de arara que chegavam em SPO (sic), hoje a cidade seria mais bonita e melhor pra se viver. Congratulations pra mocinha!" — que defendem também a ditadura, a tortura e assassinato por agentes do Estado, como no caso da chacina de Osasco, não são mais do que diferentes ângulos de um novo despertar: o do Fascismo, que emerge, por todos os lados, como uma praga de vermes, favorecida por um mundo dominado, ainda, em sua maior parte, por um sistema baseado no egoísmo, no preconceito, na hipocrisia.

Um sistema que, no entanto, se sente cada vez mais pressionado, e que é responsável pelas consequências e contradições que ele mesmo estabeleceu, ao longo dos últimos 500 anos, ao permitir organizar-se e crescer, e continuar se expandido, com base na mais impiedosa exploração de países por outros países, de povos por outros povos, de homens por outros homens, indefinidamente.

Toda vez que o Capitalismo se sente ameaçado — já lembramos isso outras vezes aqui — ele abre a porta do canil e sai para passear com o Fascismo.

É preciso esmagar os vermes quando os ovos eclodem, para não ter que decepar, depois, uma a uma, as cabeças de seus exércitos de serpentes, como ocorreu na Primeira e na Segunda grandes guerras, ao custo de milhões de vítimas, civis e militares, nos campos de concentração e de extermínio, e também nos campos de batalha.
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Qual a real importância do grau de investimento?

Para a imprensa, importância bem relativa
Qual a importância do grau de investimento, uma classificação que alegadamente norteia decisões de investidores estrangeiros?

Para a imprensa, depende.

Em 2008, no segundo governo Lula, o Brasil ganhou o grau de investimento da agência S&P, algo que não acontecera nos oito anos de FHC, aliás.

A imprensa tratou o assunto com frieza glacial. Não houve rojões, não houve elogios, não houve nada.

A Folha disse que a elevação do Brasil vinha num “momento de descrédito” para as agências.

Agora, sete anos depois, quando o Brasil volta um degrau na escala da S&P, o grau de investimento vira a coisa mais importante do universo.

Manchetes tétricas, artigos fúnebres de comentaristas patronais, vaticínios apocalípticos de políticos de oposição — tudo isso domina o noticiário.

Como explicar a dupla maneira de ver a mesma coisa, essa esquizofrenia jornalística?

A Folha em 2008 desqualificou o grau de investimento
A Folha em 2008 desqualificou o grau de investimento
É o seguinte. Em 2008, o grau de investimento era virtualmente irrelevante para a mídia porque a conquista poderia ser vista como positiva não apenas para o Brasil — mas para Lula, o presidente.

Agora, o grau de investimento é importantíssimo porque funciona como mais uma arma contra Dilma.

Tente achar, em 2008, comentários de jornalistas econômicos e políticos das grandes empresas de mídia.

Míriam Leitão, Sardenberg, Merval e por aí vai. Nada.

Pesquisa a Veja de 2008 para ver como foi tratada a matéria.

Pois agora, se tiver disposição para isso, veja o que todos eles estão falando sobre o assunto.

Tragamos para a linguagem do futebol.

Seu time ganha um título. Esse título é desprezado como nada.

Agora: seu time perde o título. Aí o título, na visão dos adversários e inimigos, vale ouro.

A imprensa atua exatamente assim: como torcedora.

Por isso, e não só por isso, não merece ser levada a sério.

Suponhamos que Aécio tivesse sido eleito presidente no ano passado. A perda  do grau de investimento sob Aécio seria tratada como se fosse uma coisa banal, uma derrota num campeonato longo em que o time ocupa uma posição muito boa.

O grau de investimento é uma coisa boa de ter, naturalmente. Mas recuar um passo na escala de uma das agências de classificação, como aconteceu agora com a S&P, está longe de ser o fim do mundo. As coisas não são estáticas. Um país, assim como uma empresa, alterna ciclos.

De resto, é um movimento entre as agências de classificação.

Outra grande agência, a Moody’s, anunciou que manterá a nota do Brasil a não ser que ocorra uma catástrofe, o que é uma possibilidade extremamente remota.

O mais relevante, em todo o episódio, é a exploração política cínica que vem sendo feita pela mídia.

Eu falei há pouco que a cobertura teria um tom bem diferente se a mesma coisa ocorresse sob Aécio.

Pois acrescento outra hipótese.

Caso o retorno do Brasil ao grau de investimento se dê numa administração petista, será recebido com a mesma frieza registrada em 2008.

É claro que se for sob um amigo da mídia, como Aécio, a festa durará dias, numa espécie de Carnaval político e financeiro do mais baixo nível.

E assim caminha a mídia brasileira: não joga luz onde existem sombras, como é o primeiro mandamento do bom jornalismo.

Onde já existe sombra, joga ainda mais sombra.

Paulo Nogueira
No DCM
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Empresa favorece prima de Aécio

Documentos divulgados no twitter comprovam que Tânia Campos, a prima de Aécio, mora em mansão doada por empresa.

A “Casa de Pedra”, em BH, foi onde teria sido entregue propina ao protegido de Aécio, o senador tucano Anastasia.

Para que você conheça mais detalhes acerca desta mansão, sugerimos a leitura da matéria realizada pelo jornalista Joaquim de Carvalho do Diário do Centro do Mundo, clique aqui.

A mansão da prima é doação dcts

No Megacidadania
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E agora, José?

José Serra! Você começou tão bem! Muito jovem, foi presidente da UNE. Logo após o golpe militar de 1964, corajosamente conclamou a população, pela Radio Nacional, a se rebelar contra os golpistas. Refugiou-se no Chile, onde consta ter se graduado e obtido o grau de mestre em Economia. Estava lá durante o breve período de Allende no poder. Saiu do Chile, com o golpe de Pinochet, e migrou para os Estados Unidos. Consta ter conseguido na universidade de Cornell um doutoramento em Economia.

A ida para esta universidade não pode ser considerada seu ponto de inflexão. Ela poderia ser a melhor opção, à época, para determinada linha de estudo que desejava. Contudo, é estranho os Estados Unidos terem dado um visto de entrada a alguém possuidor de uma ficha provavelmente extensa no seu órgão de inteligência.

Voltando ao Brasil, teve uma carreira meteórica, que sua inteligência permitiu e, talvez, grupos econômicos tinham interesse. Trabalhou na Unicamp. Foi secretário de Planejamento do governo Montoro. Foi deputado federal durante a Assembleia Nacional que redigiu a Constituição de 1988, quando já se podia notar sua opção pelo liberalismo econômico.

Conseguiu reeleger-se em 1990. Foi um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Foi ministro de Estado de Planejamento e da Saúde do governo neoliberal de FHC. Existe uma declaração gravada do ex-presidente Fernando Henrique dizendo que “o Serra foi quem mais batalhou pela privatização da Vale do Rio Doce e da Light”. Foi prefeito da cidade de São Paulo e governador do estado de São Paulo. Elegeu-se senador por São Paulo em 2014. Mesmo tendo sido descrita de forma sumária, trata-se de uma trajetória política respeitável.

Além da sua visão neoliberal, não vê diferença entre o capital internacional e aquele genuinamente nacional no que tange a um real desenvolvimento econômico do país. Por ter discurso dissimulador, às vezes, algumas pessoas creem se tratar de um nacionalista. Um exemplo da sua arte da dissimulação foi dado no debate atual sobre seu projeto de lei 131, quando disse querer somente “tirar um ônus da Petrobras por não ter que participar de todos os consórcios com, no mínimo, 30% de participação”, sem dizer que seu projeto significa a retirada de valiosos campos de petróleo da mesma. Ele não vê relevância na defesa da soberania para o desenvolvimento de um país. Por tudo isso, ele pode ser classificado como um entreguista.

No entanto, José Serra está representando o papel que escolheu para ter durante a sua vida e não poderá nunca ser sensibilizado. Ele está cercado por grupos econômicos com recursos, inclusive as petroleiras estrangeiras, os quais ele representa no Senado. Pelas conversas de José Serra com representantes destas petroleiras, vazadas pelo WikiLeaks, é grande o seu grau de comprometimento com elas. Por mais que o senador garanta que os diálogos do WikiLeaks não são verdadeiros e não se possa comprovar sua veracidade, é impossível não reconhecer que são histórias plausíveis de terem acontecido. Além de que, como o conjunto das histórias é imenso e cobre diversas áreas, é impossível só um homem tê-las inventado.

Mas eu me preocupo, neste momento, com o xará do senador, José da Silva, o brasileiro comum. Com a compreensão dos acontecimentos distorcida por uma mídia criminosa e cruel, este último José pode inocentemente achar que o péssimo é bom. Dessa forma, o socialmente reprovável projeto 131 do outro José pode vir a ser aprovado. Muitos analistas, inclusive a minha pessoa, já escreveram artigos mostrando a não atratividade social deste projeto, por isso os argumentos não são aqui repetidos. Uma mídia convencional honesta faz grande falta, assim como uma população politizada e, consequentemente, com melhor compreensão dos interesses do capital e de nações.

Em um exercício de abstração, gostaria de ver o José Serra como congressista na Noruega, propondo ao povo norueguês que seu petróleo do Mar do Norte fosse explorado da mesma maneira que ele prega que o nosso Pré-Sal seja explorado. Ele iria dizer também que só propõe “retirar o ônus da Statoil (a estatal de petróleo daquele país)”. Esta estatal recebe áreas diretamente do governo norueguês. A grande diferença é que o José Serra de lá quase não seria chamado para palestras e, nas poucas que fosse, poucas palmas seriam ouvidas. Seu netinho chegaria da escola triste, reclamando que os coleguinhas disseram que, na casa deles, seu vovô era chamado de entreguista do petróleo nacional. E o netinho chorava. Possivelmente, o José Serra nórdico não teria coragem para apresentar o projeto.

No Brasil, a mídia do capital blinda o debate. O José da Silva não sabe da existência do projeto 131. Assim, os congressistas brasileiros estão livres para votar neste projeto do jeito que seus patrões querem, porque, qualquer que seja seu voto, poucas pessoas na sociedade irão saber, apesar da população toda, no futuro, vir a sofrer com as consequências. É claro que os patrões destes políticos são exatamente seus financiadores de campanhas.

Para não termos que dizer no futuro, como Drummond nos lembra na sua poesia “José”, que “a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu e a noite esfriou”. Para não sermos obrigados a reconhecer que José “está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou”. Para não dizer nada disso, resta aos conscientes deste drama que se multipliquem e lutem com todas as forças, e ainda um pouco mais, para explicar aos José da Silva que os estão enganando, e eles precisam reagir e não esconder a sua indignação. Implícito está que mesmo os políticos eleitos graças ao capital respeitam a opinião pública, mais até que o diabo respeita a cruz.

Assim, os conscientes precisam buscar furar a blindagem construída pelo capital e, para isto, vale tudo. Vale usar a mídia alternativa, a mídia eletrônica, promover debates, palestras, assembleias, passeatas, comícios, quermesses, pagodes e greves. Até usar o Pão de Açúcar como um gigantesco outdoor. Trata-se de uma guerrilha da comunicação. Os hoje inconscientes, no futuro, lhes agradecerão. E quanto à última pergunta de Drummond na poesia: “José, para onde?”, que se possa responder: “Sem o projeto de lei do José Serra, para um futuro melhor!

Paulo Metri
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Depois de 17 meses, finalmente Gilmar devolve



O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para a próxima quarta-feira (16) a retomada do julgamento sobre a permissão para doações eleitorais por parte de empresas. A data foi marcada após o ministro Gilmar Mendes liberar, nesta quarta-feira (10), seu voto, permitindo que o caso seja retomado pelo plenário.

A decisão da Corte foi interrompida no ano passado, quando Gilmar Mendes pediu vista do processo para analisar melhor o tema. O presidente do Supremo, ministro Ricardo Lewandowski, decidiu que o caso será o primeiro processo a ser julgado após a análise de uma ação que pode descriminalizar o uso de drogas, em discussão na sessão desta quinta.

A ação judicial proposta pela OAB sobre a doação eleitoral por empresas começou a ser julgada pelo STF em março do ano passado. Quando o julgamento estava em 6 a 1 pelo fim das doações, Gilmar Mendes pediu vista e a sessão foi suspensa. Com isso, ele passou 1 ano e cinco meses com o processo em mãos.

Em diversas manifestações, Gilmar Mendes afirmou que o assunto deveria ser analisado primeiramente pelo Legislativo. A liberação de seu voto ocorre um dia após a Câmara dos Deputados aprovar a permissão para que empresas doem a partidos políticos, porém não mais a candidatos, como ocorre atualmente. No Senado, a doação por empresas havia sido proibida, mas, na Câmara, os deputados decidiram alterar o texto para liberar esse tipo de financiamento.

Dos 11 ministros do Supremo, já se manifestaram contra as doações por empresas Luiz Fux, Joaquim Barbosa, Dias Tofffoli e Luís Roberto Barroso, que votaram em dezembro de 2013, e Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski, que proferiram voto em abril do ano passado. Até o fim do julgamento, os ministros ainda poderão mudar o voto.

O ministro Teori Zavascki foi o único que votou contra a proibição do financiamento empresarial.
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PMDB faz churrasco com Brasília pegando fogo

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/09/10/pmdb-faz-churrasco-com-brasilia-pegando-fogo/

Coração de galinha, asinha de frango, costelinha de porco, picanha, contrafilé, feijão-tropeiro, arroz e salada, abacaxi e queijo com goiabada de sobremesa. Estava bem sortido o menu do "churrasco de solidariedade" oferecido a Eduardo Cunha, no almoço de quarta-feira, pela bancada do PMDB na Câmara.

Denunciado na Operação Lava Jato por suposto recebimento de US$ 5 milhões em propina no esquema do petrolão, o presidente da Câmara deu ao governo mais uma demonstração de força no seu papel de comandante em chefe das tropas de oposição.

São tantos os acontecimentos que se sucedem e sobrepõem, um atrás do outro, sem parar, numa Brasília em chamas, que o alegre regabofe do principal partido aliado quase passa despercebido, no mesmo dia em que a agência de risco Standard & Poor´s rebaixou a nossa nota de crédito e tirou do Brasil o selo de bom pagador da dívida.

Pouco antes do anúncio de mais esta notícia negativa para a economia, ao sair do almoço Eduardo Cunha ainda tripudiou sobre as dificuldades enfrentadas pelo governo. "É uma tragédia de desgaste. O governo está se autodestruindo. É um Maquiavel ao contrário, em que estão fazendo o mal aos poucos e, o que é pior, sem concretizá-lo. Você ameaça o mal. Isto é de uma falta de inteligência inominável", comentou, ao ser perguntado sobre possível aumento de impostos para conter o déficit orçamentário.

À noite, enquanto o Palácio do Planalto discutia o que fazer diante da perda do grau de investimento do país, Cunha teve outro motivo para brindar: por 285 a 180 votos, a Câmara derrubou o veto do Senado ao financiamento empresarial de campanhas, deixando tudo como está.

O clima animado do churrasco e a votação comemorada na Câmara demonstraram o grau de preocupação do partido do vice Michel Temer com a crise que assola o país. No Senado, também havia motivos para festejar: todas as excelências receberam carros oficiais novinhos em folha. A cada dia, Brasília fica mais distante do Brasil real. São dois mundos paralelos que não se encontram e simplesmente se ignoram. Até quando?
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Precipício à vista, mas governo e oposição seguem no... Tom e Jerry


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A credibilidade da Standard & Poor’s para rebaixar Brasil




Com a credibilidade abalada por seu papel desastroso durante a crise financeira internacional iniciada em setembro de 2008, a Standard & Poor’s divulgou relatório nesta quarta-feira (9) rebaixando a nota de crédito de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil de “BBB-” para “BB+”.

Após condenação judicial anunciada em fevereiro deste ano, a S&P terá de pagar multa de US$ 1,37 bilhão às autoridades americanas por haver enganado investidores sobre a qualidade dos créditos imobiliários “subprimes”, especialmente do banco Lehman Brothers, cuja falência deu início à crise financeira que teve como epicentro a economia dos EUA.

Segundo o deputado Enio Verri (PT-PR), a Standard & Poor’s, ao reclassificar o Brasil, assumiu uma postura precipitada e equivocada na avaliação que fez acerca do nosso cenário econômico, repetindo a mesma conduta enganosa durante a crise financeira internacional que lhe custou pagar multa bilionária.

“Quando uma agência faz uma análise desse tipo, ela tem que considerar também o cenário futuro a partir das medidas que estão sendo adotadas no momento atual. Embora os números não sejam favoráveis agora, o governo está tomando as atitudes para fazer o enfrentamento. E isso não foi considerado”, detalhou o deputado, que é professor licenciado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá.

“O próprio relatório da agência deixa claro que os motivos do rebaixamento são eminentemente políticos”, acrescentou Verri.

O deputado Ságuas Moraes (PT-MT), um dos vice-líderes da bancada petista, também reforçou o argumento segundo o qual o grave erro cometido pela agência em 2008 compromete sua credibilidade para rebaixar a nota do Brasil. “Essa avaliação não pode servir como parâmetro e como palavra final e decisiva acerca dos efeitos da crise no País. Estamos num processo de crise mundial e os indicadores mostram que ela atingiu bem menos o Brasil que outros países mundo afora. É, de fato, mais um equívoco da agência”, rebateu Ságuas.

“O Brasil tem a 7ª maior reserva cambial do mundo, é credor do FMI, fundador do banco dos BRICS e o 5º maior destino de Investimento Estrangeiro Direto do mundo. Nada disso é levado em conta para essa avaliação?”, completou o vice-líder petista.

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A entrevista de Joaquim Levy


Após a agência de classificação de risco Standard & Poors anunciar a perda do grau de investimento para a economia brasileira, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, garantiu que "o governo vai, deve cortar gastos, sim. Mais do que já cortou em alguns casos".

"Existe um problema difícil, que é um programa que só vai ser vencido se as pessoas olharem com responsabilidade. A gente tem dado um diagnóstico transparente, verdadeiro e agora as pessoas têm que tomar essas responsabilidades em todos os níveis. O governo vai, deve cortar gastos, sim. Mais do que já cortou em outros casos. E com gestão, ferramentas inteligentes. E, se precisar, a gente tem que ter disposição de também fazer um sacrifício para todo mundo poder voltar a ter a economia crescendo", disse Levy, em entrevista a William Waack e Christiane Pelajo, no Jornal da Globo.

Levy ainda reafirmou a necessidade de garantir o esforço fiscal para o Orçamento de 2016: "Nós queremos equilíbrio fiscal. A gente quer atingir a meta que é necessária para trazer tranquilidade para a economia brasileira", comentou.

"O mundo mudou, tinha mais tantas coisas que dava para fazer na época e que a gente fez, não dá mais para fazer assim se a gente quer crescer. E aí a gente vai ter que fazer essas escolhas. Qual vai ser exatamente o imposto, quanto vai ser, qual vai ser exatamente o corte, a gente vai conversar, foi isso o que Congresso pediu para a gente, e depois, eu acho que nas próximas semanas, o governo vai ter que fazer isso com muita clareza. Agora, todo mundo vai ter que estar envolvido nisso e é um desafio para cada um de nós", reforçou.

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Sobrinho de Nardes era ponte entre RBS e principal acusado da Zelotes

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A Carta Capital publicou esta semana uma reportagem em que menciona a suspeita do envolvimento do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, nos esquemas ultra-bilionários de sonegação de impostos desbaratados pela operação Zelotes.

Augusto Nardes é um dos que vem tentando usar o seu cargo no TCU para derrubar Dilma.

É ele no TCU e Gilmar Mendes no TSE.

Ambos se tornaram estrelas da mídia golpista, os novos "paladinos da ética", apesar de terem um histórico mais sujo do que pau de galinheiro.

Antes mesmo do governo se defender, antes do julgamento, Nardes apareceu na mídia falando que "vai condenar", ajudando a produzir o clima de linchamento, pré-condenação e contribuindo para a instabilidade política no país e, portanto, fazendo descaradamente o jogo da oposição.

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Pois bem, uma das empresas mais envolvidas na Zelotes é a RBS, a mídia gaúcha sócia da Rede Globo.

O Cafezinho teve acesso a documentos sigilosos (sim, não é só a mídia que tem não. O Cafezinho também tem, de vez em quando) que mostram o seguinte.

A operação Zelotes descobriu quem era o advogado que fazia a intermediação entre a RBS sonegadora e o escritório de José Ricardo Silva, auditor aposentado da Receita Federal e, segundo a PF, um dos principais mentores do bilionário esquema de ladroagem fiscal.

Quem era o advogado?

Era Juliano Nardes, sobrinho de Augusto Nardes, o presidente do TCU.

Fechem as cortinas.

(Essa é a turma que quer derrubar Dilma?)

Miguel do Rosário
No Cafezinho
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A maioria evangaylica


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Fronteiras reais

As fronteiras reais desrespeitam fronteiras cartográficas e geopolíticas e serpenteiam pelo mundo, dividindo povos e classes. Para cruzar uma fronteira real, não é preciso passaporte ou qualquer outra formalidade. Com um passo, você atravessa uma fronteira econômica, às vezes sem nem se dar conta. Num país como o Brasil, para usar um triste exemplo, pode-se sair de um mundo e entrar em outro ao dobrar uma esquina. Botswana aqui, Miami logo ali.

Essa crise dos refugiados do Terceiro e Quarto Mundo que invadem a Europa e desafiam os bons sentimentos e a hipocrisia de todos é uma estranha questão de fronteira, em que a diplomacia não tem o que fazer. A diplomacia trata do convívio civilizado entre nações, o que inclui respeito às fronteiras. Na fronteira real entre miseráveis desesperados, que arriscam a vida para melhorar de vida, e os países ricos, as regras e convenções da diplomacia são irrelevantes como qualquer outra forma de afetação social.

A fronteira real entre desiguais no Mediterrâneo é a mesma que vemos da nossa janela. A desigualdade como fator principal da perpetuação da miséria não é um foco recente da analise econômica, mas ganhou força com a súbita notoriedade do economista francês Thomas Piketty, um especialista no assunto que demoliu a tese dos neoliberais de que basta soltar as rédeas do mercado para tudo dar certo, ou pelo menos o que eles chamam de certo. Os refugiados que nasceram do lado errado da fronteira real têm o recurso da fuga para a Europa, mesmo dependendo de atravessadores escrupulosos, boas condições atmosféricas e o bom coração dos europeus. Quem nasce no lado errado da fronteira real que divide desiguais no Brasil só pode esperar que a politica convencional seja a saída — um dia. Até ser destruído, pela reação e por ele mesmo, o PT parecia ser um caminho. Não era. Poucos conseguem cruzar a fronteira real brasileira. Quando o fazem, é por distração.

No resto do mundo, as fronteiras reais são mais ou menos nítidas. Até nos Estados Unidos, modelo dos frutos do capitalismo sem rédeas, há desigualdade crescente e bolsões de miséria. A maioria dos refugiados que conseguirem chegar à Europa terá sobrevivido, mas não necessariamente cruzado a fronteira real no país que a receber. Enfim, é desanimador. E ainda por cima, o Internacional em má fase...

Luís Fernando Veríssimo
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As almas gêmeas de Petra Laszlo na mídia brasileira

Monstro moral
Alguém pergunta, numa rede social: como uma profissão que sempre produziu pessoas de alta consciência social, o jornalismo, pode abrigar monstros morais como a húngara Petra Laszlo?

Petra virou uma abominação mundial ao ser flagrada chutando e derrubando refugiados na Hungria.

A explicação para a conduta desumana de Petra não está no afrouxamento do caráter dos jornalistas, embora isso possa estar acontecendo.

A resposta está na ideologia.

Petra, como logo se soube, é nacional socialista. Ou seja, nazista. Ela trabalhava, até ser demitida ontem mesmo, numa emissora de extrema direita da Hungria.

Um traço essencial do caráter das pessoas de extrema direita é a desumanidade, o ódio torrencial, a falta de compaixão, solidariedade e outras coisas que conectam os seres humanos.

Detestam imigrantes. Detestam pobres. Detestam negros. Detestam homossexuais e demais minorias.

São incapazes de se comover com o sofrimento de uma criança miserável. Preferem vê-la morta.

Petra é deste grupo.

Ela guarda uma notável semelhança física com uma alma gêmea sua, o norueguês Anders Breivik, o ultradireitista que matou mais de 70 jovens em nome do combate à expansão dos muçulmanos.

O mesmo semblante, a mesma frieza, o mesmo ar de pretensa superioridade racial.

No Brasil, essa escória moral está por trás de grupos que vestem verde e amarelo e vão para as ruas pedir a volta da ditadura.

Nas redes sociais, eles disseminam seu ódio patológico, cego e obtuso. Um de seus alvos frequentes são os nordestinos, para eles uma subraça, assim como os refugiados para Petra.

Há um mentor por trás da extrema direita brasileira, o pseudofilósofo Olavo de Carvalho, que é a própria personificação do ódio.

Ele arregimentou seguidores que espalham sua pregação raivosa, intolerante e primitiva.

Entre eles está uma espécie de duplo de Petra, Rachel Sheherazade.

Sheherazade virou um caso nacional quando defendeu os linchadores de um garoto que tem todos os defeitos para gente que pensa como ela: pobre e negro.

Até o governo federal, tão leniente quando se trata de encher de dinheiro empresas de mídia que sabotam a democracia, ficou passado.

Para não perder o Anualão de 150 milhões de reais de verbas publicitárias do governo, Silvio Santos colocou-a na geladeira. Transformou-a numa locutora, à espera, com certeza, de que o PT saia do poder para devolvê-la à condição de comentarista.

Petra faria o mesmo que Sheherazade, caso fosse brasileira.

Se estivesse filmando o menino justiçado que trouxe notoriedade a Sheherazade, daria os mesmos pontapés que deu em refugiados em situação extrema, incluídas crianças.

Parecia que o Brasil estava livre da praga da extrema direita inumana.

Mas não.

Ela está aí, com todo o catálogo de abominações típicos dos nazistas.

E o pior é que, por razões oportunísticas e sórdidas, os senhores do ódio recebem no Brasil o estímulo da oposição e, claro, da imprensa.

Basta ver o número de ultradireitistas com posições privilegiadas nas corporações de mídia.

Sheherazade, nossa Petra, é um caso que está longe de ser único.

Paulo Nogueira
No DCM
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TV pessoal

A Câmara está submetida a um desvio de finalidade. E a uso impróprio da verba que recebe de impostos pagos pela população. O programa da TV Câmara "Onde o povo está", exibido várias vezes por semana, é uma burla em vários sentidos.

A começar pelo nome. Trata-se de mostrar onde o deputado enfocado está no seu Estado, divertindo-se ou em outra disponibilidade extraparlamentar. Em geral, com a apropriada vulgaridade.

O programa convém à pessoa do deputado, mas todas as despesas são cobertas pela verba destinada à função legislativa da Câmara. Equipes completas da TV Câmara viajam aos Estados — não faltam casos de profissionais contrariados — à inteira disposição do deputado. O material resulta em um filme a ser montado com outros dois para o programa exibido três vezes por semana. Partes de cada filme são exibidas como clipes entremeados na programação normal.

A boa iniciativa que criou a TV Câmara deu-lhe a finalidade de reportar as suas atividades de Poder Legislativo e contribuir para a melhoria cultural do brasileiro (a TV Câmara tem, por exemplo, excelente acervo de documentários históricos estrangeiros, com os quais fez, no seu início, programação de alto nível e única pelo destemor temático).

A série de programas mandada fazer por Eduardo Cunha não atende à finalidade prevista da TV Câmara, nem serve à população por outro modo. Serve a deputados. Como programas eleitoreiros, com intensa exibição durante o mandato. Além do mais, os programas quebram a igualdade entre candidatos à reeleição e pretendentes à eleição para a Câmara.

Deputado Miro Teixeira: "TV pública não é para promoção pessoal". Outros deputados são contrários ao novo uso da TV Câmara, mas não consta iniciativa alguma para detê-lo.

Aqueles pingos

A par do tratamento diferenciado entre os personagens, o noticiário difundiu impressões irreais sobre as citações judiciais ao ministro Aloizio Mercadante, ao senador peessedebista Aloysio Nunes Ferreira e a Edinho Silva, ministro da Comunicação da Presidência. Mesmo o governador Geraldo Alckmin, iludido pelo noticiário, mencionou a bandalheira na Petrobras para defender seu colega e atacar os dois petistas.

Os três não foram denunciados, como constou. Foram citados para investigação. E Aloizio Mercadante e Aloysio Nunes Ferreira não serão investigados pelos motivos próprios da Lava Jato, mas por eventual infração à lei eleitoral. Disparidade de valores entre a contabilidade das respectivas campanhas e de doações legítimas que Ricardo Pessoa diz ter feito aos dois e não registrou (no caso de Mercadante, contas ainda de 2010).

Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma, responderá sobre entendimentos que Ricardo Pessoa, dono da OAS, disse em delação premiada haver tido para definir sua doação à campanha (não há disparidade de montante entre a delação premiada e a contabilidade da campanha).

Considerado o custo necessário às campanhas eleitorais, é ridículo que a Justiça Eleitoral perca tanto trabalho e tempo com disparidades pouco expressivas em uma doação a Mercadante e outra a Nunes Ferreira. Ainda mais, sendo apenas de memória as cifras citadas por Ricardo Pessoa. E é anti-ética a projeção comprometedora dada, por tamanha insignificância, aos dois políticos de integridade moral até hoje intocada.

Má saída

Nenhuma das explicações paisanas é aceitável, no caso do decreto assinado por Dilma para transferir ao ministro da Defesa, Jaques Wagner, um conjunto de atribuições e poderes passados dos antigos ministros militares aos seus sucessores, os comandantes das três Forças. Apenas para substituir essa denominação dos cargos, já com longo atraso, o decreto não precisaria transferir atribuições. A história é outra.

A solução para a trapalhada — uma simples portaria do ministro delegando aos comandantes os tais poderes — é polêmica. Há poderes indelegáveis pelo ministro, entre os citados. E é situação que exige clareza, não remendos.

Janio de Freitas
No fAlha
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