8 de set de 2015

A manipulação da mídia na crise europeia de imigração



O mundo teve que testemunhar com curiosidade o corpo sem vida de um bebê com sua família, que buscava refúgio do conflito na Síria, para inteirar-se sobre a tragédia que tem sido ignorada nos últimos anos.

É nefasto o sensacionalismo que tendenciosamente está usando a mídia para gerar uma opinião manipulada pelo sentimentalismo (real mas sem análise) da maioria da população. Vejo com isso, é claro que é um absurdo que um bebê deva morrer em tais circunstâncias, mas igualmente absurdo é o jeito com que se está lucrando com a tragédia desta família.

Os meios de comunicação estão jogando o seu papel e, mais uma vez nos mostram o seu imenso poder. Eles colocaram uma venda nos olhos e desviam a atenção do que realmente acontece. O diagnóstico de muitos dos meios de comunicação diz que os refugiados são sírios e que estão fugindo do regime de Bashar al Assad.

Enquanto parte das pessoas que estão se refugiando na Europa são da Síria, (dependendo de suas circunstâncias e região deve-se distinguir entre refugiados e imigrantes), em sua maioria eles estão fugindo de diversos países africanos que sofrem as consequências da falida Primavera Árabe e, em menor medida, são provenientes da região central africana.

O Iraque, antes da segunda invasão estadunidense em 2003, era um país secular com um dos melhores sistemas de saúde e educação; a Líbia em 2011, antes da intervenção da OTAN (juntamente com o de apoio da "oposição armada", muitos deles treinados e armados pela própria OTAN), tinha uma das maiores rendas per capita do mundo islâmico. Egito, Marrocos e outros protagonistas da Primavera Árabe perderam substanciosas receitas turísticas — pricipalmente de oriegm europeia — e, consequentemente, postos de trabalho.

Esta região mergulhou em uma terrível crise econômica e sua população está literalmente morrendo de fome. Neste contexto, o presidente russo, Vladimir Putin deixou muito claro o resultado da crise de imigração: "O que consiste a política de imigração da União Europeia, é a imposição de seus padrões, sem levar em conta as peculiaridades históricas, religiosas, nacionais e culturais; é, principalmente, a política de nossos parceiros estadunidenses. A Europa segue cegamente o marco dos compromissos de seu aliado e, em seguida, ela mesma suporta esta carga." "O êxodo sírio é devido à presença do Estado Islâmico, e não do governo de Bashar al-Assad".

Neste sentido, parece que a intenção é fortalecer a tese ocidental a respeito do regime de Bashar al Assad, onde no transcurso das horas e dias veremos reforçados os argumentos em muitos dos meios de comunicação; a construção de um vilão está desviando completamente a atenção do verdadeiro conflito na Síria, que é a permanência de vários grupos terroristas apoiados e reforçados por organismos estranhos a esse país. Ignora-se o fato de que o Estado Islâmico e os rebeldes sírios têm deixado em colapso o país, e que os serviços de inteligência britânicos e americanos não só criaram artificialmente esses grupos terroristas, e que são treinados, armados e alimentados por ocidentais muçulmanos, que estão exterminando dezenas de milhares de cristãos, fato que cria confronto em várias frentes no interior da Síria.

O fato é que a crise humanitária migratória move o coração e a opinião de milhares ao contrário do extermínio dos cristãos que não consegue espaço na grande mídia mundial. Esta mobilização, certamente deve ser motivada por interesses externos, não existe lógica para que tantas milhares de pessoas se mobilizem em um êxodo desta magnitude, sem que exista um projeto logístico e financeiro envolvido. A pergunta é: quem e como estão se mobilizando? A história nos mostra que, já no século V, a queda do Império Romano do Ocidente, não foi porque Roma estivesse mal defendida, foi devido aos povos do leste da Ásia (incluindo os hunos) que alteraram o status quo dos "bárbaros". E assim, alemães e eslavos compelidos pelo desespero, avançaram sobre os limites do que até então tinham sido respeitados. Mais de 1500 anos depois, a União Europeia se enfrenta com uma crise humanitária migratória sem precedentes que poderia ser apenas o prelúdio para uma ainda maior crise política, econômica e humanitária.

Yizbeleni Gallardo
No RT
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Mundo ultrajado no pequeno Aylan

O pequeno Aylan está deitado de bruços numa praia da Turquia e  sua cabecinha, de menino de três anos de idade, está apontada para o mar. Aylan está morto, mas parece querer voltar para a sua terra síria. É o pequeno Aylan Kurdi, de três anos de idade. numa foto que levou séculos para poder ser realizada, colorida, divulgada e, finalmente, bater em nossa porta para nos comover e perseguir para sempre.  Séculos de violência colonial, monarquias protegidas pelas potências europeias, ocupações militares do ocidente, tráfico de armas originárias dos países ricos, regimes feudais de restauração colonial, construíram esta foto. Mais do que a foto que nos arrebata, construíram esta realidade de uma criança de três anos, inocente, pura, cheia de promessas de vida, morta e tombada, com a sua cabecinha orientada para o mar.

Mas Aylan não comove a todos da mesma forma. Há os que se comovem porque pensam, não só em Aylan, mas também no sofrimento das  famílias  que  tem o  direito  de buscar  vida nova, nos países que construíram suas riquezas internas, pelas violências externas cometidas contra os antepassados de Aylan;  há os que se comovem sem compreender as raízes históricas da tragédia e tem sentimentos humanitários; há os que se comovem, porque uma foto como esta força-os, pelo menos, a  simular uma revisão da intolerância com a imigração (e isso tem “custos” a serem suportados). Mas, muitos dos que se comovem, pressionados pela vida cotidiana e pelos seus próprios problemas, logo esquecem Aylan, tombado naquela praia da Turquia.

Aylan não é o náufrago da civilização europeia, porque esta  civilização está representada pelos alemães, franceses, italianos, que saem às ruas para saudar  os desesperados que chegam  — depois de vazar muros e cercas de arame farpado — buscando horizontes em pátrias estranhas. Está representada pelos  jovens ativistas que, ao longo das ásperas fronteiras da Europa oriental, levam água para as famílias sedentas nos desertos de solidariedade da Europa do capital. A civilização está representada pelas  lágrimas que rolam e na indignação que explode, independentemente de que saibamos o porquê. A civilização não é Marine Le Pen nem Berlusconi, mas Albert Camus e Berlinguer. A civilização não é Eichmann, mas Jean Moulin e De Gaulle. Não é Pinochet, mas Mujica.

O único consolo que nos resta é saber que Aylan já parou de sofrer. Quem sabe vai se tornar uma estrela, uma praça florida, bougainvilles ou pequenas gotas de chuva, que vão cevar terras calcinadas. É bom pensar, para sofrer menos, que os infinitos mistérios da natureza, reservam para os inocentes, tornar-se  um tarro de luz  que ilumina a vida dos que ficaram.

Sentir em nós  Aylan, com sua cabecinha voltada para o mar e ver nele nossos filhos e netos, nossos meninos e meninas da vizinhança, que falam balbuciantes como pássaros ariscos nas manhãs de sol, é uma oração e uma forma de luta. Aylan  não é o náufrago de uma civilização, mas do  colonialismo europeu. O mesmo que  adora o bezerro de ouro da livre circulação de capitais, mas ergue mil Muros de Berlim para circulação de seres humanos, que querem trabalho e paz.

Milhares de poemas, músicas, pinturas, celebraram a dor de quem sente solidariedade e se humaniza na barbárie. Mas, nenhuma peça destas é tão universal e pungente, como as fotos do policial turco, que anota a tragédia para História e após recolhe, no seu peito, o corpinho frágil de Aylan. E devolve-o para um mundo já tão frio como o mar que lhe sufocou.

No seu romance clássico na década de trinta, “Conversa na Sicília”, obra que influenciou toda a literatura italiana do pós-guerra, Élio Vittorini põe na boca de um dos seus personagens a seguinte fala: “O mundo é grande e belo, mas é muito ultrajado. Todos sofremos, cada um por si mesmo, mas não sofremos pelo mundo que é ultrajado, e assim o mundo continua a ser ultrajado.”  Sei que é muito utópico dizer “tomemos nos nossos braços, todos, o corpinho de  Aylan e rejeitemos este mundo insensato que a cada dia  reafirma a sua barbárie”.  Mas, faço-o, porque, se é o pragmatismo que construiu  isso que aí está, só a utopia pode recriar a  sabedoria e a vontade para resistir.

Tarso Genro foi governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, Ministro da Educação e Ministro das Relações Institucionais do Brasil.
No Sul21
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Aloysio Nunes e o milagre da invisibilidade tucana na mídia


Podemos chamar de “milagre da impunibilidade tucana na mídia”.

Leiam, primeiro, as manchetes de primeira página no Agora (extrema-esquerda) e Estadão (extrema-direita).

Depois, no miolo, a primeira página, a interna e o detalhe publicados pela Folha de S. Paulo.

A investigação do senador tucano Aloysio Nunes, que não é um quadro qualquer do partido, não apareceu nas manchetes, que se concentraram em “Dilma” e no “Planalto”. No caso da Folha, mereceu uma notinha no pé da “reportagem”, um texto que equivale quase a um pedido antecipado de desculpas pela publicação: “Não está claro, por exemplo, se os recursos [doados a Aloysio] seriam provenientes de corrupção na Petrobras”.

Como diria um colega blogueiro, “quá, quá, quá”.

Para Aécio Neves, tudo não passou de um engano (como no caso dele mesmo em Furnas ou de seu braço direito Antonio Anastasia na Lava Jato):

Declaração do senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB

O PSDB recebeu com surpresa a abertura de inquérito sobre as contas da campanha de 2010 do senador Aloysio Nunes, um dos mais combativos líderes da oposição no país.

O PSDB, apesar de não temer qualquer tipo de investigação, chama a atenção para o risco dessas investigações desviarem-se do seu foco principal, que é a responsabilização daqueles que, no PT e partidos aliados, montaram um complexo esquema de corrupção que assaltou os cofres da Petrobras e financiou a manutenção desse grupo no poder.

O senador Aloysio Nunes, cuja biografia é reconhecida e respeitada até mesmo por seus adversários, foi um dos primeiros a denunciar toda essa operação da qual, por razões óbvias, jamais poderia ter participado.

Aguardaremos com serenidade o desenrolar desse processo, atentos a que ele não fuja de seu real objeto.

Senador Aécio Neves
Presidente nacional do PSDB
No Viomundo
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O que está por trás da paixão dos jornais pelos bonecos de Lula e Dilma

Isto é Folha
E a Folha, em editorial, faz uma declaração de amor aos bonecos produzidos pela ultradireita.

Eles simbolizam, segundo a Folha, a “crescente ojeriza” dos brasileiros pelo PT.

Quer dizer: Dilma teve há seis meses 54 milhões de votos e se reelegeu para mais um mandato, o quarto consecutivo do PT.

Mas, segundo a Folha — que lutou tenazmente por Aécio ao lado dos demais jornais, rádios, tevês etc — o PT sofre de ojeriza aguda.

É uma maneira peculiar de ver as coisas.

Talvez a Folha devesse olhar para o espelho. Um jornal que foi admirado pelos brasileiros progressistas, dos quais era leitura obrigatória, é hoje abominado por esse público.

Os anos do PT no poder desmascararam a Folha. O jornal liberal mostrou ser tão conservador quanto o semimorto Estadão.

A cara da Folha, hoje, é uma mistura de seus colunistas Reinaldo Azevedo e Pondé.

Não surpreende, assim, o amor infinito pelos bonecos canalhas de grupelhos fascistas.

É uma paixão compartilhada pelos demais jornais. Os bonecos aparecem na primeira página com uma frequência extraordinária.

Não porque sejam notícia. Mas por ajudarem na fabricação da imagem do PT como um partido de bandidos, e de Lula e Dilma como chefes de bando.

Não que seja uma agremiação de anjos. Mas, numa escala de delinquência partidária, a supremacia definitivamente não é do PT.

FHC simplesmente comprou sua reeleição. Aécio colocou dinheiro público nas rádios da família, construiu um aeroporto particular com dinheiro público e foi citado por Youssef como beneficiário num esquema de propinas.

Mas é o PT que interessa aos jornais liquidar.

Não são boas as intenções por trás do movimento de destruição de imagem do PT.

O que as grandes empresas de mídia querem é o retorno de um presidente que perpetue os privilégios e as mamatas de que elas sempre gozaram.

Disse outro dia e repito: até um macaco teria feito a Globo crescer tamanha a quantidade de dinheiro do contribuinte que, por variados caminhos, foram dar nos cofres da empresa.
  • Anúncios à base de 500 milhões de reais ao ano mesmo com a queda expressiva de audiência.
E estamos falando apenas de anúncios federais. Em todos os estados a Globo morde o dinheiro público.
  • Acesso aberto, ao longo dos tempos, ao BNDES.
  • Como se não bastasse, os livros da editora Globo, se não foram nas últimas décadas um sucesso de público, encontraram nos governadores quem os comprasse em dose maciça.
As empresas de jornalismo brasileiras são visceralmente dependentes do dinheiro público.

É um caso de extraordinária inépcia que, mesmo tão favorecidas pelo Estado, tenham tantas vezes ficado à beira do colapso.

Deve-se criticar duramente o PT por não ter feito nada para alterar esse quadro da ligação vergonhosa entre governo e mídia.

Se é verdade o que Requião disse, o PT pagou, nisso, o preço de um pragmatismo estupidamente delirante.

Requião disse que Dirceu afirmou, logo no início da gestão Lula, que o PT tinha um canal de televisão: a Globo.

Dirceu achava, segundo Requião, que o dinheiro da publicidade compraria a simpatia dos Marinhos, como sempre acontecera.

Tancredo dizia que a esperteza, quando é demais, come o dono, e foi este o caso.

Agora, enfim, os chefes petistas parecem haver acordado para a realidade de que a imprensa quer fazer com eles o que fez, no passado, com Getúlio e Jango.

O uso obsessivo das imagens dos bonecos de Lula e Dilma são apenas mais um capítulo na desesperada tentativa de varrer o petismo.

Paulo Nogueira
No DCM
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Defensor do golpe, Paulinho vira réu no STF


O deputado federal Paulo Pereira da Silva (SP), fundador e presidente do partido Solidariedade, se tornou réu por ação penal aberta nesta terça-feira 8 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar responderá por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro nacional.

Paulinho da Força, como é conhecido por sua ligação com a Força Sindical, foi denunciado por envolvimento na Operação Santa Tereza, da Polícia Federal, que investigou desvios de recursos do BNDES. O Supremo decidiu aceitar a denúncia contra o parlamentar, apresentada pelo Ministério Público Federal, que acredita que ele se beneficiou do esquema.

O deputado já é julgado pelo Supremo por falsificação de documento particular, falsidade ideológica e estelionato, em um caso que pode resultar, caso haja condenação, em uma pena de até 15 anos de prisão. Nesse episódio, o deputado e outras 11 pessoas são acusadas de superfaturar em 77% a compra de uma fazenda para implementação de um projeto de reforma agrária.

O deputado vem sendo uma das principais vozes a favor do golpe contra a presidente Dilma Rousseff, inclusive participando de protestos contra o governo e o PT e em defesa do impeachment. Paulinho já chegou a dizer que Dilma deveria estar na prisão. Nesta segunda-feira 7, Dia da Independência, o Solidariedade pediu a renúncia de Dilma pelo Facebook.




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Fábio Júnior montará dupla com Lobão - assista

Em fim de carreira, o patético cantor Fábio Júnior parece que decidiu disputar com Lobão, o roqueiro decadente, o troféu do “artista” mais reacionário do país. Eles até poderiam montar um dupla para se apresentar nas marchas organizadas pelos grupelhos fascistas em defesa do impeachment de Dilma e da volta dos militares ao poder.

Daria até para juntar uns trocados, já que seus shows e discos andam encalhados. Num evento em Nova Iorque, o “Brazilian Day”, transmitido pelo MultiShow, da Globo, Fábio Júnior abusou das baixarias contra o governo brasileiro para o delírio da plateia colonizada. (assista abaixo).

No intervalo do show, ele apareceu com a bandeira do Brasil nos ombros e perguntou: “O que é que está escrito na nossa bandeira? Ordem e progresso. Mas vocês sabem o que é que está acontecendo no Brasil? Desordem e roubalheira. É uma quadrilha”.

Excitado com o apoio às suas ideias, ele foi mais longe: “Dilma, Lula, Zé Dirceu, PMDB, vocês não tem mais o que fazer, não, porra?”. E ainda reforçou o coro: “Ei, Dilma, vai tomar no cu”. Ao final, tresloucado, o velhaco atacou; “Vocês sabem onde está aquele dedinho que o Lula perdeu? Onde é que ele enfiou? No nosso!”.

As bravatas de Fábio Júnior agitaram os “coxinhas” nas redes sociais e tiveram forte repercussão na mídia tucana.

Globo, Folha e Estadão só faltaram elogiar o “protesto” do cantor decadente. Já a Veja, em mais um texto obrado por Felipe Moura Brasil — o novo ídolo dos fascistas mirins —, aplaudiu as baixarias: “O cantor Fábio Júnior botou para quebrar durante sua apresentação no Brazilian Day do canal MultiShow, direto de Nova York. Primeiro, ele lamentou que nossos governantes estejam metendo a mão no bolso dos brasileiros como uma ‘quadrilha’… Depois, puxou o coro ‘Ei, Dilma’ (vai tomar caju!) e ainda ironizou Lula, para delírio da plateia”.

Diante desta excitação, Fábio Júnior — com “o rosto desfigurado de tantas plásticas”, como observou o jornalista Paulo Nogueira — deve estar revigorado.

Junto com o roqueiro Lobão, ele poderá agitar as próximas marchas golpistas e superar “o amargor com o final da carreira [que] pode se traduzir numa raiva cega e feroz em busca de culpados” — voltando a citar o editor do Diário do Centro do Mundo.

Altamiro Borges







Fábio Jr. fala mal do Brasil graças à democracia que não ajudou a construir

Não me lembro de uma palavra, um gesto, um dedinho levantado do cantor Fabio Júnior contra a ditadura. Agora, graças à democracia que ele não ajudou a construir, enrola-se na bandeira do Brasil para falar mal do país no exterior. Na festa do Brazilian Day em Nova York.

Vá lá que a festa, mesmo em território estrangeiro, era para brasileiros, poderia dizer o cantor para justificar sua malhação do Brasil, que ele reduziu a uma terra de "roubalheira". Vá lá que só agora o coroa Fabio Junior tenha sentido as indignações cívicas que não sentiu na juventude, quando cantava canções melosas sem prestar atenção ao som político em seu redor. Geralmente ocorre o contrário, jovens têm exaltações políticas que se exaltam com o passar da idade. Mas vá lá que ela não tenha se contido de tão indignado. Com todas as indulgências, entretanto, não se lhe é possível perdoar a grosseria, a canastrice, a chulice, enfim, de seu discurso. Depois de uma torrente de asneiras, depois de conseguir despertar os instintos mais primitivos da platéia, que inicialmente não se deu por achada, ele saiu-se com esta, segundo a Folha Online.

"Vocês sabem onde tá aquele dedinho que o Lula perdeu, né? Onde é que ele enfiou, né? No nosso!".

É muita baixaria. Muito feio para um suposto artista nacional. E o chiste estúpido nem é novo, nem foi criado por ele.

Ao se enrolar numa bandeira do Brasil, Fabio Júnior tenta repetir, mas consegue ser apenas uma farsa tosca, a apresentação de Cazuza na abertura do primeiro Rock"n Rio, em 1985, que coincidiu com a eleição de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil depois do ciclo dos generais ditadores. Enrolado na bandeira o então líder do Barão Vermelho saudou o fim da ditadura e a democracia que nascia cantando "Para a manhã nascer feliz".

Fábio Júnior indignado em Nova York? Onde andava o cantor na ditadura, quando era proibido protestar?

Tereza Cruvinel
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Carta à presidenta Dilma Rousseff

Há quem ficaria feliz se senhora enfiasse uma bala no peito, ou fosse derrubada por um golpe. Mas a senhora tem o apoio do que há de melhor na sociedade brasileira, latino-americana e mundial. Resista

"A senhora tem uma divida para com o povo que a
elegeu legitimamente. Essa divida é o seu mandato"
Cara Presidenta,

Fique. Um dia, um predecessor seu, é verdade que “no tempo do Rei”, antes de “no tempo do Império, teve a coragem de dizer “como é para o bem de todos e a felicidade geral da Nação, digam ao povo que fico”. Oito meses depois foi proclamada a Independência do Brasil.

Agora, quem se levanta contra a senhora não são mais as Cortes de Lisboa. Aliás, o primeiro-ministro português, conservador, sério, desmentiu as aleivosias que levantavam contra o ex-presidente Lula.

Quem se levanta agora contra a senhora são membros de uma categoria de gente que protesta contra ter de pagar salário mínimo para uma empregada doméstica, agora com recolhimento para o Fundo de Garantia e a Previdência Social. Gente que considera que os golpistas de 1964 cometeram um erro: não matá-la (!). Gente que baba ódio e espuma grosseria, confunde críticas com insultos.

Levantam-se também “jornalistas” que querem ganhar o Prêmio Carlos Lacerda do Século 21. Como não conseguiram derrubar o ex-presidente Lula durante os seus mandatos, querem agora que senhora “caia” e que ele “vá para a cadeia”.

Ah, sim, há a brigalhada sobre quem vai ser o candidato conservador em 2018. Essa briga se dá entre os pré-candidatos. Parecem os republicanos nos Estados Unidos, cada um querendo parecer mais reacionário do que o outro, cortejando gente que se pauta por mensagens anticivilizatórias, gente que é contra limites de velocidade que protejam vidas humanas, contra o avanço do transporte público no lugar do transporte individualista, contra corredores de ônibus, contra direitos sociais, contra transferência de renda, contra proteger os desprotegidos. Gente que acha que na Europa viajar de ônibus e trem é legal, mas no Brasil só quer mais espaço para o seu carrão.

Presidenta, muito se escreve sobre seu abandono do cargo – por sua “livre e espontânea vontade”, ou então sob a força de um impeachment, que na falta de qualquer base legal atende também pelo nome de golpe.

Resista, presidenta. Em nome do que a senhora resistiu quando estava diante de seus algozes, que ocultavam o rosto, com medo do julgamento da História, assim, com H maiúsculo, que tritura as ratazanas que agem sempre com minúsculas e nas sombras de seus projetos inconfessos.

A senhora tem uma dívida para com o povo brasileiro, que a elegeu legitimamente em outubro do ano passado. Essa dívida é o seu mandato. Tem gente que ficaria feliz se a senhora enfiasse uma bala no peito, como fez Vargas em 54. Ou que fosse derrubada por um golpe civil-militar, como em 64 no Brasil, ou só civil, como o que derrotou Al Gore nos Estados Unidos ou Lugo no Paraguai.

Resista, presidenta.

A senhora tem o apoio do que há de melhor na sociedade brasileira, latino-americana e mundial. Pense nisso a cada dia, a cada noite de sua trajetória. E não se entregue, como a senhora não se entregou quando esteve no cárcere.

Há gente que pensa que a sociedade brasileira deveria ser como o cárcere para onde a senhora foi levada quando da ditadura.

O Brasil e o povo brasileiro são maiores do que isto.

Resista, senhora presidenta.

A História não os perdoará. E a acolherá de braços abertos.

Flavio Aguiar
No RBA
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Frente Brasil Popular apresenta manifesto ao povo brasileiro


Documento final de lançamento da Frente detalha seus principais objetivos, como a defesa da soberania nacional e os direitos dos trabalhadores, a ampliação da democracia e a luta por uma reforma política com participação direta do povo



“Frente Brasil Popular: Manifesto ao Povo Brasileiro

Vivemos um momento de crise. Crise internacional do capitalismo, crise econômica e política em vários países vizinhos e no Brasil.

Correm grave perigo os direitos e as aspirações fundamentais do povo brasileiro: ao emprego, ao bem-estar social, às liberdades democráticas, à soberania nacional, à integração com os países vizinhos.

Para defender nossos direitos e aspirações, para defender a democracia e outra política econômica, para defender a soberania nacional e a integração regional, para defender transformações profundas em nosso país, milhares de brasileiros e brasileiras de todas as regiões do país, cidadãos e cidadãs, artistas, intelectuais, religiosos, parlamentares e governantes, assim como integrantes e representantes de movimentos populares, sindicais, partidos políticos e pastorais, indígenas e quilombolas, negros e negras, LGBT, mulheres e juventude, realizamos esta Conferência Nacional onde decidimos criar a Frente Brasil Popular.

Nossos objetivos são:

1 — Defender os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras: melhorias das condições de vida, emprego, salário, aposentadoria, moradia, saúde, educação, terra e transporte público!

Lutamos contra o atual ajuste fiscal e contra todas as medidas que retiram direitos, eliminam empregos, reduzem salários, elevam tarifas de serviços públicos, estimulam a terceirização, ao tempo em que protegem a minoria rica. Defendemos uma política econômica voltada para o desenvolvimento com distribuição de renda.

Lutamos contra a especulação financeira nacional e internacional, que transfere para uma minoria, por vias legais ou ilegais, através da corrupção e de contas bancárias secretas, parte importante da riqueza produzida pelo povo brasileiro!

Lutamos por uma reforma tributária que — por meio de medidas como o imposto sobre grandes fortunas e a auditoria da dívida — faça os ricos pagarem a conta da crise.

2 — Ampliar a democracia e a participação popular nas decisões sobre o presente e o futuro de nosso país.

Lutamos contra o golpismo — parlamentar, judiciário ou midiático — que ameaça a vontade expressa pelo povo nas urnas, as liberdades democráticas e o caráter laico do Estado!

Lutamos por uma reforma política soberana e popular, que fortaleça a participação direta do povo nas decisões políticas do País, garanta a devida representação dos trabalhadores, negros e mulheres, impeça o sequestro da democracia pelo dinheiro e proíba o financiamento empresarial das campanhas eleitorais!

Lutamos contra a criminalização dos movimentos sociais e da política, contra a corrupção e a partidarização da justiça, contra a redução da maioridade penal e o extermínio da juventude pobre e negra das periferias, contra o machismo e a homofobia, contra o racismo e a violência que mata indígenas e quilombolas!

3 — Promover reformas estruturais para construir um projeto nacional de desenvolvimento democrático e popular: reforma do Estado, reforma política, reforma do poder judiciário, reforma na segurança pública com desmilitarização das Polícias Militares, democratização dos meios de comunicação e da cultura, reforma urbana, reforma agrária, consolidação e universalização do Sistema Único de Saúde, reforma educacional e reforma tributária!

Lutamos pela democratização dos meios de comunicação de massa e pelo fortalecimento das mídias populares, para que o povo tenha acesso a uma informação plural, tal como está exposto na Lei da Mídia Democrática.

4 — Defender a soberania nacional: o povo é o dono das riquezas naturais, que não podem ser entregues às transnacionais e seus sócios!

Lutamos em defesa da soberania energética, a começar pelo Pré-Sal, a Lei da Partilha, a Petrobrás, o desenvolvimento de ciência e tecnologia, engenharia e de uma política de industrialização nacional!

Lutamos em defesa da soberania alimentar e em defesa do meio ambiente, sem o qual não haverá futuro.

Lutamos contra as forças do capital internacional, que tentam impedir e reverter a integração latino-americana.

Convidamos a todas e a todos que se identificam com esta plataforma a somar-se na construção da Frente Brasil Popular.

O povo brasileiro sabe que é fácil sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho. Mas sabe, também, que sonho que se sonha junto pode se tornar realidade.

Vamos lutar juntos por nossos sonhos!

Viva a Frente Brasil Popular!

Viva o povo brasileiro!

Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, setembro de 2015″
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Ao defender Levy, Lula deixou a porta entreaberta. Quem vai passar por ela?

Os jornais do início de feriado prolongado davam conta de uma delicadíssima situação política para o governo.

Nove grandes empresários do País jantaram com Joaquim Levy para ditar as condições de apoio à presidenta. A conta da blindagem articulada pelo vice-presidente Michel Temer não tardaria a chegar. Isso coincide com uma reação do ministro da Fazenda, em 03/09, que se queixou à Dilma, com o devido vazamento na imprensa, de que se sente enfraquecido, sobretudo por estar se sentir perdendo a disputa política sobre os ajustes no orçamento e na economia para o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. A Nelson são creditados a redução da meta fiscal e o envio da Lei Orçamentária Anual com déficit para o Congresso Nacional.

O ministro da Fazenda, por óbvio, busca retomar sua liderança que, como se ventilava e ficou explícito com este verdadeiro desagravo, com direito à faca no pescoço presidencial por meio de um telefonema, representa o alto empresariado nacional, o sistema financeiro privado e as agências de risco mundiais e, portanto, o interesse do grande capitalismo internacional. Os áulicos que acreditaram que o golpe estava desvanecido após o apoio do PIB e da Globo à desmobilização do impeachment, quem sabe, agora podem enxergar que se tratava de um golpe branco por trás do golpe branco: o efetivo cumprimento da agenda derrotada nas urnas, que serve, por suposto, a estes atores que jantaram com Levy, sendo o PSDB apenas sua expressão política na condição de empregado útil. Encontraram um atalho e foi isso que gerou a confusão generalizada no ninho tucano. Foi um: sosseguem, que vamos fazer do nosso jeito.

E o elegante achaque financeiro deu resultado. A presidenta imediatamente convocou Michel Temer, o chefe da Casa Civil e Nelson Barbosa para uma reunião com foco em manifestar apoio ao ministro da Fazenda. Antes mesmo, fez sozinha sua declaração de apoio. Em seguida, pediu ao ex-presidente Lula, ao que parece, para fazer o mesmo. Lula fez, mas deixou a porta entreaberta: apoiou Leyy, mas este teria que reduzir o ajuste fiscal para expandir o crédito e sinalizar crescimento, de olho na base social do projeto que ele inaugurou e segue sendo a maior referência, ainda mais em tempos de 7% de aprovação do governo e de popularidade da presidenta.

E é nesta porta entreaberta que reside a chave da situação da conjuntura. Os 9 PIBs que estiveram com Leyy apresentaram a conta com nomes e números: a) manter o grau de investimento do país, b) buscar meta de 0,7% de superávit em 2016 e c) cortar subsídios e programas do governo. Sentiram o delicioso cheiro do Desenvolvimentismo no ar após as supostas vitórias de Barbosa. Esta plataforma é nada mais, nada menos do que a tradução da mensagem ao PSDB: deixa com a gente bancar o nosso programa que vocês derrotaram na campanha eleitoral de 2014.

Todavia, um ministro da Fazenda que entrou no governo, o indemissível, todo-poderoso messias da tecnocracia liberal, aquele que vai resolver os problemas fiscais e econômicos, precisar gritar na imprensa suas derrotas “técnicas”, exigir apoio público da presidenta e do vice, do maior líder popular da história recente do país e fiador deste projeto para com o povo e jantar com cúpula do PIB é um ministro que está muito fraco. E está por seu principal demérito: o ajuste é um fantasma. Afinal que “ajuste” é esse com meta fiscal de 0,5% e R$ 30 bilhões de déficit orçamentário?

Perdeu para a democracia, cuja expressão eleitoral — o Congresso — resistiu, seja por tais e quais motivos mais honestos ou desonestos, mais golpistas e achacadores ou não, a engolir, diante de seus eleitores, um pacote devastador de popularidade. Perdeu para a democracia, também porque o sindicalismo e os movimentos sociais reagiram. Perdeu para a democracia, ainda mais, porque as classes C, D e E, que compunham a base da presidenta e deste projeto, derrubaram a popularidade do governo. Perdeu para a economia, porque esta foi moldada em mais de uma década a funcionar com base em mecanismos estatais que permitiram combinar estabilidade, crescimento econômico e distribuição de renda com mobilidade social.

O ajuste “levyano” não funcionou porque ele depende do empresariado e este deixou claro, no esforço de reduzir a SELIC, com desonerações à indústria e expansão do crédito do primeiro mandato, que não banca o desenvolvimento e que seu espírito animal se reduz a transferir seus rendimentos — paradoxalmente advindos do incremento estatal, até mesmo para financiar a produção e exportação de bens primários (commodities) — para aplicações financeiras. O que falta ao economicismo pollyaneiro perceber é que o boicote empresarial foi amenizado pela ação firme do Estado. Por isso, blindam Levy.

Parece estranho, mas é evidente: enquanto o ajuste estiver na pauta, mais sinais ao rentismo, mais rendimentos, mais desgastes presidenciais, mais sinais ao rentismo, mais rendimentos até entabularem a agenda completa, só que devagar.

Essa história que agora alguns argumentam de que todos os estados do país tiveram déficit, mas só o governo federal e criticado, ou que se mantida a política fiscal do primeiro mandato da presidenta Dilma, com a tendência da curva da arrecadação e da dívida, estaríamos pior sem, é oficialismo barato. A verdade, nua e crua, foi dita por Beluzzo [na Revista Brasileiros]: “O ajuste foi feito de cima para baixo, sem a consulta das bases sociais que votaram na presidenta Dilma. Ela foi eleita com 54% dos votos. Cidadãos que subiram na escala social com a valorização do salário mínimo e o Bolsa Família. Os sindicatos e os movimentos sociais deveriam ter sido consultados”. E completa: “A nossa Troika está aqui: é representada pelo mercado financeiro e pela visão truncada e míope de seus economistas”, exatamente “as pessoas da sala de jantar”. E foi ao ponto: “O país precisa solucionar dois problemas fundamentais, os ‘cadáveres enterrados': a valorização do câmbio nos últimos 20 anos, que provocou um processo de desindustrialização. E o sistema tributário injusto. Nada menos do que 58% da receita dos impostos é paga pelas camadas de renda de até dois salários mínimos”. Em resumo, construir a saída da crise só será eficaz com diálogo social com vistas à concertação com sua base social, não mera escuta e recepção, com medidas que a contemplem para criar força para a reforma de base tributária necessária.

Então, é preciso romper a bifurcação representada pela pergunta: qual a base que fará este projeto, liderado por Dilma, filiada ao PT, seguir adiante nestes termos?

Notícia no Brasil 247 da semana passada dizia assim: “A fim de ‘organizar o País’, os sete governadores do PMDB se reunirão na próxima semana com o vice-presidente, Michel Temer, e com os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha; a ideia é trabalhar numa pauta de reformas para o País, voltada para as áreas da previdência, tributária e trabalhista”. Paulo Hartung arrematou: “Precisamos de reformas estruturais no nosso país”.

Não foi o diretório nacional do PMDB que propôs, mas seus governadores, presidentes do Senado e Câmara, vice-presidente da República, que, claro, contarão com apoio dos ministros no governo. O PMDB está na ofensiva, tomando a iniciativa, apresentou uma plataforma ao País — a Agenda Brasil — e agora se imiscui na seara das reformas estruturais. E, enquanto assessores presidenciais não cessam de perder tempo para que a chefa do Executivo mantenha um estéril esforço de enviar mensagens apenas ao parlamento (e não ao povo que a reelegeu), como é nítido na declaração de 04/09 a quatro rádio do estado da Paraíba — “o princípio da estabilidade deve orientar todos” — o espaço vai ficando cada vez mais vazio,  porém, sendo cada vez mais ocupado pelo próprio PMDB, com sua legitimidade de ter o vice-presidente, ministros de estado, parlamentares, governadores, prefeitos e ser o aliado principal da coalizão governamental.

Foi este tipo de postura inerte que fez com que o PMDB fosse o partido a capitalizar a concertação, num primeiro momento, com os empresários e a mídia. E, por isso, Michel Temer declarou também apoio à Levy, após o já referido jantar. Está se legitimando cada vez mais como a voz deste setor no governo, uma vez que que ele deixou o PSDB em “stand by” a ver se “dá jogo” o sucesso peemedebista de emplacar a agenda deles por dentro, sabendo que o partido fora chamado para preservar a estabilidade institucional pelo comando do governo. Mudaram o “queijo” para preservar as “facas” numa racionalidade política coerente, quase perfeita em seus atos cênicos e que, parece, ninguém no governo percebe. Ou se percebe acabrunha-se na “espontaneidade do cansaço”, como diria Tarso Genro. Não demora, e quem chama a concertação com a classe trabalhadora e movimentos sociais é o PMDB. Do jeito deles, claro.

Quem atribuiu aos “tempos estranhos” uma primeira reação do PMDB “fritando” Levy é quem só entende de teoria política e não de política em si. Um mero raciocínio academicista põe na “direita” o PMDB e Levy e, claro, confunde-se. Mas o PMDB é um partido popular, grande, dirige o maior número de prefeituras, tem a segunda maior bancada na Câmara e a maior do Senado. Irá resistir a uma política econômica que engessa a liberação de emendas parlamentares, ocupação de cargos e, ainda por cima, põe em suas costas um enorme desgaste. Porém, acertado isso, como foi em certa medida, está resolvido. Temer não é e nunca foi golpista, mas ninguém renuncia ao poder, já ensinava um sábio russo… e, por isso, deu seu recado: é difícil governar quatro anos com 7% de aprovação.

Culpar o PT enquanto partido é desonesto. Há muito apresentou uma plataforma. O governo tem em mãos o programa de governo não lançado, as resoluções do V Congresso do PT, a Agenda da Classe Trabalhadora da CUT, teve uma oportunidade imensa com a elaboração do PPA… Quem tem que tomar a iniciativa é o governo Dilma, assumindo seu espaço. É dele que o povo espera respostas.

No sábado, 05/09, foi lançada a Frente Brasil, reunindo o movimento sindical, social e partidos de esquerda. No dia 07/09, Dia da Independência, houve o Grito dos Excluídos. Ambos com a pauta de resistir e derrotar a agenda conservadora, retoma o crescimento, as políticas e os direitos sociais e avançar para as reformas estruturantes. Mais uma chance!

Se fosse um assessor presidencial, um funcionário de terceiro escalão do governo ou coisa que o valha teria aconselhado a presidenta a enviar seu ministro da participação social à Belo Horizonte neste sábado e recebia o comando do Grito no dia 07. Seria um grande sinal e uma excelente oportunidade para, de novo, tentar empatar o jogo e recuperar o protagonismo. Ou, como disse o Blog do Zé Dirceu: “propor e receber propostas sobre como retomar o crescimento, preservar empregos e salários, avançar na promoção de direitos e das reformas de base que o País necessita e as urnas aprovaram. É preciso incorporar os interesses dos trabalhadores e dos setores populares no debate nacional. Os empresários e outros partidos da base aliada já fazem este debate, por meio da Agenda Brasil e de uma pressão permanente, com a participação da imprensa, sobre o governo”.

Foi para isso que Lula deixou a porta entreaberta.

A onça está ensaiando beber água, enquanto muitos, no governo, admiram os japiins.

Leopoldo Vieira foi coordenador do monitoramento participativo do PPA 2012-2015 e do programa de governo sobre desenvolvimento regional da campanha à reeleição da presidenta Dilma Rousseff.
No Blog do Zé
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Alckmin e Aécio agora trocam de ninho no poleiro tucano

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/09/08/alckmin-e-aecio-agora-trocam-de-ninho-no-poleiro-tucano/

aecio Alckmin e Aécio agora trocam de ninho no poleiro tucano 

As últimas pesquisas presidenciais para 2018, que colocaram o senador mineiro Aécio Neves bem à frente do governador paulista Geraldo Alckmin, provocaram uma radical troca de ninho no poleiro tucano. Aos poucos, eles foram invertendo seus papéis no combate ao governo Dilma, a Lula e ao PT.

A guinada de Alckmin, o moderado, disposto a abandonar o epíteto de "picolé de chuchu", começou no dia 29 de agosto, em Cuiabá, durante a filiação do governador do Mato Grosso, Pedro Taques. Ao lado de Aécio e outros tucanões, ele mandou ver:

"Temos que nos livrar dessa praga que é o PT. O PT do desemprego, da inflação, dos juros pornográficos e dessa praga do desvio público. Hoje é tempo de honestidade".

Assim do nada, sem aviso prévio, Alckmin mudou sua estratégia mineira de deixar o tempo passar, sem fazer muita marola contra o governo, para esperar a sua vez em 2018, enquanto Aécio entrava de cabeça na campanha do "Fora Dilma", para atear fogo no circo e provocar novas eleições já. Em 16 de agosto, até foi às ruas e subiu num caminhão de som durante as manifestações de protesto em Belo Horizonte.

Como viu que estava pegando mal este seu açodamento em defesa do impeachment da presidente, até entre as próprias lideranças tucanas, a começar por Fernando Henrique Cardoso, o neto de Tancredo deu uma recuada, saiu de cena e terceirizou os ataques mais radicais para o deputado federal paulista Carlos Sampaio, uma mistura de black bloc com pit bull da bancada do PSDB na Câmara.

Depois de desfilar num jipe do Exército durante a parada de 7 de setembro em São Paulo, o novo Alckmin continuou na ofensiva e disparou: "A República não aceita rapinagem e não aceita mentira". Ao ser perguntado por jornalistas se a abertura de inquérito pelo STF contra dois ministros de Dilma envolvia a campanha da presidente em 2014 na Operação Lava Jato, respondeu de bate pronto: "Entendo que sim. O que eu tenho defendido é investigar, de maneira profunda, seriamente, rapidamente e, depois, cumprir a Constituição".

Como presidente do PSDB, Aécio Neves, por sua vez, soltou uma nota em que se limita a dizer que "a lei foi feita para ser cumprida por todos, em especial por quem deveria dar o exemplo. Não apenas as oposições, mas a sociedade, aguarda que, em face às reiteradas graves denúncias de utilização de propina na campanha da presidente, as investigações ocorram. Até para que ela possa de defender".

Num ponto, porém, os dois presidenciáveis tucanos são absolutamente iguais: a mesma veemência com que defendem investigações contra o PT eles não mostram na hora de falar das denúncias contra o PSDB, sempre relegadas aos pés de página e escondidas no noticiário.

Quando os mesmos repórteres perguntaram ao governador sobre o envolvimento do nome do senador paulista Aloysio Nunes, que foi candidato a vice na chapa de Aécio, no mesmo inquérito do STF, e pelas mesmas razões, o governador saiu-se pela tangente de sempre: "Investigação é para todos, mas ele já se defendeu" — como se os outros citados na delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, também já não houvessem se defendido.

Antes de se retirar, Alckmin ainda procurou pontificar como estadista: "É o momento de grandes reformas e de se repensar o Estado que não cabe no PIB". Fiel ao modo tucano de fazer política, só não disse quais reformas são essas nem como o Estado deve ser repensado.

Aguarda-se agora a divulgação das próximas pesquisas presidenciais para sabermos como ficará a distribuição de papéis no poleiro tucano. Outro eterno presidenciável, o também senador paulista José Serra, por enquanto, está só na espreita, para ver no que vai dar este realinhamento entre Alckmin e Aécio no ninho sucessório em que só tem lugar para um deles.

Tucanos são tucanos.
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Governo pode aumentar impostos por decreto

Sem CPMF, equipe econômica estuda aumento de tributos que não dependem do Congresso, como Cide, IPI e IOF, para cobrir rombo

Diante da dificuldade de fechar as contas de 2016 sem a recriação da CPMF, a área econômica do governo já admite a possibilidade de recorrer à elevação das alíquotas de tributos que não precisam de aprovação do Congresso para tentar reduzir o rombo no Orçamento da União. Estão nessa lista a Cide, incidente sobre combustíveis; o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); e o sobre Operações Financeiras (IOF).

Esses tributos dependem apenas da “caneta” do Executivo e são usados como instrumento regulatório de política econômica para enfrentar determinadas situações conjunturais da economia. Nenhum aumento precisaria de aprovação de deputados e senadores — basta um decreto presidencial para a entrada em vigor.

Há consenso no governo sobre a necessidade de elevação da carga tributária. Caberá à presidente Dilma Rousseff decidir sobre o tributo com menor efeito colateral na economia ou um “mix” de alta das alíquotas de todos eles.

Os estudos mais avançados no Ministério da Fazenda são o que envolvem a alta da Cide-Combustíveis, segundo fontes. Um aumento dos atuais R$ 0,22 por litro para algo em torno de R$ 0,60 representaria uma arrecadação extra para a União de cerca de R$ 12 bilhões. O aumento menor para R$ 0,40 é outra opção em estudo. A dificuldade para a Fazenda é calibrar a alíquota sem fazer um estrago gigantesco na inflação.

Uma fonte da equipe econômica reconheceu ao Broadcast, da Agência Estado, que nenhum dos tributos que podem ser elevados pela presidente tem capacidade de garantir sozinho uma arrecadação em torno de R$ 64 bilhões. Esse é o tamanho do rombo que o governo precisa cobrir no Orçamento de 2016 para fechar as contas com superávit de R$ 34,4 bilhões e, somando-se ao resultado previsto de Estados e municípios de R$ 9,4 bilhões, fechar o ano dentro da meta de 0,7% do PIB.

A defesa do cumprimento da meta de 0,7% foi assumida pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, nas reuniões internas do G-20, na Turquia. Um recuo nesse compromisso comprometerá de vez a permanência de Levy no cargo. O governo tem um mês para enviar ao Congresso um adendo à proposta de Orçamento.

IR. Ainda assim, o governo dependerá de mudanças que terão de ser feitas pelo Congresso para fechar as contas. Uma das propostas em estudo é a criação de uma alíquota mais alta do Imposto de Renda da Pessoa Física para os mais ricos. Hoje, o índice máximo é de 27,5%. Cálculos indicam que uma nova faixa de cobrança, em 35% dos rendimentos, traria mais R$ 7 bilhões à União. Também se estudam a tributação de lucros e dividendos recebidos de empresas e o fim do benefício de Juros de Capital Próprio para grandes empresas.

O espaço de cortes de despesas no curto prazo permanece muito restrito. Nas despesas discricionárias (não obrigatórias), o máximo que poderá ser cortado é de cerca de R$ 2 bilhões, mesmo assim com grande prejuízo para a administração da máquina e dos programas de governo. A previsão de R$ 250,4 bilhões de despesas discricionárias incluída no Orçamento de 2016 é em nível semelhante ao que foi pago em 2012.

Adriana Fernandes
No O Estado de S. Paulo
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E então Cunha falou o que a classe média queria ouvir

Ele
“Muitos programas sociais vão ter que acabar, não tem outro jeito”.

Finalmente Eduardo Cunha disse o que as classes média e alta tanto queriam ouvir. Pelo meu palpite, depois de um pronunciamento desses, se Cunha se candidatasse à presidência da república hoje seria barbada.

“É preciso ter arrecadação de impostos para sustentar tudo isso. A sociedade vai ter que decidir se quer manter esses programas. Para isso, é preciso aumentar impostos, o que vai ser difícil de passar no Congresso. Será necessário, então, fazer uma opção”.

É batata, quando se fala em impostos a classe média tem urticária.

Ela, que se vê como independente do estado, afinal já paga tudo em regime de iniciativa privada (escola, plano de saúde, transporte — que é em forma de financiamento do carro — plano de previdência privada) engole facilmente esse discurso.

Não quer nem 0,01% a mais de encargos, comete suas sonegações que considera menores e inocentes (afinal, quem nunca) e depois passa o resto do tempo dizendo que já paga muito e não tem nada em troca.

Ela concorda e assina embaixo que os programas sociais são apenas e tão somente  fábricas de vagabundos, mas revolta-se com cortes no Ciência sem Fronteiras, em que muitos de seus filhos foram enviados ao exterior para estudar.

Trata seus empregados domésticos em regime de semi-escravidão mas posta nas redes sociais que acha “um absurdo” terem barrado o negro Carl Hart na entrada de um hotel. Além de ter sido um boato, essas pessoas nunca tinham ouvido falar no neurocientista norte-americano. Se ouviram, certamente não concordam com as idéias dele sobre o crack e se o encontrassem na rua durante a noite, com aquelas tranças rastafari e roupas informais, mudariam de calçada.

Refiro-me à classe média como um grupo homogêneo. Generalizo, claro. Ela tem indivíduos esclarecidos e bem intencionados, mas no seu bojo, quando pensa em grupo, é retrógrada, xenófoba e racista. Infelizmente.

E como se não bastassem todos esses “pequenos defeitos”, é desinformada o suficiente para adotar os Cunhas, os Bolsonaros, os Aécios como exemplos de correção.

Para muitos políticos, ser citado na operação Lava Jato significa receber imediatamente sentença de culpa. Afinal, o delator afirmou, quem irá desmentir? Se Julio Camargo da Toyo Setal alega que Eduardo Cunha recebeu pelo menos 5 milhões de dólares, é um dedo-duro e não tem credibilidade.

Todo o escândalo da Petrobrás teve a anuência de Dilma, roubo da quadrilha do PT, o conchavo das empreiteiras financiadoras de campanha. Nenhum desses raciocínios se aplica a Geraldo Alckmin e seu encalhado metrô. As empresas contratadas pelo tucanato paulista pagarão alguma multa e ficarão como as únicas vilãs de todo o esquema.

Na semana da independência, quando a classe média está achando maravilhoso o discurso rasteiro do “cantor” Fabio Junior em Nova York e replicando nas redes sociais com comentários do tipo “Lindoooo!!!!”, poucos sabem que PT, PSOL, PcdoB, votaram favoravelmente ao fim do financiamento empresarial de campanha. Os votos para manutenção desse sistema vieram dos partidos de direita que hoje puxam a gritaria de “Chega de corrupção”.

Eduardo Cunha e companhia podem ser citados e passam ilesos. Continuam a ter os microfones abertos para uma mídia desonesta que fala a língua da tal classe média com técnica minuciosamente pensada. Basta ver o perfil dos pré-candidatos à prefeitura de São Paulo.

Eduardo Cunha para presidente! Eu, para refugiado na Macedônia.

Mauro Donato
No DCM
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Não é só a TV; circulação dos jornais do grupo Globo também cai sem parar


Para quem acredita na “sabedoria do mercado” aí está um bom argumento: o “mercado de leitores” dos jornais das Organizações Globo — mesmo detendo, aqui no Rio de Janeiro, um quase-monopólio — não para de encolher.

E que não se culpe a crise,  até porque o Grupo Globo é o maior pregoeiro do “baixo-astral” econômico não é de hoje.

O coleguinha Ivson Alves, um herói que mantém há quase 20 na rede o site Coleguinhas, apurou os dados de circulação das publicações do Infoglobo e da Época (que é da Editora Globo) e o resultado está a seguir.

Resultado que, como diz o Ivson, não precisa de muitas considerações, porque se autoexplica e explica — embora não justifique — as demissões em massa feitas com aquele critério estranho — mas não raro entre os gestores “modernos” de empresas e governos — segundo o qual diante de lucros menores barateia-se o produto perdendo em qualidade.

Com isso, claro, vende-se (ou arrecada-se) cada vez menos.

Mas isso não vem ao caso, não é?

Os números do Infoglobo

Ivson Alves

Circulação O Globo (agosto/2012 - julho/2015) 
Minhas fontes também devem andar um tanto injuriadas com os passaralhos.

Só encontro essa explicação para a rapidez com que responderam ao pedido de informações sobre como anda a circulação dos principais veículos do Infoglobo e da Editora Globo (para efeito de comparação), elas que são sempre tão reservas e lentas.

Aqui estão eles e, logo abaixo de cada, uma análise — rápida porque não precisa ser analista de cenário para ler os gráficos e tabelas, cujos números e curvas são quase autoexplicativos.

1. Nos últimos 36 meses (agosto/2012 a julho/2015), a circulação somada dos dois principais jornais do Infoglobo caiu 25% (perda de 1 a cada 4 leitores em três anos), de 438.423 para 328.576, com viés de queda constante, especialmente no caso do Globo. Esse quadro explicaria a decisão de Frederic Kachar de fazer com Ascânio Seleme (O Globo) e Octávio Guedes (Extra) reportem-se diretamente a ele, o que, certamente, limitará a autonomia de ambos, se não de imediato, no médio prazo.

Circulação Extra (agosto/2012 - julho/2015) 
2. O caso mais grave é do Extra, com redução de 32% (menos 1 a cada 3 leitores), de 199.993 (agosto/2012) para 135.815 (julho/2015). Essa forte queda talvez explique a ordem para que Octávio Guedes dedique-se exclusivamente ao jornal, deixando sua função na CBN.

3. Embora melhor, a situação do Globo não se mostra nada confortável. Houve uma queda de 21,6% ( defecção de 1 a cada 5 leitores), de 248.430 para 194.761 (menos do que o Extra há três anos), no período enfocado. Outro fator a considerar: olhando a curva, observa-se que a queda do Globo é mais constante do que a do Extra, que ainda comporta alguns picos, embora não cheguem a alterar significativamente a trajetória de queda.

(Observação do Tijolaço: não se pode usar apenas a internet como explicação para o decréscimo da circulação: O próprio O Globo comemorava, em novembro de 2011, a marca recorde de 264.382 jornais vendidos por dia no primeiro semestre daquele ano. Comparada à média do 1º semestre deste ano (198.413), a queda foi de 25%, ou um de cada quatro leitores)

Circulação Época (julho/2012 - junho/2015) 
4. Dentro deste quadro, a Época pode ser considerada um caso de sucesso — talvez por isso, Frederic Kachar tenha sido transferido da EdGlobo para a Infoglobo: a queda foi de apenas 2,5%, de 389.698 para 380.018 exemplares, tomando-se por base o período de 36 meses entre julho de 2012 e junho de 2015. No entanto, há que se observar dois pontos:

a. A resiliência dos leitores de revista é maior em comparação com os de jornal no momento de abandonar a publicação — traduzindo: quem compra revista demorar mais a deixar de lê-la do que os de jornal, especialmente quando se trata de cancelar assinaturas.

b. Olhando-se a tabela e a curva mais de perto, observa-se que entre o pico de novembro de 2013 (412.265 exemplares) e o fina do período (junho/2015) a queda de circulação acentuou-se, chegando a 7,8% .
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Muito para nada

Por caminhos muito diferentes, Lula e Fernando Henrique imaginam soluções muito semelhantes para a complicação mais acirrada deste sempre complicado país. Um tanto originais nas formas de suas propostas, não o foram no teor, já expresso por um ou outro empresário.

Lula já falara, mais de uma vez, na "união dos que pensam no país". Agora elevou o estado de ânimo e a união imaginados: "Se recuperarmos a harmonia política (...)". Harmonia, nada menos.

Do impeachment, passando pela Dilma como "pessoa honrada", pela entrega da "solução" aos tribunais, pela "grandeza da renúncia", até outras variantes, Fernando Henrique está agora com a solução vinda de "um bloco de poder": "É algo que engloba, além dos partidos, os produtores, os consumidores, os empresários e os assalariados, e que se apoia também nos importantes segmentos burocráticos do Estado, civis e militares". Para ser a união de todo o país, só faltaram as passistas de escolas de samba.

Mas, nessas propostas, onde fica a realidade? Não é isso, por certo, mas parecem propostas de ambição grandiosa o bastante para que nada seja feito. Perdeu-se no tempo, em ambições pessoais e mediocrização política, a aproximação possível entre o PSDB, quando se propunha a ser social-democrata, e os que priorizam as políticas de combate às desigualdades, tantas, que caracterizam o país.

Hoje, o PT e os demais componentes deste segmento admitiriam por conveniência, só por isso, alguma aproximação com a linha encabeçada pelo PSDB. Motivo, portanto, incapaz de sustentar um programa e ações de unidade razoável. E, já de saída, o colapso mental do PT nem teria contribuição a dar para uma tentativa de pacto entre opostos.

O PSDB, depois de desfigurado por ambições e pela degradação do pensamento político, por oportunismo deixou-se minar pelos militantes da antipolítica. Transfigurou-se em representação partidária dos que anseiam por uma "saída pela direita", bem à direita.

Como os petistas são os aturdidos porque emudecidos, os peessedebistas são os aturdidos porque, falastrões, não conseguem dizer a mesma coisa dois dias seguidos.

O nível a que a animosidade chegou tem poucos precedentes no Brasil. Muitos falam em ódio, e é isso mesmo. Os três maiores jornais têm publicado artigos com nível de ódio e insulto que, retratando bem esse estado, mesmo nas grandes crises do passado só apareceram nos poucos jornais da ultradireita.

Essa extremização furiosa reflete e insufla um estado em que tudo de ruim é possível e nada de bom tem oportunidade. E o entendimento amplo seria muito bom para o país.

Janio de Freitas
No fAlha
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