5 de set de 2015

Teste usa 10 indicadores para detectar sinais de Alzheimer em 5 minutos

Questionário de múltipla escolha foi desenvolvido por médico americano e pode ser conduzido por pessoas sem especialização, mas não substitui diagnóstico formal.
Galvin e sua equipe desenvolveram o Sistema Rápido de Avaliação da Demência
Foto: Florida Atlantic University/ BBC
Um neurologista dos Estados Unidos desenvolveu um teste de apenas dez perguntas que pode detectar, em cerca de cinco minutos, os primeiros sinais do Mal de Alzheimer.

Segundo o pesquisador, o teste não é um diagnóstico de Alzheimer ou outras formas de demência, mas pode "identificar cedo mudanças cognitivas associadas a demências comuns como Alzheimer (...) ou outros problemas como depressão, traumas cerebrais e disfunções causadas por medicamentos".

O estudo do médico foi publicado na Alzheimer's and Dementia, revista da Associação de Alzheimer dos EUA.

O teste foi distribuído a clínicas nos EUA e está disponível no final deste texto.

A combinação de provas cognitivas mais usada atualmente para diagnosticar a demência — conhecida como "regra de ouro", ou "gold standard" — pode levar cerca de duas horas se for realizada por um médico experiente. O novo teste pode ser conduzido por não especialistas como parentes e cuidadores.

James E. Galvin, ex-professor da Universidade de Nova York, é atualmente pesquisador do Colégio de Medicina da Universidade Florida Atlantic, em Boca Ratón.

Galvin e sua equipe usaram seu teste, chamado "Sistema Rápido de Avaliação da Demência" (QDRS, na sigla em inglês), em cerca de 300 pacientes, que também foram avaliados pelo método tradicional.

"Análises estatísticas rigorosas demonstram a validade do QDRS não apenas para distinguir indivíduos com ou sem demência, mas para determinar em que fase da doença eles estão", disse Galvin à BBC Mundo, site da BBC em espanhol.

Dez perguntas e suas limitações

A demência é um termo genérico que descreve uma perda progressiva de funções e capacidades cognitivas que interferem com a habilidade de uma pessoa em ser independente, explicou o cientista.

"O Alzheimer é a causa mais comum da demência, mas há mais de cem causas", disse. "Neste estudo também incluímos demências por outras causas, como a demência vascular, a degeneração lobar frontotemporal (doença degenerativa marcada por mudanças no comportamento e personalidade) e a demência com Corpos de Lewy (doença degenerativa que inclui sintomas do mal de Parkinson)."

O questionário do médico inclui dez perguntas de múltipla escolha, com cinco opções de resposta cada, descrevendo sintomas que vão desde envelhecimento normal até demência severa (veja abaixo).

Cada pergunta cobre áreas diferentes — de memória a comunicação, orientação, higiene, atenção e concentração, entre outras.

A pontuação final vai de 0 a 30, e números mais elevados indicam um maior impedimento cognitivo.

"A grande limitação é a confiabilidade de quem preenche o questionário, de ser alguém que não prestou atenção aos detalhes, ou não conhece bem o paciente, nega-se a aceitar a presença da doença ou tem algum interesse pessoal de que o paciente seja declarado incapaz", explicou Galvin à BBC.

Já a vantagem do novo teste, acrescentou, é sua rapidez.

"Ele permite detectar a doença em suas primeiras etapas, quando é mais provável que as intervenções sejam mais eficientes."

Ele advertiu que uma pontuação alta no teste deve ser seguida por uma visita a um especialista.

"Mas em lugares onde há poucos especialistas, o teste pode ajudar o paciente a ter acesso rápido a diferentes serviços ou determinar, de forma sucinta, como o paciente está respondendo à terapia, se a doença está progredindo ou não", prosseguiu Galvin.

Brasil

A América Latina é uma das regiões que serão mais impactadas pelo aumento dos casos de demência, segundo o relatório Demência na América, publicado em 2013 pela ONG Alzheimer's International.

A publicação diz que o número de pessoas com a doença "subirá na América Latina dos 7,8 milhões atuais para mais de 27 milhões em 2050".

No Brasil, estima-se que haja 1,2 milhão de pessoas com Alzheimer — menos da metade delas diagnosticada —, diz à BBC Brasil o neurologista Rodrigo Schultz, coordenador do ambulatório de demência grave da Unifesp e diretor científico da Associação Brasileira de Alzheimer.

Ele diz que, embora o novo teste americano não possa ser considerado um diagnóstico preciso — que requer uma análise mais detalhada de por que o paciente pode estar tendo perda de memória —, trata-se de uma ferramenta importante para alcançar um público mais amplo.

"Pode ser um grande benefício em um país em que muitos não tenham acesso a neurologistas. Um médico de família pode fazer as perguntas (do teste) e, dependendo das respostas, encaminhar o paciente para um serviço de referência."

Perguntas e pontuações do sistema rápido de avaliação da demência:

O teste avalia mudanças nas habilidades cognitivas e funcionais do paciente. Você deve comparar o paciente agora com como ele costumava ser - a questão central é a mudança. Em cada categoria, escolha a frase que melhor descreve o paciente e anote quantos pontos ela vale. Some os pontos de cada questão e veja, ao final do teste, o que essa pontuação significa.

Nem todas as características precisam estar presentes para que a resposta seja escolhida.

Memória

0 ponto - Não há perda de memória óbvia. Esquecimentos irregulares que não interferem com as atividades diárias

0,5 ponto - Esquecimento leve e regular ou parcial de eventos, que pode interferir com atividades diárias; repete perguntas e frases, coloca objetos em lugares incomuns; esquece compromissos

1 ponto - Perda de memória leve a moderada, mais perceptível quando se trata de eventos recentes; interfere com as atividades diárias

2 pontos - Perda de memória moderada a severa; novas informações são rapidamente esquecidas; só lembra de informações aprendidas com muito esforço

3 pontos - Perda de memória severa; quase impossível recordar novas informações; memória de longo prazo pode estar afetada

Orientação

0 - Plenamente orientado quanto a pessoas, espaço e tempo praticamente sempre

0,5 - Leve dificuldade em manter controle do tempo; pode esquecer datas com mais frequência do que no passado

1 - Dificuldade leve a moderada em acompanhar o tempo e sequências de eventos; esquece o mês do ano; orientado em locais familiares, mas fica confuso fora de espaços conhecidos; perde-se e fica vagando

2 - Dificuldade moderada a severa; geralmente desorientado quanto a tempo e espaço (familiar ou não); frequentemente tem dificuldade em lembrar do passado

3 - Orientado apenas quanto ao próprio nome, ainda que possa reconhecer parentes

Tomada de decisões e resolução de problemas

0 - Resolve problemas cotidianos sem dificuldades; lida bem com questões pessoais e financeiras; habilidades de tomada de decisões consistentes com seu histórico

0,5 - Leve debilidade (ou maior demora) na resolução de problemas; dificuldade com conceitos abstratos; decisões ainda coerentes

1 - Dificuldades moderadas em lidar com problemas e tomar decisões; delega muitas decisões a terceiros; percepção e comportamento sociais podem estar levemente comprometidos; perda de discernimento

2 - Gravemente debilitado em lidar com problemas, tomando apenas decisões pessoais simples; percepção e comportamento sociais frequentemente debilitados; sem discernimento

3 - Incapaz de tomar decisões ou resolver problemas; terceiros tomam quase todas as decisões para ele ou ela

Atividade fora de casa

0 - Leva adiante sua profissão de forma independente, realiza compras, atividades comunitárias e religiosas, voluntárias e em grupos sociais

0,5 - Leve debilidade nessas atividades se comparado a desempenhos prévios; leve mudança nas habilidades como motorista; ainda capaz de lidar com situações de emergência

1 - Incapaz de funcionar de modo independente, mas ainda capaz de acompanhar compromissos sociais; parece "normal" a terceiros; mudanças perceptíveis nas habilidades como motorista; preocupações quanto à habilidade dela de lidar com situações de emergência

2 - Sem habilidade de praticar atividades fora de casa de forma independente; parece bem o suficiente para ser levado para atividades exteriores, mas geralmente precisa estar acompanhado

3 - Incapaz de praticar atividades de forma independente; parece muito doente para ser levado a atividades fora de casa

Habilidades em casa e hobbies

0 - Atividades em casa, hobbies e interesses pessoais mantidos em relação ao comportamento prévio

0,5 - Leve debilidade ou perda de interesse nessas atividades; dificuldade em operar equipamentos (sobretudo os mais novos)

1 - Debilidade leve porém definitiva em casa e em hobbies; abandonou tarefas de maior dificuldade, bem como hobbies e interesses mais complexos

2 - Preservadas apenas as atividades diárias mais simples; interesse muito restrito em hobbies, cumprido com pouco rigor

3 - Sem habilidade significativa em tarefas domésticas ou em hobbies prévios

Hábitos de higiene pessoal

0 - Totalmente capaz de se cuidar, vestir, lavar, tomar banho, usar o banheiro

0,5 - Mudanças leves nas habilidades com essas atividades

1 - Precisa ser lembrado de ir ao banheiro, mas consegue fazê-lo de forma independente

2 - Precisa de ajuda para se vestir e limpar; ocasionalmente incontinente

3 - Requer considerável ajuda com a higiene e cuidado pessoal; incontinência frequente

Mudanças de comportamento e personalidade

0 - Comportamento social apropriado, nas esferas pública e privada; nenhuma mudança na personalidade

0,5 - Mudanças questionáveis ou muito leves em comportamento, personalidade, controle emocional, pertinência das escolhas

1 - Mudanças leves em comportamento ou personalidade

2 - Mudanças moderadas em comportamento ou personalidade, afetando a interação com as pessoas; pode ser evitado por amigos, vizinhos ou parentes distantes

3 - Severas mudanças de comportamento ou personalidade, tornando inviáveis ou desagradáveis as interações com terceiros

Habilidades de linguagem e comunicação

0 - Nenhuma dificuldade de linguagem ou esquecimento de palavras; lê e escreve tão bem quanto no passado

0,5 - Dificuldade leve porém mostra consistência em encontrar as palavras ou termos descritivos; pode levar mais tempo para completar raciocínio; leves problemas de compreensão; conversação debilitada; pode haver efeitos sobre leitura e escrita

1 - Dificuldade moderada em encontrar as palavras certas; incapaz de nomear objetos; notável redução em vocabulário; compreensão, conversação, leitura e escrita reduzidas

2 - Debilidades moderadas ou severas na fala ou na compreensão; dificuldade em comunicar pensamentos aos demais; habilidade limitada em leitura e escrita

3 - Déficits severos em linguagem e comunicação; pouca ou nenhuma fala compreensível

Humor

0 - Nenhuma mudança de humor, interesse ou motivação

0,5 - Ocasionais momentos de tristeza, depressão, ansiedade, nervosismo ou perda de interesse/motivação

1 - Questões moderadas porém diárias com tristeza, depressão, ansiedade, nervosismo ou perda de interesse/motivação

2 - Questões moderadas com tristeza, depressão, ansiedade, nervosismo ou perda de interesse/motivação

3- Questões severas com tristeza, depressão, ansiedade, nervosismo ou perda de interesse/motivação

Atenção e concentração

0 - Atenção normal, concentração e interação com o meio que o rodeia

0,5 - Problemas leves de atenção, concentração ou interação com o ambiente; pode parecer sonolento durante o dia

1 - Problemas moderados de atenção e concentração; pode ficar olhando fixamente para um ponto no espaço ou de olhos fechados durante alguns períodos; crescente sonolência durante o dia

2 - Passa parte considerável do dia dormindo; não presta atenção ao seu redor; quando conversa diz coisas sem lógica ou que não têm relação ao tema

3 - Habilidade limitada ou inexistente para prestar atenção ao ambiente externo.

__________________________________________________________________________

Pontuação: O teste não equivale a um diagnóstico médico. A pontuação final vai de zero a 30, e pontuações mais altas sugerem maior perda cognitiva. Os padrões de avaliação, a partir da aplicação do teste em 267 pacientes, indicam que:

Normal: 0-1 pontos

Leve debilidade cognitiva: 2 a 5 pontos

Demência leve: 6 a 12 pontos

Demência moderada: 13 a 20 pontos

Demência severa: 20 a 30 pontos

Pontuações altas indicam que o paciente deve passar por uma avaliação médica para um diagnóstico formal. Pontuações "normais" sugerem que é improvável que o paciente sofra de demência, mas é possível também que a doença esteja em estágios muito iniciais. Caso haja suspeitas de demência por outros motivos, é bom buscar ajuda profissional.

(O teste é de autoria de James E Galvin e New York University Langone Medical Center)

Alejandra Martins
BBC Mundo
Leia Mais ►

Pesquisas fora de hora

Medir agora a intenção de voto em 2018 serve apena para tentar enfraquecer Lula

É perceptível o medo que as oposições têm de Lula. Na política, nas corporações e na "grande imprensa", se inquietam com a possibilidade de uma candidatura do ex-presidente em 2018. Podemos estar certos: elas próprias não acreditam no que alegam quando dizem não o temerem.

A sério nenhum expoente oposicionista endossa o raciocínio simplório de que a atual crise de popularidade da presidenta Dilma Rousseff, somada ao desgaste da imagem do PT causado pela Operação Lava Jato, eliminam a chance de sucesso de uma candidatura de Lula. Repetem-no para convencer a plateia e a si mesmos, mas a cada vez que reiteram a tese de que Lula não venceria, mais revelam o quanto creem em sua força.

De uns tempos para cá, para tentar demonstrar o enfraquecimento do ex-presidente, uma das estratégias mais utilizadas tem sido a divulgação de pesquisas de intenção de voto. Apenas nas últimas semanas, foram cinco, todas com Lula em segundo lugar, atrás dos possíveis nomes tucanos.

É claro que a razão de ser de algumas foi somente fortalecer a hipótese da candidatura de Aécio Neves pelo PSDB. Obrigado a enfrentar Geraldo Alckmin e José Serra, considerados favoritos na disputa interna por muitos, Aécio faz o mesmo que Serra fez com ele em 2010. Desta feita, em razão do recall de 2014, o argumento de "estar na frente nas pesquisas" lhe é favorável, e não será surpresa se sua pré-campanha promover a multiplicação de levantamentos de agora em diante.

O alvo principal sempre é, porém, Lula. O discurso sobre sua "fraqueza" visa apenas secundariamente a opinião pública. Embora não seja irrelevante desmotivar seus eleitores no horizonte de daqui a três anos, o jogo é de curto prazo e seu objetivo não é a sociedade, mas o interior do sistema político.

Ao afirmar que Lula seria derrotado em 2018, as oposições apostam no efeito imediato no Congresso Nacional. Não é segredo que a perspectiva do retorno do ex-presidente mantém minimamente articulada a base parlamentar do governo e que, sem ela, as dificuldades de Dilma Rousseff, que já são grandes, seriam ainda maiores.

É, no entanto, um despropósito pretender retirar conclusões como essas de pesquisas de intenção de voto feitas nas condições atuais e tão longe da próxima eleição. Em fases como a que vivemos, quando a população se sente insatisfeita e descrente no governo, elas tendem a captar atitudes e opiniões exclusivamente conjunturais, de pouca utilidade preditiva. A característica da pesquisa de ser a "fotografia de um moento" se acentua e, a mais de três anos de distância, a suposição de "a eleição ser hoje" mostra-se completamente sem sentido.

Ao se considerar que a popularidade atual do governo Dilma é muito parecida com aquela de Fernando Henrique Cardoso no início do segundo mandato, podemos tirar daquele período alguma lição que nos leve a compreender o presente e a imaginar o futuro. Mais especificamente, a entender que impacto tem uma crise de popularidade nas intenções de voto na eleição seguinte, na qual o governante não é candidato, mas seu partido ou grupo político vai concorrer.

Como sabemos, FHC começou pessimamente o segundo mandato, em meio a uma grave crise econômica, com inflação e desemprego na estratosfera, acossado por denúncias de favorecimentos a grupos econômicos e obrigado a lidar com uma oposição política ativa, manifestações de rua e pedidos de impeachment. Em razão disso, sua popularidade caiu a níveis muito baixos: segundo dados de uma pesquisa do Instituto Vox Populi feita em setembro de 1999, apenas 8% da população avaliava positivamente o governo.

Como é de se supor, o cenário eleitoral era desfavorável ao condomínio tucano-pefelista. Em nenhuma das inúmeras pesquisas realizadas pelo Vox Populi entre 1999 e 2000, a soma de quaisquer candidatos do PSDB e do PFL ultrapassou 14%. José Serra, o tucano mais forte, nunca foi além de 7%. A medir a situação por elas e de acordo com os demais institutos, o governismo estava fadado a uma derrota acachapante em 2002.

Não foi o que vimos quando a eleição chegou. Serra só ficou atrás de Lula, disputou com ele o segundo turno e alcançou cerca de 40% dos votos válidos, quase exatamente o mesmo percentual de Alckmin em 2006. Ou seja, na hora de votar, prevaleceram as identidades mais profundas do eleitorado e não a conjuntura da avaliação do governo.

Se, em 2002, Serra cresceu, apesar de sua limitadíssima identificação popular, imagine-se o favoritismo com que Lula pode chegar em 2018. O que, aliás, explica o medo das oposições e por que elas tentam, de qualquer maneira, impedir sua candidatura.

Marcos Coimbra
No CartaCapital
Leia Mais ►

Sinal da cruz

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=190

Os procuradores e autoridades conexas da Lava Jato se declaram profissionalmente católicos, isto é, de visão universalista, sem aversão aos recém-convertidos ao mundo da moralidade nem intimidados por altares poderosos. Do mais alto cume ao modesto montículo da montanha de autoridades, eles anunciam que extrairão a golpes de delações premiadas, indícios e sussurros, a morrinha da corrupção exalada pela Petrobrás e sua antiga auréola, agora penico, de empreiteiras. Esse radicalismo vertical ora se apresenta em discreto namorico com o ferrabrás princípio de que o fim justifica os meios, ora desconsidera pistas ao recusar que os mesmos meios possam justificar a descoberta de novos fins. Os agentes costumam desqualificar as suspeitas sobre a lisura de seus procedimentos por que se sustentam no valor de face do noticiário da imprensa. Negligenciam o detalhe de que um noticiário jornalístico fragmentado, além de parcial, é o que resta ao público interessado. Justificados pela transparência democrática, quando convém, e pela preservação da inocência de investigados não condenados, quando assim arbitram, os funcionários da Polícia Federal e do Ministério Público ora vazam trechos de delações, ora distribuem fotocópias de documentos sem contexto, ora informam que há novos depoimentos de delatores-arroz-de-festa e ora liberam balões batizados e crismados com nomes e apelidos de possíveis futuros presidiários. Tal política de comunicação condiciona a imprensa e, através dela, os leitores atentos, deixando-os à mingua de uma visão coerente da catadupa de informações desencontradas, dezenas de nomes que se atropelam para retornar mais tarde, repetindo-se à exaustão propagandística a tipologia dos crimes de que estariam sendo acusados. O parentesco com manipulação de informação e produção subliminar de consenso, negativo, no caso, é inegável.

O sempre surpreendente desenrolar do processo enfrenta a acusação de estar contaminado por preferências político-partidárias. Repelida com veemência, por vezes com petulância e grosseria, a acusação, contudo, se apoia em indícios genuínos, a limitação temporal da investigação sendo o mais óbvio deles. Despachos e justificativas oficiais poderão, no futuro, esclarecer porque só cabem no processo os ilícitos ocorridos durante governos trabalhistas. Ainda segundo o ralo estoque informativo de que se dispõe, mais de um delator, implicado, suspeito, indiciado, público ou privado, ofereceu confissões bastante abrangentes, partidária e temporalmente. São obscuras as razões da rejeição a esses capítulos confessionais. Pela crua lógica do fenômeno universal da corrupção, são os partidos no poder que aproveitam as oportunidades de predação e, aí, sim, constituiria transcendente novidade histórica a descoberta de grande número de representantes da oposição no condomínio da ilicitude. Era só o que faltava, diria Maquiavel. Sendo a presença de oposicionistas naturalmente raras, no período, muito mais incompreensível é a aversão de juízes, policiais e procuradores a denúncias que ultrapassem os mandatos do PT e seus aliados.

O radicalismo vertical da Lava Jato, punindo das mais notórias personagens ao entregador de envelopes com dinheiro sujo, está longe de ser um processo efetivamente católico. Distender o eixo horizontal do tempo livraria a investigação da suspeita de partidarismo vertical por oportunismo temporal. Para ser católico, o processo e seus agentes devem se render ao tempo cívico e completar o sinal da cruz.
Leia Mais ►

Teresa de Calcutá: uma farsa do Vaticano

Teresa de Calcutá foi uma das fundadoras da congregação "Missionárias da Caridade". Em 1979 foi agraciada com o Prêmio Nobel da Paz e, em 2003, a Igreja Católica começou o processo de beatificação. Para os católicos é um símbolo da caridade cristã. A consideram como a missionária por excelência do século XX.

No entanto, um estudo recente da Universidade de Montreal, no Canadá, fornece novas informações sobre sua biografia e atividade. É intitulado "Les Cotes tenebreux de Mère Teresa" (O lado escuro de Madre Teresa) e foi elaborado por Genevieve Chenard, Serge Larivee e Carole Senechal. Os pesquisadores canadenses examinaram mais de 500 documentos que constam que o altruísmo e generosidade de Teresa não eram nada mais do que uma farsa de grandes proporções.

Sua biografia foi inventada por Malcolm Muggeridge, jornalista da BBC, que em 1969 a enalteceu no documentário "Something Beautiful for God" (Algo belo para Deus), apresentando ao mundo a imagem de uma missionária altruísta que dedicou sua vida aos pacientes pobres da Índia. Em 1971 o jornalista publicou um livro com o mesmo título.

A missionária recebeu doações no valor de dezenas de milhões de dólares para seus hospitais, que costumava chamar de "casas de doentes". Chegou a abrir centenas deles em diferentes países, mas de modo algum poderiam ser comparados a hospitais. Os doentes agonizavam deitados em esteiras no chão.

A imprensa publicou fotos desses pacientes para ajudar a freira a arrecadar milhões, inclusive dinheiro proveniente de ditadores cruéis como François "Papa Doc" Duvalier, do Haiti.

Ela chegou a receber em vida o apelido de "santa dos esgotos", porque serviu mais aos fins lucrativos da Igreja Católica do que para as necessidades de doentes e desamparados. A maior parte dos milhões em doações recebidas foram parar no Vaticano, deixando pacientes em condições desumanas, sem medicamentos ou cuidados.

Os médicos avaliaram as suas "casas de doentes" como "casas da morte" ou "morgues [depósito de cadáveres]". A Organização Mundial da Saúde recebeu várias denúncias de que esses lugares eram focos de expansão de epidemias. Uma antiga voluntária chegou a relatar que faltavam até aspirinas para fazer um pouco mais suportável a dor dos enfermos.

O pesquisador Sege Larivee diz que a missionária colocou em prática suas convicções sobre o sofrimento humano como um meio de salvação. A mulher acreditava que aqueles que mais sofressem estariam mais perto do céu e de Cristo.

Christopher Hitchens, um jornalista que trabalhava nos Estados Unidos, a denunciou por fraude através da publicação de seu livro “The Missionary Position: Mother Teresa in Theory and Practice” (1995) (A posição do missionário: Madre Teresa em Teoria e Prática). Em um parágrafo do livro pode-se ler: "Tenha em conta que as cifras globais de Madre Teresa são mais que suficientes para equipar várias clínicas de primeira classe em Bengala. A decisão de não fazer [...] é intencional. A questão não é o honesto alívio do sofrimento, mas a promulgação de um culto baseado na morte, no sofrimento e na submissão."

Naquela época, Christopher Hitchens foi "apedrejado" pela propaganda Católica por criticar o "Santa".

A missionária protegeu um padre pedófilo, o jesuíta Donald McGuire porque era seu amigo. Em 1993, o sacerdote foi demitido pelo Vaticano por abusar de uma criança. A missionária usou sua influência para que McGuire fosse restituído ao cargo.

Anos mais tarde, surgiram novas denúncias de pedofilia contra McGuire apresentadas por fieis católicos e autoridades. McGuire, finalmente, acabou sendo condenado a 25 anos de prisão por seus crimes.

Assista ao documentário de Christopher Hitchens, com legendas em espanhol:


Leia também:
Uma Fraude chamada Madre Teresa
Leia Mais ►

O jornalismo que não vê e se omite


O Brasil ficou chocado com os 84 segundos de imagens em preto e branco que assistiu nos principais telejornais do país na sexta-feira, 28 de agosto. Mostravam as cenas violentas de um assalto à luz do dia numa avenida movimentada de São Bernardo do Campo, SP, quando o ladrão esmurra o vidro de um carro, arranca a motorista que o dirigia, joga a mulher no chão e arranca com o veículo.

Foram cenas captadas às 8h da manhã do sábado anterior, 22, pelo sistema de segurança da prefeitura, num trecho da avenida José Fornari, no bairro Ferrazópolis, e divulgadas pelo jornal ABCD Maior. Repetida exaustivamente, a sequência impressiona pela brutalidade, que todo mundo vê. Os telejornais viram e reprisaram. Mas, o jornalismo fracassou em sua missão básica ao não ver, ali, o que devia ter visto, registrado e denunciado.

Vamos rever a cena captada com neutralidade pela câmera da avenida e ecoada com insensibilidade pela imprensa brasileira: 



Um homem de menos de 30 anos aproveita o trânsito parado, circunda por trás de um Honda Fit, como se fosse cruzar a avenida, e aos 10 segundos da gravação se volta de repente em direção à porta da motorista. Com inesperada violência, começa a esmurrar o vidro. O carro tenta arrancar. O primeiro murro acontece aos 15 seg. Aos 16 seg, um segundo murro. Aos 17, o terceiro. Ele força a abertura da porta aos 18, que se abre no segundo seguinte.

Com violência, puxa para fora a motorista, uma senhora de 64 anos, e a joga sobre o canteiro central da avenida, aos 25 segundos. Ele toma o lugar da motorista e arranca com o carro. Outra mulher, que estava no banco de passageiro, consegue sair pela porta direita, pega uma bolsa caída na avenida e vai ao encontro da amiga, caída sobre o canteiro central. Aos 59 seg, enfim, um homem cruza a avenida ao encontro das duas mulheres, para prestar algum socorro.

Na câmera e na consciência

A motorista de 64 anos, a psicopedagoga Rosa Maria Costa, deslocou o tornozelo e sofreu quatro fraturas na perna direita. O ladrão acabou capotando o carro na Via Anchieta e, no acidente, ainda atropelou um homem de 65 anos. Um carro parou para socorrer, o motorista desceu e o ladrão roubou o outro carro, desaparecendo. Um fato nada estranho na Grande São Paulo, onde acontece um roubo ou furto de carro a cada quatro minutos. Entre janeiro e julho, na maior região metropolitana do país, 74.129 veículos foram surrupiados por bandidos.

O que mais espantou na cena de violência em São Bernardo, que todo mundo viu, foi a cena que a imprensa não viu, não comentou ou desprezou. Ninguém da TV, rádio ou jornal, nenhum colunista, nenhum blogueiro, nenhum militante das ubíquas redes sociais destacou o vergonhoso espetáculo coletivo de acovardamento, omissão, negligência e falta de solidariedade que marcou o entorno da agressão na avenida.

Está tudo lá, gravado para sempre na câmera da TV e na consciência envergonhada de quem tudo viu e nada fez. Ou fez errado. Como o motorista do carro branco, provavelmente um Corolla, parado imediatamente atrás do carro atacado pelo assaltante.

Quando o agressor desferiu seu terceiro murro na porta, aos 17 seg, o motorista do Corolla começa a dar ré no carro. Se tivesse feito o contrário, acelerando em direção ao atacante, que não estava armado, ele teria frustrado a agressão e afugentado o agressor. Em vez disso, o carro branco recua uns dois ou três metros, lentamente. No momento em que Rosa Maria é jogada na avenida, o Corolla vira à sua direita e desaparece de cena atrás de uma van parada ao lado, com um motorista, também inerte, à direção. O carro roubado, o Corolla e a van arrancam quase ao mesmo tempo, enquanto a vítima rolava na avenida.

No canto inferior direito da tela, três homens passam pela calçada, indiferentes ao drama das duas mulheres no canteiro central. Só aos 59 seg aparece um homem de jaqueta preta, que atravessa a avenida para socorrer as duas mulheres. Durante os 84 segundos que dura a cena gravada, o que se vê e ninguém comenta é um desfile pusilânime de indiferença, de gente que não se importa, que não vê, não olha, não para e não comete nenhum gesto de solidariedade. Além da van e do Corolla que fugiram da cena do crime, outros quatro carros, dois ônibus e um caminhão passaram pelo local, no sentido do carro assaltado. Do outro lado da avenida, no sentido inverso, passaram 21 carros neste curto espaço de tempo — e ninguém parou, nem por curiosidade.

Nesta sociedade cada vez mais integrada por redes sociais, cada vez mais conectada por ferramentas como Facebook, Twitter e WhatsApp, cada vez mais interligada por geringonças eletrônicas que deixam todo mundo plugado em todos a todo momento, a cena brutal de São Bernardo escancara o chocante estágio de uma civilização cada vez mais desintegrada, mais desconectada, mais desintegrada. É uma humanidade apenas virtual, falsa, narcisista, cibernética, egoísta, que se decompõe em pixels e se desfaz na tela fria da vida cada vez mais distante e desimportante.

Ninho da omissão

A polícia, sempre fria e técnica, recomenda não reagir em casos de assalto, para evitar danos maiores. No episódio deprimente de Rosa Maria, tratava-se não de reagir, mas de defender uma vida, de proteger um ser humano, de cessar uma agressão, de impedir um abuso, obrigação que cabe a todos e a cada um de nós. A reação de um, um apenas, motivaria o auxílio de outro, e mais outro, numa sucessão de atos reflexivos de autodefesa em grupo que explicam a evolução do homem da caverna para o abrigo solidário da civilização.

Ninguém fez isso — na hora certa, com a firmeza necessária, com a generosidade devida, com a presteza impreterível. Esse espetáculo coletivo de insensibilidade e de crua indiferença atropelou toda a imprensa, em suas várias plataformas. Naufragaram até mesmo os programas e apresentadores que vivem da violência explícita e cotidiana de nossas cidades, grandes ou pequenas, com seu festival interminável de 'mundo cão'.

Os programas das grandes redes de TV, que cruzam as manhãs e tardes do País com a tediosa banalidade de sangue, morte e violência do cotidiano, se refestelaram com a caso de São Bernardo, reprisando várias vezes a cena da avenida. Como sempre, no estilo furioso e mesmerizado de todos, despontou a tropa de elite da truculência na TV, sob o comando de José Luiz Datena (Band), Marcelo Rezende (Record) e Ratinho (SBT). Aos gritos, aos berros, no jeito gritado de um e de todos, ecoaram como de hábito a visão policial e teratológica da realidade, deixando de lado a preocupação social de uma segurança pública falida e desarvorada pelas balas perdidas da incompetência dos governantes.

Só esqueceram do entorno, da cena explícita de covardia e indiferença das pessoas que testemunham, assistem, presenciam, mas não interferem, não intervêm, não reagem. Ninguém lembrou do exemplo de São Bernardo para denunciar esta falsa sociedade compartilhada, mais preocupada em seus interesses compartimentados, que nenhuma rede social humaniza ou aproxima, a não ser virtualmente.

Um jornalismo que não vê o que é necessário, que não percebe o contexto além do texto, descumpre a sua missão. Esconde a realidade, ao invés de revelá-la. O repórter fiel ao seu ofício deve estar atento ao murro do assaltante no vidro do carro. Mas deve prestar atenção maior ao Corolla branco e aos carros que passam por ali, indiferentes ao que se vê e ao que acontece.

O bom jornalismo sabe que é nesse ninho da omissão que cresce a violência e prospera o fascismo.

Luiz Cláudio Cunha
Leia Mais ►

Agenda 2020 da RBS

Lasier Martins é o projeto da RBS para o Piratini em 2020. À moda Cosa Nostra, a RBS utilizou o braço da Rádio Gaúcha para levar o pitt bull a pastorear sua manada de bovinos pelo interior do RS. Não bastava ter uma Ana Amélia Lemos no PP gaúcho, a RBS também precisa de uma sigla de aluguel. Foi Vieira da Cunha que entregou a barriga de aluguel para que a RBS pudesse parir outro senador. Assim, a RBS é o único grupo de comunicação que não precisa de intermediários, já tem só pra si dois senadores. Por pouco não conseguiu emplacar a Miss Lagoa Vermelha no Piratini. Não funcionou, então montou o plano B e emplacou o Tiririca da Serra. A estratégia foi criminalizar o PT e Tarso Genro. Poderia ser qualquer um menos alguém do PT. Por quê a RBS tem tanto medo do PT? Claro, o sonho da RBS é ter alguém que lhe entregue, seja em marketing ou facilidades públicas aos finanCIAdores ideológicos, uma CRT a cada quatro anos.

A parceria da RBS com prefeituras do interior, mediante o finanCIAmento de parceiros ideológicos, explica porque o RS está muito atrás de Santa Catarina. Outra explicação está na presença do latifúndio no RS. Em Santa Catarina impera a pequena propriedade.

O atraso gaúcho atende pela união do lumpempresariado com o lumpenjornalismo. Em que outro estado um grupo de jornalismo criminalizaria um governo que “ousasse” criar uma Universidade Estadual? Olívio Dutra foi diabolizado pela RBS.

Claro, contou com meninos de aluguel, que se venderam pois dois minutos de presença, ao vivo, no Jornal Nacional. Vieira da CUnha, que pelo sobrenome não se perca, alugou seu PDT em troca do acobertamento da RBS. Hoje é Secretário, da cota da RBS, de Educação. Não é sem motivos que a RBS faz vistas grossas ao abandono de Porto Alegre por José Fortunati. Assim, a RBS mediante seus muitos braços mafiomidiáticos detém dois senadores (Ana Amélia & Lasier), um ventríloquo no governo do Estado, um estafeta na Secretaria de Educação, e um palerma de Prefeito de Porto Alegre.

Só os midiotas não entendem. Para entender bastaria ver quem são os que estão na Lista Falciani do HSBC, no CARF, na Operação Zelotes, Operação Rodin, Operação Pavlova. Por que, vira e mexe, o Gerdau é figura presente para ditar o que é bom ou ruim para o Estado? Será porque o Gerdau, como a RBS, tem interesse no CARF?! Por que eles não param de lorotas, deixem de sonegação e paguem em dia os impostos?!

E ainda há quem não entenda porque o RS está tão mal.


Um relato sobre a misteriosa Agenda 2020

Postado por Juremir em 24 de agosto de 2015

Há nomes que surgem do nada e começam a ter grande influência nos bastidores da administração pública formulando sugestões de políticas que vão se fixando como entidades misteriosas. Por toda parte, ouve-se falar na tal Agenda 2020. De onde surgiu? O que é? Em princípio, é a plataforma de um grupo de empresários que busca implementar Estado mínimo, apostar em políticas de incentivos fiscais para empresas e fazer lobby para os seus amplos interesses. Recebi um interessante e-mail de sobre a Agenda 2020 de uma fonte que não pode ter o seu nome divulgado por medo de sofrer represálias muito óbvias.

Uma fonte entranhada.

“Existe uma empresa que é onde funciona a Agenda 2020, a Polo RS, coordenada por Ronald Krumenauer, e os projetos dela são mantidos por colaboração dos voluntários da Agenda, voluntários esses todos empresários de alta classe do Estado. O que sempre me chamou atenção foi o fato de que a Agenda não tinha nenhuma atividade específica. Mesmo assim eles mantém um corpo de funcionários até pequeno, mesmo assim nunca vi um lugar onde o dinheiro saia de forma tão fácil. A atividade principal deles foram os Debates RS, onde visitavam diversas cidades a apresentaram sua agenda junto com o senador Lasier Martins a equipe da Rádio Gaúcha. Outro fato interessante se refere à sugestão de uma pauta sobre sonegação de impostos, já que sempre escutei discursos indignados contra os impostos no Brasil. A resposta foi bastante clara de porque aquela pauta não deveria ser levantada: ‘Tu queres pegar mais da metade do conselho da Polo’. O presidente da Agenda 2020 é uma figura meramente figurativa, quase nunca aparece no local e nas poucas vezes que vai fica menos de 10 minutos no local em conversa reservada com Ronald. Bom há outras questões sobre a Agenda que podemos levantar, especialmente de onde vem o dinheiro que sustenta aquela estrutura, já que o escritório está localizado em uma região muito cara da cidade, sem contar os gastos com pessoal, viagens e etc”.

A Agenda 2020 é parceira da RBS.

Nada de irregular. Só desconhecido do público mais amplo. O time da Polo é pesado.

Esta notícia, recuperada na Internet, dá uma ideia da densidade econômica do pessoal e da sua capacidade de influência: “Conselheiros e associados da Polo RS — Agência de Desenvolvimento, reunidos nesta segunda-feira, dia 19 de agosto, em Porto Alegre, elegeram o empresário Humberto César Busnello como o novo presidente do Conselho de Administração da entidade, período 2013/2015. O encontro foi liderado por Bolivar Baldisserotto Moura, presidente do conselho da Polo RS entre 2007 e 2013. A reunião contou com os conselheiros Jorge Gerdau Johannpeter (Gerdau), Heitor Müller (Fiergs), Zildo De Marchi (Fecomércio), Ricardo Russowsky (Federasul), Paulo Vanzetto Garcia (Sinduscon), José Eduardo Cidade (Walmart) e Vagner Calvetti (Ipiranga), Anton Karl Biedermann e as presenças de Renato Gasparetto e Luiz Carlos Bohn”. Tropa de choque.

Eleito, Busnello declarou: “Vamos intensificar nosso relacionamento com o Executivo, com Legislativo e o Judiciário. Temos estudos e propostas sobre o futuro do Rio Grande do Sul que precisamos apresentar a todos os gaúchos”.

Apresentou-as a Sartori.

Será que o máximo de gaúchos quer o Estado mínimo?

No Ficha Corrida
Leia Mais ►

Com Dilma imóvel ou em zigue-zague... Temer, Cunha e PMDB movem as palhas


Leia Mais ►

Internauta que ameaçou Jean Wyllys de morte é condenado pela Justiça


2ª Vara Federal de Natal determinou que Márcio Gleyson Damasceno preste serviços comunitários em uma instituição que assiste homossexuais em situação de vulnerabilidade no interior do Rio Grande do Norte

O internauta Márcio Gleyson Damasceno foi condenado pela Justiça de Natal, no Rio Grande do Norte, a prestar serviços comunitários em uma instituição que assiste homossexuais em situação de vulnerabilidade no interior do estado. A sentença é uma resposta à ameaça de morte que Damasceno fez no Facebook ao deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ).

Tudo começou quando, em abril de 2013, Damasceno compartilhou uma matéria do site humorístico Sensacionalista – “Bancada gay lança projeto de lei para proibir casamento de evangélicos” – como se fosse verdadeira. No post, escreveu: “Eu falei do deputado federal Endemoniado Jean. Se Deus não matar esse infeliz, eu mesmo vou matá-lo pessoalmente. Querem respeito desrespeitando as leis de Deus, e os princípios da Bíblia Sagrada. Mas rapaz, quem vai virar homofóbico agora sou eu.”

Devido aos insultos, a 2ª Vara Federal de Natal enquadrou Damasceno nos artigos 139 e 140 do Código Penal, que dispõem sobre os crimes contra a honra. Ele terá de cumprir sete horas semanais de serviços comunitários durante oito meses na entidade Sociedade Viva.

Em sua página oficial do Facebook, Jean Wyllys comemorou a decisão. “Não acredito que a gente vá erradicar o preconceito mandando pessoas para a cadeia”, escreveu o deputado. “Quem ofende, xinga, reproduz preconceitos ou comete outro tipo de formas de discriminação que não incluam violência física — ou, como aconteceu neste caso, faz ameaças numa rede social que não passam de um ato de idiotice do qual logo se arrependem — pode receber penas alternativas que, em vez de trancafiá-lo num presídio e embrutecê-lo ainda mais (porque nosso sistema prisional dista de ser humanizado, infelizmente), o ajudem a aprender, a entender, a melhorar.”


No Fórum
Leia Mais ►

Mico tucano capixaba

Presidente da juventude do PSDB no ES veste farda, pega arma e diz que está “pronto para a guerra”

O presidente da juventude do PSDB do Espírito Santo, Vitor Otoni, achou normal vestir uma farda, pegar uma pistola, fazer uma foto da fantasia e postá-lo no Facebook. Na legenda: “Pode vir Evo Morales, Maduro, MST, e todos os esquerdopatas do cão, estamos prontos para a guerra”.

A imagem foi reproduzida pelo jornal A Tribuna de Vitória no domingo, dia 30. O semianalfabeto Otoni, um sujeito corajoso, apagou o post depois.


No DCM
Leia Mais ►

Repórter do CQC leva soco na cara: 'Está doendo até agora'; veja vídeo

O repórter Lucas Salles no momento em que toma um soco de homem que defendeu morte de bandidos
O repórter do CQC Lucas Salles foi agredido por um entrevistado enquanto gravava nesta sexta-feira (4) na Grande São Paulo. O ator questionava um arquiteto que defendeu em rede social a ação que resultou na morte de 19 pessoas em Osasco, em meados de agosto. A agressão foi registrada pelas câmeras da Band e será mostrada no programa da próxima segunda (7). "Ele encheu a mão e me bateu com todo o gosto do mundo. Depois, ainda deu uma cabeçada. Está doendo até agora", disse Salles ao Notícias da TV ao sair do hospital Santa Paula, no início da noite.

Salles gravava para o quadro CQC Haters, em que vai atrás de pessoas que dizem coisas agressivas nas redes sociais. O agressor elogiou no Twitter, há algumas semanas, os supostos policiais que teriam praticado a maior chacina do ano em São Paulo. "Bandido bom é bandido morto", escreveu ele.

A produção do CQC localizou o tuiteiro e marcou um encontro com ele numa rua de Caieiras por volta do meio dia desta sexta. "Nós acreditamos que bandido bom não é bandido morto. A gente achou que deveria perguntar a ele por que ele acha que bandido bom é bandido morto e tentar entender de onde vem esse ódio", diz Salles.

Segundo o ator, o arquiteto se identificou como "amigo de policiais" e "foi ficando furioso" ao ser questionado sobre a autoria da chacina (não está claro ainda se foram policiais os autores) e sobre o fato de somente seis das 19 vítimas terem registros criminais. 

"Eu perguntei se bandido precisa morrer. Ele disse que sim. Eu perguntei se ele acredita em recuperação. Ele disse que não. Aí eu falei que infelizmente ele não quer se recuperar, não quer abrir a cabeça, pensar de um outro jeito. Foi aí que ele encheu a mão e me bateu com todo o gosto do mundo", conta.

Salles afirma que nem ele nem a equipe que o acompanhava esboçaram reação. E mesmo assim, o agressor ainda lhe desferiu uma cabeçada. "Foi uma reação bem típica de um hater", brinca. A história acabou na delegacia de Caieiras, mas a Band não formalizou queixa — e não vai revelar a identidade do agressor. 

O repórter passou pelo hospital mais por precaução. Não foi detectada nenhuma lesão na cabeça nem ferimentos aparentes. "Ficou apenas um inchaço danado e uma dor profunda e um sentimento de compaixão", lamenta.

O material será exibido na íntegra no CQC da próxima segunda. Veja trecho da agressão no vídeo abaixo, cedido pela Band:



Daniel Castro
No Notícias da TV
Leia Mais ►

O verdadeiro crime de Dirceu

Não é fácil ser Dirceu
Uma jovem jornalista me pergunta pelo Messenger: “Mas afinal o que o Dirceu fez?”

Ela confessa a extrema dificuldade de entender.

Primeiro, há um massacre unitilateral. Toda a mídia, abastecida pela Justiça amiga, se concentra em publicar horrores de Dirceu.

As acusações parecem um catálogo telefônico daqueles de antigamente.

E a defesa como que não existe.

Dirceu já foi julgado e condenado pelo noticiário.

Tenho para mim que o Caso Dirceu só vai ser devidamente conhecido e esclarecido pela posteridade, quando o fogo das paixões políticas do momento já for coisa do passado.

Dentro desse quadro irracional é que se deve entender certas manifestações sobre Dirceu.

Um procurador da Lava Jato disse, por exemplo, que Dirceu deve ser condenado no mínimo a 30 anos de prisão.

Que conta fez esse procurador?

Os juízes do Mensalão entraram para o anedotário da Justiça quando se puseram a calcular, com ares científicos de Newton e Einstein, a “dosimetria”.

Era a dose — esdrúxula, de resto — de penas para os condenados.

A “dosimetria” do procurador para Dirceu é patética.

Trinta anos, para um homem que chega aos 70, significam a morte na prisão.

Mas não é este exatamente o ponto.

Vamos para uma terra altamente civilizada, a Escandinávia. Veja como os noruegueses trataram o caso Anders Breivik, o maníaco de direita que matou mais de 70 jovens sob o protexto alucinado de salvar seu país da ameaça muçulmana.

Breivik foi condenado a 19 anos de cadeia, a pena máxima da Noruega. Caso ele, no fim da sentença, continue a representar uma ameaça à sociedade, o caso será rediscutido.

É assim que os noruegueses enxergam as penas. Cadeia é para recuperar as pessoas, não para fazê-las apodrecer.

Estava em Oslo na época do julgamento, e a cidade funcionava normalmente, sem os espasmos de ódio tão comuns no Brasil de hoje.

E então voltemos para o caso Brasil versus Dirceu. O procurador falou no mínimo em 30 anos. Ele está precisando de uma temporada escandinava, certamente, para refazer seus conceitos.

Existe uma confusão mental na Justiça brasileira que se expressa nas declarações orais e escritas de seus magníficos integrantes.

Tente entender, por exemplo, o que Janot disse ao se manifestar contra o retorno de Dirceu à prisão domiciliar.

“Não há que se falar, com efeito, em conciliação das prisões pelo Supremo, porquanto independentes entre si, não havendo, entre uma e outra, conexão  de qualquer ordem. Ademais, o sentenciado não possui foro por prerrogativa de função, não havendo necessidade de pronunciamento do STF em questões desse jaez [gênero] relativamente a ele”, afirmou Janot.

Outro trecho: “Além disso, tendo em vista os veementes indícios de prática de infrações penais em datas posteriores ao trânsito em julgado do acórdão condenatório proferido nos autos da Ação Penal nº 470, incide, in casu, o disposto no art. 313, II, do diploma processual penal.”

Será que Janot não podia escrever em português?

Um amigo jornalista me contou, no Mensalão, que estava numa padaria, com a televisão ligada, quando um juiz pronunciou um voto. “Como fala bem esse juiz”, notou um popular ali na padaria. “Mas não entendi: ele condenou ou absolveu?”

Toda essa máquina jurídica abstrusa e parcial se voltou contra Dirceu, com a contribuição de uma das piores imprensas do universo.

O tempo haverá de esclarecer um dos episódios mais confusos da história política moderna.

Por ora, o que é claro é que o caso Dirceu é muito mais político do que propriamente legal.

Se Dirceu fosse um servo da plutocracia, viveria a vida tranquila de todos aqueles que optaram por aquele caminho.

Isso é batata.

Me ocorre Mujica ao pensar em Dirceu.

Em maio passado, numa entrevista, Pepe Mujica produziu, com sua habitual franqueza, uma defesa de Dirceu como líder petista nenhum fez.

Disse ele: “Dirceu para mim não é um criminoso. Está condenado, mas é um formidável lutador.”

Este é o verdadeiro crime de Dirceu: ser um “formidável lutador” contra a plutocracia brasileira.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Casa Grande, tremei. Zelotes chega aos gordos

Temor é de que “Operação Abafa” seja colocada em curso


Do deputado Paulo Pimenta:

Zelotes chega a nomes com foro privilegiado; temor é de que “Operação Abafa” seja colocada em curso, denuncia deputado Pimenta

Parte da Operação Zelotes terá que ser enviada ao Supremo Tribunal Federal, isso porque as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal chegaram a nomes que detêm foro privilegiado. Pelo esquema de corrupção, grandes empresas, escritórios de advocacia e membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) são suspeitos de desviar cerca de R$ 20 bilhões dos cofres públicos, com a compra e venda de sentenças e pagamento de propina.

Relator dos trabalhos que acompanha os desdobramentos da Zelotes na Câmara Federal, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) alerta para uma possível “operação abafa” . Segundo o parlamentar, quando grandes empresas e pessoas com alto poder de influência aparecem em esquemas de corrupção, o poder econômico se movimenta e a mídia silencia. “Nenhuma tentativa de intimidação nos impedirá de continuar acompanhando a Zelotes e fazer com que toda a verdade venha à tona. O fato de existirem suspeitas de nomes com foro privilegiado só aumenta nossa determinação e a nossa responsabilidade para cobrar que os culpados sejam identificados e punidos”, garantiu o parlamentar.

Em comparação com a Lava-Jato, a Operação Zelotes tem recebido críticas por receber tratamento diferenciado por parte do Poder Judiciário. O processo corre em segredo de justiça, as prisões preventivas solicitadas pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal foram todas negadas, assim como não foram autorizadas as solicitações de monitoramento por escutas telefônicas.

Diante das dificuldades relatadas pelas autoridades federais que investigam a Operação Zelotes, em junho, o deputado Pimenta representou contra o juiz Ricardo Augusto Soares Leite no Conselho Nacional de Justiça, que acabou sendo afastado do caso. A atuação do magistrado também foi objeto de representação pelo MPF na Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 1ª região. No lugar dele, assumiu a juíza Marianne Borré, que autorizou pedidos de busca e apreensão em escritórios das empresas envolvidas, em uma nova fase das investigações.

Provocada também por uma representação do deputado Pimenta, a Controladoria-Geral da União realiza uma auditoria no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). No requerimento, o deputado Pimenta pediu análise sobre as “escolhas dos conselheiros”, a “distribuição dos processos”, os “procedimentos relacionados ao trâmite e regras de julgamento, incluídos os pedidos de preferência” e até os motivos para os “eventuais impedimentos de conselheiros” no julgamento dos processos.

No CAf
Leia Mais ►