4 de set de 2015

Só mesmo por aqui

É fato inédito que a mídia em bloco atire contra um líder para impedir, ou enfraquecer, sua eventual candidatura 3 anos depois

Mais uma prova de um caso patológico.
Além do mais, o porto de Mariel é um grande negócio
Em qual país do mundo civilizado e democrático, a mídia, praticamente em bloco, se uniria para envolver um importante líder político em um escândalo das proporções da Lava Jato? Sem serem convocados, os meus botões assumem a cadência do coro grego e declamam: não há país democrático e civilizado em que um fenômeno deste porte pudesse verificar-se.

Colhido de surpresa, argumento: mas é o que acontece no Brasil neste exato instante. Retrucam: e haveria como comparar o Brasil com países como Grã-Bretanha, França, Estados Unidos, Alemanha etcétera? Cabisbaixo, silencio. O coro grego insiste: a mídia nativa porta-se qual fosse a própria oposição, igual a um partido disposto, para alcançar seu alvo, a forjar pretensas provas. A inventar, omitir, mentir.

Provoco: e a reportagem de capa da revista Época da semana passada? Diz que o ex-presidente Lula intermediou negócios da Odebrecht em Cuba. Até apresentam documentos secretos... Patética reportagem, decreta o coro, embora tenha assumido o tom da velha tia. Revelam-se informados, de todo modo, a respeito do assunto. A chefe de Comércio Exterior do BNDES, Luciene Ferreira Monteiro Machado — dizem pausadamente — esclarece que o financiamento do banco às obras do porto cubano de Mariel já estavam em andamento antes da viagem de Lula a Cuba em 2011, à qual Época se refere. Acrescenta dona Luciene: qualquer pressão do ex-presidente seria impossível, porque os contratos necessitam da aprovação de diversas equipes e comitês do BNDES.

Estranho, comento: João Roberto Marinho foi a Brasília para garantir que a Globo quer, de alguma forma, acalmar os ânimos, e até o Jornal Nacional baixou a bola. E eis que Época, semanal global se sai com essa capa, e além disso, para o horror dos seus leitores, revela que Dilma é amiga de Cuba. Ora, ora, intervêm os botões, o problema Dilma não é o problema Lula, e este, na perspectiva, é muito mais inquietante.

O objetivo de envolver Lula na Lava Jato, ou em outro escândalo qualquer, tornou-se obsessão febril. Um caso patológico, define o coro, de volta à cadência inicial. O motivo é do conhecimento até do mundo mineral: pretende-se, se não inviabilizar, ao menos enfraquecer uma candidatura do ex-presidente em 2018. Vara curta: pela primeira vez em cinco anos longe da Presidência, Lula admite a possibilidade da sua candidatura ao próximo pleito. Se for para impedir uma ascensão tucana.

bicudo
Mistério: Bicudo saiu à direita, foi para esquerda
e agora não se sabe aonde acabou
Quem ganha espaço na mídia, cedido com simpatia e apreço, é um ex-petista de denominação de origem controlada e garantida, o veterano Hélio Bicudo. Salvo melhor juízo, desinteressado da conciliação em andamento, renova a ideia do impeachment de Dilma Rousseff por “crime de responsabilidade”.

Aos meus olhos, a postura de Bicudo configura uma situação peculiar. Na minha mocidade, enxergava nele um conservador, sem, com isso, experimentar irritação. Tempos de ditadura, ele exerceu com honra o papel de tribuno contra os esquadrões da morte. Logo tornou-se petista no começo dos anos 80 ao fazer profissão de fé esquerdista. Não duvidei da sua sinceridade.

Ao longo da existência, sempre desprezei quem começa à esquerda e descamba para a direita, a par de que trafega pela vida com o propósito de amealhar fortuna. Ao abandonar o PT à época do chamado “mensalão”, Bicudo deu crédito a acusações em boa parte mal formuladas e inequivocamente hipócritas, mas seu gesto poderia ter sido ditado por um impulso moral.

Agora não me arrisco a insinuar que Bicudo guinou mais uma vez. Não deixo, porém, de apontar para uma situação nova em relação à minha resistente ojeriza. Começou à direita, foi para a esquerda e não se entende aonde acabou.

Mino Carta
No Carta Capital
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Folha de S.Paulo contesta dados e fatos que não sejam elogiosos a FHC



Em uma tentativa de desqualificação de um trabalho sério de resgate histórico das lutas populares no Brasil entre 1964 e 2002, a Folha de S.Paulo procurou com lupa erros que não existem no Memorial da Democracia. Em reportagem publicada na tarde de ontem (3), o jornal força a mão em um título que parece sair em "defesa" dos governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).


Por um lado, vemos como um elogio à seriedade do nosso trabalho que a Folha de S.Paulo tenha encontrado tanta dificuldade para distorcer o conteúdo do Memorial, recorrendo a uma falsa polêmica para cumprir seu objetivo. Por outro, nos preocupa que tentem "culpar" o trabalho da equipe multidisciplinar de especialistas que montou o Memorial da Democracia pelo legado dos governos anteriores aos de Lula — sobre os quais não fazemos juízo de valor, diferentemente da própria Folha de S.Paulo diante dos registros históricos da era FHC.

Por isso, convidamos todos e todas a ler a íntegra das perguntas enviadas pela reportagem da Folha e as respostas do Instituto Lula, bem como a conhecer e fazer sua própria avaliação do Memorial da Democracia.

No texto sobre a primeira eleição de Lula, em 2002, consta que, no dia de sua posse, ele "anunciaria a primeira política pública de seu governo, o Fome Zero, embrião dos programas de transferência de renda que seriam agrupados posteriormente no Bolsa Família". Por que programas do governo anterior — como o Bolsa Escola, o Auxílio Gás e o Cartão Alimentação —, que foram incorporados e ampliados pelo Bolsa Família, não foram citados?

Porque conceitualmente, em objetivo e em escala, não são a mesma coisa. O Programa Fome Zero e depois o Bolsa Família foram programa concebidos, em forma, universalidade e escala para erradicar a fome no Brasil. Os programas do governo anterior tinham alcance e caráter limitado, não atingiam todos os potenciais beneficiados e não tinham o caráter de direito. Inclusive a universalidade desses programas foi vetada em lei pelo governo anterior, fato que tampouco está no Memorial.

No texto sobre a eleição de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, diz-se que o tucano "antes de se tornar ministro da Fazenda [...] era um político com tímido desempenho eleitoral". Por que há juízo de valor ("tímido") sobre o desempenho eleitoral de um adversário, mas não do ex-presidente Lula?

Porque haveria de ter juízo de valor sobre desempenho eleitoral de Lula se antes de 1994, em 1989, Lula quase ganhou as eleições presidenciais? Não faz sentido o pretenso paralelismo proposto pela Folha de S. Paulo. É um fato histórico que antes de ser indicado para o Ministério da Fazenda o nome de Fernando Henrique Cardoso não era cotado para as eleições presidenciais daquele ano enquanto Lula liderava as pesquisas eleitorais de então. O adjetivo encaixa-se nesse contexto.

Por que no texto sobre a eleições presidencial de 1994 não há menção ao fato de que a disputa foi vencida em primeiro turno, como acontece no texto de 1998?


Quais obras, na bibliografia do site, dão suporte à conclusão de que a vitória de Lula em 2002 "decorreu do amadurecimento do eleitorado brasileiro — que desde a eleição municipal de 2000 vinha externando o desejo de mudança política — e da complexa conjuntura que precedeu o pleito", conforme consta no texto?

São fatos históricos que talvez o reportariado da Folha de S. Paulo seja muito jovem para lembrar, mas o Brasil viveu uma grave crise econômica e social entre 1999 e 2002, com índices sociais e econômicos muito ruins e baixa popularidade do governo federal. Todos esses fatos são verificáveis inclusive nos arquivos da Folha de S. Paulo.

Por que o site inclui fatos posteriores à primeira eleição de Lula, em 2002 — principalmente no texto sob o título "Mais democracia, mais oportunidades", mas não apenas —, porém omite a denúncia e o julgamento da ação penal 470?

Quanto à falta de referências ao governo do PT, lembramos que teve início em 2003, período que ainda está sendo preparado pela equipe do Memorial, bem como os muitos períodos anteriores ao Golpe de 1964.

O referido (e curto) texto de apenas um parágrafo de fatos absolutamente incontestáveis é uma introdução que se refere a ampliação da democracia e das oportunidades durante o governo Lula, período que ainda não foi abordado pelo Memorial, quanto mais o período posterior aos dois mandatos de Lula.

Por que estão incluídos na linha do tempo escândalos ligados a outros partidos e figuras políticas, como o da emenda da reeleição (PSDB) e o de Celso Pitta (Maluf), mas não estão listados escândalos ligados ao PT?

Os módulos do memorial já publicados tratam dos períodos entre 1964 e 2002.

Agradecemos às perguntas. O Instituto considera o Memorial uma importante contribuição para a consolidação da democracia no Brasil e considera normal o debate em torno de diferentes interpretações de fatos históricos. Que cada um faça a sua, que cada cidadã ou cidadão participe desse debate.
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Palácio confirma que foi ouvido pela reportagem de O Globo


Nos anos Geisel, havia dois tipos de fontes no Palácio, ambas em off.

Os jornalistas de cima falavam com Golbery; os de baixo, com o Sargento Quinsan.

Era um tipo folclórico, quase ajudante de ordens de Golbery, mas que falava pelos cotovelos.

Ambos eram "fontes do Palácio". Ou não?

Pelo que me contaram, Quinsan ainda vive, aposentado em alguma casa em Brasilia. Mas seu fantasma ainda persiste.

Agora há pouco O Globo recorreu à cizânia: "Planalto considera desastrosa fala de Temer" (http://oglobo.globo.com/brasil/planalto-considera-desastrosa-fala-de-tem...). Depois, incluíram um porém no título.

Temer falara o óbvio: Dilma não resistiria a 3 anos com 7% de popularidade. Quem fez a pergunta, recebeu a resposta óbvia. As vivandeiras resolveram causar e deram manchete à fala.

Aí O Globo coloca mais lenha na fogueira com a matéria sobre o Palácio.

A matéria entrevistou o Palácio, que disse que a fala foi desastrosa.

Entrevistou também os humanos que habitam o Palácio. O habitante do Palácio Edinho Silva disse que a frase foi tirada do contexto e garantiu que Temer é "extremamente leal".

Não se sabe o que o Palácio respondeu ao Edinho, porque a reportagem não ouviu mais o Palácio.

Mas, agora há pouco, entrevistei o Palácio para saber da veracidade de suas afirmações.

Eu — Palácio, o que você tem a dizer?

Palácio — Que no Palácio as paredes têm ouvidos e os livros têm orelhas.

Eu — Sempre soube disso, mas nunca soube que Palácio fala.

Palácio — Sempre falei. Sou o amigo dos repórteres. Cada vez que o repórter tem que repercutir alguma coisa a não consegue falar com ninguém, vem falar comigo. E, como sou amigo dos repórteres, confirmo o que eles quiserem, desde que declarem a fonte: o Palácio.

Eu — Mas o repórter veio te ouvir?

Palácio — Não precisa. Como só falo em off, ninguém ouvirá uma declaração em on minha desmentindo qualquer declaração em off que me seja atribuída.

Eu — E a Dilma não fica brava com suas declarações?

Palácio — Não porque na presença dela fico mudo e quedo.

Luís Nassif
No GGN
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Cai preço de alimento e energia, e inflação da baixa renda perde força

A inflação da baixa renda, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), desacelerou de 0,68% em julho para 0,06%, em agosto, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV). Com este resultado, o indicador acumula alta de 8,01%, no ano e, 10,37%, nos últimos 12 meses.

O Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) está bem superior ao teto da meta de inflação do Banco Central, que é de 6,5%. O resultado também ficou acima da previsão dos economistas do mercado financeiro para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a chamada inflação oficial.

A taxa para a baixa renda ficou acima da registrada para o conjunto da população, calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor – Brasil (IPC-BR), que atingiu 9,73% nos últimos 12 meses. Em julho, na comparação com junho, esse indicador variou 0,22%.

Metade dos grupos analisados pela FGV registrou variação de preços menor. Em alimentação, passou de 0,94% para -0,36%, em habitação, de 1,18% para 0,18%, em vestuário (de -0,21% para -0,26%) e despesas diversas (de 0,16% para 0,12%).

Na contramão, subiram os preços de transportes (de 0,13% para 0,42%), saúde e cuidados pessoais (de 0,42% para 0,59%), educação, leitura e recreação (de 0,03% para 0,34%) e comunicação (de 0,08% para 0,10%).

Veja a variação de preços de alguns itens:
Hortaliças e legumes (de 1,84% para -10,76%)

Tarifa de eletricidade residencial (de 3,80% para -0,83%)

Roupas masculinas (de 0,80% para -0,53%)

Alimentos para animais domésticos (de 0,56% para -0,05%)

Tarifa de ônibus urbano (de 0,05% para 0,55%)

Artigos de higiene e cuidado pessoal (de 0,55% para 1,22%)

Passagem aérea (de -15,92% para 9,55%)

Mensalidade para TV por assinatura (de 0,79% para 1,75%)
Preço da cesta básica cai em 15 capitais

O preço dos alimentos considerados essenciais no dia a dia caíram em agosto, na comparação com julho, em 15 das 18 capitais onde é feita a Pesquisa da Cesta Básica de Alimentos pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Porém, no acumulado dos últimos 12 meses, período entre setembro de 2014 e agosto de 2015, e também desde janeiro deste ano, a cesta ficou mais cara nas 18 capitais pesquisadas.

Na comparação com o mês anterior, entre as 15 localidades com valor em baixa, as que tiveram maior recuo foram: Fortaleza (-4,60%); Salvador (-4,02%); Brasília (-3,46%) e Rio de Janeiro (-2,77%). Os preços subiram mais em Porto Alegre (1,2%) e João Pessoa (0,28%). Na capital pernambucana, Recife, o valor permaneceu estável em 0,01%.

No mês passado, a cesta mais cara foi a de Porto Alegre (R$ 387,83), seguida pela de São Paulo (R$ 386,04, valor que ficou 2,47% abaixo do de julho e 14,28% acima do de igual mês do ano passado. Os valores mais baixos foram encontrados em Aracaju (R$ 283,02), Natal (R$ 286.36) e Salvador (R$ 305,11).

Pelos cálculos do Dieese, o salário mínimo necessário para garantir o sustento das famílias deveria ser de R$ 3.258,16 ou 4,13 vezes mais o valor atual vigente, R$ 788. No mês passado,, o mínimo foi estimado em R$ 3.325,37, equivalente a 4,22 vezes o piso em vigor.Em igual mês do ano passado, o valor tinha sido calculado em R$ 2.861,55 ou 3,95 vezes o mínimo naquele período que era de R$ 724,00.

Em comparação com julho, caiu ligeiramente o número de horas de trabalho que o Dieese considera necessárias para obter o valor necessário para aquisição da cesta, passando de 95 horas e 29 minutos para 93 horas e 46 minutos. Ainda assim, o trabalhador está tendo de trabalhar mais em relação a um ano atrás, quando a jornada acumulada para a compra da cesta era de 90 horas e 7 minutos.O trabalhador também está comprometendo menos a renda, passando de 47,18% em julho para 46,32%. Em agosto do ano passado, a compra da cesta comprometia 44,53% dos ganhos dele.

Entre os itens em queda na maioria das capitais estão a batata, o tomate, o feijão e o óleo de soja. Entre os que subiram mais aparecem o pão francês, o leite, a carne bovina e o café.

No Amigos do Presidente Lula
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OAB cobra proibição de financiamento empresarial, mesmo sem voto de Gilmar Mendes

O presidente da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coelho.
José Cruz/Agência Brasil
OAB entende que decisão tomada pela maioria dos ministro do Supremo pode entrar em vigor já nas eleições municipais de 2016, independentemente do pedido de vistas e do pronunciamento de Gilmar Mendes

Mesmo sem a manifestação de voto do ministro Gilmar Mendes, que retém o processo desde que pediu vistas em março de 2014, a maioria dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou contrária ao financiamento empresarial de campanha eleitoral na Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que tramita desde novembro de 2011 na instância máxima do judiciário brasileiro.

A constatação direta e inquestionável motivou o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a requerer uma medida cautelar, via liminar, ao ministro Luís Fux pelo cumprimento da proibição do financiamento empresarial já nas eleições de 2016, em que haverá a escolha de 5.564 prefeitos em todo o país e vereadores dos mesmos municípios.

A alegação da OAB é que já está configurada a tomada de decisão pelo STF e, por isso, a sua aplicação pode entrar em vigor, de forma irrevogável, mesmo que de forma provisória.

O ministro Fux é relator da ação que discute a matéria. A ação cautelar, com pedido de urgência, foi entregue ao ministro nesta manhã é também assinada pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Uma decisão favorável à OAB vai representar uma reviravolta no pedido de vistas que impede o andamento do processo contra o financiamento empresarial.

Nesse caso, para antecipar a aplicação de decisão tomada, independentemente do voto do ministro Gilmar Mendes. O pedido apoia-se na constatação de que a manifestação dele não poderá alterar o que está decidido.

Em condições normais, um pedido de vistas feito por qualquer ministro do STF suspende temporariamente a decisão do plenário, até que ele se pronuncie e o processo retome o andamento de rotina. Com o pedido, a OAB abre caminho para que o pedido de Mendes não impeça a aplicabilidade da decisão já tomada pela maioria.

Para o presidente da do Conselho Federal da OAB, Marcus Furtado Coelho, “a maioria já se formou no Plenário; então não se trata mais de uma tese do autor, já é uma decisão tomada pela maioria”.

O pedido de urgência objetiva atender ao princípio de que qualquer alteração no sistema eleitoral só pode valer um ano antes da eleição seguinte, em 2016.

O julgamento do caso começou em dezembro de 2013 e foi interrompido por pedido de vista do ministro Teori Zavascki. Em março de 2014, depois da leitura do voto de vistas de Teori, o ministro Gilmar Mendes pediu vista e nunca mais o caso andou.

Existe um precedente recente para o pedido da OAB. O relator do processo que discute a constitucionalidade do trabalho artístico infantil (Adin 5.326), ministro Marco Aurélio, concedeu liminar para assegurar a aplicação da decisão da maioria depois de a ministra Rosa Weber pedir vista dos autos.

Márcio de Morais
No Agência PT de Notícias
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Brasil acolhe mais sírios que países na rota europeia de refugiados

Segundo dados do Conare, 2.077 sírios receberam asilo do governo brasileiro de 2011 até agosto deste ano
Desde o início da crise na Síria, o Brasil vem concedendo asilo a mais refugiados sírios do que os principais portos de destino de refugiados na Europa.

Segundo dados do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), órgão ligado ao Ministério da Justiça, 2.077 sírios receberam asilo do governo brasileiro de 2011 até agosto deste ano. Trata-se da nacionalidade com mais refugiados reconhecidos no Brasil, à frente da angolana e da congolesa.

O número é superior ao dos Estados Unidos (1.243) e ao de países no sul da Europa que recebem grandes quantidades de imigrantes ilegais ─ não apenas sírios, mas também de todo o Oriente Médio e da África ─ que atravessaram o Mediterrâneo em busca de refúgio, como Grécia (1.275), Espanha (1.335), Itália (1.005) e Portugal (15). Os dados da Eurostat, a agência de estatísticas da União Europeia, referem-se ao total de sírios que receberam asilo, e não aos que solicitaram refúgio.

Nas últimas semanas, a crise humanitária na Síria voltou a ganhar projeção na imprensa internacional, com levas de refugiados abandonando o país em direção, principalmente, à Europa. A imagem de um menino sírio morto em uma praia da Turquia virou símbolo da tragédia.

Apesar da distância ─ 10 mil quilômetros separam Brasil e Síria, o governo brasileiro vem mantendo uma política diferente da de muitos países europeus em relação a refugiados sírios.

Há cerca de dois anos, o Conare publicou uma normativa facilitando a concessão de vistos a imigrantes daquele país.

Desde então, muitos sírios daquele país vem escolhendo o Brasil como destino para fugir de guerras, perseguições e pobreza.

Segundo fontes ouvidas pela BBC Brasil no Ministério das Relações Exteriores, o número de vistos concedidos por mês a cidadãos sírios em apenas uma das embaixadas brasileiras no Oriente Médio é hoje quatro vezes maior do que antes do início da crise, em 2011.

Naquele ano, grupos rebeldes tentaram tomar o poder no país e entraram em confronto com forças de segurança do presidente da Síria, Bashar Al-Assad.

Atualmente, a emissão do documento está concentrada principalmente nas embaixadas brasileiras em Beirute (Líbano), Amã (Jordânia) e Istambul (Turquia). A representação diplomática em Damasco (Síria) foi fechada em 2012 por motivos de segurança.

"Antigamente, emitíamos 20 vistos por mês. Hoje são 20 por semana. Mas já emitimos mais", afirmou à BBC Brasil um diplomata que não quis se identificar.

"São pessoas com todos os perfis socioeconômicos. Há desde camponeses a engenheiros e advogados, muitos deles com pós-graduação. Em comum, todos estão fugindo de um país imerso em uma espiral de violência", acrescentou.

Comparação

O Brasil também é o país que mais concedeu asilo a refugiados sírios na América Latina. No continente americano, só perde para o Canadá ─ que recebeu 2.374 refugiados entre janeiro de 2014 e janeiro deste ano.

Especificamente na comparação com os vizinhos sul-americanos, contudo, o número de solicitações concedidas pelo governo brasileiro é consideravelmente superior.

Desde 2011, por exemplo, a Argentina concedeu refúgio a apenas 233 sírios. Já o Uruguai, a 117. O Chile, por sua vez, recebeu 1.220 imigrantes.

Na outra ponta, contudo, o Brasil recebeu menos do que Alemanha (65.075), Suécia (39.325), Noruega (2.995), Bélgica (5.430), França (4.975) e Reino Unido (4.035), segundo dados da Eurostat.

Nesta sexta-feira, em resposta à pressão doméstica e internacional, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que o Reino Unido vai oferecer asilo a "milhares de refugiados sírios" devido à piora da crise humanitária. Ele não divulgou estimativas, mas a Acnur (agência de refugiados da ONU) informou que o número poderia chegar a 4 mil.
Facilidade

Em entrevista à BBC Brasil, o representante da Acnur (Agência da ONU para Refugiados), Andrés Ramirez, elogiou a iniciativa do governo brasileiro, que classificou como uma "importante mensagem humanitária e de direitos humanos".

"O Brasil tem mantido uma política de portas abertas para os refugiados sírios. O número ainda é baixo, em muito devido à localização geográfica. Mas sem dúvida se trata de um exemplo a ser seguido a nível mundial", afirmou ele.

Ramirez lembrou que no Brasil, diferentemente de outros países, enquanto espera pela concessão do asilo, o refugiado pode trabalhar e ter acesso à saúde e à educação.

Ele criticou, entretanto, a demora no processamento de pedidos. Segundo ele, o Conare vem tendo dificuldades para atender à demanda crescente das solicitações de asilo.

"Temos realizado conversas com o governo no sentido de modernizar a estrutura do órgão, face à nova realidade. Houve um aumento substancial no número de pedidos de asilo no mundo. Com o Brasil não foi diferente. É necessário agilizar a dinâmica do Conare, mas sem perder de vista a qualidade. Isso significa desde aumentar o número de funcionários a melhorar a organização interna", explicou.

"Outro desafio é integrar esse refugiado à sociedade brasileira, tanto social quanto econômica e culturalmente", acrescentou.

Crise sem precedentes

O mundo enfrenta a pior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, segundo organizações como a Anistia Internacional e a Comissão Europeia.

Desde janeiro deste ano, mais de 350 mil imigrantes atravessaram o Mediterrâneo. Desse total, estima-se que 2.643 tenham morrido no mar enquanto tentavam chegar à Europa, de acordo com a OIM (Organização Internacional para as Migrações).

O número supera com folga o total de 2014, quando 219 mil migrantes tentaram realizar a travessia, normalmente feita em botes ou em embarcações superlotadas, sem os mínimos requisitos de segurança, por traficantes de pessoas.

A viagem pode custar mais de R$ 10 mil por pessoa, tornando o negócio altamente lucrativo ─ uma única embarcação pode render R$ 1 milhão.

Solicitações de refúgio concedidas*

Brasil - 2.077

Argentina** - 233

Uruguai -117

Chile - 1.220

EUA - 1.243

Canadá - 2.374

Reino Unido - 4.035

Grécia*** - 1.275

Espanha*** - 1.335

Itália - 1.005

Portugal*** - 15

Noruega - 2.995

França - 4.975

Bélgica - 5.430

Suécia - 39.325

Alemanha - 65.075

*Estimativas até o 2º trimestre de 2015

**Estimativas até 2014

***Estimativas até o 1º trimestre de 2015

Fontes: Conare, Conare argentino, Eurostat


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Yes, we can!

Os mais recentes números do PIB (Produto Interno Bruto) indicam uma contração de mesma magnitude da que vivenciamos no primeiro trimestre de 2009, após a eclosão da maior crise internacional desde 1929.

Naquela ocasião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi à TV e parece ter convencido a maioria dos brasileiros de que o Brasil podia superar a crise: tinha vultosas reservas internacionais, contava com a força do mercado interno e o comando firme do governo.

Após anunciar diversas medidas de estímulo à economia, o ex-presidente garantiu que os investimentos governamentais não seriam cortados, para então pedir a colaboração de todos: os empresários deveriam seguir investindo e as famílias não poderiam ter medo de consumir.

“Se você não comprar, o comércio não vende […] e aí a fábrica produzirá menos”, explica o ex-presidente, em uma verdadeira aula sobre o Princípio da Demanda Efetiva de Keynes. Já no segundo trimestre de 2009, a economia voltou a crescer 2,2%.

O governo Dilma, desde que ganhou as eleições, parece, ao contrário, ter se dedicado a convencer os brasileiros de que a oposição estava certa e de que estamos todos no mesmo barco em vias de naufrágio. O governo decidiu investir menos, incentivando as famílias e empresários a fazer o mesmo. Perde seu tempo procurando a fadinha da confiança, em vez de buscar a autoconfiança perdida.

Um manual de autoajuda bem simplório, desses disponíveis na internet, sugere que, para recuperar a autoconfiança, se faça um balanço de si mesmo e se reconheça o seu potencial.

Apesar dos erros na política econômica, o nível de dívida pública líquida, que era de 37% do PIB em 2011, hoje é de 34% do PIB. Esse patamar já foi de 60% no Brasil, em 2002, e é hoje de 170% na Grécia e de 50% na Alemanha.

A dívida bruta, que não desconta as reservas internacionais e outros ativos do governo, subiu nos últimos anos, é verdade, mas ainda nos mantem atrás da grande maioria dos países que conseguem se financiar no mercado de títulos. Além disso, seu perfil melhorou bastante, com prazos mais longos, quase nenhuma dívida externa e menos títulos indexados à Selic.

Assim, o governo ainda pode ajudar a superar a crise se contar, como em 2009, com a força do mercado interno e com sua capacidade de endividamento, que, aliás, já está sendo usada para cobrir sucessivas quedas nas receitas e o pagamento de juros cada vez mais altos. Melhor seria endividar-se para preservar empregos e expandir investimentos em infraestrutura física e social.

Já a alta do dólar, por encarecer produtos importados, é uma boa oportunidade para a indústria nacional, que tem hoje melhores condições de atender a um eventual aumento nas vendas.

Infelizmente os ideólogos de Chicago continuam a desdenhar da aula magna de economia que nos deu o operário ganhador de tantos títulos de doutor honoris causa mundo afora. Pior. Desprezam os gritos da realidade para os quais até simplórios manuais de autoajuda revelam-se mais úteis que seu cantochão ortodoxo.

A proposta de Orçamento para 2016, enviada na segunda-feira (31) ao Congresso Nacional, dá aos mais otimistas a impressão de que o realismo ainda tem alguma chance neste governo. O balanço feito também indica que o navio pode chegar a terra firme. Mas quem comanda?

Laura Carvalho
No fAlha
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Livro desmistifica tucanato mineiro e expõe era de má gestão

Dogmas do marketing político do PSDB aeciano, o "choque de gestão" e o "déficit zero" são uma "farsa"; ocorrências com Cemig sinalizam uso político da estatal de energia

Senador Aécio Neves durante entrevista no salão azul do Senado.
Foto: Lula Marques/Agência PT
Ao contrário do que as instituições polícia e ministério público federais, promoveram na Petrobras para identificar e punir envolvidos em corrupção, em MinasnGerais, a estatal de energia Cemig parece guardar segredos que também mereceriam profunda investigação.

Essa é apenas uma das reflexões que a leitura do livro “Herança maldita – o desgoverno tucano em Minas“, de autoria do deputado mineiro Durval Ângelo (PT), líder do governo Fernando Pimentel (PT) na Assembleia Legislativa, traz aos leitores da obra, uma continuidade de “O voo do tucano”, do mesmo autor.

De distribuição gratuita e lançado no fim de maio, “Herança maldita” condensa as irregularidades mais relevantes encontradas pela pesquisa de Ângelo nos arquivos de atas do legislativo mineiro e na mídia nacional relativas aos 12 anos de gestão tucana em Minas Gerais (2003-2014).

Ainda mais que isso, o livro define como “farsa” dois mitos administrativos sagrados do tucanato, empunhados na linha de frente do marketing político do senador e ex-governador Aécio Neves (2003-março de 2010) na campanha à presidência de 2014: o “choque de gestão” e o “déficit zero”.

“Não passaram de uma farsa, sustentada pela propaganda e até por manobras contábeis”, denúncia o líder petista.

O texto é uma espécie de relato sobre os 12 anos de Ângelo à frente da Comissão de Direitos Humanos da ALMG no período em que Aécio Neves e Antônio Anastasia (março 2010 a março 2014), substituído nos meses finais (abril 2014 a dezembro 2014) por Alberto Pinto Coelho, comandaram o estado.

Na avaliação do parlamentar, foi um período de retrocesso para o estado – ao contrário do que propagam os expoentes do PSDB.

Por fim, há uma parte do livro dedicada às denúncias tornadas públicas após a derrota para o PT e a troca de governo, em 1º de janeiro deste ano (2015), dia em que foi empossado Fernando Pimentel. Entre elas, o relato sobre uma obra da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) na cidade de Cláudio, a mesma do aeroporto, só que ao lado da fazenda do tio em que o mesmo se localiza.

“A empresa (Cemig), por sinal, é citada em várias passagens, demonstrando que em diferentes situações, foi usada para atender a interesses partidários e de empresários”, avalia nota do parlamentar em sua página.

Márcio de Morais
No Agência PT de Notícias
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A prima de Aécio, Anastasia e o próprio Aécio

A prima Tânia com o marido
De uma coisa Aécio não pode ser acusado: de não dar empregos públicos para a família.

Ele passou a campanha toda falando em meritocracia, que é a negação, exatamente, da prática de nomear a parentada.

E é uma prima sua, Tânia Campos, que trabalhou com ele no governo de Minas que irrompe, agora, no caso Anastasia, que a PF quer reabrir depois de Janot mandar arquivar.

O fato novo que justifica a reabertura, segundo a PF, é um email que afirma que dinheiro de propina foi entregue na casa de Tânia para a campanha de Anastasia para o Senado.

É revelador do mundo estranho em que vivemos que, mesmo com tamanha dor de cabeça por causa de dinheiro para campanha, Anastasia tenha votado dias atrás a favor da manutenção das doações de empresas para partidos e candidatos.

Ele e Aécio, e mais todo o PSDB.

Anastasia postou um vídeo-desabafo no YouTube no qual diz estar vivendo um “verdadeiro calvário” com esta história.

Há um ponto que merece consideração nas lamúrias de Anastasia.

Pertencer ao PSDB tem garantido imunidade contra aborrecimentos e investigações. A mídia amiga e a Justiça amiga cuidam de tudo.

E a regra é rompida logo comigo? É do parece se queixar, não sem alguma razão, Anastasia.

Considere seu mentor, Aécio.

Desde que se tornou uma figura nacional, ao disputar a presidência, emergiu nas sombras um Aécio bem diferente do Catão das Minas.

Ninguém investigou com seriedade, por exemplo, o aeroporto mandado construir em terras que eram da família, usado, aparentemente, para facilitar as idas de Aécio à sua fazenda nas redondezas, a “Versalhes” particular, como ele descreveu à revista Piauí.

Nem a Folha, que trouxe o assunto, fez um trabalho decente. Largou a história mal a iniciara, num coitus interruptus jornalístico.

Mais anedótica ainda foi a atitude do Jornal Nacional.

O aeroporto foi desprezado no noticiário como se não valesse nada. Só que na entrevista que o JN fez com Aécio o aeroporto recebeu tratamento de gala.

Aécio poderia ter respondido a Bonner, se estivesse preparado para a pergunta: “Mas, meu querido, se era uma coisa importante, e não uma armação dos meus inimigos, por que vocês não deram?”

O Outro Aécio surge de algo que nem as grandes empresas de mídia e nem a Justiça controlam: a internet. O jornalismo independente que se pratica longe das corporações.

É este jornalismo independente que cobra vigorosamente que as mesmas regras jurídicas e legais aplicadas contra o PT valham também para o PSDB.

O símbolo máximo da blindagem era FHC, cuja emenda de reeleição foi comprada com dinheiro vivo no Congresso, conforme documentou anos atrás a Folha em mais um coitus interruptus investigativo.

Agora FHC foi substituído, como ícone da blindagem total, por Aécio, o cínico que prega a meritocracia mas emprega a parentada como a prima Tânia, agora metida nas investigações da Lava Jato.

Paulo Nogueira
No DCM
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