2 de set de 2015

Vulnerabilidade social caiu 27%, aponta Ipea


Relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada publicado nesta terça-feira indica País menos desigual socialmente

Em estudo lançado nesta terça-feira (1º), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que, de 2000 a 2010, o Brasil reduziu o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS). Durante o período, o País destacou-se pela implementação de um conjunto de políticas públicas responsáveis pela erradicação da fome e da pobreza extrema. 

De acordo com o Atlas da Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasileiros, em 2000, o índice estava fixado em 0,446, taxa considerada de alta vulnerabilidade social. O último valor contabilizado pela entidade, referente a 2010, foi de 0,326 — uma queda de 27% em relação à medição anterior. Em 2010, eram 3.610 os municípios brasileiros que apresentavam alta vulnerabilidade social. Dez anos depois, constatou o Ipea, eles haviam diminuído para 1.981.

O resultado retira o Brasil do ranking dos países com alta vulnerabilidade social, posicionando-o na faixa média. A nova colocação é reforçada, ainda, pelo número de municípios com baixa ou muito baixa vulnerabilidade social: em uma década, eles passaram de 638 a 2.326.

O Ipea chama a atenção para alterações no índice das diversas regiões brasileiras. Segundo o Instituto, a evolução apresentou-se com maior nitidez no Centro-Oeste [especialmente a faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul (MS)], no Norte [com destaque para o Estado de Tocantins (TO)] e no Nordeste [sul da Bahia (BA), Ceará (CE), Rio Grande do Norte (RN) e leste de Pernambuco (PE)].

Infraestrutura urbana

Um dos subíndices na medição da vulnerabilidade social, o IVS Infraestrutura Urbana mede a evolução das condições de moradia dos brasileiros por meio de três indicadores: abastecimento de água e saneamento básico adequados, coleta de lixo e o tempo gasto pelas pessoas no descolamento diário ao local de trabalho.

Em 2000, a maioria dos municípios do Sul e do Sudeste já se mantinham com índices muito baixos, enquanto o Nordeste detinha certa heterogeneidade e o Norte destacava-se pela alta vulnerabilidade social em relação à infraestrutura urbana. Dez anos depois, a penúltima das regiões apresentou alterações expressivas. A última, uma pequena evolução.

Evolução das condições de moradia

Capital humano

O IVS que mede o estoque de capital humano e seu potencial de construção junto a novas gerações (combinando elementos do capital familiar com o escolar) orienta-se pelos seguintes fatores: mortalidade infantil; crianças e adolescentes até 14 anos fora da escola; mães precoces; mães chefes de família, com baixa escolaridade e com filhos menores de idade; baixa escolaridade domiciliar estrutural; e a presença de jovens que não trabalham ou tampouco estudam.

No início do século, praticamente todo o Brasil estava fixado na faixa de alta vulnerabilidade no que diz respeito ao capital humano, com algumas exceções nos estados de São Paulo (SP) e de Minas Gerais (MG) e na região Sul. Em 2010, os indicadores passaram a apresentar avanço considerável no Centro-Oeste, no Sudeste e no Sul.

Índice que mede o estoque de capital humano

Renda e trabalho

Segundo o Ipea, a vulnerabilidade de renda é medida por indicadores do fluxo de renda presente, levando em consideração fatores como a desocupação de adultos; a ocupação informal de adultos pouco escolarizados; a existência de pessoas em domicílio que dependem da renda de pessoas idosas; e a presença de trabalho infantil.

Em 2000, a grande maioria dos municípios brasileiros estava na faixa de alta vulnerabilidade em relação à renda e ao trabalho, à exceção da região Sul e de algumas poucas localidades no Sudeste (SP e MG) e no Centro-Oeste [Mato Grosso (MT) e MS]. Em 2010, o estudo do Ipea acusou um aumento no número de municípios do Sul com baixo IVS Renda e Trabalho.

vulnerabilidade de renda

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E então Marta Suplicy, a “indignada com a corrupção”, foi pedir a bênção de Cunha

Eles
Embora não tenha sido possível comprovar cabalmente, cientistas acreditam que há duas Martas Suplicys.

Uma delas escreveu o seguinte em abril, em sua carta de desfiliação do PT:
“Para mim, como filiada e mandatária popular, os crimes que estão sendo investigados e que são diária e fartamente denunciados pela imprensa constituem não apenas motivo de indignação, mas consubstanciam um grande constrangimento. Aqueles que, como eu, acreditaram nos propósitos éticos de sua carta de princípios, consolidados em seu programa e em suas resoluções partidárias, não têm como conviver com esta situação sem que esta atitude implique uma inaceitável conivência. Ao tentar empenhar-me numa linha de providências, fui isolada e estigmatizada pela direção do partido. (…)

Serei fiel ao meu mandato e permanecerei depositária dos valores defendidos por aqueles que votaram em mim, hipotecaram sua confiança pessoal, e abraçaram as ideias que defendo desde a época em que me tornei pessoa pública em programa diário de TV onde sempre me pautei por princípios éticos inegociáveis.

Até onde pude, tentei reverter esta situação. Não fui ouvida. Não tenho compromisso com os reiterados desvios programáticos e toda sorte de erros cometidos.”
Bonito. A luta solitária de uma mulher contra o dragão da maldade.

Uma outra Marta esteve na Câmara dos Deputados agora, início de setembro, numa missão especial: convidar pessoalmente Eduardo Cunha para sua cerimônia de filiação a um partido que não “causa constrangimento”: o PMDB. Ela quer se candidatar a prefeita de São Paulo.

Há, porém, uma corrente que acredita que, na verdade, a Marta indignada com a corrupção e a que enterra o nariz no saco de um homem com a ficha corrida de Cunha são a mesma pessoa.

O que se pode afirmar, sem sombra de dúvida, é que ambas abusam de arrogância, de laquê, e da convicção de que o eleitor é, sobretudo, um trouxa.

Vai saber.

Kiko Nogueira
No DCM
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PF abre inquérito contra tucano que ameaçou arrancar cabeça de Dilma


Polícia Federal vai investigar ameaças feitas por advogado que disputou eleição pelo PSDB contra a presidente. “Sangue vai rolar” caso presidente não renuncie, fuja ou suicide, diz Matheus Sathler

Por determinação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a Polícia Federal instaurou inquérito para investigar as ameaças de morte feitas pelo advogado Matheus Sathler Garcia, contra a presidente Dilma. A informação foi confirmada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra, ao deputado Paulo Pimenta (PT-RS), autor do pedido de investigação.

O Inquérito Policial nº 1.272/2015 vai apurar as declarações do advogado, que disputou sem sucesso uma vaga na Câmara pelo PSDB do Distrito Federal no ano passado. Em vídeo divulgado por ele mesmo na internet, Matheus Sathler afirmou que vai “arrancar” a cabeça de Dilma e que “sangue vai rolar” caso a presidente não renuncie, não fuja do país ou suicide até a próxima segunda-feira (7).

As declarações foram repudiadas pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que pediu ao conselho de ética do partido a abertura de processo de expulsão do tucano. “Não condizem com o que prega o programa do PSDB nem estão em sintonia com o que espera de um filiado do partido”, disse Aécio.

Na última segunda-feira (31), Paulo Pimenta, que preside a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, encaminhou denúncias ao Ministério da Justiça e à PF solicitando que fossem tomadas providências contra o advogado. Além do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, também foram acionados pelo deputado o Ministério Público Federal, para instaurar ação penal contra Matheus por incitação ao crime, e o Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil, para que adote medidas para a abertura de processo disciplinar contra o autor das ameaças.

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Como a PM paulista tornou-se máquina de assassinar jovens


De repente, a força tarefa montada para apurar a chacina de Osasco — na qual 19 jovens foram assassinados — foi atropelada pelas investigações da Polícia Militar (PM).

A maior suspeita era de PMs envolvidos.

As investigações da PM atuaram em duas frentes: para atrapalhar os aspectos materiais e para comprometer os aspectos formais da investigação.

Na primeira frente, atrapalharam a colheira de provas e expuseram nomes de testemunhas. A partir do vazamento, todas elas passam a ser juradas de morte.

Na frente formal, caso as investigações levem a nomes de policiais de menor patente, com toda certeza serão anuladas nos tribunais superiores, já que crimes de morte só podem ser investigados pela Polícia Civil (PC). À PM cabe apenas investigar infrações administrativas.

Escancara-se, assim, um dos grandes desafios nacionais, que mais cedo ou mais tarde teria mesmo que ser encarado: o do enfrentamento do poder paralelo incrustado nas PMs, cuja manifestação mais trágica é a extraordinária taxa de letalidade nas suas ações. Em muitos lugares — especialmente em São Paulo — a PM tornou-se uma máquina feroz de assassinar jovens de periferia, escudada na mais absoluta impunidade.

O papel dos P2

Os problemas da PM começaram quando transformaram o P2 em agentes policiais.

Os P2 são uma espécie de polícia judiciária, responsáveis por levantar as infrações disciplinares e propor correções de rumo à polícia. Os PMs usam fardas, os P2, não. Os PMs são cidadãos comuns; os P2, os PMs de confiança.

Gradativamente houve uma alteração na sua atuação, conforme se contará mais à frente, tornando-se a linha de frente das operações extralegais da PM, como agentes de confiança do oficialato.

Essa máquina de assassinato foi montada de forma gradativa.

Na década de 70 consolidou-se a imagem da PC corrupta e da PM violenta. Vem de lá os conflitos entre as duas polícias.

Na linha de frente, os conflitos se manifestavam no próprio atendimento policial. O PM prendia o suspeito, levava para a delegacia e lá havia a primeira frente de conflito.

Há duas espécies de policiais civis.

O policial sério é garantista — isto é, não está lá meramente para apurar culpas, mas para apurar a verdade. Ele precisa seguir o Código de Processo Penal (CPP), requisitar laudos e perícias. Já a PM não se prende a códigos e busca culpados.

Além disso, não havia interesse em fortalecer a PC, porque a própria PM pretendeu desde sempre controlar o ciclo completo da apuração do crime. No passado, houve inúmeros casos de efetivos da PM cercarem delegacias para fazer valer a vontade do oficial, exigindo flagrante em determinados casos, contra a opinião do delegado, que não via motivos para tal.

O problema maior surgiu com a segunda espécie de policial civil, o corrupto.

Ainda na década de 70 a PM deu-se conta de que prendendo o contraventor e entregando-o em uma delegacia — em geral ligado ao jogo de bicho e ao bingo — apenas valorizava a corrupção da PC.

Talvez por efeito-demonstração, as companhias da PM que atuavam na região da Santa Ifigênia começaram a praticar venda de segurança. Havia reuniões formais entre os capitães e comerciantes. Os oficiais alegavam que o Estado não tinha verbas. Os comerciantes montavam então uma associação incumbida de recolher recursos para financiar os PMs. Foi o início de um modelo que se expandiu para outras regiões da cidade e deu início ao crescente mercado de segurança, dominado por companhias de propriedade de oficiais da PM.

Hoje em dia, é comum a venda casada de segurança por essas empresas. Tipo, se a contratarem garante-se pelo menos duas vezes por dia a presença de viaturas da Rota transitando pela região.

A segurança de quem pagava

A venda de segurança começou a dar na vista, porque regiões e cidadãos passaram a ser divididos entre os que podiam e os que não podiam pagar.

Para administrar a opinião pública, a maneira encontrada por setores da PM e das companhias de segurança foi a criação de grupos de extermínio.

Se surgiam problemas em determinada região, mandavam um esquadrão na calada da noite que executava meia dúzia de pessoas, quadrilheiros ou não. A ação servia para alertar os quadrilheiros: mudem-se! Para a população, passava a ideia de guerras de quadrilha.

Aos poucos, o modelo de execução foi sendo aprimorado.

Quando surgem problemas em determinadas regiões nobres, os grupos de segurança privada combinam entre si e aquele de outra região vai até o local, procede à matança e à desova dos corpos em outro lugar.

Esse mesmo procedimento passou a ser adotado por setores da PM.

Quando precisa matar alguém, setores da PM valem-se de três equipes. A primeira, executa as vítimas. A segunda, vai até o local e esconde as provas. A terceira comparece para registrar o crime.

A eficácia do modelo é assegurada por dois instrumentos.

O primeiro, o sistema de gestão avançado, que permite programar a ida ou retirada de policiais da área. Se um grupo de extermínio planeja uma ação em determinada área, basta acionar o sistema para tirar o policiamento do entorno do alvo.

O segundo é a falta de uma polícia técnica independente. O Instituto Médico Legal não tem verba própria. Depende da Polícia Civil, porque até hoje não foi instituída uma polícia científica, conforme preconizado pela Constituição.

No geral, os PMs desenvolvem laços de compadrio com médicos. De posse da escala de médicos, é fácil identificar aqueles menos exigentes nos laudos.

Os crimes de maio de 2006 só cessaram quando médicos do Conselho Regional de Medicina correram para o IML (Instituto Médico Legal) para acompanhar as autópsias. É nesse momento que aparecem as provas mais objetivas que podem levar ao criminoso.

Os crimes de agosto

Não foi por acaso que Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) exigiu providências do governo brasileiro tão logo foram divulgadas as notícias sobre a chacina de Osasco. Nos organismos internacionais, há consenso de que as autoridades públicas perderam o controle sobre as PMs.

A primeira atitude do Secretário de Segurança Alexandre de Moraes foi a constituição de um grupo de trabalho de 50 pessoas, entre policiais civis e procuradores estaduais visando apurar os crimes. Não incluiu ninguém da PM. Parecia que, pela primeira vez, seria rompida a blindagem.

Quando a PM colocou seu bloco na rua, o Secretário calou-se. Dele não se ouviu mais nenhuma palavra, nenhuma declaração.

A chacina de Osasco tornou-se um divisor de águas. Nos próximos dias se saberá onde reside o poder de fato em São Paulo: se no Palácio Bandeirantes ou se no quartel da PM.

Dessa resposta dependem centenas de rapazes de periferia que serão executados nos próximos meses, caso o governo de São Paulo atue de forma pusilânime.

Luís Nassif
No GGN
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Hélio Bicudo se comportou como Kim Kataguiri

Golpista aos 93
Foge da minha capacidade de compreensão.

Que leva um homem de 93 anos como Hélio Bicudo a agir como um garoto irresponsável?

Anciãos costumam levar concórdia onde há conflito. Com seu extemporâneo e ridículo pedido de impeachment de Dilma, Bicudo está levando mais conflito onde já existe conflito em doses brutais.

A discórdia se instalou até em sua própria família. Uns filhos se disseram contra, e uma única filha apoiou o pai com aquele habitual blablablá de corrupção.

Repitamos sempre: o problema número 1, 2 e 3 do Brasil é a desigualdade social. A direita predadora fala tanto em corrupção — não a dela, naturalmente — para desviar a atenção do câncer que é a iniquidade social.

E Bicudo adere ao coro dos insensatos ou espertalhões.

É como se Kim Kataguiri tivesse encarnado em Bicudo, e dali brotasse Kim Bicudo ou Hélio Kataguiri.

Nada contra velhos na política.

Alguns deles trazem lições formidáveis aos moços. O Papa Francisco é um caso. Pepe Mujica, outro.

Mas Bicudo podia ter passado sem essa.

Você pode ser tentado a achar que ele passou todos estes anos desde que se retirou da vida pública lendo a Veja e os editoriais do Estadão.

Sua petição já nasce morta: Dilma vai até 2018. O Brasil não vai recuar ao estágio de Republiqueta por causa dos maus perdedores e dos trapaceiros habituais.

Sobrará do episódio apenas uma mancha de óleo na biografia de Bicudo.

Bicudo chegou tarde, e mal, à discussão do impeachment.

Não consta que, em sua longa carreira política, ele tenha cometido alguma barbaridade.

Agora, a caminho dos 100 anos, cometeu uma que vale por muitas.

Paulo Nogueira
No DCM
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ADPF encaminha pedido de anistia ao Delegado Protógenes Pinheiro de Queiróz


Destinatário: À Câmara dos Deputados e ao Senado Federal da República Federativa do Brasil

Excelentíssimos Senhores Deputados e Senadores

O Supremo Tribunal Federal em 18 de agosto de 2015 decretou trânsito em julgado sobre a condenação de Protógenes Queiroz, isto é, a perda do cargo de Delegado de Polícia Federal, perda dos direitos políticos por 8 anos, pena de prisão de 2 anos e 6 meses, convertida em prestação de serviços a comunidade, prisão domiciliar aos finais de semana, multa em dinheiro a ser estimada na execução.

Na situação atual não cabendo mais recurso jurídico.

O crime maior que lhe foi imputado a condenação, foi ser o coordenador da Operação Satiagraha, e não aceitar proposta de corrupção. Sempre defendeu os interesses do Estado, combateu grandes esquemas de corrupção, investigou e prendeu os que desviaram dinheiro público.

Entretanto o Delegado Protógenes é vitima de uma decisão do Supremo Tribunal Federal que deu continuidade a um julgamento quando o mesmo já não exercia o mandato de Deputado Federal, em razão de ter encerrado as suas atividades parlamentares em 31 de janeiro de 2015.

Portanto, reafirmamos o Estado Democrático de Direito, o devido processo legal, em respeito às nossas leis e o senso de Justiça que norteia o caso, assinamos este abaixo-assinado, requerendo aos Excelentíssimos Senhores Deputados e Senadores para que aprovem a ANISTIA reintegrando-o aos quadros de Delegado de Policia Federal e revoguem a cassação dos direitos políticos decorrentes da sentença condenatória contra Protógenes Pinheiro de Queiroz.

Essa é uma medida política que mantém viva a esperança de milhares de brasileiros(as) de que ainda existe Justiça na busca incessante da verdade pelas instituições de nosso país.

No ADPF
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Dilma Rousseff fala sobre situção econômica e garante manutenção de políticas sociais


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Canal Saúde passa a ser canal público em 2016



Os ministros da Comunicação, Educação, Cultura e Saúde assinaram um acordo para a instituição do Sistema Público de Televisão Digital nesta terça-feira (1º/9), no Ministério das Comunicações. A iniciativa prevê a entrada no ar de quatro canais públicos — entre eles, o Canal Saúde —, a partir da digitalização da televisão brasileira, que tem início previsto para abril de 2016, podendo estender-se por dois anos até cobrir todo o território nacional.

“O Brasil ainda deve um conjunto de TVs públicas para a população se enxergar e que isso signifique um acréscimo de valor cultural, educacional e de democratização da informação", afirmou o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, na assinatura do acordo. Além dos Ministérios das Comunicações, da Educação e da Saúde, o projeto envolve a Secretaria de Comunicação Social, Fiocruz e EBC.

A previsão é que ainda em 2015 entrem no ar Canal Saúde e o Canal da Educação, ocupando faixas da multiprogramação da TV Brasil, nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Na sequência essa transmissão se estenderá a outras cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, com o acréscimo do Canal da Cultura.

“O Canal Saúde não é do Ministério da Saúde. Nem é um canal da Fiocruz. É um canal SUS. Mais do que em uma perspectiva estatal, temos que trabalhar como uma perspectiva de comunicação pública”, destacou o Ministro da Saúde”, destacou Arthur Chioro.

Idealmente, cada canal terá uma frequência própria, mas isso depende da estruturação de uma rede pública de transmissões, o que ainda pode levar algum tempo. Os canais públicos terão preferência para ocupar os canais 7 a 13 da TV Digital. Essa faixa, chamada de VHF alto, atualmente abriga emissoras de TV analógica.

O acordo de cooperação reúne canais já existentes, como TV Escola e Canal Saúde, além daqueles já criados pelo decreto nº 5.820/06 e ainda inativos (demais faixas do Canal da Educação e Canal da Cultura). A EBC, com recursos originários dos órgãos que programam os canais, será a responsável pela aquisição de equipamentos, transmissão dos canais e manutenção da infraestrutura.
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Gilmar e Toffoli reeditam parceria em críticas ao PGR


No ano passado, por ocasião do julgamento das contas de campanha de Dilma Rousseff pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), alertei que formara-se uma aliança entre o relator Gilmar Mendes e Dias Toffolli tentando um golpe paraguaio, de impeachment via rejeição das contas.

Não seria leviano de fazer afirmação de tal gravidade, não tivesse escudado em fontes de alto nível, conhecedoras dos meandros do TSE. A manobra só não foi vitoriosa devido ao recuo do Ministro Luiz Fux, o voto que faltava para garantir a maioria.

Havia muitas evidências demonstrando a nova aliança, a começar do suspeitíssimo sorteio que jogou no colo de Gilmar Mendes a relatoria das contas do PT e da campanha de Dilma. Com o cargo vago, pela demora de Dilma em indicar um novo Ministro, o regulamento determinava a entrega da relatoria ao juiz natural, o suplente.

Na semana passada, o Procurador Geral da República condenou o ativismo judicial do TSE, nas permanentes investidas de Gilmar Mendes em procurar pelo em ovo nas contas de Dilma. 

Hoje, sairam em defesa de Gilmar os Ministros Dias Toffoli e João Otávio Noronha — este, seguidor entusiasta de Aécio Neves e nomeação certa para o STF em caso de vitória do candidato.

Dois fatores pesaram na mudança de posição de Toffoli. O primeiro, o esgarçamento do PT e a blindagem que passou a receber dos veículos de mídia, por conta da proteção de Mendes. 

O segundo, uma raiva incontrolável de Dilma, pelo que considerou enorme desrespeito a ele e à instituição, por sua demora em indicar um novo Ministro para o TSE. Dilma sequer se dignou a atender pedido de audiência de Toffoli.

A um ato menor de Dilma seguiu-se uma reação minúscula de Toffoli, colocando sua suscetibilidade acima da responsabilidade constitucional.

Luís Nassif
No GGN
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Menos bico, FHC


A família Ramphastidae, com mais de 33 tipos de tucanos, tem um hábito curioso. Dorme com o bico enorme escondido sob as asas e a cauda dobrada sobre o dorso, cobrindo a cabeça. Seus parentes na política não seguem a mesma conduta. Talvez a falta de descompostura na arte de abrir tanto o bico para acusar os tenha impedido de esconder seus bicos quando deveriam.

Talvez os golpistas da atualidade não se recordem, mas uma longa lista de crimes dos governos tucanos ainda pairam sob enormes dúvidas. Da pasta rosa ao Caso SIVAM, a mesma justiça que hoje apura a Operação Lava-Jato, atravessou a década de 90 num silêncio sepulcral para a maior parte dessas denúncias.

Comecemos pelo Caso SIVAM. No início do primeiro mandato presidencial, FHC viu seu Governo afundado em denúncias de tráfico de influência para contratação e execução de um misterioso sistema de vigilância na Amazônia. O escândalo chegou a bater na porta do Parlamento na tentativa de se instalar uma CPI para apurar o esquema de corrupção, mas o ex-presidente tucano tratou de articular seu bloqueio.

Teve uma boa ajuda do “Engavetador Geral da República”, Geraldo Brindeiro, que recorrentemente arquivava denúncias de corrupção contra o governo tucano — bem diferente do que é feito atualmente por Rodrigo Janot. Quando explodiram denúncias de que bancos públicos teriam financiado campanhas políticas de parlamentares da base de FHC através de Caixa 2, o conhecido caso da “pasta rosa”, Brindeiro varreu todas para debaixo do tapete.

Ainda houve a quebradeira nacional da privataria tucana, registrada no livro de Amaury Ribeiro Júnior. FHC fez “preço de banana” para entregar a Companhia Vale do Rio Doce, empresa de patrimônio único, com gigantesca infraestrutura acumulada. A estatal foi “vendida” ao capital internacional por meros R$ 3 bilhões, algo que a companhia lucra atualmente a cada trimestre.

Também vale recordar a misteriosa venda da extinta Telebrás. Vários grampos divulgados à época revelavam o envolvimento de lobistas do setor de telefonia com autoridades do partido do ex-presidente. Informações privilegiadas eram repassadas a alguns grupos econômicos de forma que os beneficiasse no negócio. Outra CPI impedida pelos tucanos.

A extinção da Sudene e Sudam, órgãos do Governo mantidos para estimular o desenvolvimento do Nordeste e Amazônia, respectivamente, também estão nessa lista. Depois de inúmeras denúncias de fraude nas administrações, FHC resolveu extinguir as superintendências em vez de realizar o que a presidenta Dilma tem feito na Petrobras: criado transparência e facilitado as investigações.

Não se pode esquecer da compra de votos para sua reeleição de 1998, onde parlamentares da base do Governo teriam recebido dinheiro para votar a favor de uma emenda constitucional que criaria esta regra na Constituição Federal. Dois deputados do ex-PFL, hoje DEM, foram manchete dos jornais ao confirmar a informação. Ambos foram punidos pelo partido e o caso arquivado, sepultando qualquer outro tipo de apuração.

Os tucanos, como sua trajetória política mostra, não possuem moral para dar à Dilma o conselho de renúncia quando, na verdade, a História só tem mostrado que foi sob a gestão dela que a Justiça e os órgãos de investigação tiveram fôlego, autonomia e instrumentos para combater a corrupção tanto abafada na década de 90.

Como na natureza, os tucanos da política poderiam tomar como referência os tão bonitos Ramphastidae. É hora de esconder os bicos. O grupo político que lhe toma como símbolo, liderado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, não tem autoridade política nos gorjeios para pedir a renúncia da presidenta Dilma Rousseff.

Jandira Feghali é médica, deputada federal (RJ) e líder do PCdoB
No Viomundo
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Filhos de fundador do PT criticam ação contra Dilma

Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, que entregou a Eduardo Cunha pedido de impeachment de Dilma
Filhos do advogado Hélio Bicudo criticaram o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) apresentado pelo pai deles nesta terça-feira (1º) ao Congresso Nacional.

A consultora em planejamento urbano Maria do Carmo Bicudo Barbosa, 68, primogênita entre os sete filhos de Bicudo, afirmou que o advogado "está no pleno exercício de suas faculdades mentais, mas cometeu um equívoco. No momento o país precisa de união para vencer as dificuldades que enfrenta, e não de um pedido de impeachment".

Maria do Carmo contestou a alegação do requerimento feito pelo pai de que a presidente Dilma Rousseff teve responsabilidade nos crimes apurados na operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras.

"Eu acredito que a presidente Dilma seja honesta e no governo dela há total transparência e liberdade nas investigações da Lava Jato. Em governos anteriores as apurações não ocorreriam da mesma maneira", afirmou.

O executivo do setor imobiliário José Bicudo, 66, o mais velho entre os quatro filhos homens de Bicudo (os outros três moram no exterior), disse ter ficado chocado com a medida judicial adotada pelo pai.

"Não há motivos suficientes para a apresentação de um pedido de impeachment contra a presidente Dilma. Houve açodamento por parte de meu pai neste episódio", disse o executivo.

"O ato de meu pai assusta pela trajetória dele, pelo que ele representa na história da democracia do país. Esse ato só acirra os ânimos, em vez de apaziguá-los", completou.

Fundador do PT, o pai de José foi deputado federal (1991-1994) e vice-prefeito de São Paulo no mandato da atual senadora Marta Suplicy (sem partido-SP).

Maria do Carmo e José disseram não ter atuado em atividades políticas apesar do engajamento do pai na vida partidária.

Porém, o pedido de impeachment foi apoiado por uma das filhas de Bicudo, Maria Lúcia. Ela e advogada Janaína Paschoal, que também assina o pedido, foram as responsáveis pelo protocolo do documento no início da tarde desta terça na Câmara dos Deputados.

Procurada para comentar as críticas dos irmãos, Maria Lúcia defendeu a ação do pai. "Há corrupção demais no país e é preciso adotar medidas fortes para promover mudanças. São necessárias ações concretas para resgatar valores como integridade e ética no país", afirmou.

Segundo a filha de Bicudo, a iniciativa partiu do próprio advogado e não tem relação nem com partidos políticos nem com movimentos favoráveis ao impeachment da presidente.

Em razão de sua idade (93 anos) e de seu estado de saúde, o advogado não participou da entrega do pedido. Em 2010, ele sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral).
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Inédita subida do petróleo em 25 anos beneficia o Brasil


Preços de referência subiram 27% em três dias consecutivos de alta, quase 10% só na segunda (31), algo que não acontecia há 25 anos, desde 1990

Em três dias de negócios nas bolsas internacionais, a partir da quinta-feira (27), o preço do petróleo sofreu uma inédita alta de 27% em 25 anos. Somente na segunda-feira (31), a alta foi de quase 10%, depois de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) anunciar que discutiria novos preços de venda.

O barril do tipo Brent para outubro, cujo preço serve de referência mundial, alcançou US$ 54,15, ou 9,6% a mais que os US$ 48,95 da abertura do mercado.

Desde 1990, a commodity (nome que designa produtos primários em geral, para transformação em outro de maior valor agregado) não registra desempenho semelhante. A disparada tornou-se responsável pela recuperação das perdas de valor que o petróleo sofreu em agosto, mês no qual o insumo bateu no nível mais baixo desde 2009 – chegou a US$ 40 no dia 21.

Para o Brasil, a notícia é boa pois pode melhorar as expectativas da Associação dos Exportadores Brasileiros (AEB), cujas estimativas são de que o petróleo brasileiro deverá fechar o ano de 2015 com exportações de US$ 13,85 bilhões. O dado foi atualizado em julho, ou R$ 51,2 bilhões a valores de hoje.

Pelas estimativas iniciais, que previam exportações de US$ 15,6 bilhões (R$ 57,7 bilhões) em 2015, a revisão das contas da AEB dois meses atrás apontou perdas de US$ 1,75 bilhão no ano, que, no novo cenário, de valorização do petróleo, podem não se confirmar.

O aumento repentino no preço pode representar um ganho extra proporcional aos volumes a serem exportados nos quatro últimos meses do ano pelo Brasil, quase todo ele pela Petrobras. Associada à desvalorização do real frente ao dólar, cotado a R$ 3,70 nesta terça-feira (1º), a alta do petróleo pode assegurar mais divisas e melhorar o desempenho da balança comercial no ano. E uma certa dose de alívio para a Petrobras, que vive um esforço contínuo de geração de caixa.

O que mais anima o mercado em relação à melhoria nos preços do insumo, segundo o Infomoney, é que “há duas notícias positivas no horizonte do combustível”: a queda de 100 mil barris na produção nos Estados Unidos e a disposição da OPEP em rediscutir os valores com os demais produtores.

Quanto maior a produção, menor o preço. Preços maiores traduzem produção em queda. Hoje, a queda chegou a 7% devido a notícias de piora industrial na China, o maior consumidor planetário de petróleo.

Márcio de Morais
No Agência PT de Notícias



Um milhão de barris por dia. O pré-sal já chegou lá, apesar dos urubus


Não tem manchete para registrar.

Muito pouca gente escreveu que estava para acontecer, apesar de estar diante dos olhos de todos, como mostrou este Tijolaço há um mês.

Mas assim, quase em silêncio e com muito trabalho e capacidade técnica, a Petrobras chegou à marca de um milhão de barris de petróleo e gás na camada pré-sal do nosso leito marinho, nas contas fechadas para o mês de julho.

Exatos 1,0041 milhão de barris na medição do “óleo equivalente” — que considera a capacidade energética do gás natural que vem associado ao petróleo.

Foram 812,1 mil barris diários, em média, de petróleo e 30,5 milhões de m³ de gás.

Em julho do ano passado eram 480,8 mil barris/dia de petróleo e 16,2 milhões de metros cúbicos de gás natural, equivalentes, no total, a 582 mil barris diários.

69% a mais de petróleo; 88% a mais de gás natural e, na soma dos dois, um crescimento de 72,3% em apenas um ano.

E isso não tem óleo nem de Libra, nem de Beija-Flor (antes chamado de Franco) os dois mega campos em desenvolvimento.

Não existe, em todo o mundo, nenhuma área de extração de petróleo em que a produção cresça nestes volumes e nestas taxas.

É disso que vamos “aliviar” a Petrobras?

São estes os investimentos que devemos cortar para melhorar o “fluxo de caixa”?

Até mesmo o endividamento da empresa — necessário para o volume de investimento exigido na epopeia do pré-sal — tem de ser considerado levando em conta a perspectiva de gigantescas quantidades de óleo que o pré-sal, do dia, vem provando que possui.

É preciso ser muito tolo para dizer que “há dúvidas sobre a viabilidade do pré-sal”.

Tolo ou traidor de sua pátria e de seu povo.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O ombro amigo de Josias de Souza


O jornalista Josias de Souza, dizem, já conheceu melhores dias. Atualmente, é um dos exemplos mais comoventes da degeneração de um jornalismo que não ousa dizer seu nome. Um jornalismo despido de isenção, despido da mínima preocupação com aquilo que confere credibilidade à informação: a qualidade da produção jornalística. Um jornalismo que atenderia melhor pelo nome de panfleto. Além de tudo, um panfleto mal construído e de direita.

Nesta segunda-feira (31), em seu comentário no Jornal da Gazeta, da TV Gazeta, Josias de Souza, a pretexto de falar sobre o anúncio do déficit fiscal previsto para o orçamento de 2016, destila sua bílis contra o governo (veja abaixo).



Nada mais natural do que um comentarista político ter uma avaliação negativa e até mesmo dura, sobre ações do governo. Mas o tipo de tom adotado por Josias, e que hoje é comum (mas que não se conhecia quando o governo era de Sarney ou de FHC) é tristemente revelador. Reparem no vídeo a feição raivosa, um tanto teatral, que o “comentarista” adota em determinados trechos. Pouco ou quase nada de argumentos e muito de adjetivação “indignada”. Para Josias não existe crise internacional, existe apenas a “incompetência” do governo e, garante o jornalista que Dilma não conseguiria hoje “vender um carro usado”, entre outras coisas. Vendo o jornalismo de Josias entendemos porque as corporações midiáticas são contra a exigência de diploma para o exercício da profissão. Muita gente boa é contra, por outros motivos, mas o motivo da mídia hegemônica fica claro: para fazer o que Josias faz, não precisa realmente ser jornalista. Façam um teste. Peguem qualquer um destes alucinados que vão para a passeata golpista pedindo intervenção militar, e gravem um vídeo com ele. Peçam que ele comente sobre o anúncio do déficit fiscal. Se ele souber do que se trata — o que seria surpreendente — vocês irão perceber que a abordagem (talvez com as mesmas palavras) será muito idêntica à de Josias. Pois a opção não é por análises multifacetadas, ou que enriqueçam o raciocínio crítico de quem lê ou ouve comentários. É tudo preto e branco. Profissionais como Josias já escolheram, tendo em vista um determinado projeto político conservador, falar para um tipo de público que parece receptivo como uma esponja a qualquer vitupério contra o governo. E o jornalismo que se dane.

A fonte ministerial de Josias

Josias não merece credibilidade como jornalista, mas deve ter toda a credibilidade como militante político empenhado em derrotar o governo. Isso até o ministro da Justiça, que não é conhecido por sua perspicácia, sabe. Pois não é que este militante travestido de jornalista tem suas “fontes” dentro do Planalto? E não são fontes de pouca importância não. São fontes ministeriais. Em artigo publicado nesta terça-feira (1/9), no site UOL (grupo Folha) Josias garante que um ministro do governo procurou seu ombro amigo para chorar pitangas. Quem é o ministro? Ninguém sabe. Josias diz que sua fonte pediu o anonimato. Até aí nada demais. O recurso do anonimato das fontes é legítimo, mas deve ser usado, de preferência, quando as informações que a “fonte” presta podem ser checadas de forma independente. Quando, como no presente caso, as informações são subjetivas, e coincidentemente, encaixam como uma luva na visão pessoal do jornalista sobre determinado assunto, praticamente não existe informação real. Diz Josias que o ministro amargurado lhe confidenciou que os gestores da crise no governo estão “batendo cabeça”, e lamenta (o alegado ministro): “o desânimo se espraia pelo primeiro escalão do governo. Quando aceitei participar do elenco do segundo mandato da presidenta Dilma, sabia que não seria o protagonista. Mas não imaginei que viraria figurante de um filme sem roteiro, mal dirigido e com orçamento deficitário. Pensei em pedir para sair. Fui aconselhado a ficar. Isso foi há um mês. Desde então, meus dias são feitos de arrependimento”.

Josias: O ombro amigo

Busquemos especular o que levou o suposto ministro a desabafar. Carência? Seria este ministro um homem solitário? Não confia nos assessores, está brigado com a esposa, os filhos não o visitam, restou-lhe o velho e bom Josias. Ou queria o ministro, com esta declaração exclusiva, conquistar a simpatia do Grupo Folha (proprietário do site UOL)? Pensou talvez que, se fosse o alvo do grupo, Josias poderia interferir em seu favor e dizer: “gente, ele está sofrendo”. Pelo menos uma pessoa tem certeza sobre a existência deste ministro e a veracidade do depoimento: a mãe do Josias, pois afinal mães são seres crédulos em relação aos filhos.

Bomba! Bomba!

Termino com uma bomba usando o revolucionário método jornalístico de Josias. Uma fonte do PSDB — que pediu o anonimato — confidenciou que Josias de Souza, com inveja de um colega da Globo, ligou para FHC pedindo uma dica sobre como conseguir uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL). O ex-presidente, com a mesma sinceridade do ministro anônimo, teria dito ao jornalista: “faça como eu, seja medíocre”. Temos que reconhecer: Josias de Souza está se esforçando em seguir o conselho.

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Dr. Gilmar X Dr. Janot: temos agora a “guerra das togas”

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/09/02/dr-gilmar-x-dr-janot-temos-agora-a-guerra-das-togas/

De um lado, Dr. Gilmar Mendes, 59 anos, mato-grossense de Diamantino, ministro do Supremo Tribunal Federal desde 2002, indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

De outro, Dr. Rodrigo Janot, 58 anos, mineiro de Belo Horizonte, procurador-geral da República desde 2013, cargo para o qual acaba de ser reconduzido pela presidente Dilma Rousseff.

Assistimos agora, em meio à confusão generalizada em Brasília, que atinge os três poderes, à chamada "guerra das togas", envolvendo estas duas eminentes autoridades no julgamento das contas da campanha presidencial encerrada quase um ano atrás.

Ainda não chegamos ao ponto de ver becas e togas voando, mas estamos caminhando para isso, após as escaramuças dos últimos dias, com Gilmar e Janot assumindo posições cada vez mais antagônicas diante da mesma legislação eleitoral, que deveria ser igual para todos.

As contas da presidente Dilma Rousseff já foram julgadas e aprovadas, por unanimidade, em dezembro do ano passado, tendo como relator Gilmar Mendes. Nas últimas semanas, porém, atendendo a um recurso do PSDB, o ministro do STF, que também é vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, resolveu reabrir o processo e pedir novas investigações ao chefe do Ministério Público Federal, sumariamente recusadas por falta de fundamentação legal. Ao contrário do que Gilmar queria, Janot mandou arquivar o caso.

A partir daí, em sucessivas notas e declarações bastante agressivas, Gilmar e Janot passaram a travar uma batalha midiática, que tem como pano de fundo o terceiro turno das eleições defendido pelo alto tucanato, até hoje inconformado com o resultado. Em poucas palavras: o PSDB e o ministro do STF querem cassar a chapa Dilma-Temer, com base em delações feitas na Operação Lava Jato, e promover novas eleições, o que Janot não aceita.

Segundo o procurador-geral, "não há indícios mínimos para o prosseguimento da investigação". Em seu despacho, Janot chamou a atenção para o fato de que a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral "estão atuando como protagonistas exagerados do espetáculo da democracia, quando a Constituição definiu que os atores principais são os candidatos e os eleitores".

No seu melhor estilo bélico, Gilmar Mendes não se deu por vencido. Com o apoio de outros três ministros do TSE (são sete no total, ou seja, ele tem a maioria), deu uma resposta dura a Janot ao enviar novo pedido de investigação de uma gráfica que prestou serviços à campanha de Dilma Rousseff:

"O que se espera do PGR é que proceda às devidas investigações dos possíveis ilícitos penais que saltam aos olhos da nação. Esta corte bem cumprirá suas funções nesse âmbito especializado e não precisa receber lições nem do procurador-geral da República nem de quem quer que seja".

Curiosamente, Gilmar Mendes não mostra o mesmo interesse na análise das contas do tucano Aécio Neves, o candidato derrotado, julgamento que até hoje não foi feito. Só esta semana, oito meses após a aprovação das contas da campanha de Dilma Rousseff, ficamos sabendo que assessores técnicos do TSE encontraram indícios de 15 irregularidades nas contas do candidato do PSDB.

No pedido de informações encaminhado a Aécio, a ministra Maria Thereza de Assis Moura elencou infrações e inconsistências, omissão de despesas e divergências entre valores declarados pelo candidato e por doadores. Assis Moura lembrou, por exemplo, que uma doação de R$ 2 milhões feita pela empreiteira Odebrecht ao comitê financeiro do PSDB não aparece na prestação de contas do candidato.

Por esses motivos, a assessoria jurídica da campanha do PT entrou com recurso no TSE acusando Gilmar Mendes de "abusar e extrapolar de suas competências ao reabrir um processo já julgado e concluído".

E, pelo jeito, esta "guerra das togas", como tantas outras em curso no País, promete não acabar tão cedo.
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Após arquivamento, Mendes faz novo pedido para PGR investigar campanha de Dilma

O ministro Gilmar Mendes, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), criticou hoje (1º) o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por ter arquivado pedido de investigação de uma gráfica que prestou serviços à campanha eleitoral da presidenta Dilma Rousseff em 2014. Segundo Mendes, Janot se negou a cumprir seu papel funcional. Diante do arquivamento, o ministro remeteu o pedido outra vez ao procurador.

Na semana passada, Janot arquivou um pedido de investigação encaminhado por Mendes para apurar indícios de irregularidades na contratação da gráfica VTPB Serviços Gráficos pela campanha da presidenta.

No despacho, além de entender que não há indícios mínimos para o prosseguimento da investigação, Janot informou que a Justiça Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral estão atuando como “protagonistas exagerados do espetáculo da democracia”, quando a Constituição definiu que os atores principais são os candidatos e os eleitores.

Para Gilmar Mendes, a aprovação parcial de contas partidárias não serve como salvo-conduto de eventuais cometimento de crimes. Em dezembro ao ano passado, as contas de campanha da presidenta foram aprovadas com ressalvas pelo plenário do TSE, inclusive com voto favorável de Gilmar Mendes.

“O que se espera do PGR é que proceda as devidas investigações dos possíveis ilícitos penais que saltam aos olhos da nação. Esta corte bem cumprirá suas funções nesse âmbito especializado e não precisa receber lições nem do procurador-geral da República nem de quem quer que seja. Todavia, no que concerne aos crimes que surgem da apurações, o país depende da diligência da procuradoria para que as investigações e acusações sejam levadas a sério. Por isso, estou reiterando o ofício ao procurador para que prossiga a análise dos fatos devidamente noticiados nesse despacho”, disse Mendes.

Mais cedo, os advogados da campanha eleitoral de 2014 da presidenta Dilma entraram com recurso para que o TSE reconsidere a decisão do ministro Gilmar Mendes, que reabriu o julgamento sobre as contas da presidenta.

André Richter
No Agência Brasil
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Pais de alunos reclamam de palavrões em livro usado por colégio de SP


Não..., não é certamente a mesma senhora que você já viu em manifestações na Paulista destilando ódio contra Dilma, Lula e o PT, ainda que o rosto pareça semelhante àquela figura que grita com todo ódio dizendo que queria matar Dilma, aquela "vaca".

Não..., provavelmente não é, mas com certeza faz parte da mesma sociedade que grita e xinga Dilma de "Vaca", e a manda "Vai tomar no cu" das varandas de seus apartamentos em bairros nobres de São Paulo.

A semelhança, claro, é porque em São Paulo a classe média e média alta pensa igual, fala igual, vota igual, censura igual, é hipócrita igual e reage igual.

Paulistas e paulistanos, façam-me um favor...

Ah sim, o palavrão causa de escândalo da família paulistana é "prostituta"!!!!


Para Machado de Assis, era uma "mulher de vida airada" ou uma "mulher pública". Na tradução apresentada a crianças de 10 a 12 anos de um colégio particular em São Paulo, é, sem rodeios: "prostituta". A edição de "Oliver Twist" usada pelo colégio Magister (zona sul) revoltou pais.

O clássico do escritor inglês Charles Dickens (1812-1870) narra a vida de um menino órfão, Oliver, que é criado em condições miseráveis em um albergue de uma pequena cidade da Inglaterra. Mais tarde, acaba se envolvendo com criminosos em Londres. Machado traduziu parte da obra.

A edição indicada aos 60 alunos do 6º ano do Magister é uma adaptação em quadrinhos feita por um autor francês. No Brasil, foi traduzida por Luciano Vieira Machado e publicada pela editora Salamandra (240 págs., R$ 49).

No site da editora, o livro é indicado para crianças com idade a partir dos oito anos.

Uma sequência da HQ mostra o protagonista respondendo a uma provocação: "A partir de hoje, não serviremos mais filhos da p...!", diz um personagem. Oliver responde: "Deixem-me em paz... e minha mãe não é prostituta".

"Meu filho veio há uns dias falando: 'O livro que a professora pediu para ler tem palavrão'. No começo, achei que fosse um palavrão tipo 'merda'", diz a engenheira química Cintia Bernardi, 40, mãe de um aluno. "Ele tem dez anos e veio me perguntar o que era prostituta", reclama.

Reprodução do livro com trecho da tradução criticada pelos pais
Reprodução de edição em quadrinhos do livro "Oliver Twist"com trecho da tradução criticada pelos pais
Gibi

Seu marido, Sandro Lemos, enviou um e-mail à escola: "Que tipo de valor e que tipo de leitor se quer criar ao substituir uma obra-prima da literatura inglesa por esse gibi! A obra tem alguns palavrões e consideramos a literatura imprópria para a idade".

"HQ é um gênero textual importante para o trabalho com crianças de até 11 anos, e muitas obras da literatura nacional e internacional, para se tornarem mais acessíveis a essa faixa etária, são adaptadas a esse gênero", respondeu a diretora pedagógica Katia Martinho.

"Trabalhamos cuidadosamente com os alunos os contextos da sociedade e a linguagem e postura adequada a cada momento", completou.

"A gente paga uma fortuna nessa escola. O que ela está indicando de leitura para essas crianças?", questiona a empresária Solange dos Santos Alves, mãe de um garoto de 11 anos.

Ela cita a lista de livros indicados para as férias que incluía "A Culpa É das Estrelas", de John Green. O livro conta a história de uma menina que tem câncer terminal. "Por que meu filho precisa ler isso? Onde está Monteiro Lobato?", pergunta.

A escola, que tem um total de 969 alunos do berçário ao ensino médio, cobra R$ 1.390 para alunos do 6º ano. O colégio ficou no 52º lugar da capital no ranking do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2014.

Uma mãe que preferiu não se identificar defende que a escola só contextualize os termos. "Como minha filha já viu 'Uma Linda Mulher', ela já sabia o que era prostituta."

"Eles compreendem perfeitamente [os palavrões]. São jovens imersos num contexto social-tecnológico bastante grande. É importante debater com eles e dizer 'isso não é adequado' e quais são os linguajares permitidos", afirma a diretora.

Reprodução do livro com trecho da tradução criticada pelos pais
Reprodução de edição em quadrinhos do livro "Oliver Twist"com trecho da tradução criticada pelos pais

Na avaliação de Claudia Riolfi, psicanalista e professora da Faculdade de Educação da USP, não há problema em a escola abordar "diferentes linguajares em sala de aula, inclusive mostrando o que fica bem ou não em contexto social".

"O diálogo que causou a polêmica poderia ser fonte de importante exploração semântica. Chamar alguém de 'filho da p...', ainda mais no contexto da frase, não implica nem falar da mãe da pessoa e, tampouco, invocar a temática da prostituição", explica a docente, por e-mail.

"Crianças dessa faixa etária têm (ou deveriam ter) condição de diferenciar um insulto (corriqueiro, que elas, com certeza, ouvem no trânsito umas três vezes ao dia) da tentativa de recuperar a honra feita por Oliver."

Para o escritor Ricardo Lísias, que em 2002 terminou a tradução que Machado deixou incompleta, a versão da HQ é "contemporânea". "O tradutor atualizou o termo. Não vejo problema", diz.

Já Daniel Puglia, professor de Letras da USP e estudioso de Dickens, questiona a tradução. "A linguagem de Dickens é muito mais sugerida. Ele sempre adotava um tom que pudesse ser lido pelas famílias", diz. No original, Dickens se refere à mãe de Oliver como "bad 'un" -"bad woman" ou "bad one".

Loic Dauvillier, o francês autor da HQ original, defende-se, por e-mail: "Para marcar as dificuldades das classes pobres, é necessário ressaltar a violência sofrida. Por isso, usamos as imagens, mas também um determinado nível de linguagem".

A Folha não conseguiu falar com o tradutor brasileiro.

Em nota, a editora Salamandra diz: "A linguagem em quadrinhos usada nessa obra é autêntica e busca retratar com fidelidade a realidade da Inglaterra no século 18".

A escola diz que irá promover uma conversa entre tradutor e alunos.
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Novo método para classificação de países acaba com conceito de 'emergentes'

Reuters
Investidores já estão usando outros métodos para classificar países, como grau de investimento, disse Marber

A classificação que agrupa países como "desenvolvidos" e "emergentes" está ultrapassada? E quando um país finalmente deixa de ser emergente?

Para alguns economistas, esta avaliação não é só antiga como é simplista demais. Peter Marber, chefe de investimento para mercados emergentes da consultoria Loomis, Sayles & Company, criou uma nova avaliação, que divide países em 10 grupos diferentes após a análise de uma série de dados.

"Esta classificação (em desenvolvidos e emergentes) não está apenas desatualizada, mas é uma caracterização simplista. O mundo é muito mais segmentado do que preto e branco... Tem vários tons de cinza", disse ele à BBC Brasil.

O grupo 10 reúne os países que mais pontuaram. Quanto mais perto do topo, mais desenvolvido o país. O Brasil está na categoria 6, junto com Rússia e África do Sul. Os três países integram o bloco Brics de países emergentes.

Estados Unidos, China e Índia ─ os dois últimos também integrantes do Brics ─ teriam seus próprios grupos, já que, segundo o critério, não podem ser comparados a nenhum outro país.


Como funciona?

O método consistiu na avaliação de 100 países, desenvolvidos e emergentes. Cada um desses países recebeu notas em nove itens, que avaliaram diversos indicadores em três áreas diferentes: fatores econômicos, financeiros e sociais.

Para mensurar o desenvolvimento financeiro, avaliaram-se dados referentes à nota de crédito do país, à moeda e ao tamanho do mercado acionário como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) ─ para se perceber quão desenvolvido e importante o mercado de ações é.

AFP
Brasil melhorou na comparação com 2003, subindo do grupo 4 para o 6, segundo estudo

Na questão econômica, levou-se em conta o tamanho da população, o PIB per capita e competitividade, que incluiu avaliações sobre infraestrutura, mercado de trabalho e produtividade.

Em relação aos indicadores sociais, foram analisados o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que avalia educação, saúde e bem-estar de países; o Índice da Economia do Conhecimento (IEC) do Banco Mundial, e uma mistura de indicadores de liberdades civis e direitos políticos.

Os países foram, então, divididos em 10 "clusters" ─ ou grupos ─ a partir dos resultados desta avaliação. Assim, foram agrupados países estatisticamente parecidos.

Foram analisados dados do final de 2003 e do final de 2013 para que o desempenho dos países fosse comparado.

Quais foram os resultados?

Os países integrantes do grupo 1 foram aqueles que receberam as menores notas ─ ou seja, estão mais sujeitos a riscos ou são menos desenvolvidos. Já os do grupo 10 registraram as melhores avaliações.

Nos dados de 2013, o grupo 10 reuniu 17 países desenvolvidos, entre eles Austrália, França, Alemanha, Japão e Reino Unido. No grupo 1, foram incluídos Bangladesh, Nigéria e Paquistão.

O Brasil ocupou o grupo 6, com Colômbia, Indonésia, Malásia, México, Filipinas, Rússia, África do Sul, Tailândia e Turquia.

Eis as "surpresas": o estudo excluiu cinco economias dos 10 grupos, notadamente as duas maiores.

Estados Unidos, China, Índia, Hong Kong e Catar foram considerados "casos únicos", disse Marber, em seus próprios "clusters", por ser impossível compará-los com os demais.

AFP/Getty
Estudo disse que EUA não podem ser comparados a nenhum outro país, devido a grande população e riqueza
AP
China teria seu próprio grupo devido à grande população do país

Por que isso? Os Estados Unidos, devido à grande população e riqueza, que não permite que o país seja comparado com nenhum outro, explicou Marber.

A China, devido à grande população. A Índia, também pela grande população, mas, devido às diferenças com a China, os países não podem ser comparados.

Hong Kong, pela combinação de riqueza, desenvolvimento financeiro e pequena população, e o Catar, devido a riqueza e pequena população.

Seriam estas exceções uma deficiência do estudo? "Não", diz Marber. "O que a gente está dizendo é que não há outros países que se pareçam estatisticamente com eles. E, na verdade, este é exatamente o ponto."

BBC
Hong Kong também teria seu único grupo, pela combinação de desenvolvimento financeiro e pequena população
AP
Índia também ficou em categoria separada, por não poder ser comparada aos demais países
Getty
Catar também foi excluído dos grupos principais, devido a riqueza do país e pequena população

"Porque você está tentando dizer: não compare tudo com tudo. Tente comparar semelhantes. E a verdade é que você não pode comparar estatisticamente estes cinco países."

Outra surpresa: Chile, Coreia do Sul e Taiwan, países considerados emergentes, foram classificados no grupo 2, próximos ao grupo mais desenvolvido, e à frente de Portugal e Espanha, por exemplo, tradicionalmente considerados desenvolvidos.

Quais as conclusões?

Na comparação 2003-2013, o estudo conclui que o mundo parece estar "convergindo": os "clusters" de 5 a 10 agruparam 56 países em 2013, e 46 em 2003.

O Brasil, por exemplo, avançou do grupo 4 para o grupo 6, junto com Indonésia, México e Rússia. Chipre, Grécia e Portugal caíram do grupo 9 para o 7 e a Espanha saiu do "cluster" 1 para o 3.

AP
Os Emirados Árabes Unidos, país rico do Oriente Médio, passou do grupo 8 para o 4, segundo a análise de dados

Também caíram Kuwait e Emirados Árabes Unidos, países ricos do Oriente Médio, que passaram do grupo 8 para o 4.

"A crença convencional e o que você vê é bem diferente do que os dados apresentam", afirmou Marber para explicar as "surpresas".

Então, quando um país finalmente emerge? Esta parece uma pergunta sem resposta. "Há uma continuidade de desenvolvimento. É uma corrida sem linha de chegada. Não para", disse Marber.

"Como os países estão se desenvolvendo e para onde eles estão indo é uma incógnita. E o objetivo sempre muda. Então ter uma visão estática de países não faz nenhum sentido."

"E também a visão de que uma vez você chegou lá, você não pode piorar, ou que outros países não podem ser aproximar, também é um erro bobo."

Seria o fim da classificação 'desenvolvido e emergente'?

Classificações sofrem mudanças ao longo dos tempos ─ países emergentes já foram chamados de "em desenvolvimento" ou "terceiro mundo."

A atual avaliação de "desenvolvido" e "emergente" é criticada não só pela simplicidade mas devido aos critérios pelos quais são feitas - um país é considerado "desenvolvido" apenas por questões financeiras, ou índices sociais também devem ser levados em conta?

Ainda é cedo para dizer que o modelo atual será substituído por algum outro, mas já há um movimento para o uso de outras avaliações, disse Marber.

"Há o uso maior em setores do mercado do uso da nota de crédito ─ grau de investimento ou não. O que já uma boa distinção. É uma distinção de qualidade. E se você analisar a metodologia de países é uma abordagem multidimensional."

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Aécio é o ‘pai adotivo’ do advogado que ameaçou Dilma

Semeando ódio
Sabe aquele sujeito que enche as pessoas de cachaça numa festa e depois reclama que elas se comportaram como bêbabas?

É Aécio falando do advogado desvairado que gravou um vídeo no qual ameaça Dilma de morte.

Desde que perdeu as eleições Aécio vem distribuindo cachaça a analfabetos políticos e desvairados em geral com sua patética inconformidade em aceitar que foi batido nas urnas.

E agora mostra espanto, finge indignação?

O envenenamento do ambiente político pós-eleições, a divisão crescentemente explosiva entre brasileiros — tudo isso deve muito a Aécio com seu comportamento de Presidente de Manicômio.

Desde o começo ele insuflou os antipetistas, os antibolivarianos, os anticomunistas e os idiotas em geral com a mentira de que as eleições foram roubadas.

Até as urnas eletrônicas foram colocadas em questão.

É cachaça e mais cachaça para a tigrada, e agora Aécio se surpreende com o vídeo criminoso de um filiado do PSDB?

Mesmo o moderado Alckmin, que concedeu chamar Dilma de “presidenta”, deu agora para falar que o PT é uma “praga”. Isso foi repercutir do blogueiro da Globo Noblat, que num de seus frequentes momentos de desvario patronal escreveu que é preciso jogar “pesticida” no governo.

Aécio herdou o sobrenome, mas não a maior virtude de seu avô Tancredo, um conciliador de enorme talento.

Já caminhando para os 60 anos, fato que procura disfarçar com botox, implante de cabelo e embranquecimento de dentes, age como um adolescente irresponsável, com a cumplicidade sinistra do octogenário FHC.

Quer ser presidente?

Faça algo que nunca fez: vá trabalhar. Percorra o Brasil, os rincões nacionais, e não só as praias e bares cariocas. Mostre aos eleitores humildes, os 99%, que pode melhorar sua vida e, com isso, reduzir a vergonhosa desigualdade social que enlameia o Brasil.

Talvez obtenha votos.

Mas em vez disso ele dá cachaça à turma numa festa de desequibrados, e depois parece surpreender-se com o fato de que os bêbados agem como bêbados.

Paulo Nogueira
No DCM
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Eduardo Cunha prepara saída magistral da cena política

Ele
Cada vez mais isolado, dentro e fora de seu partido, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, prepara sua saída do cargo de forma magistral, segundo fontes adiantaram ao Correio do Brasil, nesta segunda-feira. Cunha não digeriu, até agora, o discurso de seu hoje ex-aliado no PSDB, o senador Aécio Neves (MG) e a expectativa, antes da possível queda nos próximos dias, é quem ele levará junto, na descida, após avisar aos navegantes: “Não vou cair sozinho”.

Neves desembarcou da aventura golpista liderada por Cunha, ao perceber que a campanha para o impedimento da presidenta Dilma Rousseff fez água, no momento em que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, arquivou a denúncia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a campanha da petista, em 2014.

O desembarque de Neves, no entanto, foi mais ruidoso do que Cunha esperava. A ponto de aguardar, sem sucesso, uma reparação do ex-aliado, na noite passada. Um grupo de 15 deputados já apresentou pedido de afastamento de Eduardo Cunha do comando da Casa e seu único ponto de apoio, com capacidade para segurá-lo no posto, cedeu. O PSDB, que até a semana passada dava sustentação ao parlamentar carioca, já passa a considerá-lo uma ameaça ao discurso jacobino da direita.

Até a proteção da mídia conservadora, que ainda mantinha Eduardo Cunha longe dos holofotes da opinião pública, começa a transparecer os primeiros sinais de fadiga. Na edição desta semana, a revista Época dispara mais um petardo contra o presidente da Câmara Federal, na reportagem intitulada A derrocada de Eduardo Cunha.

Em entrevista a um programa na TV aberta, neste domingo, o líder da bancada peemedebista na Câmara, Leonardo Picciani — principal aliado de Cunha no partido — tentou acalmar aqueles que preveem um período conturbado no Legislativo, caso o STF aceite a denúncia de Janot. O presidente da Câmara seguirá “os ritos democráticos, como não poderia deixar de ser”, segundo o parlamentar.

Esquema de corrupção

“Rápido, incansável, agressivo e acuado em uma situação muito delicada, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB, causa apreensão em Brasília. Na tarde da quinta-feira, dia 20, colegas do PMDB souberam que Cunha mandou ao vice-presidente da República, Michel Temer, aquele clássico aviso de ‘não vou cair sozinho’, disparado quando a tensão fica alta na região mais escura do espectro político. Durante anos, Cunha e Temer foram muito próximos no PMDB. O governo sabe que não será poupado da ira de Cunha, apesar do discurso oficial otimista espalhado por ministros petistas”, afirma a revista semanal de propriedade das Organizações Globo.

Cunha tem até o próximo dia 10 para responder à denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), na qual ele pede 184 anos de prisão para o possível réu. Cunha é um dos envolvidos no esquema de corrupção que drenou cerca de R$ 80 bilhões da Petrobras. Na peça jurídica encaminhada ao STF, Cunha é acusado, em 85 páginas, por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo Janot, ele teria recebido cerca de US$ 5 milhões em propinas, no contrato celebrado entre a estatal e a empresa coreana Samsung. Janot pede ao Supremo que Cunha devolva US$ 80 milhões — equivalentes a cerca de R$ 280 milhões.

Cunha teria usado a igreja a que pertence, a Assembleia de Deus em Madureira, Zona Norte do Rio, segundo investigações da Polícia Federal (PF), para lavar dinheiro e distribuir parte da propina arrecadada, durante sua campanha eleitoral. A Operação Lava Jato, da PF, Cunha estaria envolvido em outros crimes, ainda em fase de apuração.

‘Acordão’

“A ação de Janot desestabiliza Cunha severamente. Entretanto, devido ao cargo do deputado, a seu perfil pessoal e ao atual cenário político, torna-o ainda mais perigoso para a estabilidade do país”, afirmou Época. “Cunha tende a ameaçar colegas como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também acusado pela Operação Lava Jato e que recentemente se aproximou da presidente Dilma Rousseff. Cunha pediu a aliados que aprovem a convocação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, para depor na CPI da Petrobras. Afilhado de Renan, Machado permaneceu 11 anos na Presidência da subsidiária da Petrobras, de onde saiu por ter sido mencionado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa como pagador de uma propina de R$ 500 mil”, acrescentou a reportagem da revista.

Em nota, Cunha negou as acusações, mas não tentou se explicar diante das denúncias. Preferiu atribuir a ação da Procuradoria-Geral da República a um complô entre Janot e o governo contra ele. Segundo afirmou, haveria um “acordão” que inclui a preservação de outro acusado pela Lava Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros.

— Não participei e não participo de qualquer acordão e certamente, com o desenrolar, assistiremos à comprovação da atuação do governo, que já propôs a recondução do procurador, na tentativa de calar e retaliar minha atuação política – defende-se Cunha.

No Correio do Brasil
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