30 de ago de 2015

Snowden: Eu tenho documentos Bin Laden ainda está vivo e vive nas Bahamas

O ex-líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden ainda está vivo e vive nas Bahamas, revelou o ex-contratado da Agência de Segurança Nacional (NSA, por sua sigla em Inglês) dos Estados Unidos, Edward Snowden.

"Eu tenho documentos que comprovam que Bin Laden ainda está recebendo dinheiro da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA). Ele recebe mais de 100 mil dólares por mês são transferidos para sua conta bancária pessoal em Nassau (capital das Bahamas)", revelou Snowden em uma entrevista exclusiva para o semanário Moscow Tribune nesta sexta-feira, informou o portal Wall Street Italia.

Snowden disse que a CIA espalhou a falsa notícia da morte de Bin Laden para que as agências de segurança e contraterrorismo do mundo deixassem de procurá-lo e, deste modo, possa viver uma vida tranquila.

No entanto, ele reconheceu que os Estados Unidos haviam considerado a possibilidade de matar Bin Laden, mas abandonaram a ideia porque se matassem um de seus melhores agentes secretos não enviariam uma boa mensagem para seus colegas de trabalho.

"Osama bin Laden era um dos melhores agentes da CIA (...) Que tipo de impressão os Estados Unidos deixariam a seus outros agentes, se enviassem os SEALs (principal força de operações especiais da Marinha dos EUA) para matar bin Laden?", perguntou ele.

Além disso, alegou que a Diretoria de Inteligência Inter-Serviços, a maior agência de espionagem do Paquistão, cooperou com a CIA para fazer o mundo acreditar que o ex-líder da Al-Qaeda foi morto em uma operação de forças especiais dos EUA.

Enquanto isso a HispanTV ampliou indicando que os EUA acusaram Bin Laden de organizar os ataques de 11 de Setembro de 2001, sobre as Torres Gêmeas em Nova York e Washington, e por isso colocaram um preço para a sua cabeça.

A morte do ex-líder da Al-Qaeda é um enigma porque autoridades norte-americanas decidiram não trazer à luz os detalhes do que aconteceu, só deram explicações vagas. No final de 2014, o ex-militar estadunidense Robert O'Neill se identificou como o homem que havia acabado com a vida do terrorista.

No ISLAmia
Leia Mais ►

Sonegadores fiscais: Distraído, Ronaldo Caiado diz a quem representa


Há um projeto de lei tramitando no Senado, em que são propostos certos incentivos para a repatriação de recursos ilegalmente depositados no exterior (“RERCT – Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária de bens não declarados, de origem lícita, mantidos no exterior por residentes e domiciliados no país”). O projeto prevê anistia para os crimes de evasão de divisas e de sonegação fiscal para quem optar por trazer de volta o dinheiro para o Brasil. No projeto há a previsão, além do pagamento do imposto devido, de uma multa de 35%.

Na “sabatina” do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que foi reconduzido ao cargo por mais dois anos, diversos senadores interpelaram o então candidato. A intervenção do senador Ronaldo Caiado foi esclarecedora. Sem medir o alcance de suas palavras, Caiado questionou Janot a respeito do projeto de lei da repatriação. Janot esclareceu que, por se tratar de um projeto, logo, sujeito a alterações (e mesmo a ser rejeitado), ainda não havia estudado o texto da proposta. Na réplica, Caiado, inadvertidamente, escancarou o jogo. Pediu encarecidamente a Janot que a PGR se manifestasse logo a respeito do tema, pois afirmou estar recebendo muitas consultas por parte dos eleitores dele, especialmente quanto à confirmação de que a multa tributária seria a única punição.

Não poderia ser mais eloquente a sinceridade (ainda que acidental) do senador Ronaldo Caiado. Nessas poucas palavras, ele nos ensinou que seus eleitores são brasileiros que desviam recursos para o exterior, recursos esses oriundos de sonegação fiscal ou de origem ilícita. Este é um dos senadores mais empenhados em criticar a "corrupção do PT". Nada mais emblemático, nada mais representativo do que é boa parte da oposição. Os brasileiros agradecemos pela sinceridade do senador Caiado: sua intervenção foi extremamente didática.



Ricardo Del Dotore
No Limpinho e Cheiroso
Leia Mais ►

O Brasil de Gógol

Não quero um país onde uma bruaca ateromatosa lamente que Dilma não tenha sido enforcada

Meu querido Arnaldo Bloch:

Crise, seja emocional, política, econômica ou, o que é mais frequente, a terrível mistura das três, dá uma solidão danada. Por isso, qualquer indicação de que estou no caminho da justiça e do bom senso provoca um grande alívio, semelhante ao que meu mordomo, Jack, me proporcionava. Hoje, como Herrera, não estou nem no banco. Uma adorada Original provoca sintomas estranhos. Me iludo: é a diab-2, embora saiba que, parecido com meu saudoso pai, o conjunto da obra é que está na porta apresentando a conta. Obrigado pelo texto “Pra não dizer que não falei de política”: FHC não é príncipe coisa nenhuma. Trata-se de um oportunista de elite, com o demagógico pé na cozinha. Duda Cucunha é mais do que o bandido-mor do país.

Leio obsessivamente História. Muitas dessas leituras são sobre a Segunda Guerra Mundial. Nosso amigo Dapieve pode atestar minha busca em conhecer melhor a hecatombe. Nessas leituras, saquei o seguinte: o Mal que faz um homenzinho reles, antissemita, pedófilo, coprófago, chegado a seitas, entre outras taras, que deixava os asseclas loucos por recuar em um dia, atacar babando na tarde seguinte, um assassino morde-assopra, presas de vampiro e péssimo hálito. Seu nome era Adolf Hitler. Os tais duzentos “domínios” na internet, jesus.org, ovelhas.com etc., não me enganam. Cucunha é praga propinada devastando o país, como provam suas ações contra o ajuste fiscal, para depois “orar”, e ganhar mais dinheiro. Como um lacaio de PC Farias, que poderia, no máximo, fazer comercial tipo “antes eu era assim” contra caspa, preside aquela casa de tolerância, cacetada, é fenômeno putulítico, sendo o “lítico” aí significando Idade da Pedra. As duas primeiras sílabas não preciso explicar.

Anote o que esse cronista, entrando no hospício dos 69 outonos, prevê: quando os coxinhas e os neofascistas rosconarianos se unirem, os perseguidos lavarão com a língua calçadas, como aconteceu na Alemanha nazista. Temos sinais: pedreiro torturado e desaparecido (não teve passeata pra ele), dezenas de chacinados por vingança policial, milicianos de salário ínfimo com BMW e, o mais grave, um secretário de Segurança, antes confiável, apoiando a retirada dos ônibus de jovens “pardos” e negros, sem ficha policial, sem armas, sem drogas. O crime deles foi a cor e a pobreza.

É isso, meu querido. Não quero um Brasil no qual o missinistro Gilmar legisle pra um lado só. Não quero um país onde uma bruaca ateromatosa lamente que Dilma não tenha sido enforcada no DOI-Codi. Não suporto anomalias esperneando porque não mataram todos em 64. E onde o protótipo do corno pergunte ao filho no colo: “O que Dilma é?”. A criança: “p(*)ta”. Desejo um país onde haja clamor nacional contra essa barbárie.

Se Paulo Mamaluf, Fernão “MaseratiLanborghini” Collor e Eduardo Cucunha, entre outros pilantras, não forem presos, fico com o imortal Gógol:

“Encontrem o juiz, encontrem o criminoso, e depois prendam os dois.”

Aldir Blanc é compositor
No O Globo
Leia Mais ►

A crise do RS e a solução Sartori

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7561

O Rio Grande do Sul está em crise. Inegável. Gasta mais do que arrecada.

Executivo, legislativo, judiciário e Ministério Público teriam de cortar na carne.

O legislativo tem gente demais ganhando acima do possível.

O judiciário, especialmente a magistratura, tem privilégios que se estendem ao MP.

Enquanto um professor do Estado está recebendo uma parcela de R$ 500, um magistrado receberá só de auxílio-moradia mais de R$ 4.600. Pode isso, Arnaldo? É justo, legítimo, moral? É apenas legal. Quem fixou essa legalidade? O judiciário.

Sartori tem razão: o Estado está quebrado e precisa de reformas estruturais.

Tem de mexer na Previdência. Ninguém pode receber aposentadoria sem ter contribuído. Mas isso existe.

O problema é que para moralizar precisa começar bem.

Sartori começou mal: sancionou aumentos para a turma dos camarotes: governador, vice, secretários.

Recuou no seu aumento. Já era tarde. Os deputados também garantiram o deles.

Por fim, Sartori faz um jogo político que não encontra justificativa moral: poderia usar o aumento dos depósitos judiciais para pagar em dia o funcionalismo. O dinheiro existe, a Assembleia Legislativa está disposta a aprovar e o judiciário abriu mão de parte dos juros. Por que o projeto ainda não foi enviado?Porque o governo só quer fazer isso depois de ter seus projetos mais amargos, como o aumento de impostos, aprovado. É pressão. Ou chantagem. Joga o funcionalismo contra a sociedade.

Tem dinheiro. Seria legal. Sartori não quer usar. Ainda.

Só existem duas maneiras de sair da crise: cortar despesas ou aumentar receita.

Ou os dois.

Como cortar receita sem diminuir serviços?

Pode vender estatais. Levaria uns dois anos. Precisa de plebiscito. Botaria dinheiro novo no caixa. Paga-se o jantar vendendo a louça do almoço. Algumas são dispensáveis mesmo. Mas não representaria solução de curto prazo. Nem se a União anulasse a dívida do Estado. Seria uma economia de R$ 260 milhões. O governo diz que faltam R$ 450 milhões a cada mês.

De onde sairiam os outros R$ 190 milhões?

De novos impostos.

Mas se aumentar impostos e não mexer na estrutura o problema voltará.

O governo adotou um método: quanto pior, melhor. Está brincando com fogo.

Mais um capítulo da velha dicotomia gaúcha: britismo (Estado mínimo) X petismo (Estado máximo).

Atualização de maragatos e chimangos.

A população só desiste do Gre-Nal nas eleições. Vota na terceira via (Rigotto, Yeda, Sartori) por estar cansada de binarismo. Depois, descobre que a terceira via é apenas parte de uma das duas de sempre: britismo-yedismo-sartorismo.

O PT é o velho PRR. Todo petista é um castilhista involuntário. O PT já foi PTB.

Todo petista é, até sem querer, getulista, janguista e brizolista.

O britisimo-yedismo-sartorismo é a última versão dos maragatos.
Leia Mais ►

Tucano ameaça Dilma: “Com a foice e o martelo, nós vamos arrancar a sua cabeça”


“Quando o povo agir já não vai ter mais volta. Renuncie, fuja do Brasil ou se suicide”, afirmou o advogado Matheus Sathler, derrotado na eleição para deputado federal pelo PSDB de Brasília. “Tenha humildade para sair do país porque, caso contrário, o sangue vai rolar”, ameaçou. O vídeo já está sendo denunciado por internautas por incitação ao ódio; assista

O advogado Matheus Sathler, que saiu derrotado na eleição para deputado federal pelo PSDB de Brasília, divulgou nesta semana um vídeo no YouTube em que ameaça “arrancar a cabeça” da presidenta Dilma Rousseff, no próximo dia 7 de setembro, “com a foice e o martelo”. “Quando o povo agir já não vai ter mais volta. Renuncie, fuja do Brasil ou se suicide”, afirmou. “Tenha humildade para sair do país porque, caso contrário, o sangue vai rolar”.

A violência das palavras empregadas pelo militante tucano chamou a atenção dos internautas. “Não foi eleito pelo voto e agora quer aparecer. Já denunciei a PF, você é um bandido!”, escreveu um. “Promove o ódio e depois fala de paz. Incoerência desses coxas é demais”, disse outra. “Que tal você fundar a Associação Brasileira dos ‘Adevogados’ Anencéfalos?”, ironizou um terceiro.

Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF), há dois processos disciplinares contra Sathler, mas por correrem em segredo de Justiça, o teor não pode ser detalhado. Um deles foi movido pela Comissão Especial da Diversidade Sexual da entidade contra a propaganda na qual o tucano se identificava como “o candidato do kit macho”, (assista mais abaixo), propondo durante a campanha “cartilhas que ensinarão os meninos a gostar somente de mulher”.

Assista ao vídeo:





No Fórum
Leia Mais ►

“Não vou emitir juízo”: e se Gilmar Mendes cumprisse o que promete?

“Não vou emitir juízo”
Rodrigo Janot foi preciso ao apontar a “inconveniência de serem, Justiça Eleitoral e Ministério Público Eleitoral, protagonistas — exagerados — do espetáculo da democracia, para os quais a Constituição trouxe, como atores principais, os candidatos e os eleitores”.

O comentário constou em seu parecer do arquivamento do pedido feito por Gilmar Mendes para investigar uma fornecedora da campanha de Dilma, a gráfica VTPB. “Não interessa à sociedade que as controvérsias sobre a eleição se perpetuem”, escreveu.

O pacote inconveniente do vice presidente do TSE inclui um truque de retórica — ou melhor, um vício de linguagem — revelador. É a frase “não vou emitir juízo”.

Ele a utiliza desde há muitos anos, como se vê em registros na internet, mas a aperfeiçoou. Invariavelmente, depois da advertência que ele mesmo dá segue um julgamento severo.

Em entrevista ao Correio Braziliense publicada hoje, 30 de agosto, perguntado se Dilma sabia da corrupção na Petrobras, ele fala o seguinte: “Não vou emitir juízo sobre isso”.

E na sequencia: “Agora, a mim me parece que é difícil qualquer pessoa que estava em posição de responsabilidade dizer que desconhecia essas práticas. Mas isso deve ser investigado nos devidos processos. E nós estamos falando só da Petrobras, agora recentemente começamos a falar da Eletrobras. Isso é extremamente preocupante. Agora, se ninguém sabe e ninguém viu, precisa ir ao oculista, além de outros sentidos que podem estar perdidos por aí.”

Sobre a renúncia de Dilma: “Não vou emitir juízo sobre isso. Mas as soluções estão no universo da política.”

Sobre o envolvimento de José Dirceu e Lula no “desenho da operação”: “Não vou emitir juízo sobre pessoas. Só acho que a história não chega a ser um conto infantil se for apresentada assim. Agora, estamos diante de um sistema claramente maior.”

Provavelmente é um caso inédito, no mundo, de emissões de juízo apressadas, invariavelmente vindas depois de um alerta. No mundo ideal, apareceriam as iniciais SQN depois de cada aviso de GM, como na clássica série do Batman.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Dilma lamenta morte de Malcon Jonas

Em nota de pesar, divulgada neste domingo (30), a presidenta Dilma Rousseff lamentou a morte de Malcon Jonas, filho do presidente da Central Única das Favelas (Cufa), Preto Zezé.

Confira a nota na íntegra:

É com muita tristeza que recebo a notícia do falecimento do filho do meu querido amigo Preto Zezé, Malcon Jonas. Que Preto Zezé e toda sua família recebam minha solidariedade neste momento de profunda dor e sofrimento. Que o amor que vocês tinham por ele fortaleça seus corações para suportar e superar a falta que este jovem, com grande futuro pela frente, fará a todos. Meu forte abraço.

Dilma Rousseff
Presidenta da República
Leia Mais ►

Neurocientista americano nega ter sofrido discriminação racial em hotel


O neurocientista norte-americano Carl Hart negou ter sido barrado e sofrido discriminação racial no Hotel Tivoli Mofarrej, onde participou de um seminário promovido pelo Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, nesta sexta-feira. Em entrevista ao site Fluxo, realizada neste sábado, o professor da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, esclareceu o ocorrido.

“O que aconteceu foi que, assim que cheguei ao hotel, na quinta-feira, fui direto ao toalete. Quando saí, os organizadores do seminário vieram até mim para se desculpar por algo que teria acontecido assim que entrei no hotel. Segundo eles, um segurança iria me abordar porque eu não parecia pertencer ao lugar. Mas eu não presenciei nada disso, foi uma pessoa que me falou”, explicou Hart.

Segundo o professor foi na noite de sexta-feira, após sua palestra, que descobriu que havia uma matéria afirmando que ele havia sido barrado no hotel. Hart contou que, depois disso, recebeu inúmeras mensagens, e-mails e ligações pedindo desculpas pelo suposto comportamento do segurança.

“Durante minha palestra, chamei atenção para a pouca quantidade de negros que participavam do seminário. Eram dois ou três, enquanto havia centenas de brancos. Não tinha relação nenhuma com o episódio do hotel, mas a reportagem associou as duas coisas. A matéria foi enganosa e viralizou. Eu quero que as pessoas entendam que, se tivesse sido discriminado, seria a primeira pessoa a falar sobre isso. E o Brasil tem sérios problemas de discriminação racial, então a indignação que sentiram em relação a mim deveriam expressar pelos próprios brasileiros. Não deveriam gastar essa energia comigo”, defendeu o professor.

No Extra
Leia Mais ►

TSE e TCU não têm elementos para prover impeachment de Dilma, diz Joaquim Barbosa

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Tribunal de Contas de União (TCU) não têm elementos para dar suporte a um processo que leve ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, disse neste sábado o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa.

"O TSE é um órgão cuja composição não ajuda", disse Barbosa, mencionando a presença na instituição de membros que também exercem simultaneamente a atividade advocatícia. Para o ex-magistrado, o TSE tem se mostrado capaz de tirar do poder no máximo governadores de Estados menores, mas não um presidente da república.

O tribunal também tem entre os membros três ministros do STF. Um deles, José Dias Toffoli, é o presidente do TSE. Durante seu mandato no STF, Barbosa também fez parte do tribunal eleitoral.

O TSE aprovou na última terça-feira a continuidade de uma ação apresentada pelo PSDB que pede a cassação da presidente Dilma por suposto abuso de poder na campanha eleitoral de 2014.

Barbosa atacou também o TCU que, segundo ele, é formado por "políticos fracassados", que não têm estatura institucional suficiente para conduzir algo de tamanha gravidade.

O TCU julga o que se chama de "pedaladas fiscais" do primeiro mandato do governo Dilma (2011-14), o nome dado às práticas do Tesouro Nacional de atrasar repasses a bancos públicos com o objetivo de melhorar artificialmente as contas fiscais.

Nesta semana, o TCU decidiu conceder mais 15 dias para o governo federal explicar pontos adicionais sobre as contas de 2014. O ministro relator do processo, Augusto Nardes, disse que um eventual agravo da Advocacia Geral da União (AGU) atrasaria ainda mais o processo.

"O TCU é um playground de políticos fracassados..."

Um eventual parecer do TCU pela rejeição das contas daria força aos que defendem um processo de impeachment contra Dilma.

"Impeachment tem que ser algo muito bem embasado. Sem isso todos sairemos perdendo", acrescentou Barbosa.

Aluísio Alves
No Reuters
Leia Mais ►

Insensatez

O mais impressionante nesse assassinato da repórter e do câmera nos Estados Unidos é que, entre seu crime e sua captura e suicídio, o criminoso teve tempo de botar na internet o vídeo que ele mesmo fez do atentado, emitir um twitter e mandar um fax justificando seu ato. O assassino escreveu que Jeová mandou ele matar os ex-colegas, mas o que ele fez não foi em obediência a nenhum deus tradicional, foi uma oferenda à divindade moderna da comunicação global. O que ele conseguiu, acionando os vários meios ao seu dispor para transmitir seu feito enquanto era perseguido pela polícia — o vídeo gravado pela sua própria câmera e todos os recursos da internet para propagá-lo, além do recurso obsoleto do fax — foi uma façanha tecnológica. E ele podia contar com a neutralidade moral da internet para absolvê-lo. Na internet, o psicopata convive com o santo, o imbecil com o gênio e ninguém é culpado. A única condição que a internet não admite nos seus frequentadores é o remorso.

Como acontece depois de todos os atentados a bala nos Estados Unidos, volta à discussão o controle do comércio de armas no país, onde qualquer maluco pode entrar numa loja e comprar uma bazuca. E, como também sempre acontece, o poderoso lobby da bala derrotará qualquer iniciativa nesse sentido. Em alguns estados americanos há regulamentos para a venda de armas. Pedem atestados de que você não é maluco nem sairá da loja já atirando em transeuntes, ou estabelecem um período de franquia em que investigam seu passado para saber se você usará sua metralhadora com responsabilidade. Mas, mesmo nos estados em que há regras para dificultar a venda de armas, há maneiras de contorná-las, como exposições da indústria bélica em que a venda é livre.

A National Rifle Association (NRA), cujo lobby é o mais atuante e rico de Washington, tem conseguido evitar que o Congresso americano aprove qualquer lei para tentar impedir as chacinas. Como na bancada da bala no Congresso brasileiro, mas em escala maior e mais insensata, o acúmulo de horrores como o da semana passada não emociona ninguém. A NRA tenta racionalizar sua posição com frases do tipo “armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas”, ao que a resposta óbvia — que também não emociona ao ponto de acabarem com a insensatez — é “pessoas não matam pessoas, pessoas armadas matam pessoas”. Mas há poucas possibilidades de o bom senso finalmente derrotar a NRA. Talvez no próximo horror.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Mídia

Fui dar uma entrevista para divulgar minha peça. Lá pelas tantas, a repórter me pergunta se estou namorando. Não entendi o link. Ela disse que o público quer saber. Eu pensei: a pessoa está lendo uma reportagem com o intuito de se inteirar sobre o espetáculo, está decidindo se vai ou não vai me assistir, no que exatamente influencia a decisão dela se estou ou não namorando? Você leitor, já tomou alguma decisão assim? Ih, o Leandro Hassum casou, não vou ao show dele mais não. 

A repórter falou: as pessoas gostam de ver essas coisas. Quando estou dirigindo na estrada e acontece um acidente, todos os motoristas diminuem a velocidade para ver a batida. As pessoas gostam de ver esse tipo de tragédia. Nem por isso vamos fazer um site só com fotos de acidentes e pessoas machucadas. A mídia não tem que mostrar o que as pessoas querem ver, tem que informar aquilo que é pertinente. 

Se estou fazendo uma matéria sobre amor e quero falar sobre a minha vida pessoal, maravilha, foi decisão minha e faz parte daquela publicação, tem a ver falar do meu relacionamento. O que acontece é que por trás de uma suposta vontade de falar sobre o seu trabalho, o que o jornalista quer mesmo é vender revista ou, mais modernamente falando, conseguir cliques. E é claro que o título da matéria não será: Fábio Porchat está em cartaz com a peça X, e sim: Agora amando, Fábio Porchat revela que está namorando. Isso realmente pode até atrair mais visualizações, mas tem que partir do veículo a divulgação do que é relevante. 

As pessoas que gostam de saber sobre essas bobagens têm culpa por serem superficiais? Sim. Mas a mídia tem que, pelo menos, tentar nivelar por cima. 

Outra pergunta bastante indiscreta é: você é gay? A diferença entre um gay e um heterossexual é a opção sexual. A única coisa que diferencia um homem gay de um homem não gay é que o gay transa com homens e o não gay com mulheres. Quando você pergunta para um homem se ele é gay, você no fundo está perguntando: você transa como?

Vamos combinar que essa é uma pergunta bastante íntima, certo? É como se alguém perguntasse: você gosta mais de frango assado ou de quatro? Imagino que, para quem é gay, talvez seja uma pergunta bastante invasiva. E, mais uma vez, no que isso influencia o público? Não vou mais assistir ao show do Ney Matogrosso porque ele é gay. Se você tem essa opinião, tenho certeza que o Ney até prefere que você não vá ao show dele.

E o pior é que se não respondo a uma pergunta pessoal, ainda saio mal da história. Porque a entrevistadora vai publicar que: indagado sobre relacionamentos Fábio desconversa, o que será que ele está escondendo? E se você dá muitas explicações, parece que você está se defendendo. 

Leitor, já que boa parte da mídia não está fazendo a parte dela direito, tente você fazer a sua. Da próxima vez que você vir uma manchete dizendo: Cláudia Raia tem novo affair, vá ler um livro.

Fábio Porchat
Leia Mais ►

Enquanto Lula volta a voar, a Globo volta a bater


Pode até ter sido coincidência, mas, no mesmo dia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, ao lado do líder uruguaio José Pepe Mujica, que voltou a voar, o grupo Globo, da família Marinho, desferiu um duríssimo ataque a ele.

Na noite de ontem, numa reportagem de seis minutos, totalmente fora dos padrões habituais do Jornal Nacional (confira abaixo), a Globo criminalizou a atuação de Lula para que o Brasil financiasse o porto de Mariel, em Cuba, que foi construído pela Odebrecht.



O ataque da Globo se deu a partir de uma reportagem da revista Época, que já está sendo processada pelo ex-presidente. Em nota, o Instituto Lula contestou a denúncia.

"Os jornalistas da Época deveriam saber que todos os grandes países disputam mercados internacionais para suas exportações. E que não fosse o firme empenho do governo brasileiro, para o qual o ex-presidente Lula contribuiu, talvez o estratégico porto de Mariel fosse construído por uma empresa chinesa, ou os cubanos estivesses assistindo novelas mexicanas", diz a nota.

"Neste momento histórico, em que EUA e Cuba reatam relações e o embargo econômico americano está prestes a acabar, a revista Época volta no tempo a evocar velhos fantasmas da Guerra Fria e títulos de livros de espionagem".

Nos últimos dias, Lula tem demonstrado que não pretende se intimidar. Em entrevista a uma rádio mineira, disse que será candidato à presidência da República, em 2018, caso seja necessário. E mandou um recado aos adversários. “Você só consegue matar um pássaro se ele ficar parado no galho. Se ele voar, fica difícil”. “Eu voltei a voar outra vez”

Leia, abaixo, nota do Instituto Lula sobre reportagem de Época:

Documentos secretos revelam ignorância e má-fé da revista Época

Mais uma vez a revista Época divulga reportagem ofensiva ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com afirmações falsas e manipulação criminosa de documentos oficiais.

Avançando em ilações maliciosas e irresponsáveis, pelas quais seus jornalistas já foram citados em ação judicial por danos morais movida pelo ex-presidente Lula, a revista insiste em atribuir ao ex-presidente condutas supostamente ilícitas que ele jamais adotou ou adotaria.

A matéria deste final de semana (29/08) é uma combinação de má-fé jornalística com ignorância técnica (ou ambas) e o único crime que fica patente, após a leitura do texto, é o vazamento ilegal de documentos do Ministério das Relações Exteriores que, de acordo com a versão da revista, tiveram o sigilo funcional transferido ao Ministério Público.

Ao contrário do que sustenta a matéria, a leitura isenta e correta dos telegramas diplomáticos reproduzidos (apenas parcialmente, como tem sido hábito de Época) atesta a conduta rigorosamente correta do ex-presidente Lula em seus contatos com as autoridades cubanas e com dirigentes empresariais brasileiros.

A presença de um representante diplomático do Brasil numa reunião do ex-presidente com dirigentes de empresa brasileira demonstra que nada de ilícito foi ou poderia ter sido tratado naquele encontro. O mesmo se aplica ao relato, para o citado diplomata, da conversa de Lula com Raul Castro sobre o financiamento de exportações brasileiras para Cuba. Só a imaginação doentia que preenche os vácuos de apuração dos jornalistas de Época pode conceber um suposto exercício de lobby clandestino com registro em telegramas do Itamaraty.

Os procedimentos comerciais e financeiros citados nos telegramas diplomáticos são absolutamente corriqueiros na exportação de serviços, como os jornalistas de Época deveriam saber, se não por dever de ofício, pelo simples fato de que trabalham nas Organizações Globo. A TV Globo exporta novelas para Cuba desde 1982, exporta para a China e exportou para os países de economia fechada do antigo bloco soviético.

Deveriam saber que, em consequência do odioso bloqueio comercial imposto pelos Estados Unidos, empresas que fazem transações com Cuba estão sujeitas a penalidades e restrições pela legislação dos EUA. Por isso, evitam instituições financeiras sujeitas ao Office of Foreign Assets Control, que é uma agência do governo dos EUA e não um “organismo internacional de fiscalização”, como erra a revista.

Ao contrário do que o texto insinua, maliciosamente, não há, nos trechos reproduzidos, qualquer menção a interferência do ex-presidente em decisões do BNDES, pelo simples fato de que tal interferência jamais existiu nem seria possível, devido aos procedimentos internos de decisão e aos mecanismos prudenciais adotados pela instituição.

Os jornalistas da revista Época deveriam conhecer o rigor de tais procedimentos e mecanismos, pois as Organizações Globo tiveram um relacionamento societário com o BNDESPar, subsidiária do BNDES. Em 2002, no governo anterior ao do ex-presidente Lula, ou seja, no governo do PSDB, este relacionamento se estreitou por meio de um aporte de capital e outras operações do BNDESPar na empresa Net Serviços, totalizando R$ 361 milhões (valores de 2001).

Deveriam saber que em maio de 2011, por ocasião da mencionada visita do ex-presidente a Havana, o financiamento do BNDES às obras do Porto de Mariel estava aprovado, havia dois anos, e os desembolsos seguiam o cronograma definido nos contratos, como é a regra da instituição, que nenhum suposto lobista poderia alterar.

Em nota emitida neste sábado (29) para desmentir a revista, o BNDES esclarece, mais uma vez, que “os financiamentos a exportações de bens e serviços brasileiros para as obras do Porto de Mariel foram feitos com taxas de juros e garantias adequadas”, e que os demais contratos mencionados não se realizaram. Acrescenta que “o relacionamento do BNDES com Cuba foi iniciado ainda no final da década de 1990, sem qualquer episódio de inadimplemento ou atraso nos pagamentos.”

Os jornalistas da Época deveriam saber também que não há nenhum ilícito relacionado às palestras do ex-presidente Lula contratadas por dezenas de empresas brasileiras e estrangeiras, entre elas a Infoglobo, que edita o jornal O Globo. Deveriam, portanto, se abster de insinuar suspeição sobre esta atividade legal e legítima do ex-presidente.

Tanto em Cuba quanto em todos os países que visitou desde que deixou a presidência da República, Lula trabalhou sim, com muito orgulho, no sentido de ampliar mercados para o Brasil e para as empresas brasileiras, sem receber por isso qualquer espécie de remuneração ou favor. Lula considera que é obrigação de qualquer liderança política contribuir para o desenvolvimento de seu País.

Os jornalistas da Época deveriam saber que todos os grandes países disputam mercados internacionais para suas exportações. E que não fosse o firme empenho do governo brasileiro, para o qual o ex-presidente Lula contribuiu, talvez o estratégico porto de Mariel fosse construído por uma empresa chinesa, ou os cubanos estivesses assistindo novelas mexicanas. Neste momento histórico, em que EUA e Cuba reatam relações e o embargo econômico americano está prestes a acabar, a revista Época volta no tempo a evocar velhos fantasmas da Guerra Fria e títulos de livros de espionagem.

Ao falsear a verdade sobre a atuação do ex-presidente Lula no exterior, os jornalistas da revista Época tentam criminalizar um serviço prestado por ele ao Brasil. O facciosismo desse tipo noticiário é patente e desmerece o jornalismo e a inteligência dos brasileiros.

Leia também:

Nota de resposta publicada pelo BNDES em seu Facebook

Leia, ainda, nota do Instituto Lula que não foi lida pelo Jornal Nacional:

Jornalistas da revista ​Época e do Jornal O Globo já foram acionados judicialmente por danos morais praticados contra o ex-presidente Lula, em reportagens que divulgam mentiras e manipulam documentos oficiais. O ex-presidente Lula, a exemplo de outros dirigentes mundiais de expressão, atua com muito orgulho para abrir mercados internacionais para o nosso país e nossas empresas, sem receber por isso nenhuma remuneração. Não há ilícito nessa atividade em favor do Brasil e da geração de empregos em nosso país por meio da exportaçào de serviços e de produtos, como faz por exemplo, a Rede Globo, que desde 1982 exporta novelas para Cuba. O ex-presidente Lula jamais interferiu em decisões do BNDES, nem isso seria possível, dado ao rigor dos procedimentos da instituição, e como devem saber os profissionais das Organizações Globo, que têm um antigo e importante relacionamento societário com a subsdiária BNDESPar. Também não há ilícito na contratação de palestras do ex-presidente, como fizeram desde 2011 dezenas de empresas, inclusive a Infoglobo O único crime que ressalta na matéria da revista Época é o vazamento ilegal do sigilo de documentos transferidos ao Ministério Público.
Leia Mais ►

Acontece

Desconfiaram do homem que ficava sentado num banco do playground da praça, olhando o movimento. Ele estava lá todos os dias, só olhando. Houve uma denúncia, e o homem foi levado para a delegacia.

— Sim senhor, hein? – disse o delegado. — Olhando as criancinhas.

— Que criancinhas, delegado? – disse o homem. — As mamães. As mamães!

Vexame

Marialva aceitou o convite de Oscar para jantar no seu apartamento. Ele mesmo cozinharia. Fazia um suflê de respeito, ela iria adorar. Marialva sabia muito bem que o jantar era só um pretexto. Haveria o suflê, acompanhado de vinho, e mais vinho, e os dois acabariam na cama. Mas tudo bem, pensou Marialva. Oscar era um cara atraente. A perspectiva de ir para a cama com ele não era desagradável.

Mas as coisas não correram como Marialva esperava.

— Isto nunca me aconteceu antes – disse Oscar.

— Não tem importância – disse Marialva, para consolá-lo.

— Que vexame.

— O que é isso? Acontece.

— Comigo nunca aconteceu.

— Eu sei, eu sei...

— Ele simplesmente não subiu como deveria. E logo com você. Eu queria que esta noite fosse perfeita. E ele não subiu!

— Quem sabe da próxima vez...

— Me faz um favor? Não conta pra ninguém o que houve. Ou, no caso, o que não houve. Preciso pensar na minha reputação.

Foi então que Marialva se deu conta que Oscar estava falando do suflê.

Onde e quando

A conversa na roda era sobre onde e quando cada um gostaria de viver, se pudesse escolher. Algumas escolhas foram óbvias.

— Uma ilha dos mares do sul, antes da chegada do homem branco. Eu na praia, de sarongue, cercado de nativas e comendo coco.

Outras foram mais sofisticadas.

— Eu gostaria de viver em Londres na era elisabetana. Contemporâneo de Shakespeare. Indo ao teatro Globo para ver suas peças no original.

Ao que outro comentara que em Londres, na era elisabetana, o esgoto era a céu aberto e ele teria que ir ao teatro Globo pisando em cocô.

Finalmente alguém declarou que, se pudesse escolher, gostaria de viver num comercial de cerveja na TV. A alegria permanente! A camaradagem!. As mulheres sensacionais! E quando cansasse de um comercial pularia para outro exatamente igual, só com outra cerveja e outras caras. Aquilo é que era vida!

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Dilma contra Dilma

Até poucos dias, a crise econômica era um tema, entre outros, aproveitado pela crise política para alimentar-se. Com a proposta governamental de recriação da CPMF, as duas crises se fundiram. Foi o que ficou evidenciado na reação de empresários e entidades: há pouco manifestantes de apoio a Dilma e portanto à política econômica e, de repente, indignados com o governo, logo, com Dilma. A ponto de alguns querem a saída de Joaquim Levy, seu aliado ideológico.

A inoportunidade política da proposta governamental, reafirmando uma falta de percepção política sem limite, deu-se na ocasião mesma em que o PSDB aturdiu-se com as manifestações empresariais em defesa de Dilma e fez, por isso, um recuo patético na sua ferocidade oposicionista. Dilma e ministros deram aos adversários um socorro masoquista.

Certa foi a irritação de Michel Temer com o mau passo do governo, ao qual foi dado, e atribuído ao vice, o apropriado apelido de "imposto impeachment". Renan Calheiros, em instantes, passou de novo general do governismo para a janela de crítico. A insensibilidade do governo Dilma só tem paralelo na insensibilidade do oposicionismo de Aécio, há oito meses forçado a manipular as intensidades de um extremismo primário.

A proposta de recriação da CPMF (com outro nome) traz, porém, um aditivo inteligente: a arrecadação é dividida entre governo federal e Estados. Pezão e outros aderiram sem esperar por qualquer conta. Isso faz ainda mais nítido o descompasso do governo entre lucidez política e oportunidade. Se há na proposta o lado que atrai apoios importantes, é incompreensível que não fosse esse o carro-chefe de lançamento do plano, como possível fator de neutralização da pressa para recriar um imposto.

Nesta barafunda que é o Brasil a caminho do buraco, muda tudo de um dia para o outro, todos os dias. Não por acaso é agosto, o mês dos ventos insensatos, volúveis entre todos os quadrantes. E setembro vai chegando com ares de que pretende ser um agosto com nome de guerra: as expectativas para setembro voltaram a acinzentar-se. Se depender da percepção e da habilidade do governo, ou da inteligência política da oposição, não há dúvida do que esperar.

Prêmio duplo

Indagado sobre prisões para obter concordâncias com delação premiada, o procurador-geral Rodrigo Janot disse no Senado que 79% das delações foram obtidas com réus soltos. São portanto, em suas contas, quatro em cada cinco delatores premiados.

Só se a proporção se vale dos réus insignificantes, que pouco estiveram presos porque pouco ou nada tinham a dizer. Os réus graúdos, que justificam a Lava Jato, afinal cederam à delação ainda presos. E, desses graúdos, os que não cederam continuam presos e cercados da expectativa de que cedam. Fernando Soares, Pedro Corrêa e José Dirceu são alguns dos vários exemplos possíveis.

A propósito, o Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade que não tem importância, para recebimento do novo prêmio de liberdade por delatar, o fato de Alberto Yousseff haver feito há cerca de dez anos outra delação premiada e descumprido o compromisso de não voltar ao crime. Muito ao contrário, é o criminoso central, o craque do meio-campo, na bandalheira que utilizou a Petrobras.

A decisão de dez ministros do STF vale por uma recomendação aos empreiteiros agora premiados: de volta à ativa, não precisam contrariar nada, nem a alma dos seus negócios, nem a sua natureza.

Horrores

O motivo, se houve incidente de fronteira ou não, nem importa. Colombianos expulsos da Venezuela às correrias, com seus pertences miseráveis às costas, cruzando riachos a pé, filhos pendurados no corpo, enquanto seus casebres são incendiados, são parte de um quadro de perversidade intolerável do governo venezuelano.

Assim como é intolerável a indiferença com que os demais países sul-americanos, sobretudo o Brasil, testemunham essa reprodução cucaracha, criada pelo destrambelhado Nicolás Maduro, do horror de expulsos e fugitivos do Oriente Médio.

A indiferença, no caso, é conivência.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►