26 de ago de 2015

Collor promete e cumpre: peita Janó

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Do “Fora FHC” ao “Fora Dilma”

As semelhanças entre os apelos de 1999 e as manifestações recentes

As marchas são legítimas, mas claramente partidárias.
E assim devem ser tratadas
Vanessa Tonetto
O governo está mudo, incapaz de formular e transmitir sua narrativa dos acontecimentos no País, de como chegamos aonde estamos e para onde vamos. Não tem um discurso a respeito do que faz, do porquê e o que almeja. Limita-se a reagir de forma espasmódica e pouco criativa às pressões recebidas.

Pede a todos, ricos e pobres, simpatizantes e adversários, concordância com a necessidade de um “ajuste”. Parece no fundo querer um cheque em branco, pois não explica aos cidadãos os motivos que o exigem, não esclarece quais sacrifícios serão necessários e não fixa um horizonte.

Da oposição raramente se ouve algo que preste. Ela não expõe ideia, projeto ou proposta ao debate nacional. Seus líderes, embora cheios de cabelos brancos, agem tal qual meninos radicais. Fazem o mesmo que criticavam em seus velhos inimigos, os petistas contra quem brigaram em seus tempos de governo. 

A gratuita sugestão de Fernando Henrique Cardoso a Dilma Rousseff, a renúncia, é um exemplo perfeito dessa irresponsabilidade. A menos que se trate de uma reles vingança de quem teve de ouvir apelo idêntico.

Em 1999, em meio à crise instaurada no início de seu segundo mandato, o tucano ouviu do petista Tarso Genro a sugestão de deixar a Presidência e convocar novas eleições. Genro baseava-se na “fraude eleitoral” cometida por FHC durante a campanha, quando prometera fazer o inverso do que fazia, e no fato de ele ter perdido condições morais de governar, depois do “escândalo da privatização”.    

Enquanto os principais nomes da oposição se apequenam, os pequenos ficam menores. Ora nos brindam com declarações de um reacionarismo truculento, ora posam de ingênuos e fingem espanto diante das revelações a respeito da maneira como se financia, desde sempre, a política no Brasil. Terão se esquecido de que a eleição de praticamente todos foi custeada por meio do mesmo mecanismo?

O que se ouve e se lê na mídia é quase sempre de chorar. Às vezes por ignorância, na maioria dos casos por opção ideológica, oferece-se à opinião pública uma interpretação equivocada de nossa vida política. Em regra, a função dessa “leitura da realidade” é legitimar o discurso da oposição. Isso ficou claro no tratamento dado pela dobradinha mídia/oposição às manifestações antigoverno.

Os protestos atuais estão mais para um tucanaço
Yuri Cortez/AFP
Centraram a discussão na dimensão quantitativa: relevante era o número de participantes. A oposição fixou-se na quantidade tanto quanto os meios de comunicação. Como se os manifestantes diferissem daqueles que permaneceram em casa apenas por seu ativismo e os brasileiros fossem uma massa homogênea, o que faria de quem protestava a amostra perfeita de todos.

Diante dessa hipótese inverossímil, a reação do governo e seus simpatizantes foi negá-la. À argumentação das quantidades, proposta pela oposição e pela mídia, fez-se a contraposição da sociologia dos manifestantes. As mesmas fotos que atestariam o “tamanho” dos eventos evidenciariam sua composição atípica. Ao contrário de expressar o Brasil, seriam exclusivas da classe média branca das metrópoles.     

As duas teses são verdadeiras: os protestos foram “grandes” e de fato seus participantes não eram sociologicamente representativos do conjunto do País. Mas nenhuma delas centra-se no aspecto mais significativo do fenômeno.  

Pela segunda vez temos um presidente no início do segundo mandato a enfrentar graves problemas. Pela segunda vez a popularidade presidencial despenca e fica em idênticos 8% de avaliação positiva em agosto do primeiro ano pós-reeleição. Antes de Dilma Rousseff, também Fernando Henrique ouviu “apelos” para renunciar e viu seus oponentes moverem-se para conseguir seu impeachment

Pela segunda vez, estimulada por clima parecido, a oposição convoca protestos populares. O “Fora FHC” de 1999 chegou a colocar cerca de 200 mil manifestantes nas ruas de Brasília e, muito provavelmente, seus organizadores teriam enchido a Avenida Paulista se assim o desejassem. 

Qual a diferença em relação a hoje? Em 1999, o establishment foi hábil ao pespegar a etiqueta de “coisa de petista” no “Fora FHC”, o que impediu que ele fosse interpretado como uma manifestação do conjunto da sociedade. Agora, os mesmos personagens propalam a tese inversa e querem tornar “dos brasileiros” um movimento específico de uma porção, não majoritária, do País. 

Desde o domingo 16 veio a público uma única pesquisa com manifestantes que continha a pergunta fundamental, a respeito do voto em 2014. Foi de responsabilidade da Universidade Federal de Minas Gerais e realizada em Belo Horizonte. Entre os entrevistados nas ruas da cidade, 79% votaram em Aécio Neves e 11% anularam ou deixaram em branco o voto. A se considerar os dados de pesquisas semelhantes conduzidas ao longo do primeiro semestre, o quadro em outros locais não terá sido muito diferente.

A discussão relevante não é se os manifestantes foram muitos ou poucos. Ou se foram típicos ou não da sociedade. O mais importante: estavam nas ruas, quase exclusivamente, eleitores do PSDB.

Problema? Obviamente não, pois esses cidadãos têm todo direito de se mostrar tristes com o resultado da última eleição. O que não justifica esconder da opinião pública o fato de serem eles a ocupar as ruas.

No modo como a dupla mídia/oposição apresentou e discutiu as manifestações ficou escondida sua característica mais importante. E o governo, em sua mudez, não teve argumentos para rebater a fábula. O Fora FHC foi “coisa de petista”? Certamente. Falta é dar nome às atuais manifestações. Quem sabe não poderiam ser consideradas um “tucanaço”?

Marcos Coimbra
No CartaCapital
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Youssef no país dos adivinhos



O principal fato da sessão desta terça-feira, da prevista “acareação” entre os “delatores premiados” Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, na CPI da Petrobras, da Câmara dos Deputados, talvez não mereça muito espaço nas manchetes desta quarta.

Não bastando o constante vazamento, quase sempre seletivo, sobre suposições, ilações, delações “premiadas”, subjetivas, inaugurou-se ontem, no âmbito da Operação Lava-Jato — em mais um exemplo de que o uso do cachimbo faz a boca torta —  o instituto do “vazamento futuro” de delações, ilações, suposições, em um espetáculo onde quase tudo é suposto e subjetivo, menos o alvo final do processo.

Por isso, mesmo que com mais buracos que um queijo suíço, nessa operação já não espanta o enredo conhecido, caracterizado por “revelações” feitas a conta-gotas, acompanhadas, na maioria dos casos, pela gritante ausência de provas inequívocas, que está voltado, como na fábula  do Lobo e do Cordeiro, para derrubar o governo a qualquer preço, seja qual for a justificativa.

O que mais surpreende, agora, é o descaramento com que surgem as  “revelações” dos “delatores”, a ponto do Sr. Alberto Youssef, por intervenção ao pé do ouvido de seu advogado, voltar à pergunta anteriormente feita pelo relator da CPI, sobre o repasse de recursos para a campanha presidencial da Presidente da República — o ponto nevrálgico que se pretendia esclarecer com a “acareação” de ontem — retomando a sua negativa de que esse repasse tenha ocorrido por meio de seu intermédio, para fazer o premonitório anúncio — como se quisesse se justificar por não estar acusando diretamente o governo — de que “tem outro réu colaborador que está falando sobre esse assunto e assim que essa colaboração for noticiada vocês vão saber realmente quem foi que pediu o recurso e quem repassou o recurso… Logo vai ser revelado e esclarecido esse assunto”.

Ora, ao fazer, com tom de porta-voz oficial, esse anúncio, o Sr. Alberto Youssef já antecipa o que irá ocorrer a seguir, no próximo capítulo desse ramal da Operação Lava-Jato, desfazendo o teatrinho da suposta contradição entre seus dois mais conhecidos  “bandidos-delatores”.

Ele sinaliza, convenientemente, aos presentes, à oposição, à imprensa, que alguém já estaria “falando”,  ou melhor, que alguém logo irá  dizer que foi feito o repasse e a pedido de quem ele teria sido feito.

E dá a entender que essa pessoa também irá confirmar, eventualmente, seu valor, retirando o ônus, a missão, o papel, de fazer ou comprovar essa acusação, dos ombros dos dois delatores presentes ontem na CPI, e, principalmente,  do próprio  Youssef, que não poderia fazê-lo sem o risco de desmentir suas declarações anteriores.

Ora, revelado, de forma pública e cristalina, no palco da CPI, qual será o próximo passo – Gilmar Mendes trabalha junto ao TSE e os adversários do governo também o fazem em outra frente, no contexto do TCU — o que importa não é saber o que foi dito, mas o que não foi dito pelo delator-doleiro — o que está por trás da orientação recebida de seu advogado, cochichada, naquele particular momento, diante das câmeras.

A pergunta para a qual se deveria esperar pronta resposta, é como um réu, já condenado, prestando depoimento, sabe — por meio de “vazamento interno”, que será feita — em suas próprias  palavras alguém “já estaria falando” — uma nova delação premiada, quem estaria   fazendo essa delação premiada e qual será o teor dessa declaração, a ponto de antecipá-la  descaradamente em plena Comissão Parlamentar de Inquérito.

Ao afirmar, olimpicamente, que “assim que a declaração for revelada vocês vão saber”,  Youssef provou que teoricamente tem acesso, atrás das grades, a um grau de informação muito maior do que têm, jamais tiveram, os membros da Comissão na qual estava sendo interrogado, e não apenas sobre o seu próprio processo, mas sobre a operação como um todo.

Mas, mesmo assim,  ele sequer foi inquirido, imediatamente, a propósito de como e por meio de quem teve conhecimento dessa suposta futura delação, que estaria prestes a ser revelada nas próximas semanas.

Quem disse ao advogado do Sr. Alberto Youssef que um outro “réu colaborador” já estaria “falando” sobre esse tema?

O advogado do Sr. Alberto Youssef é o mesmo desse suposto novo delator “premiado” que irá, segundo o próprio doleiro, confirmar que houve o “repasse”?

Nesse caso, o advogado estaria, eventualmente,  combinando com seus dois clientes (se não estiver assistindo a mais réus, ainda, no âmbito do mesmo caso) quem deveria falar o quê e o que deveria ser dito?

Ou, não sendo o advogado do Sr. Alberto Youssef o mesmo advogado do réu que já estaria “falando” sobre esse assunto — principal “motivo” da acareação de ontem — de quem teria o advogado do Sr. Alberto Youssef obtido essa informação ?

Do advogado do outro?

Justificando, assim, a suspeita de que os depoimentos, “vazamentos”, “revelações”, e “delações premiadas” poderiam estar sendo combinadas, manipuladas, “coordenadas”, entre os diferentes acusados por meio de seus advogados?

Ou teria o advogado do Sr. Alberto Youssef obtido essa informação, prévia ou “premonitória”, do juiz Sérgio Moro?

O que, em caso afirmativo, poderia comprovar, eventualmente, a existência de inaceitável grau de intimidade entre um e outro lado do processo, o juiz e alguns dos réus e seus advogados, de uma forma que poderia levar ao comprometimento da lisura da Operação Lava-Jato?

Salvo Alberto Youssef e seu advogado tenham desenvolvido poderes adivinhatórios, são essas perguntas que poderiam estar sendo feitas por membros do Conselho Nacional de Justiça e do próprio STF neste momento, a propósito da sessão da CPI da Petrobras de ontem.

Mas além disso, há espaço também para uma outra indagação, que também merece resposta:

Por qual razão essa suposta futura “delação premiada”, que será, segundo Alberto Youssef, em breve, revelada, só está sendo feita agora, justamente neste momento, em que, nesse caso de suposto repasse de recursos para a campanha presidencial de Dilma Roussef, chegou-se, pela própria “contradição” dos dois principais delatores “premiados” a um impasse?

Outro que anda premonizando coisas — além do próprio juiz Sérgio Moro, que, mesmo sem contar com precorgs, andou adotando as táticas do filme Minority Report, ambientado em Washington, DC, do ano 2054, para prever e impedir antecipadamente crimes, prendendo  executivos para impedir que suas empresas participassem de licitações sequer ainda oficializadas — é o Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Reunido ontem, com aliados, ele afirmou que o Presidente do Senado, Renan Calheiros, “aparecerá em delações premiadas” nas “próximas semanas”, no que tem provavelmente razão, já que vivemos em uma República em que qualquer um pode acusar qualquer um, a qualquer momento, impunemente,  de qualquer coisa, independentemente de ser por moto próprio ou por estar ou não a serviço de terceiros, usando para isso pretextos paralelos (como transformar automaticamente uma coisa em outra, do tipo doação de campanha em propina) sem necessidade de provas que sustentem, inequivocamente, suas alegações.

Nessa sequência — que às vezes parece muito bem estruturada — de ilações, delações, “colaborações”, distorções, e, presentes e futuras, “adivinhações”, a única coisa verdadeiramente inequívoca, são os deletérios efeitos, diretos e indiretos — para gaudio dos que torcem pelo “quanto pior melhor” e contra o país, a atividade política e a democracia — de uma “operação” que, ao que parece, pretende prolongar-se indefinidamente nos próximos anos, transformando-se, de fato, em um “quinto poder”, dentro do Estado, cada vez mais independente e acima dos outros.

Uma “operação” que poderia estar sendo dirigida apenas contra os corruptos, que no final, como no caso de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, estão sendo quase todos “premiados” — mas que, ao decidir castigar, punitivamente, com o látego dos deuses, algumas de nossas maiores empresas, está desmantelando amplos e estratégicos setores da vida nacional.

Nas áreas de infra-estrutura e construção pesada, da industria de petróleo e gás, da indústria naval, e, principalmente, da indústria bélica, com a eliminação de milhares de empregos, a provável falência de empresas como a AVIBRAS e a paralisação de programas em que o país já investiu bilhões de dólares, e o precioso trabalho de toda uma geração de valorosos planejadores, engenheiros e técnicos de nossas forças armadas, a percepção, quase certeza, é uma só, sem a necessidade de dons premonitórios:

A Operação Lava-Jato — sem resolver definitivamente o problema da corrupção, que não poderá ser sanado sem uma reforma política de verdade — já está provocando um prejuízo dezenas de vezes maior do que o dinheiro que recuperou até agora,  e irá deixar como herança, direta e indireta, um atraso que será nefasto, irrecuperável, nas próximas décadas, do ponto de vista do ingente esforço, realizado, a duras penas, por vastos setores da sociedade brasileira, para a inserção estratégica, tecnológica, soberana e competitiva do Brasil entre as maiores nações do mundo.
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Senadora Fátima Bezerra sabatina Rodrigo Janot


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Senadora Vanessa Grazziotin na sabatina de Rodrigo Janot


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O depoimento de Youssef deixou claro que a Veja cometeu um crime na véspera das eleições

Crime
Pouca gente notou uma coisa.

O depoimento de ontem do doleiro Youssef desmascarou o crime jornalístico da Veja às vésperas das eleições.

Lembremos.

A Veja deu no sábado, um dia antes do turno decisivo, uma capa em que afirmava que Dilma e Lula sabiam de tudo no escândalo da Petrobras.

Era uma afirmação amparada exatamente em Youssef.

Pela gravidade da acusação e pelo tom peremptório do texto, o leitor era induzido a acreditar que Youssef tinha evidências poderosas, como conversas gravadas ou coisa do gênero.

Mas não.

O que se viu ontem é que Youssef estava palpitando como qualquer transeunte.

Ele usou a expressão “no meu entendimento”. Trazido para o português coloquial, Youssef disse que estava por fora, e arriscava um palpite.

No contexto, ele poderia dizer sem provocar surpresa: “Não sei de nada, e se alguém souber por favor me avise.”

A declaração cândida de ignorância sobre a eventual participação de Lula e Dilma na roubalheira foi transformada criminosamente pela Veja numa peça cabal de incriminação.

Foi uma agressão não apenas a Dilma e Lula, mas também à democracia.

Quantas pessoas sobretudo em São Paulo, onde a revista montou uma operação de guerra contra Dilma e a favor de Aécio, não foram influenciadas pela falsa revelação?

É um episódio tão sinistro quanto a edição desonesta pela Globo do debate entre Collor e Lula, em 1989.

A única diferença é que então o crime compensou. Collor venceu. Agora, não compensou. Aécio perdeu.

Jamais a Globo pagou o preço pela trapaça, a não ser pelo lado moral, o que é muito pouco.

O mesmo tende a se repetir agora com a Veja.

Dilma, no fragor dos acontecimentos, disse na televisão que processaria a revista.

Mas cadê o processo?

Dilma deveria se inspirar em Romário, que reivindica uma edição de 75 milhões de reais por uma conta fajuta na Suíça que a revista inventou para ele.

Citei outro dia o jurista alemão Rudolf von Ihering, um inovador do século 19. Ihering consagrou a ideia de que, quando você for vítima de injustiça, tem o dever de procurar reparação, e não apenas o direito.

Dever porque é um serviço que se presta à sociedade.

Ihering mostrou que a Justiça só avança quando as pessoas lutam pelos seus direitos.

Lula tem feito isso ao processar quem o calunia e difama.

Não é uma luta fácil no Brasil. Gentili acusou Lula de forjar o atentado ao Instituto Lula, e foi intimado a esclarecer na Justiça a acusação.

O juiz conseguiu entender que ali havia uma piada, numa interpretação de texto peculiaríssima.

Não é fácil, repito, procurar justiça no Brasil, mas é imperioso fazê-lo. Em algum momento decisões absurdas como a que favoreceu Gentili serão insustentáveis.

Não sei o que terá feito Dilma recuar da promessa de acionar a Veja.

Mas foi um erro.

A impunidade estimula outros crimes, ao passo que o enfrentamento, como o de Romário, previne futuras delinquências.

Youssef, involuntariamente, revelou o crime da Veja.

Mas tudo indica que a revista não será cobrada por isso.

É uma pena para o país.

Quem sabia de tudo eram os donos e os editores da Veja. E mesmo assim seguiram em sua mentira brutal e, tudo indica, impune.

Paulo Nogueira
No DCM
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Senador critica ‘dois pesos e duas medidas’ em investigações de casos de corrupção


José Pimentel (PT-CE) lembrou que o mensalão tucano, de 1998, permanece impune; parlamentar defendeu o fim do financiamento empresarial de campanhas para combater atos ilícitos



O senador José Pimentel (PT-CE) criticou a falta de punição para os envolvidos no caso conhecido como mensalão tucano, durante sabatina do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nesta quarta-feira (26), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

O parlamentar lembrou que, enquanto o mensalão do PT, de 2002, foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com punição dos culpados, o mensalão do PSDB, que ocorreu em 1998, devido a manobras jurídicas, caminha para a prescrição.

“Não podemos ter dois pesos e duas medidas. Para um celeridade, o que é importante, para outros o prêmio da prescrição”, repudiou.

De acordo com Pimentel, no caso da Ação Penal 470, o STF entendeu que todos os envolvidos, inclusive os que não tinham direito ao foro privilegiado, deveriam ser julgados pelo STF. A Corte o teve entendimento diferente sobre o mensalão tucano.

Os acusados que tinham foro privilegiado renunciaram aos mandatos e têm seus processos analisados pela Justiça comum, em Minas Gerais. Não houve sentenças.

O líder do governo no Congresso questionou também a representação feita pelo PSDB junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as contas da campanha de reeleição da presidenta Dilma Rousseff.

No documento, os tucanos afirmam que há irregularidades na doação de R$ 7,5 milhões da empresa UTC à campanha da presidenta. O também candidato Aécio Neves recebeu R$ 8,7 milhões da mesma empresa.

“Pergunto se é possível uma empresa ter uma conta suja para financiar determinado candidato e uma conta limpa da mesma empresa para financiar outro candidato?”, questionou Pimentel.

O parlamentar defendeu o fim do financiamento empresarial de campanhas para combater “o câncer da corrupção”. Na avaliação dele, “os três últimos escândalos que a República presenciou tem como origem o financiamento empresarial”, avaliou.

“Quem tem interesse no Estado Democrático de Direito são as pessoas físicas. As empresas têm interesse no mercado”, ponderou.

Há uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) para definir se as contribuições de empresas são inconstitucionais parado desde abril de 2014, devido a pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes. O parlamentar questionou a posição do Ministério Público Federal (MPF) sobre a questão.

Janot respondeu que o MPF é contrário ao financiamento empresarial e citou uma recomendação assinada pelo órgão sobre o assunto.

Cristina Sena
No Agência PT de Notícias
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A prova do pudim da Lava Jato nas mãos de Janot


Todos os jornais impressos esconderam a declaração do doleiro Alberto Yousseff à CPI da Petrobras, de que o senador Aécio Neves recebia US$ 150 mil mensais de Furnas.

Após o impeachment de Fernando Collor, um jornal se vangloriou de não ter escondido seu passado: a Folha de S.Paulo. Essa atitude ajudou a pavimentar sua reputação pelos anos 90 a fora.

Agora, todos os jornais brasileiros se calaram, inclusive a Folha. Mesmo depois dos serviços online — que não haviam sido enquadrados — terem dado a notícia que, àquela altura, já tinha transbordado para o mundo.

A notícia abriu a Top News da Reuters internacional. Seria manchete em qualquer jornal respeitável do mundo. Afinal, um candidato a presidente da República, no passado, recebia dinheiro de corrupção, proveniente de uma estatal. Não se tratava de algum recurso recolhido por um tesoureiro de partido, mas dinheiro direto na conta.

A delação de Yousseff veio com todas as peças encaixadas: o valor da propina, a destinatária (a irmã de Aécio) e até a empresa que fazia a lavagem do dinheiro (a Bauruense). Os bravos procuradores da Lava Jato teriam levantado essas operações em um dia de trabalho. Bastaria quebrar o sigilo da Bauruense.

Além disso, na gaveta do PGR repousa um inquérito desde 2010 apontando para lavagem de dinheiro de familiares de Aécio Neves em um banco de Liechenestein. Tinha-se o começo e provavelmente o destino final da propina.

Mesmo assim, o Procurador Geral da República Rodrigo Janot não endossou a denúncia sustentando estranhamente que dizia respeito a um outro episódio e o delator (o deputado que contou sobre a propina a Yousseff) já ter morrido. Equivale a um jovem procurador que invade um escritório à procura de pistas sobre roubos de eletrônicos, encontra provas de roubos de remédios e deixa de lado porque no momento ele só trabalha com roubos de eletrônicos.

Janot poderia ter pedido autorização para o STF (Supremo Tribunal Federal) para ao menos investigar a denúncia, garantindo o sigilo nas investigações. Nem isso foi solicitado.

Qual a lição que se pretende passar?

A Lava Jato pretende demonstrar que não é apenas mais uma investigação de corrupção, mas a operação que irá mudar o pais. Houve outras investigações na história.

No início dos anos 50 os IPMs (Inquéritos Policiais Militares) prenderam pessoas próximas a Vargas e colocaram em xeque o próprio poder presidencial, a ponto de criar o clima que levou ao suicídio do presidente. Ficou conhecida na história como uma manobra golpista, não como uma ação virtuosa.

Em 1963 e 1964, meros delegados de polícia colocavam na cadeia até empresários poderosos ligados a Jango, sob os argumentos mais estapafúrdios: Santo Vahlis, um venezuelano que tentou comprar um jornal no Rio, foi jogado em uma cela sob a acusação de ter escondido seu local de nascimento.

O anônimo delegado de polícia comprovou que proximidade com o governo não blindava ninguém, com o poder, sim. E sua valentia se devia apenas ao fato de que o poder já mudara de mãos. Ele era apenas um joguete nas mãos do verdadeiro poder.

A Lava Jato será conhecida na história não pelos poderosos que prendeu, mas pelos poderosos que poupou. Será ou a operação que limpou o Brasil, ou a operação instrumentalizada por um grupo político para desalojar outro grupo político.

A prova do pudim estará nos intocáveis, os cidadãos do lado de cá, tão acima de qualquer suspeita que não serão sequer investigados mesmo sendo delatados por delatores que mereceram toda a confiança dos procuradores nas delações contra o lado de lá.

As suspeitas sobre Aécio, agora, correm o mundo, nas asas da Reuters e de outras agências internacionais. Está nas mãos de Janot garantir a reputação internacional da operação que irá marcar para sempre a história do país: se apenas uma operação autorizada pelo poder do lado de cá, ou se uma operação que colocará definitivamente o Ministério Público Federal como avalista de uma nova República.

Luís Nassif
No GGN
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Afogado em Furnas, Aecím não encara Janot

O acusado não olha para o Promotor…




Na sabatina do Procurador Janot, onde Aloysio 300 mil enforcou FHC, um dia depois de ser consagrado pelo depoimento irretorquível do Youssef, Aecím gastou a maior parte de sua notável contribuição a elogiar o Procurador Janot.

Significativo, revelador é que Aecím não encarava o Janot olho no olho.

Olhava para baixo, para os lados e, quando não podia evitar, olhava rapidamente para quem estava diante dele.

E rapidamente tirava os olhos, em direção ao infinito do planalto central.

A linguagem do corpo falou mais do que as baboseiras pronunciadas.

Um blábláblá em jurisdiquês, redigido por algum reali tucano do tipo Gandra Martins.

Como os artigos dele na Fel-lha.

Com ghost-writer.

Aecím sabe que está diante de uma ameaça concreta.

A ressurreição inevitável dos tucanos inscritos na Lista de Furnas, onde ele ocupa papel de protagonista.


A casa caiu.

Por isso ele não encarava o Promotor!

Como numa audiência da Justiça do Crime, o acusado pré-condenado responde para baixo…

Sobre a pergunta propriamente dita, Janot disse o óbvio ululante.

E, segundo o Juiz Moro, o que Janot disse não vem ao caso.

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Vídeo contesta versão de Collor sobre busca em seu apartamento

Imagens mostram que policiais legislativos tentaram entrar no imóvel para ‘proteger’ ex-presidente


Um novo vídeo obtido pelo Globo, gravado no dia do cumprimento do mandado de busca e apreensão no apartamento funcional do senador Fernando Collor (PTB-AL), mostra que policiais legislativos do Senado tentaram entrar no imóvel e ter acesso ao mandado com a justificativa de que estavam ali para "proteger" o senador. A ofensiva foi barrada pela delegada da Polícia Federal (PF) responsável pelo cumprimento do mandado expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), dentro da Operação Politeia, deflagrada em 14 de julho.

O vídeo foi gravado dentro do apartamento funcional, onde já estavam policiais federais e um integrante do Ministério Público Federal (MPF), responsáveis por recolher documentos úteis para as investigações. A nova gravação antecede as cenas que fazem parte de outro vídeo que Collor exibiu no plenário do Senado. No discurso, ele atacou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o chamou de "fascista". Segundo o senador, os vigilantes do prédio foram impedidos de acionar a Polícia do Senado, sendo, inclusive, mantidos junto a investigadores para impedi-los de fazer o contato.

O vídeo de pouco mais de dois minutos mostrado pelo senador é posterior, a partir da chegada do diretor da Polícia Legislativa do Senado, Pedro Ricardo Araújo Carvalho. Ele pede acesso ao mandado, solicita o fechamento do corredor no prédio e bate-boca com os investigadores. A delegada chegou a afirmar que poderia se tratar de cárcere privado.

No novo vídeo, um policial legislativo conversa com a delegada à porta do apartamento funcional e explica por que compareceu ao local:

— Nós damos proteção ao senador – diz o policial.

—O mandado de busca é sigiloso. Hoje ele (o senador) tomou conhecimento. O senhor não é o destinatário do mandado – afirma a delegada.

— Ele está aí?

— Não. Mas esse é um procedimento padrão. Ele não está e não vou entregar (o mandado) a qualquer pessoa que apareça – continua a delegada.

— Eu só quero saber se ele está aí. Eu tenho o dever funcional de protegê-lo – diz o policial.

— Então o senhor está no lugar errado, porque ele não está aqui.

— Eu estou no lugar errado?

— Se o senhor tem o dever de protegê-lo e ele não está aqui, o senhor está no lugar errado. Espere que estamos acabando. Depois o senhor pode entrar no imóvel e protegê-lo do jeito que quiser – finaliza a policial, fechando a porta do apartamento.

Naquele dia, além do mandado de busca e apreensão no apartamento funcional autorizado pelo STF, a PF cumpriu mandado na Casa da Dinda, imóvel usado por Collor e de onde foram recolhidos veículos de luxo, produtos do crime, segundo as investigações da PF. A interpretação corrente é que imóveis funcionais são domicílios, não uma extensão do Senado ou da Câmara, tanto que foi necessário o STF autorizar o acesso ao imóvel. O senador foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) ao STF na última quinta-feira, 20, por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro nos desvios da Petrobras.


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Para entender os desdobramentos das ações de Gilmar no TSE


Os movimentos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com as contas de Dilma visam apenas manter aceso o noticiário, gerando mais notícias negativas para o governo.

Hoje em dia, há dois Ministros claramente partidários no TSE: Gilmar Mendes e João Otávio de Noronha. O mandato de Noronha vence em outubro. Ele deixa o cargo para um novo Ministro e a corregedoria do TSE para a Ministra Maria Thereza de Assis.

Os demais Ministros têm um comportamento mais técnico, incluindo o Ministro Luiz Fux, que tem se comportado com equilíbrio. Fux endossou a continuidade das investigações nas contas de Dilma mas quer a unificação com um só relator, o da Ação de Impugnação de Mandato.

Maria Thereza deverá assumir as investigações. É considerada técnica, severa, com fama de ir a fundo nas investigações e ser pouco afeita a jogadas políticas e acenos à mídia. E pouco sensível à truculência de Gilmar Mendes, que costuma inibir a atuação de Ministras do STF.

Mesmo assim, às vezes têm cometido alguns erros de análise.

Por exemplo, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Minas aplicou multa de R$ 50 milhões a Fernando Pimentel. Na sabatina de Rodrigo Janot, o senador Aloísio Nunes acusou o procurador eleitoral Eugênio Aragão de ter dado um parecer contrário aos procuradores mineiros.

Segundo o Ministro substituto Admar Gonzaga, em Minas e com a campanha de Dilma houve o erro de uma contabilidade dobrada por parte dos órgãos técnicos.

Exemplo: Pimentel, recebeu uma doação de R$ 1 mil, usou R$ 200 e repassou R$ 800 para o partido. O partido usa os R$ 800. O que os órgãos técnicos fizeram foi somar R$ 1 mil mais os R$ 800. Esse erro foi cometido também nas contas de campanha de Dilma. Admar identificou esses erros nas duas avaliações, a mineira e a nacional. Mas Thereza acabou endossando.

O Ministro Henrique Neves pediu vista do processo mas já admitiu que houve a contabilidade dobrada.

Luís Nassif
No GGN
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No vazio, Gilmar assume o lugar da oposição perdida

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/08/26/no-vazio-gilmar-assume-o-lugar-da-oposicao-perdida/

Gilmar Mendes conseguiu. No vazio deixado pela oposição oficial, mais perdida do que nunca, o ministro do STF indicado por FHC assumiu o papel de principal adversário do governo petista, que já foi do todo poderoso Eduardo Cunha, presidente da Câmara, antes deste ser denunciado por corrupção pela Operação Lava Jato.

Os dois costumam atuar em sintonia, como no caso do financiamento privado de campanhas eleitorais, mas agora o magistrado assumiu o protagonismo e nem disfarça mais seu objetivo: anular o resultado das eleições presidenciais do ano passado.

Na tarde desta terça-feira, na mesma hora em que lideres do PSDB e do DEM cancelavam, "por falta de base legal", a reunião marcada com juristas para discutir um possível pedido de impeachment da presidente, Gilmar conseguia o apoio da maioria no plenário do Tribunal Superior Eleitoral para reabrir as investigações destinadas a cassar a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, o que permitiria a convocação de novas eleições, como quer Aécio Neves.

Enquanto o Tribunal de Contas da União não julga as contas do governo federal de 2014, outro front da oposição contra o governo, que poderia servir de base para o pedido de impeachment na Câmara, os tucanos chegaram à conclusão que não dependem só dos fatores políticos e jurídicos para embasar o pedido, mas matemáticos. Nas contas do próprio Aécio Neves, a oposição conta hoje com apenas 200 dos 342 votos necessários para atingir seu objetivo e, por isso, desistiu de liderar o movimento.

No TSE, as contas da chapa vitoriosa já tinham sido aprovadas por unanimidade, em dezembro do ano passado, mas o PSDB entrou com recurso, agora aprovado, que serviu de base para a manobra de Gilmar Mendes. Inconformados até hoje com a derrota de outubro, os tucanos já haviam pedido a recontagem dos votos e, depois, entraram com quatro ações no tribunal, denunciando abuso do poder econômico e o uso de recursos do petrolão para financiar a campanha da reeleição.

Antes da reunião do TSE, incansável na sua cruzada contra o PT, que já chamou de "sindicato de ladrões", Gilmar Mendes já havia pedido ao Ministério Público de São Paulo para abrir nova investigação sobre uma microempresa, que recebeu 29 transferências da campanha petista, e não teria comprovado a prestação dos serviços. O novo inquérito foi baseado num relatório encaminhado ao TSE pela Fazenda Estadual de São Paulo. A empresa teria sido criada apenas dois meses antes da campanha e não foi localizada no endereço indicado no registro.

No momento em que o palco principal da crise se desloca do parlamento para os tribunais, num ponto todos parecem estar de acordo: estamos vivendo o fim do ciclo político iniciado com a Nova República, como já escrevi aqui mesmo no dia 15 de março.

Só o que ninguém sabe é o que virá após o esgotamento deste moribundo sistema político-partidário do presidencialismo de coalização. Os dois partidos que dominaram este processo nas últimas duas décadas, o PT e o PSDB, estão cada vez mais rachados e enfraquecidos e, mais do que nunca, dependem do PMDB para formar maiorias. E o PMDB de Temer, Cunha e Renan ninguém sabe dizer para onde vai. É neste cenário nebuloso que cresce a figura de Gilmar Mendes, único que sabe aonde quer chegar.
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Serra, nós sabemos o que você fez


Quem é Ricardo Sérgio? Quem é Gregório Marin Preciado? Eles estão no capítulo 8 da Privataria Tucana.



No CAf
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A seletividade da mídia em matéria de denúncias

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7525

Vamos falar claro? Em bom português? A mídia deita e rola na manipulação.

Tratemos da coisa em dois planos: regional e nacional.

Regional. No Rio Grande do Sul, a verdade é a seguinte:

1) Sartori tem dinheiro para pagar o funcionalismo em dia, mas não quer usar. O dinheiro é dos depósitos judiciais. A Assembleia Legislativa autoriza. O judiciário abriu mão dos juros. Sartori não quer usar. Por quê? Para jogar o funcionalismo contra a população e forçar os deputados a aprovar aumento de impostos, alteração da previdência e, mais tarde, privitizações.

2) Sartori está apostando na política do quanto pior, melhor.

3) Sartori está se lixando para o funcionalismo no plano imediato.

Só o Correio do Povo, a Record-RS e a Rádio Guaíba estão mostrando isso.

No plano nacional, em CPI, os delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff ficaram frente a frente.

Costa disse que mandou Yousseff dar dinheiro para a campanha de Dilma.

Yousseff negou. E foi mais longe: garantiu que outro delator vai esclarecer o caso.

De quatro, confirmou que deu dinheiro para Sérgio Guerra, então presidente do PSDB, abafar uma CPI.

Na mesma onde, confirmou que José Janene lhe disse que Aécio Neves recebeu dinheiro de Furnas.

Devastador.

O MP não investiga.

A mídia minimiza.

O Jornal Nacional, da Globo, dispensou a voz de Yousseff nessa acusação. William Bonner justificou Aécio.

A manipulação é descarada.

As capas da grande mídia entregam tudo.

Nenhuma palavra sobre Aécio no Estado de Minas.


Nenhuma palavra sobre Aécio no Estado de S. Paulo.


Folha de S. Paulo.



Nenhuma palavra sobre Aécio na Zero Hora.


Nenhuma palavra sobre Aécio no site da Veja.


Nenhuma palavra sobre Aécio no Globo.


Record e Correio do Povo fizeram jornalismo.




A manipulação do Uol:



Se a mídia brasileira não destacou o depoimento de Youssef, como denunciaram internautas, o mesmo não fez a Agência Reuters:

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Aécio de Oliveira Salazar


Em setembro de 1968 o ditador português Antônio de Oliveira Salazar, de 79 anos, sofreu uma trombose cerebral após um acidente doméstico. Sem condições de governar, foi afastado da presidência e substituído por Marcelo Caetano. Levaram Salazar para sua cidade natal, Santa Comba Dão, e lá montaram um falso gabinete para ele. Até morrer, dois anos depois, “despachava” como presidente, assinava falsos decretos, nomeava e demitia ministros abstratos, concedia audiências. Todos os envolvidos sabiam que se tratava de uma encenação. Menos o ditador, que morreu no dia 27 de julho de 1970 certo de que era presidente de Portugal.

Essa talvez seja a solução para a síndrome de presidente da república de que padece o senador Aécio neves desde as eleições do ano passado. Levem o rapaz para São João del Rey, montem para ele um gabinete presidencial com seguranças, secretarias, ministros, introdutores diplomáticos, faixa presidencial e tudo o mais a que tem direito, constitucionalmente, um presidente no exercício do cargo. Na hora que o surto passar deem alta para ele.

Fernando Morais
No Esquerda Caviar
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A tragédia de José, morto por Ivo: um texto magistral em O Globo

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/radar-da-midia/tragedia-de-jose-morto-por-ivo-um-texto-magistral-em-o-globo/

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/wp-content/uploads/2015/08/Lide-Globo-890x395.jpg
“Recebi, pelo Facebook, uma das melhores aberturas de matéria que já li nos últimos 30 anos. É sobre a
tragédia do último fim-de-semana no Rio: Ivinho, filho de Ivo Pitanguy, dirigia aparentemente sob efeito de
álcool, quando atropelou José, um operário que ia para o trabalho. José está morto.”

Quando comecei a trabalhar na “Folha de S. Paulo” (foi meu primeiro emprego, há exatos 25 anos), manifestei os primeiros sinais de desânimo com a profissão que abraçara. Foi então que recebi de uma amiga — historiadora —  um pequeno cartão, com a frase de Tzvetan Todorov:

“a boa informação é o melhor meio de estabelecer o poder (…) Aqueles que não se preocupam em saber, assim como os que se abstêm de informar são culpados diante de sua sociedade; ou para dizê-lo em termos positivos, a função de informar é uma função social essencial”.

Ao pé do cartão, com a data de abril de 1990, minha amiga Paula Porta escreveu: “por isso, meu amigo, ânimo!”

Aos trancos e barrancos, segui a recomendação. Procuro manter o ânimo: às vezes por convicção, outras tantas por pura necessidade. O jornalismo é meu ofício, e preciso trabalhar.

O cartão segue em minha estante, como uma espécie de bússola. Mas a verdade é que, nos últimos tempos, aqueles que escolheram a função de informar estão de cabeça baixa no Brasil.

Há muitos motivos pra isso: demissões em massa, em redações cada vez mais acovardadas; perda de qualidade nos textos e reportagens eletrônicas; sem contar o mal-estar por ver colegas que mal começam na profissão e já se sentem sócios do dono do jornal ou da TV.

Mas o pior: revistas, jornais, emissoras de rádio e TV trazem seguidos exemplos do que não se deve fazer para exercer o bom jornalismo. A “Veja” levou ao fundo do poço a função de informar. A revista é, em boa medida, responsável pelo clima de ódio e ignorância que vemos se espalhar pelos setores de classe média no país.

Tanto esforço para travar o debate da informação, e terminamos nisso? O desânimo vez por outra ressurge…

Mas eis que surgem também sinais de que o  jornalismo se parece muito com o samba, na letra de Nelson Sargento: “(…) agoniza mas não morre/ alguém sempre te socorre/ antes do instante derradeiro.”

Digo tudo isso porque recebi, pelo Facebook, uma das melhores aberturas de matéria que já li nos últimos 30 anos. É sobre a tragédia do último fim-de-semana no Rio: Ivinho, filho de Ivo Pitanguy, dirigia aparentemente sob efeito de álcool, quando atropelou José, um operário que ia para o trabalho. José está morto.

O texto saiu em “O Globo”, que é outro exemplo da manipulação e do baixo nível das famílias que mandam no jornalismo brasileiro. Mas não importa. É preciso reconhecer quando um lance de craque surge — mesmo que seja nas páginas daquele que considero o maior inimigo da  democracia e da emancipação do povo brasileiro.

É bom reconhecer isso, até para pensar se essa “guerra da informação” — que às vezes nos faz rejeitar em bloco o campo inimigo (e a Globo pra mim é inimiga) — não pode nos transformar em seres tão boçais quanto aqueles que dirigem o jornalismo da Globo e da Veja.

Bem, chega de papo e confiram a abertura no texto assinado por Caio Barreto Briso e Gustavo Goulart…

Lide Globo
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