24 de ago de 2015

O Ibope traçou o retrato dos manifestantes de agosto — e é o que você esperava


O Ibope traçou um retrato do cidadão brasileiro e da cidadã brasileira — como gosta o revoltado on line Marcello Reis — que foram para as ruas protestar, xingar, clamar por “intervenção militar” e pedir o suicídio alheio com a família no 16 de agosto.

A pesquisa confirma o que você já suspeitava: trata-se de uma gente que não sabe o que quer e nem o que não quer.

Num universo de 2002 pessoas com 16 anos ou mais em 142 municípios, 63% pediam o impeachment. Dado o grau de arrogância histérica dos organizadores, crentes de que regem multidões, é pouco.

Mais: 58% não sabem quem assumiria no lugar de Dilma.

O nome de Michel Temer foi citado espontaneamente por apenas 42%; para 10%, quem leva é Aécio, por ter sido o segundo colocado nas eleições; 3% acham que haverá novas eleições; 1% bota fé no Cunha.

E 7% acreditam que quem assume é Lula, numa mistura de medo, desejo e fantasia.

A razão para a remoção da presidente, para 31% das pessoas, é “situação econômica/ inflação/ juros”, para 27% “má administração/ não está governando o país como deveria” e para 21% os “casos de corrupção no governo”.

A tal “pauta única”, como chamaram os movimentos, era uma balela. O grau de desinformação, como se viu, enorme, ainda mais diante do massacre diuturno.

O PSDB não combinou direito com a choldra que, teoricamente, ao menos, estava do seu lado. E o mês de agosto caminha para o fim sem que a catástrofe anunciada em exercícios de futurologia acontecesse.

Luis Fernando Veríssimo definiu bem os manifestantes na semana passada, ao compará-los a cachorros que perseguem carros sem saber por quê:  “Às vezes viam-se bandos de cães indignados, perseguindo carros que passavam, e dava até para imaginar que um dia conseguiriam alcançar um, dos pequenos, pará-lo, cercá-lo e… E o quê? Comê-lo?”

Comer não é o caso porque 75% ganhavam de 1 a mais de 5 salários mínimos e ninguém está exatamente passando fome.

Os protestos vão ficar para a história, mas por motivos opostos aos desejados por suas “lideranças”. Um dia seus netos vão estudá-los como algumas das maiores reuniões do Brasil de seres humanos sem noção.

Kiko Nogueira
No DCM
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Os dois chapéus do Secretário da Justiça de São Paulo


Durante muitos anos, Aloísio de Toledo César usou dois chapéus. Um, o de jornalista e editorialista do Estadão. Fez carreira no Judiciário paulista, onde se aposentou no cargo de desembargador. No período, continuou colaborando com o Estadão.

Desde janeiro colocou outro chapéu, o de Secretário da Justiça do governo Geraldo Alckmin.

Abaixo, trechos de algumas de suas colunas.

Sobre aparelhamento da máquina


Mas por que a presidente convocou tantos políticos para fazer parte de seu governo? Foi a forma que encontrou de anestesiar os partidos políticos no Congresso Nacional e cobrar cada um desses ministros nos momentos de votação de projetos de interesse da administração federal.

O absurdo dessa conduta conduziu a um resultado muitas vezes pior: o avanço no dinheiro público para satisfazer as baixas necessidades dos políticos que não são capazes de apoiar a presidente em função de ideias, mas somente de vantagens pessoais e econômicas.

Agora, quando está para ser composto o novo governo da presidente Dilma, em seu segundo mandato, será que poderemos ter a esperança de uma nova conduta, ou seja, será que ela terá a coragem de indicar para os cargos de alto escalão pessoas realmente preparadas para as atividades que deverão exercer?

Sobre segurança interna

(...) Outra circunstância que desautoriza previsões otimistas está na segurança interna, ou seja, na falta dela. Parece inacreditável que continuem a ingressar no Brasil, pelas fronteiras de países vizinhos, as armas e drogas que alimentam o crime organizado e matam os nossos filhos e netos. Não se vê o menor esforço governamental para se aliar a esses vizinhos no necessário combate à produção das drogas e à entrada de armas, produzidas, sobretudo, nos Estados Unidos e na Europa.

Sobre impunidade

Os exemplos dos bons e dos maus juízes

Não pode haver nada mais perigoso para as instituições do que a desconfiança de um povo nos seus juízes e na Justiça do país.

O desembargador que virou Secretário

Hoje, matéria da Folha fala da gestão Aloísio de Toledo César na Secretaria de Justiça de São Paulo. Vamos conferir todos os intertítulos fazendo uma releitura de Toledo Cesar.

O título da reportagem “Secretaria da Justiça de SP é loteada pelo PTB” 

Sobre o aparelhamento da máquina

Ao menos 18 pessoas filiadas ou ligadas ao PTB, entre elas ex-vereadores e parentes de políticos da sigla, foram admitidos pela Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo desde a posse do novo secretário, Aloísio de Toledo César, em 15 de janeiro.

A pasta foi entregue ao partido após negociação entre o deputado estadual Campos Machado, comandante do PTB no Estado de São Paulo, e o governador tucano Geraldo Alckmin.

O secretário-adjunto da pasta, Luiz Madureira, é vice-presidente nacional do PTB. O chefe de gabinete também é ligado à legenda.

Oito funcionários e ex-funcionários da secretaria ouvidos pela Folha, sob condição de anonimato, afirmam que há pressão interna para que servidores se filiem ao PTB.

Só no dia 16 de abril, oito funcionários da pasta assinaram a ficha de filiação do partido, segundo informações do TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral).

Sobre o aparelhamento do Procon


A nomeação da nova diretora do Procon-SP, sem passar pelos trâmites usuais da fundação, segundo fontes, foi inesperada e colabora para a desestitucionalização do órgão:

— A defesa do consumidor reforça medidas éticas e morais e os órgãos devem adotar essa postura. A nomeação da nova diretora sem passar pelo processo de análise do conselho, de forma democrática, está longe do ideal. É um mau início, como se tivesse entrado pela janela — diz especialista na área, com longa história com o órgão, que preferiu não se identificar.

Sobre impunidade

Algumas pérolas do padrinho político de Aloísio de Toledo Cesar, o deputado estadual Campos Machado:


José Maria Marin recebeu apoio de um grupo de amigos liderados pelo presidente do PTB-SP, Campos Machado.

O deputado estadual acertou a contratação de dois advogados brasileiros que vão à Suíça nesta quarta (dia 10).

"Vamos dar toda a assistência que ele precisar", afirmou Machado. Marin é o primeiro vice-presidente do PTB do Estado de São Paulo.

Os advogados foram contratados na última quinta-feira (4) e, segundo o deputado estadual, serão pagos por um grupo de amigos do cartola, liderados por Machado.


(...) O avanço da PEC, de autoria do deputado Campos Machado, líder do PTB na Assembleia, surpreendeu o Ministério Público. Promotores e procuradores apostavam que não passava de uma "bravata" do parlamentar e que ele não conseguiria reunir as 32 adesões necessárias para protocolar a PEC, chamada de "emenda da impunidade". O MP divulgou em seu site que a Procuradoria-Geral recebeu garantias da Presidência da Assembleia de que a PEC não iria se concretizar.

Sobre segurança interna de São Paulo


Luís Nassif
No GGN
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Transgênera chamada de ‘transgênica’ pelo G1 responde à altura

Chamada de “transgênica” pelo G1, a transgênera Laysa Carolina reagiu prontamente no Twitter.


No DCM
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É mais fácil o Vasco ser campeão do que haver um golpe

Pinta de campeão?
Alguns círculos progressistas na internet continuam assombrados com a possibilidade de um golpe.

Acoelhados, talvez seja a palavra correta.

É uma questão psicológica, sem nenhuma ligação com os fatos reais.

Quando a Globo anunciou que gostaria que o sucessor de Dilma fosse escolhido pelas urnas, foi porque os Marinhos perceberam que 2015 não é 1964.

Você teria um país virtualmente em guerra civil com um golpe. Do ponto de vista internacional, o Brasil voltaria a ser visto como uma República das Bananas.

Sem o patrocínio da Globo, as coisas se tornaram inviáveis para os golpistas. Não bastasse isso, uma peça-chave na trama, Eduardo Cunha, está hoje mais preocupado em escapar da cadeia e da multa de 80 milhões de dólares do que com qualquer outra coisa.

Se era um general da tropa do golpe, hoje é um recruta.

Tudo isso posto, os ânimos deveriam serenar. Mas basta FHC, Aécio ou Gilmar Mendes abrirem a boca para os corações progressistas dispararem.

Então, numa derradeira tentativa de tranquilizar as pessoas, recorro a uma imagem futebolística: é mais fácil o Vasco ser campeão do que haver um golpe.

Paulo Nogueira
No DCM
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Família Sarney abre artilharia midiática contra Flávio Dino


O bombardeio é diário, sem trégua. Com “denúncias” como esta:

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Isso mesmo. O governador Flávio Dino é “acusado” de sentar-se ao lado do motorista pelo jornal O Estado do Maranhão, que integra o império midiático da família Sarney.

Nem a Veja faria melhor. Ou faria?

As críticas, especialmente na coluna Estado Maior, por onde fala o dono, são absolutamente gratuitas.

Por exemplo, na edição de 19.05.2015: “Flávio Dino não tem conseguido reagir às numerosas crises que se instalaram no Governo do Estado”.

Na mesma coluna: “Gozações — Os escândalos e constrangimentos em todas as áreas do governo Flávio Dino (PCdoB) têm feito a alegria de piadistas e gaiatos da internet. Todo dia surgem memes e banners fazendo troça do governo, que mete os pés pelas mãos quase diariamente. O que ajuda os provocadores é a postura do próprio governo de não reconhecer os erros e querer impor seu ponto de vista“.

Na mesma página, ao acusar Dino de desperdiçar dinheiro com o aluguel de um prédio, o jornal promove os dois herdeiros políticos da família: os deputados Adriano Sarney (PV) e Andrea Murad (PMDB). Eles são chamados a opinar sempre que há “denúncias” contra Dino. Propaganda política disfarçada de jornalismo.

A ênfase da cobertura é na violência, que realmente é grave em São Luís. Segundo Dino, a taxa de homicídios caiu, mas o colunismo sarneyzista cria um clima de pânico a ponto de invocar o holocausto — como se o problema não fosse parte integral da herança maldita deixada pelos Sarney. De Pergentino Holanda, colunista:

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Como a família Sarney controla a TV Mirante, afiliada da Globo no Estado, acaba definindo a agenda do que aparece sobre o Maranhão nos jornais em rede nacional da emissora. “Toda semana tem pelo menos uma reportagem negativa”, diz um assessor de Dino.

O curioso é que os ataques partem da família que controlou o estado politicamente por mais de meio século.

Que, mais recentemente, “privatizou” a segurança do complexo penitenciário de Pedrinhas, o que ajudou a provocar um escândalo de dimensões nacionais com a matança entre facções.

De um grupo político que, segundo Dino, chegou a pagar R$ 11,00 por um copo de leite servido numa refeição hospitalar.

Isso sem falar nas mil escolas como a da foto que encabeça este texto.

Governador, quem olha para essa foto é difícil acreditar…

Nós encontramos mil escolas dessas, na qual existem professores de enorme capacidade de se dedicar a uma causa, que eu respeito muito, mas na qual obviamente os alunos pouco conseguem apreender. Por isso nós estamos com um programa voltado para superar isso. Realmente é inacreditável que em um país como o nosso, sexta ou sétima maior economia do planeta, essa condição social seja tão difícil. O Estado que tem o décimo sexto PIB do Brasil, que tem um porto promissor e importante, tem a base de Alcântara… agora nós precisamos fazer com que essas ilhas de modernização, de século 21, consigam chegar ao Maranhão profundo, que ainda vive em muitos casos no século 19.

Qual a importância do porto de Itaqui, considerando que 10% da soja exportada pelo Brasil saem de Matopiba, a região fronteiriça entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia? 

Para quem chega, é o porto melhor situado do Arco Norte, do ponto-de-vista do mercado brasileiro, porque ele se situa exatamente na zona de transição entre a Amazônia e o Nordeste, com amplo acesso ao Centro-Oeste do país. E ao mesmo tempo no sentido de saída. Uma empresa que vai exportar soja para a costa Leste dos Estados Unidos vai economizar três ou quatro dias de frete usando Itaqui em relação a Paranaguá (Paraná).

O senhor diz que pretende casar esta vantagem logística com energia para desenvolver um parque industrial e processar os produtos agrícolas do Maranhão no entorno de Itaqui. Qual energia?

Na verdade, nós já temos uma grande produção de gás, de cerca de 5 milhões de metros cúbicos. Já foi feita a prospecção e foi formalmente declarado pela Agência Nacional de Petróleo que esses campos estão aptos a serem comercialmente explorados. Na décima terceira rodada do leilão da ANP teremos mais 22 blocos na chamada bacia do Parnaíba, que fica quase toda no Maranhão, de modo que nós esperamos que no futuro essa abundância de fonte de energia de nosso Estado se consolide. Nós temos uma economia baseada na agricultura, na pecuária, na pesca, no extrativismo, na avicultura, tudo isso é fundamental. Mas ao mesmo tempo é importante industrializar o estado, substituir importações.

O senhor já lidou com a herança maldita do governo de Roseana Sarney?

Nós encontramos aqui muitos absurdos, infelizmente. Havia, por exemplo, uma Universidade Virtual do Maranhão. A universidade era virtual mas o roubo era real, porque lá houve desvio de mais de R$ 30 milhões. No que se refere à Saúde encontramos situações absolutamente injustificáveis do ponto-de-vista do custo, como o copo de leite que custava 11 reais.

O senhor disse que conseguiu R$ 100 milhões em função de mudanças administrativas?

Essas mudanças em cinco meses geraram 100 milhões, porque nós combatemos problemas que havia no Detran, no sistema penitenciário, no sistema de saúde, na educação. A escola que aparece na foto, para substituir pode custar em média 500 mil reais. Dez milhões dá para fazer 20 escolas. Dá para fazer uma escola técnica estadual, que o Maranhão não tem nenhuma. Com a Universidade Virtual do Maranhão dá para dizer que essas pessoas desviaram 70 escolas.

Por que os ataques diários na mídia?

Na verdade, uma fração da elite brasileira, acostumada a um modelo coronelista e oligárquico, tem o hábito de gerar acúmulo de fortunas pessoais a partir do desvio daquilo que pertence a todos. É o velho patrimonialismo, que aqui no Maranhão está em cada esquina. Nós estamos desmontando isso e desmontando em um processo conflituoso. Todas as vezes que a gente tira um privilégio pendurado na árvore do patrimonialismo maranhense, o dono do privilégio reclama, reclama e luta. Luta, entra na Justiça, coloca seu sistema de mídia contra, porque ele quer manter o privilégio. Passou anos indo lá colher essa fruta madura e alimentando os seus às custas de milhares de maranhenses.

O que é o programa emergencial do IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano?

É uma política focalizada nos 30 municípios de pior IDH do Maranhão, que estão entre os 100 piores do Brasil. Ação de substituição de escolas, restaurantes populares, força estadual de saúde, construir casas, apoio à agricultura familiar, fornecer documento, um enxoval de direitos. Eu, quando estudei, quando dava aula de Direito, falavamos em direitos de primeira, segunda e terceira gerações. Século 18, direitos civis. Século 19, direitos políticos. Século 20, direitos sociais. Nós temos de fazer três séculos em quatro anos. Pretendemos mostrar que apesar das dificuldades nacionais é possível mobilizar investimentos públicos e privados capazes de elevar a qualidade de vida de populações antes submetidas a patamares de negação de direitos realmente inacreditáveis.

Mostrar que governo faz diferença?

Que é imprescindível para superar os problemas da população mais pobre. Durante décadas no Brasil se estabeleceu uma espécie de dualidade: o Brasil moderno era privado, o Brasil arcaico público. Isso na verdade é uma falácia ideológica. Todos nós sabemos que sem serviços públicos é impossível nós termos um Brasil verdadeiramente moderno.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Juruna pede saída de Paulinho, após apoio a Cunha


O apoio explícito ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em evento da Força Sindical na última sexta-feira (21), em São Paulo, causou "grande constrangimento" na central, a ponto de seu secretário-geral, João Carlos Gonçalves, o Juruna, sugerir a saída definitiva do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SD-SP), hoje licenciado da presidência.

"Talvez tenha chegado o momento de falarmos com muita franqueza e sempre com lealdade se já não é hora de o companheiro Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que por sua própria vontade e decisão optou exclusivamente pela atividade partidária, seguir o seu caminho, e a exemplo do companheiro Luiz Antônio de Medeiros, no passado, continuar ao nosso lado, nos apoiando, nos ajudando com a sua experiência e bagagem, mas deixando que a central siga o seu próprio caminho, tenha a sua posição permanente em defesa de políticas democráticas, do respeito à institucionalização do Estado de Direito Democrático a duras penas conquistado e, sobretudo, de uma coerente e combativa política sindical em defesa dos trabalhadores e suas famílias, o que é nosso objetivo maior", escreveu Juruna.

Os dois dirigentes ainda não conversaram após a divulgação do artigo, que segundo Juruna tem como objetivo suscitar um debate interno. Muitos dirigentes, embora não afirmem publicamente, ficaram incomodados com a repercussão, na imprensa, das demonstrações de apoio a Cunha, que na véspera havia sido denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. "O presidente Eduardo Cunha é a pessoa mais correta que encontrei", afirmou Paulinho na sexta-feira.

"O que era para ser uma atividade institucional e imparcial, para conversar sobre as leis e medidas que estão em tramitação ou que já foram votadas, transformou-se num ato partidarizado, de apoio a um político que está sendo denunciado pelo Ministério Público", diz Juruna, em seu texto. "Os gritos de guerra a favor de Cunha, ouvidos no ato, configuraram uma ação deslocada e sem sentido no atual contexto. Isso porque a democracia deve funcionar para todos. Ninguém está acima da justiça e, neste sentido, precisamos aguardar as conclusões do Judiciário no processo que envolve o político em questão. Repito: o que era para ser uma atividade sindical, meramente institucional, com pauta definida pelo presidente Miguel Torres (presidente em exercício da Força), transformou-se em um ato de apoio político, e isso não estava na pauta."

O secretário-geral da Força diz que a entidade tem buscado manter o equilíbrio, lembrando que Torres vem conversando com "os principais atores sociais, como os presidentes de centrais sindicais", além de reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e conversas agendadas com o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com o atual vice-presidente, Michel Temer. "O que aconteceu na última sexta-feira, dia 21, com a transformação de uma atividade sindical em uma ação partidária, não condiz com o caminho que temos tomado. Milhares de sindicalistas filiados à Força Sindical em todo o Brasil foram pegos de surpresa pelo noticiário, gerando um grande constrangimento para a central."

O documento faz referência depreciativa à CUT. Segundo Juruna, a Força "deve ser dar o respeito como entidade sindical multipartidária, como está colocado desde a fundação, e não joguete e instrumento de partidos ou pessoas, como têm se caracterizado os companheiros da CUT ao longo de sua história".

Criada em 1991, a Força teve apenas dois presidentes eleitos até hoje: Medeiros e Paulinho, ambos originários do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. O último congresso da central, o sétimo, foi realizado há pouco mais de dois anos. Para mudar o presidente, não é preciso realizar novo congresso — assumiria o 1º vice (atualmente, Melquíades de Araújo, presidente da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de São Paulo e ligado ao PSDB), e o substituto seria escolhido em reunião da direção.

Originalmente opositor da CUT, Medeiros já foi secretário de Relações do Trabalho no Ministério do Trabalho e Emprego, na gestão Lula. Também passou pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo. Atualmente, é secretário municipal das Subprefeituras do governo Fernando Haddad (PT). Ex-PDT e fundador do Solidariedade, Paulinho apoiou Geraldo Alckmin (PSDB) em 2006 e Dilma Rousseff (PT) em 2010. Na eleição do ano passado, tornou-se feroz opositor da candidatura petista, e hoje é um dos principais defensores do impeachment da presidenta.

No RBA
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Collor denuncia ação ‘truculenta” da PGR


Collor denuncia abuso de poder durante operação de busca e apreensão em sua residência



O vídeo que foi apresentado pelo senador Fernando Collor:


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Virando um DEM, o PSDB prejudica o Brasil


O artigo de Bresser Pereira, "À altura do momento", apontando para a necessidade de uma trégua em favor do país e contra o impeachment e a afirmação de Roberto Setúbal, presidente do Itaú de que não há motivos para “tirar Dilma” explicitam uma séria crise entre o PSDB e as suas bases.

Essa constatação não merece grandes aprofundamentos, porém vale lembrar que com a implosão do DEM, principal aliado do PSDB no nível nacional, houve uma apropriação por certo setor do PSDB do discurso e das práticas desse aliado, como ocorre quando alguém herda um espólio.

Por assim dizer o PSDB foi demizado ou arenizado.

Hegemonizado por setores ligados ao coronelismo nordestino e às elites rurais de Minas vai o PSDB singrando uma trajetória que o afasta mais e mais dos segmentos empresariais paulistas e cariocas, que no entanto, a bem do partido e certamente da democracia, deveriam ser hegemônicos.

Não considero que a crise se supera pelo quanto pior melhor, ao contrário, tal como vê Bresser Pereira, precisaríamos de devolver à política brasileira a condição do respeito institucional e do processo democrático, tudo o quanto essas tradições rurais e coronelísticas não praticam.

As manifestações cada vez mais amplas dos segmentos empresariais, tanto do capital industrial quanto do capital financeiro divergentes da linha política adotada pelo principal partido conservador do Brasil, permite interpretar que o PSDB ruma para um forte isolamento ante as suas bases empresariais. Penso que manter-se nessa via seria um erro estratégico maior para o partido.

O risco é o de uma maior e mais longa crise de representatividade entre os segmentos da sociedade brasileira e os partidos que deveriam representá-las, pois não se cria um novo partido do dia para noite. Pior isso pode fortalecer segmentos saudosistas da ditadura no seio do próprio PSDB.

O empresariado não virá para o PT, obviamente. Com o seu partido de referência atuando de forma irresponsável a seus olhos será obrigado a manifestar as suas opiniões por fora do quadro partidário de forma cada vez mais frequente, ao tempo em que a extrema direita rural, herdeira do DEM, acumulará força no partido.

A manter-se essa situação no médio prazo o partido perderá a sua representatividade junto aos setores empresariais por ter aderido ao componente mais atrasado do seu espectro político. O partido que está melhor posicionado para ocupar esse espaço em São Paulo é, obviamente o PMDB.

O PSDB corre o risco de virar um DEM. Um risco, pois como a história recente já provou, parece que a nação não adere mais ao coronelismo.

É a falta que fazem Franco Montoro e Mário Covas. Quero crer que dariam maior resistência a Cunha Lima e Aécio...

Ion de Andrade
No GGN
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Jornal Nacional noticia crise hídrica sem mencionar Alckmin

Alckmin inaugura a obra de emergência, para tirar água de rio que secou
O governo Alckmin finalmente reconheceu, de forma oficial, a crise hídrica.

Mas, para o Jornal Nacional da sexta-feira, tudo se deve ao clima. A repórter, em tom de frustração, diz que há nuvens no céu, mas não cai chuva.



Não há questionamento à falta de planejamento, nem mesmo das obras de emergência. Pelo contrário. Logo de cara, diz a apresentadora:
Os moradores da Grande São Paulo estão vivendo com quase 30% a menos de água do que no ano passado. A falta de chuva está prejudicando até mesmo as obras de emergência para enfrentar a seca.
Notem, na sequencia, o que diz a repórter sobre uma das obras de emergência:
É o caso da transposição do Rio Guaió, que teria capacidade para mandar mil litros por segundo para o sistema de abastecimento. Mas com a estiagem estão chegando apenas 350 litros. Obra contra seca que também precisa de chuva.
“Obra contra seca que também precisa de chuva” parece piada de português. Mas o JN disse isso em tom sério e não informou que ela custou R$ 29 milhões de reais.

Teria sido mais honesto fazer o que fez a Rede Brasil Atual: “Sabesp faz obra milionária para retirar água de rio que está seco”.

Na reportagem do Jornal Nacional, o presidente da Sabesp apareceu duas vezes para vender seu peixe.

Não há contraponto à palavra oficial.

Aparentemente, os produtores do JN vivem na ilha da fantasia — ou vai ver que os irmãos Marinho já estão engajados na chapa Alckmin 2018.

Se precisam de algumas dicas, bom proveito:

“A Sabesp retirou muito mais [água] do que deveria [do Sistema Cantereira], adotando cenários otimistas, irreais. A questão todinha é essa: a Sabesp não se preparou para o pior e ficou esperando pelo melhor”. Jose Roberto Kachel, engenheiro civil e sanitarista, ex-funcionário da Sabesp

“Se nós tivéssemos padrões de retirada do sistema Cantareira de 2015 já em 2014. Ou seja, se houvesse preparação para a crise, nós teríamos água nos reservatórios para, mesmo num período de 2015 e 2016, teríamos condições de garantia hídrico até 2017. Porém, o retardamento na tomada de decisão obviamente levou a uma gestão, na minha opinião, bastante ineficiente”. Vicente Andreu, presidente da ANA

Apesar de todos os problemas repassados à população e a falta de obras concluídas a tempo de tentar reduzir os prejuízos aos paulistas, a Sabesp teve lucro líquido de R$ 337,3 milhões entre abril e junho deste ano. O valor é 11,5% maior que os R$ 302 milhões verificados no mesmo período de 2014. Apesar de não solucionar o problema da falta d’água, boa parte do faturamento da empresa foi alcançado por meio de dois aumentos de tarifa. Um de 6,5%, em dezembro de 2014, e um de 15,4%, em junho. A falta de recursos também não é justificativa para o baixo retorno à população. Nos últimos sete anos, os acionistas da companhia receberam R$ 3,4 bilhões em dividendos, enquanto nada ou quase nada foi investido em obras de recuperação de mananciais. Recente relatório do Tribunal de Contas o Estado de São Paulo (TCE) aponta os governos de São Paulo, desde 2004, como os responsáveis pela crise hídrica. Por lei, a empresa é obrigada a repassar 25% dos lucros aos investidores, mas a Sabesp repassou 48% a mais que o mínimo legal. Agência PT

O colapso do abastecimento de água que atinge a região metropolitana de São Paulo e várias cidades do estado não pode ser atribuído — como vocifera o governo estadual — apenas à estiagem atípica e mudanças climáticas que afetam São Paulo. É fruto, sobretudo, da irresponsabilidade e improbidade administrativa, da falta de gestão e planejamento e da incúria do (des) governo tucano, que há mais de dez anos foi alertado sobre o esgotamento do modelo hídrico, como também nenhuma medida tomou a fim de oferecer o mínimo de segurança hídrica à população. Em 2004, quando da outorga do Cantareira, a Sabesp teria que, no prazo de três meses, apresentar uma proposta de construção de novos reservatórios e captação de águas em outros mananciais. Estava no contrato. Porém, as obras não foram realizadas e nem cobradas pelo governo. Em 2009 a Secretaria Estadual do Meio Ambiente realizou o estudo Cenários Ambientais 2020 com a colaboração de 200 especialistas em que previu com dados científicos a crise de 2015 e outra em 2018. Esses são dois dos muitos alertas feitos sobre os desafios do abastecimento de água para os paulistas. As gestões do PSDB — partido que (des) governa o Estado de São Paulo há 20 anos — transformaram a água em mercadoria através da conversão da Sabesp numa empresa preocupada apenas em vender água e obter altos lucros, sobretudo para entregá-los aos especuladores da bolsa de Nova York. Carlos Gianazzi, deputado estadual do PSOL

A grande mídia teve comportamento parcial o tempo todo. Ela teve a clara preocupação de poupar o governador. No noticiário,a falta de água era atribuída somente à estiagem. Toda vez que uma matéria falava em falta de água, ela vinha a previsão do tempo junto. Ou seja, uma maneira de relacionar uma coisa à outra e não deixar espaço para questionamento. Tudo era efeito do clima. Não havia a preocupação em mostrar que a crise hídrica decorria da falta de planejamento do governador e de seu antecessor, José Serra. Marzeni Pereira da Silva, sindicalista

Pelo jeito, nem o possível agravamento da crise nos próximos meses vai mudar isso.



No Viomundo
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Governo estuda cortar 10 dos 39 ministérios, diz Barbosa

De acordo com o ministro, objetivo da reforma administrativa é aumentar a produtividade no setor público

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, informou, em coletiva nesta segunda-feira (24), que o governo da presidenta Dilma Rousseff estuda cortar 10 dos 39 ministérios atuais.

Além disso, ele anunciou que o Executivo também pretende fazer uma “racionalização da máquina pública”, que englobaria redução de secretarias e até mesmo a integração de órgãos públicos.

“Essa reforma administrativa, em linhas gerais, seguirá cinco diretrizes: a primeira é uma redução no número de ministérios. Uma redução de dez ministérios de referência. Estamos trabalhando com a meta de reduzir o número de ministérios em dez”, disse o ministro, após reunião de coordenação política com a presidenta Dilma Rousseff.

“O objetivo da reforma administrativa é o aumento da produtividade no setor público”, afirmou Nelson Barbosa.

No Agência PT de Notícias
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Projeto de lei de Cunha isenta de imposto as doações às igrejas

Evangélicos propõe mais um benefício para as igrejas
O projeto de lei 3543 do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se aprovado pelo plenário da Câmara, isentará de Imposto de Renda as doações em dinheiro até certo limite às igrejas.

Proposta em 2008, a concessão do benefício se encontra no momento na Comissão de Finanças e Tributação.

O relator do projeto é o deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG), que é evangélico como Cunha.

Quintão é réu na ação civil 5034047-88.2009.8.13.0024, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Ele foi acusado pelo Ministério Público Estadual de improbidade administrativa.

A tramitação do projeto de lei se acelerou com a eleição de Cunha para a presidência da Câmara. Mas agora, com a denúncia da Procuradoria Geral envolvendo o deputado no sistema de propina do caso Lava Jato, o projeto terá menos adesões para chegar ao plenário, ainda que Cunha continue com o apoio da bancada evangélica.

Caso venha a ser aprovada, contrariando as expectativas, a isenção de IR se tornaria em um mecanismo de lavagem de dinheiro de supostos doadores às igrejas, em conluio com pastores.

Mesmo sem a isenção, Cunha já teria usado a Assembleia de Deus para recebimento de propina do petrolão.

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A mudança do eixo do poder, por André Araújo


Pela primeira vez na República, o eixo determinante do Poder, aquele que rege o Estado, sai do Executivo-Legislativo e passa para o aparelho Judiciário, aí incluída a Polícia Federal, hoje parte desse aparelho e a ele completamente agregado.

A mudança foi pouco percebida pela classe política, entretida em suas brigas internas de baixa altitude.

Quem manda é quem pode prender qualquer membro dos poderes Executivo e Legislativo a qualquer momento, através de narrativas arbitradas pelo aparelho Judiciário, sem contraste e sem possibilidade de defesa prévia para evitar a prisão, a devassa, o bloqueio de bens, a humilhação, o escracho, a liquidação de empresas tradicionais.

Quem pode prender pode ameaçar de prender e essa ameaça é o Poder de Fato.

Qualquer político hoje pode ser preso a qualquer momento pelo aparelho Judiciário conhecido como "força-tarefa", que inclui, na prática, não só o juiz federal de Curitiba mas também os Tribunais Superiores que lhe dão aval.

No desenho do Estado Democrático que vem dos clássicos penadores e operadores Charles Louis de Secondat (barão de Montesquieu), Alexis de Tocqueville, Thomas Jefferson e Alexander Hamilton, esse tipo de Estado que se contrapõe ao Estado Autoritário exige o mecanismo conhecido como CHECKS AND BALANCES, que seria CONTROLES E CONTRAPONTOS — cada Poder deve ser controlado pelos outros dois, de modo a um fiscalizar o outro.

No momento atual, o governo da força tarefa não se submete ao controle dos outros dois Poderes, é absolutamente autônomo em relação a eles, é o verdadeiro PODER de fato e o Estado deixa de ser democrático para ser autoritário.

O Poder Executivo e o Poder Legislativo são hoje MENORES E MAIS FRACOS que o governo da força tarefa que é que dá a agenda da vida política do País. Todos estão na dependência do que é resolvido em Curitiba, nova capital política do Brasil. O domínio do poder não se dá pela lei, mas pela INTERPRETAÇÃO DA LEI.

A garantia tradicional do DIREITO POSITIVO que é o conjunto de regras escritas que fundamenta o espírito do Estado de Direito no modelo brasileiro herdado dos princípios do Direito Romano transformado pelo Direito Civil francês foi substituído, pela falta de atenção dos outros poderes, por princípios completamente alheios ao direito positivo que é a base do arcabouço do Estado Democrático brasileiro por  REGRAS IMPORTADAS de outro sistema de direito, o anglo-americano e essas Regras são IMPLANTES não assimiláveis pelo corpo legal legitimador do Estado Democrático brasileiro.

Regras como DOMÍNIO DO FATO e DELAÇÃO PREMIADA são do direito anglo-americano MAS lá são aplicadas com muito maior prudência que no Brasil, a delação não se faz com réu preso e nem se vaza imediatamente o teor das delações, por exemplo. Importamos sem critério e sem cuidados, importamos como PEÇA PIRATA para encaixar no mecanismo original de um sistema jurídico sólido e consolidadado, hoje estraçalhado por vírus invasores.

A culpa se deve a incultura, à ignorância, à falta de bons filtros que examinem essas importações exóticas antes que virem leis e jurisprudência. Agora é um pouco tarde e só um novo regime autoritário pode expurgar esses princípios estranhos que aboliram as garantias constitucionais, base do Estado Democrático de Direito.

O PODER DE FATO hoje não tem "controles e contrapontos". Os Poderes Executivos e Legislativo não podem indagar por exemplo como se estabelecem métodos e critérios de concursos para juízes e procuradores, quais os mecanismos de promoção na carreira. No entanto o Poder Judiciário pode indagar, investigar e mudar regras dentro dos Legislativos e do Executivo, punir seus membros, mudar procedimentos, dizer o que pode e o que não pode nos outros Poderes.

André Araújo
No GGN
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As intrigas contra Michel Temer


Recém-eleita presidente da República, Dilma Rousseff recolheu-se à sua dieta e às conversas com Aloizio Mercadante, visando eleger a nova presidência da Câmara Federal. Políticos mais experiente alertavam que não havia possibilidade de vencer a disputa. O governo jogou todo seu peso.... e flutuou.

A tentativa frustrada arrebentou a aliança parlamentar que, até então, garantira a governabilidade, deixando-o praticamente de joelhos ante o furacão Eduardo Cunha.

A análise de cenário indicava que a Lava Jato chegaria até Eduardo Cunha. Mercadante apostou tudo nessa possibilidade, sem avaliar quando tempo levaria para isso ocorrer.

Cunha seria eleito de qualquer maneira. Compondo com ele o estrago teria sido menor do que o terremoto representado por sua vitória.

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Aos trancos e barrancos, tentou-se rearticular a base.

Conselheiros próximos a Dilma convenceram-na a abrir espaço para o vice-presidente Michel Temer e nomear o gaúcho Eliseu Padilha para os Transportes.

Trata-se daquelas raposas velhas e sábias que ajudam a acomodar a base, seja qual for o governo, FHC, Lula ou Dilma.

No primeiro encontro com Dilma, Mercadante conduziu Padilha até a porta do gabinete e marcou território avisando: você tem meia hora. A conversa acabou durando quatro horas, provavelmente intercalada com recordações do Rio Grande do Sul.

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Mais.

Em sua primeira aparição pública como Ministro do Planejamento, Nelson Barbosa falou em alterar as regras de reajuste do salário mínimo.

Foi uma afirmação perdida entre outras, provavelmente passaria despercebida, não fosse a circunstância de Dilma ter exigido uma retratação, por influência de Mercadante.

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Mercadante tem inúmeras virtudes.

Mas tem três problemas típicos de acadêmicos paulistas, presentes também em Fernando Henrique Cardoso e José Serra.

O primeiro, uma arrogância ostensiva, um sentimento de superioridade que dificulta o relacionamento com mortais comuns, especialmente do meio político.

O segundo, as táticas de intrigas, próprias dos Palácios e da academia.

O terceiro, uma enorme dificuldade em avaliar a conjuntura e a correlação de forças. O sentimento de superioridade acaba levando-o sempre a superestimar a própria força.

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É por aí que se cria uma nova nuvem nublando o horizonte.

As últimas informações sobre os conflitos com o vice-presidente Michel Temer não são animadoras.

Temer é um político experiente, responsável, que, em função de sua senioridade, tornou-se uma espécie de avalista da governabilidade. Jamais avançou além das suas atribuições e só se colocou em campo depois de convocado.

Em pouco tempo, a poeira política começou a baixar. Mesmo enfraquecido no PMDB, em relação a Eduardo Campos, devido ao fato de Dilma tê-lo relegado a segundo plano, Temer conseguiu aos poucos recuperar terreno.

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Agora, volta-se ao velho erro de avaliação de cenário, julgando que o indiciamento de Eduardo Cunha resolverá todos os problemas do governo e começando um jogo de desgaste com Temer.

O mote da última intriga foi atribuir a ele ambições de voos autônomos, por sua afirmação de que há necessidade de se unir o país para superar a crise.

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Esse jogo inconsequente poderá jogar pela janela a última âncora de governabilidade do governo Dilma.

Luís Nassif
No GGN
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Os três patéticos

Aécio Neves, Gilmar Mendes e Eduardo Cunha atuam como protagonistas de uma causa falida. Mesmo assim, não perdem uma oportunidade de expor em público sua estreiteza de horizontes. São golpistas declarados. Não importa a lógica, a política, a dialética ou mesmo o senso comum. Suas biografias, já não propriamente admiráveis, dissolvem-se a jato a cada movimento realizado para derrubar um governo eleito.

Presidente do PSDB, o senador mineiro-carioca pouco se incomoda com o ridículo de suas atitudes. Aécio sempre defendeu um programa de arrocho contra os pobres. Gabou-se da coragem de adotar medidas impopulares para "consertar o Brasil".

Agora sobe em trios elétricos como porta-voz do povo. Critica medidas de ajuste, jura pensar no Brasil e usa qualquer artimanha com uma única finalidade: isolar a presidente. Convoca sabujos para atacar um jornalista que revelou o escândalo do aeroporto construído para atender a ele e à própria família. Maiores informações aqui.

Seu ajudante de ordens, ou vice-versa, é o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Sintoma da fragilidade do equilíbrio de poderes vigente no Brasil, Mendes emite toda sorte de opiniões fora de autos. Muda de ideia conforme as conveniências. De tão tendencioso e parcial, seu comportamento público seria suficiente para impugná-lo como síndico de prédio. Na democracia à brasileira, pontifica como jurista na mais alta corte do país. Quem quiser que leve a sério.

Mendes endossou as contas da campanha da presidente eleita alguns meses atrás. Coisas do passado. Esqueçam o que ele votou. De repente, detectou problemas insanáveis na mesma contabilidade e ruge ameaçadoramente contra o que ele mesmo aprovou. No meio tempo, acusa o Planalto de comandar um sindicato de ladrões financiado por empreiteiras envolvidas na roubalheira da Petrobras.

Bem, mas as mesmas empresas financiaram a campanha dos outros partidos. O que fazer? Vale lembrar: Mendes até hoje trava o julgamento favorável à proibição do financiamento empresarial de campanhas políticas. Seu pedido de vistas escancara um escândalo jurídico, legal e moral que o STF finge não existir. Ora, isso não vem ao caso, socorreria o juiz paladino Sergio Moro.

E aí aparece Eduardo Cunha, o peemedebista dirigente da Câmara. Terceiro na linha de sucessão presidencial, Cunha encenava comandar um exército invencível. Primeiro humilhou o Planalto na eleição para o comando da Casa. Depois, passou a manobrar o regimento para aprovar o que interessa a aliados nem sempre expostos. Tentou ainda se credenciar como alternativa golpista. Curto circuito total. Pego numa mentira de pelo menos 5 milhões de dólares, a acreditar no procurador geral, Cunha atualmente circula como um zumbi rogando piedade de parlamentares muito mais interessados em salvar a própria pele.

Cambaleante, o trio parece ter recebido a pá de cal com os pronunciamentos dos verdadeiros comandantes da nossa democracia. O mais recente veio do chefe do maior banco privado do país, Roberto Setúbal. Presidente do Itaú Unibanco, Setúbal afirmou com todas as letras não haver motivos para tirar Dilma do cargo. Tipo ruim com ela, pior sem ela — que o digam os lucros pornográficos auferidos pela turma financeira.

Sem a banca por trás, abandonada pelo pessoal do dinheiro grosso e encrencada em acusações lançadas contra os adversários, à troupe do impeachment não resta muito mais que baixar o pano.

Ricardo Melo
No fAlha
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