21 de ago de 2015

Cunha cai ou não da presidência da Câmara?


As denúncias contra Eduardo Cunha (PMDB -RJ) chegaram ao Supremo Tribunal Federal. A situação do parlamentar é delicada. Ele é acusado de lavar dinheiro de uma igreja. Ouça o comentário do blogue na BR Mais News, que disponibiliza conteúdo em áudio para emissoras de rádio de todo o Brasil, tanto comerciais quanto comunitárias e digitais. Todo o conteúdo é disponibilizado de forma gratuita e as rádios só precisam fazer um cadastro para baixar o áudio.

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Juiz cita Míriam Leitão e William Waack para decidir contra Lula no caso Gentili


O juiz Carlos Eduardo Lora Franco, da 3ª Vara Criminal Central, rejeitou liminarmente representação judicial com pedido de explicações impetrada pelo Instituto Lula contra Danilo Gentili.

Gentili, no Twitter, acusou Lula de haver forjado o atentado contra o instituto.

O juiz, na setença, afirmou que se tratava de piada.

Cabe recurso da decisão.

Você pode ler, abaixo, um trecho da sentença:

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No DCM
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A vida sexual de Dilma e a saúde mental da Época

Quem disse que uma mulher precisa de homem para ser feliz?
Como se uma Veja não fosse suficiente para destruir qualquer crença em jornalismo decente, temos agora duas Vejas.

A revista Época, da Globo, tornou-se um espelho da Veja.

Os sinais da vejização apareceram quando a Época publicou na capa, no início do segundo turno, uma pesquisa de um certo Instituto Paraná que dava Aécio virtualmente eleito.

Era um disparate, coisa de amadores malintencionados. Sequer a TV Globo respeitou a pesquisa.

Depois, veio a promoção de um Veja-boy à chefia de redação, Diego Escosteguy, conhecido como o Kim Kataguiri das semanais.

Formado pela tenebrosa escola da Veja — que combina canalhice, desonestidade e miopia editorial —, Escosteguy completou o salto no abismo da revista.

Até receber um calaboca dos Marinhos, Escosteguy todos os dias vinha no Twitter com revelações “espetaculares” que acabariam com o mundo tal como o conhecemos.

No futuro, os estudiosos do jornalismo creditarão a ele a devastadora banalização das palavras “furo” e “bomba”.

Mas nada do que a Época fez nesse processo de emulação da Veja se compara a um texto em que a revista oferece conselhos sexuais não solicitados a Dilma.

Essencialmente, o que a revista disse é que Dilma seria mais feliz com mais sexo.

O tema é uma cretinice em si. Alguém tem informações sobre a vida íntima de Dilma? Ou sobre a vida sexual de Roberto Irineu Marinho? RIM é feliz na cama?

Há uma questão imposta pela natureza no assunto.

Existe um tempo em que sexo é uma das preocupações vitais de homens e mulheres, e disso resulta a perpetuação da raça.

E existe também um tempo em que o sexo deixa de ser prioridade.

Um homem ou uma mulher que passe a vida toda se comportando sexualmente como se tivesse 18 anos é um caso para a psiquiatria.

Sabe aquele velho que pinta o cabelo, branqueia os dentes, coloca jeans e fala a gíria dos adolescentes?

Mais que tudo, quem decretou que uma mulher precisa de um homem para ser feliz?

Isso não é apenas machismo. É tolo.

Você precisa apenas de você mesmo para ser feliz. Não depende de mais ninguém. Isso vale para as mulheres e para os homens.

Hoje, ontem, sempre. É o beabá da sabedoria, como fartamente mostraram filósofos orientais e ocidentais.

É só em novelas da Globo que as pessoas anseiam desesperadamente por relacionamentos de contos de fadas.

Mas estamos falando, no caso, de vida real.

A Época, ao se aproximar da Veja graças à contribuição milionária de Escosteguy, enfrentou o mesmo processo da antiga rival de destruição da cultura editorial.

E é dentro de um ambiente de ruínas jornalísticas que surgem artigos como este sobre a vida íntima de Dilma.

Se Dilma tem ou não problemas sexuais, não sabemos. O que ficou claro é que a Época enfrenta sérios problemas mentais.

Paulo Nogueira
No DCM
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Tragicomédia

Ódio de classe nas marchas e as contribuições de Fernando Henrique ao besteirol nacional

O pessoal está movido a ódio de classe, com particularidades
tropicais. A vocação festeira e o impulso ficcional da
fantasia estimulado pela estiagem.
André Tambucci
Que sobra das manifestações de domingo 16 de agosto? Ódio de classe. Inextinguível, inesgotável, inexorável ódio de classe. Insuportável para qualquer democrata autêntico. Não figuram na categoria, obviamente, os barões midiáticos e os seus sabujos. Tampouco, Aécio Neves e o tucanato em geral, encabeçado por Fernando Henrique Cardoso. Diriam dele as vovós de antanho: está gagá.

Ao contrário do que divulgaram os jornalões de segunda 17, as manifestações não foram o sucesso esperado pelos organizadores. Reunir 800 mil brasileiros em 169 municípios de um país de 200 milhões de habitantes não impressiona, apesar das reações entre eufóricas e triunfantes da mídia e da oposição. A última versão dessas novas marchas da Família, com Deus e pela Liberdade levou às ruas, meses atrás, o dobro de participantes. Nem esta comoveu.

Uma pesquisa do Datafolha nos diz quem compareceu: mais homens que mulheres, bem mais brancos que pretos ou pardos, a maioria passou dos 51 anos de idade e mais de 70% votaram em Aécio Neves. Como as marchas do golpe de 64, manifestações burguesas e burguesotas, como de resto prova o grau elevado de escolaridade dos marchadores, a denunciar ao mesmo tempo o baixo nível das nossas escolas.

Sim, o pessoal está movido a ódio de classe, com particularidades tropicais. A vocação festeira e o impulso ficcional da fantasia estimulado pela estiagem. Não ganham a praça para clamar contra Dilma, Lula e o PT, e sim contra o que supõem ser a presidenta, o ex-presidente e seu partido. Figuras romanescas que em outros tempos chamariam de comunistas, representantes de uma esquerda metida a redentora do povão enquanto chafurda na corrupção. Algo assim como um Robinson Crusoe que caiu na gandaia.

CartaCapital há mais de uma década lamenta que o PT tenha se portado no poder como todos os demais partidos. No caso de Dilma Rousseff, enxerga uma presidenta que descumpriu as promessas da campanha, inapetente no jogo político, proba, porém, acima de qualquer suspeita. Quanto a Lula, é o presidente mais amado do Brasil pós-ditadura a despeito do chamado “mensalão”, seu governo foi o primeiro a implementar uma política social, modesta, e uma política internacional independente, primorosa.

Vale acentuar também que, no hediondo capítulo dos escândalos, o PT no governo é bem menos vistoso do que o PSDB. À sombra de dois mandatos de FHC, o tucanato esbaldou-se diante do olhar conivente e protetor da mídia nativa. Nuvens imaculadas singraram os céus e o PSDB, capaz de escândalos monumentais, se assumia como partido da reação e seu presidente mergulhava nos braços de Clinton.

Nestes dias FHC se apressa a uma contribuição póstuma, digamos assim, ao saudoso Febeapá de Stanislaw Ponte Preta, uma das figuras do passado que faz tanta falta ao Brasil de hoje, parvo quando não vulgar, incapaz de graça, menos ainda de relâmpagos de humor como já se deu nos tempos idos e sepultados. Se bem entendi, do alto da sua comprovada vocação de contorcionista do retoque constitucional. FHC propõe agora mais uma reforma, pela qual o presidente, embora eleito conforme a lei, teria de renunciar tão logo as pesquisas indicassem desfavor popular.

Conclusão: Dilma Rousseff teria de entregar-se passivamente a um “gesto de grandeza” e renunciar à vista das pesquisas negativas, a tornarem seu governo “ilegítimo”. Deixo a Marcos Coimbra a tarefa de confrontar FHC presidente com a atual presidenta. Registro apenas que o PSDB adere de pronto ao pensamento do seu príncipe para justificar o abandono da ideia do impeachment impossível.

Realista, pelo contrário, a análise do ex-ministro das Comunicações de FHC, Luiz Carlos Mendonça de Barros, grande personagem da maior bandalheira/roubalheira da história do Brasil, as privatizações tucanas, quando chamava o então presidente de “bomba atômica” ao lhe atribuir poderes nucleares. Diz ele, talvez inspirado por sua condição recente de empresário, além de investidor, que a solução conveniente está hoje no “acordão”, que prefiro chamar, mais propriamente, de conciliação das elites. A qual está em gestação, nas barbas de tucanagens, marchas e panelaços.

Os jornalões divulgam o besteirol tucano em uníssono e em manchetes, enquanto o governo acuado exibe sua incapacidade de reação à altura, que se recomendaria enérgica, com o exato tempero da ironia. Como se vê, a crise não é somente econômica, política e social, é também cultural.

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Jango, o governador socialista e o general afrontado

Governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg (PSB), a maquete do memorial e o ex-presidente João Goulart
A segunda cassação de Jango

O índice de boçalidade nacional cresceu assustadoramente na quarta-feira, 19, com a surpreendente decisão do governador socialista de Brasília, Rodrigo Rollemberg, declarando nula a cessão de um terreno no Eixo Monumental para a construção do Memorial da Liberdade e Democracia, dedicado ao presidente João Goulart.

É o último projeto desenhado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e parecia caminhar bem, até trombar numa aliança hostil formada pelos ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda e pelo empreiteiro Paulo Octávio Pereira.

Rollemberg atropelou um abaixo-assinado de 45 senadores que corre pelo Senado Federal contra a ‘segunda cassação’ de João Goulart.

A paranoia sobrevive

O governador de Brasília espana a responsabilidade com argumentos técnicos e difusos do Ministério Público, mas existem pressões militares que ele não tem coragem de revelar e que mostram a persistência da paranoia anticomunista.

Dias atrás, a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM) teve a prova disso pela boca da maior autoridade militar do País: o general Eduardo Dias da Costa Villas Boas, comandante do Exército.

— Este memorial não pode ser construído ao lado do Quartel-General. Isso é uma afronta ao Exército! — bufou o general, ao visitar com a senadora o terreno no Eixo Monumental reservado para o memorial, num espaço entre a Praça do Cruzeiro e o Memorial JK.

A seta do susto

O terreno fica a um quilômetro de distância, em linha reta, do QG do Exército onde trabalha o comandante Villas Boas e sua assustada tropa de generais.

No final de 2014, pouco antes de deixar o Ministério da Defesa, na transição entre o primeiro e o segundo mandato de Dilma Rousseff, o então ministro Celso Amorim explicou ao perplexo filho de Jango, João Vicente Goulart, a razão da bronca militar contra o memorial:

— Esta seta já provocou alguns problemas. Ela está apontada para o QG e seria melhor colocar do outro lado da avenida — apontou o ministro Amorim.

A infiltração de Niemeyer

A seta que incomoda os generais é uma cunha vermelha, com a ostensiva inscrição do ano de 1964, encravada na cúpula branca da construção ondulada de 1.200 metros quadrados.

A paranoia dos militares, apesar da queda da ditadura há 30 anos, vai além do Memorial JK.

No passado, eles encrencaram com outros dois projetos ‘subversivos’ de Niemeyer, um comunista assumido: a torre de controle do aeroporto internacional Juscelino Kubitschek e o pórtico do Memorial JK, ambos na capital federal.

Para os generais, antes e agora, tudo aquilo não passa e clara alusão à foice e ao martelo, símbolos do comunismo internacional que Niemeyer implantou no horizonte de Brasília. Um horror!

Luiz Cláudio Cunha
No Viomundo
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O dia em que Jesus encontrou Eduardo Cunha

Ele
E então Eduardo Cunha foi carregado pelo Espírito Santo para uma reunião com Jesus.

Cunha sentou-se e disse: “Se és o Filho de Deus, libera a minha, por favor”.

Jesus respondeu: “Relaxa, Eduardo. Posso te chamar de Eduardo, certo?”

Cunha: “Prefiro Vossa Excelência, mas para o Senhor abro uma exceção. E aí, tem jeito?”

Jesus disse: “Acho que não vai dar. Escuta. Você vai devolver o dinheiro lavado na Assembleia de Deus.”

Eduardo Cunha se empertigou: “Não há uma única prova contra mim. Nada vai mudar meu comportamento e a forma como estou atuando.”

Jesus redarguiu: “Não ponha à prova o Senhor, seu Deus. Estamos só nós dois aqui… Quero também que você pare de usar meu nome para registrar domínios na internet. Pega mal pra mim.”

“Não estou entendendo…”, devolveu Eduardo, fingindo surpresa.

“Você comprou os endereços ‘jesusfacebook.com.br, ‘facebookjesus.com.br’, ‘facejesusbook.com.br’, ’portaljesusfacebook.com.br’ e mais 150 variações. Pode fechar tudo”, mandou.

“Posso ficar com o ‘jesustube.net.br’…?”, quis saber Cunha.

“Não”.

Eduardo apontou para um mapa do Brasil: “Tudo isto te darei se me deres aquela forcinha”.

Jesus disse-lhe: “Deixa disso, fera. Está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor’. Ralei muito para você jogar meu trabalho no lixo. Toma jeito e vaza”.

“Renúncia não faz parte do meu vocabulário. Estou absolutamente tranquilo e sereno”, retorquiu o Cunha, a testa suada, acendendo um cigarro. “O Senhor quer fumar?”

“Opa”, falou Jesus, alcançando o maço de Marlboro Light.

“Vem cá: e se eu te der 10%…?”, sussurrou o Cunha.

“Assim não é possível. Retire-se já”, falou o Cristo.

Então o Cunha o deixou, e anjos vieram e o serviram.

Um deles perguntou se o chefe aceitava um café. “Sim, do jeito que eu gosto, três gotas de adoçante. Ah, e me chama aquele outro rapaz, o… como é mesmo?… Malafaia, faz favor”.

Kiko Nogueira
No DCM
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Dilma entrega primeira estação de bombeamento do Eixo Norte da Integração do São Francisco

A presidenta Dilma Rousseff entregou nesta sexta-feira (21) a primeira Estação de Bombeamento (EBI-1) do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). A estrutura levará a água por 45,9 quilômetros até o reservatório de Terra Nova, localizado em Cabrobó (PE). Com isso, o PISF chega a 77,8% das obras concluídas. O investimento nesse trecho é de R$ 625 milhões.

O Projeto de Integração do Rio São Francisco vai garantir segurança hídrica de 12 milhões de pessoas em 390
municípios. O empreendimento gerou 9.980 empregos.
Foto: Guilherme Rosa/Blog do Planalto

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Supremo pode afastar Cunha da presidência da Câmara por força da Constituição

"Num país decente, um presidente denunciado não fica no cargo nem 24 horas", diz Luiz Flávio Gomes. Para o jurista, Cunha não pode ocupar o terceiro lugar na linha de sucessão do Executivo Federal se virar réu no STF


A denúncia da Procuradoria Geral da República contra Eduardo Cunha (PMDB), no âmbito da Operação Lava Jato, chegou ao Supremo Tribunal Federal na tarde desta quinta-feira (20). A notícia de que o presidente da Câmara — o terceiro na linha de sucessão da presidência da República — pode ser réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro já motivou pedidos de afastamento do peemedebista do cargo que ocupa na Mesa Diretora.

O jurista Luiz Flávio Gomes, em entrevista ao GGN, levantou a tese de que Cunha, uma vez denunciado, não pode permanecer na presidência da Câmara. Ele explicou que o parlamentar, justamente por ocupar um posto com a prerrogativa de assumir o lugar de Dilma Rousseff (PT) a qualquer minuto, não pode ser réu no Supremo. "Num país decente, um presidente denunciado não fica no cargo nem 24 horas. O Brasil não suporta isso", disparou.

Para Gomes, são dois os principais caminhos para que Cunha seja afastado da presidência da Câmara.

O primeiro tem "raciocínio simples" e invoca o artigo 86 da Constituição: se o presidente da República, quando recebe denúncia e vira réu em uma investigação, precisa ser afastado de suas funções, todos aqueles que estão na linha sucessória (vice-presidente e presidentes da Câmara, Senado e Supremo) também estão sujeitos a passar pelo mesmo processo.

Segundo Gomes, o afastamento por este caminho é discutido com independência pelo STF. "É ato do plenário do Supremo, sem necessidade de provocação do procurador-geral, discutir o afastamento por força da Constituição. É como se a presidente estivesse sendo processada."

Quem pauta essa questão é o ministro relator do caso, que será sorteado assim que a denúncia de Janot chegar ao Supremo. “Um dos 11 [magistrados] tem que ser o relator. Ele vai analisar o caso e levar ao plenário. A denúncia tem que ser aceita por voto majoritário (mais de seis). Cunha terá espaço para defesa. Se processado, ele pode ser alvo de um pedido de afastamento da presidência da Câmara, que será pautado pelo relator. O deputado não perde o mandato por isso. E para ser afastado, também tem que perder com voto da maioria no plenário. Mas uma vez pautado, Cunha só terá direito à manifestação. Não tem como recorrer para frear o processo.”

Se afastado pelo Supremo, Cunha terá de ser julgado dentro de 180 dias, o mesmo prazo aplicado em caso de processo contra a presidente da República. Se não houver decisão nesse intervalo de tempo, Cunha retorna ao comando da Câmara.

Gomes disse que há ainda uma série de fatores que podem favorecer Cunha durante a tramitação do processo. Primeiro, tudo depende de quem vai ser o relator do caso. O ministro sorteado pode entender que não é necessário pedir o afastamento se o peemedebista virar réu. “Se ninguém pautar isso, Cunha continuará no cargo e nós veremos o resultado disso tudo, pois hoje ele é um incendiário. Se puder, vai botar fogo no País por causa das denúncias", poderou o jurista. Em segundo lugar, ainda é possível que um ministro peça vistas do processo, sem perspectiva de devolução. E aí, se ultrapassados os 180 dias, Cunha retorna ao posto que ocupa hoje.

O uso do Código Penal contra Cunha

O segundo caminho para afastar Cunha da presidência é usar o Código de Processo Penal no sentido de sustentar que ele pode fazer uso do cargo para atrapalhar as investigações da Lava Jato. “Como não se pode prender parlamentar, o certo é aplicar medidas preventivas, como seria o afastamento da presidência. Se o Supremo colocou nove executivos da Lava Jato em prisão domiciliar mas proibiu qualquer atividade nas empresas investigadas, ora, por que o mesmo não seria feito feito com Cunha em um cargo público de extrema relevância?", questionou Gomes.

Nesse caso, quem tem que pautar o Supremo é Janot. "Medidas cautelares são pedidos feitos pelo Ministério Público”, por isso cabe ao PGR fazer a provocação e ao plenário do STF, julgar se procede. Janot, no entanto, ainda não fez a solicitação. Pelo menos não na denúncia que encaminhou à Suprema Corte nesta quinta.

A via pela Câmara

A terceira hipótese seria que a Comissão de Ética da Câmara discutisse o afastamento de Cunha. Mas como isso depende da boa vontade dos deputados que compõem a Mesa Diretora, presidida pelo próprio Cunha, as chances de acontecer são mínimas. Logo, Gomes não aposta nessa via, e muito menos na hipótese de Cunha renunciar.

Para Gomes, o futuro de Cunha está nas mãos do Supremo. Mas o processo na mais alta corte do País será demorado. “A defesa pode se alongar. Em menos de um mês, não creio que um pedido de afastamento esteja maduro para entrar na pauta do Supremo", comentou. "Mas Cunha deveria ser afastado, se denunciado, por estar na linha sucessória. Tudo depende do clima nacional. Vamos ver se ele se sustenta”, concluiu.


Cíntia Alves
No GGN
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Cunha na Forca sindical

Paulinho da Força para Cunha: “Você é a pessoa mais correta que eu já encontrei na vida”




Um dia depois da denúncia por corrupção e lavagem de dinheiro, Eduardo Cunha foi recebido com glórias num evento de sindicalistas organizado por Paulinho da Força.

Paulinho, mais uma vez, deu demonstrações tocantes de amizade desinteressada. Algumas de suas frases:
  •  “Cunha guerreiro do povo brasileiro” — esta, entoada com a plateia.
  •  “Você é a pessoa mais correta que eu já encontrei na vida”
  •  "Você é um herói”
  • “Você tem coragem de enfrentar os poderosos”
  • “Cunha é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”

No DCM
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O Brasil não é para amadores




Durante sua palestra sobre impunidade no Brasil, um médico recebeu voz de prisão por assassinato!

O Brasil não é mesmo para amadores.

PS: Ontem, no Ceará, Bolsonaro ministrou uma palestra — tomem fôlego! — sobre ética

Jornalismo Wando
No Esquerda Caviar
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Uma aula de Jornalismo


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Eduardo Cunha pode ser pego pelo dízimo


A denúncia do Procurador Geral da República Rodrigo Janot contra o presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha inaugura um novo tempo no jogo político.

Durante o dia, segundo os jornais, Cunha foi se aconselhar com os aliados. E aí se revela a hipocrisia do jogo político.

Agripino Maia, senador pelo Rio Grande do Norte, e da frente ampla pelo impeachment de Dilma Rousseff, defendeu a permanência de Cunha no cargo. Mendonça Filho, líder do DEM na Câmara — e um dos articuladores da eleição de Cunha para a presidência da casa — declarou judiciosamente que “ninguém pode ser condenado antecipadamente, nem blindado” (http://migre.me/rfvYj).

Durante o dia, Mendonça e o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio, foram procurados por Cunha atrás de conselhos (http://migre.me/rfwd1).

* * *

Em 85 páginas a denúncia se assemelha a uma reportagem bem elaborada, sem o linguajar opressivo dos advogados.

Relata cada etapa do jogo mantido com a Diretoria Internacional da Petrobras para o aluguel de navios-sonda, preenche a delação com detalhes dos lugares onde teriam ocorrido reuniões, os arquivos da Câmara comprovando as pressões de Cunha contra a Mitsubishi, para a regularização das propinas.

É um excelente roteiro sobre os métodos modernos de investigação. Através da análise do sinal de rádio do celular de um dos suspeitos, consegue-se determinar sua localização justamente no prédio que o delator apontara como local da reunião para tratar das propinas.

* * *

De um lado, mostra a incrível facilidade com que, na Petrobras, se aprovavam contratos de mais de US$ 1 bilhão sem maiores precauções. Ninguém conseguiria agir livremente, à salvo dos controles internos da companhia, sem um padrinho político forte e pactos políticos que garantiam liberdade de atuação.

* * *

O dado relevante é a exposição dos métodos de chantagem a que Cunha recorria, valendo-se das prerrogativas dos órgãos de controle, dentre os quais o Congresso é um deles. Bastava um requerimento ao TCU (Tribunal de Contas da União) para implantar o terror ao chantageado.

Nesses tempos de CPIs alucinadas, é importante um acompanhamento pormenorizado dos trabalhos. Muitas CPIs foram abertas com o intuito mascarado de chantagear empresas, como foi o caso da CPI da Serasa, mais de dez anos atrás.

Manter Eduardo Cunha à frente da Câmara, depois da exposição pública das suas jogadas, será a completa desmoralização da oposição.

O dado curioso é que Cunha poderá ser pego pelo dízimo. Parte das propinas foi em espécie. Outras, transferidas através das contas de Fernando Baiano. As que têm as digitais de Cunha são para a Igreja Evangélica de Madureira.

A visita de Merkel

Em curto espaço de tempo, governantes das três maiores economias do mundo aproximaram-se do Brasil. Primeiro, Barack Obama. Depois, o primeiro-ministro da  China, Li Keqiang, com uma comitiva de empresários. Agora, Ângela Merkel, a principal mandatária da União Europeia.

A razão é simples. A onda negativista que recobre o país, devido à crise política e econômica, não é suficiente para nublar seu futuro. O vice-ministro das Finanças Jens Spahn declarou-se impressionado com o PIL (Plano de Investimento em Logística).

Há alguns anos, os primeiros estudos abrangentes sobre a infraestrutura mostravam um espaço para investimentos anuais da ordem de R$ 100 bilhões, apenas para recuperar o passivo acumulado.

Luís Nassif
No GGN
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O que a igreja evangélica de Cunha fará com os “dízimos” que ele depositou?

Ele na Assembleia de Deus: 125 mil reais em “doações”, segundo a denúncia
Enfim o o procurador Rodrigo Janot denunciou Eduardo Cunha no STF pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Há um detalhe curioso para um devoto apaixonado do Altíssimo, como Cunha. A Assembleia de Deus teria intermediado o recebimento de pelo menos 500 mil reais em propina em 2012, segundo a PGR.

“Fernando Soares, por orientação do Deputado Federal Eduardo Cunha, indicou a Júlio Camargo que deveria realizar o pagamento desses valores à Igreja Evangélica Assembleia de Deus. Segundo Fernando Soares, pessoas dessa igreja iriam entrar em contato com o declarante”, afirma a denúncia.

A quantia foi repassada a uma filial em Campinas, interior de SP. O chefe, ali, é um pastor chamado Samuel Ferreira, que responde ao irmão, o presidente da Assembleia de Deus Madureira no Rio, Abner Ferreira.

Abner é próximo de Cunha. Foi lá, no bairro carioca, que Cunha comemorou a vitória como deputado, em fevereiro. Em sua campanha, recebeu o apoio maciço das maiores lideranças evangélicas, incluindo o picareta Silas Malafaia, que agora renega EC como Pedro a JC.

“O Satanás teve que recolher cada uma das ferramentas preparadas contra nós. Nosso irmão em Cristo é o terceiro homem mais importante da República”, disse um extático Abner Ferreira na Câmara.

Em maio de 2014, Abner participou de um certo Congresso dos Gideões Missionários da Última Hora (não é nome de uma banda de heavy metal), em Santa Catarina.

Ali, Abner pôs-se a criticar, veja só, os candidatos que, em anos de pleito, tentam comprar líderes religiosos. “Em alguns lugares que nós vamos por ai políticos falam na nossa cara: aquele pastor, daquele lugar lá, eu compro ele no cobre”, disse no púlpito.

“É isso que muitas autoridades precisam entender: a igreja não está à venda. O nosso ministério não está à venda”, discursou. “Aqui não se vende milagre, nem prodígio e nem maravilha. Homem de Deus não aceita dinheiro sujo”.

Continuou sua peroração: “Essa época eleitoral é uma das piores épocas para a igreja. O que tem de gente se prostituindo espiritualmente por aí é uma coisa de louco. É uma vergonha!”

Pois é. Como se trata de um servo do Senhor, Abner certamente está, neste momento, refletindo sobre a grana entregue pelo amigo Eduardo Cunha. Jesus o iluminará no sentido de dar, no mínimo, uma explicação. Seu rebanho merece conhecer a verdade. Abner, provavelmente, não sabia de nada.

Não que haja algo necessariamente errado na transação. De jeito nenhum. Sempre se pode contar com a possibilidade de que se tratava apenas do dízimo generoso do querido irmão Eduardo ou da vontade do Espírito Santo.

Kiko Nogueira
No DCM
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Nome de cristão conservador vaza de site de adultério

Duggar é
defensor da
família
Entre os milhares de nomes que vazaram do Ashley Madison, site de encontros extraconjugais, está o do americano Josh Duggar (foto), 27, cristão que defende na TV a família tradicional, opondo-se, portanto, ao aborto, divórcio e casamento gay. Ele é casado com Anna Keller, com quem tem quatro filhos.

No site, Duggar destaca suas preferência: "sexo convencional, experiência com brinquedos sexuais, aberto à experimentação, gentileza, bom com as mãos, massagem sensual, banho de espuma para dois, gosta de dar e receber sexo oral, alguém pode me ensinar, compartilhamento de fantasias e conversa sobre sexo".

O cristão tinha duas contas no Ashley Madison, pagando por elas US$ 986,76 desde fevereiro de 2013 até maio de 2015.

Já se sabia que Duggar é do tipo de moralista que não se comporta de acordo com sua pregação.

Em maio deste ano ele teve de sair do Conselho de Pesquisa da Família, uma entidade conservadora sem fins lucrativos, por ter sido acusado de molestar cinco garotas.

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Época tira texto do ar


Época tira do ar texto que diz que o principal recado dos manifestantes a Dilma é que ela “expresse uma sexualidade”
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A culpa, diz articulista da Época, é da Dilma, por não “acolher” os manifestantes…

Quem primeiro estranhou foi o Diário do Centro do Mundo:
Depois de publicar um texto em primeira pessoa de uma panela (não é piada), a Época inova mais uma vez e dá uma espécie de crônica explicando a crise: Dilma não faz sexo. Quando você se queixar da falta de inteligência, lembre-se da Época e de que a coisa sempre pode piorar.
O DCM fazia referência ao depoimento de uma panela — isso mesmo, de uma panela — a Flávia Tavares: “Alguns, mais exaltados e grosseiros, alternaram os tapas no meu traseiro com xingamentos sexistas contra a presidente. Não fiquei nada feliz apanhando de alguns machistas. Os tempos modernos não comportam esse tipo de postura. Até uma panela velha sabe disso”, declarou a panela depois de descrever seu papel nos protestos contra Dilma e Lula.

Aparentemente, a panela politicamente correta da Época não fez plantão nos últimos dias. Pois não é que a revista dos irmãos Marinho reincidiu na imbecilidade?

O texto, reproduzido abaixo, sugere que Dilma precisa “erotizar-se”, seja lá o que isso signifique.

Trecho:
A presidente da nação não entendeu o principal recado de boa parte dos manifestantes que foram às ruas no domingo, 16 de agosto: eles querem que ela expresse uma sexualidade, uma comunicação corporal que crie empatia, proponha, acrescente, acolha.
Fernando Brito, no Tijolaço, que noticiou a decisão da revista de tirar o texto do ar, escreveu:
Época, como sub-Veja que sempre foi, apenas colhe os frutos de uma mídia empresarial que perdeu todo o limite de civilidade e bota Jabores, Rodrigos, Reinaldos, Gentilis e outros a rosnar. E outros que, sibilantes, revestem a peçonha em termos e temas pretensamente “cults”. Tornamo-nos a república dos imbecis, dos ofensores, da xingação. Que época!

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Dilma e o sexo

Será que a presidente do Brasil precisaria erotizar seu eleitorado? Não estou falando de sexo, muito menos de decotes ou fendas

JOÃO LUIZ VIEIRA

20/08/2015 – 08h00 – Atualizado 20/08/2015 08h00

“Uma vez tomada a decisão de não dar ouvidos mesmo aos melhores contra-argumentos: sinal do caráter forte. Também uma ocasional vontade de ser estúpido”, Friedrich Nietzsche (1844-1900), filólogo, filósofo, crítico cultural, poeta e compositor alemão.

Dilma Rousseff precisa tomar a decisão de nos erotizar. Não só a mim, que abdiquei de minha intenção de voto na eleição passada, mas, principalmente, a quem se decepcionou com suas frases desconexas ou duras, seu destempero ou seu cinismo, sua mudez ou sua virulência verbal.

Dilma, se fosse seu amigo lhe diria: erotize-se.

Como já dizia Oscar Wilde (1854-1900), escritor, poeta e dramaturgo britânico, muito brilhantemente reproduzido com sua frase na série House of cards (Netflix), tudo tem a ver com sexo, menos sexo. Sexo tem a ver com poder. A presidente da nação não entendeu o principal recado de boa parte dos manifestantes que foram às ruas no domingo, 16 de agosto: eles querem que ela expresse uma sexualidade, uma comunicação corporal que crie empatia, proponha, acrescente, acolha.

Não o ato em si, evidentemente, nem se quer que ela use mais decotes ou fendas. Erotismo em sua essência psíquica. Sexo não é apenas o contato entre genitais. É o momento em que duas ou mais pessoas se encontram ou se fitam para dar prazer mútuo, e também se destruírem. Poder tem a ver com esse controle sobre o desejo erótico alheio.

Dilma, 67 anos, foi casada duas vezes (Cláudio Galeno Linhares, jornalista, e Carlos Franklin Paixão de Araújo, advogado), teve filha (Paula, 39) e neto (Gabriel, 4). Sexistas e misóginos têm produzidos uma série de adesivos que extinguem sua expressão feminina. A questão é se ela quer nutri-la no cargo mais alto do funcionalismo público, como a gerente mais ilustre de nossa vida cívica.

Não a conheço pessoalmente, nem sei de ninguém que a viu nua, mas é bem provável que sua sexualidade tenha sido subtraída há pelo menos uma década, como que provando exatamente o contrário: poder e sexo precisando se aniquilar.

Será que Dilma devaneia, sente falta de alguém para preencher a solidão que o poder provoca em noites insones? Será que ela não se ressente de um ser humano para declarar que quer mandar todo mundo para aquele lugar, afinal ela não tem como dizer isso para o neto, supostamente seu melhor amigo, que ainda nem sabe ler? Será que ela não sente falta de comer pipoca enquanto assiste suas séries de TV paga, que tanto ama e a faz relaxar das pressões inerentes ao cargo?

Marta Suplicy, 70, estudiosa dos assuntos da mente antes mesmo de ser petista, senadora e entrar no PMDB, é uma ex-colega de partido que mostra, em todas as suas escolhas, que entende bem sobre o que todos os estudiosos da sexualidade disseram desde antes de nascermos.

Marta, três maridos, três filhos, cinco netos, falava de clitóris e de orgasmo às dez da manhã no extinto TV Mulher dos longínquos anos 1980, época em que músicas eram censuradas por citar algum palavrão. Marta, aliás, quando ministra do turismo do governo Luis Inácio Lula da Silva, entre 2007 e 2008, até associou caos aéreo com preliminares. Lembra do “relaxa e goza”? Pois.

Dilma, não. Dilma é de uma geração de mulheres anti-Jane Fonda, que acreditam que a sexualidade termina antes mesmo dos 60 anos, depois de criados filhos e ter tido seus netos. A atriz norte-americana foi uma combatente política quando era antidemocrático falar mal dos Estados Unidos, nação que estava dizimando vietnamitas e ela, no auge da beleza e do erotismo explícito como a emblemática personagem Barbarella, posou numa trincheira.

Isso foi no fim dos anos 1960, quando Dilma começou a lutar por democracia nos nossos anos de ditadura (1964-1985). Jane hoje é uma contumaz usuária de testosterona para regular seus hormônios e manter sua sexualidade gritando aos 77 anos. A atriz, precursora da autoestima para uma geração de mulheres no mundo inteiro, chega ao terço final de sua via exalando erotismo.

Dilma, não. Dilma criou uma personagem para lidar com a rudeza de seu ofício: conjunto de blazer com mangas três quartos, todos com cortes idênticos, calça sempre em acordo com o tom da escolha para cobrir o tronco, e sapatos sempre baixos, sem cadarços, e jóias semi-invisíveis.

Dilma quer ser invisível, por isso se lacra. Dilma usa um uniforme que nubla sua sexualidade. Além disso, tornou-a uma mulher assexuada que, de antemão, avisa em mesas de reunião no Palácio do Planalto ou em plenário da ONU que o gênero nunca estará em questão no seu armamento discursivo. Seria menosprezar seus genes e sua inteligência.

Dilma erra. O erotismo é um princípio, um meio, um fim e, mesmo camuflados, estamos opinando do tom do cabelo à escolha do sapato. O Brasil, país mundialmente conhecido pela desmedida importância dada ao erotismo, quer menos preliminares e mais gozo. Ao contrário do conforto que colegas de poder e de geração como a alemã Angela Merkel, 61, e a chilena Michelle Bachelet, 63, que podem se vestir de samambaia que ninguém dá bola, já que estamos falando de duas nações onde o erotismo nunca serviu de carimbo.

Diz-se que as amazonas, filhas de Ares, deus da guerra, cortavam um dos seios para manusear o arco e flecha e lutar. Ou seja, o feminino guerreiro precisaria extirpar a própria feminilidade. Não deveria, mas muitas vezes a exclui, e exemplos temos aos montes. Fragilizar-se é compatível com o cargo que essas senhoras almejam? Talvez sim, talvez não.

Dilma, se fosse seu amigo lhe diria: erotize-se.

*João Luiz Vieira é editor de ÉPOCA, jornalista profissional há 26 anos, roteirista de TV, dramaturgo, autor dos livros Kama Sutra Brasileiro e Sexo Sem Tabu (Editora Planeta), coordenador do e-book Sexo com Todas as Letras (e-galaxia), sócio-proprietário do site Pau Pra Qualquer Obra, e pós-graduado em Educação Sexual. Para falar com ele: jluiz@edglobo.com.br.

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Janot pede 184 anos de prisão para Cunha


Na denúncia feita ao Supremo Tribunal Federal contra o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pede 184 anos de prisão ao parlamentar.

Para chegar ao cálculo, ele cita casos de corrupção em ao menos dois episódios e mais de 60 casos diferentes de lavagem de dinheiro. Levando em conta a soma mínima de cada um dos crimes, a conta chegaria a 184 anos. No entanto, na prática, ele ficaria 30 anos em regime fechado, o máximo permitido pela legislação

Rodrigo Janot aponta que o peemedebista recebeu vantagens indevidas para viabilizar a contratação do estaleiro Samsung pela Petrobras e pede 'restituição do produto e proveito dos crimes no valor de US$ 40 milhões e a reparação dos danos causados à Petrobras e à Administração Pública também no valor de US$ 40 milhões'.

De qualquer modo, a tendência do Supremo Tribunal Federal é de reconhecer cada crime em uma única vez para, depois, aumentar a pena em até dois terços e não somar todas as penas mínimas.

No 247
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A denúncia de Janot contra Cunha é detalhada, provada e devastadora


Acabo de ler as mais de 80 páginas do texto (aqui e aqui) com que o Procurador Geral da República pede que seja aceita a denúncia contra Eduardo Cunha — e também contra sua cúmplice Solange Almeida – por corrupção e lavagem de dinheiro, e que paguem nada menos que R$ 277 milhões de reais como devolução de dinheiro desviado e multa pelo crime.

É acachapante.

Descreve as reuniões entre o lobista Júlio Camargo, o operado de Cunha, Fernando Baiano, o ex-diretor internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró e, pelo menos uma vez, na presença de Eduardo Cunha, com descrição em detalhes (e registros) do automóvel em que foi conduzido ao encontro, onde colocou a faca no pescoço do pagador de comissões.

A denúncia prova, com fartura de dados, que os tais requerimentos assinados por Solange Almeida para pressionar Júlio Camargo foram escritos por Eduardo Cunha, em seu computador na Câmara, com o uso de sua senha privativa.

Mostra, uma a uma, as transferências que Julio Camargo fez a Fernando Baiano, para que fossem repassadas a Cunha.

E, como a cereja do bolo fétido, o depósito direto na conta da igreja evangélica a que Cunha se filiou, recentemente.

Embora a defesa de Cunha diga que a acusação é “facilmente derrubável” — interessante que não falou por ela o ex-procurador Antonio Fernando de Souza — por se basear apenas na palavra do delator, não é assim.

Além da materialidade do fato, há provas de autoria (os requerimentos achacadores), tipicidade da conduta criminosa, agravantes, dolo, percepção de vantagem e conexões evidentes.

Cunha, cuja carreira começou como operador do mercado financeiro (e, ironicamente, na firma de auditoria Arthur Andersen) sabe como fazer o despistamento dos vestígios do dinheiro.

Mas não sabe como fazer todos os crimes perfeitos.

Logo ele, que herdou dos tempos de cabo eleitoral de Fernando Collor o espírito do “bateu, levou”, está tomando fôlego para responder.

Resta saber se o tem, e que não se o subestime, porque sua carreira — leia o perfil que dele traça o repórter Chico Otávio — é pródiga em transformar desastres em bons negócios.

Agora, porém, parece ter ido além das próprias pernas.

Fernando Brito
No Tijolaço
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