18 de ago de 2015

A incrível resposta da Globo no caso do apartamento no Guarujá atribuído a Lula

As provas são “a vizinhança”: o alegado apartamento de Lula
Lula é o alvo da plutocracia.

Isso está claro. Dilma, com as unhas aparadas, fica até 2018.

O problema é Lula.

Quem poderia enfrentá-lo na direita? São todos mirins. Ao mesmo tempo, também o PT, sem Lula, vira um adversário muito mais fácil de bater.

Tirar Lula é a prioridade, portanto.

A mídia comanda, como sempre, a perseguição.

Vale tudo, como você pode observar. A prova não está na Veja, que há dez anos, semana sim, semana não, anuncia o fim de Lula.

Esqueça, portanto, a Veja, que figura já no manicômio da imprensa.

Mas repare no Globo.

Numa coisa, em particular. Dias atrás, Lula desmentiu ser dono de um apartamento no Guarujá que ele poderia comprar com o dinheiro de uma palestra.

O Globo respondeu oficialmente. É o tipo de resposta que quem milita ou militou na imprensa sabe que foi lida e aprovada pelos patrões.

Isso dá a ela mais importância ainda.

A contraargumentação da Globo é centrada, toda ela, na vizinhança.

Não há um único documento, não há uma única prova.

A vizinhança disse.

Quem é essa enigmática vizinhança, o leitor não fica sabendo. Batata.

Mas que cultura editorial é esta que baseia uma denúncia — porque era este o tom do Globo — na vizinhança?

Parece piada, parece coisa do Sensacionalista. Mas é o Globo nesta fase mata-Lula.

A vizinhança disse que Lula foi visto “três vezes” no prédio.

Ainda que fosse verdade — onde uma foto neste tempo de orgia de selfies? — o que significa Lula ter ido ao prédio além disso mesmo, que ele foi ao prédio?

Isso é evidência de propriedade? Só para quem deseja atacar a qualquer preço.

A resposta do Globo evoca a vizinhança, mais uma vez, para dizer que Lulinha foi o responsável por uma reforma no apartamento alegadamente de Lula.

Sempre ela, a vizinhança.

Mais uma vez, nem uma só foto de Lulinha? Se foi mesmo o responsável, deve ter ido ao apartamento várias vezes.

Poderiam ter fotografado à distância, se quisessem. Ou de perto, se alguém da vizinhança se apresentasse a Lulinha amigavelmente.

Não é todo dia que você encontra o filho de um presidente, e ainda mais um no centro de tantas acusações como Lulinha.

Nada.

E finalmente a mulher de Lula, Mariza, também é invocada na resposta do Globo.

Mariza cuidou da decoração, segundo — adivinhe — a vizinhança.

O assunto todo é de extrema irrelevância. Qualquer palestrante — Merval, Jabor, Míriam Leitão etc — compra um apartamento daqueles com um pé nas costas. Que dirá Lula, com cachês de astro do circuito internacional de palestra?

O que é desimportante vira assunto sério por um único motivo: mostrar que o Globo não vai ter limites na perseguição a Lula.

O que se deve esperar não é jornalismo. É caça mesmo.

Paulo Nogueira
No DCM
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Instituto divulga todas as empresas para as quais Lula fez palestra. Globo inclusive, viu Sardenberg?

A mesma questão ética e política se aplica a Lula. Não é apenas o ex-presidente, mas o líder de um partido que permanece no governo, sobre o qual ele exerce notória influência. Além disso, o contratante conhecido neste caso, a Camargo Corrêa, tem notórios interesses neste governo e na sua política. E fez doações ao PT e ao Instituto Lula. É por isso que não bastam os contratos e as notas fiscais dadas pela empresa LILS contra os pagamentos da empreiteira. Ok, foram pagamentos formais e legais, mas: para quem foram as palestras? Onde? Quem mais patrocinou? Governos? Empresas? Quais? Em quais circunstâncias? Por Carlos Alberto Sardenberg, em O Globo


São Paulo, 18 de agosto de 2015

Em sinal de respeito à sociedade brasileira, que merece receber informações corretas e verdadeiras, divulgamos a relação das empresas e instituições que, desde 2011, contrataram palestras do ex-presidente Lula no Brasil e no exterior por meio da empresa LILS Palestras e Eventos Ltda.

Trata-se de uma atividade legítima, que Lula exerce legalmente desde que deixou a Presidência da República, a exemplo de outros ex-presidentes do Brasil e de outros países, e personalidades de destaque como esportistas, artistas, jornalistas, cientistas.

De 2011 até hoje, Lula fez 70 palestras contratadas por 41 empresas e instituições, e foi remunerado de acordo com sua projeção internacional e recolhendo os devidos impostos.

No mesmo período, o ex-presidente participou gratuitamente de mais de 200 conferências, palestras e encontros promovidos por sindicatos, movimentos sociais, partidos, governos e instituições multilaterais, no Brasil e no exterior, sempre em defesa dos interesses nacionais, da paz mundial, estimulando o combate à fome e à pobreza.

Mesmo se tratando de contratos que preservam a privacidade das partes, julgamos necessária sua divulgação neste momento, para esclarecer distorções, manipulações e prejulgamentos em torno dessa atividade e das empresas contratantes, como vem ocorrendo por meio de reportagens, artigos e até editoriais na imprensa.

As palestras de Lula foram contratadas por algumas das maiores e mais respeitadas empresas de vários setores econômicos, do Brasil e do mundo. Por exemplo: Microsoft, Itaú, Infoglobo, Santander, Ambev, Telefónica, Iberdrola e Telmex.

O ex-presidente Lula e a empresa LILS solicitaram ao Ministério da Justiça, ao Ministério da Fazenda e à Procuradoria-Geral da República que apurem, na competência de cada instituição, as responsabilidades pela violação criminosa do sigilo bancário da LILS, violação que atinge não só um ex-presidente da República mas toda a sociedade brasileira.

Desta forma, o ex-presidente Lula e o Instituto Lula estão certos de contribuir para o esclarecimento da verdade, a defesa do estado de direito democrático e a garantia dos direitos constitucionais de todos os cidadãos brasileiros.

LISTA DAS EMPRESAS QUE CONTRATARAM PALESTRAS DE LULA ENTRE 2011 E 2015:

• ABAD - Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industriais

• Associação de Bancos do México

• Abras - Associação Brasileira de Supermercados

• ALL América Latina Logística

• Ambev

• Andrade Gutierrez

• Banco Santander

• Bank of America

• BBVA Bancomer

• BTG Pactual

• Camargo Corrêa

• Centro de Estudos Estratégicos de Angola

• CFELG - Centro de Formacion y Estudios en Liderazgo y Gestion (Colômbia)

• Cumbre de Negócios (México)

• Dufry do Brasil

• Elektra

• Endesa

• Gás Natural Fenosa

• Grupo Petrópolis

• Helibrás

• Iberdrola

• IDEA (Argentina)

• Infoglobo

• Itaú BBA

• LG

• Lojas Americanas

• Microsoft

• Nestlé

• OAS

• GDF Suez Energy Latin America

• Odebrecht

• Pirelli

• Queiroz Galvão

• Quip

• Revista Voto

• Sinaval

• Telmex

• Telos Empreendimentos Culturais

• Terra Networks

• Tetra Pak

• UTC
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Depois de criticar a PM e Beto Richa, palhaço é preso em ação truculenta


Funarte manifestou repúdio e solidariedade ao artista e disse que, com a violência, a Polícia Militar do Paraná confirmou as críticas proferidas pelo artista

Enquanto se apresentava no Festival de Teatro de Cascavel no Calçadão, no Paraná, o palhaço Tico Bonito foi preso pela Tropa de Choque por fazer uma crítica aos policiais e ao governo Beto Richa (PSDB), na última sexta-feira (14).

Durante a peça Licença Pr’eu Passar, testemunhas disseram que o palhaço disse que precisaria de seguranças. Quando passaram os policiais e a plateia apontou a viatura. De acordo com a namorado do artista, Silvana Deotti, foi nesse momento que o palhaço fez a crítica: “O Tico falou que não poderiam chamar aqueles policiais porque eles só serviam para proteger o Beto Richa. Depois disso os policiais deram ré e entraram no meio do espetáculo para prender o Tico”, contou.

“Eles só protegem burguês e o Beto Richa, são seguranças particulares pagos pelo povo”, foi o que disse o palhaço para, momentos depois, ser atingido pelos policiais. Assista ao vídeo completo:



Outro ator de Cascavel, Jean Salustiano, que presenciou os fatos, relatou que houve truculência. “[Policiais] entraram no meio da apresentação, algemaram e meteram o Tico no camburão. Batiam com a porta do carro na perna do Tico e chamaram a Cavalaria para dispersar”, informou. “Ele não fez nada demais. Ele sempre faz essas críticas mas dessa vez resolveram levar”, criticou Silvana.

A Fundação Nacional de Artes – Funarte emitiu nota de repúdio contra a prisão arbitrária. A prisão foi efetuada sob a alegação de um suposto “desacato à autoridade”. “Na verdade, o palhaço apenas fez críticas públicas à Polícia Militar, no que está dentro de seus direitos, assegurados pela Constituição”, publicou.

“Ao agir com violência e arbítrio, configurando um abuso de autoridade, infelizmente a Polícia Militar acabou por confirmar as críticas proferidas pelo palhaço. A Funarte se solidariza com o artista e o cidadão Tico Bonito e espera da Polícia Militar de Cascavel uma nota repudiando a ação de seus policiais”, completou a entidade.

Com informações do site LaisLainy.com e da Funarte
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Resolução da Executiva Nacional do PT sobre atos do dia 20


Os ataques ao Partido dos Trabalhadores, ao ex-presidente Lula e ao governo da Presidenta Dilma, não escondem seus propósitos conservadores e antidemocráticos, exigindo uma reação imediata do nosso partido e do campo democrático e popular.

Diante da gravidade do momento político e da ofensiva da direita contra as liberdades democráticas e os direitos humanos, políticos e sociais, o PT conclama o engajamento nacional da militância petista no calendário de mobilizações em defesa da democracia, das reformas estruturais e por mudanças na política econômica.

O Partido dos Trabalhadores apoia e orienta a participação dos petistas na mobilização unitária dos movimentos sociais e partidos de esquerda no próximo dia 20 de agosto e as iniciativas de constituição, nos estados e nacionalmente, de uma frente democrática e popular.

Brasília, 4 de agosto de 2015.

Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores


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Manifestantes de BH revelam incoerência sobre golpe e situação econômica do país

Maioria dos que foram ao centro da capital mineira no domingo era de classe A e B. Metade já votou no PT, maioria votou em Aécio Neves no segundo turno de 2014, mas menos de metade votaria de novo

Apesar do apelo de que o país está afundando na crise, dois terços dos manifestantes não têm conta atrasada
Pesquisa realizada pelo grupo Opinião Pública, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante os protestos pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, no último domingo (16), em Belo Horizonte, revela, por exemplo, incoerência dos manifestantes quando se posicionam sobre um golpe militar para tirá-la do poder ou quanto à piora nas condições de vida. Como em abril, a pesquisa de agora constata que é grande a aversão aos programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família, as cotas raciais e o Mais Médicos. Novos dados trabalhados foram os sentimentos de aversão, raiva e tristeza relacionados ao PT.

Embora o discurso mais aguerrido de defesa de uma intervenção militar tenha se reduzido em relação às primeiras manifestações, apenas 13% dos manifestantes entrevistados ainda dizem que esta seria "a melhor saída" neste momento. Porém, quando questionados sobre qual seria a melhor ação para livrar o país de uma situação de desordem social, 46,8% são favoráveis à intervenção militar — demonstração de que, embora não defendam diretamente, muitos também não se opõem a um golpe de Estado para tirar o PT do poder.

A mesma incoerência é registrada quando o assunto é a crise econômica: 93,1% dos entrevistados consideram que a situação do país está ruim ou péssima. Perguntados sobre como está a situação financeira pessoal, comparada com dez anos atrás, 66,6% responderam que está pior. No entanto, quando questionados se têm alguma conta em atraso, há pelo menos 30 dias, 67,5% dizem não ter nenhuma dívida atrasada.

"O que percebemos é que, apesar da alta renda e do grau de instrução, os manifestantes não têm coerência ao apontar problemas ou soluções. Está tudo ruim, mas as contas estão em dia. Não aceitam a pecha de golpistas, mas são favoráveis a intervenção militar se houver 'desordem'", destacou a professora Helcimara de Souza Telles, do programa de pós-graduação em Ciência Política da UFMG.

Os manifestantes também se mostraram indecisos quando o assunto é o direito à terra rural. Quando questionados sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os defensores do impeachment foram majoritariamente avessos à entidade: 78,6%. Ao mesmo tempo, 57,7% se disseram favoráveis à reforma agrária, principal objetivo da luta do MST. Para a professora, o que pesa neste caso é que os sem terra são frequentemente associados, pela mídia tradicional, ao PT e à baderna, representada no imaginário dos entrevistados pela ocupação de propriedade privada, sem considerar o fim social da terra. "Mas a reforma agrária ampliaria a possibilidade de obter propriedade, o que é bem visto por eles", explica a professora.

Perfil

Os pesquisadores realizaram 434 entrevistas durante todo o dia, na Praça da Liberdade, centro da capital mineira, onde pelo menos 7 mil pessoas realizaram um dos protestos pelo impeachment da presidenta Dilma.

O recorte socioeconômico medido foi semelhante ao da manifestação de abril, com 56,6% dos manifestantes com renda superior a cinco salários mínimos, enquanto 30,6% têm renda superior a dez mínimos. Quanto ao grau de instrução, 52,3% tinham ensino superior completo e 12,2% ingressaram neste nível sem terem completado os estudos.

Pelo menos um terço deles participava pela primeira vez de uma manifestação organizada pela direita após as eleições do ano passado. Do total, 29% disseram protestar contra a corrupção e 41,7% tinham como alvo direto o governo petista. Para 77,2% dos manifestantes, a melhor saída para o país seria a renúncia ou o impeachment de Dilma. Outros 73,3% consideram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "um dos maiores malfeitores do Brasil".

Embora a manifestação fosse claramente contra o PT, Helcimara destacou que 53,7% dos manifestantes declararam ter votado no partido de Lula pelo menos uma vez. E uma proporção muito próxima, entre 53% e 56%, dão nota máxima, em uma escala de zero a dez, aos sentimentos de "aversão", "raiva", e "tristeza" em relação à legenda.

A mesma relação se aplica quando o questionamento envolve a presidenta Dilma. "É possível que muitos tenham votado em Lula para presidente. Isso me parece um alerta ao PT. As pessoas demonstram se sentir traídas", afirma a professora.

De acordo com a pesquisa, os principais motivos de oposição ao PT entre os manifestantes de Belo Horizonte são os programas sociais. Para 74,5% deles, o Bolsa Família deixa as pessoas preguiçosas. Outros 61,3% são contra a vinda de médicos cubanos ao país. E 64,7% defendem a extinção das cotas raciais.

Além disso, os pesquisadores observaram um sentimento de superioridade quanto a outras classes ou regiões do país. Para 52,1%, "os nordestinos têm menos consciência política na hora de votar do que as pessoas de outras regiões do país" e para 74% "os pobres são mais desinformados na tomada de suas decisões políticas".

Apesar do perfil conservador, os manifestantes também se mostraram divididos quando perguntados sobre porte de armas para "cidadãos honestos" (53% favoráveis), legalização do aborto (46,5% favoráveis), pena de morte (41,5% favoráveis).

Os itens em que o posicionamento foi mais definido entre os manifestantes mineiros foram a redução da maioridade penal (74,5% favoráveis), a liberação do consumo de maconha (67,5% contrários) e casamento entre pessoas do mesmo sexo (61,1% favoráveis).

Já em relação à reforma política, houve expressivo apoio ao fim do financiamento privado de campanhas eleitorais (61,3%) e ao fim da reeleição (73,9%). Quanto à chamada Agenda Brasil, 60,3% se mostraram contrários ao aumento do tempo de trabalho para a aposentadoria, mas 43% se disseram favoráveis à cobrança no Sistema Único de Saúde para os mais ricos.

Mesmo estando presente na manifestação — também pela primeira vez —, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) já não encanta tanto os manifestantes mineiros, segundo dados colhidos pelos pesquisadores.

Dos entrevistados, 78,6% dizem ter votado no tucano no segundo turno da última eleição, mas somente 48,6% afirmam que votariam nele hoje. Entre os demais, 6% disseram que votariam no ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa e outros 6,7% no deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). E 19% não têm candidato.

Rodrigo Gomes
No RBA
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Jeb Bush ligado ao tráfico de drogas e trabalho sujo da CIA

Durante oito anos, o candidato à presidência dos EUA Jeb Bush foi governador da Flórida, mas "não é o Bush político que deve interessar os eleitores, mas o banqueiro Bush, o "acobertador não oficial" da CIA na Venezuela e o empresário do setor imobiliário/lavador de dinheiro baseado em Miami, quem deveria alarmar o eleitorado estadunidense", escreve o jornalista investigativo Wayne Madsen, em seu artigo publicado no site da Infowars.

O artigo afirma que "Jeb deveria explicar por completo o seu relacionamento com Alberto Duque, um cidadão colombiano que lavava dinheiro das drogas para o cartel de Medellin e de Cali e dos 'contras' da Nicarágua, enquanto era proprietário do National City National Bank of Miami e presidente da General Coffee Company na Colômbia".
"Aparentemente, havia mais do que sacas de café nas malas que chegavam em Miami a partir da Colômbia", escreve Madsen, acrescentando que Duke financiou um projeto de desenvolvimento imobiliário de US$ 30 milhões liderado por Jeb Bush, disse a RT.

Depois de cumprir prisão por fraude em 1983, Duke contratou Don Beazley, um "amigo da família Bush e da CIA" para o cargo de presidente do City National Bank. Don Beazley tinha trabalhado para o Banco Nugan Hand da CIA na Austrália, diz o autor. Antes de falir, o banco foi responsável pela lavagem de dinheiro do tráfico de ópio e heroína do Triângulo Dourado e de "pagar substitutos dos EUA na Ásia, incluindo Ferdinand Marcos nas Filipinas, Suharto na Indonésia", etc. 

Bezley também tinha sido presidente do Great American Bank de Miami, que foi acusado de lavagem de dinheiro em 1982. "Foi neste ambiente de bancos interligados da CIA envolvidos em lavagem de dinheiro em que Jeb Bush mergulhou e seus negócios imobiliários na década de 80", escreve Madsen. Depois de ter sido presidente do Texas Commerce Bank em Caracas desde 1977 até 1979, em 1980 Jeb Bush se juntou a campanha presidencial de seu pai que, juntamente com ele, trabalhava o agente da CIA, Robert Gambino.

Mais tarde, Jeb foi nomeado por seu pai como membro do conselho do Instituto Republicano Nacional, ramo do Partido Republicano da Fundação National para a Democracia (NED), uma "operação de lavagem de dinheiro financiada pela CIA que derramou milhões nos fundos dos 'contras' da Nicarágua, grupos de exilados cubanos e esquadrões da morte de El Salvador, Guatemala e Honduras.

"Muitos amigos de negócios Jeb eram banqueiros ligados à CIA. Além Beazley e Duque, está também Paul Helliwell, proprietário de dois bancos de lavagem de dinheiro da CIA, o Great American Bank, de Miami e o Castle Bank & Trust of Nassau, nas Bahamas, diz Madsen. Os negócios de Jeb também o puseram em estreito contato com o Northside Bank of Miami, de propriedade do cartel de Cali e o Popular Bank and Trust Company, que passou para o controle da CIA depois que seu antigo proprietário, o presidente da Nicarágua Anastasio Somosa, foi assassinado em 1980. 

"A ascenção de Jeb Bush ao poder financeiro e político na Flórida é acompanhada por uma fila de cadáveres, bancos falidos e instituições de poupança e empréstimo acusados ​​de lavagem de dinheiro para a CIA assim como de personalidades duvidosas que trabalharam como agentes da CIA", diz o autor. "Até que preste contas completas de suas atividades de negócios nos anos 70, 80 e início dos anos 90, Jeb Bush é de fato mais inadequada para a presidência do que seu irmão George W. Bush", conclui o artigo.

No ISLAmia
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PF identifica 60 perfis falsos e 35 comunidades que atacavam políticos em redes sociais


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Sequestraram a Ação Popular! Liberdade para a AP!


Atenção, atenção! Circularam pela avenida Paulista no último domingo, no ato em que também desfilaram defensores do impeachment, da “Intervenção Militar Já!”, da monarquia, de Eduardo Cunha, de Sarney, da tortura etc., cerca de 10 jovens dizendo-se militantes da Ação Popular. Epa! Epa!



Para quem não sabe, a AP, como era chamada, foi uma das principais correntes políticas a lutar contra a Ditadura Militar nos anos 1960 e 1970. Em dado momento de sua vida, a AP chegou a se chamar APML  —  o sufixo ML queria dizer “marxista-leninista”.

Na fundação, via o socialismo como uma espécie de humanismo cristão, ao qual caberia a crítica da alienação capitalista e sua superação. O humanismo cristão vinha das origens da AP na Juventude Católica. A dureza daqueles tempos custou a prisão e a tortura, quando não a morte, a vários militantes da AP, como o estudante de Geologia Honestino Guimarães, assassinado em 1973 sob tortura quando estava sob custódia do Estado brasileiro.

No final dos anos 1970, a AP foi fundamental para a reorganização do Movimento Estudantil, depois dos anos da repressão mais feroz. Dirigiu a reconstrução do Diretório Central dos Estudantes da USP, em 1976. Com militantes como Geraldo Siqueira e Vera Paiva, entre outros, a AP entusiasmou e encheu de coragem milhares de jovens que enfrentaram a tropa de choque, a cavalaria e as bombas de gás e de efeito moral do coronel Erasmo Dias, o então chefe da Segurança Pública de São Paulo.

Pois aquela AP sofreu um sequestro simbólico. A atual AP, na fala de seu porta-voz, Rafael Auad, “tem uma linha um pouco diferente, porque os tempos são diferentes”.

Em vez do horizonte utópico do socialismo, conforme defendia Honestino, Rafael Auad agora diz: “Reconhecemos que a economia de mercado é como o mundo funciona e precisamos trabalhar nesse sentido.”

A Ação Popular na versão morta-viva “é uma corrente de jovens que busca desconstruir o que está sendo feito no movimento estudantil e nos movimentos sociais”, explica Auad. Em vez das grandes lutas pela liberdade e pela construção de um país mais justo, a atual AP discute “um dos principais temas da agenda paulistana”. Qual é?

Engana-se quem pensa que seja o genocídio da população preta, pobre e periférica, ou a falta de moradia, ou as obras paradas do Metrô, ou…

Segundo a página da Ação Popular no Facebook, trata-se no aplicativo Uber (em que mundo esses caras vivem?). O debate, que aconteceu no dia 16 de julho, “contou com a participação de mais de uma centena de pessoas entre jovens, simpatizantes do Uber, taxistas, jovens tucanos e membros de diversas organizações e movimentos sociais.”

Dizem eles: “Nossa juventude Ação Popular chegou para ficar. Seremos o elo do partido com a sociedade, resgataremos a sensibilidade do partido com o pulsar das ruas.”

Ah, tá!

Libertem a Ação Popular. Não merece ser humilhada assim uma sigla com tão importante histórico de lutas, com tantas lembranças da resistência mais heroica ao arbítrio e à opressão.

Vinicius Souza e Laura Capriglione
No Jornalistas Livres
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Mais um festival de ignorância e estupidez


Embora o número de manifestantes tenha ficado bem aquém do que esperavam seus organizadores do submundo da política, sinceramente pouco importa se o ato de São Paulo teve mais ou menos de 100 mil pessoas ou se em todos os estados tenham acontecido protestos, mesmo que em alguns uma quantidade pífia de pessoas tenha dado o ar da graça.

Também não causa nenhuma surpresa a artimanha global de manter sua programação normal na TV aberta, com chamadas ao vivo direto das manifestações, mas escalando a GloboNews para cobrir o dia inteiro os protestos, com direito aos comentaristas de sempre no estúdio e a repórteres que pareciam se confundir com os manifestantes, tamanho o "vigor cívico" que exibiam.

A esta altura da crise política, penso ser mais eficaz para se entender o fenômeno focar no conteúdo dos atos, nas suas bandeiras políticas e palavras de ordem expostas em faixas, cartazes e bonecos, na fala dos oradores, no semblante das pessoas. E misturando e espremendo tudo isso, praticamente não sobra nada que preste em termos de convicção democrática, consciência republicana e um mínimo de informação política por parte do grosso dos manifestantes. Sem falar no já conhecido déficit de civilidade e educação, espécie de marca registrada da turba que pede a ruptura da ordem democrática nas ruas.

Chega a ser assustadora a constatação de que parte significativa dos bem-nascidos brasileiros, das classes médias e alta, seja composta por analfabetos políticos irreversíveis, gente que, embora tenha tido a oportunidade de estudar, muitos até em bons colégios, ostente uma abissal falta de conhecimentos históricos e políticos. Uns pedem intervenção militar, outros querem que a presidenta Dilma se suicide, mais uma leva prega a prisão de Lula e berram pelo fim do PT. Todos  desejam ardentemente que a nossa democracia se dane e bradam pelo golpe.

Nada disso, porém, ofusca o fato de que o governo Dilma está no "volume morto" da popularidade, como reconhece o ex-presidente Lula. Mas, na certa, essas manifestações não contam com a esmagadora maioria dos que torcem o nariz para o governo devido ao aumento das tarifas de energia elétrica, do preço da gasolina, da inflação que teima em encher o saco, do nível de emprego que já não está alto como nos outros anos da era petista, do ajuste fiscal que poupa os ricos.

Neste domingo, dia 16 de agosto, o perfil de quem aderiu às manifestações foi o mesmo dos protestos de março e abril. A grande massa permanece silenciosa, em que pese reprove o governo. O desafio do governo é recuperar a confiança desses brasileiros e brasileiras, pois os que disseminam intolerância e ódio são um caso perdido. Não para o governo ou para PT, mas para a causa democrática.

Bepe Damasco
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O aparelhamento político e estratégico do governo de SP por Alckmin


Condenar a repartição da máquina pública em lotes que são distribuídos a aliados é algo que fazem frequentemente com Dilma Rousseff (PT), embora a petista não tenha inventado esse modus operandi que se reproduz país afora, há décadas, em várias instâncias do poder, com distintos governantes. Hoje, aliás, é impossível negar que a maioria deles tem tido muito mais sucesso com essa fórmula do que a presidente.

Vejamos o governo estadual paulista. A regra, neste segundo mandato de Geraldo Alckmin, do PSDB, segue a mesma: se a eleição é bem sucedida, a participação é garantida. Os aliados não são esquecidos.

Um exemplo de fidelidade à parceria é o retorno de Soninha Francine ao governo. Em abril, segundo o Diário Oficial, a jornalista e ex-vereadora foi alçada ao Conselho Fiscal da Prodesp (Companhia de Processamento de Dados de São Paulo).

A Prodesp era vinculada à Secretaria de Gestão Pública que, até o ano passado, Alckmin delegava ao partido de Soninha, o PPS. O setor é visado porque, entre outras funções, cuida da construção das unidades do Poupatempo espalhados por São Paulo, servindo de plataforma para um bom relacionamento com prefeitos e, convenhamos, de vitrine em época de eleição.

Um exemplo do uso político da Prodesp pelo PPS é a indicação de Admir Ferro, ex-vereador de São Bernardo do Campo, para atuar na Prodesp, em 2013. Admir, então do PSDB, foi indicado pelo hoje deputado federal Alex Manente (PPS).

Manente e Admir disputaram o Paço de São Bernardo com o atual prefeito, Luiz Marinho, em 2012. Perderam. Mas como a ideia é disputar novamente juntos em 2016, Manente indicou Admir para a Prodesp, e não um nome do próprio PPS. Como há construção de unidades do Poupamento em Mauá e Santo André (cidades vizinhas de São Bernardo), a dupla vinha mantendo a frequência nos jornais da região nos últimos anos.

Admir Ferro hoje está no PTB e ficou sem cargo na Prodesp após a reeleição de Alckmin, pois o governador refez o secretariado com vistas à disputa presidencial de 2018. A Secretaria de Gestão foi extinta e a participação do PPS o governo, um tanto afunilada. O popular-socialista Davi Zaia, ex-secretário de Gestão, virou deputado estadual em outubro passado. A Prodesp foi vinculada à Secretaria de Governo do Estado, agora liderada por Saulo de Castro Abreu Filho, ligado ao PSDB.

Alckmin empoderou Saulo de Castro com o intuito de concentrar nele a responsabilidade pelas ações estratégicas do governo, incluindo as parceiras com instituições privadas. A ideia é destravar os grandes projetos que ajudarão a pavimentar o caminho de Alckmin até o Palácio do Planalto.

Ao PPS sobrou a inexpressiva Secretaria de Agricultura, entregue ao deputado federal licenciado Arnaldo Jardim.

O caso Prodesp

Saulo de Castro é hoje presidente do Conselho Administrativo da Prodesp, que ainda conta com a participação de Carlos Moretzsohn (engenheiro que coordenou a equipe que inventou a urna eletrônica, em 1996), Célio Bozola (presidente da Prodesp, do ramo de telecomunicações), Moacir Rossetti (secretário-adjunto da Casa Civil, do grupo de Saulo), Daniel Edelmuth (economista, marido da deputada tucana Célia Leão), Emília Ticami (que atua na Fazenda do Estado), José Eduardo Poyares (ex-chefe da Casa Civil do governo Serra), Júlio Semeghini Neto (deputado federal pelo PSDB) e o advogado e assessor de comunicação Márcio Aith (que já foi alvo de artigos aqui).

Responde ao Conselho Administrativo da Prodesp o Conselho Fiscal onde Soninha Francine figura ao lado de outros dois conselheiros: Maria de Fátima Alves Ferreira (do elenco da Fazenda do Estado) e Amauri Gavião Almeida, que já passou pela Secretaria de Habitação, hoje liderada por Rodrigo Garcia, eleito deputado federal e presidente do DEM paulista.

Amauri também acumula a função de chefe de gabinete da Secretaria de Planejamento, comandada por Marcos Antonio Monteiro. Este último, ao lado de Saulo de Castro, compõe o núcleo duro do governo Alckmin.

Em 2014, a Prodesp discutiu a fixação da remuneração dos membros de Conselho Fiscal em R$ 18 mil em dinheiro, mais extras que podem chegar a R$ 10 mil.

O loteamento da Cetesb

Antes de chegar à Prodesp, Soninha Francine (que hoje acumula o posto de conselheira fiscal da Associação dos Artistas Amigos da Praça, instituição que promove ações com a Secretaria de Cultura de Alckmin) também passou, em 2013, pelo Conselho de Administração da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), entidade ligada à Secretaria de Meio Ambiente do Estado.

Quem presidia o Conselho, à época, era Rubens Naman Rizek Junior. Formado em Administração e Direito, atualmente é secretário-adjunto de Agricultura. É filho de Rubens Nanam Rizek, conselheiro vitalício da Fundação Mário Covas, com passagem, ainda, pela Secretaria de Meio Ambiente na época em que o titular era Bruno Covas (PSDB), hoje deputado federal.

O aparelhamento da Secretaria de Meio Ambiente por Covas foi denunciada em reportagem do Estadão, em 2013. Naquele ano, o jornal apontou que ambientalistas estavam preocupados com a demissão em massa de técnicos da área para dar lugar a funcionários comissionados com pouca ou nenhuma experiência no ramo. A própria cúpula da Pasta, segundo o Estadão, estava recheada de advogados.

Primeiro escalão

Se a divisão de poder entre aliados de Alckmin ficar apenas na análise do primeiro escalão do governo, veremos que o governador tucano soube deixar boa parte dos partidos da base feliz.

O PRB tem Jean Madeira na Secretaria de Esportes desde 2014. Antes, a pasta era ocupada por José Auricchio Junior, ex-prefeito de São Caetano do Sul pelo PTB, nome ligado ao presidente estadual do partido, Campos Machado.

Na Justiça, outro nome indicado pelo PTB: o desembargador Aloisio de Toledo Cesar, também próximo de Campos Machado. Abaixo dele, no comando do Ipem (Instituto de Pesos e Medidas), mais uma indicação petebista. O superintendente é Clovis Volpi, ex-prefeito de Ribeirão Pires pelo PV.

O Solidariedade do deputado federal Paulinho da Força conseguiu emplacar João Dado, também eleito deputado federal, na Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho de Alckmin.

O DEM tem sua parcela com o deputado Rodrigo Garcia, presidente estadual da legenda, no topo da Secretaria de Habitação.

O PSB tem o vice-governador Márcio França desde a reeleição de Alckmin, em 2014. França, presidente estadual do partido, acumula a função de secretário de Desenvolvimento Econômico. Essa semana ele chegou a declarar que a sigla pode deixar de lançar um candidato próprio à eleição municipal para apoiar o candidato do PSDB.

Já o PV ficou com a Secretaria de Turismo, do deputado licenciado Roberto de Lucena.

Como se vê, Alckmin segue reproduzindo em São Paulo o loteamento da máquina a troco de apoio político para governar e vencer eleições. Nada diferente do que fez FHC no plano federal, na década de 1990 — é só resgatar, por exemplo, as reportagens sobre as disputas entre PSDB e aliados em torno das estatais.

A diferença é que, hoje, Alckmin, ao contrário do que tem ocorrido com Dilma, possui controle de seus parceiros políticos na Assembleia Legislativa. Não se vê o governador perdendo os poucos cabelos que lhe restam na cabeça com criações de CPIs indigestas ou problemas sérios de governabilidade. Talvez por isso o aparelhamento de parte do Estado pelo tucano passe despercebido.

Cíntia Alves
No GGN
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As lições de FHC a Dilma


Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugere que, por questão de patriotismo,  a presidente Dilma Rousseff renuncie ou admita que errou. Não incluiu nas recomendações ajoelhar no milho, vergastar-se em público ou ir a pé até Aparecida do Norte.

Tivesse nível político, a esta altura do jogo estaria nas articulações da governabilidade, o pacto tácito lançado na semana passada entre lideranças empresariais, políticas e alguns gurus suprapartidários, como Delfim Neto, para garantir um mínimo de governabilidade ao país.

Essa ira extemporânea visou apenas dar o troco a esses ignaros que o deixaram de fora do banquete dos sábios.

Fora do governo, nunca teve dimensão para se tornar uma dessas figuras reverenciais, a quem a Nação recorre em tempos de tempestade.

* * *

Nas eleições de 1998, FHC enganou os eleitores da mesma maneira que Dilma. Garantiu que a política cambial não mudaria. O câmbio explodiu menos de dois meses depois de eleito, provocando no público a mesma ira e desprezo dedicados, agora, a Dilma.

O país ficou com um vácuo de poder similar ao atual. Pior ainda, porque com o câmbio descontrolado. A crise arrebentou com as contas dos estados, a ponto do governador mineiro Itamar Franco dar o calote em um empréstimo internacional.

Os governadores pressionaram FHC para uma reunião palaciana que ameaçava botar mais lenha na fogueira da crise.

* * *

No dia 9 de fevereiro de 1999 publiquei em minha coluna na Folha o artigo “O imbróglio dos Estados”( http://migre.me/rd6r7), alertando para a necessidade de bom senso e acenando com a tese do “encontro de contas” como definidora do pacto federativo. Essa tese foi levantada no início dos anos 90, propondo um encontro de contas entre Estados e os diversos fundos sociais (INSS, FGTS) visando equilibrar as contas públicas.

* * *

FHC ficou tão perdido que seu genro David Zylbertsztajn me procurou querendo mais dados que pudessem ser apresentados na reunião com os governadores, porque o aturdimento era tal que FHC não sabia o que oferecer.

Fui a Brasília para uma conversa com o então Ministro das Comunicações Pimenta da Veiga, enquanto outros defensores da tese do encontro de contas procuravam o PFL.

No dia 10 de fevereiro, o artigo “A bola está com FHC” (http://migre.me/rd6zD), insisti na necessidade de um plano de voo. O que escrevi para ele cabe como uma luva para Dilma:

“Ficando onde está, nessa cantilena interminável de que cortes e mais cortes, por si, irão resolver a questão da crise, será condenar toda a nação ao imobilismo”. E insistia na tese do encontro de contas.

Naquele mesmo dia, Pimenta anunciou o plano em cima das ideias que havíamos conversado.

No dia seguinte publiquei a coluna “Uma saída para o futuro” (http://migre.me/rd6Fw) reportando ao anúncio de Pimenta e prevendo que se não fosse uma mera jogada de marketing, poderia ser o primeiro ensaio para romper com a inércia.

* * *

Houve a reunião com governadores. O tema encontro de contas serviu para baixar a fervura. Sem a pressão, porém, a ideia morreu pouco depois. E FHC continuou empurrando o país com a barriga, deixando explodir a crise do “apagão”, mantendo a economia em crise por falta de protagonismo.

Nem por isso, julgou ser questão de patriotismo renunciar e passar o bastão a outro.

Luís Nassif
No GGN



FHC solto? Culpa do PT!

Da página do Seja Dita Verdade, no Twitter
O PiG se lambe com o inconsequente pedido do Príncipe da Privataria: Dilma, renuncie ou reconheça sua subalternidade intelectual.

Ele não tem autoridade moral para recriminar um batedor de carteira.

Comprou a reeleição, saiu do Governo para uma fazenda em Minas, tem outra fazenda dentro da metrópole de Osasco e vendeu a telefonia a Daniel Dantas e assemelhados numa Privataria que é a maior roubalheira da história do Brasil.

Ele faz parte do conjunto de presidentes latino-americanos de extração neoliberal, produzidos pelos bancos credores americanos, na expropriação de patrimônios nacionais, com a crise da dívida.

(Veja no livro “O Quarto Poder – Uma Outra História” que ele entregou a Petrobras ao FMI antes de ser eleito !)

Desses presidentes, Fujimori, do Peru, está encarcerado.

Menem, da Argentina, se elegeu senador, não ousa abrir a boca, para a Justiça não se lembrar dele.

Salinas, do México, fugiu para a Irlanda e hoje está trancado num bunker na cidade do México, com medo de a polícia lhe bater na porta.

Losada, da Bolívia, fugiu para Miami, com o povo a gritar “ladrão”.

O Privata da Hygyenopolis está solto.

Não tem nenhuma expressão eleitoral.

Os candidatos do partido dele fogem mais dele que do Marcola — com quem fazem acordo.

Ele está solto porque o PT caiu no golpe da “transição civilizada”, que ele, FHC, impôs para não ter o destino de seus colegas de neolibelismo.

E assim como aceitou o pacto de não agressão com a Globo, agora o PT paga caro por uma atávica covardia.

FHC só existe – solto e no PiG — porque o PT não saiu da senzala — diria o Mino.

Paulo Henrique Amorim
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A mediocridade faz a festa


As consequências do processo batizado de Lava Jato não resolverão os problemas fundamentais do Brasil, nem nos livrarão dos gargalos que dificultam o desenvolvimento e acirram injustiças sociais. Mas oferecerão, aos que vierem depois, melhores condições de defesa do erário e de combate à corrupção.

E contribuirão mesmo para o processo democrático ao acenar com o fim (redução, sejamos mais precisos) da impunidade daqueles que sempre se julgaram acima das leis.

Esse processo não pode, porém, perder-se em exibicionismos de força, na cretinice de prender quem já está preso, na coação aos detidos e seus defensores, na indução e no uso político da delação premiada.

Não pode se perder também no vazamento seletivo de depoimentos, na escolha de veículos de imprensa para a divulgação de suspeitas e transformar junto ao povo essas meras suspeitas à espera de apuração em fatos reais, condenando o acusado antes do julgamento.

E, acima de tudo, não pode, em nome de uma boa causa, contribuir para insegurança jurídica, turbulência institucional e desorganização da economia, que precisa voltar ao normal e retomar a produção.

Mantenham-se na cadeia os "capi" que forem julgados culpados, mas sem destruir empresas nacionais, desempregar trabalhadores e reduzir a nada o conteúdo local de nossa indústria. Cabe ao governo promover sem medo a reestruturação das empresas investigadas, a recapitalização da Petrobras e o reforço do papel desenvolvimentista do BNDES, sem o qual não retomaremos o investimento privado.

As apurações devem ser um episódio, e não um processo sem fim, ameaçando a sobrevivência de setores fundamentais de nossa engenharia, sem os quais não teremos desenvolvimento. Poderemos até ficar livres da inflação e dos deficits públicos, mas não passaremos de um grande Porto Rico.

O fato objetivo é que vivemos crise política sem precedentes desde a queda do regime militar. Se não está à vista uma ameaça insurrecional, está presente o impasse político trazendo consigo a insegurança governativa, que atinge o país.

Para essa promessa de caos age de forma diligente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), valendo-se da crise representativa do Poder Legislativo, crise da qual, aliás, sua própria ascensão é o maior indicador, para um confronto de ordem pessoal com a presidência da República e a essa insanidade assistem, passivos, os partidos.

Partidos do campo da esquerda e até os da base do governo fogem de seu dever político de defesa da presidente Dilma e de seu mandato, enquanto o PSDB, e seu derrotado candidato, pregam, irresponsavelmente, a ruptura constitucional ao apelarem para a esdrúxula convocação de novas eleições. A pregação desse golpismo não contribui para a saída da crise, apenas a aprofunda.

Esse quadro expõe a mediocridade de nossas lideranças políticas, pequeninas, presas no entorno de seus projetos pessoais, mesquinhos, sem qualquer visão de Brasil, sem qualquer consciência de destino, carentes de perspectiva histórica. Alimentam um impasse ao cabo do qual não haverá vencedores.

Sairemos vencidos, mortos nossos sonhos, distantes nossas utopias como a linha do horizonte. A mediocridade faz sua festa.

A nação, cansada, reclama por uma saída, nos marcos da democracia e consoante a soberania do voto popular, mas sempre comprometida com a retomada do desenvolvimento, com distribuição de renda, com os avanços sociais e a preservação dos direitos dos trabalhadores.

Roberto Amaral, Cientista político e ex-ministro da Ciência e Tecnologia entre 2003 e 2004
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Repórter da Globo passa por embaraço ao vivo


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Serra é vaiado por manifestantes em Florianópolis

Catarinenses carregavam faixas como “fora Serra entreguista”.


Saiu no site Notícias do Dia:

Em Florianópolis, José Serra é vaiado por manifestantes e comenta impeachment de Dilma

Senador tucano foi alvo de protestos por causa de protestos por causa de projeto que divide o pré-sal

Em visita a Santa Catarina, o senador José Serra foi vaiado por manifestantes dentro da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina), na tarde desta segunda-feira (10). O tucano, que foi criticado por projeto de sua autoria que divide os lucros do pré-sal, ainda falou sobre um possível impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

“Há uma fraqueza do governo e a possibilidade do impeachment vem dessa fragilidade. Hoje, o país nem está dividido, está 70% de reprovação contra 7% de aprovação do governo”, disse Serra, ao acrescentar que o partido aguarda “elementos concretos” antes de se pronunciar abertamente sobre o assunto.

Acompanhado pela cúpula do PSDB do Estado, o tucano foi recepcionado por um grupo de petroleiros que protestavam contra o PL 131/2015, que revoga a participação obrigatória da Petrobrás no regime de partilha do pré-sal, abrindo espaço para a participação de outras multinacionais. Segundo a legislação atual, 50% dos lucros do pré-sal são para financiar as área de saúde e educação.

No hall de entrada da Alesc, o senador respondeu diretamente aos manifestantes, que carregavam faixas como “fora Serra entreguista” e alegavam que o projeto representa a privatização da Petrobrás. “Eu venho para Santa Catarina para vocês defenderem o petrolão? Façam favor…”, disse Serra.

“Se vocês lessem o projeto, não estariam aqui defendendo o governo. O PT está destruindo a Petrobras”, continuou. “O projeto propõe tirar a obrigatoriedade de a Petrobrás ser a operadora única do pré-sal. O meu projeto é patriótico, a ideia é recuperar a Petrobras”, completou.

(…)



No CAf
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Deputado do PDT poderá ser o primeiro cassado por corrupção na AL-RS


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Presión mediática intenta opacar popularidad de Lula en Brasil

Lula terminó su periodo como presidente de Brasil con el 80% de popularidad
La campaña de desprestigio emprendida por la derecha tiene en la mira a la fuerza política del exmandatario, el gobernante Partido de los Trabajadores.

La presión mediática que ejercen los sectores de oposición en Brasil tiene como objetivo principal ir reduciendo de manera gradual la popularidad que actualmente tiene el expresidente Luis Inacio “Lula” Da Silva, quien busca ser candidato a las elecciones presidenciales de 2018.

La derecha brasileña ha emprendido una campaña de desprestigio en contra de todo lo que rodea a Lula, que tiene en la mira a su organización política, el gobernante Partido de los Trabajadores (PT), y a la actual jefa de Estado, Dilma Rousseff, con constantes ataques de los que se han hecho eco los medios privados en ese país.

Durante el programa Agenda Abierta de teleSUR, el periodista y director de “Opera Mundi”, Berno Altman, aseguró que esa presión es ejercida por los estratos sociales más altos, que buscan movilizar a los sectores más conservadores del país para interrumpir el proceso democrático en la nación suramericana.

El dato: Lula terminó su periodo como presidente de Brasil con el 80% de popularidad, gracias a sus ambiciosos programas sociales que permitieron sacar de la pobreza a unos 40 millones de personas.

Altman señaló que esa movilización tiene como fin “debilitar a la izquierda y restarle el apoyo popular” de cara a los comicios que se efectuarán en tres años aproximandamente, hecho que ya se vivió cuando Lula lideró Brasil entre 2003 y 2011.

Se quiere demeritar las políticas económicas y sociales no solo en Brasil, sino de los gobiernos progresistas en general, como se ha hecho con Venezuela, Ecuador, Bolivia y Argentina. “Esto es una ofensiva de la derecha en toda América Latina”, comentó el periodista.

A pesar de la apertura al diálogo entre el gobierno de Rousseff con diferentes sectores políticos y sociales en Brasil, para buscar soluciones conjuntas a la crisis económica, la derecha radical del país se ha lanzado a las calles para “exigir” la salida de la presidenta, hecho que ha sido calificado como un acto inconstitucional e, incluso, un intento de golpe de Estado por diferentes movimientos sociales que sí han aceptado presentar sus propuestas al Ejecutivo nacional.

En contexto

El Partido de los Trabajadores (PT) ha sido inculpado de casos de corrupción por parte de la oposición en Brasil.

En esos presuntos hechos se ha querido involucrar tanto a Lula como a Rousseff, a ésta última sin pruebas, por parte de su adversario en las pasadas elecciones, Aécio Neves, quien pidió un juicio contra la mandataria brasileña a pesar de haber admitido que “no existen pruebas en su contra”.

Recientemente, Lula fue acusado por el diaro O Estado de Sao Paulo de ser parte de una corrupción con el Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social (Bandes) para favorecer créditos a la constructora Odebrecht en Brasil.

El exmandatario calificó el hecho como una “tergiversación” de la información que solo busca acabar con las buenas relaciones que mantienen Brasil y los países de la región.

No teleSUR



Globo aponta todos os seus canhões contra Lula


O jornal O Globo utilizou nesta terça-feira três instrumentos — a charge de Caruso, o editorial de João Roberto Marinho e a coluna de Merval Pereira — para sugerir que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser preso na Operação Lava Jato.

Na charge, Caruso sugere que Lula será citado por Nestor Cerveró em sua possível delação premiada. Condenado ontem por corrupção e lavagem de dinheiro, Cerveró estaria estudando delatar um suposto esquema de corrupção na contratação do sondas do grupo Schahin, que teria sido usado para quitar dívidas de campanha do PT.

Em sua coluna, Merval Pereira comemora a "dessacralização" de Lula. "O boneco inflável do ex-presidente como presidiário que surgiu em Brasília, e que hoje está em todos os lugares do mundo graças à criatividade liberada pela internet, marca o fim de uma era, quebra um mito, faz a ligação direta entre a corrupção e o chefe do grupo, responsável, na visão popular, pelos esquemas corruptos, e por ter colocado Dilma no Planalto".

Por fim, o editorial "O ajuste de foco nas manifestações" segue na mesma trilha. "É como se o ex-presidente fosse retirado do altar de 'líder popular', do qual pôde observar de altura segura todo o desenrolar do escândalo do mensalão, até o julgamento e a condenação de petistas ilustres e próximos a ele. Isso mudou com a Lava-Jato e as evidências de sua extrema proximidade de empreiteiras envolvidas no petrolão, junto às quais abiscoitou alguns milhões em alegadas palestras", diz o texto.

Em nota divulgada ontem, o Instituto Lula comentou, a pedido do Jornal Nacional, a manifestação com o boneco. "Lula foi preso na ditadura porque defendia a liberdade de expressão e organização política. O povo brasileiro sabe que ele só pode ser acusado de ter promovido a melhora das condições de vida e acabado com a fome de milhões de brasileiros, o que para alguns parece ser um crime político intolerável. Lula jamais cometeu qualquer ilegalidade antes, durante ou depois de seus dois governos", afirmou o Instituto Lula.

Segundo O Globo, os organizadores do protestos com o boneco de Lula, que custou R$ 12 mil, estão preparando um tour pelo Brasil com a peça, que será, nas próximas manifestações, acompanhadas de uma cela. O desejo dos manifestantes, assim como dos Marinho, parece ser a prisão do ex-presidente que saiu do Palácio do Planalto com os maiores índices de popularidade e aprovação da história do País.

No 247






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Aécio Neves protesta contra a corrupção estacionando carro em local proibido


O senador tucano foi flagrado estacionando um carro da rádio Arco Íris – pertencente a sua família – em uma vaga para deficientes físicos na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, pouco antes da manifestação contra a “corrupção” do governo. Em 2012, Aécio foi parado por dirigir sem carteira de habilitação em um veículo da mesma empresa, que é investigada por receber repasses quando era governador de Minas Gerais

O senador Aécio Neves (PSDB) compareceu neste domingo (16) à manifestação de Belo Horizonte (MG), que tinha como uma das principais bandeiras o fim da corrupção. Para chegar até a Praça da Liberdade, local onde ocorreu a concentração do protesto, o ex-candidato à presidência da República utilizou um carro da rádio Arco Íris — empresa que pertence a sua família —, e não deu lá o melhor exemplo pela causa, como figura pública que é. Ele estacionou seu Toyota Hilux em uma vaga exclusiva para deficientes físicos.

Não é a primeira vez que Aécio infringe as leis de trânsito. Em 2012, ganhou repercussão o episódio em que o senador foi parado pela polícia por dirigir sem carteira de habilitação. Na ocasião, constatou-se que o veículo que ele conduzia também pertencia à rádio de sua família. A rede Minas Sem Censura, então, entrou com uma representação no Ministério Público e passou a investigar as verbas repassadas à empresa ao longo dos governos tucanos no estado.

Na lista de patrimônios da companhia, consta o veículo que Neves utilizou neste domingo (placa HHH 0211). Ao todo, a rádio possui 12 carros registrados no DETRAN/MG, sendo seis deles considerados veículos de luxo. Na representação, configura-se a tese de que houve ocultação de patrimônio e que os carros de luxo são utilizados para a “satisfação pessoal” dos sócios e familiares da empresa, invalidando a necessidade do repasse das altas verbas governamentais que ocorreram ao longo do governo Aécio. “Não aceitamos tanta impunidade, tanta mentira, tanta corrupção”, disse o senador no protesto pouco depois de parar o carro em local proibido.

No Fórum
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O esforço épico de FHC para destruir a estabilidade política

Em outros tempos, estaria batendo nos quarteis
FHC não cansa de dizer, e com alguma razão, que trouxe a estabilidade econômica ao Brasil.

Isso, em si, seria uma razão para a posteridade dar a ele o valor de um grande presidente.

Mas ele, nos últimos tempos, está anulando sua, como os ingleses gostam de dizer, finest hour, o seu melhor momento.

É que ele está sabotando alucinadamente uma estabilidade que é muito mais importante que a econômica — a estabilidade política.

Com uma irresponsabilidade estridente intolerável em um octogenário, FHC comete um crime político ao defender a cassação de 54 milhões de votos.

É uma aberração sua tese de que Dilma deve renunciar. Para quê? Para abrir caminho para Aécio?

A renúncia de Jânio inaugurou um período tenebroso de instabilidade na política brasileira que durou quase trinta anos. Alguém quer ver isso de novo?

FHC repete, décadas depois, o Corvo, Carlos Lacerda, um dos personagens mais sinistros da história brasileira, um homem que se dedicou, a vida toda, a sabotar a democracia nacional.

A regra número 1 de um país civilizado é respeitar as urnas. Fora disso, é o dilúvio.

E o que FHC vem fazendo é isso: desrespeitar as urnas. Acintosamente. Cinicamente. Agarrado a argumentos e pretextos que vão variando de hora em hora, ao sabor das conveniências.

Qualquer tentativa de ver Dilma fora do Planalto antes de 2018 é golpe.

FHC se tornou exatamente isso: um golpista vulgar.

Fosse 2015 parecido com 1964, FHC estaria de esgueirando nos quarteis, tramando com generais a queda de um governo eleito, e na embaixada americana, fazendo a mesma coisa.

Mas nem os generais têm força hoje e nem os americanos se atrevem mais a tratar o Brasil como se fosse seu quintal.

E então FHC tem que recorrer a outros meios para concretizar os mesmos propósitos sórdidos do Corvo.

Jânio de Freitas notou, agudamente, que as contínuas tentativas de derrubar Dilma mostram, acima de tudo, a fragilidade da democracia brasileira.

E FHC tem tido um papel relevante no boicote à democracia.

Um jornalista americano que comanda a revista America’s Quartely escreveu, num artigo recente, que a deposição de Dilma com os pretextos patéticos que vem sendo apresentados por golpistas representaria o retrocesso do Brasil à era da República das Bananas.

Consumado o golpe, disse ele, por muito tempo os futuros presidentes brasileiros viveriam sob o risco de ser depostos a qualquer momento.

FHC tinha crédito pela estabilidade econômica.

Seu engajamento nas ações que promovem a instabilidade política — mais importante, repito, que a econômica — destruiu o crédito.

Agora ele está com um déficit monumental perante a história.

E dado o quanto ele avançou no abismo do golpismo descarado já não há nada que ele possa fazer para equilibrar essa contagem.

Paulo Nogueira
No DCM
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Coxinhas nas manifestações

Laerte
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Memória Collorida

O impeachment de Fernando Collor voltou a ser citável, trazido por diferentes maneiras de relacioná-lo com as hipotéticas fórmulas para chegar ao impeachment de Dilma Rousseff. Passado quase um quarto de século, a queda de Collor é ainda um episódio nebuloso para a opinião pública.

A política partidária foi um componente menor na formação da avalanche que derrubou Collor. Puxado por Ibsen Pinheiro, que se projetava no Congresso como a mais promissora liderança política, o gigante PMDB engrossou a base parlamentar de Collor, aprovando até a usurpação das cadernetas de poupança e contas correntes, a pretexto de combate à inflação.

Mais tarde se descobriria que o deputado fora avisado pelo governo para esconder o seu dinheiro, o que ele fez em tempo no Uruguai.

Também não faltou a Collor, enquanto foi possível, apoio ou, quando menos, complacência dos meios de comunicação, desde a campanha que o elegeu com o que já foi definido como "golpe midiático". Mas para esse resultado houve também, coordenada com parte da TV, a colaboração da policia de Romeu Tuma. O que premiou esse delegado de São Paulo com a nomeação, por Collor, para as direções da Polícia Federal e da Receita Federal. Acumuladas, sim.

Essas muralhas protegeram Collor dos olhos públicos, mas não de quem estava dentro da fortaleza. Na divisão de funções das Forças Armadas em serviços da Presidência, a Marinha pôde fazer o acompanhamento íntimo do gabinete presidencial e da conduta pessoal de Collor. Ali dava-se, para os observadores, o oposto do que o exibicionismo de Collor produzia na TV e nos jornais, logo, na população.

Com o passar dos meses, intensificaram-se em número e teor os relatos de que Collor fazia uso de tóxicos, fosse ou não por lazer. Os indícios alicerçavam-se em atitudes e incidentes de insensatez incomum. Exemplo simplório: um presidente da República sair à toa com um carro em disparada e terminar em trombada.

Os indícios acumulavam-se ao tempo mesmo em que a situação do país agravava-se, em muitos sentidos internos e externos, e Collor mostrava-se cada vez mais distante do exercício de governo, propriamente. Os relatos sigilosos multiplicavam-se. O problema se tornou preocupante para os ministros militares.

Os menos desinformados olhavam para uma outra face de Collor. Chamava-se Paulo Cesar Farias, PC Farias. Simpático, inteligente, tão ambicioso quanto Collor, mas de ambição material, em pouco tempo transitava nos territórios do negócio com a desenvoltura e as transações dos veteranos. Sempre presente um lado cinzento e sorrateiro em cada um dos negócios. A PF e a RF estavam em banho-maria.

Da compra da Vasp, com Wagner Canhedo como dono, a minas de diamante e outros negócios em Angola, e daí ao interesse por grandes meios de comunicação no Brasil, petróleo e outros recursos minerais na Bolívia e no Peru, em poucos meses PC Farias passou a nome central no circuito do dinheiro. Sempre referenciado a Collor, em cuja moradia, a então famosa Casa da Dinda, dispunha de um portão para acesso discreto.

Quando o ambiente assim formado começou a se deteriorar, alimentado também pelo agravamento da situação do país, um canal de incentivo se acionou: militares munidos de fartos argumentos e demonstrações estavam prontos para dar uma contribuição, tão discreta quanto eficaz, aos políticos que criavam uma CPI.

Para todos os efeitos, foi o recebimento ilegal de um pequeno carro, dado pela Fiat, o tropeção que enquadrou a queda de Collor nas exigências constitucionais. Na verdade, os indícios ou provas de tóxico e PC Farias foram as duas motivações primordiais. A que outras, claro, se juntaram.

Aqui mesmo fiz alguns registros daquelas duas motivações obscurecidas, sem, no entanto, suscitar o interesse que a engenharia e o abalo da queda de Collor continuam a merecer. Nem por isso se justifica o desconhecimento de "especialistas".

Janio de Freitas
No fAlha
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