17 de ago de 2015

Entrevista de Serra ao Valor desmonta balão de ensaio

Entrevista desmente que tenha acertado ser vice de Temer e comprova que Serra não foi aceito no pacto de governabilidade.


A entrevista de José Serra ao “Valor Econômico”  (http://migre.me/rcQNt) traz duas informações relevantes e duas críticas impróprias.

A primeira informação relevante é a confirmação de que não passava de balão de ensaio (empinado pelo próprio Serra) a história de que ele seria o Ministro da Fazenda em um futuro governo Michel Temer.

Era um balão acompanhado de visão prospectiva: ele seria Ministro da Fazenda em um mandato Temer e depois saltaria para a presidência da República, assim como Fernando Henrique Cardoso no mandato Itamar.

A entrevista mostra que o balão murchou.

A segunda informação relevante é que fecharam a porta do pacto de governabilidade a Serra. Agora, ele monta no escaler da mídia para tentar escalar a lateral do navio.

A primeira crítica imprópria é quanto ao “vácuo de poder”.

É correta, porém imprópria partindo de quem a formula. Ao longo de sua vida pública, Serra escondeu-se em praticamente todos os momentos de crise que enfrentou.

Alguns exemplos:
  • Sumiu no segundo semestre de 1995, quando os juros do real jogaram a economia em uma crise sem paralelo e a dívida pública explodiu.

  • Enquanto governador de São Paulo sumiu durante as enchentes que devastaram o estado e não coordenou uma reunião sequer da Defesa Civil.

  • Escondeu-se quando a Polícia Civil cercou o Palácio, por não ser recebida por ele. Cedeu imediatamente a todas as demandas, desdizendo tudo o que dissera antes sobre responsabilidade fiscal.

  • Na crise de 2008 escondeu-se dos industriais da Abimaq, a ponto de eles ameaçarem cercar o Palácio junto com os metalúrgicos da CUT e da Força Sindical.

  • Em todo seu período de governo do estado, sequer comandou uma reunião de secretariado.
Portanto, se estivesse agora à frente do país, seu comportamento não seria muito diferente do de Dilma.

A segunda crítica imprópria é quanto à ausência de uma política industrial.

Com todos os problemas, Dilma implantou uma política industrial com o pré-sal e com o PDP (Política de Desenvolvimento Produtivo do MInistério da Saúde), a Embrapii, Territórios de Inovação. No governo de São Paulo, Serra foi de uma inércia a toda prova e, em plena crise de 2008, promoveu um arrocho fiscal sem precedentes com a implementação da substituição tributária. A mesma política que critica agora em Dilma.

Governando um estado com os melhores institutos de pesquisa e universidades do país, a maior rede de cidades médias, as maiores empresas, foi incapaz de articular uma política mínima de competitividade.

Mesmo o PSDB tendo em seus quadros os principais formuladores de políticas de inovação, não assumiu uma iniciativa sequer na área, porque sua mente persecutória passou a tratar como de inimigos todas as iniciativas que vinham da área acadêmica.

Nas universidades, a figura símbolo da era Serra não foi Britto Cruz: foi João Grandino Rodas.

Sobre a política econômica

As críticas em relação à política econômica são corretas.

Não se imagine Serra com conhecimento e experiência para trabalhar os instrumentos de políticas públicas. Ele é um observador da realidade. Seria um bom colunista de economia, jamais um bom Ministro.

Durante o Real, embora Ministro do Planejamento, manteve-se mudo nas discussões acerca dos desdobramentos do plano, pela incapacidade de entender plenamente a posologia das políticas cambial, monetária e seus efeitos sobre a inflação. Nas poucas vezes em que interveio espantou os economistas do Real pelo desconhecimento da matéria.

Mas é um analista de bom senso que, na entrevista, centra fogo nos seguintes pontos:
  • as metas fiscais irrealistas;

  • elevação dos juros sem haver os pressupostos da atividade econômica aquecida, inflação de demanda ou crise do balanço de pagamentos;

  • o impacto dos juros na elevação da dívida bruta;

  • as operações de swap cambial, com um custo fiscal altíssimo;

  • o descompasso entre o Banco Central, Fazenda e Executivo.
Nesta entrevista, a facilidade com que Serra distribui números é típica de respostas escritas. E a citação de uma frase em francês — idioma que ele não domina — poderia induzir os críticos a imaginar que tenha voltado ao velho método de se auto-entrevistar.

A suspeita é reforçada pela pergunta abaixo, típica das entrevistas que, nos anos 80, ele enviava para publicação na Folha com perguntas e respostas prontas:

Valor: Seu mandato tem alta taxa de sucesso. É campeão de propostas aprovadas. A parceria com o presidente do Senado, que comanda a pauta, ajuda?

Luís Nassif
No GGN
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Quem não é mais presidente é você, Fernando Henrique

Do alto de sua arrogância, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso usou uma rede social para dizer que a presidenta Dilma deveria renunciar ou admitir seus erros. Conviria que ele se desse ao respeito e não maculasse ainda mais sua já tão enodoada participação na política do Brasil.

Pois FHC deveria lembrar-se que no seu tempo as pesquisas mostravam índices também muito ruins de popularidade. E que nem por isso ele renunciou ou veio a público admitir erros. Deveria lembrar-se que a inflação era maior do que agora. E que nem por isso ele deixou o governo ou admitiu sua incompetência. Que a taxa de juros era o dobro da atual. E que nem por isso ele pediu para sair ou fez um mea culpa.

Então, FHC não tem autoridade moral — que é conferida, entre outros requisitos, pela coerência — para aconselhar uma presidenta como Dilma, eleita legitimamente pelas urnas. Mas não deixa de ser lamentável que o outrora príncipe da sociologia produza, agora, oportunismos tão baratos a fazer dele um exemplar típico de conselheiro Acácio do ano 2015.

FHC já nem sequer escolhe os termos mais adequados para sua crítica, como conviria a um intelectual, mas reproduz sem qualquer constrangimento palavras de ordem de misóginos e xenófobos que desfilam com cartazes pedindo a volta da ditadura e o extermínio de seres humanos. Há quem veja nisso, não sem boa dose de razão, um exemplo acabado de decadência.

Sim, é a hipocrisia quem costura a manifestação do ex-presidente tucano ao tentar justificar suas observações por conta das “falcatruas do lulopetismo”… Ora, nem Lobão seria tão superficial, sorrateiro ou medíocre. De quê falcatruas fala FHC? Dos desvios na Petrobras, que até os delatores disseram ter começado… no governo dele? Do financiamento de campanhas por empreiteiras que doaram os mesmos milhões… ao candidato dele? Estaria se referindo às palestras pagas por empresas a Lula que, ora vejam, valem mais do que as dele no mercado de conferências?

O cavaleiro de triste figura em que FHC se transformou deveria, ao menos, lembrar que nem Lula nem Dilma compraram suas reeleições. Eles as conquistaram nas urnas. E quanto a sua solerte tentativa de invocar as palavras de Ulysses Guimarães dirigidas a Collor (“você pensa que é presidente, mas já não é mais”), redirecionando-as à Dilma, tenho a dizer: Dilma não pensa que é, ela é, e será até 2018, a presidenta legítima do Brasil. Quem parece que pensa que ainda é presidente mas não é mais, é você, Fernando Henrique.

Elvino Bohn Gass, Deputado Federal (RS) e Secretário Nacional Agrário do PT
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Polícia Federal prende líderes religiosos por escravizarem fiéis



Na operação "De Volta para Canaã”, a Polícia Federal prendeu em três Estados líderes da igreja “Jesus, a Verdade que Marca” sob a acusação de se apoderar do patrimônio dos fiéis, além de submetê-los a regime de trabalho análogo à escravidão, em fazendas onde também se realizam as atividades religiosas.

Os líderes religiosos convenciam os fiéis a doar seus bens porque, segundo eles, o ensinamento de Jesus é que “tudo deveria ser de todos”.

Nas fazendas, os fiéis moravam amontoados em pequenas casas. Já as moradias dos líderes são amplas, com carros de luxo na garagem.

A operação contou com a participação de 190 policiais. Eles cumpriram 129 mandados judiciais, entre os quais seis de prisão temporária, seis de busca e apreensão, 47 de condução coercitiva e 70 de sequestro de bens.

Os mandados expedidos pela 4ª Vara Federal em Belo Horizonte foram executados em Pouso Alegre, Poços de Caldas, São Andrelândia, Minduri, São Vicente de Minas e Lavras, em Minas Gerais, Carrancas, Remanso, Marporá, Barra, Ibotirama e Cotegipe, na Bahia, e em São Paulo.

Os líderes religiosos vão responder por crimes de redução de pessoas de pessoas à condição análoga a de escravo, tráfico de pessoas, estelionato, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

A PF não revelou nenhum nome dos líderes religiosos. Até agora, a igreja não se manifestou oficialmente sobre a operação.

A “Jesus, a Verdade que Marca” já tinha sido alvo de uma operação policial em 2011.

Na época, como defesa, os líderes evocaram o direito à crença para justificar a exploração dos fiéis.




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Quanta ignorância...


O repórter chileno Juan Manoel Jara esteve no Rio de Janeiro cobrindo as manifestações do dia 16. Neste vídeo imperdível, você terá um incrível resumo do protesto.



No DCM
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Os protestos de domingo e a estratégia da Globo

A cobertura das manifestações pelos veículos do grupo reafirma a opção da emissora pela chamada governabilidade. Para a Globo, manter um governo petista em frangalhos pode ser um bom negócio

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e João Roberto Marinho, em abril: ele não tem os mesmos interesses da emissora
Muita gente estranhou o recente comportamento da Globo, depois de uma conversa de dirigentes da empresa com senadores petistas. O grupo passou a moderar sua cobertura do governo Dilma e, em editorial do jornal impresso O Globo, chegou a pedir que as forças políticas atuem em prol da governabilidade. Da surpresa surgiram diversas explicações estapafúrdias. De um lado, petistas achando que a Globo teria se rendido à força dos governos do PT. De outro lado, nas passeatas deste domingo 16, houve quem dissesse que a Globo era comunista.

Na verdade, não deveria haver surpresa alguma. A Globo faz o que sempre fez. Atua a favor de seus próprios interesses, quase como se fosse um partido político. Traça uma estratégia, analisa a conjuntura e faz alianças de curto, médio e longo prazo. E a cobertura da emissora dos protestos deste final de semana não nega este raciocínio.

No segundo mandato de Dilma, quando percebeu que a Operação Lava Jato teria potencial para derrubar o governo, a Globo chegou a flertar com a hipótese de impeachment. Com isso, seus noticiários recrudesceram a cobertura e a ordem, aos seus obedientes jornalistas, era criticar o governo de todos os modos possíveis. Mas a Globo se assustou, tanto com o crescimento de Eduardo Cunha quanto com o festival de posições reacionárias ensandecidas que foi às ruas contra o governo.

No caso de Cunha, preocupa tanto sua ligação com o pentecostalismo (do qual a Globo nunca foi muito próxima) quanto o fato de ele parecer ter agenda própria, descolada do establishment da política nacional — além de fazer política com o fígado.

A última experiência da Globo em apoiar alguém com um perfil semelhante (Collor) acabou não sendo boa para os interesses dos Marinho. Collor se virou contra a emissora, que o criara como “caçador de marajás”, tentou articular a construção de um império próprio nas comunicações e acabou apeado do poder com ajuda fundamental da própria Globo. Outra iniciativa deste tipo só será tentada se não houver alternativas, o que não é o caso.

Foi, então, que a Globo concluiu que manter um governo petista em frangalhos pode ser um bom negócio. Frágil, lutando para sobreviver, o governo Dilma pode aceitar uma agenda imposta de fora para dentro, que acentue a virada liberal iniciada com a chegada de Levy ao governo. Ficariam na conta do governo Dilma as políticas impopulares dessa virada liberal, o que de resto teria a vantagem de liquidar as chances de um novo governo petista em 2018.

Plano B

Ao mesmo tempo que aposta na governabilidade, a Globo sabe que mais denúncias da Lava Jato podem acabar inviabilizando de vez o governo Dilma. Aí é necessário construir um plano B. A alternativa seria um governo Temer, absolutamente submisso aos interesses do grande capital, defendidos pela Globo. Mas, para que Temer possa governar com tranquilidade, é preciso neutralizar Eduardo Cunha. Para isso, foi escalado o presidente do Senado, Renan Calheiros. A Globo conta, também, que a Operação Lava Jato acabe, enfim, alcançando também o presidente da Câmara.

Contribui ainda para a análise da Globo a percepção de que os tucanos não conseguiram galvanizar a crise do governo Dilma e acabaram a reboque da extrema-direita, que tomou as ruas. Definitivamente, o PSDB foi uma decepção para os interesses defendidos pela Globo.

O que impressiona mesmo é que o restante dos grandes grupos de mídia (exceto a Record) não consiga ter uma agenda própria e, nos momentos críticos, abaixe a cabeça e siga o rumo definido pelos Marinho. No fundo, eles reconhecem seu caráter ancilar e o predomínio avassalador da Globo.

História

Para entender o comportamento da Globo, é preciso analisar um pouco de nossa história recente. Até a década de 70, a imprensa brasileira era criada a partir de interesses da vida partidária. Havia o jornal getulista, o periódico lacerdista, etc. Mas o surgimento da TV Globo muda esse cenário.

Já no início dos anos 70, setores dentro da ditadura começaram a se preocupar com o crescimento da Globo e com o fato de que ela viesse a construir uma agenda própria, não necessariamente dependente dos militares. Esses setores acabaram derrotados por aliados da Globo, como o então Ministro da Justiça, Armando Falcão, e a Globo teve carta branca para crescer, com todo o apoio, inclusive financeiro, do Estado brasileiro.

A Globo ainda chegou a retribuir o apoio da ditadura no caso Proconsult e na cobertura das Diretas Já, mas pagou caro, sendo hostilizada nas ruas. Desde então, o grupo percebeu a utilidade de ter uma agenda própria. Foi assim, por exemplo, que a Globo apoiou a Nova República e recebeu em troca o Ministério das Comunicações, dado ao homem de confiança, Antônio Carlos Magalhães (o único ministro civil escolhido por Tancredo que ficou até o final do governo Sarney, demonstrando a força dos Marinho).

Mas, veio, então, a opção Collor, que se revelou um desastre. Collor usou laranjas para comprar a TV Manchete, construir a OM (hoje uma pálida sombra chamada CNT) e a TV Jovem Pan, e ajudou Edir Macedo a montar a Record. Obviamente a Globo percebeu a movimentação de Collor e PC Farias e entrou de vez na canoa da oposição, definindo o jogo a favor do impeachment.

Sob a direção dos filhos de Roberto Marinho, mais pragmáticos que o pai, a Globo percebeu a vantagem de não tentar movimentos bruscos, aceitar alguns fatos da política e procurar tirar vantagem deles. Foi assim que “aceitou” a vitória de Lula em 2002, mas tratou de garantir que seus interesses não seriam afetados. A ida de Luiz Inácio ao Jornal Nacional, logo após a vitória, sinalizou que o novo mandatário havia entendido o recado.

Em 2006, no auge do "mensalão", a Globo novamente demonstrou como atua na política. Bateu bastante no governo. Não ao ponto de criar uma crise institucional ou de inviabilizar a reeleição de Lula. Mas, o suficiente para que o presidente nomeasse um ex-empregado da Globo como Ministro das Comunicações (Hélio Costa), acatando todas as demandas da empresa e garantindo um decreto presidencial para a transição à TV digital que liquidou qualquer expectativa democratizante. A Globo trocou inteligentemente a reeleição de Lula pela manutenção de seu absoluto predomínio na TV aberta (ainda a galinha dos ovos de ouro).

E assim chegamos às eleições de 2014. Em 2012 (R$ 2,9 bilhões), 2013 (R$ 2,6 bilhões) e 2014 (R$ 2,3 bilhões), mesmo com a crise econômica, a Globo teve sucessivamente o maior lucro líquido de uma empresa de capital fechado no Brasil. Ficou para trás o período do início dos anos 2000, onde a empresa dos Marinho quase quebrou. A Globo hoje é uma potência econômica sem paralelo nas comunicações brasileiras. Nunca houve um grupo de mídia com tanto poder político e econômico.

Seu único desafio é o cenário de convergência, que atrai ainda mais grupos estrangeiros e aumenta a influência da internet.

Mas, na política, não há com que se preocupar, especialmente com um governo fraco. Foi por isso que, ao contrário do que pensavam alguns petistas, a Globo não usou o Jornal Nacional da véspera do domingo do segundo turno para tentar uma bala de prata contra Dilma. Por que a Globo se arriscaria a tanto? O que ela teria a perder com Dilma no poder? A resposta vem sendo dada agora, com a atual crise: nada!

O que vivemos hoje é a consequência da opção dos sucessivos governos do PT em compor com os interesses dos grandes grupos de mídia e não alterar a estrutura do sistema midiático brasileiro; em não enfrentar a agenda da regulação das comunicações; em aceitar tacitamente a mentira de que um novo marco regulatório seria uma forma de censura.

Agora, acuado pelas crises econômica e política, não há muita esperança de que este governo venha a adotar qualquer iniciativa para quebrar a nefasta influência que a Globo exerce sobre a política nacional. Ao contrário, o governo é cada vez mais refém dos interesses dos Marinho e busca apenas a sua sobrevivência até 2018.

Aos militantes em prol da democratização da comunicação, cabe a tarefa de manter viva essa luta e seguir acreditando que um dia acertaremos e será cumprida essa tarefa imprescindível para a efetiva construção de nossa democracia. Apesar da Globo.

Gustavo Gindre, jornalista e integrante do Intervozes.
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O absurdo de expor crianças ao ódio fundamentalista nos protestos


— Pai, por que a mãe daquele menino está ensinando ele a mandar a Dilma tomar no c…?

Antônio, meu filho, tem 11 anos. Como acontece todo domingo, pegamos nossas bicicletas para dar uma volta. A Paulista, por volta do meio dia de domingo, dia 16, estava começando a encher.

Chamava a atenção o número de famílias com crianças. Clima de piquenique, exceto que os garotos e garotas estavam sendo expostos a uma explosão de ódio.

Uma meia dúzia de jovens, por exemplo, carregava um estandarte com os dizeres: “Dilma, decida: Jânio ou Getúlio” (a pontuação é por minha conta; no original é dilma decima jânio ou getúlio). Gritavam palavrões enquanto marchavam.

O que significa isso? Ou ela sai por bem ou dá um tiro no coração?

Uma senhora fofa empunhava um cartaz no qual se lia: “Dilma, pena que não te enforcaram no Doi Codi”

O termo carnacoxinha foi usado para definir essas manifestações. É pouco acurado. Está mais perto de uma micareta do mal, repleta de gente orgulhosa de sua ignorância.

Estão criando uma geração de pessoas odientas e preconceituosas que acha normal vomitar impropérios sobre aquela velha terrorista e o bêbado barbudo. Júnior não pode falar cocô no jantar, mas ganha um iPhone novo quando faz versinhos sujos sobre Lula e o PT. Tio Marlon e tia Patrícia acham lindo.

Esses meninos precisavam ser salvos desses monstros.

Em fevereiro, o biólogo britânico Richard Dawkins, ateu militante, afirmou que filhos de pais fundamentalistas deveriam ser protegidos na Irlanda.

“Eles devem ser ensinados a pensar por si mesmos”, disse. “Tradição é uma coisa boa quando se fala em música ou literatura, moda ou arquitetura. Mas a tradição é uma base terrível para a ética”.

Ao apoiar uma campanha para reformar o sistema educacional irlandês, foi além. “Você tem que equilibrar os direitos dos pais e os direitos dos filhos e eu acho que o saldo oscilou demais em favor dos pais. As crianças precisam ser preservadas de modo a não ser doutrinadas”.

É difícil prever o que vai acontecer com as crias dos coxas, mas você não precisa ser especialista para saber que aquilo é uma espécie de curso de maus modos e de como virar um ressentido e um proto fascista.

Ensinar o medo e a raiva não é algo que necessite de lições ou manuais. Adultos podem simplesmente transmitir esse sentimento através de piadas e xingamentos. As crianças querem se encaixar naqueles círculos sociais, ser aceitas, e vão simplesmente imitar o que vêem e ouvem.

Mamãe e papai sentem orgulho de perceber que os pequenos são como eles. Os garotinhos ficam felizes ao notar que, repetindo o discurso de ódio, recebem em retorno alegria e reconhecimento dos mais velhos. Que tipo de sujeito acha legal levar os filhotes para ver uma pessoa como Marcello Reis ser aclamada num carro de som?

O que os coxas cometem com seus filhos nesses ambientes vai assombrá-los no futuro.

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Kiko Nogueira
No DCM
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RBS, aquela da Zelotes, cumpre à risca a NOG - Nova Ordem da Globo


Surpreendente a reportagem de hoje do Jornal do Almoço da RBS mostrando o grau de analfabetismo político presente nas manifestações de ontem em Porto Alegre.

Será que eles se deram conta do monstro que criaram?

Fiquei surpreso com a mudança de pauta da RBS.



Cássio Moreira
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O discurso de Vagner Freitas


Na última quinta-feira, 13 de agosto, em solenidade no Palácio do Planalto, Vagner Freitas conclama a sociedade brasileira a tornar-se construtora da democracia. Em seu discurso, rejeita a onda de intolerância e de preconceito, assim como defende a unidade nacional e um projeto de desenvolvimento econômico e social.

No entanto, na ocasião causou polêmica a frase em que conclama a sociedade brasileira a “ir para as ruas, entrincheirados, com armas na mão, se tentarem derrubar a Presidenta Dilma Rousseff”.

Para não cometer equívocos interpretativos, é preciso analisar o contexto em que é proferido tal discurso.

Em primeiro lugar, não se trata de um discurso em comício, com público amplo e variado. Ao contrário! Seu discurso dirige-se a uma audiência especializada e homogênea, no caso, os convidados para o evento “Diálogo com os Movimentos Sociais”. Em segundo lugar, em discursos políticos é usual o emprego de figuras de linguagem. Em audiências não especializadas em termos científicos o foco é o convite ao engajamento político, o chamamento e o convencimento dos ouvintes. Portanto, o discurso de Vagner Freitas é um discurso político para um público restrito e homogêneo, não se confundindo com discurso científico em que palavras costumam ter significados mais precisos.

Com essa advertência como pano de fundo, passemos a analisar o sentido da expressão “ir para a rua, entrincheirados, com armas na mão, se tentarem derrubar a Presidenta Dilma Rousseff”.

Essa análise terá como linha condutora a empreendida pelo que os especialistas em linguagem chamam de “análise do discurso”, mais especificamente pela análise dialógica do discurso, em que são considerados seu contexto, sua interatividade, sua polifonia e sua interdiscursividade.

No que diz respeito ao contexto em que é prolatado o discurso do presidente da CUT, é preciso contemplar duas nuanças: (1) é proferido ante uma platéia formada por pessoas engajadas em causas políticas semelhantes às da CUT, isto é, por militantes de partidos e de organizações não governamentais de esquerda, que têm na luta por igualdade e por inclusão social o objetivo dessa militância. (2) O discurso do presidente da CUT é um dos pontos altos do evento, vez que se trata da fala do líder da maior central sindical do Brasil e ponto de referência para as tomadas de decisão das demais lideranças e das organizações congêneres à CUT.

A interatividade discursiva das palavras proferidas por Vagner Freitas diz respeito à coerência entre o que é dito e o modo que é percebido pelos ouvintes. Trata-se da adequação das palavras e do tom empregado ao público a quem o discurso se destina. Desse modo, a fim de ter sucesso como orador, a pessoa adapta sua performance às expectativas da audiência. Essa interatividade é tanto maior quanto mais houver simbiose entre orador e ouvintes. Por isso, a importância do emprego de palavras de ordem e a utilização de chavões para facilitar a marcação discursiva e, com isso, alcançar-se o ponto máximo de aprovação tanto ao discurso quanto ao orador.

A polifonia discursiva refere-se aos pontos de contato da fala prolatada com outras vozes, com as quais concorda ou discorda. Assim, o discurso do presidente da CUT se contrapõe explicitamente às vozes que pregam o impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Por isso, referido discurso classifica-se como reativo e, como tal, vale-se de termos e de expressões próprias à resistência política e as emprega para mobilizar sua base, (“ir para ruas”), para que essas se defendam de ataques, (“trincheiras”), com vistas ao objetivo político de conservar o mandato presidencial de Dilma Rousseff.

Não por acaso a interdiscursividade coincide com o apogeu da oração de Vagner Freitas. Essa interdiscursividade diz respeito à interação desse com os demais discursos. Nesse caso, a interdiscursividade consiste na oposição política dessa oração ao movimento político que pretende tolher o mandato presidencial. Assim, a polêmica que se segue ao discurso do presidente da CUT revela o quão satisfatório ele foi.

Por conseguinte, representações penais contra seu discurso são apenas tentativas de criminalizar um discurso político, sem a mínima chance de ser recebido como representação criminal pelo Ministério Público ou de eventual denúncia ser acatada pelo Judiciário, pois violaria a mais mínima noção de racionalidade presente no sistema jurídico brasileiro.  

Vagner Freitas move suas palavras com clara disposição de enfrentamento político. Ele se sabe líder político e, como tal, modela o alcance e o objetivo de suas palavras. Define com precisão um objeto, estabelece uma performance, mobiliza atores, tudo em prol de uma causa política.

Por outro lado, o engajamento político defendido por Vagner Freitas diz respeito à superação da dicotomia entre autonomia privada e autonomia pública. Como a democracia é uma conquista recente no Brasil, era comum que o destino político da classe trabalhadora fosse entendido como assunto de poucos. Na medida em que vê os cidadãos como autores e como destinatários das normas jurídicas e responsáveis pela elaboração de seu próprio destino, o presidente da CUT avoca para a sociedade civil o protagonismo na definição de seu futuro.

Com isso, como protagonista político, Vagner Freitas supera uma das grandes armadilhas da modernidade, que consiste em reduzir os cidadãos a sujeitos parciais. O presidente da CUT almeja mais: pretende que os cidadãos se tornem livres e iguais, isto é, que assumam para si o ideal de Píndaro, “torna-te o que és!”

Luiz Moreira
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Nota à imprensa: Sede do PT Municipal foi invadida nesta madrugada (17)


O Diretório Municipal do PT-SP informa que teve sua sede, no centro, invadida na madrugada desta segunda - feira (17).

Durante a invasão vasculharam gavetas e armários, e até o momento não foi identificado furto de pertences. O Boletim de Ocorrência foi realizado no 1° Distrito Policial da Sé.

O PT municipal entende que é preciso investigar e apurar o caso com prioridade, diante dos fatos que já ocorreram. Esse é o quarto acontecimento, somente em 2015.

O primeiro foi na sede do Diretório em Jundiaí, seguidos dos atentados à bomba nas sedes do Diretório Zonal - PT Centro e no Instituto Lula.

Diante dessa situação é preciso que apure e punam os culpados.

Paulo Fiorilo
Presidente do Diretório Municipal do PT -SP
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Reunião de cúpula analisa os protestos contra Dilma


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Não era amor, era cilada

Amor, Ordem e Progresso. O binômio positivista na verdade era uma tríade — assim como a Liberdade-Igualdade-Fraternidade dos franceses, só que sem rimar. Nosso trinômio era ainda mais chique, em verso livre. "O amor vem por princípio, a ordem por base/ O progresso é que deve vir por fim/ Desprezastes esta lei de Augusto Comte/ E fostes ser feliz longe de mim", cantava Noel.

O amor estava no princípio, antes do Verbo. Ou talvez o amor fosse um verbo — da quarta conjugação, daqueles verbos terminados em "or": por, depor, transpor, amor.

Imagina que lindo ter amor na bandeira — mas os inventores do país tiraram o elemento fundamental da tríade positivista. Amputaram a fraternidade da nossa tríade, e assim nasceu nossa república: amorfóbica.

Não sou o primeiro a levantar essa bandeira de uma outra bandeira. Jards Macalé fez campanha pela volta do amor na flâmula. Chico Alencar fez um projeto de lei. Suplicy (saudades) tentou emplacar o projeto. Nada. Ao contrário da bíblia, do boi e da bala, o amor não tem bancada. O amor não faz lobby e ficou do lado de fora da festa da democracia. Talvez aí tenham começado os nossos problemas: no recalque da fraternidade.

Lembro que uma vez reclamei para um francês que eles eram pouco afetivos, enquanto nós brasileiros vivíamos numa cultura mais amorosa. E o professor, roxo de raiva, perguntava, aos berros, onde estava, na história do Brasil, o amor pelos negros, pelos gays, pelos índios, pelas crianças de rua.

O carinho que temos pelos nossos semelhantes é proporcional ao ódio que temos pela diferença. Nossa fraternidade é seletiva. Só temos fraternité com quem é cliente personnalité.

Nossa cultura é muito erótica — e muito pouco amorosa. O amor liquído aqui já tá gasoso. Ou como dizia o Poeta: não era amor, era cilada. Cilada. Cilada.

Não quero engrossar o coro dos que acreditam que protesto é coisa de gente mal amada. Acho que pode haver muito amor no protesto.

Mas não encontrei nesse. Houvesse mais amor, não estariam protestando contra o fato do DOI-Codi não ter enforcado a Dilma quando teve oportunidade. Não teria gente dizendo que "tinham que ter matado todos os comunistas em 64".

Houvesse mais amor, estariam pedindo o fim do programa nuclear brasileiro. Houvesse mais amor, estariam pedindo o fim do incentivo à indústria bélica. Houvesse mais amor, estariam protestando contra a polícia que acaba de cometer uma chacina — não estariam tirando selfie com ela.

Toda revolução é uma obra de amor — caso contrário, é golpe.

Gregório Duvivier
No fAlha
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Coxinhaço volta a ironizar ato Fora Dilma

Coxinhaço reuniu manifestantes contrários ao ato Fora Dilma
Como já virou tradição em Porto Alegre, em um novo dia em que manifestantes pediram pela saída da presidente Dilma Rousseff da presidência, também é realizado o chamado “Coxinhaço” para marcar a posição contrária.

“Parece que se tornou uma cultura. Quando tem o ato dos coxinhas, nós fazemos o Coxinhaço”, disse Matheus Castro, que fez parte da organização do ato. Segundo ele, o evento, convocado pelo Facebook, contou com o apoio do Bloco da Diversidade, SindBancários, Federação dos Metalúrgicos e outros movimentos de esquerda.

Marcado para às 16h, o ato reuniu dezenas de pessoas na esquina da Rua da República com a Rua Gen. Lima e Silva, no bairro Cidade Baixa. Foram vendidas coxinhas de galinha ao preço de R$ 2 — quem não tinha poderia levar de graça, assim como doações a mais também eram bem-vindas — para ironizar o ato realizado no Parcão, considerado como uma manifestação da “elite coxinha” brasileira”. Além disso, também ocorreu uma exposição de exposição de trabalhos de cartunistas contra a redução da maioridade penal.

Ato também contou com manifestações contra a redução da maioridade penal | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Ato também contou com manifestações contra a
redução da maioridade penal
Inicialmente, a presença de público era tímida, com poucos manifestantes aguardando as coxinhas ficarem prontas e curtindo o som de uma banda que improvisava instrumentalmente — sem palavras de ordem como no ato do Parcão — clássicos da cultura popular brasileira.

Um dos primeiros a chegar foi Vicente Schneider, militante da União da Juventude Socialista, que disse salientou que a importância do “Coxinhaço” era a defesa do resultado das urnas. “É importante estar aqui em defesa da democracia, contra essa onda de golpe e contra as forças conservadores que tentam colocar uma agenda de recesso no País. É importante demonstrar não apoio ao governo, mas ao resultado das urnas”, afirmou.

Aos poucos, porém, o público foi aumentando e a expectativa da organização é que o evento reunisse, assim como nas outras vezes, cerca de 300 pessoas.

Presente pela terceira vez em um “Coxinhaço”, o professor César Weinmann, do Colégio Estadual Inácio Montanha, salienta que, diferentemente do ato contra o governo, o evento é marcado pela diversidade.

“Pode parecer parcial, mas basta olhar a reprodução das imagens. Se tu olhar aqui, vai ver um pessoal em clima de confraternização, diversidade e inclusão. E, se tu for lá, vai ver uma coisa extremamente de ódio, excludente e sectária. Eu prefiro estar do lado das manifestações populares e includentes”, disse.

Jornal-Sul21-GS-560-11
Ato reuniu defensores do governo Dilma
Jornal-Sul21-GS-530-08
Foto: Guilherme Santos/Sul21
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Luís Eduardo Gomes
Fotos: Guilherme Santos
No Sul21
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800 mil não anulam os votos de 54 milhões


Segundo as informações mais recorrentes, teriam sido cerca de 800 mil os manifestantes de ontem (16/08) contra o governo Dilma, em todo o país. Algumas fontes falam em aproximadamente 500 mil, outras sugerem mais de um milhão. Especula-se se o número de manifestantes teria sido maior ou menor do que nas outras duas manifestações deste ano - parece que a de ontem teria ficado em uma posição intermediária. Questiona-se também se a quantidade de manifestantes nos eventos contra o governo Dilma seria maior ou menor do que aqueles que saíram em passeatas para apoiar o governo.

Todos esses números e especulações são absolutamente irrelevantes. Explico.

É óbvio que a quantidade de brasileiros que gostaria de ter participado das manifestações de ontem é muito maior do que a daqueles que efetivamente saíram às ruas. Certamente, haveria mais do que dez ou vinte milhões de pessoas que engrossariam a multidão, e não foram por motivos os mais diversos: moram em regiões distantes nas quais não houve passeatas, não puderam ir por motivos pessoais, por preguiça, por medo, etc.

Da mesma forma, o número de cidadãos que gostaria de participar de manifestações pró-Dilma é muito maior do que os números, por exemplo, de 1º de maio, e os motivos da não-participação são idênticos. Não tenho dúvidas de que dezenas de milhões igualmente estariam nas ruas apoiando o governo.

Eis porque considero irrelevante analisar quantas pessoas efetivamente foram à manifestação A ou B, contra ou a favor. Esses números não representam, nem de longe, o universo  daqueles que fazem oposição ou apoiam o governo federal.

O que se deve analisar é outra coisa.

Que os manifestantes tenham todo o direito de organizar passeatas contra o governo Dilma, me parece ser ponto pacífico. Faz parte da Democracia a possibilidade de os cidadãos demonstrarem seu descontentamento (ou apoio) por várias formas, inclusive por meio de manifestações nas ruas. Só mesmo quem nutre algum viés autoritário poderia discordar disso. Até mesmo integrantes do governo Dilma já deixaram bem claro (inclusive ontem à noite) que consideram perfeitamente democráticas as manifestações — e não poderia ser diferente.

Da mesma forma, é não só natural como também salutar que cidadãos se manifestem contra a corrupção, embora fosse interessante que as pessoas se informassem um pouco melhor a respeito e direcionassem sua indignação de forma racional e não emocional.

O que não é razoável, porém, é utilizar a indignação (ou suposta indignação) contra a corrupção como pretexto para pregar a derrubada de um governo legitimamente eleito, em função de discordâncias ou descontentamentos quanto à atuação do governante. Se o cidadão não gosta da condução do governo federal (e, reitero, tem todo o direito de não gostar), que mantenha acesa essa chama, que organize seus amigos, famílias e conhecidos para, nas próximas eleições, lutar pela vitória de alguma proposta de oposição. Não há, porém, no ordenamento jurídico brasileiro, a opção de se defenestrar um governo (seja ele qual for) por não se gostar dele. Esse cacoete autoritário, felizmente, não foi inserido em nossa Constituição. Cabe ressaltar que é igualmente ilegítimo tentar forçar alguma mancha de "corrupção" em quem não a carrega — e é esse o caso de Dilma (e as tentativas nesse sentido têm se mostrado, no mínimo, patéticas).

Os números efetivamente relevantes, em contraposição aos dos presentes em passeatas, são os números finais das eleições. Em outubro de 2014, os números disseram que a Presidência da República seria ocupada, pelos quatro anos subsequentes, por Dilma Rousseff. Que os manifestantes não se esqueçam disso, e que abandonem essa postura infantil do tipo "não fui escolhido pro jogo, vou levar a bola embora".

Que respeitem a vontade da maioria e, democraticamente, tentem vencer em 2018.

Reinaldo Del Dotore
No 247
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Fascistas hostilizam equipe da Globo

O sinistro Movimento Brasil Livre (MBL), que evita revelar seu vínculo com as bilionárias fundações empresariais dos EUA, é muito ingrato. Até recentemente, seus chefetes — como o fascista mirim Kim Kataguiri — eram paparicados pela famiglia Marinho. Apesar da trajetória obscura e da falta de ideias, eles viraram celebridades nos vários veículos da empresa — no jornal O Globo, na revista Época e nos telejornais da TV Globo. Bastou um aparente recuo tático do império global — que teme que o caos na economia afete seus negócios e que a reação popular ao golpismo contagie o país —, para o MBL já tratar os seus aliados da Rede Globo como inimigos. Vale conferir a notinha do UOL deste domingo:
“Incitados por representantes do Movimento Brasil Livre que falavam em cima de um trio elétrico, manifestantes cercaram e xingaram a equipe de jornalista da TV Globo, que saiu do local escoltada por policiais militares. A equipe foi abordada no momento em que o repórter Paulo Renato Soares entrevistava manifestantes favoráveis à intervenção militar no país. Segundo os críticos, a fala dos entrevistados não representaria o movimento anti-Dilma e seria editada a favor da 'causa esquerdista do governo'". Na sua lógica doentia, a TV Globo estaria a serviço da "causa esquerdista do governo". 
Este é um típico caso em que o feitiço se volta contra o feiticeiro. Chega a ser engraçado. A famiglia Marinho incentivou ao máximo os golpistas que pregam o impeachment de Dilma e ajudou a chocar o ovo da serpente fascista no Brasil. Agora, ela engole o seu próprio veneno! Será a que TV Globo vai acionar seus "jornalistas investigativos" para apurar as origens e as sinistras ligações do MBL? Ou a valente famiglia Marinho fará o jogo dos fanáticos desta organização fascista, que pretendem incendiar o Brasil? Qual é, de fato, o jogo do poderoso império midiático? A conferir!

Altamiro Borges
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Dilma e a saída pela direita

As manifestações de domingo encerram um paradoxo aparente. Pesquisas de opinião, marteladas com estridência, colocam Dilma Rousseff no ponto mais baixo de popularidade entre presidentes anteriores. A oposição — conduzida por golpistas declarados, antipetistas virulentos e derrotados incorrigíveis — apostou suas fichas nisso.

O raciocínio da turma emplumada previa a apoteose da onda de protestos. Não foi exatamente assim. Em número de pessoas, cifras iniciais apontam uma certa desidratação, ao menos nos grandes centros. Em quantidade de locais, talvez não. A conferir, pois se contabilizam como "atos" encontros de gatos pingados nos EUA, Austrália, Grã-Bretanha, Portugal e quem sabe Ibiza, St. Moritz e Miami, claro.

Seja como for, nenhum dos lados tem condições de festejar vitória. Embora menores, os protestos apontam para a permanência de uma queda-de-braço que, neste momento, tem seus principais lances decididos em gabinetes refrigerados e não no calor das ruas. Esse é o ponto.

Dilma obteve algum fôlego do ponto de vista da maldita governabilidade, com o adiamento de decisões dos tribunais que fazem cerco ao Planalto. O fantasma do golpismo paraguaio recolheu-se momentaneamente. Mas a que custo?

Pedra filosofal em cartaz, a Agenda Brasil é um programa de destruição de conquistas sociais de causar inveja à antiga UDN. Exemplos: mexe na aposentadoria, libera o uso obrigatório de verbas na Saúde e Educação, promete sacramentar a terceirização selvagem, favorece o setor ruralista, ameaça rendimentos do funcionalismo. Também afaga os planos de saúde com mais benesses. Pensou-se até em começar a privatização do SUS. Um desastre social.

Publicamente, o padrinho do monstrengo reacionário é o presidente do Senado, Renan Calheiros. Seu currículo político dispensa maiores comentários. Mais importante são os bastidores. A Agenda Brasil surge simultaneamente à movimentação do Planalto em direção ao grande capital.

Ao que já se sabe, e pelo que talvez nunca venha a público, no mesmo período multiplicaram-se reuniões de emissários do governo com presidentes de grandes bancos, empresários graúdos e magnatas das telecomunicações. A governabilidade passou a ser defendida pelo presidente do Bradesco, o vice-presidente do Grupo Globo, mandatários da Fiesp e da Firjan e outros tantos plutocratas. Margaridas e alguns movimentos sociais, independentemente de sua vontade, apenas coloriram o ambiente, como aquelas decorações usadas para enfeitar festas e banquetes da elite bem de vida.

Muita água vai correr por baixo desta ponte (para desespero de Geraldo Alckmin, exceto na Cantareira e adjacências). Mas a saída à direita decididamente enfraquece o governo. Ninguém tem dúvida: Dilma, Lula e o PT prosseguem na linha de tiro, ainda que somente para imobilizá-los.

Feitas as contas, constata-se dia após dia que um dos principais trunfos do Planalto é a indigência política das lideranças da oposição, inconfiáveis mesmo para os milionários que sempre as sustentaram. Isso hoje: numa conjuntura volátil, trata-se de uma combinação com prazo de validade impossível de prever. A única certeza é a de que arranjos semelhantes podem até salvar mandatos, engordar lucros e emparedar governos; jamais são capazes de melhorar a situação de um país.

Ricardo Melo
No fAlha
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