15 de ago de 2015

Empresa acusa Época de mentir e de não lhe dar direito de resposta


“Em vez de perguntar claramente o que temos a dizer sobre as acusações que constituem o coração da reportagem, a revista se valeu de questionamentos laterais, tirando de nós o direito básico à defesa”, diz nota divulgada pela Agência Pepper Interativa, alvo de matéria publicada pela revista. Empresa alega que não teve o direito de resposta atendido pela publicação

A Agência Pepper Interativa, que trabalha com produção de conteúdo para web e campanhas publicitárias e eleitorais, acusa a revista Época de fazer acusações infundadas sobre suas atividades, além de não lhe conceder o direito de resposta garantido por lei. Matéria publicada pelo semanário na última sexta-feira (14) afirma que a agência “montou uma operação intrincada no exterior para receber valores da construtora Queiroz Galvão” — ação que teria envolvido, segundo a reportagem, a criação de uma offshore de fachada no Panamá e de uma conta secreta na Suíça.

A empresa argumenta que o repórter responsável pelo texto não lhe fez perguntas diretas sobre os assuntos que pretendia abordar. “Em vez de perguntar claramente o que temos a dizer sobre as acusações que constituem o coração da reportagem, a revista se valeu de questionamentos laterais, tirando de nós o direito básico à defesa”, contrapôs, em nota.

Confira abaixo o comunicado emitido pela agência:
A revista Época publicou uma reportagem sobre a Pepper, na qual faz afirmações gravíssimas, sem lastro factual. Pior, sem nos dar o direito de responder às duas maiores acusações, absolutamente infundadas:

1) a de que Carolina Oliveira, esposa do governador Fernando Pimentel, seria “uma espécie de sócia oculta” nossa.

2) que teríamos intermediado recursos do BNDES a Pimentel, no tempo em que era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

No questionário encaminhado por Época à Pepper, não há referência às duas imputações. Em vez de perguntar claramente o que temos a dizer sobre as acusações que constituem o coração da reportagem, a revista se valeu de questionamentos laterais, tirando de nós o direito básico à defesa.

Para sustentar a afirmação pesada de que Carolina Oliveira seria “uma espécie de sócia oculta” nossa, Época se ampara na informação de que ela “distribuía cartões no mercado como se fosse representante da Pepper”. Não é “como se fosse”. Carolina Oliveira era uma representante nossa. Mesmo sem ser informados de que a suspeita da revista era essa, explicamos os cartões de visita, da seguinte forma: “A Pepper tem o costume de confeccionar cartões de visita para aqueles que mantêm contatos externos, mesmo colaboradores. Foi o caso da sra. Carolina Oliveira”. Durante os 28 meses em que trabalhou conosco, Carolina Oliveira recebeu cerca de R$ 440.000 reais — uma média de R$ 15.700 reais por mês —, absolutamente dentro dos padrões de mercado.

Para sustentar a segunda grave acusação, de que a Pepper teria intermediado recursos do BNDES a Pimentel, a revista escreveu: “Funcionou assim: entre 2013 e 2014, a Pepper recebeu R$ 520 mil do BNDES por serviços de publicidade e repassou R$ 236 mil a Carolina Oliveira”. Como informamos à reportagem, Carolina Oliveira jamais indicou a Pepper para o BNDES ou qualquer outro cliente público, de forma que não recebeu qualquer remuneração pelo contrato. O trabalho para o BNDES foi solicitado à Pepper por uma agência de publicidade contratada pelo banco, que cotou o serviço com outras empresas concorrentes. Vencemos com a melhor proposta.

Posto que seu interesse era sugerir que tudo não passou de um repasse de recursos, Época poderia ter nos solicitado provas de que o serviço foi realizado ou, valendo-se da legislação de transparência, requerer os dados ao próprio BNDES. O questionário encaminhado pela reportagem não pede o envio de evidência contratual para este trabalho. Ressalte-se que 520 mil reais por dois anos dá, recolhidos os impostos, um rendimento médio mensal de R$ 17.700 reais.

Época tem o direito de não acreditar nas respostas que recebe, mas tem o direito de simplesmente não perguntar? Tem o direito de deixar de fora do questionário encaminhado justamente as graves acusações que planejava formular? E que respondidas, como só podemos fazer agora, mostrariam a fragilidade do material apurado? A Pepper entende que não.

Apresentar a Pepper como uma empresa de fachada não é apenas uma mentira, é uma agressão. A Pepper soma mais de 100 clientes atendidos, tem 51 colaboradores diretos, participou de várias campanhas eleitorais vitoriosas e já recebeu premiação internacional por seu trabalho em campanhas políticas, além do reconhecimento por ações promovidas na web.

A Pepper tomará todas as medidas para defender sua imagem e reputação e para evitar que sua atuação profissional seja deturpada.

Pepper Interativa

No Fórum
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Todas as empresas caíram fora do Criança Esperança. E você ainda vai doar R$ 7?


No passado empresas como Azaleia, Tramontina, Banco do Brasil e Petrobras patrocinavam o programa Criança Esperança da TV Globo. Neste ano NENHUMA empresa patrocinou. Todas caíram fora (ver figura acima com a captura da tela do site).

E você, ainda vai doar R$ 7,00 ?

O Criança Esperança tem 30 anos (desde 1985). Faz muito barulho para pouco resultado. E não apresenta uma prestação de contas com transparência.

Até 2003, enquanto ainda havia crianças no Nordeste passando fome, antes do Bolsa Família, os donos da TV Globo ficavam cada vez mais ricos, inclusive vendendo anúncios em cima de reportagens sobre... crianças passando fome no Nordeste, como fez o Jornal Nacional em 2001.

Enquanto a Globo fazia este projeto de marketing de caridade chamado Criança Esperança, o ativismo político de extrema-direita no jornalismo da emissora detonou os direitos das crianças.

Foi contra as Escolas de horário integral criadas pelo Brizola em 1983 que, se tivessem sido implementadas totalmente, ninguém estaria falando hoje em redução da maioridade penal.

As organizações Globo fazem editoriais contra os trilhões do pré-sal irem para a educação pública das crianças e jovens.

Além disso, enquanto o Criança Esperança recolheu R$ 15 milhões no total do ano passado, a Globo paga R$ 5 milhões por mês de salário para o Faustão (por ano dá quatro vezes o valor arrecado no  Criança Esperança). Paga R$ 2 milhões para o vencedor do Big Brother.

Por que eles não doam um pouco dos milhões que ganham, em vez de pedirem a você para doar R$ 7,00?

O McDonald's doa um dia de seu faturamento para o tratamento de crianças com câncer. Em uma hora da novela da nove, a Globo fatura cerca de R$ 20,3 milhões em anúncios (pelo menos faturava antes de espantar anunciantes com alarmismo sobre crise). Se doasse apenas o faturamento de uma hora de anúncios já recolheria mais do que as doações dos telespectadores ao Criança Esperança.

Mas a Globo não enfia a mão no próprio bolso. Ela quer fazer você de otário, fazendo você doar R$ 7,00 para a família mais rica do Brasil fazer filantropia às suas custas.

Deve ser por essas e por outras que nenhuma empresa patrocina mais o Criança Esperança.

No Amigos do Presidente Lula
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Contra perseguição, Lula deve assumir ministério já


Luiz Inácio Lula da Silva deve aceitar imediatamente um convite para integrar o ministério de Dilma Rousseff. Ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, não se trata de um atalho para a impunidade ou qualquer outra posição privilegiada.

É uma medida dramática, ainda que sujeita a vários graus de incompreensão.

Mas Lula tem o direito e até o direito de se defender contra uma perseguição política cada vez mais clara, reforçada agora pela divulgação em detalhes de uma investigação em torno da empresa Luiz Inácio Lula da Silva, LILS. Diálogos telefônicos são vazados, informações financeiras sobre seus familiares vem a público, com a única finalidade de criar um ambiente favorável a um ato arbitrário. Não é difícil adivinhar o que está em curso. 

Aprendi, ainda nos tempos da luta contra a ditadura, que a democracia é um combate que se deve travar de modo incondicional. 

Os direitos e garantias democráticas que a Constituição garante a uma pessoa devem estar acima de outras considerações. Não podem ser colocados sob suspeita nem ser motivo de insinuações maliciosas. Não podem ser flexibilizados ao sabor de conveniências políticas. Existem para serem respeitados e usufruídos dentro da lei. Quando isso não acontece, a pessoa tem todo direito de tomar providências a seu alcance para defender-se. 

Se o preço para preservar a liberdade de Lula consiste em assumir uma cadeira no ministério, não vejo a razão para que isso não seja feito. É um político que ajudou a construir o governo que está aí. Tem representatividade inegável. E se você acha "estranho" fazer isso, pergunto se considera normal que as pessoas permaneçam presas durante meses, sem culpa formada. Que sejam pressionadas a fazer delações premiadas como único meio de recuperar a liberdade.

Sei que muitas pessoas apóiam o que está ocorrendo. Eu discordo. E basta ler jornais para encontrar juristas respeitados, que pensam do mesmo modo. 

Não custa lembrar que situação não irá impedir a abertura de eventuais denúncias contra Lula nem que elas sejam apuradas cuidadosamente, como acontece, aliás, com dezenas de políticos já denunciados na Lava Jato.

Mas irá garantir ao ex-presidente condições adequadas para defender-se, o que é difícil de imaginar que esteja ocorrendo agora. Vivemos num mundo que, como diz o ministro do STF Marco Aurélio Mello, "prende-se primeiro para apurar depois", num sistema que outro ministro, Teori Zavaski, denunciou como "medievalesco."

 Quem se der ao trabalho de verificar minhas notas anteriores neste espaço, verá que esta posição é coerente com o ponto de vista que defendi no passado, durante o julgamento da AP 470. Vários políticos ligados ao PSDB foram denunciados. Enfrentando provas e testemunhas, o que nem é o caso contra Lula, renunciaram aos respectivos mandatos para serem julgados em primeira instância. 

Não acho que eles enfrentavam uma acusação injusta. Pelo contrário. No mérito, muitos casos eram escandalosos, até. Mas se a lei prevê este direito, ele precisa ser respeitado. É o princípio de que a lei deve valer para todos e assim deve ser.

Este é o preço a se pagar pela opção de viver numa democracia, ensina mestre Marco Aurélio Mello, ministro do STF. Claro que o ministro não estava falando de Lula. Definia uma regra geral que, em minha humilde opinião,  pode ser aplicada a este episódio. Como disse Marco Aurélio, é um preço a pagar relativamente módico. 

Paulo Moreira Leite
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O valetudo da Polícia Federal contra Lula

Quem controla a PF?
Até quando seremos obrigados a engolir vazamentos criminosos da Polícia Federal?

Ou será que viramos um estado policial, em que a PF não presta contas a ninguém.

Quebrar o sigilo bancário de Lula e passá-lo logo a quem, a Veja, foi um golpe de extrema sordidez.

O objetivo foi apenas confundir uma parcela dos leitores incapazes de qualquer tipo de discernimento.

Não houve nada de interesse público na operação. Ao contrário, foi um ataque sinistro ao interesse público, dado que o estado não pode invadir a conta de ninguém e nem, muito menos, torná-la pública por vias escusas.

É, repito, uma manobra para manipular pessoas.

O que você esperar encontrar na conta de alguém que há quatro anos faz palestras na casa de 150 mil dólares?

Lula é um dos mais caros e mais requisitados palestrantes do circuito mundial.

Suponha que ele em determinado momento tenha feito duas palestras por semana. Vou até baixar o preço: 100 mil dólares.

Oito por mês — o que configura uma agenda tranquila — dariam 800 mil dólares, coisa de 2,5 milhões de dólares no câmbio de hoje.

Desconte impostos, taxa de agente, o dízimo petista e outras coisas.

Sobra muito dinheiro, 1 milhão de reais por mês, por aí.

Desde que Lula deixou a presidência, já se passaram meses suficientes para que ele montasse um patrimônio considerável.

Na última campanha, a Folha noticiou que Marina — que figura na segunda ou terceira liga das palestras — levantara com elas 1,6 milhão em três anos. E ela não tinha e não tem acesso ao roteiro internacional.

Fazer palestras milionárias ao fim da presidência se tornou comum com a globalização dos anos 1980.

Ronald Reagan e Margareth Thatcher foram os primeiros ex-líderes a ganhar fortunas com isso.

Seus sucessores, Clinton e Blair, se tornariam também estrelas das conferências.

(O colunista da Veja Reinaldo Azevedo conseguiu dizer que Thatcher morreu pobre, no pseudo-obituário que fez. Apenas uma casa que ela deixou em Mayfair, a área mais nobre de Londres, vale mais de 10 milhões de dólares.)

No Brasil, o primeiro a palestrar com cachês milionários foi FHC. Numa matéria da Piauí, algum tempo depois de deixar o Planalto, ele contou que comprou malas vermelhas para facilitar recolher a bagagem em suas múltiplas viagens internacionais para fazer palestras.

Lula seguiu os passos de FHC, e de tantos outros.

Uma questão honesta — e que valeria para todo mundo – é se os cachês não são absurdamente altos.

Ex-presidentes têm pensões vitalícias exatamente para prevenir dificuldades pós-poder.

Nos Estados Unidos, a pensão foi introduzida em 1955, por conta da precária situação financeira do ex-presidente Truman.

Mas é claro que nem a Polícia Federal e muito menos a Veja têm qualquer propósito honesto ao trazer à tona o saldo bancário de Lula.

O mais irônico é que as consequências práticas serão irrelevantes.

No DCM, em circunstâncias completamente diferentes, abordei criticamente o mercado de palestras milionárias para ex-presidentes.

Citei Lula, e vi depois qual era o tom com que os petistas reagiram. Imaginei que haveria algum tipo de indignação pelo menos em alguns.

Nada.

Os leitores diziam o seguinte: “Dos ricos, o Lula cobra muito. De nós, não cobra nada. Deixa ele em paz.”

De tudo isso, sobra que a direita quer, desesperadamente, pegar Lula.

Não há ninguém, entre os conservadores, capaz de enfrentá-lo em 2018. E então vale tudo para tirá-lo da disputa — incluído aí transformar o Brasil num estado policial.

Paulo Nogueira
No DCM
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Aécio tem 72 horas para prestar esclarecimentos ao TSE

Área técnica do tribunal encontrou erros na prestação de contas da campanha do tucano à Presidência, em 2014


O Tribunal Superior Eleitoral solicitou que o senador e candidato derrotado à Presidência, Aécio Neves (PSDB), preste esclarecimentos em até 72 horas sobre indícios de irregularidades na prestação de contas da campanha presidencial de 2014.

O despacho, assinado pela relatora do processo, a ministra Maria Thereza Moura, não detalha quais são as irregularidades, mas informa que os erros foram apontados pela área técnica do tribunal.

As informações financeiras da campanha do tucano ainda não foram julgadas pelo plenário do TSE. Em dezembro do ano passado, o Partido dos Trabalhadores denunciou ao tribunal ilegalidades na relação da campanha com empresas prestadoras de serviços.

O principal indício apontado pelo PT no requerimento foi que 28 dessas empresas foram criadas somente em 2014. Além disso, apenas 21% das notas fiscais das pessoas jurídicas foram juntadas aos autos entregues ao TSE.

Faltaram, ainda de acordo com os advogados do PT, documentos obrigatórios, como extratos bancários do período de campanha e o termo de encerramento das contas bancárias.

A prestação de contas também não apresentou o contrato com o fotógrafo da campanha, nem da produção e oferta de conteúdo para celulares, como vídeos para aplicativos.

O PT também apontou que a campanha tucana recebeu doação no valor de R$ 100 mil pela Associação das Indústrias Químicas (Abiquim). A legislação eleitoral proíbe a doação por entidades de classes.

Segundo a ação protocolada no TSE, há evidências de que o valor tenha sido transferido, em 31 de julho, da conta do partido para a campanha de Aécio.

Há ainda suspeita de fraudes e nulidades na emissão de três notas fiscais de gráficas, que teriam sido duplicadas e emitidas fora do prazo eleitoral, no valor total acima de R$ 2,5 milhões.

As notas fiscais não são numeradas, o que dificulta a conferência das informações prestadas pelo comitê financeiro da campanha.

Lava Jato

Levantamento feito pela Agência PT de Notícias mostra que Empresas citadas nas investigações da Operação Lava Jato doaram, ao menos, R$ 35,77 milhões à campanha do tucano. O valor representa 16% das doações apresentadas ao TSE.

O valor refere-se à soma, item por item, das doações declaradas no site do TSE por instituições que integram o cartel denominado “clube das empreiteiras”, responsável pelo esquema de desvios junto a doleiros e ex-diretores da empresa.

Cristina Sena
No Agência PT de Notícias
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O “Tratado sobre a tolerância” de Voltaire e a intolerância nossa de cada dia

Podemos aprender muito com a leitura do Tratado sobre a tolerância, escrito por Voltaire em 1763 para expor como concebia a convivência pacífica entre seres humanos diferentes e divergentes, mas que se relacionam entre si. Mesmo com as incoerências do autor e contradições que aparecem ao longo do texto e da distância que nos separa da época da publicação da obra, o pensamento de Voltaire ainda é inspirador para que possamos realizar as nossas próprias reflexões sobre o tema. Aliás, é isso o que torna relevante a leitura de um texto clássico e não uma presumida capacidade de explicar com exatidão a realidade.

Na época, o livro foi proibido de circular na França, tão acirrados eram os conflitos entre católicos e protestantes, tema principal do livro. Os acontecimentos que motivaram a elaboração da obra foram a condenação e execução do comerciante de tecidos de religião calvinista Jean Calas, de 63 anos, em 10 de março de 1762, pelo tribunal criminal de Toulouse, com entusiasmado apoio da população católica local, que determinou que o réu fosse “quebrado vivo”, estrangulado e tivesse o corpo incinerado em uma fogueira. A acusação contra Jean Calas era de ter assassinado o seu filho que, segundo boatos, pretendia se converter ao catolicismo.

Informado sobre os acontecimentos, Voltaire redige o Tratado sobre a tolerância entre outubro de 1762 e abril do ano seguinte, discutindo os erros do processo e o clima de intolerância religiosa contra Jean Calas depois da morte por suicídio de seu filho Marc-Antoine Calas. Ainda em março de 1763 o caso é reaberto pelo Conselho do Rei. Dois anos depois Jean Calas é oficialmente inocentado e sua família indenizada pelo Estado francês.

A leitura do Tratado sobre a tolerância também nos ensina que a intolerância que muitas vezes prevalece no tratamento que os povos europeus dispensam aos outros povos com os quais entraram em contato desde o século XVI, é uma consequência até óbvia do tratamento mútuo observável entre os próprios europeus, em muitas situações habitantes de um mesmo país.

Para Voltaire o conflito religioso que levou à condenação injusta de Jean Calas demonstrava que a religiosidade pode deixar de lado a caridade para promover a violência nas relações humanas, incentivando o ódio e a perseguição, ao invés de promover o amor e a solidariedade. Para superar o fanatismo, e “diminuir o número de maníacos”, segundo Voltaire (2015, p. 4) a melhor maneira era “submeter essa doença do espírito ao regime da razão, que esclarece lenta, mas infalivelmente os homens. Essa razão é suave, humana, inspira a indulgência, abafa a discórdia, fortalece a virtude, torna agradável a obediência às leis, mais ainda do que a força é capaz”.

Logo se vê que o autor depositava uma grande esperança na difusão do racionalismo iluminista como um meio para promover a convivência democrática e a tolerância. Dois séculos e meio depois, infelizmente, já tivemos exemplos de sobra de como a racionalidade cientifica pode estar a serviço da intolerância, como demonstram as pesquisas tecnológicas de aplicação militar.

Voltaire nasceu em 1694 e viveu até 1778, um período histórico em que germinam as ideias e se acirram os conflitos que levaram à Revolução Francesa de 1789, e que alterou radicalmente as relações de poder entre a nobreza, de um lado, e de outro o chamado terceiro estado, composto pela burguesia, as nascentes classes médias de trabalhadores intelectuais e pequenos proprietários, trabalhadores urbanos e camponeses.

Uma reflexão que pode nos ocorrer, então, diz respeito às possíveis consequências do prevalecimento do ideal da tolerância, defendido por Voltaire, nesse contexto histórico revolucionário. Caso os estamentos e classes sociais em conflito, ou seja, o Rei, a nobreza e o chamado terceiro estado, adotassem o ideal da tolerância mútua, a revolução teria sido impedida e o antigo regime e as relações sociais feudais continuariam em vigência naquele país. A tolerância se revelaria, assim, como uma forma de conservação da ordem social.

Já a intolerância dos dominados em relação ao regime monárquico e ao feudalismo, por sua vez, gerou a violência revolucionária que colocou fim a séculos de opressão social e consolidou politicamente a modernização da sociedade francesa.

Voltaire apresenta inúmeros exemplos históricos de tolerância em diferentes povos, na tentativa de persuadir os franceses sobre a superioridade ética e benefícios práticos da convivência tolerante. O texto visa convencer os leitores de que a tolerância é viável e necessária para a conveniência da realização dos interesses privados e do estado. Foi elaborado para que as ideias nele defendidas fossem colocadas em prática na ação política e na vida social. Por isso os seus argumentos não partem de uma concepção idealizada e sublime de uma humanidade pacífica, e sim de situações históricas e formas de resolução dos conflitos que sejam efetivamente viáveis, pois aceitos pelos seus contemporâneos e pelos dirigentes do estado e pelo rei.


tolerancevarbergO estilo do texto é de um discurso que apela ao bom senso dos possíveis leitores cristãos. O autor deixa bem evidente que não defende a tolerância por estar imune aos preconceitos contra os outros povos, costumes e religiões, mas sim por considerar que a convivência tolerante pode trazer melhores resultados para todos.

Voltaire nem faz questão de esconder os seus preconceitos contra os egípcios, povo que ele considera “sempre turbulento, sedicioso e covarde, povo que havia linchado um romano por ter matado um gato, povo desprezível em quaisquer circunstâncias, não obstante o que digam dele os admiradores das pirâmides” (Voltaire, 2015, p. 59). “Seu antissemitismo, tão pouco de acordo com suas convicções iluministas”, como bem expressou Eric Auerbach (2012, p. 281), o levou a escrever que não se encontra em toda a história do povo judeu “nenhum traço de generosidade, de magnanimidade, de beneficência” (Voltaire, 2015, p. 73); em algumas passagens de sua obra predomina uma visão desumanizada e estereotipada dos negros (Voltaire, 1978, p. 62-63). Mesmo pensando dessa forma, Voltaire achava que era possível a convivência tolerante com esses diferentes povos. É evidente que podemos questionar se de fato alguém consegue ter uma convivência respeitosa e pacífica com aqueles sobre os quais cultiva representações tão negativas.

Tolerância e intolerância como estratégias

Tolerância e intolerância são duas formas de conceber como devem se dar as relações entre os humanos, seus grupos, classes sociais, nações e suas instituições religiosas, empresas, estados. São duas concepções diferentes sobre quais as estratégias que devem ser empregadas para a busca da resolução de conflitos de interesses ou de crenças, com ou sem o uso da violência.

A tolerância é a concepção de que as relações humanas devam ser baseadas na convivência pacifica entre indivíduos e coletividades que tem diferentes interesses, costumes, concepções e até aparência, mas que mesmo com divergências necessitam e optam pela continuidade dos relacionamentos sociais e transações mercantis, formando uma unidade nas relações sociais entre contrários.

Caso a estratégia da tolerância seja adotada, o conflito entre classes sociais, por exemplo, deverá ser limitado, pois as classes em luta terão que conter as suas demandas, para manter a possibilidade de realizar pelo menos uma parte de seus interesses. As classes proprietárias terão que garantir um mínimo de condições aceitáveis para que os trabalhadores não sejam eliminados ou simplesmente abandonem seus postos de trabalho. Já os trabalhadores terão que respeitar que a propriedade foi estabelecida como um direito para os patrões, que de outro modo não manteriam os seus empreendimentos que oferecem as oportunidades de emprego para os trabalhadores.

No contexto de uma sociedade capitalista os patrões não podem ser intolerantes com os seus trabalhadores, pois estes valorizam o capital, e nem os trabalhadores podem eliminar seus empregadores, pois ficariam sem os investimentos que garantem os seus salários. A tolerância volta a se revelar, então, como uma condição para a manutenção desse tipo de sociedade. Conflitos motivados por convicções religiosas ou costumes diferentes devem então ser controlados para que não inviabilizem o mínimo de convivência que pelo menos parcialmente beneficia a todos.

Do ponto de vista dos mais céticos, aqueles que concebem que deva prevalecer a tolerância nas relações humanas ou se beneficiam com a convivência pacífica, ou então não contam com os meios violentos à sua disposição para preferir a intolerância como estratégia para a subjugação pela força ou eliminação dos seus inimigos. Por isso optam pelas relações políticas democráticas, que são aquelas que preveem que os conflitos de opinião, crença e interesse serão resolvidos através da observância às leis e regras vigentes, de preferência previamente pactuadas entre os possíveis litigantes.

As sociedades contemporâneas são compostas por interesses tão heterogêneos e inconciliáveis, que não podemos ter a ilusão de que a convivência democrática e pacífica possa ser considerada como um valor absoluto pela unanimidade dos seres humanos, pois existem segmentos importantes e poderosos que dependem da perpetuação da violência para manter a lucratividade dos seus negócios. Em um relatório divulgado em 2013, aparece a informação de que as 100 maiores empresas fabricantes de armas faturaram 402 bilhões de dólares naquele ano, de acordo com o Stockholm International Peace Research Institute (Sipri), sendo que a maior parte desse faturamento ficou com empresas sediadas nos Estados Unidos e na Europa.

Uma fabricante de armas como a empresa norte-americana Boeing, mais conhecida por suas atividades civis de fabricação de aviões, ocupa o segundo lugar entre as 10 maiores empresas do setor, com faturamento de 30,7 bilhões de dólares, empregando 168.400 trabalhadores. A brasileira Embraer aparece na 62ª posição no mesmo ranking, faturando 6,3 bilhões de dólares em vendas, empregando 19.280 trabalhadores. A lista inclui muitas outras empresas que lucram com a intolerância no mundo atual e que são mais conhecidas pela fabricação de eletrodomésticos e automóveis como Hyundai, Hewlett-Packard (HP), Rolls-Royce, General Electric, Samsung, Mitsubishi etc.

Incontáveis acontecimentos violentos já expressaram o grau extremo a que chegou a intolerância nas relações entre os humanos de diferentes concepções, crenças, interesses ou cor da pele no mundo contemporâneo. É o que demonstram os exemplos dos atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos; a invasão das tropas norte-americanas no Iraque e no Afeganistão, que já deixou centenas de milhares de mortos; os conflitos entre judeus e palestinos na faixa de Gaza; os conflitos envolvendo o governo sírio e seus opositores armados; os atentados contra jornalistas da revista Charlie Hebdo e a um mercado judaico em janeiro de 2015, em Paris; o tratamento aviltante dispensado aos imigrantes que chegam à Europa diariamente.

Também devemos recordar o assassinato de nove fiéis negros que participavam de uma reunião de estudos bíblicos na Igreja Metodista Africana Emanuel na cidade de Charlleston, Carolina do Sul (EUA), no dia 17 de junho de 2015. A este respeito, uma matéria jornalística divulgada no portal da rede de comunicação inglesa BBC em 23/06/5015 informa que atualmente 784 grupos de ódio racial e defesa da supremacia branca estão em atividade nos Estados Unidos, dentre os quais 142 grupos com inspiração neonazista, e outros 72 vinculados à já antiga Ku Klux Klan.

Ainda no mês de junho de 2015, no dia 26, ocorreram mais três atentados terroristas de repercussão mundial, um contra turistas no balneário de Sousse, na Tunísia, e outro contra fiéis muçulmanos em uma mesquita no Kuwait, deixando dezenas de mortos e feridos, e um terceiro atentado contra um trabalhador francês na cidade de Lion, França.

A mensagem que fica é que a violência não poupa nenhum grupo social, nacionalidade, confissão religiosa e orientação comportamental no mundo contemporâneo.

Os exemplos de violência na sociedade brasileira atual, as disputas pela propriedade da terra, o racismo cotidiano contra as populações negras e indígenas, a violência contra mulheres, crianças e homossexuais, demonstram também que estamos muito longe da tolerância enfatizada há dois séculos e meio por Voltaire.

Conclusão

A crítica que fazemos à intolerância não deve sensibilizar aqueles que se beneficiam com a violência e o sentimento de insegurança que ela propaga. Mas num mundo em que a intolerância predomina ninguém pode se considerar seguro. A lucratividade obtida por uma minoria que aumenta os seus negócios na medida em que aumenta também a insegurança da maioria não pode prevalecer em relação ao direito de todos ao respeito à sua integridade física e identitária.

Embora esta defesa da tolerância possa parecer ingênua diante da onda contemporânea de violência, temos que difundi-la como antídoto contra aquelas concepções que propagam que o mundo só pode ser uma arena de luta de todos contra todos, afinal, esta é sua maior estratégia de marketing.

Para promover o respeito à alteridade, o conhecimento intercultural pode contribuir para que sejam superadas as barreiras do preconceito e do desconhecimento que separam e geram estranhamento entre indivíduos e grupos humanos.

Mas a defesa da concórdia entre os povos espalhados pela Terra, para não se tornar inócua, por se restringir às formas de animosidade entre indivíduos e grupos intolerantes em relação às identidades religiosas e culturais dos outros, deverá ser combinada com o reconhecimento de que a concentração da renda e da riqueza, do poderio militar e do acesso privilegiado às condições ambientais necessárias para a vida, a começar pela água e ar limpos e solos agricultáveis, são obstáculos que deverão ser superados para que prevaleça a verdadeira tolerância entre os seres humanos.

Referências
AERBACH, Erich. Ensaios de literatura ocidental. São Paulo, Duas Cidades, Editora 34, 2012.
BBC. “EE.UU.: ¿quiénes son los supremacistas blancos y cuál es su poder político?” http://www.bbc.com/mundo/noticias/2015/06/150622_eeuu_tiroteo_charleston_supremacistas_blancos_bd?ocid=wsmundo.content-promo.email.newsletters..newsletter. Acesso em 26.06.2015


VOLTAIRE. Tratado sobre a tolerância. São Paulo, Folha de São Paulo, 2015.

______. Cartas inglesas ou Cartas filosóficas. São Paulo, Abril Cultural, 1978.

Walter Praxedes é docente na Universidade Estadual de Maringá, Departamento de Ciências Sociais; Doutor em Educação (USP) e co-autor de O Mercosul e a sociedade global (São Paulo, Ática, 1998) e Dom Hélder Câmara: Entre o poder e a profecia, publicado no Brasil pela Editora Ática (1997) e na Itália pela Editrice Queriniana (1999).
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Lula defende a educação como forma de vencer as desigualdades do país


Em Ato Nacional pela Educação, organizado pelo PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a educação como forma de vencer as desigualdades do país e disse que o governo petista deve "dar o exemplo e se engajar ao máximo no PNE [Plano Nacional de Educação]".

O PNE foi sancionado no ano passado pela presidenta Dilma Rousseff. O plano define metas e estratégias para melhorar a educação nos próximos dez anos. As metas vão desde a creche até a pós- tratam da valorização dos professores e do financiamento da educação.

Referindo-se ao discurso de ontem (13) do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, Lula disse que o PNE "é a grande arma que a CUT [Centra Única dos Trabalhadores] tem que usar para mudar a historia desse país". Em cerimônia no Palácio do Planalto, Freitas disse que a CUT iria para as ruas "com armas na mão, se tentarem derrubar a presidenta Dilma".

O ex-presidente da República disse ainda que a população deve conhecer o PNE. As metas segundo ele, deveriam estar nos ônibus, nas igrejas, nos locais públicos. Ele também destacou algumas e, dirigindo-se ao ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, presente no evento, disse que a inclusão de todas as crianças e jovens de 4 a 17 anos nas escolas, deve ser feita até o ano que vem. “Vamos ter que conversar com os governos estaduais e municipais", disse Lula, acrescentando que a discussão não deve ser a falta de dinheiro, mas a busca por fontes de recursos.

Na entrada do Centro de Convenções Meliá Brasil 21, onde ocorreu o Ato Nacional pela Educação, um grupo de profissionais da educação em greve protestou contra os cortes orçamentários, que chegam a R$ 10,6 bilhões em educação. Entre as reivindicações dos grevistas, está o reajuste salarial de 27,3%, uma educação pública, gratuita e de qualidade e a valorização dos profissionais da educação.

Os trabalhadores alegam que algumas das reivindicações não exigem mais recursos e eles pedem uma postura mais firme do Ministério da Educação (MEC) para que elas sejam atendidas. A intenção do protesto era chamar atenção do ministro da Educação. Janine não se encontrou com os trabalhadores, mas tem reiterado que o MEC está aberto para o diálogo.

À imprensa, o líder do governo no Senado,  Humberto Costa (PT-PE), disse que acredita que o ambiente político está melhorando para a presidenta Dilma Rousseff. Ele aponta como motivos o diálogo com os movimentos sociais, por meio das reuniões que ocorreram nesta semana, a atuação de Lula e do PMDB e indícios de melhora na economia.

Sobre protestos agendadas pelas redes sociais para domingo em diversas partes do país contra o governo, ele diz que as manifestações fazem parte do jogo democrático. Para o dia 20, estão agendadas manifestações pró-governo: "Vamos investir para que haja uma grande manifestação em solidariedade ao governo e, principalmente, em defesa da democracia".

Mariana Tokania
No Agência Brasil
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A pirâmide da dominação imperialista

Prestem bem atenção neste gráfico, inspirado na imagem da nota de 1 dólar, e compreendam como funciona a dominação no sistema capitalista-imperialista. Esse são os princípios da religião do “deus-mercado”, representado pelo “Olho da Providência”, que é uma apropriação indevida de um simbolismo egípcio, da mesma forma que Hitler fez com a suástica que é um símbolo hindu.


Os Sete Degraus da Pirâmide

1) No topo da Pirâmide está a oligarquia financeira internacional, que são algumas poucas famílias que controlam a emissão e o valor de praticamente todo dinheiro do planeta que se lastreia pelo dólar, o qual ao se transformar em capital multiplica-se indefinidamente para retornar a elas mesmas, ainda mais valorizado.

2) Esta oligarquia financeira tem o controle sobre o Banco de Compensações Internacionais com sede em Basileia (Suíça), que dá a garantia de crédito aos bancos em todo o mundo em nome da “estabilidade monetária”, do controle inflacionário e de outros mitos defendidos como uma “religião do deus-mercado”, formulados pelas grandes universidades estadunidenses e difundidos mundo afora nos manuais de economia.

3) A serviço deles estão o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, que controlam os sistemas financeiros nacionais através do endividamento externo e interno, e de seu receituário recessivo que submetem nações inteiras a crises sistêmicas, como a que passou a América Latina nas décadas de 1980/1990 e a que agora passam os países da periferia europeia como a Grécia; a dívida é a forma de garantir um vínculo de dependência permanente, de modo que quando a situação torne-se insustentável o país seja obrigado a ceder tudo o que possuir de mais valioso para renegociar sua posição.

4) Os bancos centrais nacionais são “independentes” ou “autônomos”, o que significa que eles não têm controle político, mas sim controle financeiro através da banca internacional. Destes, o FED (Banco Central dos EUA) tem uma posição fundamental no centro da pirâmide, pois desde 1971, o dólar não tem lastro em ouro e pode ser emitido infinitamente de acordo com a estratégia dessa oligarquia. Assim, eles podem fabricar um ciclo de prosperidade ou uma crise, a depender do que interesse mais no momento. Com crescimento ou recessão, eles sempre ganham, pois nos momentos expansão eles aumentam seus lucros e nos de crise conseguem concentrar mais capital comprando aqueles que quebram e se endividam.

5) Para garantir tal domínio, seus tentáculos se estendem aos grandes bancos, que através das taxas de juros, do controle do câmbio e dos impostos garantem o comprometimento primário das receitas públicas (o famoso superávit primário). Eles exigem propriedades como garantia de empréstimos e financiamentos, de modo queos bens ficam hipotecados, tornando-se propriedades do banco caso algum fator impeça o pagamento em dia das parcelas e amortizações.

6) Detentores dos capitais, esses bancos tornam-se acionistas majoritários das grandes empresas e corporações transnacionais e multinacionais, que submetem ou se associam aos congêneres nacionais, procurando prioritariamente controlar setores estratégicos como recursos naturais, infra-estrutura, energia, alimentos, saúde, educação e principalmente a mídia, que dá a sustentação ideológica ao sistema. É inocência acreditar que existe concorrência no mundo contemporâneo, pois as grandes marcas são controladas em geral pelos mesmos cartéis, monopólios, oligopólios e holdings.

7) Tais companhias financiam as campanhas de candidatos em todos os países onde existe financiamento privado para as eleições. Os eleitos passam a atender apenas a tais interesses, submetendo o Estado e a sociedade a esse projeto. Se discordarem, não se reelegem porque não tem recursos para a campanha.

Assim, a democracia passa a ser apenas um espetáculo midiático, com uma indústria das eleições que se alimenta de campanhas bilionárias.

O que sustenta a Pirâmide?

1) Na base da pirâmide está o povo de todas as raças, culturas, crenças e ideias. Estão, portanto, os camponeses, trabalhadores da cidade, pequenos e médios empresários, profissionais liberais e autônomos que geram as riquezas para alimentar o topo. Estão todos os animais a serviço de hábitos alimentares historicamente determinados, as espécies ameaçadas pela expansão da agropecuária, bem como a natureza em todos os seus aspectos (água, minério, florestas, e mesmo o espaço sideral).

2) Quem mantêm econômica, ideológica, financeira e militarmente o sistema é o governo dos EUA, em coalizão com a União Europeia, Israel, países do Golfo, da OTAN e países aliados por vontade própria ou por coação. A ONU e os órgãos multilaterais são dominados por eles, porém, encontram resistência de países como os BRICS, da CELAC e outros emergentes.

3) Mas o que realmente garante a dominação do sistema é o hard e o soft power:

3.1) O soft power é o controle ideológico e da informação através da mídia e da internet. São os filmes de Hollywood que veem carregados de mensagens políticas. São as músicas promovidas pela indústria cultural que substituem as culturas de raís. São os conhecimentos técnicos e científicos que são disseminados inviesados. São os meios de comunicação hegemônicos que são alimentados pelo dinheiro do sistema. Também são os mecanismos modernos de tecnologia da informação pelo qual se desenvolve o controle absoluto de tudo o que se passa com cada indivíduo. Cada mensagem publicada, e-mail enviado, conversa por Skype, MSN ou Facebook é guardada, vigiada e documentada pelos serviços de inteligência dos EUA. Todos os aparelhos celulares são rastreados, e programas de espionagem estão inseridos em sistemas operacionais de código fechado como o Microsoft Windows e o OS/X da Apple.

3.2) O hard power é a guerra e os conflitos, que têm a OTAN como instituição que executa imperativos como:

a) invasões como as do Iraque e da Líbia para se obter o controle do petróleo e na Síria para se controlar rotas de gasodutos e oledutos;

b) a guerra “eterna” de Israel contra a Palestina para promover um “choque de civilizações” e alimentar o ódio entre “ocidente” e “o resto”;

c) a guerra do Afeganistão para se obter o controle geopolítico da Ásia central (ao norte a Rússia, a sudeste a Índia, a oeste o Irã e a leste a China).

Vale observar que o domínio espacial dos satélites garante o hard e o soft power.

4) Entendendo a lógica do sistema, consegue-se observar que toda a produção no mundo serve para sustentar um verme parasitário, que é o sistema capitalista como um todo, no qual algumas dezenas de famílias absorvem a riqueza produzida por todos os 7 bilhões de habitantes do mundo. Outras, milhares intermediárias beneficiam-se de parte dessas riquezas e por isto tornam-se árduas defensoras do sistema, não percebendo que servem apenas para perpetuar o modelo em que um maior contingente se vê explorado e excluído, usufruindo-se de míseras migalhas.Portanto, em todo o mundo a luta para reverter esse quadro será uma conjugação de esforços nacionais e internacionais, troca de informações e unidade nas ações. Como inverter a lógica da Pirâmide?

O princípio fundamental é o surgimento de novos valores na base da pirâmide, que se baseiem na paz, na solidariedade e na cooperação, com todos os povos aceitando-se e convivendo-se na diversidade, de forma harmônica e sustentável com o meio-ambiente e a biodiversidade, e procurando elevar os padrões de vida da sociedade e a garantia das liberdades religiosas e individuais. Assim, cada estrutura da pirâmide deverá ser reestruturada:

5) É necessário que haja uma verdadeira democratização do sistema político, sendo para isto eleitos aqueles que estejam ligados a causas anti-imperialistas, democráticas e populares, sem vínculos com o capital financeiro. Aqueles que se comprometem com esquemas de privatizações ou com projetos que beneficiem o banca financeira não podem ser eleitos em quaisquer instâncias. Por isto deve-se exigir o fim do financiamento empresarial das campanhas.

6) Isto será conquistado com uma mídia independente, a internet livre, e a democratização dos meios de comunicação. O controle público sobre as corporações será determinante, e os interesses empresariais devem ser submetidos à vontade pública. Se necessário, deve-se estatizar empresas estratégicas ou aquelas dominadas pelo capital financeiro internacional, garantido a efetividade no exercício de sua missão pública.

7) Todo apoio deve ser dado a cooperativas de crédito. Bancos públicos devem reduzir drasticamente o custo do crédito e estimular iniciativas alternativas de emissão de moedas, focadas na cooperação e no desenvolvimento social e ambiental, sem exigências draconianas.

8) Os Bancos Centrais precisam ser controlados e administrados de acordo com a necessidade do país, o bem-estar do povo e o desenvolvimento nacional. Seus membros devem ser eleitos e não podem possuir vínculos com a oligarquia financeira internacional, que é quem atualmente os controla.

9) O FMI e o Banco Mundial devem perder suas autoridades, sendo minados por dentro e por fora. Em seus lugares, devem emergir iniciativas de bancos regionais e nacionais, com foco no desenvolvimento e na integração solidária. Exemplos como o Banco do Sul, o Banco do BRICS e o Banco da Ásia devem ser estimulados, bem como outros tipos de arranjos contingencias de reserva.

10) O Banco de Compensações Internacionais perderá o seu poder quando o dólar deixar de ser a única moeda de reserva internacional. É preciso criar uma alternativa ao Swift.

Para isto é necessário uma nova arquitetura do sistema financeiro internacional, que imploda os tratados de Basileia, a ordem econômica pós-Bretton Woods e do pós-Guerra Fria.

Compreender o topo do sistema financeiro é o centro da questão. Para isto, vale destacar que o imperialismo uma etapa histórica do capitalismo que tem como subproduto o capital financeiro, que é a fusão do capital bancário com o industrial.

A manipulação midiática, as guerras fabricadas, a fome e a miséria no mundo apenas sustentam essa máquina. Não se pode ignorar que é nos EUA onde está o centro do poder mundial. Porém, esse grupo que tomou de assalto o Estado, o governo, o congresso e as instituições estadunidenses, não pode ser confundido com o povo deste país. A defesa da paz, da democratização da comunicação, da transparência dos processos políticos, a socialização dos meios de produção e o controle público do sistema financeiro devem ser os esforços conjugados de todos os povos para a construção de uma Nova Era para a humanidade.

Prof. Thomas de Toledo
No Ligia Deslandes
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Lula tem sigilo bancário quebrado e vazado à Veja


Oficialmente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é investigado pela Operação Lava Jato, o que já foi dito por diversos integrantes da força-tarefa paranaense.

No entanto, surgem indícios eloquentes de que Lula talvez seja o próximo alvo da operação. Ontem, o jornal Estado de S. Paulo divulgou uma conversa grampeada pela Polícia Federal entre ele e Alexandrino Alencar, um dos diretores da Odebrecht presos na Lava Jato (leia mais aqui).

Hoje, a revista Veja quebra o sigilo bancário do ex-presidente. Segundo a publicação, os dados foram obtidos a partir de um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) enviado à Polícia Federal e aos integrantes da força-tarefa paranaense.

De acordo com o relatório, a LILS, empresa de palestras do ex-presidente Lula, faturou R$ 27 milhões, desde que ele deixou a presidência da República. Destes, cerca de R$ 10 milhões teriam vindo de empresas investigadas na Lava Jato, como Odebrecht (R$ 2,8 milhões), Andrade Gutierrez (R$ 1,5 milhão) e OAS (R$ 1,4 milhão).

Essa devassa bancária contra um ex-presidente da República apontou também a destinação dos recursos. De acordo com o relatório, a LILS aplicou R$ 12,9 milhões, fez um plano de previdência privada no valor de R$ 5 milhões, recolheu R$ 3 milhões em impostos e fez transferências de R$ 4,3 milhões.

A quebra do sigilo bancário aponta até os repasses feitos por Lula a alguns de seus filhos. Lurian, por exemplo, recebeu R$ 385 mil. Luis Claudio ganhou R$ 209 mil e Sandro recebeu outros R$ 80 mil.

Veja abre sua reportagem dizendo que palestras de ex-presidentes não são ilegais. A revista afirma que Fernando Henrique Cardoso faz isso com frequência e que Bill Clinton é um dos campeões da modalidade, tendo recebido centenas de milhões de dólares por essa trabalho.

No entanto, apenas Lula, que deixou o Palácio do Planalto como o presidente mais popular da história do País, teve seu sigilo bancário quebrado, com a intenção clara de desmoralizá-lo.

Nas últimas semanas, o ex-presidente tem sido aconselhado por aliados a aceitar ser ministro do governo Dilma. Assim, ele passaria a ter direito ao foro privilegiado e só poderia ser alvo de ações movidas nos tribunais superiores.

No 247
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A Polícia Militar de Minas Gerais

‘Enquanto eu for comandante do Batalhão de Choque e receber a ordem, eu vou usar a força, sim’

Gianfranco Caiafa Comandante
do Batalhão de Choque
Mostramos ao senhor dois vídeos. Em um, aparece o protesto pacífico e depois a PM atirando sem que houvesse ‘provocação’. No outro, uma bomba é jogada em um ciclista caído no chão. O uso da força foi proporcional?

Na câmera pode parecer que a ação foi abusiva, mas esses são os meios de dispersão. Toda dispersão é traumática. A gente negocia exatamente para evitar o uso da força. Temos filmagens dos quatro momentos em que tentamos negociar com os manifestantes a abertura de uma das faixas, mas eles não nos atenderam. Eles disseram que iriam até a prefeitura e mudaram o itinerário subindo a rua da Bahia, que se transformou num dos principais acessos à região Centro-Sul. Nessa hora, iniciou-se a quarta negociação, em que demos um ultimato para que liberassem a via em cinco minutos. Porém, segundos após esse ultimato, eu fui atingido por uma pedra e dei o comando para dispersão.

Foram vários disparos de bala de borracha, um deles atingiu o fotógrafo deste jornal Denilton Dias. Não é possível fazer a dispersão só com gás lacrimogêneo?

É possível, desde que o manifestante não arremesse pedra no policial. A gente faz sempre uso proporcional da força. Sempre que vamos dispersar, usamos inicialmente o gás de pimenta, que é incômodo, mas não provoca lesão e o efeito é rápido. Depois o gás lacrimogêneo. A defesa do policial começa com seu escudo, e se a pessoa está atirando pedra, ele tem o direito de contra-atacar. E o que ele tem é a bala de borracha.

O senhor fez corpo de delito? Outros policiais foram atingidos?

A pedra pegou no meu coturno e atingiu minha mão, provocando sangramento. Já fiz o exame. A princípio, eu fui o único militar atingido. Só que é o seguinte: se eu tomo uma pedra, eu não preciso esperar minha tropa levar outra. Essa situação mais do que legitima a ação da polícia. Aliás, eu não precisava nem ser agredido para usar a força, não. Eu dei uma ordem legal. Se não for cumprida, eu tenho o poder constitucional de usar a força proporcional. Eles estavam impedindo a população de ir e vir.

Há vídeos mostrando essa pedrada?

Nós apreendemos várias pedras, estopas com gasolina, querosene. Estamos analisando as imagens e vamos mostrar que nossa ação foi legal.

Mas os policiais do Batalhão de Choque não são treinados para aguentar provocações?

Estavam xingando os policiais, a mãe deles, a honra do militar. Não tem como você fazer a liberação daquele espaço sem usar a força. Aquele pessoal (manifestantes) gosta de se fazer de vítima. Da mesma forma que tem pessoas questionando nossa ação, tem pessoas elogiando, e tenho certeza de que é a maioria. Na Copa das Confederações, em 2013, a Polícia Militar foi cobrada por não agir contra os vândalos que depredaram bancos e concessionárias porque o governador (Antonio Anastasia, na época) havia dado ordem de não usar a força. Enquanto eu for comandante do Batalhão de Choque e receber a ordem, eu vou usar a força, sim. Eu vou dar o choque de ordem quando for necessário.

Mas a ordem veio de quem? Uma nova manifestação está prevista. A postura da PM vai ser a mesma?

Nós temos um memorando da Polícia Militar orientando como proceder em casos de interdição de via. Após três negociações, se não houver a liberação da via, teremos que usar a força, de forma proporcional para garantir a liberação.Vamos manter nossa forma de agir para garantir a liberação da via.

* * *

PM diz que manifestantes de domingo são 'pessoas distintas'

No protesto de domingo (16) contra o governo federal será permitido o fechamento de ruas, já que o protesto foi avisado, segundo PM

Polícia Militar deu coletiva de imprensa sobre protesto desta sexta
Para o protesto de domingo (16), contra o governo federal, a Polícia Militar afirma que os manifestantes vão poder fechar as ruas próximas a Praça da Liberdade, na região Centro-Sul da capital. Isso porque eles avisaram antes a polícia sobre o trajeto. O Comandante do Policiamento Especializado Robson Queiroz afirmou ainda que perfil de manifestantes desta sexta e de domingo são “distintos”.

“O que a gente percebe entre a manifestação de agora e a que aconteceu como a que vai ser domingo, são pessoas completamente distintas, objetivos distintos, mas pra gente não interessa bandeira ideológica", disse Queiróz. Ainda segundo ele, a polícia vai agir em cada manifestação de acordo com a conduta das pessoas que estiverem manifestando.

Ainda segundo a polícia, haverá diálogo com os manifestantes no domingo e serão 2.000 policiais da Cavalaria, Batalhão de Choque e Policiamento Especializado acompanhando os manifestantes.

Joana Suarez | Natália Oliveira | Bernardo Miranda
No O Tempo
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Tiraram a chupeta do Merval


Merval voltou a chorar.

O principal colunista da Globo tem um blog, hospedado no portal do grupo.

Não entendo muito bem, visto que os sites da Globo recebem bilhões de todas as esferas de governo (municipal, estadual e federal),  porque o seu blog fica às moscas. Olhei os últimos posts e nenhum possui um mísero comentário.

Em todos os posts, lá está a mensagem fatídica: Seja o primeiro a comentar.

Quer dizer, entendo sim: é porque é ruim mesmo.

Voltemos ao choro de Merval. Percebe-se facilmente que seu humor degenerou depois que lhe tiraram o brinquedinho do golpe das mãos.

No post de hoje, igualmente sem comentário nenhum, o colunista, mais apalermado do que o normal, sai distribuindo coices para tudo que é lado.

O jornalista ficou horrorizado com a “metáfora” usada pelo presidente da CUT, de que pegaria em armas se houvesse um golpe contra a presidenta Dilma.

Pois é, Merval, mas infelizmente esse é o risco que corríamos, se o golpezinho paraguaio, que você e seus coleguinhas de jornal planejavam, fosse adiante.

Aliás, por falar nisso, até agora você não deu informações mais detalhadas sobre o teor da reunião a portas fechadas entre os editores do Globo, você e Eduardo Cunha. O que conversaram?

Aquilo pegou bastante mal, Merval!

Flagrado com a boca na botija, Merval tentou usar a tática do ladrão que grita “pega ladrão” para sair de fininho.

Citou o Cafezinho, que deu o furo, mas não deu o nome do blog: muito honesto, como sempre. E saiu falando em “blogs rastreados pela Lava Jato”, ou seja, praticamente entregando o jogo: que a Lava Jato está sendo efetivamente usada como polícia política, uma espécie de operação coringa que serve a qualquer propósito.

O colunista, ao se referir ao presidente da Central Única dos Trabalhadores, fala em “chefão da CUT”. Ao mencionar João Pedro Stédile, em “comandante do MST”. Os adjetivos hostis apenas evidenciam uma personalidade visivelmente transtornada por um ódio de classe de cunho fascista: odeia sindicalistas e sindicatos, e odeia movimentos sociais.

Em seguida, o ódio de Merval se volta para o ex-presidente Lula, o qual, segundo Merval, teria sido “apanhado indiretamente num grampo telefônico”.

Por aí se vê o mau caratismo combinado entre o setor tucano da PF, que não tem vergonha nenhuma de ser uma polícia política destrambelhada, que sai grampeando todo mundo e vazando o teor do que vaza para jornais de oposição, e o setor tucano da mídia.

E se a PF começasse a grampear e vazar conversas de jornalistas, empresários de mídia e banqueiros? Merval, na mesma hora, acusaria a existência de um Estado policial. Mas como é contra Lula e contra uma empresa de engenharia independente da Globo, então vale tudo.

Daí Merval abandona qualquer prudência e faz um ataque gratuito, grosseiro e irresponsável ao movimento sindical brasileiro.

Copio os dois parágrafos de Merval:
“Se não fosse perigosa a retórica desses movimentos periféricos ao poder sustentados pelas verbas do governo federal, seria ridícula essa linguagem de sindicalistas que, como está no voto do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, querem transformar o país em um ‘sindicato de ladrões’.“

O presidente da CUT, Vagner Freitas, foi o antecessor de João Vaccari na presidência do Bancoop, a cooperativa do triplex de Lula.”
É incrível a capacidade desses colunistas globais de concentrarem, em tão poucas palavras, tantas mentiras, leviandades e grosserias.

Ele começa falando em “movimentos sustentados por verbas do governo federal”. Ora, os sindicatos brasileiros são financiados por suas próprias verbas, independentemente do governo federal.

Quem é financiado pelo governo federal, para desgraça do Brasil, é a Globo.

Aliás, aconselho Merval a ler o livro O Quarto Poder, de Paulo Henrique Amorim, para saber dos podres da empresa onde trabalha. Roberto Marinho, patriarca da Globo, sempre se beneficiou — e abusou — de suas relações privilegiadas com o poder. Se alguém quiser estudar a corrupção no Brasil, não poderá jamais esquecer a Globo.

Em seguida, Merval repete a grosseria de Gilmar Mendes, e diz que “sindicalistas” querem transformar o Brasil num “sindicato de ladrões”.

Como é que é, Merval?

Isso inclui o sindicato dos jornalistas também? Ou inclui apenas os sindicatos que você não gosta?

O nível de irresponsabilidade, leviandade, grosseria de uma frase como essa me faz lembrar, mais uma vez, de minhas leituras de jornais estrangeiros, como Washington Post, New York Times, Le Figaro, El País, Le Monde.

Nenhum grande jornal, mesmo conservador, publicaria semelhante vulgaridade.

Não, Merval, o Brasil não tem nada a ver com a Venezuela, por inúmeras razões, mas suas colunas talvez copiem o que há de pior, de mais desonesto, agressivo e leviano na imprensa marrom da Venezuela.

Em seu blog sem comentários, Merval parece ter virado, ele mesmo, um troll, um desses comentaristas de blog expelidores de chorume.

A frase seguinte me parece a essência de um espírito doente: “O presidente da CUT, Vagner Freitas, foi o antecessor de João Vaccari na presidência do Bancoop, a cooperativa do triplex de Lula.”

É puro veneno. Não há nenhuma condenação contra Freitas, contra Vaccari, em relação ao Bancoop, nem Lula possui nenhum triplex. Merval se aferra à mentira contumaz da Globo sobre o “apartamento de Lula em Guarujá”.

Não haveria problema nenhum para Lula em possuir um apartamento triplex. Lula não tem porque não quer. Mas não tem, como já explicou mil vezes à imprensa.

A frase de Merval apenas evidencia, portanto, um espírito mesquinho, obcecado em disseminar veneno e mentiras.

Não admira que seu blog continue às moscas.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Para oposição, desgaste de Lula tem que ser agora, diz Carlos Araújo

Fundador do PDT e ex-marido de Dilma não acredita em impeachment e afirma que sede de poder levará Aécio a se candidatar pelo DEM




A crise política enfrentada hoje pelo governo Dilma Rousseff decorre de uma conjuntura de fatores que torna mais complexo o processo de restabelecimento da liderança da presidente, entretanto, de forma alguma impossível, na avaliação do advogado trabalhista, militante político e um dos fundadores do PDT, Carlos Franklin Paixão de Araújo. 

Hoje, aos 77 anos, ele mantém um importante escritório de advocacia na capital gaúcha e, nos últimos anos, tem recebido os principais protagonistas da política brasileira em sua casa, localizada à beira do rio Guaíba. Araújo é pai da única filha da presidente Dilma, com quem foi casado por mais de 30 anos. Atualmente é companheiro da arquiteta Ana Meira, mantendo fortes laços de amizade com Dilma. 

Durante entrevista exclusiva para o apresentador do Brasilianas.org (TV Brasil), Luis Nassif, Araújo definiu que a crise política vivida hoje decorre principalmente das dificuldades econômicas que o país enfrenta, apontando que um dos erros do governo foi não estabelecer em tempo um rumo econômico para sair da recessão. Para ele, portanto, é preciso apenas dar “alguns passos na economia” para se assistir uma redução significativa da crise política.

Ele avaliou, ainda, que o cenário para um impeachment é praticamente impossível, mas insuflado, sobretudo, por setores radicais que, ao longo da história do país, tentaram “chegar ao poder por uma via que não seja democrática”. Hoje esses setores — formados sobretudo pelo pensamento de extrema direita — encontraram apoio explícito de uma parte do PSDB, liderada por Aécio Neves, entretanto oposição, também explícita, de outras frações do mesmo partido, sobretudo lideradas por Fernando Henrique Cardoso, Alckmin e Serra. 

Para respaldar seus argumentos, o ex-deputado lembrou que os principais “consultores” de Aécio Neves são “dos setores mais atrasados do PSDB e do DEM”, sobretudo o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), o líder do PSDB no Senado, Cássio Lima e o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio. “Três homens da extrema direita, e o Aécio navegando nessas águas”, completou o ex-deputado. 

Outro ponto que dificulta significativamente um processo de impeachment no Brasil é de nível técnico. “Dilma tem hoje uma base formada por 51 do total de 81 senadores. Para impedir que o impeachment passe no Senado precisa apenas do voto de 28 senadores. Já na Câmara dos Deputados ela tem uma base de 303 entre 513 parlamentares e lá ela precisa apenas de 171 deputados para não passar o impeachment”, explicou. 

Para Araújo, todo o processo político em andamento para enfraquecer o governo Dilma e o PT trará impactos significativos nas eleições presidenciais de 2018, onde a oposição teme o fantasma da candidatura de Lula. Ele chamou a atenção para uma recente pesquisa feita pelo Datafolha que perguntou aos entrevistados em quem votariam na atualidade caso Dilma caísse. Cerca de 33% declararam voto em Aécio Neves, porém 29% elegeriam Lula. A margem a favor do ex-presidente é para Araújo um dado expressivo em meio a maior crise vivida pelo Partido dos Trabalhadores.

“Então, a questão toda por trás é como [a oposição precisa] atingir o Lula, em última análise. E por que tem que ser agora? Porque sabem que o governo acabará se recuperando um pouco e esse é o momento para atingi-lo. Se deixar um pouco mais, um ano, é capaz do governo começar a respirar”, disse o ex-deputado.

A mesma pesquisa do Datafolha, divulgada em abril, revelou também que o ex-presidente Lula foi considerado por 50% dos entrevistados como o melhor presidente da história do país. Fernando Henrique Cardoso apareceu em segundo lugar, com 15% das opiniões, seguido por Getúlio Vargas com 6%. 

Aécio Neves no DEM

O cenário, portanto, valida a tese de que o principal beneficiado por um processo de impeachment é Aécio Neves. Por isso outras cabeças do seu partido, isso é Serra, Alckmin e FHC, têm se manifestado contrários a queda de Dilma, percebendo que se a presidente, no final das contas, sair vencida de uma tentativa de golpe, podendo prosseguir seu mandato, perderiam votos e credibilidade frente a uma parcela da população.

Não à toa setores que representam os partidos de oposição ao governo já começaram a se manifestar contrários a um impeachment (veja aqui e aqui). Os resultados da saída dos líderes do Planalto também preocupam as “elites brasileiras significativas da indústria”, lembrou Araújo. Recentemente, as Federações das Indústrias de São Paulo e do Rio de Janeiro (Fiesp e Firjan) divulgaram uma nota oficial conjunta de apoio às propostas do vice-presidente e articulador do governo, Michel Temer, pedindo união da sociedade e das lideranças políticas em prol da governabilidade. 

Araújo avaliou Aécio Neves como um político fraco, incapaz de perceber os perigos de se aliar a setores mais conservadores para conseguir chegar ao Planalto. E seu discurso fica cada dia mais radical por perceber que a queda de Dilma, através de um impeachment, é a única chance dele se tornar presidente da república pelo PSDB. Lembrando que os últimos acontecimentos políticos dentro da sigla apontam grandes chances de Geraldo Alckmin disputar a presidência de 2018. 

“Por isso Aécio quer participar como a grande vedete dessa passeata do dia 16 de agosto. É uma coisa inacreditável ver um político se expor desse jeito, de uma forma primária”, prosseguiu o ex-deputado que já ouviu comentários de que Aécio teria portas abertas para se candidatar a presidência pelo DEM, em 2018, caso não consiga vencer as disputas para concorrer pelo PSDB.  

Dilma

Carlos Araújo ponderou que a grande obrigação da presidente Dilma Rousseff é tomar a iniciativa de fazer para a sociedade um discurso unificador, pedindo por uma grande conciliação nacional para a saída conjunta da crise econômica enfrentada. 

“Temos condições de superar, [o Brasil] é um país com tudo para dar certo, tem uma infraestrutura interessantíssima, temos riquezas minerais que nenhum país semelhante tem, um povo fantástico e aprendemos a jogar politicamente na esfera internacional. É um país confiável, só temos que nos acertar um pouco para tocar esse barco. E quem ganhar em 2018, seja quem for, vai governar um país estruturado com melhores condições para aproveitar”, comentou. 

Lula em 2018

O ex-presidente Lula é a única liderança política expressiva no Brasil, ainda que enfraquecido pelos escândalos de corrupção ligados ao seu partido. O fato de ser ainda uma figura significativa aumenta suas chances de ser novamente presidente. “Não há dúvidas de que ele é o candidato mais forte de 2018, todos sabem”, pontuou Araújo.

Mas o trabalho de Lula para angariar votos, caso entre na disputa eleitoral, será um pouco mais complicado. Ele deverá continuar dialogando com os trabalhadores, sobretudo das classes mais baixas, entretanto abarcar a classe média e a juventude, que desconhece o lado simbólico de sua figura, construído historicamente desde o final dos anos 1970.

Lilian Milena
No GGN
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Seminário discutido por Lula em “grampo” com executivo foi promovido pelo Valor Econômico

Norberto, Emilio e Marcelo Odebrecht
Um opositor poderia estranhar, sim, o nível de intimidade de um ex-presidente da República com o executivo de uma empreiteira. Como observou sarcasticamente a psolista Luciana Genro no twitter, se Lula disputar o Planalto em 2018, “será o candidato da Odebrecht”.

O comentário foi feito a propósito de mais um vazamento da Polícia Federal/Ministério Público, feito através do porta-voz dos vazamentos da Lava Jato, o Estadão: o grampo de uma conversa entre Lula e o executivo Alexandrino de Salles Alencar.

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A conversa foi gravada no dia 15 de junho de 2015. Para criar suspeição, O Globo diz que foi “às vésperas” da prisão de Alexandrino, que na verdade aconteceu dia 19.

Mas, afinal, do que trataram os dois na conversa? Basicamente, de um seminário promovido pelo jornal Valor Econômico no mesmo dia 15: Uma Agenda para Dinamizar a Exportação de Serviços.

Do seminário participaram, entre outros, o presidente da Odebrecht, o presidente do TCU, Rodrigo Azeredo — diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério das Relações Exteriores — e o “tucano de primeira plumagem” Gianetti da Fonseca.


O economista e sócio da Kaduna Consultoria, Roberto Gianetti da Fonseca, criticou nesta segunda-feira, 15, o caráter ideológico que passou a envolver as discussões acerca dos financiamentos públicos às exportações de serviços de engenharia. “Temos de acabar com essa demonização do financiamento às exportações de serviços”, disse o economista, ex-secretário de Comércio Exterior do governo FHC. “Que história é essa de se chegar no Senado e falar mal destes financiamentos por eles terem sido criados pelos presidentes Lula e Dilma? Isso tem que se tornar um projeto de Estado”, disse o economista, durante participação de evento sobre exportações de serviços, em São Paulo.

Ora, se a intenção é dizer que Lula fez lobby pela Odebrecht podemos dizer o mesmo de Gianetti e do próprio Valor Econômico, que promoveu o seminário e convidou Marcelo Odebrechet para falar?

Quanto ao elogio que Emilio Odebrecht teria feito ao “documento de vocês”, sublinhado pelo delegado da PF como se fosse algo sinistro, aparentemente se refere à resposta que o Instituto Lula deu a uma reportagem da revista Veja que denunciou contribuições de empreiteiras ao instituto. 

Não há nada de extraordinário ali.



O interesse da Odebrecht no assunto é óbvio: a empresa é uma das maiores exportadoras brasileiras de bens e serviços.

Porém, o delegado da Polícia Federal Eduardo Mauat da Silva, em seu relatório, parece ter lido coisas demais no diálogo. Não é de estranhar: assim funciona a mente policial.

Às vezes vê coisas onde há. Ou onde não há. Por exemplo? No relatório, o delegado diz que logo depois da prisão Alexandrino conversou com Marta Pacheco Kramer, identificada como funcionária do Instituto Lula. Só que não. Na verdade, ela trabalha para a Odebrecht. Um erro, vamos dizer, grosseiro!

É justamente por isso que, nos Estados Unidos, como escrevemos aqui, nem o FBI nem o Ministério Público vazam informações de inquéritos em andamento à imprensa. O risco, além de atrapalhar as próprias investigações, é de comprometer publicamente pessoas inocentes.

Como em “Marta Pacheco Kramer funcionária do Instituto Lula”. Ou em Marice, a cunhada do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que segundo “prova fotográfica” indiscutível da PF era Giselda, a esposa de Vaccari.

O motivo dos vazamentos do MP e da PF é simples: criar comoção pública que justifique condenações mesmo sem provas absolutamente consistentes. É o tal do julgamento midiático, defendido tanto pelo juiz Moro quanto pelos promotores da Lava Jato.

Abaixo, o artigo de Delfim Netto ao qual o ex-presidente Lula faz referência na conversa:

Exportação de serviços e o ‘complexo de vira-lata’


O Brasil vive o resultado de uma combinação trágica de eventos gestados pelo governo em 2014 para conseguir a reeleição: 1) um laxismo fiscal que duplicou o déficit fiscal (6,2% do PIB contra a média de 2,7% entre 2009 e 2013); 2) um déficit primário de 0,6% do PIB (o primeiro desde a ida ao FMI no primeiro mandato de FHC); 3) intervenções pontuais para controlar a inflação, que levaram o setor industrial à regressão de 1,2% e que 4) deixaram uma inflação “reprimida” da ordem de 2% a 3%; e 5) um aumento da dívida bruta/PIB de 2% (de 56,9% do PIB em 2013 contra 58,9% do PIB).

O mais importante ingrediente da campanha eleitoral foi a insistência da oposição na necessidade de um “ajuste fiscal”, o que o governo negou peremptoriamente: tudo estava em “ordem” e, portanto, se prosseguiria com a mesma política.

Pois bem. Antes mesmo da nova investidura, a presidente reconheceu implicitamente a realidade. Enviou ao Congresso algumas medidas que haviam sido preparadas pelo ilustre e mal compreendido ministro Guido Mantega. Tranquila e dialeticamente, negando a negação, o governo, como São Paulo na estrada de Damasco, sofreu uma conversão de 180º na sua política econômica.

Os eleitores, tanto os que preferiram Dilma (pouco mais do que 1/3) como os que a rejeitaram (pouco menos de 2/3) receberam, uns com enorme desilusão, outros com enorme ceticismo, o incontornável “ajuste fiscal”. E o PT, o principal beneficiário do “desajuste fiscal”, o recebeu com os dois. A essa gigantesca confusão política somou­se a econômica, o que inibiu uma coordenação sólida e confiável entre o Executivo e a sua base “virtual”, agora em reconstrução devido à competência e habilidade do vice-­presidente Michel Temer.

Isso deu margem para que, ao lado do aumento do desejável protagonismo do Legislativo, importante fator de aperfeiçoamento do processo democrático, se propagassem no Congresso mitos insensatos, como é o caso, por exemplo, de sugerir que os empréstimos para exportação de serviços de engenharia do BNDES são um “prejuízo nacional” e expô-­lo a uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Mesmo competente e com a melhor boa intenção, ela pode prejudicar a significativa exportação de tais serviços que vimos construindo com paciência e algum sucesso desde 1966.

Não é porque a “transparência” seja má, mas porque nossos competidores no mercado internacional de serviços de engenharia são a Espanha, os Estados Unidos, a China, a Alemanha, a França, a Itália e a Coreia, que estão sempre atentos a qualquer informação que lhes dê alguma vantagem, inclusive usando os seus serviços oficiais de espionagem.

É abusivo dizer que o BNDES é uma “caixa preta” e é erro grave afirmar que deve dar publicidade às minúcias das suas operações, o que, obviamente, revelaria detalhes dos contratos de seus clientes que seriam preciosas informações para nossos concorrentes e, portanto, contra o Brasil. É preciso perguntar por que o Ex­Im dos EUA não aguenta a concorrência dos insondáveis subsídios do Ex­Im chinês, a despeito da regulação da OMC?

É claro que o BNDES deve “prestar contas” aos órgãos reguladores, mas sob a proteção do absoluto sigilo. É lamentável que não se entenda que os recursos do chamado BNDES-­Exim não são remetidos para o país onde se faz o investimento. São usados como pagamentos em reais no Brasil, para centenas de empresas médias e pequenas, com milhares de operários, que fornecem produtos “exportáveis”, sem serem diretamente exportadoras. Elas jamais o seriam se não houvesse um “epecista” que as estimula e, não raramente, as ajuda a promover a incorporação de desenvolvimentos tecnológicos exigidos na dura competição internacional. O pagamento dos serviços, este sim, é em dólares que entram no país.

O Brasil tenta qualificar­-se como um exportador de serviços de engenharia há muito tempo. De acordo com informações internacionais confiáveis (“Engineering News Record”), ainda ocupamos uma participação muito modesta no setor: sete vezes menor do que a Espanha, EUA e China e quatro vezes menor do que a da Alemanha, França e Coreia. Somados, esses competem ­ com subsídios ­ por 2/3 de um mercado da ordem de US$ 550 bilhões por ano.

O desenvolvimento econômico depende de dois vetores: do investimento e da exportação. Os dois produzem efeitos multiplicadores parecidos, mas, sem a sólida expansão das exportações, o desenvolvimento pode ser abortado pelos déficits em conta corrente. A exportação de serviços de engenharia estimula o investimento nacional e a incorporação da melhor tecnologia, porque eles têm que estar no “estado da arte” para vencer a dura competição. Lamentavelmente o saldo dessa conta tem diminuído. Depois de passar por um máximo de US$ 4,3 bilhões em 2012, hoje anda às voltas de US$ 2 bilhões, com viés de baixa…

Não há maior afirmação do famoso “complexo de vira­-lata” do que demonizar o suporte do BNDES quando financia despesas em reais que geram produção e emprego no Brasil e não financia a despesa da instalação externa. E não há maior miopia do que não enxergar que “exportar é o que importa”.

* * *


O BNDES lamenta tentativas, na imprensa e em redes sociais, de manipular e distorcer informações buscando envolver o Banco em algo supostamente nebuloso a partir da divulgação de um diálogo entre o ex-presidente Lula e um executivo da Odebrecht. A conversa não faz referência direta ao BNDES e tratou de um seminário sobre exportação que teve ampla participação do público interessado e cobertura da imprensa.

* * *

Finalmente, já que estamos falando em grampo, que tal relembrar de um realmente comprometedor, do período da privataria das teles?


No diálogo mais importante, [o então ministro] Lara Resende diz ao presidente [FHC] que é necessário forçar o fundo de pensão estatal Previ a entrar no consórcio do Opportunity e da Stet. O presidente concorda. Considera arriscado manter o “aventurismo” que seria representado por um outro consórcio. Como representante do “aventurismo”, o presidente cita nominalmente o empresário Carlos Jereissati.

Depois disso, já que FHC concordava com a operação, Lara Resende pede explicitamente para usar o nome do presidente como forma de pressão. Os dois discutem como acertar a entrada da Previ, no consórcio do Opportunity com o grupo italiano. A Previ também negociava com o consórcio Telemar, de Carlos Jereissati. Eis o trecho da conversa entre os dois:

André Lara Resende – Então, o que nós precisaríamos é o seguinte: com o grupo do Opportunity, nós até poderíamos turbiná-lo, via BNDES Par. Mas o ideal é que a Previ entre com eles lá.

Fernando Henrique Cardoso – Com o Opportunity?

Lara Resende – Com o Opportunity e os italianos.

FHC – Certo.

Lara Resende – Perfeito? Porque aí esse grupo está perfeito.

FHC – Mas… e por que não faz isso?

Lara Resende – Por que a Previ tá… tá do outro lado.

FHC – A Previ?

Lara Resende – Exatamente. Inclusive com o Banco do Brasil que ia entrar com a seguradora etc. que diz, não, isso aí é uma seguradora privada porque…

FHC – … Não.

Lara Resende – Então, é muito chato. Olha, quase…

FHC – …Muito chato.

Lara Resende – Olha, quase…

FHC – Cheira a manobra perigosa.

Lara Resende – Mas é quase explícito.

FHC – Eu acho.

Lara Resende – Quase explícito.

FHC – Eu acho.

Lara Resende – Então, nós vamos ter uma reunião aqui, estive falando com o Luiz Carlos, tem uma reunião hoje aqui às 6h30. Vem aqui aquele pessoal do Banco do Brasil, o Luiz Carlos etc. Agora, se precisarmos de uma certa pressão…

FHC – …Não tenha dúvida.

Lara Resende – A idéia é que podemos usá-lo aí para isso.

FHC – Não tenha dúvida.

Lara Resende – Tá bom.

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