14 de ago de 2015

Lista da Prefeitura de SP de logradouros a serem rebatizados não inclui Roberto Marinho e Octávio Frias de Oliveira

Construída para servir de cenário à Globo
A Prefeitura de São Paulo divulgou a lista de logradouros com nomes de pessoas ou datas vinculadas à repressão durante a ditadura militar, mas deixou de fora o empresário Roberto Marinho, dono da TV Globo, cuja atuação foi fundamental para dar sustentação ao regime; também deixou de fora Octávio Frias de Oliveira, que emprestou um jornal — a Folha da Tarde — e veículos de entrega de jornais para campanas da Operação Bandeirante, que promoveu todo tipo de crueldade contra presos políticos.

Segundo o militante Ivan Seixas, “Octavião” tinha medo de ser fuzilado pelos guerrilheiros pelo papel que desempenhou durante a ditadura. Em editorial de 22 de setembro de 1971, Octávio Frias de Oliveira descreveu o governo do general Médici, no ápice da repressão, como  “sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular”. Presa durante a ditadura, a jornalista Rose Nogueira foi demitida da Empresa Folha da Manhã por abandono de emprego quando, segunda ela, seu empregador sabia que ela estava na cadeia! Nos estertores do regime, Frias pai se juntou à linha dura do general Silvio Frota, que era contra a abertura “lenta, gradual e segura”.

Ainda assim, ele dá o nome a um hospital e à ponte estaiada, aquela que foi construída para servir de cenário à TV Globo, nas proximidades da avenida Jornalista Roberto Marinho.

Sobre este assunto, vale ver “Cães de Guarda”, um livro que a própria autora, Beatriz Kushnir, diz que se tornou “maldito” nos círculos midiáticos. Por que?

Captura de Tela 2015-08-14 às 21.41.33

No Viomundo
Leia Mais ►

A agenda do ódio e os atos de domingo

O fortalecimento das instituições democráticas se faz com a ampliação de direitos, da transparência e da participação popular. Essas bandeiras estarão em cartaz no domingo?

Ato contra Dilma em Salvador, em 15 de março
Existem, basicamente, duas formas de analisar o impasse do momento político atual. A primeira leitura, mais otimista, parte da ideia de que as manifestações contra as tarifas de ônibus em São Paulo destamparam, a partir de 2013, uma onda de insatisfação coletiva em relação ao valor e a qualidade do serviço público nas grandes cidades do País.

Essa mobilização colocou em outro patamar a pauta de reivindicações sociais e escancarou os limites de um ciclo de desenvolvimento econômico baseado na distribuição de renda e da inclusão social a partir do consumo. Esse período de expansão colocou geladeira, estofados, aparelhos de TV e celular em muitos lares brasileiros, mas as pessoas eram ainda tratadas como gado quando entravam no ônibus, nos hospitais e nas escolas ou quando circulavam a pé por cidades mal iluminadas e serpenteadas por muros, fortificações e cercas eletrificadas.

A nomeação do mal-estar passou pela associação entre a precariedade do serviço público, incapaz de atender as demandas de uma sociedade cada vez mais exigente, veloz e conectada, ao peso da estrutura política.

Pouco depois dos primeiros protestos daquele ano, em entrevista a CartaCapital, o cientista político Marco Aurélio Nogueira, autor de As Ruas e a Democracia, recorreu ao conceito de modernidade líquida do filósofo Zygmunt Bauman para fazer o seguinte diagnóstico:

“A sociedade no Brasil dos últimos 30 anos foi se tornando líquida, mais ágil, mais rápida, mais diferenciada, muito conectada — hoje somos pessoas de rede, rapidamente seremos 200 milhões de pessoas conectadas no Brasil, já temos mais aparelhos de celular do que gente. É a demonstração de que está tudo conectado. Isso tudo é vida liquida em sentido metafórico, mas a política ficou no plano sólido. Os governos, os partidos, a classe política não acompanharam as mudanças sociais. Não se ajustaram. Parte da nossa insatisfação com a Justiça, por exemplo, é que ela é lentíssima, e nós somos rapidíssimos”.

Desde a eclosão dos protestos, que logo ganharam outras bandeiras (menos corrupção, mais transparência, menos chicotadas da polícia), é possível dizer que esta inquietação se transformou em demanda política e sacudiu as bases do sistema de representação. O resultado mais visível desta sacudida foi a promulgação, pela presidenta Dilma Rousseff, da chamada Lei Anticorrupção, que abriu as comportas do sistema jurídico para a prisão e responsabilização de peixes graúdos do outro lado da história (os corruptores), e não apenas os lambaris das grandes empresas.

No limite, a Operação Lava Jato, que prendeu donos e presidentes das megaconstrutoras do País, recuperou milhões de reais desviados e apreendeu Ferraris e Lamborghinis enquanto investigava a cúpula e o submundo político, poderia (e pode) significar, pelo didatismo, um outro salto nas relações entre representantes e representados. Essa nova relação seria pautada pelas demandas por mais transparência, mais critério com os gastos públicos (a começar pelos bancos de fomento), mais interesse e participação nas decisões políticas.

No limite do limite, essa mudança poderia determinar se um governante daria ou não de ombros para a gritaria contra obras desnecessárias para a Copa do Mundo, caso dos elefantes brancos que um dia foram chamados de estádios e hoje ligam o nada a lugar-nenhum em metade das cidades-sede do Mundial. Quem quisesse se (re) eleger deveria ouvir com atenção os deles e delas de qualquer protesto de rua.

Dois anos depois dos primeiros protestos, entretanto, o que existe hoje é uma bifurcação entre esse salto e uma realidade menos passível ao otimismo. Eis o desafio de quem hoje protesta com as cores e a bandeira do Brasil (não necessariamente em ônibus menos sucateados): lidar com contradições evidentes do próprio movimento.

Antes de ir às ruas no domingo, o manifestante poderia se perguntar, por exemplo, em que momento as palavras de ordem de coros e cartazes exigem a abertura das fendas para a participação popular no processo político — o que opera nos dias úteis da semana. Ou de que maneira essa participação será ampliada caso o objetivo último dos manifestantes seja um dia atendido: a queda da presidenta Dilma Rousseff, reeleita pelo voto popular há menos de um ano. Ou como reforçar o discurso em defesa da democracia com slogans, em si, imperativos (“fora”, “vai pra Cuba”, “morte aos...”).

Mais: será que o partido que elegeu a presidenta é de fato o partido que governa? Se sim, o que explica o acordão selado durante a semana entre a presidenta-alvo dos protestos e as lideranças do PMDB? Quem costurou o acordo, ela ou o vice Michel Temer? Ou: por que partidos igualmente investigados na Lava Jato, como o PP de Jair Bolsonaro, são preservados? Se a bandeira é o fim da corrupção, qual o sentido se estender os braços ou preservar dos discursos a figura de líderes como Eduardo Cunha, igualmente suspeito e investigado?

Para responder as perguntas é preciso, muitas vezes, invocar o óbvio, e este parece estar em desuso. José Celso Martinez Correa, também em entrevista a CartaCapital (veja abaixo), chama a atenção para uma coincidência histórica hoje presente pelas ruas: se há algo em comum entre o momento atual e os movimentos fascistas do início do século passado é a aglutinação do ódio em torno de uma única figura.

Esta aglutinação não permite identificar nuances nem aprofundar soluções (por exemplo, em relação ao sistema de financiamento de campanha, mas não só). E confunde participação popular com vontade das maiorias, hoje unidas em torno de um mal maior incorporado por um partido e governo.

O resultado do reducionismo é a agressividade, e este já desemboca em outros campos: agressões contra imigrantes supostamente protegidos pelo governo para "roubar" empregos nativos, o atentado contra o Instituto Lula, as ameaças contra quem cobre as manifestações antigoverno, a agressão contra leitores de revistas que os contestam. Fala-se em eliminar o câncer para a construção de um país mais democrático, mas aos poucos as ações materializam uma linguagem permeada de mensagens violentas e naturalizadas.

Não por acaso, a expressão “pegar em armas” já começa a surgir em discursos de defesa e ataque (outra linguagem figurada), e fica difícil dizer quando perdemos a vergonha de expor nossa inclinação bélica. Pois basta ler os comentários de portais ou o discurso de lideranças mais desmioladas para encontrar o apelo à violência como solução (não, o ex-presidente Lula não ajuda em nada, pelo contrário, instiga o ódio, quando pega o microfone para falar em “nós contra eles”).

Recentemente um dos jovens que agora querem mudar o mundo já declarou, para quem quisesse ouvir, que só um tiro na cabeça do partido inimigo resolveria a questão. É sentido figurado, mas não para quem já sofre as consequências, na pele, de uma linguagem já suficientemente violenta.

A verdade é que estamos hoje mais agressivos. Mais impacientes. Mais passíveis a soluções autoritárias e aparentemente fáceis. É quando a razão começa a se dissipar.

Em vez de ampliar os canais de participação, transparência e cobranças, a gritaria hoje intensifica a tensão política, enfraquece os alvos escolhidos seletivamente e, diante da instabilidade, possibilita que setores mais organizados tomem conta da agenda pública para emplacar suas condições de governabilidade.

É o que acontece quando líderes do PMDB no Senado, muitos deles empresários ou representantes do empresariado, negociam a rendição do governo Dilma com um pacto em torno dos próprios interesses: avançar sobre terras indígenas, privatizar parte do sistema público de saúde, atropelar normas ambientais, regular a terceirização, extinguir o Mercosul, entre outros pontos.

A chamada agenda positiva para sair da crise, resultado de erros incontestáveis do(s) governo(s), mas também do oportunismo político da oposição e da base aliada/rebelada, é hoje um flerte com o retrocesso.

Enquanto parte da população vai às ruas convicta de que o mal tem fronteiras bem definidas e demarcadas, e que basta arrancá-lo para o país fluir, o sucateamento de direitos sociais torna-se barganha para tirar a crise da agenda e manter tudo como está, inclusive o sistema de financiamento de campanha e a super-representação, no Congresso, dos mesmos grupos econômicos.

O fortalecimento do sistema político e das instituições democráticas se faz com a ampliação de direitos, da transparência e da participação popular. O desafio é encontrar qualquer dessas bandeiras nos cartazes de domingo. Quando terceirizamos essas demandas a salvadores da pátria (todos os que não representam o que não toleramos), a única agenda viável é a do ódio. Já sabemos, ou deveríamos saber, para onde ele nos leva.

Matheus Pichonelli
No CartaCapital



Leia Mais ►

O abuso de poder nos grampos da PF, a covardia de Cardozo, e o inútil ataque a Lula


A escuta telefônica, legalmente autorizada, não abrange a violação da intimidade de terceiros, salvo estes estejam, nos contatos com aquele que foi “grampeado”, combinado ilícitos ou se referido a informações relativas à produçõ de provas.

Fora isso, é uma violação indevida e criminosa e é isso que a Polícia Federal está fazendo ao vazar para o Estadão que o ex-presidente  Lula teria conversado duas vezes com um dirigente da Odebrecht ao telefone.

Aliás, a própria data dos telefonemas, 15 de junho passado, mostra que, ainda que houvesse algo a ocultar nas conversas, ninguém seria imbecil de, a esta altura, sabendo da síndrome de Gestapo que se apossou de alguns policiais — sob a completa passividade do inservível Ministro da Justíça, José Eduardo Cardozo —  falar de assuntos capciosos ao telefone, se existissem e devessem ser tratados.

E do que falavam Lula e o empresário, segundo o relatório dos arapongas federais curitibanos? De um artigo de Delfim Netto, que você pode ler aqui, defendendo o BNDES e do elogio feito pelo velho Emílio Odebrecht a uma nota publicada três dias antes pelo Instituto Lula, rebatendo acusações feitas pela Veja sobre seus contratos para palestras.

Onde está o ilícito, a suspeita, a conexão com qualquer crime dos que estejam sendo apurados?

Falar de eventos e opiniões públicas e publicadas é indício de crime?

Desde quando qualquer pessoa é proibida ou suspeita por conversar com outra, igualmente livre e em pleno gozo de seus direitos?

Comentar o artigo de Delfim Netto, a nota publicada três dias antes, o desempenho do Corinthians ou qualquer outro assunto é totalmente legítimo e se, por acaso, foi testemunhado pelos grampeadores, não poderia ter sido sequer objeto de registro em relatórios que, adiante, serão tornados públicos,  como não poderiam ser quaisquer outros diálogos não relativos a fatos criminosos.

Isso é, apenas, o resultado de uma completa indisciplina na Polícia Federal: o delegado que vazou os tais “grampos”, Eduardo Mauat da Silva, já atacou o próprio Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, sem que houvesse providências.

Vazam-se investigações, escutas, agentes treinam tiro ao alvo em caricaturas da Presidente e não acontece nada.

Ou melhor. Acontece, sim: está evidente que não têm nada contra Lula, a não ser a vontade imensa de envolvê-lo, seja como for, em suspeitas e desmoralização.

Estamos diante de uma espécie de distorção  que gera uma Polícia de Estado sui-generis. Enquanto a Gestapo, a Statsi, a KGB, a Pide, a Dina chilena praticavam toda a sorte de abusos para “proteger” governantes, a nossa, aqui, faz o mesmo, só que para atacá-los.

E como o Ministro da Justiça não cumpre seu dever de fiador da disciplina e da legalidade da ação policial e o Dr. Sérgio Moro e o esquadrão de promotores do Paraná os açula e acoberta nestes absurdos, vamos chegando a este estado policial festejado pela mídia.

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Manual do Manifestante – 16 de Agosto


1. Leve seu próprio pau de selfie. É chato pegar o pau dos outros;

2. Respeite a fila para tirar foto com policiais;

3. É estritamente proibido usar a cor vermelha;

4. Leve um casaquinho porque pode esfriar;

5. Leve dinheiro para o lanchinho da tarde ou uma mochila com toddynho e biscoitos dentro. Evite comer coxinha, pois pega mal;

6. Anote certinho o ponto de encontro onde o papai ou a mamãe vai te buscar quando acabar;

7. Nas postagens no facebook e no Insta, utilize a frase de efeito: “melhor ser coxinha que ser enroladinho”;

8. Tenha cuidado com seu Iphone, pois haverá muitos trombadinhas alimentados pelo “bolsa esmola”;

9. Nossas principais bandeiras são: fora PT; pelo fim da corrupção e pela paz no mundo. Temas como as reformas política e a do Judiciário são bobagens, coisas de comunistas;

10. Não pega bem pedir a volta da ditadura agora; vamos por partes, é preciso ter paciência, minha gente;

11. Para as garotas que pretendem protestar com nu artístico, lembre-se de usar maquiagem nas cores da bandeira brasileira;

12. É bom sair de casa bem informado: portanto, assista à Globo News logo cedo, leia a Veja da semana, a Folha de SP do dia, e acesse a Globo.com e o facebook para saber todas as novidades.

É isso aí pessoal, boa manifestação para todos! Vamos acabar com essa vergonha de PT que está transformando nosso país numa “Venezuela-Cubana”.

Obs: São 12 Dicas porque não pode ser 13.

16 de Agosto – Dia Nacional da Vergonha Alheia
Leia Mais ►

A fênix nativa

O governo Dilma oferece aos inquilinos da casa-grande as garantias para deixá-los sossegados
Antônio Cruz
Se o golpe não convém, ressuscite-se a conciliação

Com K ou sem K, a palavra caos se oferece a diversas interpretações. Em 1964, havia quem acreditasse que o golpe de Estado salvaria a pátria ao sustar o caos no nascedouro. Passados 51 anos, não falta quem entenda que do golpe nasceria o caos.

Cinquenta e um anos atrás, e mesmo desde agosto de 1961 com a renúncia de Jânio Quadros, a casa-grande deu para sentir-se ameaçada por Jango Goulart, o vice alçado à Presidência. O mundo era outro, dividido ao meio entre dois impérios, beligerantes de uma guerra dita fria. Os graúdos nativos apreciavam a condição de súditos do império do Oeste, o qual padecia, porém, de uma espinha no flanco, fincada bem ali a 100 quilômetros da Flórida, Cuba fidelista.

Jango ostentava um passado buliçoso, a começar pela origem getulista, e a prosseguir pela valente militância petebista, sem exclusão da perigosa proximidade com o cunhado Leonel Brizola. Só faltava chamar San Tiago Dantas para a Chancelaria. Implorada pela casa-grande e seus porta-vozes midiáticos, sustentada por Washington, a intervenção militar se deu sem derramar uma única, escassa gota de sangue nas calçadas. Falsos pretextos fazem parte do jogo.

O golpe de 64 é uma das grandes desgraças brasileiras, a mais recente. Interrompeu um processo natural que, ao longo dos anos, décadas talvez, demoliria a casa-grande e a senzala. Sofremos até hoje suas consequências.

Em relação à situação atual, gravemente turvada pelo descontrole parlamentar, pelo fracasso petista, pelo reacionarismo tucano, pelo terrorismo da mídia em meio a uma profunda crise econômica provocada tanto pela fé neoliberal que assola a Terra quanto por erros governistas, a posição de CartaCapital já foi exposta inúmeras vezes. Entendemos como golpismo puro qualquer propósito de impeachment ou de convocação de novas eleições.

fênix-editorial-mino-carta
Vivemos a enésima versão, revisada e corrigida, da conciliação
 das elites velhas de guerra, fênix nativa.
Poderia causar estranheza o fato de cidadãos graúdos, federações empresariais, dois jornalões e as próprias Organizações Globo se pronunciarem publicamente contra qualquer tentativa de apear Dilma Rousseff. Se bem entendemos editoriais, manifestos e entrevistas, desta feita a sanha golpista, caso satisfeita, precipitaria o caos, que agora é obrigatório evitar. Mudaram de ideia, e não me queixo. Até ontem os barões da mídia trombeteavam as manobras e, em geral, as manifestações anti-Dilma, e eis que aderem ao senso comum.

Por que, pergunto intrigado aos meus pensativos botões. Respondem que o mundo também mudou, o maniqueísmo dos anos 60 assumiu formas e cenários adequados a alterações fatais. Ao observar a conjuntura mundial, constata-se que o Brasil deixou de ser aquele súdito submisso de Tio Sam graças à política exterior praticada por Lula, ainda que Dilma tenha baixado um tanto a bola. Vale também registrar que o velho Sam perdeu muito do vigor de antanho. E, de resto, o Demônio hoje em dia não é o comunista. Além disso, as Forças Armadas, conquanto incutam um inextinguível temor como númeno, deixaram de ser, como fenômeno, um exército de ocupação pronto ao papel de jagunço da casa-grande.

É o pano de fundo. Na ribalta, a “guerrilheira” Dilma não é Jango, e seu governo oferta à casa-grande garantias suficientes para pôr em sossego seus inquilinos. Não é por acaso que o diligente bancário Joaquim Levy lá está para executar a lição da própria. Por que intervir, se a vivenda dos especuladores e dos rentistas está em ordem? E, de outro ângulo, por que enfrentar a incógnita do pós-Dilma, se por ora o governo acuado se dispõe a levar em conta, e se possível executar, um pacote de providências excogitadas pelo Senado, reduto, aliás, de numerosos oligarcas?

Melhor assim. Melhor que a tensão diminua e que o pior seja evitado. Nada impede que paneleiros incapacitados para o exercício do espírito crítico, e mesmo para a consciência da cidadania, renovem no domingo 16 seu protesto insensato. Pouco importa, prevalecerá a tendência desenhada pelos graúdos, tão escassamente preocupados com a fragilidade da democracia verde-amarela, mas sobremaneira com sua própria paz espiritual e material.

Na circunstância, melhor assim, repito. Nem por isso perco a oportunidade de assinalar: casa-grande e senzala continuam de pé. Vivemos a enésima versão, revisada e corrigida, da conciliação das elites velhas de guerra, fênix nativa. Percebo que neste momento mexe as asas debaixo das cinzas.

Mino Carta
Leia Mais ►

O estranho caso dos vários nomes do fundador do Movimento Brasil Livre

Renan Antônio/Renan Henrique/Renan Haas, do MBL
O MBL, Movimento Brasil Livre, ganhou, há meses, um garoto propaganda que lhe emprestou visibilidade por seu, vá lá, exotismo: Kim Kataguiri, o jovem de 19 anos que liderou uma imortal caminhada de São Paulo a Brasília.

Kataguiri divide a liderança e a fundação com um rapaz de 31 anos chamado Renan. Formado em advocacia na USP, Renan se define como “microempresário”.

Foi ele o autor do vídeo em que ameaçava processar o jornalista Ilimar Franco e sugeria que houvesse censura na “produção”. Ficou aparentemente ofendido porque Ilimar disse em sua coluna no Globo que havia nazistas nas manifestações.

Renan não tem o mesmo, vá lá de novo, carisma do chegado Kataguiri, mas dá recados sobre o impeachment, os petralhas, as esquerdas, a corrupção, a carga tributária, o bolivarianismo, a corrupção, a corrupção etc no site oficial e na página no Facebook.

Mas Renan tem uma peculiaridade: não existe só um Renan. Há vários, com diferentes grafias.

O nome completo é Renan Antônio Ferreira dos Santos. No entanto, assinou como Renan Henrique Ferreira dos Santos um artigo na Folha de S.Paulo. No Facebook, ainda, assina Renan Haas, com uma descrição enigmática: “eu sou eu?”

Como Renan Antônio, surge como um dos signatários de um pedido de impeachment entregue a Eduardo Cunha. O Renan Henrique é co-autor do artigo.

Por que alguém usaria outros nomes? Uma explicação é a necessidade de se esconder.

Uma pesquisa no Diário Oficial de SP aponta a existência de ao menos 27 processos envolvendo Renan Antônio como pessoa física e empresas das quais ele foi, ou é, sócio.

A família de Renan Antonio/Henrique/Haas é conhecida em Vinhedo, cidade a 75 quilômetros de São Paulo repleta de condomínios de alto padrão. No ano passado, a Câmara Municipal o homenageou, juntamente com outros companheiros, pelo “Movimento Renova Vinhedo”.

Trata-se de uma tentativa de think tank que se define assim: “Inspirados por idéias libertárias, buscamos fugir do lugar comum dos conceitos ultrapassados da velha política, buscando soluções modernas e eficientes para os problemas do município.” Têm uma “parceria” com o Instituto Liberal de São Paulo.

O MBL vive, segundo ele e Kataguiri, de doações. Vendem camisetas e outros acessórios. Dependendo do interlocutor, falam que arrecadam 10 mil ou 7 mil reais por mês. O escritório que aparece nos vídeos do grupo ocupa um andar numa região central de São Paulo. Num trabalho recente, videomakers dão dicas de como usar uma nova ferramenta para imprimir cartazes dos protestos.

Renan afirma que faz uma “revolução de quem trabalha e paga impostos, do pipoqueiro ao cara da classe média tradicional”. Impostos são uma questão. Quanto ao trabalho, não se pode afirmar que seja uma característica de um pessoal que se dá ao luxo de ficar 30 dias andando e mais outros tantos acampado na frente da casa de Eduardo Cunha.

O MBL tem um site bacaninha, com design moderno. Na home, duas coisas se destacam: primeiro, a ilustração dos três principais líderes — Kataguiri, Fernando Holiday (“o negro que mais odeia negros no Brasil”, segundo nosso colunista Marcos Sacramento) e ele — Renan apenas Santos.

Em segundo lugar, há um tal “Portal Transparência”, para você acompanhar “os gastos e recebimentos”. Sintomaticamente, esse link não abre, e não adianta clicar.

Embora se declare apartidário, ou algo que o valha, ele aparece em lista do TSE de filiados e ex-filiados do PSDB. Teria saído em março de 2015 (http://www.tse.jus.br/…/filiacao-partid…/relacao-de-filiados)

Em seu manifesto na Folha, ele e o amigo KK escrevem: “O Brasil é um país curioso. Em sua ânsia de levar-se a sério, de atribuir ares de grandeza e reverência a sua condição, acaba por tratar toda sorte de farsantes, loucos e incapazes com imerecida dignidade”.

Pois é.

Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Lula não é dono de apartamento no Guarujá. E se fosse?


Na quarta-feira (11) a reportagem do jornal O Globo contatou o Instituto Lula para perguntar sobre apartamento que supostamente seria de propriedade do ex-presidente no edifício Solaris, na praia de Astúrias, no Guarujá. Embora esse assunto não seja nada novo na imprensa, o Instituto Lula explicou novamente que Lula não possui um apartamento triplex no Guarujá.

A resposta foi registrada pelo jornal, mas não o impediu de publicar na quarta-feira (11) uma matéria mentirosa, com um título sensacionalista na primeira página chamando o edifício de “prédio de Lula” e cravar de novo que Lula seria dono do tríplex. Ricardo Noblat, colunista do jornal e blogueiro, na véspera escreveu que a matéria equivocada seria uma “bomba”. E no dia 13, O Globo deu nova matéria sobre o assunto.

O jornal ainda levantou ilações sobre possíveis operações financeiras do empreendimento estarem relacionadas a empresas envolvidas na Operação Lava Jato. As empresas citadas, a Planner Corretora e a Planner Truste, responderam em uma nota que mostra a ignorância do jornalista sobre a natureza das operações financeiras e como, mesmo depois de receber as explicações sobre a sua natureza, persistiu com uma matéria mentirosa (leia a nota das empresas aqui: http://www.planner.com.br/uploads/comunicado/Carta_respostaOGlobo.pdf)

Vamos de novo aos fatos.

Repetimos a nota que enviamos ao Globo no dia 12:
"Dona Marisa Letícia Lula da Silva adquiriu, em 2005, uma cota de participação da Bancoop, quitada em 2010, referente a um apartamento, que tinha como previsão de entrega 2007. Com o atraso, os cooperados decidiram em assembleia, no final de 2009, transferir a conclusão do empreendimento à OAS. A obra foi entregue pela construtora em 2013. Neste processo, todos os cooperados puderam optar por pedir ressarcimento do valor pago ou comprar um apartamento no empreendimento. À época, Dona Marisa não optou por nenhuma destas alternativas esperando a solução da totalidade dos casos dos cooperados do empreendimento. Como este processo está sendo finalizado, ela agora avalia se optará pelo ressarcimento do montante pago ou pela aquisição de algum apartamento, caso ainda haja unidades disponíveis. Qualquer das opções será exercida nas mesmas condições oferecidas a todos os cooperados.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula"
É possível conhecer um apartamento semelhante no prédio, pode assistir a esse vídeo da imobiliária:



Após deixar a presidência, Lula recebeu convites do mundo inteiro para fazer palestras, atividade sobre qual o ex-presidente tem pleno direito de exercer para sua subsistência.

O ex-presidente fez palestras para dezenas de empresas e recusou diversos convites, alguns porque passou parte deste tempo em tratamento de saúde.

No Brasil, é costume de muitas empresas e instituições contratar palestras de outros políticos, jornalistas, esportistas e artistas para reunir seus funcionários, colaboradores ou diretores e não deve causar estranheza que alguém com a trajetória de Lula receba semelhantes convites.

Na mesma quarta-feira, no mesmo jornal O Globo, Merval Pereira reagiu a uma mensagem desta assessoria com um questionamento sobre sua coluna do dia 11. Ele afirmou que Lula teria feito consultoria para empresas. Isso também não é verdade. Lula faz palestras. Não é, não foi, nem será consultor de ninguém.

O ex-presidente continua a receber convites para dar palestras, assim como muitos outros ex-presidentes no mundo. Lula deu palestras para empresas de vários ramos de negócios: financeiro, construção, automotivo, bebidas, alimentos, saúde e outros. Lula fez palestras para algumas das mais importantes empresas do Brasil e do mundo, por exemplo, em Washington, para a Microsoft e o Itaú. Em Milão, para a Pirelli. Na Cidade do México, para a Fundação Telmex, em evento para 8 mil estudantes, que também teve Tony Blair e Pep Guardiola como palestrantes. Em Berlim, para o Banco Santander. No Rio de Janeiro, para a Infoglobo.

Todas essas palestras foram informadas e acompanhadas pela imprensa nacional ou estrangeira. Todas as palestras foram devidamente efetuadas, com nota fiscal e impostos recolhidos.

Matérias difamatórias do mesmo jornal O Globo, e também da revista Época, acabaram por motivar uma investigação em curso do Ministério Público Federal do Distrito Federal sobre as palestras do ex-presidente, para a qual o Instituto Lula já prestou todos os esclarecimentos pedidos.

No final de oito anos como presidente da República, Lula retornou para o mesmo apartamento em que morava antes da presidência, em São Bernardo do Campo. E voltou a despachar no mesmo escritório no bairro do Ipiranga, em São Paulo, em que há 25 está sediado o Instituto Lula, antes chamado Instituto Cidadania.

Lula não comprou nenhum apartamento, em nenhuma parte do globo. Lula não foi para o exterior em férias. Só viajou a trabalho, para participar de atos políticos, atividades do Instituto Lula ou dar palestras. Ademais, em suas atividades em outros países, o ex-presidente Lula sempre se pautou pela defesa dos interesses nacionais e nunca falou mal do Brasil no exterior.

Lula poderia, perfeitamente, pela sua trajetória de vida e atividade profissional como palestrante, ter um apartamento comprado a prestações no Guarujá. Mas não tem.

Enquanto Lula defende a imagem do Brasil no exterior, em sua obsessão em atacar o ex-presidente, só neste ano o jornal O Globo provocou dois desmentidos de lideranças internacionais. O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, e o ex-presidente uruguaio, José Mujica, tiveram de vir a público desmentir matérias caluniosas do jornal carioca.

Os manuais do bom jornalismo indicam que é bom checar as informações antes de publicá-las e causar danos à imagem do Brasil no exterior.

São incompreensíveis a obsessão, o preconceito e a perseguição praticada por alguns veículos e jornalistas ao ex-presidente Lula. Ao abandonar qualquer imparcialidade e independência, pesam a mão no sensacionalismo e se utilizam de ilações para tentar manchar a imagem do ex-presidente, em um vergonhoso vale tudo que joga fora qualquer regra jornalística.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula
Para conhecimento público, segue abaixo a mensagem do jornalista Germano Oliveira sobre a matéria do apartamento do Guarujá.

MENSAGEM DO GLOBO ENVIADA ÀS 18:02 DE TERÇA-FEIRA (11) PARA SER RESPONDIA ATÉ 19H30:
Olá Crispiniano,
conforme falamos,  a Planner, que repassou R$ 3,2 milhões para a OAS tendo o prédio Solaris, no Guarujá, como garantia (hipoteca), recebeu R$ 3,7 milhões da GFD, empresa do doleiro Alberto Youssef. São duas empresas Planner, do mesmo sócio: a que recebe dinheiro da GFD é a Planner Corretora, a que teve a hipoteca do Solaris é a Planner Trustee. São empresas que funcionam no mesmo endereço. O ex-presidente Lula sabia que as obras do Solaris, onde ele tem apartamento, podem ter sido financiadas por dinheiro do Youssef?
Estamos fechando esta matéria hoje mesmo, 19h30.
aguardo !
abs

No Instituto Lula
Leia Mais ►

Depois do encontro com Dilma, o dia seguinte


A impressão de que muito lentamente as nuvens mais negras da situação política começaram a dissipar-se ganhou um novo reforço na tarde desta quinta-feira, no Planalto. 

O encontro da presidente Dilma Rousseff com lideranças daquela parte do país profundo que costuma ser chamada de "movimentos sociais" foi especialmente bem sucedido. Confirmou que o governo tem uma base social organizada, muito mais importante do que a verdade numérica captada pelas pesquisas de opinião. Num país habitado por movimentos golpistas, foi uma importante iniciativa em defesa da democracia. Mas o evento deixou perguntas essenciais para o dia seguinte, num país onde o desemprego sobe e a perspectiva de recessão se tornaram questões urgentes. 

As entidades que precisavam comparecer — sindicatos, sem-terra, sem-teto, entidades de mulheres e outros mais — estavam presentes. Os oradores disseram exatamente aquilo que faziam questão que a presidente ouvisse. Gritaram "não vai ter golpe" e bateram duro na política econômica, em especial na taxa de juros e na recessão. Vários oradores pediram a cabeça de Joaquim Levy, o que não é surpresa, pois ele é  alvo frequente de várias lideranças presentes. Recentemente, o MST ocupou a sede do ministério da Fazenda por 24 horas, obrigando o titular da pasta a despachar em casa. Guilherme Boulos, líder do MTST, que tem 40 000 famílias organizadas em oito estados — metade em São Paulo — considera que aquilo que se chama de "lulismo" é um fenômeno extinto e acusa Dilma de promover uma política "neoliberal" com Levy.

Algumas intervenções foram tão duras que, em determinado momento, ouviu-se um grito da platéia que provocou risadas: "nóis báti mas nóis te ama, Dilma!".

A presidente fez um discurso que boa parte dos presentes com os quais conversei classifica como o mais claro desde a posse. Assumiu um compromisso solene em relação ao pré-sal, hoje uma pauta quente no Congresso, em função do projeto 131 que pretende mudar as regras do pré-sal: "enquanto eu for presidenta, vou lutar com todas as nossas forças contra qualquer mudança na lei de partilha". A presidente também assumiu a defesa dos programas de conteúdo nacional, responsáveis pela geração de empregos e ampliação do mercado para a industria — ameaçados pelo desmantelamento em curso depois das investigações da Lava Jato.

Falando de improviso a partir de anotações, Dilma mostrou-se à vontade como poucas vezes. Fez defesas oportunas das regras da democracia. Defendeu o diálogo e lembrou que "diálogo é diferente de pauleira." Depois de lembrar que viveu muitas experiências na vida, a presidente disse: "eu tenho lado", frase que sugere que os presentes gostaram de ouvir. Numa observação especialmente feliz, registrou que o Brasil pode ter a sétima economia do mundo, e que isso é bom, mas ainda está longe de ter obtido o mesmo desenvolvimento em sua construção como nação, o que é mais difícil e mais importante.

Horas antes do encontro de Brasília começar, ocorreu um protesto na avenida Paulista, em São Paulo, que por três horas reuniu lideranças sindicatos e empresários ligadas a Abimaq, pedindo redução nos juros, para estimular investimentos e criação de empregos. Na cidade que é também a principal fortaleza da oposição ao governo, o afundamento da economia começa a causar preocupações reais em autoridades. Emissários do prefeito Fernando Haddad têm procurado entidades populares para debater medidas de emergência — como transporte gratuito para desempregado. Os sindicatos de trabalhadores também têm sido procurados pelo governo de Geraldo Alckmin pela mesma razão.

Hoje, um conjunto de oito sindicatos de São Paulo, ligados à CUT, Força Sindical e UGT, as maiores do país, publicam um anúncio nos grandes jornais.

É um documento com relevância política inegável. Assinado por Miguel Torres, dos Metalúrgicos de São Paulo, Jovandia Moreira Leite, dos Bancários, Ricardo Patah, dos Comerciários, entre outros, o anúncio defende a democracia e condena a política econômica. Numa resposta direta aos movimentos golpistas, repudia os "intentos desestabilizadores", que conduzem a um "retrocesso político-institucional". Diz ainda que a situação exige um "claro posicionamento em defesa da democracia, do calendário eleitoral, do pleno funcionamento dos poderes da República" como condição para "a rápida e sustentada transição para o crescimento econômico."

São questões da vida real que estão em toda parte. Em Brasília, depois do evento, a caminho de casa — e para o aeroporto — a pergunta em muitas mentes era outra. Será que o governo irá oferecer respostas para a vida real da maioria dos brasileiros?

Ou, mais uma vez, irá confirmar que "só usa vermelho quando está perto da gente" como observou uma liderança, na saída?

Embora a profundidade do estrago econômico já provoque perplexidade e mesmo temor junto a uma parcela dos empresários, não há dúvida de que a política de austeridade conduzida com indisfarçável dogmatismo por Joaquim Levy garante a Dilma um respaldo importante em outras esferas.

Mas a menos que a dureza de hoje se transforme, rapidamente, num crescimento pujante que não se consegue enxergar, a persistência do ajuste tem um preço previsível. Será o gradual afastamento daquelas pessoas que, ontem, gostaram de sentir-se do mesmo "lado" que a presidente.

Na medida em que pequenas vitórias mostram a consciência democrática entre os brasileiros, surge um problema que o governo não sabe como resolver. Como dar respostas para aqueles que sempre estiveram lado de Dilma, inclusive quando o governo se encontrava num ponto tão baixo que ninguém imaginava que poderia ser atingido?

Considerando que as críticas de ontem são o contraponto necessário aos pontos da Agenda Brasil, que Renan Calheiros apresentou, lideranças que participaram do ato de ontem se uniam a parlamentares para defender uma proposta que pode apontar uma perspectiva: reativar para valer o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, também conhecido como Conselhão. A ideia é que ali será possível debater e avançar propostas concretas de empresas e sindicatos que apontem para o ponto cada vez mais essencial, preparar a retomada do crescimento.

Paulo Moreira Leite
Leia Mais ►

Divulgan en Brasil manifiesto en defensa de Dilma Rousseff


Este viernes las principales centrales sindicales de Brasil dan a conocer un manifiesto de respaldo a la estabilidad institucional, la presidenta Dilma Rousseff y demandan acciones para retomar el crecimiento económico con justicia social.

El documento, difundido por los gremios y medios de prensa nacionales, señala que “Es necesario desmontar el panorama político en el que prevalecen los intentos desestabilizadores que se han utilizado como condición para la aplicación de una política económica regresiva y orientada al retroceso político-institucional”.

Bajo el nombre “Llamado al dialogo por la democracia, el crecimiento económico, la inclusión social y el desarrollo nacional”, los sindicatos piden a todas las fuerzas del país un compromiso nacional que facilite avanzar hacia la reanimación de la industria, el comercio y la agricultura.

Brasil dio muestras de que es capaz de promover acciones de equidad, bienestar social y calidad de vida para todos, y por ello se requiere rápidamente de inversiones en la actividad productiva para aumentar el empleo, mejorar la distribución de la renta y las políticas sociales, señala el texto del manifiesto.

Estos desafíos requieren de las fuerzas vivas de la sociedad brasileña una posición clara en defensa de la democracia, del calendario electoral, del pleno funcionamiento de los poderes del Estado y la estabilidad institucional, indica la nota firmada por líderes de 12 gremios

Entre los firmantes figuran los presidentes de los gremios Central de Trabajadores de Brasil (CUT), Fuerza Sindical, Central Brasileña de los Trabajadores (CTB), los sindicaros de los Metalúrgicos ABC, de los Comerciantes de Sao Paulo, de los Empleados de Hoteles, de los Trabajadores de la Información, de los Bancarios y de la Construcción Civil, entre otros.

La divulgación del manifiesto ocurre poco después de un encuentro de la mandataria Rousseff con más de mil representantes de movimientos sociales y sindicales, en el cual demandó unidad para rechazar los intentos de sectores de oposición de interrumpir la democracia en esta nación.

No CubaDebate



 Vídeo imperdível 

Diálogo com os Movimentos Socias






Chamado ao diálogo pela democracia,
por crescimento econômico, inclusão
social e desenvolvimento nacional

O Brasil já deu mostras de que é um país capaz de promover equidade, bem-estar social e qualidade de vida para todos. Por isto, precisamos retomar rapidamente o investimento e a atividade produtiva para aumentar as oportunidades, o emprego, melhorar a distribuição da renda e as políticas sociais.

Tais desafios exigem, das forças vivas da sociedade brasileira, um claro posicionamento em defesa da democracia, do calendário eleitoral, do pleno funcionamento dos Poderes da República, da estabilidade institucional e dos fundamentos constitucionais como condição para a rápida e sustentada transição para o crescimento econômico. Mais do que isto, é necessário desmontar o cenário político em que prevalecem os intentos desestabilizadores, que têm sido utilizados como o condão para a aplicação de uma política econômica recessiva e orientada ao retrocesso político-institucional.

Assim sendo, reafirmamos que qualquer projeto de desenvolvimento nacional deve ser cimentado pelo fortalecimento das instituições e da democracia, sem descuidar do combate à corrupção, e tem que guiar-se pela superação das graves desigualdades econômicas, sociais e regionais, promovendo”:
  • Combate à inflação;
  • Juros baixos;
  • Aumento do investimento público e privado em infraestrutura econômica e social;
  • Defesa do emprego e do poder de compra dos trabalhadores;
  • Política cambial que incentive a atividade produtiva, especialmente a industrial;
  • Investimentos na qualidade da educação;
  • Ciência, tecnologia e inovação para agregar valor à produção de bens e serviços;
  • Fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas;
  • Consolidação do mercado interno de consumo de massa;
  • Fortalecimento e estímulo da participação competitiva do Brasil;
  • Modernização das instituições, das leis e do Estado.
O momento exige diálogo, compromisso com o País, com a democracia e com a necessária afirmação de um projeto de desenvolvimento nacional ancorado na produção, em uma indústria forte, um setor de serviços dinâmico, um comércio vigoroso, uma agricultura pujante e em um Estado indutor e coordenador das estratégias de crescimento econômico e de desenvolvimento social.

Por isto, os Sindicatos abaixo assinados declaram-se dispostos, e conclamam os demais segmentos da sociedade civil organizada, a restabelecer as pontes para o necessário diálogo visando a construção de compromissos e acordos para fortalecer a democracia, o crescimento econômico e o desenvolvimento nacional'.

São Paulo, 14 de agosto de 2015.

Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes – Miguel Eduardo Torres, presidente

Sindicato dos Metalúrgicos do ABC – Rafael Marques, presidente

Sindicato dos Comerciários de São Paulo – Ricardo Patah, presidente

Sindicato dos Empregados em Hotéis de São Paulo – Francisco Calazans Lacerda, presidente

Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo – Rene Vicente dos Santos, presidente

Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo – Antonio Neto, presidente

Sindicato dos Bancários de São Paulo – Juvandia Moreira Leite, presidenta

Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo – Antonio de Sousa Ramalho, presidente

Federação dos Empregados do Comércio do Estado de São Paulo – Luiz Carlos Motta, presidente

Sindicato dos Químicos e Plásticos de São Paulo – Osvaldo da Silva Bezerra, coordenador-geral

Sindicato dos Telefônicos de São Paulo – Almir Munhoz, presidente

Sindicato dos Empregados em Edifícios de São Paulo – Paulo Ferrari, presidente
Leia Mais ►

Corrupto pede prisão aos corruptos e é atendido


Dessa vez, a marcha dos indignados com a corrupção não contará com a presença do ex-deputado Tiãozinho Costa. É que ele foi pego num esquema de corrupção e está preso. Bom, pelo menos ainda dá pra bater panela da cadeia.

Leia Mais ►

Ex-presidente Lula é citado em grampo da Lava Jato


O ex-presidente Lula foi citado em um grampo da 14ª fase da Operação Lava Jato, chamada de Erga Omnes. De acordo com o relatório final de interceptação telefônica desta fase da operação, de autoria da Polícia Federal, Lula teria demonstrado preocupação com "assuntos do BNDES" em uma conversa com o executivo Alexandrino Alencar, diretor da Odebrecht.

A conversa aconteceu no dia 15 de junho de 2015, quatro dias antes de Alexandrino e o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, terem sido presos. O trecho do relatório em que Lula é citado foi publicado na tarde desta sexta-feira 14 no blog de Fausto Macedo, do Estadão. A reportagem explica que a PF não grampeou Lula, e que a conversa foi captada por meio de monitoramento de contatos do executivo.

"Outro contato considerado relevante ocorreu em 15 de junho de 2015 às 20:06, entre Alexandrino Alencar e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nele ambos demonstram preocupação em relação aos assuntos do BNDES referindo-se também a um artigo assinado por Delfim Netto que seria publicado no dia seguinte sobre o tema", diz trecho do relatório.

Petistas temem que o ex-presidente Lula seja um dos próximos alvos da Lava Jato e defendem que ele seja nomeado ministro na reforma que será feita, em breve, pela presidente Dilma Rousseff. Caso isso aconteça, o ex-presidente teria direito a foro privilegiado, podendo ser julgado apenas pelo Supremo Tribunal Federal, e não pela primeira instância, onde os processos estão sob responsabilidade do juiz Sérgio Moro, de Curitiba.

No 247



alexandrino-alencar-lj-lula
alexandrino-alencar-lj-lula-2
alexandrino-alencar-lula-bndes
alexandrino-vilma1
alexandrino-vilma
Leia Mais ►

Vagner Freitas promete enfrentar golpe “de arma na mão”: Não vai ter golpe!



Leia Mais ►

Janot rebate pedidos de Cunha para anular provas coletadas na Câmara

No documento enviado ao STF, o PGR criticou a utilização da AGU pelo deputado para fins pessoais. Para ele, Cunha confundiu o "público com o privado"


O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), está utilizando-se do cargo para ter a Advocacia Geral da União (AGU) em favor de sua defesa pessoal. Para Janot, Cunha adotou "o parco disfarce do discurso da defesa de prerrogativa institucional" para convocar os trabalhos do advogado-geral da União em objeto que "só a Eduardo Cunha interessa", referindo à ação de envolvimento em corrupção na Petrobras.

O posicionamento do PGR foi destacado em documento enviado ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), contestando o pedido do próprio parlamentar de retirar os requerimentos coletados no setor de informática da Câmara, que trariam provas de que Cunha pressionou o empresário Júlio Camargo para repassar a sua parte em propina de um contrato com a estatal.

Em delação premiada, Julio Camargo afirmou à Justiça Federal do Paraná que pagou US$ 5 milhões para Cunha, depois que o mesmo o teria pressionado pelo atraso do pagamento. A quantia refere-se, segundo o empresário e lobista, a um contrato para o afretamento de navio sonda da Samsung Heavy Industrie pela Petrobras.

Cunha teria pressionado o lobista por meio da entrada de dois requerimentos na Câmara para que os contratos das empresas de Júlio Camargo com a Petrobras fossem investigados. O presidente da Casa solicitou à AGU que entrasse com pedido no STF para a retirada desses requerimentos dos autos do processo contra Cunha na Lava Jato.

Janot posicionou-se contrário, além de criticar o uso da Advocacia Geral da União para a defesa pessoal do presidente da Câmara. "O agravo em questão evoca, em pleno século XXI, decantado vício de formação da sociedade brasileira: a confusão do público com o privado. O inquérito em epígrafe investiga criminalmente a pessoa de Eduardo Cunha, que tem plenitude de meios para assegurar sua defesa em juízo e, como seria de se esperar, está representado por advogado de escola".

Entretanto, disse Janot, o presidente da Câmara "solicitou a intervenção da advocacia pública em seu favor, sob o parco disfarce do discurso da defesa de prerrogativa institucional".

O PGR também negou que a Polícia Federal tenha violado prerrogativas da Câmara ou a imunidade parlamentar ao buscar no setor de informática da Casa Legislativa o registro dos requerimentos. Para Janot, a equipe de força-tarefa não apreenderam documentos, mas obtiveram com ordem do STF dados públicos no sistema de informática.

"O debate sobre se caberia à presidência da Câmara autorizar previamente o cumprimento da medida determinada pelo Supremo Tribunal Federal e a quem caberia cumpri-la (polícia federal ou polícia legislativa) não faria sentido nem mesmo se de busca e apreensão se tratasse. Cogitar de condicionamento dessa estirpe para o cumprimento de requisição judicial, endereçada a servidor responsável administrativamente pela casa legislativa, constituiria verdadeira ruptura do princípio da independência e da harmonia entre os Poderes", completou, ainda, Janot.

No GGN
Leia Mais ►

Bandeira dos EUA é hasteada em Cuba, depois de 54 anos


Fuzileiros navais dos Estados Unidos hastearam a bandeira do país na embaixada norte-americana em Cuba pela primeira vez em 54 anos, em uma cerimônia comandada pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, que marca a restauração das relações diplomáticas entre Washington e Havana.

Três fuzileiros navais aposentados que baixaram a bandeira em 1961 participaram da cerimônia, entregando uma nova bandeira para a guarda dos fuzileiros navais, que hasteou a bandeira do lado de fora da embaixada, localizada na orla de Havana.



Leia Mais ►

A vitória do homem massa


Encontro um velho conhecido, neurologista célebre e retomamos conversa de quase uma década atrás.

A Internet começava a voar e, com ela, as redes sociais. Conversávamos sobre o tema e eu era o lado otimista. Achava que, ao abrir as comportas da informação, a Internet exerceria um papel libertário e pedagógico. Ele, o pessimista, julgava que seria dominada pelos baixos instintos, pelos grupos de pedófilos e de rancorosos da pior espécie.

Recentemente, ele atendeu a uma professorinha de colégio de segundo grau. Estava em depressão. Dois pais de alunos não se conformaram com observações colocadas por ela em provas dos filhos e fizeram um BO (Boletim de Ocorrência) na delegacia, acusando-a de destruir a autoestima dos filhos.

Ele lembrava seus tempos de Itália, em um pós-guerra em que se reconstruíam os ideais humanistas destroçados pelo fascismo. A escola era o local para se formarem alunos integrais, com conhecimento, formação e valores. E a autoridade do professor um pressuposto da boa educação.

Hoje em dia, diz ele, o opinionismo mais desvairado tomou conta de todos os poros da sociedade. Os economistas que escrevem em jornais são oraculares, diz ele, comportam-se como o Oráculo de Delfos. Não trazem ideias, mas certezas.

Em outros campos, a celebração do individualismo exacerbado criou um exército de individualistas perdidos e, sem saber como se colocar, tornando-se manada conduzida facilmente pelas manchetes do dia.

Lembro as fotos dos deputados BBBs (Bíblia, Bala e Boi) saindo aos berros do plenário da Câmara, como um bando de bêbados que deixa o bordel celebrando a surra dada no grupo contrário.

Para animá-lo, conto as conversas com minhas caçulas contando que, na sua escola, há preconceituosos, mas que se escondem porque não são bem vistos pela maioria. Diz ele que esses ambientes são minoritários, que na maioria massacrante dos ambientes vigora o primado do homem-besta.

São tempos bicudos, concordo, mas ainda tenho fé de que a luz vencerá a escuridão, a solidariedade derrotará a intolerância. Em que me baseio, me indaga ele. Na fé apenas, nas diversas fases de intolerância que foram superadas, nas crises profundas trazendo o novo.

Mas é tudo questão de fé. Por enquanto, é tourear a besta que está à solta.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Por que não se faz a Lava Jato da sonegação?

http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/08/14/por-que-nao-se-faz-a-lava-jato-da-sonegacao/

A ideia proposta no título desta coluna não é minha, nem dos leitores que enviaram dezenas de sugestões de pauta, atendendo ao pedido que fiz no post anterior, a quem agradeço.

É da dona Mara, minha mulher, que é quem cuida das contas aqui de casa.

Recorri ao doutor Google para procurar respostas e, em poucos minutos de pesquisa, encontrei várias, que me deixaram deveras assustado com o tamanho do rombo provocado pela sonegação fiscal nas contas públicas, um assalto ao Erário sem precedentes, que bota todos os recentes escândalos de corrupção no chinelo, como atesta a BBC Brasil, em matéria assinada por Fernando Duarte.

"Evasão fiscal anual no Brasil equivale a 18 Copas do Mundo. Mesmo antes da disparada da cotação do dólar, US$ 280 bilhões já seria um número impressionante. Segundo uma pesquisa da Tax Justice Network (rede de justiça fiscal, em tradução livre, organização internacional independente com base em Londres, que analisa e divulga dados sobre movimentação de impostos e paraísos fiscais), este é o montante que o Brasil teria perdido, apenas em 2010, com a evasão fiscal — em 2011, ano da divulgação do estudo, isso equivalia a R$ 490 bilhões".

Quanto será hoje? Cinco anos atrás, este valor já era quase cinco vezes maior, por exemplo, do que o orçamento federal para a Saúde em 2015.

"É bem maior do que os R$ 19 bilhões que a Polícia Federal acredita terem sido desviados da União por um esquema bilionário de corrupção envolvendo um dos principais órgãos do sistema tributário brasileiro, o Carf — a agência responsável pelo julgamento de recursos contra decisões da Receita Federal, e que é o principal alvo da Operação Zelotes", calcula a matéria da BBC.

Ao contrário da Operação Lava Jato, que investiga a Petrobras e domina o noticiário político-policial desde março do ano passado, qualificado diariamente pela grande imprensa como "o maior escândalo de corrupção da história universal", a Zelotes apareceu e sumiu misteriosamente das manchetes, embora envolva valores infinitamente maiores. Por que não se usam nos crimes de sonegação fiscal os mesmos métodos e o mesmo rigor das investigações comandadas pelo juiz Sergio Moro, que já detonaram políticos importantes e as maiores empreiteiras do país?

Boa pergunta. Talvez seja porque não haja até aqui ninguém do PT envolvido nesta história. O Sergio Moro da Operação Zelotes era o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal em Brasília, que foi afastado do processo na semana passada, após barrar sistematicamente as investigações no inquérito aberto pela PF no mesmo mês de março do ano passado em que foi deflagrada a Lava Jato, e negar os pedidos de prisão temporária de 26 envolvidos, além de proibir o monitoramento de e-mails e escutas telefônicas, e determinar o sigilo dos processos "para evitar a desnecessária exposição da intimidade dos acusados".

Na matéria "Onde está o Moro da Operação Zelotes?", publicada esta semana pela Carta Capital, a revista lembra que, "de acordo com a Polícia Federal, uma quadrilha atuava no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda, para reverter ou anular multas de forma ilícita".

Já foram confirmados prejuízos de R$ 6 bilhões e estão sendo ainda investigados 74 processos no valor de R$ 19 bilhões em dívidas não pagas, valor bem superior ao que até agora foi divulgado em desvios da Petrobras. Fora o resto, que ainda está sub-judice, aguardando julgamento no Carf, num total bem superior aos R$ 60 bilhões de ajuste fiscal defendido pelo ministro Joaquim Levy, que afundou o país numa grave crise política e econômica sem prazo para acabar.

Estão entre as empresas investigadas a RBS (maior afiliada da Rede Globo no País), Ford, Mitsubishi, BR Foods, Camargo Corrêa, Gerdau, Tim, Bradesco, Santander e Safra.

Curioso, como constata dona Mara, é que no caminhão de propostas para a salvação da lavoura, colocado para circular nos últimos dias, em Brasília, pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, e por ministros do governo federal, nenhuma contempla um combate rigoroso à sonegação fiscal.

Vida que segue.
Leia Mais ►

Por que Lula tem a obrigação de processar Gentili, Caiado e a Veja

Não apenas o direito mas o dever de buscar justiça
O alemão Rudolf von Ihering, nascido e vivido no século 19, foi um dos maiores juristas da história.

Um livro seu, feito a partir de uma conferência e traduzido em dezenas de línguas, se transformou num clássico do direito: “A Luta pelo Direito”.

Nele, Ihering trouxe um conceito inovador.

O direito, disse ele, não é uma coisa estática. É fruto de lutas sociais constantes.

Nenhuma conquista vem de graça. Proibir que ricos vendessem escravos, por exemplo, exigiu esforços seguidos de muita gente.

Por tudo isso, Ihering dizia que um indivíduo lutar pelo que considera justo é mais que um direito. É um dever perante a sociedade.

A justiça avança, para a coletividade, com o esforço de cada um dos injustiçados.

Não fazer nada diante de uma injustiça é se arrastar como um verme.

Trouxe tudo isso para falar dos processos que, finalmente, Lula decidiu mover contra detratores.

Com enorme atraso, é verdade, Lula está aplicando a tese extraordinariamente sábia de Ihering.

E isso é uma excelente notícia para a sociedade, dada a influência de Lula entre os brasileiros.
Ihering revolucionou a teoria do direito
Ihering revolucionou a teoria do direito
Nas últimas semanas, Lula decidiu acionar a Justiça contra a Veja, Caiado e, mais recentemente, Danilo Gentili.

Pela lógica de Ihering, Lula tinha mesmo que fazer isso, para o bem de todos os brasileiros que possam passar pelas mesmas injustiças cometidas contra ele.

De resto, ao se mexer, ele dá um recado. Amigos, pensem duas vezes antes de me acusar de coisas que não possam provar.

A omissão, como ensinou Ihering, é a pior saída.

Sem conhecer Ihering, Romário agiu admiravelmente contra a Veja. Não se limitou a humilhar a revista com a verdade contraposta à mentira.

Entrou na Justiça com um pedido de indenização de 75 milhões de reais. Daqui por diante, a Veja vai refletir muito antes de publicar documentos que não possa comprovar — e não apenas, naturalmente, contra Romário.

Muitos dos instigadores de ódio  — como Olavo de Carvalho — se valem da omissão daqueles a quem acusam de barbaridades.

(Um detalhe, aí, é que OC poderia ser processado pela lei americana, já que vive nos Estados Unidos. Outros contumazes divulgadores de calúnias também poderiam ser processados onde vivem, como os editores do site Antagonista.)

Defendi, aqui, que Dilma processasse Lobão. Ele passou a cantar, em seus shows, uma paródia de um velho sucesso em que chama Dilma de “bandida”.

Ao incomodá-lo como defendia Ihering, Dilma estaria fazendo um serviço para todos, e não apenas para si própria.

Todos podem ser vítimas de um cantor que se acha no direito de chamar os outros de bandidos, e além do mais se gabar.

Mantega foi perfeito. O próximo celerado que quiser insultá-lo num restaurante vai, com certamente, se lembrar do processo movido por Mantega contra dois desequilibrados.

O direito é uma coisa viva, disse Ihering. Só se aprimora quando lutamos pelo que julgamos ser justo para nós.

E é por isso que a atitude de Lula deve ser aplaudida.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Supremo reduz poder de Cunha sobre contas de Dilma

Conforme liminar concedida por Luís Roberto Barroso, balanços anuais das gestões dos presidentes da República devem ser analisados em sessão conjunta do Congresso, comandado por Renan Calheiros (PMDB-AL), aliado do Planalto na elaboração de pacote

Roberto Barroso
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, decidiu nesta quinta-feira, 13, que as contas de presidentes da República precisam ser votadas por uma sessão conjunta do Congresso — formada por deputados e senadores e não pelas Casas Legislativas de maneira separada. A decisão enfraquece as articulações do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que ditava o ritmo do processo de apreciação do balanço contábil relativo à gestão Dilma Rousseff em 2014.

Com a determinação de Barroso, em caráter liminar, a eventual votação pelos parlamentares das contas da petista — hoje em análise no Tribunal de Contas da União — deve ser conduzida pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que também preside o Congresso.

Na última semana, Renan fez gestos de aproximação com o governo e negocia diretamente com Dilma um pacote contra a crise. Ele também atua no TCU, onde mantém grande influência, para adiar a análise do parecer sobre as contas da atual gestão.

Desde o rompimento de Cunha com o Planalto, no mês passado, o presidente do Senado foi ungido pelo Executivo a principal aliado no Congresso. Cunha acusa o governo de influenciar a Operação Lava Jato, da qual ele é um dos principais alvos.

A oposição espera uma decisão desfavorável a Dilma no TCU e uma posterior reprovação das contas no Congresso para abrir um processo de impeachment contra ela. O próprio governo avalia que, na Câmara comandada por Cunha, uma derrota na votação dos balanços seria quase certa.

A decisão de Barroso dá respaldo jurídico a uma articulação de Renan nos bastidores para mudar a forma de tramitação das análises das contas. Na prática, a liminar aumenta o poder de Renan para decidir quando colocar a apreciação dos balanços em julgamento. A concentração da votação em sessão conjunta reforça ainda o isolamento de Cunha, que não tem assento na Mesa Diretora do Congresso.

Até a liminar de Barroso, a análise de contas presidenciais, após o julgamento do TCU, era distribuída alternadamente para cada uma das Casas Legislativas após passar pela Comissão Mista de Orçamento. O tema foi levado ao STF, contudo, pela senadora Rose de Freitas (PMDB-ES), após a Câmara aprovar requerimento de urgência para votar quatro contas presidenciais antigas e abrir caminho para receber as de Dilma.

Constituição

A senadora peemedebista, que é presidente da CMO e aliada de Renan, pediu ao STF a derrubada do requerimento de urgência que permitiu a votação, na última semana, das contas dos ex-presidentes Itamar Franco (1992), Fernando Henrique Cardoso (2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2002 e 2006). Segundo ela, o julgamento por apenas uma das Casas violou a Constituição.

Barroso, relator do mandado de segurança, negou em caráter provisório o pedido para cassar a urgência na votação, por considerar que há uma “prática estabelecida” no sentido de realizar as votações separadas, alternadamente. Para os próximos casos, no entanto, deixou claro ser necessário respeitar a previsão da Constituição para que haja sessão conjunta.

“É importante deixar claro que a não paralisação da eficácia das votações já ocorridas não significa tolerância com a continuidade futura da prática. Trata-se apenas de resguardar, por ora, os efeitos dos atos já praticados, em homenagem à segurança jurídica”, decidiu o ministro. Como a decisão é liminar, o mérito do mandado de segurança deverá ser apreciado pelo plenário do Supremo. Barroso destacou que as leis orçamentárias são votadas em sessão conjunta e, portanto, a verificação de seu cumprimento no julgamento das contas deve obedecer ao mesmo rito.

Cunha disse que a decisão de Barroso “é uma interpretação” e que ainda analisará a medida a ser tomada. “Vamos ler, avaliar e, provavelmente, agravaremos, já que é um tema relevante e deve ser levado ao pleno”, afirmou o presidente da Câmara.

Beatriz Bulla e Ricardo Brito
No O Estado de S. Paulo
Leia Mais ►

O 'casamento' entre a Globo e a CBF

Foto: Felipe Bianchi
O Coletivo Futebol, Mídia e Democracia, fundado a partir do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, promoveu um debate nesta terça-feira (11), em São Paulo, para marcar o lançamento de seu manifesto (leia abaixo). A atividade contou com a presença do jornalista e blogueiro Luiz Carlos Azenha (Viomundo), da repórter Camila Mattoso (ESPN Brasil) e do ex-jogador Adauto, campeão brasileiro pelo Atlético/PR em 2001 e atualmente no Sport Club Atibaia.

Com a presença de torcedores, estudantes e ativistas sociais, os debatedores falaram sobre temas como a falta de democracia nas instituições que comandam o futebol brasileiro e a questão dos direitos de transmissão, monopolizados pela Rede Globo. Azenha também aproveitou a ocasião para lançar o livro 'O lado sujo do futebol' (Ed. Planeta), do qual é co-autor (veja a capa ao lado).

“Na investigação do livro”, explica o jornalista, “percebi como é central, no futebol brasileiro, a os direitos de transmissão”. Não é por acaso, segundo ele, que os escândalos recentes envolvendo a FIFA e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) são, em boa parte, em torno de contratos obscuros nessa área. “Para se ter noção da importância do tema, os direitos de transmissão representam cerca de 70% da receita dos clubes brasileiros”.

Para escancarar o grau de promiscuidade entre a entidade-chefe do futebol brasileiro e a Rede Globo, Azenha citou a resposta da CBF quando questionada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) sobre o modelo de negociação dos direitos de forma individual com os clubes. “O CADE perguntou se a entidade considerava o modelo benéfico ou maléfico para o desenvolvimento de um campeonato competitivo. A resposta da CBF foi que os clubes é quem devem decidir qual a forma de negociação a ser adotada, e que em sua visão, o modelo vigente não causa nenhum impacto na competitividade do campeonato”.

Repórter de bastidores, Camila Mattoso avalia que a falta de organização dos clubes provocam brechas para a Globo impor seu monopólio. “A apuração diária permite constatar que os problemas só não só piores porque os clubes não sabem lidar com o grande volume de dinheiro que corre no meio”, opina. “A Globo tem culpa? Tem. Mas clubes também são responsáveis, pois assinam termos de contrato e se submetem às negociações impostas pela emissora e aos regulamentos da CBF”.

Como os clubes têm enorme dificuldade para sentar e discutir o problema de forma unitária, a Globo se aproveita e, por exemplo, adianta o dinheiro das cotas de transmissão, tornando gestões reféns de seu poder econômico. “O dirigente sabe que a Globo adiantou uma verba quando ele precisou, então como fazer jogo duro com eles?”, reflete.

De acordo com ela, a CBF atende a todos os interesses da emissora — o manifesto do Coletivo Futebol, Mídia e Democracia tem esse como um de seus pontos centrais. Pior que isso, a Globo utiliza intermediários para receber recursos públicos, sem ter de abrir suas contas, já que é uma entidade privada. “Se a CBF for receber dinheiro da Caixa, tem que abrir suas contas ao público. O que ela faz, então? Manda um intermediário, cuja empresa transmite, por exemplo, a Copa Verde e a Copa do Nordeste”.

A figura do intermediário, segundo Azenha, tem um papel bastante claro no futebol brasileiro: o pagamento de propinas. “Se você olhar para as grandes ligas esportivas dos Estados Unidos, por exemplo, não existem intermediários. Aqui, eles estão presentes em todos negócios da CBF. É um propinoduto, como aponta a investigação que fizemos no livro”, dispara.

Caminhos para um futebol democrático e desenvolvido

“O Brasil é pré-capitalista quando se trata de futebol”, afirma Azenha. “Cidades como Manaus e Cuiabá tem grandes estádios e nenhum clube, distorções causadas pelo fato de que a televisão, maior fonte de receita do esporte, discrimina clubes e regiões”. “Sem exposição”, acrescenta, “o clube tem mais dificuldade para vender patrocínio, vender produtos e atrair o interesse dos moradores de sua região”.

A experiência da Argentina, que rompeu com o monopólio do grupo Clarin, pode servir de inspiração para o Brasil, opina o jornalista. “São seis emissoras, além da TV Pública, que transmitem praticamente todos os jogos do campeonato”. Antes, o Clarin não apenas monopolizava a transmissão como passava apenas um jogo por rodada — e na TV paga, somente.

A tarefa inicial para reverter o sintomático placar de 7 a 1 sofrido na Copa do Mundo de 2014, em casa, contra a Alemanha, é disseminar informações e desconstruir a relação entre CBF e Rede Globo, avalia Azenha. “Minha sugestão ao Coletivo é trabalhar essas questões centrais, deixando claro onde estão os focos dos problemas a serem resolvidos para termos um futebol competitivo”.

Elogiosa ao Coletivo, Camila Mattoso acredita que iniciativas que partam da sociedade podem ajudar a pautar esse debate nos meios de comunicação. Jornalista da ESPN, ela exalta o fato de gozar de liberdade e independência em seu trabalho. “Quando jornalista fala de futebol, o público geralmente quer saber quem está no departamento médico, quem vai jogar, quem será contratado. Cobrir bastidores, muitas vezes, é ser tachado de 'mala'”, brinca. “A nossa luta é constante para mostrar que esses assuntos também podem dar audiência e retorno, pois são fundamentais para o esporte”.

Representante feminina na mesa, Mattoso aproveitou para falar sobre as dificuldades de ser mulher no jornalismo esportivo. “É difícil e exige cuidados, sim. Tem que ter alguns critérios específicos para não deixar nada mal-entendido”, comenta. O preconceito ainda existe, de acordo com ela. Para muitos — alguns até colegas de trabalho — se é mulher e conseguiu boas informações, é porque trapaceou e usou recursos antiprofissionais.

“Há um ambiente no Brasil de que o futebol não é terra de ninguém. Defender e discutir temas como homofobia, racismo e questões de gênero não é 'chatice'”, critica. “Chamar de 'macaco' ou de 'bicha' não se justifica 'só porque é futebol”, conclui.

Visão dentro das quatro linhas

Formando pelo Santo André, Adauto acumulou passagens por Ponte Preta, Atlético/PR, Santa Cruz, Nacional de Montevidéu e até por equipes da Alemanha, Eslováquia e República Checa. “O debate colocado pelo coletivo é fundamental”, diz. “Represento 95% de jogadores de futebol do país”, afirma, referindo-se aos atletas de divisões inferiores e clubes menores, que ganham pouco e sofrem bastante com as mazelas do esporte.

“O que vejo de ilegal é o monopólio da Globo”, opina Adauto. “Nessa classe dos 95% de jogadores, que estão fora da série A do Campeonato Brasileiro, sentimos bastante a discriminação que a Globo faz em relação aos nossos clubes e torneios”.

Segundo ele, clubes desorganizados, que “varrem a sujeira para debaixo do tapete”, contribuem para o quadro atual. “Um clube bem organizado pode brigar por mais recursos”, acredita. “Quitar dívidas com atletas e com o governo, manter salários em dia e fazer um trabalho profissional é um caminho para os clubes superarem esse desafio”.

Para Adauto, as mudanças urgentes das quais carece o futebol brasileiros só vão acontecer se partirem dos atletas marginalizados em relação à elite do esporte, de jornalistas como Luiz Carlos Azenha e Camila Mattoso, e de iniciativas como o Coletivo Futebol, Mídia e Democracia.

Felipe Bianchi
No Barão de Itararé


Curta a página do coletivo no Facebook.

MANIFESTO EM DEFESA DO NOSSO FUTEBOL

O coletivo Futebol Mídia e Democracia, fundado no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, foi criado com o objetivo de debater as relações de poder entre a mídia e as instituições que organizam o futebol brasileiro, solidificando cada vez mais um processo de cooptação do esporte mais popular do país por interesses estritamente comerciais.

As emissoras de TV, sobretudo a Rede Globo, têm total controle sobre a CBF e federações locais e com isso, na prática, comandam nosso futebol. Influenciam, entre diversos aspectos, a definição dos horários das partidas, a escolha das equipes que receberão mais destaque e a montagem de tabelas, sobrepondo seus interesses privados sobre princípios democráticos.

Os efeitos são sentidos, por exemplo, no enfraquecimento da seleção brasileira, submetida a contratos e acordos obscuros; nos constantes escândalos de corrupção, que abalam a credibilidade do esporte; na elitização do acesso aos estádios, com preços de ingressos cada vez mais caros e o afastamento das camadas populares; e nos pacotes de TV paga, que para muitos torcedores são a única maneira de acompanhar os clubes com menor exposição nos canais abertos. O abismo entre o povo e seu esporte predileto, o futebol, é cada vez maior.

O coletivo busca unir torcedores (organizados ou não), jornalistas, ativistas e estudiosos para construir uma agenda permanente de lutas, que contemple a organização de atividades, debates e mesmo ações práticas para que os efeitos maléficos do casamento entre as empresas de comunicação e as instituições que dirigem o futebol, principal esporte do Brasil e importante elemento na construção da identidade nacional, sejam debatidos e combatidos nas ruas, nos estádios, nos bares, nas universidades e nos demais espaços onde seja possível estabelecer um canal de diálogo e de construção de soluções que favoreçam a concepção de um futebol democrático e popular.

Futebol, mídia e democracia — em defesa do nosso futebol!

Assinam:

Torcidas, entidades e veículos

13 Companheiros Futebol Clube

AAFA - Associação Avante Fantasma

ANATORG - Associação Nacional das Torcidas Organizadas

Associação Esportiva Araguaia

Associação Sou Andreense

Brava Ilha

Camorra (Palmeiras)

Casa Fora do Eixo

Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

Centro Nacional de Estudos Sindicais e do Trabalho (CES)

Dragões da Real

Galo Marx

Gaviões da Fiel - Sub sede ABC

Jornalistas Livres

Leões de Sampa (Sport)

Máfia Azul CGE - Comando Guerreiro do Eldorado

Máfia Azul Revolução

Máfia Azul Velha Guarda

Mídia Ninja

Movimento Popular Coral

Portão 10 - Avante Santa Cruz

Povo do Clube - Frente Nacional dos Torcedores (Internacional)

Resistência Azul Popular

Revista Fórum

Torcida Esquadrão Andreense

Torcida Trem Fantasma

Unegro

União Nacional dos Estudantes (UNE)

União da Juventude Socialista (UJS)

Individuais:

Ademir Ângelo Castellari

Altamiro Borges - Blog do Miro

Anizio Silva - @tuitdosantinha

Aparecido Araujo Lima - BlogProgSP

Aureliano Ricardo de Souza Moreira

Caio Lopes Veloso

Carlos Balladas - Jornal Ponto Final/ Revista Dia Melhor

Daise Graciano

Diogo Silva

Eduardo Guimarães - Blog da Cidadania

Felipe Bianchi dos Santos

Felipe Giocondo

Gabriel Henrique de Oliveira

Gabriel Lucas Kanaan – Torcida Galo Marx

Gabriel Rapassi

João Sérgio da Silva

José Rosa dos Santos

Julio César Castilho

Luiz Carlos Azenha – Viomundo

Luiz Marcelo Vasconcelos

Mário Antonio Malerba

Manuela D'Ávila - Deputada Estadual (PCdoB/RS)

Marco Aurelio Sacagnhe Nespoli

Marcus Vinicius Oscar Oliveira

Mariana Serafini – jornalista do Portal Vermelho

Moara Melo – Torcida Galo Marx

Newton Cesar Trigo Ribeiro

Paulo Eduardo Caillot

Pedro Silveira (Blog Comentários de Classe)

Renato Rovai - Revista Fórum

Ricardo Roca Galhardo - Blog Futebol-Arte

Rodrigo Barneschi - Blog Forza Palestra

Rodrigo Vianna - Blog O Escrevinhador

Samuel Cássio Martins dos Santos

Taiguara Tupinambá

Thiago Cassis – Blog Pelota de Trapo

Thiago Moro - OPERARIO.com  “A torcida do Fantasma na net”

Unai Tupinambás

Vinicius Vidor Duarte

Wellington Araújo Silva (Esporte em Rede)

ZCarlos Ferreira - Blog ContextoLivre

Para assinar o manifesto de forma individual ou em nome de sua entidade/blog/veículo, preencha o formulário aqui.
Leia Mais ►