13 de ago de 2015

As faces de Cunha Capítulo #2: O preço de Cunha


R$ 267.485.212,28
foi o valor recebido pelos 214 deputados por empresas privadas.

Depois de cruzar três votações importantes na agenda de Eduardo Cunha (PMDB -RJ) para determinar os parlamentares mais próximos a ele, levantamos as empresas que financiaram a “bancada” do presidente da Câmara. Estabelecido o valor total das doações empresarias para a campanha dos 214 deputados, as companhias que mais doaram para esse grupo foram elencadas.

Nessa página, é possível observar quanto essas empresas doaram por partido – limitando-se aos deputados que mais seguiram Cunha. Além disso, estão apresentadas as companhias que mais doaram para cada legenda que compõe a base do pemedebista, bem como o custo médio por partido de cada um dos 214 parlamentares.

A maiores financiadoras






Maiores doadoras — PSDB:

SERRANA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇOES
R$ 2.417.400,00
CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ S/A
R$ 1.711.766,50
DIAL – DISTRIBUICAO· ABASTECIMENTO E LOGISTICA LTDA
R$ 1.270.500,00
R$ 1.571.288,34
Custo médio por deputado
R$ 56.566.380,30 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PMDB:

JBS S/A
R$ 2.705.102,00
CRBS S/A
R$ 1.368.000,00
CONSTRUTORA OAS S/A
R$ 1.332.732,00
R$ 1.366.618,21
Custo médio por deputado
R$ 53.298.110,22 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PP:
JBS S/A
R$ 15.574.958,00
INDUSTRIAS BRASILEIRAS DE ARTIGOS REFRATÁRIOS – IBAR – LTDA
R$ 2.190.000,00
COMPANHIA METALURGICA PRADA
R$ 1.668.000,00
R$ 2.044.901,48
Custo médio por deputado
R$ 51.122.537,12 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — DEM:

UTC ENGENHARIA
R$ 2.019.892,53
CONSTRUTORA NORBERTO ADEBRECHT S/A
R$ 1.125.620,00
CONSTRUTORA OAS S/A
R$ 880.000,00
R$ 1.650.436,36
Custo médio por deputado
R$ 23.106.109,08 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PSD:

JBS S/A
R$ 1.958.823,00
BRASIL TRADING LTDA
R$ 1.446.972,25
G.PMM PLANEJAMENTODE MRKETING E MERCADO LTDA
R$ 1.209.595,00
R$ 1.015.437,13
Custo médio por deputado
R$ 20.308.742,65 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PR:

JBS S/A
R$ 3.830.750,00
SEARA ALIMENTOS LTDA
R$ 1.600.000,00
CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ S/A
R$ 1.225.000,00
R$ 1.033.336,45
Custo médio por deputado
R$ 16.533.383,13 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PSB:

IACO AGRICOLA S/A
R$ 1.025.000,00
GRANDE MOINHO CEARENSE SA
R$ 800.000,00
CERVEJARIA PETROPOLIS S/A
R$ 701.714,88
R$ 1.410.370,64
Custo médio por deputado
R$ 14.103.706,37 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PTB:

ELDORADO BRASIL CELULOSE S/A
R$ 2.000.000,00
VIGOR ALIMENTOS S/A
R$ 1.999.960,00
BRAPIRA COMERCIO DE BEBIDAS LTDA
R$ 1.080.000,00
R$ 1.147.751,93
Custo médio por deputado
R$ 12.625.271,23 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — Solidariedade:

BRADESCO VIDA E PREVIDÊNCIA S.A
R$ 699.930,00
PORTO SEGURO COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS
R$ 554.700,00
SAEPAR SERVICOS E PARTICIPACOES S/A
R$ 500.000,00
R$ 1.015.077,58
Custo médio por deputado
R$ 9.135.698,20 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PRB:

MIRAMAR EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA
R$ 600.000,00
CONSTRUCAP CCPS ENGENHARIA E COMERCIO S.A.
R$ 267.657,32
AGRO ENERGIA SANTA LUZIA S/A
R$ 250.000,00
R$ 297.840,19
Custo médio por deputado
R$ 3.871.922,53 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PSC:
CONSTRUTORA JRN LTDA
R$ 485.000,00
Direção Estadual/Distrital
R$ 229.700,00
CERVEJARIA PETROPOLIS S/A
R$ 224.315,08
R$ 508.773,90
Custo médio por deputado
R$ 3.052.643,40 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PTdoB:

JBS S/A
R$ 526.483,67
Direção Nacional
R$ 222.202,23
BANCO BMG S.A.
R$ 100.000,00
R$ 590.604,20
Custo médio por deputado
R$ 1.181.208,40 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PHS:

ACAO CONTACT CENTER LTDA
R$ 300.000,00
SEMPRE EDITORA LTDA
R$ 206.144,40
METALSIDER LTDA
R$ 123.600,00
R$ 332.483,47
Custo médio por deputado
R$ 997.450,40 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PSDC:

CARIOCA CHRISTIANI NIELSEN ENGENHARIA S.A.
R$ 170.000,00
Direção Estadual/Distrital
R$ 85.000,00
J.H.H.NICOLAU
R$ 75.000,00
R$ 250.593,83
Custo médio por deputado
R$ 501.187,66 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PRP:

META PARTICIPACOES LTDA
R$ 124.200,00
QUIMICA BRASILEIRA LTDA
R$ 59.300,00
RIBEIRO GOMES ENGENHARIA LTDA – ME
R$ 50.000,00
R$ 239.168,56
Custo médio por deputado
R$ 478.337,12 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PEN:

DISTRIBUIDORA FILGUEIRA DE BEBIDAS LTDA
R$ 108.060,00
COMPANHIA DE BEBIDAS BRASIL KIRIN
R$ 50.000,00
FG RIBEIRO E CIA LTDA
R$ 20.545,25
R$ 114.702,64
Custo médio por deputado
R$ 229.405,27 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PDT:

AUTO POSTO ABEL GALINHA LTDA
R$ 118.000,00
DISTRIBUIDORA EQUADOR DE PRODUTOS DE PETROLEO LTDA
R$ 75.000,00
R$ 193.000,00
Custo médio por deputado
R$ 193.000,00 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PTN:

COMERCIAL RIO FORTE LTDA-EPP
R$ 33.175,69
CONSTRUTORA NORBERTO ADEBRECHT S/A
R$ 30.000,00
RENATO HERMES DA SILVA
R$ 22.990,00
R$ 144.251,69
Custo médio por deputado
R$ 144.251,69 (total recebido pelo partido)

Maiores doadoras — PMN:

QUEIROZ GALVÃO ALIMENTOS
R$ 10.000,00
NASA OLEO E GAS LTDA – ME
R$ 6.888,00
COMPANHIA DE LOCAÇÃO DAS AMERICAS
R$ 4.800,00
R$ 17.933,76
Custo médio por deputado

No CAf | Brasil de Fato
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“Não acredito em um Brasil fascista”: o republicanismo e a reação de Dilma

Ela
Talvez tenha levado mais tempo do que deveria, mas Dilma resolveu subir o tom nos últimos dias para intervir por seu mandato.

Num encontro com perto de mil integrantes de movimentos sociais no Palácio do Planalto, na quinta (13), lembrou a clássica formulação de Carlos Lacerda sobre Getúlio: “Não pode ser candidato. Se for, não pode ser eleito. Se eleito, não pode tomar posse. Se tomar posse, não pode governar.”

(A frase exata: “O senhor Getúlio Vargas não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar.”)

“Democracia é algo que temos que preservar. Tem que respeitar o adversário. Eu brigo até a hora do voto. Depois, eu respeito o resultado da eleição. Se não respeita o adversário do jogo, você não pode entrar no jogo”, prosseguiu.

Citou o papa, que numa carta que ele lhe enviou durante a Copa mencionava o fair play: “Respeite e honre o adversário. Porque se não respeitar o resultado, você não pode entrar no jogo”.

No SBT, ao dizer que jamais cogita renunciar, insistiu que a democracia exige “respeito às instituições”, não com relação a ela ou seu cargo, mas a todos os presidentes que virão depois.

Foi uma indireta a Aécio, claro, mas não apenas a ele. Se em março, após o protesto do dia 15, Dilma fez uma espécie de elegia do direto à opinião (“valeu a pena lutar pela liberdade”), agora foi enfática sobre o que está por trás dessas manifestações.

“Agora, o que temos de evitar é intolerância, porque a intolerância leva a conflitos que não têm solução. Ela divide um país e transforma algumas manifestações até em processos que levam à violência. Acho que tem um processo de intolerância como não visto antes no Brasil”, declarou. “Não acredito em um Brasil fascista”.

Foi a primeira vez que deu nome aos bois, reconhecendo que eles existem. Fascistas — as coisas devem ser chamadas pelo nome que elas têm, dizia um velho jornalista — não podem ser combatidos com tapinhas nas costas (para ficar apenas num exemplo, um desequilibrado que invade uma comitiva presidencial nos EUA não pode ser tratado como um acidente de percurso).

A assertividade de Dilma acontece na mesma semana em que o TCU deu mais quinze dias para o esclarecimento das pedaladas fiscais e Eduardo Cunha se vê às voltas com mais um imbroglio — Janot acusou a Câmara de agir em ‘interesse particular’ e Cunha de “confundir público com privado”.

Pode marcar uma nova fase em que o termo republicanismo deixa de significar “aceita-se tudo em nome de sabe-se lá o quê” para a virtual defesa das instituições.

Kiko Nogueira
No DCM
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O protesto de domingo morreu antes de nascer


O protesto de domingo morreu, tecnicamente, antes de nascer.

A causa mortis foi a NOG, a Nova Ordem da Globo, aquela que tira formalmente o apoio ao golpe.

A Globo nunca entra num jogo se pode perder. Ela apoiou os golpistas de 64 porque a vitória era certa, garantida pelos militares e pelos americanos.

Agora, não. Ficou claro, depois de oito meses de desestabilização, que um golpe conflagraria o país, e os resultados para ela, Globo, poderiam ser catastróficos.

Tudo isso posto, significa que os idiotas úteis que vestiam camisas da CBF e iam para as ruas pedir a cabeça de Dilma se transformaram em idiotas inúteis.

Como foram artificialmente erguidos e promovidos, agora serão devolvidos a seu devido lugar.

Como esquecer o protesto de fevereiro, quando a Globo News anunciava a todo instante o número brutalmente mentiroso de participantes passado pela polícia de Alckmin?

Aquela era, aspas, e pausa para gargalhadas, a “festa da família brasileira”.

Um diretor da Globo chegou a convocar publicamente, no Facebook, as pessoas a irem para a rua para derrubar Dilma e seus 54 milhões de votos. (Um dos argumentos desse diretor era uma denúncia que ele lera, logo onde, na Veja, a maior fábrica de infâmias e mentiras da história da imprensa brasileira.)

Novas circunstâncias, nova cobertura.

Os protestos tenderão a ser coisa de lunáticos, gente como Lobão, Kim Kataguiri, Reinaldo Azevedo, Batman do Leblon, Bolsonaro e, à distância, Olavo de Carvalho.

Será o retorno à razão.

Você quer trocar o governo? A cada quatro anos há eleições exatamente para isso.

Democracia é assim.

Tirar um presidente eleito antes disso com base em uma centena de pretextos que se superam em cinismo e desonestidade é coisa de República das Bananas.

A revista America’s Quartely, que reflete o pensamento da elite de Washington, colocou isso exemplarmente num artigo poucos dias atrás.

Um golpe devolveria o Brasil a um triste passado em que a vontade do povo era atropelada.

E acabaria com a ideia, abraçada pelo mundo civilizado, de que emergiu no país, depois dos militares, um “novo respeito” pelas urnas.

A AQ falou também o óbvio. Caso vingue um impeachment absurdo e forçado como este, todo presidente brasileiro, daqui por diante, governará sob a sombra sinistra de ser removido a qualquer momento a despeito de vencer as eleições.

Quem quer isso?

Nem a Globo, depois de enxergar a realidade.

Só os analfabetos políticos que irão às ruas neste domingo, vestidos em seu uniforme da corrompidíssima CBF.

Para eles, o holofote se foi, e sem isso não são rigorosamente nada senão, repito, idiotas inúteis.

Paulo Nogueira
No DCM
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Decreto presidencial de Aécio Neves pelo dia do Impeachment


PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO TUCANISTÃO*

Decreto Presidencial de Aécio Neves, sobre a manifestação pró-impeachment do dia 16 de Agosto de 2015.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista a realização da terceira marcha #VemPraRua convocada pela Globo, Veja, Folha de São Paulo e todos os derrotados nas últimas eleições, em vários estados brasileiros, decreta:

Art. 1º — Todo coxinha deverá tirar seu uniforme da CBF da gaveta e junto com seus tênis e assessórios de grife, caminharem alguns metros nas cidades onde temos velhos políticos envolvidos em atos de corrupção, que estarão com trio-elétricos, camisas, cartazes, faixas e bandeiras, pedindo o impeachment, junto com todos aqueles que perderam as eleições e os que votaram nestes e não se conformam com o resultado das urnas.

Art. 2º — Para efeito deste Decreto, considera-se:

I — Ninguém poderá vestir vermelho neste dia;

II — É obrigatório tirar 'selfies' com PMs que estarão presentes para proteger todos os participantes, mas convém não lembrar que não é o governo federal que lhes nega o direito de terem melhores salários;

III — Podem levar bebidas e outras drogas, só não maconha que é droga de pobre e vagabundo;

IV — Podem hostilizar qualquer pessoa que vista vermelho ou ouse não querer participar da caminhada;

V — Nos estados e municípios governados pelo PSDB e partidos da oposição, os DAS´s deverão obrigatoriamente participar da marcha, sob pena de serem demitidos e não terem direito de reclamar. Para tal, os amigos promotores e desembargadores do Ministério Público de todas os estados da nação fingirão que essa prática não é ilegal e um ato grave de uso da máquina pública para fins partidários;

VI — Neste dia, fica proibido bater panelas ou mandar as nossas empregadas baterem, tanto nas janelas, quanto nas sacadas dos nossos condomínios. O almoço deste dia, deve ser realizado em restaurantes gourmet e depois retornamos pacificamente para o descanso merecido. O resto é com o Eduardo Cunha, nossos amigos no Congresso, TCU, STF, TSE, MPF, Polícia Federal e claro, nos meios de comunicação de massa, dos nossos amigos da grande mídia.

Brasília, 13 de Agosto de 2015.

AÉCIO NEVES.
Presidente da República do Tucanistão.

* Este decreto é uma sátira sobre a situação em que se encontra a política brasileira.
No As Falas da Pólis
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A desconexa argumentação de Caiado para explicar à Justiça por que chamou Lula de “bandido frouxo”


Procure entender.

Caiado chamou Lula de “bandido frouxo”.

Lula foi à Justiça. Caiado terá que se explicar num processo no STF cujo relator é Fachin.

Ao jornalista Lauro Jardim, da Veja, ele disse qual vai ser sua linha de argumentação.

Tente encontrar alguma explicação para o “bandido frouxo”.

Não há nenhuma. É um caso clássico em que a resposta não tem nada a ver com a pergunta.

Eis o que afirmou Caiado a Lauro Jardim.
“Saí em defesa dos manifestantes que se preparavam a ir às ruas no dia 15 de março. Vou exercer o meu direito de defesa e reiterar o que sempre disse: como um dos líderes da oposição no Senado Federal não admitirei qualquer tentativa de intimidação do cidadão brasileiro ao seu direito de se manifestar por movimentos supostamente sociais ou milícias ligadas ao PT.”
O que tudo isso tem a ver com “bandido frouxo”?

O argumento de Caiado faria sentido apenas caso o relator de seu processo fosse Gilmar Mendes.

No DCM
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Lula pede explicações a Danilo Gentili na Justiça


Em sua conta no Twitter, apresentador ironizou o ataque feito ao Instituto Lula, dizendo que o atentado teria sido “forjado” para que o ex-presidente se “fizesse de vítima”

O Instituto Lula anunciou, nesta quinta-feira (13), que protocolou pedido de interpelação judicial contra o apresentador do SBT Danilo Gentili. O que motivou a medida foram comentários que o humorista fez em sua conta no Twitter ironizando o ataque a bomba do qual o Instituto foi alvo, no último dia 30.



Abaixo, confira a nota da entidade:

“NOTA À IMPRENSA

Instituto Lula pede explicações a Danilo Gentili perante a Justiça

‘Comediante’ afirmou que atentado a bomba contra escritório do ex-presidente Lula teria sido armação

São Paulo, 13 de agosto de 2015,

O Instituto Lula protocolou, nesta quinta-feira (13), um pedido de interpelação judicial contra o apresentador de TV Danilo Gentili. Em seu perfil pessoal no Twitter, o pretenso comediante ironizou o ataque a bomba sofrido pelo Instituto no fim de julho ao afirmar que o atentado teria sido ‘forjado’ para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se ‘fizesse de vítima’.

Gentili concluiu sua fala grosseira com a afirmação de que o resultado do ataque teria sido que as pessoas lamentarem o fato de a bomba não ter atingido o ex-presidente. Há duas semanas, a Polícia Civil investiga o atentado, ainda sem resultados.

A interpelação judicial é um procedimento anterior à ação judicial, com o objetivo de oferecer a Gentili a oportunidade de explicar suas palavras, provar suas afirmações ou se retratar. Os advogados do Instituto apresentaram seis perguntas que gostariam de ver respondidas por ele:

A conta @DaniloGentili pertence ao suposto humorista?

O comentário publicado nesse perfil é de autoria de Gentili?

Mais alguém participou da elaboração desse comentário?

Gentili tem algum elemento de prova de que o atentado ao Instituto teria sido forjado? Se sim, qual?

Qual foi a intenção de dizer que o atentado foi forjado?

Gentili confirma o comentário ou gostaria de se retratar?

A partir da resposta do apresentador serão avaliadas as possibilidades de processo cível ou criminal contra Gentili.”
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São Paulo quer mudar nomes de ruas que homenageiam a ditadura

"Quem já se propôs a morrer pela democracia sabe o valor desse ato", disse o prefeito Fernando Haddad no evento


A prefeitura de São Paulo lançou, nesta manhã (13), o projeto Ruas de Memória, para retirar o nome de violadores dos direitos humanos das ruas da capital. A partir das primeiras modificações, o projeto pretende estender e, progressivamente, alterar os nomes de logradouros e equipamentos públicos de São Paulo que fazem referências a pessoas, fatos ou datas vinculadas à repressão durante a ditadura militar. 

No mesmo evento, que contou com a participação do prefeito Fernando Haddad, do Secretário de Direitos Humanos da cidade, Eduardo Suplicy, do Secretário-adjunto da pasta, Rogério Sotilli, da coordenadora de Direito à Memória e à Verdade, Carla Borges, e da procuradora presidente Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Eugênia Gonzaga, foram encaminhados à Câmara dos Vereadores dois projetos de lei sobre o tema.

Um deles impede novas nomeações de logradouros com nomes de violadores e o outro propõe alterar o nome do Viaduto 31 de Março para Viaduto Thereza Zerbini. O local, que fica próximo ao Terminal Parque Dom Pedro, no centro da cidade, foi batizado em homenagem ao golpe de 1964 por um decreto do então prefeito Paulo Maluf. Therezinha Zerbini foi responsável pela criação do Movimento Feminino pela Anistia, em 1975.


"É inaceitável que pessoas que notadamente cometeram crimes e graves violações aos direitos humanos continuem a ser reverenciadas como referências nacionais em nossas ruas, pontes, avenidas e praças", afirmou a Coordenação de Direito à Memória e à Verdade, na divulgação do evento.

O programa, segundo a pasta, "representa reparação simbólica fundamental para as vítimas diretas destes crimes, demonstra o reconhecimento do Estado dos crimes cometidos por seus agentes e o posicionamento de que não tolerará mais esses atos, traz à tona para toda a sociedade a verdade sobre os fatos e personalidades presentes no cotidiano das cidades e ajuda a reconstruir a memória histórica do país, a partir da valorização da cultura democrática e de promoção dos direitos humanos". 

"Quem já se propôs a morrer pela democracia sabe o valor desse ato", disse o prefeito Fernando Haddad, durante o lançamento do programa.

No GGN
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Suicida-se no Chile ex-general condenado a 20 anos de prisão

Hernan Ramirez foi reconhecido como o autor intelectual do crime
O ex-militar do exército tinha sido condenado pelo assassinato de um químico ligado aos atos da ditadura de Pinochet.

O general do Exército chileno Hernán Ramirez, que foi condenado esta semana a 20 anos de prisão por crimes relacionados a ditadura de Augusto Pinochet, cometeu suicídio nesta quinta-feira após dar um tiro na cabeça.

Fontes hospitalares e policiais confirmaram a informação e detalharam que o ex-general entrou no Hospital Militar de Santiago aproximadamente a 01h30 hora local (04h30 GMT), com uma ferida de bala do crânio.

Em comunicado oficial, a polícia explicou que "dada a gravidade da lesão e, apesar dos esforços da equipe médica que o atendeu, o general morreu as 03H20 (06H20 GMT).

A polícia relata que Ramirez estava em sua casa com sua esposa, quando, logo a 01h00, hora local (0400 GMT), ele deixou o apartamento, subiu as escadas do edifício, e fez um disparo com revólver calibre 32.

O fato

Hernán Ramirez e outros 13 militares foram acusados ​​pela participação no sequestro e assassinato de Eugenio Berríos, um químico e agente da polícia secreta da ditadura, que desenvolveu armas químicas e foi encontrado morto no Uruguai em 1995.

A condenação

Na terça-feira, a Suprema Corte do Chile confirmou que três ex-militares uruguaios e 11 chilenos foram condenados a entre 5 e 20 anos de prisão pelo assassinato do ex-agente da ditadura de Pinochet.

Entre os condenados, o ex-chefe da Direção de Inteligência do Exército (DINE), que se não tivesse cometido suicídio, teria que pagar 10 anos e um dia de prisão pelo crime de seqüestro e outros 10 anos e um dia por associação ilegal.

O contexto

Eugenio Berríos, que era quem fabricava o gás sarín com o qual a ditadura de Pinochet matou cerca de 3.200 pessoas, fugiu para o Uruguai em novembro de 1991 para evitar depor no julgamento sobre o assassinato do ex-chanceler Orlando Letelier, perpetrado em Washington em 1976.

Em 1995, Berríos foi encontrado morto com um tiro na cabeça na praia de El Pinar Uruguai.

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Dança do golpe vira piada


Manifestantes viram piada na internet após realizarem “dancinha coreografada” contra Lula e Dilma nas ruas de Fortaleza

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Ex-vereador do PT preso na Lava Jato é na verdade antipetista raivoso



Ao noticiar a prisão de Alexandre Correa de Oliveira Romano, o Globo e a Globo apresentaram o sujeito apenas como "ex-vereador do PT".

Só que a história verdadeira não é essa.

Romano foi um petista relâmpago. Entrou no partido para concorrer a vereador em 2000, e elegeu-se com votação recorde, por conta de pertencer a uma tradicional família de Americana, interior de São Paulo.

Em menos de dois anos, porém, se licenciou do cargo e, em 2003, assumiu o cargo de secretário de meio ambiente do prefeito da cidade, do PDT, não apoiado pelo PT.

Em seguida, desfiliou-se do PT.

E foi à Brasília prestar serviços para a Câmara dos Deputados.

Fontes de Americana ligaram para o Cafezinho para me avisar que Romano jamais teve qualquer ligação orgânica com o partido.

As fofocas divulgadas pelo blog Antagonista, de que Romano teria doado R$ 5 mil ao então candidato petista Antonio Mentor, também de Americana, igualmente distorcem a verdade.

Antonio Mentor foi candidato a deputado estadual pelo PT em 2014. Deu um jantar de campanha, e Romano comprou um ingresso. Só isso.

O candidato havia sido quem levara Romano para o PT no ano 2000, inclusive pela relação com a família de Romano, que é querida na cidade. Mentor não se elegeu.

As tentativas de associar Romano e suas estrepolias ao PT, portanto, são irresponsabilidade da mídia e da Lava Jato.

No Facebook de Romano, você verá apenas postagens raivosas contra o PT. Há postagens do Revoltados On Line, de Ronaldo Caiado, de Arnaldo Jabor.

(O Facebook de seus irmãos, então, é ainda mais "revoltado online"; todo mundo chamando para marcha golpista do dia 16... Alguém avisa aos rapazes que, antes de quererem dar golpe, resolverem a corrupção na própria família).

Reproduzo abaixo algumas postagens recentes do Facebook do "ex-vereador do PT".

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ScreenHunter_6079 Aug. 13 11.21
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ScreenHunter_6076 Aug. 13 11.16

Miguel do Rosário
No Cafezinho
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Paulo Teixeira rechaça calúnias e ironiza Carlos Sampaio, líder do PSDB

Em discurso, vice-líder do governo na Câmara rechaçou o que chamou de “calúnias” e “molecagens” de Carlos Sampaio e pediu elevação do nível político




Em contundente discurso no plenário, nesta quarta-feira (12), o vice-líder do governo na Câmara, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), lembrou aos tucanos o papel que lhe cabe na história recente da política brasileira. Teixeira rechaçou especialmente o que chamou de “calúnias” e “molecagens” do líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), a quem pediu que elevasse o nível do debate político.

“Não aceitaremos calúnias. Não aceitaremos intimidações. Não aceitaremos molecagem, que é o que vossa excelência tem feito neste plenário. Nós temos honra, nós temos dignidade. A nossa honra e dignidade não irão para a lama que vossa excelência quer levar o nosso País”, disse Paulo Teixeira, referindo-se diretamente a Sampaio.

O petista listou inúmeros exemplos para chamar o líder tucano de seletivo. “Ele fala de alguns, caluniando-os, e deixa de falar de outros. Ele deixa de falar que o mensalão iniciou sob o comando do então presidente do seu partido e governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo. Ele é seletivo porque ele não fala que o governador do Paraná está sendo acusado de ter uma arrecadação própria ligada ao Fisco do Paraná, coordenada pelo seu primo. Ele é seletivo quando não fala que há uma acusação de cartel, promovido no estado de São Paulo, pelo seu partido. Ele é seletivo quando esquece que houve uma acusação de compra de votos pelo então governo de Fernando Henrique Cardoso nesta Casa”, recordou Teixeira.

O patético papel de Sampaio como advogado da campanha derrotada de Aécio Neves também foi mencionado por Teixeira. “Como advogado da campanha do Aécio Neves, pediu a recontagem de votos. Apresente, deputado Carlos Sampaio, o resultado do seu pedido de recontagem de votos no Tribunal Superior Eleitoral. Depois disso, pediu que a Presidenta da República não tomasse posse. E a presidenta Dilma Rousseff tomou posse. E vossa excelência corria por todos os cantos para pedir o seu impedimento e dizia que havia uma decisão do Tribunal de Contas da União que seria uma ‘bala de prata’ para tirar a Presidenta da República de lá. Não há decisão no Tribunal de Contas da União. Há a opinião de um ministro singular que veio a esta Casa, ele que faz parte de um órgão auxiliar, pedir a votação de contas para limpar a pauta e votar aquilo que sequer o Tribunal de Contas da União votou. Ora, vossa excelência pegou essa bala de prata e vai dar um tiro no pé”, ironizou.

“O partido de vossa excelência lidera a desgovernabilidade, ao votar matérias aqui que criam um caos no nosso País. E vossa excelência se soma ao golpismo dirigido pelo ex-candidato derrotado no Brasil à Presidência da República, Aécio Neves, que também foi derrotado no governo de Minas Gerais”, acrescentou Teixeira.

“Respeite o Partido dos Trabalhadores! Respeite a Presidente Dilma Rousseff! Respeite o Presidente Lula! Respeite, porque eles têm toda a sua vida dedicada à transformação deste País e à melhora dessa sociedade, para a construção de uma sociedade mais justa. Nós vamos vencer esse período e vamos continuar construindo a sexta maior potência do mundo com mais justiça social, com muita força, que este País tem, e que, sem dúvida nenhuma, vai ter a direção da média do pensamento político. A média do pensamento político vai vencer, e não o extremismo que vossa excelência representa na expressão das suas opiniões neste plenário”, concluiu Paulo Teixeira.

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Quem o Ministério Público defende? A sociedade? Que sociedade?

Será que é a sociedade que adere ao discurso populista-midiático-inconsequente do aumento do direito penal e das punições?


A Constituição Federal de 1988, marco revolucionário do Ministério Público brasileiro, entregou à instituição a titularidade da ação penal pública (art. 129, I). Ao mesmo tempo, a par de outras atribuições, incumbiu-lhe da defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (art. 127), além de conceder-lhe instrumentos para a tutela dos direitos difusos e coletivos (art. 129, III).

Apesar de integrar o Estado, o Ministério Público surge como órgão do povo, de quem todo o poder emana (art. 1º, parágrafo único). Tamanha importância constitucional levou ninguém menos que Dalmo de Abreu Dalari a referir-se à instituição como “o advogado do povo”, vocacionado, em 1988, a zelar pela “proteção e promoção dos direitos que fossem de todo o povo, além dos direitos assegurados a pessoas e grupos sociais mais frágeis, com impossibilidade ou dificuldade para cuidar de seus próprios direitos”[1]. Ou seja, um órgão dotado de meios legais para representar a população na busca da cidadania.

Mas o que é a busca da cidadania?

Conforme a própria Lei Maior, é a perseguição dos objetivos fundamentais da república — segundo Marcelo Pedroso Goulart, princípios-essência impositivos [2] (art. 3º): construir uma sociedade livre, justa e solidária (inc. I), garantir o desenvolvimento nacional (inc. II), erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades (inc. III) e promover o bem de todos, sem preconceitos de qualquer origem (inc. IV). Quanta responsabilidade!

Cotejando-se as funções da instituição, verifica-se que a promoção da ação penal é somente mais uma arma para a construção da democracia plena. Por meio dessa atribuição, os bens jurídicos mais caros da sociedade são defendidos por um órgão imparcial, dotado de autonomia e independência funcional, o que garante isenção e livra-o de ingerências internas e externas.

Hugo Nigro Mazzilli, talvez o maior doutrinador sobre o Ministério Público brasileiro, afirma que “A Constituinte confiou na instituição do Ministério Público, já organizado em carreira em todo o País: conferiu-lhe as funções e os instrumentos para assumir novos e relevantes encargos”, tornando-o “defensor do povo, ainda que dessa expressão não se tenha valido”[3].

De acordo com doutrina de respeito, portanto, o Ministério Público, em todas suas searas de atuação — inclusive na criminal —, deve defender a sociedade. De acordo. Mas que “sociedade” é essa? É toda sociedade? É a sociedade de bem? Cumpridora da lei? Vítima da criminalidade?

Ou será a sociedade que insiste em se posicionar contra a igualdade de direitos do público LGBT? Que procura justificar seu preconceito e seus ataques a todos os homossexuais em razão de supostos comportamentos desrespeitosos por parte de alguns poucos? Que pensa falar em nome de Deus para discriminar e diminuir pessoas que têm opções diferentes? Que se mostra deveras intolerante com a diversidade e com o pluralismo?

É a sociedade que brada por “justiça” contra criminosos, mas esquece de se “revoltar” contra uma das piores injustiças do país, que é a injustiça social? Aquela que, ao revés, critica ferozmente programas de transferência de renda? Que não se indigna na mesma proporção contra a pífia educação pública básica? Que não demonstra igual repugnância com crianças morando nas ruas, ao relento, desprovidas do mais básico direito à convivência familiar e comunitária? Que, ao contrário, manifesta-se a favor da redução da maioridade penal, um estelionato eleitoreiro sem precedentes (PEC 171)?

Seria a sociedade que, influenciada por setores mal-intencionados da mídia, vê grupos sociais importantes como o MST como inimigos do país? Que se utiliza da conduta ilegal de meia dúzia de aproveitadores para atacar todo o movimento? Que ignora integralmente a importância da organização no desenvolvimento da agricultura familiar — de onde vem grande parte da alimentação nacional[4]? Que desconhece sua luta diária contra o agronegócio, responsável pela devastação do meio ambiente e pela morte e expulsão de índios de suas terras [5]? A sociedade que considera a luta pela reforma agrária um crime, pese embora constar ela expressamente do texto constitucional como política pública essencial (art.184)?

A sociedade que tem o mesmo ódio do movimento dos trabalhadores sem-teto (MTST), e não nota o prejuízo que a especulação imobiliária causa aos mais pobres, que ficam quase impossibilitados de adquirir uma moradia digna? Aquela que não se abalou — antes apoiou — com a reintegração de posse do Bairro Pinheirinho, em São José dos Campos, um dos episódios mais lastimáveis e vergonhosos da história recente do Brasil[6], no qual casas foram destruídas com móveis, roupas e até animais em seu interior?

É a sociedade que não bate panelas contra a brutal violência exercida cotidianamente contra a população jovem e negra[7]? A sociedade que procura as mais variadas justificativas para o espancamento até a morte de furtadores e roubadores de míseras quantias, como se isso fosse um grito de “basta”, de “chega da impunidade”? Que o faz como se esses pobres coitados fossem os maiores responsáveis pela criminalidade no Brasil, e como se sua vida valesse menos que um bem material qualquer? Que o faz — o que é pior — como se isso não representasse séculos de retrocesso? É aquela que festeja a morte de criminosos pela polícia, olvidando-se de que a violência volta-se posteriormente contra os policiais? Seria aquela que aplaude a agressão verbal e a injúria contra pessoas e suas famílias em restaurantes por discordâncias ideológicas, alegando que isso é o “exercício da cidadania”?

Será que é a sociedade que adere ao discurso populista-midiático-inconsequente do aumento do direito penal e das punições? Que não se importa com o crescimento assustador da população carcerária, sem notar que está sendo enganada? Que não se dá conta de que, com tanta gente presa, a recuperação e a ressocialização do ser humano é quase impossível, e que todas essas pessoas voltarão ao convívio social mais cedo ou mais tarde? Que não percebe que nas prisões — algumas das quais prefiro chamar de masmorras medievais — o que vale é a lei do mais forte, razão pela qual criminosos primários, jovens e não violentos são obrigados a “vender a alma” por proteção, assumindo uma dívida com o crime organizado, a ser paga após sua liberdade (não preciso dizer como)? É a camada da população que custa a entender que os direitos humanos são para todos, e que não faz parte de uma casta privilegiada por se considerar humano direito?

É essa sociedade que devemos defender?

A verdade é que a tal sociedade de bem não existe. Muitas das pessoas que assim se intitulam também desrespeitam costumeiramente a Constituição Federal e as leis. Têm um senso de justiça seletivo, e são incapazes de indignar-se contra as reais causas dos problemas que enfrentamos.

Não! Não cabe ao Ministério Público adotar discursos de ódio. Não cabe a adoção, pela instituição, de sensos comuns, notadamente quando conflitam frontalmente com direitos e garantias conquistados a duras penas. Defender a sociedade sim, mas não como uma eventual maioria entende que deve ser defendida. Jamais rasgando a carta constitucional, como vem sendo feito diariamente nos foros criminais (com os mais flagrantes desrespeitos ao direito de defesa) e nas prisões superlotadas (onde o princípio da dignidade humana é espancado). Defendê-la sem nunca descurar do fato de que o criminoso e sua família também são membros dessa mesma sociedade, e que os direitos e garantias fundamentais aplicam-se a eles tanto quanto a qualquer outra pessoa.

Marcelo Goulart, entendendo possível conciliar a missão institucional da promoção da democracia com suas funções na persecução criminal, assevera que o Ministério Público “pode contribuir de forma determinante no aperfeiçoamento dos procedimentos e do processo penal para que eles se transformem, numa perspectiva constitucional, democratizante e garantista, em verdadeiros instrumentos de realização dos escopos do sistema de Administração da Justiça”[8].

Não deve o Promotor de Justiça agir como um vingador da sociedade; como mero encarcerador público — que o aproximaria da figura do carrasco —, como se o grave problema das prisões não fosse seu. Deve ele lutar pela punição justa de condutas criminosas, e que seja a mais branda possível. Deve evitar, tanto quanto possa, prisões provisórias e penas em regimes de reclusão. Não deve o agente ministerial exercer sua função com “sangue nos olhos”, como dizem alguns, pois, segundo a lenda do Ministério Público de São Paulo Antonio Alberto Machado, “quem tem sangue nos olhos, não tem paz no coração”[9].

Como agentes da transformação social, devemos sempre balizar nossa atuação na busca pela paz, finalidade última do direito.

REFERÊNCIAS
[1] DALLARI, Dalmo de Abreu. Ministério Público: advogado do povo. Justiça, cidadania e democracia/ São Paulo: Imprensa Oficial do Estado: Ministério Público Democrático. 2006, p. 84.
[2] GOULART. Marcelo Pedroso. Elementos para uma teoria geral do Ministério Público. – Belo Horizonte, 2013, p. 55.
[3] MAZZILLI, Hugo Nigro. Regime jurídico do Ministério Público. 8. ed. São Paulo: 2014. p. 373.
[4] Segundo dados do IPEA, em 2011, a agricultura familiar já era responsável por mais da metade dos alimentos colocados na mesa dos brasileiros. Somente a título de exemplo, 87% da mandioca, 70% do feijão, 58% das aves e 59% dos suínos consumidos no Brasil vinham dessa modalidade de produção. Disponível em: http://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=articl... (acesso em 10/08/2015).
[5] http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/06/08/numero-... (acesso em 10/08/2015).
[6] http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2013/06/08/numero-... (acesso em 10/08/2015).
[7] Segundo a anistia internacional, em 2012, 26,9% das vítimas de homicídio eram jovens entre 15 e 29 anos, e 93% homens, dos quais 77% eram negros. Disponível em: https://anistia.org.br/campanhas/jovemnegrovivo/. (Acesso em 10/08/2015)
[8] GOULART. Op. Cit. p. 170.
[9] Exposição feita no I Encontro Nacional do Ministério Público, realizado pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional – Escola Superior do Ministério Público de São Paulo, de 10 a 13 de setembro de 2014. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=un5SNqTNzMM. (Acesso em 10/05/2015).

Gustavo Roberto Costa é Promotor de Justiça em São Paulo. Membro do Movimento do Ministério Público Democrático – MPD.
No Justificando
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Presidente do TCU pediu vista em processo que interessava ao filho

Suspeita é que ministro Aroldo Cedraz tenha passado informações sigilosas à empreiteira UTC

Ricardo Pessoa, dono da UTC, afirmou em delação que pagou propina ao filho de Aroldo, Tiago Cedraz
Investigadores da Operação Lava Jato suspeitam que o presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), ministro Aroldo Cedraz, repassou informações sobre um processo de interesse da UTC Engenharia, empresa que teria pago propina a seu filho, o advogado Tiago Cedraz.

Em novembro de 2012, quando ainda não havia assumido a presidência do tribunal, Aroldo pediu vista de um caso envolvendo supostas irregularidades na licitação de uma das unidades da usina de Angra 3. Passados 15 dias, ele devolveu o processo ao plenário e se declarou impedido de julgá-lo.

Embora não tenha participado do julgamento, Aroldo pôde analisar por duas semanas o parecer do relator, ministro Raimundo Carrero, favorável à continuidade do processo licitatório.O relator, como de praxe, havia liberado previamente seu voto aos outros ministros, de acordo com seu gabinete.

O procedimento de Aroldo é considerado pouco usual no TCU. Na maioria dos casos, ministros anunciam o impedimento assim que o processo entra na pauta, sem participar da tramitação. O processo em questão interessava diretamente à UTC, construtora líder do consórcio Una 3, um dos responsáveis pelas obras em Angra 3. A licitação discutida no TCU dizia respeito a um contrato de R$ 2 bilhões.

O dono da UTC, Ricardo Pessoa,contou ter desembolsado R$ 1 milhão para Tiago, filho de Aroldo, ajudar na liberação do processo licitatório de Angra 3, que estava sendo analisado pelo tribunal.

Procurado pela reportagem, Tiago afirmou por e-mail que foi "consultado" por Ricardo Pessoa para trabalhar neste caso, mas que "sua contratação não foi efetivada".Em junho, Pessoa ainda disse que, desde 2012, pagava R$ 50 mil por mês a Tiago para ter acesso a informações privilegiadas de processos do TCU.

Solidariedade

Outro fato que chama a atenção dos integrantes da Lava Jato é a ligação de Tiago com o Solidariedade.

Ele é secretário de Assuntos Jurídicos do partido. Além disso, de acordo com Ricardo Pessoa, um dos pagamentos a Tiago foi feito por intermédio de Luciano Araújo, tesoureiro da legenda.

Segundo os investigadores, Tiago é quem dá as orientações jurídicas da sigla e, por isso, será alvo da apuração. Integrantes da Operação Lava Jato têm indícios de que o advogado fazia lobby no TCU em favor de outras empresas, além da UTC.A suspeita é que, para não aparecer nos processos em que o pai atuava, ele prestava serviços a outros escritórios de advocacia, também vendendo informações sigilosas sobre processos.

Conexão no TCU

A UTC pagava por informações privilegiadas e acesso ao Tribunal de Contas da União.

Além de pagar propina para obter contratos no governo federal, o empreiteiro Ricardo Pessoa mantinha uma rede de informantes em órgãos considerados estratégicos pela UTC. Um deles era o Tribunal de Contas da União (TCU). Na corte, que tem por atribuição fiscalizar o andamento das obras, identificar sinais de superfaturamento e punir eventuais desvios, o contato do empreiteiro era Tiago Cedraz, um jovem advogado de Brasília cujo escritório virou grife entre as bancas da capital por causa do sobrenome que carrega. Tiago é filho do atual presidente do TCU, Aroldo Cedraz. Segundo Pessoa, o advogado tinha acesso privilegiado a informações valiosas de interesse da UTC. O empreiteiro contou aos procuradores que, desde junho de 2012, o jovem Cedraz atuava como uma espécie de espião da UTC no TCU. Sem nenhum contrato ou registro em notas fiscais, Pessoa diz que pagava mensalmente a Tiago 50 000 reais em dinheiro vivo para obter o que ele chama de "informações de inteligência". O objetivo do empreiteiro era antecipar-se às ações de fiscalização dos auditores do TCU e, assim, evitar problemas.

O advogado também alertava o empreiteiro quando um processo de interesse da UTC estava prestes a ser julgado pelos ministros — e atuava para solucionar a pendenga. Segundo Pessoa, Tiago dizia que tinha acesso irrestrito ao tribunal, inclusive na área técnica. "Tiago não chegava a antecipar o resultado do julgamento, mas, diante da notícia de um possível resultado negativo, avisava "tem de tirar de pauta, se não vai dar problema" ", contou o empreiteiro. Ao ser perguntado sobre o porquê de ter feito os pagamentos, confessou, sem meias palavras: "contratar um tráfico de influência no TCU". Além dos pagamentos mensais, Tiago Cedraz era remunerado quando havia uma questão mais grave a ser solucionada. Para fazer lobby em defesa da UTC num processo sobre a construção da usina nuclear de Angra 3, recebeu um extra de 1 milhão de reais, segundo Ricardo Pessoa. O pagamento foi feito em espécie, em 23 de janeiro do ano passado. Uma parte do valor foi entregue em Brasília e a outra, retirada na sede da UTC. Os repasses a ele constam numa planilha intitulada "Tiago BSB", com 25 pagamentos feitos ao filho do ministro do TCU. Pessoa contou que, por vezes, o tesoureiro do partido Solidariedade, Luciano Araújo, retirava valores em nome de Tiago Cedraz.

No Amigos do Presidente Lula
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Caiado recebe cartinha do Lula


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou ação criminal contra o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), no mês passado (8/7), no Supremo Tribunal Federal(STF), por calúnia, injúria e difamação.

Nesta quarta-feira 12/8, o senador Ronaldo Caiado foi intimado por um oficial de Justiça do STF.

Caiado, tem 15 (quinze) dias para oferecer resposta a queixa-crime apresentada por Lula.

O novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin é o relator. 


No Justiça em Foco
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El pedido de Fidel Castro en su cumpleaños 89


La realidad y los sueños

Escribir es una forma de ser útil si consideras que nuestra sufrida humanidad debe ser más y mejor educada ante la increíble ignorancia que nos envuelve a todos, con excepción de los investigadores que buscan en las ciencias una respuesta satisfactoria. Es una palabra que implica en pocas letras su infinito contenido.

Todos en nuestra juventud oímos hablar alguna vez de Einstein y, en especial, tras el estallido de las bombas atómicas en Hiroshima y Nagasaki, que puso fin a la cruel guerra desatada entre Japón y Estados Unidos. Cuando aquellas bombas fueron lanzadas, después de la guerra desatada por el ataque a la base de Estados Unidos en Pearl Harbor, ya el imperio japonés estaba vencido. Estados Unidos, el país cuyo territorio e industrias permanecieron ajenos a la guerra, pasó a ser el de mayor riqueza y mejor armado de la Tierra, frente a un mundo destrozado, repleto de muertos, heridos y hambrientos. Juntos, la URSS y China habían perdido más de 50 millones de vidas, sumadas a una enorme destrucción material. Casi todo el oro del mundo fue a parar a las arcas de Estados Unidos. Hoy se calcula que la totalidad del oro como reserva monetaria de esa nación alcanza 8 mil 133,5 toneladas de dicho metal. A pesar de ello, haciendo trizas los compromisos suscritos en Bretton Woods, Estados Unidos, declaró unilateralmente que no harían honor al deber de respaldar la onza Troy con el valor en oro de su papel moneda.

Tal medida decretada por Nixon violaba los compromisos contraídos por el presidente Franklin Delano Roosevelt. Según un elevado número de expertos en esa materia, crearon así las bases de una crisis que entre otros desastres amenaza golpear con fuerza la economía de ese modelo de país. Mientras tanto, se adeuda a Cuba las indemnizaciones equivalentes a daños, que ascienden a cuantiosos millones de dólares como denunció nuestro país con argumentos y datos irrebatibles a lo largo de sus intervenciones en las Naciones Unidas.

Como fue expresado con toda claridad por el Partido y el Gobierno de Cuba, en prenda de buena voluntad y de paz entre todos los países de este hemisferio y del conjunto de pueblos que integran la familia humana, y así contribuir a garantizar la supervivencia de nuestra especie en el modesto espacio que nos corresponde en el universo, no dejaremos nunca de luchar por la paz y el bienestar de todos los seres humanos, con independencia del color de la piel y el país de origen de cada habitante del planeta, así como por el derecho pleno de todos a poseer o no una creencia religiosa.

La igualdad de todos los ciudadanos a la salud, la educación, el trabajo, la alimentación, la seguridad, la cultura, la ciencia, y al bienestar, es decir, los mismos derechos que proclamamos cuando iniciamos nuestra lucha más los que emanen de nuestros sueños de justicia e igualdad para los habitantes de nuestro mundo, es lo que deseo a todos; los que por comulgar en todo o en parte con las mismas ideas, o muy superiores pero en la misma dirección, les doy las gracias, queridos compatriotas.

Fidel Castro Ruz
Agosto 13 de 2015
1 y 23 a.m.
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Salada

Quem não for de esquerda na juventude não tem coração, quem não for de direita na maturidade não tem cérebro. Como todas as máximas categóricas, esta não resiste muito. Há criancinhas reacionárias do berço e velhinhos carbonários até a morte. Mas não deixa de haver algo de, digamos, antinatural num jovem que pensa como velho e num velho que pensa, e age, como jovem. Num caso “coração” é sinônimo de consciência social, de ideal igualitário, de inconformidade com toda injustiça. No outro caso “cérebro” é sinônimo de uma sabedoria que vem com a idade, que não exclui o coração — já se disse que ninguém tem o monopólio dos bons sentimentos — mas repele a consciência ativa, que quer mudar o homem e o mundo. Goethe, se não me engano de alemão, personificou a transição natural de um jovem idealista para um velho conservador, que no fim da vida disse preferir a desigualdade à desordem. Conviver com a desigualdade para preservar a ordem, mesmo uma ordem injusta, seria uma das formas da sabedoria que vem com o tempo. O resto, para a direita, é infantilismo.

No Brasil, a definição do que são esquerda e direita naturais se complica porque vivemos numa espécie de salada ideológica de difícil explicação, para qualquer idade. O PT foi uma esquerda palatável no poder até que deixou de ser. O conservadorismo dominante engoliu o PT do sapo barbudo, como o Brizola chamou o Lula, mas não o digeriu. Na primeira oportunidade — provocada pelos escândalos do próprio PT — regurgitou-o, e não para de regurgitá-lo. Enquanto isto, Dilma e Levi fazem um governo de direita, baseado no modelo de austeridade que martiriza a Europa, onde responsabilidade fiscal é outro nome para irresponsabilidade social. A política de direita do governo está sendo sabotada por um congresso rebelde liderado por um conhecido líder da esquerda, chamado, deixa ver... Eduardo Cunha?!

A salada é tamanha que você pode até lançar a tese de que, com a Operação Lava-Jato, está em curso o maior ataque ao capitalismo brasileiro de todos os tempos, com a investigação e a prisão de empresários que, com o sucesso internacional das suas empreiteiras, são ícones do nosso capitalismo de compadres. E viviam prósperos e em paz, formando seus cartéis, fraudando licitações, comprando políticos — enfim, o normal — até aparecer esse agitador comunista Sérgio Moro, trazendo a desordem.

Luís Fernando Veríssimo
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Dilma Rousseff em entrevista a Kennedy Alencar


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jn diz que Moody’s reduziu a nota da Globo


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Linhas de desmontagem

Nada do que Renan Calheiros levou a Dilma, como proposta contra a crise, tem a ver com a crise ou pode nela influir para dissolvê-la, em seu aspecto econômico ou no político. Não é mais do que um amontoado de manjadas propostas sem nexo entre si, e quase tudo sujeito a fácil identificação com intenções subalternas, em benefício de diferentes áreas de poder econômico — logo, também financeiro. Se fossem propostas isentas de interesses escusos, não seria Renan Calheiros a levá-las à Presidência.

As fanfarras e a louvação com que a própria Dilma recebeu Renan, e as tais propostas, explicam-se por utilidades que independem do teor do presente. Aos dois lados convinha a reaproximação.

Renan não é político que viva de costas para o poder. Dilma precisava da contribuição de Renan para encarar no Senado as bombas de Eduardo Cunha aprovadas na Câmara. De quebra, ter Renan em seu círculo é distanciá-lo de Eduardo Cunha e atrapalhar a recente fraternidade a ele dedicada por José Serra, Aécio Neves e outros do opositor PSDB. Afora isso, em um dizer antigo, é questão de estômago.

Mas talvez seja o caso de lamentar que as sugestões de Renan Calheiros não ofereceçam alguma utilidade contra a crise. O otimismo expresso por Dilma, com a ideia de que "vivemos uma transição e em breve vamos retomar o crescimento", não encontra nem o mínimo apoio em parte alguma da realidade. Muito ao contrário, são dados objetivos, e não meras especulações do quanto pior mais impeachment, que sugerem estarmos no último estágio econômico e social em que ainda é possível deter a degringolada geral. E reverter os danos mais perigosos ou absurdos.

O país está parando. Os eventos e providências que Dilma anuncia, nas andanças para a pretendida e improvável reanimação do país, não tocam nos problemas da crise. Olham para um futuro impreciso e não condizem com o presente do governo. Mas são já os avanços do número de empregados, da remuneração do trabalho, de várias faces da ascensão econômica que regridem, que se perdem sob as vistas indiferentes dos mestres de ajustes que desajustam. A jornalista Flávia Oliveira, de múltiplas competências, formulou uma síntese precisa: "Crise é tempo de promover ajustes, não o desmonte".

Se o governo persiste no rumo do tal "ajuste fiscal", como se alheio ao que se passa com e no país, pode-se desde logo desacreditar que Dilma e Joaquim Levy consigam o tal ajuste fiscal que pensam buscar — quanto mais a retomada do crescimento, difícil e longa até em caso de êxito da atual suposição de política econômica e de governo.

Novidade

Logo chegará por aqui, como sempre, uma posição adotada anteontem pelo comando da Anistia Internacional, reunido na Irlanda: defender, com a descriminalização da prostituição, também a de todo comércio sexual e mesmo a dos intermediadores de prostituição.

Ou seja, confusão total. "Intermediadores" são proxenetas, são gigolôs, são exploradores de mulheres, tantas delas sujeitadas pelo medo e a violência em situação equivalente à de escravas. Mesmo quando os defendem, o que não é incomum, não se sabe quando o fazem sob ameaças ou não.

Considerar tolerável e normal a exploração de mulheres — isso o meu ceticismo nunca imaginou. Mas, sosseguemos, não faltarão brilhantes argumentações em favor da nova tese.

Janio de Freitas
No fAlha
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