12 de ago de 2015

Ladrões, chefões, farsantes, sonegadores, mas corrupto é sempre e só... o vizinho


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Mais uma da Abril que se vai no desmonte

Em seu agonizante desmonte, a Abril fechou mais um título: a versão digital da revista Info.

De acordo com o Portal Imprensa, 12 pessoas foram demitidas. Ficaram um repórter, um estagiário e um programador que, a partir de agora, transformarão o que era um site em uma página especial de tecnologia da Exame.

Após uma ação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, a editora estava proibida de demitir jornalistas, sob pena de pagamento de multa de R$ 15 mil por funcionário dispensado.

Em novembro de 2014, ao anunciar que a edição de papel fora desativada para dar lugar à digital, o diretor superintendente Rogério Gabriel Comprido falou: “Estamos apostando em um movimento pioneiro, muito coerente com a proposta da revista. Além disso, abrem-se ótimas oportunidades para nossos anunciantes”.

Excelentes oportunidades, como se viu.

No DCM
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Para Florestan Fernandes Junior, a cobertura da mídia na Lava Jato lembra a ditadura


Eu nunca imaginei ver minha carreira chegar ao ponto que chegou. Eu estou estarrecido de ver o que se tornou o jornalismo brasileiro”. Com esse desabafo, o jornalista Florestan Fernandes Junior começou seu discurso em um debate sobre democracia realizado na última sexta-feira (8) pela Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo (AATSP). Também compuseram a mesa o Deputado Federal José Mentor (PT-SP) e o Advogado Wellington Cantal. 

Florestan, que já teve experiência em diversas mídias, passando da escrita até a âncora de jornal televisivo, crê que a responsabilidade não vem só do jornalista ou do jornal, mas também dos leitores e dos patrocinadores. “Essa nossa grande imprensa está nas mãos de famílias que apoiaram o golpe militar, que deram sustentação para o golpe militar, que tem uma visão de extrema direita e agora encontraram espaço que precisavam para reverter uma situação que nunca agradou a eles”, afirmou.

Filho de um pensador político, sem dúvida nenhuma puxou do pai a agilidade em prender a atenção de quem o escuta. “Os partidos políticos não representam mais a sociedade” — disse quando passou a tecer críticas ao atual governo e aos que tentam, na sua opinião, cravar um golpe na democracia. 

Para ele, essa crise de representatividade passa por como os partidos e a mídia têm se comportado. "Toda semana, um advogado de primeira instância do Paraná decide qual vai ser a “bomba” baseada nas delações premiadas, que não sabemos se é verdade ou mentira, que vai estampar as capas das revistas e jornais do Brasil. Isso me lembra a ditadura militar", disse. 
Podemos transformar um caso de investigação, que deve ser muito bem analisado e estudado, em uma ação política antipartidária? 
Fazendo uma comparação das investigações do Brasil com a dos EUA sobre a FIFA, a qual inclusive prendeu o dirigente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Florestan conta uma coisa que surpreende a plateia — “Os EUA levaram cinco anos para investigar cada dirigente da FIFA, sendo que utilizaram também delações premiadas”.

O espanto da plateia foi pelo fato da imprensa apenas noticiar a prisão e nunca tocar no assunto das investigações. Quando foram realizar as detenções, as provas já haviam sido colhidas, as acusações estavam sólidas e não houve carnaval — “Nesses cinco anos não vimos uma linha sequer na imprensa internacional sobre as delações, pois é uma coisa seria e tem que ser levado a sério”, disse Florestan, que imediatamente fez analogia à Operação Lava Jato, que se utiliza muito da delação — “Acho que o trabalho do juiz Sergio Mouro deve ser feito, mas de uma forma menos midiática, porque tudo é feito através da mídia, o  que dá uma proporção muito maior

Dando o exemplo da escola base, acontecimento que cobriu de perto, Florestan nos mostra o poder que a mídia tem em destruir a vida de uma pessoa. Baseado nessa comparação e lembrando as eleições de 2014, acredita que estamos passando por um terceiro turno, o qual a candidata atacada não tem direito a resposta. “Todo o espaço ficou para o candidato deles (mídia)”, afirmou. 

Mais adiante, o jornalista questionou sobre limites de atuação da mídia, como, por exemplo, as inúmeras capas da revista Veja denunciando o ex-presidente Lula, as quais muitas foram desmentidas, além do caso do Senador Romário, cujo falso extrato foi divulgado pela revista, que o denunciava de ter uma conta na Suíça com 7 milhões não declarados. Com base nisso, acredita que mídia brasileira e o jornalismo precisam urgentemente de uma regulamentação — “Os médicos têm, os advogados têm, porque os jornalistas não têm?”. Fica a questão.

No Justificando
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Juristas lançam manifesto a favor da legalidade democrática


11 de agosto de 2015

Hoje, no dia do advogado, figura indispensável ao Estado de Direito, esse grupo de juristas abaixo assinados, vem se manifestar pela manutenção da legalidade democrática e o respeito ao voto em nosso país.

Em um momento como o que vivemos nos dias atuais, é preciso ter especial atenção com o respeito às instituições, à democracia e, especialmente, ao voto de cada cidadã e cidadão brasileiro. Respeitar o voto é respeitar a soberania popular, fundamento último da democracia brasileira e consagrada no art. 1o da nossa Constituição Federal.

Independente de posição político-partidária ou até mesmo de concordância com as políticas do atual governo, é preciso deixar claro que a tentativa de retirar a Presidente da República de seu cargo sem quaisquer elementos jurídicos para tal é um desrespeito inegável a ordem vigente e a soberania das urnas, contra o qual nos manifestamos frontalmente.

São em momentos críticos como o atual que deve prevalecer o respeito às instituições e é por isso que assinamos esse manifesto a favor da legalidade democrática.

Assinam este manifesto:

Fábio Konder Comparato – Professor Aposentado da Faculdade de Direito da USP
Cristiano Paixão – Professor da Faculdade de Direito da UnB
Sérgio Salomão Shecaira – Professor da Faculdade de Direito da USP
José Geraldo de Sousa Júnior – Ex-reitor e Professor da UnB
Diogo R. Coutinho – Professor da Faculdade de Direito da USP
Samuel Barbosa – Professor da Faculdade de Direito da USP
Gilberto Bercovici – Professor da Faculdade de Direito da USP
Marcelo Cattoni – Professor da Faculdade de Direito da UFMG
José Carlos Moreira da Silva Filho – Professor da Faculdade de Direito da PUCRS e Vice-Presidente da Comissão de Anistia
Pierpaolo Cruz Bottini – Professor da Faculdade de Direito da USP
Susana Henriques da Costa – Professora da Faculdade de Direito da USP
José Geraldo de Sousa Júnior – Ex-reitor da UnB
Alessandro Molon – Deputado Federal
Jorge Luiz Souto Maior – Professor da Faculdade de Direito da USP
Alamiro Velludo Salvador Netto – Professor da Faculdade de Direito da USP
Otávio Pinto e Silva – Professor da Faculdade de Direito da USP
Ari Marcelo Solon – Professor da Faculdade de Direito da USP
Gisele Cittadino – Professora de Direito da PUC-Rio
Pedro Estevam Serrano – Professor da Faculdade de Direito da PUC/SP
Paulo Teixeira – Deputado Federal
Wadih Damous – Deputado Federal e Ex-Presidente da OAB/RJ
Emilio Peluso Neder Meyer – Professor da Faculdade de Direito da UFMG
Marcelo Semer – Ex-presidente da AJD e ex-presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto
Marcio Sotelo Felippe – Ex-Procurador Geral do Estado de São Paulo
Renato De Vitto – Defensor Público e Diretor Geral do DEPEN
Eleonora Bordini Coca – Desembargadora do Trabalho
Pedro Vieira Abramovay – Ex-Secretario Nacional de Justiça e Ex-Presidente do C.A. XI de Agosto
Luciana de Oliveira Ramos – Professora da FGV Direito SP
Ricardo Leite Ribeiro – Doutorando em direito pela USP
Fernando Antonio dos Santos Matos – Advogado e Defensor dos Direitos Humanos
Fernando Rugitsky – Professor da FEA/USP e mestre em Direito Econômico pela FDUSP
Dennys Antonialli – Doutorando em Direito Constitucional pela USP
Ivanilda Figueiredo – Professora de Direito do UNICEUB
Bruna Angotti – Professora Universitária, Coordenadora do Núcleo de Pesquisas do IBCCRIM
Ademir Picanço de Figueiredo – Servidor Público Federal. Ex Presidente do C.A. XI de Agosto (2003)
Thiago Tozatti Carrijo – Servidor público
Alessandra de Abreu Minadakis Barbosa – Procuradora Federal da AGU
Julia Gitahy da Paixão – Doutoranda em Direito na University of Ottawa
Maria Emilia Accioli Nobre Bretan – Doutora em Direito pela USP e Consultora em Direitos Humanos e Desenvolvimento Internacional
Fernanda Prates – Advogada; Doutora em Criminologia pela Universidade de Montréal
Silas Cardoso de Souza – Mestre em Direito Econômico – USP
Angela Nied – Professora assistente de IED na Facamp
Ludmila Cerqueira Correia – Professora da Universidade Federal da Paraíba
Francisco Brito Cruz – Mestre em Sociologia Jurídica (FDUSP) e advogado
Marcelo Chilvarquer – Mestrando na Faculdade de Direito da USP e ex-Presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto
Cláudio Ladeira de Oliveira – Professor de Direito Constitucional da Universidade Federal de Santa Catarina
José Carlos Callegari – Mestre em Direito pela USP
Isaac Reis – Professor adjunto da UFSB
Odir Züge Junior – Doutor em Direito pela USP
Maria Eduarda Ribeiro Cintra – Mestranda da Faculdade de Direito da UNB. Vice Presidenta da Associação de Ex-alunos da Faculdade de Direito da UNB
Giane Ambrósio Alvares – Advogada
Carlos David Carneiro – Mestre em Teoria e Filosofia do Direito pela UERJ
Claudineu de Melo – Professor da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie
Farley Menezes – Advogado
Raphael de Moura Cintra – Advogado
Bruno Salles Pereira Ribeiro – Mestre em Direito pela USP e Coordenador da Biblioteca do IBCCRIM
Rafael Pedron Vicente – Cidadão
Fabio de Sá e Silva – Research fellow, Ph.D. em Direito e Políticas Públicas pela Northeastern University
Alexandre Rebêlo Ferreira – Ex-presidente do C.A. XI de Agosto
Raphael Assef Lavez – Mestrando em Direito pela USP
Rafael de Sá Menezes – Defensor Público do Estado de São Paulo, Mestre em Direito pela USP
João Paulo Santos – Advogado da União e Mestre em Direito pela UnB
Yuri Carajelescov – Professor de Direito e Procurador da ALESP
Daniel Carajelescov – Procurador do Estado de São Paulo
Caio Blanco Reis dos Santos – Advogado
Luísa Heráclio Panico – Advogada
Paulo Klautau – Procurador do Estado do Pará e Professor de Direito CEFUPA
Renan Bernardi Kalil – Procurador do Trabalho e Mestre em Direito pela USP
Isabela Del Monde – Advogada
Geraldo Vilar Correia Lima Filho – Defensor Público Federal. Ex-Presidente do Diretório Acadêmico Demócrito de Souza Filho -UFPE
Aton Fon Filho – Advogado
Veridiana Alimonti – Advogada e mestre em Direito pela USP
Ana Paula de O. C. Meirelles Lewin – Defensora Pública, Coordenadora do Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher, Bacharel em Direito pela USP
Magnus Henry da Silva Marques – Advogado, mestrando em Direito na Universidade de Brasília
Mariana Giorgetti Valente – Doutoranda em Direito – USP
Jonnas Vasconcelos – Doutorando em Direito pela USP
Gustavo Ferraz Sales Carneiro – Advogado pela UnB e Mestre em Políticas Públicas pela Hertie School of Governance
Renata Santa Cruz Coelho – Advogada
Marcia Barreta Fernandes Semer – Procuradora do Estado de São Paulo
Eduardo Ribeiro Mendes Martins – Advogado da União
Maria Carolina Bissoto – advogada, Especialista em Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Diogo de Sant’ana – Doutor em Direito Econômico pela USP
Antonio Daniel N. Ramos – Analista Judiciário Federal
Edson Luis Baldan – Professor Doutor PUC SP
Flávia Annenberg – Mestra em Direito – USP
Ágata Bobbio Ferraz – Advogada e mestre em Direito pela USP
Humberto Barrionuevo Fabretti Professor Doutor da Faculdade de Direito Mackenzie e Advogado Criminalista
Roberto Vianna do Rego Barros – Advogado
Alexandre Douglas Zaidan de Carvalho – Doutorando em Direito pela UnB e Procurador Federal
Rogério Podkolinski Pasqua – Advogado
Rodrigo Romeiro – Especialista em Políticas Públicas do Estado de São Paulo. Ex-Presidente do C.A. XVI de Abril da Puc Campinas.
Gabriel Rapoport Furtado – Advogado
Marco Aurelio Purini Belem – Advogado
Ivo Corrêa – Advogado
Rafael Bianchini Abreu Paiva – Mestre em Direito Comercial pela USP
Daniel de Menezes Pereira – Mestre em Direito pela USP e Advogado
Rafael Schincariol – Doutor em Direito – USP
Maurício Santo Matar – Advogado Público
Marina Ganzarolli – Advogada e mestranda em Direito pela USP
Guilherme Alberto Almeida de Almeida – Bacharel em direito pela USP e mestre em administração pública pela Columbia University
Eduardo Spanó Junqueira de Paiva – Mestrando em Administração Pública pela Universidade de Columbia e Bacharel em Direito pela USP
Vinicius da Silva Cerqueira – Advogado e Mestre em Direito pela USP
Rodrigo Melo Mesquita – Advogado. Mestrando em Direitos Humanos e Cidadania pela UnB. Representante da OAB Nacional no Conselho Nacional de Juventude e Vice-Presidente da Comissão Nacional de Apoio ao Advogado em Início de Carreira
Maria Clara Oliveira Ribeiro Troncoso – Advogada
Caio Augusto Teixeira Ribeiro – Advogado – Salvador/BA
Laura Rodrigues Benda – Juíza do Trabalho do TRT da 2a Região
Rachelle Balbinot – Advogada
Alessandro Martins Prado – Docente Direito UEMS
Antonio Carlos Souza de Carvalho – Chefe de Gabinete da Fundação Paulistana de Educação, Cultura e Tecnologia
Katya Kozicki – Professora da Faculdade de Direito da UFPR e da PUCPR
Vívian Legname Barbour – Advogada e mestranda na FAU/USP
Stéphanie Samaha – Advogada
Wellington Pantaleao – advogado, militante dos direitos humanos
André Tredezini – Ex-presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto
Anna Carolina Venturini – Mestra em Direito pela USP e Doutoranda em Ciência Política pelo IESP-UERJ
Beatriz Ribeiro de Moraes – Procuradora do municipio de são paulo
Felipe da Silva Freitas – Mestre em Direito pela Universidade de Brasil e pesquisador associado da Universidade Estadual de Feira de Santana/BA
Felipe de Melo Barbosa – Advogado
Jose Luis Bolzan de Morais – Professor do PPGD/UNISINOS e Advogado Público
Brisa Ferrão – Advogada
Leila Paiva – Advogada, Militante de Direitos Humanos e Mestranda em Direito na UCB.
Guilherme Silva Rossi – Secretário de Comissões do Parlamento do MERCOSUL – Advogado pela USP e mestrando em sociologia
Luciano de Almeida Pereira – Advogado e Professor Universitário – PUC, IBET e FAM
Leila Paiva – Advogada, Militante de Direitos Humanos e Mestranda em Direito na UCB.
Rodrigo Bedoni – Defensor Público do Estado de São Paulo
André Esposito Roston – Auditor-fiscal do trabalho
Carlos Frederico Ramos de Jesus – Mestre e Doutorando pela Faculdade de Direito da USP. Advogado da Caixa Econômica Federal.
Maria Luiza Flores da Cunha Bierrenbach – Procuradora do Estado de S Paulo, aposentada
Sergio Tuthill Stanicia – Doutorando em Direito Civil na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
Shandor Torok Moreira – Professor e procurador do estado de Mato Grosso do Sul
Alvaro Larrabure Costa Corrêa – Advogado
Lidia Hatsumi Yoshikawa – Mestre em Direito
Natália Albuquerque Dino – Servidora pública federal
Maria Eloiza Ferreira De La Torre – Advogada
Igor Beltrão Castro de Assis – Advogado
Marília Monteiro – Mestranda em Políticas Públicas na Hertie School of Governance e advogada pela FGV-Rio
Sabrina Marques – Mestre em Direito do Estado PUC/SP
Marcelo Seiça Taborda – Advogado
Luis Henrique Domingues – Analista Judiciário Federal
Alexandre de Salles Gonçalves – Advogado de Curitiba/PR
Lucia Del Picchia – Mestre e doutora em direito econômico pela USP. Procuradora do Município de São Paulo
Daniel Astone – Pesquisador em Direito
Alessandra Sgreccia – Procuradora Federal
Dayanna Soares de Carvalho – Advogada
Rubens José Gama Júnior – Advogado
Marcelo Branco Gómez – Advogado
Marcus Vinicius Xavier de Oliviera – Professor do Departamento de Direito/UFRO-Advogado
Vladimir Sampaio Soares de Lima – Advogado
Milton Lamenha de Siqueira – Juiz de Direito
Andrea Kelly Ahumada – Advogada
Luís Otávio Daloma da Silva – Advogado
Maria Betânia Nunes Pereira – Advogada
Marina Hamud Morato de Andrade – Defensora Pública
Ana Giselle Parente Rebouças – Advogada
Juliana Costa Hashimoto Bertin – Advogada
Giselle Flügel Mathias Barreto – Advogada
Lucio Mota do Nascimento – Defensor Público do Estado de São Paulo
Estela Aranha – Advogada
Frederico de Lima Santana – Advogado
Holanda Karla Mendes do Bomfim – Advogada
André de Paiva Toledo – Professor de Direito da Escola Superior Dom Helder Câmara
Gerivaldo Neiva – Juiz de Direito (BA)
André Pegas – Advogado
Melba Lorena Silva Rosa – Advogada
Filipe Augusto Jose Diwan – Advogado
Humberto de Toledo Câmara Neder – Delegado de Polícia do Estado de São Paulo
Eduardo Alecsander Xavier de Medeiros – Procurador do Distrito Federal
Luana Araujo – Advogada
Gerson dos Santos Sicca – Auditor Substituto de Conselheiro do TCE/SC
Marita de Lourdes Vargas – Advogada
Ivan de Franco – Mestre em Direito pela FGV
Breno Ferreira Martins Vasconcelos – Advogado
Gustavo Fontana Pedrollo – Procurador Federal (AGU), Mestre em Direito Público pela UFSC.
Sandra Maria de Oliveira Spanó advogada
Thalita Verônica Gonçalves e Silva – Defensora Publica
Flavia D’Urso – Defensora Pública de SP, doutora em Filosofia Política ,PUC/SP
Claudio Carvalho – Professor de Direito Ambiental,Urbano e Agrário. Coordenador do Grupo de Pesquisa em Direito Ambiental,Urbano, Agrário e Movimentos Sociais. Integrante do Núcleo de Assessoria Jurídica Alternativa – NAJA. PROEX/UESB – Vitória da Conquista/Bahia
Flavio Marques Prol – Doutorando em Direito na USP
Ricardo Sartori – Advogado
Rodrigo Augusto Camargo D’Amico – Advogado
Eneida Vinhaes Bello Dultra – Advogada Popular e Doutoranda – UnB
Alexandre Bizzotto – Juiz de Direito do TJGO, Mestre e Doutor em Direito
Carlos Couto Muniz – Bacharel em direito e auditor fiscal
Rui Andrade – Advogado de Laje/BA
Ricardo Fagundes Gouvea – Defensor Público do Estado de São Paulo
Carolina Gabas Stuchi – Doutora em Direito do Estado pela USP
João Vicente Augusto Neves – Advogado
Maria da Piedade “Dadinha” Peixoto Santos – Advogada e servidora da UNESP (aposentada)
Sara Mercês – Advogada Militante (OAB/ BA.14.999)
Dilson Franca – Advogado
José Berlange Andrade – Juiz de Direito aposentado e Professor Universitário
Roberta Corrêa Vargas – Advogada
Ricardo de Mattos Pereira Filho – Advogado
Uirá Menezes de Azevêdo – Professor de Teoria e Filosofia do Direito (UNEB/BA)
Gildo Ribeiro da Silva – Advogado
João Roberto de Oliveira Moro – Advogado e Mestre em Políticas Públicas na América Latina pela Universidade de Oxford
Apio Vinagre Nascimento – Advogado – Lauro de Freitas/Bahia
Rubens Takashi Tsubone – Mestre em Direito pela Universidade Gama Filho, Professor da Universidade Candido Mendes e Advogado
Ana Carolina Paulon Capozzi – Advogada e antiga aluna da USP
Renata de Assis Moura – Advogada
Filipe C M Vendrame – Mestrando em Direitos Humanos e Democratização política pela EIUC – Itália
Vivian Mendes – Membra Executiva Estadual do PT-SP e Assessora Especial da Prefeitura de São Paulo
Ademir Oliveira Matos – Advogado
Edgar Belisário da Silva – Advogado, Consultor tributário /fiscal da Fiscodata Legislação On Line Ltda.
Ricardo Montero Alvarez – Ex-ombudsman do C A XI de Agosto
Caroline Godói – Advogada
Otavio Alexandre Freire da Silva – Advogado – Salvador/BA
João Éder Furlan – Advogado e Mestrando em Ciência Jurídica pela UENP/PR
Cristiano Maronna – Advogado
Daniel Feitosa de Menezes – Procurador do Estado do Ceará e advogado
Fábio Cantizani Gomes – Mestre em Direito pela Unesp, Professor de Direito Constitucional
Marcel Andreata de Miranda – Juiz de Direito – TJRS
Pedro Augusto Zanon Paglione – Advogado
Guilherme Salvador Banzato Facco – Advogado
Maria das Graças Perera de Mello – Advogada
Saulo Ramos Furquim – Mestre em Ciências Jurídico-Criminais pela Universidade de Coimbra
Cesar Arantes Thomazine Corrêa – Servidor público federal
Andréa Silva de Oliveira – Advogada, Master en Derechos Fundamentales por la UC3M de Madrid
Carlos Francisco Marcondes Junior – Advogado em São Paulo, graduado pela USP.
Carla Moradei Tardelli – Advogada e Psicóloga
Franco Omar Herrará Alviz – Advogado trabalhista
André Ferreira – Advogado do Depto. Jurídico XI de Agosto
Camilla de Vilhena Bemergui – Auditora Fiscal do Trabalho, Mestre em Direito do Trabalho FDUSP
Erik Chiconelli Gomes – Mestrando em História Econômica – FFLCH-USP; graduando em Direito, FDUSP. Sociólogo.
Mario Sergio Gochi – Advogado
Cássio Luiz Barbosa de Paula Teixeira – Analista de Promotoria do Ministério Público do Estado de São Paulo
Douglas Rodrigues da Silva – Bacharel em direito pela Faculdade de Direito de Curitiba e analista do Ministério Público Federal
Mario Sergio Gochi – Advogado
Daniel de Faria Galvão – Advogado trabalhista. Ex-professor convidado da Faculdade de Direito da UFOP
Josevaldo Duarte Gueiros – Advogado Trabalhista
André Azevedo – Advogado e Mestrando em Direito Constitucional (UFMG)
Fernando Martins Nabinger – Advogado
Rogerio Dultra dos Santos – Professor Adjunto IV da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense
Julia Almeida Shimizu – Advogada
Alexandro Tadeu do Livramento – Advogado
Caio Pereira Lima – Advogado
Eduardo Augusto da Silva Dias – Defensor Público (AM)
Mario Sergio Gochi – Advogado
Márcia Maia – Advogada
Cassandra Maria Arcoverde e Assunção – Advogada
Laerty Morelin Bernardino – Mestrando em Justiça & Exclusão pela UENP
Tania Maria de Souza Rego – Advogada
Tarso Cabral Violin – Advogado em Curitiba e Professor de Direito Administrativo
Elisângela Cristina Soares – Advogada
Roberto Hilsdorf Rocha – Advogado, especialista em Direitos Humanos – USP
João Bernardo Kappen – Advogado Criminal
Leandro Matias – Advogado e Economista
Natane Franciella de Oliveira – Mestranda em Direito – UFES
Luis Antônio Saldanha de Oliveira – Advogado
Claudio Olimpio Lemos de Carvalho – Juiz do Trabalho TRT 1ª Região
Marcelle Serbeto Medina da Silva – Servidora Pública Federal
Osvaldo Hulle – Advogado
Marlon Aurélio Tapajós Araújo – Procurador do Estado do Pará
Diego dos Santos Araújo – Advogado
Vagner Fontes Cardoso – Advogado
Pedro Muller Bezerra Vasconcellos – Mestrando em Direito – Universidade de São Paulo
Haroldo Caetano – Promotor de Justiça do Estado de Goiás
Adriano Andrade – Administrador e representante do fórum Advogado Contra o Proibicionismo – ACP
Gustavo Lacerda Franco – Mestrando em Direito Comercial – USP
Carolina Pereira Tokarski – Mestra em Direito pela UnB.
Fellipe da Silva Santos – Advogado
Paulo de Carvalho Yamamoto – Mestrando em Direito do Trabalho pela Faculdade de Direito da USP e advogado
Ana Carolina Pires de Campos – Advogada
Ricardo Juozepavicius Gonçalves – Advogado e mestrando em Direito pela USP
Bruno Macedo Amorim – Graduando de Direito do Centro Universitário Ages – Paripiranga – Bahia
Leandro de Souza Cruz – Advogado de Sete Lagoas/MG
Marcio Constantino Cassettari Mimessi – Advogado
Gabriela Japiassú Viana – Procuradora do Estado de São Paulo
Renato da Cunha Rosa – Bancário e bacharel em Direito
Ivan de Carvalho Junqueira – Especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública
Bruno Pegorari – Mestrando em Direito pela USP
Antonio Carlos Segatto – Professor de Direito da Universidade Estadual de Maringá-PR
Nilo Beiro – Advogado
Vera Regina Silva Bandeira – Advogada de Passo Fundo/RS
Amauri Vieira Barbosa – Juiz do trabalho
Jeronimo Luiz Placido de Mesquita – Secretário da Comissão de Direitos Humanos da OAB-BA
Pedro Igor Mantoan – Advogado
Nathália de Campos Valadares – Advogada e pós graduanda pela PUCMINAS
Talita Nascimento – Advogada formada pela USP, ex presidenta do Centro Acadêmico XI de Agosto.
Nadja Lima Menezes – Procuradora do Banco Central
Renato Rossi Filho – Graduando em Direito na UNESP
Luís Antônio Cunha Ribeiro Mestre em Direito – PUC-Rio, Doutor em Fillosofia-UFRJ, Professor da UFF
Eduardo surian matias – Advogado – Campinas
Raphael Camarão Trevizan – Defensor Público do Acre
Rejane Luthemaier – Advogada de Porto Alegre (RS)
Lenin Araujo – Analista de Sistemas
Marcio Camargo Cunha Filho – Doutorando em Direito pela Universidade de Brasilia
Pablo Castellon – Advogado
José Nuzzi Neto – Procurador de Autarquia
Sílvio Santoro Júnior – Advogado
Fredson Oliveira Carneiro – Advogado popular, mestrando em Direitos Humanos pela Universidade de Brasília
Gil Vicente Oliveira – Advogado
Leonardo de Carvalho Milani – Advogado
Wallace Martins – Advogado e professor da UCAM
Sandro José Celeste – Advogado e Professor de História
Dennys Aron Távora Arantes – Advogado, Procurador do Município de São Paulo e ex-presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto
José Antonio Miguel – Professor convidado PUCPR, mestrando em Ciência Jurídica pela UENP
Luís Antônio Albiero – Advogado em Americana e Capivari (SP)
Luiz Gustavo Campbell Moreira – Advogado
Arlei Costa Gonçalves – Advogado, especializando em direito do trabalho, servidor público no estado do Pará
Victor Martins Pimenta – Mestrando em Direitos Humanos e Cidadania na Universidade de Brasília
Marcos Vinícius Souza de Oliveira – Advogado
Sílvio Luiz Estrela da Silva – Advogado
Julio Yamamoto – Advogado
Alan Wellington Soares dos Santos – Advogado
Selma R. P. de Souza – Advogada
Gabriel Campos Raymundo – Advogado
Christina Alkmim – Advogada
Carlos Procópio – Professor do Instituto Federal de São Paulo
Anderson Monteiro de Carvalho – Advogado
Andressa Pereira da Silva – Advogada
Ronaldo T. Pagotto – Advogado
Luís Fernando Falcone Garcia – Oficial de Registro Civil
Osmira Freire de Carvalho – Auditora Fiscal do Estado, Especializada em Processo Administrativo Fiscal
Angela Regina Marinho Rocha – Bacharel em Direito
Rita Mattar – Bacharel em Direito pela USP
Emanuel Fonseca Lima – Procurador do Estado de São Paulo. Mestrando em Direito pela USP
Dirlei Figueiró Fortes – Advogado
Juliana Menezes Teixeira de Castro – Advogada /RJ
Dirlei Figueiró Fortes – Advogado
Maria Celeste Cirqueira Córdova – Advogada
Daniela Cristien S. M. Coelho – Advogada
Raísa Machado – Advogada
Tomas Pereira de Almeida Silva – Membro do conselho do Núcleo de Direitos Humanos do Centro Universitário Salesiano de São Paulo – UNISAL.
Maria Vitoria Queija Alvar – Professora universitária e advogada
Tânia Andrade – Advogada em Brasília/DF
Samuel Martins dos Santos – Professor de Direito Constitucional do CESUSC/SC.
Rubens Leite Filho – Advogado
Maria Arruda – Arquiteta
Danilo Rossi Luz – Advogado
Maria Aparecida Violante – Professora
Milton Jordão – Advogado
Paulo Sérgio Ferreira de Barros Filho – Advogado
Douglas Pereira de Almeida – Servidor Público Federal
Alexandre Simões De Mello – Advogado em São Paulo
Ricardo Lodi Ribeiro – Professor Adjunto de Direito Financeiro da UERJ
Felipe F. Rocha – Advogado e Economista
Rivadavio Guassú – Advogado
Felipe F. Rocha – Advogado e Economista
Diego Pereira – Mestrando em Direitos Humanos na UnB
Priscila Pamela dos Santos – Advogada criminalista, pós graduanda em Direito Penal Econômico pela FGV
Isabella Marcondes Commans – Advogada
Luiz Gustavo Cardoso – Analista Judiciário
Nicholai Mattuella – Estudante da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo
Iraildes Santos de Santana – Bacharela em Direito
Fernanda Salgueiro Borges – Doutoranda em Direito Internacional Publico Universite Aix Marseille III. Mestre em Direito Politico e Economico. Advogada.
Elisabete Bello de Campos – Advogada
Andrea Roma – Advogada
Monique Ferreira – Advogada
Patrick Barcellos Peixe – Advogado
Fernanda Galvão Amaral – Advogada
Bruno Freitas Vallone – Advogado e ex-aluno da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo
Antonio Rodrigo Machado – Advogado Administrativista em Brasília e Membro do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura
Caroline Muratian de Britto – Servidora Pública do TJSP
Manuel Caleiro – Advogado e Doutorando em Direito pela PUCPR
João Vitor Guimarães – Advogado
Pedro Augusto Simões da Conceição – Mestrando em Direito Penal pela USP. Advogado
Érica Meireles de Oliveira – Estudante de Direito da USP, componente da gestão do Centro Acadêmico XI de Agosto e Servidora na Defensoria Pública do estado de SP
Mauricio Quirino – Aposentado
Geyson Gonçalves – Advogado. Mestre e Doutorando pela UFSC. Professor da Facudade CESUSC/SC.
Carolina Candeia Galvão – Advogada
Edson Joaquim Raimundo de Araujo Júnior – Técnico Jurídico pela ETEC/SP, Estudante de Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie e Deputado Federal Jovem na VI edição do Parlamento Jovem Brasileiro realizado na Câmara dos Deputados
Bruno Domingues – Advogado e Servidor Público
André Luis Castro de Carvalho – Advogado
Diego Moreiras – Advogado
Karen Flesch – Analista Previdenciária
Bruno Marques Teixeira – Advogado
Dilton Tapajós – Advogado
Alexandre de Salles Gonçalves Advogado – Curitiba/PR
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Os equívocos do moralismo na política


Quando o Exército americano invadiu o Iraque em 2003, os objetivos eram "limpar" o país da ditadura de Saddam Hussein e criar um novo Iraque. Para tanto, dissolveram a Guarda Republicana, um corpo de elite do Exército Iraquiano, com um efetivo de 75.000 homens divididos em dois corpos e tentaram reformar o Exército regular do Iraque, com efetivos regulares de 800.000 homens. Os americanos dissolveram a Guarda Republicana e os comandos do Exército regular, tentando criar um novo exército sob padrões americanos, entregando a tarefa a uma empresa particular, a Vinnel Corporation.

No substrato do projeto estava a ideia de que todos os antigos comandos eram fanáticos fiéis a Saddam e eram portanto inconfiáveis. Foi um grande erro. Os comandantes da Guarda Republicana, Tenentes Generais Majid Al Dulaymi e Raad Al Hamdani  poderiam ser os melhores aliados dos EUA, bem como o comando do Exército regular (General Talib Al Lahibi), todos oficiais profissionais que temiam Saddam mas não tinham nenhum amor especial a ele.

Todos temiam Saddam e estavam fartos dele, até seus dois genros tentaram derrubar Saddam (e foram executados). O regime se mantinha pelo terror e os EUA foram acolhidos como libertadores. Invés disso, pelo espírito salvacionista que veio junto com a invasão, DISSOLVERAM as colunas mestras do poder no Iraque, a Guarda e o Exército, criando um caos que terminou agora com a insurgência do ISIS, o Estado Islâmico formado na sua espinha dorsal por ex-militares iraquianos. O moralismo é inimigo frontal da REALPOLITIK, a política do possível sem princípios e com a visão da realidade, fazendo o que é possível fazer com os pés no chão e não tentando salvar o mundo.

A má politica americana no Iraque gerou um desgoverno que continua até hoje, os EUA despejaram no conflito do Iraque US$3 trilhões e continuam gastando US$50 bilhões por ano com essa custosa aventura pastoral.

Ao contrário dos ingleses que governaram a Índia por dois séculos com pequenas forças militares mas fazendo acordos com os marajás e rajás, os Americanos querem purificar o mundo e não sabem operar dentro do mundo tal qual ele é, com seus defeitos, vícios, desequilíbrios e realidades, fruto da História.

Esses erros não cometeram na Alemanha ocupada após a Segunda Guerra, porque os homens então eram líderes de intelecto superior, acima do padrão principista que é o usual nos EUA. O General Marshall era um indivíduo de intelecto especial e soube estabelecer os padrões da ocupação usando inclusive ex-nazistas para gerir a Alemanha, culminando com um General da Wehrmacht (Hans Spiedel) como Comandante da OTAN em 1954, o mesmo general alemão que comandou a ocupação nazista da França em 1941. Spiedel não era nazista, mas era um general do Terceiro Reich, foi uma proeza dos Aliados usarem o mesmo homem para o comando das forças terrestres da NATO dez anos depois dele ser o Comandante alemão de Paris.

O fundador da Realpolitik europeia, o Príncipe de Metternich não usou critérios principistas ao se aliar no Congresso de Viena com seu antípoda, o ex-Chanceler de Napoleão, o grande inimigo das potencias que Metternich representava, seu melhor companheiro de Congresso foi o inimigo de véspera, o ultra corrupto Príncipe de Talleyrand, o mesmo que negociou a independência da Polônia por 4 milhões de francos-ouro.(depois devolveu porque não conseguiu fazer).

A tentativa de introdução do moralismo udenista na politica brasileira em 1954 custou a vida do Presidente Getúlio Vargas, mas o moralismo típico da UDN foi afastado por Juscelino, que governou com as mesmas forças do getulismo, considerado corrupto que vinha da aliança PSD-PTB. JK afastou a UDN de um poder que esta considerava já seu e fez o Brasil crescer 50 anos em 5, acusado do primeiro ao último dia de corrupto ("a 7ª fortuna do mundo" diziam), a calúnia usual, dona Sarah teve que vender quadros de seu apartamento para sobreviver.

O moralismo não descansa, grupos com essa visão de mundo, que querem uma política asséptica e a prova de bactérias sempre existiram, eles simplesmente destroem a política na tentativa de reformar o mundo e causam imensos prejuízos ao País. Em circunstâncias especiais eles conseguem por vezes um poder anormal, causam o máximo de danos para depois desaparecer no limbo da História, a política é sempre um jogo nada limpo em qualquer lugar do planeta, é da essência da política, até na política do Vaticano o jogo não é para sacristãos de novela.

O moralismo é inimigo do realismo em política e todo aquele que tenta fugir da realidade acaba trombando com ela em determinado ponto da curva mas, no caminho, causa imensos danos aos infiéis, todos nós, que não rezamos essa missa de fanáticos de uma seita perigosa.

André Araújo
No GGN
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Onde estava a bomba contra Lula anunciada para hoje por um blogueiro da Globo?

É um chapéu, não uma bomba: Lula na Festa das Margaridas
Ricardo Stuckert
Me mandaram ontem uma messagem assustada no Facebook.

“Tá sabendo?”

Era um tuíte de Ricardo Noblat. Noblat comunicava, num tom de agente secreto, que haveria uma “bomba” nesta quarta.

Contra Lula.

“Não levo a sério esse tipo de coisa”, respondi.

Mas fui verificar, hoje, a que Noblat se referia.

A “bomba” era um amontoado confuso de declarações do doleiro Youssef que, pelo que consegui entender, estabeleceria uma suposta conexão entre o dinheiro de uma empreiteira envolvida no caso Petrobras e um prédio no Guarujá em que Lula teria um apartamento. (Ele nega.)

Estava na manchete do Globo.

Algum editor sussurrou para Noblat que era uma bomba e ele acreditou.

Bom, como era previsível, não deu em nada. Repercussão zero.

Alguém, espirituosamente, comentou no Twitter que se tratava de uma “bomba caseira”.

Noblat confundiu seus desejos pessoais com notícia, o que tem sido constante entre colunistas de direita.

Eles simplesmente massacraram o significado da palavra “bomba” nos últimos meses.

Quase todos os dias, havia uma “bomba” contra Lula, Dilma e o PT.

O editor-chefe da Época, Diego Escosteguy, conhecido como o Kim Kataguiri das redações, prometeu inúmeras bombas na revista e em sua conta no Twitter.

Nenhuma explodiu, mas isso jamais o deteve.

Apenas nos últimos dias ele arrefeceu, por efeito das novas diretrizes de seus patrões. O KK das redações prontamente se adaptou a elas, e passou a poupar seus seguidores da expectativa frustrada de bombas.

Tão disposto a enxergar bombas quanto ele é o repórter punk Claudio Tognolli, que depois de uma carreira de mediocridade dourada no jornalismo foi obrigado a ganhar seu sustento como ghost writer de desvairados como Lobão e Tuma Júnior.

Se Tognolli ganhasse um real por cada bomba prevista por ele que não explodiu, seria um homem rico hoje.

Todos eles seguem um patrão determinado pela Veja. Em 2005, a Veja disse numa capa que Lula agonizava como Collor nos últimos dias. Deu no que deu. Dez anos depois, em outra capa, a Veja disse que chegou a vez “dele” com base numa alegada delação. A revista nem tinha chegado  às bancas e a delação já fora espetacularmente desmentida.

Lula agonizava nesta capa de ... 2005
Lula agonizava nesta capa de … 2005
Os estragos feitos na profissão pelos colunistas patronais um dia serão aferidos com clareza. Eles tornaram o jornalismo uma réplica de uma casa de tolerância.

Mas desde já dá para afirmar que uma das coisas ruins que eles fizeram foi, repito, desmoralizar a palavra “bomba”.

Paulo Nogueira
No DCM
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Dilma: Estado brasileiro só será respeitado no mundo se a soberania popular for respeitada aqui

Brasil hoje é reconhecido como protagonista internacional. “Não haverá dificuldades que possam interromper
nossa trajetória de relevante presença no mundo”, assegurou Dilma aos novos diplomatas.
Foto: R. Stuckert Filho/PR


“O Estado nacional brasileiro só será respeitado no mundo na medida em que, em nosso território, se exerce e se respeita plenamente a soberania popular”, afirmou a presidenta Dilma Rousseff nesta quarta-feira (12), no Palácio do Itamaraty, onde participou da cerimônia de formatura da turma Paulo Kol 2013-2015, do Instituto Rio Branco, e da condecoração aos primeiros colocados da turma com insígnias da Ordem do Rio Branco. Paulo Kol era jornalista e professor do Instituto Rio Branco e faleceu neste ano.

“Essa soberania”, continuou a presidenta, “significa submissão à vontade geral, expressa nas urnas”. Dela depende o cumprimento do programa econômico, social e político de mudanças que a sociedade escolheu majoritariamente.

Ela disse aos novos diplomatas que cabe a eles cuidar para que os fatores internacionais não criem constrangimentos ao livre exercício da soberania popular e, ao mesmo tempo, fazer desta um trunfo maior de nosso pertencimento à comunidade internacional.

Dilma Rousseff destacou para os formandos também que hoje o Brasil é reconhecido como protagonista internacional. “Não haverá dificuldades que possam interromper nossa trajetória de relevante presença no mundo”, assegurou.

Acerca da liderança brasileira no cenário internacional, a presidenta defendeu a soberania das nações e o respeito ao multilateralismo. “São duas faces da democracia, que nos impõem respeitar a diversidade de nossas sociedades e aquelas que o mundo apresenta”.

Segundo Dilma, a política externa não só é um instrumento de projeção do país no mundo, mas um elemento fundamental de nosso projeto nacional de desenvolvimento. “A integração pressupõe democracia. Ela só foi possível quando os povos de nossa região derrotaram as ditaduras no século passado”. Qualquer interrupção do processo democrático, não importa de que forma ela se manifeste, poria em risco a integração regional.

A mesma preocupação em favorecer a formação de um mundo multipolar esteve na origem da constituição do Ibas, com a Índia e a África do Sul e, juntamente com a China e a Rússia, na criação do Brics. “Esse último bloco experimentou extraordinário avanço nos dois últimos anos, desde que, na reunião de cúpula de Fortaleza, decidimos criar o Novo Banco de Desenvolvimento do Brics e constituir o Acordo Contingente de Reservas.”
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“Lula continua na mira dos irmãos Marinho”


Celso Marcondes:
Lula vai pra rua enfrentar a baderna da extrema-direita
Com mais de quatro décadas de atuação política, Celso Marcondes lança um alerta: Lula segue a ser o alvo. É a força dele que atormenta tanto a extrema-direita, quanto os setores mais “manhosos” da elite empresarial/jurídico/midiática, que nos últimos dias baixaram o volume de artilharia contra Dilma e seu governo.

“Eles [mídia e setores da elite] suportam a Dilma enfraquecida, mas não pisaram no freio dos ataques ao Lula. Ele vai ser alvo preferencial das manifestações de domingo e continua sob a mira dos Marinho”, diz o experiente militante.

Jornalista por formação, Marcondes é o diretor do Instituto Lula, órgão mantido pelo ex-presidente no bairro do Ipiranga, em São Paulo — bem perto do local em que Dom Pedro teria dado o “grito da Independência” em setembro de 1822. Em julho de 2015, os gritos que se escutaram por aqui foram outros. Uivos enraivecidos dos que lançaram uma bomba de fabricação caseira contra o Instituto, no último dia 30. Berros assustados dos que moram e trabalham nas redondezas.

Por parte da polícia e da imprensa velha de guerra, silêncio sepulcral. Duas semanas depois do ataque, a investigação não andou. A polícia de Alckmin, diga-se, é comandada por um secretário que gasta seu tempo comparecendo a manifestação de “juristas” em defesa da renúncia de Dilma (clique aqui para saber mais sobre o Secretario de Segurança que defende a desordem pública)

Em entrevista ao Escrevinhador, Marcondes revela que o Instituto segue a receber “telefonemas e emails ameaçadores.” Ou seja: os agressores sentem-se livres para atacar de novo. Ele estranha que o caso não tenha sido federalizado: “É responsabilidade também da PF tratar de um caso que envolve um ex-presidente.”

Ele diz que teme as ações da extrema-direita nos próximos dias: “pregam o golpe militar, são preconceituosos, racistas. São perigosos, sim. Mas não vão nos intimidar.”

Marcondes ficou um pouco mais aliviado com a presença de metalúrgicos e sindicalistas que, desde o dia 10, montaram um “acampamento” no Ipiranga pra defender Lula. Marcondes convoca militantes e democratas para que, no dia 16, participem de uma vigília contra o golpe, em frente ao Instituto: “Quem não quiser ir para a Paulista, que venha para cá defender a democracia.”

Confira abaixo a entrevista na íntegra.

* * *

1) O ataque a bomba contra o Instituto Lula vai completar duas semanas. Como estão as investigações? A Policia Civil mostrou agilidade ou interesse em resolver o caso? Alguém foi ouvido? Há indiciados/suspeitos?

Eu estou muito preocupado com a lentidão na apuração do caso. Acho um absurdo não termos nenhuma novidade depois de 14 dias. Toda a região é cercada por câmaras de segurança de diversos edifícios. As pessoas que jogaram a bomba não passaram “de repente”  e jogaram o artefato. Seguramente passaram antes para ver a situação e outras pessoas devem ter trabalho como informantes. Também não sei de nenhuma pesquisa séria feita pela internet para identificar os agressores.

Por “coincidência”,  no dia do atentado aconteceu uma mini manifestação em frente ao Instituto com exatas dez pessoas de um grupo de extrema-direita com cartazes ofensivos ao Lula e ao Instituto, um deles com os dizeres “Instituto Lula = Instituto do Crime”. E na manhã de sexta-feira,31, enquanto avaliávamos o prejuízo, outro grupo menor ainda, com cinco pessoas, veio nos provocar e xingar. Está tudo registrado em fotos e vídeos que foram colocados na rede. Ou seja, em menos de 24 horas, foram três ocorrências no Instituto. Além disso, temos recebido telefonemas e emails ameaçadores. Eu pergunto: se as autoridades tratam um ex-presidente da República com tal descaso, o que pode vir pela frente?

2) Segundo a imprensa, o Secretario de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, estava presente em ato público no dia 11 de agosto, quando “juristas”  lançaram um manifesto exigindo a renúncia de Dilma. Parece uma manobra golpista. A lentidão da polícia (subordinada a Moraes) para investigar a bomba não poderia ser motivada por essa posição política extremada do atual secretário?

Eu não sabia da presença do secretário neste ato, mas lamento profundamente e me preocupo ainda mais agora com essa informação. O clima de insegurança e medo sempre propaga em momentos de crise. A história registra isso em abundância. Os que querem o golpe se alimentam deste clima.

3) O caso da bomba não poderia ser federalizado? A PF está investigando?

Acho que tem que ser federalizado, estamos esperando diariamente por isso, não entendo porque isso ainda não aconteceu. Ontem mesmo o presidente do Instituto, Paulo Okamotto, enviou ofício ao ministro da Justiça pedindo intervenção federal. É responsabilidade também da Polícia Federal tratar de um caso que envolve um ex-presidente.

4) Como Lula e a equipe do Instituto avaliam a maneira como a gloriosa “grande imprensa” tratou o atentado? “Folha”/UOL, por exemplo, escrevem em seus textos: o ataque “é tratado pelo PT como um atentado politico”. Ou seja: dão a entender que não é um atentado, que só os petistas tratam o caso assim… Você consegue imaginar o que aconteceria se o Instituto FHC fosse alvo de bomba? Ou se o Instituto Clinton fosse atacado pelo Tea Party nos Estados Unidos?  

Foi impressionante. A reação da maioria da grande imprensa, em especial de alguns articulistas, foi a ironia ao desprezo. Não faltaram os que insinuaram que o próprio PT havia montado a farsa. Tentaram reduzir o caso por se tratar de uma bomba “caseira”. Mas “caseiras” foram as bombas da maratona de Boston, dos atentados do Riocentro, da OAB, contra as bancas de jornais, essas nos estertores da ditadura brasileira. Não foi coisa de um “baderneiro”, como disse um delegado e repercutiu na imprensa. Um “baderneiro” jogaria uma bombinha de São João. Aquela que foi jogada aqui tinha alta letalidade, basta ver as imagens da explosão na internet. Era uma bomba de fragmentação, que espalhou parafusos de mais de cinco centímetros. Fez pouco estragos porque explodiu antes do portão, quase explode dentro do carro que a jogou. Por sorte não havia ninguém por perto.

O Instituto fica em frente ao Pronto Socorro do Hospital São Camilo e de um ponto de ônibus. Companheiros nossos saíram daqui naquele dia meia hora antes da explosão. O Lula saiu às 21 horas e a bomba explodiu às 22h18. E eu tenho que ouvir Merval e Cantanhede brincando com isso. O que seria preciso para impressioná-los? O portão ter sido destruído? Algum ferido? Algum morto?

5) Desde o dia 10, metalúrgicos montaram um acampamento em frente ao Instituto Lula. Qual a ideia? Existe receio de que, no dia 16, com as manifestações golpistas já agendadas, o Instituto Lula possa ser alvo de extremistas da direita?

É uma iniciativa dos metalúrgicos do ABC, que começaram a Vigília pela Democracia e eu fiquei muito contente com isso. O acampamento está crescendo e seguramente atrairá milhares de pessoas no dia 16.

Quem não quiser ir para a Paulista, que venha para cá defender a democracia. Vai ser uma grande festa, com música, barracas e alegria. Temos medo, sim, de grupos de extrema-direita. Diante da inoperância da polícia, fomos obrigados a contratar segurança particular para nos proteger e contar com o apoio dos companheiros e amigos. Esses grupos, que aparecem impunemente pela internet, não tem apreço pela democracia, pregam o golpe militar, são preconceituosos, racistas. São perigosos, sim. Mas não vão nos intimidar.

6) Qual cenário você enxerga  nesse momento aí em frente ao prédio? Há quantas pessoas? Todos dormem aí acampados?

Hoje pela manhã umas 60 pessoas. Estão conversando, jogando baralho, cantando. Eles fazem um rodízio. Montaram uma barraca de cem metros quadrados, não sei dizer quantos dormiram aqui. Mas durante toda a semana comitivas de sindicalistas e amigos virão nos visitar. No sábado vai ter samba e no domingo uma festa da democracia.

7) Um colunista conservador, pago pela família Marinho, andou espalhando que nesta quarta-feira viria uma “bomba” contra Lula. Aparentemente, o tal colunista quis até fazer graça com o atentado do dia 30. Há algum receio, no Instituto, de que Sergio Moro possa criar algum fato novo antes do dia 16, para inflar o movimento golpista?

Eu acho que aqueles que comemoram a “trégua” calculada, momentânea e tática da Rede Globo e de outros veículos, tem que entender essa novidade na sua plenitude. Depois de desgastar tremendamente a presidenta Dilma, chegaram à conclusão que não há alternativa imediata tranquila.

Todos sabem que Eduardo Cunha pode ser indiciado a qualquer momento pela Lava Jato. E as elites, o capital financeiro, temem que a crise política aprofundada prejudique ainda mais os seus negócios. Procuram alternativas rápidas e seguras, mas não encontram. E a oposição está claramente dividida. Enquanto esperam os resultados das novas investidas da Lava Jato e o alcance das manifestações do dia 16, dão uma trégua, pisam um pouco no freio do golpe em marcha. Mas, muita atenção: suportam a Dilma enfraquecida, mas não pisaram no freio dos ataques ao Lula. Ele vai ser alvo preferencial das manifestações de domingo e continua sob a mira dos Marinho, vide a capa do Globo de hoje.

8) Há uma página no facebook pedindo a morte de Lula. O Instituto vai entrar com ação para pedir punição aos responsáveis pelo crime? Qual a alegação do Facebook para manter a página?

Essa é outra faceta do ataque ao Lula. Esse “grupo aberto” do Facebook é um absurdo, um ultraje à democracia. Na sexta-feira eram 4 mil seguidores, hoje já passam de 5.500. Já fizemos dois pedidos formais para a retirada e muito gente denunciou a página, Eles mandam uma resposta burocrática dizendo que não enxergam motivos para tal. É inconcebível tal atitude. Diante dessa, vamos intensificar a mobilização pela rede e entrar com ação na Justiça, nossos advogados já estão preparando.

9) Como está o humor de Lula com essa escalada autoritária no Brasil? 

Lula está evidentemente preocupado com a situação política do país e altamente empenhado no debate para enfrentar a crise, conter as ameças golpistas e unificar o Brasil na defesa da democracia. Começou ontem seu ciclo de viagens pelo país, naquela maravilhosa Marcha da Margaridas. Volta à Brasilia dia 14 para a Plenária Nacional da Educação. Depois vai a Belo Horizonte e tem inúmeros convites para viagens. Ele está muito satisfeito com a quantidade de mobilizações populares que começam a acontecer pelo Brasil.

​10) E quem trabalha no Instituto: tem medo?

O Instituto tem mais de 30 colaboradores regulares e dezenas de outros que passam por aqui diariamente para participar de reuniões e atividades. Alguns mais engajados politicamente, outros nem tanto, são profissionais em suas áreas. Todos estão muito preocupados com a não apuração do atentado. Mas satisfeitos com o serviço de segurança particular que contratamos e com a solidariedade dos metalúrgicos. Mas um dos choques que ficou foi com a ausência da solidariedade de importantes setores ditos democráticos de nossa sociedade. Você acredita que não recebemos nenhum telefonema de dirigentes do PSDB, do PP e de muitos ilustres democratas brasileiros? O que fica, é que compraram a versão dos colunistas globalizados.
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Em Brasília, 70 mil margaridas rejeitam golpe, mas a mídia fala no trânsito


Trabalhadoras do campo e da cidade cercam Congresso e apontam que dentro ou fora do Congresso, tentativa de golpe terá resposta à altura

A 5ª edição da Marcha das Margaridas coloriu Brasília nesta quarta-feira (12). Cerca de 70 mil pessoas deixaram o estádio Mané Garrincha logo no início da manhã e seguiram até o Congresso Nacional.

Diante da Casa, homens e mulheres de todas as regiões do país viraram as costas aos ataques do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), às mulheres e aos movimentos sociais. Sob regência do parlamentar, ações como a criação de uma cota de 15% para as mulheres em todos os parlamentos do país foram rejeitadas.

Durante o trajeto, a maior manifestação popular que a capital federal viu neste ano manteve a pluralidade. Tinha verde e amarelo, mas também muito lilás e vermelho. Nenhuma cor era proibida. Os manifestantes, de diversas etnias, traziam demandas do campo e das florestas: a titulação das famílias já assentadas, o assentamento para quem ainda não tem chão, assistência técnica para quem já produz, mas quer crescer, e o limite da propriedade de terra para quem vê o agronegócio avançar sem freio.

Mas a essas demandas, somaram-se a defesa da liberdade e da democracia num país que conviver com uma onda conservadora. Cartazes que pediam Estado laico e apontavam que o corpo é das mulheres e não da bancada moralista pareceram se multiplicar em relação aos últimos anos.

Liberdade para acabar com a liberdade

Em todas as intervenções sobre os carros de som, o repúdio a qualquer tipo de golpe, dentro ou fora do parlamento, foram pontos comuns. Ali havia muita gente que conhecia de perto o que era perder a vida para garantir o direito à liberdade, inclusive de defender a ditadura, como lembrou a neta de Luís Carlos Prestes, Ana Prestes Rabelo, diante de cartazes fixados nos canteiros que pediam intervenção militar.

“Todos que, de alguma forma, somos herdeiros de uma luta pela democratização, que tivemos familiares muito próximos perseguidos, presos, torturados, muitos ainda desaparecidos, e, independente disso, todos que tem consciência do valor da democracia e da liberdade, estão totalmente atônitos. Não imagina ter que transitar pelas ruas de Brasília e explicar para minhas filhas de cinco e nove anos, em pleno de 2015, o que significa a volta do regime militar”, definiu.

Para ela, todos os partidos e movimentos preocupados com a garantia da legalidade democrática têm a responsabilidade e o desafio de enfrentar a mídia para desenvolver a conscientização político. “É preciso ir para dentro das casas das pessoas, conversar, se reunir, fazer atividades como essas porque, apesar de estarmos há 12 anos na liderança do governo central, não conseguimos enfrentar e avançar numa das principais batalhas que é a democratização da mídia.”

Novo modelo

Já diante do Congresso, a secretária de Mulheres da CUT, Rosane Silva, representou a Central que levou 15 mil mulheres à Marcha e apontou que nenhuma transformação na igualdade entre gêneros será possível sem enfrentar o machismo e o patriarcado.

“O primeiro passo é considerar as mulheres sujeitos políticos que têm direito a políticas públicas que garantam creches para que possamos deixar nossos filhos e ter maior na vida pública, que promovam a igualdade no mundo do trabalho, onde ainda ganhamos menos, mesmo tendo maior escolaridade”, disse.

Ao destacar que a pauta das Margaridas é também a pauta da CUT, a dirigente lembrou que as conquistas da classe trabalhadora foram resultado da luta nas ruas, onde a Central permanecerá em defesa da liberdade e da democracia.Rosane (com o microfone) e Carmen Foro (vice-presidente da CUT, à direita) durante a manifestaçãoRosane (com o microfone) e Carmen Foro (vice-presidente da CUT, à direita) durante a manifestação

A mudança deve passar pela educação, mas para isso é preciso enfrentar liderançs parlamentares contrárias a uma educação não sexista e à discussão de gênero dentro da escola.

“Passamos por um período de grande enfrentamento recentemente com a direita e com os fundamentalistas religiosos, quando tivemos a discussão dos planos nacional, estaduais e municipais de educação, que pautaram a retirada da educação de gênero, enquanto nós defendemos discutir a violência cotidiana que a mulher sofre. Se não for através da educação, dificilmente mudaremos a cultura machista e patriarcal”, afirmou a professora Lirani, que leciona no Paraná.

“O governo reconhece a violência contra a mulher como crime. Não é natural, não é de família e na escola temos um espaço privilegiado para discutir isso, mostrar a importância de tratar os amiguinhos com igualdade, que a casa é um espaço onde tem de ter companheirismo e as tarefas também devem ser divididas. Temos que naturalizar o debate e não a violência”, definiu a amazonense Isis.

Histórias na bagagem

Apesar de não ter sido divulgado até o momento pela organização do evento, com base na marcha e na presença no Mané Garrincha, a delegação nordestina era a maior do encontro.

Formada por mulheres como a quebradeira de coco Maria da Conceição, de 65 anos, que deixou Igarapé Grande, no Maranhão, enfrentou três dias de viagem e passou a noite acampada no estádio ao lado da amiga Maria Aparecida, diretora do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarapé Grande.

Juntas, fizeram eco na defesa da reforma agrária, porque a maioria das quebradeiras é sem-terra, explicaram, e também da presidenta.

“Sabemos que Dilma sozinha não tem força para mudar tudo, por isso vamos pressionar o Congresso para mudar as coisas também. Esse movimento sabe disso e ainda apoia ela”, falou Aparecida.

Enquanto algumas são veteranas de luta, outras são recém-chegadas. Edilene Alves dos Santos, de Mata Grande, em Alagoas, estado de Margarida Alves, sindicalista assassinada em 1983 e inspiração para todas as Margaridas, dizia estar muito nervosa quando chegou ao Mané Garrincha.

Aos 20 anos, a estudante de educação física, enfrentou dois dias de viagem para participar da primeira marcha. “Vim para lutar pelo direito das mulheres. Na minha cidade tem muito preconceito”, dizia ela, que trazia duas malas e a expectativa de ver o estádio lotado de destemidas.

Luiz Carvalho
No CUT

PS do Viomundo: Olhem abaixo como noticiaram o G1 do DF e o Correio Braziliense:

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Geologia Política


Qual o perigo das placas gimálricas e nárdicas?

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Moderação da Globo será posta à prova no domingo

Vejo ainda com desconfianças e reservas a propalada inflexão editorial das Organizações Globo rumo a uma postura mais responsável na abordagem da crise política que vive o país. A julgar pelos seus editorais e notícias recentes, a empresa dos Marinho também colocou um ponto final no apoio cego aos desmandos insanos de Eduardo Cunha à frente da Câmara dos Deputados, passando a criticá-lo duramente.

Contudo, recomenda-se muita calma nessa hora. Se é possível que os apelos ao bom senso e ao respeito às regras do jogo democrático para preservar a economia do país, feitos pelos donos do meios de produção e do capital, os presidentes da Fiesp, Firjan e do Bradesco, tenham feito a Globo entender o risco de jogar fora a água da bacia levando bebê junto, também não é fácil acreditar no súbito surto democrático de quem carrega o golpismo e a oposição às boas causas do povo brasileiro no DNA.

De fato, já se percebe uma mudança de tom e conteúdo tanto nos editoriais como no noticiário dos veículos de comunicação da Globo. Nesta segunda-feira (10), a fala da presidenta Dilma condenando os que apostam no vale-tudo contra o Brasil, durante a entrega de casas do Minha Casa, Minha Vida, no Maranhão, reinou com letras garrafais e fotos enormes durante praticamente a tarde inteira no Globo Online.

Também dão o que pensar o editorial do jornal O Globo de sexta-feira passada, atacando Cunha e defendendo a governabilidade de Dilma para o bem do país, bem como a repentina serenidade adotada pelos apresentadores do Jornal Nacional. Há quem diga, e é importante prestar atenção nesta tese, que tudo não passa de um movimento calculado para livrar a cara da Globo no caso de o golpe se consumar. Coisa de quem amarga a mancha infame em sua história de ter apoiado o golpe e a ditadura de 1964.

Segundo essa visão, a Globo estaria apenas criando as condições para respaldar um argumento cretino a ser usado lá na frente, tipo: "Nós fomos contra, mas não teve jeito, o povo nas ruas quis o golpe e a classe política também." Hoje mesmo, terça (11), o hidrófobo Arnaldo Jabour já aparece nos meios de comunicação globais pregando a renúncia de Dilma. Para evitar crises de ânsia de vômito, não leio a coluna do Merval Pereira. Mas será que o porta-voz do golpe acompanhará a inflexão dos seus patrões? Penso ser pouco provável.

Tudo pode não passar de um jogo de cena, concebido de forma cínica. Quer um exemplo : na  reunião de senadores petistas com João Roberto Marinho, ocorrida na semana passada, os parlamentares do partido desfiaram um rosário de críticas à atuação da Globo. Na "lata" de um dos donos da Globo falaram das manipulações, mentiras, dois pesos e duas medidas para petistas e tucanos, seletividade das denúncias da Lava Jato para incriminar somente o PT, vazamento de informações sob segredo de justiça, criminalização do PT e da política, apoio às irresponsabilidades de Cunha, defesa do golpe contra Dilma, tentativa de destruição da imagem do ex-presidente Lula, entre outras canalhices da Globo.

Resposta  do João Roberto Marinho: "Nossa, ou nós estamos errando muito ou vocês não estão entendendo nada. Vou falar com meus editores para ver o que está acontecendo, pois não é essa a nossa intenção." Sem maiores comentários, apenas a sugestão para que o Guinness Book, o livro dos recordes, crie uma seção destinada às declarações mais cínicas. Essa de JRM seria imbatível.

Mas domingo, 16, está chegando. As manifestações dos coxinhas, golpistas e fascistas pela quebra da ordem constitucional servirá como ótimo parâmetro para se avaliar as reais intenções da Globo. Se derrubar a grade de programação, sacrificando até programas tradicionais da emissora, como o Esporte Espetacular, para transmitir ao vivo às manifestações e convocar o telespectador a ir para a rua, como fez de outras vezes, aí ficará claro que sua súbita conversão  ao respeito à soberania popular e à democracia vale tanto quanto o "pluralismo e isenção" de seu jornalismo.

Bepe Damasco
No 247
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A presença de Cunha na presidência da Câmara é um escárnio e uma ameaça

Ele
A presença de Eduardo Cunha na presidência da Câmara é um escárnio e uma ameaça à democracia. Sob a proteção dos suspeitos de sempre, ele simbolizou a aposta no quanto pior, melhor. Deu no que deu.

Isolado, mas ainda contando com seus gângsteres, Cunha comprou briga com toda a república. Em circunstâncias normais, a acusação de receber propina de 5 milhões de dólares num processo como a Lava Jato deveria fazer com que ele saísse para as investigações ocorrerem sem obstrução.

No regime teocunhacrático, isso não existe. Ele tudo pode. Considera-se normal que obstrua a Justiça e que parlamentares, a soldo dele, partam para intimação de traficante de favela.

Desgostoso com a aproximação entre Renan e Dilma, seu alvo agora é o presidente do Senado. Os apaniguados vão incentivar os grupelhos da manifestação do dia 16 a incluir Calheiros na lista dos políticos corruptos de que o país precisa se livrar.

Ordenou também a seu pessoal na CPI da Petrobras que pedisse a quebra de sigilo telefônico do ministro José Eduardo Cardozo e do procurador Rodrigo Janot — este, parte de uma conspirata com o Palácio do Planalto para destruí-lo.

É o homem pauta bomba. Na terça, dia 11, a Câmara concluiu a votação em primeiro turno da PEC que vincula salários de integrantes da Advocacia-Geral da União, delegados civis e federais a 90,25% da remuneração de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O impacto é de cerca de 2,4 bilhões reais.

Vai cometendo barbaridades e negando, negando, negando. Seu comportamento lembra o de Collor às vésperas da queda.

Visivelmente descontrolado, agressivo, o olhar rutilante, vendo inimigos em todo lugar, um Macbeth de casa de saúde, declarando-se abandonado pelos amigos, Cunha é um incêndio em si mesmo.

“Ele é arrogante, autoritário e usa o cargo para debilitar o governo, em um gesto que muitas vezes se confunde com chantagem”, disse Jarbas Vasconcelos à BBC Mundo.

É esse chantagista, montado nos evangélicos, na bancada da bala, no PSDB, que está sendo canonizado pelos movimentos golpistas e por milhares de adeptos da indignação coletiva.

A posição de EC é insustentável e só se explica pelo momento caótico que atravessamos. Não durará muito tempo. Até lá, continuará no papel de Nero que lhe foi outorgado por brasileiros.

Kiko Nogueira
No DCM
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Riscos e oportunidades da agenda do Senado para Dilma


O presidente do Senado Renan Calheiros apresentou a primeira agenda clara de discussões. Fica claro que a trégua política oferecida pela mídia estava amarrada à aceitação dessa agenda  

Finalmente, tem-se um norte para começar a se discutir. Poderá ser a saída ou o fim de Dilma Rousseff. Se ela decifrar o pacote, souber incorporar as propostas de racionalização, mas preservar pontos centrais de cidadania, vence. Caso contrário, poderá ser interpretado como adesão integral a uma bandeira política e econômica que não é sua.

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A agenda de Renan tem três eixos centrais, a proteção social, o equilíbrio fiscal e o ambiente de negócios.

No campo da Proteção Social, tem 4 propostas.

Duas delas entram no campo tabu do financiamento da saúde. Propõe uma nova legislação, inclusive proibindo a concessão de medidas liminares para tratamentos experimentais não homologados pelo SUS; e uma discussão para avaliar a possibilidade de cobrança diferenciada de procedimentos do SUS por faixa de renda, levando em conta o Imposto de Renda.

Seria profundamente desejável que, antes de qualquer gesto em direção a essas medidas, Dilma ouvisse os soldados da saúde pública, José Gomes Temporão, Alexandre Padilha e outros, para analisar os desdobramentos sobre um dos pontos centrais da Constituição de 1988: a universalização da saúde.

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Há uma proposta genérica de melhoria dos marcos jurídicos da educação. E uma outra — interessante — compatibilizando as renúncias fiscais, no orçamento público, com critérios de redução de desigualdades regionais e geração de emprego e renda.

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No tema "equilíbrio fiscal", são 13 medidas.

A primeira visa reformar a Lei de Licitações. Propõe também a implantação da Autoridade Fiscal Independente, de uma Lei de Responsabilidade das Estatais, visando maior transparência e profissionalização dos órgãos públicos; e a regulamentação do Conselho de Gestão Fiscal, previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Outra proposta é a de uma emenda constitucional impedindo o governo federal de criar programas que gerem despesas a Estados, municípios e o Distrito Federal, sem a indicação das respectivas fontes de financiamento.

Há propostas de reforma gradual do PIS/Cofins, reforma do ICMS, a proposta de repatriação de recursos brasileiros no exterior não declarados ao Fiscos, e aumento do imposto sobre heranças de 2% a 4% para 25%, média mundial.

Há outras propostas mais temerárias, como a maior desvinculação da receita orçamentária, inclusive com um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para zerar o jogo, e "permitir melhor gestão fiscal futura". Qualquer flexibilização tem que garantir recursos mínimos para as áreas sociais. E preservar os Ministério sociais. Sua estrutura é pequena, similar a de uma secretaria. Mas o status de Ministério é essencial para conferir dimensão política na definição de políticas públicas transversais.

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Finalmente, propõe ampliar a idade mínima para aposentadoria e o reajuste planejado dos servidores dos Três Poderes, para se ter uma "previsibilidade de médio e longo prazo dessas despesas". As duas últimas propostas seguem a lógica brasiliense.

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No tema "ambiente de negócios” são 9 propostas, algumas genéricas — como dar mais segurança jurídica aos contratos e aperfeiçoar o marco regulatório. Outras, mais específicas, como a criação de um mecanismo de "Avaliação de Impacto Regulatório" para monitorar as decisões das agências reguladoras.

Passa pelo tema da segurança jurídica dos trabalhadores terceirizados e envereda por outros bastante delicados: a implementação do marco jurídico do setor da mineração; revisão das terras costeiras "como forma de incentivar novos investimentos produtivos"; revisão da regulamentação das terras indígenas para "compatibilizá-las com as atividades produtivas" e simplificação do licenciamento ambiental para obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

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Há que se cuidar para não promover um desmonte de avanços sociais relevantes, especialmente nesses tempos bicudos do pior conservadorismo.

Luís Nassif
No GGN
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