10 de ago de 2015

Qual seria a resposta de Eduardo Campos à carta espírita de Aécio?

Eles
A carta de Aécio Neves a Eduardo Campos publicada na Folha não é ruim apenas pela pieguice — isso é, na verdade, o de menos.

O que fica patente, ali, é o uso político que Aécio faz de um morto que não tem como se defender, apelando para circunstâncias que jamais serão realmente comprovadas, já que algumas das “memórias” se referem a encontros solitários entre os dois homens.

Ali pelo meio o tucano relata o seguinte: “Estava me lembrando da nossa conversa no apartamento de sua mãe, dona Ana, no fim de 2013, quando, após uma apetitosa carne de sol, falamos da necessidade da correção de rumos na economia. Lembro-me que chegamos à conclusão de que deveríamos concorrer à Presidência em trincheiras próprias, para fortalecer as oposições, e de que nos encontraríamos mais adiante, para somarmos forças em um novo projeto de Brasil, caso um de nós dois viesse a ser vitorioso.”

Se de fato aconteceu desta maneira — ainda bem que Aécio não é historiador — é razoável imaginar que, hoje, Campos estivesse surpreso com o projeto do amigo. Dado o grau de intimidade alardeado por Aécio, talvez ele dissesse: seja menos moleque.

Aécio não apenas não foi vitorioso no pleito presidencial como, desde a primeira hora, age para desestabilizar a democracia.

Flerta com movimentos golpistas, alimenta paranoicos anticomunistas, virou irmão de Ronaldo Caiado, alia-se a indigentes mentais como os revoltados on line, Lobão et caterva. Foi à Venezuela com seis senadores, numa das “missões diplomáticas” mais estapafúrdias de todos os tempos, buscando eco na imbecilidade antibolivariana.

O que Eduardo Campos acharia da última aventura do companheiro? Para evitar Temer ou Cunha numa suposta queda de Dilma, o que propõem ele, Carlos Sampaio e Cássio Cunha Lima ao pessoal que está programando as manifestações de 16 agosto? Novas eleições.

Somente “um governo eleito pelo voto popular terá legitimidade para unificar o país e conduzir uma solução para a grave crise política, econômica e ética em que ele se encontra”, afirmou Cunha Lima numa coletiva.

O que fazer com a Constituição? Dane-se a Constituição. “Nós não vamos construir uma solução para o país apenas nos muros do Congresso ou no universo da política”, continuou Cunha Lima. “Não será com acordos e conchavos que encontraremos a saída para a gravidade da crise do país. Só mesmo trazendo a sociedade para construir a solução é que teremos legitimidade necessária”.

O senador Cunha Lima, cuja ficha corrida inclui a cassação do mandato de governador da Paraíba, declarou que Dilma prestaria um grande serviço ao país se renunciasse. A ação do PSDB no TSE é contra a chapa Dilma e Michel Temer.

O Eduardo Campos que Aécio descreveu, preocupado com os rumos da nação, cobraria uma posição sobre a bomba no Instituto Lula?

O projeto de Aécio é uma aposta no caos e numa solução imediatista e oportunista. Na crença bovina de que basta eliminar o PT para o Brasil virar a Finlândia — ou Belo Horizonte. Na adaptação das leis à sua vontade e à de seus apaniguados.

“Nesses dias de incertezas, Eduardo, sinto falta das nossas conversas francas, verdadeiras, em que falávamos do futuro com responsabilidade”, escreve Aécio.

O Eduardo real, fosse qual fosse, e o imaginado por Aécio Neves não mereciam esse tipo de homenagem às avessas.

Kiko Nogueira
No DCM
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Band denunciada por racismo

Personagem Africano, interpretado pelo ator Eduardo Sterblitch, foi denunciado por uma comissão da OAB
Um personagem do programa Pânico na Band, identificado como Africano, é alvo de denúncia encaminhada à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) da Presidência da República. A Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil, ligada ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pediu ao governo federal que tome providências contra o quadro considerado racista.

Segundo a denúncia, à qual o GLOBO teve acesso, o personagem interpretado por Eduardo Sterblitch “não possui expressão, aproximando-se de um selvagem, razão pela qual os internautas começaram a denunciar o assunto nas redes sociais”. A comissão da OAB ressaltou que o programa remete aos “históricos black faces”, atores brancos que se pintavam de preto para interpretar personagens afrodescendentes.

— Além da prática lamentável do chamado black face, esse programa coloca o personagem como um ser imbecilizado, o que contribui para a baixa autoestima das pessoas, a estereotipização de segmentos da população e traz os resquícios da escravidão — disse Humberto Adami, presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil.

A denúncia aponta, ainda, que o programa já repercutiu em “outros países”, apontando especificamente um site do Senegal, o Seneweb, que postou uma matéria sobre o quadro e perguntava aos leitores se o Brasil seria um país racista. No Brasil, o assunto também tem fervido na internet. O Grupo Bandeirantes foi procurado mas não retornou até o fechamento da reportagem.

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AGU: Cunha cobrou três vezes pedido de anulação de provas da Lava-Jato ao STF

Olha a tornozeleira aí! Cadê os 261 controlados?


Segundo o advogado-geral da União, o presidente da Câmara telefonou na última sexta-feira; Cunha diz que Adams mente

O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, disse que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cobrou dele por telefone e outras duas vezes por ofício que o órgão entrasse logo com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para anulação de provas da Lava-Jato que o incriminam. Segundo Adams, o telefonema ocorreu na última sexta feira. Cunha começou a conversa reclamando da adesão da AGU ao pedido da senadora Rose de Freitas (PMDB-ES) para o STF anular a sessão da Câmara que aprovou as contas de três ex-presidentes. Depois, o parlamentar aproveitou para cobrar rapidez de Adams no caso das provas da Lava-Jato. Após dizer no domingo que não sabia da ação da AGU, o presidente da Câmara disse nesta segunda-feira que pretende romper o convênio que dá à AGU competência para defender Câmara.

Cunha fez a mesma cobrança em outras duas ocasiões. A primeira foi em ofício enviado à AGU em 8 de junho. “De ordem do presidente da Câmara dos Deputados, solicita-se que seja estudada a viabilidade de adoção de medidas judiciais em face de ato judicial de busca e apreensão efetivado nesta Casa no dia 4 de maio de 2015”, diz o documento, assinado pelo então diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio.

A segunda cobrança foi por meio de um ofício da Procuradoria Parlamentar enviado à AGU em 9 de julho, reforçando o pedido. O documento foi assinado pelo deputado Claudio Cajado, procurador parlamentar. A assessoria de imprensa da AGU explicou que o pedido em nome da Câmara só não foi feito antes perante o STF, porque a Corte esteve em recesso ao longo de todo o mês de julho.

O recurso da AGU, feito em nome da Câmara, para pedir a anulação das provas chegou ao STF na última sexta, logo após o telefonema de Cunha. Os documentos em questão foram colhidos em maio na Câmara e hoje integram o inquérito aberto no tribunal contra o parlamentar.

O presidente da Câmara usou o Twitter nesta segunda-feira para reagir à informação do advogado geral da União. Na rede social, Cunha disse que não tratou disso com Adams na sexta e, se ele está afirmando isso, mente. Cunha admite, no entanto, que em maio pediu que ele agisse em defesa da Câmara já que a busca e apreensão no setor de Informática da Casa foi feita sem autorização.

No O Globo
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Ação do MPF contra Editora Abril por danos morais coletivos é retomada



Decisão do TRF-3 derrubou sentença que extinguia processo; Procuradoria pede indenização de R$ 1 milhão por reportagem discriminatória contra minorias étnicas

A 26ª Vara Cível Federal, na capital paulista, terá que dar prosseguimento à ação civil pública que o Ministério Público Federal ajuizou contra a Editora Abril por danos morais coletivos. O processo se deve a uma reportagem discriminatória contra minorias étnicas publicada em maio de 2010 na revista Veja. A decisão é do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que acolheu um recurso do MPF e reverteu a sentença de primeira instância que declarava prescrita a ação.

O MPF propôs a ação em agosto de 2014, quatro anos após a publicação da reportagem “A farra da antropologia oportunista”. O texto da revista Veja baseou-se em informações distorcidas e expressões injuriosas para criticar o processo de demarcação de reservas destinadas a grupos indígenas e quilombolas. A Procuradoria pede que a Abril, responsável pelo semanário, seja condenada ao pagamento de indenização mínima de R$ 1 milhão por danos morais, valor que deve ser destinado aos povos tradicionais do Estado de São Paulo.

A sentença que extinguia o processo se baseou no prazo prescricional de três anos previsto no Código Civil para pedidos de reparação civil. No entanto, o desembargador federal Carlos Muta, do TRF-3, afirmou que o período máximo para o ajuizamento de ação civil pública em matérias que envolvem direitos coletivos é de cinco anos, conforme a Lei 4.717/65. “No caso dos autos, a ação para indenização pelos danos morais, supostamente ocorridos com a reportagem publicada na revista Veja do dia 05/05/2010, foi ajuizada em 21/08/2014. Portanto, não se encontra atingida pela prescrição”, escreveu o magistrado.

Reportagem

O texto da revista procurou caracterizar a criação de novas reservas como fruto do conchavo entre ativistas que sobreviveriam dos sucessos das demarcações, agentes públicos e antropólogos cujo trabalho não teria nenhum rigor científico, mas simplesmente viés ideológico de esquerda. Veja relata ter descoberto “uma verdadeira fauna de espertalhões” e utiliza vários termos depreciativos que incitam o preconceito contra as comunidades indígenas e outras minorias étnicas. Exemplo é a definição de Tupinambás como “os novos canibais”, associando-os a invasões, saques e outras práticas delituosas.

Com o objetivo de embasar a crítica às demarcações, a reportagem também distorceu as declarações de dois renomados antropólogos que se dedicam ao estudo das questões indígenas. O professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Pereira Gomes, e o pesquisador da UFF Eduardo Viveiros de Castro teriam, segundo o texto, emitido opiniões contrárias à criação de novas reservas e aos critérios adotados. Após a publicação, ambos escreveram aos editores da revista, indignados com o fato de que as frases a eles atribuídas eram opostas ao que realmente pensam sobre o tema.

Para a procuradora da República Suzana Fairbanks Oliveira Schnitzlein, autora da ação e do recurso interposto, declarações de cunho racista e que promovem a discriminação contra minorias étnicas não podem ser toleradas a pretexto de liberdade de expressão/imprensa, direito fundamental que não se confunde com “o puro e simples discurso de ódio camuflado de reportagem jornalística”.

O número da ação é 0015210-17.2014.4.03.6100. Para acompanhar a tramitação, acesse http://www.jfsp.jus.br/foruns-federais/.

No MPF/SP
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Manifestações públicas de protesto não são terroristas


A Câmara dos Deputados prevê discussão e possível votação, no dia 11 deste agosto, do projeto de lei nº 2016/2015, de autoria do Poder Executivo, que trata de “dispor sobre organizações terroristas”, conforme  uma redação substitutiva apresentada pelo seu relator, o deputado Arthur Oliveira Maia.

Os debates em torno da melhor redação da projetada lei vão desde uma grande desconfiança sobre possíveis abusos da autoridade policial ou judiciária no enquadramento de tudo quanto possa ser considerado terrorismo, até as defesas nela previstas como expressamente excludentes dessa possibilidade. Não seria demais se acrescentar a suspeita da época escolhida para uma tal iniciativa, ainda mais se considerando os preparativos dos protestos massivos deste agosto, pró e contra governo, atualmente circulando nas redes sociais.

Em todo o caso, tanto na mensagem enviada pelos ministros José Eduardo Martins Cardozo e Joaquim Vieira Ferreira Levy à presidenta da Republica, propondo a remessa do projeto ao Congresso, quanto na redação do substitutivo, houve exclusão expressa de certas manifestações públicas e massivas como passíveis de serem enquadradas como atos de terrorismo.

No número 8 da mensagem dos ministros à presidenta, sublinham eles a existência, na redação do projeto, de “uma causa excludente para as manifestações políticas, sociais ou sindicais” (…), objetivando “defender ou buscar direitos, garantias e liberdades individuais.”

O substitutivo apresentado pelo relator confirma isso, pois, quando detalha, em seu artigo 2º, inciso II um dos atos previstos como prática de terrorismo —  “provocar terror, expondo  a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública e incolumidade pública”, abriu uma exceção no parágrafo 2º do mesmo artigo, para determinar:

“O disposto neste artigo não se aplica à conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações políticas, movimentos sociais, sindicais, religiosos, direcionados por propósitos sociais ou reivindicatórios, visando a contestar, criticar, protestar ou apoiar, com o objetivo de defender direitos, garantias e liberdades constitucionais, sem prejuízo da tipificação penal contida em lei.”

Se existe um risco de, se for transformado em lei esse projeto,  alguma interpretação futura, administrativa ou judicial, abusar da sua letra e também enquadrar aí a prática do terrorismo, não há como garantir defesa  segura.

Perigo, como outras palavras da lei, como “ameaça”, “iminência”, está muito sujeita a um modelo interpretativo moldado à cultura, à ideologia, aos costumes, à tradição, aos “precedentes legais, jurisprudenciais, doutrinários” e até ao lugar social ocupado pela/o intérprete da lei.

Ressalvado nosso desconhecimento, pelo menos no âmbito do Direito Civil, não existe sentença nem decisão administrativa reconhecendo como provada a existência do “perigo iminente” previsto no artigo 188, inciso II do Código Civil, de quem está com fome ou nem tem casa onde se abrigar. Pessoas nessa situação não estão sofrendo de uma privação sem remédio, se não for removida? — A lei diz que sim, pois ela não permite ser condenada como praticando um ato ilícito uma pessoa forçada, coagida   por necessidades não satisfeitas a um tal nível, promover “a deterioração da coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente”, desde que, conforme diz o parágrafo único do mesmo artigo 188 “as circunstâncias” tornarem “absolutamente necessário” esse ato.

Autoridades judiciárias ou administrativas podem e devem ter plena consciência disso, a lei processual permitindo até a inspeção judicial como forma de prova desse drama humano tão presente em nosso país. Quem se acha com direito ao “auxílio moradia”, por exemplo, sabe bem o sentido e a referência do que seja uma casa. Não haverá nessa vantagem excepcional, extraordinária, reveladora de um comprovado privilégio, um motivo a mais para se julgar como excluídos de ilicitude atos de desespero como os que ocorrem em muitos conflitos fundiários urbanos e rurais do Brasil?

A diferença entre o tratamento dado pelo Poder Público a essas lides inerentes ao nosso sistema socioeconômico, opondo direitos patrimoniais a direitos sociais constitui-se, lamentavelmente, um fato notório. É bem pouco provável reconhecer-se como aterrorizada uma pessoa faminta ou sem teto, embora o clamor da própria natureza o comprove. É muito pouco provável porém, de outra parte, imaginar-se o indeferimento, por um despacho judicial liminar, seja dado à uma ação de interdito proibitório proposta por um latifundiário alegadamente ameaçado de ter a sua terra ocupada por multidão pobre, desprovida dos mais elementares meios de vida como são os de alimentação e moradia.

Existem terrores e “terrores”, portanto. Quem os julga nem sempre adverte o seu próprio discernimento sobre a necessidade de distinguir uns dos outros. Espera-se que, transformado em lei o projeto de lei nº 2016/2015, essa ausência de cuidado não desrespeite a exclusão expressa dos protestos públicos e massivos motivados pela ameaça e até pela violação de direitos humanos fundamentais sociais, por ele previstos, para tratá-los como têm sido tratados, em sua maioria, os conflitos fundiários no Brasil.

Pior do que considerar terrorismo aquelas manifestações de protesto é desconsiderar como terroristas certas aplicações de lei indiferentes à pobreza e à miséria de todo aquele contingente do povo brasileiro, até hoje penando o injustificável atraso das reformas agrária, urbana, política e tributária, sem as quais o país prossegue vítima das crises sucessivas que nos mantêm reféns de uma situação permanente de desigualdade social, insegurança, incerteza, infidelidade à própria Constituição Federal e,  consequentemente, sujeita à qualquer daqueles terrores.

Jacques Távora Alfonsin
No RSUrgente
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Moro defende que réus respondam na prisão


O juiz responsável pelos processos da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, defendeu nesta segunda-feira 10 que réus condenados em primeira instância respondam a recursos na prisão. A tese já foi defendida por ele antes — o chamado 'Plano Moro' — e criticada por juízes, que falaram em "retrocesso", e advogados, que a consideraram "inconstitucional".

"No Brasil vinculamos a presunção de inocência ao trânsito em julgado do processo, e têm homicidas confessos que ficam 10 anos sendo julgados em liberdade", argumentou, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre. O evento fez parte do curso "Direito Comparado — corrupção e processo penal: experiência nos Estados Unidos e no Brasil".

Sérgio Moro comparou a legislação brasileira com a italiana, que se caracteriza pela "excessiva morosidade", e elogiou a dos Estados Unidos, onde "o condenado responde a eventuais recursos já na prisão". "No Brasil, existem casos criminais em que a prova incriminatória é esmagadora, mastodôntica, com a responsabilidade demonstrada, e o réu insiste em ir até o final do processo, apostando na impunidade", disse.

Moro também ressaltou que a Lava Jato não pode ser um "soluço que não gere frutos para o futuro" e defendeu mudanças na legislação no combate à corrupção. "Para a população, o que importa é o efeito final, é saber se a Justiça funciona ou não. Não podemos ter a Operação Lava Jato como um soluço que não gere frutos para o futuro. São necessárias reformas na legislação que aumentem a efetividade do nosso sistema", disse.


No 247
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20 anos sem Florestan Fernandes


Uma das últimas entrevistas feitas a um dos maiores sociólogos da História do Brasil, onde ele discute temas como a natureza política brasileira, o futuro governo FHC (a entrevista é de 1994), e sobre os rumos que o próprio PT começava a tomar na época.

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Lei de Meios na Argentina: o que mudou?


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Aeroporto do tio de Aécio está liberado

A "Justiça" nativa vai confirmando a piada que circula na internet: basta se filiar ao PSDB para você não ser investigado, julgado, condenado e, muito menos, preso. Na semana passada, numa decisão absurda, o Ministério Público de Minas Gerais simplesmente pediu o arquivamento das investigações sobre o aeroporto na cidade mineira de Cláudio, que foi construído com recursos públicos pelo então governador Aécio Neves (PSDB-MG) dentro da fazenda do seu tio-avô, Múcio Tolentino. Os quatro promotores do caso consideraram que "não houve indícios de irregularidades na construção e no uso do aeroporto", segundo informou a Folha tucana, numa minúscula notinha neste sábado (8).

O escândalo só ganhou repercussão graças às eleições presidenciais do ano passado. Ele foi levado à rede nacional de rádio e tevê na campanha pela reeleição de Dilma Rousseff, que também detonou o cambaleante tucano num tenso debate televisivo. Pesquisa feita em Minas Gerais constatou que nem os mineiros conheciam a construção da pista em Cláudio, que sempre foi ocultada pela mídia chapa-branca local e nacional. A partir da denúncia, a própria imprensa foi obrigada a abordar o assunto. A Folha descobriu que as chaves do aeroporto ficavam nas mãos dos parentes de Aécio Neves e que os custos da construção foram acima de outras obras da mesma dimensão.

Na ocasião, o PT entrou com representação na Promotoria para apurar o caso. Ele também solicitou que fosse apurado se houve superfaturamento na obra, que custou R$ 14 milhões aos cofres públicos de Minas Gerais. Agora, os promotores concluem que "nenhum item específico de superfaturamento no preço da obra executada foi aduzido pelos representantes em suas peças protocoladas" e pediram o arquivamento do inquérito. Diante desta decisão tão generosa, o PSDB solta rojões, afirmando que a decisão "demonstra a injusta exploração política que o tema teve durante a eleição de 2014". Ou seja: nenhum tucano vai para a cadeia e ainda posa, na maior caradura, de vestal da ética.

Altamiro Borges
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“É um erro confundir a insatisfação com Dilma com apoio a sua saída”

O presidente do Data Popular diz que o brasileiro percebe que a pressão por impeachment é baseada na guerra de políticos

Renato Meirelles, presidente do Data Popular
F.Cavalcanti (FC)
Renato Meirelles aprendeu a enxergar o Brasil pelos olhos dos mais pobres. Sua empresa de pesquisa, o Data Popular, nasceu para ler o comportamento desse grupo, que representa, na verdade, a maioria das famílias brasileiras — 66% vivem com pouco mais de 2000 reais mensais. Essa proximidade o ajudou a antecipar diversos movimentos na economia — como a explosão da classe C a partir de 2004 – e na política – ele previu no início de 2013 que haveria uma pressão popular cada vez mais forte por serviços públicos de qualidade, mote das manifestações de junho daquele ano. Neste momento, ele enxerga o jogo de lideranças nebuloso, com um Governo e uma oposição que não conseguem apresentar perspectivas de futuro.

Tivemos uma semana de estresse, com o Congresso desgovernado, e um debate explícito sobre impeachment. Como isso está na cabeça dos brasileiros?

A decisão do futuro do país está na mão de uma briga de torcida e o brasileiro percebe isso. Não se pode colocar a estabilidade do país abaixo do interesse político. Ainda que as pessoas estejam insatisfeitas com o Governo elas se perguntam qual é o real interesse de um impeachment. É um erro confundir quem está insatisfeito com o Governo com apoio à saída da Dilma.

Os políticos passaram uma sensação de insegurança, o que fez empresários virem a público pedir bom senso e entendimento.

Estão todos em busca de um consenso, de entendimento. A fala do Michel Temer — precisamos de alguém que una o Brasil — contribuiu. As demonstrações raivosas, de ira, atiçam os guardiões do bom senso. O nervosismo do Temer ao falar na quarta-feira mostrou que temos de dirigir a classe política. Ninguém enxerga a porta de saída nem na situação nem na oposição, e essa guerra impossibilita o bom senso e prejudica a solução da crise política que paralisa a economia.

Nesse flerte com o impeachment, em que a oposição apoia em um momento, recua, volta a apoiar. Como é que funciona para o eleitor?

Primeira coisa para entender. Nas pesquisas, quando você pergunta sobre manifestações. “Você lembra de passeatas que aconteceram nos últimos tempos, que juntou muita gente na rua, não só na sua cidade mas no Brasil inteiro? A grande maioria das pessoas lembra de 2013. Estou falando muito mais a classe C e D. Eles não têm as manifestações deste ano como referência. Estamos há meses sem manifestação, porque se tentou radicalizar para o impeachment naquela conjuntura e aí foi perdendo força. Por que estamos voltando com isso agora? Porque além da Lava Jato ter ganhado novas proporções, do ponto de vista da comunicação com a opinião pública o Governo não fez nada para explicar, por exemplo, o ajuste fiscal e a crise econômica. A última passeata [de abril] teve menos gente do que a penúltima [março] e isso deixou uma sensação de que as coisas estavam resolvidas para o Governo. E não estavam, como não estão resolvidas desde 2013. Pensar no que levou as pessoas a reelegerem este Governo é fundamental pra entender o que a população quer e acredita. E o Governo tinha que ter aprendido. Por outro lado, a oposição tinha que refletir em como ela conseguiu perder uma eleição em que 71% queriam mudança. O que também não é uma coisa trivial...

A oposição não está conseguindo ganhar o terreno que o Governo está perdendo?

Se uma pesquisa de intenção de voto mostra, por exemplo, que o senador Aécio Neves estaria na frente se a eleição fosse hoje, é muito mais por ser o nome mais conhecido de oposição. Ele é o ímã dos insatisfeitos. Mas está longe de conquistar o coração e mente de pessoas. Muito mais longe de conquistar as pessoas que estão órfãos do presidente Lula.

Temos muitos órfãos?

Temos mais órfãos do que oposicionistas.

Órfãos do Lula?

Órfãos de uma liderança que defenda o estado de igualdade de oportunidades.

A raiva contra Dilma é somente pela economia?

Se a gente for olhar alguns dos grandes indicadores econômicos como desemprego, como reservas internacionais. Ou a escolaridade média do trabalhador. Na prática nós temos indicadores melhores hoje do que tínhamos antes, em 2008, por exemplo, ano de outra grande crise. O que diferencia os dois momentos? É não saber para onde estamos indo. O Brasil tem uma crise econômica? Evidente que tem. É só sair na rua. O Brasil tem uma crise moral e ética? Claro que tem. São as maiores do Brasil? Não. A maior crise do Brasil é a de falta de perspectiva. O brasileiro não sabe para onde vai e não consegue enxergar nem na situação nem na oposição, uma luz no fim do túnel. Isso que vai fazer diferença em todo o resto. No limite, o Lula chamava para conversar, como em 2008 “Ah meu amigo. Estão dizendo pra você guardar o seu dinheiro e não gastar. Se você não gastar, o seu primo que trabalha na fábrica Brastemp vai ficar desempregado...”

A lição popular de economia...

O governo tinha um reason why forte para essa condição de futuro. Só que ele está desde o segundo turno sem falar ou fazer algo que caminhe nesse sentido, enquanto o povo está fazendo seu ‘ajuste fiscal’ doméstico: rodízio de contas pra pagar, bico extra, cortando despesas... Não se explicou o que era o ajuste fiscal. E um monte de medidas que efetivamente poderiam ser muito positivas, não foram vistas por dessa forma por causa disso. Por exemplo, fraude no seguro desemprego. O seguro desemprego precisava mudar não por causa do ajuste fiscal. Por causa das fraudes!

O fato da Dilma não ter pedido desculpas, dizendo “erramos ao estender uma fórmula de economia”, pesa?

Temos que entender o que é a tradição cristã do Brasil. Os cristãos valorizam quem reconhece o erro. O Brasil valoriza quem joga limpo e pede ajuda. Seria muito bom que a Dilma conseguisse falar para a sociedade que reconhece o que as pessoas estão passando. Isso seria bom pra ela, e seria bom para o país. Do mesmo jeito que a oposição tinha de dizer claramente qual a proposta dela para sair deste momento.

O que é pior para a população da base da pirâmide: Lava Jato ou é a inflação que comeu o salário dele?

A gente tem pesquisado muito esse assunto no Data Popular. E basicamente vemos que a corrupção acaba sendo vista como a grande responsável pelo aumento de preços, por exemplo... por que a gasolina aumentou? Na cabeça do povo a gasolina aumentou porque tinha roubo na Petrobras e nós estamos pagando esse roubo com o aumento da gasolina.

Embora não seja exatamente essa lógica, não é de todo errado, se falarmos da gestão da empresa...

O meu negócio é percepção da opinião pública. A corrupção acabou sendo a grande vilã de tudo. Mas vamos pegar o histórico. Em 2013, passeatas, porque a régua de qualidade, de exigência dos que recebiam serviço público, tinha mudado. Eles haviam saído de 2010 com uma perspectiva de melhora de vida gigantesca, e a ela não estava mais melhorando. E os governos, de todos os níveis, não perceberam essa mudança. Mas o brasileiro pensava: “Eu estou fazendo a minha parte e o governo não está fazendo a dele”. Depois veio a Copa. E na sequência, o processo eleitoral mais pesado, e a percepção que a crise começou a crescer. A gente começou o processo eleitoral com 71% dos eleitores querendo mudança. O que aconteceu depois? Eu desafio qualquer brasileiro a me dizer cinco medidas positivas que o governo fez depois do segundo turno.

A base da pirâmide faz panelaço?

Faz. Primeiro entenda a eleição. Por primeira vez em muitos anos a classe C rachou. Os jovens da classe C estão indo para a oposição. E os mais velhos vão mais para a situação. O panelaço é a demonstração de insatisfação. Ele aconteceu muito mais em áreas ricas do que pobres? Sim. Isso significa que não acontece na periferia? Não é verdade. Agora, panelaço é a representação física da intolerância. Porque significa que você não quer ouvir, você só quer brigar.

Uma proposta de impeachment vai adiante?

Impeachment é um processo legal, logo, não é golpe. Mas é político. Portanto, sujeito a influências políticas, perspectivas de poder, e arranjos internos. Sujeito a negociações como moeda de troca por alguém estar sendo investigado pela Procuradoria. Podemos não ter abertura de processo de impeachment por uma questão legal, ou como abraço dos afogados do presidente da Câmara. Nesse jogo político tudo cabe. Achar que a população que diz defender impeachment não pode ser influenciada com o debate é um erro.

Em outras palavras, a batalha do impeachment está longe de ser ganha?

Completamente longe. Nem para um lado e nem para o outro. É a raiz da crise de perspectiva. Quando a gente coloca a seguinte questão em pesquisas – Quando eu falo futuro, qual é a palavra que aparece? As pessoas ficam em silêncio.

Quando você fazia essa mesma pergunta alguns anos atrás, quais eram as respostas?

Sempre era: ver meu filho se formar, ser dono do meu negócio, eu me formar. Conseguir viajar para o exterior, ter minha casa. Hoje há silêncio. E depois de um tempo respondem: incerteza, escuridão. Porque não tem perspectiva. O impeachment do Collor havia perspectiva. Não era só revolta. Este não tem. E a oposição não conseguiu formar quadros com a visão de ser um estadista. Um líder de verdade capaz de oferecer perspectiva de futuro. O maior erro da oposição é o que fortalece o Lula. Ele fica como a única opção efetiva. Agora, não é o Lula que xinga imprensa. Mas o que olhar pra frente, responsável pelas maiores mudanças do pais.

Um encontro entre Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff seria revolucionário nos dias de hoje?

Os dois ganhariam, sem medo de errar. O brasileiro não suporta mais político que age como candidato, estão buscando estadistas. Quem ocupar esse papel ganha o eleitorado.

Como São Francisco de Assis, “onde houver ódio que eu leve o amor”, e “ onde houver dúvidas que eu leve a fé”?

É basicamente um discurso de identidade. Por que o papa Francisco tem essa popularidade? Os políticos deveriam se inspirar na postura dele, de redução de desigualdade e defesa dos mais pobres. É o que o Brasil quer.

Mas e essas teses sobre fim de Bolsa Família, o discurso pela meritocracia, está restrito a um grupo pequeno, ainda que barulhento?

Toda vez que os movimentos de protesto de rua defendem meritocracia sem levar em conta a diferença de oportunidades, tratando pobre como vagabundo, defendendo Estado mínimo, ou quando alguém usa meme na internet, com adesivo ofensivo com a Dilma de pernas abertas, eles perdem. Quando eles dizem que o imposto dele paga o BF não está certo. Quem paga mais imposto, proporcionalmente, é a classe baixa. A elite tem dificuldade de entender, tanto no Brasil, como na América Latina, que houve melhora, com projetos de redução de desigualdade. E radicalizações de discurso não são positivos. A classe C não racionaliza o ganho de oportunidade. Ela só sabe que ganhou algumas coisas nos últimos anos, que teve oportunidades, que nunca antes imaginou em ter.

A ideia de um Estado que dá igualdade de direitos é um valor claro na cabeça do brasileiro?

O valor de defesa da igualdade de oportunidades está absolutamente claro para pelo menos dois terços do eleitorado brasileiro.

Ou seja, se o PMDB que está em evidência agora, com planos de lançar presidente. Se ele não oferecer isso, ele não se elege?

Se ele não oferece, mas os outros também não oferecem, talvez ele pode ter uma candidatura boa. Não depende só dele. Eleição é um jogo do que está sendo afetado. Agora que esse é um valor consagrado, é. Esse valor hoje é identificado com algum partido político? Não, nem com o PT.

Há um divórcio dos partidos?

A classe política não entendeu o recado de 2013. Empurrou esse não entendimento até hoje e agora tudo estourou. Qual é o recado número um? Minha régua de qualidade é outra, sou mais criterioso com o que espero do Estado. Mas o principal recado não foi esse. O principal recado foi a classe política não me representa. Os partidos políticos não me representam. Isso já refletia uma ausência de perspectiva. Isso parte de um entendimento de que o Lula, depois de anos e anos foi o primeiro político que conseguiu gerar identidade do povo. As pessoas gostavam e muitos gostam ainda do presidente Lula por duas razões. Ele tinha um reason why concreto do governo dele, então ele fez coisas que efetivamente melhoraram a vida das pessoas. Se era conjuntura internacional, se eram ações próprias do governo é um longo debate, eu acho que eram as duas coisas. E tinha um fator emocional, que ‘ele veio de baixo, ele sabe o que eu sofro, ninguém me entende como ele me entende’. E tudo isso foi elevado à vigésima potência em 2010 com a economia bombando e com maior índice de popularidade do Lula. As pessoas foram perdendo essas referências. 2013 estourou e nenhum partido político fez um conjunto de ações para trazer essas pessoas a voltarem a gostar da política organizada. Para mostrar que o Estado estava a serviço do cidadão. Na prática, isso foi o que levou ao Fla-Flu político. Ninguém acredita que os políticos que apoiam o impeachment da presidente Dilma o querem para melhorar a vida do povo.

Por isso não há identidade com as manifestações deste ano?

As manifestações de 2013 tinham a ver com discussões do cotidiano. E estas estão mais com uma coisa de disputa eleitoral, mais com o Fla Flu político. Não entendem como uma manifestação pode ser no domingo, e não em dia de semana como ele já viu. E não entende gente de classe média levando a babá, ter ‘camarote’ na passeata. Então não tem um lastro com a vida real das pessoas.

Não se pode dizer que as manifestações atuais representam o Brasil?

Representam os 20% mais ricos. Isso não quer dizer que o restante do Brasil esteja satisfeito. Mas os decepcionados são em número maior dos que radicalmente oposicionistas. Quando as pesquisas perguntam: você apoia as manifestações? Todo mundo apoia, diz ‘sou a favor’. Mas isso não dura 30 segundos de reflexão. E aí na pesquisa qualitativa, eles não sabem quem entraria melhor, sem proposta de futuro.

Vamos supor que houvesse uma eleição agora. Se um sucessor de Dilma não entregar perspectiva de futuro, ele corre o risco de viver o mesmo inferno que ela?

Claramente. Para mim, o maior termômetro de qualquer crise é quando as coisas mudam numa velocidade tão rápida que o que discutimos hoje pode não valer na semana que vem. Se tivesse uma eleição hoje, vamos supor, se fosse aquele modelo o mais difícil de acontecer: Impeachment completo e novas eleições. A chance de um novo, de alguém desconhecido aparecer, é muito maior. O momento é esse. Com alguém em tese sem nenhum tipo de vínculo, de lastro. Tudo isso muda? Tudo isso muda, campanha é campanha. Agora, a pauta da oposição é o antipetismo. Mas não é antipetismo que ganha a eleição, é uma discussão de futuro.

O que os analistas políticos repetem é que o objetivo central é matar o mito Lula. Conseguiram?

Quem primeiro entendeu a força do Lula foi o ex-presidente Fernando Henrique. Se você pegar os os artigos que ele escreveu no início do ano, todos eram ‘é o Lula, é o Lula.’ Porrada na Dilma todo dia, e ele diz: “Vocês não estão entendendo, é o Lula”. O Lula tem força.

Mas perde ibope?

Claramente. A popularidade dele cai por conta dos ataques, mas cai também por ele não aparecer. Estão batendo em um jogador que está no banco. Objetivamente qual a última entrevista que o presidente Lula deu?

Agora, você disse que o Brasil só quer consenso mas o Lula entrou no jogo do Fla-Flu quando ele fica falando de rico contra pobre e começa a falar que os petistas estão sendo tratados como judeus, não?

Mantenho o que disse antes. Qualquer radicalização é ruim, inclusive a dele. A gente fez uma pesquisa no Data assim: o que você acha de um político que fala mal do outro? Ele está querendo esclarecer alguém disso? Pouquíssimo. Ele está querendo o lugar do outro político? 80% respondem que sim. Quando um político critica outro, ele pode até desgastar o seu adversário, mas não ganha nada. Pelo contrário. A sua rejeição aumenta.

Com qual liderança há vínculo emocional por parte do povo?

O único político com real lastro emocional com a população é o Luiz Inácio Lula da Silva.

Nem Aécio?

O Aécio tem para parte do eleitorado dele uma alternativa de mudança. Muito mais inflacionado pelo antipetismo do que uma identificação com ele. A pessoa que gera identificação ainda é o Lula. As pessoas comentam que nas últimas pesquisas o Lula tinha 30% de intenção de voto, quando ele sempre aparecia no topo. Eu digo: sem dar nenhuma entrevista em quase um ano, tomando porrada todo dia, ele ainda tem 30% dos votos. E por que as pessoas não gostam do Lula agora? Porque esse é o Lula raivoso e o que eles sentem saudade é do Lula paz e amor, de 2002, é do Lula que passa a mão na cabeça e fala 'vamos vencer, vai na minha, eu sei o que você está passando. Eu sei o que é passar fome, eu sei o que é dar o que seu filho está pedindo'. É desse Lula que as pessoas têm saudade.

O que o brasileiro médio pensa do Eduardo Cunha?

Não sabe quem é. Eles acham que é mais nessa confusão de políticos. Que ora ele faz alguma coisa que as pessoas defendem, a maioria da população defende, como a redução da maioridade penal, ora faz algo que eles não sabem direito o que significa..

E o Congresso como é visto?

É tudo igual. A mesma percepção que começou em 2013 e que a classe política não foi capaz de mudar, de que político é tudo igual. Isso é tão sério, porque isso gera um vício de origem na critica política. Por que o tema corrupção hoje é mais importante do que foi na eleição? Ninguém fez essa pergunta né? Porque o tema da corrupção sai de um debate da sociedade civil, da opinião pública e da imprensa. Na eleição saía de outros candidatos. Quem são os outros candidatos? São políticos e se é político, é ladrão. Na opinião pública.

Você está mais para pessimista, realista ou otimista com o país?

Com o Brasil, otimista. Porque o povo é foda, transforma limão em limonada, não vai parar de comer o churrasco no domingo, o brasileiro quer sonhar. Ele sabe que esta não é a primeira nem a segunda crise que vai passar. Temos hoje uma população mais empoderada, mais escolarizada, que sabe seus direitos de cidadão, de consumidor. Escolaridade maior, sonha em ter o filho da universidade. Vai ser com dor, sofrimento, não vai ser fácil, mas o povo brasileiro é foda...

Carla Jiménez
No El País
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As vítimas do HSBC


Humilhação, controle, assédio moral, terrorismo psicológico e ameaças de demissão não podem ser método de gestão de uma empresa. O movimento “as vítimas do HSBC” é para todos os que são, de alguma forma, vítimas do sistema bancário.



O movimento promete histórias impressionantes contadas por vítimas do HSBC. Uma contribuição destes profissionais para que modelo de opressão e assédio moral seja interrompido.

Você sabia que 62% das pessoas demitidas do HSBC por problemas de saúde eram mulheres? E que elas representam 59% dos empregados que sofreram danos morais pelo banco?

A pesquisa realizada durante dois anos pelo Instituto Defesa Da Classe Trabalhadora mostrou que, além de utilizar métodos de gestão assediosos, o banco tem uma veia machista, com diferenças bem claras no tratamento destinado a homens e a mulheres. Elas também são as que recebem maiores cargas de estresse. Parece gestão de pessoas, mas é humilhação e machismo.

Veja a pesquisa completa em: http://vitimasdohsbc.com.br/

Conheça o movimento e ajude-os compartilhando, comentando, interagindo e influenciando. Curta o Facebook: https://www.facebook.com/vitimasdohsbc

Este é o primeiro de uma série de relatos cedidos ao movimento Vítimas do HSBC por profissionais que concordaram em dividir a angústia e sofrimento que viveram no trabalho, submetidos a um método de gestão que tem deixado milhares de pessoas doentes. Dar voz às histórias é uma forma de tentar mudar esta realidade.Veja o primeiro depoimento:



No Blog do Tarso
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Mais do que abandonar golpe, Globo rifou Cunha


O assunto mais comentado do fim de semana foi a sinalização da Globo de que apoiará a permanência da presidente Dilma Rousseff até o fim do seu mandato. O recado, que já havia sido passado em editoriais recentes do jornal O Globo, foi confirmado por João Roberto Marinho, um dos sócios da emissora, em encontro com senadores petistas (leia mais aqui e confira também a análise do jornalista Lelê Teles).

Mais do que simplesmente abandonar o golpe, a Globo fez outra sinalização importante. Em editorial publicado pela revista Época neste fim de semana, chamado "Piquenique à beira do vulcão", a Globo bateu duramente no presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

"Sob o comando do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, os deputados continuam a brincar de piquenique à beira do vulcão. Ignoraram as recomendações de prudência e aprovaram, em primeiro turno, a PEC 443, que vincula os salários da Advocacia-Geral da União, delegados civis e federais à remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Se a PEC 443 for aprovada pelo Congresso, cria-se mais uma despesa adicional de R$ 2,4 bilhões por ano", diz o editorial da Globo. "O país espera que as lideranças do Senado Federal sejam mais responsáveis e atuem para desarmar as bombas que a Câmara deixou no caminho".

Cunha sentiu o baque e, na noite de ontem, foi ao Twitter para se defender de ser o responsável pela implosão das contas públicas, como estratégia de vingança contra a presidente Dilma Rousseff. "A tentativa de alguns de me colocar como vilão das contas públicas por retaliação ao governo não tem amparo na realidade dos fatos", disse ele.

Nos próximos dias, Cunha deverá ser denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Só depois da nova lista de Janot, a presidente Dilma fará sua reforma ministerial. Em outro editorial do Globo, a família Marinho defendeu que o Congresso dê a Dilma condições de 'governabilidade'.

No 247
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Dilma em São Luiz contra o 'vale-tudo' e 'quanto pior, melhor'


No Maranhão, onde entregou unidades do Minha Casa, Minha Vida, presidente disse que vai repudiar o "vale-tudo" contra quaisquer governos, reforçou que o Brasil "passa por um momento de dificuldades", mas que ele "vai passar e vai passar rápido"; "Estamos numa travessia", discursou; em um recado à oposição, Dilma Rousseff defendeu que o País "precisa de estabilidade para fazer essa travessia"; "O Brasil precisa muito, mais do que nunca, que as pessoas pensem primeiro nele, Brasil, e só depois em seus partidos e projetos pessoais. Como dentro de casa, não adianta um ficar brigando com o outro, porque não resolve a situação. Ninguém que pensa no Brasil, no povo brasileiro, deve aceitar a teoria de que 'eu não gosto do governo, então eu vou enfraquecê-lo'. Essa é a teoria do 'quanto pior, melhor'. Melhor para quem?", questionou; governador Flávio Dino (PCdoB) ressaltou que o "povo valente" do Maranhão "vai defender o mandato da nossa presidenta"


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A coisa mais intrigante do encontro do dono da Globo com senadores do PT

Realidade paralela?
Uma coisa me intrigou nas palavras de João Roberto Marinho aos senadores do PT num encontro confidencial noticiado pelo DCM.

É quando ele manifesta surpresa quando ouve que a cobertura das Organizações Globo é brutalmente desequilibrada contra o governo.

João, como é conhecido na Globo, é um sujeito afável, um bom ouvidor, como pude testemunhar nos anos em que trabalhei na casa.

Sabe reconhecer seus limites, o que é uma virtude. “Comecei no jornalismo, mas logo me dei conta de que não tinha talento”, me disse ele uma vez. “Fui para a área administrativa.”

É uma coisa rara este tipo de admissão.

Roberto Civita, perto de quem trabalhei anos, jamais reconheceu sua limitação como editor, com efeitos catastróficos para a Veja e para a Abril.

João comanda a área editorial da Globo, e é quem faz a ponte com políticos e empresários.

Ele passa a opinião da casa em reuniões semanais no prédio da Globo no Jardim Botânico, no Rio.

Dela participam os chefes das diversas mídias da casa. Numa ata, distribuída posteriormente aos participantes, ficam registradas as diretrizes sobre os assuntos discutidos, em geral os mais complexos da cena política.

Merval e Kamel, cada qual dum lado da mesa em que os editores se reúnem, falam muito, mas quem decide e define tudo, com sua voz baixa e mansa, é João.

Tudo isso posto, e considerado que é um homem inteligente, como João pode alegar surpresa diante da visão de uma Globo sem isenção nenhuma na cobertura política?

Palmério Dória, jornalista que produz máximas sagazes sobre a política e a mídia, arriscou uma resposta nas redes sociais.

João mostrou, segundo ele, que não vê, não lê e não ouve nada em sua empresa.

É uma boa tirada, mas não reflete a realidade.

A primeira coisa que ele lê, pela manhã, é o Globo. E depois segue na Globo, da CBN aos jornais televisivos. Certamente incorporou o G1 à sua rotina de leituras.

Isso quer dizer que ele está a par do conteúdo da Globo.

Como jamais me pareceu um cínico ou mentiroso, a hipótese que me ocorre é a de um descolamento da realidade.

Vi isso acontecer na Abril.

Em certas conversas sobre a Veja, Roberto Civita se defendia de minhas críticas falando de uma revista isenta que só existia na sua imaginação.

Em corporações como a Globo e a Abril, os donos correm o risco de se cercar de pessoas que dizem apenas o que eles querem ouvir.

Não consigo imaginar ninguém, nas reuniões de terças feiras, que fosse capaz de dizer: “João, acho que temos que equilibrar a nossa cobertura. Tamos batendo demais.”

Como, fora das empresas, os donos convivem com bajuladores, eles tendem a ouvir apenas louvações que os levam a ter uma ideia edulcorada do jornalismo praticado por seus editores.

Acredito que João de fato se surpreendeu com o diagnóstico negativo, pesadamente negativo, que ouviu dos senadores do PT.

Ele disse que iria transmitir as impressões imediatamente a seus comandados.

Pelo que soube, os resultados logo apareceram. Numa única edição do JN, me contam, foi dado espaço a Lula e Dilma.

Os editores da Globo não são bobos.

Aquela é uma empresa papista. O papa falou, acabou a discussão. Ou então você é simplesmente descartado. Perenes, ali, apenas os Marinhos.

Por isso, você deve esperar, daqui por diante, uma Globo que pelo menos fingirá alguma isenção.

Dado o descalabro dos últimos meses, será um avanço.

Paulo Nogueira
No DCM
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A hipocrisia dos Maus Médicos de Santa Catarina



Programa “Maus Médicos”: batem o ponto e vão embora

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O que acontece nos EUA com ‘revoltados online’ que ameaçam o presidente


Um cara nos EUA ameaçou o Obama no Facebook.

Disse que ia dar um tiro na cabeça de Obama, e perguntou se tinha gente querendo ajudá-lo.

Foi detido imediatamente.

Se desculpou, disse que era brincadeira, mas vai ficar 3 anos sob observação e confinamento.

Prestará serviços comunitários e fará palestras em escolas para dizer para os jovens que não postem coisas imbecis na internet.

Enquanto isso, no Brasil…


No DCM
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Candidato de Cristina Kirchner vence prévias nacionais na Argentina


O candidato governista, Daniel Scioli, venceu neste domingo (9) as prévias nacionais para definir quem pode suceder a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, que, em dezembro, conclui seu segundo e ultimo mandato. Dos 15 postulantes ao cargo, ele foi o mais votado — mas não obteve votos suficientes para assegurar a vitória no primeiro turno, no próximo dia 25 de outubro. Ele teria que enfrentar o segundo colocado, o empresário Maurício Macri — favorito da oposição — no segundo turno, dia 22 de novembro.

Com 72,76% dos votos apurados, Scioli — candidato único da Frente para a Vitória (FPV) — obteve 37,34% dos votos. Ele precisaria de 45% para ganhar no primeiro turno — ou 40% e uma diferença de dez pontos porcentuais em relação ao segundo colocado.

A coalizão de Macri, Cambiemos, obteve 30,99% dos votos. Em terceiro lugar, com 20,83%, ficou a Una — agrupação politica de Sérgio Massa, que era kirchnerista, antes de passar para a oposição. “Esses resultados podem mudar até as eleições, daqui a dois meses e meio”, disse o analista político Rosendo Fraga. Mas por serem nacionais, simultâneas e obrigatórias, as prévias na Argentina são um retrato da realidade porque todos os eleitores tiveram que ir às urnas escolher um candidato”.

Antes mesmo de saber os resultados finais, os três mais votados comemoraram a vitória. Scioli — ex-piloto de lancha e atual governador da província de Buenos Aires (a maior e mais rica da Argentina) — comemorou o fato de ter sido o mais votado e agradeceu o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e sua viúva e sucessora Cristina Kirchner.

Macri, que é prefeito da cidade da cidade de Buenos Aires (reduto da oposição), comemorou o fato de que teria votos suficientes para disputar um segundo turno com Scioli. Nesse caso, a eleição seria polarizada, entre os que estão a favor e contra o governo. Ha 12 anos, a presidência da Argentina é ocupada pelo casal Kirchner.

Sergio Massa — que tentou fazer uma aliança com Macri e não conseguiu — comemorou o fato de que será o fiel da balança. Se houver segundo turno, os votos dele serão fundamentais para Scioli e Macri.

As prévias ocorreram em meio a um forte temporal na província de Buenos Aires, que reúne um terço dos 32 milhões de eleitores. A apuração foi demorada porque o mau tempo também atrasou a votação — algumas mesas tiveram que ser mudadas por causa das inundações.

Monica Yanakiew
No EBC
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Por que odiar o PT

A primeira vez que me deparei com uma urna eletrônica foi para votar no Lula. E Lula se elegeu, depois de três tentativas malfadadas. Lágrimas grossas escorriam pelo meu rosto: com a prepotência característica dos 16 anos, tive a certeza de que era o meu voto que tinha feito toda a diferença.

A rua estava cheia de pessoas da minha idade que tinham essa mesma certeza. O Brasil tinha acabado de ganhar uma Copa do Mundo, mas a euforia agora era ainda maior: foi a gente que fez o gol da virada. Parecia que o Brasil tinha jeito, e o jeito era a gente — essa gente que nasceu de 1982 a 1986 e votava agora pela primeira vez.

Acabaram-se os problemas do Brasil — a gente chegou. Lembro das ruas cheias, das bandeiras do PT, lembro de abraçar desconhecidos na Cinelândia — Lula lá, brilha uma estrela.

Logo vi que não era o meu voto que tinha feito o Lula se eleger, nem o dos meus amigos, nem o da minha geração. Quem elegeu o Lula — isso logo ficou claro — foi o José Alencar, os Sarney, o Garotinho, foi aquela Carta aos Brasileiros e a promessa de que o Lulinha era Paz, Amor e Continuidade. Sobretudo continuidade.

Lula só alugou esse apartamento por quatro anos porque assinou um contrato de locação onde prometia entregar o imóvel i-gual-zi-nho. E Lula, por quatro anos, foi um inquilino dos sonhos — tanto é que renovou o contrato e ainda foi fiador da locatária seguinte. Fizeram algumas mudanças — as empregadas passaram a ganhar mais —, mas não fizeram o mais importante: uma desratização. Muito pelo contrário: os ratos de sempre fizeram a festa.

Caros amigos que odeiam o PT: podem ter certeza de que odeio o PT tanto quanto vocês — mas por razões diferentes. Odeio porque ele cumpriu a promessa de continuidade. Odeio porque ele não rompeu com os esquemas que o antecederam. Odeio por causa de Belo Monte e do total descompromisso com qualquer questão ambiental e indígena. Odeio porque nunca os bancos lucraram tanto. Odeio pela liberdade e pelos ministérios que ele deu ao PMDB. Odeio pelos incentivos à indústria automobilística e à indústria bélica. Odeio porque o Brasil hoje exporta armas para Iêmen, Paquistão, Israel e porque as revoltas do Oriente Médio foram sufocadas com armas brasileiras. Odeio porque acabaram de cortar 3/4 das bolsas da Capes.

O PT é indefensável — cavou esse abismo com seus pés. Mas assim como não fomos nós que elegemos Lula, engana-se quem vai às ruas e acha que está tirando Dilma do poder. Quem está movendo essa ação de despejo são os ratos que o PT não teve coragem de expulsar.

Gregório Duvivier
No fAlha
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Tribunal Criminoso da União

A aprovação relâmpago de contas presidenciais que dormitavam há anos no Parlamento, como reconhecido por todos, foi mais uma manobra regimental sob os auspícios de Eduardo Cunha. Faz parte do jogo de pressão do presidente da Câmara contra o Planalto. O motivo também é notório: o peemedebista tenta escapar de indiciamento após ser acusado de embolsar US$ 5 milhões em propinas.

A intenção manifesta é usar um provável parecer do Tribunal de Contas da União rejeitando as contas de Dilma Rousseff por "pedaladas fiscais". O TCU ainda vai bater o martelo. Cunha, de sua parte, conta com o relator Augusto Nardes para reprovar a administração Dilma. Bom soldado, Nardes bate continência e vai em frente.

Sem nenhum pudor, o relator empenha-se num périplo infatigável por todos os poderes. Nada a estranhar quando juízes, ministros do Supremo, procuradores, policiais e tantos outros alardeiam posições condenatórias pela mídia, em vez de falarem pelos autos. Os cínicos classificam esta afronta sistemática como prova de que as "instituições estão funcionando".

Mal percebem que todo crime deixa vestígios. Ao examinar de baciada contas pregressas de Itamar Franco, FHC e Lula, os parlamentares carimbaram um atestado de inocência da atual presidente. Reportagem da Folha publicada em 26 de abril comprova que as tais pedaladas vêm de longe, pelo menos desde o governo tucano. Nem os oposicionistas contestam. Logo, todas deveriam ser reprovadas a considerar um tratamento justo e isonômico.

Surpresa: com base no mesmo TCU, os parlamentares endossaram as contas de todos, com ressalvas "técnicas". Mas se as chamadas pedaladas são crime, por que aprovar o expediente em alguns governos e reprovar em outros? Do ponto de vista da Justiça, a manobra de Cunha equivale a um tiro no pé. Elaborada para emparedar Dilma, acabou por absolvê-la de fato — mesmo sem entrar no mérito de que os recursos financiaram programas sociais de interesse de milhões de brasileiros.

Já no âmbito da política, a manobra tem alvo certo. É parte de uma operação tão combinada quanto frenética para derrubar um governo eleito. Os motivos não importam. Variam a cada momento. Rejeição de contas, supostos delitos de campanha, pesquisas de opinião, Lava Jato, derrotas no Congresso — vale tudo e mais um pouco. Experimente perguntar a cardeais da oposição, pública ou privada, qual seu projeto de país além de se livrar do PT. As respostas esclarecem.

Aécio Neves, que prometeu ir para Harvard caso fosse derrotado em 2014, agora defende novas eleições. Talvez por saudade de ser rejeitado nas urnas outra vez. Geraldo Alckmin prefere deixar o barco seguir até 2018 para ganhar musculatura. FHC tergiversa, além de tentar limpar a própria biografia e cavar espaço na mídia para expor dotes professorais. Eduardo Cunha e sua bancada de acólitos só pensam em abafar as próprias mazelas. Já Temer, Renan e parte do PMDB esperam na moita para ver aonde o vento sopra.

E o governo? As opções estão na mesa. O Planalto pode continuar se dissolvendo no jogo político convencional e ampliar concessões ao fisiologismo rasteiro, aos barões da banca e ao grande capital — sempre em detrimento de programas de alcance popular. Ou então finalmente honrar compromissos assumidos com a maioria que o elegeu. Entre uma e outra alternativa, há inúmeras variantes. O importante é decidir de que lado a balança vai pesar.

Ricardo Melo
No fAlha
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