8 de ago de 2015

'Exército' anti-imperialista desmonta campanha da CNN contra a Venezuela


Um verdadeiro exército anti-imperialista, como o que chamou a construir o presidente da Bolívia, Evo Morales, na América Latina, mas neste caso nas redes sociais e com 140 caracteres, desmontou em poucas horas uma nova campanha contra a Venezuela da rede de televisão americana CNN em espanhol, chamado por muitos de CMM (Cadeia Mais Mentirosa).

A 'hashtag' #CNNmiente inundou o twitter com um contra-ataque de palavras de grande intensidade que obrigou a rede estadunidense a reconhecer, em um comunicado, o seu "erro", ao informar sobre um "surto de pilhagens em Maracay" que na realidade nunca ocorreu.

Da CMM lembra-se suas contínuas infâmias e manipulações sobre a realidade venezuelana e da Pátria Grande, sempre no centro dos ataques dessa emissora de televisão, e de seus veículos repetidores que a frustrada direita controla na região, e que usa como partidos políticos de oposição.

Ela foi acusada de prostituir a informação com suas mentiras constantes, além de conspirar contra governos legítimos e incentivar conflitos e guerras, como a sangrenta invasão do Iraque por Washington e seus aliados europeus.

O efetivo "Exército" anti-imperialista formado nas redes sociais denunciou como a CNN denigre presidentes progressistas e executivos da Pátria Grande e, ao contrário, elogiou o feroz ditador chileno Augusto Pinochet e faz mesmo com terroristas como Luis Posada Carriles, o chamado Bin Laden latinoamericano.

Eles enfatizaram que para a CMM e seus papagaios meios de comunicação na América Latina, "liberdade de imprensa" é a liberdade para enganar e atacar o povo.

Outras 'hashtags' como #CNNFueraDeLaPatriaGrande se repetiram na rede, onde essa cadeia financiada pelo Pentágono sofreu uma de suas maiores derrotas da história, ao ser exposta novamente a sua falta de objetividade e de profissionalismo.

A CMM voltou a fazer papel ridículo, como tem acontecido em entrevistas com vários presidentes latino-americanos, incluindo Rafael Correa do Equador e Evo Morales, da Bolívia.

Na verdade, o presidente boliviano fez um chamamento nesta sexta-feira para construir exércitos anti-imperialistas em Nuestra América para impedir as ações desestabilizadoras dos Estados Unidos da América desde o Rio Bravo até a Patagônia.

O chamado à unidade na esfera militar feito pelo batizado Grande Chefe Índio da Pátria Grande foi materializado pelos seguidores criadas nas últimas horas nas redes sociais, que demostraram que quando apertados, parafraseando o herói nacional cubano José Martí, os grandes impérios de comunicação pode ser derrotado e postos de joelhos.

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Governos latino-americanos enfrentam tentativas de golpes

Nos últimos meses, os governos latino-americanos têm sido alvo dos chamados "golpes suaves" promovidos pela direita nacional e internacional, que tentam derrubar as administrações dos líderes revolucionários e progressistas através de ações violentas nas ruas, greves, e guerra psicológica e econômica.

Os casos mais emblemáticos foram contra os governos de El Salvador, Brasil, Equador, Bolívia, Argentina e Venezuela, onde os governos legitimamente eleitos priorizam a felicidade e o bem-estar das pessoas sobre o capital; juntamente com uma forte defesa de sua soberania e autodeterminação.

Nesses países, setores da oposição têm o mesmo modus operandi, incluindo a promoção de campanhas de difamação, desinformação, medo; bem como denúncias de supostos atos de corrupção e violações dos direitos humanos.

Sob esses argumentos, aqueles que se opõem aos governos progressistas e revolucionários na região têm chamado manifestações de rua violentas, com as quais eles têm procurado desacreditar os esforços do governo, desestabilizar nações, justificar intervenções dos agentes externos e derrubar os chefes de estado.

De acordo com o cientista político americano Gene Sharp, o golpe suave tem cinco fases definidas: aquecer as ruas, fratura institucional, deslegitimação e desestabilização.

Normalmente, o golpe suave é executado como a única maneira de chegar ao poder, devido à falta ou ausência de apoio popular nas eleições.

Em informações listadas no site do jornal equatoriano El Telegrafo, o diretor do Centro Andino de Estudos Estratégicos, Mario Ramos também explicou que uma das principais ferramentas utilizadas são os meios de comunicação e redes sociais para alcançar as massas.

"É uma estratégia muito inteligente usar psicologia de massa, a mídia e as redes sociais, por isso é chamado suave, porque não é o golpe clássico", disse ele.

O último ataque orquestrado pela direita, na semana passada, na América Central, particularmente em El Salvador, onde os grupos de oposição realizaram um boicote do setor dos transportes para tentar criar o caos e promover um golpe de Estado contra o presidente legítimo, Salvador Sanchez Ceren.

No país da América Central, as quadrilhas criminosas forçaram os trabalhadores a paralisar suas unidades sob ameaça e assassinaram nove motoristas que não obedeceram às suas ordens.

No Equador, onde o governo do presidente Rafael Correa tem enfrentado a violência promovida pela direita contra a reforma da Lei de redistribuição da riqueza (direito sucessório) e ganhos extraordinários, mesmo quando o Governo anunciou a interrupção temporária da proposta, as hostilidades continuaram.

"Eles vão continuar tentando (desestabilizar), gerar violência e o pânico econômico, eles têm tentado todos esses meses", explicou o chefe de estado do Equador.

Na Bolívia, também, as tentativas pela direita para desestabilizar foram derrotadas no Departamento de Potosi, após a cessação da greve geral imposta pelo Comité de Potosi Civic (Comcipo), que durante um mês teve uma parada obrigatória na cidade boliviana.

Na Venezuela, a escalada da direita teve várias fases, como a guerra econômica, caracterizada pela especulação de preços e a escassez de alimentos básicos.

Em 12 de fevereiro, o presidente venezuelano Nicolas Maduro denunciou uma nova tentativa de golpe. O plano teria início após a publicação na imprensa de um manifesto apelando para um governo de transição.

No Anncol
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Aécio, 'arregão', irá à marcha golpista?





Sob o comando do cambaleante Aécio Neves, o PSDB decidiu utilizar a rede nacional de rádio e tevê para convocar as marchas golpistas de 16 de agosto. A iniciativa, porém, gerou bicadas no ninho. Os governadores da sigla, mais preocupados com a crise nos seus Estados, criticaram a teatral valentia do senador mineiro. As bravatas de Aécio Neves, que sofreu duas derrotas no ano passado — perdeu a disputa presidencial e foi escorraçado de Minas Gerais —, não unificam o tucanato. Elas também não convencem os fascistas mirins que exigem o impeachment de Dilma. Para eles, o cambaleante é um "arregão", que convoca protestos, mas não aparece — preferindo o aconchego do seu lar no Leblon.

A divisão no PSDB é explícita. Aécio Neves está desesperado. Ele sabe que será descartado em breve do ninho tucano e aposta todas as suas fichas no golpe imediato. Já Geraldo Alckmin, com o peso de São Paulo, sabe que dispõe de mais tempo político e prefere "sangrar" Dilma até 2018. No desespero, "Aécio Neves convocou reunião da executiva do partido, em Brasília, para alinhar o tom do discurso sobre impeachment da presidente e para discutir a participação da legenda nos protestos contra o governo agendados para o dia 16 de agosto. O partido tem sido bastante criticado pela hesitação quanto ao tema", relata a revista Época. O esforço, entretanto, não surtiu efeitos.

Os governadores Beto Richa (Paraná), Marconi Perillo (Goiás) e Geraldo Alckmin vieram a público para contestar o uso da rede nacional de rádio e televisão para apoiar as marchas pelo impeachment. O próprio FHC, mentor intelectual dos tucanos, também destoou da retórica raivosa ao afirmar, em entrevista a uma revista alemã, que "Dilma é uma pessoa honrada" e não está envolvida no esquema de corrupção da Petrobras. A reação deixou o "chefe" do PSDB ainda mais cambaleante e pendurado na brocha. Após convocar as marchas na TV, ele mesmo já dá sinais de recuo. "Aécio afirmou que 'possivelmente' irá aos atos. Disse, no entanto, que a sigla continua tratando com cautela temas como o impeachment", relata a Folha. Será que o arregão vai arregar novamente?

Altamiro Borges
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Minas se levanta contra qualquer tentativa de golpear o Estado Democrático de Direito


Minas se levanta em defesa do Brasil

Carta de lançamento da Frente Mineira pelo Brasil

Belo Horizonte 7 de agosto de 2015

Percebemos em curso a restauração e alinhamento de um campo neoliberal antipopular e antinacional, demarcado pelo Imperialismo e composto pela grande mídia, a oligarquia financeira, líderes políticos conservadores e setores do judiciário. Estes atacam os direitos sociais, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, à soberania nacional e orquestram pretextos artificiais para a interrupção da legalidade democrática. Aproveitam-se para isto do aprofundamento da crise econômica internacional e de erros cometidos por setores democráticos e populares, entre os quais aqueles cometidos pelo governo federal. A Frente Mineira pelo Brasil se posiciona convicta e firmemente contra qualquer tentativa de golpear o Estado Democrático de Direito.

O combate à corrupção é dever do Governo e de toda a sociedade, mas a operação Lava-Jato não pode manter sua descarada seletividade, ou deixará de cumprir a função de expor os desvios e promiscuidades estabelecidas entre o setor privado e o Estado. Nesse sentido a Frente Mineira pelo Brasil chama atenção para que no debate da reforma política seja privilegiado o debate do fim do financiamento privado de campanhas eleitorais.

No Congresso Nacional, o mais conservador e mais caro desde a abertura democrática, busca-se a aprovação de uma contrarreforma política, a redução da maioridade penal, a generalização da terceirização no trabalho e a alteração na Lei de Partilha do Pré-Sal, onde se sedimenta os planos de privatização da Pretobrás, a maior empresa do país.

Portanto, não há governabilidade ou pacto possível no terreno antipopular capitaneado por Eduardo Cunha!

O braço ideológico e mobilizador do bloco conservador, a grande mídia, cultiva o ódio entre o povo e dissemina o veneno a ser inoculado nas veias da Democracia. Com isso, prepara palco para a naturalização das pretensões das elites reacionárias e enfurecidas de retornarem ao poder central mesmo que para isso precisem arrastar o país para o fundo do poço. A desfaçatez com que foi tratado o ataque fascista ao Instituto Lula é sintomático da completa ausência de compromisso democrático desta grande mídia.

Barrar o golpismo, isolá-lo e derrota-lo é a missão urgente a ser enfrentada. Somente uma ampla unidade será capaz de realizá-la. A Frente Mineira pelo Brasil se coloca nesta trincheira.

Governabilidade popular

Nos últimos meses as organizações sociais do povo brasileiro deram uma poderosa demonstração de que há muita energia para resistir e superar o avanço conservador. As dezenas de atos e manifestações realizadas impediram que retrocessos maiores acontecessem. Essa resistência indica o caminho a ser perseguido no próximo período. O programa vitorioso em 2014 precisa ser resgatado.

Não é mais aceitável que 0,3% dos que declaram imposto de renda no Brasil detenham 22,7% da riqueza do país e que as grandes fortunas, heranças e o rentismo não sejam taxados, especialmente em um momento de crise internacional em que a conta é empurrada sobre a classe trabalhadora mundo afora.

A democracia brasileira é amordaçada pelo poder do dinheiro privado na definição das eleições e pelo monopólio dos meios de comunicação. As grandes cidades são estranguladas pela especulação imobiliária e pelos oligopólios do transporte público. O campo clama por uma reforma agrária popular. O extermínio dos jovens pobres e negros nas periferias é o retrato mais dramático da necessidade de construção de um vigoroso processo de lutas por avanços em direitos sociais, econômicos, cultuais e políticos.

O Brasil precisa construir um outro ciclo de desenvolvimento para atender as históricas e as novas demandas de seu povo. Este ciclo deve almejar em seu horizonte a realização de reformas democráticas e estruturais, ampliação de direitos sociais, uma política econômica marcada pela geração de emprego, distribuição de renda e fortalecimento da indústria nacional ao contrário da política de juros altos vigentes. Este ciclo somente se abrirá e será vindouro se for conduzido pela força social organizada de milhões de brasileiros.

Os mineiros conheceram, combateram e derrotaram o projeto conservador que pretende se restaurar no país. A reforma neoliberal do Estado batizada de Choque de Gestão e conduzida por Aécio Neves foi a responsável por colocar Minas na pior situação de sua história. A realidade ocultada por doze anos, mas amargada pelo povo mineiro, veio à luz: elevação da dívida pública, precarização do funcionalismo público e serviços públicos e fragilização da indústria, economia e empresas públicas. Sem falar das denúncias de corrupção sistematicamente blindadas pelo aparato conservador da grande mídia, Ministério Público, Tribunal de Contas e demais órgãos de controle.

A resposta do povo chegou nas eleições de 2014, o campo conservador perdeu em Minas nos dois turnos e foram exemplarmente derrotados no primeiro turno da eleição para o Governo Estadual. Conscientes de nossa responsabilidade nesse momento do país, novamente nos embandeiramos de esperança e ousamos enfrentar o conflito necessário.

A história de nosso país é a história da luta de seu povo. A herança maior de Minas para a construção da nação brasileira é o exemplo da luta do povo pela Liberdade. É com este espírito, alicerçado nos interesses e lutas do povo brasileiro, que nasce a Frente Mineira pelo Brasil.
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Por que ninguém foi ver o show de Lobão


Lobão já fez o seu número na campanha pelo impeachment. Esgotou o repertório, na política e na arte. Há décadas, canta a mesma música, com aquele refrão infantil — me chama, me chama —, e ultimamente decidiu compor modinhas de protesto contra o governo, depois de desistir de participar de passeatas.

Dizem que é um show fraco. Tanto que uma apresentação marcada para quarta-feira, no Teatro Feevale, em Novo Hamburgo, foi cancelada por falta de público, como admitiram os próprios organizadores.

Pouco mais de 50 pessoas teriam comprado ingresso. Lobão se negou a cantar para 50 pessoas. Pois deveria ter ido até o fim, em nome da fidelidade ao seu público, como fez o líder estudantil Kim Patroca Kataguiri.

No dia 24 de abril, no embalo dos protestos de rua, Kim organizou A Grande Marcha, que saiu de São Paulo em direção a Brasília. Ao final da procissão, estimulada por raposões da oposição, Dilma seria derrubada. Mais de 50 mil pessoas chegariam ao Planalto Central para tomar o poder. No dia 30 de maio, chegaram oito. Mas Kim foi até o final.

Lobão se recusou a cantar para meia centena. Não aprendeu com o menino Kim uma lição de humildade, que até os golpistas deveriam assimilar.

Outra coisa que Lobão não sabe é que não há arte de direita. Desde tempos medievais, construiu-se essa imagem de que artista independente é o que só fala mal do governo. É uma ideia consagrada pelo humor em geral como ícone da resistência aos déspotas.

Artistas que se dedicam a espinafrar governos são, de fato, os que produzem o melhor humor. Mas isso não significa "arte" de direita, que raramente funciona, no humor ou na música. A transgressão nunca será produto de reacionários. Não há no mundo um caso de humor direitoso de qualidade como o pretendido por Lobão e sua viola. Quem discordar deve apresentar provas.

Foi por isso que o público do Vale do Sinos se negou a ver Lobão. Muita gente deve querer o impeachment de Dilma, mesmo que sob a liderança de Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro (e dos outros que se escondem atrás do muro). Mas poucos se dispõem a ver um show fraco.

Lobão deveria saber que arte e política só funcionam à esquerda, com artistas panfletários e seus sucessos que todos conhecem. Alguns são geniais. Mas a direita pretendida como arte não funciona, nem em teatros, circos ou quermesses. O público sabe disso.

Moisés Mendes
No ZH
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Aécio, Lacerda opaco

A obsessão pelo poder é a mesma, o brilho é outro

Em matéria de oratória e refinamento literário, Aécio teria muito a aprender com o Corvo
Sob alto patrocínio do PSDB, a manifestação do dia 16 de agosto, marcada para acontecer em diversas cidades do País, marchará com aquele já conhecido leque difuso de objetivos. Que ninguém se surpreenda, portanto, com a velha inscrição no estandarte, onde se apela para o retorno da ditadura militar. O movimento, composto de cidadãos que transitam do conservadorismo ao reacionarismo, será sustentado, mais uma vez, por estratos sociais do topo da pirâmide de classes.

Caso os integrantes da base dessa pirâmide, formada por uma imensa maioria de pobres e remediados, passem nas imediações do movimento, vai ver tudo com certa perplexidade. Quem sois? Há diferenças marcantes entre o Brasil de cima e o Brasil de baixo. Ao contrário dos manifestantes, os passantes ocasionais não terão ódio nos olhos. Estarão mais preocupados com a crise econômica, para eles traduzida em inflação e desemprego, precedente à crise política forjada no oportunismo. Essa marcha será um marco. Lance importante para os objetivos presidenciais de Aécio Neves. A única chance dele é a queda de Dilma. Imediatamente.

Os movimentos sociais não se formam por combustão espontânea. Por isso ele, derrotado na eleição presidencial de 2014, tornou-se porta-voz político da marcha anunciada, parte do golpe contra Dilma camuflado pelo mecanismo do impeachment.

Nos últimos dias, na discussão desse tema teve sempre presente o senador Aécio Neves, como ocorreu no encontro realizado na casa do senador tucano Tasso Jereissati. “O clima era de conspiração”, revelou um dos presentes ao jornal O Globo, de 7 de agosto. Aécio estava lá. Quase tudo se assemelha a uma repetição farsante do movimento civil-militar de 1964 que depôs o presidente João Goulart.

Carlos Lacerda, governador do extinto estado da Guanabara, era a expressão máxima da oposição naquela época. Há uma grande distância no tempo. A distância, porém, não supera a presença da ambição pelo poder a qualquer preço, comum a Lacerda e a Aécio.

Aécio Neves acredita que um incêndio no País pode levá-lo à Presidência da República. Pós-golpe, Lacerda, candidato antecipado à eleição para presidente, marcada para 1965, pensava o mesmo e acabou cassado. Golpes e revoluções costumam engolir seus líderes. Há também diferenças entre a composição dos dois movimentos, distantes um do outro. Os militares, atuantes em 1964, estão nos quartéis. Como convém. No plano pessoal, existem também diferenças entre um e outro.

Lacerda era apelidado de “Corvo”. Alguém, se quiser, pode batizar Aécio de “Abutre”. Essa ave, como se sabe, sacia-se da carniça. Sobrevoa a vítima. Sangrar foi, até agora, o comportamento da oposição diante de um governo sufocado pela impopularidade. Assim, o Abutre prepara o ataque final. No plano pessoal, Lacerda emergiu como orador culto e brilhante. Aécio, ao contrário, é opaco e carece de maiores recursos intelectuais.

Aécio não irá à passeata. Acompanhará pela televisão. Vez por outra, olhará os passantes do alto da cobertura onde mora, nos limites do Leblon e Ipanema, bairros elegantes da zona sul carioca. Estará preocupado em medir o resultado da marcha. Ele não meditará sobre a fantasmagórica questão que assusta os golpistas no momento do golpe: “Sempre se sabe como começa, e nunca como termina”.

Maurício Dias
No CartaCapital
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Após longa agonia morre Manuel Contreras, emblemático criminoso da ditadura de Pinochet

Manuel Contreras Sepúlveda, considerado o pior criminoso na história do Chile, morreu sem cumprir 500 anos de prisão a que foi condenado em dezenas de julgamentos por violações dos direitos humanos, mas com o seu grau de general e sem ter se arrependido por seus crimes.

Contreras com 86 anos ao morrer, foi o homem mais temido do Chile nos primeiros anos da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), como chefe da Direção de Inteligência Nacional (DINA).

Esse órgão, que Contreras começou a organizar antes do golpe militar no qual Pinochet derrubou Salvador Allende, é responsável, de acordo com dados oficiais, da maioria dos 1.192 detentos desaparecidos no Chile durante esse período e de mais de 1.500 execuções por motivos políticos.

Contreras jamais reconheceu nada e quando as evidências deixavam claras a sua responsabilidade, culpava os outros, incluindo o próprio Pinochet, que em seus últimos anos acusava de ter enriquecido com o tráfico de drogas.

Ele também acusou Pinochet de ser o verdadeiro chefe da DINA, enquanto ele apenas seguia suas ordens.

Ele também culpou a CIA por crimes da DINA, incluindo alguns emblemáticos, como o assassinato do ex-chanceler Orlando Letelier em Washington em 1976, ou a do general Carlos Prats, antecessor de Pinochet no comando do Exército, morto em 1974 em Buenos Aires.

Contreras foi condenado no Chile sete anos de prisão pelo assassinato de Letelier e a dupla prisão perpétua pelo assassinato de Prats, que morreu junto com sua esposa, Sofia Cuthbert.

De acordo com Contreras, o autor material de ambos os assassinatos, foi o americano Michael Townley, que era na realidade um agente da CIA.

Formado pela Escola das Américas, onde os militares dos EUA treinavam oficiais latino-americanos em técnicas anti-subversivas, Manuel Contreras também foi um mestre da argúcia, das montagens e cortinas de fumaça para encobrir, disfarçar ou esconder os seus crimes.

Em 1975 idealizou a Operação Colombo para ocultar o desaparecimento de 119 presos políticos, que, com a ajuda da polícia secreta da Argentina e do Brasil, foram incluídos como membros do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), mortos em expurgos internos desse grupo.

A Operação Colombo, que no último 24 de julho completou 40 anos, foi um prefácio da Operação Condor, uma coordenação entre as ditaduras militares do Cone Sul para eliminar opositores, que Contreras também criou em 1975.

Esse plano foi proposto por Contreras a seus colegas da Argentina, Brasil, Paraguai, Bolívia e Uruguai, depois de visitar a sede da CIA nos Estados Unidos, como se afirma nos documentos desclassificados desse organismo.

Em várias ocasiões, a última em 2010, quando já estava na prisão, Contreras disse que estava orgulhoso de seu trabalho na DINA porque, em sua opinião, este trabalho salvou o Chile de uma ditadura marxista.

Seu distanciamento de Pinochet começou quando viu que este, ao deixar o cargo em 1990, afirmou que "o dia em que tocarem a um só dos meus homens, se acaba o Estado de Direito" não cumpriu com sua palavra e deixou-o à mercê dos tribunais.

Suas relações com os estadunidenses foram quebradas antes, em 1977, quando Washington pediu sua extradição — rejeitada pela justiça chilena — pelo assassinato de Orlando Letelier.

Nesse mesmo ano, Pinochet ordenou a dissolução da DINA, substituindo-a pela Agência Nacional de Inteligência (CNI), embora a mudança fosse meramente cosmética.

Forçado a se aposentar, Contreras primeiro criou uma empresa de segurança privada e, em seguida, mudou-se para uma aldeia rural de mil quilômetros de Santiago, até que a Justiça chilena o julgou e o condenou em 1995 pelo assassinato de Letelier.

Contreras morreu estando condenado no Chile a 516 anos, em 58 sentenças definitivas, por violações dos direitos humanos, mas faltou a revisão da Suprema Corte de outros seis processos que totalizavam mais 69 anos de prisão e 27 processos em primeira instância, com mais 339 anos atrás das grades.

Em 1995, a Justiça italiana o condenou à revelia a 14 anos de prisão como autor indutor da tentativa de assassinato contra o ex-vice-presidente do Chile, Bernardo Leighton e sua esposa, Anita Fresno, em Roma em 1975.

Manuel Contreras morreu em uma cama de hospital, onde estava desde setembro de 2014, por causa de suas várias doenças, enquanto a opinião pública pensava que ele estivesse na prisão militar de Punta Peuco, juntamente com cerca de uma centena de outros violadores dos direitos humanos.

No CubaDebate



Chilenos vão às ruas comemorar a morte de general de Pinochet


Chilenos foram às ruas de Santiago e comemoraram a morte do general Manuel Contreras, um dos principais repressores da ditadura de Augusto Pinochet (1973-90). Condenado a mais de 500 anos de prisão, ele morreu nesta sexta-feira (7) no Hospital Militar de Santiago, após enfrentar câncer no cólon, hipertensão e diabetes.

O estado do militar de 86 anos e ex-chefe da temível Direção de Inteligência Nacional (Dina), a polícia secreta de Pinochet, tinha se agravado nas últimas semanas, quando tinham suspendido todos os tratamentos e, a partir de então, só davam a ele paliativos para a dor, de acordo com relatos. Em razão do diabetes, que tinha afetado seus rins, Contreras fazia diálise três vezes por semana.
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Boechat: "A grande bandidagem está no Congresso"


O jornalista afirma que colocar Dilma Rousseff em rede nacional, diante do momento político atual, é pedir por um "panelaço". Sobre as tentativas de tentar tirar a presidente do poder, Boechat aconselhou que Dilma tem que "parar de dar conversa a estes vagabundos do Congresso Nacional e governar".

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'Bancada do retrocesso' recebeu mais de R$ R$ 280 milhões de empresas para campanhas eleitorais

Juntos, parlamentares do PSDB, PP, PMDB, PR e DEM abocanharam 75% do montante, ou seja, cerca de R$ 210 milhões; os cinco partidos tem 129 parlamentares fiéis a Cunha nas votações da Câmara.

Formada por parlamentares fiéis ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a "Bancada do Retrocesso" recebeu mais de R$ 280 milhões de empresas privadas para financiamento da disputa eleitoral de 2014. Levando-se em conta apenas os parlamentares mais próximos ao presidente da Câmara, PSDB, PP, PMDB, PR e DEM, juntos, abocanharam 75% do montante, ou seja, cerca de R$ 210 milhões. Os cinco partidos tem 129 deputados fiéis a Cunha nas votações da Casa.

Entre as principais bandeiras da bancada está, justamente, o apoio ao financiamento empresarial de campanhas proposto na PEC 182/07, que foi aprovada na Câmara, em maio, por 330 votos a favor, 141 votos contra e uma abstenção. O projeto foi aprovado através de uma “manobra”, sendo posto novamente em votação após ter sido derrotado no dia anterior.

Mais da metade dos deputados que votaram a favor da proposta — 213 — fazem parte da bancada do retrocesso, que reúne os partidos que tiveram ao menos um deputado que apoiou Eduardo Cunha nas três votações mais polêmicas que passaram pela Câmara em 2015: financiamento de campanha, terceirizações e maioridade penal.

Além do PSDB, PP, PMDB, PR e DEM — que receberam os maiores financiamentos — as legendas que têm parlamentares que seguem a agenda de Cunha são: PSD, PSB, PTB, SD, PRB, PSC, PT do B, PHS, PSDC, PRP, PEN, PDT, PTN e PMN.

Opinião popular

A aprovação da PEC foi considerada uma manobra de Cunha já que, no dia anterior, a mesma havia sido rejeitada no Plenário. O caso agora encontra-se no Supremo Tribunal Federal (STF) que, a pedido de 200 juristas, advogados, conselheiros e ex-presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), analisa o arquivamento da PEC.

A aprovação do financiamento também parece ir na contramão da vontade da maioria dos brasileiros. Publicada na segunda-feira (3), pelo Instituto Datafolha, uma pesquisa apontou que 74% dos brasileiros são contra o financiamento de campanha por empresas privadas. Segundo o mesmo levantamento, 79% dos entrevistados acreditam que as doações de empresas estimulam a corrupção.

Arrecadação

A corrida e comprometimento de Cunha pela aprovação do financiamento empresarial também se explica pelo fato de que ele é um dos políticos com maior capacidade de arrecadação para campanhas.

De acordo com a ONG Transparência Brasil, ele declarou ter recebido aproximadamente R$ 3,4 milhões em 2010 para sua campanha a deputado federal, excluído o valor que ele deu a sua própria campanha. Desse total, 97,7% — R$ 3,3 milhões — foram doados por empresas. No último pleito, o montante praticamente dobrou e ele gastou mais de 6 milhões de reais para se eleger, de acordo com o que declarou para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


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Caparaó


Caparaó é um documentário lançado em 2007 e dirigido por Flávio Frederico que aborda uma instância da resistência a ditadura militar no Brasil que não ganhou muita atenção em termos de memória, que são as tentativas de guerrilha rural. O caso específico da guerrilha que remete a vários tipos de discussões de construção de memória.

Ao mesmo tempo em que a produção em si do cineasta Flávio Frederico, o fato de ser feita em formato de documentário; a maneira como entrepõe os depoimentos e fotos da época; a trilha sonora enquanto meio de se direcionar o olhar e outros aspectos técnicos nos permite pensar sobre a perspectiva em que Flávio interage com Caparaó, e forma a memória subjetiva do evento que nos é passada, os depoimentos permitem nos colocar em uma posição de identificação da memória que os guerrilheiros faziam de si mesmos enquanto parte do seu presente, e que presente é esse que identificam (durante o filme, afirmam que participavam de uma continuidade política que vinha antes do golpe de 64, e que tinha relações com movimentos sociais externos, como no caso a revolução cubana).

Título original: Caparaó
Lançamento: 2007 (Brasil)
Direção: Flavio Frederico
Roteiro: Flavio Frederico
Gênero: Documentário
Duração: 77 min
Tipo: Longa-metragem

Elenco:
Amadeu Felipe da Luz Ferreira
Amaranto Jorge Rodrigues
Antonio Pereira Leite
Araquém Vaz Galvão
Avelino Bioen Capitani
Chiquinho Protázio


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Nada de ilusão


Nada de ilusão com a Globo nem com o Temer.

O que os motiva em primeiro lugar é: eles não podem fazer um golpe que pareça um golpe.

Em segundo lugar: Eduardo Cunha é mais problema que solução para os estrategas do golpismo, por isso se preciso removerão o cidadão, até para passar imagem de imparcialidade.

Em terceiro lugar: na hora do abate, o bom matador busca acalmar a vítima.

Assim, sem ilusões: a operação continua.

O que pode virar o jogo é nossa mobilização + mudança de linha do governo.

Valter Pomar
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Presidenta Dilma decide reconduzir Janot ao cargo de Procurador-Geral da República

A presidenta Dilma Rousseff decidiu, neste sábado (8), reconduzir o atual Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, para mais um mandato de dois anos à frente do Ministério Público Federal (MPF).

Janot foi o nome mais votado em eleição realizada entre os membros do MPF que resultou em uma lista tríplice encaminhada à presidenta.

Em nota, o Ministério da Justiça destacou a autonomia constitucional garantida à instituição.

Confira a íntegra:

A Presidenta da República, Dilma Rousseff, decidiu reconduzir ao cargo de Procurador-Geral da República o dr. Rodrigo Janot. A decisão foi informada ao próprio Procurador-Geral na manhã deste sábado (8), em reunião oficial no Palácio do Alvorada, realizada com a presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

A escolha da presidenta Dilma Rousseff acolhe, novamente, posicionamento da maioria dos membros do Ministério Público Federal, assegurando assim, de fato, a autonomia estabelecida na Constituição de 1988 a esta importante instituição da República.

Ministério da Justiça
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A Lava Jato e o Partido dos Trabalhadores

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=138

A novidade política da Lava Jato é a revelação de que o Partido dos Trabalhadores cedeu à tentação de patrocinar e se beneficiar das relações espúrias entre interesses de grupos privados e iniciativas públicas. Faz parte da história intestina de todas as sociedades acumulativas o vírus da predação, do suborno, do saque, da extorsão e da violência em busca de vantagens além dos méritos competitivos. O Império inglês foi assim construído, incluindo associações clandestinas com piratas e corsários, no século XVIII, e escândalos internos sem fim desde o XIX; a riqueza das cidades hanseáticas e italianas que financiaram os jardins artísticos do Renascimento, seus pintores, arquitetos e escultores, essa riqueza foi obtida mediante fraude e corrupção de bandidos inescrupulosos e violentos, organizados em poderosas companhias de negócios. A grande arte flamenga e espanhola é rebento da generosa dissipação de recursos de ladrões e assassinos em versão marqueteira de mecenas. O extraordinário progresso material norte-americano a partir de meados do XIX colocou na galeria cívica do país os “robber barons”, sabidos e consabidos corruptos, genocidas, paradigmas das administrações libertinas e extorsivas das grandes cidades contemporâneas como Chicago, Nova York, Los Angeles ou Kansas City, sempre com a cobertura midiática de campanhas moralizadoras. As fraudes eleitorais são discutidas tão abertamente quanto o financiamento de campanha e não é segredo que a vitória democrata de John Kennedy contra Richard Nixon nada teve de católica (acobertada pela patranha midiática de que Nixon perdeu por causa do último debate na televisão), com os Republicanos dando troco na roubalheira da Flórida que deu a vitória a Bush Junior sobre Al Gore. Tudo supervisionado pelas autoridades eleitorais. Ninguém chia, trata-se de assunto exclusivo entre eles: dos roubos econômicos aos roubos eleitorais. O vírus está lá, agora protegido nos portfólios do sistema financeiro mundial.

A história recente do Brasil não fica a dever. A começar pelas obras marcantes da ditadura, de onde brotaram progresso material, liquidação física dos opositores e mágicos milionários, de sucesso inexplicável. Da tolerância democrática de José Sarney restou a criminosa entrega da propriedade pública das comunicações a um prático monopólio de golpistas centenários, corruptor de jornalistas, escritores, artistas, políticos. O monopólio das comunicações é atualmente o único poder irresponsável no País, exercido com brutalidade e a ele se curvam os demais, inclusive o poder judiciário. Fonte de corrupção permanente, manteve como assunto inter pares os escândalos financeiros do governo Fenando Henrique Cardoso, as trapaças das privatizações e a meteórica transformação de bancários em banqueiros, tendo o BNDES como rampa de lançamento. Assim como guarda no porão do noticiário a ser mobilizado, caso necessário, os rastilhos da política tucana em Minas Gerais e em São Paulo. Todos, juízes, ministros, políticos, procuradores, cantores, atrizes, narradores de futebol, são todos terceirizados do Sistema Globo de Comunicação.

Nesse País, por surpreendentes acasos, todas as investigações envolvendo os companheiros da boa mesa, pecaram por vícios de origem e devidamente esquecidas. Menos a Lava Jato, que segue aparentemente de acordo com as rigorosas regras judiciais, de que dá testemunho o Ministro Teori Zavaski. Qual é a novidade?

A novidade não é o roubo nem as relações ilegítimas entre agentes privados e públicos. Todos os consultores, projetistas, jornalistas, escritórios de advocacia econômica, todos que fingem ultraje ao pudor sempre foram não só cientes como, no todo ou em parte, beneficiados pelo sistema virótico da sociedade acumulativa brasileira. Enriqueceram e vivem como parasitas do sistema nacional de corrupção. A novidade é que o Partido dos Trabalhadores entrou como sócio, apresentando como cacife os milhões de votos daqueles que nunca foram objeto de atenção. Candidatou-se ao suicídio.

A caça ao intruso foi imediata. A cada política em benefício dos miseráveis, mais se acentuava a perseguição ao novo jogador, insistindo em reclamar parte do botim tradicional da economia brasileira. A penetração do PT na associação das elites predadoras era encoberta pelo compromisso real de muitos de seus quadros com o destino dos carentes. E assim como os grandes capitães de indústria, pelo mundo a fora, os nossos também cobraram uma exploração extra, uma vantagem desmerecida, uma nova conta na Suiça em troca dos empregos criados, da produção aumentada, do salário menos vil. Mas assim também como os operadores tradicionais, os petistas se entregaram à sedução da sociedade acumulativa: o roubo com perspectiva de impunidade.

A Lava Jato revelou a tragédia da vitória do capitalismo sobre a liderança dos trabalhadores. Os grandes empresários e as grandes empresas, ao fim e ao cabo, vão se safar, com os acordos de leniência e as delações premiadas, reservas que fazem parte de suas mochilas de sobrevivência. Serão nossos “robber barons” do futuro. Não assim a destroçada elite petista, à qual não resta senão acrescentar o opróbrio da traição à vergonha da confissão.

A vítima ensanguentada dessa caçada é o eleitorado petista. Muito além dos militantes, todos aqueles que saudaram e apoiaram a trajetória de crescimento de um partido que, claramente, era o deles. Os que suportaram os preconceitos, que resistiram às pressões e difamações e que viam nas políticas sociais o cumprimento de promessas nunca realizadas. Esses estão hoje expostos à brutalidade dos reacionários e fascistas, ao escárnio, aos xingamentos e ofensas. O eleitorado petista não é criminoso, criminosos são os fascistas que os perseguem nas ruas, nos lugares públicos, sem que as autoridades responsáveis tenham a decência de garantir-lhes a inocência.

Presidente Dilma Rousseff: é de sua responsabilidade e de seu Ministro da Justiça sair desse palácio de burocratas e meliantes suspeitos e garantir, e fazer governadores e prefeitos garantirem, por atos enérgicos, a integridade física e moral dos milhões de brasileiros inocentes que acreditaram na sinceridade dos membros do seu Partido. Os ladrões estão no seu Partido, não entre os eleitores que a elegeram.
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Seis teses sobre a não interrupção do mandato de Dilma

Achei interessante essa análise que foi postada no Facebook por Tico Santa Cruz feita pelo professor de política Wilson Gomes.

Ainda que não abone tudo que o professor diz e ache que existem outros ingredientes no golpismo que ele não está vendo, tenho que reconhecer que ele pode estar certo para esse momento.

Não considero que as forças golpistas deixarão em paz o PT e o Governo, a não ser que esse mesmo Governo e o partido sejam mais coerentes com o projeto de governo que as bases que elegeram Dilma Rousseff e o PT defendem. Não há mais qualquer possibilidade do povo aceitar retrocesso no que foi construído até aqui.

Caso contrário, o que resta para o Governo é ser jogado definitivamente na cova dos leões e com isso jogar o projeto de transformação da sociedade na lata do lixo.

No mais, espero sinceramente que o segundo semestre traga mudanças no Governo e no país.

Há tanta gente falando ao mesmo tempo que Dilma Rousseff está quase caindo, por impeachment ou renúncia, e dessa vez com tanta angústia e verdade, que comecei a desconfiar de que sou o último tolo da tribo, vez que tudo isso me parece muito pouco provável. Depois que o PT apresentou um programa para dar recibo de que a queda da presidente está na pauta (ao menos na pauta dos “malvados”), a desconfiança de que estou me tornando o último dos céticos cresceu consideravelmente. O programa de ontem fez ainda mais: deu um nome ao mal-estar generalizado na política nacional desses dias, “crise política”, de modo que se o monstro agora tem nome, tem também direito a cidadania. Existe.

Depois, veio um dia de consumo de posts e links de redes sociais, e até de mensagens de respeitáveis colegas, expressando temor, uns, desejo, outros, de que o mandato de Dilma termine.

Bem, meus amigos, é importante deixar claro que os dois argumentos sobre a iminente queda de Dilma Rousseff, antes que previsões políticas consistentes, são instrumentos a ser usados no jogo político. Os argumentos (1) “a renúncia da presidente é o único meio para que o país supere a crise política” e (2) “por menos que isso, Collor sofreu impeachment” estão no mercado de ideias e de sensações públicas como recurso para produzir, reforçar e aguçar o sentimento de que o governo do PT está esgotado, perdeu a condição moral para a sua continuidade, de que o país precisa que a presidente se retire. É claro quem ganha e quem perde quando estes argumentos prosperam, não? Se isso preocupa a todos e concentra um montante tão significativo de atenção pública, então o recurso foi usado com eficiência. Talvez você não saiba, mas se você se preocupa com isso, então o argumento lhe tem justamente onde ele desejou. Você, então, passa a decifrar, em toda parte, indícios de que isso é a mais pura verdade — da sonora de Temer à frase enigmática da Folha de S. Paulo, tudo demonstra que Dilma, como muitos antes dela, poderá não sobreviver ao temível mês de agosto.

Diante disso, compartilho aqui alguns elementos que me fazem, teimosamente, apostar contra a corrente.

1) A analogia com a situação de Collor não se sustenta, por várias razões políticas. Quando a Câmara decidiu aceitar a abertura do processo de impeachment contra ele, em 1992, Collor já era um cachorro morto, defendido apenas, e às cotoveladas, pelo seu pelotão de choque (Claudio Humberto e Renan Calheiros), desprezado por tudo e por todos. Dilma tem um partido com uma bancada consistente, nas duas Casas, que certamente não vai entregar sua cabeça, numa bandeja, nas mãos de Cunha, Aécio e Caiado. Collor era um sem partido. Já o PT, além de ser um partido orgânico, e não uma legenda montada para disputar eleições, não sobrevive se Dilma cair, não pode entregar a cabeça para salvar o corpo. Para o partido, sacrificar Dilma seria imolar-se no altar dos seus inimigos. Não faz sentido.

2) Já está mais que provado que a “base de Cunha” é maior, mais esperta e mais eficaz do que a base do governo, embora Eduardo Cunha se tenha feito deputado pela vontade de apenas 233 mil brasileiros, contra os 54,5 milhões de votos de Dilma Rousseff. Mas já é claro também que a agenda de Cunha tem apenas uma “pars destruens”, um projeto de ataque. Cunha e os cunhistas não distinguem Estado e Governo, não lhes incomoda ferir gravemente o Estado desde que o governo também sangre. Quem diz isso não sou eu, é The Economist. Literalmente, acho que é claro para todo mundo que Cunha está atirando nos joelhos do país, na esperança de ver o governo cair. Ora, por esta razão a elite brasileira não pode ser cunhista: Cunha é péssimo para os negócios, Cunha desrespeita e viola instituições, Cunha é bruto. O cunhismo não é uma alternativa que se possa abraçar. Nem menciono Aécio pois, ao contrário do que ele parece acreditar, não há hipótese de que ele seja beneficiário de uma eventual interrupção do mandato de Dilma. A não ser que Temer fosse um parvo e Cunha, um cordeirinho.

3) O mandato de Dilma Rousseff (não ela, o mandato) será defendido energicamente até pelos que não são petistas ou não simpatizam com a atual administração. O fato de os antipetistas estarem gritando mais alto, não quer dizer que os que estão em silêncio gostem deles ou os apoiem em todas suas aspirações. A hipótese do impeachment só poderá ser apresentada, sem provocar convulsão social, se houver provas claras, irrefutáveis, de crime cometido pela mandatária. Claro, Dilma poderia renunciar, mas para ela cometer suicídio político (além de sacrificar o seu próprio partido) seria preciso haver uma unanimidade política, intelectual, moral e de opinião pública a respeito da sua incapacidade de governar que está muito longe de ser obtido. Mais importante que os petistas para defender o mandato de Dilma, neste momento, são os “constitucionalistas”, os que defenderão até o fim as instituições da democracia liberal.

4) Não havendo um consistente consenso social (repito: político, intelectual, moral) sobre o fato de que Dilma Rousseff deve ir embora, retirá-la do poder, mesmo que fosse por um impeachment paraguaio (inteiramente político), seria provocar um inevitável estado de convulsão social. Petistas e constitucionalistas estariam unidos, num grande front moral, para defender a sacralidade do mandato popular, o estado democrático de direito tão arduamente conquistado, as instituições da democracia liberal. Os antipetistas aprenderam no ano passado a ocupar ruas, o sindicalismo, o petismo e os movimentos sociais têm anos de experiência. Estamos prontos para um estado de “guerra civil” no país? Quem é tão estúpido ao ponto de não querer evitar isso? Além disso, o Brasil é um país muito bem vertebrado institucionalmente e não um molusco político qualquer que pode ser movido para cá ou para lá por líderes carismáticos e suas multidões de seguidores. A desinstitucionalização do Estado, para satisfazer apetites e insatisfações políticas, mereceria o repúdio até dos mais conservadores membros do establishment estatal.

5) Mesmo que os antipetistas ocupem as ruas, e que, digamos, alcancem uma escala demográfica como a de 2013, isso não lhes dá o direito de governar. Ao que eu saiba, ainda não trocamos a democracia por uma plethocracia (governo de multidões)? Aliás, historicamente a democracia ateniense foi inventada para que as multidões parassem de derrubar e empossar déspotas e tiranos. Sei que esse argumento magoa muito os populistas de esquerda (e, a partir de agora, os populistas de direita), mas a democracia não é um sistema em que a vontade a ser considerada é a expressa no berro e no muque. Isso é adolescência, democracia é outra coisa.

6) Faltam apenas três anos para a próxima eleição. Só um milagre eleitoral para evitar que outra força política tome, legitimamente, a Presidência da República das mãos do PT. Por que, em sã consciência, alguém que pode ganhar e levar fácil uma eleição em três anos, iria se arriscar agora a criar tanto transtorno às instituições políticas do país só para impedir que uma presidente termine o seu mandato? Quem quer chegar à campanha eleitoral de 2018 como regicida (kingslayer?), golpista, tiranete? E, mais ainda, que quem quer viver o resto da sua existência política sentindo na nuca o bafo dos inimigos sorrateiramente derrotados, perenemente à espreita de uma oportunidade de retribuição do mal?

No Ligia Deslandes
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Meia hora, meia realidade, meio jornalismo


Conta-se que, quando Orson Welles chegava a um país que desconhecia, comprava os principais jornais e ia direto para o noticiário policial. Dizia que assim entenderia melhor onde estava pisando. Se Orson Welles desembarcasse no Rio de Janeiro e comprasse o tabloide Meia Hora, não se sabe o que compreenderia dos títulos que mesclam informação, humor e uma dose suculenta de preconceito social, mas certamente recolheria um bom material para filmes de ficção.

O diário da empresa jornalística Ejesa, vinculada ao grupo editorial português Ongoing, vende 118 mil exemplares, em época de queda vertiginosa de circulação de impressos em todo o mundo. A tiragem é quatro vezes superior ao que foi até recentemente o principal jornal do grupo, O Dia. No início dos anos 1970, quando pertencia ao então governador do Estado da Guanabara, Chagas Freitas, O Dia ostentava a posição de diário de maior circulação do País, com tiragem de 300 mil exemplares.

Para desvendar o processo de edição do Meia Hora, o cineasta Angelo Defanti entrevistou a equipe de produção, os idealizadores, a filha do antigo proprietário e dois pesquisadores de Comunicação, os professores Muniz Sodré e Sylvia Moretzsohn. O resultado é o documentário Meia hora e as manchetes que viram manchete, de 78 minutos, que seleciona as principais capas, com os títulos mais polêmicos e suscita o debate sobre os jornais populares e seus truques para conquistar o leitor.

Os depoimentos da dupla de editores Humberto Tziolas e Henrique de Freitas — ambos jornalistas com origem de classe média e formados pela Universidade Federal Fluminense — dão a entender uma certa naturalidade na escolha das manchetes espalhafatosas, como se a sátira estivesse contida no mundo cão retratado pelo jornal. Assim, a morte de um ladrão, traficante ou estuprador ganharia contornos de alívio para a sociedade. Exaltam-se indiretamente os atos de extermínio no combate ao crime, mas apenas nos casos restritos a comunidades pobres. Em 2008, a declaração do comandante de batalhão de que a PM seria “o melhor inseticida social” inspirou a seguinte manchete: “Bopecida, O Inseticida da Polícia – Terrível contra os marginais”. Ao lado o desenho de um frasco com a sigla SBPM. Era como se a Polícia Militar assumisse o papel de dedetizar as favelas e livrá-las de vermes e insetos. Nenhuma palavra de questionamento à ação policial na execução sumária de suspeitos. Parecem ressuscitar a famosa frase dos tempos do Esquadrão da Morte, segundo a qual “bandido bom é bandido morto”.

Por outro lado, há que se reconhecer que este espírito armado não se restringe à ação policial, mas está presente no imaginário social em muitas comunidades. A ausência do Estado dá margem à presença das milícias e dos “vingadores”, que já elegeram prefeitos na Baixada Fluminense, deputados e vereadores na Zona Oeste.

O chamado crime do colarinho branco, os casos de corrupção de políticos e empresários, estes não merecem espaço no jornal popular. É como se existissem dois cenários do crime organizado, mas o Meia Hora só falasse do cotidiano próximo ao leitor. Implicitamente, fica a ideia de que a corrupção em grandes proporções faz parte de um universo inalcançável e, portanto, pouco relevante. O duplo sentido, o trocadilho e o deboche são aplicáveis apenas aos pobres. Mas os editores também estabelecem limites na hora de brincar com a morte. No dia seguinte a uma chacina na Baixada, a capa do jornal manda um recado: “Desculpe, leitor, hoje não tem piada”.

Um mérito do tabloide é estimular a leitura de publicações jornalísticas em um segmento que não possui o hábito de ler. Daí fotos enormes e manchetes gigantescas, sempre com texto curto, direto e vocabulário restrito. O jornal tem o cuidado de editar um pequeno glossário, com as palavras que considera difíceis para o leitor. O preço do exemplar — R$ 1,00 —, estampado em destaque no alto da capa, também exerce atração especial. Baseado no quadripé crime, celebridade, prestação de serviços e futebol, o Meia Hora se orgulha de não poupar nenhum clube. Tira sarro de todos os torcedores na derrota, embora os editores reconheçam que o Flamengo, pelo tamanho da torcida, mereça destaque maior. Assim, quando o atacante Adriano não foi convocado para a Copa do Mundo de 2010, o jornal fez a montagem de uma foto do jogador fazendo sinal para um ônibus que tinha como destino Copacabana. De outra vez, aproveitou a coincidência de datas de uma festa gay em Copacabana e a entrega das faixas de campeão ao Fluminense. As fotos e os dois títulos foram editados um acima do outro, como se compusessem um só evento. “Hoje é dia do orgulho gay” E logo abaixo: “Fluzão faz festa no Engenhão”.

Um dos destaques do jornal é a seção Gata da Hora, que traz diariamente a foto de uma jovem de biquíni ou nua, geralmente de costas. Os editores procuram selecionar mulheres que não se enquadrem no padrão estético das celebridades do cinema e das telenovelas. Escolhem moças atraentes que se identifiquem com o leitor. A ideia é criar um simulacro do cotidiano. Algo do tipo “esta aqui está ao meu alcance” ou “esta eu vejo todo dia uma igual na minha comunidade”. É como se a sensualidade abandonasse as telas e desembarcasse na porta de casa.

Mesmo com quase 1 hora e 20 minutos de duração, o filme de Ângelo Defanti consegue manter a atenção porque alterna depoimentos curtos e exibe capas que contextualizam as falas dos entrevistados. Uma de suas qualidades é a intervenção discreta do entrevistador na narrativa. A participação do diretor está na edição dos trechos selecionados em fundo neutro. O espectador é que deve tirar suas próprias conclusões, assim como o leitor de um bom jornal.

Pela disposição de manter um certo distanciamento crítico, Meia hora e as manchetes que viram manchete deve ser visto por profissionais e estudantes de Comunicação como ponto de partida do debate sobre o jornalismo que realizamos no Brasil, num momento de transformações avassaladoras na forma de produzir e consumir informação.

O documentário não aponta os criadores do Meia Hora. Ouve depoimentos de jornalistas, publicitários e a empresária Gigi de Carvalho, filha de Ary de Carvalho, o antigo dono do jornal. Todos dão entender que contribuíram para o nascimento do jornal. Mas não importa muito quem foi o pai da criança, porque a receita do jornal popular, com pitadas de sensacionalismo e exploração do grotesco, é ainda mais antiga que os filmes de Orson Welles.

Veja o trailler do documentario:



João Batista de Abreu
No OI
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A conta dos “passaralhos”


1.103 jornalistas foram demitidos no Brasil entre 2012 e agosto de 2015 segundo dados do monitoramento da mão de obra ocupada na imprensa nacional, realizado pelo projeto Volt Data Lab junto a 53 empresas de comunicação em todo o país.

É uma média de quase 35 profissionais sem emprego a cada mês. É também a maior onda de demissões registrada na história recente do jornalismo brasileiro, consequência direta da crise do modelo de negócios na imprensa nacional e também na do resto do mundo. O drástico enxugamento nas redações brasileiras pode ser observado nas ilustrações abaixo, produzidas pelo Volt Data Lab:

demissoes jornalistas 01
demissoes jornalistas 02.


O site Nieman Lab, especializado em estudos sobre jornalismo publicou recentemente um levantamento, publicado em nossa seção Curadoria de Notícias, revelando que 28.450 profissionais perderam o emprego nos Estados Unidos desde 2009.

Você pode acessar os dados de desemprego de cada uma das 53 organizações monitoradas pelo Volt Data Lab acessando a página A conta dos passaralhos.

No OI
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Dep. Paulo Pimenta mostra o 'modus operandi' dos demotucanos


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