7 de ago de 2015

Em editorial surpreendente, Globo pede sustentação ao governo Dilma

Em editorial surpreendente, Globo acusa PSDB de inconsequente e pede esforço pela governabilidade de Dilma. Também causou espanto a edição do Jornal Nacional desta sexta-feira. O que teria levado a família Marinho a cravar posição contra o impeachment da presidente e chamar de irresponsáveis os que querem tirá-la do cargo para o qual foi eleita até 2018?

O Jornal Nacional da noite desta sexta-feira causou estranheza: longa sonora favorável à Dilma, crítica à
Eduardo Cunha e matéria sobre o aeroporto de Claudio, de Aécio Neves
Em editorial publicado nesta sexta-feira (7), O Globo surpreendeu os observadores da política nacional e cravou posição contra o impeachment de Dilma Rousseff. O texto Manipulação do Congresso Ultrapassa Limites, que chama o PSDB de ‘inconsequente’, também faz críticas às ‘manipulações’ do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Também causou estranheza a edição do Jornal Nacional desta noite. O telejornal de maior audiência da televisão brasileira dedicou mais de 3 minutos veiculando sonoras de Dilma Rousseff rebatendo críticas durante um discurso e sendo aplaudida por populares.

Além disso, o jornal mostrou um protesto que reuniu centenas de manifestantes contra o ataque a bomba que atingiu o Instituto Lula na última semana.

Houve, ainda, matéria a respeito do aeroporto de Claudio, de Aécio Neves, e críticas ao suposto atropelo de Eduardo Cunha por colocar em votação a aprovação das contas dos ex-presidentes Itamar, FHC e Lula.



Leia abaixo trechos do editorial de O Globo:


“Há momentos nas crises que impõem a avaliação da importância do que está em jogo. Os fatos das últimas semanas e, em especial, de quarta-feira, com as evidências do desmoronamento da já fissurada base parlamentar do governo, indicam que se chegou a uma bifurcação: vale mais o destino de políticos proeminentes ou a estabilidade institucional do país?

Mesmo o mais ingênuo baixo-clero entende que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), age de forma assumida como oposição ao governo Dilma na tentativa de demonstrar força para escapar de ser denunciado ao Supremo, condenado e perder o mandato, por envolvimento nas traficâncias financeiras desvendadas pela Lava-Jato. Daí, trabalhar pela aprovação de “pautas-bomba”, destinadas a explodir o Orçamento e, em consequência, queira ou não, desestabilizar de vez a própria economia brasileira.

A Câmara retomou as votações na quarta, com mais uma aprovação irresponsável, da PEC 443, que vincula os salários da Advocacia-Geral da União, delegados civis e federais a 90,25% da remuneração dos ministros do Supremo. Espeta-se uma conta adicional de R$ 2,4 bilhões, por ano, nas costas do contribuinte. Reafirma-se a estratégia suicida de encurralar Dilma, por meio da explosão do Orçamento, e isso numa fase crítica de ajuste fiscal. É uma clássica marcha da insensatez.

[…]

Até há pouco, o presidente do Senado, o também peemedebista Renan Calheiros (AL), igualmente investigado na Lava-Jato, agia na mesma direção, sempre com o apoio jovial e inconsequente dos tucanos. Porém, na terça, antes de almoço com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, Renan declarou não ser governista, mas também não atuar como oposicionista, seguindo o presidente da Câmara, e descartou a aprovação desses projetos-bomba pelo Congresso. Um gesto de sensatez.

Se a conjuntura já é muito ruim, a situação piora com o deputado Eduardo Cunha manipulando com habilidade o Legislativo na sua guerra particular contra Dilma e petistas. Equivale ao uso de arma nuclear em briga de rua, e com a conivência de todos os partidos, inclusive os da oposição.

É preciso entender que a crise política, enquanto corrói a capacidade de governar do Planalto, turbina a crise econômica, por degradar as expectativas e paralisar o Executivo. Dessa forma, a nota de risco do Brasil irá mesmo para abaixo do “grau de investimento”, com todas as implicações previsíveis: redução de investimentos externos, diretos e para aplicações financeiras; portanto, maiores desvalorizações cambiais, cujo resultado será novo choque de inflação. Logo, a recessão tenderá a ser mais longa, bem como, em decorrência, o ciclo de desemprego e queda de renda.

Tudo isso deveria aproximar os políticos responsáveis de todos os partidos para dar condições de governabilidade ao Planalto.”

No Pragmatismo Político
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Impunidade tucana

MP pede arquivamento de investigação sobre aeroporto de Cláudio


Ministério Público falou que as obras não violam o princípio da impessoalidade e que havia uma demanda empresarial para a construção do Aeródromo; MPF também investiga obras

A investigação sobre as obras que ocorreram no aeroporto de Cláudio, que, antes da desapropriação, pertencia à família do senador Aécio Neves (PSDB), recebeu um pedido de arquivamento do Ministério Público de Minas Gerais. A informação foi divulgada pelo portal "G1".

Segundo o portal, os promotores Maria Elmira Evangelina do Amaral Dick, Fernanda Karan Monteiro, Tatiana Pereira e José Carlos Fernandes Júnior concluíram que não foram constatados superfaturamento no valor da obra e nem favorecimento à família do ex-governador.

O Ministério Público concluiu que as obras não violam o princípio da impessoalidade e que havia uma demanda empresarial para a construção do Aeródromo. Além disso, que o uso da pista sem homologação da Anac não configura um ato de improbidade administrativa.

O pedido de arquivamento foi enviado nesta sexta-feira (7) ao Conselho Superior do Ministério Público.

Relembre o caso

Erguido nas terras de Múcio Guimarães Tolentino, a 6 km do refúgio preferido de Aécio, a Fazenda da Mata, da família do senador tucano, o aeródromo custou R$ 14 milhões e foi feito no final do segundo mandato do tucano no governo mineiro.

O aeroporto, que operava sem homologação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), tinha uso privado. As chaves do local ficavam em poder dos familiares de Aécio, que precisavam ser consultados para liberar a utilização da pista.

Dono do terreno onde o aeroporto foi construído e da fazenda Santa Izabel, ao lado da pista, Múcio é irmão da avó de Aécio, Risoleta Tolentino Neves (1917-2003), que foi casada por 47 anos com Tancredo Neves (1910-1985).

Nos anos 1980, quando Múcio era prefeito de Cláudio e Tancredo o governador de Minas, uma pista de terra foi erguida no mesmo local. O terreno, que deveria ter sido repassado para a prefeitura de Cláudio, nunca saiu do nome do tio-avô do presidenciável.

Anos depois, o governo de Aécio abriu licitação e desapropriou o terreno para então construir o aeroporto. Ao escolher uma propriedade do tio para fazer a obra, o governo de Minas abriu caminho para que Múcio, 88, resolva uma pendência judicial que se arrasta há mais de uma década. Ele é réu numa ação do Ministério Público Estadual que tenta recuperar o dinheiro gasto pelo Estado na construção da pista de terra.

Para garantir o ressarcimento dos cofres públicos em caso de condenação, a Justiça mandou bloquear a área em 2001, o que impede Múcio de vendê-la. Com a desapropriação, Múcio ganhou o direito de receber do Estado pelo menos R$ 1 milhão de indenização, mas ele pede valor nove vezes maior.

Aécio nega que a obra tenha beneficiado seus familiares e afirma que o aeródromo contribuiu para o desenvolvimento de Cláudio, cidade de 30 mil habitantes. O tucano também alegou que a construção do aeroporto já foi alvo de investigação pelo Ministério Público Estadual, que não encontrou nenhuma irregularidade. Essa apuração, contudo, não levou em conta que a obra foi feita numa área desapropriada pelo Estado na terra de um parente do então governador.

Em julho de 2014, logo após a publicação da reportagem pela "Folha de S.Paulo" sobre o aeroporto de Cláudio, a Promotoria estadual decidiu apurar novamente a construção do aeroporto de Cláudio. Foi essa investigação agora arquivada, em agosto de 2015.

Investigação federal

No dia 17 de outubro de 2014, o Ministério Público Federal em Minas Gerais decidiu abrir investigação para apurar se o presidenciável Aécio Neves (PSDB) cometeu irregularidades ao utilizar recursos públicos para construir um aeroporto numa área desapropriada dentro da fazenda de seu tio-avô em Cláudio, no interior do Estado.

Pouco antes, no dia 8 de outubro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, arquivou a parte criminal de uma representação do PT contra Aécio pela construção do aeroporto, mas ele determinou que a representação fosse encaminhada ao MPF de Minas Gerais para a avaliação de casos de improbidade administrativa.

A investigação foi aberta na Procuradoria da República de Divinópolis (a 50 km de Cláudio) para "apurar possível irregularidades na utilização de recursos públicos pelo então governador de Minas, Aécio Neves da Cunha, para a construção de um aeródromo em propriedade de seu tio-avô, sr. Múcio Guimarães Tolentino".
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'Quem é melhor: Pelé ou Maradona?', pergunta papa a brasileira

Jovem brasileira participa de encontro
com o papa Francisco e ouve pergunta
futebolística


A jovem brasileira Ana Carolina Santos Cruz, de 19 anos, arrancou risos do papa Francisco nesta sexta-feira (7), durante o encontro do Movimento Eucarístico Jovem (MEJ), que reuniu 2.000 pessoas de todo o mundo no Vaticano.

A paulistana foi uma das escolhidas para fazer uma pergunta ao papa. "Qual foi seu maior desafio em uma missão como sacerdote?", perguntou ela, emocionada, ao microfone.

Quando se aproximou do Pontífice, foi o argentino que lhe dirigiu uma pergunta: Quem é o melhor no futebol: Pelé ou o compatriota Diego Maradona?

Como brasileira, ela respondeu que era Pelé, arrancando um largo sorriso do papa Francisco. Depois, ela o abraçou.

Veja o vídeo:

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Movimentos anti-Dilma têm até assessoria de comunicação para promover ações golpistas


Além de já contarem com cobertura completa e ao vivo de seus atos por parte dos veículos de imprensa tradicional, o ‘Movimento Brasil Livre’ e o ‘Vem pra Rua’, grupos que organizam protestos contra o governo, contrataram uma assessoria de comunicação para ampliar ainda mais sua participação na mídia; empresa escolhida é a mesma que faz a assessoria do Grêmio, de Porto Alegre

Além de já contarem com cobertura completa e ao vivo de seus atos por parte dos veículos de imprensa tradicional, o ‘Movimento Brasil Livre’ e o ‘Vem pra Rua’, protagonizados por nomes como Lobão e Kim Kataguiri, querem agora ampliar sua participação na mídia e emplacar pautas antes mesmo do próximo protesto contra o governo, marcado para o dia 16.

Os grupos contrataram uma assessoria de comunicação que fica disparando releases com suas atividades para que virem matérias nos veículos de imprensa. Nessa semana, a Camejo Comunicação enviou aos jornais e canais de televisão do Rio Grande do Sul um texto sobre a “Caravana Anticorrupção” organizada pelos grupos.

“Caravana anticorrupção vai aos bairros esclarecer os motivos da manifestação do dia 16″, diz o título do texto enviado, que conta, inclusive, com falas dos organizadores do protesto e um serviço com data, horário e locais detalhados. Trecho do release enviado por e-mail aos veículos de comunicação.

Trecho do release enviado por e-mail aos veículos de comunicação.
Trecho do release enviado por e-mail aos veículos de comunicação.   
A Camejo Comunicação é a mesma empresa que faz a assessoria de imprensa do Grêmio e da Arena do Grêmio, em Porto Alegre.

No Fórum
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TV sob demanda


Novas tecnologias têm mudado as formas de se ver programas de televisão. Está cada vez mais fácil assistir a um programa fora das grades tradicionais das emissoras de TV.

Para o debater a TV sob demanda, o Ver TV recebe o advogado Gilberto de Britto, especialista em direito audiovisual; o jornalista André Mermelstein, editor da revista Tela Viva e coordenador do Fórum Brasil de Televisão; e o psicólogo Dimas Dion, diretor da EraTransmidia, grupo de estudos de narrativas multiplataforma.

Para André Mermelstein, a TV sob demanda “é um tipo de serviço que tem uma aceitação muito rápida e ele vem substituir um serviço que já é muito conhecido (…) O vídeo sob demanda já existe há muitos anos na forma do DVD, do antigo VHS. Você ia à locadora, alugava um filme e assistia sob demanda.”

O programa ainda traz entrevista gravada com o vice-presidente do departamento de pesquisa da Viacom, Christian Kurz, que comenta os resultados da pesquisa “Redefined”, sobre a nova relação dos telespectadores com a televisão; com Willians Balan, professor de comunicação da Universidade Estadual Paulista (Unesp); e com o advogado Raphael Crescente, especialista em direito audiovisual. Ele analisa a regulação do setor de vídeo sob demanda, sua relação com a lei da TV paga e a concorrência entre esses dois mercados.

Apresentador / Editor-Chefe: Lalo Leal
Direção de Estúdio: Pola Galé
Pesquisa e Pauta: Renato Fanti
Produção Executiva: Vitor Chambon
Apoio à Produção: Patrícia Lima
Edição de Imagens: Mariana Velozo
Gerente de Produção: Aline Penna

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O jornalismo tradicional na véspera do fim


Era previsível que mais cedo ou mais tarde os jornais deixariam de ser a porta de entrada para os consumidores de notícias. Primeiro, apareceu a tecnologia RSS, permitindo receber as notícias de diversos sites (incluindo os jornalísticos).

Com o advento dos tablets, o modelo sofisticou-se a ponto do internauta poder montar sua própria revista cadastrando os RSSs.

Jornais continuavam produtores de notícias, mas, para esses leitores, perdiam o status da edição, da capacidade de definir qual o tema mais ou menos relevante meramente com a disposição das matérias nas páginas.

* * *

Não se trata de mudança banal. Na verdade, o maior fator de influência dos jornais está na definição das manchetes, não apenas na localização na página como no conteúdo.

* * *

O passo seguinte foi a consolidação das redes sociais. Antes delas, houve um modelo que se firmou mais no Brasil, dos grandes portais agregadores de sites — como a UOL, Terra e iG — e, nos Estados Unidos, a experiência fracassada da AOL.

Na medida em que avançam, as redes sociais tornaram-se o foco primário de entrada não apenas na rede mas no universo de notícias.

O primeiro sinal foi dado pelo The Guardian, quando aceitou a oferta do Facebook para colocar nele todo seu conteúdo, e poder explorar comercialmente a audiência.

Ali, consumava-se o primeiro ato da rendição. O jornal abria mão do controle da sua distribuição e terceirizava para um outro veículo.

* * *

Alguém constatou que os jornais acabarão se tornando meras agências de notícias, produtores de notícias mas sem controle sobre seu ecossistema.

É por aí que haverá mudança radical na publicidade.

No modelo tradicional da imprensa, um jornal era ele e sua personalidade e, a partir dela, o tipo de público que atraía. Durante bom tempo, o Jornal do Brasil atraía um público mais liberal, a Folha de São Paulo o público mais moderno que emergiu do desafogo dos anos 80, o Estadão um público mais conservador, assim como O Globo.

Cada jornal era composto pela linha editorial, pela disposição das matérias, pelas manchetes, pelo corpo de colunistas, pelas editorias, todos eles atuando de forma complementar. As editorias mais populares — Esportes, Geral, Artes — garantiam a audiência para as editorias de maior peso editorial.

Os jornais vendiam não apenas o peso da sua opinião mas o perfil socioeconômico de seus leitores.

Daqui para frente, cada vez mais, haverá a indiferenciação. A publicidade pagará por audiência em matérias. E as matérias estarão rolando pelas timelines dos perfis de Facebook, Twitter e outras redes menos votadas.

* * *

A segmentação ocorrerá em alguns canais da TV a cabo, em alguns rádios FM e em alguns sites especializados.

Com as modernas ferramentas de análises de perfil, Google e redes sociais podem oferecer a segmentação mais precisa. Hoje em dia, se um brasileiro entra em um site de jornal britânico, será contemplado com um anúncio de produto brasileiro, escrito em português. Ou seja, o controle da segmentação fica por conta do Google, não do jornal.

* * *

Para enfrentar o avanço massacrante das redes sociais, os grandes grupos de mídia lembram muito o governo Dilma: não sabem onde estão e não tem a menor ideia para onde ir.

Luís Nassif
No GGN
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“Pobre e simplista”, diz filósofa sobre cobertura da imprensa no Brasil


Em entrevista ao programa Observatório da Imprensa, a doutora em Filosofia Viviane Mosé disse que a mídia tradicional não contextualiza a situação econômica do Brasil em relação à crise mundial e deixa de noticiar os avanços do país para não falar bem do governo; assista ao vídeo

Em entrevista ao programa Observatório da Imprensa, na TV Brasil, a doutora em Filosofia Viviane Mosé comentou sobre o discurso hegemônico adotado pela mídia brasileira em relação à atual situação política e econômica do país. Para ela, a falta de uma abordagem mais aprofundada em relação a esses assuntos cria um debate “pobre e simplista”.

“Nós não temos uma notícia sobre o perigo da instabilidade econômica mundial, da situação da Europa, da situação dos Estados Unidos, da China e o que significa o Brasil ali. Então, a crise brasileira é vista isoladamente. Ela não tem contexto. Mas, espera aí, o papel da imprensa não é dar contexto a esse debate?”, questionou.

Mosé criticou ainda a forma com que a imprensa tradicional seleciona as reportagens que serão publicadas. Ela afirma que os avanços do país deixam de ser noticiados para evitar passar uma boa imagem do governo. “Além de um problema cognitivo e intelectual grave, é partidário, é gueto, é sectário”, alertou sobre o posicionamento dos veículos de comunicação. “O que representa esse governo pode ser discutido eternamente, mas existe um fato: nós temos alguém no governo e o país precisa caminhar”, completou.

Assista abaixo:



No Fórum
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Ninguém vai tirar a legitimidade que o voto me deu, afirma Dilma




A presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (7), em Roraima, que o Brasil é hoje um País muito diferente do que teve de enfrentar, na época da ditadura, principalmente porque é hoje uma democracia, e segundo ela, “uma democracia respeita a eleição direta pelo voto popular”.

“Eu respeito a democracia do meu País. Eu sei o que é viver sei numa ditadura. Por isso, eu respeito a democracia e o voto. E podem ter certeza de que, além de respeitar, eu honrarei o voto que me deram”, garantiu ela durante cerimônia de entrega de 747 casas do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) a famílias de baixa renda em Boa Vista.

“A primeira característica de quem honra o voto que lhe deram é saber que é ele a fonte da minha legitimidade, e ninguém vai tirar essa legitimidade que o voto me deu”, entatizou.

A presidenta acrescentou: “Ao longo da vida eu passei muitos momentos difíceis. Sou uma pessoa que aguenta pressão. Sou uma pessoa que aguenta ameaça. Aliás, eu sobrevivi a grandes ameaças à minha própria vida”.

Dilma afirmou ainda que é preciso dedicação “à garantia da estabilidade institucional, econômica, política e social do País” e disse que trabalhará “incansavelmente” para isso “nos próximos meses e anos do meu mandato”. Ela também reforçou a necessidade de “respeito entre os Poderes”.

Economia

Ao abordar o tema da economia, Dilma disse ser “fato que o Brasil passa por dificuldades”, mas disse também que “é fato que nós somos hoje um país muito mais robusto, muito mais forte”.

“Sei que tem brasileiros que estão sofrendo. Por isso que eu me comprometo a trabalhar diuturna e noturnamente. A gente tem um horário de serviço como presidente, às vezes um pouco longo. Mas isso é minha obrigação, é meu dever”, afiançou. “Eu me dedicarei dia e noite, hora por hora, a garantir que o País saia o mais rápido possível das suas dificuldades”, agregou.

Ela lembrou também que o País hoje tem muitas reservas em dólar para enfrentar crises econômicas. “Antes, o Brasil, quando havia qualquer problema, ou interno ou externo, tendia a ter dificuldade para pagar suas contas externas. Ou seja, não tinha dólar para pagar suas contas. Hoje, o nosso País tem mais de US$ 300 bilhões de reserva. Nós não quebramos”.

Falando em defesa do Brasil, a presidenta lembrou que o País avançou muito nos últimos anos, quando tirou milhões de pessoas da pobreza extrema e da miséria e transformou a sociedade brasileira.

“Antes, a gente era principalmente um país só de pessoas bem pobres. Hoje, somos um país majoritariamente de classe média. Melhoramos todas os nossos indicadores de educação. Aí, alguém pode falar: ‘Mas tem ainda muita coisa para fazer’. E eu concordaria com a pessoa. É verdade. Vocês só imaginem tudo que ainda temos para fazer”, disse.
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O raio X da política e o fator Temer


O jogo político caminha para um desfecho, no qual a peça chave é o vice-presidente Michel Temer.

Nesse momento, o governo Dilma Rousseff está completamente paralisado, sem interlocução com os setores chave da governabilidade:
  • Congresso.

  • Grupos econômicos

  • Setor financeiro

  • Movimentos sociais

  • Mídia

  • Ministério Público Federal e Supremo
O que segura o governo são as dúvidas sobre o dia seguinte a uma eventual saída de Dilma, as consequências políticas, econômicas e sociais, os efeitos sobre a economia e sobre as manifestações de rua.

Uma estratégia de governabilidade exigiria um pacto cuja montagem é muito complexa para o núcleo estratégico da presidência. Mas a falta de ação de Dilma parallisa tudo.
Hoje em dia há os seguintes fatores de turbulência:

  1. A base montada por Eduardo Cunha na Câmara e suas jogadas sem limites.

  2. A novela interminável da Lava Jato, com a demora em completar os trabalhos, impedindo qualquer acordo político.

  3. A falta de um discurso político eficiente para melhorar as expectativas em relação à economia e reverter a falta de credibilidade da presidente..

  4. O bombardeio incessante da mídia, sem que o Planalto consiga esboçar uma estratégia sequer de contraposição.

  5. A perda de controle sobre o Banco Central, permitindo essa combinação mortal de recessão, ajuste fiscal e política monetária restritiva.
Nesse caos institucional, Temer tem se destacado pelo trabalho discreto, responsável e eficiente. Dispõe da senhoridade necessária para apagar a fogueira do PMDB — aliado ao senador Renan Calheiros, que parece ter recuperado o bom senso depois de informado de que poderá ser poupado pela Lava Jato. Tem bom trânsito no meio jurídico e respeito do Ministério Público Federal e dos tribunais. Será poupado por parte da mídia.

Dentro do PSDB, uma gestão Temer seria muito mais adequada para as pretensões de José Serra e Geraldo Alckmin do que um eventual impeachment — que jogaria o país nas mãos irresponsáveis de Aécio Neves.

Dilma não tem muito tempo pela frente.

Há dois caminhos em curso: Temer com Dilma e Temer sem Dilma.

O caminho menos traumático seria institucionalizar o poder de Temer, conferindo-lhe o protagonismo político e jurídico, conduzindo uma mudança ministerial pactuada, preservando o papel institucional de Dilma, que passaria a se dedicar às políticas públicas.

Seria a maneira de segurar esse golpe paraguaio interminável, o terceiro turno que parece não ter fim.

* * *

Os únicos interessados em impeachment são os que ambicionam o controle do cofre.

Não interessa à economia, à população, pelo potencial de desestabilização existente. Além disso, qualquer tentativa de impeachment significaria um desrespeito à ordem jurídica, colocando em risco um custoso processo de amadurecimento político que se seguiu à redemocratização e à Constituição de 1988.

* * *

O aval de Temer poderia ser o ponto final no golpismo, permitindo algum espaço para que Dilma comece, finalmente, seu segundo governo.

Repito o que tenho dito: há inúmeros elementos de modernidade no ar, um país pronto para se soltar. Se Dilma decifrar o enigma do projeto nacional, levará  barco até o fim. Se não decifrar, será devorado pela esfinge.

Luís Nassif
No GGN
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Um relato minucioso do panelaço num bairro nobre de SP

VNC
VNC
Um leitor do DCM, Renato, mandou a mensagem abaixo para nós. Pela qualidade, decidimos publicá-la.

“Moro na Vila Olímpia em São Paulo e depois de minha corrida no democrático “Ibira” retornei para casa, como de costume, por dentro da Vila Nova Conceição (ou “VNC” como parece que os habitantes daquele planeta gostam de denominar) bem no momento do panelaço/buzinaço da noite.

Sem dúvida é um bairro agradável, arborizado, sem muito trânsito, aparentemente seguro (com seguranças particulares 24h armados nas calçadas em frente alguns prédios) e bem servido de comércio e serviços.

Caminhei tranquilamente retornando para casa, ao som de panelas e buzinas de Mercedes e BMW`s e também ao som de uns gritos “Fora Dilma”, “Fora PT”, “Ladrões” e etc, alguns deles excepcionalmente proferidos por crianças pelas vozes que pude perceber.

Chegando em casa e com a informação da pesquisa com 71% de reprovação do governo, resolvi levantar a votação de segundo turno na capital: 63,8% dos votos válidos para o candidato do PSDB; 36,2% para Dilma Roussef

Não satisfeito resolvi fazer a pesquisa por zona eleitoral e aqui peço perdão, o primeiro link que encontrei foi no G1, mas cliquei assim mesmo. 5ª. Zona eleitoral, onde acredito que esteja a “VNC”, não encontrei o levantamento específico do bairro: 86,68% dos votos válidos para o candidato do PSDB; 13,32% para Dilma Roussef

Com base nos dados acima era de se esperar que no mínimo 2/3 das janelas estivessem repletas de cidadãos exercendo seu direito de se manifestar pacificamente de suas sacadas de apartamentos de 20 milhões de reais certo?

Ocorre ainda que sou engenheiro e gosto de matemática então me dei ao trabalho de contar em cada prédio quantas eram as janelas que eu conseguia identificar uma panela batendo ou alguém gritando.

Com muito boa vontade chega a 30%, na maioria das vezes eu diria 20%.

Uma panela sozinha já faz um barulho imenso. Some dez panelas na mesma quadra e a dimensão do que você ouve não reflete o que de fato acontece.

Se num lugar onde a votação foi tão favorável à oposição, porque eu não vi um número condizente de “manifestantes”?

Passei também por pelo menos por 5 restaurantes, onde um casal gastaria facilmente 300 reais num jantar, e não vi ninguém “se dando ao trabalho” de interromper sua refeição para também manifestar, seja de dentro do restaurante ou indo até a calçada para fazer barulho.

Por que então o panelaço parece que faz tanto burburinho? Porque o UOL e a Globo fazem eco dele e o transformam em algo maior do que realmente é. Mas se considerarmos a audiência atual da Globo e do UOL (fora canal adulto), a notícia é repercutida para os próprios manifestantes, que devem ficar felizes em fazer parte do movimento.

No mais, ninguém vê.

E qual a razão da adesão não ser maior? Mesmo considerando que estão no conforto de seus sofás para acompanharem on-line e “no Face”.

São preguiçosos. Batem palmas para os colegas que se dispõe a amassar panelas enquanto eles se divertem filmando para mandar pelo “whats”.

Ou seja, qualquer comparação com as invasões na Paulista enquanto adesão x votação, é mera coincidência.

Não vai ter impeachment, eles gritam por farra e nem querem isso. Mas querem ver o governo e a presidenta sangrarem durante todo o mandato.

Me resta o conforto que, se houver embate, a participação nas ruas dos 54,5 milhões do qual faço parte, será BEM maior que do outro lado, dado o que vi hoje.”






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Resultado da Petrobrás no primeiro semestre é superior ao da BP, Chevron e Exxon

Mídia entreguista esconde a verdade


A Petrobrás divulgou na noite desta quinta-feira, 06, os resultados operacionais e financeiros do segundo trimestre, registrando um lucro líquido de R$ 531 milhões e R$ 9,5 bilhões de lucro operacional. Levando em conta todo o primeiro semestre de 2015, a estatal alcançou um lucro líquido de R$ 5,8 bilhões e um lucro operacional de R$ 22,8 bilhões.

Apesar do lucro líquido da Petrobrás neste semestre ter sido 43% inferior ao do mesmo período de 2014, se comparado com outras grandes empresas petrolíferas, ainda assim, a estatal brasileira ficou à frente da britânica BP, cujo lucro despencou em 144%, e das norte-americanas Chevron e Exxon Mobil, que apresentaram redução de 69% e 49%, respectivamente.

A queda acentuada dos preços do barril de petróleo tem sido um dos principais fatores da grave crise que afeta a indústria mundial de petróleo. No caso da Petrobrás, soma-se a isso a variação cambial. No entanto, mesmo neste cenário de instabilidade, a estatal brasileira conseguiu elevar sua produção de petróleo e gás natural em 9%, chegando à marca de 2,784 milhões de barris por dia. Somente no pré-sal, a produção atingiu em junho o recorde de 747 mil barris por dia.

Integração é o grande trunfo da Petrobrás

Os resultados operacionais, que há décadas vêm impactando positivamente os números da Petrobrás, reforçam a importância de se preservar a companhia como uma empresa integrada de energia. Além de ter elevado a produção de petróleo e gás, a estatal manteve sua produção de derivados em cerca de 2 milhões de barris por dia, aumentou a geração de energia elétrica em 15% e continua sendo a líder do mercado nacional de distribuição de derivados, através da BR.

O fato da Petrobrás atuar em diferentes segmentos do setor energético foi fundamental para reduzir os efeitos perversos da crise que atinge a indústria de petróleo em todo o mundo e também para continuar cumprindo o seu papel de uma empresa comprometida com a soberania energética do país. A integração, portanto, é um grande trunfo não só para a empresa, mas, principalmente, para o povo brasileiro, cujas conquistas sociais estão diretamente relacionadas aos investimentos e empregos impulsionados pela estatal nos últimos anos.

Preservar a Petrobrás como uma empresa integrada de energia deve ser compromisso de todos os trabalhadores. A FUP e seus sindicatos continuarão na luta para barrar a venda de ativos e manter a estatal como operadora única do pré-sal.

Alessandra Murteira
Da Federação Única dos Petroleiros (FUP)
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Dilma foi até generosa com PSDB


Números do TSE mostram que empresas com negócios na Petrobrás deram 26% a mais de recursos para Aécio Neves. E agora?

Lembrando as contribuições financeiras para a campanha de 2014 na entrevista publicada hoje pela Folha, a presidente Dilma fez um questionamento essencial:

— No mesmo dia em que eu recebo doação, em quase igual valor o candidato adversário recebe também. O meu é propina e o dele não?

Os dados do TSE mostram que, em sua crítica, Dilma foi até generosa com o PSDB. A comparação entre as listas oficiais de contribuição da campanha de 2014 mostra uma situação muito interessante. As doações não foram “quase iguais” entre as duas campanhas. Quando se avalia as contribuições dos maiores fornecedores da Petrobras, a vantagem foi de 26% a mais para Aécio Neves.

Os números estão lá no TSE, mostrando que a soma de duas dezenas de empresas que tinham interesses na Petrobras — relação que inclui gigantes como Odebrecht, UTC, Queiroz e outros — e, ao mesmo tempo, fizeram doações às campanhas eleitorais, chega-se a um dado demolidor: Dilma recebeu R$ 29.990.852, enquanto a campanha de Aécio Neves embolsou R$ 38.550.000. É isso aí: R$ 8,5 milhões a menos para Dilma. Quantas escolas, quantos hospitais se poderia construir com isso, perguntaria o Ministério Público. Perguntaria, neste caso?

Imaginando que o candidato tucano jogava com esperança de ganhar, com um auxílio financeiro generoso nos meses iniciais da campanha, quando precisava deslanchar para pegar embalo junto ao eleitorado — como mostram os registros do TSE. Ninguém vai dizer que era uma diferença estabelecida no amorzinho, certo?

A presidente também prestou um serviço inestimável à defesa dos direitos fundamentais dos brasileiros e ao esclarecimento da atual situação política do país quando mencionou as prisões preventivas, usadas para arrancar confissões e delações de suspeitos levados para cela sem sequer saberem de todas as acusações que existem contra eles. Dilma disse:

— Olha, não costumo analisar ação do Judiciário. Agora, acho estranho. Eu gostaria de maior fundamento para a prisão preventiva de pessoas conhecidas. Acho estranho só.

Referindo-se à prisão de Marcelo Odebrecht e outros dirigentes do grupo, a presidente observou:

— Não gostei daquela parte [da decisão do juiz Sergio Moro] que dizia que eles deveriam ser presos porque iriam participar no futuro do programa de investimento e logística e, portanto, iriam praticar crime continuado. Ora, o programa não tinha licitação. Não tinha nada.

O esclarecimento da presidente ajuda a lembrar o seguinte.

É pela Lava Jato, pelas prisões e pelas delações premiadas que a Operação garante sua estatura política e ajuda a oposição a colocar o governo contra a parede. Sergio Moro diz quem é suspeito, quem é criminoso — e quem pode andar na rua sem ser incomodado. A Lava Jato diz quem recebeu contribuição e quem recebeu propina — ainda que o dinheiro venha das mesmas fontes, em datas muito aproximadas, envolvendo interesses idênticos.

Foram estes movimentos que ajudaram a colocar a corrupção no centro da agenda. Conforme o Ibope, em maio ela já era a segunda maior preocupação da população brasileira, e só perdia para a inflação. O tratamento seletivo das denúncias — e dos números oficiais do TSE — ajuda a construir um cordão sanitário em torno do alvo que se pretende atingir, o governo Dilma e o PT. Ao produzir acusações dirigidas ao PT e seus aliados, o que se busca criar um fato político.

Os governos não costumam ser derrubados por causa de uma inflação fora de controle — o que nem é o caso no Brasil. Mas pode ser processado para responder um crime, real ou não.

Em 2004, quando escreveu o hoje célebre texto sobre a Mãos Limpas, Moro referiu-se às prolongadas prisões preventivas feitas na Itália nos seguintes termos:

— A estratégia de ação adotada pelos magistrados incentiva os investigados a colaborar com a Justiça.

Colaboração voluntária, espontânea, como recomenda uma sentença histórica da Suprema Corte dos Estados Unidos e define a legislação brasileira?

Nada disso.

— A estratégia da investigação desde o início do inquérito submetia os suspeitos à PRESSÃO (maiúsculas minhas) de tomar a decisão quanto a confessar.

Referindo-se a ensinamentos contidos numa técnica de manipulação de pessoas detidas conhecida como “Dilema do Prisioneiro”, Moro fala da importância de se “levantar a perspectiva de permanência na prisão pelo menos no período de custódia preventiva no caso da manutenção do silêncio ou, vice-versa, de soltura imediata no caso de uma confissão.” Ou seja: ou fala, ou apodrece.

Na prática, os acusados são detidos sem saber sequer as acusações que pesam contra eles. Acabam jogados numa cela até que se disponham falar para se auto criminar e delatar — mas não tem os dados necessários para se defender. Cria-se, assim, uma desigualdade absoluta entre a posição da polícia e a posição do acusado, o que só facilita a “pressão.”

Os interrogadores têm toda condição de conduzir as perguntas para onde desejam, sem que os interrogados façam a menor ideia para onde estão sendo conduzidos.

É a “coerção psicológica”, um fenômeno que o próprio Moro já reconheceu que existe — e acreditava que precisa ser combatido, assim como a “coerção física”. Em outro texto, quando analisa uma deliberação histórica da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre garantias individuais, Sérgio Moro elogia a preocupação de proteger um acusado contra “pressões que operam para minar a vontade individual de resistir para que não seja compelido a falar quando não o faria em outra circunstância.”

Ninguém pode alegar, portanto, que não sabe o que se passa nas celas de Curitiba. Até porque a mesma resolução diz que cabe à Justiça assegurar que “os direitos do prisioneiro sejam completamente honrados.” Bonito: “completamente honrados.”

Essa questão tornou-se especialmente dramática para o ex-ministro José Dirceu, que acaba de ser negada por Sergio Moro. Depois que os jornais noticiaram que o lobista Milton Pascowitch declarou que lhe pagava propinas, e não uma remuneração de mercado usual por esse tipo de serviço, Dirceu entrou com um pedido de habeas corpus justíssimo. Queria saber o teor das acusações feitas contra ele. Entre seus argumentos, a defesa recorda a postura de Dirceu, que não deixou de responder a nenhum dos pedidos de informação solicitados, inclusive em prazos bastante curtos. Também menciona uma advertência de Marco Aurélio Mello, de que as regras do Direito são o preço a pagar “e é módico, estando ao alcance de todos, de viver num Estado Democrático de Direito.”

A defesa ainda argumenta, com o pensamento do mestre italiano Luigi Ferragioli, um dos mestres na defesa dos direitos e garantias individuais:

“Se é verdade que os direitos dos cidadãos estão ameaçados não só pelos delitos, mas também pelas penas arbitrárias – a presunção de inocência não é só uma garantia de liberdade e de verdade, mas também uma garantia de segurança, ou se se quer, de defesa social: dessa segurança específica oferecida pela estado de Direito e que se expressa na confiança dos cidadãos na justiça”.

Alegando que “o acordo e os termos dos depoimentos ainda estão sob sigilo, indispensável no momento para a eficácia das diligências investigativas em curso”, Sergio Moro negou o pedido. A consequência é clara.

Dirceu deverá ser mantido ao longo das acusações que podem ser lançadas contra ele, quando e se ele tiver sua prisão preventiva decretada — hipótese vista como uma possibilidade tão concreta que seu advogado já entrou com um Habeas Corpus preventivo, para impedir que ocorresse, também negado.

Na verdade, o que está em jogo é um direito fundamental num Estado onde as garantias individuais estão no centro da Constituição. Se há uma denúncia contra um cidadão, reconhecida pela Justiça, ele tem o direito de saber do que se trata. Para desmentir, se for mentira. Para se defender, se for o caso. A Constituição nasceu, ao longo da história, para proteger o cidadão da força do Estado absolutista.

“O absolutismo de Luís XIV já foi erradicado da civilização moderna, faz muito tempo”, recorda o advogado Nelio Machado.

Paulo Moreira Leite
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Fernando Haddad é entrevistado por Paulo Henrique Amorim


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Cláudio Humberto: a renúncia, o boato e a psicopatia jornalística

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/08/07/claudio-humberto-renuncia-o-boato-e-psicopatia-jornalistica/

http://i2.ytimg.com/vi/QRquPZHvvJs/mqdefault.jpg

Na esfera pública das redes, pessoas que se achavam importantes no mundo jornalístico passaram a ter sua estatura real. Aparecem como são nos espelhos digitais da audiência: baixas.

Para não sumirem, fazem malabarismos. Xingam Dilma e Lula. Falam do Foro de São Paulo, como se ele tivesse a importância de uma Internacional Socialista, e mandam seus adversários intelectuais para Cuba.

Mas há também os que enveredam pelo circuito da disseminação de boatos e informações que não fazem o menor sentido, mas que viralizam porque há muitos idiotas que acreditam em qualquer coisa.

Um desses é o ex-porta voz do presidente Fernando Collor, o jornalista do bateu levou, Cláudio Humberto.

Ontem, o ex-porta voz mitou. Chegou ao limite da insensatez. Publicou uma nota afirmando que Dilma já escreveu sua carta de renuncia e que foi acompanhada na feitura pelos ministros Aloizio Mercadante e José Eduardo Cardozo, o que, segundo ele, é algo incomum.

A informação não só não tem lógica. Não tem fonte. Mas o que importa?

No circuito da boataria e do jogo sujo ela faz sentido. E é pra esses que Cláudio Humberto sempre escreve.

Há um tipo de psicopatia informativa que cada vez mais vem ganhando força e fazendo escola.

Isso precisa ser combatido. E aqueles que forem atingidos tem que fazer como Romário. Ir pra cima e exigir reparação. Este é um dos casos que deveria ser tratado como exemplar.

Se esse tipo de coisa não for tratada de forma responsável e dura pelos atingidos, esse tipo de leviandade perde o limite,
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Notícia animadora


O programa de TV correspondeu à linha aprovada no congresso do Partido.

Linha esta que decorre da crença de que seria possível defender a legalidade democrática e o projeto petista, mantendo a atual política econômica e confiando na aliança com Temer/PMDB.

Mas é público e notório de que lado Temer e o PMDB estão.

O programa de TV foi feito antes da reunião da comissão executiva nacional do PT, realizada dia 4 de agosto.

A executiva aprovou duas resoluções importantes. Uma destas resoluções reflete a mesma linha política que materializou-se no programa de TV.

A outra resolução aprovada pela CEN de 4 de agostou fala em mudar a política econômica e pede que o PT mobilize para o dia 20 de agosto.

Nas condições dadas, a mobilização do dia 20 de agosto é totalmente defensiva.

Ademais, alguns vão comparecer ao dia 20 enfatizando a defesa da legalidade democrática, outros vão comparecer enfatizando a mudança na política econômica.

O melhor que podemos conseguir no dia 20 de agosto é mobilizar em quantidade tal que obrigue a direita a avaliar com muito cuidado a relação custo/benefício de uma alternativa golpista.

O problema é que, massa por massa, a tendência é que no dia 16 de agosto compareça muito mais gente. E não se trata apenas do empenho da mídia.

Há outros fatores que explicam a mobilização superior do lado de lá.

O primeiro deles é a política econômica, que transfere gente do lado de cá para o lado de lá a cada dia.

O segundo fator é a campanha de desmoralização do PT, que se alimenta de erros cometidos há muito e da recusa do Partido, em 2005 e depois, de tratar o assunto do financiamento empresarial com decisão, coerência política e de classe.

O terceiro deles é a unidade programática: do lado de lá não importa o que o governo faça ou deixe de fazer, a esmagadora maioria da direita nos considera um governo de merda. Já do lado de cá, tem desde governistas que acham que o passado nos protege até esquerdistas que acham que a direita nunca derrubaria um governo que tem Levy como ministro.

O quarto fator que explica a mobilização superior do lado de lá é a vontade.

A vontade que sobra para eles, falta para setores de nossa direção, como ficou claro no retardo e baixo perfil com se reagiu ao gravíssimo atentado contra o Instituto Lula (só hoje, finalmente, acontecerá o abraço ao Instituto).

Portanto, salvo consigamos fazer das tripas coração (e devemos tentar), o mais provável é que a direita consiga reunir no dia 16 de agosto quantidade superior a nós no dia 20 de agosto. E, portanto, a direita disporá da "vacina-pretexto" para fazer o que pretendem fazer.

A dificuldade da direita, como já apontamos várias vezes, reside mais no desacerto entre eles sobre como fazer e sobre o que virá depois de cometido o crime.

Resolvido isto, eles vão operar ao estilo Cunha. E mesmo que não se resolvam entre eles, a dinâmica da mobilização de massa da direita pode forçar um desfecho que atropele parte deles.

Uma das poucas possibilidades de evitar um desfecho favorável à direita é dar um cavalo-de-pau na linha do governo.

A expressão cavalo-de-pau é 100% adequada, pois significa que podemos "capotar" ao tentar.

Ou seja: a esta altura do campeonato, um cavalo-de-pau não garante que a situação termine bem. Mas é uma das poucas chances que temos e devemos insistir nela.

Cavalo-de-pau significa "demarcar o campo de classe". A essência do problema está em demitir o Levy e mudar a política econômica. E reposicionar o governo do lado daqueles que o elegeram em outubro de 2014.

Se o quinto congresso do PT tivesse dito isto há vários meses, a situação estaria melhor. Mas como sabemos, a linha política adotada pelo quinto congresso foi outra e na prática está ajudando a direita a nos derrotar.

É tão infantil subestimar a direita, quanto culpar a direita, quanto tentar acalmar a direita.

A direita está no seu papel. A direita é o que é. E no momento está muito forte.

Quem não percebe isto, quem culpa a direita por ser de direita; e também quem continua na linha da soberba, subestimando o lado de lá, não entende absolutamente nada do que está acontecendo.

Já os que tentam acalmar a direita — a exemplo de certo ministro que pediu ajuda da oposição, ou dos que foram lamber as botas da Globo, ou dos que dão coletivas dizendo que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa — apenas ajudam a fortalecer, no lado de lá, a avaliação de que não vai ter custo nenhum derrubar o governo.

Grande parte da responsabilidade, neste momento, está nos ombros da presidenta Dilma. Mas a responsabilidade principal é do Partido. O Partido deveria ter dito e segue devendo dizer para a presidenta e para o governo, clara e publicamente, que é necessário mudar imediata e radicalmente de política.

Mas a maioria do quinto congresso e da direção do Partido optou até agora por acreditar numa coletânea de contos da carochinha, a saber, que 2015 é igual a 2013, que o ajuste é necessário, que o PMDB é imprescindível, que as coisas estão se acertando, que em 2018 Lula nos salvaria etc etc.

Dentro do Partido, cada um sabe sua responsabilidade. E acima de tudo esta responsabilidade é política. Os que falam em trocar a direção do Partido, colocando nela pessoas "acima de qualquer suspeita", parecem acreditar na narrativa da direita segundo a qual nosso problema é a corrupção.

Claro que um componente fundamental da defensiva em que nosso PT está, claro que um componente fundamental da ofensiva da direita, reside no trato e na falta de trato que demos ao tema da corrupção (leia-se, da relação com o financiamento empresarial da política, que é feito de maneira corrupta há décadas, fato que sempre fora criticado por nós) desde 2005.

Os erros cometidos pelo Partido nesta questão — gravíssimos e em alguns casos imperdoáveis erros — precisam ser corrigidos ontem. Mas ninguém se iluda: mantida a atual política econômica, nem JC na presidência do PT nos salvaria da cruz.

Se não houver uma mudança de linha no Partido e em seguida do governo, a catástrofe poderá ser inevitável.

A forma da catástrofe? Não está claro ainda. Mas o conteúdo está: desmoralização da esquerda, repressão aos movimentos, neoliberalismo duro e puro de volta, um longo período de refluxo.

Refluxo no qual terá papel importante a lei supostamente anti-terrorismo (mas de fato lei anti-mobilização social) que pode ser aprovada há qualquer momento pelo parlamento.

Setores da esquerda que sonham em "substituir" o PT (sem perceber que em si mesmo este sonho contém o DNA de um próximo fracasso) subestimam o que virá caso a direita vença.

E setores governistas que insistem na política econômica, que capitularam, que desistiram de lutar, que acham que não dá mais tempo nem jeito, contribuem com a inação para a derrota e para a desmoralização.

O que devemos e podemos fazer é continuar lutando para mudar a linha do Partido e do governo, e temos que fazer isto junto com a mobilização social contra o golpismo e contra a política econômica, Por isto o dia 20 de agosto é tão importante,

Mas olho: o problema da direita é menos o quê e mais o como. Se o TCU não ajudar, a pressão social (leia-se dia 16 vitaminada pela mídia) vai ser importante. E pode acontecer um desfecho a qualquer momento.

Sendo assim, boa sorte e muita luta para todos nós, pois os próximos dias serão muito difíceis.

E a notícia animadora que prometemos no título — e há quem acredite que temos a obrigação de concluir qualquer texto com notícias animadoras — é a seguinte: se não tivermos êxito na mobilização democrática e popular, a situação pode piorar muito mais, pois como já dissemos (para espanto de alguns) vivemos tempos de guerra.

Valter Pomar
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Lula pode ser novidade da reforma ministerial


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser a novidade da reforma ministerial que vem sendo cogitada pela presidente Dilma Rousseff. O espaço natural seria o cargo de ministro das Relações Exteriores, função na qual Lula assumiria a função de "caixeiro viajante", usando seu prestígio para defender interesses do Brasil e de suas empresas no exterior.

Recentemente, reportagens de alguns veículos de comunicação, como a revista Época, acusaram Lula de agir como "lobista" de empresas nacionais fora do País. No entanto, muitos lembraram que ex-presidentes agem, de forma legítima, em defesa de suas empresas. Como chefe do Itamaraty, Lula teria um espaço natural para atuar em prol do País. Um benefício colateral seria o foro privilegiado, uma vez que petistas temem que a força-tarefa da Operação Lava Jato, comandada pelo juiz Sergio Moro, esteja planejando a prisão do ex-presidente.

A hipótese de Lula como chanceler, já defendida pelo 247 (leia em "O grande crime de Lula é ter defendido o Brasil"), foi antecipada pelo jornalista Gerson Camarotti, do portal G1. Leia abaixo:

Para estancar crise política, petistas cogitam Lula como ministro

Com o agravamento da crise política, passou a ser avaliada no Palácio do Planalto a possibilidade de nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um cargo de ministro do governo Dilma Rousseff.

Essa tese já é defendida por alguns interlocutores de Dilma e do próprio Lula. O temor é que isso teria um efeito colateral: Dilma teria o seu poder presidencial completamente esvaziado.

Mas, para petistas, isso poderia garantir a governabilidade mínima para os próximos anos, por causa da capacidade de articulação política do ex-presidente. Ele tem mais trânsito com o Congresso e poderia fazer uma blindagem do governo.

Nesse cenário, os dois cargos considerados mais apropriados para Lula, avaliam petistas, são os ministérios das Relações Exteriores e o da Defesa. Isso porque comandam carreiras de Estado que seriam mais apropriadas para um ex-presidente.

Caso passe a integrar o primeiro escalão, Lula também ganhará foro privilegiado — alguns petistas temem que o ex-presidente vire alvo da investigação da Operação Lava Jato.

No 247
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Agora chega!


Em 1985 Eduardo Alves da Costa publicou um livro de poemas denominado “No Caminho, com Maiakóvski”. O poema título foi muito difundido através de discursos, panfletos, aulas, reproduzido em transparências (não havia ainda o “Power Point”) por professores, militantes, políticos e muitos outros que naquela época lutavam pelas liberdades democráticas. O poema na maioria das vezes foi atribuído ao próprio Maiakóvski.

Aqui cabem alguns lembretes aos/às novos/as viúvos/as da ditadura. A corrupção era endêmica no governo militar “Em 1963 a inflação era de 78%, vinte anos depois, em 1983 era de 239%.O endividamento chegou ao final da ditadura a US$ 100 bilhões e (…) as decisões econômicas eram tomadas não pelo ministro da economia, mas pelos tecnocratas do FMI chefiados pela senhora Ana Maria Jul”. Não havia nem soberania e nem mais dignidade nacional. Quanto ao capítulo da corrupção, é bom não esquecer e procurar os dossiês dos casos da Coroa-Brastel, Capemi, Projeto Jari, Luftalla, Banco Econômico, Transamazônica e Paulipetro.

Passaram os anos e em 1989 ocorreu a primeira eleição direta para presidente após a redemocratização. Fernando Collor foi eleito sustentado pelas principais forças de direita que anos antes haviam apoiado o golpe civil-militar de 1º de Abril de 1964. A tragédia brasileira se renovava com nuances de cinismo e farsa. As empresas estatais foram apelidadas de “elefantes brancos” e os servidores públicos de “marajás”. A poupança dos brasileiros foi confiscada.

A corrupção era epidêmica. Seguiu-se a cassação de Collor, a gestão de Itamar Franco, a eleição e reeleição de Fernando Henrique Cardoso pela coligação PSDB/PFL.

Quando Fernando Henrique Cardoso foi presidente o país assistiu estarrecido ao maior espetáculo de leilão, doação, concessão além de vultosas oferendas do patrimônio público ao capital privado. Foi o tempo da “privataria tucana”.

Foram entregues à rapinagem internacional e nacional as grandes empresas brasileiras a maioria originária da Era Vargas. O Brasil foi transformado num gigantesco brechó aonde o “mercado” vinha às compras. Nesta tragédia suicida foi liquidada a Vale do Rio Doce, a Embratel e as telefônicas estaduais, a Companhia Siderúrgica Nacional, a Eletrosul, o Banespa e todos os bancos estaduais, enfim, em torno de 125 estatais. Era a grande demonstração de boa vontade que o Brasil exibia para se inserir na fase neoliberal do capitalismo que se implantava fortemente na América Latina. A prova de fidelidade a esse alinhamento, segundo os jornais da época,  era a venda  da Companhia Vale do Rio Doce, uma das maiores mineradoras do mundo referida pelos leiloeiros como a “joia da coroa”.

Esses leilões, ou crimes de “lesa-pátria”, nessa época foram travestidos de “modernidade”.

Mesmo com tanta boa vontade e subserviência o Brasil, nesse período, “quebrou” três vezes enquanto o FMI dava “régua e compasso” aos governantes/vassalos que gerenciavam o país.

Com o passar dos anos essa temporada de traição e vilania foi aos poucos entendida como um dos maiores crimes contra a soberania e o patrimônio nacionais. A tal ponto, que a partir daí os candidatos a presidente do PSDB, partido responsável por essa insânia, escondiam o nome de Fernando Henrique Cardoso nas campanhas eleitorais.

Finalmente, após quatro eleições as forças democráticas conseguiram eleger como presidente Luis Inácio Lula da Silva pelo PT em 2002. Lula foi reeleito e após o segundo mandato elegeu a sua sucessora, a Presidenta Dilma Rousseff que também foi reeleita. E assim se passaram 12 anos de governos do PT apoiados por uma extravagante coligação de “direita- centro-esquerda”!

A corrupção continua endêmica! O que mudou foi o cenário político.

Como sempre as elites conservadoras e reacionárias não descansam e não desanimam da sua faina cotidiana de se manter no poder e garantir a hegemonia política na luta de classes e a perenidade do capitalismo.

Agiram mediante um intenso assédio ideológico, midiático, informador e enformador de mentes, formatação e condicionamento de raciocínio, conceitual e político-partidário. Nunca aceitaram o fato de “um dos de baixo” ter ganhado uma eleição para o maior cargo político do país.

Nesse aspecto é bom fazer uma ressalva, apenas foi ganha a eleição, ou seja, a possibilidade de administrar o Estado cuja natureza permanece a mesma. Para transformar é necessário romper com a estrutura e isso só com uma ruptura profunda, uma revolução. O que, certamente, não ocorreu! Não adianta exigir que a coligação de “direita-centro-esquerda” que assumiu o governo dê além daquilo que a realidade permite.

O que não é possível aceitar é que tenha feito muito menos do que era necessário e possível para avançar. O que é impossível aceitar é que o governo tenha dado uma guinada à direita e se submetido às pressões do capital rentista mudando radicalmente a política econômica. Não adiantou a submissão, os ataques continuam cada vez mais virulentos e agora com o argumento de estelionato eleitoral. A operação de destruição do governo continua implacável.

O governo é acusado de tudo o que é execrável. Com fatos verdadeiros ou não. Foram e são acusados de corrupção, roubo e demais delitos correlatos. Os “malfeitos”! Os exemplos mais notórios são os processos do “mensalão” e do “lava-jato”, entre outros. Muitas acusações são pertinentes e verdadeiras, mas o que é tristemente grave como efeito colateral dos julgamentos foi a devastadora ação deseducativa e antipedagógica sobre a percepção do povo a respeito do processo e do fazer da política.

A decepção e o desencanto com as lideranças históricas, muitas originárias das lutas contra a ditadura, provocaram um grave desalento na militância, nos simpatizantes e na população em geral. Tudo isso somado à ação contínua, intensa, deletéria, alienante e agressiva dos “PIG” – Partido da Imprensa Golpista. Esses meios usam palavras e imagens com a nítida intenção de despertar na população raiva, insanidade e ódio irracional. Isto se traduz em agressões violentas, machistas, xenófobas e racistas. O alvo é o pensamento de esquerda, feminista, antirracista e libertário.

A personagem mais agredida e humilhada é a da Presidenta da República. Vítima de uma truculência sem igual se comparada aos outros presidentes do país. No lugar do debate político e ideológico, da discussão sobre as grandes questões nacionais, sobre os novos paradigmas, sobre este momento de transição no mundo e da crise do capitalismo os pontos centrais das contendas são rasteiros, paroquiais e vazios de ideias e propostas. E isto cabe para um grande número de sujeitos políticos de todas as cores do espectro ideológico.

O Brasil atravessa uma crise de pensamento, de credibilidade, de ideários consistentes e comprometidos com a emancipação do povo. As palavras de ordem se esgotaram e não sobrou nada. O resultado marcante é a desmobilização, a tristeza, a anomia e a apatia das forças progressistas.

A imagem dominante no Brasil é a de um país que está totalmente submetido ao pensamento conservador e fundamentalista. Os exemplos são dolorosos: o agronegócio é o grande motor da economia e salvador do PIB, a Petrobrás precisa ser privatizada, pois é um antro de criminosos, as massas estão nas ruas exigindo a saída da presidenta, a classe média urbana sofrendo de absoluta idiossincrasia ao governo federal e aos partidos que o sustentam, os deputados e senadores da bancada BBB (Boi, Bíblia e Bala) dominam o parlamento disseminando violência, agressões físicas e verbais inclusive contra as parlamentares mulheres que os enfrentam nos debates.

O fundamentalismo religioso e o conservadorismo ideológico disseminam a misoginia e o ódio contra qualquer atitude mais avançada.

Uma verdadeira cruzada contra as mulheres e as reivindicações sobre os direitos sexuais e reprodutivos, os LGBTTs são demonizados, os jovens com prescrição legislativa de extermínio, os velhos culpados pelo déficit da previdência social, indígenas e quilombolas totalmente dispensáveis, os negros com lutas históricas contra a discriminação ainda padecem das crônicas iniquidades, ataques letais aos direitos trabalhistas. Nessa dinâmica perversa sobressai a imagem de uma sociedade hostil e desumana com os diferentes ou opositores. Uma sociedade dominada por uma minoria de homens brancos, ricos, de meia idade, capitalistas e agora acrescidos de religiosos fanáticos. Esse o quadro.

É de se perguntar, não existe mais nada no Brasil? Onde estamos? Será que o Brasil é apenas esse monte de lixo?

O filósofo Vladimir Safatle na coluna denominada “O paradigma da Representação” cita uma interessante passagem ocorrida na campanha eleitoral francesa. “Houve ao menos um belo momento na última eleição presidencial francesa, há alguns anos. O então candidato da Frente de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon marcou um comício na praça da Bastilha, no dia em que se comemora a Comuna de Paris. Ninguém sabia quantas pessoas estariam presentes até que uma massa impressionante apareceu de maneira inesperada. Algo em torno de 100.000 pessoas. Diante de todas aquelas pessoas, o candidato teve a sagacidade de começar seu discurso perguntando: “Onde todos nós estávamos”?”

É hora de reagir. É hora de não ter timidez e nem deixá-los causar embaraços a nossas posições políticas. É hora de também nos perguntarmos: — Onde estamos? É hora de recordarmos o significado do belo trecho do poema “No caminho, com Maiakóvski”:

(…) Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.(…)

É hora de gritarmos, com toda a voz de nossa garganta, com toda a energia e coragem: Agora chega!

Clair Castilhos Coelho
No Viomundo
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Romário desmente Veja no Senado


Nos últimos dias tive uma amostra, embora essa não tenha sido a primeira, do que há de pior no jornalismo, que se manifesta quando alguns profissionais pensam que detêm a exclusividade da informação e da verdade. Esse pensamento arrogante, aliado ao mau-caratismo e movido por interesses escusos, pode ter efeitos devastadores na vida de qualquer cidadão, especialmente, quando praticado por um grande veículo de comunicação.

Foi isso que a revista Veja fez ao publicar um extrato falso de uma suposta conta que que teria na Suíça. Hoje o banco acabou definitivamente com todas as dúvidas sobre o assunto com uma nota.

A revista vai responder à justiça brasileira e também à suíça.

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ContextoLivre — 8 milhões


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