6 de ago de 2015

Manual básico para checagem de fatos

Seja você um repórter, um ativista, um líder empresarial, um agente de saúde ou um simples cidadão, como é que você pode saber quando as personalidades públicas dizem a verdade e quando as distorcem? Como é que você pode decidir quais as denúncias que são justas e em quem confiar? Para produzir os textos para este site, usamos nossa própria experiência enquanto jornalistas e a ajuda e assistência de especialistas em vários campos para produzir esta lista:

1. Pergunte onde estão as provas

Sempre que alguém, na vida pública, faz uma denúncia, seja ela grande ou pequena, a primeira coisa que você deveria perguntar — uma vez que você decidido se a denúncia é plausível e vale a pena investigar — é “Onde estão as provas?”

Hoje em dia, muitas pessoas concordam que na preparação para a guerra do Iraque em 2003, pouca atenção foi dada à óbvia falta de provas sobre a possibilidade do Iraque possuir as armas que diziam que tinha.

Ali e em outras situações, muitas vezes há um bom motivo para que uma autoridade se recuse a revelar as provas que sustentariam uma denúncia. Talvez elas precisem, como os jornalistas, proteger suas fontes. Mas se as fontes precisam de proteção, nós ainda precisamos das provas. E, muitas vezes, o motivo pelo qual as autoridades se recusam a fornecê-las é que as provas são frágeis, parciais ou contraditórias.

Portanto, comece por pedir as provas e se nenhuma lhe for apresentada, você já sabe que há, ou poderá haver, um problema com essa denúncia.

2. As provas são comprováveis?

O passo seguinte, uma vez que as provas tenham sido providenciadas, é ver se elas podem ser verificadas. Um dos testes-chave feitos antes que o resultado de uma nova experiência seja aceito pela comunidade científica é ver se a experiência pode ser repetida por outros pesquisadores com resultados semelhantes. Como disse Thomas Huxley, um importante biólogo do século 19, “o homem da ciência aprendeu a acreditar na justificativa não pela fé, mas pela comprovação”.

No debate público seria a mesma coisa. Quando uma personalidade pública, seja ela do campo que for, fizer uma denúncia que quer que tenha credibilidade, deveriam ser pedidas provas verificáveis. Caso contrário, você se limitará a confiar no que eles dizem?

3. As provas são confiáveis?

Em tudo o que pesquisamos, ainda não há uma única lista de testes que cubra os diferentes tipos de prova que você possa vir a acessar antes de decidir que são confiáveis. Abaixo, as principais perguntas que fazemos.

Poderiam eles saber o que denunciam que sabem?

Se as provas se baseiam no relato de uma testemunha ocular, saberia essa pessoa o que denunciam que sabem? Onde estavam? Seria possível acreditar que essas pessoas tivessem acesso a esse tipo de informação? A informação seria em primeira ou segunda mão? Seria algo que ouviram ou em que acreditaram? Seria algo que possa ser conhecido?

Caso existam dados, quando foram coletados?

Um dos truques preferidos das personalidades públicas é apresentar informações coletadas muitos anos antes como se fossem de hoje, sem mencionar as datas. Mas os dados envelhecem e, ao contrário dos bons vinhos, isso não é bom. Para compreender as informações, você precisa saber quando foram coletadas e como era o quadro antes e depois. Um dos truques preferidos dessas pessoas é escolher as datas de início e do fim, não por que eles reflitam o verdadeiro desempenho ao longo do tempo, mas para que os números pareçam bons, começando na parte de baixo de um ciclo e terminando no topo.

E a amostra foi suficientemente ampla? Foi integral?

Uma pesquisa de opinião que represente os pontos de vista de algumas dúzias de pessoas — ou mesmo algumas centenas — provavelmente não será representativa da opinião de uma população de milhões. A maioria das organizações de pesquisa sugere que uma amostra bem selecionada de cerca de mil pessoas seriam o mínimo para produzir resultados precisos. Porém, é surpreendente o número de vezes que pesquisas feitas com umas poucas centenas de pessoas, ou umas poucas dúzias, sejam citadas por personalidades públicas, e divulgadas na mídia, como representativas de opiniões mais abrangentes.

E lembrem-se, mesmo as pesquisas de ampla escala — que não procuram em todos os lugares apropriados — podem dar um quadro errôneo. Isso é algo que algumas pessoas chamam o “problema do cisne negro” — uma referência à suposição equivocada feita na Europa durante séculos de que todos os cisnes eram brancos porque todas as centenas de milhares de cisnes, ao longo dos anos, também eram. E, na realidade, só depois que o explorador holandês do século 17, Willem de Vlamingh, voltou à Europa depois de descobrir cisnes negros na Austrália ocidental, é que as pessoas a perceber o erro. A “amostra” anterior fora ampla, mas não suficientemente abrangente.

Como foram coletados os dados?

Não é só a abrangência da amostra que importa. Quando se faz uma pesquisa de opinião, devem ser ouvidas pessoas de todos os grupos sociais relevantes — ambos os gêneros, raças distintas, grupos socioeconômicos e regiões diferentes — e nas proporções corretas, caso se pretenda que a pesquisa seja representativa da sociedade como um todo.

Como foi feito o estudo? Pesquisas semelhantes feitas de porta em porta podem produzir resultados diferentes daquelas feitas por telefone, pois a reação do entrevistado pode ser diferente se ele falar com alguém cara a cara ou por telefone.

E os estudos que confiam na capacidade dos entrevistados preencherem formulários tendem a mostrar mais erros do que as entrevistas cara a cara, principalmente entre pessoas com pouco conhecimento de leitura. Se a denúncia se basear numa pesquisa como essa, isso poderia ser um fator?

Entretanto, o que as pessoas que participam de um estudo ou de uma experiência sabem, ou pensam que sabem, pode afetar o resultado. Isso chama-se “efeito placebo” e explica por que muitas vezes as experiências médicas não são, ou não deveriam ser, divulgadas — isto para que as pessoas que estão sendo estudadas não saibam a natureza do tratamento que receberam ou deixaram de receber.

E quanto ao quadro mais amplo?

Uma vez que você já saiba como os dados foram coletados, avalie a forma pela qual eles são apresentados. A pessoa está dizendo a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade? Personalidades públicas de todas as áreas gostam de selecionar cuidadosamente aquilo que vão dizer a você e o que não irão dizer, salientando as provas que irão favorecer seus argumentos e deixando de lado aquilo que seja menos saboroso.

Os dados apresentados estão inseridos num contexto? E teriam significado semelhante se outros fatores, não mencionados, fossem levados em consideração?

Um exemplo: quando um político diz que aplicou uma “quantia recorde” no sistema público de saúde e não menciona a inflação, sua afirmação pode ser verdadeira, porém enganosa, caso a inflação signifique que aquela quantia está caindo, “em termos reais”. Portanto, verifique sempre se não existem outros fatores que compõem o quadro mais amplo.

E lembre-se sempre de avaliar os números proporcionalmente. Uma verba de 50 milhões de dólares num projeto de saúde parece gigantesca para uma comunidade pequena. Porém, se for dividida entre uma população e seu programa implicar uma aplicação por 10 anos, irá parecer bem menos generosa do que pareceu à primeira vista.

4. Fontes de dados, peritos e fontes coletivas

O fato de uma pessoa fazer uma denúncia e não poder oferecer provas que sustentem suas declarações torna mais difícil a verificação, mas não significa que seja errada. Para verificá-la, você pode procurar fontes de dados, peritos reconhecidos e as fontes coletivas [crowdsourcing, em inglês].

Fontes de dados

Existem inúmeras fontes de dados úteis para a verificação de denúncias que as pessoas fazem. Dependendo do tipo de denúncia que você está verificando, você pode procurar informações em documentos do governo e estatísticas oficiais, registros de empresas, estudos científicos e bancos de dados de pesquisas sobre saúde, registros escolares, prestação de contas de projetos de caridade, jornais de ordens religiosas etc.

Reunimos nossas dicas e exemplos de fontes de dados que consideramos úteis em nossa página Recursos para Verificação de Fatos. Assim como com todas as fontes de informação, é importante que você conheça o máximo possível sobre a organização que coletou e possui os dados antes usá-los.

Peritos

Dependendo do assunto — se a denúncia se refere a questões médicas ou exige conhecimento pormenorizado da contabilidade de uma grande empresa ou aborda uma questão legal —, seria mais apropriado você verificar a denúncia conversando com alguns peritos reconhecidos.

Quando o fizer, a coisa mais importante é saber e declarar qualquer interesse que o perito possa ter na questão que possa causar, ou ser visto como uma causa, uma parcialidade em sua análise de uma ou de outra maneira.

Às vezes, as pessoas com quem você fala procuram ficar anônimas. Isso enfraquece o seu relatório, mas se a informação que elas derem puder ser verificada de forma independente, pode ser aceitável. Uma informação de uma fonte anônima — que só admite falar extraoficialmente — que não puder ser verificada, não deve ser utilizada.

Fontes coletivas

Também aqui, dependendo do assunto, talvez a melhor fonte de informação para uma denúncia específica não sejam os documentos ou um perito em particular, e sim o conhecimento que se pode encontrar na comunidade mais ampla, conhecido como crowdsourcing (fontes coletivas).

Se uma autoridade afirmar, na manhã de um dia de eleição, que todas as seções eleitorais receberam suas cédulas a tempo, ou um grupo ambientalista afirmar que uma fábrica está poluindo a vizinhança, as pessoas que estão em melhores condições para confirmar ou negar o que eles dizem podem ser as da comunidade mais ampla.

Quando você procurar informações junto à comunidade, você deverá tomar cuidado com algumas coisas. Em primeiro lugar, é importante que você garanta a segurança de suas fontes. Em muitos casos, informações enviadas por SMS, por e-mail ou por outros meios pode ser interceptada e em alguns países as pessoas que fornecem informações “delicadas” a sites jornalísticos podem vir a sofrer com isso. Portanto, é importante que os meios de comunicação estabelecidos sejam os mais seguros possíveis.

Ao mesmo tempo, você precisa saber quem são suas fontes e se as informações que elas fornecem são confiáveis. Procure verificar a identidade de qualquer pessoa que lhe envie informações. Informações que sejam enviadas anonimamente deveriam ser tratadas com o necessário ceticismo. Tome cautela com e-mails enviados por grupos que empurram programas e usam provas não necessariamente confiáveis como se fossem representativas.

5. Detectando falsificações

É claro que aquilo que você quer verificar pode não ser uma denúncia falada ou escrita, e sim, material que lhe foi enviado ou publicado online — fotos, vídeos, blogs ou outros conteúdos. Na era digital, fotografias, vídeos, documentos de texto, websites, Twitter e outras redes sociais podem ser falsificadas. Como detectar algo genuíno de uma falsificação? Nossos testes são os seguintes.

As palavras ou imagens parecem verdadeiras?

Começando pelo princípio, antes mesmo que você começa a procurar provas, a coisa mais importante a fazer com o material enviado é envolver o seu cérebro. As imagens ou palavras parecem verdadeiras? A linguagem ou sentimento manifestado seria a maneira pela qual uma pessoa fala? Seria o tipo de coisa que eles realmente pudessem ter dito?

Os colegas compreendem quando as pessoas são enganadas por uma farsa. Mas se for óbvio, depois do caso, que a pessoa que foi citada jamais teria dito aquilo que lhe foi atribuído e você não verificou, você pode passar por um idiota.

Portanto, antes de tudo, pense. Depois, se ficar em dúvida, verifique com a pessoa ou organização que foi citada ou mostrada para comprovar.

Existe um detalhe revelador fora de lugar?

Os farsantes muitas vezes são descobertos por detalhes. Seja sempre cético. A citação usada neste desenho não era incorreta, mas algo deveria levar você a desconfiar que provavelmente o autor não foi o 19º presidente dos Estados Unidos.

Veja a frase usada e pergunte se poderia ter sido dita naquela hora. Veja a foto ou o vídeo e pergunte se ela se encaixa nas leis de luz e sombra. Ao fundo, há coisas que deveriam estar lá e não estão? E outras que não deveriam estar e estão? A luz do sol reflete o clima que se poderia esperar, naquele lugar, nessa época do ano? As paisagens, plantas, carros e prédios são do tipo que você esperaria ver?

Se os detalhes estiverem fora de lugar, pode ser uma falsificação.

Isso — ou algo semelhante — já apareceu antes em algum lugar?

Ao contrário dos raios, os farsantes muitas vezes agem duas vezes no mesmo lugar. Se você suspeitar de uma imagem ou de um texto, verifique online se aquilo — ou algo semelhante — já apareceu antes em outro lugar.

Faça uma busca no Twitter com referência ao material com a hashtag “fake” e veja se outros também detectaram alguma coisa no Twitter.

Se você acha que usou antes foi texto, então faça a busca no Google.

Se for uma foto ou um vídeo no formato PNG, então entre num website como o www.tineye.com, por exemplo, que permite que você verifique se as fotos ou os vídeos já apareceram anteriormente online. Se a mesma imagem, ou muito semelhante, tiver sido publicada anteriormente em circunstâncias diferentes, aquilo que você recebeu pode ser uma falsificação.

Teria a pessoa enviado material para outros lugares?

Lembre-se que muitas vezs a pessoa usa o mesmo nome de usuário para várias plataformas. Portanto, se você está procurando material semelhante de uma pessoa, coloque seu nome de usuário em plataformas distintas, como Google Search, Facebook, Flickr, Twitter, YouTube, 123people.com, blogsearchgoogle.com, Technorati.com.

Verifique com a pessoa que enviou a mensagem se ela está onde diz que está

Se você tiver dúvidas sobre a fonte de alguma informação e tiver o seu endereço digital — o código IP — do computador pela qual ela foi enviada, você pode verificar o país em que o computador está localizado pelo endereço www.domaintools.com/reverse-ip/.

6. Seja persistente

A verificação de fatos toma tempo e persistência. Se alguém tentar enganá-lo, recusando acesso às informações a que você tem direito, ou deixando de fornecer provas que sustentem a denúncia, continue persistindo.

Verificar um debate público não é fácil. Muitas vezes, a malandragem está no detalhe. Para encontrá-la você precisa resistência e persistência.

7. Fique aberto e aceite críticas

Finalmente, mantenha-se aberto na forma pela qual você escreve relatórios de verificação de fatos, fornecendo links para as provas que utilizar. E seja honesto: se cometer um erro, reconheça-o. Mesmo assim, você terá que aceitar que não irá convencer ninguém.

A maioria das pessoas mostra certa relutância em aceitar provas que vão de encontro àquilo em que acreditam. E algumas delas não se convencem nem com argumentos cuidadosos, nem com links vinculando às provas. Trata-se de um fenômeno que os cientistas chamam “persistência de crenças desacreditadas” e descreve um estado em que, segundo os psicólogos Craig Anderson e Lee Ross, “as crenças podem resistir a uma lógica potente e a desafios empíricos. Elas podem resistir e mesmo ser reforçadas por provas que observadores imparciais concordariam que logicamente enfraqueceriam tais crenças. Elas podem até resistir à destruição total de suas provas originais”. Algumas pessoas, você simplesmente não conseguirá convencer.

Reproduzido do site Africa Check, um projeto de checagem de notícias financiado pela Fundação France Press na África e apoiado pelas empresas Google e Omidyar, além da Fundação Open Society
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Lula na Casa Civil e Michel Temer no Ministério da Justiça

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/08/06/lula-na-casa-civil-e-michel-temer-ministerio-da-justica/

lula temer dilma 
Em 2005, no meio do fogo cerrado do mensalão, este blogueiro visitava Brasília com alguma constância para buscar medir a temperatura do clima politico. A situação era desastrosa. Em muitas ocasiões personagens centrais do governo avaliavam em of que o governo tinha acabado e que Lula não tinha estatura para ser presidente da República.

Criticavam, principalmente, sua inércia em defender o governo e o partido. E atacavam-no por não entender a complexidade da crise. Era difícil discordar daquela avaliação, mesmo que intimamente a percepção fosse outra.

Fora dos gabinetes palacianos, não era necessário viajar muito para se perceber que o mundo lá de fora não estava assim tão contaminado. Principalmente nos setores populares do país, os programas sociais, o aumento do salário mínimo e a geração de empregos já davam sinais de que a vida do povo poderia mudar para melhor. E esse segmento não parecia disposto a abrir mão do seu presidente Lula.

Até por isso a rejeição do ex-presidente naquele momento não chegaram nunca próximos à de Dilma. E até por isso Lula conseguiu dar a volta por cima

A situação de hoje é bem mais grave. Há uma clara percepção popular de que Dilma praticou estelionato eleitoral em outubro do ano passado. E de que o PT  é um partido corrupto que jogou fora toda a confiança que lhe foi depositada por muitos anos. Isso, evidente, não é generalizado, mas aparece em pesquisas qualitativas que estão sendo feitas em todos os cantos do país.

Não é mais um sentimento concentrado na classe média e nem apenas paulista.

O jogo ficou muito mais complexo e por isso a receita de 2005 não será suficiente para mudar o jogo de 2015. Esperar a turbulência passar para ver no que vai dar não resolverá o problema.

Por este motivo, talvez tenha que se antecipar o movimento de algumas peças antes que os adversários tentem um xeque mate. E há uma jogada que apesar de muito arriscada pode dar novo sentido ao governo.

Uma reforma ministerial é mais do que urgente e Dilma deveria fazer de tudo para convencer Lula a assumir a Casa Civil. Ele ficaria com o comando da política e ela com as ações de governo. Reeditariam assim a parceria de 2005, em cargos diferentes, mas com as mesmas atribuições.

Lula teria de ter carta branca de Dilma para, inclusive, montar esse novo ministério pensando na governabilidade. E a presidente ficaria com as áreas mais técnicas buscando garantir a travessia da crise econômica da forma mais rápida possível.

Temer manteria um certo papel na articulação política, mas poderia se tornar ministro da Justiça. Assumindo uma área que está em crise e onde José Eduardo Cardoso, que pode ter até as melhores das intenções, já não dá mais conta do recado.

Uma saída dessas não é algo simples de ser realizado. E é de alto risco para Lula. Para Dilma. Para Temer. Mas ao mesmo tempo se algo arriscado não vier a ser feito agora, pode não servir daqui a algum tempo.

Agora não é hora de jogar com os aspirantes. E o momento de se colocar o que se tem de melhor em campo.

O atual ministério já está com o prazo vencido. E não tem mais força para garantir vitórias em votações comezinhas no Congresso.
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Lula entra com queixa-crime no STF contra repórteres da Veja


“Família de Lula abre três queixas-crime contra mentiras da imprensa e do PSDB

São Paulo, 6 de agosto de 2015,

O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, abriram três queixas-crime contra autores de calúnias contra eles. Os alvos das medidas judiciais são o deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG), o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani (PSDB), e os repórteres da revista VEJA responsáveis pela reportagem de capa da edição de 25 de julho passado.

O ex-presidente é autor de queixas-crime contra Robson Bonin e Adriano Ceolin, repórteres de VEJA. Eles são autores das reportagens de capa da edição nº 2436 da revista, em que pretensa reportagem afirma que uma delação premiada estaria próxima de envolver Lula na Operação Lava Jato. Aquele que seria o autor da delação, o empreiteiro Leo Pinheiro, negou integralmente as informações no mesmo dia da publicação de VEJA por meio de nota de seus advogados, e o texto não expôs nenhuma evidência concreta para sustentar as afirmações difamatórias que publicou e divulgou com grande estardalhaço por meio de publicidade física e nas redes sociais.

Em relação ao deputado do PSDB, a ação se reporta às afirmações ofensivas feitas por ele em entrevista concedida em 9 de fevereiro de 2015 ao programa de rádio “Bom dia Divinópolis”. Na ocasião, Sávio afirmou que o filho do ex-presidente enriqueceu de maneira ilícita e possui fazendas, o que não é verdade. A decisão de mover ação penal contra Sávio foi tomada depois que o parlamentar teve oportunidade de se retratar perante o STF, mas preferiu insistir em divulgar mentiras contra o filho de Lula.

Já o prefeito de São Carlos Altomani publicou mentiras em sua página no Facebook, dizendo que: “não é justo o Tesouro Nacional tirar dinheiro de nossa cidade para repassar ao BNDES para financiar por exemplo a empresa Frioboi, que pertence ao Lulinha, e que paga cachês milionários para o ator Tony Ramos para vender em rede nacional sua carne financiada com recursos de saúde educação limpeza publica etc” (sic). Por essas afirmações, Fábio moveu queixa-crime também contra ele.”
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Chargista gaúcho registra boletim na polícia por ameaça após críticas a Sartori

Augusto Bier é chargista e jornalsita do SindiBancários de Porto Alegre 
Foto: SindiBancários/Divulgação
Augusto Bier diz que recebeu telefonema anônimo em sua casa.

Ele registrou ocorrência na polícia; Sindicato dos Jornalistas acompanha.

O jornalista e chargista do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre Augusto Bier diz que foi ameaçado por publicar charges com críticas ao governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori. Segundo o chargista, a tentativa de intimidação ocorreu por meio de um telefonema anônimo para a sua casa na noite de segunda-feira (3).

“Isso foi por volta das 20h. Alguém ligou para o meu telefone residencial e disse: ‘Tu para com essas charges, com essas gracinhas ofendendo o governador Sartori, senão eu vou quebrar os teus braços”, conta Bier.

Charges de Bier criticam o governador Sartori (Foto: Arquivo Pessoal)
Charges de Bier criticam o governador Sartori
Foto: Arquivo Pessoal
Nesta quinta-feira (6), o chargista registrou boletim de ocorrência na 1º Delegacia de Polícia, na capital, sobre a ameaça. O SindiBancários diz que também tomou providências após o episódio e que Bier está sendo acompanhado por um segurança.

Bier acredita que a ameaça ocorreu em função das charges que ele publica diariamente no site do SindiBancários com críticas a medidas adotadas pelo governador Sartori, como o parcelamento de salários dos servidores públicos.

“Entendo a ameaça como um procedimento de intimidação, geralmente não são efetivadas. Sofri ameaças a minha carreira inteira e muito dificilmente tenho medo, mas o perfil desse tipo de gente que está ameaçando é diferente. Então estou mais cuidadoso e resolvi divulgar o caso”, afirmou.

O Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul publicou nota em seu site sobre o episódio. “Nós, do Sindicato dos Jornalistas, estamos acompanhando desde que soubemos e já estamos tomando providências para cobrar da Polícia Civil a elucidação do caso. Tanto nós, jornalistas e comunicadores, como a sociedade, merecemos saber quem fez essas covardes ameaças a um colega com muitos anos de trabalho”, declarou o presidente Milton Simas.

Chargista registrou ocorrência na Polícia Civil (Foto: Reprodução/RBS TV)
Chargista registrou ocorrência sobre ameaça na Polícia Civil
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Ex-presidente desmente O Estado de S.Paulo


Eu não afirmei em reunião com deputados que “nem melhora da economia salva o PT", como foi publicado no jornal O Estado de S.Paulo desta quinta-feira (6) e reproduzido pelo portal UOL.

O PT não precisa ser salvo porque tem força para superar as atuais dificuldades, como superou no passado.

Luiz Inácio Lula da Silva
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Lava Jato deixou de fora contrato suspeito fechado na véspera de FHC sair do Planalto

O risco do seletivismo de cor partidária em investigações é, em vez de combater a corrupção, fortalecê-la, mesmo sem querer, deixando de investigar outros agentes igualmente suspeitos

Entre as polêmicas que cercam a operação Lava Jato figuram com destaque o menor interesse da Polícida Federal, de parte do Judiciário e da velha mídia em investigar casos que atingem tucanos. Causa espécie que as investigações praticamente tenham estabelecido uma "data de corte" — o ano de 2003 —, deixando de lado fatos ocorridos dentro e fora da Petrobras antes disto.

Um exemplo claro é um contrato assinado entre a empreiteira UTC e a estatal brasileira no penúltimo dia do governo FHC, dia 30 de dezembro de 2002, no valor aproximado de R$ 56 milhões. Não se pode falar em prescrição, portanto.

Este contrato está vinculado a um processo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por suposta realização de operações fraudulentas e manipuladas com dólar em Bolsa de Valores. Segundo a acusação, foi um tipo de operação conhecida no mercado como "esquenta-esfria", em que a empresa simula prejuízo para dar saída a recursos que pretende pagar a terceiros de forma sub-reptícia.

O caminho do dinheiro mostrou que a UTC perdeu R$ 1,37 milhão na operação. Quem ganhou foi um dentista que vive em Portugal (ou vivia na época). Mas o curioso foi que, em seguida, o dentista distribuiu o dinheiro para cerca de 20 pessoas e empresas por meio de cheques.

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A UTC foi multada em R$ 500 mil pela CVM no final do julgamento administrativo, em 11 de maio de 2010. Os fatos foram comunicados à Procuradoria da República no Estado de São Paulo, mas não há notícias de investigações no âmbito judiciário sobre este assunto, nem por parte da força tarefa da Lava Jato.

Foi o próprio Ricardo Pessoa, dono da UTC, quem ligou esta operação no mercado financeiro ao contrato com a Petrobras. Em sua defesa junto à CVM ele declarou que "a Ultratec [UTC] participou de uma concorrência com a Petrobrás, cuja proposta tinha prazo de entrega no dia 28.10.2002, e valor aproximado de US$ 56 milhões; como a Ultratec tinha parte das despesas em reais e receita de serviços em dólar, e com o valor do dólar em R$ 3,80 aproximadamente, foi tomada a decisão de realizar um contrato de opção flexível de dólar, que protegesse a sua receita da variação cambial, no caso de queda do valor do dólar abaixo de R$ 3,40, ou seja, pretendia assegurar o preço do dólar entre R$ 3,40 e R$ 3,50, valor que lhe foi informado como provável por analistas financeiros de bancos consultado à época".

Esclareceu que "o contrato foi realizado no valor de US$ 36 milhões, que era o valor correspondente às despesas da Ultratec (...) que o contrato foi assinado com a Petrobrás em 30.12.2002 (...) e que o contrato de opções de dólar foi encerrado sem renovação por falta de interessados em fazê-lo e também porque o declarante passou a ter dúvidas quanto a se deveria continuar ou não, pois não sabia se o contrato entre a Ultratec e a Petrobrás seria assinado".

De acordo com a acusação, a UTC comprovou a existência do contrato, porém não aceitou como razoável que a operação contra riscos cambiais fosse sem registro nem garantia da BM&F, assumindo o risco de crédito de uma contraparte que não sequer conhecia, a São Paulo CV.

A CVM investigava apenas operações no mercado de capitais e que nada tinham a ver com a Petrobras, usada apenas como "álibi" para Ricardo Pessoa justificar em sua defesa. Mas à luz de hoje esta vinculação merece melhor esclarecimento.

Pelo menos três fornecedores da Petrobras já disserem terem combinado o pagamento de propinas para o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, entre 1997 e 2003. A SBM Offshore, em investigação na Holanda e na Procuradoria da República do Rio de Janeiro, antes da Lava Jato. Outra empresa citada foi de nome Progress, e desta não há notícias se existe investigação. A última foi a Rio Marine, do delator Mário Goes, que disse ter combinado com Barusco o pagamento de propina no início dos anos 2000 e só não foi paga porque o contrato não vingou.

Também está mal explicada a história de que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa tenha sido indicado pelo ex-deputado José Janene do PP para pagar propina ao partido, se ele fosse completamente neófito nesta área.

Os diretores e gerentes corruptos da Petrobras eram funcionários de carreira, que ocuparam postos destacados antes de 2003. Há claras evidências, inclusive no próprio noticiário da época, de que casos de corrupção na Petrobras não foram inaugurados em 2003. O caso de Barusco é prova concreta. Ignorar o que se passou em 2002, 2001, 2000, em uma investigação ampla compromete a própria imagem do Ministério Público, do Poder Judiciário e da Polícia Federal.

O risco do seletivismo de cor partidária em investigações é, em vez de combater a corrupção, fortalecê-la, mesmo sem querer, através de outros agentes, mas que não são investigados.

Há poucos anos, no Rio de Janeiro a polícia começou a combater áreas dominadas pelo narcotráfico, porém apenas de uma facção criminosa. O resultado foi apenas o fortalecimento de outras duas facções. Em outro caso, um ex-chefe de Polícia Civil acabou processado por perseguir um grupo criminoso que explorava máquinas de caça-niqueis enquanto outro grupo concorrente expandia os "negócios" sem ser incomodado. Aqui, faz-se apenas uma analogia nas possíveis consequências, guardadas as grandes diferenças, porque não há motivos conhecidos para questionar a honestidade pessoal dos investigadores e não cabe comparar partidos políticos com exploradores de caça-niqueis.

No próprio caso Banestado, as atuais autoridades da Lava Jato reconheceram que o doleiro Alberto Youssef utilizou-se de delação premiada para eliminar concorrentes e voltar a operar sem concorrência.

No caso do mensalão, se tivessem investigado e punido gente do PSDB com o mesmo rigor que puniram os petistas, os tucanos teriam maior interesse em votar uma reforma política de verdade, transformadora e moralizante, em vez de apoiar o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em sua agenda antirreforma. É a sensação de impunidade que leva o PSDB a persistir em manter vícios do sistema político, acreditando que ajuda a eliminar concorrentes.

Os governos petistas chegam a ser criticados por seus próprios apoiadores pelo que chamam de "excesso" de republicanismo, pois dizem que tornou-se o único governo no mundo que criou uma polícia política contra si mesmo.

De fato os governos petistas agiram de forma republicana, como deve ser uma república, respeitando indicações do Ministério Público, não exercendo controle político na Polícia Federal, não aparelhando o Poder Judiciário. Espera-se que estas instituições também sejam republicanas, sem proteger tucanos e sem perseguir petistas. Sem dois pesos e duas medidas.

Velho conhecido

Responderam a este processo administrativo na CVM empresas e agentes do mercado financeiro conhecidos de outros escândalos, como a Corretora Bonus Banval (que operou no valerioduto), Luis Felippe Índio da Costa, que veio a ser preso depois por suposta gestão fraudulenta do Banco Cruzeiro do Sul, e Ari Ariza, citado na própria Lava Jato como agente autônomo de investimento que trabalhava com Alberto Youssef.

Em recente entrevista à Rede TV, a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef Meire Poza disse:

"O Ari (Ariza) sempre disse que ele e o deputado Eduardo Cunha são bons amigos. Inclusive, depois de deflagrada a Operação Lava Jato, um mês e meio atrás, eu estive com o Ari (...) Ele me falou: 'Meire, se você precisar de alguma coisa, eu posso falar com o deputado Eduardo Cunha”, afirmou.

Segundo Poza, Ari Ariza e Youssef se conheciam há bastante tempo. Ela disse que Ari pediu a emissão da nota fria de R$ 1,2 milhão, forjada em 24 de outubro de 2014: "Depois de deflagrada a Lava Jato, eu estive com o Ari — até porque ele tinha preocupação com essa nota da GFD — e ele disse que se eu precisasse de alguma coisa, ele poderia falar com o deputado Eduardo Cunha”, contou.



Helena Sthephanowitz
No RBA
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Malandro usa truque para inflacionar números de manifestações pró-impeachment mas deixa prova do crime

Dennis Henrique
Dennis Henrique Possani Heinderich
O ativista pró impeachment Dennis Henrique Possani Heiderich usou um truque sujo para encher seu evento intitulado de “16 de agosto eu vou pra rua #fora PT”: criou um evento intitulado “Fora PSDB”, atraiu 67 mil progressistas e então trocou o nome do seu evento.

O rapaz, no entanto, esqueceu para trás uma prova do crime: trocou o nome, mas esqueceu de trocar a imagem original.



No DCM
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“Caráter” das petrolíferas estrangeiras


Escrevi, recentemente, o artigo Projeto de José Serra sobre o Pré-Sal precisa ser observado pela sociedade”, veiculado no Correio da Cidadania. Nele, escrevi a seguinte frase: “Além de tudo isso, a questão é que, se a Petrobras não for a operadora única, muito do petróleo brasileiro e dos tributos a serem pagos ao país, com as destinações para saúde e educação, serão roubados. Não há modelo de aferição do petróleo produzido e do levantamento dos custos incorridos que sejam confiáveis, se não se tiver a Petrobras como operadora”.

Recebi uma crítica, porque eu estaria “pressupondo a existência de um roubo futuro sem ter a mínima prova de que ele irá acontecer”. O meu crítico não entende que eu não preciso esperar um roubo ocorrer para constatá-lo. Aliás, é interessante conseguir prevê-lo. Para isso, basta constatar que o modo de proceder estabelecido facilita o roubo acontecer e, também, é preciso conhecer o caráter daqueles a quem se entrega a responsabilidade de medir o volume produzido de petróleo e de levantar os custos de produção.

O artigo 17.1 do contrato de partilha do campo de Libra, que define a medição do volume de petróleo produzido no campo pelas empresas petrolíferas consorciadas e, provavelmente, será repetido nos futuros contratos de partilha, reza o seguinte: “A partir da data de início da Produção de cada Campo, os Consorciados deverão, periódica e regularmente, mensurar o volume e a qualidade do Petróleo e Gás Natural produzidos no Ponto de Medição. (...)”. Ou seja, os próprios consorciados serão os responsáveis pelo levantamento da produção do consórcio.

Ratificando o artigo citado acima, o inciso VI do artigo 2o da lei 12.351, define o “operador” de qualquer consórcio, formado para atuar nas áreas onde esta lei se aplica, que inclui o Pré-Sal, da seguinte forma: “a Petróleo Brasileiro S.A. (que é a operadora única destas áreas devido a esta mesma lei), responsável pela condução e execução, direta ou indireta, de todas as atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento, produção e desativação das instalações de exploração e produção.” Nestas atividades, está incluída a referida medição do volume de petróleo produzido.

As petrolíferas de médio e pequeno porte não têm a mínima possibilidade de participar de consórcios do Pré-Sal e a Petrobrás é a única grande petrolífera brasileira. Assim, o projeto de lei 131 do senador José Serra, ao propor a retirada da Petrobras da condição de operadora única dos consórcios formados no Pré-Sal, está transferindo várias decisões a serem tomadas por estes consórcios para as novas operadoras, as grandes petrolíferas estrangeiras (Chevron, Exxon, Shell, BP, Total, CNPC, CNOOC e outras), inclusive a definição sobre os volumes produzidos pelos consórcios.

Então, restam as perguntas-chave: “Qual o ‘caráter’ destas empresas? Como elas têm atuado no mundo, já que começaram a atuar no Brasil só recentemente? Ou seja, o que se pode esperar delas?” O passado de cada uma é revelador do seu “caráter”. Para responder a estas perguntas, alguns fatos relacionados a elas, ocorridos no mundo, são listados, sem a pretensão de esgotar a lista de seus malfeitos.

1) Irã

Nos primeiros anos do século 20, os britânicos controlavam o petróleo do Irã através da empresa Anglo-Persian, que, depois, viria a se chamar British Petroleum (BP). Era sua a refinaria de Abadan, neste país, a maior do mundo então. Os tributos pagos ao Estado iraniano eram insignificantes, mas suficientes para satisfazer o monarca Mohammed Reza Shah Pahalavi e comprar o seu silêncio. A empresa era outro Estado dentro do Irã, onde a lei e o estilo de vida eram britânicos. Os habitantes locais eram considerados seres inferiores.

A BP recusou-se, em 1951, a melhorar os salários dos seus trabalhadores, resultando em uma greve, que paralisou a refinaria de Abadan. Comerciantes, a classe média, comunistas e líderes religiosos xiitas foram às ruas. O líder do movimento era o deputado nacionalista Mohammed Mossadegh. Sua reivindicação era a nacionalização do petróleo.

Pressionado pelo parlamento, o Shah nomeou Mossadegh como primeiro-ministro. No dia seguinte, 01/05/1951, ele conduziu a votação para a nacionalização do petróleo do Irã. O exército ocupou os campos petrolíferos, mas, como era a primeira nacionalização da região, foi mal planejada e os iranianos não tiveram capacidade para manter a produção. Três mil técnicos britânicos e suas famílias abandonaram o país. Além disso, a Marinha britânica bloqueou os portos e os países ocidentais declararam um bloqueio ao petróleo iraniano, ou seja, o Irã já não podia mais vender o seu petróleo.

Ainda assim, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill pediu ajuda aos norte-americanos, entrando em ação a CIA. Foram distribuídas somas inimagináveis de dólares para subornar deputados e altos oficiais do Exército. Houve um golpe militar. Cinco mil opositores ao golpe foram fuzilados, incluindo generais democratas, comunistas e nacionalistas. Mossadegh foi preso e condenado à morte, mas sua sentença foi posteriormente reduzida a exílio. Tendo organizado o golpe de Estado, os EUA reclamaram a sua recompensa, ou seja, a BP tinha que permitir a entrada das empresas norte-americanas. As empresas petrolíferas recuperaram o seu antigo poder. O Irã ficou submerso no medo e, por isso, durante vários anos, ninguém se atreveu a fazer nada.

2) Formação do cartel das Sete Irmãs

França e Grã Bretanha, após a primeira guerra mundial, através dos acordos Sykes-Picot, dividiram o Oriente Médio entre suas empresas, deixando as empresas estadunidenses de fora. Nesta época, os países, que eram sedes das petrolíferas, entravam na disputa pela posse do petróleo do Terceiro Mundo abertamente, apoiando suas empresas.

Pierre Terzian, diretor da Revista “Petrostratégie”, lembra que: "os contratos de concessão eram textos curtos de 15 ou 20 páginas, através dos quais os Estados cediam quase todo o seu território para a exploração petrolífera em condições prejudiciais para seus povos”.

Consta que, no dia 28/08/1928, no castelo de Achnacarry, na Escócia, a Royal Dutch Shell (atual Shell), a Standard Oil (atual Exxon) e a Anglo Persian Oil Company (atual BP) firmaram os princípios gerais de um Cartel do petróleo. Tudo teria de ser acordado e partilhado: zonas de produção, custos de transporte, preços de venda etc. Posteriormente, outras empresas uniram-se à conspiração destas petrolíferas. Assim, nasceu o cartel das Sete Irmãs, composto por Exxon, Shell, BP, Mobil, Texaco, Gulf e Chevron.

Com o passar do tempo, empresas nasceram, outras saíram do mercado e algumas se fundiram ou foram incorporadas, de forma que este número, hoje, não é mais sete e o grupo não tem, aparentemente, o domínio do mercado como tinha no passado, mas é verdade que elas atuam em cartel e não têm consideração para com as sociedades dos locais onde atuam. (Observação: neste trabalho, o cartel continuará sendo chamado de “cartel das Sete Irmãs”, apesar do número de irmãs poder ser diferente de sete.)

Michael Economides, editor “The Energy Tribune”, diz que: "As Sete Irmãs eram sete petrolíferas que, durante um período, dominaram a indústria mundial do petróleo. Nesta época, a indústria não significava apenas progresso e poder econômico, mas era também um instrumento de projeção do imperialismo norte-americano e europeu no Terceiro Mundo".

Uma constante em quase todos os países em que este cartel atuava é que estas empresas exerciam influência sobre os governos locais. Elas buscavam corromper o poder estabelecido para poder usufruir do petróleo em boas condições, em detrimento da sociedade do país. Quando não conseguiam atuar desta forma, a CIA era chamada para desestabilizar os governantes do país.

Nos anos 60, as Sete Irmãs chegaram a ter 85% das reservas mundiais de petróleo. No entanto, após as nacionalizações destas reservas por países, principalmente os do Oriente Médio, ocorridas no final dos anos 60 e durante os anos 70, a OPEP passou a deter 70% das reservas mundiais, acarretando um baque para as Sete Irmãs. Nos anos 2000, elas controlavam somente 10% do petróleo do mundo.

Entretanto, continuaram a lucrar com os aumentos de preço do barril provocados pelos embargos da OPEP e com qualquer desestabilização política do mercado, como, por exemplo, com a guerra do Yom Kippur ou a invasão do Irã pelo Iraque.

Posteriormente, países do Oriente Médio são invadidos por tropas dos Estados Unidos e a sua Marinha garante a segurança das rotas marítimas dos petroleiros. Tudo em nome da sua segurança energética.

O governo George W. Bush se caracterizou pela atuação pouco dissimulada a favor das Sete Irmãs. O próprio pai do presidente, George Bush, fez fortuna no setor com direitos de exploração no Kuwait, depois da II guerra mundial. O vice-presidente de Bush filho, Dick Cheney, era presidente da Halliburton antes de se candidatar. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, tinha sido uma executiva da Chevron antes de assumir o cargo.

Com o aumento das produções fora da OPEP, como na Rússia, Noruega, Cáucaso e, recentemente, com a produção do gás e óleo de xisto nos EUA, esta organização perdeu muito da sua força.

As Sete Irmãs continuam insuflando saques ao petróleo alheio, como as recentes invasões do Iraque e da Líbia, pois, incontinente, passam a deter concessões nos países dominados. Em países com sistemas políticos estáveis, elas atuam, hoje, com ações camufladas e sofisticadas. Buscam a modificação da estrutura institucional de exploração do petróleo do país, alegando ser algo benéfico para a sociedade. Usam o controle da mídia, a pressão de agências internacionais para haver as mudanças na legislação, a espionagem de agências de inteligência e a captura de lideranças políticas do país explorado.

3) Arábia Saudita

Em 1936, ouvindo o conselho do controverso Harry St John Philby, um espião inglês, que se converteu ao Islã e teria traído seu próprio país, o rei Ibn Saud da Arábia Saudita vendeu aos norte-americanos os direitos petrolíferos do reino. Na mesma época, foi criado o reino da Arábia e, também, foi fundada a Aramco, um consórcio composto por Exxon, Chevron, Mobil e Texaco, todas elas petrolíferas norte-americanas.

Abastecer o mercado norte-americano sempre foi uma preocupação constante de todos os governantes deste país, não importando de que partido pertencessem. Isso explica porque o presidente Roosevelt, nos seus últimos meses de vida, já em estado de sofrimento, sentiu a necessidade de se reunir com o rei da Arábia Saudita, Abdelaziz Ibn Saud.

Assim, em 14/02/1945, quando retornava da Conferência de Yalta, mandou o navio da Marinha estadunidense USS Quincy, em que se encontrava, ancorar perto do Canal de Suez para se reunir com este rei. Não foi assinado acordo algum, mas foi reafirmado o acordo feito em 1936. Em troca do petróleo, o rei exigiu proteção para o seu país e muito dinheiro para si e os seus 3.000 príncipes, que lhe garantiam o poder.

A produção de petróleo da Arábia começou realmente em 1946, depois da reunião entre Roosevelt e Ibn Saud. Vinte mil norte-americanos foram, então, trazidos para o país. Os recursos petrolíferos do deserto se revelaram fabulosos e o acordo entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita muito profícuo para o primeiro.

Sheikh Ahmed Zaki Yamani, ex-ministro do petróleo Saudita entre 1962 e 1986, diz que: "a Arábia Saudita não tinha uma lei que permitisse controlar a Aramco. Ela tinha o poder de produzir o petróleo e exportá-lo ao preço que decidisse. O único poder que a Arábia Saudita tinha era o de estender as mãos para receber o dinheiro que a Aramco lhe dava. Essa era a relação que existia".

4) Iraque

No início do século passado, as empresas petrolíferas, incluindo as dos EUA, chegaram a um acordo com relação à exploração do petróleo do Iraque. Este foi o primeiro acordo que incluiu suas empresas, mostrando o início da cooperação entre elas. Assim, a Iraq Petroleum Company (IPC) foi fundada, pelas petrolíferas BP, Shell, Exxon e Total, com iguais participações. A IPC foi transformada, anos depois, no período das nacionalizações, em empresa do Estado iraquiano, por Saddam Hussein.

A guerra entre Irã e Iraque, motivada principalmente pela posse do petróleo e por diferenças religiosas, durou dez anos. Nela, morreram um milhão de pessoas e muitas instalações petrolíferas foram destruídas. No entanto, apesar de terem existido interesses do cartel e questões religiosas envolvidos, existiram também fortes causas geopolíticas e estratégicas.

Para entender o passo seguinte da história do Iraque, é preciso migrar para a história do Kuwait, um emirado “sob a proteção” do Império Britânico. Em 1938, o petróleo fluiu no deserto deste emirado, vindo a transformá-lo em país rico em petróleo. Empresas norte-americanas e britânicas passaram a explorá-lo e tiveram muito lucro, ficando com a maior parte para elas e distribuindo, como de costume, uma parcela menor para o emir e seu séquito.

Após a guerra Irã e Iraque, este último, além de humilhado com a derrota, estava com dívidas de guerra a saldar. Neste momento, o Kuwait não obedeceu a sua cota de produção, a excedendo em 20%. De imediato, o preço do barril caiu, o que representava perdas cruciais para o Iraque. O Kuwait se manteve intransigente, não se importando com as dificuldades do seu vizinho, o que foi suficiente para o Iraque invadir o Kuwait.

Os EUA gostaram desta invasão, pois intervieram no conflito do lado do Kuwait e das petrolíferas estrangeiras na região e, em poucos dias, as forças iraquianas foram esmagadas. Mas, esta só foi a primeira derrota do Iraque para os norte-americanos.

Após o 11 de setembro, o Iraque foi declarado por George W. Bush como possuidor de armas de destruição em massa e integrante do “eixo do mal”. Este foi o pretexto para o segundo confronto entre os Estados Unidos e o Iraque. O motivo real para a invasão do Iraque era permitir o acesso das empresas norte-americanas ao petróleo iraquiano. Tanto que, logo depois do assassinato de Saddam Hussein e da aniquilação de qualquer resistência iraquiana, quando toda a infraestrutura petrolífera foi preservada, foram assinados, de imediato, contratos para os campos de West Qurna, Majnoon e Rumailah pelo governo local tutelado pelos EUA, com as empresas Exxon, Shell e BP. Assim, a segunda maior reserva petrolífera do mundo foi entregue para as Sete Irmãs.

5) Líbia

Finda a segunda guerra mundial, a Grã Bretanha e os Estados Unidos, por pressão de suas empresas petrolíferas, impuseram Idris Al-Senussi no trono da Líbia. Em 1955, jorrou petróleo das dunas da Líbia.

Segundo Choukri Ghanem, ex-ministro do Petróleo da Líbia: "Toda a indústria petrolífera líbia era uma indústria estadunidense. Foi a Exxon que descobriu o primeiro poço de petróleo aqui, a primeira empresa a produzi-lo e a exportá-lo. Em menos de três anos, a Líbia produziu mais de um milhão de barris por dia. Em menos de sete anos, a Líbia atingiu 3,5 milhões. Era um fenômeno".

A Líbia recebia somente 12 centésimos de dólar por barril. Segundo o presidente Nixon, em 1968: "O regime do rei Idris é estável e seguro porque é corrupto. Verdadeiramente corrupto". Os petroleiros carregados com petróleo da melhor qualidade podiam zarpar sem problemas em direção à costa norte-americana.

Em 1969, o coronel Muammar Kadafi, liderando um grupo de oficiais, através de um golpe militar, depõe o rei Idris e proclama a República Árabe Líbia. Em 1970, ele nacionaliza o petróleo líbio. Com a suspeita de estar financiando atos terroristas, a Líbia sofre um embargo comercial imposto pelos Estados Unidos, a partir de 1982.

Contudo, o mesmo Kadafi, em 2003, reconhece a participação de oficiais líbios em ações terroristas, paga dois bilhões de dólares como indenização às famílias das vítimas e, através de negociações, que incluem o retorno das petrolíferas estrangeiras à Líbia, consegue ter o embargo suspenso, em 2004.

No entanto, a abertura para as empresas estrangeiras não deve ter sido suficiente, pois é sabido que Kadafi foi deposto e assassinado. Hoje, vigora na Líbia a “paz americana”, que permite muito petróleo ser levado pelas Sete Irmãs.

6) Argélia

A França mandou duas das suas empresas, as antecessoras da Total e da Elf, procurarem petróleo no Saara argelino, pois, para a França, era importante conseguir descobertas onde o petróleo poderia ser pago em francos. Por fim, o petróleo foi descoberto na região, em uma Argélia ainda colônia francesa, em 1956. Mesmo após a independência das colônias francesas na África, elas continuaram na zona do franco, o que beneficiava as compras de petróleo.

Esta descoberta dificultou em parte a libertação da Argélia, pois a França não queria abrir mão do suprimento do “seu” petróleo. Em 1962, a Argélia conseguiu sua independência com soberania total sobre o Saara, mas teve que garantir o suprimento de petróleo para a França. Além disso, as firmas francesas continuavam no Saara argelino, ou seja, eram um enclave francês em pleno deserto. Como sempre, os lucros eram imensos, mas pouco ia para o governo local.

Em 1971, o presidente argelino Boumédienne nacionalizou o petróleo da Argélia, em total desacordo com o que desejava o governo francês. Este ato foi também um baque para as empresas Total e Elf, pois a Argélia era, para elas, a grande fonte de petróleo. A Total ainda aceitou a proposta argelina de continuar no país, produzindo petróleo com menor participação no lucro, enquanto a Elf o abandonou.

7) Gabão

Inicialmente, foi a Elf que atuou no Gabão, um protetorado da República Francesa. O petróleo foi descoberto nas regiões de Ozouri e Pointe Clairette, em 1956. A Elf influenciou fortemente a política local, tendo colocado o ditador Omar Bongo no poder.

Mas, em certo momento, a produção de petróleo do Gabão diminuiu e ocorreu um rumoroso julgamento de três executivos da Elf, que acabaram condenados à prisão. No caso, eles não só ajudaram a riqueza do país ser levada sem grande compensação para a sua população, a França, beneficiária de petróleo garantido e acessível, como também enriqueceram com parcela do roubo.

Com o escândalo, a Elf é incorporada pela Total, que continuou influenciando o governo. Bongo permaneceu no poder durante 40 anos, período em que a Elf e a Total dominaram o setor do petróleo, com prejuízo visível para o povo gabonês, que vivia com dificuldades. Não satisfeito, Bongo passou o poder para o seu filho, Bongo Filho, e a Total continuou com os acordos com o novo ditador, que a permitem dominar o setor do petróleo.

A Elf financiou diversos regimes e movimentos de guerrilha na África de influência francesa. Tratava-se de uma diplomacia pragmática, que consistia em garantir petróleo para o mercado francês e em trazer fortuna para alguns líderes locais com os subornos e para os executivos com seus desfalques. Pode-se dizer que a prática de uma petrolífera estrangeira na África e no Oriente Médio se resumia em um genocídio econômico das populações, perpetrado por elas e os líderes locais impostos por elas.

Nos dias atuais, apesar da posição consolidada da Total, os governantes locais sofrem o assédio das empresas chinesas, ávidas por petróleo.

É incrível o fato de que, quando os funcionários da Total entraram em greve, quem garantiu a segurança das instalações e a ordem foram unidades da Marinha francesa. Ou seja, uma força militar da França se movimenta, intimida, persuade e reprime manifestações dentro do Gabão, só porque a unidade industrial em questão, neste país, é francesa.

8) Nigéria

O que aconteceu na Nigéria foge à compreensão de qualquer ser provido de alguma humanidade. Dito de forma simplificada, em 1956, a Shell descobriu petróleo na Nigéria, quando este país ainda era um protetorado da coroa britânica. As reservas do país se mostraram grandiosas, tanto que, hoje, é o maior produtor da África subsaariana. Como ocorria em toda África, a população local pouco se beneficiava com a produção de petróleo do país. O maior beneficiário local era o ditador general Abacha.

O norte do país era povoado por mulçumanos, que dominavam o governo central, e as regiões leste, sudeste e sul pela etnia ibos, que são cristãos e animistas. Contudo, dois terços das reservas de petróleo encontram-se nas terras dos ibos, na região de Biafra. A Shell e a BP sempre estiveram ao lado dos mulçumanos e, no ano de 1967, a Elf, com apoio do governo francês, armou os ibos e buscou conseguir a independência de Biafra, com o intuito de o novo país assinar contratos de petróleo com ela.

Assim, ocorreu uma sangrenta guerra civil, na qual morreram mais de um milhão de pessoas. Além de tudo, com a guerra, escasseou a comida na região, acarretando mortandade também. Esta guerra pode ser resumida como o confronto de populações locais pelo direito de empresas estrangeiras explorarem o petróleo nigeriano, sem deixar quase nenhum usufruto para estas populações. Não é por outra razão que mais da metade da população da Nigéria busca sobreviver com menos de um dólar por dia.

Outro caso triste ocorrido na Nigéria é a história de Ken Saro-Wiwa, um ogoni, grupo étnico minoritário da Nigéria, formado de agricultores e pescadores que vivem no delta do Níger. Saro-Wiwa era escritor, poeta, ativista ambiental, liderava o Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni, uma campanha não violenta contra a degradação ambiental desta região provocado pelas petrolíferas, basicamente a Shell.

Ele acusou estas empresas de poluírem o meio ambiente e não repartirem seus fabulosos ganhos com as populações locais e denunciou o conluio entre a Shell e o governo corrupto do ditador. Assim, conseguiu mobilizar milhares de pessoas, obrigando a Shell, em determinado momento, a parar a produção. Contudo, acabou preso em 1994 a mando do regime militar. Em um processo judicial fraudulento, Saro-Wiwa foi condenado à morte e enforcado em 1995, junto com oito companheiros seus.

Em 2009, a empresa Shell, reconhecendo a sua implicação na morte do ativista e dos seus companheiros, pagou 15,5 milhões de dólares às famílias das vítimas, buscando minimizar os efeitos negativos deste caso para a sua imagem. Tratou-se de uma confissão de culpa.

9) Sudão

Quando o Sudão se tornou independente, em 1956, a elite árabe, que habitava a região norte, estabeleceu o poder em Cartum, nesta região, e a região sul, onde a maioria era composta de negros, que eram cristãos e animistas, foi politicamente menosprezada.

O petróleo do Sudão foi descoberto pela empresa Chevron no final dos anos 70. Depois, se constatou que 85% dos campos petrolíferos do Sudão localizavam-se na região sul, enquanto, na região norte, estava o único porto com possibilidade de escoá-lo. Com a perspectiva de posse dos benefícios que este petróleo traz, foi iniciada a segunda guerra civil do país, que durou 19 anos, consumiu 1,5 milhão de vidas e tem nas célebres Irmãs possíveis instigadoras.

O que aconteceu de diferente no caso do Sudão, além do confronto de duas etnias bem diferentes, foi o aparecimento de petrolíferas chinesas na competição. Estas petrolíferas atuaram de forma idêntica às petrolíferas privadas ocidentais, pois colocaram o Estado chinês para pressionar o governo de então do Sudão, comandado por Al Bashir.

Desta forma, o presidente da China, Hu Jintao, foi a Cartum em 2007 e negociou com Al Bashir a construção de uma barragem no Nilo, estradas e estádios, além do oleoduto de Heglig até Porto Sudão, em troca do fornecimento de 500.000 barris diários de petróleo para a China. Desta feita, as Sete Irmãs saíram perdendo.

Enquanto isto tudo ocorre, o Sudão do Sul vê seu petróleo sendo levado para a China com pouco usufruto para a região, fato que insuflou o nacionalismo da região, resultando, em 2010, no aparecimento do país Sudão do Sul, desmembrado do antigo Sudão. E a área remanescente continuou sendo chamada de Sudão (não existe o Sudão do Norte). Os dois países não estão inteiramente pacificados. Esta é uma excelente oportunidade para as Sete Irmãs buscarem reverter o que perderam na região.

10) Venezuela

O suprimento de petróleo venezuelano para os Estados Unidos data da década de 1920, época em que o ditador Juan Vicente Gómez deu acesso a este petróleo às petrolíferas norte-americanas. E, apesar de parecer incrível, durante um enorme período tal suprimento foi feito sem nenhum tributo à Venezuela, significando que não existiu, no período, um só benefício para a sociedade venezuelana por esta exportação. Em compensação, o ditador e seu clã recebiam generosos subornos. Tratava-se da inconcebível pilhagem de um país pelas Sete Irmãs.

Assim, a Venezuela tornou-se o segundo produtor mundial de petróleo, atrás somente dos Estados Unidos. Na década de 1970, começou o movimento que buscava nacionalizar o petróleo venezuelano. Em 1976, foi criada a estatal PDVSA para se contrapor às empresas estrangeiras.

Entretanto, esta situação só veio a reverter-se totalmente com a subida de Hugo Chávez ao poder, em 1999. Por isso, as Sete Irmãs e a CIA tudo fizeram para retirá-lo do poder ou dificultar a sua administração, inclusive com ações como greves e sabotagens na PDVSA.

Hugo Chávez colocou o petróleo venezuelano para trazer benefícios para a sociedade do país e este fato deve ter influenciado para ele se eleger presidente por três vezes.

Conclusão

Estas são as empresas que, se o projeto do senador José Serra for aprovado, irão operar as novas áreas arrematadas do Pré-Sal, com as incumbências, dadas por lei e contratos, de declarar, após medição própria, o volume de petróleo produzido, o valor da sua exportação para a própria matriz, os custos envolvidos e, consequentemente, os tributos a serem pagos ao Estado brasileiro. Pergunte a si mesmo: “se esta decisão fosse relacionada com meu patrimônio pessoal, eu confiaria nestas empresas?” Elas que ainda nem pediram desculpas aos povos do Oriente Médio, da África e da Venezuela.

Ainda resta a pergunta: “Não obstante toda esta argumentação, estes dados são do passado. O mundo mudou e não existem, pelo menos com a mesma intensidade, golpes de Estado, rebeliões, assassinatos de políticos para tomada do poder, ditadores etc. Então, como as Sete Irmãs podem agir, hoje?

Além de poderem trabalhar para que ocorra a ocupação militar de um país, elas podem:

1) comprar uma bancada de políticos para aprovar uma legislação que dissimula o roubo e o torna legal;

2) divulgar através da sua mídia corrupta informações mentirosas ou meias verdades;

3) acumpliciar lideranças da sociedade para complicarem o assunto e, assim, dificultarem o entendimento pelo cidadão comum;

4) trabalhar para aprovar a galope propostas prejudiciais à sociedade e ótimas para elas, para não dar tempo para a sociedade compreender e reagir.

Quem teve o mau caráter para agir como descrito, no passado, tem o exato caráter para agir, hoje, através deste novo modelo. Ou seja, o “modus operandi” para as Sete Irmãs continuarem obtendo grandes vantagens mudou, mas, tendo elas o mesmo caráter, que as consagrou, facilmente elas se adaptarão aos novos tempos. E as sociedades, como no passado, continuarão sendo as grandes prejudicadas.

Fonte: A maioria das informações e dados citados foi obtida da série de vídeos intitulados “O Segredo das Sete Irmãs: A Vergonhosa História do Petróleo”, produzido por Frédéric Tonolli e Arnaud Hamelin e que pode ser encontrada facilmente na internet.

Paulo Metri
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Grafeno e mundo do futuro

O grafeno é um material composto de átomos de carbono que, por ser simplesmente o mais fino e mais condutor do mundo, é tido como o futuro da tecnologia. Essa camada ligeiríssima de grafite é ainda muito resistente, se levarmos em consideração sua espessura, sendo 100 vezes mais forte que o aço.

Quando isolado e usado da forma correta, o grafeno ganha possibilidades incríveis de utilização e, por isso, é visto como a solução de vários problemas na área de tecnologia: desde substituição de materiais raros e escassos até o barateamento de custos para o consumidor. 

Grafeno, um material peculiar. Confira!



O composto foi descoberto em 1947, pelo físico Philip Russel Wallace, o primeiro a estudar de forma teórica sobre o material. Mas foi só em 1962 que ele se tornou realidade, através dos químicos Ulrich Hofmann e Hanns-Peter Boehm. Foi Boehm, inclusive, quem o batizou, a partir da junção das palavras grafite e o sufixo – eno.

Finalmente, em 2004, o grafeno surgiu para o mundo, graças aos físicos Andre Geim e Konstantin Novoselov, que resolveram testar seu potencial como transistor. Até aquele momento, era impossível conseguir uma amostra do material para estudos mais efetivos, sem o isolar da forma correta. Os estudiosos conseguiram o feito, incrivelmente, com uma fita adesiva.

Não é à toa que o grafeno é supervalorizado no mundo da tecnologia. Ele é, simplesmente, o material mais forte, mais leve e mais fino conhecido na atualidade. Além disso, é transparente, elástico e conta com propriedades elétricas e óticas.

Empresas e cientistas apostam no composto químico como a revolução na indústria de eletrônicos, projetando uma nova geração de componentes e dispositivos. O fato de ser uma descoberta relativamente nova não impediu que os primeiros produtos comerciais já estejam perto de serem lançados.

Um destes produtos derivados que estão sendo desenvolvidos a partir do material é um novo tipo de cabo de transmissão. Os cientistas aproveitaram todo o potencial dos elétrons e potencializaram a velocidade de troca de dados a centenas de vezes acima do que existe atualmente. Tal tecnologia permitiria uma internet muito mais rápida do que a que conhecemos.

Pesquisadores já desenvolveram também uma antena de grafeno, com a qual é possível transmitir, a um metro de distância, 128 GB (ou 1 terabit) por segundo. Para se ter uma ideia, em 128 GB cabem, aproximadamente, 32 mil músicas de 4 Mb. Acredita-se que, a uma distância menor, os cientistas consigam transmitir cem vezes mais informações na mesma quantidade de tempo.

As propriedades do material também estão sendo aproveitadas para a criação de baterias. Uma delas foi descoberta acidentalmente por um estudante da Universidade da Califórnia. O rapaz colocou uma camada líquida de óxido de grafite em um CD, inseriu em um leitor de DVD com LightScribe (tecnologia de impressão direta em um CD ou DVD) e usou o sistema para "chupar" o grafite. Em apenas dois segundos de carregamento, o disco banhado conseguiu carregar um LED por cinco minutos. Há também versões de bateriais flexíveis e ultrarrápidas em desenvolvimento, que vão de encontro ao lançamento de gadgets dobráveis, como têm sugerido diversas fabricantes, como a Samsung.

Existem ainda novas pesquisas com nanochips, fones de ouvidos, filtragem de água salgada, telas touchscreen e dispositivos biônicos, todos derivados do grafeno. Tais experimentos e estudos influenciaram a criação de um consórcio, que incentiva estudos e busca investidores, chamado Graphene Flagship Consortium. Este grupo conta com nove parceiros, entre eles a Nokia e a Universidade de Cambridge. Também fazem parte os recentemente laureados com o Nobel de Física, Andre Geim e Konstantin Novoselov, que foram premiados justamente por estudos em torno do material.
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Justiça do Trabalho proíbe Abril de realizar demissões em massa


Os sindicatos dos Jornalistas e dos Administrativos de São Paulo conquistaram uma vitória para os funcionários da Editora Abril: o desembargador Wilson Fernandes, vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho – 2ª Região, incluiu na liminar que concedeu às duas entidades em 29/7 uma cláusula que proíbe demissão em massa na empresa. Fernandes já havia determinado multa de R$ 15 mil por trabalhador demitido. Agora, embora não esteja impedida de demitir, a Abril tem um limite mensal de dispensas.

“Ficam alterados os termos da liminar anteriormente concedida para estabelecer que até a próxima audiência as demissões por iniciativa da Empresa fiquem limitadas a 12 jornalistas e 22 funcionários com prazo determinado”, estabelece o novo texto. A decisão, segundo o Sindicato dos Jornalistas, foi tomada em meio a fortes rumores de que a editora preparava uma nova onda de demissões.

No Portal dos Jornalistas
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O longo percurso da Veja rumo à miséria jornalística

RC foi progressivamente ocupando a redação da Veja
A Veja não chegou a este grau de miséria jornalística expressa no caso Romário de repente.

Foi uma longa jornada.

O marco zero foi a substituição, no final dos anos 1990, de Mário Sérgio Conti por Tales Alvarenga na direção da redação.

Ali, Roberto Civita deixou claro que era ele que iria editar a revista.

Foi uma ocupação de espaço progressiva. O primeiro diretor da Veja, Mino Carta, tinha carta branca.

Em seu contrato, estava acertado que os Civitas só comentariam a revista depois que ela chegasse às bancas.

Era um acerto que refletia o espírito do patriarca da Abril, Victor Civita, à época no comando, mas não o de seu filho e herdeiro, Roberto.

VC não competia com seus editores: era apenas um empreendedor. Jamais se teve na conta de editor, ou jornalista, e muito menos um intelectual.

Com VC já se despedindo das funções executivas da Abril, Roberto pressionou pela saída de Mino.

Queria mais espaço. E teve.

O segundo diretor da Veja, José Roberto Guzzo, representou a entrada de Roberto nas decisões editoriais da Veja.

Era impensável um contrato nos moldes do de Mino.

Eu era um jovem repórter quando entrei na Veja, em 1980, no início da Era Guzzo.

Já houvera uma transferência efetiva de poder, mas as aparências eram mantidas.

RC raramente aparecia na redação. Nas noites de quinta, véspera do fechamento, Guzzo descia da redação no sétimo andar do prédio da Marginal do Tietê e ia para o sexto, onde ficava a sala de RC.

Ali, despachavam. Quase sempre Guzzo estava acompanhado de seu adjunto, Elio Gaspari, jornalista marcante na Veja de então.

Uma alteração de forte caráter simbólico veio na Carta do Editor. Mino, desde o início, a assinava com as iniciais MC.

Nos primeiros tempos da Veja: Mino Carta era grande demais para RC
Nos primeiros tempos da Veja: Mino Carta era grande demais para RC
Com sua saída, Guzzo passou a assiná-la com JRG. Em suas férias de janeiro, você encontrava as iniciais EG na carta. Era Elio Gaspari.

Não demorou muito e as iniciais desapareceram. A carta deixou de ser assinada, embora Guzzo a escrevesse.

Era uma mensagem. Nela, estava a opinião da Abril, e não dos diretores de redação da Veja.

Mesmo sem os poderes de Mino, Guzzo ainda tinha mais autonomia do que RC desejava.

Guzzo, nos anos 1980, levou a Veja rumo a quase 1 milhão de exemplares. Mas mesmo assim quando ele disse a Roberto que gostaria de sair da direção este não opôs resistência nenhuma.

“Ele logo gostou”, me disse, anos depois, um diretor da Abril que participou da sucessão de Guzzo. “Depois de alguns minutos, o Roberto perguntou ao Guzzo quando ele gostaria de sair.”

Mário Sérgio Conti, o sucessor de Guzzo, deveria ser um passo a mais na tomada de poder por RC.

Mas, no meio do caminho, aconteceu o caso Collor.

Conti se deixou inebriar. Achou que ele tinha derrubado Collor. Passou a se comportar como uma celebridade jornalística, e isso não estava no programa de RC.

O prédio todo comentou um dia em que RC, durante o caso Collor, foi com amigos à sala de Conti para mostrar “seus meninos” em ação.

Conti falava ao telefone com Claudio Humberto, fonte na história, e fez um sinal rápido para que RC e comitiva esperassem do lado de fora da sala enquanto ele estivesse ao telefone.

Roberto não se livrara de Mino e deixara sair Guzzo para enfrentar esse tipo de embaraço na frente de amigos.

De resto, a Abril, embora grande, era pequena demais para dois derrubadores de presidente.

Conti estava tão liquidado quanto Collor.

O sucessor de Conti, Tales Alvarenga, um apagado editor de carreira que subiu na hierarquia por inércia, significou um novo e enorme passo para que Roberto reinasse sem contraponto na Veja.

Tive um papel nesta sucessão. Na época, eu era diretor de redação da Exame. Durante um ano, em segredo, um pequeno grupo liderado por RC discutiu quem substituiria Conti.

Começaram com vinte nomes, e chegaram a dois, finalmente. Marcos Sá Corrêa e eu. Num encontro num hotel em Portugal (a Abril tinha montado uma editora lá) o grupo chegou a um nome. O meu.

Quando Conti soube que era eu, vazou para os editores da Veja. Foi um tumulto na redação.

Eu liderara um processo de renovação na Exame, e a velha guarda da Veja temia que eu pudesse mexer nela.

Tales Alvarenga, então adjunto de Conti, decidiu se demitir. Ele marcou uma conversa com RC na qual entrou demissionário e saiu diretor.

Roberto percebeu, ali, que Tales, um burocrata pouco brilhante, faria tudo que ele gostaria sem opor nenhum tipo de sombra.

Eu era uma incógnita para RC, neste sentido. Poderia ser controlado? Não era esta exatamente minha fama na Abril, a de um cordeiro.

Tales fez, como diretor, o que RC esperava. O papel do diretor de redação da Veja ficou ainda menor.

De Mino a Guzzo, de Guzzo a Conti, de Conti a Tales, o diretor foi progressivamente minguando.

O apogeu deste processo se deu quando Tales, já perto dos 60 anos e desgastado fisicamente por muitos anos de entrega desvairada à Veja, foi substituído.

O novo diretor, Eurípedes Alvarenga, foi a etapa definitiva para a dominação de Roberto.

Ainda hoje no cargo, Eurípedes se prestou basicamente a transformar em capas, títulos, textos e legendas as determinações do patrão.

Roberto já passava a se apresentar publicamente como “editor” da Veja.

Seu sonho se realizara na plenitude, enfim, depois de um longo percurso.

Esta era a boa notícia.

A má é que Roberto jamais foi um jornalista, um editor. Era filho do dono, e ponto.

Sem contraponto de editores profissionais, a falta de noção de Roberto se esparramou pelas páginas da Veja.

Quando as limitações editoriais de RC se somaram a seu ódio por Lula, a Veja virou o que é hoje.

Numa aberração histórica, a revista publicou um dossiê que atribuía conta no exterior a Lula, como agora no caso de Romário.

No meio do texto, estava escrito que a revista não conseguira “nem confirmar e nem desmentir”. Mesmo assim, publicou.

Outro dia, ao ler o rumor de que a Abril estava prestes a pedir recuperação judicial, brinquei com a turma do DCM. “Só faltava a gente publicar isso dizendo que não conseguíramos confirmar ou desmentir.”

Mas é claro que esse tipo de coisa não faz parte de nossos valores editoriais. Era apenas uma piada.

Mas para a Veja tal procedimento tem sido uma realidade, com preço tenebroso para as vítimas dos assassinatos de reputação empreendidos pela revista.

Tinha que dar no caso Romário.

A destruição da cultura editorial da Veja não poderia se limitar ao PT e a Lula. Ela acabou se espalhando, como um câncer, por toda a revista.

Quando um redator-chefe manda que escrevam uma crítica laudatória de várias páginas sobre seu romance, é porque só sobraram ruínas editoriais. (O autor desse atentado contra a decência, Mário Sabino, levou sua cultura jornalística para o site Antagonista, que edita ao lado de Mainardi, outro símbolo da Veja desgovernada.)

A diferença, agora, é que o falso extrato de Romário foi parar na polícia e na Justiça da Suíça.

No Brasil, não aconteceria nada. Apesar das provas coletadas por Romário, a Veja continuou a agredi-lo.

Uma matéria na edição impressa que está nas bancas afirmou, no título: “A conta não fecha, Peixe.”

Blogueiros como Augusto Nunes e Felipe Moura Brasil também investiram contra Romário pouco antes do pedido de desculpa.

É possível agora, com o caso chegando à Suíça, que os donos da Abril comecem enfim a se preocupar com o passivo jurídico de uma revista sem o menor compromisso com a apuração dos fatos.

Não existe, a rigor, surpresa na história. Você poderia perguntar: por que a Veja não perguntou para o banco se Romário tinha mesmo uma conta? Foi o que ele mesmo, Romário, fez.

Mas não.

Este tipo de cuidado básico no jornalismo foi exterminado por Roberto Civita — com a contribuição milionária de Eurípides Alcântara.

Paulo Nogueira
No DCM
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Romário põe a Veja de joelhos


Num dia de tanto constrangimento, uma alegria.

A de ver, mesmo de forma hipócrita, a Veja pedir desculpas a Romário por ter publicado um extrato falso de uma suposta conta bancária no exterior, que pertenceria ao Senador fluminense.

Hipócrita porque, das duas uma: ou a revista foi criminosamente irresponsável ao reproduzir um documento falso recebido de alguém, e neste caso tem a obrigação, até para que sejam tomadas as providências legais, de dizer como e quem o forneceu; ou, então, a revista foi deliberadamente criminosa ao participar como autora ou cúmplice de uma falsificação abjeta.

Se não foi, porque alegar que não se retratou porque ”pairavam perguntas sem respostas sobre a real natureza do extrato, de cuja genuinidade Veja não tinha razões para suspeitar”. É mesmo? Vai, então, a revista preservar o “sigilo da fonte” de um bandido que a usou para demolir a reputação alheia?

Se não veio do Ministério Público — que é o que diz a edição difamadora —, de onde veio?

Que meio de bandidagem é este onde a Veja é ferramenta da desonra e, quando descoberta nesta imundície, diz que está só fazendo “jornalismo”? Que turma é a da Veja? Os Demóstenes, os Youssef, os falsários?

Romário fez um golaço para a democracia e para o jornalismo brasileiro.

Deveria estar sendo aplaudido de pé pelos jornalistas, porque fez o que a Veja não fez: buscou as provas da verdade e honrou o que havia afirmado. Não se intimidou pelo clima de “todo mundo é ladrão” construído pela mídia, com a Veja à frente, e “peitou” um veículo quase sempre impune de notas de esgoto.

Tomara que não tenha esquecido os tempos de craque como jogador e aja como craque na política. O adversário levou um gol no contra-ataque e balançou. Hora de ir em frente e marcar o segundo: a revistá é confessa, não há mais materia de prova a discutir, é só a de direito — inquestionável — à indenização proporcional ao dano causado.

E que dano, para um político, um mandatário, ser apontado pela revista de maior circulação do país (não é o que ela própria afirma?), com repercussão em toda a imprensa do país, como um praticante de crime financeiro?

Faça a Veja desculpar-se com aquilo que ela ataca nos outros, mas pratica a rodo: exposição degradante e dinheiro.

Mate o jogo, Romário.

Leia a nota da Veja:
VEJA reconhece erro e pede desculpas a Romário

Em seu perfil no Instagram e em sua página na internet, o senador Romário de Souza Faria publicou a informação de que recebeu do banco suíço BSI um documento (leia a íntegra em francês) enviado por aquela instituição financeira às autoridades daquele país. “Nós estabelecemos como certo que este extrato bancário é falso e que o Sr. Romário de Souza Faria não é o titular desta conta em nosso banco na Suíça.”

O extrato em questão foi publicado há duas semanas por VEJA como prova de que Romário era titular de uma conta bancária na Suíça com saldo equivalente a 7,5 milhões de reais. O comunicado do BSI não deixa dúvida sobre as adulterações no documento e pede às autoridades que investiguem a autoria da falsificação.

Por ter publicado um documento falso como sendo verdadeiro, VEJA pede desculpas ao senador Romário e aos seus leitores. Esse pedido de desculpas não veio antes porque até a tarde desta quarta-feira ainda pairavam perguntas sem respostas sobre a real natureza do extrato, de cuja genuinidade VEJA não tinha razões para suspeitar.

A nota do BSI dissipou todas as questões a respeito do extrato. Ele é falso.

A investigação desse episódio, no entanto, continuará sendo feita por VEJA.

Estamos revisando passo a passo o processo que, sem nenhuma má fé, resultou na publicação do extrato falso nas páginas da revista, evento singular que nos entristece e está merecendo toda atenção e cuidado para que nunca mais se repita.

Fernando Brito
No Tijolaço
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