4 de ago de 2015

Caos no RS: gaúchos lamentam seu voto?

Nas eleições do ano passado, os gaúchos entraram na onda da mídia antipetista — que fez sistemática e ostensiva campanha contra o governador Tarso Genro — e elegeram para chefiar o Estado um político inexpressivo e sem estofo; José Ivo Sartori (PMDB). Passados seis meses, porém, eles já devem estar arrependidos. Nesta segunda-feira (3), os servidores públicos do Rio Grande do Sul realizaram uma greve de advertência de 24 horas. Eles protestaram contra a decisão do governo de parcelar o salário do funcionalismo. Caso José Ivo Sartori não recue na sua medida antipopular, a categoria promete deflagrar uma paralisação por tempo indeterminado a partir de 18 de agosto.

A mídia privada, principal cabo-eleitoral do desconhecido peemedebista, até tentou abafar o protesto. Mas a adesão ao movimento foi significativa. As escolas estaduais permaneceram fechadas, os ônibus não circularam e até a PM cruzou os braços. Segundo reportagem da Folha, "a maioria dos policiais militares não saiu dos quarteis nesta segunda. Sem policiamento, os ônibus deixaram de circular pela manhã... O comando da Brigada Militar colocou nas ruas soldados sem formação. 'Os alunos foram usados para dar impressão de normalidade', disse Leonel Lucas, da Associação dos Servidores de Nível Médio da Brigada Militar. A associação chegou a pedir a prisão do governador Sartori por descumprimento de ordem judicial que proibia o parcelamento dos salários".

Na semana passada, o governo gaúcho anunciou que, "devido à crise econômica", só pagará o salário integral aos servidores que ganham até R$ 2.150. Os demais funcionários públicos, cerca de 48% do total, receberão em mais duas parcelas, em 13 e 25 de agosto. José Ivo Sartori também tem defendido a privatização dos serviços públicos — chegou até a especular com a redução das escolas estaduais — e o aumento dos impostos. O clima entre os 350 mil servidores gaúchos é de revolta e indignação. 

Há anos que o Rio Grande do Sul aparece como o Estado mais endividado da federação. Na gestão de Tarso Genro, o governo nunca atrasou salários ou cogitou seu parcelamento. Agora, porém, o golpe foi desfechado. Ainda há o risco da União bloquear os repasses financeiros para várias obras no Estado, já que o governo local não está honrando seus compromissos. A tendência é de radicalização dos conflitos nas terras gaúchas. O candidato forjado pela mídia para derrotar o petista Tarso Genro em outubro passado vai se mostrando uma enorme e trágica fraude eleitoral.

Altamiro Borges
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“Não esqueça minha moedinha de cinco centavos”, disse o propineiro


Há coisas que sempre me lembram o preâmbulo do “Discurso do Método”, do tão desprezado Descartes, onde ele afirma que o bom-senso parece ser a coisa mais bem distribuída do mundo, pois cada um pensa estar tão bem provido dele, que mesmo aqueles mais difíceis de se satisfazerem com qualquer coisa não costumam desejar mais bom senso do que tem.”

Você consegue imaginar que alguém receba uma propina de mais de R$ 500 mil pagar ou receber o valor com tamanha exatidão que nem mesmo uma moeda de cinco centavos é deixada para lá?

Pois, caro amigo e querida amiga, é assim que Milton Pascowitch descreve em seu depoimento, reproduzido pelo Estadão, ter se dado um dos pagamentos em dinheiro que alega ter sido feito ao PT:
“Segundo Milton, os valores repassados a Vaccari eram devolvidos à Jamp (empresa de Pascowitch) por contratos de prestação de serviços que não foram realizados com a Engevix. Pagamento semelhante teria ocorrido, ressaiu (significa ressaltou) Milton, quanto à obra de Belo Monte (também alvo da Lava Jato). Neste caso, a Engevix teria repassado R$ 532.765,05, os quais foram entregues pelo colaborador a Vaccari, em espécie, na sede do PT em São Paulo, aproximadamente em 11/2011.”
Percebam, leitor e leitora, o refinamento dos cinco centavos, como se um “paco” de dinheiro deste vulto fosse conter um solitária moedinha de cobre azinhavrado, quase verde ali, no meio de pelo menos 5.327 pelegas de R$ 100! Dinheiro suficiente para encher uma mala das grandes e uma solitária moeda…

E será que alguém que vai receber R$ 532.765, 05 — não esqueçam a moedinha! — de propina vai fazer isso na sede de um partido político, passando por porteiros, militantes, secretárias e um mar de olhos compridos para alguém que anda arrastando uma mala e sai sem ela, enquanto um dirigente a leva embora, lépido e fagueiro, dizendo “vou viajar, pessoal!”.

Esta história precisa ser bem esclarecida, porque se alguém algum dia, sacou uma quantia enorme em dinheiro para alguma falcatrua, não pode sair dizendo que deu a fulano ou beltrano sem provas. Até porque pode dizer que foi a mim ou a você e se há uma polícia e um juiz que querem provas de que não recebemos e como iremos obtê-las?

Será que alguém, nesta operação, se preocupa em refletir sobre estas questões de bom-senso antes de sair divulgando como verdade o que não parece ser e dificilmente é.

Modestamente, sem querer fazer pouco caso da inteligência de ninguém, se eu estou ouvindo uma confissão destas, com este primor da moedinha em meio à mala de dinheiro, não acho que o que está sendo dito valha nem 5 centavos.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Silvio Costa detona Cunha!


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Centro para dependentes químicos vira casa de amiga do prefeito tucano

Um espaço com 30 chalés em Caraguatatuba (SP) que deveria servir como centro de recuperação de dependentes químicos virou a casa de uma funcionária pública que se intitula amiga do prefeito Antônio Carlos da Silva (PSDB)

Um espaço público feito para abrigar mais de 60 dependentes químicos em Caraguatatuba, litoral de São Paulo, abriga atualmente somente duas pessoas, nenhuma delas dependente: Bruna de Oliveira da Silva, funcionária pública, e sua mãe, Gorete Fátima de Oliveira. Ambas estão no local desde 2012 e, pelas redes sociais, se intitulam como “amigas” do prefeito Antônio Carlos da Silva (PSDB). Há em seus perfis no Facebook, inclusive, fotos com o prefeito e no interior do imóvel. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Com trinta chalés, duas piscinas, salão de jogos e playground, a área pertencia à categoria dos delegados de polícia, que a utilizava como colônia de férias. Em 2011, no entanto, a prefeitura desapropriou o espaço para transformá-lo no Centro de Recuperação de Mulheres Dependentes, que funcionou até dezembro de 2013 em um convênio com a igreja Renascer.

De acordo com a secretaria de Assistência Social do município, o serviço foi interrompido pois não havia demanda suficiente. Já a igreja alega que a prefeitura “rescindiu o contrato sem dar explicações”.

Prefeito Antonio Carlos da Silva (PSDB) na inauguração do centro. (Foto: divulgação)
Prefeito Antonio Carlos da Silva (PSDB) na inauguração do centro.
Foto: divulgação
A prefeitura confirma que as duas mulheres vivem no local desde 2012 mas não explica o motivo pelo qual o espaço foi destinado a elas. À reportagem da Folha, vizinhos relataram que recorrentemente há uma movimentação maior no espaço e que o local toma “características de uma pousada”. Em nota, a prefeitura afirmou que o imóvel de 4.095 m² é utilizado para abrigar o reforço policial que chega na cidade para a alta temporada.

O centro de recuperação que virou casa da amiga do prefeito era o único do tipo na cidade. Atualmente, mulheres com dependência química de Caraguatatuba têm que recorrer a centros de referência no Vale do Paraíba. De acordo com a prefeitura, há um projeto para se construir um novo centro no município mas ainda não há previsão de início.

No Fórum
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Xico Sá, Duvivier, Jô Soares e o fenômeno da patrulha de direita

“Esquerdopata!”: Donald Sutherland em “Os Invasores de Corpos”
Xico Sá está apanhando nas redes sociais por um haicai (“viver é estouro/ sou mais Zé Dirceu/ q o tal do Mouro”) e alguns tuítes (“Não, não, não, ñ me incomoda q o Psdb seja inimputável, o q me deixa puto é e q a justiça brasileira só veja um lado”  e "grande juiz Moro/ só no cu fácil da vaca/ jamais no cu do touro", por exemplo).

Gregório Duvivier é chamado de esquerda caviar, comunista e petralha. No ano passado, chegou a ser agredido verbalmente num restaurante no Leblon. Um sujeito falou que ele deveria estar almoçando no bandejão, “já que gosta tanto de pobre”.

Jô Soares é um vendido e um cachorro que senta, deita e rola para Dilma. Uma manhã acordou com uma pichação pedindo sua cabeça no asfalto em frente a seu apartamento em Higienópolis.

Marieta Severo, ao discordar do discurso catastrofista invariavelmente pedestre de Faustão, foi acusada de viver às custas da Lei Rouanet.

Eu sou comunista. Você é comunista. Sua mãe, sua irmã e seu tio são comunistas.

A patrulha ideológica direitista é um fenômeno crescente no Brasil. O mesmo pessoal que vê a ditadura bolivariana debaixo da cama — a mesma ditadura bolivariana que, segundo uma lógica sinistra, manda prender Dirceu, do mesmo partido da ditadura bolivariana — não admite que qualquer pessoa desvie do pensamento único.

Se o sujeito não comunga da mesma visão de mundo, só pode ser por dinheiro, fora o desvio de conduta. Jamais por ideologia ou simpatia a outra causa.

Um dos que mais apontaram o dedo para os “inimigos”, recentemente, foi o dono do blog tucano Implicante, de um certo Gravataí Merengue, pseudônimo idiota de Fernando Gouvea. Gouvea recebia, no final das contas, 70 mil reais por mês do governo Alckmin para fazer esse papel.

Gente como Lobão adora reclamar que seus colegas são “paumolengas” por não embarcarem em sua cavalgada antipetista. Seus seguidores repetem a cantilena. Ora, por que deveriam? É obrigatório? Segundo quem?

De acordo com essas milícias, é crime ser de esquerda, especialmente se o cidadão ganha mais de dois salários mínimos — embora a Constituição assegure o direito de qualquer um crer no que quiser.

Por trás disso, há uma inversão de valores formidável. O artista, ou jornalista, ou engenheiro espacial que bate no governo é corajoso. Ora, vivemos num lugar onde um policial federal se orgulha publicamente de praticar tiro ao alvo com uma foto de Dilma e nada acontece — para ficar em apenas em um caso de “republicanismo”.

Liberdade de pensamento é algo proibitivo para quem vive nessa ilusão monomaníaca. O ex-comediante Danilo Gentili se diz indignado com o fato de seus pares não terem feito piadas com a declaração de Dilma sobre a mandioca (eis um tipo de humor refinado).

Ele, sim, se considera destemido. Agora, tirar um sarro de seu patrão Silvio Santos, nem pensar. Os Simpsons tripudiam com Murdoch, o dono da Fox, há anos.

Um clássico do horror e da ficção científica que serve para ilustrar esse momento é “Invasores de Corpos”. Numa cidade californiana, alienígenas criam clones de humanos, totalmente desprovidos de emoções. Ninguém move uma palha, até a situação ficar insustentável.

Don Siegel, o diretor da versão original, de 1965, fez uma alegoria da caça às bruxas do senador Joseph McCarthy e da omissão da sociedade diante de seus métodos totalitários. “Eu vi acontecer lentamente, ao invés de tudo de uma vez”, diz o herói, o médico Miles Bennel.

O neomacartismo vagabundo brasileiro viceja mais rápido do que se esperava.

Kiko Nogueira
No DCM



As preciosas reflexões de Xico Sá sobre a imprensa, a Justiça e Sérgio Moro

Clap, clap, clap
Xico Sá é um exemplar do jornalista ideal: imparcial e apartidário.

Fora estes atributos, é um sujeito inteligente.

Por isso tudo, deve-se ouvi-lo com atenção.

Poucas vozes captam com tamanha precisão o estado da mídia brasileira. Não só da mídia, a rigor — mas da cena política nacional.

Nas últimas horas, Xico Sá produziu alguns haicais — como eram conhecidos os poemas sintéticos japoneses — que jogam luzes nas sombras da Lava Jato.

Ele os postou no Twitter.

Grande juiz Moro/ só no cu fácil da vaca/ jamais no cu do touro.

Clap, clap, clap. De pé.

Mil linhas que você pode escrever não substituem o haikai de Xico Sá.

Mais que um poema, é um lamento, um manifesto pungente, um grito de indignação pelo que está acontecendo no Brasil.

Que Justiça é esta? Que mídia é esta?

Ninguém pode acusar Xico Sá de ser petista, torcedor, militante.

Ele é apenas um jornalista honrado que se cansou de ver tanta sujeira no país em favor da plutocracia.

Ele vem, aos poucos, no Twitter, mostrando bastidores da mídia que o grande público ignora.

Contou nesta terça, por exemplo, que em seus tempos de jovem repórter havia dois personagens “indenunciáveis”.

Quer dizer: nenhum jornalista podia falar mal deles que o patrão não deixava.

Eram Serra e Romeu Tuma. Serra é Serra e Tuma, “grande fonte” de Xico, foi um homem poderoso na polícia.

Por que Tuma era blindado?

Segundo Xico, por gratidão pelos serviços prestados. Tuma foi vital, na narrativa de Xico, para que as empresas de jornalismo importassem equipamentos para as redações a partir de 1975.

Sem pagar impostos.

Alguns tuítes de Xico sobre o tema:

1) “O bravo Tuma importou ilegalmente os equipamentos para o Brasil.”

2) “Que tal pedir para a mídia metida a honesta que apresenta nota fiscal do equipamento importado de 1975 para cá?”

3) “O maior personagem da mídia brasileira é Romeu Tuma, minha grande fonte. Importou os equipamentos para Estadão, Globo e Folha.”

Você tem que ser muito cínico, hoje, para trabalhar nas grandes corporações de mídia.

Xico Sá não aguentou.

Ainda bem para a sociedade, que por ele pode saber de coisas que permaneriam escondidas por toda a eternidade.

Paulo Nogueira
No DCM
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“Até o final do ano, tentarão prender o Lula”

http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/palavra-minha/ate-o-final-ano-tentarao-prender-o-lula-um-depoimento-exclusivo/

Moro, o juiz camisa preta, faz tabelinha com a Globo
A frase que dá título a esse texto não foi dita por um militante petista desvairado. Nem por um jornalista (como esse que escreve) afeito a teorias da conspiração.

Saiu da boca de um advogado paulistano, bem-sucedido, com sólida formação acadêmica (é também professor de Direito), sócio de um escritório na região da avenida Paulista.

Detalhe: ele votou em Aécio no ano passado, mas não disse a frase em tom de “comemoração”, mas de alerta.

A conversa aconteceu num encontro social privado, há alguns dias, antes portanto da prisão de José Dirceu. O advogado, a quem conheço há mais de 30 anos, tem na sua carteira de clientes alguns empreiteiros. Um deles está em prisão domiciliar, por causa da Lava-Jato, e algumas semanas atrás foi obrigado a depor algemado em Curitiba — como forma de pressão.

“Um homem de quase 60 anos, franzino, que não oferece nenhum risco físico às autoridades, foi obrigado a depor algemado durante várias horas, sob alegação de ameaça à segurança do delegado“, contou.

Prisões sem provas, pressões físicas e psicológicas. A Lava-Jato transita num fio da navalha muito perigoso. Já sabemos disso. Mas é impressionante ouvir quem acompanha o desenrolar dos fatos ali, bem ao lado dos investigados e dos algozes da PF e do Judiciário.

Experiente operador do Direito, minha fonte está impressionada com o grau de truculência de delegados, procuradores e do juiz Sérgio Moro. Perguntei a ele (com veia sempre “conspiratória”) quem seria a cabeça pensante a traçar o roteiro da Lava-Jato: “Moro me parece frágil, mal preparado, tropeçando nas palavras nas inquirições…”, eu disse.

E o advogado: “não se engane, ele pode não ser brilhante ao falar, mas o cérebro é ele. Moro se acha imbuído de uma santa missão, e vai seguir em frente, nem que pra isso tenha que destruir metade da República. Ele é uma personalidade perigosa para a democracia”.

Todos advogados que trabalham na Lava-Jato estão assustados. Mas quase todos (e agora a avaliação é minha) temem enfrentar abertamente Sergio Moro. O juiz de primeira instância — com suas soturnas camisas pretas (ôpa, Itália dos anos 20 e 30!) acompanhadas de gravatas também escuras — virou uma espécie de intocável. Montou uma operação que — mais do que respeitada — é temida por todos que atuam no Judiciário.

“É uma espécie de estado islâmico judicial, onde tudo é permitido; afinal há um objetivo final que é sagrado: combater a corrupção”.

Algumas delações premiadas já chegam prontas, feito matéria da “Veja”: primeiro o editor escreve, depois o repórter acha alguma coisa que corrobore a tese. “Eles trazem a delação e dizem ao preso: você assume isso aqui? Sabemos que você sabe, fica mais fácil pra você”.

Mas o que explicaria essa voracidade, voltada não contra todos os corruptos, mas contra o governo (PMDB e PT são os alvos, com o PSDB poupado)? Não haveria uma operação tucana, uma conexão com a mídia?

“Pode haver alianças, mas são circunstanciais. Moro é bem tratado pela Globo, e faz o jogo. Mas não pense que a Globo ou o PSDB controlam cada passo dele e de todos envolvidos na operação”, foram as palavras do advogado, entre um gole e outro de vinho.

Minha fonte, que votou em Aécio sob o argumento pragmático de que “o Brasil e a Dilma não vão aguentar o que vem por aí na Lava-Jato; se o Aécio ganhar, isso tudo estará pacificado” (foi essa, mais ou menos, a frase dele em outubro de 2014, quando nos reunimos num jantar a poucos dias do segundo turno), está convicto de que a guerra santa promovida por Moro tem um alvo: o ex-presidente Lula.

“O Lula ainda não é a bola da vez, mas é a cabeça que os meninos de Curitiba querem sangrando numa bandeja”, disse o advogado. Segundo ele, muitos réus foram indagados nas últimas semanas sobre o que sabiam do “peixe grande”.

A conversa que narro nesse post aconteceu durante um encontro com 6 ou 8 pessoas, em São Paulo. Um dos presentes, que não é advogado, indagou: “então, caminhamos para uma grave crise institucional?

“Não”, respondeu o advogado. “Não caminhamos. Já estamos em plena crise”.

E a prisão de Lula então é inevitável, dada a inação do PT e do governo?

“Avaliação política eu deixo por sua conta” [o advogado disfarça, mas é também um arguto observador político]. “O que posso dizer é na seara jurídica:  posso apostar com você que até o fim do ano vão tentar prendê-lo; vai depender da postura do STJ e do STF nos HCs pendentes”.

Ou seja: Moro precisa ter certeza que não vai passar vergonha, mandando prender Lula, mas tendo sua decisão revogada em 24 horas, num tribunal superior.

“Quais seriam os próximos passos, antes do Lula?”

“Aí não é informação, mas especulação minha e de vários advogados que atuam na Lava-Jato. Não é segredo. Vão tentar prender o Dirceu ou o Palocci, primeiro, nas próximas semanas. Depois vem o Lula.”

Reparem, leitores. A conversa com esse advogado ocorreu na segunda quinzena de julho.

O penúltimo passo foi dado. Dirceu está preso.

Não há mais teoria conspiratória, pois.

Lembremos que Vargas, em 1954, estava na iminência de ser preso pela República do Galeão, e por isso tomou a medida extrema em 24 de agosto.

Espero que não caminhemos para o mesmo desfecho. Politicamente, Vargas salvou o trabalhismo com um tiro no peito. Foi o suicídio que salvou seu campo politico.

Dilma, até aqui, com sua inação, de certa forma faz o caminho inverso. Preserva-se pessoalmente, mas leva todo o campo político do lulismo e do trabalhismo para um suicídio político.

E Lula? A reação não pode mais levar semanas, ou meses.  Acordos “pelo alto” (com a banca e a elite emprersarial) não vão adiantar. Vargas era estancieiro, e foi pro cadafalso. Por que poupariam o metalúrgico nordestino?

Moro não vai parar. Ele é o estado islâmico judicial.

O advogado, minha fonte, fala que tentarão a prisão de Lula  “até o fim do ano”. Minha impressão é de que o relógio se acelerou.

Em 2015, o agosto terrível da política pode cair em agosto mesmo. Mas também pode cair em setembro ou outubro. Até lá, teremos um desfecho.
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Desmistificando a redução da velocidade nas vias de São Paulo

“O carro parece ser um objeto intocável na nossa sociedade”, diz Lúcio Gregori. “Em nenhum lugar no mundo a redução da velocidade foi problema”, diz Ronaldo Balassiano


É matemática. A redução na velocidade das marginais em São Paulo, adotada há duas semanas pela prefeitura da cidade, diminui os riscos de acidentes. Na teoria, a energia cinética em veículos varia com o quadrado da velocidade. Na prática, reduzir a velocidade de 90 para 70 km/h representa uma diminuição de 22% na velocidade, mas o impacto do choque cai para 40%.

“A gravidade de um acidente não é uma relação linear com a velocidade, mas sim exponencial. Ou seja, a energia cinética aumenta muito mais do que a variação de velocidade. E é a energia do choque que provoca a gravidade maior ou menor no acidente”, disse Lúcio Gregori, ex-secretário municipal de transportes de São Paulo, em entrevista ao Jornal GGN.

Gregori explicou que no exemplo de um acidente com um carro seguindo a velocidade de 32 km/h, dos pedestres atingidos 5% morrem, 65% sofrem lesão e 30% sobrevivem ilesos. Se a velocidade aumenta para 48 km/h, 45% morrem, 50% sofrem lesão e 5% sobrevivem. Com o dobro da velocidade inicial, a 64 km/h, quando morriam 5%, agora são 85% de mortos e 15% sofrem algum tipo de lesão. “Ou seja, quando a velocidade dobra, os acidentes ultrapassam. Tem um efeito imenso na realidade”.

O professor de engenharia de transportes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ronaldo Balassiano, lembrou que a redução da velocidade afeta diretamente na frenagem do automóvel.

“Se reduz a velocidade dos veículos, a distância de frenagem necessária é menor e, com isso, você tem mais facilidade de parar o carro e não causar um acidente. Com certeza, com a redução de velocidade, acidentes fatais devem diminuir, e diminuir bastante”, alertou Balassiano ao GGN.

Contudo, o professor lembrou que os dados de acidentes causados alteram com as condições das pistas. “Varia com o tipo de pavimento, se tem asfalto em boa qualidade, boa manutenção, se o asfalto está molhado, se é um dia de chuva. Existe uma relação entre a redução da velocidade e o número de acidentes. O que a gente não pode garantir é que esse número é preciso”, ressaltou.

Os especialistas descartaram a tese de aumento do congestionamento na cidade de São Paulo com a mudança nas Marginais Pinheiros e Tietê. Agora, os novos limites para o tráfego foram reduzidos de 90 para 70 km/h nas pistas expressas, de 70 para 60 km/h nas centrais e de 70 para 50 km/h nas vias locais.

“Parece que esse assunto virou alvo da fundamental importância dos paulistanos. Eu vou dizer, a grosso modo, o seguinte: a diminuição de velocidade não tem a ver, necessariamente, com congestionamento. Congestionamento é um fenômeno, velocidade máxima permitida é outro. Congestionamento não decorre da velocidade baixa ou alta, mas do excesso de veículos em relação à capacidade de uma via”, afirmou Gregori.

De acordo com o engenheiro, que foi secretário municipal de Serviços e Obras e de Transportes, na gestão Erundina (1989-1992), e criador da proposta de tarifa zero para transportes coletivos, a velocidade alta que pode, inclusive, aumentar a probabilidade de um congestionamento. De acordo com ele, quando um automóvel trafega em velocidade superior, introduz o que denominam de “perturbação” que, dependendo da capacidade da via, pode resultar em congestionamento.

O suposto “caos no trânsito” foi o motivo utilizado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que havia entrado com um pedido de liminar na Justiça para cassar a mudança da prefeitura. Para Lúcio Gregori, é “lamentável” a postura da entidade. “Uma OAB que se preocupava com a democracia do Brasil, agora se preocupa com esse tipo de coisa que não tem o menor fundamento”, disse.

“Se você estiver na confluência do Cebolão com o rio Pinheiros, na pista expressa da Marginal Tietê, em direção ao Rio de Janeiro e quer pegar a via Dutra, saindo a 90 km/h e mantendo a velocidade, você leva 15 minutos. Se você for a 70 km/h, vai levar 18 minutos. Ou seja, três minutos de diferença”, exemplificou, também descartando que a decisão seria uma forma de desestimular o uso do automóvel na cidade.

Já o especialista Ronaldo Balassiano acredita que a mudança promove uma introdução de consciência de coletividade e nos transportes alternativos.

“A redução de velocidade não vai desestimular o uso do automóvel. Mas, por exemplo, se eu uso a Marginal Tietê, que antes se andava a 90 km/h, para ir a um bairro a vizinho em uma distância de 3 km, nessa distância, eu posso ir por dentro dos bairros, e eu posso até viajar a pé, de bicicleta”, disse. “Esse tipo de migração pode se dar não por conta da redução da velocidade, mas por uma conscientização de que eu posso fazer a mesma viagem, sem engarrafamento e com um modo de transporte muito mais saudável”, completou.

“Até hoje, no mundo, em nenhum lugar, a redução da velocidade foi problema”, disse o engenheiro Ronaldo Balassiano.

Para a garantia dessa transição, é preciso que o transporte coletivo seja uma opção viável, lembrou Balassiano, “que atenda a demanda com o mínimo de segurança, mínimo de pontualidade e com um custo que as pessoas possam realmente pagar”. “Uma pessoa de maior poder aquisitivo que não se preocupa com o que gasta com o carro não vai entrar em um ônibus ou metrô super lotado, em um sistema que não se sinta seguro. Mais do que isso, se não souber quanto tempo vai levar a sua viagem”, defendeu.

De acordo com o engenheiro, a garantia do tempo de percurso e de condições mínimas do transporte é “um grande estímulo para deixar o carro em casa”. Somado a isso, outras iniciativas como a oferta de um sistema de táxis confiáveis e, por parte da gestão pública, medidas coercitivas auxiliares, como a redução no número de vagas de estacionamento em vias públicas, são necessárias para trabalhar a consciência. “É vantagem para todo mundo e é preciso derrubar alguns mitos, falácias que não condizem com a realidade”, declarou.

A ausência de estrutura dentro de um pacote de iniciativas para abandonar o carro não é o único desfalque. Lúcio Gregori também apontou o erro de comunicação com os paulistanos, antes de se implantar a mudança.

Para ele, a grande propagação negativa poderia ser facilmente evitada. “A prefeitura não deu uma demonstração de habilidade, de preocupação com isso. Se tivesse feito quinze dias de inserção de pequenos vídeos na televisão explicando o significado, a repercussão não teria sido essa. Foi um problema de comunicação da prefeitura”, comentou.

Por além das faltas levantadas, os especialistas acreditam que a mudança foi um passo necessário para o processo de continuidade estrutural de São Paulo.

“Existe algum viés nessa discussão [negativa] da velocidade da Marginal. Não estou acreditando que as pessoas estejam tão empenhadas na democratização e na participação, mas muito mais viciadas na discussão do carro, que parece ser um objeto intocável na nossa sociedade. Não se pode fazer nada com ele, se tiver ciclovias, reclama-se, se diminuir velocidade, reclama-se. E tudo com repercussão gigantesca. Estranho, não?”, questionou Gregori.

“As vias não comportam mais o número de veículos que são lançados todo ano pela indústria automobilística. Isso quer dizer que as pessoas não precisam deixar de comprar carro, mas usar de uma forma mais racional”, disse Balassiano.

Por fim, o engenheiro professor da UFRJ lembrou que “o número de horas perdidas no trabalho com o trânsito gera um custo gigantesco para o país”. Para ele, a discussão vai além. “Até na questão de saúde, pessoas que sofrem com estresse no trânsito é um número muito grande. Temos que olhar as coisas de uma forma mais ampla, mais abrangente e procurando mais o bem estar da comunidade”, alertou.

Patrícia Faermann
No GGN



Londres reduz limites para 32km/h em 25% das vias e mortes caem

Via  na região de Tower Hamlets, em Londres, com limite de 20 milhas por  hora (32km/h) - cerca de 25% da
cidade já tem esse limite de velocidade
Um estudo recente mostra que a cidade de Londres já atingiu a meta estabelecida para 2020 de reduzir em 40% o número de mortos e feridos graves em acidentes de trânsito.

Um dos principais fatores destacados pela prefeitura e ativistas é o foco na implementação do limite de 20 milhas por hora (32 km/h) em ruas e avenidas estratégicas da capital britânica.

São as chamadas "20 mph zones", que já representam 25% de todas as vias de Londres, ou 280 km de ruas com esse limite. O percentual mais do que dobrou desde que o atual prefeito, o conservador Boris Johnson, assumiu. No seu primeiro ano de governo, entre 2008 e 2009, 11% das ruas obedeciam esse patamar, segundo dados da prefeitura.

Oito novas faixas foram anunciadas em março deste ano, entre elas uma que liga o famoso Big Ben à também turística London Bridge, e em outros trechos movimentados, como nas regiões de Camden Town, Earls Court e King Cross. Parte delas tinha velocidade máxima de 32 mph, ou 51 km/h.

As chamadas vias expressas continuam com limites maiores, mas a prefeitura trabalha para que as demais sigam a tendência das "20 mph zones".

O bairro de Tower Hamlets quer que todas as suas ruas tenham esse patamar e conta com apoio popular: em consulta pública, 80% dos moradores aprovaram a redução de velocidade.

No fim de 2012, a prefeitura divulgou um plano cuja prioridade era a redução em 40% do grupo chamado de"KSI" ("killed and seriously injured", ou morto e gravemente ferido).

Para tanto, anunciou foco em medidas como as zonas de 20 mph, instalação de câmeras de vigilância, fiscalização de veículos, programa de educação no trânsito entre outras coisas. Como parâmetro, utilizou a média anual de 3.600 ocorrências entre 2005-2009.

Balanço divulgado pela prefeitura em junho deste ano aponta 2.100 registros em 2014, queda de 40% como queriam as autoridades para seis anos mais tarde.

Na análise do número de mortos, separando-o dos de feridos com gravidade, a proporção é a mesma: 127 em 2014 ante a média de 211.

Quando se leva em conta somente ocupantes de veículos como vítimas, a redução chega a 67%, ou, em números absolutos, de 949 para 316.

Agora, a prefeitura quer reduzir pela metade esses novos índices até 2020.

Duas entidades que militam na segurança do trânsito em Londres, "Brake" e "Living Streets", consideram as zonas de 20 mph como fundamentais para a mudança.

"A prova de que a redução do limite de velocidade reduz o número de mortes é irrefutável. Se você é atingido por um carro a 20 mph, tem 97% de sobreviver, mais do que se for a 35 mph [56 km/h], cuja probabilidade é de 50%", diz Sarah Williams, diretora da "Living Streets".

Ambas destacam que, se o passageiro está mais protegido, o mesmo, por enquanto, não se aplica a pedestres e ciclistas.

"Londres ainda está longe de uma história de sucesso total. Apesar da queda do 'KSI", os ferimentos leves crescem e isso é importante porque atinge as pessoas que caminham nas ruas e pedalam" destaca Ed Morrow, diretor da "Brake".

Os dados confirmam seu discurso: os "ferimentos leves" cresceram 15% em 2014 em relação a 2013, sendo que pedestres, motociclistas e ciclistas representam 80% das vítimas de colisão. "Eu não acho, diante disso, que as ruas estão mais seguras. Há muito a fazer ainda", ressalta a dirigente da "Living Streets".

Uma análise separada só de ciclistas feridos "leves" aponta um aumento de 73% de ocorrências desde 2009. A prefeitura justifica que o percentual segue a mesma proporção do aumento do uso de bicicletas, que teria dobrado em Londres de lá para cá como resultado da política de incentivo para o ciclismo na cidade.

MULTAS

Nas ruas com 20 mph, quem for flagrado acima desse limite perde três pontos na carteira de habilitação e leva multa de 100 libras (R$ 510). Quem atinge 12 pontos em três anos tem a licença para dirigir suspensa por pelo menos seis meses, podendo chegar a dois anos, dependendo da reincidência.

SÃO PAULO

Em São Paulo, o número de mortes em acidentes de trânsito subiu em 2014 após dois anos em queda.

Segundo relatório da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), foram 1.249 vítimas no ano passado, contra 1.152 em 2013 — aumento de 8%.

O número de feridos em acidentes também cresceu — 4%, de 423 para 441 —, mas a CET considera nesse dado apenas os feridos envolvidos em acidentes em que houve ao menos uma vítima fatal.

O número geral de acidentes com vítimas em 2013, independentemente da gravidade, foi de 25.560, queda de 5% sobre o ano anterior. O dado de 2014 não foi divulgado pela gestão Fernando Haddad (PT).

ZONAS DE 20 MILHAS POR HORA

Londres implementou redução de velocidade para diminuir acidentes graves

32 km/h

É a velocidade máxima permitida equivalente à 20 milhas por hora

40% do número de mortos e feridos graves

Era a meta para 2020, que Londres atingiu em junho de 2014, com 2.100 registros

3.600 ocorrências

Foi a média de casos de mortes e de pessoas gravemente feridas por ano, de 2005 a 2009

280 km de rua com novo limite

Equivale a 25% das vias da cidade, sendo que em 14% delas foi implementada a medida, após criação da meta de 2020

8 novos locais de redução anunciados em março

Um deles liga o Big Ben à London Bridge

100% das ruas de Tower Hamlets

É a quantidade de vias que 80% dos moradores do bairro querem que se enquadrem em "zonas de 20mph"

15% de casos de ferimentos leves

Foi o aumento de 2014 em relação a 2013

80% das vítimas de colisão

São os pedestres, motociclistas e ciclistas

50% do índice atual

A nova meta para 2020 pretende reduzir pela metade a quantidade de casos

OUTRAS MEDIDAS PARA REDUZIR ACIDENTES GRAVES:
  • Instalação de câmeras de vigilância
  • Fiscalização de veículos
  • Programas de educação no trânsito
Fonte: Prefeitura de Londres
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A “fazenda” de FHC no centro de Osasco e a hipocrisia nacional


A incansável Helena Sthephanowitz, em seu blog na Rede Brasil Atual, publica uma instigante informação, que chequei na Junta Comercial de São Paulo e cujos dados ofereço aos “jornalistas investigativos”, que estão muito preocupados em investigar o ex-presidente Lula, enquanto Fernando Henrique deita cátedra de moralista.

Fernando Henrique Cardoso, em fevereiro de 2012, abriu uma empresa chamada Goytacazes Participações Ltda, com capital de R$ 100 mil, 70% dele e 30% de sua filha Luciana. Foi declarado à Junta Comercial de São Paulo que era uma empresa de  “serviços de agronomia e de consultoria às atividades agrícolas e pecuárias”, além de participações em outras empresas.


A empresa tem ficha na Receita Federal para cultivo de cana de açúcar, além de  criação de bovinos para corte  e cultivo de outras plantas de lavoura temporária, além de participações.

Certamente não é lá onde se diz que funciona e empresa, uma pequena casinha geminada, a da foto,  na Rua Deputado Emídio Coelho, na Vila Campesina de Osasco.

Fernando Henrique não deve estar fazendo nada de ilegal, ainda mais com empresa registrada em seu nome.

Também não é possível dizer que isso tenha ligação com outra empresa, esta uma S.A. com capital de apenas R$ 1 mil, que nasceu logo a seguir como Imbirema Participações e mudou o nome para Tranche Goytacazes Participações, destinada a fazer incorporações imobiliárias, o nome deve ser mera coincidência, até porque o  controlador desta outra empresa é a Torp (sem “e”, por favor, revisão)  Land Capital Investimento, Ltda.

Mas imagine se esta empresa pertencesse a outro ex-presidente, o Lula, por exemplo.

E de sociedade com Lulinha e os outros filhos?

Imaginem o escândalo nos jornais.

A esta altura, o ex-presidente estaria na cadeia de Sergio Moro, não é?

Os coxinhas das redes sociais estariam vociferando mais do que vociferam contra ele.

Mas seria interessante se o ex-presidente tucano, que recomendou hoje que o PT seja transparente e  diga “erramos nisso e nisso, acertamos nisso e vamos chegar nisso” contasse ao país como é esta sua milionária empresa rural em plena rua de Osasco.

Fernando Brito
No Tijolaço
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A dificuldade em se montar o segundo tempo


Há notícias de que a presidente Dilma Rousseff pretende desfechar um plano de marketing para conter a queda da popularidade.

Na política, recorre ao marketing que não tem discurso. Exposição pública sem conteúdo é tiro no pé, tão grande quanto os passeios de bicicleta denotando uma (falsa) tranquilidade que não passa a ideia de solidariedade com as vítimas da crise.

Não será percorrendo o país e relembrando o passado que Dilma conseguirá reverter sua impopularidade.

* * *

Para um governo minimamente estruturado, o passo que precederia o marketing seria entender o futuro, ter um projeto de país na cabeça, saber o que propor. É por aí que são trabalhadas as expectativas tanto dos empresários como do público em geral.

Em algumas áreas está sendo retomado o diálogo. É o caso do MDIC  (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), reestruturando o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI).

Há bons interlocutores setoriais na Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Pequenas e Micro Empresas, Educação, Ciência e Tecnologia. Na área macro, Nelson Barbosa conseguiu se fazer respeitar junto ao setor real da economia, e Joaquim Levy junto ao mercado – apesar da notória insuficiência de seu ajuste fiscal.

Finalmente, depois de um início algo desastroso, o Ministro Roberto Mangabeira Unger, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, começa a pegar a embocadura e a rascunhar as peças de um projeto de país.

* * *

Por outro lado, há um cansaço com o pessimismo militante da mídia, com o negativismo sem propostas da oposição e com esse clima permanente de golpe paraguaio no ar.

* * *

Esta semana há dois episódios divisores de água, que definirão os próximos passos da política e do governo.

O primeiro foi a nova etapa da Lava Jato com um detalhamento até agora inédito dos esquemas de financiamento politico. A operação atinge o PT  mas não chega em Dilma.

O estardalhaço midiático, a falta de cuidados no vazamento de informações e a blindagem de caciques da oposição são aspectos negativos da operação. Mas não comprometem o fato de que as ferramentas de combate à corrupção atingiram um nível de eficácia inédito, com o uso de modernos instrumentos tecnológicos e parcerias internacionais.

Não dá mais para prosseguir no velho modelo de lotear estatais e cargos públicos para garantir a governabilidade. Nem para aceitar mais a parceria Gilmar Mendes-Eduardo Cunha de barrar o fim do financiamento privado de campanha.

De qualquer forma, o Ministério Público Federal ainda não passou pela prova do pudim: avançar em investigações sem contar com a parceria com os grupos de mídia e seus aliados. Mantem uma desconfortável zona de impunidade na sua linha de atuação.

* * *

O segundo passo deverá acontecer até o final da semana, com o possível indiciamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Barradas as tentativas de golpe paraguaio do TCU (Tribunal de Contas da União) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o afastamento de Cunha abre espaço para uma recomposição do PMDB em torno do vice-presidente Michel Temer.

* * *

Se o Planalto saísse da sua apatia, poderia começar agora a preparar o próximo tempo do jogo, expondo um plano crível para mudar as expectativas negativas em relação à economia e ao país.

Caso contrário, faria melhor em terceirizar a condução do governo para Temer.

Luís Nassif
No GGN
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Prisão de José Dirceu dá cavalo de pau na Lava-jato


A prisão preventiva do ex-ministro da Casa Civil não é apenas decisão arbitrária, sem provas e motivos razoáveis, o que já bastaria para ser fortemente questionada.

Além de estar sob regime de prisão domiciliar, à disposição da Justiça, os próprios procuradores alegam que a incriminação contra o líder petista está exclusivamente apoiada sobre duas delações premiadas cujas provas de verificação sequer foram colhidas.

O juiz Sérgio Moro deu guarida à tese da ilegalidade dos contratos de consultoria da JD Associados com empreiteiras ligadas a Petrobras, no valor de R$ 9,5 milhões em oito anos, porque dois réus confessos, em troca de eventuais benefícios, Milton Pascowitch e Júlio Camargo, afirmaram se tratar de propinas disfarçadas.

A questão central é entender os motivos que levam Moro e seus aliados por um caminho que afronta garantias constitucionais.

Sinais de manobra política são evidentes.

Como já havia ocorrido com a detenção de Joao Vaccari, a nova reclusão do principal líder da história petista, depois de Lula, é efetivada praticamente às vésperas do programa nacional do PT ir ao ar, o que está previsto para o próximo dia 6.

Também serve de combustível para as manifestações da direita, convocadas para 16 de agosto.

Um terceiro objetivo igualmente sobressai: tirar Eduardo Cunha do centro das denúncias, arrastando o PT e os governos Lula-Dilma para a linha de tiro, mais uma vez usando José Dirceu como símbolo e alvo.

O mais importante, porém, é que a prisão do ex-chefe da Casa Civil foi anunciada pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal através de narrativa que dá cavalo de pau na caracterização da Operação Lava Jato.

Antes, a explicação predominante era que se tratava de cartel empresarial na Petrobras, pagando suborno para diretores da empresa e fazendo repasses clandestinos para partidos políticos.

Agora, na versão dos procuradores, fala-se de esquema criado pelo primeiro governo Lula, sob o comando de José Dirceu, para comprar apoio parlamentar. Uma espécie de segundo “mensalão”, por assim dizer.

Não precisa de muito esforço para registrar que estamos diante de sorrateiro enredo, cuja meta essencial é desgastar o ex-presidente da República e, talvez, levá-lo aos tribunais e à prisão.

Possivelmente não irá demorar para ser apresentado o próximo capítulo: se José Dirceu, então ministro, montou o suposto “esquema de propina”, que teria sobrevivido depois de sua saída do ministério, quem teria ordenado a continuidade da operação?

Perguntarão os roteiristas da Lava Jato e seus apaniguados: quem seria o chefe do chefe?

Os abutres da oposição de direita, aliás, já surfam nesta onda, arremessando contra Lula e Dilma.

Se o governo e o PT não saírem da pasmaceira e continuarem a validar, com a cabeça debaixo da terra, os movimentos da República de Curitiba, claramente comprometidos com as forças mais conservadoras do país, logo será tarde demais para defender o processo de mudanças iniciado em 2003 e seu líder histórico.

A política aceita quase qualquer coisa, menos a humilhação de quem decide, por covardia ou erro de cálculo, perder sem lutar.

Breno Altman
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Sartori sempre teve um programa: privatizar

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7389

Todos se enganaram. Todos os que acusaram o candidato José Ivo Sartori de ter concorrido e vencido às eleições sem ter um programa de governo. Ledo engano. Sartori sempre teve um projeto para ser executado. Ele apenas, estrategicamente, não o declarou. Seria contraproducente falar dele durante a disputa. Não se trata aqui de julgar, mas de constatar. O plano de governo de Sartori estava na cara de todo mundo. Não viu quem não quis ou não pôde enxergar. Agora, o plano está sendo aplicado. Qual era o plano de governo de Sartori? Diminuir o tamanho do Estado. Sartori elegeu-se para dar prosseguimento ao começado por Antônio Britto, não continuado por Germano Rigotto e mal terminado por Yeda Crusius: reduzir o Estado.

O plano de governo de Sartori passa por privatizações de estatais, alteração da previdência estadual e mudança no plano de carreira do magistério. O problema é que há entraves. As privatizações das estatais dependem de plebiscito. Alguns itens da previdência estão atrelados a leis federais. A mudança do plano de carreira do magistério é um barril de pólvora. Sartori sempre teve um projeto. Diminuir o tamanho do Estado. Tem também uma estratégia. Usar o quanto pior melhor como fator de criação das condições para fazer passar o “remédio amargo”. O governo espera tirar do caos o espírito favorável até mesmo à privatização por meio do plebiscito. O parcelamento dos salários pode ser o combustível que faltava.

O funcionalismo público está sendo jogado contra o resto da população como moeda de troca. O governo considera que aposentadorias aos 50 anos de idade são privilégios que comprometem as finanças públicas.

O governo entende também que muita gente se beneficia da previdência estadual sem ter contribuído para ela. O raciocínio em relação aos que se aposentam aos 50 anos de idade é simples: contribui durante 25 anos (professoras) e recebe durante 35. Sartori elegeu-se para bancar a austeridade. É a Angela Merkel dos gregos gaúchos. Os primeiros passos do governo, porém, deixaram rastros de contradições: aumentos para secretários e até para o governador, que teve de recuar. O legislativo e o judiciário trataram de garantir seus aumentos e privilégios com base no sofisma da independência dos poderes. A legitimidade foi corroída no ponto de partida. O ex-governador Tarso Genro, que deu aumentos hoje criticados, garante que o governo pode contrair 20 bilhões de empréstimos. Por que não o faz? O governo não confirma. Uma hipótese é que não quer, pois estragaria a estratégia do quanto pior melhor para aplicar o seu “remédio”.

O Rio Grande do Sul vive de esquizofrenia: a cada quatro anos troca de ideologia, de método e de programa. Num período, aposta no desenvolvimento conduzido pelo Estado com base em endividamento; no outro, faz o contrário, joga suas fichas no neoliberalismo baseado na redução do tamanho do Estado e nas privatizações. Faz parte do jogo. Só não se diga que o programa de Sartori não existia. Ele era tão claro e conhecido que não precisava ser enunciado e anunciado. Eis.
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Ações da Petrobras afetam sexo de idoso



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A Mídia e a Cultura do Silêncio


O senador Roberto Requião (PMDB-PR) e o professor Venício Lima tiveram uma grata surpresa em debate na sede do Barão de Itararé, em São Paulo, nesta segunda-feira (3): o jurista Fabio Konder Comparato prestigiou a atividade e presenciou uma rica discussão que foi de temas amplos, como a histórica ausência de democracia na mídia brasileira, até assuntos picantes, como o papel do Poder Judiciário, representado principalmente pela figura do juiz Sérgio Moro, no acirramento da crise política que sacode o governo e o campo progressista no país.


Autor de vasta produção acadêmica no campo da liberdade de expressão, Venício Lima falou sobre o lançamento de seu novo livro, Cultura do silêncio e democracia no Brasil: Ensaios em defesa da liberdade de expressão (1980-2015)(Ed. UnB). “O livro faz uma coletânea, em ordem cronológica e autobiográfica, do que produzi nos últimos 35 anos”, diz.

A ideia de 'cultura do silêncio', conforme explica, permeia toda a obra em suas diferentes temáticas. “O sistema de comunicação brasileiro conduz à exclusão e à falta de liberdade de expressão, o que gera, entre várias consequências, uma opinião pública corrompida, que é o que temos visto a cada dia”, sintetiza.

Lima resgata um sermão do padre Antônio Vieira, de 1640, em que usa a palavra 'infas' (aquele que não tem voz, em latim), na presença do então vice-rei, para explicar a sociedade da época. “Vieira já dizia, lá atrás, que a principal característica do país era o 'mutismo', o tolher-se a fala”, pontua. “Claro que o Brasil ainda não era a nação que é hoje, mas a ideia da cultura do silêncio, da ausência da possibilidade de se manifestar e de participar, continua”.

Em plena era do avanço das tecnologias de comunicação, acrescenta o estudioso, o conceito é extremamente adequado para explicar o silêncio das massas na sociedade brasileira. A ironia, para ele, é que “os defensores da pretensa liberdade de expressão são os detentores das técnicas que impedem a participação da população nos debates públicos”.

Quanto ao papel partidarizado jogado pelos grandes meios de comunicação no país, Venício é direto: “Eu quero acreditar que há uma percepção, mesmo nos mais intolerantes, que os grandes grupos midiáticos passaram dos limites. A imprensa deixou de fazer jornalismo para fazer oposição e isso já é mais do que óbvio”.

'Oposição não quer impeachment, quer sangue'

Questionado sobre os bastidores do Senado quanto à possibilidade de um final precoce do segundo mandato de Dilma Rousseff, Roberto Requião não titubeou: não ocorrerá impeachment, acrescentando que 'põe a mão no fogo' pela presidente. “A oposição está satisfeita com a situação, sem impeachment, pois sabem que Dilma é uma mulher honrada e inimputável. O que eles buscam são flancos para colocar em marcha o projeto do capital financeiro”, disse. “Eles não querem a ruptura, querem é sangrar o governo”.

Então governador do Paraná, Requião trabalhou com o juiz Sergio Moro, cuja condução da Operação Lava Jato tem sido duramente criticada pela esquerda por blindar políticos de determinados partidos e atacar os de outros, muitas vezes com expedientes jurídicos apontados como ilegais. “Trabalhei com ele e, no meu estado, ele denunciou um esquema de desvios do PSDB”, garantiu. “O problema é que estão fazendo um jogo de paladinos, para agradar a mídia, como foi o espetáculo da prisão irregular de José Dirceu. Só falta usarem o capuz da Santa Inquisição ou a máscara do Zorro... Falta equilíbrio”.

Direito de resposta: em urgência, mas engavetado

Autor do Projeto de Lei do Direito de Resposta, que garante o direito à defesa de qualquer cidadão brasileiro que se sentir ofendido, caluniado ou difamado nos meios de comunicação, Requião criticou o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por mantê-lo repousando em sua gaveta. “O debate em torno do PL durou dois anos e acabou convencendo, ou constrangendo, os senadores”, conta. “Desde então, está em regime de urgência, mas é ignorado solenemente primeiro por Henrique Alves e, agora, por Cunha”.

Em defesa da comunicação pública, ele lembrou da iniciativa de seu governo na TV Educativa do Paraná, que chegou a integrar o pacote da Sky. “O canal vocalizava as ações do poder público e todos os secretários prestavam contas na TV, em um programa semanal, dando transparência e, ao mesmo tempo, unidade ao governo”. A TeleSur, idealizada por Hugo Chávez, também foi transmitida em determinados horários pelo canal.

“Em visita de Lula ao Paraná, contei a ele, então presidente, sobre a TV Educativa e o fato de cortarmos toda a verba publicitária para a grande mídia”, recorda. O 'erro brutal' do governo, em sua avaliação, foi acreditar que abastecendo os meios tradicionais de comunicação com a Globo, com dinheiro, teria-se apoio e tranquilidade. “Os interesses da mídia estão muito acima do que o Estado pode pagar”.

'Mentalidade coletiva sempre foi submissa ao poder'

Para o jurista Fabio Konder Comparato, ilustre presença na sede do Barão de Itararé, discutir a conjuntura não basta. “É preciso buscar a causa profunda da moléstia”, opina. “No Brasil, o poder sempre foi oligárquico e a mentalidade popular sempre submissa. A 'cultura do silêncio', da qual fala Venício, é um dos principais fatores que deformaram a essa mentalidade ao longo de nossa história”, pontua.

Segundo ele, a falta de liberdade de expressão fez com que a população não se sentisse autorizada a tomar decisões. “Me dá a impressão de que o povo quer um tutor, um pai, que lhe dê favores e não direitos”. “Contra esse cenário”, sugere, é preciso abrir rachaduras, como o Projeto de Lei do Direito de Resposta”. Outra brecha, de acordo com Comparato, são as iniciativas que partem do campo popular, como as mídias alternativas e blogs não associados ao poder do capital.

Ele relembra, ainda, a Ação de Inconstitucionalidade proposta por ele, em nome do PSOL, em 2010. “Foi uma ação por omissão em relação à Constituição. Há mais de um quarto de século, a carta magna é ignorada em sua proibição ao monopólio e oligopólio dos meios de comunicação, entre outros pontos previstos para o setor”, denuncia. “A ação teve parecer favorável da Procuradoria da República. Em 2012, porém, Rosa Weber disse que a matéria era tão complexa, que até hoje não deu em nada, e nem dará, porque o povo está excluído desse debate.

Felipe Bianchi

Assista o debate:

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Aloysio Nunes xinga petroleiros em manifestação em Brasília

Ato fez parte de manifestações para pressionar contra a o texto de Serra, que está em tramitação no Senado Federal e tira exclusividade da Petrobras na exploração do petróleo do pré-sal


O senador Aloysio Nunes, do PSDB, se irritou, na manhã desta terça-feira (4), ao ser confrontado pelos petroleiros no Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília. Representantes da categoria protestavam, no local, contra o projeto do também senador tucano José Serra, que tira exclusividade da Petrobras na exploração do petróleo do pré-sal.

Aos gritos de  “entreguista!”, “entreguista!”, Aloysio classificou os petroleiros que estavam no ato de “vagabundos”. O ato fez parte de manifestações para pressionar contra a o texto de Serra, que está em tramitação no Senado Federal.



Os petroleiros se concentraram na recepção aos senadores que retornaram à Brasília na retomada dos trabalhos legislativos depois de duas semanas de recesso parlamentar, iniciado em 17 de julho.

A manifestação faz parte do “calendário de lutas” da categoria “Em Defesa da Petrobras e do Brasil”. A agenda de protestos contra o projeto seguirá na capital até sexta-feira (7), inclusive com concentrações no próprio Congresso Nacional, informou a Federação Única dos Petroleiros (FUP), em nota veiculada pelo portal na internet.

“Temos que pressionar o Senado na tentativa de reverter a votação desse projeto entreguista”, defendeu o coordenador da Regional Campinas do Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro Unificado), Gustavo Marsaioli, na mesma nota.

A medida (projeto 131/2015) torna inócuo o regime de partilha criado no governo Luiz Inácio Lula da Silva e restabelece o processo de concessão para extração em águas superprofundas dos campos da bacia do pré-sal, setor em que Petrobras se destaca no cenário internacional.

Entre outros efeitos, o fim da partilha tira R$ 50 em royalties da educação, nos próximos anos, e R$ 100  bi do Fundo Social, conforme estimativas do senador Lindberg Farias.

Márcio de Morais
No Agência PT de Notícias
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Laerte e os atentados


Laerte
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Os critérios do Facebook

Para Facebook, página que prega morte de Lula 'Não viola nossos padrões de comunidade'

Denunciei ao Facebook uma página que prega o assassinato do ex-presidente Lula já no nome, Morte ao Lula.

A resposta da rede está na imagem aqui reproduzida, que printei da caixa de entrada do meu email.
"[A página] não viola nossos Padrões da Comunidade".
Será que uma página 'Morte ao Zuckerberg' também não violaria esses Padrões?


No Blog do Mello



Olavo de Carvalho é suspenso do Facebook por “conteúdo imoral” e diz que rede é comunista

O astrólogo de extrema direita Olavo de Carvalho foi suspenso do Facebook após uma denúncia de que postou conteúdo “imoral e ofensivo”. É difícil saber exatamente o que levou à decisão do FB, já que Olavo, além de caluniar e difamar a torto e a direito, também tem especial obsessão pelos termos “cu” e “piroca”.

De qualquer maneira, ele já descobriu que o Facebook é comunista e que tudo é parte de um complô para impedi-lo de atuar no protesto de 16 de agosto.

olavo

No DCM
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Faz sentido os procuradores da Lava Jato dizerem que vão “refundar a república”?

O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima quer “refundar a república”
O procurador Deltan Dallagnol se define assim nas redes sociais: “Seguidor de Jesus, Marido e Pai Apaixonado, Procurador da República por Vocação e Mestre em Direito por Harvard”.

Tudo com maiúsculas.

Dallagnol está tendo seus 15 minutos de fama e adorando. Numa igreja batista, apresentou as célebres “10 medidas contra a corrupção”, iniciativa do Ministério Público Federal. Não viu problema nenhum em fazer esse tipo de pregação ali.

Na abertura do 31º Congresso Brasileiro de Cirurgia, em Curitiba, foi além. Traçando uma analogia óbvia entre sua atividade e a dos anfitriões, Dallagnol afirmou que a corrupção “é um câncer que torna a sociedade doente e a operação Lava Jato é a cirurgia que vai extirpar essa doença”.

“Ao salvar vidas, vocês são os heróis do nosso país”, disse para a plateia embevecida, deixando claro que estava falando também de si próprio.

A ira santa de Dallagnol contaminou Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa do MPF. Ao Estadão, Lima disse que “o Brasil merece mais. Merece acreditar em quem trabalha duro e honestamente”.

De acordo com ele, nada mudou aqui — até agora. “Vivemos ainda num capitalismo de compadrio, em uma falsa República”. Há esquemas criminosos no governo federal e nos partidos, declarou.

É preciso montar o quebra cabeça das relações público-privadas. “Só assim”, diz ele, “a população poderá separar o joio do trigo e poderemos enfim refundar nossa República.”

Uma das críticas mais comuns a Lula é a de que seus admiradores o consideram um messias. Mas os homens da Lava Jato, com o palco e o microfone à disposição, tornaram-se imbuídos do espírito de salvadores da pátria.

Nenhum deles é sociólogo, mas fazem análises incríveis da vida nacional. A prisão de gente como José Dirceu os transforma ainda mais em, como diz Dallagnol, heróis do nosso país.

Esse lugar foi ocupado, anteriormente, por Joaquim Barbosa, o menino pobre que mudou o Brasil, segundo a formulação da Veja. Hoje ninguém se lembra dele. Usou, foi usado e tchau.

O espírito cesarista de JB tomou conta do exército de Moro, que tem licença para matar e não responde a ninguém.

É evidente que corruptos devem ser identificados e punidos. Ninguém é idiota de achar o contrário. Agora, não cabe a um procurador dizer que vai “refundar a república.” Baseado em quê? Em inquéritos policiais infalíveis? Isso, sim, é um perigo para a democracia.

Kiko Nogueira
No DCM
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“Não há razão jurídica para prender Dirceu”, afirma Podval

A defesa de José Dirceu classifica como desnecessária e sem fundamento jurídico a prisão preventiva do ex-ministro, decretada pela Justiça Federal  do Paraná  nesta segunda-feira (3), e afirma que irá recorrer da decisão nos próximos dias.

Segundo o advogado Roberto Podval, o ex-ministro cumpre prisão domiciliar e já havia se colocado à disposição da Justiça por diversas vezes para prestar depoimento e esclarecer o trabalho de consultoria prestado às construtoras sob investigação.

“Como já havíamos argumentado  no habeas corpus preventivo, José Dirceu não se enquadra em nenhuma das três condições jurídicas necessárias para a decretação de uma prisão preventiva: ele não apresenta risco de fuga, não tem como obstruir o trabalho da Justiça nem tampouco é capaz de  manter qualquer suposta atividade criminosa”, afirma. “Mesmo sem entrar no mérito apresentado pelo Ministério Público para justificar a prisão, o argumento da Procuradoria  de que Dirceu teria cometido crime desde a época em que era ministro da Casa Civil até o período de sua prisão pela Ação Penal 470 também não tem fundamento porque as atividades da JD Assessoria e Consultoria foram encerradas desde então.

Roberto Podval alerta para o cálculo equivocado apresentado pela Polícia Federal sobre os supostos recebimentos ilícitos por meio da JDA. Na coletiva pela manhã, o delegado Márcio Anselmo afirmou que o montante chegaria a R$ 39 milhões. “Esse é o total faturado pela empresa em oito anos de atividade, quando atendeu a cerca de 60 clientes de quase 20 setores diferentes da economia”, diz Podval. “Não há qualquer razoabilidade imaginar que os pagamentos de multinacionais de diversos setores da indústria teriam relação com o suposto esquema criminoso na Petrobras.”

Desde 2006, a JDA foi contratada por empresas como a Ambev, Hypermarcas, Grupo ABC, Telefonica, EMS, além dos empresários Carlos Slim e Gustavo Cisneros. Todos, quando procurados pela imprensa, confirmaram a contratação do ex-ministro para orientação de negócios no exterior ou consultoria política.

“Querem apontar a JDA como uma empresa de fachada, o que é muito inconsistente”, completa Roberto Podval. “O ex-ministro sempre teve profundo reconhecimento internacional e desenvolveu importantes laços de relacionamento com destacadas figuras públicas ao longo de toda sua trajetória e militância política.  Esse era o ativo e o valor de José Dirceu como consultor, sem que nunca fosse exigido dele, por parte dos clientes, o envio de relatórios ou qualquer outro tipo de comprovação dos serviços prestados.”

A defesa do ex-ministro reitera que o trabalho de consultoria nunca teve qualquer relação com contratos da Petrobras e que Dirceu sempre trabalhou para ajudar as construtoras na abertura de novos negócios no exterior,  em especial em países como Peru, Cuba, Venezuela e Portugal.

No Blog do Zé
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Dirceu outra vez

A prisão de José Dirceu foi a menos surpreendente de quantas a Lava Jato faz desde março do ano passado. Se justificada ou não, vamos saber quando os integrantes da Lava Jato apresentarem em juízo o que veem como provas convincentes. A carga pesada de acusações apenas verbais, feitas pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, desde logo criou uma imprecisão sujeita a reparo histórico e atual. Foi quando definiu Dirceu como "o instituidor e beneficiário" do "esquema" de corrupção na Petrobras.

Dizê-lo instituidor é aliviar de um grande peso acusatório os empreiteiros e ex-dirigentes da Petrobras que têm feito delação premiada e, por isso, são chamados pelos componentes da Lava Jato de "colaboradores". Ainda que não seja por deliberação, a transferência de responsabilidades, concentrando-as em um só, é como um prêmio adicional à delação já premiada.

A corrupção na Petrobras investigada pela Lava Jato seguiu o "esquema" praticado há décadas pelas grandes empreiteiras nas licitações e acréscimos de custo, em contratos com estatais e administração pública. Se houve um "instituidor" do "esquema", seu nome perdeu-se na desmemória do tempo.

Caso o Ministério Público e a Polícia Federal se dessem ao trabalho de verificações retroativas, tanto encontrariam histórias de honestidade como de vidas enriquecidas a partir de passagem por um cargo alto na Petrobras. Mas, no Brasil, nem por curiosidade é acompanhada a evolução das condições de vida de políticos e ex-dirigentes públicos.

Na geração atual dos funcionários elevados a dirigentes corruptos da Petrobras, Pedro Barusco, que é tido como o mais inteligente dos delatores premiados, já explicou que vem desde meados da década de 90, ao menos desde 1997, as transações com a atual geração de dirigentes de empreiteiras.

Também resulta como prêmio adicional aos delatores já premiados a ideia de que o "esquema na Petrobras repetiu o do mensalão". Um nada tem a ver com o outro. Na Petrobras, o dinheiro manipulado estava embutido no custo de obras e de serviços ou bens como sondas. No mensalão, os meios envolvidos foram banco e publicidade.

No caso pessoal de Dirceu, chama atenção a disparidade entre as toneladas de atribuições que o procurador Santos Lima lhe despeja e a sua espera quase passiva, em casa, pelos emissários da Lava Jato. Quem se soubesse autor de tantos e tão graves atos ilegais, e da gana de é que alvo, saberia também que o esperava uma condenação esmagadora. José Dirceu teve farta oportunidade de fugir. Com a experiência de quem entrou e viveu no Brasil da ditadura com rosto e nome mudados, e levou vida tranquila por anos, poderia evaporar por aí sem dificuldade.

José Dirceu ficou, à espera. Não quis fugir. Isto tem um significado. Não há como deixar de tê-lo. As suposições a respeito podem variar, sobretudo ao compasso das posições políticas, mas só o próprio Dirceu mostrará qual é.

Janio de Freitas
No fAlha
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A prisão de Dirceu dividiu ainda mais um país já rachado em dois

Precisava?
Mais uma vez, com a prisão de Dirceu, o juiz Sergio Moro promove uma divisão no Brasil.

Num país já visceralmente dividido, é uma péssima notícia.

Sobre a competência de Moro o tempo vai falar. Desde já está claro que ele tem um papel de divisor, e não de somador.

A direita festejou, como era de esperar. Nas redes sociais, antipetistas trataram Dirceu da forma como a mídia o retratou, com a ajuda milionária da Justiça, desde que o PT subiu ao poder: como um demônio.

Os fanáticos de direita não querem apenas que Dirceu seja preso. Querem que ele morra, que ele apodreça na cadeia.

Mas eles são apenas parte do todo.

Do outro lado, os progressistas ficaram extremamente incomodados com a prisão. Prender alguém que já estava preso? Preventivamente, como se Dirceu pudesse fugir para a Venezuela ou o que for?

E provas, onde as provas? Dirceu não pode efetivamente ter prestado serviços para as empresas, amparado em sua rede de relacionamento?

Ou é só gente do PSDB que recebeu, sempre, dinheiro limpo em consultorias depois de deixar o governo?

Moro tem uma questão de imagem a ser trabalhada. Para muitos brasileiros, seu rigor é unilateral. Ou melhor, é excludente. Exclui os tucanos.

O PSDB recebe doações. O PT propinas. Esta parece ser a visão de Moro e da Polícia Federal.

O mundo deve ser mais complexo que isso.

Pairou também sobre muitas pessoas a seguinte questão: Perrela está solto. Ricardo Teixeira está solto. Marin só foi preso por estar fora de sua zona de proteção no Brasil. Cássio Cunha Lima, o líder do PSDB no Senado, está solto, mesmo tendo sido flagrado comprando votos de desvalidos paraibanos com dinheiro público.

Pior.

Eduardo Cunha está solto. Com as ameaças contra quem podia desmascará-lo, com uma propina de 5 milhões obtida com métodos de gangster, com o depoimento em rede nacional de uma advogada que largou tudo para se livrar da sombra aterrorizante de Cunha.

E Dirceu preso. Sempre ele? Sempre petistas?

Alguma conta não fecha aí.

Não à toa, entre os progressistas floresceu a hipótese de que a prisão cumpria dois objetivos.

Um, tirar do centro das atenções o atentado contra o Instituto Lula. Dois, atiçar os ânimos dos antipetistas para o protesto contra Dilma em poucos dias.

Que Moro já mostrou gostar de estardalhaço para suas movimentações, está claro.

Isso não é nada bom para ele, que pode se achar mais importante do que é e depois, como Joaquim Barbosa, sofrer com a perda dos holofotes.

Mas é muito pior para a sociedade.

Se Moro não for capaz de provar que é mais do que um homem que divide, seu legado na história será melancólico.

A dúvida é se ele ainda tem tempo — e vontade — para reformar a imagem de juiz partidário.

Paulo Nogueira
No DCM
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