2 de ago de 2015

"O Globo" tem outro surto, de burrice e caduquice. Telefonia não é crise, é extinção


O jornalão "O Globo" teve outro surto, dessa vez de burrice e de caduquice. O jornal está caduco por não entender a economia da abundância na internet descrita pelo economista Jeremy Rifkin.

Estamos em 2015 e os acessos em Banda Larga no Brasil chegaram a 218 milhões em maio deste ano contra 156 milhões em 2014. Um crescimento espetacular em um ano.

Só que as teles vendem mais serviços de internet porém faturam cada vez menos na telefonia.

Óbvio. A telefonia convencional caminha para a extinção. Vai sendo engolida pela internet.

O mundo inteiro sabe que mais acesso à internet significa queda no faturamento da telefonia convencional e do SMS (torpedos pagos).

Acesso à internet enterra a economia da escassez em comunicação da qual vivia a telefonia e entra na era da abundância no compartilhamento da informação por voz, texto e imagem a custo muito menor.

Resultado: a queda no faturamento da telefonia convencional é inevitável.

A internet permite às pessoas usarem o Whatsapp e outros serviços de mensagem sem pagar nada em vez do SMS (torpedo) pago. As teles faturam cada vez menos com torpedos.

Permite também usar o skipe, o Viber, o facebook messenger, o Whatsapp para falar de graça, dentro do pacote de dados, em vez de telefonar da forma convencional pagando tarifa.

Isso não é "crise", é mudança de época e de tecnologias que beneficiam o cidadão e obrigam as empresas a se reposicionarem. Se quiserem sobreviver terão, cada vez mais, que oferecer serviços de internet bons e baratos que os cidadãos querem, e não aqueles trambolhos de pacotes de assinatura mensal de telefonia cara do século passado que todo mundo quer se livrar.

A "crise" econômica, no máximo, acelera a mudança que está em curso de qualquer jeito. Afinal as famílias que precisam cortar despesas, começam por substituir o mais caro pelo mais barato. Depois cortam os supérfluos. Se podem falar no telefone do mesmo jeito com os amigos e parentes sem pagar tarifa usando a internet, vão cortar aqueles planos de telefonia caros e contratar planos mais baratos. Vão principalmente cortar planos com recursos que não usam ou que podem substituir.

Além disso, a evolução tem obrigado empresas a largarem o osso do modelo da privataria de FHC de baseado em tarifas telefônicas caras, que obrigava a gente a falar rapidinho no telefone. As empresas diminuírem o preço por obrigação com ANATEL, porque o custo delas e a escala de produção permite, e para o cliente não fazer portabilidade para outra operadora mais barata.

O preço médio do minuto tarifado da telefonia tem caído ano a ano. Isso não é crise, é vantagem para o consumidor conquistada, obrigando as operadoras a repassarem para as tarifas os ganhos de produtividade.

Só "O Globo" mesmo para lamentar isso. Aliás, segundo Rifkin, o jornal é uma das primeiras "vítimas" da economia do compartilhamento, depois das gravadoras de música, pois nunca teve tanta gente compartilhando notícias nas redes sociais em vez de comprar jornais.

Do jeito que o jornalismo da Globo anda ruim e caduco, daqui a pouco vão dizer que o uso de fax hoje, coisa que quase ninguém usa mais,  está "em crise" em relação ao uso na época do governo FHC.

No Amigos do Presidente Lula
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Moro e o Dilema do Prisioneiro


Juiz de Direito Alexandre Morais da Rosa (TJ/SC) explica o Dilema do Prisioneiro conduzido por Sérgio Moro



A palestra completa do Prof. Dr. Alexandre Morais da Rosa: “O Jogo Probatório no Processo Penal”, 07.05.2015:


No GGN
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Congresso discutirá redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas


PEC 231 tramita na Casa há 20 anos. Centrais sindicais lutam pela aprovação da proposta

A Proposta de Emenda à Constituição PEC 231/95 que trata da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais voltará a ser discutida no Congresso Nacional após o recesso parlamentar. O assunto é polêmico. A proposta está em discussão na Casa há 20 anos e também prevê ampliar o valor adicional da hora extra de 50% para 75%.

“Não será fácil conseguir levar a proposta ao plenário”, avalia o deputado federal Vicentinho (PT-SP).

“Hoje nós temos um congresso muito conservador, além disso, a representatividade da bancada dos empresários é grande. Tem parlamentares puxa saco de empresários e outros que são patrões. Fica difícil votar, mas vamos insistir na aprovação”, declara.

Na avaliação do senador Paulo Paim (PT-RS), convencer os contrários à proposta é o grande desafio, já que os empresários alegam que haverá desemprego e que o custo da mão de obra será repassado para o consumidor.

“Na conjuntura atual só vamos conseguir aprovar a redução da jornada de 44 para 40 se houver grande mobilização nacional. Os empresários não têm interesse. Dizem que vai trazer impacto negativo. Nós sabemos que isso não é verdade”, afirma.

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Diesse) realizou um estudo que mostra que a redução da jornada de trabalho pode possibilitar cerca de 3 milhões de empregos e os custos totais das empresas seria aumentado em apenas 1,99%.

Segundo o Diesse, a jornada dos trabalhadores no Brasil é maior que a de países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, o tempo é de 40 horas, na Alemanha e Argentina, 39, na França, 38, enquanto no Canadá a jornada semanal é de 31 horas.

Reduzir quatro horas de trabalho é uma reivindicação “legitima”, classifica Douglas de Almeida Cunha, secretário de Organização Sindical da CUT.

“A qualidade de vida dos trabalhadores, a abertura de novos postos de trabalho são medidas importantes que devem ser levadas em consideração. O setor empresarial faz um discurso vazio sobre o tema. É preciso aprofundar o debate técnico”, disse Cunha.

A última redução da jornada de trabalho foi estabelecida na Constituição de 1988, que reduziu de 48 para as atuais 44 horas semanais. A redução de mais quatro horas, como propõe a PEC 231, foi aprovada em julho de 2009 pela Comissão Especial da Jornada Máxima de Trabalho. Na ocasião, as centrais sindicais comemoraram, mas depois disso, não houve avanços.

Para alertar sobre a importância da aprovação da PEC 231, foi lançado, em 2014, um manifesto na Câmara dos Deputados. Além disso, com o apoio da Central Unica dos Trabalhadores (CUT) e outras várias entidades, foi criado o Movimento Pró 40 Horas, que defende a redução do atual horário trabalhista.

De acordo com o documento, “a aprovação da PEC 231/95 é essencial para a efetivação dos direitos fundamentais dos trabalhadores à saúde, ao lazer, à educação e à vida digna”.

O deputado Vicentinho lembra que atualmente, por meio de acordo coletivo, alguns sindicatos já reduziram a jornada e não houve prejuízos para o setor empresarial.

“Nós temos os exemplos da montadoras de carro do ABC com jornada de 40 horas, das indústrias farmacêutica e de papel e papelão de São Paulo. Temos condições de avançar na qualidade de vida do trabalhador, basta interesse por parte dos empresários”, afirma.

Michelle Chiappa
No Agência PT de Notícias
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Médium afirma que leão morto mandou mensagem de otimismo

Anderson disse que Cecil
criticou a ganância humana

O jornalista britânico Christopher Hitchens (1949-2011) dizia que a religião envenena tudo, desde as coisas mais simples às mais intricadas, e um exemplo disso neste momento se refere ao famoso leão Cecil (foto), que foi abatido recentemente no Zimbábue pelo americano Walter James Palmer.

Acredite quem quiser — e sempre há quem acredite —, a americana Karen Anderson (foto), que diz que se comunica com animais vivos e mortos, disse que falou com a alma de Cecil, que mandou uma mensagem de otimismo à humanidade.

“Eu estou aqui [no céu]”, teria dito o leão à desconsolada Anderson.

Continuou: “Tenha coragem, minha filha, eu estou melhor do que nunca, maior do que antes e ninguém pode tirar a nossa pureza, nossa verdade ou nossa alma. Nunca. Seja forte e fale por todos que sofrem desnecessariamente para satisfazer a ganância humana. Leve luz e amor, vamos superar isso.”

Se o leão está tão bem assim, o caçador Palmer poderá argumentar que fez bem em matá-lo.

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Como o jornalismo policial ajuda o crime organizado e o surgimento de figuras como Datena

A Toyota Hilux que seria vendida por 5 mil reais
A Toyota Hilux que seria vendida por 5 mil reais
Dias atrás um homem foi assassinado aqui no Espírito Santo. Alecsandro José da Silva, 37 anos, foi abordado no início da noite por um adolescente enquanto estacionava sua Toyota Hilux em frente a um restaurante. O homem reagiu à tentativa de assalto, foi baleado e morto. Ele iria comemorar o aniversário da filha de quatro anos.

A despeito da comoção causada pelo crime, a cobertura da imprensa seguiu o roteiro de praxe usado nos relatos de homicídios Brasil afora. Limitou-se a questionar a falta de policiamento no local e o suposto risco de impunidade por causa da idade do autor dos disparos.

Por outro lado, outros fatos presentes na ocorrência não suscitaram questionamentos, como a informação de que o veículo roubado seria revendido por 5 mil reais. Como um carro que custa mais de 100 mil é vendido por 20 vezes menos no mercado negro? O carro seria desmanchado ou revendido após ser adulterado?

Perguntas semelhantes poderiam ser feitas em relação à origem da arma utilizada, por exemplo, mas a imprensa se limitou a destacar o antagonismo vítima x algoz, tratando o crime como um fenômeno isolado e não como resultado da complexa teia da criminalidade.

“É importante que a informação de homicídios, desastres, assaltos, tudo isso seja transmitido, mas transmitido de uma forma que construa uma possibilidade do telespectador se posicionar em relação a esse problema, se posicionar politicamente, como cidadão, então o que de fato está acontecendo, quais são os dados, quais são os números, que políticas públicas estão acontecendo, nada disso aparece”, disse o psicólogo Davi Mamblona Marques Romão durante debate no programa Ver TV, da TV Brasil.

Mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo, Romão é autor da pesquisa “Jornalismo Policial: indústria cultural e violência”, cujos objetos de pesquisa foram os programas Brasil Urgente, Cidade Alerta e Balanço Geral.

Apesar do estudo focar em produções sensacionalistas, mesmo veículos com tom mais sóbrio produzem coberturas limitadas quando o assunto é segurança pública. Exceções, como a reportagem do DCM sobre o helicóptero com 445 quilos de pasta base de cocaína, ficam restritas a meios independentes.

O problema é que a superficialidade da cobertura realizada pela mídia tradicional não contribui para a busca de soluções coerentes para reduzir a criminalidade e produz pouca pressão sobre as autoridades governamentais, que se limitam a procurar “os suspeitos de sempre”, como disse o cínico Capitão Renault no filme Casablanca.

Na época em atuei na equipe da assessoria de comunicação da Sesp (Secretaria de Estado de Segurança Pública do Espírito Santo), cansei de atender repórteres que pediam “aquela notinha sobre o policiamento” para servir de resposta do governo nas notícias de assaltos ou homicídios.

Para o caso do Alecsandro, provavelmente pediriam uma fonte para entrevistar. Mas os questionamentos seriam banais, sobre a falta de policiais na rua e o alerta para a vítima nunca reagir ao assalto. Afinal, para a imprensa foi só mais um homicídio cometido por um adolescente “vida loca” que queria um dinheiro para torrar em drogas, nada mais que isso.

Marcos Sacramento
No DCM
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A ordem natural das coisas no governo gaúcho

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/?p=7378


Primeiro os políticos prometem mundos e fundos.

Depois de eleitos, aumentam os seus salários.

No RS, as coisas fundamentais foram resolvidas em primeiro lugar.

Deputados, secretários e judiciário tiveram o “seu” garantido.

O governador recuou no seu aumento de salário.

Resolvidas as questões essenciais, impôs-se o discurso da crise.

Em consequência, veio o parcelamento dos salários da plebe.

Por que não foram congelados os salários de deputados e secretários?

Por que não se diminuiu o repasse ao Judiciário, que mantém seus privilégios como auxílio-moradia para quem tem casa?

O judiciário cumpre a lei à risca quando se trata do “seu”. Mas deixa descumprir a lei do piso do magistério.

Os poderes são independentes? O dinheiro entra pelo caixa do executivo. Se o executivo pode descumprir a lei do piso e do pagamento integral dos salários alegando falta de recursos, por que não pode descumprir a lei do repasse ao judiciário pelo mesmo motivo? Falta dinheiro para o funcionalismo porque antes foram pagos os privilégios da casta dominante.

O governo do RS tem um ideólogo neoliberal, o economista Darcy Francisco dos Santos.

Ele tem um plano para o Estado: o desmanche.

É preciso que a crise seja a mais grave possível para que o desmonte se justifique.

Um secretário já disse em off: quanto pior, melhor.

Um deputado já lamentou: como é que deixaram aprovar essa lei que exige plebiscito para privatizações de estatais.

O ideólogo neoliberal do governo quer mudanças na previdência do Estado. Esse é o ponto central.

Ao contrário do que se diz, o governo sempre teve um projeto: diminuir radicalmente o tamanho do Estado.

Tem também uma estratégia para atingir o seu objetivo: a ampliação da crise.

O ex-governador Tarso Genro garante que o governo pode pedir empréstimos de até 20 bilhões.

O governo diz que não ou desconversa.

Mesmo que seja possível, parece não interessar.

Diminuiria a intensidade da crise?

O ideólogo neoliberal do governo aposta em privatizações, alteração da previdência, enxugamento de serviços e despesas.

Considera que o combate a sonegação não dará resultados, que cobranças da dívida ativa não levarão muito longe e que renegociar a dívida com a União também não dará muitos frutos. A saída é cortar na carne. Na carne do funcionalismo.

A culpa é da plebe.

O governo tem um projeto: realizar o que Britto começou e terminar o que Yeda Crusius tentou e não conseguiu.

Privatizações, alteração de plano de carreira do magistério e modificação radical da previdência.

Deixar a segurança à míngua parece fazer parte do plano para, com o caos e o medo que dele será derivado, apavorar a população e criar as condições para o “ajuste”.

Quem quiser saber para onde vai o governo, preste atenção no que diz o seu ideólogo neoliberal, Darcy Francisco dos Santos.

Para ele, ao que parece, o funcionalismo gaúcho ganha mais do que o Estado pode pagar e se aposenta cedo demais.

Como Estado, no seu entender,  pelo que se pode compreender, deve ser como empresa e não gastar mais do que arrecada, a conclusão é óbvia: diminuir serviços, cortar benefícios, vender patrimônio, aumentar a idade para aposentadoria, cortar pensões por morte para viúvas jovens, etc. Coisas que o governo tucano de Dilma Rousseff também começou a fazer com seu ajuste fiscal.

E até mesmo aumentar impostos ainda que isso contrarie a ideologia e constranja os parceiros.

Esqueça-se a ideia de que Sartori elegeu-se sem um projeto. Ele apenas não o declarou.

O seu projeto pode ser rotulado, numa perspectiva favorável, de diminuição do tamanho do Estado.

Ou Projeto de Reforma Estrutural do Estado.

Numa perspectiva desfavorável, atende pelo nome de desmanche do Estado.

O Inter e o RS estão no começo do desmanche.

O governador Sartori precisa seguir o futebol. Na hora da crise, o comandante precisa ser o primeiro a falar.

Em coletiva. Para que possa ser questionado.
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Por que os tucanos tornaram-se golpistas

Dividem-se entre os que concentram o fogo na Dilma – liderados por Aécio – e os que apostam nas tentativas de tirar Lula da jogada via tapetão, para não terem que enfrentar nova derrota diante dele em 2018

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Depois de defender plataformas neoliberais e até
possibilidade de ser melhor continuação de Lula, tucanos ja não
têm nada a propor
FHC sempre se sentiu filiado à social-democracia europeia, antes de tudo à francesa, de Mitterrand, depois à espanhola, de Felipe Gonzalez. Os tucanos estavam dentro do PMDB, disputando espaço em São Paulo com o Quércia. Tentaram lancar a candidatura do Antonio Ermírio ao governo do Estado. Perderam, se deram conta que não tinham condições de disputar o partido com Quércia e saíram.

O grupo, basicamente paulista, tinha Montoro, Covas, FHC, Serjão, Serra, além do Tasso Jereissatti e um que outro perdido pelo Brasil. O Montoro se sentia democrata-cristão, mas não se opôs a assumir a social-democracia como nome. Era um vinculo ideológico, sem nenhuma outra característica dos partidos social-democratas, com significativa presença no movimento sindical. Era um grupo de políticos à busca de uma reinserção melhor no sistema politico. Seu cacife era a imagem de alguns desses políticos.

A candidatura de Mario Covas à presidência, em 1989, foi um fracasso, chegou em quarto. Mas revelava uma tendência que iria se consolidar depois, no seu lema central da campanha: “Um choque de capitalismo”.

O governo Collor foi um rito de passagem pros tucanos na direção do neoliberalismo. Um grupo de avançada entrou diretamente ao governo, entre eles Celso Lafer e Sérgio Rouanet. Era a preparação do terreno para que todos ingressassem, caminho em que estava comprometido FHC, mas que foi brecado por Mario Covas.

O governo Itamar finalmente foi a grande chance de abertura do caminho dos tucanos. Itamar não tinha equipe própria, tinha saído do PMDB e assumido como candidato a vice do Collor. Quando a presidencia caiu no seu colo, chamou FHC primeiro pro Itamaraty e, logo, para o Ministério da Economia. Collor já havia conseguido mudar a agenda nacional, centrando-a nos temas preferidos do neoliberalismo: desqualificação do Estado, abertura do mercado interno, privatizações.

Os tucanos se espelharam na virada de Mitterrand para o neoliberalismo e, particularmente, no governo de Felipe Gonzalez, para assumir esse novo modelo. FHC assumiu a virada definitiva para a cara atual do PSDB, ao retomar o projeto neoliberal interrompido do Collor e montar as alianças correspondentes. Chamou o então PFL de ACM para constituir um novo bloco de forças no governo e colocou em prática um projeto globalmente neoliberal, com todos os seus ingredientes: privatizações, Estado mínimo, abertura do mercado, precarização das relações de trabalho, associado a um discurso de desmoralização da empregados públicos, dos professores, da esquerda e dos movimentos sociais. Montoro e Covas ficaram marginalizados ate sua morte em 2001, com FHC dando a cara nova do partido.

O sonho de FHC era que Collor tivesse feito o  trabalho sujo do neoliberalismo, para que ele aparecesse como a versão da terceira via — de Bill Clinton e de Tony Blair, que sucederam a Ronald Reagan e a Margareth Thatcher. Mas como Collor fracassou, ele teve que assumir a agenda suja, pesada, do neoliberalismo, a começar pelas privatizações. Teve o sucesso imediato que tiveram todos os governos neoliberais, conforme controlaram a inflação ou a camuflaram — no caso do FHC, multiplicando por dez a dívida publica, no caso do Menem, fazendo a mágica da paridade com o dólar, que explodiu depois espetacularmente —, conseguiu se reeleger com isso e depois se esgotou. Não houve nem retomada do desenvolvimento, aumentou e não diminui a concentração de renda e a própria inflação retornou.

Os tucanos não conseguiram eleger o sucessor de FHC e nunca mais triunfaram, perdendo sucessivamente diante do sucesso incomparavelmente maior do Lula, na política interna e internacional. No começo, os tucanos apontavam no fracasso imediato do Lula, por sua suposta “incompetência”, “populismo”, “estatismo”. Depois, apostaram que o “mensalão” o derrubaria, não se atreveram a apelar para o impeachment, com medo da reação popular, preferiram sangrá-lo até as eleições de 2006. Mas as políticas sociais estenderem o apoio do Lula, que derrotou o candidato tucano e se reelegeu.

Em 2010, o candidato tucano saiu amplamente na frente nas pesquisas, davam como seguro que o Lula não elegeria “um poste”, mas perderam de novo. Em 2014 ja foram para sua última parada. Tentaram com Aécio e com Marina e perderam. A partir daí se deram conta que, mesmo contando com a ativa participação política do monopólio privado da mídia, não ganhariam no voto.

A partir desse momento, restou-lhes — de forma muito similar à UDN diante do Getúlio — apelar para soluções golpistas. Se dividem entre os que concentram o fogo na Dilma — liderados pelo Aécio —, com a ilusão de nova eleição, e os que se concentram nas tentativas de tirar o Lula da jogada via tapetão, para não terem que enfrentar nova derrota diante dele em 2018.

Depois de defender plataformas neoliberais e até mesmo uma inviabilizada possibilidade de ser a melhor continuação do Lula — com o Serra na primeira parte da campanha em 2010 —, os tucanos já não têm nada a propor. Seu golpismo se reflete também em que só se interessam por tirar o PT do governo e da disputa eleitoral de 2018, sem o que não têm nenhuma possibilidade de voltar ao governo. Se tornaram um partido velho, superado pela própria realidade concreta, com os mesmos candidatos e as mesmas direções. Viraram uma UDN do século 21.

Emir Sader
No RBA
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Economia canadense entra em recessão


De acordo com o Serviço de Estatística do Canadá, em maio deste ano o PIB do país diminuiu 0,2% em comparação com abril. A diminuição deveu-se principalmente ao declínio da atividade nos setores industrial, varejo, mineração, petróleo e gás na economia canadense, informa o portal Vesti Finance.

Tecnicamente, considera-se que um país entra em recessão quando o PIB diminui por dois trimestres consecutivos. No entanto, com base em dados obtidos com cinco meses consecutivos de declínio no PIB, a economia canadense caiu em recessão. No primeiro trimestre de 2015, o PIB do Canadá caiu 0,6%.

No RT
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Somos todos

João Ubaldo Ribeiro escreveu, um dia, que nós tendemos a nos excluir das generalizações. Quando dizemos: o brasileiro é um povo mal educado, estamos, obviamente, falando de todos os brasileiros menos de nós mesmos, que, olha só, por acaso, somos brasileiros. Quando dizemos: vivemos numa sociedade machista, nos “esquecemos” do fato de que também fazemos parte dessa tal sociedade. É sempre mais fácil dizer que os outros estão errados e prejudicando o bom andamento do mundo, do que localizar em nós os pontos negativos que contribuem para o mau andamento do mundo. 

Está incutido na cabeça de todos os seres humanos ocidentais preceitos como racismo e sexismo. Todos nós somos racistas e machistas. Homens, mulheres, negros, brancos, jovens, idosos... Em diferentes níveis, mas todos somos. Infelizmente, isso é incutido no nosso cérebro desde o dia 1. Nascemos todos livres de qualquer tipo de preconceito, mas, ao longo da vida, somos condicionados a um tipo de pensamento vigente que nos induz a uma formação torta de pensamento. 

Temos de lutar diariamente contra essas coisas abomináveis para que percam suas forças e apodreçam dentro de nossas cabeças para caírem e sumirem para sempre. Acredito que as coisas estão melhorando. Falta muito ainda, mas tenho a sensação de que meus bisnetos, talvez, não tenham a semente do racismo e do sexismo tão profundamente plantada nos confins da mente. Só pelo fato de falarmos que não somos racistas, já é a grande prova de que somos. 

Você não precisa falar que não é uma berinjela, certo? Pois é. Claro que há muitas pessoas racistas e perpetuam essa mentalidade abertamente. Batem em negros, xingam, destratam, descriminam, enfim, aquelas imbecilidades que um ser humano é capaz de fazer por ser babaca. Mas o racismo e sexismo do qual estou falando que temos dentro de nós é mais sutil. E esses são os mais difíceis de serem combatidos, porque precisam de um auto policiamento. 

Estou lendo um livro e, só quando cheguei à metade, me dei conta que o personagem principal era negro. Parei para pensar e me dei conta de que nunca na minha vida eu havia lido um livro e pensado o protagonista negro como fruto automático da minha imaginação. Se o autor não falar nada, para mim, ele é branco. Por que isso? 

Você pode dizer que, pelo fato de eu ser branco, imediatamente me projeto ali. Se eu fosse negro, talvez meus personagens fossem sempre negros. Será? Fico na dúvida. Com o machismo, a mesma coisa. Aceitamos coisas como normais. Nunca vi um garçom entregar a conta para uma mulher na mesa se houver um homem sentado junto. Nem o garçom acha estranho, nem o cliente homem e nem a cliente mulher. Por que o homem sempre paga a conta?

No passado, era porque detinha o poder financeiro numa relação. Mas hoje em dia não é mais assim. Ah, você me indaga, mas não é gentil o homem oferecer o jantar para sua acompanhante? É, claro que é, mas pelos motivos certos. Por você querer ser gentil com a pessoa, independente do sexo, e não pelo simples fato dela ser uma mulher. Essas “pequenas” coisas precisam ser sanadas do nosso inconsciente para que consigamos, um dia, viver num mundo em que opressor e oprimido sejam a mesma pessoa e a luta interna de cada um.

Fábio Porchat
No Estadão
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A teoria do pinto

Uma das teorias sobre o começo da civilização é a teoria do pinto exposto. Quando os primeiros hominídeos desceram das árvores e foram viver na savana, uma das consequências de andarem eretos e terem que se espichar para pegar as frutas foi que seus órgãos sexuais ficaram expostos ao escrutínio das fêmeas. Estas poderiam organizar uma sociedade baseada na sua observação da novidade, dando o poder aos mais potentes, ou mais bem aparelhados, o que inviabilizaria um tipo de hierarquia baseada na inteligência, na habilidade como caçador e provedor, na liderança, nos belos olhos ou em qualquer outra qualidade do macho. As fêmeas também escolheriam parceiros sexuais entre os visivelmente mais bem dotados, o que decretaria o fim da linhagem dos pintos pequenos, que nunca se reproduziriam.

Para evitar que isto acontecesse, os machos tomaram providências, começando por tapar suas vergonhas. A civilização começou pelas calças, ou o que quer que pudesse ser usado como tapa-sexo nas savanas. E os machos trataram de desviar a atenção do tamanho do pinto, inventando a linguagem, o fogo, a roda, a escrita, a agricultura, a indústria, a ciência, as guerras e todas as afirmações masculinas que independem do tamanho do pinto. Tudo, de um jeito ou de outro, extensão da primeira calça.

Assim, a civilização começou como um disfarce, para roubar da fêmea o seu papel natural de guia da espécie, escolhendo o reprodutor que lhe serve pelo pinto e não por suas poses ou poemas. Toda a nossa cultura misógina vem do pavor de que a mulher retome seu poder pré-histórico e, não sendo nem prostituta nem nossa santa mãe, tire nossas calças. 

A supervalorização da virgindade como havia até pouco tempo e a estigmatização civil do adultério como ainda consta da lei brasileira são tentativas de garantir que a mulher só descubra o tamanho do pênis do marido quando não puder fazer mais nada a respeito.

A própria discriminação da mulher no mercado de trabalho é para lembrar as fêmeas do seu lugar subalterno na civilização dos homens. Lembrá-las de quem usa as calças.

Independentemente das teorias, a virgindade é um tema para muitas divagações. Ninguém, que eu saiba, ainda examinou a fundo, sem trocadilho, todas as implicações do hímen, inclusive filosóficas. Já vi o hímen — que, salvo grossa desinformação anatômica, não tem qualquer outra função biológica a não ser a de lacre — descrito como a prova de como o Universo é moralista. Levando-se em conta a dor do defloramento e mais as agruras da ovulação e do parto em comparação com a vida sexual fácil e impune do homem — cujo único trabalho num parto é impregnar a mulher e depois ficar numa sala de espera da maternidade, lendo uma Caras antiga — a misoginia do mundo é evidente. Mas em comparação com o que a mulher, historicamente, sofreu numa sociedade dominada por homens e seus terrores, o que ela sofre com a Natureza é pinto. Com trocadilho.

Luís Fernando Veríssimo
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Época reage ao BNDES com ameaças

diego

Setores da imprensa brasileira estão incorporando cada vez mais o comportamento de bandidos.

O diretor da Época, o menino prodígio do Instituto Millenium, Diego Escosteguy, ao invés de contra-argumentar o BNDES, parte para ameaças e calúnias vazias, como se vê na figura acima.

Suas mensagens revelam descontrole emocional e desespero.

A Época sentiu o golpe.

O BNDES não pode recuar, até porque este setor da mídia já mostrou que age como um cartel de criminosos. Não lhe importa a produção de provas, nada.

O que lhe importa é causar estragos, a qualquer custo.

É fazer política.

Essa guerrinha suja, irresponsável, tem o sentido sujo de blindar Eduardo Cunha, que criou às pressas a CPI do BNDES antes do recesso, para desviar as atenções de si mesmo. 

Miguel do Rosário
No Tijolaço
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Como Merval viu a bolinha de papel contra Serra e como vê agora a bomba contra o Instituto Lula

Estrela do jornalismo patronal
Estrela do jornalismo patronal
De uma coisa Merval Pereira, apaniguado dos Marinhos, não pode ser acusado: coerência.

No infame episódio do Atentado da Bolinha de Papel, ele publicou imediatamente um artigo em que chamava a atenção para a gravidade do episódio.

A bolinha de papel, no texto de Merval, era um “artefato”.

Isso foi na campanha de 2010. Serra, no desespero por estar atrás nas pesquisas, levou uma bolinha de papel na cabeça e tentou transformar o episódio num atentado.

A mídia amiga ajudou-o na farsa, e Merval deu sua contribuição milionária.

Vejamos agora como Merval enxerga o atentado contra o Instituto Lula.

Não é nada, é claro.

“O buraquinho na porta de metal da garagem do prédio é tão ridículo que, se não soubéssemos que foi provocado por uma bomba, poderíamos achar que um motorista desastrado causou a mossa ao realizar uma manobra de marcha à ré.”

É um trecho do artigo deste domingo de Merval no Globo.

Viralizou, na internet, como símbolo de um tipo de jornalismo vergonhoso, patronal e canalha.

A indignação com Merval não se restringe a petistas. Qualquer pessoa com algum discernimento — me incluo aí — tem vontade de vomitar lendo Merval, ainda mais se confrontar a bolinha de papel de 2010 com a bomba de 2015.

Que marcas o “artefato” deixou em Serra? Chegou a ser engraçado ver Serra, depois de alguns minutos andando normalmente em seguida ao “atentado”, simular dor e levar mãos à cabeça.

A simulação veio depois de um telefonema. A hipótese mais provável é que a turma de marketing de Serra recomendou-lhe a farsa.

A mídia amplificaria o episódio e, se colasse, colou.

Merval fez sua parte. A TV Globo também. Um perito amigo chegou a ser convocado pela Globo para comprovar que era um “artefato”.

E sejamos justos. Se era um “buraquinho” na porta do instituto, na cabeça de Serra não era rigorosamente nada.

Não havia marca nenhuma. E em alguém desprovido de cabelos como Serra, não é preciso muita coisa para deixar alguma impressão.

A opinião de Merval não seria um grande problema não fossem duas coisas.

Primeiro, ela reflete a opinião dos Marinhos. Você quer saber o que os Marinhos pensam a respeito de qualquer assunto? É só ler Merval.

Participei por dois anos e meio do Conselho Editorial da Globo, e nas reuniões semanais me impressionava ver Merval e Ali Kamel duelarem pelo posto de quem concordava mais como João Roberto Marinho.

Segundo, a voz de Merval se espalha por diversas mídias, beneficiada pela falta de uma legislação que regule a mídia e impeça monopólio, concentração e concorrência desleal.

Merval — e os Marinhos através dele — tem à disposição jornal, rádio, tevê aberta, tevê fechada e internet.

Merval espalhou por todas essas mídias suas considerações sobre a gravidade do “artefato” contra Serra.

E agora ele faz o mesmo para reduzir a nada o artefato de verdade.

A internet vai acabar com a Globo como a conhecemos, felizmente. Já está acabando, aliás, como se vê nos índices de audiência da tevê.

Mas o ritmo do declínio certamente será mais rápido por causa da conduta repulsiva da Globo, tão bem representada por Merval agora, em 2010 — e sempre.

Paulo Nogueira
No DCM
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Augusto Nardes já aprovou 'pedaladas' em anos anteriores

Augusto Nardes, responsável no TCU pelo processo que avalia as contas de Dilma, já considerou regulares práticas que agora reprova

O ministro do TCU Augusto Nardes é o relator do processo das contas de 2014 do governo da presidente Dilma
Rousseff
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, relator do processo que avalia as contas da presidente Dilma Rousseff em 2014, aprovou, anos atrás, aspectos do balanço do governo que agora considera irregulares. Algumas mudanças de opinião do ministro estão sendo usadas pelo governo na defesa entregue há dez dias à corte. O objetivo é evitar um parecer inédito pela reprovação das contas, o que poderia precipitar um processo de impeachment no Congresso.

Em relatório apresentado em junho, Nardes apontou 13 "distorções" nas contas federais do ano passado. Um desses pontos são os atrasos no repasse de recursos do Tesouro Nacional para a Caixa Econômica Federal, prática chamada de "pedalada fiscal". Elas constituem um possível crime de responsabilidade fiscal, uma vez que, diante dos atrasos, a Caixa precisou usar recursos próprios para pagar programas sociais.

Quando foi o relator das contas federais de 2008, no entanto, Nardes não mencionou que havia irregularidade do governo em uma prática semelhante. O relatório referente àquele ano aponta saldos negativos de R$ 506 milhões no Fundo Nacional de Assistência Social, que banca o Benefício de Prestação Continuada, e de R$ 627 milhões no Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, administrado pela Caixa e precursor do programa Minha Casa Minha Vida. Esses atrasos no repasse de dinheiro do governo aos fundos não foram, na ocasião, descritos como irregulares pelo ministro. Para fonte do governo que acompanha o imbróglio de Dilma no TCU, a prática se assemelha a uma pedalada fiscal.

'Omissão'

No atual julgamento das contas, o relator diz também que houve "omissão" do Banco Central no registro das dívidas penduradas pelo Tesouro Nacional no Banco do Brasil, no BNDES e no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Somente com o BB, o passivo chegou a R$ 14 bilhões no fim de 2014 e nada disso está registrado na dívida líquida do setor público, calculada pelo BC.

O governo argumenta, em sua defesa, que o BC segue padrões internacionais nos seus cálculos e que uma regra deveria ser estabelecida pelo Senado, segundo prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal, sancionada há 15 anos. Desde então, no entanto, a Casa nada fez. Em voto dado em 2012 sobre um processo envolvendo os cálculos do BC, Nardes isentou a instituição de culpa na formulação das estatísticas fiscais porque, segundo ele, o BC não está autorizado a legislar "para suprir a omissão do Senado".

O relatório de Nardes sobre as contas de Dilma diz ainda que o governo deixou, em novembro, de cortar gastos de R$ 28,5 bilhões no Orçamento, apostando que um projeto de lei que reduzia a meta fiscal seria aprovado pelo Congresso. Para o ministro, o governo usou a execução orçamentária "para influir" indevidamente na apreciação da proposta.

Em 2008, numa manobra que também teria servido para influenciar o Legislativo, o governo formulou o Orçamento daquele ano tendo ainda o projeto de lei orçamentária de 2007 em tramitação no Congresso. Nardes, contudo, não viu irregularidade na operação. Ao contrário, ele escreveu que era reduzida a responsabilidade do Executivo pelas "incongruências" verificadas no caso. Esse é um dos pontos que, conforme a defesa do governo Dilma ao TCU, denota os entendimentos contraditórios de Nardes.

Procurado pelo Estado, o relator não se pronunciou. A técnicos da corte, ele tem justificado que o tribunal "evoluiu" nos últimos anos e que os auditores, hoje, têm mais instrumentos e "know-how" para levantar práticas e operações complexas do governo que antes não eram captadas.


João Villaverde
No O Estado de S.Paulo
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A ideia

O diplomata francês Jean Monnet é creditado com a “invenção” do Mercado Comum Europeu, depois da Segunda Guerra Mundial. Mas teve um predecessor famoso: Napoleão Bonaparte, que, em 1812, às vésperas de invadir a Rússia com seus 600 mil homens, cheio de planos para o futuro depois de dominar os russos e expandir seu império até a Asia, revelou que sonhava com uma Europa unida, com leis e um sistema judiciário comuns, os mesmos pesos e medidas — e a mesma moeda. A capital destes Estados Unidos da Europa bonapartistas seria, claro, Paris. A invasão da Rússia não foi como Napoleão esperava, e suas tropas foram derrotadas, como se sabe, pelo General Inverno, o mesmo que, anos mais tarde, ajudaria a deter o exército de Hitler. O fracasso de 1812 foi o começo da derrocada do império napoleônico, que se completou com o exílio do imperador, e o fim de todos os seus planos, em 1815.

A Europa sonhada por Napoleão seria a primeira experiência de uma união continental depois da queda do Império Romano. Fora os romanos — cujo “império” foi uma coleção de províncias submissas, nada como um estado múltiplo —, o que Napoleão imaginava não tinha precedentes. Era uma ideia sem base e sem modelo. Já a ideia de um estado europeu proposto por Monnet e os outros arquitetos do Mercado Comum surgiu numa Europa cujas elites, em grande parte, se pareciam e compartilhavam a mesma cultura e os mesmos hábitos. Tinham até, em comum, o francês, a língua da diplomacia e, como sabe qualquer leitor dos russos de Tolstoi a Nabokov, a língua que os aristocratas falavam para não serem entendidos pelos servos.

Para também facilitar o sucesso da nova união, houve a Segunda Grande Guerra e suas consequências. A guerra foi um exemplo do que precisaria ser evitado no futuro e a reconstrução da Europa depois dos estragos da guerra um exemplo da necessidade de um esforço conjunto que superasse fronteiras nacionais. O Plano Marshall, que ajudou na reconstrução da Europa, pode não ter sido uma pura amostra de altruísmo americano — seu objetivo maior foi assegurar para os Estados Unidos, que saíram da guerra como a maior potência industrial do mundo, um mercado europeu para a sua produção — mas também foi um exemplo inspirador de cooperação transnacional.

Mas nem Napoleão Bonaparte nem Monnet e os outros visionários poderiam imaginar que suas ideias seriam sequestradas pelo capital financeiro e a sonhada comunidade europeia acabasse numa desunião entre credores e devedores, um império de paróquias defendendo seus respectivos banqueiros, com a capital, claro, em Berlim. A ideia não era essa.

Luís Fernando Veríssimo
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Secovi alerta que Eduardo Cunha pode acabar com Minha Casa Minha Vida


Secovi-SP alerta para os riscos da aprovação do PL 1.358/2015, que propõe a mudança da alíquota da remuneração do FGTS de 3% para 6%. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ameaça aprová-lo na próxima terça-feira, 4/8

Com o argumento de beneficiar o trabalhador, no início de maio o deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD/SP) apresentou na Câmara dos Deputados o PL 1.358/2015, que propõe a mudança da alíquota da remuneração do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de 3% para 6%.

Dentre os inúmeros males da medida, o Secovi-SP alerta para o risco do fim do programa Minha Casa, Minha Vida. "Se esse PL for aprovado, milhões de trabalhadores serão impedidos de ter acesso à casa própria", ressalta Claudio Bernardes, presidente do Sindicato.

O segmento tem enfrentado dificuldades diante da crise econômica do País e da restrição ao crédito para o financiamento à produção. "A aprovação do PL vai agravar ainda mais essa situação. Estamos em vias de sofrer um apagão do crédito imobiliário", alerta Flávio Prando, vice-presidente de Habitação Econômica do Secovi-SP.

Estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas aponta que, até 2024, o Brasil tem de produzir 1,1 milhão de unidades habitacionais por ano e proporcionar moradias dignas a mais de 20 milhões de famílias. "Não há dúvidas de que o principal mecanismo para isso é o Minha Casa, Minha Vida. O programa tem um poder multiplicador ímpar, beneficiando uma série de outros setores, como os de eletrodomésticos e de materiais de construção", ressalta Prando.

Na hipótese de aprovação do PL 1.358/2015, a taxa média a ser praticada pelo FGTS para as contratações das aplicações em habitação, saneamento e infraestrutura deverá ser de 10,8%. Nas condições atuais, para financiar um imóvel de R$ 100 mil em 360 meses pelo sistema de amortização SAC, o adquirente deveria comprovar renda de R$ 2.000,00, receberia subsídio de R$ 16.842,00 e tomaria um financiamento de R$ 83.158,00. A prestação seria de R$ 590,88. Nas condições propostas no PL, o adquirente deverá apresentar renda de R$ 4.240,00, não receberá subsídio e tomará um financiamento de R$ 90 mil, que corresponderá a uma prestação de R$ 1.060,00. "É o fim da função social do FGTS", conclui Bernardes.

No GGN
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Além do previsto

Tremei, cidadãs e cidadãos. Já não bastam as vozes do impeachment, a fúria dos bolsonaros, a pauta-bomba de Eduardo Cunha que não é para a Câmara mas sobre o país. Nem bastam as manifestações programadas pelo SOS Militares e pelo PSDB de Aécio, nem mesmo a Lava Jato. Tremei cidadãs e cidadãos, que além do mais, e sobre todas as coisas, faz agosto.

Se em melhor tempo alguém, nestas páginas, concluiu que a solução para Dilma é a que Getúlio se deu, não por acaso em certo agosto, não é exagero que o novo agosto chegue anunciado por uma "bomba caseira" lançada no Instituto Lula. Bombas são assim domesticamente inofensivas, "caseiras", até que matam uma dona Lida, uma criança na calçada, ou moradores de rua, que para eles o azar não tem fim. Bombas não costumam ser solitárias. É bem possível que a bomba de agora seja vista, depois, como um ponto inicial. Nem sugiro de quê.

No agosto tão previsto surge, porém, algo que ninguém ousara prever. Por falta do precedente apesar de todos os agostos. Ou por um saldo de crença no bom senso onde se teme que falte. O imprevisível foi trazido pelo jovem procurador Deltan Dallagnol, um dos cruzados e porta-voz da Lava Jato.

Seria no máximo extravagante o enlace entre exposição dos feitos da Lava Jato e a oração que Dallagnol fez, para seus irmãos de fé, em uma igreja batista no Rio — com convite a jornalistas para a conveniente propagação da mensagem. A da fé aliada à Lava Jato ou só a outra, não se sabe. A outra que, ficou claro, foi uma das finalidades da assembleia, senão "a" finalidade da exposição entremeada de citações bíblicas: Dallagnol pediu que seus irmãos de fé acompanhem a página de determinado pastor na internet, que difunde o espírito cruzado da Lava Jato. E foi mais longe: concitou à mobilização dos crentes para uma agenda de manifestações "contra a corrupção". Entre elas, uma pregação que se pretende de âmbito nacional.

Quando? No 16 de agosto que os pregadores do impeachment de Dilma escolheram para voltar à rua.

Deltan Dallagnol fez a palestra na condição de participante de inquéritos da Procuradoria da República e de integrante da chamada Operação Lava Jato. Sua exposição e os gráficos exibidos foram os mesmos feitos dias antes na TV, sem as conotações religiosas e sem a convocação. Como porta-voz da Lava Jato em ambas, na segunda exposição pôde fazer o que na anterior não cabia: a convocação que expressa uma definição política e o propósito do grupo de trabalho que ele integra. Tanto que nenhuma voz desse grupo tomou a providência de retificá-lo na definição e na incitação que fez, e que muitos meios de comunicação noticiaram.

Por meio de Deltan Dallagnol, a Lava Jato se assumiu como ação política — o que os  princípios e os fins da Procuradoria da República não admitem.

A re-união

Apesar de tudo, agosto promete alguma diversão.

Os adeptos do impeachment dividiram-se depois da reunião de Dilma com os 26 governadores e o governador do DF. Uns silenciaram sobre o resultado, para poderem falar em derrota de Dilma. Outros, como Aécio e a cúpula do PSDB, perderam a voz. Mas o fato é claro: Dilma teve uma vitória política, talvez muito além da esperada.

Foi um jogo de alto risco para os dois lados. Não seria surpreendente que se apresentasse uma dissidência entre os governadores, recusando as propostas de Dilma e inutilizando a reunião. Para os governadores, o risco está no teste que aceitaram, ao comprometer-se a tanger suas bancadas para o apoio, no Congresso, à contenção de gastos e à derrubada dos novos e altos gastos aprovados por comando de Eduardo Cunha. Os governadores apostaram na sua duvidosa força política.

Embates em vários Estados, embates na Câmara entre os cumpridores do acordo feito no Planalto e o desacordo total anunciado por Eduardo Cunha e sua pauta-bomba. Até lá, vigora a imagem de rara unanimidade entre os 27 governadores.

Janio de Freitas
No fAlha
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Lava Jato: se Cunha cair, será atirando

O presidente da Câmara é acusado de ameaçar delatores e usar dinheiro público para investigar quem o denuncia

Eduardo Cunha já espera uma denúncia por parte de Janot
A trama envolvendo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), continua se engrossando à medida que fica mais próximo o fim do mandato de Rodrigo Janot à frente da Procuradoria-Geral da República. A expectativa é de que Janot denuncie Cunha em breve, antes de entrar em seu período final à frente da PGR — que se encerra em 18 de setembro e cuja renovação depende de votação entre promotores, da escolha da presidenta Dilma Rousseff e da aprovação pelo Senado.

Cunha não deixa dúvidas de que batalhará para não cair. Há duas semanas, rompeu com o governo, a quem acusa de conluio com Janot para enquadrá-lo, e disse esperar a denúncia do PGR com tranquilidade, por acreditar ter no STF, responsável por torná-lo ou não réu, um fórum mais justo.

Enquanto diz confiar nas instituições, Cunha é acusado de usar métodos bem menos republicanos para minar quem o acusa.

Intimidações

Na quinta-feira 30, a advogada Beatriz Catta Preta, que abandonou há algumas semanas a defesa de nove dos delatores da Operação Lava Jato, insinuou que Cunha estaria por trás de intimidações sofridas por ela e sua família. Ao Jornal Nacional, Catta Preta disse ter recebido ameaças “veladas” e “cifradas” que se intensificaram depois de Julio Camargo, seu cliente, afirmar em depoimento que pagou propina de 5 milhões de dólares a Eduardo Cunha para que um contrato com navios-sonda da Petrobras fosse viabilizado.

Ex-consultor da Toyo Setal, Camargo inicialmente não citou Cunha, mas modificou seu depoimento. De acordo com Catta Preta, Camargo teve “medo de chegar ao presidente da Câmara”, mas decidiu denunciar o peemedebista porque o acordo de delação premiada prevê a perda de todos os benefícios caso o colaborador minta para as autoridades.

Nas alegações finais apresentadas à Justiça Federal na quinta-feira 30, a defesa de Camargo, já sem Catta Preta, apresentou a mesma versão: disse que as contradições são fruto do “temor em relação ao deputado federal Eduardo Cunha” e acusou o presidente da Câmara de adotar uma “lógica de gangue” ao tentar intimidar os delatores.

Catta Preta e Camargo não são os únicos que relatam se sentir ameaçados pelo presidente da Câmara dos Deputados. Em 16 de julho, também em depoimento à Justiça Federal, o doleiro Alberto Yousseff, cuja delação serviu para embasar a abertura de inquérito contra Cunha, disse ter sido ameaçado. “Como réu colaborador, quero deixar claro que estou sendo intimidado pela CPI da Petrobras por um deputado pau mandado do senhor Eduardo Cunha”, disse Yousseff ao juiz Sergio Moro. “Eu venho sofrendo intimidação perante as minhas filhas e a minha ex-esposa por uma CPI coordenada por alguns políticos", afirmou.

A Kroll e a CPI da Petrobras

Tanto Beatriz Catta Preta quanto os familiares de Yousseff foram convocados pela CPI da Petrobras graças a requerimentos do deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), um firme aliado de Eduardo Cunha.

Na quinta-feira 30, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, concedeu habeas corpus a Catta Preta desobrigando-a de comparecer à CPI, mas a convocação fez com que ela desistisse não apenas do caso como da carreira. Segundo disse à tevê Globo, Catta Preta fechou seu escritório em São Paulo e decidiu se aposentar. No caso das familiares de Yousseff, que foram convocadas duas vezes pela CPI, também o STF derrubou os pedidos.

Além disso, Cunha é acusado de usar o orçamento da Câmara para acuar seus delatores.

No início da CPI da Petrobras, a Câmara contratou a famigerada Kroll para auxiliar as investigações sobre a Lava Jato por 1,18 milhão de reais. Na quinta-feira 30, o jornal O Estado de S.Paulo afirmou que o contrato, mantido em sigilo por decisão de Cunha até 2020, previa investigações sobre 15 pessoas, mas a lista foi reduzida a apenas quatro “prioridades” pelo presidente da CPI, Hugo Motta (PMDB-PB), e por um dos sub-relatores, André Moura (PSC-SE), ambos aliados de Cunha. Entre os alvos selecionados estaria Júlio Camargo, que delatou Cunha. O objetivo seria, de acordo com o jornal, “desqualificar a delação do lobista”.

Hugo Motta e André Moura
O petista Luiz Sergio (PT-PE) entre Hugo Motta e André Moura: os dois aliados de Cunha são acusados de usar
a Kroll para deslegitimar delatores
Cunha negou as acusações de manipulação na CPI. “Não participei, não participo, nem participarei de qualquer decisão sobre investigações da CPI, que tem a sua autonomia”, afirmou o deputado em nota à imprensa. Nesta sexta-feira 31, no entanto, o jornal O Globo publicou reportagem também afirmando que Motta e Moura de fato teriam selecionado quatro alvos e que, além de Júlio Camargo, estaria na lista Alberto Yousseff, outro que incriminou Cunha.

As acusações de que Cunha e seus aliados usam seus cargos contra desafetos não se tratam de uma novidade. A suspeita original contra ele, investigada pela Procuradoria-Geral, é de que Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa firmaram contratos de aluguel de sondas submarinas com as companhias Samsung e Mitsui e que parte do dinheiro pago por elas seria propina a Cunha. O suborno seria intermediado por Júlio Camargo, que teria sido ameaçado por Cunha quando decidiu parar de pagar a propina.

A pressão teria sido feita por meio de requerimento apresentado na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, em 2011, pela então deputada Solange Almeida (PMDB-RJ). Conforme noticiou a Folha de S.Paulo em abril, o requerimento apresentado por Almeida teria sido feito em um computador de Cunha. Na época, o presidente da Câmara disse que o caso tratava-se de uma “armação” contra ele.

Recentemente, Cunha sofreu uma nova acusação de intimidação, feita pelo empresário Milton Schahin. Segundo o jornal O Globo, o dono do grupo Schahin tem uma disputa empresarial com Lúcio Bolonha Funaro, citado nos escândalos do “mensalão” e da Operação Satiagraha, e vem sendo pressionado na Câmara por meio de requerimentos apresentados por aliados de Cunha.

Desde 2008, afirma o jornal, foram apresentados 30 pedidos de investigação contra o Grupo Schahin. Para o empresário, isso só pode ser explicado pela união entre Funaro e Cunha. “Vejo como pura sacanagem do Funaro. Agora você me pergunta: como o Funaro pode ter tanta força? Porque o Eduardo Cunha está por trás. Temos uma pendência muito grande com Funaro, e a ligação de Cunha com ele é muito conhecida”, afirmou ao Globo.

Na volta do recesso da Câmara, Cunha articula um outro tipo de ofensiva, agora contra o governo. Deve ordenar a abertura de quatro CPIs e entregar seus comandos a parlamentares de PSDB, DEM e PMDB; promover a análise das contas dos ex-presidentes da República Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, para abrir caminho para a análise das contas de Dilma; e manejar as votações de forma a atrapalhar o ajuste fiscal.

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