31 de jul de 2015

Entrevista com Valério Arcary


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Igreja de Cunha também recebeu dinheiro de delator

Quebra de sigilo das empresas de Júlio Camargo revela que ele aportou R$ 125 mil em uma filial da Assembleia de Deus Madureira, simpática ao presidente da Câmara dos Deputados

O lobista e delator da Lava Jato Júlio Camargo repassou R$ 125 mil para a igreja evangélica Assembleia de Deus Ministério Madureira, em Campinas (SP). A informação consta da quebra de sigilo bancário da empresa Treviso, utilizada por Camargo para repassar propinas no esquema de corrupção na Petrobrás revelado pela Lava Jato. Nem o pastor da igreja nem a defesa de Júlio Camargo, que negou que ele seja evangélico, quiseram dar explicações sobre o repasse.

Laudo da Polícia Federal aponta que a quantia foi repassada entre 2008 e 2014, sem detalhar se o valor foi pago de uma só vez ou em parcelas. A movimentação é a única feita no período pelas duas empresas de Júlio Camargo (Piemonte e Treviso) que teve como destino uma instituição religiosa.

O repasse mostra que o delator que disse à Justiça ter sido pressionado pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a pagar propina de US$ 5 milhões, também repassou dinheiro para uma igreja simpática ao deputado expoente da bancada evangélica. O parlamentar é um dos políticos alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal por suspeita de envolvimento no esquema de propinas na Petrobrás revelado pela Lava Jato.

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‘Igreja Evangélica Assembleia de Deus’, nome registrado da Assembleia de Deus
Madureira em Campinas (SP)
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Eduardo Cunha durante culto na Assembleia de Deus Madureira no Rio em comemoração a
sua vitória na disputa para a Presidência da Câmara.
Foto: Marcos Arcoverde/Estadão
O presidente da Assembleia de Deus Madureira no Rio, pastor Abner Ferreira, contemplou o presidente da Câmara no culto. “O Satanás teve que recolher cada uma das ferramentas preparadas contra nós. Nosso irmão em Cristo é o terceiro homem mais importante da República”, disse o religioso na época. Abner Ferreira é irmão do pastor Samuel Ferreira, que preside a Assembleia de Deus no Brás, em São Paulo, e aparece no registro da Receita Federal como presidente da Assembleia de Deus Madureira em Campinas, que recebeu os R$ 125 mil da empresa de Júlio Camargo.

Réu na Lava Jato, Júlio Camargo fez acordo de delação e admitiu a existência do cartel de empreiteiras que atuava na Petrobrás e também ter utilizado suas empresas para operar propinas aos executivos da estatal indicados por partidos políticos. Após dizer à Justiça que Cunha era destinatário da propina de US$ 5 milhões, a advogada de Júlio Camargo Beatriz Catta Preta deixou todos os seus clientes da Lava Jato, um total de nove delatores, e disse nesta quinta ao Estado que decidiu abandonar a advocacia, pois vinha sendo ameaçada “insistentemente”.

As empresas de Júlio também fizeram doações oficiais para campanhas de políticos em 2010 e 2012 que totalizaram R$ 1 milhão. Dentre os que receberam recursos estão o líder do governo no Senado Delcídio Amaral, que recebeu R$ 200 mil em 2010, e a senadora Marta Suplicy (sem partido) que recebeu R$ 100 mil também em 2010. Também foram feitas doações de R$ 150 mil ao diretório nacional do PMDB.

Com a palavra, a defesa

A reportagem entrou em contato com a assessoria do pastor Samuel Ferreira, que informou que ele não iria se manifestar sobre o caso. A defesa de Júlio Camargo afirmou que ele não é evangélico, mas também não quis comentar a transação.

A reportagem também telefonou para o celular de Eduardo Cunha, que não atendeu.

No Estadão
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Dobro minhas apostas, Cunha acabou

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/07/31/dobro-minhas-apostas-cunha-acabou/

Quando a delação premiada de Júlio Camargo explodiu no colo do presidente da Câmara este blogueiro escreveu que Eduardo Cunha havia acabado.

Muita gente achou um exagero. Faz parte do jogo.

Em análise política é tão fácil errar quanto acertar. E mesmo quem acompanha o dia a dia da política também come bola.

Mas este blogueiro continua convencido de sua tese.

Cunha acabou e desde ontem há pelo menos mais três indícios fortes do esvaziamento de poder do presidente daCâmara.

Ontem Dilma conseguiu se reunir e ser fotografada com 26 dos 27 governadores. Essa foto pode não valer nada para resolver o problema da economia e tão pouco de sua popularidade, mas certamente foi um recado claro que de ela terá capacidade para negociar com os chefes dos executivos estaduais votações no Congresso. Se Cunha estivesse com a bola toda, provavelmente Dilma não conseguiria realizar essa reunião com tanta facilidade. Haveria mais resistência.

Ao mesmo tempo, ainda ontem, a advogada Beatriz Catta Petra, que conduziu nove das 17 delações, atribuiu de forma praticamente direta sua saída dos processos a Cunha. E garantiu que seu cliente anexou provas que comprovariam a entrega dos 5 milhões de dólares a Cunha.

Pra completar, hoje, como quem não quer nada, o vice-presidente da República, Michel Temer, criticou os peemedebistas radicais. E os acusou de jogarem contra o país. Sobre quem você acha que ele estava falando?

Mas além desses três episódios, Fernando Henrique ainda disse hoje que Dilma é honrada e que não acredita que ela esteja envolvida em corrupção.

Cunha ainda vai pairar pela Câmara como uma assombração, mas seus dias estão contados.

Ele agora tem que cuidar é da sua pele. Porque o resto, amigos, já era.
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Merval detona Eduardo Cunha e sua gangue


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O que aconteceria com a Veja se ela cometesse seus crimes nos Estados Unidos?

Nenhum compromisso com os fatos
Foi anunciada hoje a demissão do diretor de redação da Rolling Stone americana, Will Dana.

O motivo foi o erro monumental da revista ao dar uma matéria sobre um pretenso estupro grupal sofrido por uma aluna da Universidade de Virgínia.

A reportagem teve uma repercussão instantânea e extraordinária.

A universidade e seus dirigentes foram imediatamente vítimas de manifestações furiosas porque, segundo o relato, foram omissos ao lidar com o caso.

O problema é que logo os fatos mostraram que o artigo da RS tinha enormes buracos. Tinha se baseado, essencialmente, numa fonte — a alegada vítima.

O episódio gerou um enorme debate nos meios jornalísticos americanos. A revista reconheceu publicamente seu fracasso, e retirou o texto do site.

Em seu lugar, colocou uma quilométrica análise produzida pela consagrada escola de jornalismo Columbia, a pedido da própria RS.

Na análise, foram esmiuçados todos os erros cometidos pela revista.

A queda do diretor de redação ocorre no momento em que várias ações na Justiça correm contra a revista por causa dessa reportagem.

Numa delas, a reitora da universidade reivindica 7,5 milhões de dólares de indenização por danos à imagem e reputação da escola e dela mesma.

As cifras nos Estados Unidos são altas para obrigar a mídia a tomar cuidado  antes de publicar denúncias.

É uma história exemplar a da RS para nós, brasileiros.

Compare com o que ocorre no Brasil, e particularmente com a Veja.

Numa única edição, a revista cometeu dois crimes jornalísticos, um deles infinitamente pior do que o da RS. Foi o que anunciou uma delação premiada que simplesmente não existia.

Sequer os advogados do personagem foram ouvidos pela Veja, como se viu antes mesmo de a revista chegar às bancas. Um deles disse que largaria a defesa caso seu cliente recorresse à delação.

Isso quer dizer: não houve o menor esforço para verificar a qualidade da informação que alguma fonte maligna passou para a Veja.

O segundo crime foi contra Romário, a quem atribuíram uma conta secreta milionária na Suíça que era falsa.

Romário teve que ir à Suíça para checar a veracidade da informação, e constatou que era tudo fajuto. Mais uma vez, ninguém checou.

Esse tipo de procedimento tem nome: crime.

A Rolling Stone vive um pesadelo. E a Veja está na maior tranquilidade.

Ou eles estão errados nos Estados Unidos ao exigir seriedade e precisão da imprensa ou nós é que estamos.

Faça a escolha.

A Veja estaria morta, há muito tempo, com este tipo de comportamento. Melhor: não teria a menor condição de se estabelecer no mercado americano.

O editor da RS perdeu o cargo. Fatalmente a revista pagará milhões de dólares em indenização.

No Brasil, o diretor de redação da Veja permanece firmíssimo em sua posição. Não há perspectiva de punição pela Justiça, tradicionalmente dominada pelas grandes corporações de mídia.

Para a sociedade, é um horror.

Como disse Mark Twain, há muitas leis para proteger a liberdade de expressão. Mas, no Brasil de 2015, não há uma única lei que proteja as pessoas da imprensa.

Paulo Nogueira
No DCM
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Redução


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Petrolão, HSBC, Zelotes: barulho e manchete para uns, silêncio para os demais



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Por um PGR que respeite o Ministério Público


Conhece-se o verdadeiro comandante pela capacidade de insurgir-se contra ações irracionais da tropa e chamá-la à razão. Essa coragem torna-se especialmente relevante quando o comandante é escolhido em eleição direta pela tropa.

É o caso da eleição para Procurador Geral da República. Voltar-se contra os movimentos de manada — que ele, comandante, percebe como nocivos à corporação — exige coragem, desprendimento e grandeza.

Digo isso a respeito dos debates para a eleição do PGR.

Há quatro nomes de alto nível — o atual PGR Rodrigo Janot, e os subprocuradores-gerais da República Carlos Frederico Santos, Mário Bonsaglia e Raquel Dodge.

De nome, trabalho e reputação, conheço Janot, Bonsaglia e Raquel. Mas, pelo discurso de campanha, diria que aquele que devota mais respeito ao Ministério Público é Carlos Frederico.

Dos quatro, foi o único que teve coragem de abordar um tema tabu — a Lava Jato — e apontar seus exageros, definindo como deveria ser sua condução: rapidez nos procedimentos, para não impactar tanto a política e a economia, e fim do show midiático.

* * *

Recentemente, Carlos Frederico foi acusado pelo Estadão de ser um braço auxiliar de Eduardo Cunha, por ter trabalho com o ex-procurador Antonio Fernando de Souza, que tornou-se advogado de Cunha.  Principal emulador do estilo Veja de jornalismo, o mesmo Estadão havia assacado baixarias semelhantes contra o atual presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Marcus Vinícius, quando se candidatou ao cargo.

O fato objetivo é que a demora da Lava Jato paralisou o país e o show midiático colocou à mostra exibições de musculatura e ego incompatíveis com a responsabilidade institucional do órgão. Rapidez e discrição são pressupostos de profissionalismo, o oposto de exibicionismo. E em nada atrapalham a busca da justiça.

* * *

A parceria da Lava Jato com a Veja está fornecendo munição para uma revista que recorre a chantagens e que se transformou, nos últimos anos, na principal adversária das iniciativas do próprio MPF na área de direitos sociais.

A falsa denúncia de Veja contra Romário — acusando-o de ter uma conta milionária em um banco no exterior — foi claramente um jogo para blindar a quadrilha que tomou conta do futebol brasileiro. A informação falsa foi atribuída a um procurador. E não se duvide disso.

* * *

Não se vá exigir dos procuradores da Lava Jato discernimento para entender os desdobramentos dessa aliança espúria.  A responsabilidade direta e intransferível é do PGR Janot. Ele assegurou a blindagem para os procuradores da Lava Jato se valerem de todas as armas legais e ilegais — como vazar de forma seletiva depoimentos sigilosos, espetacularizando indícios, suspeitas ou meros factoides, expondo mensagens íntimas de familiares de prisioneiros.

Os procuradores tornaram-se os principais alimentadores do jornalismo de esgoto que contaminou a imprensa brasileira.

O futuro cobrará um preço alto da corporação, seja quem for o presidente ou partido político que estiver no poder.

Daí que se alguém de bom senso indagar quem, entre os quatro candidatos, maior respeito têm pelo MPF, maior preocupação com o futuro da instituição, diria que é Carlos Frederico — mesmo sem conhecer mais nada do seu perfil.

Luís Nassif
No GGN
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Projeto de lei que proíbe o Uber é inconstitucional, diz OAB-DF


O projeto de lei que proíbe a utilização no Distrito Federal de aplicativos de prestação de serviços de transporte individual e remunerado é inconstitucional. A afirmação é de parecer elaborado pela Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal.

A proposta mira o Uber, aplicativo mundialmente conhecido como alternativa aos serviços de táxi, mas também afeta os taxistas. Afinal, segundo a OAB-DF, o projeto impede o uso de qualquer aplicativo de prestação de serviços de transporte individual. Assim, aplicativos de táxis também estariam proibidos pelo texto.

De acordo com o parecer, o projeto de Lei 282/2015, em tramitação na Câmara Legislativa, ofende uma série de princípios constitucionais, entre eles os da livre iniciativa, da liberdade de exercício de qualquer profissão e da livre concorrência.

O documento foi enviado ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB), recomendando veto ao projeto. O ofício é assinado pelo presidente Ibaneis Rocha e pela conselheira Christiane Pantoja, presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais da OAB-DF.

O parecer aprovado pela comissão informa ao governador que o projeto de lei tem inconstitucionalidade formal e material. Isso porque a Constituição Federal fixa que compete apenas à União legislar sobre trânsito e diretrizes de política nacional de transporte. Ou seja, a Câmara Legislativa do Distrito Federal não tem competência para tratar do tema.

A OAB-DF ainda aponta que a Lei de Mobilidade Urbana define como transporte público individual aquele “aberto ao Público”. Por isso, o parecer defende que serviços como o Uber possuem natureza diferente daquele prestado por táxis: “Principalmente por não ser aberto ao público, uma vez que é realizado segundo a autonomia da vontade do motorista, que tem a opção de aceitar ou não a corrida, de acordo com a sua conveniência”.

Ainda de acordo com a seccional, “diante da ausência de regulação dos serviços de transporte oferecidos de forma privada, estes não podem ser considerados ilícitos, sob pena de ofensa ao princípio do livre exercício de qualquer atividade econômica”. Para a OAB-DF, a pretexto de regulamentar a prestação do serviço, o projeto de lei acaba por desvirtuá-lo e inviabiliza, na prática, uma legítima atividade econômica.

Clique aqui para ler o parecer.
No Conjur
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Os “paradoxos” de Moro e o aviso de Wadih Damous: “A resposta virá”


Nesta quinta-feira (29), o jornalista Webster Franklin fez uma pergunta, no Jornal GGN, que deveria estar sendo feita em peso pela mídia hegemônica, se esta não fosse corrompida e venal até a raiz do cabelo. A pergunta é singela e obrigatória: Por que Sérgio Moro não investiga Furnas?

Webster recorda, em seu artigo, que o doleiro e delator Youssef declarou, em 2014, que dinheiro desviado de Furnas tinha sido destinado a Aécio Neves. Vejam que, diferente de outras ocasiões, Youssef neste caso não foi vago (assista ao vídeo no final destas Notas Vermelhas). Em sua delação premiada ele não diz que ACHA que o dinheiro era para a campanha de Aécio, ele afirma que o dinheiro era para o pagamento de propinas que o PP dividia com o PSDB, fruto do “compartilhamento” de uma diretoria de Furnas durante o governo do ínclito FHC, citando nominalmente o então deputado Aécio Neves. Youssef aponta ainda a irmã de Aécio Neves como operadora do esquema. Mas Sérgio Moro revelou sua alma tucana de duas formas. Em primeiro lugar, durante a campanha eleitoral de 2014 a operação Lava Jato “vazou” diversas citações a membros do PT ou do governo visando prejudicar a campanha à reeleição de Dilma Rousseff e guardou a sete chaves a citação de Youssef que envolvia Aécio Neves, que só foi divulgada em março de 2015. Em segundo lugar, Moro afirmou que a corrupção de Furnas não lhe dizia respeito por não se tratar de desvios ligados à Petrobras. Agora, em relação à Eletrobrás, o mesmo Sérgio Moro diz que este assunto é de sua responsabilidade em “decorrência da conexão e continência dos demais casos da Operação Lava Jato”. Ou seja, como registra a jornalista (e laureada estudante de Direito, registre-se) Dayane Santos, do Portal Vermelho, a “interpretação para fatos semelhantes é completamente diferente”. Em declaração às Notas Vermelhas, o deputado federal Wadih Damous (PT-RJ), ex-presidente da OAB-RJ, disse que “Este é mais um dos paradoxos arbitrários dos tantos cometidos pelo Juiz Lava Jato”.

A alma tucana de Sérgio Moro - Democracia ameaçada

Imaginem os leitores se Youssef tivesse dito o seguinte: que dinheiro foi desviado de Furnas para ser entregue a Luís Inácio Lula da Silva e que Frei Chico (irmão de Lula) era o operador do esquema. Seria uma hecatombe. Colunistas amestrados, manchetes garrafais, reportagens especiais em tom dramático em todas as TVs e Rádios (inclusive na inacreditável Agência Brasil) iriam escarafunchar cada detalhe da vida do irmão do Lula. E qual vocês acham que seria a atitude do juiz comendador da Globo? Alguém acredita de fato que ele iria alegar, neste caso, que Furnas não está no âmbito das investigações da Operação Lava a Jato?

Wadih Damous: A resposta virá

Em momentos como estes as coisas devem ser ditas o mais claramente possível: A condução parcial e politicamente dirigida da operação Lava Jato é escandalosa e só não desperta a indignação coletiva pela eficaz e unânime blindagem da mídia hegemônica. Esta blindagem só pode ser rompida com uma também eficaz, unânime e vigorosa denúncia, por parte das forças democráticas, do perigo que tal atitude representa para a legalidade democrática. Deixar que a justa bandeira do combate à corrupção seja empunhada por quem só tem em mente conduzir uma “santa cruzada” para criminalizar um partido ou uma corrente política, pode contar com eventual apoio de parcelas da população, mas trará, em curto prazo, consequências danosas e duradouras não só para a esquerda, mas para todos os democratas e patriotas. Segundo Wadih Damous, no entanto, a resposta a isso não tardará: “Está sendo articulado por todo o Brasil um amplo grupo de juristas, advogados e estudantes de direito para denunciar os abusos e desmandos que ameaçam o Estado de direito e a democracia”.



No Vermelho
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Vídeo registra bomba jogada no Instituto Lula



http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/palavra-minha/o-ataque-lula-o-odio-das-bombas-foi-precedido-pelo-odio-das-palavras-em-revistas-e-blogs-dementes/

O ataque a Lula: o ódio das bombas foi precedido pelo ódio das palavras em revistas e blogs

Na história da humanidade foi sempre assim: o ódio das bombas é precedido pelo ódio das palavras.

O Instituto Lula, em São Paulo, acaba de ser atacado por uma bomba caseira, lançada durante a noite. Percebam a gravidade da situação. Imaginem um Instituto Clinton, ou Instituto Chirac, ou ainda o Instituto FHC atacado de forma violenta. Um escândalo. Um ataque à democracia.

No entanto, é preciso colocar o guizo no gato: a bomba demente foi precedida pelo ódio disseminado há anos e anos, por blogueiros, colunistas e revistas que se transformaram em panfletos do ódio e da mentira.

A polícia precisa dizer quem lançou a bomba no prédio, no bairro do Ipiranga. Não sabemos a identidade do criminoso. Mas sabemos bem quem disseminou o ódio que produziu o demente do Ipiranga. São as pessoas sentadas atrás dos teclados, em redações, bem pagas para propagar um clima de confronto e de extermínio de toda uma comunidade política.

Você não precisa gostar do Lula e do PT para entender que algo está errado. Estamos em meio a uma escalada autoritária. Que pode virar, sim, um surto fascista.

A escalada autoritária: querem exterminar todo um campo político
A escalada autoritária: querem exterminar todo um campo político
O demente que lançou a bomba contra o Instituto Lula foi precedido por colunistas, blogueiros e pelo bando de dementes que – nas redes e nas ruas – espalham o ódio, tratam os adversários como “facção criminosa” e alinham-se com o que o mundo produziu de pior no século XX: o fascismo.

Nas manifestações de março de 2015, alguns jovens kataguris chegaram a pedir abertamente que o PT seja cassado, proscrito, proibido. Claro, a lógica é essa: se do outro lado estamos lidando com “uma quadrilha” (como dizem parlamentares tucanos, como o tresloucado Carlos Sampaio), não é mais preciso disputar politicamente. A lógica é destruir o adversário, apagá-lo, exterminá-lo.

O ataque ao Instituto Lula é terrível. Mas deve servir para trazer os tucanos e conservadores mais lúcidos á razão. É preciso frear essa escalada que os serras ajudaram a criar, insuflando blogueiros e jornalistas de longa carreira a disseminar o ódio nas redes sociais.

Pronto, chegamos até aqui. O ódio deu as caras definitivamente.

É preciso dizer: os democratas, a turma da esquerda, dos sindicatos, universidades e organizações populares não vai assistir a isso impassível. Se insistirem na tática do ódio, vai sobrar pra todo mundo.

É preciso isolar a direita fanática, é preciso trazer os centristas para o combate em defesa da democracia.

Colunistas e blogueiros dementes, ligados à revista da marginal e a organizações de comunicação que floresceram na ditadura, produziram gente suficientemente demente para lançar bombas de madrugada.

Chegamos até aqui. Agora está na hora de traçar uma linha no chão.

Quem está do lado de cá vai se defender. Prioritariamente, com palavras, com argumentos e política. Mas, se preciso, também com atos e capacidade de luta.

Não brinquem com a democracia no Brasil!
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Segredos militares estariam por trás da prisão de Othon Pinheiro da Silva

Angra 3: segredos militares
O Wikileaks havia cantado a pedra em 2011. Na ocasião, a preocupação latente do governo americano com o trabalho desenvolvido por cientistas brasileiros no campo da energia nuclear, que culminaria com a entrada em operação, em 2025, de um submarino de propulsão nuclear, produzido em conjunto com a França, já havia sido tornada pública. Desta forma há de se questionar: qual o papel que a Polícia Federal, sob o mando (e desmando) do ministro Sérgio Moro assume agora? Por que ela invade a área da Segurança Nacional e decide investigar o nosso principal representante no campo estratégico da segurança de estado e da energia? Veja a reportagem publicada pela Gazeta do Povo em 2011.

WikiLeaks revela disputa entre Defesa e Itamaraty nos bastidores da corrida nuclear

Nas correspondências, a diplomacia americana constata que há um único "quase-consenso" em Brasília, que é a resistência em aderir ao Protocolo Adicional do Tratado de Não Proliferação (TNP).

Os bastidores da política nuclear do Brasil ocuparam os Estados Unidos tanto quanto o monitoramento de possíveis acordos de cooperação com potências nucleares como a Índia, ou a aproximação com o Irã. A disputa de poder e influência entre o Ministério da Defesa e o Itamaraty sobre a política nuclear vem à tona em telegramas diplomáticos americanos sobre não proliferação, revelados ao O Globo pelo WikiLeaks. Nas correspondências, a diplomacia americana constata que há um único "quase-consenso" em Brasília — a resistência em aderir ao Protocolo Adicional do Tratado de Não Proliferação (TNP).

As fissuras dentro do governo brasileiro aparecem na descrição de um encontro do então embaixador Clifford M. Sobel com o presidente da Eletrobras, Othon Pinheiro, apontado pelos americanos como "o czar da energia nuclear do Brasil". Diante da constante pressão dos EUA pela adesão brasileira ao Protocolo Adicional do TNP — que autoriza a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a inspecionar instalações nucleares com um curtíssimo aviso prévio — Pinheiro sugere uma medida menos intrusiva: a instalação de sensores capazes de identificar material nuclear, uma vez que elementos físseis são facilmente detectados. O projeto fora apresentado ao Itamaraty e recebido sem grande entusiasmo. Sobel, então, levou a ideia ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, e questionou quem mais poderia participar do debate.

"Jobim respondeu que qualquer discussão sobre esses tópicos deve passar por ele, exclusivamente, e não pelo Ministério das Relações Exteriores", relatou um trecho do telegrama enviado a Washington em 17 de fevereiro de 2009.

Outro episódio que expôs irritação do ministro da Defesa foi o pedido da AIEA para entrevistar um cientista brasileiro após a publicação de uma tese sobre como produzir a bomba atômica. Jobim disse ter "ficado perturbado" ao descobrir que o Ministério das Relações Exteriores estava cooperando com a AIEA.

"Ele declarou estar engajado em pôr um fim a qualquer permissão para que a AIEA interrogue o cientista", descreve a embaixada, na mesma mensagem.

O ministro se referia à controvérsia acerca do físico Dalton Barroso, um doutorando do Instituto Militar de Engenharia (IME) que, baseado em sua tese, publicou em livro a fórmula para se chegar à W-87, uma das mais poderosas ogivas americanas — o que explica o alarmismo dos EUA diante da informação.

Três meses depois, a vice-chefe da missão americana em Brasília, Lisa Kubiske, reuniu-se com funcionários do governo brasileiro e observou que Nelson Jobim estava ciente de que sua recusa em cooperar com a AIEA causou desconforto. Segundo o informe da embaixada, "ele está agora buscando uma maneira de cooperar sem minar o que vê como responsabilidade dele em temas nucleares". Na mesma série de reuniões, diante da recusa definitiva do Brasil em aderir ao Protocolo Adicional do TNP na Conferência de Revisão de 2010, os americanos advertiram que o governo do presidente Lula "sempre apoiou com relutância medidas de não proliferação e permanece desconfiado de propostas novas, uma situação que provavelmente só será alterada com a entrada de um novo governo em 2011".

"Embora o Ministério das Relações Exteriores insista que conduz a questão do Protocolo Adicional, na nossa visão, depois do presidente Lula, é o ministro Jobim que tem mais influência em temas nucleares", avaliou o telegrama de 11 de maio de 2009.

O Protocolo Adicional, aliás, era apontado como o único consenso em Brasília. Ou quase, devido à posição do diretor da Divisão de Desarmamento e Tecnologias Sensíveis do Itamaraty, Santiago Mourão, único funcionário brasileiro favorável à adesão. Os americanos também observaram divergências de abordagem entre civis e militares brasileiros quanto aos temas nucleares.

Na correspondência de 26 de janeiro de 2009, pouco depois de uma visita da representante oficial da Presidência dos EUA para Não Proliferação, embaixadora Susan Burk, é relatado um encontro dela com o diretor do Departamento Internacional do Ministério da Defesa, general Marcelo Mario de Holanda Coutinho. E numa indicação de que havia percepções distintas entre o ministro e funcionários do ministério, dele, a americana ouviu que "apesar de o Ministério da Defesa ser parte do grupo que cuida de questões nucleares, é o Ministério das Relações Exteriores quem comanda e fala em nome do Brasil".

O general aproveitou, ainda, para minimizar uma declaração recente do então vice-presidente, José Alencar, segundo a qual "o Brasil estaria melhor se tivesse armas nucleares".

"Ele enfatizou que as declarações devem ser ignoradas e certamente contrariam a política do governo brasileiro. Ele deu de ombros à declaração, como coisa de políticos, que às vezes dizem o que vem à cabeça", informou o texto.

No Conexão Jornalismo
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Até Merval ataca Eduardo Cunha


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O jornalismo mediúnico invade encontro de Dilma com governadores


No jornalismo existem as reportagens e as análises. As reportagens baseiam-se em fatos; as análises, em raciocínios.

Uma das formas de burlar o leitor é rechear um artigo com meras impressões pessoais — do gênero que os compêndios jornalísticos denominam de gossips — e atribuí-las a fontes, anônimas ou não. É diferente da análise propriamente dita, que exige raciocínio, levantamento de ângulos não percebidos pelo leitor.

O gossip tem sido fartamente utilizado para desqualificar qualquer ato de Dilma, uma declaração solta, uma proposta política. Em vez de se debruçar sobre as implicações da atitude, montam-se análises superficiais baseadas no achismo, mas atribuídas a fontes em off para ganhar alguma verossimilhança.

É o caso do encontro de ontem, de Dilma com 27 governadores.

Comparem a reportagem “Dilma manda a governadores recados que eles não queriam ouvir” (http://migre.me/qZcq4) da colunista Vera Magalhães, da Folha — que não estava no evento — com os relatos dos repórteres que assistiram o evento. Basicamente as reportagens do Estadão “Aos governadores Dilma diz que país tem condições de se recuperar” (http://migre.me/qZcrX) —, de O Globo — “Governadores defendem governabilidade e pedem retomada dos investimentos” (http://migre.me/qZcwe) e “Dilma diz a governadores  que o país passa por transição” (http://migre.me/qZcxW) — e da própria Folha — “Dilma pede a governadores ajuda para sair da crise” (http://migre.me/qZczE).

Do lado esquerdo, as afirmações contidas no artigo de Vera; no direito, informações dos repórteres que cobriram o encontro.

O jornalismo de suposição
O jornalismo dos fatos
Os dias que antecederam a reunião de Dilma Rousseff com os governadores foram cercados de certo desconforto por parte dos convidados. Quais convidados? Nenhum é identificado.
Diante da crise econômica e política e da popularidade em franco derretimento da presidente, os chefes dos Executivos estaduais temiam ser chamados para dividir o fardo pesado que Dilma carrega desde que se reelegeu. Quais chefes dos Executivos? Nenhum.
Diante da crise econômica e política e da popularidade em franco derretimento da presidente, os chefes dos Executivos estaduais temiam ser chamados para dividir o fardo pesado que Dilma carrega desde que se reelegeu. Quem temia ser chamado para dividir o fardo?
Mais: os que foram reeleitos no ano passado guardavam ainda fresca na memória a experiência pós-junho de 2013, quando Dilma chamou os 27 governadores para assistirem ao famoso discurso dos "pactos" nacionais — eram cinco, no fim nenhum deles se concretizou. Conversou com todos os governadores e selecionou a opinião dos que foram reeleitos? Dificilmente. Fonte espírita.
Os oposicionistas temiam cair na cilada de serem convidados a ajudar numa governabilidade que nem lhes interessa nem é sua responsabilidade. E os dos partidos aliados, que sentem no dia a dia a dificuldade de apoiar um governo impopular, também não queriam se tornar sócios nessa empreitada. Nenhum oposicionista e nenhum aliado é mencionado. Fonte espírita.
Foi com essa (pouca) disposição que a maioria dos 27 viajou a Brasília. Some-se a isso as trapalhadas de cerimonial, que só distribuiu os convites poucos dias antes do encontro, com pauta genérica e sem deixar claro quem falaria ou não, e dá para se ter ideia do clima pré-encontro. A troco de que reunião com a presidente precisa de pauta detalhada? Não explica.

Aí se parte para o encontro propriamente dito e os fatos teimam em discordar das suposições atribuídas a fontes em off. Mas a colunista não desiste.

Na parte televisionada do encontro, a presidente leu um papel sem olhar nos olhos dos convidados. Citou de forma ensaiada um ou outro dos presentes, para afetar alguma intimidade e consideração — o efeito foi nulo, o truque retórico é manjado e não funcionou com o pouco traquejo de Dilma para o improviso. A rigor, nenhuma informação que contribua para entender o encontro.
Não explica como olhar nos olhos de 27 convidados. E não explica como soube se o tal truque retórico não funcionou, se não conversou com uma fonte sequer a quem supostamente se dirigiam os truques retóricos.
No mundo real, repórteres extraíram um bom conjunto de informações:
Estadão - Em seu discurso, a presidente indiretamente reconheceu que o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, na prática, exerce o cargo de Secretário das Relações Institucionais, responsável pela coordenação política e relação com os partidos e parlamentares. Foi ao informar que o ministro Padilha, logo depois, iria relatar aos presentes as propostas que estão no Congresso e poderão ter grande impacto financeiros nas contas públicas.
Neste momento, a presidente Dilma cobrou "responsabilidade de todos" no combate às chamadas pautas-bomba que estão para ser votadas. "Como algumas medidas afetam também os Estados, os governadores têm de ter clareza do que está em discussão", disse a presidente, ao defender a estabilidade fiscal e econômica do País. Dilma lembrou que algumas das medidas ela "assumiu e vetou", mas que outras "ainda estão em andamento" no Congresso. Por isso, precisava do apoio dos governadores, sugerindo que eles deveriam influenciar as suas bancadas para que não fossem aprovadas.
E, já no finzinho, mandou o recado que os governadores não queriam ouvir: precisa da ajuda deles para barrar a pauta-bomba no Congresso. Pior: insistiu que a crise é uma "travessia", sem assumir nenhuma responsabilidade pela instabilidade econômica, e repetiu várias vezes que ela atinge "to-dos'', assim mesmo escandido, os governos. Folha -  Em uma fala de pouco mais de trinta minutos, Dilma elencou problemas econômicos que o Brasil enfrenta, segundo ela, desde agosto de 2014, como "o colapso no preço das commodities, a grande desvalorização da moeda, com impacto nos preços e na inflação". Mas afirmou que "isso não é desculpa para ninguém". (...) Dilma disse ainda que o governo federal "tem que arcar com a responsabilidade e assumir suas condições" mas, ao mesmo tempo, "algumas medidas afetam os Estados e, portanto, os governadores têm que ter clareza" da situação.
Equivaleu a dizer aos que se abalaram a Brasília: me ajudem a embalar Mateus porque não pari sozinha.
Acontece que os governadores pensam o contrário: a crise é do governo federal, que a criou e a agravou. Se Dilma quer ajuda para o ajuste fiscal, algo que muitos estão dispostos a ofertar, deveria pedir especificamente para isso e assumir a responsabilidade que lhe tange, sem tergiversar.

O Globo - Preocupados com a situação econômica, que impacta os estados, os governadores se dizem dispostos a colaborar e a discutir uma pauta de interesse nacional. Esperam que sejam consideradas sugestões já feitas para minimizar os efeitos da crise e a abordagem de questões federativas, como a criação do fundo de compensação para a reforma do ICMS, cujo objetivo é acabar com a guerra fiscal.
— Acho que esse pacto pode se efetivar com medidas concretas. Essas medidas (reivindicadas pelos estados) apontam para a melhoria do ambiente econômico, o que significa melhora na governabilidade — disse o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB).
Estadão - "A União tem de liderar este processo e assumir todas as suas necessidades e condições, ao mesmo tempo, consideramos que, como algumas medidas afetam também os Estados, os governadores têm de ter clareza do que está em discussão."
Na parte aberta do encontro, no entanto, a presidente passou longe disso. Folha - A presidente não deixou de lembrar que "assumiu" o desgaste de vetar algumas medidas de "grave impacto" nas contas públicas, como o reajuste do salário dos servidores do Judiciário, aprovado em junho pelo Senado, mas ressaltou que há outros projetos em pauta "que terão impacto sobre os Estados sem sombra de dúvida".
Resta saber se os políticos que faziam reparos ao modelo da reunião nos bastidores terão coragem de explicitar as críticas diante de Dilma, se for dada a palavra a todos. O mais provável é que também eles se atenham a observações genéricas. O Globo — houve ampla discussão sobre a unificação do ICMS, com os governadores apresentando propostas conjuntas.
O Globo —  Após o encontro, o governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB), representante da Amazônia Legal, defendeu claramente a “manutenção do mandato” da presidente Dilma. Ele disse que os governadores trataram da crise política:
— Uma síntese do que foi tratado por nós foi a preocupação com a agenda política. A defesa clara e inequívoca da estabilidade institucional, da ordem democrática, do Estado de direito e contra qualquer tipo de interrupção das regras constitucionais vigentes. Portanto, a manutenção do mandato legítimo da presidente Dilma Rousseff que foi eleita para cumpri-lo — afirmou o governador maranhense, representando a Amazônia Legal.
Ricardo Coutinho (PSB-PB), que representava o Nordeste, falou da importância de evitar a instabilidade política:
— O país não pode permanecer, a partir de uma instabilidade política, gerando uma instabilidade econômica, porque o setor produtivo pensa duas, três, quatro vezes em investir sem saber como será o dia de amanhã. Então, para todos, é importante que se resgate a estabilidade, garantindo a governabilidade para quem foi eleito. Como nós governadores, a presidente Dilma foi eleita — declarou.
(...)  — Foi um momento importante de diálogo, mesmo porque há muito tempo a presidente não se reúne com os governadores. Nesse momento de crise política foi uma boa oportunidade para passar a limpo uma agenda propositiva para o país — disse o governador de Goiás, Marconi Perillo.
Nesse caso, o encontro terá sido mais uma reunião longa, cansativa e inócua, como aquela de 2013 e tantas outras. Dilma sairá dela tão impopular e desgastada quanto entrou, os governadores voltarão para seus Estados sem recursos e perspectivas de investimentos e a pauta-bomba continuará à espreita quando o Congresso retomar os trabalhos na segunda-feira. O Globo — Vamos trabalhar a pauta que foi apresentada, de estabilidade política, soluções para garantir o crescimento econômico e a garantia que possamos ter uma agenda federativa. Foi uma reunião madura, com bastante serenidade, com uma posição pensando no Brasil — afirmou Wellington Dias (PT), governador do Piauí.

Luís Nassif
No GGN
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Juiz determina suspensão de site Tudo sobre todos


Empresa que disponibiliza dados pessoais de cidadãos sem autorização de seus titulares viola a Constituição. Isso porque atinge os direitos à intimidade e à vida privada. Essa foi a tese adotada pelo juiz federal Magnus Augusto Costa Delgado, da 1ª Vara Federal de Natal, ao determinar que seja retirado do ar o site Tudo sobre Todos.

A página cobra pela consulta de data de nascimento, nome de parentes e até de vizinhos da pessoa procurada. Alguns dados, como endereço, aparecem gratuitamente. Segundo o próprio site, a fonte das informações são "cartórios, decisões judiciais publicadas, diários oficiais, foros, bureaus de informação, redes sociais e consultas em sites públicos na internet".

O Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte entrou com ação na Justiça alegando que o site fere “os direitos básicos dos usuários da internet”, pois “não há qualquer ‘finalidade social’ em se permitir que particulares vasculhem livremente a vida privada uns dos outros”.

O juiz concordou com o argumento e concedeu liminar para que empresas brasileiras de internet criem “obstáculos tecnológicos” para inviabilizar o acesso à página, até o julgamento definitivo do processo. Como os servidores do Tudo sobre Todos ficam na Suécia, a decisão determina ainda que o Ministério da Justiça solicite ao governo daquele país a retirada provisória do site.

A ré é a empresa Top Documents LLC, sediada no Seychelles, um arquipélago localizado no Oceano Índico, próximo à costa africana. Além de citar a Constituição, o juiz avaliou que a conduta da empresa descumpre direitos de usuários descritos no Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) e na Lei 12.414/2001, que trata da formação de bancos de dados para fins comerciais e exige autorização prévia do potencial cadastrado.

Com informações da Assessoria de Imprensa do MPF-RN.
Clique aqui para ler a decisão.
Processo: 0805175-58.2015.4.05.8400

Leia também: "Tudo sobre todos" quebra sigilo de brasileirosMP investiga site por venda de dado sigiloso
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ONG ligada a presidente do TCU é suspeita de fraudes


Criada para fomentar o artesanato com fibra do sisal, ONG firmou contrato de R$ 2,9 milhões para treinar petroleiros


Só a primeira etapa do convênio foi paga; ministério suspendeu contrato ao identificar problemas na execução

Ligada ao presidente do TCU, Aroldo Cedraz, a ONG Instituto de Desenvolvimento da Região do Sisal recebeu R$ 3,5 milhões do governo federal por meio de convênios entre 2005 e 2011. Um desses convênios foi suspenso por suspeitas de irregularidades.

A entidade, cuja sede foi construída com recursos de emenda parlamentar apresentada em 2005 por Cedraz, quando ele era deputado federal, foi comandada por seu cunhado Sílvio Roberto Habib entre 2006 e 2008.

Entre 2008 e 2012, Habib deixou a presidência, mas seguiu atuando como gerente-executivo e consultor, com a função de formular projetos de convênios da entidade.

Com sede em Valente, município com cerca de 27 mil habitantes do sertão baiano e terra natal da família Cedraz, a ONG tem como foco fomentar as cadeias produtivas do artesanato com fibra do sisal e a caprinocultura.

Mas firmou em 2011 contrato com o Ministério do Trabalho no valor de R$ 2,9 milhões com um objetivo bem diferente: treinar trabalhadores do setor do petróleo em três cidades do Ceará.

O ministério afirma que a ONG foi escolhida, mesmo não tendo atuação na área, após uma seleção pública.

Mas apenas a primeira etapa do convênio foi paga, já que o contrato acabou suspenso por inconsistências no desenvolvimento do projeto. Pela primeira etapa, a ONG recebeu R$ 884,7 mil.

Em junho deste ano, a execução da primeira etapa do convênio teve as contas rejeitadas. Na nota técnica, o ministério justifica a decisão alegando que não foi provado o cumprimento da meta de trabalhadores treinados.

O instituto é tido como um dos principais projetos apoiados por Aroldo Cedraz em Valente, cidade onde sua família tem forte inserção política: seu pai foi prefeito por duas vezes e um de seus irmãos é o atual vice-prefeito.

Em 2009, o ministro do TCU participou de um seminário na ONG sobre caprinocultura com a participação de deputados e secretários do governo da Bahia.

Procurado, Cedraz informou que "não tem relação com a ONG nem com a efetivação dos convênios".

A entidade ainda firmou outros seis convênios "um com o Ministério da Agricultura e cinco com o da Ciência e Tecnologia" para desenvolver projetos de artesanato e caprinocultura em Valente. Destes, cinco foram considerados adimplentes e um está com as contas sob análise.

A ONG ainda chegou a ser selecionada pelo Ministério do Trabalho para treinar trabalhadores do setor sucroalcooleiro no interior de São Paulo, num convênio de R$ 2,3 milhões. O contrato, contudo, não chegou a ser executado.

Suspeitas

Presidente do TCU desde dezembro de 2014, Aroldo Cedraz será o responsável por conduzir a análise das contas da presidente Dilma Rousseff (PT), que correm risco de rejeição por causa das chamadas "pedaladas fiscais".

O ministro ainda é suspeito de repassar informações sobre processo de interesse da UTC Engenharia, empresa que teria pago propina ao seu filho, o advogado Tiago.

O processo envolvia supostas irregularidades na licitação de uma das unidades da usina Angra 3. Cedraz afirma que se declarou impedido de julgar o caso.

Tiago também nega que tenha recebido informações privilegiadas do pai.

João Pedro Pitombo
No fAlha
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Delator diz que propinas começaram no governo de FHC


Em seu depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira, 28, o novo delator da Lava Jato e operador para a Diretoria de Serviços da Petrobrás Mário Góes revelou aos investigadores a atuação de uma nova operadora de contas para movimentar propinas na Suíça. Ela se chama Denise Kos, segundo o delator.

Até então, a Lava Jato e o Ministério Público Suíço já estavam investigando Bernard Freiburghaus, que, segundo a força-tarefa do Ministério Público Federal, cuidava das contas do ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa — este recebia propinas da Odebrecht no esquema de desvios na estatal, diz a Lava Jato.

De acordo com Mário Góes, o ex-gerente de Serviços Pedro Barusco o apresentou a Denise Kos para a criação da empresa Maranelle e da conta de mesmo nome na Suíça “tendo o declarante apenas fornecido seus dados e a sua documentação, que a partir de então passou a manter contatos constantes com Denise, tanto por telefone como pessoalmente”, relatou Góes, que atuava como procurador da conta na Suíça.

Ele disse ainda que Denise é brasileira e mora na Suíça. O próprio Barusco, em sua delação, entregou aos investigadores documentos da conta Maranello e admitiu que era uma das utilizadas para o recebimento de propinas no exterior.

Góes revelou ainda que “periodicamente” Barusco lhe perguntava se a conta havia recebido depósitos e que, nestes casos, o ex-gerente da Petrobrás “providenciava” para Góes um contato telefônico com Denise para que ele conferisse as informações sobre as transações. “Essas ligações eram feitas pelo sistema Voip não recordando o nome da empresa no momento”, disse o delator.

Góes admitiu que mantinha extratos e outros registros da conta, mas que, no começo de 2014, Barusco pediu a ele que destruísse toda a documentação, pois estava preocupado com a investigação do caso SBM no exterior, e também pediu que Denise encerrasse a conta Maranello.

Além da investigação na Lava Jato, Pedro Barusco também está na mira das autoridades suíças pelas propinas que ele admitiu ter recebido da holandesa SBM Offshore desde a década de 1990. No ano passado, os suíços bloquearam US$ 67 milhões do executivo no exterior antes de ele ser enquadrado pelas autoridades brasileiras.

No depoimento nesta terça, 28, Mário Góes revelou ter ouvido de Barusco que Denise Kos foi apresentada a ele por Julio Faerman, representante da SBM que negociou propina com Barusco desde o primeiro contrato de navio-plataforma da Petrobrás na década de 1990, durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).


Com o depoimento, a força-tarefa pode abrir mais uma frente para investigar o complexo esquema das empreiteiras para repassar propinas aos ex-executivos da Petrobrás no exterior que envolvia empresas de fachada, offshores e até subsidiárias de empreiteiras brasileiras no exterior. Desde o ano passado, as investigações da Lava Jato contam com a colaboração das autoridades suíças, que também investigam indícios de lavagem de dinheiro do esquema da Petrobrás nos bancos daquele país.
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Ataque político ao Instituto Lula



Por volta das 22h desta quinta-feira (30), a sede do Instituto Lula, em São Paulo, foi alvo de um ataque político com artefato explosivo. O objeto foi arremessado contra o prédio do Instituto de dentro de um carro. Felizmente, não houve feridos.

O Instituto Lula já comunicou as polícias civil e militar, o secretário de Segurança Pública do Estado de S. Paulo e o ministro da Justiça, e espera que os responsáveis sejam identificados e punidos.

No Instituto Lula
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Stanley Burburinho: Há 9 meses advogada já sabia que seria ameaçada?


1) O Globo diz que a advogada dos delatores da Lava Jato disse que deixou os clientes e foi para os EUA (Miami) para trabalhar como consultora por que se sentiu ameaçada aqui no Brasil, devido à Lava Jato, suponho:

"Ameaçada, advogada de delatores da Lava-Jato diz que vai abandonar profissão."


https://twitter.com/JornalOGlobo/status/626896914982793216

2) Acontece que a sra. advogada dos delatores, Beatriz Lessa da Fonseca Catta Preta, abriu a empresa de consultoria nos EUA (Coral Gables, Miami - FL), para onde ela se mudou dias atrás, no dia 20 de outubro de 2014, há 9 meses, segundo o registro do site dos EUA, Corporationwiki. Veja abaixo:

http://www.corporationwiki.com/p/…/catta-preta-consulting-l…

3) Então em outubro de 2014, há 9 meses, a sra. advogada já sabia que seria ameaçada em 2015?

Stanley Burburinho
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Amaury Jr concorrerá à prefeitura de Campos do Jordão

O apresentador expôs seu programa de construção de moradias
SÃO PAULO - O apresentador Amaury Jr convocou uma recepção dançante na mansão Matarazzo para falar de seus projetos para o próximo ano. "Fashion forward que sou, é claro que venho acompanhando atentamente as tendências da moda. Notamos, Glorinha Kalil e eu, que na próxima estação nada será tão podre de chique quanto apresentadores de tevê concorrendo a cargos públicos. Por isso, desde já, lanço minha candidatura para prefeito de Campos do Jordão", discorreu em tom festivo, ao passo que uma banda tocava o jingle Keep it comin' love.

As candidaturas de Datena, Russomanno, João Doria Junior e Oscar Maroni para a prefeitura de São Paulo esquentaram a eleição em outros municípios. "Serei o maior prefeito de Itu", é o slogan do candidato Kid Bengala. Vampeta concorrerá em Pirassununga. Roberto Justus está na dúvida se vai para a Record ou para a prefeitura de Orlando.

Descreditados, políticos se movimentam para ocupar as vagas deixadas nos programas de TV. Jair Bolsonaro é cotado para comandar o Brasil Urgente. Aécio Neves ficou em segundo lugar numa votação para apresentar O Aprendiz no lugar de Doria Junior. Lula estuda propostas para assumir o lugar de Silvio Santos.

No The i-Piauí Herald





Keep It Comin' Love

Keep it comin' love, keep it comin' love
Don't stop it now, don't stop it, no no
Don't stop it now, don't stop it.
Keep it comin' love, keep it comin' love
Don't stop it now, don't stop it, no no
Don't stop it now, don't stop it.
Don't let your well run dry, don't
Don't give me no reasons why,
Don't stop it now
Keep it comin' love, keep it comin' love
Don't stop it now, don't stop it, no no
Don't stop it now, don't stop it.
Keep it comin' love, keep it comin' love
Don't stop it now, don't stop it, no no
Don't stop it now, don't stop it.
Don't build me up just to let me down
Don't stop it now
Don't turn me on just to turn me off
Don't stop it now.
Keep it comin' love, keep it comin' love
Don't stop it now, don't stop it, no no
Don't stop it now, don't stop it
Keep it comin' love, keep it comin' love
Don't stop it now, don't stop it, no no
Don't stop it now, don't stop it.
Don't tell me there ain't no more,
Don't stop it now.
Don't turn me down and just
close your door, don't stop it now.

Keep it comin' love
Ooh, keep it comin' love, Oh yeah
Keep it comin' love, keep it comin' love
Don't stop it now, don't stop it, no no
Don't stop it now, don't stop it.
Keep it comin' love, keep it comin' love
Don't stop it now, don't stop it, no no
Don't stop it now, don't stop it.
Keep it comin' love, keep it comin' love
Keep it comin' love, keep it comin' love
Keep it comin' love, keep it comin' love
Continue Vindo Amor

Continue vindo amor, continue vindo amor
Não pare agora, não pare, não não
Não pare agora, não pare.
Continue vindo amor, continue vindo amor
Não pare agora, não pare, não não
Não pare agora, não pare.
Não deixe sua fonte secar, não
Não me dê nenhuma razão por quê
Não pare agora
Continue vindo amor, continue vindo amor
Não pare agora, não pare, não não
Não pare agora, não pare.
Continue vindo amor, continue vindo amor
Não pare agora, não pare, não não
Não pare agora, não pare.
Não me levante para depois me deixar por baixo
Não pare agora
Eu não me acenda para depois apagar
Não pare agora
Continue vindo amor, continue vindo amor
Não pare agora, não pare, não não
Não pare agora, não pare.
Continue vindo amor, continue vindo amor
Não pare agora, não pare, não não
Não pare agora, não pare.
Não me diga que não há mais nada,
Não pare agora.
Não me apague e
saia pela sua porta, não pare agora.

Continue vindo amor
Ooh, continue vindo amor, oh yeah
Continue vindo amor, continue vindo amor
Não pare agora, não pare, não não
Não pare agora, não pare
Continue vindo amor, continue vindo amor
Não pare agora, não pare, não não
Não pare agora, não pare
Continue vindo amor, continue vindo amor
Continue vindo amor, continue vindo amor
Continue vindo amor, continue vindo amor
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Vazamento seletivo e a narrativa de acusação

É preciso exigir que a Polícia Federal puna com rigor e de forma efetiva os vazamentos e privilégios a determinados veículos de comunicação e até criar órgãos de controle externo para tal

A simbiose entre agentes públicos responsáveis por grandes
investigações e órgãos de imprensa corrompe o encaminhamento do
processo penal e prejudica a construção de uma mídia democrática
O recorrente vazamento de informações não é exatamente uma novidade. Ao contrário, durante praticamente todas as operações de grande repercussão conduzidas pela Polícia Federal, ao menos desde o final do governo FHC, praticou-se, em menor ou maior grau, vazamento privilegiado de dados e documentos sigilosos das investigações para veículos da grande mídia.

O que surpreende, no entanto, é que essa prática perdure e, uma vez que não é coibida nem punida, acabe por ser estimulada. Aliás, parece que ninguém mais questiona sua legalidade ou, quando o faz, é advertido com a argumentação de que a imprensa é livre.

É verdade que a imprensa é livre para publicar informações que venha a obter, mas é preciso lembrar que o agente público que fornece essas informações incorre em grave crime contra a administração pública; crime, aliás, tão grave quanto a corrupção.

É preciso exigir que a Polícia Federal puna com rigor e de forma efetiva os vazamentos e privilégios a determinados veículos de comunicação, ou até mesmo pensar na criação órgãos de controle externo para tal.

Se o repórter tem a missão de conseguir informar em primeira mão — o que deveria ser feito sempre com critério e responsabilidade —, no plano jurídico, o agente público incumbido da investigação — seja da Polícia, do Ministério Público ou do Judiciário —, ou quem lhe faz as vezes, tem o dever de guardar sigilo sobre ela.

Quando uma informação é divulgada antes do tempo, não só o direito do acusado, mas também a investigação e a legitimidade do processo são prejudicados. Portanto, ao permitir ou facilitar propositalmente que uma determinada informação seja publicada, esse agente incorre em ato criminoso.

O vazamento sistemático é extremamente pernicioso, tanto para a efetividade da Justiça, uma vez que interfere nos resultados dos processos, quanto para a sociedade, para o público que consome notícias oriundas de informações descontextualizadas e que trazem, de “brinde”, uma versão acusatória publicada como fato.

A divulgação de trechos de conversas telefônicas retiradas do contexto original, por exemplo, pode criar uma ideia antecipada de culpabilidade do investigado. Alimenta-se, dessa forma, no ambiente da sociedade, uma narrativa de punição a esse investigado, sem que ele tenha sequer condições de exercer seu direito de defesa.

Normalmente ele e seus advogados tomam conhecimento daquela documentação e informação ao mesmo tempo em que o público, pela imprensa.

Esse tipo de mecanismo está transformando o processo penal no Brasil em um processo stalinista, em que os procedimentos são mera formalidade, pois desde o início e antes mesmo de a defesa ser realizada, já se sabe o seu resultado.

No mais das vezes os réus têm sido condenados a cumprir penas duras, justamente por conta dessa narrativa acusatória criada em torno de toda a investigação.

Isso é muito grave e os vazamentos de informação à imprensa têm papel central na instauração dessa corrupção sistêmica, ou seja, do mau funcionamento do Estado Democrático de Direito e dos valores que lhe são próprios, como o da presunção de inocência.

Além disso, como se sabe, os aparelhos, as corporações de investigação condicionam a liberação de informações privilegiadas a que o jornalista divulgue apenas a sua versão dos fatos — o que fere um princípio fundamental do bom jornalismo que é sempre ouvir o outro lado.

A fim de garantir a obtenção dessas informações, parte da mídia age de forma parcial, não isenta, e, de quebra, confere maior visibilidade a este ou aquele agente. Essa simbiose entre agentes públicos responsáveis por grandes investigações e órgãos de imprensa, além de contaminar e corromper o encaminhamento do processo penal, prejudica a construção de uma mídia mais plural e democrática.

No momento em que é necessário divulgar informações, os órgãos públicos têm que fazê-lo de forma isonômica. O papel do jornalista é tentar obter a informação em primeira mão, mas o papel do Estado é resguardar o que é sigiloso e garantir acesso igualitário a todos os veículos de imprensa ao que não é. É preciso garantir visibilidade à investigação, e não a quem investiga.

Quando a sociedade sabe o nome do juiz ou agente público que está à frente de uma investigação, mas sabe nada ou muito pouco sobre aquilo e quem está sendo investigado, ela está mal informada.

Pedro Serrano
No CartaCapital
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A entrevista de Beatriz Catta Preta é mais um prego no caixão de Cunha


O depoimento da advogada Beatriz Catta Preta ao Jornal Nacional é mais um prego no caixão de Eduardo Cunha.

Ao Jornal Nacional, Beatriz revelou que sua decisão de abandonar a defesa de seus clientes na Lava Jato se deveu a ameaças “veladas”, “cifradas”. Diante delas, foi preciso zelar pela segurança “da família, dos filhos”.

Não especificou nada.

Mas a pressão, contou, partiu dos integrantes da CPI da Petrobras, que querem que ela explique, por exemplo, de onde vêm seus honorários — o que a OAB considera uma ameaça para o direito de defesa no país.

Centrada, aparentando segurança, afirmou que está deixando a carreira. O repórter César Tralli passeou por um escritório vazio.

A “retaliação” começou depois do depoimento do empresário Júlio Camargo, tido como operador do PMDB. Camargo, como se sabe, acusou Cunha de receber propina de 5 milhões de dólares.

O autor do requerimento para Beatriz falar na CPI é o deputado Celso Pansera, que o doleiro Alberto Yousseff chamou de “pau mandado” do presidente da Câmara.

“Sim, venho sofrendo intimidação pelas minhas filhas, minha ex-esposa, pela CPI coordenada por alguns políticos e eu acho isso um absurdo”, disse Yousseff.

Pansera e outros colegas da comissão parlamentar de inquérito teriam solicitado uma investigação de Júlio Camargo para desqualificá-lo. A Kroll teria sido contratada para o serviço. Tudo sob a orientação do chefe EC.

“Está em vigor a ‘moral da gangue’, que acredita triunfar pela vingança, intimidação e corrupção”, escreveram os advogados de Camargo que substituíram a Catta Preta.

Beatriz Catta Preta é a maior especialista do Brasil em delação premiada. Orientou nove dos 23 delatores da Lava Jato. Ela não é a primeira e não será a última pessoa que se diz achacada por Eduardo Cunha, que aparelhou a CPI, transformando-a em seu instrumento de chantagem.

Seus métodos são cada vez mais expostos. A questão é quanto tempo ele suporta até jogar a toalha.

Kiko Nogueira
No DCM
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Dilma Rousseff se reúne com governadores no Palácio da Alvorada

Fotografia oficial da presidenta Dilma Rousseff ao lado dos governadores brasileiros, antes de reunião privada,
na tarde desta quinta-feira (30), em Brasília. O encontro busca o fortalecimento do pacto federativo e soluções
conjuntas para a garantia do crescimento econômico do País.
Foto: Ichiro Guerra/PR



Dilma apela aos governadores por cooperação federativa para frear homicídios

A presidenta Dilma Rousseff fez um apelo sobre a questão da segurança pública, na abertura da reunião com os governadores na tarde de hoje (30), no Palácio da Alvorada, em Brasília. Para ela, é necessária uma cooperação federativa, tendo como alvo as populações mais pobres, para frear o crescimento de homicídios.

"Proponho uma cooperação federativa. Concentrada no esforço comum de todos nós, que integram os demais poderes do estado, em especial o Judiciário, para interrompermos os números de homicídios que façam uma pessoa ser assassinada a cada 10 minutos", disse a presidenta. "[Precisamos] desenvolver políticas sociais e de segurança em populações vulneráveis. Podemos interromper o número de homicídios, em um horizonte [que vai] de agora até 2018", completou.

Durante o encontro, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fará uma exposição sobre questões de segurança pública, para embasar as discussões da cooperação federativa proposta pela presidenta aos governadores. Eles começaram a chegar ao Palácio da Alvorada por volta das 16h. Em seguida, a presidenta, junto com uma equipe de ministros, sentou-se à mesa da reunião e fez o discurso de abertura. Estão presentes, entre outros, os ministros da Fazenda, Joaquim Levy, da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e do Planejamento, Nelson Barbosa, além de Cardozo.

Pela primeira vez em seu segundo mandato, Dilma se reúne com os governadores de todas as regiões do país. Com exceção do governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, representado pela vice-governadora Rose Modesto, os demais chefes dos Executivos estaduais e do Distrito Federal estão presentes no encontro.

Entre os temas em pauta, destaca-se a reforma do Imposto sobre Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS), pois uma proposta sobre o tema está em vias de ser votada pelos senadores, assim que retornarem do recesso na próxima semana. Além das medidas que pretende apresentar, Dilma quer ouvir as demandas dos governadores.

Dilma propõe a governadores parceria para enfrentar problemas e superar crise

Paulo Victor Chagas – A presidenta Dilma Rousseff enumerou hoje (30), durante reunião com governadores de todos os estados, as causas que levaram à queda da arrecadação e à redução das receitas nos estados e na União. Ela citou fatos recentes, como a queda no preço das commodities e o aumento do dólar, que tiveram impacto sobre os "preços e a inflação". Dilma ressaltou que ela e os governadores foram eleitos e fizeram campanha em uma conjuntura "bem mais favorável" do que a atual.

"Tudo isso não é desculpa para ninguém: é o fato de nós, como governantes, não podemos nos dar o luxo de não ver a realidade com olhos muito claros. Não podemos nos dar o luxo de ignorar a realidade", disse a presidenta. "Fomos obrigados, diante dos fatos, a promover o reequilíbrio no Orçamento. Estamos fazendo esforço grande", afirmou Dilma, citando os contingenciamentos feitos pelo governo neste ano. Segundo ela, o objetivo é colocar o Brasil na rota do crescimento e da geração de emprego.

"Não nego as dificuldades, mas afirmo que o governo federal tem todas as condições de enfrentar as dificuldades, os desafios e, em um prazo bem mais curto que alguns pensam, assistir à retomada da economia brasileira", afirmou Dilma.

Após enumerar as causas da atual crise e as medidas que tem adotado, Dilma complementou que é importante sempre estabelecer parcerias, cooperações e enfrentar problemas juntos. "Queremos construir parcerias em novo ciclo desenvolvimento", acrescentou a presidenta. Segundo ela, uma das parcerias será no âmbito da segurança pública, para reduzir a criminalidade.

A presidenta ressaltou também que ela e os governadores foram eleitos em um processo democrático em 2014, para mandatos de quatro anos, até 2018. Ela defendeu as medidas que vem adotando para combater a crise econômica, que ocorre em um período de transição para um "novo ciclo de expansão" e crescimento.

No início da reunião com os 26 governadores e uma vice-governadora dos estados de todas as regiões do país, a presidenta destacou o importante papel do encontro no destino e na condução do país. Dilma disse que ela e os governadores têm um "grande patrimônio em comum": o fato de terem sido eleitos em processo democrático bastante amplo no país.

Segundo ela, o plano de governo de cada um dos mandatários tem um prazo de execução. "Todos nós temos deveres em relação à democracia, ao voto democrático popular. Fomos eleitos na última e maior mobilização democrática e, nessas eleições, assumimos compromissos perante o país e nossos eleitores. Esses compromissos expressos no plano de governo dão um quadro que temos de desenvolver com todas as ações, iniciativas e projetos, realizando esses compromissos no horizonte, no marco e ao longo do nosso período de governo de quatro anos – portanto até 2018."

Durante a reunião entre a presidenta e os governadores, no Palácio da Alvorada, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fará uma exposição sobre o tema da segurança. Dilma convidou também o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, que auxilia a articulação política do governo, para explicar as medidas de impacto econômico em análise no Congresso Nacional.

De acordo com o governador de Rondônia, Confúcio Moura, alguns mandatários foram escalados para falar sobre temas preestabelecidos. O acordo foi feito durante reunião prévia entre os governadores da base aliada, em um hotel de Brasília. O governador do Maranhão, Flávio Dino, falará sobre estabilidade política, e o da Paraíba, Ricardo Coutinho, sobre desenvolvimento econômico.

"Estamos fazendo uma travessia para levar o Brasil a um lugar melhor, estamos atualizando as bases da economia e vamos voltar a crescer com todo nosso potencial", prometeu Dilma aos governadores, ao final de sua fala.

Dilma diz a governadores que o povo está sofrendo e muita coisa precisa melhorar

Marcelo Brandão e Paulo Victor Chagas - A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (30) que o Brasil passou a exigir muito dos governos e dos serviços públicos. "Nosso povo está sofrendo e muita coisa tem de melhorar", disse ela, durante reunião com governadores no Palácio da Alvorada. Dilma acrescentou que "nenhum governante pode se acomodar".

"Esse Brasil passou a exigir muito dos governos, das empresas, dos hospitais, das escolas, da política, da justiça e de si mesmo. Nesse novo Brasil nenhum governante pode se acomodar. Muita coisa sabemos que precisa melhorar, principalmente porque sabemos que nosso povo está sofrendo, e quando sabemos isso, muita coisa tem que melhorar", afirmou a presidenta.

Dilma ainda enfatizou que diferenças políticas não podem se sobrepor aos interesses do país, e que a cooperação entre os governos é uma obrigação constitucional.

"Nós devemos cooperar cada vez mais, independentemente de nossas afinidades políticas. A cooperação federativa é uma exigência constitucional, é uma exigência da forma como nós organizamos o Estado e a sociedade brasileira. Nós também devemos respeitar a democracia, e devemos somar forças e trabalhar para melhor atender a população", acrescentou a presidenta.

O encontro foi organizado também para que Dilma pudesse ouvir as demandas dos governadores. Ao terminar o seu discurso inicial, ela anunciou que alguns ministros fariam exposições sobre assuntos como a segurança pública e matérias de impacto financeiro no Congresso Nacional, mas disse que a palavra seria passada em seguida aos chefes dos Executivos estaduais.

"Nós temos a humildade para receber críticas e sugestões e temos todo interesse na cooperação. Eu queria dizer aos senhores que eu, pessoalmente, sei suportar pressão e até injustiça. Isso é algo que qualquer governante tem que se capacitar e saber que faz parte de sua atuação", afirmou, antes de declarar que conta com os governadores e que eles podem contar com ela.

Dilma disse que tem o "ouvido aberto e também o coração" para saber que o Brasil se desenvolveu e "não se acomoda". "É aquele Brasil que não se satisfaz com pouco, que sempre quer mais. É esse o Brasil que nós queremos cada vez mais, desenvolvido, crescendo cada vez mais", afirmou.

Participam do encontro em Brasília os governadores e uma vice-governadora de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. Além de Dilma e do vice-presidente Michel Temer, pelo menos dez ministros do governo estão presentes.

Os governadores começaram a chegar no Palácio da Alvorada por volta de 16h. Em seguida, a presidenta, junto com uma equipe de ministros, sentou-se à mesa da reunião e fez o discurso de abertura. Estão presentes, dentre outros ministros, o da Fazenda, Joaquim Levy, da Casa Civil, Aloizio Mercadante, do Planejamento, Nelson Barbosa, além de Cardozo.

Pela primeira vez em seu segundo mandato, Dilma se reúne com os governadores de todas as regiões do país. Com exceção do governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), que será representado pela vice, Rose Modesto, os demais chefes dos Executivos estaduais e do Distrito Federal estão presentes no encontro.

Entre os temas que estão em pauta no Palácio da Alvorada, em Brasília, a reforma do Imposto sobre Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS) terá importância especial, pois uma proposta sobre o tema está para ser votada pelos senadores, assim que retornarem do recesso na próxima semana.
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