29 de jul de 2015

Quando jornais absolvem crimes confessos e matam a palavra


As portas dos quartos guardam segredos invioláveis,
promessas nunca cumpridas,
anseios soterrados,
acordes de bandolins em noites sufocadas
(Carlos Alberto Jales inNesta Velha Casa. Íntegra aqui.)

Disse o repórter: segundo a polícia, o ‘suspeito’ do crime é o assassino confesso!!!

Jurisconsulto de notório saber e ilibada reputação, o considerado Youssef Ibrahim, nosso correspondente no Vale do Paraíba, remete de uma de suas concorridas bancas:

Há algumas semanas, vi a seguinte pérola num telejornal: um sujeito muito “machão” pegou a pobre da moça, dançarina de funk, jogou a mulher no chão, segurou-a pelos cabelos e bateu violentamente a cabeça dela no concreto umas 10 ou 12 vezes... depois, retornou armado e disparou uns 5 tiros de escopeta calibre 12 na cabeça da pobre, tudo filmado pela câmera de circuito interno de segurança do local em que moravam.

O cara fugiu e foi pego numa blitz, com a arma, e na posse dum carro que roubou de algum incauto que passava por ali logo após ele matar a dançarina. Preso em flagrante, confessou o homicídio e disse que matou “porque foi provocado” pela coitadinha...

Disse o repórter: “Segundo a polícia, o principal suspeito do crime é Fulano de Tal (o próprio assassino confesso)”.

Fiquei pensando: o que mais seria preciso para que o repórter tivesse coragem de chamar o sujeito de “autor do homicídio”? Talvez uma sentença penal condenatória transitada em julgado, depois de diversos recursos ao TJ, STJ, STF... e tudo homologado pela Santa Sé! Aff...

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Matou a ex-noiva e confessou o crime, mas é apenas um "suspeito"
Imagem: Reprodução/Globo

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Elegância

Janistraquis aproveitou a ‘deixa’ e enfiou esta também televisiva:

“No Jornal da Band o repórter falou em ‘castramento’ de cães; certamente ele acha que a esquisita palavra é mais, digamos, elegante do que castração.”

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Analfabetismo

Economista e advogado paraense que está aposentado e vive no Rio, o considerado Edgar Cavalheiro Filho remete de seu retiro no Recreio dos Bandeirantes:

“Há anos e anos acompanho os meios de comunicação no seu ingente esforço no sentido de imbecilizar o povo deste desesperançado país. Veja o que está escrito na primeira página do UOL em texto a respeito da novela Babilônia, esse monumento cultural da Globo:

“(...)Vinícius vai demorar um pouco para falar com a ex-mulher. Primeiro, ela negará tudo e dirá que ele foi envenenado pela ‘favelada’. ‘Por que você não atendeu o telefone? Te liguei mil vezes! Veio um oficial de Justiça lá em casa atrás de mim’, falará ela, assim que o encontrá-lo.”

Assim que o encontrá-lo!!! Dá até vontade de entrar na Justiça contra a emissora.”

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Observações

O considerado Roldão Simas, jornalista e escritor consagrado, maior ombudsman da imprensa brasileira, químico aposentado da Petrobrás na época em que não se roubava a empresa, diretor de nossa sucursal no DF, instalada em edifício da Era JK, de cujo banheiro, em subindo-se nas bordas do vaso sanitário é possível enxergar, pela clarabóia, coprólitos da política no balouço das águas do Lago Paranoá, pois nosso Mestre despachou para a sede as seguintes observações:      

Correio Braziliense

*Página 18 - “Rio - 2016” seção “Super Esportes”:

“Último sorteio de ingressos para os Jogos Olímpicos”

(...)”O prazo para solicitar mais bilhetes terminaria na sexta, mas o comitê prorrogou para hoje. Para o segundo sorteio estão disponíveis 553 sessões (sic), o equivalente a quase três milhões de entradas.”

(Acho que seriam “seções”).

*Página 20 - “Cesar assina” 

“O Flamengo assinou contrato ontem com o zagueiro Cesar, por empréstimo até 30 de junho de 2016. (...) O defensor se encontrou ontem mesmo com o elenco (sic) no hotel, onde a delegação estava hospedada.”

(O texto está em discordância com o título da notícia e em discordância também com o sentido correto. O Flamengo contratou o zagueiro, mas quem assinou o contrato foi o jogador. E se “Elenco” está certo, não é usual o emprego da palavra quando se trata da equipe de jogadores de futebol.)

(E não deixe de visitar este endereço, pelo qual você compra os livros do nosso Mestre e se ilustra.)

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Ricardo Setti

O Jornal da  ImprenÇa lamenta o adeus de Ricardo Setti ao seu blog na Veja, depois de 5 anos, 54,3 milhões de acessos, 12.275 posts e 242.438 comentários. Setti, homem generoso e cordial, é, como sabem todos,  grande jornalista e escritor. Daqui do meio do mato, neste sitiozinho escondido nos contrafortes da Serra do Mar, envio grande abraço ao velho amigo e companheiro no Jornal da Tarde dos anos 1970 e na própria Veja de 1980.

(Leia aqui a íntegra do texto de despedida de Ricardo Setti.)

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De memória

O considerado Fausto Osoegawa, jornalista, escritor e advogado de inegável talento, envia de seu escritório no Bairro da Liberdade:

Três velhinhas se reúnem para o chá da tarde. Uma delas comenta:

- Acho que estou ficando esclerosada. Ontem me peguei com a vassoura na mão e não me lembrava se já tinha varrido a casa ou não.

A outra velhinha diz:

- Isso não é nada. Outro dia eu me vi de pé, ao lado da cama, de camisola e não sabia se tinha acabado de acordar ou se estava me preparando para dormir.

E a terceira:

- Cruz credo! Deus me livre ficar assim. Isola!

E dá três batidinhas na mesa: toc-toc-toc. Aí olha para as outras duas e emenda:

- Me dá licença que tem gente batendo na porta.

(Adaptado de: “Piadas da Internet para Crianças Espertas”, de Luiz Aviz.)

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Erro primário

O considerado Luiz Fernando Perez, grande jornalista e escritor, velho amigo e companheiro no Correio de Minas de 1962, envia de seu escritório na Praça da Savassi, endereço nobre de Belo Horizonte.

Tudo bem que se trata de maracutaia coletiva, mas levar o verbo para o plural, quando o sujeito é cúpula, só pode ser muita falta de compromisso com a boa escrita. Alegar pressa ou distração não vale, neste erro primário nesta chamada do portal da Folha:

Cúpula da Unicamp recebem dois salários e ultrapassa teto estadual

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Tiro & Queda

O considerado Eduardo Almeida Reis, grande jornalista e escritor que trouxe cá para a internet todo o seu charme e veneno de cronista, escreve na coluna desta semana:

(...) Abro um jornal, ligo a tevê e me pergunto: isto pode? Sexo oral sempre existiu; bestialismo, bestialidade, zooerastia – prática sexual com animais – outrossim. Daí a um programa de tevê, exibido às 9h30min da manhã do dia 9 de junho, canal GNT, reprise da Semana do Jô, apresentar um cavalheiro contando o sexo oral de seu casamento de seis anos com uma argentina e do próprio Jô repetindo a piada, que endereçou à mãe do entrevistado, vai uma distância que o meu prazo de validade não consegue percorrer nem entender.”

(Leia Tiro&Queda neste endereço.)

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Nota dez

Jornalista, escritor e advogado do primeiríssimo time, o considerado Mário Lúcio Marinho, velho amigo e companheiro no Jornal da Tarde dos anos 1970, despacha de seus domínios no Parque Continental o seguinte e esclarecedor texto publicado n’O Globo e no UOL:

Na busca por recursos, a Petrobras analisa a possibilidade de se desfazer até de um pedaço da área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, considerada a “joia da coroa”.

Libra é a primeira área no pré-sal a ser explorada pelo novo regime de partilha, onde se estimam reservas gigantes entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de petróleo. Segundo uma fonte próxima à estatal, os estudos consideram a hipótese de a Petrobras se desfazer de 10% de sua participação no bloco.

Assim, a fatia da estatal passaria de 40% para 30%, o mínimo exigido pela lei. Além da Petrobras, participam do consórcio a Total e a Royal Dutch Shell, com 20% cada uma, e as chinesas CNPC e CNOOC, com 10% cada.

Agora, eu pergunto: mas não era o José Serra que iria vender a Petrobras? Ou era o Alkmin? Ou era o Aécio? Ou será o o PT???

Para ler mais sobre o assunto, basta clicar aqui

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Errei, sim!

“ZÉ DO ERRAMOS – Deu no Erramos da Folha:

“Diferentemente do que foi publicado à pág. 1-14 (Brasil) da edição de 19/3, a Segunda Guerra Mundial começou em 1939, os EUA entraram na guerra em 1941, a Guerra dos Seis Dias foi em 1967, o presidente Richard Nixon (EUA) renunciou em 1974, Margareth Thatcher assumiu o poder no Reino Unido em 1979, o Muro de Berlim caiu em 1989, e o Iraque invadiu o Kuait em 1990”.

Em estado pré-cataléptico, Janistraquis balbuciou:

‘Isso é tão incrível, fantástico e extraordinário que a Folha deveria contratar Zé do Caixão para editar o Erramos!’”

(maio de 1996)

Moacir Japiassu, Paraibano, 73 anos de idade e 53 de profissão, é jornalista, escritor e torcedor do Vasco. Trabalhou, entre outros, no Correio de Minas, Última Hora, Jornal do Brasil, Pais&Filhos, Jornal da Tarde, Istoé, Veja, Placar, Elle. E foi editor-chefe do Fantástico. Criou os prêmios Líbero Badaró e Claudio Abramo. Também escreveu nove livros (dos quais três romances) e o mais recente é a seleção de crônicas intitulada “Carta a Uma Paixão Definitiva”.
No GGN
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Por que os babacas gostam de andar em bando


Dizem que uma andorinha só não faz verão.

Se você perguntar a um babaca o que ele pensa disso, ele vai responder com uma babaquice qualquer, porque, afinal, é um babaca, e, como a rosa, um babaca é um babaca um babaca um babaca... Mas no fundo ele concorda, porque os babacas gostam de andar em bando.

Um babaca solitário é como Futebol sem bola, Piu-piu sem Frajola, Amor sem beijinho, Bochecha sem Claudinho, Veja sem Globo.

O que seria da Veja sem a Globo? A Veja calunia na sexta. A Globo amplifica no sábado.

Assim agem os babacas, complementarmente.

Recentemente, o escritor italiano Umberto Eco, ao receber o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim (Itália), disse em seu discurso que há tempos “[os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra que um Prêmio Nobel” e que “o drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade.”

Em 1968, nosso genial dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues antecipou Eco:
De repente, os idiotas descobriram que são em maior número. Sempre foram em maior número e não percebiam o óbvio ululante. E mais descobriram: — a vergonhosa inferioridade numérica dos “melhores”. Para um “gênio”, 800 mil, 1 milhão, 2 milhões, 3 milhões de cretinos. E, certo dia, um idiota resolveu testar o poder numérico: — trepou num caixote e fez um discurso. Logo se improvisou uma multidão. O orador teve a solidariedade fulminante dos outros idiotas. A multidão crescia como num pesadelo. Em quinze minutos, mugia, ali, uma massa de meio milhão. 

Se o orador fosse Cristo, ou Buda, ou Maomé, não teria a audiência de um vira-lata, de um gato vadio. Teríamos de ser cada um de nós um pequeno Cristo, um pequeno Buda, um pequeno Maomé. Outrora, os imbecis faziam plateia para os “superiores”. Hoje, não. Hoje, só há plateia para o idiota. É preciso ser idiota indubitável para se ter emprego, salários, atuação, influência, amantes, carros, joias etc. etc.
E o que são um idiota e um imbecil em silêncio, tímidos, recatados? Apenas um idiota e um imbecil.

Mas o imbecil expansivo e o idiota comunicativo transformam-se em babacas, que saem em bandos azucrinando os ambientes com suas afirmações patéticas, idiotas e imbecis:
  • — Lula (ou o filho de Lula) é dono da Friboi
  • — Vejam a mansão de Lula
  • — Lula na lista da Forbes dos mais ricos do mundo
  • — Foro de São Paulo quer transformar o Brasil em um país comunista
  • — Médicos cubanos estão aqui para implantar a ditadura comunista no Brasil
Agora, sobem no caixote da Internet, usam as redes sociais para atacar aqueles que julgam seus principais inimigos, o PT e o governo.

Um ou outro começa a agir no mundo real, atacando ministros e personalidades petistas ou do governo, por enquanto apenas com palavras, sempre cercado por outros babacas (eles andam em bandos) que fotografam ou filmam o momento culminante da patética criatura.

Mas, isso é apenas por enquanto... Eles estão se aproximando perigosamente de ações mais violentas — próximo e inevitável caminho dos babacas, anunciado, por exemplo, na agressão a homossexuais e nos linchamentos de menores infratores disseminados pelo Brasil.

Os babacas estão apenas à espera de um sinal. E, como são babacas, tudo pode ser um sinal. Até o 'silêncio republicano' do governo Dilma.

Antonio Mello
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Por que a Globo foi rebaixada?

Bonner será visto cada vez menos no JN
Ontem o Globo deu mais uma de suas manchetes contra Dilma.

Era mais ou menos isso: “Agora Dilma culpa a Lava Jato pela crise econômica”.

É que Dilma dissera que a Lava Jato estava cobrando um preço sobre a economia do país, com o cerco prolongado — e para muitos exagerado — a grandes empresas nacionais.

Tudo isso posto, seria interessante saber como o Globo daria na manchete o rebaixamento de sua nota pela agência de avaliação S&P, uma das maiores referências para grandes investidores de todo o mundo. Bancos também consultam a S&P quando examinam o pedido de empréstimo de uma corporação para minimizar o risco de calote.

Tenho a convicção de que o Globo terceirizaria a culpa, no mesmo estilo que o jornal criticou tão brutalmente em Dilma.

“Instabilidade na economia brasileira faz nota da Globo baixar”: seria mais ou menos esta a manchete.

E seria a linha seguida pelos comentaristas econômicos da casa, de Míriam Leitão a Sardenberg.

A Globo foi vítima, portanto.

Tudo bem, não fosse isso um sensacional autoengano.

Não que a turbulência do momento na economia não possa ter tido algum peso. Mas o grande fator do rebaixamento está na própria Globo.

A Globo opera num setor — a mídia — que passa por um processo que vai além de transformação. Estamos diante de uma disrupção. Ou, para usar um célebre conceito de Schumpeter, presenciamos na mídia uma “destruição criativa”.

Morre um mundo, aquele em que a Globo parecia inexpugnável, e ergue-se outro em que a empresa é mais um na multidão.

A internet está fazendo com as companhias tradicionais de jornalismo o que os automóveis fizeram com as carruagens há pouco mais de cem anos.

Sabia-se, faz tempo, que a mídia impressa estava frita. Mas se imaginava que a televisão poderia escapar da internet. Não. Os sinais são claros de que o destino da tevê como a conhecemos — aberta ou paga — é o mesmo de jornais e revistas.

A internet está engolindo a televisão. Em seus tablets ou celulares, as pessoas vêm vídeos como querem, na hora em que querem — e sem precisar de emissoras de tevê.

A Reuters acaba de lançar um serviço de vídeo cujo slogan diz tudo: “O canal de notícias para quem não vê mais televisão”.

Bem-vindo ao Novo Mundo.

Nele, os protagonistas serão empresas como Netflix, e não Globo ou qualquer outra emissora.

Como esquecer um depoimento recente de Silvio Santos, ao vivo, no qual ele disse não ver televisão? SS afirmou que gasta seu tempo com a Netflix, e recomendou aos espectadores que fizessem o mesmo.

Quanto tempo até os anunciantes fazerem, no Brasil, o mesmo percurso dos consumidores e irem para a internet?

No Reino Unido, a internet em 2015 responderá por metade do bolo publicitário. No Brasil, o pedaço digital está ainda na casa dos 15%.

Todas as audiências da Globo, do jornalismo às novelas, despencam sob o impacto da internet.

O Jornal Nacional se esforça para não cair abaixo dos 20 pontos, e novelas em horário nobre, como Babilônia, descem a abismos jamais vistos na história da emissora.

O público se retirou, e quando os anunciantes fizerem o mesmo, o que afinal é inevitável, a Globo estará em apuros sérios, como é o caso, hoje, da Abril.

Na internet, a Globo jamais conseguirá reproduzir a dominância que tem na tevê — e muito menos os padrões multimilionários de receitas publicitárias.

Tudo isso pesou na avaliação da S&P.

A Globo tenderá a justificar seu rebaixamento colocando a culpa em Dilma, mas o problema está nela mesma.

Sobra a piada que a Globo usou contra Dilma.

“Dilma é culpada até pelo rebaixamento da Globo.”

Paulo Nogueira
No DCM
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Lei da Mordaça pune espanhol por comentar no Facebook

A "Lei Mordaça" foi aprovado em 11 de dezembro de 2014, apesar da forte oposição da cidadania espanhola.
A controversa "lei da mordaça", que entrou em vigor na Espanha há menos de um mês, fez sua primeira vítima no município de Güimar nas Canárias por causa de um comentário no Facebook.

O espanhol Eduardo Diaz Coello, de 27 anos, manifestou no seu perfil do Facebook a sua decepção com a prefeita do Partido Popular, Carmen Luisa Castro, com a transferência da polícia municipal para outro local e qualificou os membros da polícia de "drogados" e "casta de acomodados".

"A polícia de Güimar que resgata pombos e pessoas presas nos banheiros, terá instalações maiores do que as instalações da Guarda Civil. Drogados! (...) Por certo, para trocar a função de um edifício público não precisa de um registro? (Administração absurda) Já tem? (...) A melhor maneira de controlar uma casta de acomodados, bem acomodados nas convenções e estatutos, é mantê-los longe do centro de poder."

Essa observação de Eduardo, morador do município de Güimar, Tenerife, constitui uma violação da Lei de Segurança Pública, conhecida como Lei da Mordaça, e por isso receberá uma multa de 100 a 600 euros.

"Eu não sou um "perroflauta". Eu não sou a favor de que a polícia seja insultada, nunca lhes faltei com o respeito. Mas eu acho que, como cidadão que paga impostos, posso avaliar a ação do governo", disse o multado em uma entrevista com o jornal "El Mundo".

Em 1º de Julho entrou em vigor a Lei da Mordaça, que restringe protestos na Espanha. Desde o primeiro momento em que foi sancionada provocou fortes críticas de cidadãos que acreditam que a lei "mata a democracia e os direitos".



No teleSUR
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A banalização da longevidade


Ufa !!!! A festa dos 90 anos do “Globo”, felizmente, encerrou-se nesta quarta feira, 29 de Julho. Dos três jornalões sobreviventes — ditos nacionais — o antigo vespertino carioca é o caçula. E os caçulas são geralmente mimados, impertinentes, abusados. Acham que podem tudo, principalmente quando sozinhos em casa. O jornal fundado por Irineu Marinho em 1925 é praticamente dono da praça do Rio (acompanhado pelo valente “O Dia”, o “Expresso” além do engraçado “Meia Hora”) e o carro-chefe de um dos maiores grupos midiáticos do ocidente.

A festança durou uma eternidade e embaralhou completamente o noticiário. O jornal ficou irreconhecível, chatíssimo, ególatra, absolutamente autocentrado e, como sói acontecer, mais manipulado do que o normal.

O interminável retrospecto confundiu-se com a rememoração dos 450 anos da fundação da cidade e passou ao leitorado a impressão de que o “Globo” é o centro do mundo, espelho da cidade e, de certa forma do Brasil, já que até meados dos anos 70 o Rio ainda vivia a fantasia de ser capital da República.

Em grandes ocasiões, grandes jornais brindam os leitores com caprichados cadernos especiais — um convite para guardá-los como lembrança. A infeliz opção de dispersar os textos festeiros ao longo do jornal por tantos dias (30? 40? 50?) banalizou-os, tirou-lhes qualquer importância e credibilidade.

Quando em 1991 o JB completou um século de existência, ou quando, há pouco, o “Estadão” comemorou os seus gloriosos 140 anos e a “Folha” os seus 90 (agora está com 94) as lantejoulas foram exibidas com mais discrição e compostura. Com mais classe.

O “Globo” excedeu-se nas libações retro-festivas, esbanjou poderio, ostentou o pouco que tem e misturou-o com o que não tem. Confrontou o próprio estilo austero de Roberto Marinho. Se tivesse um concorrente no mesmo segmento e de igual porte teria sido mais contido e reservado — por vontade própria ou forçado pela inevitável zombaria.

No último embate jornalístico com o “Jornal do Brasil” quando decidiu romper a praxe e invadiu o apetitoso domingo reservado aos matutinos, o “Globo” foi fragorosamente batido. Mesmo usando e abusando do rolo compressor da TV.

Sozinho em campo, “The Globe” perdeu o senso de medida, inebriado consigo mesmo. Assim não se faz gol, perguntem lá em cima ao Armando Nogueira. Dirá ele que a festinha dos 90 anos foi gol contra, goleada no estilo alemão. Tantas foram as lambanças historiográficas cometidas durante esta temporada que em breve nas escolas de jornalismo será fácil pinçar a manipulação perfeita, o factoide padrão FIFA, a mentira em estado puro.

Isso não impede que este observador lembre aos amigos e camaradas da redação do “Globo” o sábio bordão do inesquecível Ibrahim Sued: os cães ladram, a caravana passa. Bola pra frente, a demã!

Alberto Dines
No OI
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Prefeito do PT de Maricá, RJ, é agredido durante entrevista

Prefeito Quaquá foi medicado após a agressão
Foto: Rafael Zarôr





O prefeito de Maricá, no litoral do Rio, Washington Quaquá (PT), foi agredido com um chute nas costas na manhã desta quarta-feira (29) durante uma entrevista concedida a uma equipe de reportagem da Inter TV, afiliada da Globo, no Centro da cidade. O agressor foi contido por pessoas que estavam no local e levado para a 82ª Delegacia de Polícia.

O cinegrafista Marcelo Christian também foi derrubado no momento da agressão que aconteceu por volta das 10h dentro da rodoviária. Em participação no RJ Inter TV 1ª edição, a repórter Renata Igrejas informou, por telefone, que o homem ficou preso em flagrante e vai responder por lesão corporal.

As primeiras informações são de que o prefeito teria sofrido um corte no rosto. O tema da entrevista era a polêmica dos ônibus gratuitos oferecidos à população pela Prefeitura e que foram proibidos pela Justiça de circular.



Gratuidade em serviço de ônibus vira ‘guerra’ entre prefeitura e empresários

Prefeito de Maricá, Washington Quaquá bate o pé e mantém os 'vermelhinhos' rodando. Empresas se sentem lesadas
Serviço municipal, criado em dezembro de 2014, já transportou gratuitamente um milhão de pessoas.
Moradores de Maricá estão no meio de uma guerra entre a prefeitura e empresários de ônibus. O prefeito Washington Quaquá (PT) decidiu manter, no fim de semana, a circulação dos ônibus conhecidos como “vermelhinhos”, que transportam a população de graça.

As duas concessionárias, que exploram o serviço há décadas, se sentiram lesadas e obtiveram na Justiça a suspensão da frota da EPT (Empresa Pública de Transportes), responsável pela gratuidade. A Justiça estipulou multa diária de R$ 20 mil pelo descumprimento. A prefeitura informou que vai recorrer da decisão.

Em retaliação, fiscais da prefeitura foram às ruas vistoriar a situação dos veículos das concessionárias Viação Costa Leste e Nossa Senhora do Amparo. Dez ônibus foram autuados na operação. De acordo com a prefeitura, os veículos apresentaram problemas como pneus carecas, extintores de incêndio com validade vencida, parabrisas dianteiro trincado, tacógrafo (aparelho que registra a velocidade do veículo) com lacre violado e rampas de acessibilidades quebradas. Alguns estavam com documentação irregular: um deles tinha vistoria vencida, e outro estava com a placa de outra cidade.

Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado de Rio de Janeiro (Setrerj), autor da denúncia à Justiça, o pedido considerou a concorrência desleal provocada pela EPT no município, trazendo prejuízos financeiros para as concessionárias que ganharam o direito de explorar o serviço até 2020. A prefeitura alega que só os ônibus da EPT atendem passageiros após às 23h.

Prefeitura afirmou que encontrou diversas irregularidades em veículos de empresas como pneus carecas.
A intenção do governo é revisar todos contratos com empresas de transporte. “Vamos caçar as concessões para colocar ônibus públicos e gratuitos nos bairros”, anunciou o prefeito Quaquá, que encaminhará à Câmara projeto de lei para que todo o serviço seja feito por empresas públicas. O prefeito anunciou a compra de mais 30 veículos para a frota da EPT, que hoje conta com 13.

Empresa vai contratar em concurso

A criação da Empresa Pública de Transportes (EPT), no ano passado, tornou Maricá a primeira cidade com mais de 200 mil habitantes a oferecer ônibus com tarifa zero. Segundo a Prefeitura, a iniciativa foi concebida para acabar com monopólio de 40 anos das empresas de transporte público na cidade. O serviço já transportou um milhão de passageiros.

Na semana passada, a empresa anunciou concurso para 128 vagas. Serão contratados motoristas, engenheiros de tráfego, contadores, entre outros. “É a oportunidade de profissionais de diferentes áreas participarem do maior projeto do governo municipal”, afirmou o presidente da EPT, Luiz Carlos dos Santos.

Lucas Gayoso
No O Dia
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Globo é rebaixada por agência de avaliação S&P. Petrobras mantém posição


Parece brincadeira, mas a Globo — que tantas lições dá sobre como gerir o Brasil e tantos vaticínios catastrofistas fez sobre a Petrobras — foi rebaixada pela agência de avaliação S&P.

O anúncio foi feito um dia depois de a S&P reavaliar o Brasil: o grau de investimento foi mantido, mas num patamar inferior: BBB-.

A classificação da S&P é um dos fatores-chave que investidores estrangeiros consideram na hora de fazer suas aplicações.

A Petrobras, usada intensivamente para atacar o governo, não sofreu alteração.

Abaixo, a lista completa das empresas que tiveram a perspectiva alterada para negativa:

— AmBev – Companhia de Bebidas das Américas (AmBev);

— Atlantia Bertin Concessões S.A. (AB Concessões) e suas subsidiárias, Rodovia das Colinas S.A. e Triângulo do Sol Auto-Estradas S.A.;

— Arteris S.A. e sua subsidiária, Autopista Planalto Sul S/A.;

— Braskem S.A.;

— CCR S.A. e suas subsidiárias, Autoban – Concessionária do Sistema Anhanguera Bandeirantes S.A., Concessionária da Rodovia Presidente Dutra S.A., e Rodonorte Concessionária de Rodovias Integradas S.A.;

— CESP-Companhia Energética de São Paulo;

— Companhia de Gás de São Paulo – Comgás;

— Companhia Energética do Ceará – Coelce;

— Duke Energy International Geração Paranapanema S.A. (Duke);

— Ecorodovias Concessões e Serviços S.A. e Concessionária Ecovias dos Imigrantes S.A.;

— Elektro Eletricidade e Serviços S.A. (Elektro);

— Eletrobras-Centrais Elétricas Brasileiras S.A.;

Globo Comunicação e Participações S.A. (Globo);

— Itaipu Binacional;

— Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A. (Multiplan);

— Net Serviços de Comunicação S.A. (Net);

— Samarco Mineração S.A.;

— Tractebel Energia S.A.;

— Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. (TAESA);

— Ultrapar Participações S.A. (Ultrapar); e

— Votorantim Participações S.A. e suas subsidiárias, Votorantim Industrial S.A. e Votorantim Cimentos S.A.

Abaixo segue a lista das empresas que tiveram mantidas as notas de crédito e a perspectiva, em estável:

— Aché Laboratórios Farmacêuticos S.A.;

— BRF S.A.;

— Embraer S.A.;

— Fibria Celulose S.A.; e

— Raízen

Abaixo seguem as empresas que tiveram mantidas as notas de crédito e a perspectiva, em negativa:

— Natura Cosméticos S.A.; e

— Vale S.A. e sua subsidiária, Vale Canadá Ltd.

Abaixo segue a lista das empresas que não foram afetadas pela ação envolvendo o rating do Brasil:

— Klabin S.A.;

— Neoenergia S.A.;

— Odebrecht Engenharia e Construção S.A.; e

Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras.

No DCM
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O Brasil sob ataque!


É muito chocante o que está acontecendo.

Setores tucanos incrustados nos aparelhos de repressão, e reunidos na força-tarefa da Lava Jato, estão fazendo o papel de traidores do interesse nacional.

E os coxinhas ainda tem a coragem de sair às ruas, defendendo esse tipo de jogo sujo, vestindo a camisa do Brasil (o fato da camisa ser da corruptíssima CBF é apenas um detalhe irônico)!

Os procuradores da Lava Jato já foram aos EUA duas vezes, primeiro para pedir ajuda às autoridades americanas para destruir a Petrobrás. Depois para pedir ajuda para destruir a Odebrecht, que concorre com empreiteiras americanas no mundo inteiro, inclusive nos EUA, onde a Odebrecht ganhou licitações para construir parte do aeroporto de Miami.

E agora, a República do Paraná prende Othon Pinheiro (foto), que enfrentou os EUA e ajudou a desenvolver a tecnologia nuclear que tem o segundo melhor desempenho no mundo.

Assista entrevista com o almirante aqui:



Será que os procuradores da Lava Jato vão, pela terceira vez, aos EUA, pedir ajuda para destruir o programa nuclear brasileiro?

É para isso que tucanos, fascistas e mídia querem dar um golpe?

Para entregar o país, de uma vez por todas, para os Estados Unidos?

E agora vão fazer uma CPI do BNDES para quê?

Para prejudicar um banco de investimento que financia a nossa infra-estrutura e nos ajuda a ter independência dos credores internacionais?

Eu já conversei esta semana com executivos graduados do BNDES. Eles me lembraram que o BNDES financia menos de 7% das operações da Odebrecht no exterior; o resto são bancos internacionais. Me asseguraram também que a CPI vai tentar apenas fazer sensacionalismo midiático, mas não vão encontrar nada de errado, porque as operações do banco são extremamente rígidas, com vários tipos de controle interno.

As mesmas fontes me aconselharam a seguir mais de perto o Facebook do BNDES, onde estão postando muitos dados atualizados sobre o desempenho do banco.

* * *

Com apoio da mídia, as ações políticas voltadas para detonar iniciativas soberanas brasileiras ganharam uma força incrível nos últimos tempos.

Em conversa com o Cafezinho, o representante dos trabalhadores no Conselho da Petrobrás, Deyvid Bacelar, explicou que a refinaria de Pasadena foi o ativo que mais deu lucro à empresa em 2014.

Os tucanos ainda pensaram em usar Pasadena para derrubar Dilma.

A imprensa tucana (Veja, Folha, Globo, Valor), durante meses, tratou Pasadena como uma "sucata velha" que não valia nada.

O Conselho da Petrobrás foi tomado por banqueiros, que parecem trabalhar contra o interesse da própria companhia. Nas últimas reuniões, foram encaminhadas propostas para um grande programa de desinvestimento da empresa, com venda de quase todos os ativos no exterior que não forem ligados à exploração. Mais de 50 bilhões de dólares em ativos da Petrobrás no exterior podem ser vendidos.

Aproveitando-se da conjuntura política turbulenta, e da bem sucedida campanha midiática para desprestigiar a Petrobrás junto à opinião pública, o senador José Serra tenta aprovar um projeto de lei para derrubar importantes dispositivos legais que protegem a Petrobrás e o pré-sal brasileiro das garras estrangeiras. O projeto Serra será votado daqui a uns 40 ou 50 dias. Os petroleiros correm contra o tempo para se mobilizarem contra mais esse crime de lesa-pátria.

* * *

A prisão preventiva do almirante Othon Pinheiro, um idoso de 76 anos, que não oferece, obviamente, nenhum perigo à sociedade, com base apenas numa delação premiada, é mais um arbítrio de Moro, com a chancela da imprensa.

Os tais R$ 4 milhões de propina, que a República da Lava Jata acusa Othon de receber, são, mais uma vez, uma notícia manipulada. Pega-se o que o maior especialista em energia nuclear ganhou em muitos anos para se chegar a esse valor. Diluindo o valor pelo período investigado, dá cerca de 80 mil por mês, valor perfeitamente compatível com o nível e a importância do trabalho de Pinheiro.

Se lembrarmos que o Faustão, da Globo, ganha alguns milhões por mês, entende-se como, de novo, temos uma acusação ridícula, feita apenas para justificar uma violência judicial.

Agora podemos chamar nossa imprensa não apenas de golpista e fascista, mas também de linchadora. A partir de acusações irresponsáveis, não provadas, e notícias manipuladas, o nome da pessoa é jogado na lama. Centenas de blogs sensacionalistas, que vivem apenas de repetir, qual papagaios, o que a imprensa publica, terminam de fazer o serviço sujo iniciado pela grande mídia.

Lembrando: o Brasil é o país que mais promove linchamentos no mundo, e a imprensa, ao invés de fazer uma campanha para conscientizar a população de que não se deve julgar apressadamente ninguém, incentiva esse vício horrível.

Incentiva e ela mesmo constrói uma atmosfera propícia a linchamentos.

Linchar um idoso de 76 anos, maior especialista em energia nuclear do país, por causa de 80 mil por mês, só mesmo no mundinho golpista da República do Paraná.

* * *

Os procuradores da Lava Jato parecem ter enlouquecido completamente com os holofotes da mídia. Um fala em "refundar a República", outro vai a uma igreja e praticamente se diz um enviado de Deus para acabar com a corrupção no país.

Enquanto isso, a mídia continua a sua campanha para desmoralizar as instituições políticas, que as elites tem um pouco mais de dificuldade de controlar, por causa do voto, e endeusar as meritocráticas, às quais elas são ligadas, historicamente, de maneira orgânica.

As pesquisas indicam que os brasileiros confiam mais em igreja, forças armadas, polícia e juiz, e quase nada em governos e partidos políticos. A mídia brasileira criou uma sociedade repleta de tendências fascistas.

A nossa mídia jamais investiu, através de suas reportagens e novelas, na construção de uma cultura política onde todas as instituições devem ser postas sob o escrutínio popular.

A Globo nunca mostrou ao público, por exemplo, os jogos de poder, as intrigas e a corrupção, dentro do Ministério Público e Judiciário. Apenas a classe política é satanizada. Nunca mostrou, em suas novelas, um trabalhador politizado. Ao contrário, o cidadão politizado é sempre ridicularizado nos meios de comunicação. A menos que ele seja alienado, de direita ou um dos lobotomizados pela própria mídia: aí ele é endeusado.

Criamos uma quase ditadura judicial, onde o poder político se transferiu para procuradores, delegados e juízes, que decidem quem deve ser processado ou não.

Os tribunais superiores, que deveriam servir para conter o ímpeto golpista de Moro foram tomados por juízes amedrontados por esse clima de linchamento e chantagem criado pela mídia.

Miguel do Rosário
No Cafezinho
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Segredos do Almirante Othon devem ser guardados pelo STM


A prisão decretada pelo juiz Aldo Moro contra o vice-almirante Othon Luís Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear — descrito por um jornal carioca como “ícone” da tecnologia nuclear brasileira —, pode ser um ato duplo de sabotagem do mais importante projeto de Defesa do Brasil, o submarino nuclear, assim como da tecnologia das centrífugas, a produção barata de urânio enriquecido que enche de inveja as próprias potências nucleares. Se ficar por isso mesmo, em mais uma normalidade anormal introduzida pela Lava Jato na vida política brasileira, é mais vantajoso e mais barato entregar o poder total aos procuradores.

O almirante Othon é um arquivo vivo de tecnologia. Metê-lo na cadeia como um prisioneiro comum, sujeito às torturas psicológicas do juiz Moro que se especializou em delações premiadas arrancadas pelo stress da cadeia, é um risco para a segurança nacional e para a Defesa. Não tenho nenhuma confiança em que algum desses promotores ansiosos por fama não caiam na sua própria armadilha de comprar informações pela humilhação, passando a vendê-las pelo dinheiro e pela fama de desnuclearizar o Brasil. Um presidente muito afoito já fez isso em Cachimbo, sem nenhuma contrapartida das potências nucleares!

Os órgãos do Estado responsáveis pela Segurança e Defesa tem a obrigação de agir imediatamente. Primeiro, exigindo que se coloque o inquérito em segredo de Justiça. De uma maneira mais eficaz, exigindo a transferência das investigações para órgãos militares sob controle das Forças Armadas e do STM. Na verdade, se a Marinha, que está fazendo o submarino nuclar e fez as centrífugas, guardou tão bem os segredos relativos a esses desenvolvimentos tecnológicos vitais para o Brasil, é claro que se confia mais em sua discrição do que na do juiz Moro e de seus promotores midiáticos que vivem vazando informações para a mídia internacionalizada.

Fora dos blogs e de raríssimos comentaristas da grande mídia, não tem havido informação honesta sobre a acusação contra o almirante. Fala-se que recebeu em sua conta 4,5 milhões de reais em mais de quatro anos. Pergunto: Qual alto executivo de grande empresa, com menos qualificações que ele, ganhou menos do que isso em período equivalente?  Acha-se na fila de emprego, com salário de iniciante, algum engenheiro com as qualificações dele? E por que chamar de propina, e não de remuneração normal? Em qualquer hipótese, o Brasil deve muito a esse engenheiro nuclear e almirante. Ele merece respeito, e não suspeita.

Mas temos uma questão imediata de Defesa e de Segurança Nacional pela frente. A Lei de Segurança Nacional da Ditadura acabou em boa hora; eu próprio fui vítima dela. Mas há uma lei anterior que está em plena vigência. É a Lei 1802, de 5 de janeiro de 1953, em plena democracia. Vale a pena ver alguns de seus termos, literalmente. Isso ajuda a concluir que, se houver uma providência simples do Governo, será possível proteger nossos segredos nucleares e aqueles que foram responsáveis por seu desenvolvimento a partir da avocação do processo correspondente para a Justiça Militar. Eis alguns de seus artigos pertinentes ao caso:

 Art. 29. Conseguir, transmitir ou revelar, para o fim de espionagem política ou militar, documento, notícia ou informação que em defesa da segurança do Estado, ou no seu interêsse político, interno ou internacional, deva permanecer secreto.

    Pena:- reclusão de 6 a 15 anos.
    Parágrafo único. Se se tratar de notícia, documento ou informação cuja divulgação tenha sido proibida pela autoridade competente, a pena será aumentada da metade.

    Art. 30. A pena restritiva de liberdade, estabelecida no art. 202 do Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, será aplicada, sem prejuízo de sanções outras que couberem com aumento de um têrço, se a sabotagem fôr praticada:

    a) em atividades fundamentais à vida coletiva;

    b) em indústria básica ou essencial à defesa nacional;

    c) no curso de grave crise econômica.

    A pena será aplicada com agravação da metade:

    d) em tempo de guerra;

    e) por ocasião de comoção intestina grave, com caráter de guerra civil;

    f) com emprêgo de explosivo;

    g) resultando morte, ou lesão corporal de natureza grave.

    Parágrafo único. Constituem, também, sabotagem os atos, irregulares reiterados e comprovadamente destinados a prejudicar o curso normal do trabalho ou a diminuir a sua produção.

Paralelamente à questão do Almirante Othon, não seria a destruição da Engenharia Nacional pela Lava Jato também um caso de “prejudicar o curso normal do trabalho ou a diminuir a sua produção?”

J. Carlos de Assis, Economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de cerca de 20 livros sobre a economia política brasileira.
No GGN
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Revista Veja é favorável a democratização da mídia e contra o monopólio da Globo

 Veja — Edição 1722 
 17 de outubro de 2001 

Futebol para todos

Cade vai apurar formação de monopólio da Globo na transmissão do esporte na TV por assinatura

O desfecho de um processo administrativo instaurado na Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça poderá beneficiar, em breve, 750 000 lares brasileiros que têm TV por assinatura comercializada por concorrentes da NET e da Sky, marcas ligadas à Rede Globo. O órgão do governo estuda um pedido para quebrar o monopólio de transmissão de jogos de futebol que se estabelecu no país em tono do Sportv, um canal exclusivo da NET e da Sky. com sérios prejuízos para quem gosta de esportes. A iniciativa é da Neo TV, uma associação nacionalo que reúne 41 operadores independentes de televisão por assinatura, com audiência em mais de 300 municípios, inclusive vinte capitais, entre as quais a TVA e marcas de expressão regional. De acordo com a entidade, a Globo aproveita seu poder de fogo para comprar direitos de transmissão das principais competições do futebol brasileiro, seleciona os melhores jogos para a TV aberta e repassa os demais para a Sportv e o sistema pay-per-view, ambos de acesso exclusivo para assinantes da NET e da Sky. O restante, quase 40% da audiência por assinatura, fica literalmente a ver navios. "É uma forma de estender o domínio de um veículo de comunicação para outro, já que as transmissões esportivas são um grande diferencial no Brasil", diz Boaventura dos Santos, diretor-geral da Neo TV.

Segundo ele, dos 200 primeiros jogos do atual campeonato brasileiro, nada menos que 141 tiveram algum tipo de transmissão ao vivo pelas emissoras das Organizações Globo. Desses, no entanto, apenas 18% foram ao ar pela televisão aberta. Os demais foram divididos entre a Sportv e o sistema pay-per-view, aquele em que o assinante paga uma taxa adicional pela atração. Nesse esquema, não há competição possível, já que a transmissão do futebol brasileiro é atração essencial para um canal esportivo. A Neo TV quer que o canal Sportv passe a ser colocado à disposição de todas as operadoras interessadas, mediante o pagamento de um valor compatível com o mercado.

O assunto agora vai parar no Conselho de Defesa Econômica (Cade). De acordo com o parecer inicial dos técnicos do Departamento de Proteção e Defesa Econômica do Ministério da Justiça, os fatos apresentados eram "suficientes para a instauração imediata de processo administrativo", por se constituírem em "fortes indícios de violações aos princípios dispostos pela lei 8884".

Aprovada pelo Congresso Nacional em 1994, essa lei tem por objetivo prevenir e reprimir infrações contra a livre concorrência entre as empresas, evitar o abuso do poder econômico na conquista desleal de mercados e proteger o consumidor. Em fins de agosto, o titular da Secretaria de Direito Econômico, Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, mandou abrir o processo administrativo, para apuração das denúncias formuladas pela Neo TV. Na semana passada, a concentração no setor de telerradiodifusão foi debatida em um seminário em Brasília, promovido pelo Ministério das Comunicações. Especialistas de França, Estados Unidos, Inglaterra e Itália falaram sobre a experiência recente de seus países. "É preciso impor limites, e isso se faz por meio de leis", afirmou o comissário da Autoridade Italiana de Comunicações, Silvio Traversa. "Em relação à TV paga, o grande risco de formação de monopólio está mesmo no conteúdo". O bom exemplo vem dos EUA, onde a exclusividade de canais é proibida, nenhuma rede pode cobrir mais de 35% da audiência e uma empresa está impedida de atuar, simultaneamente, em TV aberta e por assinatura numa mesma região. São medidas que contribuem para assegurar a diversidade de opção não apenas em matéria de entretenimento, mas ajudam a garantir a multiplicidade dos meios de informação de maneira geral, um requisito fundamental da democracia.
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Lula aciona a Justiça contra mentiras de Veja


São Paulo, 29 de julho de 2015

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou nesta quarta-feira (29) com ação judicial por reparação de danos morais contra os responsáveis pela matéria de capa da revista Veja desta semana.

São alvos da ação Robson Bonin, Adriano Ceolin e Daniel Pereira, que assinam as reportagens de capa da edição 2.436, que chegou às bancas em 25 de julho passado, além do diretor de redação Eurípedes Alcântara.

“O texto é repugnante, pela forma como foi escrito e pela absoluta ausência de elementos que possam lhe dar suporte”, destacam os advogados de Lula na ação. A peça reafirma também que, de acordo com jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, “a liberdade de comunicação e de imprensa pressupõe a necessidade de o jornalista e/ou o veículo pautar-se pela verdade”.

A reportagem repete práticas comuns a Veja: mente, faz acusações infundadas e sem provas, apresenta ilações como se fossem fatos, atribui falas e atos, não tem fontes e busca atacar, de todas as formas, a honra e a imagem do ex-presidente Lula.

Clique no link abaixo para ler a ação completa:

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Datena: um péssimo político


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Romário vai à Suíça e não acha conta que a Veja lhe atribuiu


Galera, bom dia!

Chateado!

Acabei de descobrir aqui em Genebra, na Suíça, que não sou dono dos R$ 7,5 milhões.

Aguardem mais informações...

Agora, aqueles que devem, podem começar a contar as moedinhas, porque a conta vai chegar de todas as formas.

Eu não finjo ser decente, não faço de conta ser sério e pareço ser correto. Eu sou!!!

Romário Faria

Romário voltou a ironizar a Veja em seu Facebook ao postar a nota abaixo:

Alguém aí tem notícias dos repórteres da revista Veja Thiago Prado e Leslie Leitão, que assinaram a matéria afirmando que tenho R$ 7,5 milhões não declarados na Suíça? E do diretor de redação Eurípedes Alcântara? Dos redatores-chefes Lauro Jardim, Fábio Altman, Policarpo Junior e Thaís Oyama? Gostaria que eles explicassem como conseguiram este documento falso.”

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Deltan Aleluia — Santa Periquita dos Aflitos!



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Datena, Russomanno, Marta: Haddad fala de seus principais adversários em 2016

Haddad
Depois de conversar com o PSDB e o PSB, o apresentador de TV José Luiz Datena confirmou que será candidato à prefeitura de São Paulo. O vice na chapa será o delegado Antonio Assunção de Olim e o Partido Progressista foi escolhido como legenda.

Enquanto isso, Celso Russomanno promete voltar a disputar as urnas pelo PRB após chegar em 34% das intenções de voto em 2012, de acordo com o Ibope. Estes são dois nomes fortes que se colocam para disputar com o atual prefeito Fernando Haddad em 2016.

Haddad falou sobre o cenário político atual na capital paulista e seus concorrentes numa entrevista coletiva do qual o DCM participou.

“Acho que Russomanno é o candidato que tem mais aceitação por ser um outsider do jogo político tradicional. Não é visto como um político de dentro”, acredita. “Datena está em uma situação semelhante e pode chamar atenção nas eleições também por ser um rosto famoso na televisão”.

Ele questiona a sustentabilidade de uma candidatura de Marta Suplicy e se ela vai prosperar na disputa, além de não ter certeza sobre qual candidato o PSDB pretende lançar. O nome mais recorrente é o de Andrea Matarazzo, mas João Doria Jr admitiu suas pretensões no famoso almoço para empresáriso em torno de Eduardo Cunha.

Ao falar de nomes que vem diretamente de programas jornalísticos sensacionalistas, o prefeito brincou com as possibilidades nas eleições do ano que vem. “Há um clima de mal-estar econômico no ajuste fiscal. O país pode ter crescimento zero e é provável que São Paulo sofra uma retração. O que tenho medo é que o SBT resolva lançar o palhaço Bozo como candidato, considerando os outros adversários que temos”, complementou.

O prefeito crê que o PT paga “por mais de 10 anos de ataques da grande imprensa”: “Embora o julgamento do mensalão tenha acabado próximo das minhas eleições, ainda sofremos os efeitos de uma mídia que tenta criminalizar o partido que governa o país”. No entanto, o cenário para ele aponta outros perfis de candidatos, saídos da própria mídia.

Para Fernando Haddad, a eleição deverá apresentar um segundo round contra Celso Ubirajara Russomanno. O jornalista assustou na disputa de 2012 ao explodir na frente das pesquisas eleitorais. Terminou em terceiro com 1,3 milhões de votos (21,60%), atrás de Serra e do próprio Haddad.

O petista considera Datena outro páreo duro. Para ele, é apenas no horário eleitoral que se abre espaço para diálogo do PT para além de seu eleitorado tradicional. “Antes das eleições, é uma conversa para convertidos. É só na televisão e durante a disputa que conseguimos colocar todas as nossas ideias para que a população saiba o que está acontecendo. Antes disso, todos ficam reféns da mídia”, frisou.

Haddad permanece cético sobre Marta Suplicy, mas cogita nomes entre os tucanos. No caso do PSDB, mencionou Matarazzo e Alexandre de Moraes, ex-subsecretário de Kassab. “Parece claro que eles querem concorrer e são os nomes cotados, mas não tenho certeza sobre isso”, disse ele.

O prefeito vê a segurança pública como calcanhar de aquiles dos tucanos. “O número de novos policiais militares cai dramaticamente todo ano. Não há efetivo suficiente para o policiamento, ao contrário do que dizem as propagandas do PSDB. São Paulo é uma cidade que não tem um PM a cada 10 quilômetros. Falam em fazer concursos, mas os policiais não estão nem ganhando bem. Daqui a pouco vai ter mais guarda civil metropolitano do que policial militar”, diz.

E a Marta?

Desfiliada após 33 anos de militância no PT, Marta disparou ataques na imprensa em abril de 2015 contra o antigo partido no qual fez carreira de deputada federal, senadora, ministra do Turismo de Lula, ministra da Cultura de Dilma e prefeita de São Paulo.

Haddad elogiou os CEUs, o bilhete único e diversos feitos da gestão de Marta, mas não a considera “habilidosa politicamente”. “Faltava habilidade para ela no passado e ainda falta hoje. Marta Suplicy saiu do PT achando que todo mundo iria abraçá-la. Acho que nem o PSB quer mais ela. Se ela não for pedir com muito cuidado para entrar em uma legenda, ela pode ficar sem partido. Falo isso com muita humildade, porque ela já anunciou três vezes a filiação que ainda não aconteceu”, declarou.

Mesmo com tantas críticas, Haddad não acredita que o eleitorado paulistano é reacionário e acha que este é o motivo de boas gestões petistas terem passado pelo poder municipal. “Erundina, Marta e eu provamos que o eleitorado paulistano não é totalmente conservador. Ele é sim influenciado por forças conservadoras”, complementou.

O petista teme que a insatisfação da população na crise favoreça um oportunista a chegar ao poder. Nessa seara, Celso Russomanno e José Luís Datena se destacam.

Pedro Zambarda de Araujo
No DCM
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Quem mira no Almirante


A farsa se ergue contra um homem que é uma lenda.

Soube dele — e dos projetos tecnológicos da Marinha — na década de 1970.

Eu editava política e nacional no Globo e recebi ordem da direção para não publicar uma entrevista sobre o assunto com um oficial da Armada. Disseram-me que era ordem da censura.

No entanto, quem recebia comunicados da censura — pelo telefone ou em tiras de papel fino — era eu. Desconfiei da história.

Quando o censor de verdade me telefonou — era frequentemente a fonte das notícias “que eu não podia publicar” — fiz-me de desentendido:

— Quem recebe sempre instruções de vocês sou eu. Por que diabos resolveram proibir por via da direção do jornal a publicação da matéria tal, sobre pesquisa nuclear da Marinha?

— Não mandamos. Há um erro.

Dois dias depois, a matéria saiu, ocupando quase a página toda, com uma estranha foto em três colunas do entrevistado — tratamento digno dos mais nobres “recomendados do nosso companheiro” (Roberto Marinho).

Voltei a ter contato com o assunto, anos depois, já no ocaso do regime militar, quando me encomendaram — eu trabalhava na Universidade Federal do Rio de Janeiro — um estudo sobre a implantação de uma rede nacional de televisão regionalizada mais inspirada no modelo da antiga Rádio Nacional, que operava comercialmente.

Meu interlocutor na Subsecretaria de Assuntos Estratégicos do Conselho de Segurança Nacional era um doutor em Física, oficial de Marinha.

Finalmente, no início da década de 2000, na última etapa de minha vida profissional, dirigindo um órgão público, tive a honra de conviver com cientistas da Marinha brasileira, responsáveis pelo desenvolvimento das pesquisas nucleares desde que Álvaro Alberto — que atingiu o almirantado por decisão do Congresso Nacional — trouxe ao Brasil, no segundo governo Getúlio Vargas, as primeiras instalações nucleares.

A conspiração atinge a mais alta patente da carreira científica naval, exatamente no núcleo pensante que mais compromissos tem com a Pátria e que se empenha, no momento, em construir as bases para a defesa da Amazônia Azul, onde mora a esperança de um futuro independente para o Brasil.

Obviamente, não é um juiz de primeira instância do Norte do Paraná, um procurador movido pela ira do deus enfezado dos evangélicos radicais ou meia dúzia de covers do FBI que têm tal motivação e poder.

Nilson Lage
No Tijolaço
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Os nossos "Yes, Bwana!" e os novos "Hai, Bwana!" do Financial Times

http://www.maurosantayana.com/2015/07/os-nossos-yes-bwana-e-os-novos-hai.html


A imprensa brasileira destacou amplamente na semana passada o "duro" editorial da última quinta-feira do jornal inglês Financial Times sobre a crise política e econômica no Brasil. Com o título “Recessão e politicagem: a crescente podridão no Brasil”, o texto conclui que a “incompetência, arrogância e corrupção abalaram a magia” do nosso país.

Assim como há quem se pergunte, nos moldes da sabedoria popular, de que se riem as hienas, seria o caso de se perguntar de que estava falando o Financial Times, quando chamou o Brasil de "um filme de terror sem fim", em seu editorial, prontamente reproduzido e incensado, com estardalhaço, por uma multidão de "Yes, Bwana!" nativos, prostrados — como os antigos criados negros na frente de seus mestres estrangeiros nos filmes de Tarzan — diante do trovejar do Grande Totem Branco do Reino Unido de Sua Majestade Elizabeth, quando ele se digna a contemplar com sua atenção este “pobre” e “subdesenvolvido” país.

Diante de tão poderoso édito e tão diligentes arautos, não há, no entanto, como deixar, também, de se perguntar: Afinal, na economia, de que estava falando — ou rindo, como hiena — o Financial Times?

Se a Inglaterra, com uma economia do mesmo tamanho da nossa, tem uma dívida externa 20 vezes maior que a do Brasil, de 430% contra menos de 25% do PIB ?Se as reservas internacionais britânicas são, também segundo o Banco Mundial, quase quatro vezes menores (107 bilhões contra 370 bilhões de dólares) que as do Brasil?

Se o déficit inglês no ano passado, foi de 5,5%, o maior desde que os registros começaram em 1948, e a renda per capita ainda está 1.2% abaixo da que era no início de 2008, antes da eclosão da Crise da Subprime?

Quanto à corrupção, também seria o caso de se perguntar: de que estava falando — ou rindo, como uma hiena — o Financial Times?

Se a Inglaterra é tão corrupta, que deputados falsificam notas para receber ressarcimento e aplicam a verba de gabinete até para a assinatura de canais pornográficos?

Se a Inglaterra é tão corrupta, que o político conservador e ex-presidente do Comitê de Inteligência do Parlamento Malcolm Rifkind, que trabalhou por mais de uma década nos gabinetes da famigerada Margaret Tthatcher e do ex-primeiro-ministro John Major, e o político trabalhista Jack Straw, ex-secretário de Justiça, Ministro do Interior, Ministro de Relações Exteriores e ex-líder da Câmara dos Comuns, caíram em uma arapuca criada por um jornal e um canal de televisão, no início deste ano, e foram filmados sendo contratados para vender serviços de "consultoria" para pressionar embaixadores britânicos e líderes de pequenos países europeus para favorecer os negócios de uma empresa chinesa (fictícia), por quantias que variavam de 5.000 a 8.000 libras por dia?

Se em 2010, o mesmo tipo de reportagem, feita também pelo Channel 4, revelou que deputados e Lordes britânicos, como os ex-ministros trabalhistas Stephen Byers, a ex-secretária (ministra) de Transportes, Governo Local e das Regiões, Patricia Hewitt o ex-secretário (ministro) de Saúde, Geoff Hoon, e o ex-secretário (ministro) dos Transportes e ex-secretário (ministro) da Defesa Richard Caborn estavam dispostos a fazer lobby em favor de empresas privadas em troca de grandes somas de dinheiro, em um esquema que foi totalmente convenientemente blindado pelo governo do Primeiro-Ministro Gordon Brown?

Se, dois anos mais tarde, em maio de 2012, foram revelados que teriam sido oferecidos pelo tesoureiro do Partido Conservador, Peter Cruddas, jantares "íntimos" com o Primeiro-Ministro David Cameron — que está atualmente no poder - pela módica quantia de 250.000 libras, quase um milhão de reais, em "doação" para seu partido, e o gabinete do Primeiro-Ministro se recusou a revelar qualquer detalhe sobre esses jantares, nome dos "convidados", etc, alegando que eles eram "privados"?

Já imaginaram se fosse o Lula no lugar do Cameron? O que não iria dizer do Brasil o Financial Times em seus editoriais?

Finalmente, quanto à questão política, de que fala, como uma hiena — o Financial Times, com relação à popularidade da Presidente Dilma Roussef, se a desaprovação do Primeiro-Ministro James Cameron, segundo a empresa de monitoramento de redes sociais Talkwalker, subiu de 25% para 65%, e o número de cidadãos que o aprova caiu de 9 para 7% nos últimos meses?

Não seria o caso — se nos preocupássemos com eles da mesma maneira que eles insitem em se meter em nossos assuntos — de escrever um editorial sobre a "permanente podridão da Grã Bretanha"?

É por isso, por sua mania de dar lições aos outros, que os ingleses acabam tomando as suas. Quando a empáfia é muita, ela incomoda os deuses, e o castigo vem a cavalo.

Na mesma quinta-feira passada, do seu arrogante editorial sobre a situação brasileira, em suave vingança poética, depois de 153 anos servindo de escudo e biombo para a hipocrisia de um império decadente, erguido por corsários, bandidos e traficantes de drogas — vide a Guerra do Ópio — o Grupo Financial Times — por incompetência e risco de quebra — incluído o próprio jornal e todas as suas outras publicações — foi vendido para o grupo japonês Nikkei.Inc, por 1.3 bilhões de dólares.

A partir de agora, os jornalistas, editores e "analistas" do FT, famosos pela visão colonialista que tem do resto do mundo, vão ter que se acostumar — os que sobrarem, depois das demissões — a trabalhar, debaixo de chibata — em sentido figurado, mas não menos doloroso — para o Império do Sol Nascente, como os figurantes do clássico filme de guerra a Ponte do Rio Kwai, e a pronunciar "Hai, Bwana-San!", para seus novos donos nipônicos, expressão que deveria ser aprendida, por osmose — para que possam reconhecer quem são, a partir de agora, seus novos mestres — pelos "Yes, Bwana!" — nacionais.
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Bancada da pizza da CPI do HSBC

Depois de livrar a cunhada do tucano Tasso Jereissati, terá moral para investigar outras contas suspeitas na Suíça?

A bancada da pizza do HSBC: Ricardo Ferraço (PMDB/ES), Otto Alencar (PSD/BA), Paulo Bauer (PSDB/SC), 
Blairo Maggi (PR/MT), Ciro Nogueira (PP-PI), Davi Alcolumbre (DEM /AP) e Sérgio Petecão (PSD/AC)
No Brasil, Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra os poderosos de direita, invariavelmente apoiados pela grande mídia, não emplaca.  Quando se torna realidade, morre por conluio entre parlamentares e os setores envolvidos, manobras ilícitas e lícitas, inclusive covardia.

Cercada de muita expectativa, a CPI  do HSBC teria a oportunidade de investigar e mostrar que muitos dos que hoje esbravejam “abaixo a corrupção” esconderam fraudulentamente bilhões no HSBC Private Bank, em Genebra, Suíça. Segundo dados divulgados no início de fevereiro deste ano, 8.867 correntistas do Brasil, titulares de 6.606 contas secretas no HSBC suíço, tinham aí depositados cerca de US$ 7 bilhões, de 9 de novembro de 2006 a 31 de março de 2007.

Porém, reunião fatídica da CPI do HSBC, realizada reunião de 16 de julho, demonstrou que ela provavelmente seguirá a regra, morrendo de inanição ou de indigestão por farta distribuição pizza.

A evidência: o abafa bem organizado pelos senadores nessa reunião, que, queiram ou não, macularam indelevelmente os trabalhos do grupo.

A CPI do HSBC, como devem se lembrar, havia aprovado em sessão anterior, no final de junho, a quebra do sigilo de, entre outros:

Jacks Rabinovich, empresário e ex-diretor do Grupo Vicunha. Ele aparece vinculado a nove contas no HSBC da Suíça (a maioria em conjunto com a família Steinbruch), que somam US$ 228 milhões.

* Jacob Barata, conhecido como o “Rei do Ônibus” no Rio de Janeiro, e os filhos Jacob Barata Filho, David Ferreira Barata e Rosane Ferreira Barata.   Segundo registros do HSBC de Genebra, entre 2006 e 2007, Jacob mantinha US$ 17,6 milhões em conta conjunta com sua mulher, Glória, e os três filhos do casal.

* Paula Queiroz Frota, uma das executivas do Grupo Edson Queiroz, de sua família e do qual faz parte o maior conglomerado de comunicação do Ceará. Integra-o: TV Verdes Mares (afiliada da Globo), Rádio Verdes Mares, TV Diário, FM 93, Rádio Recife, Diário do Nordeste e portal Verdes Mares.  Paula, a irmã Lenise, o irmão Edson (morto em 2008) e a mãe Yolanda, também membros do conselho de administração do grupo empresarial, tinham, em 2007, US$ 83,9 milhões na conta 5490 CE aberta em 1989 no HSBC de Genebra.

Na véspera dessa reunião, os trabalhos da CPI do HSBC haviam ganho força devido a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).  Em 15 de julho, o ministro Celso de Mello negou o mandado de segurança impetrado por Jacks Rabinovich que reivindicava a não quebra do seu sigilo bancário.

Só que, em vez de aproveitarem-se dessa sentença altamente positiva para quem deseja investigar a lavagem de dinheiro e evasão de divisas, via contas secretas no HSBC suíço, os senadores a ignoraram e levantaram adiante o abafa, conforme o combinado.

Acompanhe-o:
1) Dos onze titulares, apenas dois não estavam presentes à reunião de 16 de julho, devido a agendas externas, portanto não participaram da manobra: Fátima Bezerra (PT/RN)  e Acir Gurgacz (PDT-RO).

2) Consequentemente,  nove compareceram. Nunca a CPI do HSBC teve quórum tão alto.

3) De 24 de março de 2015, quando foi instalada no Senado, a 16 de julho, a CPI do HSBC realizou onze reuniões. No entanto, entre 5 de maio e o final de junho, nenhuma. Foram 49 dias sem uma única sessão.

4) Três senadores protocolaram então requerimento extra-pauta, para que fossem reconsideradas as aprovações de quebra de sigilo dos seis correntistas citados acima. Objetivo óbvio:  livrar a cara dos seis.

Ciro Nogueira (PP-PI) agiu em socorro do empresário Jacks Rabinovich.

Davi Alcolumbre (DEM /AP) intercedeu por quatro: Jacob Barata e os filhos David, Jacob e Rosane.

Paulo Bauer (PSDB/SC) tirou da fogueira Paula Queiroz Frota, simplesmente a cunhada de outro senador também tucano. Paula é irmã de Renata Queiroz Jereissati, esposa do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Ambas são filhas de Yolanda Vidal Queiroz, que também tinha conta no HSBC de Genebra.

O resultado, todos já conhecem: 7 a 1, a favor da manutenção do sigilo bancário desses seis correntistas.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) foi o único que votou pela quebra do sigilo de cinco dos seis correntistas mencionados. Ele se absteve na votação referente a Paula Queiroz Frota, cunhada do colega Tasso Jereissatti.

Além de Ciro Nogueira, Davi Alcolumbre e Paulo Bauer, votaram a favor da manutenção do sigilo, contrariando a decisão do STF, mais quatro senadores:

* Ricardo Ferraço (PMDB/ES), por sinal relator da CPI do HSBC

* Otto Alencar (PSD/BA)

* Blairo Maggi (PR/MT)

* Sérgio Petecão (PSD/AC)

Para que os eleitores não se esqueçam, repetimos os nomes dos sete integrantes da bancada da pizza da CPI do HSBC: Ciro Nogueira, Davi Alcolumbre, Paulo Bauer, Ricardo Ferraço, Otto Alencar, Blairo Maggi e Sérgio Petecão.

– E o senador Paulo Rocha (PT-PA)?

Devido à condição de presidente de CPI, ele não votou.

Segundo matéria do jornalista Fernando Rodrigues,  no UOL, “a operação abafa foi comandada pelo petista Paulo Rocha”.

Ao Viomundo, Paulo Rocha, via sua assessoria de imprensa, nega.

Em texto que nos foi encaminhado, a assessoria do senador do Pará ainda explica:

O presidente da CPI, senador Paulo Rocha (PT-PA), foi questionado sobre qual seria sua interpretação quanto à revogação das quebras de sigilos já aprovadas há uma semana. O senador observou que, desde o início dos trabalhos, garantiu que iria dirigir os trabalhos sem transformar a CPI num palco, sem espetáculo, assegurando amplo direito de defesa e evitando que direitos individuais fossem colocados em xeque.

“Assim me comportei na reunião de hoje. No entanto, acho que dada às dificuldades das informações que a CPI têm, e que mexem com direitos individuais e coletivos, é claro que a CPI tem momentos de firmeza e momentos de dúvida, justamente por causa das fragilidades dos documentos que são enviados para cá”, afirmou.

Em tempo, quatro questões:

Com essa bancada da pizza tão “generosa” com os suspeitos de contas fraudulentas no HSBC, você ainda acredita que essa CPI vá investigar e revelar outros brasileiros que usaram o banço suíço para lavagem de dinheiro e evasão de divisas do Brasil? Sinceramente, esta repórter acredita que não.

Depois desse abafa organizado, ela ainda teria condições morais de levar o seu trabalho adiante?

Mas será que ela vai se dispor de agora em diante a fazer um trabalho realmente sério, sem aliviar para financiadores de campanha, amigos e parentes de senadores e donos da mídia,  por exemplo?

Como ficará a situação dos seis correntistas já beneficiados pela bancada da pizza? Suas contas no HSBC de Genebra ficarão realmente livres de qualquer investigação?

Aguardemos os próximos passos.

Conceição Lemes
No Viomundo
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