26 de jul de 2015

No Quênia, Obama defende direitos iguais para os homossexuais


Presidente norte-americano contrariou políticos quenianos, que tinham-no advertido a não trazer o tema sobre direitos aos homossexuais durante sua visita ao país

O presidente norte-americano, Barack Obama, em visita oficial ao Quênia, pediu neste sábado (25) igualdade de direitos para os homossexuais na África, comparando a homofobia à discriminação racial existente nos Estados Unidos.

“Tenho sido coerente em todo o continente africano quanto a esta questão: creio no princípio segundo o qual cada um deve ser tratado de forma igual perante a lei e que o Estado não deve discriminar ninguém em função da sua orientação sexual”, afirmou Obama em Nairobi, em entrevista coletiva junto com o presidente queniano, Uhuru Kenyatta.

“Enquanto afro-norte-americano nos Estados Unidos, estou dolorosamente consciente das consequências da discriminação”, acrescentou.

O chefe de Estado norte-americano falou sobre as eleições presidenciais de Burundi, na África Central, que deram terceiro mandato ao presidente, Pierre Nkurunziza.

“Apelamos ao governo e à oposição [burundianos] para que estabeleçam um diálogo que conduza a uma solução política para a crise e evite a perda de mais vidas inocentes”, frisou.

Barack Obama fez um apelo para o fim da “terrível guerra civil” no Sudão do Sul, que há 19 meses devasta o país.

“A situação é terrível. Consideramos que a melhor forma de terminar com os combates é os dirigentes sul-sudaneses colocarem o seu país em primeiro lugar, com a ajuda de um acordo de paz que ponha fim aos combates”, declarou.

Por último, o presidente norte-americano falou das redes islâmicas somalis Shabab, ligadas à Al-Qaeda, afirmando que estas se encontram “enfraquecidas” na África Oriental, mas os riscos derivados da sua presença na região se mantêm.

“Temos reduzido de forma sistemática os territórios que os combatentes Shabab controlam. Conseguimos reduzir a sua atividade na Somália e enfraquecemos essas redes que operam na África Oriental, mas isso não quer dizer que o problema esteja resolvido,” disse Obama.

No Fórum
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Presidenta Dilma parabeniza atletas brasileiros que participaram dos Jogos Pan-Americanos


“Com muito orgulho, faço neste domingo, dia do encerramento dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, uma homenagem especial aos nossos atletas que mostraram força e determinação no Canadá.
Nossa alegria se torna ainda maior porque pudemos ajudar a construir o caminho em direção às medalhas.

Dos 141 pódios alcançados pelo Brasil, 121 foram conquistados por atletas e equipes que recebem patrocínio do governo federal.

Mais de 70% da delegação brasileira em Toronto é formada por bolsistas do Ministério do Esporte.

Tenho certeza de que vamos colher ainda mais frutos nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, no ano que vem.

Temos o compromisso de apoiar o esporte e temos consciência do seu poder transformador.

Atletas como o nadador Thiago Pereira, que se tornou em Toronto o maior medalhista da história dos Jogos Pan-Americanos, são exemplos para nossas crianças.

Assim como é louvável a presença dos meninos da Liga de Desenvolvimento de Basquete no time campeão pan-americano. O jovem Isaquias Queiroz, que conheceu a canoagem em sua cidade natal, Ubaitaba, na Bahia, por meio do programa Segundo Tempo, hoje é campeão pan-americano e mundial. As irmãs Lohaynny e Luana Vicente, que ganharam no Canadá a primeira medalha do badminton brasileiro feminino, entraram no esporte por meio de um projeto social na comunidade da Chacrinha, no Rio de Janeiro. Davi Albino, da luta greco-romana, ex-menino de rua, deu um depoimento emocionante ao Portal Brasil 2016 sobre o papel fundamental do Bolsa Atleta para a construção de sua trajetória vitoriosa no esporte.

Saúdo as meninas da seleção brasileira de futebol, que a cada competição internacional dão demonstrações da sua garra e abnegação.

Parabenizo a todos que competiram em Toronto e aproveito para desejar boa sorte aos nossos atletas paralímpicos que disputarão, daqui a duas semanas, os Jogos Parapan-Americanos.

Recebam meu carinho e o apoio de todos os brasileiros.”

Dilma Rousseff
Presidenta da República
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A tal “conversa com FHC” foi mais uma obra dos “gênios” do entorno de Dilma?


Três dias depois de iniciada, a “onda” criada a partir do boato — publicado pela Folha — de que o ex-presidente Lula estaria fazendo sondagens para uma conversa entre Dilma e Fernando Henrique Cardoso, produziu-se o que qualquer pessoa de bom-senso sabia que iria se produzir.

Nada, a não ser mais uma demonstração de arrogância do decano do tucanato, que publicou uma nota grosseira dizendo que “o momento não é de aproximação com o governo” e que “qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo”.

Grosseira porque se serve de uma especulação para dar foros de verdade ao que ele próprio não é capaz de afirmar que aconteceu: a sondagem para um contato. E porque recusar-se a uma conversa com a Presidente da República significa, na prática, negar-lhe a legitimidade de Chefe de Estado que as urnas lhe deram.

E isso não se faz na democracia, embora não se precise ou nem mesmo se deva concordar com o que diz o governante maior do país.

Fernando Henrique, ele próprio, no final de 2002, convocou para uma conversa os principais candidatos à sua sucessão, para anunciar-lhes que iria, de novo, ajoelhar o Brasil diante do FMI. Todos compareceram, ouviram o então Presidente e suas explicações sobre a “terceira quebra” do país e, mesmo discordantes, reconheceram seu direito de agir como lhe parecia adequado, a alguns meses apenas de sua saída do cargo.

Ninguém lhe disse que não iria a uma “tentativa de salvar o que não deve ser salvo”, talvez tenha esquecido o desmemoriado da Sorbonne.

Mas o fato — ou factoide — tem algo mais preocupante do que o jogo-de-cena tucano.

É a autoria desta historieta, que tudo está indicando ser de algum dos “geniais” articuladores políticos de Dilma, que não entendem que há um processo golpista — e não uma mera crise política — em curso e que nele os tucanos estão metidos até a alma.

E, além dela, a atitude de gente que deveria ser politicamente responsável mas que — perdoem a palavra, mas é um gauchismo do qual o caso não permite fugir — se comporta como “cabaçudo”, com declarações cobertas de rapapés sobre a especulação lançada com o único objetivo de deixar Dilma e sua disposição de conversar com todos — o que nada tem de errado — com uma imagem de pedinte abandonada e ser “esnobada” pelos tucanos.

Nem mesmo inteligência tiveram para sair com uma declaração formal, do tipo “a Presidenta dialoga com todas as forças políticas que desejem dialogar, mas não recebeu, até o momento, qualquer manifestação neste sentido do ex-presidente”.

Tudo indica que a “ideia genial” proveio de gente que faz de tudo para intrigar Lula com Dilma e que viu na possibilidade de “plantar” esta informação uma forma de atribuir a Lula a covardia com que encara os fatos, foge do combate político e a crença, furadérrima, de que o clube da elite vai ter condescendência com o governo eleito.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Lula e FHC: a repercussão reveladora de uma especulação completa

Eles
De acordo com a Folha, Lula teria autorizado amigos em comum a procurar Fernando Henrique para uma conversa sobre “a crise política”. O objetivo seria “conter as pressões pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff”.

Diz o jornal: “Lula teria aceitado uma conversa por telefone, mas o tucano preferiu deixar um eventual encontro para depois das férias, em agosto — FHC está na Europa.”

O Instituto Lula divulgou uma nota desmentindo a história. FHC, por sua vez, avisou que o sucessor “tem meus telefones e não precisa de intermediários. Se desejar discutir objetivamente temas como a reforma política, sabe que estou disposto a contribuir democraticamente”.

Não existe confirmação alguma da suposta aproximação. Tudo não passa, tecnicamente, de um boato. Quem se beneficia dele? Cui bono?

Não levou muito tempo até o próprio Fernando Henrique e os suspeitos de sempre se aproveitarem de uma total e absoluta especulação para traçar análises e sambar.

Ricardo Noblat — o mesmo que publicou como “furo” uma pegadinha de WhatsApp sobre o dia de fúria em que Dilma atacou uma camareira com cabides — consultou suas “fontes”.

Segundo Noblat, “sabe qual o interesse manifestado por Fernando Henrique Cardoso quanto a um encontro com Lula e Dilma? Nenhum. Vingança é um prato que se come frio”.

Para Eliane Cantanhêde, “Lula e o PT foram implacáveis e duríssimos contra tudo e contra todos, como esperam que tudo e todos sejam condescendentes com eles agora?”

Eliane conta que falou com um “grão tucano” (ah, esses clichês), que lhe lembrou “que até o PMDB está desembarcando e resume tudo de forma cruel. ‘Fernando Henrique só poderia encontrar Lula com uma única intenção: sugerir a renúncia de Dilma.’”

No sábado, enfim, FHC deu um recado em sua conta no Facebook: “O momento não é para a busca de aproximações com o governo, mas sim com o povo. Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo”.

Quando você acha que Fernando Henrique não pode ficar pior, surge esse tipo de maluquice: se alguém do governo federal ou do PT procurá-lo, ele não estará disponível. Essa administração está perdida e não deve ser poupada.

Há certamente alguns nutrientes nesse tipo de fofoca política, mas no geral ela vem com um monte de calorias vazias: anedotas com segundas intenções; informações de proveniência duvidosa e com baixa confiabilidade; uma repercussão sem sentido.

Milhares de linhas inúteis foram escritas sobre um encontro que não houve, não acontecerá tão cedo e que não se sabe sequer se foi aventado por qualquer das partes.

Kiko Nogueira
No DCM
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“Estamos vendo o desenvolvimento de um embrião fascista no Brasil”, diz Roberto Amaral

Roberto Amaral esteve em Porto Alegre na última sexta-feira para lançar e debater seu mais recente livro,
“A serpente sem casca. Da crise à Frente Popular”.
Foto: Guilherme Santos/Sul21
O Brasil está assistindo ao crescimento de uma onda conservadora e autoritária, de cunho fascista, que pode lançar o País em um grave retrocesso político, econômico e social nos próximos anos. Toda vez que o país se deixou dominar pelo pensamento de direita, acabou sendo tomado pelos valores do autoritarismo, que vem das raízes escravocratas das nossas chamadas elites, preguiçosas, incultas e profundamente perversas. A advertência é do cientista político, escritor e um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Roberto Amaral, que esteve em Porto Alegre na última sexta-feira para lançar e debater seu mais recente livro, “A serpente sem casca. Da crise à Frente Popular” (Altadena Editorial). O lançamento ocorreu no início da noite de sexta-feira, no auditório do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e região, reunindo lideranças políticas e sindicais, jornalistas, estudantes e professores universitários.

O fio condutor do livro de Roberto Amaral tem a forma de um alerta. A escolha do ovo da serpente como metáfora para falar da atualidade brasileira, enfatizou, é pela possibilidade de enxergamos a gestação de um embrião fascista no Brasil. “O fascismo não começa pela sua exasperação, ele começa lento, com ofensas verbais, e depois evolui para agressões físicas e coletivas. Esse conservadorismo é tão mais perigoso na medida em que ele está presente em todos os meios de comunicação e é destilado dia e noite junto à população”.

Para Amaral, a sociedade brasileira está sendo preparada diariamente para a interrupção do governo Dilma. “Já estamos vivendo uma série de golpes. Essa eleição vai se resolver em cinco ou seis turnos”. Neste contexto, ele defende a necessidade de formar uma frente popular, de caráter amplo e democrático, capaz de erguer uma barragem ao avanço do pensamento de direita no País.

Ao final do encontro no Sindicato dos Bancários, Tarso Genro leu um manifesto em defesa da construção de uma frente democrática e popular e colocou-o aberto para receber assinaturas de apoio. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Ao final do encontro no Sindicato dos Bancários, Tarso Genro leu um manifesto em defesa da construção de
uma frente democrática e popular e colocou-o aberto para receber assinaturas de apoio.
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Autor da apresentação do livro, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, destacou a existência hoje no Brasil de um conjunto de movimentos frentistas que partem de uma mesma constatação: a forma pela qual se estabeleceram as coalizões políticas no País nos últimos anos está esgotada, o que exige pensar uma nova forma de organização, mais programática e que tenha uma estrutura frentista clara. Na mesma linha, Raul Carrion, da direção estadual do Partido Comunista do Brasil, assinalou que o momento é para avançar na direção da construção de uma frente popular e democrática ampla no Brasil, em torno de objetivos programáticos e não meramente eleitorais.

Céli Pinto: "É preciso dar conteúdo à palavra “esquerda”. Não podemos mais ficar dizendo que somos de esquerda porque estamos à esquerda da direita. Precisamos retomar algum conteúdo importante." (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Céli Pinto: “Não podemos mais ficar dizendo que somos de
esquerda porque estamos à esquerda da direita. Precisamos
retomar algum conteúdo importante.”
Foto: Guilherme Santos/Sul21
A coisa mais importante dessa frente, disse a cientista política Céli Pinto, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é que ela precisa dar conteúdo à palavra “esquerda”. “Não podemos mais ficar dizendo que somos de esquerda porque estamos à esquerda da direita. Precisamos retomar algum conteúdo importante. Nós perdemos a nossa condição de esquerda e precisamos reconstruir isso”.

Ao final do encontro no Sindicato dos Bancários, Céli Pinto leu um manifesto em defesa da construção de uma frente dessa natureza e colocou-o aberto para receber assinaturas de apoio.

Roberto Amaral conversou sobre o seu novo livro e sobre o atual momento político do País. A seguir, um resumo dessa conversa e de alguns dos principais pontos apresentados pelo autor durante sua fala no SindBancários:

O ovo da serpente e o embrião fascista

“O ovo da serpente tem uma característica especial: ele não tem casca, mas sim uma película muito fina e transparente que permita que se veja o embrião se desenvolvendo. O que quero dizer com essa metáfora é que nós estamos vendo o desenvolvimento de um embrião fascista no Brasil. Está em nossas mãos a decisão. Podemos deixar esse embrião crescer, sair desse ovo e amanhã picar o nosso calcanhar, ou podemos esmagá-lo agora. O ovo da serpente permite que vejamos à frente. Estou tentando chamar a atenção, não só da esquerda, mas das forças progressistas e democráticas em geral, para a ameaça de um grave retrocesso político e ideológico no País. Esse retrocesso não se mede apenas pela crise dos partidos, em particular pela crise dos partidos de esquerda e, de modo mais particular ainda, pela crise do PT. Tampouco se mede apenas pela crise do governo Dilma. Ele se mede, fundamentalmente, pela ascensão de uma opinião, que já está se tornando orgânica, de retrocesso conservador.”

“Já há um baluarte institucional perigosíssimo desse processo, que é a Câmara dos Deputados. Eduardo Cunha não foi colocado ali pelo acaso, ele representa um núcleo pensante conservador brasileiro. Esse núcleo, na Câmara, está representado pela chamada bancada BBB, ou seja, os grupos do boi, do agronegócio atrasado, da bala e da Bíblia, que reúne os evangélicos primitivos e midiáticos. Isso tudo se juntou”.

Roberto Amaral: "Nós metemos na cabeça que essa gente não formava mais opinião. Nos descuidamos e ficamos assistindo à construção de um monopólio ideológico, destilando conservadorismo de manhã, de tarde e de noite."  (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Roberto Amaral: “Nós metemos na cabeça que essa gente não formava mais opinião. Nos descuidamos e
ficamos assistindo à construção de um monopólio ideológico, destilando conservadorismo de manhã, de tarde
e de noite.”
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Esquerda não levou a sério o tema da comunicação

“Mas é preciso dizer que a grande responsabilidade por isso é da esquerda e dos nossos governos de centro-esquerda. Há mais de 40 anos, eu e outras pessoas – aqui no Rio Grande do Sul havia uma pessoa que lutava muito por isso, o Daniel Herz – viemos alertando sobre o poder dos meios de comunicação de massa no Brasil, sobre o monopólio da informação e a cartelização das empresas. A esquerda nunca acreditou nisso.”

“A primeira eleição do Lula serviu para mascarar esse problema. Nós metemos na cabeça que essa gente não formava mais opinião. Nos descuidamos e ficamos assistindo à construção de um monopólio ideológico, destilando conservadorismo de manhã, de tarde e de noite. Aqui, não estou me referindo apenas à Rede Globo, ao Globo, Estadão e Folha de São Paulo. Pior do que isso talvez sejam as rádios evangélicas, as rádios AM e FM, despejando diariamente xenofobia, racismo, machismo, homofobia e tudo o que é atrasado. Paralelamente a isso, nós não construímos uma imprensa nossa. E nem estou falando de uma imprensa nossa para falar com a sociedade. Não construímos uma imprensa nossa sequer para falar conosco mesmo. Os militantes do movimento sindical e dos partidos se informam das teses de suas lideranças pela grande imprensa. Nem criamos uma imprensa de massa, nem criamos uma imprensa própria.”

“Nos anos 50 e 60, nós tínhamos O Semanário, que circulava no Brasil inteiro defendendo as teses do Petróleo é Nosso e da Petrobras, tínhamos Novos Rumos, do Partido Comunista, a imprensa sindical e circulava também a Última Hora. Havia, então, um esforço para garantir um mínimo de debate. Isso tudo desapareceu e nada foi colocado no seu lugar. Com a chegada de Lula ao governo, os principais quadros do PT foram transferidos da burocracia partidária para a burocracia estatal e o partido acabou se esfacelando. Os principais quadros do movimento sindical também foram transferidos para os gabinetes da Esplanada”.

“A grande dificuldade que temos hoje para promover a defesa do governo Dilma é que perdemos o diálogo com a massa. Eu conversava dias atrás com uma ex-presidente da UNE e ela me dizia: ‘Professor, como é que eu posso entrar em sala e chamar os estudantes para uma passeata quando o governo está reduzindo as verbas para as bolsas de estudo’. Há um paradoxo entre a nossa política e a nossa base social. A Dilma não foi eleita pela base com a qual está governando. Ela atende os interesses dessa base com a qual está governando e não tem o apoio dela. Por outro lado, ela contraria os interesses da base progressista, a qual nós temos dificuldade de mobilizar para defendê-la. Esse paradoxo precisa ser enfrentado.”

Ex-governador Olívio Dutra também participou do lançamento do livro de Roberto Amaral que o apontou como uma referência ética e política para o presente do país. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Ex-governador Olívio Dutra também participou do lançamento do livro de Roberto Amaral que o apontou
como uma referência ética e política para o presente do país.
Foto: Guilherme Santos/Sul21
“Não devemos nos iludir com os compromissos democráticos da direita”

“Ninguém deve se iludir com os compromissos democráticos e legalistas da direita brasileira. É uma direita que sempre apelou para o golpe e para o desvio democrático. Está aí a história dos anos 50 e 60 repleta de exemplos disso. Ela não tem compromisso com a democracia. Seu único compromisso é com seus interesses de classe. E, lamentavelmente, parece que a burguesia no Brasil tem mais consciência de classe do que muitos setores proletários.”

“Há um segundo paradoxo, que é difícil explicar a não ser que você use aparelhos ideológicos. Nós já sofremos, de fato, dois golpes nos últimos meses. A direita perdeu as eleições, mas ganhou a política. Esta política econômica que está sendo aplicada é a política da direita. O segundo golpe foi a implantação de uma nova forma de parlamentarismo, que vive de subtrair poderes do Executivo. E há ainda um terceiro golpe em curso que consiste em refazer a Constituição sem ter poder originário para tanto, retirando da Carta de 88 conquistas que levamos décadas para aprovar e consolidar”.

Sobre a construção de uma frente ampla, popular e democrática

“Diante deste cenário, precisamos articular a formação de uma frente ampla, de uma frente popular que reúna os setores progressistas e democráticos do País. Eu não estou falando de uma frente de esquerda, pois com isso estaríamos nos encerrando em um casulo, voltando a ser ostra. Precisamos retomar um discurso para a classe média, que perdemos em função dos desvios éticos do PT. Nós não estamos pagando o preço de erros de governo, mas sim dos desvios éticos. Precisamos retomar um discurso que fale para os trabalhadores, para os setores médios, para as forças progressistas, que não são necessariamente de esquerda, falar com a empresa nacional que, neste momento, está sendo destruída neste País. Há uma tentativa de acabar com as principais empresas brasileiras, detentoras de know how, não por uma questão moral, mas para colocar no lugar delas empresas espanholas, chinesas e americanas.”

“Não estou pensando a constituição desta frente com objetivos imediatos e de caráter eleitoral, mas sim na perspectiva da reconstituição das forças progressistas. O ponto de partida para essas forças é construir uma barragem para conter o avanço do pensamento e da ação da direita. Para isso, precisamos voltar às ruas e voltar a debater com a população. Na minha opinião, o modelo no qual devemos nos inspirar não é o da Frente Ampla uruguaia. Esta tem algo que nós temos, partidos. É uma frente de partidos. Nós temos que construir uma frente de movimentos, da sociedade, preparada para receber os partidos e oferecer a eles um novo discurso, uma nova alternativa. Mas não trabalho com a ideia de um modelo pronto e acabado. O que vai decidir isso, como sempre, é o processo histórico”.

"A direita vem avançando e preparando ideologicamente a ideia do impeachment".  (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
“A direita vem avançando e preparando ideologicamente a ideia do impeachment”.
Foto: Guilherme Santos/Sul21
A ameaça do impeachment

“Irrita-me o fato de nossas forças estarem acuadas por fantasmas. O nosso governo está acuado, enquanto ele tem o que dizer. Em face disso, como não há espaço vazio, a direita vem avançando e preparando ideologicamente a ideia do impeachment. Precisamos por isso a nu e exigir que a direita assuma publicamente se é golpista ou não. O senhor Fernando Henrique Cardoso tem que ser chamado às favas. O PSB e o PMDB têm que ser questionados a assumir se são golpistas ou não. Creio que a melhor forma de enfrentar a ameaça do impeachment, seja ela pequena ou grande, é dizer que ela existe. Dizer que ela não existe é perigoso. E o objetivo principal nem é mais a Dilma, é o Lula. Querem liquidar o Lula e o PT. Não se iludam. Se isso acontecer, não atingirá só o PT, mas toda a esquerda brasileira. Temos responsabilidades distintas pelo que está acontecendo, mas estamos todos no mesmo barco”.

Marco Weissheimer
No Sul21
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Forçada de barra

Pessoalmente, defendo que o atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot, seja reconduzido ao cargo. Entendo que não se deve ceder às pressões de políticos. Mas, democraticamente, acho que cabe à categoria decidir por lista tríplice e o mais votado ser indicado e nomeado. Discordo apenas que seja uma escolha feita somente pelos procuradores da República. Também deveriam ter direito a voto os demais membros do Ministério Público da União, o que inclui os procuradores da Justiça do Trabalho, da Justiça Militar e os que atuam no Distrito Federal e Territórios, uma vez que todos estão subordinados ao PGR.

O que não se pode concordar, a pretexto de apoiar A, B ou C é que se impeça candidaturas ou se tente detonar com candidatos que queiram pleitear uma chance de chegar a procurador-geral da República. Já escrevi nesse blog — Disputa na PGR: todo cuidado com os adversários — sobre o risco de uma candidatura ser utilizada pelos parlamentares que estão contra Janot, por conta da apuração que ele vem fazendo em torno da Lava Jato. Isto, porém, não significa que defenda candidatura única. Que haja a eleição e o mais votado assuma a função.

Difícil de entender é como se tenta detonar uma candidatura com base em suposições. É o que foi feito neste domingo (26/07) pelo O Estado de S. Paulo na matéria “Cunha busca influência no Ministério Público“. O texto envolve o subprocurador da República Carlos Frederico Santos com Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara e um dos investigados na Lava Jato.

Com base em quê? No fato dele fazer oposição a Janot e ter sido secretário-executivo da Procuradoria da República na gestão de Antônio Fernando dos Santos, hoje advogado de Cunha.

É uma forçada de barra. Afinal, ele se opor a atual administração não significa que, chegando ao cargo, dará refresco aos investigados na Lava Jato.
Estamos muito longe do tempo em que o PGR era o chamado engavetador geral da República, como bem definiu no ex-senador Pedro Simon (PMDB-RS) com relação a Geraldo Brindeiro que, no governo de Fernando Henrique Cardoso, não levava adiante nenhuma investigação contra políticos governistas.
Jamais estive com Janot. Profissionalmente, já conversei com Carlos Frederico, principalmente quando ele presidia a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Não conheço pessoalmente nenhum dos outros dois candidatos — Mario Bonsaglia e Raquel Dodge — ainda que possa ter falado com eles por telefone ou trocado mensagens, em busca de alguma notícia. Mas, reconheço em todos o direito de concorrerem.

Na matéria que escrevi nesse blog em 19 de junho, levantei o risco de uma candidatura ser utilizada no Congresso Nacional para barrar a recondução de Janot, caso ele seja o mais votado:

“O problema todo reside aí, no Congresso. Desde que os nomes dos presidentes das duas casas legislativas surgiram nas investigações da Operação Lava Jato — Renan Calheiros, no Senado e Eduardo Cunha, na Câmara — que Janot é dado entre os políticos da corriola de ambos como uma espécie de persona non grata. Querem sua cabeça e jogam pelo seu afastamento na expectativa de se livrarem de possíveis processos e do risco de se tornarem inelegíveis.
É justamente por isso que a candidatura do subprocurador Carlos Frederico Santos vem sendo vista com desconfiança não só entre seus pares, mas por quem acompanha um pouco mais de perto o que se passa na PGR. Ninguém lhe retira o direito de concorrer e a maioria sabe que ele, depois de presidir a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), sempre almejou o cargo máximo na categoria”.
Reprodução
Isso, porém, não retira o direito de todos concorrerem e caberá aos procuradores da República — mais uma vez, reforço, que deveriam ser todos os membros do MPU — fazerem sua escolha, analisando todos os fatos e todas as propostas.

Entendo e defendo que o jornal possa se posicionar a respeito da disputa, abraçando abertamente uma candidatura, como o faço aqui. O que não pode é queimar pessoas, envolvendo-as com o polêmico presidente da Câmara, com base apenas em ilações, como consta da matéria.

O fato de Carlos Frederico ter relações com Antonio Fernando, não o obriga a ter relações com o cliente do ex-procurador-geral. Nem, necessariamente o faz concordar com essa defesa que o ex-PGR assumiu.

Curiosamente, nenhum dos três jornalistas que assinam a reportagem tiveram a preocupação de ouvir Carlos Frederico. Ouviram Cunha, que negou conhecer o subprocurador.
Está certo que o presidente da Câmara, por diversas vezes, já foi pego na mentira. Mas e o “citado”, não tem direito a falar? Carlos Frederico não precisaria ser ouvido a respeito desta “possível” ligação?
Por essas e outras é que a chamada grande mídia acaba ganhando o descrédito dos leitores mais atentos.

Marcelo Auler
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Vito Giannotti, operário da memória e da liberdade, sempre em construção

Pesquisador da história das lutas operárias e sociais, escritor e criador do Núcleo Piratininga de Comunicação, Vito se foi, deixando um rastro de energia e esperança

Vito Giannotti: mais de duas dezenas de livros e
a experiência do Núcleo Piratininga de Comunicação
Metalúrgico, historiador, escritor, jornalista, professor, militante da democracia e do socialismo. Qualquer que seja a atribuição que se busque na biografia de Vito Giannotti, que nos deixou na madrugada desete sábado (25), aos 72 anos, se encontrará um homem intenso.

Vito é filho de italianos. Chegou a São Paulo aos 21 anos, em 1964, e passou a vida toda construindo. Construiu resistência à ditadura, construiu a oposição metalúrgica de São Paulo ante sucessivas direções indignas de representar trabalhadores, construiu a pesquisa e a memória das lutas sociais e operárias, construiu pontes que, por meio da comunicação, ligassem lideranças sociais e intelectuais e suas ideais ao cidadão comum exposto à indecência da imprensa hegemônica.

Obstinado, Vito deixa mais de duas dezenas de livros. E a experiência singular do Núcleo Piratininga de Comunicação, no Rio de Janeiro. Um centro de estudos, de memória, de debates, de produção e troca de conhecimento. E de amizades.

Suas palestras eram movidas a sonho e convicção. Com a mesma fluidez de suas prosas. Era crítico ácido de sindicatos e movimentos que desprezam a necessidade de produzir comunicação de qualidade com a sociedade — com linguagem respeitosa e clara, com elegância, com profissionalismo. E mesmo quando chutava o balde ao desferir crítica a um jornal malfeito, o fazia com o objetivo nítido de construir, de impelir as esquerdas e movimentos, qualquer que fosse a corrente, a deixar de falar para o umbigo e disputar a opinião pública.

Vito foi tudo isso. Intenso, propositivo e agregador. Sua alegria, sua energia, sua contundência, e sobretudo sua esperança e prazer de lutar, contagiantes, farão uma falta danada — ainda mais nesse momento sombrio de nossa política. Valeu, Vito. Façamos nossa sua frase clássica: "A luta continua, porra!"



Paulo Donizetti de Souza
No RBA
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Cunha perde apoio da oposição e fica isolado


Integrantes da oposição que, em março, defenderam o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com fervor quando seu nome apareceu na lista do STF de supostos envolvidos no esquema de corrupção da Operação Lava Jato hoje não demonstram a mesma posição.

A defesa pública ao comandante da Casa se resume ao Solidariedade, partido do deputado Paulinho da Força (SP), como mostra reportagem dos jornalistas Ranier Bragon e Aguirre Talento na Folha de S. Paulo.

A mudança foi a citação, pelo lobista Júlio Camargo, delator da investigação, de que repassou US$ 5 milhões em propina para Cunha. O deputado nega as acusações e afirma estranhar a mudança no depoimento do delator, que nunca havia citado seu nome antes.

O apoio de lideranças da oposição, que havia sido enfático em março, caiu por terra, colocando em xeque a dobradinha Cunha-oposição, que por diversas vezes impôs derrotas ao governo da presidente Dilma Rousseff no primeiro semestre.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), o líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), o líder do PSB, Júlio Delgado (MG), e o líder do DEM, Mendonça Filho (PE), são alguns exemplos de mudanças de discurso.

Se antes disseram acreditar nas palavras de Cunha, de que era inocente, hoje defendem que "todas as denúncias têm que ser investigadas", como afirmou, em nota, o PSDB presidido por Aécio Neves.

Em março, Júlio Delgado afirmou: "Eu acho que vossa excelência não tem nenhum envolvimento nesse sistema mesmo". O discurso foi mudado nesta semana, segundo a Folha: "O que eu achava naquele dia, eu posso dizer que hoje eu não acho mais. Isso tudo tem que ser apurado".

Mendonça Filho, apesar de não defender o afastamento de Cunha da presidência da Câmara, afirma que o deputado do PMDB não pode nem "ser condenado antecipadamente", nem ser "simplesmente blindado e não investigado".



Até quando Cunha resiste?


Horas depois de Eduardo Cunha anunciar sua disposição de permanecer na presidência da Câmara mesmo que venha a ser denunciado ao STF pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, o deputado Jarbas Vasconcelos defendeu sua saída do cargo. “Não cogito qualquer afastamento”, havia dito Cunha. A história recente de presidentes encalacrados da Câmara e do Senado demonstra que a resistência pessoal não basta. Quando o desgaste aumenta muito, a própria Casa, seguindo o instinto de defesa institucional, ejeta o acusado da cadeira. Por ora, apenas o PSOL, o deputado Silvio Costa (PSC-PE) e agora Jarbas pediram a saída de Cunha. O PMDB externou uma solidariedade formal mas não o seguiu no rompimento com o governo. O PSDB mantém-se convenientemente distante: nem apoiou Cunha, como em março, quando ele apareceu na Lava Jato, nem criticou o aliado com quem, até há poucos dias, conspirava para derrubar Dilma.

A denúncia de Janot é esperada até pelo próprio Cunha para o mês de agosto e ditará o comportamento da Casa. Aliás, ele chegou a temer que fosse apresentada durante o recesso. Fontes do Ministério Público têm dito a parlamentares que ela será forte e consistente. Tendo adotado a estratégia de salvar-se espalhando o fogo, Cunha deve criar todo tipo de dificuldade para o governo logo que os trabalhos da Câmara forem reabertos. Será também uma partida decisiva para Dilma, que precisará de aprovar suas contas para evitar o pedido de impeachment convencional, pelo Congresso. Ainda restará o processo no TSE, por contas eleitorais.

Os exemplos mais recentes de presidentes ejetados da cadeira pela pressão dos pares são o de Jader Barbalho, no Senado, e o de Severino Cavalcanti, na Câmara. E ainda se pode colocar na conta o de Antonio Carlos Magalhães, que renunciou logo após deixar o cargo.

ACM, rei da Bahia desde o regime militar, manteve-se poderoso e intocável na era FHC. Presidiu o Senado no biênio 1997-1999 e foi reeleito para o período 1999-2001. Desgastou-se numa querela com Jader Barbalho, que o sucedeu no cargo, e logo depois se envolveu no rumoroso escândalo da violação do painel eletrônico do Senado. Acabara de deixar a presidência mas sua influência virou pó, e quando viu que seria cassado, renunciou para não se tornar inelegível.

Jáder, por sua vez, mesmo depois de assumir a presidência do Senado derrotando o candidato de ACM, continuou sendo alvo de frequentes denúncias de corrupção pela mídia. Embora seu PMDB fosse majoritário no Senado, para contornar a pressão da casa pediu licença do cargo por 60 dias. Mas quando a pressão aumentou, renunciou à presidência em setembro e ao próprio mandato no início de outubro.

Severino Cavalcanti era um deputado do baixo clero quando se elegeu presidente da Câmara em 2005, graças à divisão nas hostes governistas. Em setembro estoura o escândalo do “mensalinho”, em que o dono de um restaurante concedido pela Câmara o acusa de cobrar-lhe uma propina de R$ 10 mil mensais para manter a concessão. Severino tenta resistir mas diante do desgaste da Câmara não resiste à pressão dos deputados, renuncia ao cargo e depois ao mandato de deputado.

Para ter um destino diferente, Cunha precisará de um apoio inabalável da maioria dos partidos e de deputados, dispostos a enfrentar um grande desgaste para mantê-lo no cargo mesmo na condição de réu ou mesmo que a PGR peça seu afastamento alegando que com seu poder ele poderá obstacularizar as investigações.

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Destruição política de empresas: o caso Panair


Novo livro sobre a saga da Panair do Brasil, companhia aérea que representava a bandeira do Brasil em linhas para todo o mundo, inclusive Atenas, Beirute e Cairo. A Panair nasceu como subsidiária da Pan American, mas tornou-se independente depois da guerra e criou um padrão de qualidade, organização e abrangência nacional e internacional jamais igualada, uma companhia padrão internacional, seus pilotos eram disputados pelo mundo.

A Panair foi politicamente destruída, de propósito, por uma visão caolha do regime militar. A implicância veio porque o maior acionista da Panair, Mario Wallace Simonsen, era amigo do presidente deposto João Goulart.

O caso Panair é um clássico exemplo de uma empresa que foi atacada pelo Poder e deixou de existir por causa dessa ação. Foi predecessora do caso das 29 empresas atacadas pela Operação Lava Jato, as quais estão sendo deliberadamente destruídas em nome da justiça, como se outros valores tão ou mais importantes não estivessem em jogo, o principal dos quais é o INTERESSE NACIONAL, que diz respeito à população de hoje e às gerações futuras.

A Panair do Brasil era um CAPITAL do País, como toda grande empresa.  Não era só um negócio privado, era também a bandeira do Brasil no exterior. Suas lojas era verdadeiros consulados do País, lojas grandes e espaçosas com jornais diários do Brasil, café do Brasil, brasileiros usavam como ponto de encontro e endereço de correspondência.

Seus aviões Constellation eram, na época, os mais modernos no mundo aeronáutico e suas tripulações eram o top da aviação nacional e internacional. Era realmente uma das mais conhecidas empresas aéreas do planeta, suas rotas até hoje não foram igualadas, nenhuma linha aerea brasileira vai hoje a Atenas , Beirute ou Cairo.

A Odebrecht é a 8ª construtora do mundo, no ranking da respeitada revista ENGINEERING NEWS RECORD, que anualmente faz a lista das 250 maiores construtoras globais. Grande parte dessas maiores construtoras no ranking são hoje de países emergentes, coreanas, chinesas, indianas, indonésias, turcas, malaias, paquistanesas, árabes.

Nenhuma delas jamais foi submetida a um ataque tão violento como se faz no Brasil contra as maiores construtoras nacionais. A Lava Jato vai, aliás já conseguiu em vários caos, DESTRUIR o setor nacional de construção de obras publicas em nome da santidade e da pureza no mundo dos negócios de construção.

Muitos bem pensantes respondem: "Ah, mas as médias empresas agora podem ocupar esse lugar ou que venham as entrangeiras". Afirmações de completos desconhecedores do tema.

As grandes empreiteiras são INTEGRADORAS de mão de obra, de centenas de fornecedores, de prestadores de serviços subcontratados, elas conhecem o terreno geológico brasileiro, conhecem a nossa mão de obra, nossos materiais, o tipo de projetos de engenharia que se adequa ao Brasil. Uma ponte americana é completamente diferente de uma ponte do mesmo tamanho no Brasil. As características de solo, os materiais, o tipo de projeto são próprios de cada País. Uma estrangeira levaria décadas para entender todo esse know how doméstico, as médias não tem a curto prazo capital e corpo técnico para rapidamente assumir grandes obras públicas de infra estrutura.

O Brasil, em nome de uma visão justiceira menor, está destruindo CAPITAL NACIONAL que não é só dos donos das construtoras, é tambem do País, grandes empresas em qualquer País são PATRIMÔNIO NACIONAL, por isso são defendidas com vigor por seus governos. Mas e a propina? Era o MODELO DE NEGÓCIOS corrente, o empresário se adapta às circunstâncias para ganhar contratos. Todas as construtoras dos países emergentes operam dentro das circunstâncias. Obras públicas no Oriente Médio, na Ásia, na África no geral carregam propina. Vamos acabar com nossas empreiteiras, que ficaram queimadas no mercado internacional pela escandalização das prisões mas as empreiteiras de paises emergentes vão continuar a operar do mesmo jeito, agora sem a concorrência das brasileiras, destruídas em nome da moral e dos bons costumes por um Poder que também tem seus pecados e que não são poucos. O Tribunal Federal do Rio está fazendo um rodízio diário de juízes para duplicar os salários, o juiz finge que muda de Vara e ganha um adicional, todos os juízes estão fazendo esse troca troca para aumentar os ganhos, o caso foi reportado em matéria de meia página na imprensa, com todos os detalhes e tudo fica por isso mesmo.

O que no caso Panair e no caso das empreiteiras não foi e não está sendo defendido é o INTERESSE NACIONAL, que está acima da justiça, da moral e outros valores individuais. Como os demais grandes países operam pelo guia do INTERESSE NACIONAL, os países que desprezam esse objetivo estão fadados à mediocridade e à decadência.

A Odebrecht levou 40 anos para ganhar o mercado internacional. Os sacristãos da força tarefa liquidaram com esse capital em nome da santidade dos negócios, algo que o mundo desconhece. Seremos os únicos coroinhas no bordel das grandes empreiteiras em disputa de obras pelo mundo. Não teremos contratos mas podemos nos orgulhar da pureza de nossas empreiteiras, purificadas no altar de Curitiba, no Estado menos corrupto do Brasil.

PANAIR um caso que ninguém pode esquecer



André Araújo
No GGN
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Pluto e Plutão

Estavam naquela fase que vem depois do quinto ou sexto chope, quando a língua começa a enrolar e se começa a dizer bobagens. Ou as bobagens deixam de soar como bobagem e passam a parecer coisas sérias, definitivas, os destinos da humanidade e outras profundezas Neste caso, discutiam se era Plutão ou Pluto.

— Plutão é o planeta, Pluto é o cachorro.

— Que cachorro?

— Do Disney.

— Espera lá! – gritou alguém, para pôr ordem na discussão. — Pra começo de conversa, que Disney?

— Do desenho animado. Pluto era o cachorro do Mickey.

— Mas, afinal, o cachorro era do Disney ou do Mickey?

— Era do Mickey, desenhado pelo Disney. 

— E não era Pluto, era Plutão.

— Não! O cachorro era Pluto. 

— Plutão!

— Peraí, gente. Não vamos brigar por causa disso.

— Não, nessas coisas é preciso ser claro. Vocês não entendem? Precisamos distinguir o que é cachorro e o que é planeta. Senão, sei não.

— Eu vou dizer uma coisa. Acho que Plutão não tem nada a ver com nada.

— O cachorro?

— O planeta! Plutão não faz a menor diferença na minha vida. Tenho até uma certa raiva dele, lá longe, sendo fotografado como uma celebridade, cercado de satélites como se fosse um grande astro ou significasse alguma coisa. Nem da Via Láctea ele é. Não tem nada a ver conosco.

— Li que ele está na borda externa da Via Láctea.

— Pois então. Um suburbano. 

— Eu sempre gostei do Pluto.

— Do planeta?

— Do cachorro. Sempre achei ele simpático.

— Claro. O Pluto é um produto acabado do colonialismo cultural americano. Eles nos pegam pela simpatia e levam nosso dinheiro. O Mickey é um símbolo do capitalismo predatório. Tinha que ser um rato. Simpático, mas um rato.

— Mas o Pluto não tem nada a ver com isso.

— O cachorro?

— O planeta.

— Aliás, li que ele nem planeta é. 

— Então está encerrada a discussão. Garçom, mais uma rodada!

Luís Fernando Veríssimo
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Defesa de Odebrecht esclarece anotações: ‘Vaca’ não é ‘Vaccari’ e ‘LJ’ é ‘Lauro Jardim’, da Veja

Advogados da empreiteira criticam Lava Jato e explicam algumas siglas encontradas pela PF no celular de Marcelo Odebrecht, preso desde 19 de junho; para PF, no entanto, ‘Vaca’ pode significar menção a Vaccari, ex-tesoureiro do PT


A defesa da Odebrecht contestou nesta sexta-feira, 24, o andamento da operação Lava Jato e explicou que algumas das anotações presentes no celular do executivo fazem referência a uma vaca adquirida pelo irmão de Marcelo no valor de R$ 2,2 milhões em um leilão em 2013. Além disso, segundo os defensores, a sigla “LJ” que aparece nas anotações de Marcelo é uma referência ao jornalista Lauro Jardim, da revista Veja.

As explicações foram dadas pela advogada Dora Cavalcanti, que se encontrou com Odebrecht na prisão nessa quinta-feira, 23, para, segundo ela, compreender as anotações no celular do empresário capturado pela Polícia Federal em 19 de junho, sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Muitas mensagens estão cifradas.

Veja o vídeo da entrevista dos advogados da Odebrecht:



Como advogada, Dora Cavalcanti tem direito a uma reunião com o seu cliente preso para tratar do processo. Relatório da Polícia Federal sobre o celular do executivo aponta que as referências a “Vaca” poderiam ser ao ex-tesoureiro do PT, também preso na Lava Jato, João Vaccari Neto. No celular aparecem outras referências à expressão “vaca” e também à inicial V’i associada a valores, que os investigadores suspeitam ser Vaccari. A advogada não comentou estas outras referências.

A defesa tem até a segunda-feira, 27, para explicar alguns termos no aparelho do executivo que chamaram atenção dos investigadores, como a expressão “dissidentes PF” e junto dos termos “trabalhar para parar/anular”. Para os investigadores, os termos denotam a estratégia de Marcelo Odebrecht de prejudicar o andamento da operação.

Os advogados da Odebrecht realizaram nesta tarde de sexta-feira, 24,uma entrevista com jornalistas para esclarecer o posicionamento da defesa da empresa em meio às investigações e à denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra os presidentes da empreiteira e da Andrade Gutierrez, além de mais 20 investigados.

Ao longo da entrevista os defensores criticaram o andamento da operação. “A defesa tem expectativa de parar de ser surpreendida a conta-gotas, objetivando sim a absolvição porque nós trabalhamos nessa perspectiva. Estamos tratando de uma sistemática do processo legal”, afirmou Dora Cavalcanti.

Em relação à nova ordem de prisão preventiva dos executivos pelo juiz Sergio Moro, a advogada disse que o pedido de habeas corpus em favor de Marcelo Odebrecht e de outros cinco integrantes da cúpula da empreiteira será mantido. Ela disse que acredita na libertação dos réus. Afirmou ainda que tem certeza de que as prisões serão revogadas.

Com a palavra, a Odebrecht:

“A Odebrecht considera que o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público Federal (MPF) do Paraná feito hoje é o marco zero do início do trabalho da defesa. A partir de agora, os advogados poderão conhecer as alegações imputadas aos executivos investigados, assim como será possível analisar o conjunto de documentos apresentado pela acusação, o que viabilizará, finalmente, o devido exercício do direito de defesa.

No entanto, as alegações apresentadas pelo MPF, de forma midiática e escandalosa na tarde de hoje, não justificam, em hipótese alguma, a manutenção da prisão arbitrária e ilegal do diretor presidente do Grupo, Marcelo Odebrecht e de quatro ex-executivos. Muito menos justificam a surpreendente decretação de nova prisão preventiva, com a revogação da anterior, num claro movimento para anular os efeitos dos pedidos de habeas corpus perante o STJ.

Sobre o pedido de cooperação enviado pelos procuradores da Suíça, a Odebrecht buscará todos os esclarecimentos junto às autoridades competentes naquele país para que os fatos sejam devidamente apurados. Note-se que enquanto o Ministério Público da Suíça busca informações para ampliar suas investigações, no Brasil os procuradores atribuem aos mesmos dados o peso da mais absoluta verdade. Mais uma vez verifica-se que enquanto o MPF diz que trabalha com fatos, na verdade, vemos juízos de interpretação, suposições e alegações desconexas e descontextualizadas.

Os advogados lamentam a exposição pública de todo o processo e a falta de critérios na divulgação de documentos vazados a conta gotas, sem nenhum pudor, chegando a expor, desnecessariamente, até mesmo as famílias dos executivos.”

Mateus Coutinho
No Estadão
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A política suja no Mato Grosso do Sul




Vereadores combinam cassação de Bernal em MS; veja gravações da PF

Escutas telefônicas foram feitas pela PF com autorização da Justiça.
Assessoria de presidente da Câmara diz que vai se pronunciar por nota.

Gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal (PF) com autorização da Justiça revelam que vereadores de Campo Grande combinaram votos para a sessão que cassou o mandato do então prefeito Alcides Bernal (PP) em 2014. Nas escutas, segundo a PF, aparecem o presidente da Câmara, Mario Cesar (PMDB), os empresários João Amorim e João Baird e o ex-superintendente de produção Fábio Portela, conhecido como Fabão.

João Amorim é um dos investigados pela operação Lama Asfáltica, que apura fraudes em licitações e superfaturamento de obras em Mato Grosso do Sul. É uma ação conjunta da PF, Controladoria-Geral da União (CGU), Receita Federal e Ministério Público Federal (MPF).

Gravações mostram 'teatro' para indicação de ex-deputado ao TCE-MS

Interesse de empresário era indicação de Giroto para conselheiro, diz PF.
Advogado de Amorim, Arroyo, Jerson e Waldir Neves não foram localizados.

Durante as investigações da operação Lama Asfáltica, a Polícia Federal (PF) relatou que a organização do empresário João Amorim também participou do que seria uma manobra teatral para a indicação do ex-deputado estadual Antônio Carlos Arroyo (PR) a uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE-MS). Conforme as investigações, o interesse de Amorim era que a vaga fosse assumida pelo então secretário estadual de Obras Públicas e de Transportes, Edson Giroto.
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Mídia sem contexto, a saga dos invictos


A mídia nunca erra.

Permanece invicta.

Não estou falando de futebol, mas de política.

A mídia tem sempre a posição moral e técnica incontestável.

Como pode ser?

É simples. A análise da mídia não tem contexto.

Principalmente quando se protege falando em “contexto da época”.

O fato é tomado sem entorno ou com distorção do entorno.

A mídia apoiou o golpe de 1964, mas não acha que errou.

Mesmo que alguns jornais se desculpem, é só estratégia de marketing.

A mídia apoiou a eleição de Fernando Collor, mas não acha que errou.

Ele era o seu caçador de marajás.

Que culpa teria a mídia se ele se transformou no que sempre foi: marajá.

A mídia apoiou FHC, mas não acha que errou.

Ele estabilizou a economia e derrubou a inflação.

Que importa se facilitou a “privataria”, atolou-se na nebulosa “negociação” da emenda da reeleição, sucateou as universidades públicas, jogou-se no colo do neoliberalismo mais rasteiro, fechou os olhos para o mensalão mineiro e outras coisinhas?

FHC, para a mídia, era fashion.

A mídia, em parte, não deixou de apoiar a chegada de Lula ao poder, quando sentiu que era inevitável e um bom negócio.

A mídia apoia a derrubada de Dilma e não se acha errada.

Faz pesquisas para mostrar que a população apoia o impeachment.

Consulta juristas de direita para provar que o impeachment está dentro da ordem institucional.

Promove as manifestações como a que acontecerá em 16 de agosto.

A mídia é coxinha e lacerdinha. Sempre foi. Não toda. Quase toda. A mídia é moderna. Ser moderno significa crer ou dizer que não existem mais ideologias, que a ideologia de direita é técnica, ou seja, a expressão da verdade dos fatos, que a modernidade é o Estado mínimo, salvo quando empresas estão à beira da falência e precisam de socorro dos cofres públicos.

A mídia está certa: o Brasil precisa acabar com a corrupção.

Duas formas de corrupção são poucas enfocadas pela mídia: o desvio de dinheiro pela dívida pública; e a sonegação.

A sonegação é uma forma de corrupção praticada por parte da mídia.

Alguém já viu a mídia brasileira considerar uma greve justa?

A mídia europeia faz isso. É uma mídia superada.
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Enganos na argumentação do senador José Serra


Este senador apresentou o projeto de lei 131, que retira da Petrobrás a condição de operadora única do Pré-Sal e a obrigatoriedade desta deter no mínimo 30% de qualquer consórcio que arremate bloco nesta área. Ambas as determinações estão estabelecidas na lei 12.351, que rege os contratos de partilha. Em defesa de seu projeto, escreveu o artigo “O petróleo e as moedas imaginárias”, publicado em O Globo, em 23/7/15, no qual agride a lógica e o interesse nacional com algumas bordoadas.

A primeira delas, que todo tucano costuma citar, porque convence o desavisado, é a seguinte: “Entre 1997 e 2010, sob o regime de concessão introduzido no governo FHC, a produção da Petrobras cresceu 2,5 vezes, de 800 mil para 2 milhões de barris/dia. Desde 2010, quando foi aprovado o regime de partilha, o aumento foi de pífios 18%, apesar de a companhia ter recebido a maior capitalização da história e ter contraído uma dívida equivalente a cinco vezes a sua geração anual de caixa …”

Esta afirmação do senador faz-me lembrar da percepção que algumas tribos de índios brasileiros tinham, assim que chegaram os colonizadores, sobre o nascimento de um bebê. Eles não associavam o nascimento com o ato sexual ocorrido nove meses antes. Não admitiam a existência de um tempo razoável entre uma causa e o seu efeito. Como a busca pelo petróleo e, no caso de haver descoberta, a execução dos estudos para sua recuperação e a implantação do campo levam, em média, oito anos, o acréscimo da produção de 2,5 vezes, creditada pelo senador às concessões de FHC, é em grande parte consequência da fase anterior às concessões, a do monopólio estatal do petróleo.

Depois o senador, estranhamente, quer comparar o crescimento em um período de 13 anos com outro correspondente a cinco anos. Donde se conclui que, para ganhar a aceitação do leitor, vale tudo, até torcer para que ele esteja desatento. Por outro lado, os 18% do período de 2010 a 2015 não foram pífios como citado, se forem comparados com os resultados das petrolíferas privadas estrangeiras. Nenhuma atingiu este acréscimo supostamente pífio. A Exxon e a Shell tiveram decréscimo das suas produções. Além de tudo, a consequência dos contratos de partilha só poderá ser sentida a partir do início da produção de Libra, cujo leilão ocorreu em 2013.

O senador continua, com seu artigo, lançando argumentos incompreensíveis. Em respeito ao leitor, mostro meu entendimento. Ele diz: “É triste que o óleo do pré-sal continue adormecido por mais algumas eras geológicas, enquanto o desemprego e o subemprego avançam em ritmo galopante no Brasil.” Implícito está, nesta frase, que com a aprovação do seu projeto de lei o desemprego e o subemprego serão combatidos, o que não é verdade. Ele não explica que, com as empresas estrangeiras sendo as novas operadoras do Pré-Sal, possivelmente nenhuma ou poucas plataformas serão compradas no país, assim como todos os desenvolvimentos tecnológicos serão encomendados fora. Consequentemente, não existirá grande número de empregos sendo ofertado no país. Notar que, quando se fala em empregos de um setor, inclui-se toda a cadeia produtiva do mesmo.

Serra usa o raciocínio simples que, quanto mais atividade existir em um setor, mais ele estará empregando pessoas. Em primeiro lugar, a própria petrolífera emprega muito poucas pessoas. A grande geração de empregos está na cadeia produtiva do setor. As petrolíferas estrangeiras têm interesse de satisfazer fornecedores do exterior, porque eles pertencem aos mesmos grupos econômicos delas, ou oferecem preços mais baixos ou as petrolíferas têm confiança quanto à qualidade dos produtos e cumprimento de prazo dos seus tradicionais fornecedores. A verdade, dolorosa para Serra, é que quem compra no país é a Petrobrás.

Outra observação sobre o mesmo trecho anterior do Serra é que está implícito na sua afirmação que, quanto mais rápido for explorado o Pré-Sal, melhor será para a sociedade brasileira, o que certamente não é verdadeiro. Quem mais irá se beneficiar com uma rápida produção do Pré-Sal serão, em primeiro lugar, os países importadores de petróleo, pois o Brasil estará ajudando a baixar ainda mais o preço do barril.

Com as produções do óleo e gás de xisto, o inexplicável aumento da oferta de alguns países árabes e a entrada no mercado do petróleo iraniano, que estava contido por bloqueio econômico, o preço do barril que já está baixo tenderá a baixar mais. Com isso, pode até ocorrer que a receita do petróleo venha a diminuir, mesmo com o acréscimo do volume das exportações brasileiras. Em segundo lugar, as petrolíferas estrangeiras, que comporão os novos consórcios do Pré-Sal, irão se beneficiar também, porque terão petróleo barato garantido para abastecer suas refinarias no exterior por cerca de 25 anos.

O ritmo de produção do Pré-Sal, ótimo para a sociedade brasileira, que Serra nunca fala, precisa:

1) deixar uma reserva estratégica para o abastecimento futuro do país;

2) nunca realizar exploração predatória e não abrir mão das exigências de segurança, mesmo que diminuam a rentabilidade (nunca fazer como a Chevron fez em Frade);

3) só produzir excedentes a serem exportados em épocas de alto valor do barril;

4) só produzir quando um planejamento de suprimento local recomendar, de forma que o setor possa contribuir ao máximo para o desenvolvimento nacional.

Estes objetivos de produção do Pré-Sal com compromisso social vetam a possibilidade de exploração rápida da área, como deseja Serra. Ele frisa que há necessidade de “atrair investimentos para o pré-sal”. Está certo, desde que os investidores aceitem cumprir os requisitos de produção citados acima.

O senador criou um índice, que não serve para nada, exceto permitir-lhe criticar a Petrobras, que é “a dívida por barril produzido”. O que é comumente usado é “a dívida por barril de reserva”. Neste caso, se o índice for menor que o preço internacional do barril, pode-se concluir que a empresa consegue pagar suas dívidas. Possivelmente, os assessores de Serra já devem ter lhe mostrado que a Petrobrás consegue pagar suas dívidas, por isso o índice não foi usado.

Porém, temos três pontos em que o Serra fala verdades e não posso deixar de transmitir minhas preocupações. O primeiro é: “Essa empresa (a Pré-Sal Petróleo S/A, que tem presença obrigatória em todos os consórcios) deve, entre outras atribuições: ‘avaliar, técnica e economicamente, os planos de exploração e monitorar e auditar a execução de projetos de exploração e dos custos e investimentos relacionados aos contratos de partilha de produção’. Alguém acha isso pouco?”

Não seria pouco, Serra, se a presidente Dilma não tivesse nomeado para a direção desta empresa técnicos oriundos de empresas estrangeiras, que, a meu ver, só poderiam ser nomeados depois de um período de moratória. Assim, tenho dúvida com relação à isenção que esta empresa trabalhará. Notar que não há julgamento da integridade dos membros da diretoria. Há julgamento, sim, do processo de escolha de profissionais utilizado. Creio que esta não foi uma boa iniciativa de governança.

O outro ponto vem logo a seguir: “Lembre então do peso da ANP – Agência Nacional do Petróleo, que permanece intacto (no projeto dele)”. A ANP, realmente, teria um peso grande, se as pessoas nomeadas para sua direção não tivessem sido “aprovadas pelo mercado”. A presidente Dilma e o presidente Lula têm satisfeito o mercado nestas escolhas e têm tido pouca visão estratégica. Portanto, este é outro órgão com o qual não se pode contar. Aliás, Serra não faria estas citações se soubesse que os órgãos iriam agir em benefício da sociedade brasileira.

O terceiro ponto é sobre a nova diretoria da Petrobrás: “À atual diretoria (da Petrobrás) não restou senão promover imensos cortes nos investimentos e reduzir em 1/3 a meta de produção para 2020!” Mais uma vez, o presidente Bendine e a diretoria da empresa foram escolhidos para “satisfazer o mercado”. Divirjo frontalmente do programa de desinvestimentos proposto. Aliás, por isso, Serra trata esta diretoria com compreensão.

A crítica de Serra à fala do ministro Janine Ribeiro se baseia na suposição de que a Petrobras nunca irá sair da crise em que se encontra. E dá como solução escancarar o Pré-Sal para as petrolíferas estrangeiras. Sua proposta traz à minha mente a inscrição contida no portal do inferno, segundo a descrição de Dante em A Divina Comédia: “Ó, vós que entrais, abandonai toda a esperança…”

As petrolíferas estrangeiras podem, sim, contribuir para o desenvolvimento nacional, mas precisam ser fiscalizadas, porque, por iniciativa própria, elas visarão unicamente a maximização dos seus lucros. E, para serem fiscalizadas, é necessário que a sociedade brasileira seja bem informada, esteja consciente, politizada e exija tal fiscalização, o que não ocorrerá em curto prazo.

O senador continuou seu artigo, com mais argumentos julgados imprecisos. Irei cansar o leitor se for me contrapor a todos eles. Por isso, paro por aqui. Resta às pessoas socialmente comprometidas, nacionalistas, que tenham tido acesso às informações sobre o dano gigantesco que o projeto Serra acarreta, divulgar esta preocupação e buscar interferir, da melhor forma, para que o projeto entreguista não seja aprovado.

Paulo Metri, Conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania
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Uma questão de dinheiro: a origem do ódio assassino da Abril pelo PT

O dinheiro explica
Os franceses têm uma frase para a investigação de crimes: “Procure a mulher.”

Você pode adaptá-la para o Brasil de hoje.

“Procure o dinheiro.” É o que você deve fazer caso queira entender o ódio desumano da Veja pelo PT, expresso mais uma vez na capa desta semana.

Isso vale não apenas para a Veja, é bom acrescentar.

O jornalista Ricardo Kotscho, que fez parte da equipe de Lula em seus primeiros tempos, conta uma história reveladora.

Roberto Civita queria uma audiência com Lula, algum tempo depois de sua posse. E pediu a Kotscho que a arranjasse.

O objetivo não era discutir os rumos do Brasil e do mundo. Era pedir dinheiro para o governo, na forma de anúncios.

Ou mais dinheiro.

As coisas não correram como Roberto esperava. As consequências editoriais estão aí. Nem a morte de Roberto deteve a fúria assassina da Veja.

É um paradoxo. As mesmas empresas liberais que condenam o Estado são visceralmente dependentes do dinheiro público que ele canaliza para elas.

Sem esse dinheiro, elas simplesmente não sobreviveriam.

Não é errado dizer que o Estado brasileiro financia as grandes empresas jornalísticas. É, para elas, um Estado Babá.

Não é apenas dinheiro de anúncios, embora seja este o grosso. Ele vem de outras formas.

Poucos anos atrás, quando ainda tinha resultados contábeis expressivos, a Abril levou cerca de 25 milhões de reais do BNDES para uma obra que deveria ter sido bancada por ela mesma, e não pelo contribuinte: um arranjo em seu sistema de assinaturas.

É um dado público.

Parêntese: se na CPI do BNDES for aberto um capítulo para as relações da mídia com o banco, teremos informações sensacionais.

Em 2009, quando a Veja já abdicara de qualquer honestidade no ataque ao PT, a Abril levou 50 milhões de reais do governo de Lula apenas em anúncios.

Por que tamanha revolta, então?

Mais uma vez: procure o dinheiro. A Globo estava levando, e continua a levar, dez vezes mais, 500 milhões por ano.

Lula e Dilma, ironicamente, vem financiando a mídia que tenta exterminá-los.

Tamanha dependência leva a surtos de paranoia a cada eleição: e se a festa acabar? E se o governo decide reduzir ao mínimo os investimentos publicitários que vão dar nas corporações jornalísticas?

Seria uma calamidade para essas empresas. Elas cresceram graças ao dinheiro público posto nelas em proporções nababescas.

Note. Não é só o governo federal. Quantos recursos públicos não são encaminhados para as companhias de jornalismo pelo governo de São Paulo, o mais ricos do Brasil? De anúncios a compras de assinaturas, a mãozinha amiga está sempre presente.

No futuro, estudiosos tentarão decifrar por que nem Lula e nem Dilma mexeram adequadamente neste sistema que irriga recursos do contribuinte para mãos e bolsos particulares.

Minha hipótese é: medo, medo e ainda medo.

Quando os dados se tornaram públicos, e começou a surgir aqui e ali indignação, inventou-se uma coisa chamada “mídia técnica” para justificar o injustificável.

Com isso, teoricamente estava explicado por que anualmente o governo colocava 150 milhões de reais no SBT para terminar num jornalismo com Sheherazades.

Mas era e é uma falácia. Governo nenhum é obrigado a colocar dinheiro em empresa nenhuma, sobretudo quando há fundadas desconfianças sobre o caráter dela e seu comprometimento com o bem estar público.

No caso específico da Abril, e da Veja, a questão do dinheiro público se tornou especialmente dramática com a Era Digital e seu efeito destruidor sobre a mídia impressa.

Um governo amigo melhoraria extraordinariamente a situação financeira da Abril. O declínio não seria estancado, porque é impossível, mas seria mitigado.

A verba de anúncios federais cresceria instantaneamente. Lotes gigantescos de assinaturas de revistas seriam comprados. Financiamentos a juros maternais seriam obtidos.

É isso o que move a Abril — e, em medidas diferentes, as demais grandes empresas jornalísticas.

Procure o dinheiro, caso queira entender a sanha homicida delas, maldisfarçada num moralismo cínico, demagógico e canalha, para não dizer criminoso.

Paulo Nogueira
No DCM
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A manipulação da tragédia

Mariana morreu após uma cesárea, não após 48h de trabalho de parto em casa


A enfermeira Mariana de Oliveira Fonseca Machado, 30, doutora da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, morreu dez dias depois de uma cesariana, embora as manchetes dos jornais que retratavam o assunto na sexta-feira (25) tenham passado a mensagem comemorada pelo status quo: a de que Mariana veio a óbito após tentar um parto natural em casa, ao lado de uma doula, por cerca de 48 horas.

Em nota sobre o caso, a Ufscar, universidade onde Mariana era docente e pesquisadora na área da Saúde da Mulher, informou que ela chegou ao hospital "em perfeito estado de saúde", após ter entrado em trabalho de parto em casa, acompanhada de uma profissional gabaritada.

No hospital, Mariana foi submetida a uma cesárea. O Brasil é campeão dessa modalidade de parto. Mais da metade dos partos são feitos por meio da cirurgia.

A família de Mariana não quis falar sobre o assunto. A criança passa bem.

A nota da Ufscar

“A Professora Doutora Mariana de Oliveira Fonseca-Machado, enfermeira obstetra, mestre e doutora pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP, era docente e pesquisadora da área da Saúde da Mulher do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos. Com base em seu conhecimento e acompanhamento médico durante o pré-natal, que evidenciou uma gestação sem intercorrências, aguardou a evolução para um parto natural. Assim, a Prof.a Mariana entrou em trabalho de parto no sábado, dia 11 de julho, estando acompanhada por profissional capacitado durante todo o processo. Para continuidade do trabalho de parto, encaminhou-se ao hospital no início da noite do mesmo dia, chegando ao local em perfeito estado de saúde. Algumas horas depois, Mariana foi submetida à cesariana, tendo a oportunidade de pegar sua filha no colo e amamentá-la. Posteriormente, foi encaminhada ao quarto junto com sua filha e, poucas horas depois, iniciou um quadro de complicações, que resultou no trágico desfecho. Infelizmente, preconceitos em relação ao parto natural e a “cultura de cesariana” brasileira, associados à falta de responsabilidade no compartilhamento de informações nas redes sociais e na mídia, levaram a divulgações equivocadas sobre o caso. Dados científicos indicam que a cesariana aumenta o risco de morte materna em 3-5 vezes, comparada ao parto normal. Dentre todas as causas de morte materna a hemorragia é a mais frequente delas. Em solidariedade à família da professora Mariana, o Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos manifesta seu profundo repúdio às manifestações sensacionalistas veiculadas. Como instituição dedicada à promoção de conhecimento, convidamos toda a comunidade à reflexão e colaboração para que a verdade deste triste episódio seja esclarecida, contribuindo para a melhora do cuidado à saúde das grávidas do Brasil.

São Carlos, 24 de julho de 2015.

Coordenadoria de Comunicação Social – Universidade Federal de São Carlos"



“Professora morre depois de tentar parto humanizado por 48h”

NÃO! NÃO É BEM ASSIM!

Muitas informações distorcidas e irresponsáveis estão sendo veiculadas sobre a morte de Mariana de Oliveira Fonseca Machado, 30, professora doutora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), na última terça-feira, 21. Diante disso, e em solidariedade à família da professora, a UFSCar publicou uma nota de esclarecimento, repudiando a divulgação de informações equivocadas sobre o caso.

Mariana estava sendo acompanhada, durante todo o processo, por profissional habilitado, e deu entrada no hospital durante o trabalho de parto, em perfeito estado de saúde. Foi submetida a uma cesariana e teve a oportunidade de pegar sua filha no colo e amamentá-la. Somente após ser encaminhada para o quarto, iniciou-se um quadro de complicações da cirurgia.

Isto é, este caso se trata, na verdade, de morte por complicações da cirurgia cesariana! Não se trata de “morte por tentativa de parto humanizado”, como tentaram convencer algumas chamadas. Não importa onde Mariana esteve durante o início do trabalho de parto, pois isso não tem relação com o desfecho de complicação após a cirurgia, uma vez que ela chegou ao hospital, adequadamente assistida, em franco trabalho de parto e perfeitamente saudável.

O movimento de humanização do nascimento não se trata de um movimento para deslocamento do cenário do parto do hospital para a casa. O que o movimento defende é a autonomia da mulher e seu poder de escolha. A mulher gestante de risco habitual deve parir onde se sente mais segura, seja em casa, seja no hospital mais equipado do país. Com assistência adequada em todos os cenários.

A universidade, de maneira muito sensível em sua nota, explicou que “preconceitos em relação ao parto natural, e a cultura de cesariana brasileira, associados à falta de responsabilidade no compartilhamento de informações nas redes sociais e na mídia, levaram a divulgações equivocadas sobre o caso. Dados científicos indicam que a cesariana aumenta o risco de morte materna em 3-5 vezes, comparada ao parto normal. Dentre todas as causas de morte materna, a hemorragia é a mais frequente delas”.

Precisamos ficar atentos e atentas à indústria das manchetes que — sabe-se lá a troco de que — produzem chamadas como as que estamos vendo sobre esse caso.

Jean Wyllys
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