25 de jul de 2015

Pezão fala de Dilma, impeachment e Eduardos, Cunha e Paes


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CPI do Futebol investigará a TV Globo?

Em matéria postada nesta quarta-feira (22), o Jornal do Brasil deu a notícia alvissareira de que a CPI do Futebol decidiu investigar os milionários contratos dos clubes com as emissoras de televisão para a transmissão dos jogos. Este é um dos capítulos mais nebulosos do futebol nativo, responsável em boa medida pela decadência desta paixão brasileira. As transações comerciais, com base em patrocínios e publicidade, rendem fortunas para a TV Globo — que tem o direito quase exclusivo das exibições das partidas. Esse processo sem qualquer transparência penaliza os clubes, sabota a concorrência entre as próprias emissoras e prejudica, principalmente, os amantes de futebol. Mexer neste terreno não será nada fácil. A conferir a coragem da CPI!

A reportagem do Jornal do Brasil tem como base uma declaração do senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator da CPI e famoso por seu pragmatismo político. Ele afirmou que "o direito de transmissão do futebol pelos veículos de comunicação será uma das questões a serem tratadas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Futebol... 'Isso é uma relação comercial entre o clube e uma ou duas redes de televisão. Vamos discutir como democratizar isso, como discutir isso para que efetivamente tenhamos um posicionamento que seja transparente e ao mesmo tempo construtivo'". A incisiva afirmação foi feita durante uma entrevista ao programa Espaço Público, da TV Brasil.



A CPI do Futebol foi criada em maio passado para investigar as denúncias de irregularidades na CBF, logo depois da prisão de sete dirigentes da Fifa na Suíça — inclusive do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin. Ela é presidida pelo senador Romário (PSB-RJ) e terá a sua primeira reunião em 4 de agosto, após o recesso parlamentar. “Vamos solicitar as informações do FBI [Agência Federal de Investigação dos EUA] e vamos começar a ouvir os setores. Na CPI, o objetivo não é só processar alguém e mandar prender, porque o Marin já está preso e o Ministério Público já está investigando. A CPI não pode se esgotar no processo investigativo, tem o processo propositivo", afirmou o relator da comissão. Para ele, o importante é "o que vai mudar no futebol depois da CPI?".

Se depender do senador Romero Jucá — que inclusive já foi denunciado na midiática Operação Lava-Jato —, a tendência é que nada mude. A pressão da Rede Globo sobre os parlamentares é violenta. Ela sempre se utilizou do jogo combinado da sedução e do medo, que tanto intimida os nobres deputados e senadores. O direito de transmissão dos jogos, que envolve bilhões de reais, é um dos principais fatores da construção do império nas últimas décadas. O jogo na CPI do Futebol será pesado, sempre jogado nos bastidores. Sem a pressão dos torcedores — obrigados a assistir às partidas após a novela global —, dos clubes prejudicados pelas cotas e das próprias emissoras concorrentes da TV Globo, a tendência é que nada mude e que o futebol brasileiro continue agonizando. A conferir!   

Altamiro Borges
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Maior batalha da esquerda na América Latina é contra 'golpe midiático', diz Ramonet

Ao abrir evento que comemora os dez anos de existência da emissora Telesur, jornalista falou sobre comunicação e avanço da esquerda na região

Ex-editor do 'Le Monde Diplomatique', Ignacio Ramonet é jornalista e professor espanhol radicado na França
O maior confronto enfrentado na América Latina atualmente é “a batalha midiática”, desde pelo menos o ano de 2002, quando a tentativa frustrada de derrubar Hugo Chávez na Venezuela deu início a um novo tipo de golpe de Estado, o “golpe midiático”, transferindo aos meios de comunicação privados o papel de partido político nas oposições aos governos da “guinada à esquerda”.

A avaliação foi feita pelo jornalista e professor Ignacio Ramonet, ex-editor do jornal Le Monde Diplomatique, na palestra de abertura do congresso “Comunicação e Integração Latino-Americana”, realizado entre os dias 22 e 23 de julho em Quito, capital do Equador.

Organizado pelo Ciespal (Centro Internacional de Estudos Superiores da Comunicação para a América Latina), o evento comemora nesta sexta-feira (24/07) os dez anos de fundação da Telesur, canal multinacional de televisão mantido por diversos governos da região. Fundada por iniciativa de Chávez três anos após o golpe fracassado, a emissora nasceu com o papel de promover uma alternativa na cobertura das notícias latino-americanas, feita por jornalistas e comunicadores da própria região.

“Nos últimos 15 anos, todos os governos progressistas que chegaram ao poder democraticamente na região vêm sendo mantidos por via eleitoral. Nenhum deles foi derrotado nas urnas. Por isso, a resistência à mudança vem sendo cada vez mais brutal, apelando para novos tipos de golpes, alguns com fachada judicial, parlamentar, e sempre com forte ajuda da mídia”, disse Ramonet, lembrando os casos do Paraguai, Honduras e investidas recentes na Argentina e no Brasil.

Ao lado de Ramonet, a presidente da empresa, Patricia Villegas, lembrou que as principais coberturas do canal até agora foram justamente em países que não participam do consórcio, como a campanha militar contra a guerrilha das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o golpe contra o presidente Manuel Zelaya, em Honduras, em 2009.

“Naquele momento, o mundo só pôde acompanhar o que acontecia em Honduras, minuto a minuto, graças ao sinal da Telesur. Porque as emissoras privadas globais ou não estavam lá, e as que estavam preferiam ignorar”, disse.

Para Ramonet, o grande mérito da Telesur ao longo dessa década foi oferecer “uma outra leitura” sobre os acontecimentos da América Latina e do mundo, fugindo das perspectivas de redes privadas como CNN e Fox News que, para ele, seguem praticamente a mesma linha.

“Estou convicto de que a CNN vai desaparecer, não por falta de capital, mas por falta de audiência”, previu Ramonet, falando por teleconferência desde Caracas para a plateia de jornalistas, intelectuais e estudantes reunida no auditório equatoriano. “A Telesur não tem concorrência. Esse é o sonho de qualquer canal. Porque as outras fazem mais ou menos a mesma coisa”.

'Convergência digital'

Segundo o jornalista — que é espanhol mas vive radicado na França desde 1972 —, a maior mudança na comunicação nos últimos dez anos foi a integração das várias plataformas, a chamada “convergência digital”: smartphones, tablets e computadores, que roubaram da televisão o posto de tela principal da mídia. E, se antes as inovações tecnológicas estouravam primeiro nas cidades ricas da Europa e dos EUA, aponta Ramonet, agora já são disseminadas simultaneamente nas grandes metrópoles da América Latina e de outras regiões em desenvolvimento.

“As novas plataformas abandonam a continuidade que obrigava o espectador a assistir tudo linearmente; agora ele pode ver o que quiser, na ordem que quiser. Os canais que se adaptarem melhor são os que têm mais chance de sobreviver”, aponta.

Patricia Villegas enfatizou que a adaptação às novas plataformas é uma de suas maiores preocupações da Telesur. “Não adianta fazer conteúdos-espelho, que se repetem de forma idêntica na TV, na web, no Facebook, no Twitter. Os conteúdos precisam ser complementares e diferentes, porque o público os consome de formas diferentes”, disse ela.

Congresso intitulado 'Comunicação e Integração Latino-Americana' acontece em Quito, capital equatoriana
Além do décimo aniversário, completado nesta sexta-feira, dia 24 de julho, a Telesur celebra também um ano desde o início da produção de conteúdos em inglês. “Não estamos traduzindo informações, mas produzindo diretamente em inglês”, enfatizou Patricia Villegas. Segundo ela, a entrada na esfera anglófona sinaliza a intenção da empresa em ampliar sua presença global. Por enquanto restrita ao site e às redes sociais, a Telesur em inglês espera iniciar em breve transmissões também como canal de televisão, com sede em Quito.

Sul geopolítico

“Na América Latina, vários intelectuais e lideranças políticas têm o vício de só ver a relação regional com o 'gigante do norte', os Estados Unidos. Mas também é extremamente importante considerar nossa relação com a China, a África, o Oriente Médio. A Telesur tem a tarefa de transportar a missão progressista da América Latina para o resto do mundo”, disse Ramonet.

Justamente por isso, Villegas diz que o canal continua expandindo seu universo de pautas para outras regiões, como o ataque da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança militar ocidental) na Líbia, em 2011, e mais recentemente na crise financeira da Grécia, quando o canal enviou jornalistas para Atenas e investiu na cobertura ao vivo. “Às vezes perguntam aos nossos repórteres: 'O que vocês estão fazendo aqui?'. Estamos aqui porque a nossa ideia de 'sul' não é apenas geográfica, mas principalmente geopolítica. Enxergamos a informação como um serviço, e não como mercadoria”.

“Durante muito tempo na América Latina, o jornalismo era um privilégio das emissoras privadas, e as TVs públicas ficavam relegadas à programação educativa, cultural e folclórica. Daí a importância de investir em produzir informação numa tela pública. Não se trata de um monólogo do Estado, mas de dar voz também aos grupos comunitários, como indígenas e afrodescendentes, contra a folclorização dessas comunidades”, concluiu Patricia Villegas.

Da teoria à prática

A proposta do congresso em Quito é ser não apenas acadêmico, mas também proporcionar a troca de experiências práticas em jornalismo e gestão de mídia voltada para a integração regional, ambos sob uma perspectiva crítica. A ideia é que professores, intelectuais e estudantes de fato dialoguem com jornalistas, diretores de emissoras e agências de notícias e gestores públicos do setor.

“É fundamental a teoria que reflete sobre a prática para dar-lhe sentido e compreender melhor a realidade para fazer diferente”, comentou Ramonet.

O diretor do CIESPAL, o espanhol Francisco Sierra, lembrou na fala de abertura que a tentativa de descrédito sobre a Telesur e outras mídias públicas, assim como contra as iniciativas de regulação e democratização da mídia pelos governos da “guinada à esquerda”, lembra muito o ataque da mídia privada feito contra a campanha da Nova Ordem Mundial da Informação e Comunicação (NOMIC) e o Relatório MacBride da Unesco (Órgão da ONU para Educação, Ciência e Cultura), entre os anos 70 e 80.

Ele recordou o legado do comunicólogo boliviano Luis Ramiro Beltrán, falecido na semana passada, que não apenas teorizou sobre a comunicação latino-americana, mas ajudou a promover fóruns e encontros internacionais para criar iniciativas práticas de alternativas midiáticas na região naquela mesma época.

Nos dois dias do evento, que reuniu mais de 400 pessoas, também estarão presentes outros nomes do pensamento crítico da região, como o argentino Atilio Borón, do Clacso (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais), e o colombiano Omar Rincón, do Ceper (Centro de Estudos de Jornalismo, em espanhol). Mais de 100 trabalhos acadêmicos foram inscritos para apresentação. Entre eles, o do geógrafo André Pasti, doutorando pela Universidade de São Paulo, que discutirá a trajetória das lutas pela democratização da comunicação no Brasil.

“É importantíssimo aprendermos e nos inspirarmos com os processos de democratização da comunicação em curso em outros países da América Latina. O congresso permite esse diálogo”, disse Pasti a Opera Mundi.

Leia abaixo a carta que o líder cubano Fidel Castro enviou à Telesur em comemoração ao décimo aniversário da emissora:


No Opera Mundi
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Fernando Freire (PMDB), ex-governador do RN, é preso no RJ

O ex-governador do Rio Grande do Norte Fernando Freire (PMDB), preso na manhã deste sábado (25) em Copacabana, no Rio de Janeiro, estava sendo monitorado havia duas semanas. De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança (Seseg) do Estado Rio de Janeiro, ele foi capturado por agentes da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte).

Contra Freire há mandados de prisão preventiva expedidos pelos juízes responsáveis pelas 4ª, 7ª e 8ª Varas Criminais de Natal. O ex-governador foi levado para a 12ª DP (Copacabana). De acordo com a delegada Thaiane Moraes, o ex-governador deverá permanecer na unidade policial até segunda-feira (27). Segundo ela, a Polícia Civil precisa que a Justiça do Rio Grande do Norte envie uma autorização para que ele seja transferido.

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Mandato 1
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"Tudo sobre todos" quebra sigilo de brasileiros

Site divulga vários dados pessoais de brasileiros apenas com inserção de CPF ou nome completo


Informações completas custam até R$ 79. No entanto, alguns dados, como endereço, têm acesso gratuito. Serviço tem domínio registrado na Suécia e vem sendo anunciado em ferramentas como WhatsApp.

Endereço, telefone e até os dados do vizinho. Tudo isso está ao alcance de quem digita o nome ou o número do seu CPF em mais um site que fornece dados ilegalmente na rede. Algumas informações podem ser acessadas gratuitamente, mas o tudosobretodos.se vai além: ele cobra taxas por dados mais específicos e detalhados. O site, que tem domínio registrado na Suécia, revela, por exemplo, nomes de parentes, lugares onde a pessoa já morou e até suas redes sociais. Para ter acesso a todas as informações, é preciso fazer um cadastro e pagar por créditos, que custam R$ 0,99 cada. E para obter dados de mais pessoas, o site oferece planos que vão até R$ 79 - e ainda faz promoção com descontos. Revoltado por ver seus dados na rede, o autônomo Ubirajara Souza, que é morador de São Paulo, diz temer que a divulgação das informações deixe as pessoas ainda mais vulneráveis:

"Eu estou apavorado, porque fiquei exposto a qualquer situação."

O advogado e professor de Direito Eletrônico, Walter Capanema, explica que, segundo o Código de Defesa do Consumidor, a divulgação de bancos de dados sem consentimento é crime, mas há uma grande dificuldade de denunciar e identificar os autores.

"O grande problema é localizar os infratores porque, normalmente, eles criam o site em um domínio estrangeiro."

Especialista em Segurança da Informação, Lincoln Werneck aponta que esse tipo de crime é resultado da falta de uma legislação específica sobre a proteção de dados pessoais na rede. Ele pede, por exemplo, mais punição às instituições que vazam os dados.

"Todas as empresas que detêm informações pessoais devem ter ambientes seguros e controlados, para que isso não aconteça."

Segundo o site Tudo Sobre Todos, os créditos têm validade de 3 meses e podem ser reativados com novas recargas. Em maio deste ano, o site 'Nomes Brasil', que oferecia serviço semelhante, foi tirado do ar pela Justiça Brasileira. Ele reunia os números de CPF´s e a situação cadastral dos documentos.
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Em entrevista a blogueiros, Haddad mostra como o PT pode reagir


Na última quinta-feira, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, reuniu-se com blogueiros e ativistas digitais na sede do Centro de Estudos da Mídia Barão de Itararé. Durante a entrevista, manifestou profundo inconformismo com o que considera uma “guerra” da mídia contra sua administração e demonstrou confiança na possibilidade de se reeleger.

Haddad também elencou medidas de sua administração que considera exitosas e até “revolucionárias”, citou falhas da administração tucana do Estado de São Paulo e reclamou da perda de recursos de sua administração por conta das “jornadas de junho” (de 2013) e da falta de apoio do governo federal.

O prefeito ironizou a mídia. Diz que só parou de bater incessantemente nos corredores de ônibus após ele começar a construir as ciclovias, que considerou imprescindíveis para uma metrópole como São Paulo, a exemplo do que ocorre em outras grandes cidades europeias e norte-americanas.

Ainda ironizando os adversários midiáticos, Haddad respondeu a críticas que fazem às ciclovias, de que são pouco usadas e de que custaram 33 milhões de reais; afirmou que são muito mais usadas do que, por exemplo, a ponte Estaiada, inaugurada em 2008 pelo então prefeito Gilberto Kassab, e que custou 184 milhões de reais.

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O prefeito lembra que a mídia cita o custo de 33 milhões de reais das ciclovias como se fosse alto sem fazer comparações com obras como a de uma simples ponte, que diz que beneficia pouco uma única região e custou quase seis vezes mais, enquanto que as ciclovias se estendem por toda a capital paulista, beneficiando muito mais pessoas gastando muito menos recursos.

Lembrou, ainda, que o monotrilho que o governo Alckmin está construindo em São Paulo, chamado de “Linha 15 – Prata”, percorre um trecho de menos de três quilômetros entre as estações Vila Prudente e Oratório, funciona só cinco horas por dia e permanece bastante ocioso, pois os trens saem das estações com intervalos médios de 10 minutos e circulam praticamente vazios.

A informação mais impressionante que Haddad deu sobre o monotrilho de Alckmin é o custo, que já ultrapassa 6 bilhões de reais e que está em testes há cerca de um ano. Segundo o prefeito, se ele gastasse essa fortuna em uma obra de três quilômetros, que só funciona 5 horas por dia, não poderia nem sair à rua sem ser linchado, pois a mídia estaria falando do assunto todo santo dia.

Sobre a mídia, Haddad explicou que os piores e mais incessantes ataques à sua administração ocorrem via rádio, sobretudo CBN e Jovem Pan. Deu a entender que fazem uma lavagem cerebral na população mais humilde.

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Sobre a redução da velocidade nas marginais do Tietê e de Pinheiros, o prefeito manifestou inconformismo com a ação civil pública impetrada pela Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo na última segunda-feira. Disse que telefonou para o presidente da OAB-SP para reclamar de não ter sido sequer consultado pela entidade antes de ela entrar com a ação.

Haddad manifestou inconformismo com o nível de desinformação da mídia, da OAB e de parcela da população com uma medida adotada em grandes metrópoles dos países desenvolvidos e que garante que irá produzir efeito oposto do que pensam.

O prefeito afirma que a redução da velocidade nas marginais irá aumentar a velocidade porque trafegar a 50 km por hora reduzirá o índice de acidentes. A teoria é a de que com menos acidentes, não haverá interrupção do tráfego e, assim, a velocidade média irá aumentar.

Haddad ainda manifestou perplexidade com a gritaria contra uma medida que, segundo afirma, reduzirá em apenas 4 minutos o tempo de percurso de um veículo pela marginal do rio Pinheiros estando o tráfego livre.

A parte mais interessante da entrevista, porém, foi no aspecto político. Haddad tratou da eleição de 2016 e demonstrou confiança em que é possível, sim, reeleger-se apesar do massacre midiático e dos seus baixos índices de popularidade, que atribui ao bombardeio que começou nos primeiros meses de sua administração com as manifestações do Movimento Passe Livre em junho de 2013, que passou a atacá-lo por elevar as tarifas de ônibus em 20 centavos.

O prefeito diz que suas dificuldades políticas poderiam ser menores se recebesse mais apoio do governo federal. Diz que tem recebido muito menos recursos do PAC do que o Rio de Janeiro, por exemplo.

Ainda assim, Haddad acredita que sua popularidade está baixa hoje porque ele não tem condições de mostrar suas obras para a população e, assim, o discurso contra sua administração predomina sem contraditório.

Como exemplo, diz que o programa “Braços Abertos” reduziu em 80% o número de usuários na Cracolândia paulistana e que, apesar de ser um programa que está sendo copiado no mundo inteiro e de nunca ter havido uma administração da capital paulista que logrou tal redução, o programa é criticado pela mídia por não ter conseguido redução de 100%.

Para Haddad, quando tiver oportunidade de ir à TV, no horário eleitoral, ano que vem, será capaz de fazer a população paulistana “refletir” e acredita que quando isso acontecer será quebrado o monopólio da informação.

O prefeito lembra que o julgamento do mensalão foi marcado, em 2012, para coincidir com as eleições municipais e que, apesar do forte antipetismo de São Paulo, foi possível dialogar com a população.

Haddad acha que a possibilidade de a cidade voltar às mãos da direita, com reversão de programas sociais e adoção de agenda conservadora, fará com que mesmo a oposição de esquerda se aglutine em torno de sua administração para evitar retrocessos na capital paulista.

Este blogueiro ficou surpreso com o nível de confiança do prefeito de São Paulo na possibilidade que tem de se reeleger e, sobretudo, com sua disposição para travar o debate político no ano que vem, pois esperava encontrar um Haddad combalido diante do massacre que o PT e suas administrações em todos os níveis vêm sofrendo.

Contudo, não se pode ignorar que Haddad é um grande debatedor. Fala extremamente bem, tem dados na ponta da língua e é um político extremamente carismático, apesar de iniciante.

Em fevereiro deste ano, em debate na Rádio Jovem Pan com o proto historiador Marco Antonio Villa, o prefeito saiu-se extremamente bem, como pode ser conferido no post Haddad ensina como o PT deve travar a guerra da comunicação.

Este blogueiro perguntou ao prefeito se pretende fazer sua campanha à reeleição na ofensiva contra seus críticos e a resposta foi positiva. Haddad está animado, pronto para o embate e, ao longo das duas horas em que se deixou entrevistar, demonstrou que tem recursos intelectuais e realizações a exibir. Quem o subestima certamente irá se surpreender.

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania
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Joaquim Levy anuncia corte estilo joãozinho

"Tive que aumentar minha meta para o ajuste das costeletas", reclamou
PINDAÍBA — Sem ter mais onde cortar o Orçamento da União, Joaquim Levy apresentou soluções criativas para o ajuste fiscal: "Primeiro, vou cortar meu cabelo no estilo Joãozinho. Caso as negociações entre governo e Congresso não avancem, tenho cartas na manga: ameaçarei passar a tesoura também no bigode do Mercadante, nos cílios postiços de Marco Feliciano e nas madeixas implantadas de Renan Calheiros", disse, com semblante de poucos amigos.

Por sugestão de Bela Gil, Levy revelou que substituirá o câmbio flutuante por cúrcuma. "Precisaremos, ainda, enxugar 33 capítulos de Babilônia para economizar constrangimento", prometeu, enquanto cortava as unhas do pé. "De austeridade, eu entendo. Torço para o Botafogo desde criança", explicou.

Ao tomar conhecimento da economia criativa proposta pelo Ministro da Fazenda, a agência Moody's rebaixou a miopia de Joaquim Levy em 2 graus.

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Veja tenta golpe contra Lula e delator desmente revista


A defesa do ex-presidente da construtora OAS, José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, desmentiu, em nota divulgada na sexta-feira (24), a capa da revista “Veja”. A revista tentou, mais uma vez, uma armação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na edição deste fim de semana.

A capa mentirosa fala sobre uma suposta delação premiada do empreiteiro, preso na Operação Lava Jato. Segundo os advogados, não há nenhuma conversa com o Ministério Público Federal (MPF) sobre delação premiada e nenhuma intenção neste sentido.

“Sobre a reportagem da Veja deste final de semana, José Adelmário Pinheiro e seus defensores têm a dizer, respeitosamente, que ela não corresponde à verdade”, afirmou a nota.

No Agência PT de Notícias

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"Os EUA estão preparando uma segunda Operação Condor na América Latina"


O encontro do bloco político e econômico do Mercosul manifestou preocupação com a intensificação das atividades de inteligência dos EUA na América Latina, com vista a organizar a derrubada de presidentes democraticamente eleitos da região. Todos os oradores observaram a analogia da situação atual com a Operação Condor, realizada pela CIA nos anos 70 e 80 na América do Sul.

Vladimir Davydov
Segundo comentou ao portal de informações Pravda.ru Vladimir Davydov, membro da Academia de Ciências da Rússia, naquele tempo os agentes dos EUA eliminaram fisicamente líderes progressistas no Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Peru.

"Eu acho que as tecnologias modernas estão longe de Operação Condor, ainda que os problemas sejam semelhantes", disse o especialista, acrescentando que o que existe hoje na América Latina é "uma guerra de materiais comprometedores e protestos organizados contra chefes de estados e de governos que mantém boas relações com a Rússia".

Davydov disse que antes Washington usava predominantemente a inteligência, subornos, financiamento da oposição radical e a cooperação com agentes locais para eliminar fisicamente certos líderes. Agora, de acordo com o analista, a melhor ferramenta nesta questão é a guerra de informação, que os EUA está praticando com êxito.

Como exemplo, o especialista cita a situação atual no Brasil, onde os EUA e a máfia local mobilizam a oposição, especialmente a Internet, para participar de uma campanha contra o governo de Dilma Rousseff. As organizações criminosas que a percebem como uma ameaça à sua posição com o novo plano do governo contra o domínio de narcotraficantes nas favelas, tiveram o cuidado de transformar protestos pacíficos em graves distúrbios. Enquanto que na Venezuela, Davydov admite que existe um risco de confrontos não políticos ou eleitorais, mas físicos.
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Vito Giannotti, a luta continua porra!

Amanheci triste. Pelo perfil da Luisa Santiago, a filha querida de Vito Giannotti, descubro que o amigo se foi.

Puta sacanagem, Vito. Você poderia ter nos dado tempo de te dar uns abraços, de ouvir um pouco mais das tuas histórias e de te fazer umas homenagens. Mas que nada. Como um bom carcamano, foi sem pedir licença. Sem frescuras. Sem querer saber das nossas pequenices.

Vito, eu sei que você acharia brega, mas preciso te dizer que você foi um puta cara. E que eu gostaria muito de ter me permitido ter mais tempo pra papear contigo e ouvir histórias de alguém que viveu intensamente a redemocratização do Brasil e que sempre soube que a disputa na área de comunicação é central para a gente conseguir avançar em outras áreas.

O fato é que hoje, muitos dos que estão na luta buscando democratizá-la, beberam da água que você tratou. Ou porque passaram pelos encontros do Núcleo Piratininga de Comunicação ou porque passaram a pensar diferente ao te ouvirem em uma das milhares de palestras e cursos que você deu por esse país afora.

Talvez, Vito, você tenha sido o cara que mais falou de comunicação e que mais tentou ensinar comunicação para militantes e profissionais de movimentos populares no Brasil. Alguém ainda vai ter de contar essa sua história de obstinação. Porque poucos dedicaram tanto da vida a um ideal, a uma luta. E principalmente a essa, que além de dura sempre foi tão mal tratada pela esquerda brasileira.

Vito, meu amigo, eu amanheci triste. Mas ao mesmo tempo não posso me permitir continuar assim. Porque isso não combinaria com a sua alegria.

E por isso registro aqui que vamos continuar na estrada, buscando construir os sonhos que sonhamos juntos. Sabendo que eles não se realizarão nem por dádiva e nem por acaso, mas só com muita luta e insistência. Só se realizarão se formos muitos Vitos. Valeu, meu amigo.

Renato Rovai



“A ausência de cores é completa em todos os instantes de separação”.
Vinicius de Moraes

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé presta sua homenagem à vida de Vito Giannotti. Sua partida, na última sexta-feira, 24/07, deixa uma tristeza profunda em todos nós.

Vito era um homem incansavelmente dedicado à luta pela emancipação da classe trabalhadora, pela construção de uma sociedade mais justa e mais democrática. Nasceu na Itália, mas veio cedo para o Brasil, com 21 anos. Aqui, tornou-se um dos homens mais ativos na defesa do país e dos brasileiros.

Era um apaixonado pela luta e pela vida. Na sua trajetória, percebeu que para mudar o Brasil e o mundo, os trabalhadores, os sindicalistas e a sociedade precisavam construir uma outra comunicação, liberta dos grilhões do capital e da tutela das coorporações midiáticas. Sem uma comunicação própria, não é possível construir uma hegemonia política e cultural da classe trabalhadora. Assim, focou sua produção teórica e intelectual neste campo do conhecimento. Publicou dezenas de livros com estudos sobre a história da imprensa sindical e dos trabalhadores. Na década de 90, fundou o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), que desenvolve cursos voltados para a comunicação sindical e popular.

Vito Giannotti era uma referência para todos nós que lutamos por uma Brasil melhor, mas particularmente para os que atuam na luta pela democratização da comunicação.

No momento de sua partida, celebramos e homenageamos a sua vida. Vito Giannotti deixa em cada um de nós um pouco da sua determinação. Ficamos com o seu sorriso menino, com o seu jeito despachado e desbocado, com o brilho que ele trazia no olhar, e com a sua alegria de compartilhar com jovens as suas ideias para superar a exploração e a humilhação que o capitalismo impõem à esmagadora maioria da sociedade.

Como parte desta homenagem, o Barão de Itararé vai batizar o seu auditório com o nome de Vito Giannotti.

Vito, muito obrigado por tudo!!! Você vai fazer muita falta!

São Paulo, 25 de julho de 2015.

Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
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O mistério da Rainha da Delação não será decifrado pela mídia tradicional e aqui estão as razões

Não espere nada da mídia sobre ela
O mistério da Rainha da Delação não será decifrado pela mídia tradicional.

Isto é batata, como dizia Nelson Rodrigues.

Duas manifestações de dois jornalistas de visões diferentes ilustram bem o caso.

Primeiro, Xico Sá, ex-Folha, um livre pensador que é hoje um dos críticos mais lúcidos da miséria moral da imprensa brasileira.

Se houvesse imprensa “independente” — a palavra mais correta, para mim, é decente — você veria grandes reportagens sobre esse extraordinário caso.

Foi o que disse Xico.

Do outro lado, num comentário na CBN, Merval Pereira, símbolo da imprensa estabelecida, produziu uma sentença a seu modo também reveladora.

Merval disse que o caso é “muito” grave. Nos melhores manuais de estilo, recomenda-se evitar o adjetivo “muito” por ser desnecessário e feio.

Era uma coisa que eu sempre falava aos jovens jornalistas que se iniciavam nas redações sob meu comando.

Mas em todo texto de Merval nada é “grave”, como se fosse pouco. Tudo é “muito grave”.

Depois de definir daquela forma a súbita desistência da Rainha da Delação, Merval diz que é urgente investigar.

Mas.

Mas ele terceiriza a investigação. A imprensa não tem que apurar a história. É a Polícia Federal que tem.

Não discuto que a PF deve ir atrás do caso. Mas e a imprensa, deve ficar de bunda sentada à espera de que policiais vazem informações?

Quantos repórteres as Organizações Globo, já que falamos de Merval, não possuem? Que eles estão fazendo para trazer luz às sombras do episódio?

Nada.

É o que tem acontecido, na verdade.

A mídia, indolente, se contenta em pegar o telefone para tentar arrancar vazamentos — suspeitíssimos, aliás — da PF.

A falta de ação concreta é bisonhamente compensada por um estardalhaço ridículo.

No Twitter, o editor da Época, Diego Escosteguy, o Kim Karaguiri das redações, fica postando alucinadamente “bombas” que destruirão a República como a conhecemos.

É um comportamento semelhante ao de outro bombeiro serial, Claudio Tognolli, ghost writer de Lobão. Ele já anunciou uma centena de bombas, ou mais, e nenhuma delas teve o menor efeito.

Mas isso não o impede de continuar a anunciar bombas.

Diego Kataguiri faz o mesmo, como tantos outros jornalistas da mídia em extinção.

Se parte da energia despendida na pirotecnia verbal fosse gasta em investigação real, teríamos uma imprensa bem melhor.

O caso de Beatriz Catta Preta — e o fascínio da história já começa no sobrenome invulgar — é “muito grave”, para emprestar o clichê de Merval.

O que leva uma especialista em delações do calibre dela a abandonar seus clientes, a esta altura, e se bandear para Miami?

Pressões? Que pressões? De quem?

Não há nada, aí, que repórteres competentes não pudessem investigar.

Mas não. As redações estão viciadas em pegar vazamentos selecionados e transmiti-los, bovinamente, para seus leitores.

Quem não se lembra do “eles sabiam” com que a Veja tentou manipular as eleições às vésperas do segundo turno?

Passados seis meses, o que a revista avançou, de fato, sobre aquela declaração bombástica?

Yousseff, o alegado autor da declaração, já apareceu em depoimentos falando muita coisa — mas nada daquilo que a Veja disse que ele disse.

Definitivamente, o mistério de Beatriz Catta Preta não será decifrado pela mídia.

Paulo Nogueira
No DCM
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Advogada abandona Lava Jato e expõe submundo da operação da PF

Comentarista Paulo Vannuchi estranha abandono de advogada e afirma que pressão psicológica praticada na operação será um dia comparada à tortura



Ricardo Lewandowski solicitou informações ao juiz Sergio Moro:
delação que envolve Cunha traz nomes tarjados
Roosevelt Pinheiro
Em comentário nesta sexta-feira (24) na Rádio Brasil Atual, o cientista político Paulo Vannuchi analisa a atuação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), da mídia e a atitude da advogada Beatriz Catta Preta, que abandonou clientes da Operação Lava Jato por pressão de aliados de Cunha.

Citado por delator da Lava Jato, por ter recebido propina, Cunha conseguiu do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que solicitasse informações ao juiz Sergio Moro. “Eduardo Cunha descobriu que, na delação que o envolvia, do empresário Júlio Camargo, havia nomes tarjados. Por quê? Ele, então, fez o expediente e, corretamente, o ministro Lewandowski está solicitando informações ao juiz Sérgio Moro, que pode representar o início do que antecipo há muitos meses aqui”, referindo-se à necessidade de estancar os vazamentos seletivos da operação.

Vannuchi também comenta a notícia sobre a advogada Beatriz Catta Preta, “que já tinha despertado notoriedade e muitas críticas de seus colegas, por ser autora de nove das 17 delações premiadas”. Vannuchi lembra, inclusive, matéria da Folha de S.Paulo, que ela chega a assediar clientes de outros advogados, e se aproveita de momentos de fragilidade familiar. “Por exemplo, sistematicamente, houve um momento em que os operadores da Lava Jato, seja com Paulo Roberto Costa, Júlio Camargo e outros, ameaçaram com a convocação de familiares. ‘Seu filho está envolvido’. Isso quebra a resistência psicológica. O preso, o potencial delator, se desestrutura psiquicamente. Em algum dia isso será, sim, forçosamente comparado à tortura”, afirmou Vannuchi.

Nesse processo, a advogada Beatriz Catta Preta, apesar de jovem, teria amealhado algo em torno de R$ 25 milhões, até R$ 45 milhões, em honorários. “Júlio Camargo, ao fazer a denúncia de Eduardo Cunha, por ter recebido dele US$ 5 milhões em propina, disse que foi ameaçado por um pau mandado de Eduardo Cunha. Esse pau mandado seria Celso Pansera, parlamentar do PMDB-RJ. Ele então fez a convocação dessa advogada à CPI (da Petrobras), para que ela explicasse a origem dos seus honorários, porque ela pode estar recebendo dinheiro também de delatores que não entregaram tudo o que roubaram, ou das empresas desses delatores.”

A advogada anuncia então, depois dessa reviravolta que ataca Eduardo Cunha, que abandona as suas causas e vai se mudar para Miami. “É muito estranho uma advogada tão bem-sucedida abandonar a defesa, no que pode ser futuramente processada por seus clientes. Ela deu o prazo até o próximo dia 30 para se mudar para Miami. Esse é o submundo da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que os grandes jornais, de modo geral, não querem trabalhar”.

No RBA
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Aécio propõe corte de 50% no salário do trabalhador

O PT já dá sinais de que não vai aprovar no Congresso a Medida Provisória assinada pela presidente Dilma Rousseff no último dia 6, que cria um programa que permite que empresas, em comum acordo com os funcionários, reduzam a jornada de trabalho em até 30% e os salários, em 15%. O PSDB de Aécio Neves também não gostou da MP, mas por razões que divergem das do PT.

Segundo a coluna do Ilimar Franco (O Globo) nesta sexta-feira (24), o PT é contra o programa e pretende alterar a MP porque não concorda com a perda salarial. O senador Paulo Paim fez emenda "para que as empresas assumam o pagamento dos 15% que o governo não vai bancar."

Já o PSDB acha que "trinta é pouco" e também quer alterar a MP. "Seu presidente, Aécio Neves, propõe que essa redução possa ser de até 50% da mão de obra. As empresas poderiam também reduzir em até 50% os salários dos trabalhadores."

A MP foi assinada por Dilma com o objetivo de proteger os postos de trabalho em meio à crise, e já tem força de lei, mas ainda precisará ser aprovada pelo Congresso Nacional. A medida prevê que a União complemente metade da perda salarial por meio do Fundo de Amparo ao Trabalhador. O programa valerá até o dia 31 de dezembro de 2016, e o período de adesão das empresas vai até o fim deste ano.

Para definir quais setores e empresas estarão aptos a participar do Programa de Proteção ao Emprego, o governo também criou um grupo interministerial que vai divulgar informações sobre os critérios, com base em indicadores econômicos e financeiros.

Para que as empresas possam  implementar o programa, os trabalhadores terão que aceitar a proposta por meio de acordo coletivo firmado entre a categoria e as entidades patronais. A companhia não poderá demitir funcionários enquanto participar do projeto.

No GGN
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Lula: "Nunca vi pessoa que se diz democrática não aceitar derrota"

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na noite desta sexta-feira (24) da posse da nova diretoria do Sindicato dos Bancários do ABC. Num discurso para sindicalistas, Lula disse que não tem nenhum receio de ser otimista em relação ao Brasil e que "aquele que apostar no fracasso deste país vai quebrar a cara".

Lula falou depois de Belmiro Moreira, que acabava de assumir a presidência do Sindicato dos Bancários do ABC. Emocionado, Belmiro lembrou a história de lutas da categoria e da região. Aos 14 anos, enquanto trabalhava como patrulheiro-mirim em uma indústria metalúrgica, acompanhou de perto as conquistas sindicais que mudaram o país. "É uma responsabilidade ter hoje aqui presente o presidente que mais mudou este país. Lula criou o Partido dos Trabalhadores e ajudou a fundar a CUT para que a gente tivesse mais representação nas esferas do poder." 

Em sua fala, o ex-presidente Lula disse estar cansado do "tipo de perseguição e criminalização que fazem às esquerdas desse país". "Eu nunca tinha visto pessoas que se dizem democráticas terem tanta dificuldade em aceitar uma derrota em eleição." Lula lembrou das mudanças pelas quais o Brasil passou nos últimos 12 anos. "Eles não conseguem suportar o fato de que, em 12 anos, um presidente que tem apenas o diploma primário colocou mais estudantes na universidades do que eles colocaram em um século. Que esse presidente colocou três vezes e meia mais estudantes em escolas técnicas do que eles em 100 anos. Que levou energia elétrica de graça para 15 milhões de pessoas. Que não deixou eles privatizarem o Banco do Brasil, a Caixa e os bancos do Espírito Santo, de Santa Catarina e do Piauí. Que nos últimos 12 anos nós bancarizamos 70 milhões de pessoas, gente que entrou numa agência bancária pela primeira vez sem ser para pagar uma conta. Acho que isso explica o ódio e a mentira dessas pessoas."

"O cenário hoje não é o ideal e nós sabemos. Eu me preocupo com a inflação, com o desemprego. Mas é importante lembrar que a crise que afeta o Brasil hoje é a mesma que afeta chineses e americanos. Nossa inflação hoje é de 9%, com perspectiva de queda. É importante lembrar que, quando assumimos o governo, ela já estava a 12%, que o desemprego era de 12,5%." O ex-presidente fez questão de deixar claro seu otimismo. "Não tenho medo de ser otimista. Somos um país grande, com uma enorme capacidade de recuperação e um mercado interno de 204 milhões de consumidores. Quem apostar no fracasso deste país vai quebrar a cara".

No Instituto Lula
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Marcelo Odebrecht reuniu-se com Serra no escritório de Verônica


O leitor André Nunes passou a dica para contornar as tarjas pretas no relatório da Polícia Federal sobre as anotações no telefone de Marcelo Odebrecht. O GGN publicou então a informação de que as iniciais JS referiam-se a José Serra. Outros trechos do relatório continuavam ocultos (leia aqui).

Dois outros leitores, Edson Marcon e Domingos Matos seguiram a dica e completaram a limpeza do relatório.

A maior parte das tarjas visava resguardar endereços e telefones de interlocutores. Em alguns casos, ocultaram o agendamento de reuniões e, principalmente, os locais e horários delas.

No caso de JS — o senador José Serra — foram duas reuniões anotadas na agenda.

A primeira, no dia 27 de novembro de 2014, com Serra já eleito senador, no apartamento de um prédio residencial na rua Joaquim Antunes. O encontro foi ás 17 horas. Ainda não se sabe a quem pertence o apartamento.

A segunda, no dia 7 de janeiro de 2015 ás 20:30, em um prédio da rua Arthur Azevedo.

Mesmo sendo horário noturno, o prédio em questão é comercial.

O endereço que consta na agenda é da Pacific Consultoria e da Pacific Investimentos. O leitor Meire da Rocha buscou pelo CNPJ de Verônica Serra e concluiu ser a mesma empresa.

Até agora, Serra não se pronunciou sobre o encontro.

No GGN
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Pela enésima vez a Veja mata Lula numa capa


Pela enésima vez, a Veja mata Lula numa capa.

Agora, a causa mortis seria a delação premiada de Leo Pinheiro, presidente afastado da empreiteira OAS, envolvida no caso Petrobras.

Pinheiro, para fugir a uma pena longa, estaria disposto a contar, segundo a Veja, “segredos devastadores”.

Desnecessário dizer, a Veja já declarou como verdade absoluta qualquer acusação que Pinheiro tenha feito ou possa fazer.

Não está claro ainda, no entanto, se essa alegada delação se transformará em realidade.

Ontem à noite mesmo, a OAS “respeitosamente” desmentiu a Veja.

“Não há nenhuma conversa com o MPF sobre delação premiada nem intenção neste sentido”, diz a nota.

Sinal da perda de credibilidade da revista, na manhã de sábado os “segredos devastadores” não tinham ainda sido noticiados e repercutidos por portais como o UOL e o G1.

Se se pode morrer duas vezes num único fim de semana, a revista Época também matou Lula neste sábado com a “descoberta” de uma conta no exterior.

As duas revistas parecem estar num parque de diversões disputando quem atira mais vezes contra o boneco de Lula.


No DCM
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O deputado que quer a pena de morte preventiva no Brasil não está sozinho

Laerte Bessa
Anote este nome: Larte Bessa.

Se alguém quiser saber como as bancadas da bala e a evangélica estão atirando o Brasil no século passado, é preciso prestar atenção nele.

Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, Bessa, que foi relator da comissão da maioridade penal na Câmara, contou como encontrou uma solução simples e genial para a questão da criminalidade.

“Daqui a uns vinte anos, nós vamos reduzir pra 14, depois pra 12, e vai baixando, até chegar na barriga da mulher”, afirmou.

“Até lá, os cientistas já descobriram uma forma de descobrir se o moleque é criminoso e então não vai deixar nascer. Aí vai resolver o problema”.

A frase foi pinçada pela revista Fórum. Diante da repercussão, Bessa publicou um desmentido, dizendo que nunca “falou em aborto”. O jornalista inglês acabou por colocar no ar o áudio completo da conversa. (veja abaixo).

Na gravação, ouve-se o repórter, estupefato, perguntar ao interlocutor: “Desculpa, você está falando sério?” Sim, claro que estava falando sério. Bessa não se faz de rogado e repete tudo.

O inventor da pena de morte preventiva é deputado pelo PR-DF e ex-delegado. Figura controvertida, valentão de filme do Mazzaroppi, ficou famoso quando chamou para a briga jovens que o vaiavam quando subiu ao palco de um show em 2009. “Tudo vagabundo”, diz ele, ao microfone. (veja abaixo).

A eugenia que está pregando já teve seu momento no Brasil. O artigo 138 da Constituição de 1934 estabelecia o seguinte: “incumbe à União, aos Estados e aos Municípios, nos termos das leis respectivas, estimular a educação eugênica”. Ela deveria ser aplicada a “órfãos e abandonados, pretos ou pardos, débeis ou atrasados”.

Era uma influência do nazismo. Um dos maiores divulgadores desse determinismo biológico, por aqui, era o líder integralista Plínio Salgado. Nos anos 30, o professor, escritor e político Afrânio Peixoto enxergava a segregação de crianças e adolescentes “degenerados” como forma de garantir a “saúde da Nação”.

O eugenismo foi atirado na lata do lixo da história como “teoria científica” depois que a barbárie nazista nos campos de concentração ficou conhecida.

Laerte Bessa é um homem ignorante e provavelmente não saiba de nada disso. É duvidoso que tenha noção de quem seja Plínio Salgado, seu tio espiritual — mas isso talvez seja mais assustador. Talvez tanto quanto saber que ele não está sozinho.

Kiko Nogueira
No DCM




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No Brasil, delações vazam; nos EUA, ainda não sabemos o que disse ou fez J. Hawilla

O juiz Dearie ainda não saiu na capa de revista
A grande maioria dos brasileiros apoia a Operação Lava Jato, dizem as pesquisas. De fato, as empreiteiras, algumas das quais enriqueceram sob a ditadura militar, sempre pairaram impunes nos bastidores de nossa política.

Demonstraram seu poder na Justiça, com a anulação da Operação Castelo de Areia, restrita à Camargo Corrêa. Comprometia gente de praticamente todos os partidos, mas tinha ênfase nas obras paulistas do Rodoanel e do Metrô. Neste caso, a PF teve acesso simplesmente ao livro da contabilidade paralela da empresa! Sobre o assunto, Conceição Lemes escreveu Mídia concentra foco na Lava Jato, mas ignora empreiteiras na Castelo de Areia e no trensalão.

Sempre é bom lembrar que não se trata apenas de corrupção: o poder das empreiteiras é responsável pelo “obrismo”, pela ênfase dos administradores em governar fazendo obras vistosas que dêem retorno eleitoral e garantam financiamento de campanha. Quanto mais cara a obra, maior o retorno.

Neste momento o assunto parece não interessar muito à nossa mídia, mas um olhar sobre a expulsão dos moradores da Vila Autódromo para a construção do Parque Olímpico, no Rio, seria suficiente para demonstrar o escandaloso conluio entre políticos e empreiteiros, em benefício próprio e em detrimento do interesse público.

A consequência natural da Operação Lava Jato deveria ser a aprovação do financiamento público de campanhas. Na mais recente pesquisa da CNT, 78,1% se disseram contra o financiamento por empresas. Porém, como isso não interessa aos conservadores, cujos interesses coincidem com os do setor privado, o assunto não recebe na mídia cobertura equivalente à que recebem as delações premiadas.

Acompanho à distância, através de um blog recomendado pelo repórter investigativo Tony Chastinet, o desenvolvimento da ação do FBI e do Ministério Público dos Estados Unidos no caso FIFA. Nele, uma pessoa não identificada coloca todos os documentos públicos sobre o caso.

Até agora, o juiz federal Raymond Dearie, do tribunal do Brooklyn, só atendeu oficialmente a um pedido da imprensa, tornando público um depoimento do ex-cartola Chuck Blazer, que colabora com as autoridades.

Um grupo de repórteres queria que ele fizesse o mesmo em relação a um dos delatores mais importantes do esquema, o empresário brasileiro J. Hawilla:

Captura de Tela 2015-07-24 às 18.40.21

Porém, até agora o juiz não os atendeu. Por que?

Porque ao FBI e à Promotoria dos Estados Unidos os vazamentos não interessam. E eles argumentam neste sentido junto ao juiz do caso.

Motivos:

1. Os vazamentos têm o potencial de atrapalhar as investigações, ao permitir que os investigados destruam provas ou “convençam” testemunhas durante o desenrolar das apurações;

2. Os vazamentos têm o potencial de cometer injustiças, ao divulgar nomes de pessoas e empresas que ficam imediatamente sob suspeita, mesmo que sejam inocentes.

Logo depois dos indiciamentos no caso FIFA, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, deu uma entrevista coletiva ao lado de autoridades que investigam o caso.

O Departamento de Justiça, o FBI e a Promotoria de Nova York divulgaram notas oficiais. E só.

Não há um espetáculo em torno do caso FIFA nos Estados Unidos — e, como mostra a carta acima, não é por falta de vontade dos jornalistas.

J. Hawilla fez uma aparição no tribunal de Nova York no dia 12 de dezembro de 2014 e até hoje não sabemos detalhadamente o que ele disse! Não sabemos o conteúdo das gravações clandestinas que ele fez com outros investigados, que só serão reveladas — se forem — durante o julgamento.

Enquanto isso, no Brasil, seja pela mão de policiais federais, seja pela mão de procuradores, vaza absolutamente tudo: depoimentos, relatórios e bastidores da operação, não por acaso batizada por alguém nas redes sociais de Vaza Jato.

É o que permite à mídia — e aos delegados e promotores — fazer uma leitura seletiva das denúncias, inclusive de acordo com preferências empresariais ou mesmo pessoais.

Já nos Estados Unidos, Ricardo Teixeira não sabe até agora oficialmente se é alvo ou não do FBI. Numa entrevista ao Terra, ele presume que sim e ataca o ex-parceiro J. Hawilla.

Na denúncia dos promotores norte-americanos, aqueles que ainda não foram indiciados foram identificados nos documentos apenas como “co-conspiradores”. Por um lado, os suspeitos são preservados. Por outro, sem conhecer detalhes do que foi dito por delatores, fica mais difícil tentar obstruir a investigação. Por exemplo, chegando primeiro que a polícia às testemunhas-chave. Nesse sentido, deixar os suspeitos no escuro é a melhor estratégia policial.

Já no Brasil, os vazamentos politizam as operações da PF. Documentos oficiais viram moeda de troca na mão de jornalistas e de políticos.

A única tentativa da Polícia Federal de supostamente proteger investigados foi um desastre, no famoso caso da tarja preta. Segundo informou o Estadão, a PF assim agiu para proteger acusados que têm direito a foro privilegiado. Curiosamente, o nome de ECunha aparece nos registros recolhidos nos celulares do empresário Marcelo Odebrecht. Não recebeu a tarja preta, mas JS recebeu.

“Adiantar 15 p/ JS”, está escrito lá. JS é José Serra.

No mais, é um vale-tudo.

O objetivo de policiais e promotores é óbvio. Acusações gravíssimas replicadas como se fossem verdade factual pela mídia podem mais tarde justificar uma condenação sem que haja a necessária robustez de provas: é o clamor da opinião publicada. A mídia a serviço da Justiça e a Justiça a serviço da mídia são uma deformação institucional gravíssima. Há repórteres com promotores e delegados literalmente de bolso — e vice-versa. Ao fim e ao cabo, são os barões midiáticos a decidir se a Lava Jato interessa mais ao público que a Operação Zelotes e o caso do HSBC.

Na Suiça, mesmo depois do acordo pelo qual Ricardo Teixeira e João Havelange devolveram parte do dinheiro recebido como propina, o promotor-juiz Thomas Hildbrand teve o cuidado de usar códigos para não associar pessoas e empresas inocentes aos crimes dos quais foram acusados os cartolas. Isso depois de terminado o processo!

Curiosamente, o procurador Deltan Dallagnol, ao fazer um balanço da Lava Jato nesta sexta-feira, parece ter se incomodado com o fato de a Odebrecht se defender publicamente, através de notas na imprensa. Ele disse: “Nós nos aproximamos da verdade por meio de provas e documentos, e não por meio de notas à imprensa”. Ou seja, ele nega interesse na batalha da informação ao mesmo tempo em que dá uma entrevista coletiva com grande estardalhaço!

Dallagnol também disse: “Ninguém está acima da lei”.

Repete, assim, a capa da revista Época, que poderia ter usado a frase abaixo perfeitamente com as fotos dos irmãos Marinho, pegos em flagrante pela Receita Federal em milionária sonegação. Mas, para a mídia, só existe corrupção na ou por causa da esfera pública.

Captura de Tela 2015-07-24 às 20.06.21

O Ministério Público e a Polícia Federal deveriam ser os primeiros a combater os vazamentos da Lava Jato, pois são eles que abrem espaço ao justiçamento midiático e às consequências políticas dele.

Na pesquisa da CNT a que me referi no topo — aquela que deu 7,7% de aprovação a Dilma e 4,8% à imprensa —, um detalhe curioso chamou a atenção.

Dos entrevistados, 69,2% consideraram a presidente Dilma culpada pela corrupção na Petrobras, 65% atribuiram a culpa ao ex-presidente Lula e apenas 3,5% às construtoras.

Isso mesmo: os corruptores privados, muitos dos quais estão presos, escapam praticamente impunes no tribunal da opinião pública. Resultado óbvio de uma cobertura distorcida, quando não partidarizada, abastecida 24 horas por dia por vazamentos seletivos que atropelam a presunção da inocência.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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