24 de jul de 2015

A súbita revolta de Galvão Bueno com a CBF é uma história mal contada

Tutti buona gente
Galvão Bueno tem feito o que colunistas de TV chamam de “duras críticas” ao presidente da CBF, Marco Polo del Nero, em seu programa “Bem, Amigos”. (assista abaixo).

A mais recente delas foi por ocasião da ausência do cartola na reunião da Fifa em Zurique. Depois de se lamentar “como atleta que fui”, alguém que “ vive o esporte desde que se entende por gente”, Galvão pontuou que estava indignado.

“Ele tem vários cargos de importância na Fifa: é presidente do Comitê do Futebol de Areia, terminou ontem o Campeonato Mundial em Portugal e ele não foi”, falou.

O comentarista Caio Ribeiro, como sempre no papel de escada, pediu a renúncia do dirigente. “A verdade é uma só: ele não tá pensando no dia seguinte, tá pensando na sobrevivência dele, então talvez hoje, nesse momento, não esteja apto a ocupar o cargo que ocupa’’.

Então Galvão Bueno, locutor das partidas da seleção desde tempos imemoriais, está revoltado com os escândalos do futebol brasileiro. Mas por que agora?

O motivo mais óbvio é o prejuízo que a derrocada do time causa à Globo. Graças ao fiasco na Copa América, a Globo não terá o Brasil na Copa das Confederações no ano que vem.

Os direitos para transmitir os mundiais da Rússia e do Catar foram garantidos numa boa, numa negociação sem licitação, como um reconhecimento da antiga e rentável parceria entre CBF, Fifa e Globo. E se a equipe de Dunga não se classificar?

Agora, simular aversão às práticas de Del Nero é um pouco demais. Se ele é ladrão, Ricardo Teixeira é o quê? Sem Teixeira não haveria Marin ou Del Nero. Ele fez miséria durante anos, sem que Galvão Bueno ou qualquer de seus colegas abrisse o bico.

O recado agora, antes de ser de alguém preocupado com os rumos do esporte, é de um sócio — ou porta-voz da sócia, a Globo.

A diatribe de GB é tão estapafúrdia quanto a de Zeca Camargo. Zeca é autor de um dos mais formidáveis besteirois da jornalismo moderno. A “crônica” na Globo News em que misturou a comoção pela morte de um cantor sertanejo que ele não conhecia com o nosso suposto “abismo cultural”, fechando com a mania de livros para colorir, é um clássico do nonsense.

Zeca, veja bem, apresenta um programa de bastidores de novelas. A exploração da tragédia com Cristiano Araújo foi enorme, sem dúvida — principalmente na Globo. O G1, por exemplo, está dando até agora qualquer coisa remotamente relativa a isso, como uma entrevista com familiares da namorada do rapaz.

Galvão e Zeca fariam um favor a seu público, e sobretudo a si mesmos, se parassem de fingir que não trabalham onde trabalham.

Kiko Nogueira
No DCM







Teixeira: J. Hawilla mente e age por vingança


Trinta quilos mais magro em decorrência de problemas renais, hoje sob controle, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira está convicto de que é um dos alvos da operação deflagrada recentemente pelo FBI e polícia suíça contra a corrupção no futebol. O motivo? Uma suposta "deslealdade" de um dos seus mais antigos parceiros no mundo do esporte: José Hawilla, dono da Traffic do Brasil.

Teixeira é acusado de ter recebido propina em acordos comerciais para a exploração da Copa do Brasil. A denúncia partiu de J. Hawilla e atinge também o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, e um de seus vices, José Maria Marin, preso na Suíça desde 27 de maio. Em entrevista exclusiva ao Terra concedida no Leblon, zona sul do Rio, Teixeira desqualificou as acusações.

"O dono da Traffic do Brasil mentiu deslavadamente (para a justiça americana). Disse, por exemplo, que eu fui aos Estados Unidos negociar um novo contrato para a Copa do Brasil em 2011. Basta consultar meu passaporte, para ver se existe essa viagem. Ele disse que eu recebi propina por essa transação. Mentira. Cadê o dinheiro? Foi depositado em que banco, em que agência? Ele age por pura vingança", afirmou Ricardo Teixeira.

De acordo com o ex-presidente da CBF, J. Hawilla passou a atirar para todos os lados por não ter se conformado com a exclusão de sua empresa, a maior de marketing esportivo do País, nos contratos da Copa América, Copa do Brasil e parte das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo. A ruptura teria começado em fevereiro de 2011, quando o comitê executivo da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) começou a questionar os valores pagos pela Traffic para comercializar a Copa América - naquele ano, cerca de US$ 18 milhões por edição do evento.

"Com medo de perder aquela competição, a Traffic então ofereceu US$ 40 milhões. Isso despertou ainda mais a ira do comitê. O sentimento foi o seguinte: se a empresa propõe subir de 18 para 40 é porque está lucrando em exorbitância e estamos todos sendo enganados por muito tempo. Então todos ali decidiram não mais fechar contrato com a Traffic", revelou Teixeira.

J. Hawilla, de 71 anos, é ex-jornalista e fez um acordo de colaboração com a Justiça americana para as investigações de corrupção na Fifa . Ele confessou os crimes de extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, obstrução da justiça e concordou com a devolução (ou pagamento de multas) de US$ 151 milhões (R$ 473 milhões).

O advogado de Hawilla, José Luis Oliveira Lima, se manifestou nesta quinta-feira sobre a entrevista de Teixeira ao Terra . “J. Hawilla afirma que as declarações do Sr. Ricardo Teixeira não correspondem à verdade. Hawilla, porém, apoia as investigações em curso nos Estados Unidos e, por conta de tal processo, está impedido de se manifestar publicamente neste momento", declarou, por meio de sua assessoria de imprensa.

Teixeira e Hawilla sempre mantiveram relação muito próxima. O empresário explorava os direitos comerciais da Copa do Brasil desde 1990, um ano após o dirigente assumir a presidência da CBF. Foi Hawilla também quem intermediou o primeiro grande contrato milionário da confederação com um patrocinador, a Nike, em 1996 — um feito que Teixeira gostava de ressaltar citando o nome do então aliado.

Por uma parceria de dez anos, a empresa americana se dispôs a pagar US$ 160 milhões à entidade. Em 1998, a Conmebol criou a Copa Mercosul, também "gerida" por Hawilla. Para que houvesse times brasileiros na competição, o que a tornaria mais rentável, houve consentimento da CBF.

Um salto no tempo

Em 2011, Ricardo Teixeira e o então presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA), Julio Grondona, que já morreu, eram os únicos mandatários das dez principais entidades nacionais do futebol da América do Sul que não dispunham de assento no comitê executivo da Conmebol. Marco Polo Del Nero representava o Brasil, e Eduardo Deluca, o país do sul do continente. No final daquele ano, a Conmebol obteve informações de que a Traffic teve um faturamento próximo a US$ 90 milhões pelos direitos da Copa América disputada meses antes, na Argentina.

Após o rompimento, a empresa processou a confederação sul-americana e todas as dez federações nacionais, incluindo a CBF, por quebra de contrato. Como resposta, contou Teixeira, a Conmebol emitiu uma nota em 24 de novembro de 2011 considerando J. Hawilla "persona non grata" e tornando pública sua decisão de não mais se associar à Traffic do Brasil.

Sem a Copa América, Hawilla viu também ruir outra fonte bem lucrativa: a Copa do Brasil. No rastro da Conmebol, Teixeira resolveu tomar a mesma medida. Consultou o diretor jurídico da CBF, Carlos Eugenio Lopes, sobre a viabilidade de desfazer o contrato com a Traffic. Mas o parecer dele, datado de 1 de dezembro de 2011, foi favorável à manutenção do vínculo até o fim (2015).

“O Carlos Eugenio, resumindo aqui, disse que eu não tinha um argumento referente à Copa do Brasil para romper com a Traffic. Que eu estava baseado num problema relacionado à Copa América. Pois bem, mantivemos em vigor o acordo até 2015, mas em 8 de dezembro de 2011 eu firmei contrato com a outra empresa nacional de referência no marketing esportivo, a Klefer (para explorar comercialmente a Copa do Brasil de 2015 a 2022)", disse Teixeira, que explica: "a proposta era vantajosa para a CBF, com US$ 18,5 milhões a mais do que o contrato da Traffic".

"Do parecer jurídico até a assinatura do contrato com a Klefer se passaram apenas sete dias, um prazo exíguo, e ele (Hawilla) ainda disse que eu negociei isso nos Estados Unidos. Como, se o visto americano no meu passaporte foi concedido apenas em 13 de dezembro de 2011? Além disso, eu deixei a CBF em março de 2012. Não tem cabimento dizer que houve um acerto para eu receber uma comissão especial de um negócio que só começaria em 2015. De onde ele (J. Hawilla) tirou isso?”, acrescentou.

A Klefer, cujo dono é o ex-radialista e ex-presidente do Flamengo Kleber Leite, e a Traffic formalizaram parceria em agosto de 2012 para dividir os direitos da Copa do Brasil de 2013 a 2022.

Silvio Barsetti
No Terra
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Como o monopólio da Globo ajuda a destruir o futebol brasileiro


No Brasil, clubes e federações dependem cada vez mais das emissoras para sobreviver. Direitos de transmissão e direitos de imagem — pagos pelas TVs — superam qualquer tipo de receita. Essa dependência, bem como os recentes escândalos envolvendo o mundo do futebol, são objeto de debate no Ver TV.

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A delação premiada é a versão policial do suborno

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=135

Sem a delação premiada a Lava Jato não chegaria a lugar algum. O estratagema ajusta a reais procedimentos policiais as regras do jogo conhecido como “dilema do prisioneiro”. Dois ou mais suspeitos são mantidos reclusos e separados, decidindo, cada um por si, guardar silêncio, obtendo penas modestas por ausência de confissões. Se só um deles, contudo, abrir a boca, receberá leve condenação, arcando os demais com prisão mais extensa do que se todos, como na primeira hipótese, resistissem ao suborno da redução da pena em troca da delação. Isolados e pressionados, a escolha individual que evita o provável destino de ser o único bode expiatório é ceder ao suborno da delação. Depois da primeira, a sucessão de delações é obviamente inevitável, com as compensações prometidas, mas ainda assim com penas superiores às aplicadas na hipótese do silêncio geral. Eis porque as organizações mafiosas administram sistema paralelo de justiça, infligindo penas mortais ao delator e sua família, compensando ao modo mafioso o sofrimento do leal e firme companheiro que se manteve calado.

O jogo é sujo, acrescenta aos condenados a cicatriz envergonhada de uma vontade tíbia e o estigmatiza sem expectativa de redenção social. Mas é consistente com a ética consequencialista do capitalismo, desde que jogado de forma impecável. Por exemplo, não cabe nas regras o carcereiro arbitrar quais delações serão aceitas, ainda que todas igualmente comprovadas, como parece vem acontecendo na Lava Jato. Também viola as regras do jogo aceitar delações sabidamente falsas ou controversas por permitirem enredar terceiros que, de outro modo, estariam protegidos pela legislação contra invasões e prisões preventivas. As mesmas prisões preventivas que instalam o dilema do prisioneiro para os suspeitos, expondo-os ao suborno da delação premiada.

Não me solidarizo com formadores de cartel, com ladrões de recursos públicos e dissipadores do prestígio das empresas privadas e estatais brasileiras. Mas há muito além disso no espetaculoso folhetim em que os responsáveis pela investigação transformaram o processo. Parece-me indispensável que as cortes, em alguma instância, promovam um processo do processo e que a Lava Jato e seus confederados comprovem, com ou sem delação premiada, que a justiça positiva não foi comprometida em nome da discutível ética consequencialista de especial querência de alguns.
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Coordenador vê golpismo fracassar no 3º turno no TSE


Coordenador jurídico que atua na defesa da chapa de Dilma e seu vice, Michel Temer, se diz otimista diante do desenrolar do processo movido pelo PSDB no TSE pedindo cassação da chapa vencedora

Além da defesa perante o Tribunal de Contas da União, protocolada na corte ontem (22) pelo advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, o governo Dilma Rousseff atua em um segundo front para tentar vencer também o chamado “terceiro turno” das eleições de 2014 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Flávio Crocce Caetano, coordenador jurídico que atua na defesa da chapa Com a força do povo, de Dilma e seu vice, Michel Temer, eleita em outubro, se diz otimista diante do desenrolar do processo no TSE, mesmo diante da expectativa do depoimento ao tribunal do dono da UTC, Ricardo Pessoa, cuja data ainda não foi definida. Pessoa é no momento a única peça na qual a oposição aposta suas fichas para desencadear um golpe com roupagem jurídica.

O ministro João Otávio Noronha, relator da principal ação que pretende cassar o mandato de Dilma e Temer, resolveu marcar o depoimento de Pessoa porque ele foi citado no depoimento do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. O processo está suspenso para que o STF decida se Pessoa pode falar como testemunha no TSE.

A audiência da Justiça Eleitoral que ouviria Ricardo Pessoa no dia 14 passado foi suspensa porque o acordo de delação premiada feito pelos advogados de Pessoa com o Ministério Público está sob sigilo. A decisão se o empresário poderá ou não depor cabe ao ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Se o ainda desconhecido teor do que dirá o empresário não trouxer nada de novo, as três ações em que o PSDB pede a cassação da presidenta e do vice devem ser consideradas improcedentes pelo TSE. "As ações trazem um conjunto de fatos que já foram discutidos pelo tribunal, quando o TSE deu ganho de causa à nossa candidatura”, diz Caetano.

O advogado se refere ao julgamento em que o TSE deu vitória à chapa Dilma-Temer por unanimidade, por 7 votos a 0, em dezembro, com parecer favorável do Ministério Público. "Portanto, não houve nenhuma voz dissonante no tribunal em relação às contas da presidente, nem do relator, o ministro Gilmar Mendes. Quando o tribunal vota unânime, com o MP junto, é muito difícil que tenha uma posição diferente ao olhar os mesmos fatos."

O PSDB quer a cassação da chapa vencedora e que seja empossada a derrotada, formada pelos tucanos Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira. “Nunca houve uma ação dessa no TSE envolvendo presidente da República. Já existiu envolvendo prefeito e governador e o tribunal, em situações como essa, não tem decidido que simplesmente se troque um pelo outro. Tem decidido que se façam novas eleições em 90 dias”, diz Caetano.

O advogado afirma não temer que a pressão política possa influenciar o julgamento do TSE. “Estamos muito confiantes, porque o tribunal tem sido absolutamente imparcial, isento, rigoroso. Foi assim durante a campanha, nas eleições, quando aprovou nossas contas.”

TCU

Ontem, Luís Inácio Adams protocolou a defesa de Dilma no Tribunal de Contas da União, que questiona irregularidades e suposto descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal e da Lei Orçamentária na prestação de contas de 2014, que a mídia e a oposição chamam de “pedaladas fiscais”.

Assim como é inédito o TSE julgar uma ação tentando impugnar uma chapa vencedora na eleição presidencial, “é a primeira vez na história que o Tribunal de Contas da União dá prazo a um chefe de Estado e chefe de governo da República”, disse ontem à RBA o jurista Luiz Moreira.

Eduardo Maretti
No RBA
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STJ pressiona Moro contra prisão de empreiteiros


O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Francisco Falcão, determinou que o juiz Sérgio Moro, da Lava Jato, explique em um prazo de cinco dias por que manteve a prisão de empreiteiros alvos das operação, como Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht, e Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez.

Os dois estão presos desde o dia 19 de junho, pela 14ª fase da Operação, na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Neste sábado, eles devem ser transferidos para um presídio comum, a pedido da PF, o Complexo Médico-Penal de Pinhais, na região metropolitana da capital do Paraná.

A decisão do STJ determina ainda que, depois do recebimento das informações de Moro, os pedidos de liberdade dos dois executivos sejam analisados diretamente pela Quinta Turma do tribunal na primeira sessão após o recesso, em agosto. A determinação vale também para Elton Negrão, executivo da Andrade, e Jorge Luiz Zelada, ex-diretor da Petrobras.

Moro: Odebrecht livre traz “risco à ordem pública”


O juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos ligados à Operação Lava Jato, vê "risco à ordem pública" caso o presidente da Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, seja colocado em liberdade. O executivo foi preso na 14ª fase da investigação, no dia 19 de junho.

A manifestação de Moro consta no despacho que determinou a nova prisão de Marcelo e outros executivos envolvidos no esquema de corrupção. Ele também lembrou, no documento, que as empresas do grupo "permanecem com contratos ativos com a Petrobras, inclusive com suspeitas de sobrepreço".

Segundo o juiz, há ainda "risco à aplicação da lei penal, notadamente em relação ao investigado Márcio Faria (um dos executivos), seja pelo risco concreto de fuga, seja pela frustração do sequestro e confisco de ativos".
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Cedraz nomeou concunhado do filho no TCU

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz
Presidente do tribunal de contas indicou para secretaria da corte Daniel Maia, casado com a irmã da mulher de Tiago Cedraz

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, nomeou o concunhado de seu filho, Tiago Cedraz, para chefiar a secretaria da corte de contas responsável por processos da área de energia elétrica. Daniel Maia, atual secretário da Seinfra Elétrica, é casado com a irmã da mulher de Tiago. Sua nomeação ocorreu em janeiro deste ano.

A Seinfra Elétrica é responsável por fiscalizar e auditar projetos de energia elétrica. Tiago tem um escritório de advocacia com atuação no tribunal. Segundo levantamento de técnicos da corte, advogados que integram ou integraram a banca têm procurações em ao menos 130 processos, entre eles os desse setor.

O escritório foi alvo da Operação Politeia, da Polícia Federal, que apura suposto tráfico de influência de Tiago na corte. Em depoimento, o dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou ter negociado pagamento de R$ 1 milhão com o advogado para que um caso de seu interesse, que envolvia licitação para obras na usina de Angra 3, fluísse.

Tiago nega irregularidades, sustenta que não atuou para a empreiteira na corte e afirma que processará Pessoa.

O TCU, após pressão de seus auditores, anunciou ontem uma "apuração preliminar" para investigar o caso. Segundo autoridades da corte ouvidas pelo Estado, Tiago participou da escolha da equipe do pai, visitando gabinetes de ministros, no início do ano, em busca de nomes para compor as secretarias do tribunal.

'Critérios técnicos'

Em nota, o TCU alegou que, para a nomeação de Maia, "adotou como base critérios técnicos" e que a indicação foi uma decisão colegiada da Comissão de Coordenação-Geral do TCU, a qual reúne três secretários gerais, além do gabinete da presidência e da secretaria de planejamento.

A corte informou que Maia é auditor concursado desde 2008 e que trabalhou na Secretaria de Controle Externo do TCU especializada no setor elétrico entre 2008 e 2013. Nessa secretaria, atuou no cargo de diretor titular ao longo de 2013 e coordenou fiscalizações sobre o setor elétrico. Antes de Aroldo Cedraz nomeá-lo, Maia foi assessor da Secretaria Geral de Controle Externo.

Tiago nega relação com indicações no TCU. Em nota, sua assessoria de imprensa informou que não há "grau direto ou indireto" de parentesco entre o advogado e o concunhado. "A relação entre ambos não envolve nenhuma aproximação profissional."

André Borges e Fábio Fabrini
No O Estado de S.Paulo
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A greve geral dos petroleiros e o noticiário da Globo

 O que é: 


Paralisação é uma advertência contra desinvestimentos da Petrobras e repúdio ao projeto de Serra para entrega do pré-sal

Os petroleiros promovem nesta sexta-feira (24), em todo o país, 24 horas de greve em defesa da manutenção dos investimentos na Petrobrás e contra o novo Plano de Gestão e Negócios aprovado pelo Conselho de Administração da empresa. A expectativa é que cerca de 60 mil trabalhadores cruzem os braços.

O novo plano é uma ameaça clara à sobrevivência da empresa como estatal, na medida em que prevê cortes de 89 bilhões de dólares em investimentos e despesas, além da venda de ativos de patrimônio da ordem de 57 bilhões de dólares.

A greve nacional de 24 horas é uma advertência da categoria à atual política da gerência que pode desmantelar o Sistema Petrobrás, pondo em risco milhares de empregos, especialmente os dos terceirizados da companhia e suas subsidiárias. Em todos os sindicatos, as bases estão aprovando por amplíssima maioria a indicação de paralisação da FUP.

A paralisação também repudiará o Projeto de Lei do Senado (PLS) 31/2015, que muda o regime de partilha na exploração do pré-sal. A mobilização da categoria derrubou a urgência para o texto, que agora será discutido durante 45 dias em uma Comissão Especial no Congresso Nacional. A seguir, o projeto volta ao plenário do Senado para apreciação, sob vigilância da federação dos petroleiros, que retomará a mobilização em Brasília a partir da primeira semana de agosto, quando termina o recesso no Congresso.

A proposta do senador José Serra (PSDB-SP) retira a obrigatoriedade de a Petrobras entrar com aos menos 30% dos investimentos na perfuração dos blocos e ser a operadora única da camada do pré-sal, conforme determina a Lei de Partilha nº 12.351/2010.

Durante a 5ª Plenária Nacional da FUP (Federação Única dos Petroleiros), na qual os trabalhadores costumam definir a pauta da campanha salarial que tem data-base em 1º de setembro, a categoria deliberou priorizar a luta contra o projeto e contra a venda de ativos da Petrobras.

Confira as reivindicações dos petroleiros

1 – Manutenção de todos os direitos dos trabalhadores.

2 – Recomposição do efetivo.

3 – Nova estrutura organizacional.

4 – Nova política de saúde, meio ambiente e segurança.

5 – Manutenção da Petrobrás Distribuidora S/A.

6 – Manutenção dos investimentos nos campos maduros.

7 – Incorporação integral de unidades controladas e subsidiárias (Entre elas a Transpetro).

8 – Conclusão dos projetos iniciados em 2014 (Abreu e Lima, Comperj, Fafen e plataformas).

9 – Manutenção dos investimentos na indústria nacional.

10 – Disponibilidade Unidades Termelétricas para atendimento das necessidades do País.

11 – Manifestação de plena condição e de interesse em permanecer como operadora única dos campos do pré-sal.

 Como a Globo noticia:  

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Lula é acusado de fazer lobby por Luiz Inácio

Lula recebe o título Honoris Causa Própria
EXTERIOR - Documentos obtidos com exclusividade pelo piauí Herald mostram que Lula agiu para promover Luiz Inácio no exterior. "Foram entrevistas, conferências, duetos com Bono Vox e turnês por Portugal e Cuba", revelaram telegramas diplomáticos trocados entre chefes de postos brasileiros no exterior e o Ministério das Relações Exteriores. "Nunca antes na história mundial, um ex-presidente em exercício foi tão pró-ativo no intuito de divulgar a si mesmo", concluiu o Itamaraty.

Lula também é acusado de usar estratégias inovadoras para lucrar com a autopromoção. "Há rumores de que tenha recebido recursos da Ambev para adotar a alcunha de Brahma, numa brilhante ação que misturou naming rights e branded content", explicou Nizan Guanaes. "Sem falar na viralização do comunismo", completou.

Mensagens capturadas do celular de Marcelo Odebrecht mostram que a empreiteira contratou Lula para promover Luiz Inácio em 13 palestras.

No The i-Piauí Herald
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Jô Soares reclama da Globo


Na madrugada desta quinta-feira (23), o apresentador Jô Soares reclamou explicitamente da redução do horário do seu programa na TV Globo. Conforme registro do site Yahoo!, durante o encerramento do quadro "Meninas do Jô" — que reúne algumas das jornalistas mais serviçais da emissora —, ele se queixou, ao vivo, da garfada de 25 minutos na atração. "Uma das coisas que mais me aflige é fazer esse programa mais curto", afirmou. O Portal Imprensa também destacou a reclamação e ainda apimentou o caso: "Nos bastidores, Jô Soares já mostrava sua insatisfação com a mudança promovida na atração que, desde o começo da temporada 2015, tem duração de 50 minutos de transmissão".

A direção do império global ainda não explicou os reais motivos da redução do tempo do programa. Mas a especulação já corre solta nas redes sociais. Muitos lembram que o apresentador global tem destoado abertamente da linha editorial da famiglia Marinho. Ele já fez várias vezes a defesa do mandato de Dilma Rousseff, detonando os setores golpistas que exigem o seu impeachment e pedem a volta das militares ao poder. A sua postura mais independente resultou inclusive em uma entrevista exclusiva com a presidenta. Ela também rendeu duras críticas dos "calunistas" da mídia e das hordas fascistas — que chegaram a fazer uma pichação em frente a sua residência: "Morra Jô Soares".

Diante das ameaças, a direção do império até anunciou que reforçaria a segurança do apresentador global. Ao mesmo tempo, porém, até parece que é a própria TV Globo que deseja asfixiar Jô Soares!

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A estranha renúncia de Catta Preta

Ela


Causa estranhamento a renúncia da advogada Beatriz Catta Preta aos casos defendidos na Lava Jato; ela foi defensora de Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa e Júlio Camargo.

Beatriz Catta Preta, a advogada dos mais incisivos delatores da Lava Jato, não mais que de repente abandonou os clientes e vai partir para Miami. Ela foi a responsável pelas negociações das delações de Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco e Júlio Camargo; este último provocou-lhe a deserção. Desde a última sexta-feira (17) em que o empresário da Toyo Setal delatou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a advogada repensou a possibilidade de se manter na defesa.

A teoria da conspiração não está muito longe da realidade e os analistas políticos estão queimando os pinos para descobrir o que está por trás desta renúncia. O fato é que a imprensa começou a estrinçar o assunto. Segundo a Folha de S. Paulo, Catta Preta passou a sofrer pressão de aliados de Cunha. Integrante da CPI da Petrobras, o deputado Celso Pansera (PMDB-RJ) apresentou dois requerimentos relativos à advogada.

O primeiro deles determinou que ela fosse convocada para explicar a origem do dinheiro que recebeu como pagamento dos réus da Lava Jato. No outro, dirigido a uma juíza do Paraná, exigiu a lista de todos os clientes da criminalista. Este mesmo deputado Pansera agiu contra outros personagens da operação. Pediu a quebra do sigilo de parentes do doleiro Alberto Youssef — que também citou Cunha como beneficiário do esquema — e a convocação do filho de Julio Camargo à CPI.

A advogada informou aos seus clientes que eles têm até o dia 30 de julho para constituir um novo defensor. Ainda de acordo com a Folha de S. Paulo, no meio jurídico onde Catta Preta costuma ser atacada por críticos da delação premiada, especula-se que seus honorários estão entre R$ 2,5 milhões e R$ 5 milhões por causa.
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A entrevista de Joaquim Levy



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Ex-Senador procurado pela Interpol, é preso em Balneário Camboriú



A Agência de Inteligência do 12º BPM, em ação conjunta com a Polícia Federal, prendeu nesta quarta-feira (22), às 18h30, em uma adega de vinhos localizada na área Central de Balneário Camboriú, o ex-senador (PMDB-RO) da República e empresário Mário Calixto Filho.

O ex-senador é foragido da justiça e estava sendo procurado pela INTERPOL, a Polícia Internacional. Pesa contra ele uma condenação de 12 anos pelo crime de peculato, bem como diversos processos em andamento.

O ex-senador já foi apontado pelo Ministério Público de Rondônia (MP-RO) como líder do esquema de empresas fantasmas utilizadas pelo jornal impresso Estadão do Norte, para fraudar contratos com órgãos públicos em Rondônia. O esquema foi revelado na Operação Ardina, realizada na data de 12/05/2015 pelo MP e Polícia Civil. Quatro pessoas foram presas temporariamente. Mário Calixto Filho estava foragido e o nome dele está na lista de procurados pela Interpol.

Das quatro pessoas presas, uma é parente de Mário Calixto Filho, segundo o MP. O ex-senador já tem outro mandado de prisão expedido pela Justiça Federal, em 2013, por estar envolvido em uma quadrilha especializada em falsificar dinheiro e documentos para obter vantagens em instituições financeiras e comércio. A quadrilha foi desmantelada pela Operação Zagan, deflagrada pela Polícia Federal. Mário Calixto Filho estava foragido desde então.

Segundo o MP de RO, o ex-senador comandava e ordenava todo o esquema de empresas laranjas em Rondônia, mesmo foragido, e chegou a fazer ameaças de morte.
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Como Pulitzer avaliaria a imprensa brasileira?

Pulitzer, retratado pelo grande pintor John Singer Sargent em 1909,
dois anos antes de sua morte
“Acima do conhecimento, acima das notícias, acima da inteligência, o coração e a alma de um jornal residem em seu senso moral, sua coragem, sua integridade, sua humanidade, sua simpatia pelos oprimidos, sua independência, sua devoção ao bem estar público, sua disposição em servir à sociedade.”

A frase acima tem mais de cem anos, e é de autoria de um dos maiores jornalistas da história, Joseph Pulitzer.

Reencontrei-a ao reler A Vida e a Morte dos Barões da Imprensa, de Piers Brendon.

E refleti sobre ela.

Me ocorreu o seguinte: como Pulitzer, uma colossal referência em jornalismo ético, avaliaria a imprensa brasileira, de acordo com os valores estampados na sentença inicial deste artigo?

Numa escala de zero a dez, ele daria à mídia nacional provavelmente uma nota próxima de zero.

Defender os desvalidos, os oprimidos? Ora, esqueça. Num caso antológico, o Globo, pouco antes do Golpe, definiu o 13º estabelecido por João Goulart como uma “calamidade”.

O mesmo Globo, agora, se bateu pela terceirização e, consequentemente, pela subtração de direitos trabalhistas.

Mesmo antes de se tornar o panfleto canalha que é, a Veja defendeu por determinação de Roberto Civita estridentemente, durante anos, a redução desses mesmos direitos. Eles eram o amaldiçoado “Custo Brasil”.

A Folha leva à prática a supressão desses direitos. Boa parte de seus jornalistas mais caros são PJ, uma forma de sonegar.

É algo que a Globo também faz.

As empresas contam, para essa transgressão, com a tradicional impunidade dada a elas por um Estado Babá. (Babá delas, naturalmente.)

E a humanidade de que falava Pulitzer? Pausa para gargalhar. As corporações jornalísticas exalam ódio, sobretudo contra quem, de alguma forma, defende os desvalidos.

Bem, podemos dispensar uma análise sobre a “devoção ao bem estar público”, já que o único bem estar que interessa aos donos da imprensa brasileira é o deles próprios e o de seus amigos e aliados.

Quando você viu ao menos uma campanha em jornais e revistas contra a desigualdade social?

Nunca. E jamais verá, não com as pessoas que estão no comando das empresas de jornalismo.

Tudo considerado, não há um único item em que a imprensa brasileira vá bem no conjunto de qualidades jornalísticas tão bem armado por Pulitzer.

Em compensação, ela se encaixa à perfeição em outra sentença de Pulitzer.

Ei-la.

“Uma imprensa cínica, mercenária, demagógica vai formar, com o tempo, leitores tão baixos quanto ela própria.”

Paulo Nogueira
No DCM
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Dalmo Dallari: não vai haver golpe nem impeachment

“Realmente estou tranquilo”, diz o jurista, um dos artífices da Constituição
Dalmo Dallari e o paradoxo: Como não respeitam a Constituição, não têm interesse em revogá-la
“Aqui eu moro na roça”, diz Dalmo Dallari, ao nos receber em sua casa com jeito de morada no campo, encravada num bairro totalmente urbano na capital de São Paulo. Árvores frutíferas, pássaros, gatos e um lago artificial compõem o cenário bucólico, vez ou outra contrastado com o barulho dos jatos que passam a baixa altitude.

Não bastasse seu ar sereno, ele faz questão de afirmar: “Eu estou absolutamente tranquilo quanto à manutenção da ordem brasileira”. O jurista e professor, que entre 1986 e 1988 percorreu o Brasil articulando a participação popular na feitura da Constituição, continua com os pés e os olhos nas ruas e diz que Dilma seguirá em seu mandato até o final.

Sua segurança é tanta que sugere retirar a palavra impeachment da pauta.

Saiba o porquê lendo os principais trechos da entrevista:

Professor, como o senhor tem visto a conjuntura política: sequências como o comportamento do presidente da Câmara e essa mensagem constante na imprensa sobre a tese do impeachment, da derrubada iminente da presidenta? Qual sua avaliação? O sr. vê possibilidade de ruptura, de quebra do Estado de Direito?

Nesse ponto eu estou tranquilo. Não vejo possibilidade de ruptura, de quebra da ordem constitucional, entre outras coisas porque os que hoje atuam mais fortemente na política brasileira não têm o mínimo respeito pela Constituição. Então, para eles, ter ou não a Constituição, mudar as regras, isso não tem a mínima importância. Eles fazem pequenos ajustes, só para dar uma aparência de constitucionalidade, de legalidade, mas, esse é o ponto essencial, os que hoje fazem o jogo político, que dele tiram vantagem, não têm necessidade de suspensão da Constituição.

Esse é um paradoxo, uma contradição, mas ao mesmo tempo, um ponto tranquilizador. Como eles não respeitam a Constituição, eles não têm interesse em revogar a Constituição. Revogá-la daria muito trabalho, é muito arriscado, poderia gerar reações violentas, então não interessa.

A minha conclusão é que não existe risco porque não há interesse. Não há uma só força, uma corrente, interessada na suspensão da ordem constitucional formal. Eles na verdade desrespeitam, e o Eduardo Cunha é um exemplo evidente disso, como dias atrás, repetindo votações, isso é absolutamente inconstitucional.

É como tenho escrito no único espaço que me restou na imprensa, que é a versão eletrônica do JB, nós não temos parlamentares, temos “paralamentares”. E tanto a Câmara quanto o Senado têm dado demonstrações disso: são absolutamente lamentáveis. Não há nenhuma grande liderança, não há nenhum partido coeso, com posições definidas, e com fidelidade à programação partidária. Isso realmente desapareceu.

Mas esse é o grande paradoxo: isso tira o risco de um golpe. Porque ninguém tem interesse no golpe.

O sr. falava de desrespeito sistemático à Constituição. Para o sr. que foi um especialista e um militante que atuou intensamente na elaboração da atual Constituição, como se sente ao ver esse desrespeito?

Na verdade é profundamente lamentável. De qualquer maneira eu fico feliz de que a Constituição continue em vigor, com conteúdo absolutamente humanista, democrático, e isso é uma conquista do povo brasileiro. Então é muito importante que ela seja preservada. Eu quero lembrar que participei efetivamente da Constituição, discursei em plenário, mas como um constituinte cidadão. Sem mandato. Porque eu fui convidado para participar formalmente, mas para isso eu teria de ter filiação partidária, e eu não queria. Não fui e não sou filiado a partido algum existente no Brasil. Isso para mim é fundamental, pois eu sou um jurista e um professor, então é muito importante a minha independência e autonomia, e quero que meus alunos acreditem nisso. Eu estou falando por convicção, meus valores têm como base a dignidade da pessoa humana. Em termos didáticos, em termos de ação política, os grandes valores são a Justiça e o Direito. É isso que me direciona. Quando faço análise, avaliação do comportamento do político, eu parto desses pressupostos: o quanto eles estão coerentes com a Justiça e o Direito.

Agora o sr. vê uma situação melhor ou pior que em outros momentos do período pós-redemocratização?

Nós já tivemos momentos muito ruins, muito negativos, por causa justamente desses desvios partidários, desses desvios políticos. Pode ser que hoje isso tenha adquirido uma visibilidade maior. Acho que há inclusive uma grande responsabilidade da imprensa. A imprensa valoriza demais os pormenores de corrupção e de desvio. Há uma evidente obsessão anti-Lula, anti-PT, que contribui bastante para esse desvirtuamento.  Quando a imprensa percebe ou suspeita que alguma acusação pode atingir o Lula, isso vira manchete. Isso está inclusive na base da supervalorização, excessiva valorização, da delação premiada. A delação premiada acabou tornando delinquentes, criminosos confessos, em grandes personagens. Porque eles fazem delações que poderão atingir o Lula, o PT, as esquerdas.

A delação, em tese, o sr. vê como um instrumento legítimo, mas supervalorizado neste momento, ou não, a deleção não é um bom instrumento?

A delação, da maneira como foi constituída, é mais negativa que positiva. Ela, de certo modo, é a aplicação de uma criação italiana. Quando a Itália estava num momento difícil, combatendo a Máfia, foi criada a figura do arrependido. Era o mafioso que, sendo preso, aceitava fazer denúncias para ser beneficiado no processo, às vezes até perdoado.  Isso fez surgir a figura do delator premiado, que na verdade não é um arrependido, é alguém que está negociando para sair melhor de uma acusação ou de um processo. Mas é altamente duvidosa a espontaneidade desse indivíduo, pois o delator ou está sofrendo ameaça ou está sofrendo uma oferta muito conveniente para ele. Então, isso também é uma forma de coação. Não há coação física, mas há coação psicológica. Por essa razão, tenho sérias restrições à delação premiada.
A delação premiada acabou tornando delinquentes, criminosos confessos, em grandes personagens. Porque as delações podem atingir o Lula, o PT, as esquerdas
Dalmo Dallari
Delação premiada nos remete de pronto à Operação Lava Jato. Economistas e mesmo dirigentes sindicais relatam que há setores de atividade que estão desacelerando, em virtude das investigações.  O sr. acredita que um processo como esse de investigação possa conviver com o funcionamento normal da economia? Já houve algum processo semelhante, em outro país, que não tenha paralisado a economia?

Lembro que há outros países que passaram por momentos de maior investigação. O que acontece que nós estamos colocando isso na linha de frente, há uma teatralização, estamos explorando o espetáculo. Existe, sim, uma consequência econômica, pois muitos investimentos eram feitos graças ao recebimento de dinheiro público, ou de instituições como a Petrobrás. Esses investimentos deixaram de ser feitos, mas as empresas continuam existindo. Eu tenho amizade e conhecimento com muitos empresários, e não conheço nenhum caso em que um deles tenha ficado pobre. Na verdade há uma choradeira porque houve redução de ganho. Mas isso está longe de significar que essa classe socialmente privilegiada está em dificuldades. Por isso não acredito no risco de graves e gravíssimas consequências econômicas. Há sim, um período de diminuição dos investimentos, inclusive porque eles têm recebido menos dinheiro público. Mas eles têm interesse na manutenção dos negócios. Então, haverá uma diminuição do ritmo, mas depois de um tempo deve se ajustar e passar, não tenho dúvida nenhuma.

No início de nossa conversa, o senhor dizia que não vê risco de uma ruptura institucional. Eu gostaria de perguntar sobre aquela modalidade de golpe conhecida como golpe paraguaio, em referência à derrubada do presidente Fernando Lugo. Derruba-se um mandatário, sem necessariamente ter provas.  O sr. acredita nessa possibilidade aqui no Brasil?

Eu não vejo essa possibilidade pois nenhum partido, seja de direita ou de esquerda, situacionista ou oposicionista, nenhum deles tem unidade. Todos estão bastante divididos. Os partidos estão muito fracos. Então não existe a possibilidade de formação de uma força política coesa, uniforme, que tomasse uma posição desse tipo, a de destituir a presidente. Eu não vejo nenhuma possibilidade de isso ocorrer no Brasil. Realmente, estou tranquilo.

Muitos estão preocupados com a manifestação anti-Dilma convocada para o próximo dia 16 de agosto. O sr. acredita que esse tipo de manifestação possa crescer e frutificar?

Eu acredito que não. O que aconteceu em 2013 acabou nos revelando o verdadeiro alcance dessas mobilizações. Elas são momentâneas, e todas, sem exceção, recebem infiltrações, não têm uma unidade, e por isso elas não têm grande força. Sempre existem o falso protestador e o falso manifestante. Aqueles que apenas querem tirar algum proveito ou aquele que só quer participar do espetáculo. Em 2013, ficou no subterrâneo, ninguém revelou quem financiava os grandes grupos manifestantes. Grupos que se mobilizavam, viajavam de outras cidades para São Paulo, e não vinham a pé, e todos bem vestidos e bem alimentados. É porque eram pagos, em grande parte. Então, elas não têm autenticidade, elas são só uma aparência, um espetáculo. E o que se está anunciando agora é só a repetição do espetáculo. Não passará disso. Por isso, eu estou absolutamente tranquilo quanto à manutenção da ordem brasileira.

Alguma ideia sobre quem seriam os financiadores?

Evidentemente só pode financiar quem tem dinheiro. São empresários, setores econômicos envolvidos nisso. São setores que têm interesse nesse clima de temor para obter maior proveito. Então, redução da tributação. Isso já tem sido referido muito ostensivamente, descaradamente: eles serão a favor do governo se os impostos diminuírem. Então, qual a verdadeira intenção, o verdadeiro interesse? O interesse não é do povo, é dos empresários.

Voltando um pouco. O sr. falava, no início, que vivemos um momento de sistemático desrespeito à Constituição. Como saímos desse estado de esgarçamento e voltamos — se é que já estivemos um dia — a um momento de respeito, implementação e desenvolvimento da Constituição?

Não há dúvida alguma que a Constituição de 88 foi responsável pela correção de muitas injustiças sociais no Brasil. No caso do Nordeste, por exemplo, a prática do coronelismo perdeu muita força. Ainda existem casos, como o do Collor e do Renan Calheiros, mas com muito menos força que antes. Eu viajo o Brasil inteiro e sei que houve muitas melhorias, e isso em grande parte graças à Constituição de 88. Há um longo caminho ainda a ser percorrido. O que é necessário é reacender, é redespertar a consciência do povo.  Eu falo isso porque fui uma espécie de caixeiro viajante da Constituinte, percorri o País apresentando propostas, debatendo, e recebendo contribuições. Grupos pequenos, de lugares distantes dos grandes centros, elaboravam ideias e encaminhavam para a Constituinte. Houve sim uma grande participação popular. O que temos é que reacordar a consciência do povo.

E como podemos fazer isso?

É falando, escrevendo, pregando. Insistindo nesse ponto: deixar as intrigas, as diferenças, parar de falar que estamos correndo risco de golpe — isso só alimenta o temor, a espetacularização. O que temos é, por meio de todos os instrumentos possíveis, na imprensa, na escola, nas reuniões, onde for possível, dar o grito de alerta: “Acorda povo”. É dizer que esses corruptos, esses que estão nas manchetes fazendo papel de moralistas, e que todos sabem que são corruptos, todos eles foram eleitos pelo povo. E o povo elege e reelege. Há casos mais do que conhecidos. Apenas para ficar num exemplo, eu citaria Paulo Maluf em São Paulo. Paulo Maluf é notoriamente corrupto, confessadamente corrupto, e é um homem que levanta um milhão de votos com facilidade. Então, onde estão esses eleitores? Por isso eu tenho usado a expressão eleitor ficha limpa. Então, o grande tema que deveria estar sendo debatido pela imprensa, pelos movimentos sociais, é a conscientização do povo.

No seio dos movimentos sociais, existe uma preocupação que se houver desmobilização, pode vir o golpe. Mas o sr. diz que falar em golpe é alimentar o temor. O sr. sugere que se tire esse tema da pauta?

Exatamente. Retirar o tema da pauta. Assim, por exemplo, nunca mencionar a palavra impeachment. Porque isso é uma farsa. Não existe nenhuma possibilidade legal, jurídica e constitucional de impeachment da Dilma. De vez em quando volta, alguém fala nisso, o Aécio Neves fala, e o tema volta. E isso é uma farsa. Não há a mínima possibilidade. Então, não se mencione mais isso. Porque isso serve para alimentar o temor dos mal informados. Então, eu penso isso, a pauta tem de ser repensada. Não se deve dar espaço para essa onda de temor. Hoje mesmo pensei nisso, ao ver uma manchete de jornal mencionando o Lula. O jornalista, o editorialista desse veículo deve ser muito ignorante. Porque esqueceu um velho brocado que diz “fale bem mas fale de mim”. Então, sempre que falarem do Lula, ele estará na linha de frente. Do ponto de vista estratégico deles, é uma burrice monumental.

Ao final do ano passado, acreditava-se na possibilidade de uma reforma do sistema político por intermédio de uma assembleia constituinte. O sr. ainda acha isso possível, apesar dos recentes acontecimentos?

Primeiro, eu acho que precisamos sim de uma reforma do sistema político. Precisamos repensar o financiamento dos partidos, rediscutir o sistema representativo. Mas não há nenhuma necessidade, assim como não há possibilidade, de convocar uma constituinte para isso. Tudo deve ser feito a partir da Constituição, pois ela mesma dá os caminhos, apontando possibilidade de mudança na legislação. A Constituição prevê a elaboração de emendas pela população, o povo como legislador. Isso já existe, mas só acontece com mobilização popular. Isso é até um caminho para a ação política.

Isaías Dalle
No CUT
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