19 de jul de 2015

Manipulação do jornalixo do PIG





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Virtuosismo passional

Os textos de Julio Cortázar são para ser lidos como jogos de armar. Cortázar seria um pioneiro do pós-modernismo, definido como uma literatura autoconsciente ao extremo, uma literatura com os andaimes à mostra, em que o leitor é convidado a ser cúmplice dos seus artifícios. Italo Calvino descreveu o pós-modernismo como “a tendência de usar, ironicamente, imagens padronizadas da cultura de massa ou da tradição literária numa narrativa que acentua o seu artificialismo”. Segundo esta definição, o pós-moderno é a continuação do moderno como paródia. Ou, no caso de Cortázar e outros, como jogo. Parafraseando o que Marx disse sobre a História, na literatura o convencional também só se repete como farsa.

Pode-se, com alguma boa vontade, identificar o começo do pós-moderno no pré-moderno, na origem da tradição literária de que fala Calvino: o Dom Quixote de Cervantes já era uma literatura autoconsciente e parodística — no começo do século 17. A segunda parte de Dom Quixote acontece num mundo em que já aconteceu a primeira, e as aventuras malucas de Quixote são conhecidas de todos. Cervantes incorpora sua fantasia e seu personagem fictício à realidade do dia, confiando na indulgência do leitor com o truque. E pode dizer, antes de todos os pós-modernistas que virão: “Primeirão!”.

Outro precursor, este no século 18, foi A Vida e as Opiniões de Tristram Shandy, do irlandês Laurence Sterne. Publicado em nove volumes, é a história, contada na primeira pessoa, de um personagem rocambolesco, Tristram, que recorre a todas as convenções literárias da época, fazendo pouco delas, para narrar sua vida. E, quando as convenções e as palavras não bastam, recorrendo a grafismos como o desenho no meio do texto de uma linha em espiral para descrever o movimento de uma bengala no ar. O que deve ter sido um desafio para os tipógrafos da época. Sterne também foi um pós-moderno antes do moderno.

O americano John Barth, este um pós-moderno de hoje, escreveu sobre dois pós-modernos contemporâneos que admira, Calvino e Jorge Luis Borges. E tomou emprestado de Borges uma definição de dois valores que, combinados, descrevem a arte da dupla, Álgebra e Fogo. Álgebra (a “árdua álgebra” de Borges) significando a engenhosidade formal na construção de uma obra, o truque que surpreende ou desafia o leitor, ou pleiteia uma cumplicidade intelectual. Fogo significando o que comove, o que toca fundo.

Álgebra sem fogo acaba em malabarismo técnico sem alma, fogo sem álgebra acaba em literatura enjoativa, porque alma demais também enjoa. Para Barth, Calvino e Borges são os dois grande escritores do nosso tempo porque, na sua ficção, atingiram como ninguém mais a fusão de álgebra e fogo. Barth descreve o que eles fazem — ou fizeram, pois os dois já se foram — como “virtuosismo passional”. Perfeito.

Luís Fernando Veríssimo
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Apesar da crise


Eu fico realmente impressionado ao perceber como os colunistas políticos da grande mídia sentem prazer em pintar o país em cores sombrias: tudo está sempre “terrível”, “desesperador”, “desalentador”. Nunca estivemos “tão mal” ou numa crise “tão grande”.

Em primeiro lugar, é preciso perguntar: estes colunistas não viveram os anos 90?! Mas, mesmo que não tenham vivido e realmente acreditem que “crise” é o que o Brasil enfrenta hoje, outra indagação se faz necessária: não lêem as informações que seus próprios jornais publicam, mesmo que escondidas em pequenas notas no meio dos cadernos?

Vejamos: a safra agrícola é recordista, o setor automobilístico tem imensas filas de espera por produtos, os supermercados seguem aumentando lucros, a estimativa de ganhos da Ambev para 2015 é 14,5% maior do que a de 2014, os aeroportos estão lotados e as cidades turísticas têm atraído número colossal de visitantes. Passem diante dos melhores bares e restaurantes de sua cidade no fim de semana e perceberá que seguem lotados.

Aliás, isto é sintomático: quando um país se encontra realmente em crise econômica, as primeiras indústrias que sofrem são as de entretenimento. Sempre. Famílias com o bolso vazio não gastam com supérfluos — e o entretenimento não consegue competir com a necessidade de economizar para gastos em supermercado, escola, saúde, água, luz etc.

Portanto, é revelador notar, por exemplo, como os cinemas brasileiros estão tendo seu melhor ano desde 2011. Público recorde. “Apesar da crise”. A venda de livros aumentou 7% no primeiro semestre. “Apesar da crise”.

Uma “crise” que, no entanto, não dissuadiu a China de anunciar investimentos de mais de 60 bilhões no mercado brasileiro — porque, claro, os chineses são conhecidos por investir em maus negócios, certo? Foi isto que os tornou uma potência econômica, afinal de contas. Não?

Se banissem a expressão “apesar da crise” do jornalismo brasileiro, a mídia não teria mais o que publicar. Faça uma rápida pesquisa no Google pela expressão “apesar da crise”: quase 400 mil resultados.

“Apesar da crise, cenário de investimentos no Brasil é promissor para 2015.”

“Cinemas do país têm maior crescimento em 4 anos apesar da crise”

“Apesar da crise, organização da Flip soube driblar os contratempos: mesas estiveram sempre lotadas”

“Apesar da crise, produção de batatas atrai investimentos em Minas”

“Apesar da crise, vendas da Toyota crescem 3% no primeiro semestre”

“Apesar da crise, Riachuelo vai inaugurar mais 40 lojas em 2015″

“Apesar da crise, fabricantes de máquinas agrícolas estão otimistas para 2015″

“Apesar da crise, Rock in Rio conseguiu licenciar 643 produtos – o recorde histórico do festival.”

“Honda tem fila de espera por carros e paga hora extra para produzir mais apesar da crise,”

“16º Exposerra: Apesar da crise, hotéis estão lotados;”

“Apesar da crise, brasileiros pretendem fazer mais viagens internacionais”

“Apesar da crise, Piauí registra crescimento na abertura de empresas”

Apesar da crise. Apesar da crise. Apesar da crise.

A crise que nós vivemos no país é a de falta de caráter do jornalismo brasileiro.

Uma coisa é dizer que o país está em situação maravilhosa, pois não está; outra é inventar um caos que não corresponde à realidade. A verdade, como de hábito, reside no meio do caminho: o país enfrenta problemas sérios, mas está longe de viver “em crise”. E certamente teria mais facilidade para evitá-la caso a mídia em peso não insistisse em semear o pânico na mente da população — o que, aí, sim, tem potencial de provocar uma crise real.

Que é, afinal, o que eles querem. Porque nos momentos de verdadeira crise econômica, os mais abastados permanecem confortáveis — no máximo cortam uma viagem extra à Europa. Já da classe média para baixo, as consequências são devastadoras, criando um quadro no qual, em desespero, a população poderá tender a acreditar que a solução será devolver ao poder aqueles mesmos que encabeçaram a verdadeira crise dos anos 90. Uma “crise” neoliberal que sufocou os miseráveis, mas enriqueceu ainda mais os poderosos.

E quando nos damos conta disso, percebemos por que os colunistas políticos insistem tanto em pintar um retrato tão sombrio do país. Porque estão escrevendo as palavras desejadas pelas corporações que os empregam.

Como eu disse, a crise é de caráter. E, infelizmente, este não é vendido nas prateleiras dos supermercados.

Pablo Villaça
No Esquerda Caviar
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Escritor cubano Leonardo Padura demole repórter da Veja no Roda Viva


No programa Roda Viva da tucana tv Cultura, Nathalia Watkins da Veja disse que em Cuba “o povo continua sofrendo, miserável, com fome”. Leonardo Padura, um dos principais nomes da Flip deste ano, respondeu à altura: “Há mais gente na rua em um quarteirão aqui de São Paulo do que em toda Cuba”.


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Imperdível — A palestra que Eduardo Cunha não assistiu


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Governo Federal financia mídia cartelizada, mais cara e menos plural

Gasta-se muito e gasta-se mal em comunicação de governo, em todos os governos. Nos estaduais e municipais costuma ser pior do que no Governo Federal. Ainda assim, é inadmissível que um governo eleito e reeleito com a pauta da democratização dos meios de comunicação e com um discurso de que faz “mídia técnica” não tenha feito, até hoje, nem uma coisa, nem outra.

A expressão “mídia técnica” supostamente significa que o gasto em publicidade tem como critério a audiência de cada mídia e seus respectivos veículos. Assim sendo, as mídias e veículos de maior audiência são mais bem pagos que outros.

A mais recente “Pesquisa brasileira de mídia” (PBM 2015), feita justamente por quem deveria segui-la à risca, com o objetivo de aferir os hábitos de consumo de mídia da população brasileira para orientar os gastos em publicidade do Governo Federal, mostra que a tal mídia técnica  está mais para bordão propagandístico do que para justificativa criteriosa para o gasto com publicidade.

Desde 2010, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) realiza a PBM. A segunda edição foi publicada em 2014. A PBM 2015 já está disponível no portal da própria Secom http://www.secom.gov.br/atuacao/pesquisa/lista-de-pesquisas-quantitativas-e-qualitativas-de-contratos-atuais/pesquisa-brasileira-de-midia-pbm-2015.pdf e mostra que, de cada 100 brasileiros, 95 têm o hábito de assistir tevê; 55 ouvem rádio, 48 navegam pela internet, 21 leem jornais impressos e 13, as revistas impressas.

Se o Governo Federal realmente empregasse critérios técnicos, utilizaria sua própria pesquisa como parâmetro para remunerar a publicidade em cada mídia. Nada mais razoável, tecnicamente falando, do que gastar proporcional e parcimoniosamente de acordo com o peso exato de cada mídia nesses hábitos de consumo.

Considerando que a maioria dos brasileiros tem o hábito de “consumir” mais de uma mídia, os valores proporcionais seriam os seguintes:

habitosdeconsumo

Em que medida, então, os gastos de publicidade da Secom e das estatais refletem os hábitos midiáticos dos brasileiros? Aí é que está: não refletem. Eis a fábula da mídia técnica desmentida:

gastospublicidade

Portanto, com base em dados técnicos; dados de audiência; dados de pesquisa; dados oficiais; a mídia técnica do Governo Federal, de técnica, só tem o nome. Desrespeita os dados que a própria Secom tem em mãos, pelo menos, desde 2011.Fonte: tabela do autor com base em dados disponíveis em http://www.secom.gov.br/pdfs-da-area-de-orientacoes-gerais/midia/total-administracao-direta-todos-os-orgaos-indireta-todas-as-empresas.pdf

A televisão, que é a mídia mais cara, mais concentrada e menos plural de todas recebe mais de 70% da publicidade federal, quando não deveria receber mais do que 41%. Mídias mais regionalizadas, mais plurais, mais segmentadas recebem bem menos do que deveriam, conforme se vê pelos dados da PBM 2015.

O gráfico a seguir demonstra visualmente a distância (distorção) entre o que se paga e o que se deveria pagar por mídia se fossem obedecidos os hábitos de consumo dos brasileiros:

gastos_habitos

Gasta-se em tevê muito mais do que se deveria. Gasta-se, em rádio e internet, bem menos do que ambas as mídias fariam jus. Gasta-se, com jornais e revistas, um valor próximo ao que elas de fato merecem, com base nos hábitos.

A tevê, em queda livre, passou a receber mais dinheiro, em termos absolutos e relativos, do que recebia no passado. É como essa mídia, que um dia já foi um Boeing e agora está mais para ônibus, continuasse recebendo grandes somas de dinheiro para comprar combustível de aviação, não importa que tenha baixado de patamar e de número de passageiros.

Detalhe irônico: calculando-se essa distorção de 30% que premiou todos os veículos de tevê em mais de uma década de governos de esquerda, dos 6,2 bilhões recebidos pela Rede Globo, cerca de 1,8 bi foram para o bolso dos Marinho de mão beijada. Quem sabe, pelos serviços prestados — não se sabe exatamente a quem.

Importante dizer que o gasto com outras mídias, mesmo sendo bem menor, não destoa da preferência governamental por veículos que fazem parte do cartel das grandes corporações. Rádio, internet, jornais e revistas têm gastos muito concentrados em velhos conhecidos, como O Globo, Folha, Estadão; revistas como Veja e Época; rádios como CBN, Band News e suas afiliadas.

Antes que se aplauda o fato de que o gasto com publicidade em internet esteja crescendo, é bom entender por onde. Acertou quem disse Google e Facebook. E quais são os veículos de maior concentração publicitária na internet? De novo, acertou quem disse Google e Facebook. Com o tempo, os governos irão, no máximo, trocar um cartel por outro. Assim caminha a publicidade.

Moral da história: a tal mídia técnica não passa de um eufemismo ou, melhor dizendo, uma fábula, em todos os sentidos: um desperdício de dinheiro público com uma publicidade ineficiente, contraproducente, que premia veículos tidos como grandes, mas que de fato são bem menores do que os olhos generosos da publicidade os enxergam.

Mídia técnica é um tipo de propaganda enganosa feita para encobrir a farra com dinheiro público que patrocina o conluio das agências de publicidade com os veículos de comunicação cartelizados, feita com chapéu alheio — o do governo. Está nas mãos dessas agências programar as campanhas veiculadas na mídia privada, recebendo, em troca, a chamada bonificação de volume (BV). Quanto mais se investe em um veículo, mais BV esse veículo paga para a agência camarada.

Diz-se, na instrução normativa que regula a publicidade institucional do governo, que ela “destina-se a posicionar e fortalecer as instituições, prestar contas de atos, obras, programas, serviços, metas e resultados das ações do Poder Executivo Federal, com o objetivo de atender ao princípio da publicidade e de estimular a participação da sociedade no debate” etc, etc, etc (IN 007/2012, Art. 3º, inciso I).

A bem da verdade, o que se poderia dizer, de forma mais simples, direta e honesta, é que a publicidade governamental destina-se a favorecer as maiores corporações de mídia do país, em montantes cada vez maiores, não importa o quanto elas tenham ou não pensamento único; não importa o quanto elas falem mal ou não do Brasil; desprezem ou não as instituições e a democracia; não importa o quanto elas eduquem ou deseduquem e propaguem solidariedade ou intolerância. Não importa, sequer, o quanto elas estejam em decadência nos hábitos de consumo de informação, cultura e entretenimento dos brasileiros. Não é a propaganda que é a alma do negócio. É o negócio que é a alma da propaganda, mesmo a governamental.

Antonio Lassance é doutor em Ciência Política, especialista em comunicação e políticas públicas.
No OI
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Inquérito contra Lula é repleto de ilegalidades


Os dois procuradores responsáveis pelo inquérito criminal contra o ex-presidente Lula, Anselmo Lopes e Valtan Timbó, terão sua conduta avaliada pelo Conselho Nacional do Ministério Público. Ambos poderão responder a processos disciplinares por, supostamente, agirem por motivações políticas e de modo arbitrário no inquérito contra o ex-presidente Lula.

Lopes, que fez a "notícia de fato", a partir de reportagem do jornal O Globo, fez várias postagens nas redes sociais, durante a campanha eleitoral, contrárias ao PT e favoráveis aos candidatos Aécio Neves e Marina Silva. Depois, ele as apagou, mas os posts foram recuperados pelos advogados do ex-presidente Lula.

O caso mais grave, no entanto, é o do procurador Valtan Timbó, que determinou a abertura de inquérito, mesmo sem ter atribuição legal para tanto.

Leia, abaixo, reportagem do portal Consultor Jurídico sobre o caso:

Reclamação Disciplinar

Defesa de Lula aponta irregularidade de inquérito sobre tráfico de influência

Por Livia Scocuglia

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediram à Corregedoria do Ministério Público a anulação do inquérito que apura o suposto tráfico de influência em favor da Odebrecht. Eles solicitaram ainda a apuração da conduta do procurador Valtan Timbó Martins Mendes Furtado, autor do pedido de abertura do processo de investigação criminal contra o ex-presidente. A reclamação disciplinar foi protocolada no Conselho Nacional do Ministério Público na última sexta-feira (17/7).

Lula aponta que houve um desvio funcional na atuação do procurador Furtado que teria interferido na apuração preliminar e que estava sob responsabilidade da procuradora titular Mirella de Carvalho Aguiar, do 1º Núcleo de Combate à Corrupção do MPF do Distrito Federal, sorteada para atuar no caso.

Logo quando recebeu o caso, a procuradora proferiu um despacho afirmando que os elementos dos autos — “narrativas do representante e da imprensa” — não eram suficientes para autorizar a instauração de uma investigação formal. Mas, mesmo assim, pediu esclarecimentos ao Instituto Lula e outros entidades como o BNDES e a Polícia Federal.

Segundo um dos advogados de Lula, Cristiano Zanin Martins, do Teixeira, Martins & Advogados, o prazo para dar as explicações do Instituto Lula venceria no dia 10 de julho. E, o prazo para a procuradora terminar a apuração e decidir se iria converter em procedimento investigatório ou arquivá-lo iria se esgotar no dia 18 de setembro.

Mas, no dia 8 de julho, antes de o instituto ter apresentado a sua manifestação, o procurador Furtado ingressou no procedimento e proferiu despacho para iniciar a investigação. “Houve uma clara arbitrariedade e deslealdade, pois a manifestação foi preparada a pedido da procuradora titular e foi simplesmente desconsiderada”, afirma Martins.

Ainda de acordo com o advogado, o único fundamento usado por Furtado para interferir no procedimento que estava sendo conduzido por outra procuradora foi a iminência do esgotamento do prazo.

O motivo pelo qual o procurador Furtado não teria atribuição para atuar no caso é a Resolução 27 de 2014, que determina as regras de atribuição dos casos aos procuradores. Essa resolução diz que o caso é distribuído ao procurador titular e define dois substitutos, caso o titular não possa atuar, todos do mesmo núcleo, no caso, trata-se do Núcleo de Combate à Corrupção do MPF do DF. Furtado faz parte do 7º Oficio Criminal, e, assim, não poderia nem ter sido escalado para ser substituto do caso.

A defesa garante que a interferência do procurador não teve qualquer consequência prática no procedimento, e que o ato “apenas serviu para que o procurador Timbó ganhasse uma indevida notoriedade às custas da boa imagem e do prestígio do ex-presidente Lula.” Além do aspecto disciplinar envolvendo a conduta do procurador Furtado, a defesa deve pedir no âmbito do MPF o controle administrativo do ato que ele praticou no procedimento, “por estar eivado de evidente arbitrariedade e ilegalidade”.

Leia, ainda, alguns pontos que serão abordados pela defesa de Lula:

* o despacho inicial do Procurador Anselmo Lopes já foi uma arbitrariedade: ela não tinha nenhum elemento para justificar a abertura de um procedimento para analisar a conduta do ex-Presidente Lula. A única coisa que ele usou para essa finalidade foi uma notícia de jornal, a qual, aliás, foi deturpada.

* o procurador Anselmo Lopes agiu motivado por uma atuação política; fez diversas publicações dele nas redes sociais contrárias ao ex-Presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores. Ele é simpatizante da Marina Silva e do Aécio Neves. O procurador Anselmo havia apagado as suas publicações de cunho político nas redes sociais, mas as mesmas foram recuperadas e apresentadas ao Conselho Nacional do Ministério Público.

* a procuradora sorteada para atuar no caso foi a Dra. Mirella de Carvalho Aguiar, do 1o. Núcleo de Combate à Corrupção do MPF no Distrito Federal. Ela proferiu um despacho afirmando claramente que não havia qualquer elemento a justificar uma investigação contra o ex-presidente Lula: "os parcos elementos contidos nos autos — narrativas do representante e da imprensa desprovidos de suporte probatório suficiente — não autorizam a instauração de imediato de investigação formal em desfavor do representado".

* na mesma ocasião a Dra. Mirella pediu esclarecimentos ao Instituto Lula e a outras entidades; o prazo do Instituto Lula venceria em 10.07.2015; havia outros prazos vencendo depois dessa data e o prazo para a conclusão do procedimento venceria apenas em 18.09.2015; ou seja, apenas em 18.09.2015, após analisar todos os elementos solicitados, a Dra. Mirella iria tomar a decisão de encerrar o caso ou abrir uma investigação contra o ex-presidente Lula.

* a despeito disso, o procurador Valtan Timbó Martins Mendes Furtado ingressou no procedimento sem qualquer explicação e, antes de ter conhecimento dos esclarecimentos solicitados, proferiu um despacho para dar início a um procedimento investigatório criminal — de forma totalmente contrária ao que havia sido estabelecido pela procuradora titular.

* o despacho do procurador Valtan Timbó foi lançado um dia antes do Instituto Lula apresentar sua manifestação; houve uma clara arbitrariedade, pois a manifestação foi preparada a pedido da procuradora titular e foi simplesmente desconsiderada.

* a atuação do procurador Valtan Timbó não teve qualquer consequencia prática para o procedimento; a procuradora titular permanece aguardando os esclarecimentos que ela havia pedido; o ato apenas serviu para que o procurador Timbó ganhasse uma indevida notoriedade às custas da imagem do ex-presidente Lula.

* as regras do MPF estabelecem que cada caso deve conduzido por um procurador titular e já estabelece dois procuradores substitutos para a hipótese de ausência do titular; o procurador Valtan Timbó não era substituto e muito menos titular do caso; ele usurpou a atribuição para atuar no procedimento apenas porque envolvia o ex-presidente Lula.
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Collor peita o jn




A propósito da notícia veiculada na edição de sábado (18) do Jornal Nacional, é importante esclarecer que a Água Branca é uma empresa de participações e investimentos, sendo próprio de sociedades dessa natureza a propriedade de bens e ativos diversos. A empresa é devidamente registrada na Junta Comercial tendo como sócio principal Fernando Collor de Mello, participação também informada à Receita Federal na declaração anual de rendimentos do Senador. Sendo conhecido e publicamente declarado o relacionamento do Senador com a empresa Água Branca, não é minimamente razoável apontá-la como suposta empresa de fachada, como faz a reportagem. As informações relacionadas à aquisição do veículo Lamborghini também não são verdadeiras, sendo omitidos esclarecimentos sobre a dação de outro veículo como entrada e sobre o parcelamento do saldo remanescente.

Importante registrar que embora tenha estado a todo tempo à disposição das autoridades competentes, o Senador jamais teve a oportunidade de sequer ser ouvido, momento em que fará todos os esclarecimentos sobre os fatos que lhe têm sido atribuídos a partir de versão unilateral e tendenciosa.

A exploração diária de notícias já conhecidas é característica de clara publicidade opressiva, que em nada contribui para o exame serenos dos fatos.


Fernando Collor
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O Globo descaradamente mente

Jornal O Globo omite informações e mente novamente para atacar Lula

Em mais uma matéria que não diz nada, o jornal O Globo, não se atenta aos fatos e faz distorções para prejudicar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Reproduzimos abaixo a troca de e-mails entre o jornalista e o assessor de imprensa do Instituto Lula, na qual fica clara a intenção de usar documentos que não revelam nada de novo, para criar um factoide. As mensagens trocadas entre repórter e assessor, em circunstâncias normais, deveriam ser apresentadas aos leitores do jornal na matéria, mas entendemos que a necessidade de criminalizar as atividades de Lula, vão além da normalidade e das boas práticas jornalísticas.

Veja abaixo a troca de e-mails:

De: O Globo
Para: Instituto Lula

Boa tarde,

Estamos fazendo uma matéria sobre a atuação do ex-presidente Lula em defesa da Construtora Odebrecht. Telegramas diplomáticos trocados entre embaixadas brasileiras e o Ministério das Relações Exteriores apontam que o ex-presidente agiu, várias vezes, em defesa da construtora.

Entre 21 e 23 de outubro de 2013, por exemplo, ele esteve em Lisboa, a convite da construtora, para participar de cerimônia dos 25 anos da empresa em Portugal, informa telegrama enviado pelo embaixador Mario Vilalva. Em 2 de maio do ano passado, em outro telegrama enviado pelo mesmo embaixador, o diplomata fala sobre a privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF), da qual a Odebrecht tinha interesse, e afirma que Lula “reforçou o interesse da Odebrecht pela EGF ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que reagiu positivamente ao pleito brasileiro”.

O ex-presidente, segundo telegrama de 3 de março de 2014, enviado pelo encarregado de negócios em Havana, Marcelo Câmara, esteve em Havana entre os dias 24 e 27 de fevereiro daquele ano, com apoio da Odebrecht. Na capital cubana, Lula tratou de “prospecção de iniciativas para aperfeiçoamento da matriz energética cubana” relacionadas à zona especial de Mariel. Em 2011, Lula também estivera em Cuba, onde foi recebido no hotel pelo presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e pelo ex-ministro José Dirceu. Em outro telegrama, do embaixador Paulo Cordeiro afirma que Lula agendou uma reunião no BNDES para que o embaixador do Zimbabue no Brasil, Thomas Bvuma, pudesse pleitear recursos do banco de fomento brasileiro.

Pergunto:

1 - Por que o ex-presidente atuou a favor da Odebrecht, fazendo gestões junto ao primeiro-ministro português, por exemplo?

2 - O presidente recebeu pagamento para fazer lobby para a Odebrecht nas situações citadas acima?

3 - Por que o ex-presidente agendou uma reunião no BNDES para o embaixador do Zimbabue no Brasil?

4 - O ex-presidente costuma intermediar reuniões no BNDES com empresários e mandatários de outros países?

5 - O ex-presidente considera que agiu legalmente ao solicitar tais reuniões?

6 - Como o ex-presidente avalia seus encontros com altos dirigentes da Odebrecht?

Desde já, obrigado pelas informações

Chico de Gois

De: Instituto Lula
Para: O Globo

Boa tarde, Gois,

Qual o prazo para as respostas?

Atenciosamente,

De: O Globo
Para: Instituto Lula

Hoje, as 18h

Obrigado

De: Instituto Lula
Para: O Globo

Caro Gois,

Outras 2 dúvidas, em uma pergunta você fala de “tais reuniões”. A quais reuniões você se refere que teriam sido solicitadas pelo ex-presidente? De quem com quem?

Também gostaria de saber, para poder responder apropriamente, os trechos literais dos texto dos telegramas citados por você, por exemplo o texto do embaixador Paulo Cordeiro e a época. Não posso basear uma resposta na afirmação do Globo da existência de um suposto documento o qual não conheço a formulação nem tenho certeza da existência.

Atenciosamente,

De: O Globo
Para: Instituto Lula

Olá, Chrispiniano

Desculpe a demora. Estava almoçando

Sobre as “tais reuniões”, refiro-me à intermediação do ex-presidente para que o embaixador do Zimbabue fosse atendido no BNDES, além de reuniões com o primeiro-ministro português no qual atuou a favor da Odebrecht.

Abaixo trechos dos telegramas:

25/10/2014
“Visita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Lisboa. 25 anos da Odebrecht em Portugal”

RESUMO:
“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou Lisboa a convite da Odebrecht. Proferiu palestra sobre relações Brasil-Portugal, avistou-se com o PM Passos Coelho, recebeu empresários e participou do lançamento do livro do ex-PM José Sócrates”.

02/05/2014
“A participação brasileira no programa de privatização colhe a simpatia dos formadores de opinião em Portugal. Repercutiu positivamente na mídia recente declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à RTP no dia 27/04 último, no sentido de que o Brasil deve-se engajar mais ativamente na aquisição de estatais portuguesas. O ex-presidente também reforçou o interesse da Odebrecht pela EGF ao PM Pedro Passos Coelho, que reagiu positivamente ao pleito brasileiro”

03/03/2014
BRASIL-Cuba. Visita a Cuba do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (24–27/02)

RESUMO:
"Em atendimento a convite do governo local e com o apoio do grupo COI/Odebrecht, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou visita a Cuba entre os dias 24 e 27/02.”

03/05/2012
“O embaixador Paulo Cordeiro informou que participará, junto com o embaixador do Zimbábue no Brasil, Thomas Bvuma, de reunião com o BNDES em 3 de maio, organizada a pedido do ex-presidente Lula, que se dedicará ao desenvolvimento de infraestrutura na África”.

De: Instituto Lula
Para: O Globo

Caro Chico,

Muito obrigado pelo envio.

Atenciosamente,

De: Instituto Lula
Para: O Globo

Caro Chico,

Tudo bem?

Sim, entre 21 e 23 de outubro o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Portugal, cumprindo uma extensa agenda e essa informação, como todas de viagens do ex-presidente, é pública e foi informada à imprensa na época.

Sobre Cuba, você mencionou, mas não fez nenhuma pergunta, de qualquer forma, segue o texto do release enviado informando a viagem na época, que informa à visita à Mariel: http://www.institutolula.org/raul-castro-recebe-lula-em-cuba

A visita também foi acompanhada pela imprensa internacional, nos links abaixo, as agências EFE e AFP:http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/02/lula-considera-porto-de-mariel-como-referencia-para-america-latina.html

http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2014/02/26/lula-e-raul-castro-percorrem-porto-cubano-financiado-pelo-brasil.htm

Respondo:

1- Por que o ex-presidente atuou a favor da Odebrecht, fazendo gestões junto ao primeiro-ministro português, por exemplo?

O ex-presidente não atuou em favor da Odebrecht, nem fez gestão a favor da empresa. Como o documento mostra ele comentou o interesse da empresa brasileira pela empresa portuguesa. Que, aliás, era público há muito tempo, como indica matéria do jornal Público de outubro de 2013, a qual segue o link: http://www.publico.pt/economia/noticia/odebrecht-interessada-na-privatizacao-da-egf-1608053 São inúmeras as empresas brasileiras que acompanham com interesse o processo de privatizações em curso em Portugal. A Azul empresa brasileira, acabou de comprar a TAP, por exemplo.

2 - O presidente recebeu pagamento para fazer lobby para a Odebrecht nas situações citadas acima?

Não. O ex-presidente não recebeu, não recebe e jamais receberá qualquer pagamento de qualquer empresa para dar consultoria, fazer lobby ou tráfico de influencias.

No caso da Odebrecht, como de dezenas de outras empresas, ele recebeu pagamento para fazer palestra para funcionários, empresários ou diretores. E elas foram pagas através de notas fiscais e tiveram seus impostos pagos. Palestras assim são feitas também por diversos ex-presidentes brasileiros e estrangeiros, jornalistas, esportistas e artistas.

3 - Por que o ex-presidente agendou uma reunião no BNDES para o embaixador do Zimbabue no Brasil?

O ex-presidente não “agendou uma reunião”, o evento ao qual o telegrama se refere, no dia 3 de maio de 2012, foi público, um grande seminário comemorativo dos 60 anos do banco, com mais de 500 pessoas presentes, entre elas embaixadores ou delegações de todos os países africanos, na sede do BNDES. O seminário em questão teve em sua mesa uma delegação de 10 dirigentes da União Africana, pois o seu tema era o desenvolvimento na África. Não só o embaixador do Zimbábue foi convidado pelo banco, mas os outros 36 embaixadores africanos no Brasil também. O evento foi coberto pela imprensa e foi o primeiro evento público com participação do ex-presidente após o tratamento contra o câncer. Inclusive O Globo também cobriu, vejam essa matéria do G1 e da France Press, segue link:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/05/lula-critica-paises-ricos-e-fmi-em-seu-primeiro-discurso-publico-apos-cancer.html

O evento também foi noticiado no site do BNDES:http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/Sala_de_Imprensa/Noticias/2012/institucional/20120503_seminario.html

4 - O ex-presidente costuma intermediar reuniões no BNDES com empresários e mandatários de outros países?

O ex-presidente NUNCA intermediou reuniões de empresários com mandatários de outros países.

5 - O ex-presidente considera que agiu legalmente ao solicitar tais reuniões?

Vide resposta acima.

6 - Como o ex-presidente avalia seus encontros com altos dirigentes da Odebrecht?

Da mesma forma que avaliamos os encontros com quaisquer “altos dirigentes” de outras grandes empresas, dos mesmos setores ou de outros setores como comunicação, financeiro, alimentício, agrícola ou tecnologia. Ou os encontros com dirigentes sindicais, de movimentos sociais, artistas e sindicais etc…

Gostaríamos de complementar dizendo que o Globo fez um grande fuzuê, com manchete de primeira página sobre os documentos do Itamaraty durante a presidência de Lula, mas depois, quando os documentos se tornaram públicos e revelaram a atuação positiva do ex-presidente Lula, não localizamos nenhuma matéria do jornal sobre o assunto, o que talvez tenha causado estranhamento aos seus leitores, que talvez achem que os documentos não foram publicizados. Por isso segue matéria que fizemos sobre os documentos ignorados pelo jornal.

http://www.institutolula.org/telegramas-do-itamaraty-veja-o-que-lula-fazia-em-suas-viagens-pelo-mundo
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E a CBN lança Eduardo Cunha para a presidência da República



O que vira um jornalista quando se transforma em torcedor?

Vira Merval.

Merval Pereira.

Ele deixa de enxergar o mundo como ele é. Enxerga-o como gostaria que fosse.

Circula na internet, como motivo de piada, um áudio em que Merval analisa, na CBN, a postura do PMDB depois da ruptura anunciada por Eduardo Cunha.

Pobres ouvintes.

Merval fala nos possíveis candidatos do partido para 2018. Aliás, faz uma ressalva: essa candidatura pode vir antes. Merval anseia pela deposição de Dilma.

Entre os nomes do PMDB, ele inclui Eduardo Cunha.

Isto caso ele não seja “condenado ou preso” depois do depoimento do delator que temeu pela integridade de sua família quando considerou a hipótese de contar sua história com Eduardo Cunha.

“Merval lança Eduardo Cunha para a presidência”, foi assim que circulou o áudio da CBN.

Quer dizer: no Planeta Merval, caso Cunha escape da Justiça, é um nome forte para 2018.

Nos debates, na campanha, tudo que foi dito sobre o presidente da Câmara não vai, segundo Merval, inviabilizar Cunha.

É algo em que nem a mulher de Cunha pode acreditar.

O brasileiro teria que ser muito idiota para obliterar o depoimento do delator.

Mas é uma coisa que a turma da Globo faz com frequência: tratar o brasileiro como imbecil.

Dias atrás, numa rede social, o editor do Globoesporte, Gustavo Poli, postou uma foto de Dilma com Collor num palanque num tom incriminatório. Poli parecia ter esquecido de que Collor é sócio da Globo, nada menos que isso.

“Ninguém está acima da lei”, bradou uma publicação dos Marinhos dias atrás.

Ninguém?

Quais as consequências enfrentadas pelos Marinhos, por exemplo, ao trapacear a Receita Federal na famigerada compra dos direitos da Copa de 2002?

O que pesa contra a Globo pela cumplicidade com Ricardo Teixeira durante tantos anos?

Nada.

Um dos melhores frasistas da cena política nacional, o jornalista e escritor Palmério Dória, resumiu a situação no Twitter.

“Globo diz que ninguém está acima da lei”, escreveu Palmério. “No caso dos Marinhos, das leis americanas. Por isso mantêm prudente distância dos Estados Unidos.”

Clap, clap, clap.

De pé.

Hoje, depois do escândalo da Fifa, consciência tranquila significa a coragem de apanhar um avião e ir para os Estados Unidos, ou mesmo para a Suíça.

O presidente da CBF acaba de desistir de uma viagem para a Suíça, para tratar de assuntos da Fifa, por medo de fazer companhia a Marin.

Não sei se os Marinhos embarcariam para os Estados Unidos.

Mas suspeito que Palmério tenha toda a razão. Ao contrário de Merval, que consegue ver possibilidades presidenciais em Eduardo Cunha e compartilha isso com seus ouvintes da CBN — mais uma rádio aparelhada pela direita.

Paulo Nogueira
No DCM
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Documento da PF traz João Roberto Marinho na lista do jantar com Lula

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/07/19/documento-da-pf-traz-joao-roberto-marinho-na-lista-jantar-com-lula/

jantar com lula

O jantar para Lula organizado por Marcelo Odebrecht, fruto de investigação da PF e que o jornalismo “investigativo” brasileiro está tratando como um indício claro das relações espúrias da empreiteira com o ex-presidente teria reunido 15 pessoas na casa do anfitrião, no Condomínio Jardim Pignatari.

Até agora, porém, os colegas que estão buscando restos do que se comeu na ocasião para ver se acham o DNA dos participantes revelaram apenas três nomes, além do de Marcelo Odebrecht e Lula, o do ex-ministro Antonio Palocci, o de Sérgio Nobre (presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) e  o da Juvandia (presidente do Sindicato dos Bancários).

Pois bem, como você pode perceber no fac-simile acima, de um dos documentos vazados, João Roberto Marinho, era um dos 15 nomes da lista.

Por que nenhum veículo se preocupou em registrar isso? Por que até agora ele não foi ouvido para que possa responder sobre o que se tratou no jantar? Por que o jornal dos Marinho esconde essa informação e todo o resto da mídia também?

Além dele, outros grandes empresários também estavam lá. Bolivarianos como Abilio Dinis, Roberto Setubal, Jorge Gerdau e Luis Carlos Trabuco. Ou seja, não foi um evento da Odebrecht com Lula. Mas de empresários e dois importantes sindicalistas a pedido de Lula.

O que se comeu no jantar? O que se discutiu no jantar? Simples, é só pergunta pro João Roberto Marinho.
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E se?

Gente, tenho um plano. Vamos que aconteça o pior, a Dilma e o Temer caem e assume o Eduardo Cunha. E se a gente comprasse uma ilha grega e se mudasse para lá? Dizem que os gregos estão pensando até em transformar a Acrópole num Super MacDonalds, para fazer caixa, e que suas ilhas estão em liquidação. E se comprássemos uma pequena?

Não deve sair muito caro, e o negócio incluiria vistas privilegiadas do Mar Egeu ou do Mediterrâneo, talvez um casario branco, quem sabe oliveiras. Ou então nada, uma pristina ilha deserta onde recomeçaríamos tudo do zero, inclusive nossas vidas. (Já me imagino dono de uma taberna à beira-mar, olhando o pôr de sol e tomando ouzo).

Não estaríamos abandonando o Brasil. Pelo contrário, nossa ilha seria uma espécie de Brasil concentrado, um brasilzinho. Não seria um exílio, seria um recurso profilático, ditado pela nossa necessidade de distância do Eduardo Cunha na Presidência da Republica, porque francamente.

Como pagaríamos pela nossa ilha? Proponho uma vaquinha (“a little cow”). De cada um de acordo com sua capacidade, para cada um de acordo com sua necessidade, o que não significa que teríamos um governo comunista. Instalaríamos um regime de solidariedade nacional. Filossocialista, mas dentro de certos limites: ninguém imagine que compraria fiado na minha taberna só por afinidade ideológica! No mais, reinaria a tolerância, mesmo com dissidentes do PMDB que também tivessem fugido.

Nossa primeira providência ao ocupar a ilha seria instalar um gerador e tratar de estabelecer um link com a TV brasileira, para não perder o futebol e as novelas. Fora isso, seríamos totalmente autônomos, literalmente uma ilha, o mais longe possível do que o Brasil terá se transformado, se acontecer o pior.

Podemos começar a pensar no que seria a vida prática na nossa ilha. Moeda? Qualquer pedra redonda, que seria aceita como pagamento em todo o comércio do brasilzinho (menos na minha taberna, claro). Transporte, segurança, saúde, educação? Como, mesmo emigrados não deixaríamos de ser brasileiros, deixaríamos tudo isto para depois.

Quem estiver interessado no meu plano, entre em contato. Os primeiros a entrar na vaquinha terão direito às melhores vistas do mar.

Luis Fernando Verissimo
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Os abusos que colocam em risco o Ministério Público


O Ministério Público Federal é um poder intemporal, que independe de governos ou de meras situações conjunturais. Desde a Constituição de 1988 transformou-se em salvaguarda dos direitos sociais e individuais, um esteio na luta civilizatória — apesar dos exageros cometidos em alguns momentos da história.

Por ser intemporal, tem não apenas o dever funcional, mas a responsabilidade institucional de manter-se neutro, de não exorbitar de seus poderes, de não embarcar em ondas, de não se comportar como um partido político.

Pelo fato de haver garantias constitucionais de independência de atuação do procurador, cada qual é responsável direto pela imagem, pela credibilidade e pela garantia de independência futura do órgão. E essa garantia está diretamente relacionada com a capacidade do órgão — através de suas associações e de seus órgãos de controle — de não permitir o uso desmedido da força.

* * *

Por tudo isso, não se compreende como um procurador, Valtan Furtado, com histórico de pouca assiduidade ao trabalho, consegue se apropriar de um caso delicado, e abrir uma ação preliminar de investigação contra o ex-presidente Lula, com repercussão nacional e internacional.

O caso estava nas mãos de uma procuradora, que admitiu ter pouca consistência e solicitou um prazo de 90 dias para despachar. Nesse ínterim, tira dez dias de férias, e sabe-se lá porque artes da burocracia, o tal Valtan se apossa do processo e abre a ação.

Foi uma medida extremamente abusiva e com agravantes.

Primeiro, pelos motivos invocados.

Segundo ele, Lula é suspeito de ter influenciado agentes públicos de outros países, em favor da Construtora Odebrecht. O Procurador lança suspeitas sobre atividade exercida por praticamente todos os ex-presidentes de países desenvolvidos, sobre um trabalho de lobby legítimo praticado por George Bush pai e filho, por Bill Clinton, Tony Blair.

Crime é autoridade pública valer-se de seu cargo para influenciar decisões em seu próprio país. Como criminalizar a atuação de um ex-presidente, sem cargo público, influenciando autoridades de outros países em favor de uma empresa brasileira?

E o que seria essa influência? As “evidências” divulgadas ontem pelos jornais são ridículas:
  1. Na viagem para Cuba, Republica Dominicana e Estados Unidos, em janeiro de 2013, Lula foi acompanhado pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Alexandrino Alencar. Onde o crime?
  2. A empresa teria pagado as despesas de voo do ex-presidente, mesmo não sendo uma viagem de trabalho para a empreiteira. Ora, Lula viajou na qualidade de ex-presidente, sem nenhum cargo público. Qual a irregularidade? (http://migre.me/qNnZm).
  3. Lula é acusado de usar sua influência para facilitar negócios da Odebrecht com governos estrangeiros (http://migre.me/qNo2m).
Não se fica nisso. O tal Valtan quer comprovação de que Lula de fato fez palestras nesses países, para justificar o pagamento de cachês.

* * *

Contra qualquer outra pessoa, esse tipo de procedimento seria abusivo. Contra um ex-presidente da República — seja ele FHC ou Lula — denota uma absoluta falta de limites e de respeito institucional.

É falta de respeito com os milhões de brasileiros que votaram em Lula, e falta de respeito com o próprio país, na medida em que Lula tornou-se a personalidade pública brasileira internacionalmente mais conhecida. E falta de respeito em relação ao próprio MPF, ao comprovar que qualquer procurador sente-se à vontade para investir até contra ex-presidentes, armado de argumentos inconsistentes.

Não se pode banalizar de forma tão extremada o poder individual de um Procurador.

A incapacidade da corporação de coibir essas demonstrações de poder constitui-se em veneno na veia do MPF.

Procuradores passam, o MPF fica. E seus inimigos também.

Luís Nassif
No GGN
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E quando é a “justiça” que ameaça a democracia?


Pode-se dizer que isso é muito comum em sociedades totalitárias e mesmo em sociedades regidas por elites conservadoras. Pode-se perceber, efetivamente, que, ao longo da história brasileira, os mecanismos da “justiça” não se portaram, estruturalmente, como se empenhados na construção da democracia.

Porém, cada época conta os seus tostões… E não tenho como não ficar estarrecido vendo a maneira como a “justiça” brasileira, do STF ao juízes investigadores do MP, vai se comportando da maneira descaradamente golpista e abertamente anti-democrática.

Ora senão se veja: os sintomas desse processo abundam.

A positivacão do senso comum

Em primeiro lugar, por meio da positivação do senso comum: positivo não no sentido de bom, ou correto, mas no sentido de objetivo — produção de uma unanimidade por exclusão: quem não está de acordo é punido. Com isso, acaba ocorrendo uma inversão na ordem que antes regia o papel da justiça: ela deixa de defender a sociedade para passar a defender interesses setoriais. A processualística do direito vai para segundo plano e os magistrados passam a atuar pautados por esse senso comum. Por resultado, juízes conduzem processos sob o “primado da hipótese sobre os fatos” e convertem-se em acusadores.

A justiça inquisitorial

O poder da justiça passou a produzir um metadiscurso — um discurso sobre si mesmo — cujo fim é legitimar procedimentos tendenciosos e parciais. Com isso, se produz uma falsa coerência, em nome da qual todo tipo de abuso pode ser cometido. Essa falsa coerência ameaça os direitos individuais e as garantias individuais estabelecidas pela Constituição. A chamada Operação Lava Jato, por exemplo, usa procedimentos investigativos questionáveis e alguns claramente inconstitucionais. A inquisição foi renovada no Brasil, resgatando práticas que a própria Lei coíbe: as comunicações entre acusado e sua defesa estão sendo interceptadas, bem como as estratégias de defesa estão sendo apreendidas e violadas e as audiências estão sendo conduzidas sem obediência à processualidade devida, com prejuízos evidentes para a defesa. Além disso, está-se abusando de mecanismos como a delação premiada e a prisão cautelar, aplicando-a, sem fundamentação, a acusados primários.

A justiça seletiva

Juízes escolhem, de acordo com sua posição no espectro politico, quem será punido, ignorando evidências que atingem seus parceiros e, assim, cometem abusos de poder. Nesse processo, o direito à defesa, fundamento de todo processo jurídico, vai sendo cerceado e, com tal seletividade, acaba-se por inverter a ordem legal: todo mundo passa a ser culpado, até que se prove o contrário. Pior: juízes e investigadores promovem vazamentos de informação também seletivos, atendendo ao agendamento, sempre seletivo, feito pela mídia e pelos partidos de direita.

A justiça como espetáculo

Por fim, não há como não referir a tendência de espetacularização da justiça: Juízes se portam como celebridades, falando com voz moral e espalhafatosa, quando a sua voz deveria ser estritamente a da lei. Por princípio, juízes não falam fora dos autos. No Brasil atual, juízes dão entrevistas, emitem opiniões sobre processos em curso e até frequentam camarotes de carnaval de grandes empresas. Essa pretensão à notoriedade desvirtualiza sua função social e compromete a própria justiça.

Esses sintomas da “justiça” indicam, nitidamente, o processo de ascenção do fascismo no Brasil. O projeto, como se sabe, é o facilitar o golpe de Estado, mas o que a justiça seletiva e inquisitorial verdadeiramente compromete é a democracia.

O que está ameaçado não é o governo Dilma, mas a própria democracia.

Fabio Fonseca de Castro
No Hupomnemata
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Como o Estado laico já era, decidi: vou abrir uma igreja


Decidi. Vou abrir uma igreja.

Considerando que o país caminha a passos largos para garantir que organizações religiosas tenham mais direitos que o restante da sociedade (Estado laico? Rá!), creio que é a saída mais lógica. Como diria o velho e bom Torquemada: é se converter para não perecer.

A gente transforma o Havana Connection em programa religioso e consagra como bispos o Guilherme Boulos, o Jean Wyllys e a Laura Capriglione. O Boulos pedindo para os fiéis levarem um copo de rum para perto da tela a fim dele ser benzido em nome de Che seria icônico.

Daí convidamos Antonio Prata, Eliane Brum, Emicida, Ferréz, Gregório Duvivier, Xico Sá, o papa Francisco, entre outros, para serem ministros da congregação — cada blog ou conta em rede social, um ministério diferente.

Nossa religião seria baseada em mídia, claro — e qual não é hoje em dia? E tá cheio de espaço irregularmente posto à venda nas concessões públicas de TV. É só juntar dízimo e comprar algumas horas de programação. Estrearíamos um “Fala que eu te escuto'' com a Laerte atendendo ligações dos telespectadores na madrugada e dando conselhos sobre coisas da vida e amor.

Daria para substituir a “Terça-feira da Cura'' pela “Terça da Cachaça seguida de Ressaca'', a “Quarta-feira da Família Tradicional'' pela “Quarta-feira Colorida do Amor Livre'', as escolas sabatinas da bíblia pela leitura das charges do Angeli e o “Bispo Macedo Responde'' por, claro, “Jean Conta Tudo''.

Racistas, machistas, homofóbicos, transfóbicos, xenófobos e preconceituosos sociais de todas as formas seriam levados por suas famílias e amigos ao nosso Templo Maior para serem exorcizados.

– Qual o seu nome, meu filho?

– Marco Antônio Almeida Prado Marcondes Teixeira de Bragança Neto

– E o que você tem a dizer?

– Que cotas são racismo às avessas, que homens e mulheres não devem ter direitos iguais, que gays não podem constituir família e que pobre só é pobre porque foi preguiçoso.

– ELE ESTÁ POSSUÍDO, MINHA GENTE! Em nome de Michel Foucault, Ignorância demoníaca saia do corpo deste rapaz!

Uma igreja não montou uma “pseudomilícia'' para Deus, os “Gladiadores do Altar''? Então, se a gente, no âmbito da nova religião, estruturar uma guerrilha de orientação maoísta no Araguaia (a segunda vez é a que vale), as forças armadas não poderão criar problemas, correto? Ou as forças armadas são contra a liberdade religiosa? Outra opção é fomentar o “Batalhão Duas Rodas'', uma milícia furtiva de jovens ciclistas noturnos nas grandes cidades para levar graça a quem parar em cima da faixa de pedestres ou estacionar em vaga de pessoas com deficiência.

A Proposta de Emenda Constitucional 99/2011, que garante que associações religiosas possam entrar com ações de constitucionalidade e inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal — e que está caminhando no Congresso Nacional — ajudará, se aprovada, a setores fundamentalistas religiosos a questionar direitos de minorias. O que é bizarro.

Mas, veja por outro lado, nossa igreja também terá voz no Supremo como parte interessada. Assim, poderemos ingressar com uma exigência: a de que o símbolo da nossa religião, um Jesus crucificado em uma foice e um martelo (já pedimos a Evo que consiga os direitos autorais da peça que ele deu a Francisco), seja colocado ao lado de cada crucifixo cristão que ornamenta uma parede de prédio público no Brasil — o plenário do STF, a Câmara dos Deputados e repartições públicas mil. Por que só os cristãos podem?

Além disso, vai ficar mais fácil ir para a América Latina, ampliar a igreja e, na volta, comprar uísque no frichópe. Afinal, Valdomiro Santiago de Oliveira, liderança da Igreja Mundial do Poder de Deus, Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, e R.R. Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus já foram agraciados com passaportes diplomáticos pelo poder público por desempenharem “função do interesse do país''. Também teremos passaportes diplomáticos para ir a Havana e voltar.

E já que a Igreja Católica está pressionando o município de São Paulo para criar normas específicas para “locais de culto'', garantindo um público maior do que o zoneamento permite, iremos aproveitar a brecha para a implantação do nosso Templo Maior onde hoje é o Clube Paulistano, que congrega a nossa elite local.

Para isso, decidimos aperfeiçoar o dízimo por cartão de crédito, desenvolvido por algumas igrejas, para o dízimo com consignado — que debita já da folha de pagamento.

E se tudo o que disse não for suficiente para te convencer da utilidade de fundar uma igreja neste momento, lembre-se que o presidente da Câmara dos Deputados é Eduardo Cunha, um homem profundamente religioso, que vai transformar o país à sua imagem e semelhança.

Se não pode vencê-los, junte-se a eles.

Leonardo Sakamoto



Como abrir uma igreja no Brasil e ter acesso a privilégios diversos


Não há qualquer requisito teológico, doutrinário ou número mínimo de fieis, e basta ao interessado procurar um cartório, pagar algumas taxas que não chegam a R$ 500,00, arrumar uma garagem ou uma pequena sala e se auto-intitular bispo, pastor, sacerdote, enviado de Deus ou o que preferir.

Com o novo CNPJ devidamente registrado, o recém “ordenado” líder religioso passa a gozar de privilégios no mundo dos homens, como não pagar diversos impostos.

A conta aberta em nome da nova igreja, onde o dízimo dos fieis deve ser depositado, por exemplo, é livre do Imposto de Renda e do Imposto sobre Operações Financeiras. Assim como podem ficar isentas de tributação também as “comissões” que os líderes religiosos recebem por arrecadar mais dízimo ou arrebanhar fieis, como aprovou recentemente a Câmara de Eduardo Cunha.

Já a sede da igreja não precisa pagar IPTU, nem os veículos, IPVA.

O ICMS varia de acordo com o estado, e muitas também são isentas.

Mas os benefícios fiscais não são os únicos, e o fundador da própria igreja e seus ministros podem contar ainda com o direito a prisão especial, além de ficarem livres do serviço militar obrigatório. Podem também conseguir acesso a algumas substâncias restritas ao restante da população.

Todos esses benefícios, porém, ainda parecem pouco para alguns, e a nova cruzada da bancada evangélica do Congresso é pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição que inclui as igrejas na lista de instituições capazes de propor ação direta de inconstitucionalidade ou ação declaratória de constitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal.

O texto é de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), o mesmo que propôs a regulamentação da “cura gay”.

Na lei atual, podem propor esse tipo de ação o Presidente da República, a mesa da Câmara dos Deputados, a mesa do Senado, governadores, o procurador-geral da República, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, partidos políticos com representação no Congresso Nacional, sindicatos ou entidades de classe de âmbito nacional.

O que a proposta de João Campos talvez esqueça é que qualquer um pode abrir uma igreja.

O jornalista Leonardo Sakamoto é um dos interessados, e publicou uma coluna explicando as doutrinas de sua nova igreja a ser criada:

“Daria para substituir a “Terça-feira da Cura” pela “Terça da Cachaça seguida de Ressaca”, a “Quarta-feira da Família Tradicional” pela “Quarta-feira Colorida do Amor Livre”, as escolas sabatinas da bíblia pela leitura das charges do Angeli e o “Bispo Macedo Responde” por, claro, “Jean Conta Tudo”. (…) E tá cheio de espaço irregularmente posto à venda nas concessões públicas de TV. É só juntar dízimo e comprar algumas horas de programação. Estrearíamos um “Fala que eu te escuto” com a Laerte atendendo ligações dos telespectadores na madrugada e dando conselhos sobre coisas da vida e amor”.

Com Eduardo Cunha na presidência da Câmara é bem provável que a proposta de João Campos seja votada até passar.

E por mais que Sakamoto esteja sendo irônico, sua igreja não deixa de ser possível ou mesmo necessária.

Leonardo Mendes
No DCM
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José Eduardo Cardozo não vê base jurídica para impeachment da presidente



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Na moda de collorir

A direção mudou. Mas não muda o peso de verdade dado a umas poucas palavras acusatórias vindas, sem provas ou indícios, de pessoa com idoneidade inatestável.

E as instituições políticas se abalam, jornalistas falam de futuras retaliações e derrubadas entre Câmara e Presidência, políticos espertalhões pensam em um acordo de compensações com impeachment de Eduardo Cunha e impeachment de Dilma. Claro, Estado de Direito e democracia à brasileira.

Tudo que se passou na política desde a segunda posse de Dilma Rousseff esteve, e está, condicionado pelo retorno ao poder do grupo Collor, ocupante das presidências de Senado e Câmara com Renan Calheiros e Eduardo Cunha, discípulo que encantou PC Farias.

É apenas lógica a volta do próprio Fernando Collor à projeção, acompanhado, entre outros, de Pedro Paulo Leoni Ramos, que foi o seu encarregado de neutralizar a rede de informações e negócios do SNI, para maior tranquilidade das transações colloridas.

Deputados e senadores, com exceções exíguas, outra vez aceitaram bem o domínio e as práticas do collorismo. Associação, e em muitos casos sujeição, bem ilustrada no silêncio de Aécio Neves e do PSDB, capazes de pedir na Justiça a cassação do mandato presidencial com base em uma frase de delação premiada, mas emudecidos quando a mais grave das acusações a políticos cai sobre Eduardo Cunha.

Essa situação de Câmara e Senado não precisará esperar a comprovação ou negação da culpa de Eduardo Cunha para receber efeitos políticos importantes.

Tanto mais que ele sentiu o golpe. Sua resposta de superioridade quando esteve na expectativa de uma visita policial substituiu-se, em apenas 24 horas, por um jorro de agressões patéticas, evidência de tombo e descontrole.

Eduardo Cunha não imaginaria, a sério, que o governo dirija o procurador-geral da República, nem Rodrigo Janot obrigou delator algum a difamar Eduardo Cunha. Nem o juiz Sergio Moro detém indevidamente o inquérito em que Eduardo Cunha é acusado da extorsão de US$ 5 milhões.

O enfraquecimento de Eduardo Cunha é imediato, embora parcial. Se a acusação não for eliminada no recesso parlamentar, a iniciar-se amanhã, os projetos induzidos na Câmara por seu presidente já serão recebidos, no Senado, sem a complacência interesseira ou temerosa dada a Cunha. O PSDB, por exemplo, não será o mesmo da semana passada.

Citar Eduardo Cunha já é meia lembrança de Renan Calheiros. O enfraquecimento de um alcança o outro.

Mas na Câmara é que a provável permanência da acusação tem o maior campo de influência. Cunha adiou para agosto a votação final de alguns projetos, convencido de que os deputados voltarão radicalizados pelos eleitores.

Mas as aprovações obtidas por Eduardo o foram acima de tudo por suas manobras e articulações. No caso de seu enfraquecimento, a esperteza encontrará, no mínimo, um ambiente incerto.

Para completar, a situação de Eduardo Cunha é muito mais complicada do que o enfrentamento a uma afirmação breve de delator bem premiado. Ele o prova, descontrolado a ponto, por exemplo, de desmentir-se em apenas horas. Mal acabara de repetir que passar à oposição — na qual, de fato, sempre esteve — não influiria na conduta de presidente da Câmara, correu a aprovar duas CPIs contra o governo.

Na porta do recesso. Desespero raivoso é isso aí.

Brasil brasileiro

Música é também história. Franklin Martins faz um passo a passo do Brasil político, ao longo do século 20, por intermédio de um levantamento do Brasil musical, com notas complementares. Boa ideia e leitura, além de divertida, sonorizada com a reprodução de gravações originais: "Quem foi que inventou o Brasil?" (Nova Fronteira).

Lilia M. Schwarcz e Heloísa M. Starling fazem uma crônica biográfica do Brasil com largueza temática e disposição de veracidade muito enriquecedoras. Até porque às vezes você discutirá com as autoras.

Mas será levado a fazer ou aprimorar sua visão deste país que está sob seus olhares sempre e forçosamente estarrecidos, com o bom e com o restante. "Brasil: Uma Biografia" (Companhia das Letras).

Janio de Freitas
No fAlha
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Recordar é viver: Furnas pagou R$73 milhões a mais por ações vendidas a empresários ligados a Eduardo Cunha


 Matéria de 26-01-2011, atualizada em 04-11-2011 

Após abrir mão do direito de preferência na compra de um lote de ações da empresa Oliveira Trust Servicer, Furnas Centrais Elétricas pagou pelos mesmos papéis, menos de oito meses depois, R$73 milhões acima do valor original. O negócio, ocorrido entre dezembro de 2007 e julho de 2008, favoreceu a Companhia Energética Serra da Carioca 2, que pertence ao grupo Gallway. Um dos seus diretores, na época, era o ex-presidente da Cedae e ex-funcionário da Telerj Lutero de Castro Cardoso. Outro nome conhecido no grupo é o do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, que se apresenta em negócios como representante da Gallway.

Lutero e Funaro têm ligações com o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB/RJ), a quem é atribuída a indicação do então presidente de Furnas, o ex-prefeito Luiz Paulo Conde, no período da transação. Lutero, também nome indicado por Cunha para a Cedae, chegou a ter bens bloqueados pela Justiça por operações ilegais na companhia de águas em 2007. Já Funaro, ao ser investigado pela CPI dos Correios, teve de explicar os motivos que o levavam a pagar aluguel, condomínio e outras despesas do apartamento ocupado por Eduardo Cunha no flat Blue Tree Tower, em Brasília, em 2003. Furnas mudou de ideia em oito meses.

O negócio com a Oliveira Trust, registrado em atas de reunião de diretoria obtidas pelo Globo, envolveu a alteração da sociedade montada para construir e explorar a usina hidrelétrica de Serra do Facão, em Goiás. A primeira ata, de 4 de dezembro de 2007, registra a renúncia, por Furnas, ao direito de aquisição da participação da Oliveira Trust, que estava previsto no acordo dos acionistas. Já a ata de 9 de janeiro de 2008 informa a compra do lote pela Companhia Energética Serra da Carioca 2, do grupo Gallway (cuja origem é o paraíso fiscal das Ilhas Virgens britânicas), por um valor total aportado de R$6,96 milhões.

Quase sete meses depois, em outra reunião de diretoria no dia 29 de julho, a diretoria de Furnas aprova a compra deste mesmo lote — que correspondia a 29,89% do capital da Serra do Facão Participações S.A. — por R$80 milhões, uma diferença de mais de R$73 milhões.

A pretexto de evitar o pagamento de custos adicionais decorrentes de correção de valores, a diretoria de Furnas aprova, três semanas depois da realização do negócio com a empresa Serra da Carioca, o “pagamento imediato” da segunda parcela à empresa de Funaro, estimada em R$26 milhões. Estatal alega que sócio fez aporte.

Furnas alegou, em nota à redação, que a diferença entre o valor original e o efetivamente pago pela estatal se deve ao fato de que, neste intervalo (2008), a empresa Serra da Carioca fez um aporte de R$75 milhões na sociedade, “o que justifica integralmente a diferença”.

A estatal, contudo, não forneceu qualquer detalhe sobre o suposto aporte feito pela companhia ligada ao doleiro Lúcio Funaro: “O aporte foi feito pela Serra da Carioca à Serra do Facão Participações; portanto, esse registro deve ser solicitado a eles”, respondeu Furnas.

Sobre as razões de ter dispensado, em dezembro do ano anterior, a opção de compra das ações, a nota informou que “naquela ocasião era necessário manter o caráter privado da Serra do Facão, o que só seria possível se um investidor privado fosse substituído por outro de mesma natureza”.

Para explicar a repentina mudança, meses depois, Furnas alegou que “essa aquisição melhoraria o resultado do negócio para Furnas, considerando-se a alteração de variáveis macroeconômicas no período”, como diz a nota.

Furnas negou ter encontrado problemas para obter o financiamento necessário junto ao BNDES – o banco teria resistido a aprová-lo ao constatar a presença da companhia ligada a Lutero e Funaro no negócio: “Foi um processo normal de negociação para concessão de financiamento desse porte”, diz.

A estatal também negou conhecer o doleiro ou ter ciência da ligação de representantes ou sócios da Serra da Carioca com o deputado federal Eduardo Cunha.

O negócio envolvendo a hidrelétrica de Serra do Facão está citado em documento elaborado por engenheiros de Furnas, este mês, para denunciar o aparelhamento político da estatal pelo PMDB fluminense. O dossiê, de duas páginas e meia, foi encaminhado pelo deputado estadual licenciado e secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar (PT/RJ), ao ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Luiz Sérgio.

No trecho sobre o caso, os engenheiros sustentam que “um exemplo da atuação dessa rede de influência gerencial foi o prejuízo para Furnas no processo de engenharia financeira da usina de Serra do Facão”. De acordo com os autores, os prejuízos acumulados só nessa operação chegariam a R$100 milhões.

“Ainda que não haja nenhuma prova material, contratações, renovação e não renovação de contratos, liberação de pagamentos, nomeação etc. são feitas, frequentemente e às claras, para atender ao interesse desse ou daquele grupo político. A desfaçatez é amplamente registrada nos corredores da empresa”, diz o texto.

Lúcio Funaro é um nome conhecido na crônica política de Brasília. Uma das muitas transações polêmicas em que se envolveu também teve como cenário o setor elétrico. Outra empresa do grupo Gallway, a Centrais Elétricas de Belém (Cebel), captou dinheiro de três fundos de pensão para construir a central hidrelétrica de Apertadinho, em Rondônia. Porém, a barragem erguida pelos construtores se rompeu, inundou a cidade mais próxima e jogou pelo ralo investimentos de mais de R$100 milhões.

Dos três fundos de pensão prejudicados, um chama atenção: a Prece, caixa de previdência dos funcionários da Cedae, que aprovou a sua participação no período em que Lutero de Castro Cardoso estava à frente da companhia.

Em reação ao documento, Eduardo Cunha acusou o PT de estar por trás das denúncias. Ele nega qualquer tipo de ingerência política em Furnas, embora admita que o PMDB indicou diretores da estatal, juntamente com o PT e o PR. Gallway não está na sede declarada.

A Gallway registra um capital, segundo a Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), de R$71,8 milhões, divididos em duas companhias, a Gallway Projetos e Energia do Brasil Ltda., aberta em abril de 2007, e a Gallway Projetos e Energia do Brasil S.A., de 2008. O Globo tentou localizar as empresas nas sedes apresentadas pelos documentos oficiais da Jucesp e da Receita Federal.

Em um dos endereços, na Avenida 9 de Julho, a empresa que ocupa o lugar é a Cingular Fomento Mercantil, do doleiro Lucio Funaro, envolvido em pelo menos dois escândalos nacionais, a CPMI dos Correios e a Operação Satiagraha. A própria Serra da Carioca 2 tem como sede o mesmo endereço, mas os funcionários do prédio não a conhecem. No outro endereço atribuído a Gallway, e que consta como sede em seu site, funciona uma empresa sem vínculo com o grupo. Funcionários do prédio informaram ao jornal que a Gallway deixou o endereço há cerca de um ano.

Na portaria, que ficou de recolher as correspondências para entregar aos antigos locatários, constam os nomes de Funaro, Gallway, Enerbrax e Centrais Elétricas de Belém, as duas últimas concessionárias de energia do grupo Gallway. Os funcionários do edifício, um prédio de escritórios em Pinheiros, informaram que a empresa sequer mandou retirar as correspondências guardadas.

Procurado, Lutero Cardoso não atendeu o pedido de uma entrevista feito pelo repórter. Funaro não foi encontrado. Eduardo Cunha usa Twitter para atacar imprensa.

Desde a publicação pelo Globo, na segunda-feira passada, de reportagem sobre o descontentamento de funcionários de Furnas com a interferência política do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB/RJ) na estatal, o peemedebista tem usado sua página no Twitter para atacar a imprensa e colegas deputados, especialmente do PT. Na segunda-feira, Cunha reagiu à reportagem com a tentativa de vincular o repórter Chico Otávio e O Globo a supostos interesses políticos do PT. Usando de ironia, ameaçou o jornalista com processo. Após se pronunciar sobre o caso, o deputado Jorge Bittar (PT) também virou alvo dos ataques de Cunha na internet. O peemedebista ainda tem reservado espaço em seus comentários para a briga entre PMDB e PT por cargos no governo Dilma.

Leia algumas das frases de Eduardo Cunha postadas no Twitter, da forma como ele escreveu:

Dia 24

“Por que sera que só se preocupam com os do PMDB?? Com a palavra o senhor Chico Otávio”

“O escândalo e o Chico Otávio que além de não colocar a minha versão correta, não nomina quem assina o tal docto (documento) e nem ouve Furnas”

“Esse Fabio Rezende (ex-diretor de Furnas) declarou publicamente que apoiava a eleição do Bittar. O que vcs acham que está por trás disso??”

“Na verdade o docto foi feito pelo Fabio Rezende que nem coragem para assinar teve. Ele não tem aquilo roxo e sim rosado”

“E o Bittar fez o papelão de dar curso a isso sem assumir a autoria. Trata-se de aleivosias que escondem o interesse político”

Dia 25

“O Chico Otávio e O Globo seguem com a campanha de sempre em forma de novela mexicana. Amanhã certamente terá mais.”

“E o Bittar ainda fala na matéria do Globo atacando a gestão. É como eu falo: o apetite de setores do PT por mais cargos é ABSURDO”

“Por que não saem denúncias envolvendo os cargos do PT??????”

“Essa coisa toda já tá enchendo a paciência. É melhor eles assumirem logo que querem o governo todo só para eles e talvez seja pouco.”

“Já repararam só vai para os jornais o pouco que o PMDB tem e querem tirar, Funasa, Sec M Saúde já tirada, Dnocs, Eletrobras , Furnas etc.”

Dia 26

“O Chico Otávio parou hj, o que que houve? Que que deu nele?”

“Muita gente fala que eu brigo muito, mas só sou autêntico. Tem gente que prefere a hipocrisia de fingir que é amigo e bate por trás”

“Eu ao menos falo o que penso e reajo as agressões e não engulo sapos. Cada qual tem o seu temperamento e esse é o meu. Sou leal com os amigos.”

“E serei sempre implacável com os adversários, inimigos e falsos amigos, doa a quem doer.”

“E está muito claro que no RJ e o Bittar e em MG e Fernando Pimentel. São os setores de influência deles que querem tirar do PMDB Furnas”

“A sede de Furnas é no RJ e o Rio não pode perder tanto assim. Já perdeu muito.”

Chico Otávio e Tatiana Farah, via O Globo em 26/1/2011 e atualizado em 4/11/2011

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