17 de jul de 2015

Todos os homens do presidente

Achamos 213 dos 260 do Cunha

Faltam 47! Ajude!



O Júlio Camargo afirmou que o Cunha lhe disse que controla 260 deputados!

Eis a primeira lista, extraída do Brasil de Fato:

As faces de Cunha

Conheça os 213 comandados do presidente da Câmara dos Deputados

Distrito Federal

São Paulo

Minas Gerais

Paraíba

Bahia

Rio Grande do Norte

Pará

Mato Grosso do Sul

Amazonas

Rio de Janeiro

Roraima

Maranhão

Pernambuco

Rio Grande do Sul

Amapá

Tocantins

Santa Catarina

Goiás

Ceará

Sergipe

Acre

Rondônia

Alagoas

Paraná

Mato Grosso

Piauí

Espírito Santo

A partir do  infográfico abaixo, é possível observar alguns indicativos. Os dois partidos com deputados que mais seguem Cunha são PMDB e PSDB, contando com números muito próximos — 38 e 36, respectivamente. Em tese, o primeiro faz parte da base aliada, o segundo é o principal partido de oposição no Brasil.  Essa ambiguidade pode ser verificada em toda a lista. Levando-se em conta as agremiações com dez ou mais parlamentares que seguem Cunha, apenas o PSB e DEM não fazem parte do governo, todos os outros compõe, inclusive, o ministério de Dilma. Destaca-se a prevalência de legendas do centro à direita. Em síntese, o presidente da Câmara articula uma “frente” parlamentar capaz de fazer avançar uma agenda considerada conservadora e que transcende a relação entre governo e oposição.
gráfico dos partidos

Entenda

O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi — e continua sendo — um dos protagonistas do noticiário político brasileiro em 2015. Sua carreira política, entretanto, começou muito antes do 1º de fevereiro que o elegeu presidente da Câmara dos Deputados.

Os primeiros passos do deputado federal carioca começaram nos momentos iniciais da redemocratização. Em 1989, Paulo César Farias, conhecido como PC Farias, o convida para se filiar ao PRN e assumir a tesouraria do comitê eleitoral de Fernando Collor no Rio de Janeiro, então candidato à Presidência da República. A atuação lhe valeu a presidência da Telerj. A passagem de Cunha pela companhia rendeu denúncias posteriores de irregularidades em contratos públicos e licitações.

Cunha foi um dos personagens secundários na queda de Collor. O irmão do então presidente da República acusa PC farias,  tesoureiro da campanha presidencial, de operar no governo um esquema de corrupção cujo volume, na época, foi estimado em R$ 1 bilhão de reais. Collor cai em 1992. Cunha é um dos investigados no “Esquema PC”, e é afastado da Telerj em 93.  Farias seria encontrado morto com a namorada em 1996.

Após a saída do político da estatal de telefonia, Cunha se aproxima de Francisco Silva, então deputado federal mais votado do Rio e dono de uma rádio evangélica. Em 1994, se filia ao PPB, hoje PP. Por indicação de Silva, Cunha se torna presidente da Companhia Estadual de Habitação na gestão de Anthony Garotinho. Fica no cargo por seis meses, sendo afastado por denúncias de contratos sem licitação e favorecimento de empresas inexistentes.

Em 2001, Cunha assume, por meio de uma articulação de Garotinho, como deputado na Alerj, o que dificulta as investigações contra ele. Em 2002, é eleito deputado federal. Em 2003, troca o PP pelo PMDB. É reeleito em 2006 e 2010.

Em “paralelo” à política, pela proximidade com Francisco Silva, Cunha se torna evangélico e radialista. Sua voz torna-se famosa no segmento. Isso explica parte de sua popularidade no Rio de Janeiro — em 2014, foi o terceiro candidato deputado federal mais votado, com 232.708 votos, o que equivale a  3% de todo o eleitorado fluminense. Outra parte da explicação é o fato de que se trata de um dos políticos com maior capacidade de arrecadação para campanhas. No último pleito, gastou mais de 6 milhões de reais para se eleger, de acordo com o que declarou para o Tribunal superior eleitoral..

Desta forma, Cunha garante a fidelidade de deputados eleitos por conta das ajudas financeiras para suas campanhas e pelo quoficiente eleitoral. Obviamente, há um outro lado. Cunha se compromete com as pautas de seus financiadores: a terceirização, o perdão da dívida das seguradoras e o próprio financiamento empresarial de campanha são bandeiras do presidente da Câmara.

As pautas de Cunha, seu próprio histórico político — do partido de Collor, passando pela legenda herdeira da ditadura até a agremiação que liderou a oposição oficial ao regime militar — e a confusão ideológica que reina no sistema político brasileiro apontam para o fato de que as bandeiras defendidas por ele transcendem bancadas partidárias e a própria noção de oposição e situação, governo e oposição.

Nesse cenário, Cunha conseguiu importantes vitórias. Utilizando-se de manobras, recolocando em votação questões que havia perdido, ele foi capaz de obter maiorias expressivas. Conseguiu, algumas vezes torcendo a legalidade, aprovar sua agenda conservadora em questões fundamentais para a sociedade brasileira. Não é forçoso dizer que Cunha tem desestabilizado as relações entre os poderes da  República.

Entretanto, Cunha não faz tudo isso sozinho.  Para descobrir quem são os parlamentares que compõem a base mais fiel à ele, o Brasil de Fato cruzou as listas de votação de três importantes e polêmicos temas que ocorreram no primeiro semestre de 2015:
  • terceirização, combatida pelas organizações sindicais como sinônimo de precarização e retirada de direitos;
  • financiamento empresarial de campanha, contrariando os anseios das organizações da sociedade civil que defendem uma reforma política que garanta a diminuição da influência do poder econômico e
  • redução da maioridade penal, que legou a Cunha o título de inimigo número um da juventude brasileira.
O resultado: 213 parlamentares seguiram Eduardo Cunha em todas as três votações. Pertencem a diversos partidos, de vários estados, parte da base aliada e da oposição.  Essas são as faces de Cunha.

No CAf | Brasil de Fato
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O desespero cafajeste de Cunha diante do isolamento

Ele
De acordo com o Terra, as redes sociais se encheram de gente, hoje, perguntando “quem é Eduardo Cunha”. A cadeia — cadeia — de rádio e TV que ele convocou serve para que se apresente a quem não o conhece.

Mas o Cunha que foi visto e ouvido, (assista abaixo), não é o mesmo de 48 horas atrás, mas um político em estado de choque, lidando de maneira abjeta e eventualmente suicida com a fogueira em que está metido.

Uma coisa é cair de pé. Outra é sair atirando e criando inimigos no mais absoluto desespero canalha.

Eduardo Cunha não pode continuar presidindo a Câmara se for denunciado por corrupção. Sua verdadeira face se mostra completamente no momento em que olha o abismo.

Numa coletiva em que soltava perdigotos e uma baba paranóica se formava no canto da boca, criou um complô formado pelo governo federal, por Janot, pela PF e por Sergio Moro.

Quer convocar ministros para depor, ameaça procuradores, esperneia. São frentes de batalha demais para um sujeito só e que, paradoxalmente, demonstra sua noção de onipotência.

O Palácio do Planalto, afirma ele, tem “um bando de aloprados” que “vive de criar constrangimentos”.

“O governo faz tudo para me derrotar”, falou. “O governo não me engole”. Segundo ele, Janot pressionou o lobista Julio Camargo a mudar seu depoimento. “Falta gente naquela cadeia ainda”.

O procurador “está a serviço do governo”, alega, sem explicar como isso se coaduna com o prejuízo que o PT e a gestão de Dilma têm com a Lava Jato. O PMDB, rapidamente, soltou uma nota comunicando que a posição do presidente da Câmara é “pessoal”.

Caminha para o isolamento uma figura com uma ficha corrida invejável, que começou na carreira como braço direito do saudoso PC Farias na Telerj e que chegou aonde chegou na base do achaque, da intimidação e da impunidade.

Fernando Collor pediu, quando sua presidência já estava nos estertores, que os brasileiros saíssem às ruas num 7 de setembro de verde e amarelo, mas as pessoas preferiram o preto.

Cunha não tem como dar essa cartada, mas convocou um “aplausaço” de seus seguidores. É a república da cafajestagem, com a ajuda de Deus e dos paus mandados.

Kiko Nogueira
No DCM



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Eduardo Cunha está morto e aqui estão as razões

Teve o que mereceu
Sabe aquele lutador que cisca, cisca, cisca até que leva um golpe na pera e desaba?

É Eduardo Cunha.

O golpe foi o depoimento de Júlio Camargo.

A luta acabou para Eduardo Cunha. Ele está tão zonzo que não percebeu. É como se ele, ainda na lona, dissesse ao juiz: “Tá tudo bem. A que horas começa a luta?”

Se preferirem outra imagem, Cunha é um dead man walking, um morto que caminha, como os americanos chamam os detentos do corredor da morte.

Camargo contou, num vídeo eletrizante de uma hora, o que Eduardo Cunha fez para garantir uma propina de alguns milhões de dólares.

Cunha chamou-o depois de mentiroso. Mas quem vê o vídeo sabe muito bem quem é o mentiroso entre os dois.

Todas as peças se encaixam.

O método do achacamento, por exemplo. Cunha ia triturar a empresa devedora na Câmara se o dinheiro não lhe fosse dado.

Isso bate com uma investigação da Procuradoria Geral da República segundo a qual requerimentos na Câmara para investigar a empresa partiram, secretamente, de Cunha.

Funcionaria assim. Se o dinheiro fosse dado, o trabalho da Câmara não daria em nada. Se não fosse, bem, eis aí a arte do achaque e da chantagem.

Outro delator, o doleiro Alberto Youssef, também num vídeo tornado público, contribuiu para o desmascaramento de Cunha.

Youssef contou que um “pau mandado” de Cunha o vinha intimidando para não falar nada sobre o presidente da Câmara em sua delação.

As ameaças do “pau mandado” se dirigiam à família de Youssef.

Camargo também tocou nisso: o medo que sentia de que sua delação levasse a violências contra sua família.

Você ouve Camargo e Youssef e pensa que se trata do submundo da bandidagem, de organizações como o PCC.

Mas é o mundo de Eduardo Cunha.

Desesperado, ele tentou criar uma notícia para neutralizar o conteúdo devastador do depoimento de Camargo.

É aí que apareceu sua “ruptura” com o governo, como se ele em algum momento tivesse jogado a favor.

Alguns jornalistas embarcaram alegremente no blefe de Cunha. Diego Escosteguy, da Época, o Kim Kataguiri das redações, foi um deles.

Em sua conta no Twitter, ele anunciou, triunfal, o “furo” da ruptura. A notícia de fato importante passou a não valer nada: o vídeo histórico de Camargo. Foi o triunfo do rodapé.

Maus editores contribuem mais para o fim de revistas impressas do que a internet.

Qual o poder de Cunha numa guerra contra o governo?

Alguma coisa muito próxima de zero. Não há nada mais liquidado do que um chefe político liquidado.

Que lealdade alguém como ele, cercado do que há de pior em termos de caráter, pode esperar dos deputados que controlava agora que está numa encrenca pesada e já não tem nada a oferecer?

Um sinal disso veio quando o PMDB, em nota, avisou que ele falará em nome dele mesmo, no pronunciamento de rádio e tevê que ele programou para esta sexta.

Para a mídia, ele também já não serve para nada.

A mídia precisa de alguém que pelo menos pareça honesto para contrapor ao PT na campanha demagógica centrada na corrupção.

Depois do depoimento de Camargo, Eduardo Cunha já não serve para isso. Ele é o maior ícone da corrupção no Brasil.

Tudo aconteceu muito rápido para Cunha.

Da obscuridade aos sonhos presidenciais, foram poucos meses.

Agora, devolvido à áspera realidade, resta a ele torcer para escapar da cadeia.

Paulo Nogueira
No DCM
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Dilma se emociona em homenagem a Cristina Kirchner


Presidente da Republica se emocionou ao se despedir da colega argentina.

Cristina deixará o comando da Casa Rosada após as eleições de outubro.

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Cunha é autor de requerimentos suspeitos, aponta investigação da PGR

Documento teria sido usado para achacar empresa; peemedebista nega

Foto postada no facebook do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
em que ele aparece com a prefeita de Rio Bonito, Solange
Almeida, na campanha eleitoral de 2014
A Procuradoria Geral da República (PGR) avançou na produção de provas que mostram que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é o verdadeiro autor de requerimentos parlamentares suspeitos de terem sido usados para pressionar a empresa Mitsui a pagar propina, segundo fontes da investigações.

A apreensão de registros do sistema de informática da Câmara, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e executada por procuradores no começo de maio, foi considerada exitosa e aproximou Cunha ainda mais de uma denúncia ao STF. Se isso se confirmar, o presidente da Câmara passaria da condição de investigado a réu.

Novas evidências foram colhidas a partir dos registros coletados e reforçaram a participação do deputado no suposto achaque à empresa.

Em delação premiada, o doleiro Alberto Youssef afirmou que Cunha apresentou requerimentos, por meio de aliados, para pressionar a Mitsui a retomar o pagamento de propina.

Como revelou O Globo, em 2011, a então deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), hoje prefeita de Rio Bonito e aliada de Cunha, protocolou dois requerimentos na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara — um com pedido de informações ao Ministério de Minas e Energia sobre contratos da Mitsui com a Petrobras e outro com pedido ao Tribunal de Contas da União para que fizesse auditorias nos contratos.

Os arquivos eletrônicos dos requerimentos apontam “Dep. Eduardo Cunha” como o real autor. Ele nega.

Tanto a diligência feita na Câmara, seguida de uma posterior análise técnica dos dados recolhidos, quanto o depoimento do consultor Júlio Camargo, que representava a Mitsui, confirmaram a atuação de Cunha no episódio relatado pelo doleiro Youssef.

A Mitsui nega que tenha contratado Júlio Camargo.

A denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF é dada como certa. Se isso ocorrer, o presidente da Câmara passa da condição de investigado a réu. As suspeitas são de que Cunha cometeu os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O mais provável, segundo fontes ouvidas, é que a denúncia seja apresentada sem que sejam feitas novas buscas por provas. Existe a possibilidade, porém, de novos pedidos de busca serem feitos após a denúncia.

Para avançar na produção de provas, a PGR partiu do princípio de que Cunha poderia destruir documentos e, por isso, decidiu apreender os registros do sistema de informática da Câmara. Para evitar a busca de registros na Câmara, a única alternativa, segundo fontes da investigações, teria sido seria o afastamento cautelar de Cunha da presidência da Câmara.

Os dois requerimentos apresentados por Solange provocaram respostas dos órgãos acionados. O então ministro de Minas e Energia, senador Edison Lobão (PMDB-MA), encaminhou à Câmara um documento formulado pela Petrobras com o detalhamento dos seis contratos existentes naquele momento entre a estatal e a Mitsui Ocean Development & Engineering Co., no valor de R$ 3,2 bilhões e com 13 aditivos.

O Tribunal de Contas da União também respondeu, informando não haver auditoria em curso contra a Mitsui.

Vinicius Sassine
No O Globo
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Dep Sílvio Costa pede saída de Cunha


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O pronunciamento de Eduardo Cunha fora da cadeia


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#QuemTemCunhaTemMedo


No dia do seu inusitado pronunciamento em rede nacional de rádio e tevê, o lobista Eduardo Cunha conseguiu agitar as redes sociais. Ele bombou em várias hashtags. Uma das mais criativas, #QuemTemCunhaTemMedo, expressa um temor bem verdadeiro. O atual presidente da Câmara Federal é famoso pelos seus métodos truculentos e vingativos. Na “delação premiada” em que afirmou ter repassado US$ 5 milhões ao deputado carioca, o empresário Júlio Camargo não escondeu o seu medo diante das retaliações: “Eduardo Cunha é conhecido como uma pessoa agressiva... O maior receio é a família, porque quem age dessa maneira perfeitamente pode agir não contra você, mas contra terceiros. Às vezes, machucar um ente querido é muito pior do que machucar você mesmo”.

Até o doleiro Alberto Youssef, que vive no submundo do crime, já admitiu aos investigadores da midiática Operação Lava-Jato que teme pela sua família. “Eu venho sofrendo intimidação perante as minhas filhas e a minha ex-esposa por uma CPI coordenada por alguns políticos", disse nesta quinta-feira (16). “Como réu colaborador, quero deixar claro que estou sendo intimidado pela CPI da Petrobras por um deputado pau-mandado do senhor Eduardo Cunha”. Ele não citou o nome do parlamentar. No mês passado, porém, o deputado Celso Pansera (PMDB-RJ), fiel aliado do presidente da Câmara, pediu a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico da ex-mulher e das duas filhas do doleiro. O Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido, mas o recado foi dado!

A postura truculenta de Eduardo Cunha, porém, já não silencia todo mundo. Nesta semana, até um aliado de primeira hora, o deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), subiu a tribuna para condenar seus métodos autoritários. Ele criticou as manobras regimentais e os golpes rasteiros para acelerar a aprovação de projetos de interesse do parlamentar carioca. “Estamos trabalhando de forma precipitada e desordenada, atropelando discussões. O açodamento, a pressa e a desorganização passaram a marcar o dia a dia da Câmara. Não é correto trabalhar de forma medíocre e confusa, como foi feito neste semestre. Estamos vivendo um momento de ditadura absoluta. Ele faz o que quer... A gente não pode deixar ele ir à televisão para contar mentiras. Temos que enfrentá-lo”.

Acuado pelas graves denúncias de corrupção, a tendência é que Eduardo Cunha fique ainda mais agressivo. Ele fará de tudo para desviar a atenção. Segundo o jornalista-jagunço Diego Escosteguy, da Época, “o presidente da Câmara irá romper imediatamente com o governo Dilma. A radical decisão será anunciada na sexta-feira (17) numa coletiva em Brasília. ‘Não há mais volta. A partir de hoje, minhas relações com o governo estão rompidas’... A fúria de Cunha deve-se ao novo depoimento, em delação premiada, do empresário Júlio Camargo, que acusou o presidente da Câmara de receber propina no petrolão... ‘Se Dilma e o governo me querem como inimigo, conseguiram. Não haverá mais trégua. Não serei intimidado’, disse Cunha. Mesmo no recesso da Câmara, que começa agora, o governo Dilma não terá mais sossego”.

Como diz a hashtag, #QuemTemCunhaTemMedo. O cenário político brasileiro ficará ainda mais inflamável nos próximos dias. É preciso enfrentar com coragem e determinação o lobista neste momento de maior fragilidade — em que sua máscara caiu!

Altamiro Borges
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Entrevista com Pedro Celestino


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Perseguição a Lula esconde tentativa de retrocesso político


Respondendo a um processo administrativo pela acusação de ter sido "negligente" no andamento de "245 feitos que estavam sob sua responsabilidade," o procurador Valtan Timbó Martins Mendes Furtado é o mais novo candidato ao panteão de personagens desses tempos inglórios em que a justiça tornou-se acima de tudo um grande espetáculo.

No dia 8 de julho, Valtan Timbó pediu a abertura de um inquérito para investigar as suspeitas de "tráfico de influência" de Luiz Inácio Lula da Silva para favorecer a Odebrecht em viagens internacionais.

É bom saber que as bases reais para essa apuração dividem-se em nulas e ridículas, como vamos explicar mais adiante. Em situação de normalidade política, quando os direitos e garantias fundamentais são respeitados, e toda pessoa é tratada como inocente até que se prove o contrário, esse pedido de abertura de inquérito seria um episódio folclórico, condenado automaticamente ao esquecimento.

Mas vivemos outros tempos, anormais, como explicou o ministro do Supremo Marco Aurélio Mello, onde prende-se primeiro para apurar depois.  

Um dos presos da carceragem de Curitiba hoje, é o executivo Alexandrino Alencar, que estava presente num jatinho alugado pela Odebrecht para uma viagem de Lula em  2013. Foi essa viagem  que deu origem a uma reportagem em tom de escândalo da Época sobre um "vôo sigiloso"  à República Dominicana. 

O pedido de abertura de inquérito, criminal, que pode levar à perda de liberdade em caso de condenação, é preocupante  exatamente por isso.

Mostra que a vontade política de perseguir o ex-presidente atravessou a fronteira do razoável e deixou de ser uma questão individual ou do futuro do Partido dos Trabalhadores nas eleições de 2018.

Gostem ou não seus inimigos, Lula confunde-se com a democratização e as conquistas de direitos da população pobre do país, a inclusão e o progresso social.

O esforço para atingir o ex-presidente, sem uma base jurídica consistente, representa um risco para as conquistas democráticas da sociedade. Trinta e cinco anos depois de ter sido preso por 40 dias durante a ditadura militar, acusado de desrespeitar a Lei de Segurança Nacional que proibia greves, a perseguição a Lula é uma tentativa óbvia de retrocesso político.   

Começando pela má qualidade da denúncia. As bases reais para essa investigação já tinham sido descartadas há dois meses pela procuradora original do caso, Mirella Aguiar.

Foi ela que acabou escalada para examinar um pacote de recortes de jornais e revistas sobre as viagens de Lula, entregue ao Ministério Público do Distrito Federal com o título oficial de Notícia de Fato. Claro que era possível  ler insinuações cabeludíssimas naquele papelório. Segundo a Época, citando procuradores mantidos em conveniente anonimato, "as relações de Lula com a construtora, o banco e os chefes de Estado podem ser enquadradas, 'a princípio', em artigos do Código Penal. 'Considerando que as obras são custeadas, em parte, direta ou indiretamente, por recursos do BNDES, caso se comprove que [...] Lula também buscou interferir em atos práticos pelo presidente do mencionado banco (Luciano Coutinho), poder-se-á, em tese, configurar o tipo penal do artigo 332 do Código Penal (tráfico de influência)', diz trecho da peça reproduzido."  

Num despacho assinado em 18 de maio, a procuradora Mirella de Aguiar deixou claro que o calhamaço chamado Notícia de Fato não passava de um boato. Não continha fato algum. Resumindo suas conclusões, ela escreveu com clareza:

"Os parcos elementos contidos nos autos — narrativas do representante e da imprensa desprovidos de suporte provatório suficiente — não autorizam a instauração de imediata investigação formal em desfavor do representado." 

Em português claro: não havia nada para se fazer com os "parcos elementos desprovidos de suporte provatório" a não ser esquecer o assunto. Mas o Judiciário não funciona assim — muito menos em casos de alta repercussão política.  

Pede cautela, precaução. Adora rever tudo mais uma vez, como já percebeu todo mundo que teve um caso na Justiça. Ninguém quer mandar para o arquivo um caso que pode ser desenterrado como escândalo, mais tarde.

Também há — vamos admitir — o fator circo.

Utilizando os meios de comunicação para amplificar a dimensão de suas investigações e ganhar prestígio social e mesmo força política, muitos procuradores se tornaram obrigados a honrar uma contrapartida. Precisam dar satisfação aos deuses que os glorificam. São particularmente sensíveis ao coro midiático, que classifica toda declaração de inocência como prova de impunidade. Isso, de uma forma ou de outra, assegura um ambiente político no interior da instituição, que pré-dispõe a pedir condenações pesadas. Não vamos esquecer: foi a partir do Ministério Público que a teoria do domínio do fato sem prova, foi introduzida na AP 470. 

É bom esclarecer que não acho que isso ocorreu com Mirella Aguiar. Ela despachou uma denúncia que recebeu, da forma que considerou mais adequada. 

No Brasil de nossos dias, muitas denúncias até nascem de parcerias notórias entre jornalistas e procuradores interessados nos benefícios mútuos a partir de um escândalo. Quando se prova que não tinha o menor fundamento, denuncia-se a "pizza". Já leu Marco Zero, de Umberto Eco? Pode ser útil.

Tudo isso permite entender porque, no mesmo despacho em que assinalava a falta de "suporte probatório", Mirella Aguiar tenha dado um prazo de 90 dias para novas informações, com exigências que chamam atenção. Chegou a pedir que a Polícia Federal — que faz o registro de fronteiras — informasse todas as entradas e saídas de Lula desde que passou a faixa para Dilma Rousseff. 

O prazo para uma nova decisão estava marcado para 17 de agosto. Quarenta dias antes, porém, num movimento que uma nota do Instituto Lula define como "irregular, intempestivo, injustificado," o procurador Valtan Timbó decidiu apresentar o pedido de abertura de inquérito. Não se sabe as consequências reais dessa iniciativa. Mas seu significado é claro. Se havia a possibilidade de Mirella ou outro procurador mandar arquivar o caso, o que seria totalmente coerente com o primeiro despacho, o pedido de abertura trava essa decisão. A partir de agora, as perguntas são outras. Você sabe muito bem aonde elas podem chegar, certo?

O ponto ridículo é investigar Lula, ex-presidente que tem um empenho reconhecido, dentro e fora do país, para ampliar o mercado para as empresas e produtos brasileiros no exterior. Deveria ser aplaudido e não criticado.

Só para ficar num caso conhecido, que envolve Lula, Dilma e a Odebrecht — o porto de Mariel, em Cuba. Foram anos de massacre. O que se vai dizer agora, depois que Washington e Havana reataram relações? Quem fez papel de bobo? Quem tentou atrapalhar um investimento que trouxe e trará benefícios econômicos e diplomáticos?  

Alô, provincianos: os estadistas da globalização fazem isso todo dia — Bill Clinton em primeiro lugar. É normal e benéfico. Só uma visão absurda de relações internacionais no século XXI pode enxergar que "em princípio" essa atividade pode ser enquadrada no Código Penal. Em princípio, meus amigos, toda pessoa é inocente até que se prove o contrário. 

A diplomacia brasileira ganhou um novo eixo no governo Lula, nos países fora do universo desenvolvido que se tornaram prioridade econômica direta. Fora do governo, é natural que Lula seja recebido com simpatia e até mais do que isso. Tem credibilidade para sugerir, propor, conversar. Não pode ser acusado de fazer uma diplomacia oportunista, pois sempre respeitou os países menos desenvolvidos e suas populações. Na condição inteiramente nova de ex-presidente, ele pratica uma continuidade com as prioridades construídas em seu governo. Prega o que fez. Como se aprende em todo curso de relações pública, o aval de uma personalidade admirada pode ser uma imensa alavanca para bons investimentos. A boa imagem de Lula é um trunfo para o Brasil e os brasileiros.  

A questão essencial se encontra nos "parcos elementos contidos nos autos," que não autorizam a instauração de imediato" de investigação formal" contra Lula, como escreveu Mirella.

Lula, antes de mais nada, é um cidadão privado. Tem todo o direito de andar pelo mundo, dizer o que pensa, conversar, sugerir. Sua caneta não assina contratos pelo governo, não demite funcionários nem ministros. No mundo dos "parcos elementos", não há provas. O que se quer é construir uma narrativa em que tudo se insinua, nada se demonstra — e os meios de comunicação fazem sua parte. 

(Quanto a Valtan Timbó, seu passivo de 245 acusações de negligência, em denuncia formulada pelo Conselho Nacional do Ministério Público, era uma notícia a espera de um repórter. Ele foi citado numa reportagem do Globo sobre um escândalo sobre licitações no Tribunal de Contas da União. O jornal registra a "insatisfação de policiais" com o procurador que, para eles, "demorou demais em elaborar a denúncia." Conforme o jornal, a operação foi deflagrada em dezembro de 2004 mas apenas em maio de 2007 foi feita a denúncia, "sem nenhum ato adicional ao trabalho da PF." Em outro motivo de reclamação, Valtan Timbó levou nove meses para denunciar vândalos que depredaram o Itamaraty nos protestos de junho de 2013).

Paulo Moreira Leite
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É no lixo que os ratos como Cunha sobrevivem


Esses 15 milhões de reais que Eduardo Cunha recebeu de propina é só a ponta do iceberg de toda uma grande rede de corrupção coordenada por esse mafioso, homofóbico e pilantra mór do congresso brasileiro. Os dias desse crápula estão contados, é o Eike Batista da politica nacional, inflacionado num dia, desmascarado no outro! Não se enganem meus amigos, apesar de todas as contradições e equívocos políticos da presidenta, essa tentativa escrota de Golpe contra Dilma não é pra acabar com a bandalheira e sim pra acabar com o combate e a exposição dessa própria bandalheira. Pra Cunha quanto pior melhor, é no lixo que os ratos como ele sobrevivem!

Pablo Capilé
No Esquerda Caviar
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Eduardo Cunha espera ser afastado da presidência da Câmara por Janot


Após ser acusado de ter cobrado 5 milhões de dólares em propina do lobista Julio Camargo, representante da Samsung em um contrato bilionário para aquisição de navios sonda com a Petrobras, em 2011, o deputado Eduardo Cunha (PMDB) decidiu subir o tom contra o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O Painel da Folha de S. Paulo desta sexta-feira (17) traz um motivo que justifica a postura do peemedebista: "Cunha recebeu nos últimos dias alertas de que Janot pode pedir seu afastamento do comando da Câmara".

Na mesma edição, a Folha traz outro trecho da reação de Cunha às acusações que vem acumulando no âmbito da Operação Lava Jato. Além de dizer que a delação premiada foi forçada para atingir sua imagem, o presidente da Câmara sugeriu que Janot foi quem pressionou, a mando do governo Dilma Rousseff, para que Julio Camargo falasse "mentiras" contra eles. 

"É muito estranho, às vésperas da eleição do procurador-geral da República [Janot tentará a recondução ao cargo nas próximas semanas] e às vésperas de pronunciamento meu em rede nacional [Cunha terá inserção na TV aberta nesta sexta-feira], que as ameaças ao delator tenham conseguido o efeito defesado pelo procurador, ou seja, obrigar o delator a mentir."

Ainda segundo a Folha, para peemedebistas ligados a Cunha, o próximo alvo do Planalto será o vice-presidente Michel Temer. Na visão deles, o governo vai pressionar a Lava Jato a "envolver" Temer no "escândalo" da Petrobras, para "inviabilizar uma eventual sucessão da presidente pelo vice em caso de impeachment."

No GGN
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Gregório Duvivier manda mensagem no Twitter para Eduardo Cunha




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Cunha mais perto do fogo


Eduardo Cunha termina o semestre legislativo de metralhadora em punho, mirando claramente o governo e o mandato de Dilma Rousseff. Mas ele também chega ao final deste período deslocado para o centro das investigações que envolvem políticos com o esquema de propinas na Petrobrás. O endurecimento do presidente da Câmara nas últimas horas pode representar seus estertores diante da aproximação do fogo.

Sinal forte de que sua situação se complica bem mais que a de outros políticos veio com a acusação do relator da Lava Jato Julio Camargo, revelada pelo jornal O Globo, de que pagou a Cunha uma propina de 5 milhões de dólares, relativa à viabilização de um contrato de locação de sondas para a Petrobrás. A propina total seria de 10 milhões de dólares, ficando a outra metade para o lobista Fernando Baiano. Naturalmente Eduardo Cunha reagiu fortemente acusando Camargo de mentiroso. E de fato, em outras ocasiões, o delator negou ter relacionamento com o presidente da Câmara.

Não menos eloquente é o fato de que estão programados panelaços e apitaços para hoje, durante o pronunciamento que ele fará em cadeia de rádio e TV para faturar as realizações legislativas de sua gestão neste primeiro semestre de 2015. Em café da manhã com jornalistas, Cunha qualificou o protesto de "PTzaço", fazendo também novos ataques à aliança do PMDB com o PT. O protesto pode contar com petistas, mas está sendo organizando pelos guetos diversos das redes sociais.

Se vinha tergirversando sobre as manobras golpistas para afastar Dilma do cargo, três recentes atitudes de Cunha não deixam dúvidas sobre a posição em que ele estará, quando agosto e setembro chegarem.

1. 1. Já pautou as votações das prestações de contas de outros governos ainda pendentes, limpando a pauta para que a de Dilma seja votado logo depois que o TCU apresentar oficialmente seu parecer ao Congresso.

2. 2. Revelou ter pedido estudos jurídicos sobre o pedido de impeachment apresentado há cerca de dois meses por movimentos de direita pró-impeachment.

3. 3. Reuniu-se com o ministro Gilmar Mendes para se informar sobre a vertente da cassação de Dilma através do processo que corre no TSE.

Tereza Cruvinel
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