12 de jul de 2015

Aprenda para que serve um comentarista da Globo — assista


Da série, para que serve um comentarista da Globo.

Uma das pautas do Bom Mau Dia Brasil da última segunda-feira (6/7/15), na Rede Globo, era sobre o roubo de placas de trânsito por alunos do curso de Administração de Limeira (SP). É acionado em Brasília o comentarista e ex-porta-voz do ditador e general presidente João Figueiredo, o jornalista Alexandre Garcia.

Num país e numa emissora em que a única pauta é preparar a opinião pública para aceitar um golpe de estado travestido de rigor técnico e jurídico, eis que Alexandre Garcia, promovido a “comentarista de placas de trânsito”, inspira-se na placa PARE para dizer que ela é importante também para os brasileiros decidirem “para que lado queremos continuar: na rua em que estamos sem freio, ladeira abaixo, ou outra via que pode exigir mais força no motor, porque é subida, mas é esperança de dias melhores”.

Qualquer pauta serve para a Globo dizer que o país está em crise e, claro, a solução desenhada para solucioná-la é um golpe de Estado. Uma coisa é certa: não haverá verdadeira democracia no país sem a desconcentração da propriedade dos meios de comunicação que, aliás, é o que está escrito na Constituição, mas no Brasil, parece que só valem os artigos e parágrafos que interessam aos herdeiros das Capitanias Hereditárias.



No Celso Vicenzi
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A máfia dos bancos e o silêncio da mídia

Com o intento de "sangrar" o governo Dilma, a mídia privada promove diariamente a escandalização da política — com base nas prisões arbitrárias, nos vazamentos seletivos e nas "delações premiadas" de notórios bandidos. Este denuncismo, porém, desaparece do noticiário quando envolve algum cacique da oposição demotucana. Já virou até motivo de piada de que basta se filiar ao PSDB para não ser investigado, julgado ou preso no Brasil. A escandalização também inexiste quando atinge poderosos empresários. Na semana passada, pequenas notinhas informaram que vários bancos são suspeitos da formação de um criminoso "cartel do câmbio". A bombástica notícia, entretanto, já sumiu da mídia.

Segundo relato da Folha, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um processo para investigar o "suposto" cartel formado por 15 instituições financeiras estrangeiras com o objetivo de manipular o mercado de câmbio. "É o primeiro processo antitruste no Brasil por manipulação de índices do mercado financeiro. Parte dos bancos já foi investigada pela mesma prática no Reino Unido, na Suíça e nos Estados Unidos, em processos que vieram a público a partir de 2013 e que somaram mais de US$ 5,8 bilhões em acordos e multas".

Ainda de acordo com o jornal, a investigação do Cade é mantida sob total sigilo — não há vazamentos seletivos ou prisões arbitrárias. Sabe-se, apenas, os nomes das instituições financeiras envolvidas no suposto cartel no Brasil: Banco Standard de Investimentos, Banco Tokyo-Mitsubishi UFJ, Barclays, Citigroup, Credit Suisse, Deutsche Bank, HSBC, JPMorgan Chase, Merrill Lynch, Morgan Stanley, Nomura, Royal Bank of Canada, Royal Bank of Scotland, Standard Chartered e UBS, além de 30 pessoas físicas. "Procurados pela Folha, os bancos disseram que não vão comentar o assunto".

A máfia dos banqueiros

As investigações do Cade comprovaram até agora a existência de "fortes indícios" de que os bancos adotaram práticas anticompetitivas, como a combinação de preço e de volume de moeda vendida a clientes e comprada deles. "Os operadores trocavam informações por meio de chats da plataforma da agência de notícias Bloomberg. O grupo se autodenominava com expressões como o 'cartel' e a 'máfia'. As indicações preliminares são de que as condutas ocorreram, pelo menos, de 2007 a 2013 — mesmo período em que os bancos são investigados no exterior".

Para o superintendente-geral do Cade, Eduardo Frade, os bancos investigados tentaram influenciar a Ptax — taxa calculada diariamente pelo Banco Central com base na média das operações de câmbio — e também as taxas de referência do Banco Central Europeu e da Reuters. Essas taxas são utilizadas para liquidar contratos em outros negócios, como financiamento de comércio exterior e proteção contra oscilação de moedas estrangeiras (hedge). "As supostas condutas teriam comprometido a concorrência, prejudicando as condições e os preços pagos pelos clientes", afirma o Cade.

Os acusados terão um prazo de 30 dias para apresentar sua defesa. "Concluída a investigação, caberá à Superintendência-Geral do Cade recomendar a condenação ou o arquivamento do caso, que terá de ser julgado pelo tribunal do conselho. Não há um prazo para o julgamento, e Frade disse que não deve sair uma decisão ainda neste ano. Em caso de condenação, as multas previstas variam de 0,1% a 20% do faturamento do banco no ramo de atividade em que ocorreu a infração. Os administradores pessoas físicas podem ser multados de 1% a 20% do valor das empresas pelas quais operavam".

A grave denúncia, que envolve bilhões de dólares, até agora não virou manchete nos jornalões, nem resultou em reportagens especiais nas revistonas ou em comentários histéricos contra a corrupção nas emissoras de rádio e tevê. Na prática, a mídia privada de há muito tempo está totalmente associada ao capital financeiro — é quase sua refém. Daí o silêncio ensurdecedor. A tendência é de que as apurações do Cade sumam totalmente da mídia. Esta operação-abafa não causaria qualquer surpresa. 

Isto já ocorreu com a Operação Zelotes, que investiga as fraudes fiscais de vários ricaços — como os donos da Gerdau e da RBS, afliada da Globo. O mesmo fim teve a denúncia sobre a sonegação de impostos forjada pelo HSBC da Suíça — que também envolve figurinhas carimbadas da mídia. Na prática, a escandalização da corrupção sempre serviu a interesses econômicos e políticos. Só mesmo os ingênuos e os otários acreditam nos princípios éticos e na imparcialidade dos barões da mídia.

Altamiro Borges
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Aumenta 433% a Petrobras no PIB

Os números do crescimento da Petrobras em relação ao nosso PIB, nos últimos 15 anos, comprovam a importância da maior empresa brasileira.

A participação do segmento de petróleo e gás natural no PIB (Produto Interno Bruto, que mede a soma de riquezas produzidas no país) do Brasil aumentou de 3% em 2000 para 12% em 2010 e alcançou 13% no ano de 2014.

No dia 29 de junho de 2015 a Petrobras apresentou seu Plano de Negócios e Gestão para o período 2015-2019.

Com investimentos de US$ 130,3 bilhões, a carteira de investimentos do Plano prioriza projetos de exploração e produção (E&P) de petróleo no Brasil, com ênfase no pré-sal.

A perspectiva, dentre outras, é dobrar a atual produção de petróleo até 2020, quando chegará a 4,2 milhões de barris de petróleo produzidos diariamente.

Clique aqui e conheça a íntegra do Plano de Negócios e Gestão 2015-2019

Acesse e acompanhe os novos recordes de produção no pré-sal em junho 2015.

Precisamos divulgar com muito entusiasmo os dados acima disponibilizados para que mais e mais pessoas tenham condições de se contrapor e impedir o entreguismo de nossa maior riqueza.

Defender a Petrobras é tarefa cívica de todos que desejam o crescimento sustentável do Brasil.

No Megacidadania
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“Eduardo Cunha é um bandido político”, diz Leonardo Boff

Em entrevista ao Sul21, no Everest Hotel, Leonardo Boff falou sobre a atual conjuntura política no Brasil e no
mundo e advertiu para os riscos que fundamentalismo de direita traz para a democracia e os direitos humanos.
Foto: Guilherme Santos/Sul21
A ofensiva conservadora atualmente em curso no Brasil faz parte de um processo mundial de rearticulação da direita e representa um perigo real para a democracia e os direitos. No caso brasileiro, essa rearticulação conservadora também é uma reação das classes dominantes que não se conformam com a centralidade que a agenda social adquiriu nos últimos anos e com a ascensão social de cerca de 40 milhões de pessoas. Um dos principais expoentes dessa ofensiva, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é um bandido político que não respeita a Constituição e tem como objetivo, no final de seu mandato, propor a instauração do parlamentarismo e virar primeiro-ministro. A avaliação é do teólogo e escritor Leonardo Boff, que esteve em Porto Alegre neste sábado, para ministrar uma aula pública sobre direitos humanos.

Intitulada “Expressões sobre Direitos Humanos: Mais Amor, Mais Democracia”, a aula pública reuniu centenas de pessoas no Parque da Redenção, na tarde fria de sábado. Após a aula, Leonardo Boff conversou com o Sul21, no Hotel Everest, sobre a atual conjuntura política do país e defendeu que, diante da ofensiva conservadora no curso, é preciso travar, em primeiro lugar, uma batalha ideológica sobre que tipo de Brasil queremos: “um Brasil como um agregado subalterno de um projeto imperial, ou um Brasil que tem condições de ter um projeto nacional sustentável próprio. Temos um grande embate a travar em torno dessa ideia. Acho que esse será também o tema central das próximas eleições”, diz Boff. A seguir, um resumo dos principais momentos da conversa de Leonardo Boff com o Sul21:

Intitulada “Expressões sobre Direitos Humanos: Mais Amor, Mais Democracia”, a aula pública de Boff reuniu centenas de pessoas no Parque da Redenção, na tarde fria de sábado.  (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
Intitulada “Expressões sobre Direitos Humanos: Mais Amor, Mais Democracia”, a aula pública de Boff reuniu
centenas de pessoas no Parque da Redenção, na tarde fria de sábado.
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Ofensiva conservadora em nível mundial

“Vejo esse quadro com preocupação, pois é um quadro sistêmico. Ocorre também nos Estados Unidos, na Europa, em toda a América Latina. Acabo de vir de um congresso que contou com a presença de representantes das esquerdas de toda a América Latina e todos foram unânimes em dizer que essa etapa das democracias novas, de cunho popular e republicano, que surgiram depois das ditaduras, estão recebendo os impactos dessa ofensiva da direta, organizada e financiada também a partir do Pentágono. Essa direita está se organizando em nível mundial. Isso é perigoso. A história já mostrou que, depois que a direita se organiza, surgem fenômenos de caráter fascista e nazista, surgem regimes autoritários que buscam impor ordem e disciplina”.

“Eu não tenho muito medo no caso do Brasil. Acho que aqui nós conseguimos uma ampla base social de movimentos organizados e um núcleo de pensamento analítico político que resiste vigorosamente, mas enfrenta a resistência da grande mídia que, de forma sistemática sustenta teses conservadoras e reacionárias, em consonância com a estratégia traçada pelo Pentágono em nível mundial. O objetivo central dessa estratégia é: um mundo, um império. Todos têm que se alinhar aos ditames desse império, que não tolera a existência de alguma força capaz de enfrentá-lo. O grande medo dos Estados Unidos é com a China, que está cercada por três grandes porta-aviões, cada um deles com um poder de fogo equivalente ao utilizado em toda a Segunda Guerra Mundial, com ogivas nucleares e submarinos atômicos de apoio, entre outras coisas. Isso nos mete medo, pois pode levar a um enfrentamento, senão global, de guerras regionais, com grande potencial de devastação”.

“No que nos diz respeito mais direito mais diretamente o grande problema é que os Estados Unidos não toleram a existência de uma grande nação no Atlântico Sul, com soberania e um projeto autônomo de desenvolvimento, que às vezes pode ser conflitivo com os interesses de Washington. O Brasil está mantendo essa atitude soberana e isso causa preocupação a eles, pois a economia futura será baseada naqueles países que têm abundância de bens e serviços naturais, como água, sementes, produção de alimentos, energias renováveis. Neste contexto, o Brasil aparece como uma potência primordial, pois tem uma grande riqueza desses bens e serviços essenciais para toda a humanidade”.

"O que temos hoje no Congresso, na maioria dos casos, são deputados medíocres que representam interesses de grandes corporações nacionais e internacionais, que tem pouca ou nenhuma ligação com um projeto de nação." (Foto: Guilherme Santos/Sul21)
“O que temos hoje no Congresso, na maioria dos casos, são deputados medíocres que representam interesses
de grandes corporações nacionais e internacionais, que tem pouca ou nenhuma ligação com um projeto de
nação.”
Foto: Guilherme Santos/Sul21
A agenda conservadora no Congresso Nacional

“De modo geral, a sociedade brasileira é conservadora, mas nos últimos anos, especialmente com a resistência à ditadura militar e com o retorno à democracia, se criou um sentido de democracia participaria e republicana, onde o social ganha centralidade e não simplesmente o Estado e o desenvolvimento material e econômico. Incluir aqueles que estiveram sempre excluídos passou a ser um tema central. Isso foi um elemento de progresso e avanço que assustou as classes privilegiadas que perceberam que esses 40 milhões de pessoas estão ocupando um espaço que era exclusivo deles e começam a ameaçar seus privilégios. Os representantes dessas classes não querem que o Estado se defina por políticas sociais, mas sim pelas políticas que, historicamente, sempre beneficiaram as classes dominantes.

Eles conseguiram uma articulação com grandes empresas, com grupos do agronegócio e outros setores para construir uma representação parlamentar. O que vemos hoje é que os sindicatos praticamente não estão representados, os indígenas e negros não estão, o pensamento de esquerda não está. O que temos, na maioria dos casos, são deputados medíocres que representam interesses de grandes corporações nacionais e internacionais, que tem pouca ou nenhuma ligação com um projeto de nação”.

“Diante desse quadro, nós precisamos, em primeiro lugar, travar uma batalha ideológica e debater que tipo de Brasil nós queremos, um Brasil como um agregado subalterno de um projeto imperial, ou um Brasil que tem condições de ter um projeto nacional sustentável próprio. Temos um grande embate a travar em torno dessa ideia. Acho que esse será também o tema central das próximas eleições. O povo não quer perder aquilo que conquistou de benefícios sociais nestes últimos doze anos e quer ampliá-los. Essas conquistas são de Estado, não são mais de governos. Esse embate será muito difícil, mas acho que há um equilíbrio de forças que vai permitir, pelo menos, governos de centro-esquerda, não totalmente de esquerda, pois creio que não há condições para isso hoje”.

Sobre Eduardo Cunha, presidente da Câmara

“Em primeiro ligar, acho que é um bandido político. Sempre foi conhecido assim no Rio. Um jornalista do Globo fala dele como “a coisa má”. É um homem extremamente sedutor, não respeita lei nenhuma, tem dezenas de processos de corrupção contra ele, mas consegue manipular de tal maneira os poderes que sempre consegue prolongar sua vida. É alguém que não tem nenhum respeito à Constituição e atropela normas do Congresso como bem entende. Creio que a pretensão dele, no final dessa legislatura, é propor o parlamentarismo para ele ser o primeiro ministro, já que não poderá ser presidente pela via eleitoral. É uma pessoa extremamente ambiciosa, manipuladora, inescrupulosa, sem qualquer sentido ético e um fundamentalista religioso conservador e de direita”.

O crescimento do fundamentalismo religioso

“Acho que essas bancadas evangélicas fundamentalistas que se espalham pelo país são formações em si legítimas, uma vez que são eleitas, mas ilegítimas na medida em que não se inscrevem dentro do quadro democrático. Querem impor a sua visão sobre a família, a ética individual e pública para toda a sociedade brasileira. O correto seria eles terem o direito de apresentar a própria opinião para ser debatida e confrontada com outras opiniões, respeitando as decisões coletivas. Mas eles querem impor a opinião deles como a única verdadeira e difamar e combater pelos púlpitos qualquer outra alternativa. Acho que devemos atacá-los pelo lado da Constituição e da democracia e enquadrá-los dentro da democracia, pois são pessoas autoritárias e destruidoras de qualquer tipo de consenso que nasce do diálogo”.

"A gente sabe que a Dilma é ética e não cometeu malfeitos, mas tomou medidas na direção contrária do que pregava. Houve uma quebra de confiança." (Foto: Guilherme Santos)
“A gente sabe que a Dilma é ética e não cometeu malfeitos,
mas tomou medidas na direção contrária do que pregava.
Houve uma quebra de confiança.”
Foto: Guilherme Santos
Sobre o governo Dilma

“Acho que a campanha da Dilma foi mal conduzida. Tudo aquilo que ela combatia, que seriam medidas neoliberais, a primeira coisa que fez, sem discutir com o povo brasileiro, com os sindicatos e sua base de apoio, foi aplicá-las diretamente. Neste sentido, ela decepcionou a todos nós que apoiamos a sua candidatura e o povo é suficientemente inteligente para perceber que houve um engodo. Por outro lado, cabe reconhecer que há uma crise que não é só brasileira, mas mundial, que afeta gravemente países como Grécia, Itália, Portugal e Espanha, com níveis de desemprego e de dissolução social muito mais graves do que os nossos”.

“Então, estamos diante de um problema sistêmico, não só brasileiro, mas aqui ele ganhou conotações muito específicas porque o PT tinha um projeto progressista de centro-esquerda, de apoio aos movimentos sociais, comprometido a não tocar em direitos dos trabalhadores e pensionistas. E o governo acabou tomando medidas que considero injustas, pois colocou a carga principal da crise sobre os ombros os trabalhadores e pensionistas, e não em cima dos grandes capitais, das grandes heranças e do sistema financeiro dos bancos. Estes setores foram poupadas e isso eu acho uma injustiça e uma indignidade”.

“Então, o povo, com justiça, fica desolado. A gente sabe que a Dilma é ética e não cometeu malfeitos, mas tomou medidas na direção contrária do que pregava. Então é uma contradição visível que não requer muita análise para mostrar. Ela dizia que nem que a vaca tussa iria mexer em direitos, e a primeira coisa que fez foi mexer no seguro desemprego e nas pensões. Houve uma quebra da confiança e, em política, o que conta de verdade é a confiança. Agora, se ela tiver algum sucesso e conseguir não penalizar o país demasiadamente em termos de desemprego e retrocesso no processo produtivo, ela poderá voltar a ganhar confiança, mas é uma conquista muito difícil.”

Marco Weissheimer
No Sul21
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Delegado da PF relata pressão de colegas em investigação no Paraná

Um delegado da Polícia Federal que foi a Curitiba apurar vazamentos da Operação Lava Jato relatou ter sofrido pressão dos colegas do Paraná no trabalho e recomendou que a sindicância sobre a escuta na cela do doleiro Alberto Youssef fosse refeita.

O relato está em um despacho interno do delegado Mário Fanton de maio deste ano, no qual ele afirma ter presenciado "uma participação direta do DPF [delegado de Polícia Federal] Igor [Romário de Paula]" e de outra delegada "para quererem ter ciência e manipular as provas".

O caso da escuta na cela de Youssef voltou aos holofotes depois que dois policiais federais disseram à CPI da Petrobras, no último dia 2, que o equipamento foi instalado sem autorização judicial e captou conversas do doleiro.

As declarações contrariaram sindicância interna da PF do ano passado, que apontou que a escuta era inativa.

Depois disso, a CPI aprovou a convocação dos delegados da Lava Jato, incluindo Igor, para esclarecimentos. O caso é objeto de nova investigação interna da PF, conduzida por Brasília.

Desconfiança

Fanton foi a Curitiba depois que a sindicância interna havia terminado. Esse não era o foco inicial de sua missão, mas ele também apurou fatos relacionados à escuta.

Seu objetivo na superintendência era apurar boatos de que ocorriam vazamentos das investigações para a confecção de um dossiê com o objetivo de anular a Lava Jato.

Sua atuação provocou insatisfação e desconfiança dos delegados da operação.

Nesse período, Fanton obteve novo depoimento do agente Dalmey Werlang, um dos que falou à CPI, no qual ele mudou a versão sobre a escuta e apontou ilegalidade.

O delegado Fanton escreveu: "Sugiro que o MPF [Ministério Público Federal] reanalise as provas, inclusive a sindicância da escuta clandestina, se possível refazendo-a, e conduza diretamente a presente investigação ou com grande proximidade a um novo delegado a se indicar, pois não acreditamos mais nas provas antes constituídas".

Em outro trecho, Fanton conta que foi informado pelo delegado Igor de que a PF de São Paulo não havia prorrogado sua permanência em Curitiba e, quando entrou em contato com SP, responderam-lhe que sequer houve pedido de renovação da missão.
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Dilma tem que reagir exemplarmente ao crime de injúria e difamação de Lobão

Ele
Qual a diferença entre um adesivo em que Dilma aparece de pernas abertas e chamá-la de Dilma Bandida?

Nenhuma.

Por isso mesmo, a reação deve ser a mesma. Enérgica, exemplar, imediata.

Lobão achou que tinha sido muito criativo ao transformar, num show vazio em São Paulo, Vida Bandida em Dilma Bandida.

Se foi mesmo criativo, não sei. Mas ele foi criminoso. Cometeu um crime de injúria e difamação, e tem que responder por isso.

Não é importante apenas para Dilma. É importante, mais ainda, para a sociedade.

Você não pode deixar a semente da barbárie se alastrar impunemente.

Tolerância zero com este tipo de delito é uma demanda da civilização, na verdade.

A impunidade estimula o mesmo tipo de comportamento cheio de ódio e violência.

Onde isso foi dar?

Lobão parece culpar Dilma, Lula e o PT pelo seu envelhecimento e pela baixa produção artística das últimas décadas.

Analfabeto político por excelência, ele encontrou dois mestres do mal em sua louca cavalgada.

Um é a revista Veja, que encheu sua cabeça de informações erradas, desonestas e canalhas.

O outro é Olavo de Carvalho, que reforçou a lavagem cerebral da Veja sobre Lobão.

O resultado é que ele virou um velho reacionário, recalcado, amargurado,  repleto de ódio.

E sem palavra.

Lobão tinha prometido deixar o Brasil caso Dilma vencesse. Mas mudou de ideia, o que é uma pena, pelo exemplo nocivo, sinistro que ele representa.

As pessoas têm que saber que há um limite de civilidade que não pode ser transposto, ou o país vira um caos.

O argumento mais obtuso é que se trata de liberdade de expressão.

Não. É crime, a não ser que ele tenha provas de que Dilma é bandida.

Um juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos foi quem definiu com mais clareza os limites da liberdade de expressão.

Cerca de meio século atrás, ele disse que, num teatro lotado, se alguém gritar fogo, não poderá depois invocar a liberdade de expressão. Sua fala poderá provocar uma tragédia.

É uma definição clássica, citada com frequência em casos em que se debate a liberdade de expressão.

No mundo moderno, uma amostra dos limites é que nos Estados Unidos você não pode fazer apologia do terrorismo e depois invocar a liberdade de expressão.

Você será imediatamente preso.

Ah, você pode retrucar: a Justiça brasileira é um horror. Não adianta processar. Danilo Gentili mandou um negro comer bananas e foi absolvido porque o juiz considerou que não havia ofensa na oferta.

Não faz mal.

O mínimo que se pode fazer é incomodar o ofensor em casos como o de Lobão.

Mantega, acertadamente, decidiu processar o desequilibrado que o insultou num restaurante. Lula também seguiu o mesmo caminho com Caiado.

Estão certos.

Para o bem da sociedade, Dilma tem que reagir imediatamente — e com estrondo.

As vozes do ódio não podem achar que podem tudo. Porque, se eles podem tudo, o resto não pode nada.

Paulo Nogueira
No DCM
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Assista ao momento da fuga do narcotraficante mexicano que deixa Peña Nieto em dificuldades

Em 2009 ele foi considerado o nº 41 dentre as pessoas mais poderosas do mundo, acima de Steve Jobs
O presidente do México, Enrique Peña Nieto, afirmou neste domingo (12) que a fuga do traficante Joaquín "El Chapo" Guzmán da prisão é uma afronta ao país.

Nieto anunciou com grande barulho a prisão de Chapo, chefe do Cartel de Sinaloa, em fevereiro do ano passado e chegou a receber elogios internacionais. A fuga do traficante é um golpe especialmente duro contra Peña Nieto por ter ocorrido no Estado do México, o Estado natal do presidente, que assumiu o cargo em 2012 prometendo enfrentar os cartéis.

Antes de sua vitória eleitoral, políticos do Partido Revolucionário Institucional (PRI) de Peña Nieto ridicularizaram seus rivais conservadores por deixar Guzmán fugir enquanto eles corriam o país, dizendo que isso não teria acontecido sob sua vigilância.





Conheça quem é "El Chapo" Guzmán

Ele nasceu em 04 de abril de 1957. Seu apelido é um diminutivo de "chaparro" coloquialismo usado no México para designar uma pessoa de baixa estatura.

Seu início no mundo do tráfico de drogas data de 1980. Para isso se associou com o líder do cartel de Guadalajara Miguel Felix Gallardo (El Padrino), o mais importante traficante de cocaína.

No entanto, a associação não durou muito. Gallardo foi preso em 1989 o que levou à divisão da organização.

Devido a este episódio, o Chapo mudou-se para nordeste do México e se estabeleceu em Culiacan, capital do estado de Sinaloa. Aqui começa a história do narcotraficante — não só o mais procurado — como também o considerado por seus pares como o traficante mais importante do México.

Em 1993, ele teve o seu primeiro contato com a justiça. Foi preso na Guatemala e fugiu de uma prisão de segurança máxima de Jalisco (México), em 2001, escondendo-se em um carrinho de lavanderia.

Em 2009, ele foi considerado o número 41 dentre as pessoas mais poderosas do mundo acima de Steve Jobs. Sua fortuna foi estimada em mais de um bilhão de dólares.

A família de El Chapo

Guzman Edgar Lopez, filho de El Chapo, foi executado em 8 de Maio de 2008, em um shopping center de Culiacan.

Destino semelhante ocorreu em dezembro de 2004, com seu irmão Arturo Guzman Loera, que foi morto na prisão de La Palma, onde estava preso desde setembro de 2001 como um dos principais operadores do cartel de Sinaloa.

Em junho de 2005, foi preso em um acidente de trânsito Archivaldo Ivan Guzman, outro filho, condenado por lavagem de dinheiro, libertado depois de três anos por falta de provas.

Cartel de Sinaloa

O Cartel de Sinaloa é responsável por cerca de 25% de todas as drogas ilegais que entram nos EUA através do México. Especialistas antinarcóticos estimam que a renda anual do cartel pode ser superior a 3 bilhões de dólares.

Com Cuba Debate | teleSUR
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Prejulgamento do TCU pode anular caminho do golpe


O governo já encontrou um caminho para questionar um dos caminhos para a tentativa de golpe contra a presidente Dilma Rousseff, que vem sendo patrocinada por setores da oposição. Trata-se de questionar, no Supremo Tribunal Federal, a conduta do ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União. Isso porque os ministros do TCU são regidos pela Lei Orgânica da Magistratura (Loman) e não podem antecipar seus votos, falando fora dos autos.

Algo bem diferente do que tem sido a conduta de Nardes. Em diversas entrevistas concedidas à imprensa, ele antecipou seu voto contrário às contas da presidente, o que pode ser interpretado como uma tentativa de constranger seus colegas do plenário, que poderiam votar diferentemente. "Muito difícil o governo conseguir explicar", disse Nardes. "Eu poderia aprovar com ressalvas, mas me propus a rejeitar", também afirmou.

Essa estratégia vem sendo considerada o "Plano B" do Palácio do Planalto, segundo informam os jornalistas Fábio Fabrini e João Villaverde, do Estado de S. Paulo. A prioridade é apresentar a justificativa técnica para o caso, mostrando que a prática, além de comum e usada por vários governos, é legal e legítima.

Nardes, que tem sido incensado por setores da oposição (mereceu até um artigo "Nardes para presidente", de Ricardo Noblat), chegou a questionar a entrevista concedida pela presidente da República à Folha de S. Paulo na última terça-feira, em que ela denunciou o golpismo de setores da oposição. "Ela deveria se preocupar com a parte política depois", retrucou Nardes, mesmo sem ter sido citado.

O ministro do TCU também já teve seu nome envolvido em escândalos, como a Operação Castelo de Areia, que atingiu a construtora Camargo Corrêa, mas foi anulada em tribunais superiores.

No 247
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Programas policialescos: a legitimação da barbárie

Ao mesmo tempo em que fomentam um clima de medo e insegurança, apresentadores condenam suspeitos, defendem a violência policial e pregam justiciamentos. Até quando?
“87% dos brasileiros são a favor da redução da maioridade penal”
Datafolha, 24 de abril de 2015

“A ROCAM está em cima! Atira meu camarada! É bandido!”
Cidade Alerta, 23 de junho de 2015

“Livres para matar: Redução da maioridade penal é rejeitada por cinco votos”
Brasil Urgente, 1 de julho de 2015

“Esses são os estupradores. Dos cinco, três são menores de idade, com 14, 15 e 16 anos”.
Brasil Urgente, 3 de julho de 2015

“Brasil tem um linchamento por dia, não é nada excepcional”
El País, 8 de julho de 2015
Já passou da hora de os setores efetivamente democráticos da sociedade repudiarem com seriedade aquilo que, todos os dias, invade nossa casas e nos expõe ao que há de mais bárbaro na programação da televisão brasileira: os chamados programas policialescos. Por horas a fio, ao vivo, durante o dia, assistimos a um desfile de cadáveres, agressões, suspeitos achacados em delegacias, vítimas expostas e, invariavelmente, discursos contrários aos direitos humanos e em defesa da violência policial, dos justiçamentos e, claro, da redução da maioridade penal.

Quem acha que chegamos ao índice de um linchamento por dia ou a 87% da população apoiando o encarceramento juvenil sem a legitimação dessas práticas por tais programas é porque 1) não assiste televisão aberta e não sabe como esse tipo de programação domina a grade das emissoras ou 2) prefere acreditar que o conservadorismo crescente no país não passa por aquilo que se consome cotidianamente na TV.

Pesquisa realizada pela ANDI, em parceria com o Intervozes, Artigo 19 de Ministério Público Federal revelou os principais tipos de violação de direitos praticados pelos policialescos: desrespeito à presunção de inocência; incitação ao crime, à violência, à desobediência às leis ou às decisões judiciárias; exposição indevida de pessoas e famílias; discurso de ódio e preconceito; identificação de adolescentes em conflito com a lei; violação do direito ao silêncio; tortura psicológica e tratamento desumano ou degradante. Tudo de acordo com a legislação atualmente em vigor no Brasil, com os tratados e convenções internacionais ratificados pelo país — o que falar então do Código de Ética dos Jornalistas... —, e com exemplos incontáveis que comprovam a sistemática dessas violações.

Ou seja, não estamos falando de episódios isolados, que geram algum tipo de comoção nacional, como quando a repórter Mirella Cunha, da TV Bandeirantes na Bahia, em 2012, humilhou um suspeito de estupro por ele desconhecer o tipo de exame a ser feito no corpo da vítima. Ou quando a TV Cidade, retransmissora da Record no Ceará, exibiu por cerca de 20 minutos cenas de uma menina sendo estuprada. Ou, ainda, quando, no mês passado, os dois líderes de audiência do gênero — Brasil Urgente, do apresentador Datena (Bandeirantes), e Cidade Alerta, do apresentador Marcelo Rezende (Record) — transmitiram uma perseguição policial, ao vivo, que terminou com um PM atirando quatro vezes à queima roupa em dois suspeitos. Trata-se de uma postura editorial cotidiana, que não tem limites entre canais ou redes de televisão, regiões do país nem horário na grade. Vale tudo, a qualquer momento e em qualquer lugar (mesmo com as crianças na sala), num modelo de negócios que já se tornou pra lá de lucrativo para as empresas de comunicação.

Problema antigo

No final dos anos 90 e início dos anos 2000, os programas policialescos eram um “formato a ser explorado”. Restritos a algumas redes de TV e poucas capitais do país, não chamavam tanta atenção, tampouco geravam o impacto de atualmente. Mesmo assim, traziam em sua origem a tônica da barbárie que carregam até hoje.

Já há mais de dez anos o Ministério Público Federal (MPF) atua para tentar frear suas violações. Em março de 2006, por exemplo, a Procuradoria da República no Distrito Federal moveu uma Ação Civil Pública contra os responsáveis pelo Barra Pesada, então exibido de segunda a sexta-feira à tarde, na TV Brasília. O objetivo era proteger os direitos dos telespectadores de cenas “explícitas e detalhadas” de violência, entre as quais, a exposição de cadáveres.

Em uma das edições do programa, em dezembro de 2005, após narrar a prisão de um assaltante em Taguatinga, na qual o acusado foi inquerido de costas, o apresentador do Barra Pesada, Geraldo Naves, bradou no estúdio:
“Tem que mostrar a cara desse canalha. Esse é um canalha. Tem que mostrar a cara dele pra mim ver. Isso é um covarde. Um viciado, maconheiro! [...] Sabe o quê eu gosto? Eu gosto quando a polícia pega um palhaço — palhaço não; palhaço dá alegria — um paspalho como esse, entendeu. E coloca a cara [...] tem que pegar e virar a cara, pra mostrar pra população. [...] esse aí é um maconheiro, entendeu. Ele anda armado, assaltando, precisa de dinheiro, é um incompetente, asno, asno, entendeu, asno. Inconsequente! Nem bobo não é. É um asno, uma anta ambulante”.
Na ação em questão, o MPF destacou que, mesmo que a legislação brasileira, baseada na premissa da liberdade de informação jornalística, autorize a divulgação de notícias sobre ocorrências criminosas, com a emissão de opiniões a respeito dos fatos, jamais a manifestação do pensamento pode ser incondicional, a ponto de violar a dignidade humana, sobretudo com intuito puramente sensacionalista. Segundo a procuradora Lívia Tinôco, responsável pela ação, “à medida em que ocorre a difusão da ideia de que o preso não tem nenhum direito, e que não merece qualquer respeito e de que o seu extermínio é necessário [...] não ocorre tão-só o ferimento nos direitos individuais indisponíveis dos cidadãos [...] mas também são atingidos os valores éticos e sociais de toda uma sociedade”.

Enquanto isso, na Esplanada dos Ministérios...

O Ministério das Comunicações, responsável por regular a radiodifusão no que diz respeito ao conteúdo veiculado, alega que tem muito pouco a fazer diante de tais violações, e que o Brasil precisaria de normas específicas para punir as emissoras por este tipo de programa.

Como já relatamos neste blog, a maior multa aplicada a um programa policialesco foi de pouco mais de R$ 23 mil reais — justamente à TV Cidade, de Fortaleza, que já tinha antecedentes infracionais e, por isso, recebeu um acréscimo em sua sanção. Atualmente, as multas que podem ser aplicadas pelo Ministério das Comunicações em casos como este têm como teto o valor de R$ 89 mil, que está longe de ser dissuasivo para os canais.

Na próxima semana, o Intervozes entrará com representação junto ao Ministério Público Federal solicitando que o mesmo emita recomendação ao órgão brasileiro para responsabilizar as emissoras e seus patrocinadores, assim como suspender programas que desrespeitem sistematicamente a legislação brasileira em vigor. E nós, vamos ficar só assistindo?

Bia Barbosa
No Intervozes
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Acordo Transpacífico pretende dificultar acesso aos genéricos

Em negociações secretas, Governo Obama tenta impor em outros países medidas pró-indústria farmacêutica que ele mesmo combateu nos Estados Unidos

Com uma nova rodada de negociações do Acordo Transpacífico (TPP) prevista para o final do mês, o governo de Barack Obama busca impôr às nações em desenvolvimento políticas favoráveis à indústria farmacêutica tão ruins para a saúde pública que o próprio Obama as combateu nos Estados Unidos.

Citando vazamentos de versões do acordo, bem como membros do governo "a par da versão mais recente, de 11 de maio", o jornalista da Bloomberg Peter Gosselin relatou na sexta-feira que o acordo pode incluir disposições que devem aumentar os custos dos medicamentos, ao mesmo tempo em que dificultarão o acesso a medicamentos genéricos em todo o mundo: "Em jogo estão centenas de bilhões de dólares em custos adicionais que os consumidores podem ser obrigados a pagar se a aprovação de genéricos mais baratos se tornar mais difícil".

Nas negociações, Obama está apoiando as mesmas políticas pró-corporações que rejeitou em seu país.

"Negociadores americanos querem assegurar para os desenvolvedores de medicamentos avançados uma exclusividade de 12 anos sobre dados que poderiam ajudar os concorrentes a produzir versões semelhantes, mais baratas", escreveu Gosselin. Nos EUA, o governo Obama procurou reduzir esse prazo para sete anos.

Não para por aí. "Os negociadores também buscam meios de tornar mais fácil para as grandes companhias farmacêuticas garantir patentes ‘secundárias’ para reforçar o controle sobre os produtos", continuou Gosselin. Internamente, o governo Obama "propôs alterar a legislação americana para tornar mais difícil a obtenção destas patentes adicionais", explicou Gosselin.

Obama está disposto não apenas a impor essas políticas a outros países, como também a aprisionar os EUA a elas através do TPP.

Segundo Gosselin, “os negociadores dos Estados Unidos pressionam os países em desenvolvimento da região a se comprometer com um calendário de adoção das normas mais rígidas, para reverter as isenções anteriores que facilitavam o acesso aos medicamentos baratos”.

Obama tem enfrentado oposição oposição dos países envolvidos nas negociações. Ao mesmo tempo, a sociedade civil e movimentos sociais de todo o mundo também têm se organizado para demonstrar forte oposição ao acordo, através de protestos e cartas abertas. A resistência provavelmente seria muito maior se o conteúdo das discussões fosse público.

Em negociação desde pelo menos 2008, o TPP deve se tornar o maior acordo corporativo da história — ainda assim, tem sido negociado em extremo sigilo: quase tudo o que se sabe sobre ele foi revelado através de documentos vazados. O acordo inclui os EUA e 11 países do Círculo Pacífico — Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura e Vietnã, que juntos respondem por 40% do PIB do mundo.

A informação disponível, mesmo pouca, é desoladora. Em um vídeo recente, a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras afirma sem rodeios: "Como está hoje, o TPP promete ser o mais prejudicial acordo comercial no que diz respeito ao acesso a medicamentos”.

Como Common Dreams relatou anteriormente, o TPP seria uma dádiva para a indústria farmacêutica e uma ameaça para a saúde pública em escala global. O acordo também deixa os programas de saúde nacionais vulneráveis, incluindo o Medicare. O grupo de pressão da sociedade civil Public Citizen alertou recentemente: "As empresas farmacêuticas podem tentar aproveitar a linguagem geral do anexo (do acordo) para criar impasses ao Medicare e aos programas de saúde de muitos dos países envolvidos nas negociações do TPP”.

As preocupações com o acordo, no entanto, vão muito além do acesso a medicamentos, e grupos da sociedade civil alertam para as implicações do TPP para a própria democracia, o meio ambiente, e o poder das corporaçõres. Entre suas muitas disposições, o acordo inclui um sistema de "solução de controvérsias investidor-Estado" (ISDS, "investor-state dispute settlement") — formado por tribunais secretos que permitem que as multinacionais processem governos por perda de "lucro futuro esperado".

Sarah Lazare
Tradução de Clarisse Meireles
No Carta Maior
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Como bobos

Catarina, chamada a Grande, da Rússia, trouxe o enciclopedista francês Denis Diderot a São Petersburgo para ser uma espécie de filósofo em residência no Palácio Hermitage. Cristina, rainha da Suécia, já tinha convidado René Descartes, para dar uma sacudida intelectual no seu reino, além de preencher os vazios da alma da moça, que — fofoca histórica — gostava de se vestir de homem e não gostava de tomar banho. Frederico, o Grande (outro) da Prússia também quis ter um francês e mandou buscar Voltaire para ser seu interlocutor literário e legitimizar sua pretensão a rei filósofo, um legítimo produto do iluminismo.

Descartes, com sua ideia doida de que o Homem inventara Deus com a razão que Deus lhe dera, foi hostilizado pelos pensadores suecos como já tinha sido combatido pela Igreja na França. Escreveu de Estocolmo para um amigo: “Me parece que aqui as ideias congelam, exatamente como a água”. Foi o frio da Suécia que o matou, embora se desconfie que os ciumentos médicos da corte tenham ajudado um resfriado a se tornar mortal. No seu livro To the Hermitage (de onde vem a fofoca acima), o inglês Malcolm Bradbury escreve que em Estocolmo não existe qualquer traço de Descartes. Não se sabe onde ele foi enterrado. Segundo Bradbury, “o criador da metafísica da presença humana, o fundador do grande ‘penso, logo sou’, o profeta da alma moderna, o homem que nos deu a dúvida, a ansiedade, a mente acima da matéria e nos ensinou a questionar, é notado em Estocolmo apenas pela sua ausência silenciosa”.

A visita de Voltaire ao palácio de verão de Sans Souci, perto de Berlim, se estendeu para três anos e foi feliz enquanto durou — ou até Voltaire ser preso a mando do rei quando tentava voltar para casa, acusado de quebra de contrato e corrupção e de ter roubado alguns dos seus poemas eróticos, provavelmente a acusação que mais doeu. Denis Diderot ficou dois anos em São Petersburgo. Seu relacionamento com a czarina e sua corte foi no mínimo pacífica e a separação foi amigável.

O curioso é que os três franceses (entre outros, como Rousseau, Condorcet, D’Alembert, que também levaram conselhos a poderosos de outras terras) foram adotados por monarquias absolutas justamente por serem notórios hereges, cuja crítica à ortodoxia religiosa implicava, por tabela, uma crítica a todo poder absolutista, e cujas ideias mais tarde dariam origem às revoluções republicanas. Talvez os monarcas intuíssem que mostras de inquietação intelectual e credenciais progressistas os salvariam da onda racionalista que se aproximava, ou talvez apenas quisessem intelectuais iconoclastas aos seus pés, como animais domados. Ou como bobos, para diverti-los com suas maluquices inócuas.

Outra curiosidade é: por que os franceses aceitavam os convites? Na época, não se recusava um bom patrono, ainda mais um patrono como verbas reais, mas mesmo assim... Já era, então, a questão de hoje, a velha questão dos intelectuais e o poder: como se comportar, como se engajar sem se comprometer, até onde ir ou não ir na sua cumplicidade com os reis.

De qualquer maneira, é pouco provável que, em alguma das suas conversas com a czarina Catarina, Diderot tenha dito a sua famosa frase, com a qual Descartes e Voltaire certamente concordariam:

— A humanidade só será livre, alteza, no dia em que o último déspota for enforcado com as tripas do último padre.

Luís Fernando Veríssimo
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Se você é gay, vá para Cuba

O Brasil aceita a união gay desde 2013. Mas, no dia a dia do convívio tolerante, sai muito mal na foto

O regime castrista de Cuba é menos homofóbico do que a democracia de padrão Malafaia
O juiz Anthony Kennedy, 78 anos, presidente da Suprema Corte dos EUA, foi quem decidiu, em 26 de junho, em favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ninguém sabia de antemão para onde iria o seu voto de Minerva nessa rixa pantanosa que rachou, mais uma vez, o tribunal entre liberais e conservadores: 5 a 4 foi o resultado apertado.

De todo modo, depois daquele dia, os Estados Unidos não serão os mesmos. O mundo, que tanto olha e macaqueia a América, também não. Kennedy, como antecipa o nome, vem de família irlandesa, católica, e foi indicado para a mais alta Corte norte-americana pelo ex-presidente Ronald Reagan, mas o fato de ter nascido naquela Califórnia muito relax deve ter amaciado nele qualquer pendor para a intransigência.

Por ironia, o juiz Kennedy decidiu a favor dos liberais com uma irrespondível retórica conservadora. Alegou que o casamento é uma instituição tão sagrada — como quer a turma da Bíblia no sovaco — que não cabe aos homens impedir a alguém o direito de ter acesso a ela: “Nenhuma união é mais profunda do que o casamento, já que encarna os mais altos ideais de amor, fidelidade, devoção, sacrifício e família”.

Era o que, entre avanços e percalços, 36 estados já facultavam. Os 14 que se recusavam, aquele núcleo machista, racista e violentamente repressivo do Meio-Oeste, do Texas para cima, até Dakota do Norte, não pode mais barrar o acesso a esse direito civil a quem quer que seja, da mesma forma como, no passado, esses mesmos estados, até os anos 60, segregavam, excluíam, barravam o acesso aos direitos de cidadãos por causa da cor da pele.

Os Estados Unidos chegam razoavelmente atrasados no quesito jurídico da emancipação gay. Um mês atrás, a supercatólica Irlanda aprovou em referendo a união homo. A libertária Holanda tinha dado o exemplo em 2001, a vizinha Bélgica a seguiu em 2003 e os países escandinavos vieram na cola, se bem que antes deles uma surpreendente Espanha (em 2005) e a inesperada África do Sul (2006) tinham decidido pela legalização dos laços homoafetivos.

Assim como aconteceu nos EUA, no Brasil o direito de pessoas do mesmo sexo se unirem num contrato civil ainda chafurdaria no atoleiro legislativo, num Parlamento onde proliferam os pistoleiros do crepúsculo moral (o primeiro projeto, da então deputada Marta Suplicy, é de 1995), se não fosse uma sequência de decisões emanadas da Justiça. A primeira, de 2011, veio do Supremo Tribunal Federal, que considerou constitucional a união dos homossexuais em casamento. Dez ministros votaram a favor — nenhum contra, nem mesmo os brucutus de plantão. Em 14 de abril de 2013, o Conselho Nacional de Justiça ratificou a decisão do STF e deu realidade concreta a ela: se um casal gay chegar a um cartório civil e quiser legalizar sua união, basta seguir os requisitos da burocracia. Não há nenhuma barreira legal que o impeça.

Uma coisa é o que está escrito na lei, outra é como os hábitos e costumes da sociedade encaram, no dia a dia, a realidade homoafetiva. Nesse aspecto, vai mal o Brasil de Eduardo Cunha, do pastor Silas Malafaia e dos sedosos Marco Feliciano e Jair Bolsonaro. Segundo o site gay Planet Romeo, em pesquisa mundial com 115,5 mil entrevistados e teve a assessoria da Universidade de Mainz, na Alemanha, é mais espinhoso ser gay aqui do que em Cuba. Ou seja, a feroz ditadura castrista, na versão da nossa mídia, é mais tolerante com os dissidentes do sexo do que a hipócrita democracia à brasileira.

A pesquisa que apresentou o Gay Happiness Index (GHI), o índice de felicidade gay, leva em conta a opinão pública, o comportamento em público e a satisfação pessoal. Propôs perguntas objetivas, como: você teria coragem de beijar seu parceiro (ou parceira) à vista dos outros?  O mapa do GHI, se confrontado com o mapa do casamento gay, mostra que há países em que a tolerância chegou antes da legislação. É o caso de Israel (sétimo no ranking do GHI, vínculo homoafetivo não reconhecido) e da Alemanha (14º, idem). Conclusão: a lei ajuda, mas não consegue oferecer uma proteção total contra o preconceito, o sarcasmo e a violência.

Nirlando Beirão
No CartaCapital
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O que Goebbels ensinou à Globo

12º Principio do Kamel: abuse da palavra “crise”! Tudo é crise! – PHA


Conhece Joseph Goebbels, o violento ministro de propaganda de Hitler? Estes são os 11 princípios que levaram o povo alemão a tentar exterminar à humanidade:

1. — Principio da simplificação e do inimigo único
Simplifique não diversifique, escolha um inimigo por vez. Ignore o que os outros fazem concentre-se em um até acabar com ele.

2. — Princípio do contágio
Divulgue a capacidade de contágio que este inimigo tem. Colocar um antes perfeito e mostrar como o presente e o futuro estão sendo contaminados por este inimigo.

3. — Princípio da Transposição
Transladar todos os males sociais a este inimigo.

4. — Princípio da Exageração e desfiguração
Exagerar as más noticias até desfigurá-las transformando um delito em mil delitos criando assim um clima de profunda insegurança e temor. “O que nos acontecerá?”

5. — Princípio da Vulgarização
Transforma tudo numa coisa torpe e de má índole. As ações do inimigo são vulgares, ordinárias, fáceis de descobrir.

6. — Princípio da Orquestração
Fazer ressonar os boatos até se transformarem em noticias sendo estas replicadas pela “imprensa oficial’, pigal.

7. — Principio da Renovação
Sempre há que bombardear com novas notícias (sobre o inimigo escolhido) para que o receptor não tenha tempo de pensar, pois está sufocado por elas.

8. — Princípio do Verossímil
Discutir a informação com diversas interpretações de especialistas, mas em todas contra do inimigo escolhido. O objetivo deste debate é que o receptor, não perceba que o assunto interpretado não é verdadeiro.

9. — Principio do Silêncio.
Ocultar toda a informação que não seja conveniente.

10. — Principio da Transferência
Potencializar um fato presente com um fato passado. Sempre que se noticia um fato se acresce com um fato que tenha acontecido antes

11. — Princípio de Unanimidade
Busca convergência em assuntos de interesse geral apoderando-se do sentimento produzido por estes e colocá-los em contra do inimigo escolhido.

Qualquer semelhança com as práticas do PIG é pura coincidência….

No Caf
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Veja faz seu desembarque sutil do impeachment


O golpismo do senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado nas últimas eleições presidenciais, começa a se isolar até entre os setores mais radicais da imprensa brasileira. Editorial publicado neste fim de semana pela revista Veja, assinado pelo jornalista André Petry, condena abertamente eventual processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

O texto aponta que "suspeitas e impopularidade não são razões para a anulação de um mandato presidencial". Citando o ex-presidente FHC, também argumenta que não existem razões para um eventual impeachment. E diz ainda que "a deposição presidencial não pode ser o alfa e o ômega da oposição" — é uma crítica direta ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), cuja única agenda tem sido a de defender o golpe.

A guinada editorial de Veja também fica evidente em vários textos da edição deste fim de semana. Na Carta ao Leitor, Eurípedes Alcântara cria uma versão piegas do poema "Se", do inglês Rudyard Kipling, com versos dedicados a Dilma:
Se usar a passagem implacável do tempo de modo

que consiga fazer o Brasil voltar à normalidade e progredir

da senhora de novo será o poder que recebeu da urna
Em outro texto de opinião, o colunista Maílson da Nóbrega critica "a irresponsabilidade fiscal do Congresso", que tem como protagonista o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Numa entrevista recente, Aécio condenou o aumento do Judiciário, dizendo ser "impagável", mas disse que votou a favor para mostrar que "não há governo" (leia aqui).

Por fim, até mesmo José Roberto Guzzo, no texto "Depois de Dilma", passou a apontar que o horizonte para o pós-Dilma é 2019. Aos poucos, Aécio começa a ser abandonado e a Abril passa a vocalizar os interesses de dois tucanos que se opõem ao golpe imediato: o governador Geraldo Alckmin e o senador José Serra (PSDB-SP).

No 247
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Perguntem ao Papa


Abraão era iraquiano
Moisés era egípcio

Jesus era palestino

Theodor Herzl era austríaco

Golda Meier era russa

Shimon Perez é polaco

Issac Rabin era lituano

Nunca existiu um país chamado Israel

E a Bíblia não existiria não fosse a Palestina.


Perguntem ao Papa.

Georges Bourdoukan
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Hipócritas

O economista francês Thomas Piketty deu uma entrevista à revista alemã “Die Zeit” em que disse, entre outras coisas, que antes de exigir o pagamento a qualquer custo da dívida grega os alemães deveriam lembrar seu passado de devedores. Segundo Piketty, a Alemanha nunca pagou suas dívidas. Cobrou, com a mesma intransigência de agora, a dívida de outros, como a reparação paga pela França com muito sacrifício depois da guerra franco-prussiana de 1870, mas não pagou sua própria reparação depois da Primeira Guerra Mundial. Esta dívida foi perdoada em 1934, o que desmente a tese de que foram as exigências dos vencedores da guerra que levaram a Alemanha, ressentida, a seguir Hitler. Em 34 a Alemanha não foi humilhada, como diz a tese. Foi perdoada. Em 1953, depois da Segunda Guerra Mundial, numa conferência realizada em Londres, decidiu-se perdoar 60% da dívida alemã, uma generosidade muito maior do que a que os gregos estão pedindo agora. Foi este presente que possibilitou à Alemanha derrotada na guerra iniciar o “milagre” que a transformou na potência econômica que é hoje, na posição de mandar na economia de toda a Europa e pregar a austeridade e a “responsabilidade” que ela mesmo exemplifica. Uma superioridade moral conquistada de calote em calote.

Na entrevista, Piketty faz um histórico de dívidas nacionais através dos tempos, mostrando como há várias maneiras de cobrá-las ou equacioná-las além da ortodoxia assassina receitada por Angela Merkel, mais preocupada com a saúde dos bancos credores do que com a saúde de populações inteiras privadas de assistência social pela tal austeridade. O que a Alemanha desmemoriada não admite é que façam como ela fez, e não como ela manda.

O primeiro-ministro da Grécia não tem idade suficiente para conhecer um bolero chamado “Hipocrita”, do tempo em que havia boleros. Se soubesse, poderia serenar a sra. Merkel com ele, na próxima vez em que se encontrassem. O bolero começa assim:

“Hipocrita... Secilamente hipocrita...”

E termina assim:

“Escuchame e comprendeme,

no puedo ya vivir

como hiendra del mal

tu me enredaste

y como no me queires

me voy a morir”.

Luis Fernando Verissimo
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Você preferiria viver num mundo com a cara do papa ou num mundo com a cara de Malafaia?

Positivo
O que existe de mais atrasado, reacionário, vulgar na cena brasileira se reuniu em torno do discurso de Francisco na Bolívia.

Olavo de Carvalho, Silas Malafaia e Reinaldo Azevedo saíram dando tiros pouco cristãos no papa.

Não surpreende, dadas as diferenças abissais de visão de mundo deles.

O que causa estranheza é o tom de choque dos que atacaram o papa. É como se Francisco tivesse dito o que disse — essencialmente, uma crítica à desigualdade — pela primeira vez.

Ridículo.

Francisco chegou ao Vaticano falando o que falou na Bolívia.

Você pode julgar alguém pela qualidade do que diz e faz, ou pela falta de qualidade.

Ou pode também julgar pela reação que provoca.

É um tributo a Francisco o veneno que escorreu de OC, Malafaia e Azevedo.

Problema teria sido eles aplaudirem.

Compare os dois mundos, o de Francisco e o de seus críticos.

Qual é mais cristão? Qual deriva dos ensinamentos de Cristo? Qual estende os braços para os pobres, os miseráveis, os excluídos? Qual impõe limites aos predadores, aos gananciosos, aos adoradores do dinheiro?

Coloquemos as coisas assim: você preferiria viver num mundo com a cara de Fracisco ou num mundo com a cara de Malafaia?

Olhemos para os anti-Franciscos.

Olavo de Carvalho é financiado pela plutocracia para defender seus interesses. Vive num dolce far niente nos Estados Unidos, entre um hang out e outro com Lobão e incursões ao Facebook e ao Twitter.

Silas Malafaia explora gente inocente para viver uma vida opulenta. Prega o exato oposto de Cristo: a intolerância.

Em torno dele cresce um cansaço, uma irritação tão profunda que provocou júbilo nacional, recentemente, uma sugestão para que fosse procurar uma rola.

Reinaldo Azevedo é pago para escrever (e agora falar) coisas do interesse da plutocracia. Como todos os outros pagos para fazer aquilo, vive das migalhas que os plutocratas deixam para seus serviçais.

Para ele, particularmente, devem ter descido pesado as palavras de Francisco sobre a mídia.

Não é possível desqualificá-las pelo método usual e primitivo: é coisa de petralha. (Tolstoi não se gabava de haver escrito Guerra e Paz e Ana Karenina. Aliás, se questionava. Mas Reinaldo Azevedo julga poder receber um Nobel por ter alegadamente criado a palavra petralha.)

Francisco condenou o monopólio da mídia, um novo tipo de “colonialismo ideológico”.

Quem sabe agora, com o endosso papal, o governo se anime a colocar na agenda a regulação da mídia, algo tão importante para a sociedade brasileira?

Francisco é um exército de um homem só.

Como tal, inspira tantos outros. Pouco antes de sua visita à América do Sul, a CNBB, num documento, produziu uma extraordinária ofensiva contra a “politização da Justiça”.

Alguém falou em Lava Jato, em Moro etc?

Virou “abstração”, disseram os bispos, o ideal de imparcialidade da Justiça.

Francisco e seus garotos dizem as coisas como elas são, e por isso são tão preciosos.

Atraem ódio, mas isso faz parte da vida de quem, como eles, combate o bom combate.

Paulo Nogueira
No DCM
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Fogo amigo e outros fogos

A mais recente acusação de Aécio Neves a Dilma Rousseff, segundo a qual a presidente estaria pressionando o Tribunal Superior Eleitoral, tem sequer indício de realidade, mas fornece uma prova cômica da alienação que aciona o ataque incessante do senador à sua vencedora adversária eleitoral.

O TSE deverá ouvir Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC/Constran. Conforme um dos vazamentos da delação premiada que está sob alegado segredo de Justiça, o empreiteiro afirmou que a campanha de Dilma recebeu doação proveniente da corrupção na Petrobras. Não deu comprovação, mas os oposicionistas consideraram a afirmação suficiente para pedir ao TSE a cassação do mandato de Dilma.

As boas almas podem entender que Aécio Neves é ingrato. Pode-se achar que são outras as carências que o levaram à ação na Justiça Eleitoral. O certo é que, a haver pressão de Dilma contra a aceitação de Ricardo Pessoa como declarante veraz, Aécio Neves deveria ser o primeiro a manifestar gratidão à presidente.

A fonte e a espécie de dinheiro que favoreceram a campanha de Dilma foram as mesmas, no dizer do delator premiado, que favoreceram as campanhas de Aécio Neves à Presidência e de Aloysio Nunes Ferreira ao Senado. Na perturbação das ideias, Aécio e suas forças imitam os militares americanos, craques no que chamam, para abrandar ao menos nas palavras, de "fogo amigo".

No caso de Aécio e do PSDB, porém, o fogo é ainda mais consequente: é fogo suicida. Aécio Neves não se deu conta de que, se Dilma perdesse o mandato por consequência da afirmação de Ricardo Pessoa, no mesmo dia poderia dar entrada em um pedido de cassação dos mandatos dos senadores Aécio Neves e Aloysio Nunes Ferreira, para obter a sentença de efeitos judiciais idênticos em fatos iguais.

Também na política, e sobretudo na democracia, não se deve brincar com fogo.

A CPI da Petrobras faz o mesmo. Criada com o fim óbvio de gerar embaraços para Dilma, para o governo e para a empresa, a CPI vai ouvir o ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, sobre uma escuta ilegal dentro da Polícia Federal em Curitiba. Ocorre que o grampo na cela de Alberto Youssef, ainda no início da Lava Jato, foi posto e já confessado por agentes da polícia. Sob ordem, disseram, do principal delegado que integra o grupo da Lava Jato.

A PF está mal nessa história. Mas não está sozinha, nem na pior situação. Há notícia de que foram identificados sinais do uso, em inquirições, de falas captadas pelo grampo. Se a escuta ilegal já era um procedimento inadmissível, o seu uso em interrogatório compromete o inquérito. E refuta as acusações dos procuradores aos advogados que apontam práticas ilícitas na Lava Jato.

A CPI de apoio à Lava Jato resulta em puro fogo amigo.

O que nos acena com a salvação, sob os fogos que se cruzam, é a sabedoria do FMI. Dessa vez expressa por seu economista-chefe, Olivier Blanchard, que, apesar do nome apropriado para enriquecer no Brasil com enfeites em umas comidas mínimas e bobas, ganha do mesmo jeito em outra área. Este ano vai ser "duro" para os brasileiros, adivinha ele no relatório do FMI, mas a política correta fará a economia voltar a crescer já no ano que vem.

Quase no mesmo dia, a economista Laura Carvalho estreou coluna na Folha. Um aperitivo: "No jogo das projeções econômicas, achar erros ficou fácil demais. Basta dar uma olhadinha, por exemplo, no crescimento projetado pelos relatórios do FMI para a economia grega desde 2008". Gentil, a professora os diz "excessivamente otimistas". Estavam mesmo era arrogantemente errados, apregoando êxito nas imposições do FMI que levaram a Grécia ao naufrágio. O FMI é fogo inimigo.

Laura Carvalho faz uma pergunta: "Mas por que os economistas erram tanto as suas projeções?". Essa pergunta é fogo. É melhor lembrar de velho bordão: cala-te, boca.

Janio de Freitas
No fAlha
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