9 de jul de 2015

As semelhanças entre a crise de 1989 e a atual


O desfecho da crise política atual é sumamente curioso. E por desfecho não se imagine a manobra do “golpe paraguaio”, de promover o impeachment de Dilma. Só um completo sem noção — como Aécio Neves — para apostar nessa hipótese.

O enigma maior é como nascerá a terceira via do modelo político brasileiro.

* * *

No período democrático, o equilíbrio político se dava na polarização entre PTB e UDN e na mediação do PSD. No período militar, instituiu-se o bipartidarismo da Arena e do MDB.

Na redemocratização, o bipartidarismo foi amenizado pelas tentativas de Tancredo de montar o seu PSD.

O fracasso do governo Sarney, a desmoralização rápida das instituições existentes — todas correndo com voracidade atrás do butim, capitaneadas pelo PMDB — e o avanço econômicos e social do país, romperam com esse modelo.

Da grave crise política da época, emergiram três fenômenos:
  1. Um outsider, Fernando Collor.
  2. Um novo bipartidarismo — representado pela ascensão do PT e pela reorganização de parte do PMDB em torno do PSDB, amenizado por um centrão, que em alguns momentos foi o DEM e em outros o PMDB.
  3. A eclosão das manifestações democráticas de rua e de uma nova militância aparecendo, e o poder corrosivo dos grupos de mídia.
* * *

A crise atual tem semelhanças e diferenças com a crise da Nova República.

As semelhanças estão no vácuo político. De certo modo, marca o fim do modelo político que governou o país nos últimos 20 anos.

Os dois partidos hegemônicos — PT e PSDB — perderam-se em suas próprias contradições. “Mensalão” e “Lava Jato”, e o endosso às medidas ortodoxas de Dilma, feriram a fundo a mística do PT. E o PSDB não consegue articular um discurso coerente sequer: tornou-se um espaço de caciquismo estéril, sem ideias nem propostas.

* * *

Aí começam aflorar as contradições.

A primeira, é que Collor conseguiu cavalgar uma bandeira nova, que se tornaria hegemônica no mundo: o neoliberalismo de Reagan e Thatcher.

Hoje em dia, não se tem bandeiras nem internas nem importadas.

A segunda, é a ausência de figuras referenciais. Em 1989 tinha-se um Collor com seu discurso anti-marajás e Lula emergindo das disputas épicas da Vila Euclides.

Além disso, havia uma base paulista — tanto no PSDB quanto no PT — trazendo a ideia da modernidade e do profissionalismo, de um lado, da participação popular do outro.

Hoje em dia, o epicentro da crise está em São Paulo, onde a política envelheceu muito mais agudamente do que em outros estados. Aqui tornou-se o túmulo da política. O know how paulista só funciona quando se trata de derrubar presidentes eleitos.

O PT ainda possui o trunfo da Fundação Perseu Abramo. Mas o enrijecimento da burocracia partidária dificulta qualquer assimilação de novas ideias.

O Rede foi uma tentativa de reorganização do liberalismo em torno de bandeiras modernas — das quais  o PSDB definitivamente abriu mão.

Mas esbarra na falta de um nome nacional. Marina Silva definitivamente é muito fraca.

O PT ainda tem o nome de Lula. Mas a cada dia que passa, a saga de Lula torna-se um ponto cada vez mais distante para as novas gerações que estão chegando.

Haverá uma solução para o impasse, pois não existe vácuo de poder.

Mas quem disser que sabe qual será, estará mentindo.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

O ‘crucifixo comunista’ e a surpresa de Francisco


Após visitar o Equador, o papa Francisco aterrissou quarta-feira em La Paz, na Bolívia, dando continuidade a sua agenda de visitas pela América Latina. Ali se encontrou com o presidente Evo Morales, que exerceu o papel de anfitrião e protagonizou o momento que captou as atenções nas redes sociais: seu presente ao pontífice. O presidente ofereceu a Bergoglio uma escultura de uma foice e um martelo com um Cristo crucificado, que foi recebida com certo espanto pelo Bispo de Roma. O objeto provocou críticas entre os conservadores da Igreja e mais tarde o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, tentou acalmar a situação, assegurando que o Papa "não teve nenhuma reação especial negativa" ao presente.

Mas o gesto do presidente não foi uma provocação gratuita, pois tinha muito simbolismo: segundo explicou Morales ao pontífice, o presente é uma reprodução de uma obra supostamente realizada por Luis Lucho Espinal, um jesuíta espanhol torturado e assassinado pelos paramilitares bolivianos em 1980. O presente pegou todo mundo de surpresa e, nas redes sociais, as pessoas se perguntaram que tipo de presente era esse.

Nascido em 1932 em San Fructuoso de Bages, em Barcelona, Luis Espinal tornou-se sacerdote aos 30 anos. Em 1968, chegou à Bolívia como missionário da Ordem dos Jesuítas, à qual Bergoglio também pertence. Realizou trabalhos humanitários e se interessou pela política local, apoiando a democracia e as causas sociais. Por isso foi sequestrado, torturado e morto a tiros em 21 de março de 1980.

Além de seu trabalho eclesiástico, Luis Lucho Espinal foi um grande fã do cinema, deixando uma mais de dez documentários e roteiros. Em 2007, Evo Morales declarou que 21 de março seria o Dia Nacional do Cinema, em homenagem ao assassinato do jesuíta.

De fato, em sua viagem à Bolívia, o papa Francisco visitou o lugar onde foi encontrado o cadáver de Luis Espinal e pronunciou algumas palavras. O presidente também deu sua biografia de presente a Bergogli, além do texto Libro del Mar, uma roupa de padre com bordados e um quadro da Virgen del Socavón, padroeira dos mineiros, feito com quinoa.

O Papa, por sua vez, ofereceu a Morales algo “mais simples”: uma reprodução em mosaico da obra Salus Populi Romani, que se encontra na Basílica de Santa Maria Maior; e a encíclica sobre ecologia Laudato si, Alabado seas.
Leia Mais ►

“O PMDB não trai. Não somos golpistas”, diz Moreira Franco


Ex-ministro do primeiro governo Dilma Rousseff e hoje presidente da Fundação Ulysses Guimarães (FUB), instituição de formulação política do PMDB, Moreira Franco rebate rumores de que o partido articula apoio a impeachment da presidente Dilma Rousseff, porque “não trai” e “não é golpista”, mas diz que o único compromisso do partido com o governo é com a aprovação do ajuste fiscal.

“O PMDB não trai. Nós chegamos aonde chegamos porque o PMDB não trai”, afirma, em entrevista ao Valor. “Hoje até a presidente fala do impeachment como se fosse uma coisa absolutamente natural, do ponto de vista institucional. E não é. (…) Não somos golpistas.”

Moreira mostra-se surpreso com a rapidez do agravamento da crise e, sem citar nomes, responsabiliza o núcleo do governo por complicar o quadro. “O ideal é uma crise chegar ao Palácio do Planalto tensa, nervosa, com temperatura alta e, ao longo do dia, ser absorvida e ficar leve, serena e o mais acordada possível”, afirma. No entanto, o que acontece, segundo ele, é que “a tensão sai dali mais dura”.

O vice-presidente, Michel Temer, presidente nacional do PMDB, é “destoante” no Planalto, segundo Moreira — um dos dirigentes do partido mais próximos do vice — porque atua para conciliar e acalmar as situações. O presidente da FUB, cuja principal tarefa no momento é preparar a “tropa” do PMDB para tornar viável candidatura própria a presidente da República em 2018, critica o governo por não ter estratégia para o país, diferentemente do que acontecia no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e por não enfrentar politicamente a atual crise.

A seguir os principais trechos da entrevista:

O PMDB está dividido com relação à crise política. Qual é a sua avaliação?

Wellington Moreira Franco: O nosso compromisso é com o Brasil, mantendo o equilíbrio fiscal, inflação controlada e fundamentos macroeconômicos que nos permitiram restabelecer a moeda, gerar emprego e combater a desigualdade. Garantimos a 40 milhões de brasileiros a possibilidade de ir ao mercado de consumo, se organizar financeiramente, melhorar qualitativamente sua vida dentro de casa. Mas, quando abriam a porta de casa, nada funcionava. Ruas sem calçamento, sem esgoto, sem água, sem transporte, escolas ruins, saúde precária, ou seja, a parte pública absolutamente inadequada à realidade da sua vida dentro de casa.

Esse contraste esgotou uma estratégia que começou no governo Fernando Henrique Cardoso e continuou com Lula, que fez mudanças de foco, preservando os mesmos fundamentos macroeconômicos. Começou a fazer intervenções microeconômicas que geraram mudanças na economia brasileira, dando mais agilidade. Mas isso esgotou. O ambiente começou a ficar esgarçado, as críticas [de leniência com inflação e da necessidade de um ambiente jurídico que desse confiança ao investidor] entraram na agenda. O governo, em vez de ver se isso era fato ou não, escorraçava, batia, e as coisas foram se acirrando. Teríamos que ter tomado uma série de medidas que não foram tomadas. Isso gerou a crise que estamos vivendo.

Vê saída?

É necessário que se defina o mais rapidamente possível uma nova estratégia para o país, além do ajuste fiscal, para a gente saber onde quer ir. [O governo] Não tem estratégia. Ajuste para quê? Um dos mais duros ajustes da economia brasileira se deu nos dois primeiros anos do governo Lula, mas ele dizia onde queria ir. Tinha uma estratégia. O que me parece fundamental hoje é definir uma estratégia. Tem que ter um “Plano Dilma”, ou um “Plano Levy”, que não seja o ajuste. E este plano tem que estar nítida, segura e claramente sustentado em uma estratégia. Eu convivi, fui criado e me formei num ambiente político. Muito jovem convivi com o doutor Ulysses [Guimarães], o doutor Tancredo [Neves], o senador Amaral Peixoto, [Leonel] Brizola, Fernando Henrique, enfim. E nunca havia visto duas coisas que passaram a ser triviais, banais, como justificativa para problemas. A primeira é atribuir a culpa à suposta deficiência da política de comunicação.

Era sempre dito que o problema era político. Um problema tem que ser avaliado politicamente e é preciso definir uma estratégia política. Comunicação não resolve. Para ter uma boa comunicação, precisa de conteúdo.

E o conteúdo é dado pela política. Não existe dificuldade de comunicação. Existem dificuldades políticas. As dificuldades políticas geram conteúdos para você dizer o que quer. Comunicação é uma ferramenta. A segunda coisa que eu nunca tinha visto é a tal agenda positiva. Não existe agenda positiva. Existe estratégia de governo. Existe uma proposta, intervenção na vida econômica e social do país com medidas de políticas públicas que geram esperança. O que falta é a questão política. É ter paciência, grandeza, compostura, para entender o fato social, para resolver o problema das pessoas. A única obrigação de quem está no governo é resolver os problemas das pessoas. Os que têm grandeza fazem grandes transformações, porque se arriscam. Os que são comedidos, fazem transformações pequenas.

É o caso da presidente Dilma?

Não vou entrar nisso.

Setores do próprio PMDB têm conversado com outros partidos sobre impeachment de Dilma.

Olha, o PMDB não trai. Nós chegamos aonde chegamos porque o PMDB não trai. O PMDB sempre teve responsabilidade com as instituições. O PMDB derrubou uma ditadura sem matar ninguém, pela política. A nossa cultura é a cultura da política, da negociação, da maioria. Não somos uma cultura de açodados. Então, por isso é que somos o equilíbrio. Hoje, a própria presidente fala de impeachment como se fosse uma coisa absolutamente natural do ponto de vista institucional.

E nós achamos que não é. E não é só agora que a gente acha isso não. Na época do [ex-presidente Fernando] Collor, a última pessoa a ser empurrada para a solução [impeachment] foi o doutor Ulysses, ou seja, o PMDB. Nós não somos golpistas. Estão dizendo muita coisa. Conversar, todo mundo conversa. Agora, essas conversas de articulação para mudanças não têm frequentado nossa mesa. Há muito ti-ti-ti, muito boato, mas essas conversas não têm frequentado a nossa mesa.



Quem boicota a aliança Dilma-PMDB?

Em tempo: na "Fel-lha", na página de (uma só) Opinião, o Gato Angorá escreve um artigo (provavelmente em parceria com o Padim Pade Cerra) para entregar a Petrobras à Chevron. Esse Brizola … via longe!


Leia Mais ►

A Odebrecht e o BNDES

http://www.maurosantayana.com/2015/07/a-odebrecht-e-o-bndes.html


Nos últimos dias, jornais e portais deram destaque para a informação de que os financiamentos à Odebrecht pelo BNDES teriam “disparado” de 2007 para cá, e de que diplomatas brasileiros servindo em outros países e na Venezuela, teriam apoiado a empresa e comemorado, em comunicados e correspondência interna, o fato dela ter aumentado nos últimos anos seus negócios no exterior.

Chama-se a atenção para isso, como se houvesse algo de irregular nesses dois fatos.

Primeiro, o de o nosso maior banco de fomento, que carrega os adjetivos “econômico” e “social” no nome, financiar, para clientes internacionais da maior empresa de engenharia e construção da América Latina, a aquisição de produtos e serviços brasileiros.

E, em segundo lugar, o de diplomatas brasileiros darem suporte à expansão de empresas nacionais no exterior, como fazem, por milhares de vezes, embaixadores e encarregados de negócios norte-americanos em todo o mundo, como pode ser visto em centenas de telegramas publicados no Wikileaks.

Segundo esse dados, os financiamentos do BNDES para clientes da Odebrecht no exterior, teriam passado de uma média de 166 milhões de dólares por ano, de 1998 a 2005, para um bilhão de dólares, em média, depois, até 2014.

Uma quantia que equivale a um percentual — como a mesma matéria acaba informando mais adiante — de apenas 8,4% dos contratos totais da Odebrecht fora do Brasil no período, que foram de 119 bilhões de dólares, em sua maioria emprestados por bancos internacionais — o que mostra que o BNDES não está sozinho em sua confiança na empresa — para o financiamento da execução de projetos de seus clientes em outros países.

Para se ter uma ideia, os recursos do BNDES para financiar pagamentos à Odebrecht alcançaram em 2014 apenas 7% dos 14 bilhões de dólares que a empresa faturou no ano passado.

No entanto, ao ler a matéria, muitos leitores podem ser levados a pensar que esse aumento foi apenas para a Odebrecht, ou, como dizem muitos, que o BNDES tem investido preciosos recursos fora daqui, no lugar de aplicá-los em projetos dentro do Brasil.

Isso seria verdade, se, nos últimos anos, o BNDES tivesse subtraído de seu orçamento histórico, sem aumentá-lo, dinheiro para obras no exterior e se essas obras não tivessem criado milhares de empregos para brasileiros, dentro e fora do país.

Mas o que ocorreu foi exatamente o contrário.

Os desembolsos do BNDES, para financiamento de todos os setores da economia, passaram de menos de 35 bilhões de reais, em 2002, para 187 bilhões de reais em 2014.

E mais, se de 1990 a 2006, em 16 anos, o dinheiro emprestado pelo BNDES EXIM, o seu braço de apoio a exportação, foi de aproximadamente 23 bilhões de dólares, ele subiu, em apenas sete anos, de 2007 a 2014, para mais de 40 bilhões de dólares — para sermos exatos, 128 bilhões de reais, beneficiando não apenas a Odebrecht e outras grandes empresas, mas, por meio delas, milhares de pequenas e médias empresas brasileiras.

Outra impressão que fica, para certo tipo de público, ao ler o texto, é que a Odebrecht parece ser uma organização “terceiro-mundista”, “comunista” e “bolivariana”, que apenas graças ao apoio do PT se expandiu no mundo.

Como projetos da Odebrecht no exterior, são citados o metrô de Caracas e de Los Teques, na Venezuela — o primeiro financiamento para essa obra foi do governo Fernando Henrique Cardoso — centrais hidroelétricas e termelétricas no Equador, Angola, Peru, República Dominicana, um gasoduto na Argentina, aeroportos “como o de Nacala, em Moçambique”, e o onipresente, na imprensa brasileira, de uns tempos para cá, Porto de Mariel, em Cuba.

Mas não se diz, para maior informação dos leitores, e de toda a sociedade brasileira, que, se a Odebrecht fez obras no porto de Mariel, em Cuba, também as fez no Porto de Miami, como a infra-estrutura que permitirá receber os super-cargueiros que atravessarão o novo Canal do Panamá, ampliado; que se faz obras no aeroporto de Nacala, em Moçambique, também as faz no aeroporto de Miami — o novo Terminal Norte do Miami Airport, construído pela Odebrecht, recebeu o prêmio Global Best Projects, da conceituada revista ENR, Engineering News-Record —- ou nos aeroportos de Orlando e de Fort Lauderdale; que se faz metrô subterrâneo na Venezuela, também já fez um tipo de metrô (suspenso - foto) em Miami; rodovias como a Route 56, na Califórnia, a SR 836/I-395 na Flórida, ou a Sam Houston e a Grand Parkway, no Texas, viadutos como o Golden Glades e estádios como a American Airlines Arena, em Miami, centros culturais como o Adrienne Arsht Center for Performing Arts, na mesma cidade, sistemas de proteção hidraúlica e ordenamento hídrico contra enchentes, como a Barragem de Seven Oaks, na Califórnia, ou o LPV-9.2, que protege as estações de bombeamento do Lago Pontchartrain, na Louisiana, contra furacões.

Tudo isso nos Estados Unidos, país em que está presente desde 1990, e no qual emprega — entre eles muitos brasileiros — milhares de trabalhadores de 33 diferentes nacionalidades.

Como vemos, a situação está tão surreal e absurda, que, mesmo que a capital da Odebrecht, fora do Brasil, seja Miami — a cidade mais conservadora dos EUA — e não Havana, o seu presidente está preso e é execrado, diariamente, nas redes sociais brasileiras, pelo suposto “bolivarianismo” de sua empresa e eventuais “ligações” com o PT.

Já faz algum tempo que o BNDES tem sido atacado violentamente nas redes sociais.

Pretende-se, no “liberou geral” da prorrogada, persistente, duradoura, temporada de Caça ao Chifre na Cabeça de Cavalo, ou de cabelo, em casca de ovo, envolver, “de boca”, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social com alguma irregularidade.

Tornou-se corriqueiro dizer que há uma “caixa preta” do BNDES, que, quando aberta, abalaria a República — nos círculos mais ignorantes segue viva a lenda urbana de que a família Lula é dona da FRIBOI, também beneficiada por financiamentos do banco — quando se trata de uma das mais sérias e competentes instituições brasileiras, e de um esteio de grande importância para o desenvolvimento econômico e social do país.

Outro mito recorrente, nos últimos tempos, é que as operações do BNDES no exterior teriam causado rombo no tesouro e dado bilhões de dólares em prejuízo ao país.

Ao contrário do que muitos pensam, o BNDES não tem costume de salgar carne podre e é uma das instituições mais sólidas do mundo.

O índice de Basileia exige mais que 11%, quando o do BNDES é de 15,9%. O Capital Principal tem que ser de mais de 4,5%, quando o do BNDES é de 10,6%. A Exposição Cambial tem que ser de menos 30%, quando no BNDES ela é de apenas 4,8%. A exposição ao Setor Público deve ser de menos de 45%, quando no BNDES é de 26,2%. A imobilização deve ser de menos de 50%, quando no BNDES, ela é de apenas 11,4%. Os dados são de dezembro de 2014.

Os seus ativos aumentaram de 782 para 977 bilhões de reais (eram de menos de 43 bilhões em 2002) entre dezembro de 2013 e um ano depois. O Patrimônio Líquido subiu de 60 para 66 bilhões de reais, a inadimplência manteve-se em modestíssimos 0.01% e os lucros, o Resultado Líquido, subiu de 8.150 para 8.594 bilhões de reais no final de 2014.

O que atrapalha a expansão da infra-estrutura no Brasil não é a falta de dinheiro. É a ortodoxia monetária que impede que o governo se endivide para desenvolver — e até mesmo defender — o país, como costumeiramente fazem nações como os Estados Unidos, os maiores devedores do mundo, e todo tipo de empecilho e de sabotagem que fazem com que obras como a Hidrelétrica de Belo Monte — e a própria refinaria Abreu e Lima — já tenham enfrentado dezenas de interrupções.

O Congresso aprovou o fim do sigilo das operações de financiamento exterior do BNDES — vetado pela Senhora Dilma Roussef — como se essa norma fosse praticada em bancos de apoio à exportação de países como a Coréia do Norte, quando ela faz parte do comportamento normal — para não entregar de graça informações para a concorrência — de bancos e instituições semelhantes em nações como a Alemanha (KFW), Canadá (Banco de Desenvolvimento do Canadá), Espanha (ICO), e a JFC- Japan Finance Corporation e o JBIC - Japan Bank for International Cooperation, do Japão.

Não temos maiores simpatias pela Odebrecht do que teríamos com relação a qualquer empresa que gerasse o número de empregos que gera e que fosse da importância estratégica que tem para o Brasil, já que ela está à frente, entre outros importantes projetos — condição também ameaçada pelos problemas que está vivendo agora — da construção de nossa nova base de submergíveis, de vários submarinos convencionais e do novo submarino atômico nacional.

Também acreditamos que já passou da hora de empresas que são financiadas pelo BNDES no exterior promoverem uma ação institucional coletiva para explicar ao público como funcionam os financiamentos dessa instituição nessa área e a importância da exportação de serviços de engenharia para o Brasil e a economia nacional.

Mas o primeiro compromisso de um jornalista é com a verdade.

E a verdade, para além dos fatos já citados, é que grandes nações não se fazem sem grandes bancos públicos, como o BNDES, para financiar seu desenvolvimento e suas exportações, sem uma diplomacia ativa em defesa dos interesses nacionais e sem grandes grupos empresariais, especialmente das áreas de engenharia e infra-estrutura, que possam apoiar a venda de seus produtos e serviços e projetar — para lugares menos e mais desenvolvidos que o nosso — a imagem de um país atuante e competente lá fora.

Os financiamentos do BNDES no exterior garantem um milhão e quinhentos mil empregos no Brasil, e a sobrevivência de milhares de empresas brasileiras, como as que fornecem serviços e produtos para a Odebrecht, cuja lista, retirada do site da empresa, fazemos questão de publicar depois deste texto.

São instrumentos de financiamento, apoio governamental, know-how avançado, entre outros — que distinguem os países fortes e bem sucedidos dos mais dependentes e fracos, e que abrem caminho para o avanço de certas nações em detrimento de outras, em um planeta cada vez mais complexo e competitivo.

Enquanto há nações, que a isso se arriscam, ou estão impedidas — infelizmente, até mesmo por dentro — de alcançar o desenvolvimento e o progresso, pela emersão, insidiosa, de uma quinta-coluna em que desfilam, arrogantes e cegos, ombro a ombro, o arbítrio, a hipocrisia, a intriga, a subserviência, a manipulação, o auto-preconceito e a ignorância.
Leia Mais ►

Sobre os adesivos criminosos contra Dilma e o papel Raísa Siqueira no episódio

Raísa Siqueira e seu irmão foram meus alunos e os tenho em grande conta. São pessoas de boa índole. Assustei-me quando vi as imagens de sua conta no Mercado Livre em referência aos tais adesivos. Não acreditei e entrei em contato. Estava certo de que ela não seria capaz de fazer isso. Todos que a conhecem, assim como eu, ficamos a nos perguntar por qual motivo ela publicaria e estaria comercializando adesivos que feriam gravemente a dignidade de uma mulher, que, como sabemos, é a presidenta da República [ainda que não fosse], eleita democraticamente. Quer queiram os opositores, quer não.

Acabo de receber informações fidedignas do caso e as relatarei de modo comedido [com a autorização dela], pois as medidas cabíveis legais, sob o comando de advogados, estão sendo tomadas por ela e pela família.

1. A conta no Mercado Livre estava realmente no nome de Raísa [Ela a excluiu depois desses fatos que a atingiram em sua honra e em sua dignidade];

2. Embora a conta estivesse em seu nome, quem a administrava era outra pessoa e desse alguém partiu o anúncio. Ela abriu a conta a pedido dele, porque ele fora banido do Mercado Livre por razões que não nos cabe explicitar aqui. Ao terminar o relacionamento, ela esquecera de mudar ou cancelar a conta.

3. Nos comentários do anúncio dos adesivos, na conta ML, a referência é sempre a uma figura masculina.

4. Raísa, mais do que ninguém, está à disposição da justiça para esclarecer o fato e provar sua inocência.

Raísa, você tem o meu crédito como, certamente, tem de seus ex-professores e de todos que a conhecem.

Leia Mais ►

A coerência de Cunha Lima





Para defender Cássio Cunha Lima de acusações de corrupção na SUDENE, seu pai provocou tragédia, como um criminoso. 


Leia Mais ►

Não se derruba Presidente com manchetes... Isso é, seria golpe


Leia Mais ►

O tempo do golpismo passou para nunca mais, diz Lula

Em publicação no Facebook, o ex-presidente saiu em defesa da democracia brasileira e também das conquistas do povo nos últimos anos


Leia Mais ►

9 de julho é uma data que precisa ser descomemorada


Paulistas fazem feriado infame para uma guerra sem mocinhos

São Paulo tem feriado no dia 9 de julho. Só eles. Têm avenida 9 de julho. Têm festa de 9 de julho. Por quê?

A data comemora uma guerra civil restrita a esse estado contra as tropas de todas as demais unidades da Federação. Em seu pior momento, até o separatismo foi empunhado como bandeira desse feriado que precisa ser descomemorado.

Para derrotar São Paulo, todos os demais estados fizeram uma guerra contra "os senhores da politicalha que arruinaram a moral republicana em quarenta anos de escândalos e crimes”, dizia Magalhães Barata (1888-1959), governador do Pará (à época, chamados de "interventores", pois eram indicados por Vargas, e não eleitos).

A revolta de 1932 é uma guerra sem mocinhos. Nem os paulistas, nem Vargas, nem Magalhães Barata.

Os paulistas são orgulhosos até mesmo de sua derrota. Dizem que ela permitiu que o País voltasse a se constitucionalizar. É verdade. Mas é também verdade que a constitucionalização de 1934 não impediu o Estado de exceção que se instalou no País, logo após 1935 (quando os comunistas foram presos por conspirar contra Vargas), antes mesmo do chamado Estado Novo (1937).

Detalhe: Estado de exceção não só sob os auspícios da Constituição de 1934, mas também com o apoio da mesma pauliceia que em 1932 entrincheirou-se contra Vargas.

Abaixo, o trecho do estudo de Paulo Brandi sobre Getúlio Vargas, feito para o Centro de Documentação da Fundação Getúlio Vargas (CpDoc).

Este e outros estudos sobre a Era Vargas estão disponíveis aqui no blog.


A Revolução de 1932

Em 9 de julho, São Paulo levantou-se em armas contra o Governo Provisório, iniciando a chamada Revolução Constitucionalista. Sob o comando do general Isidoro Dias Lopes e do coronel Euclides Figueiredo, tropas da Força Pública e do Exército ocuparam rapidamente os pontos estratégicos da capital, com a ajuda de elementos civis. Pedro de Toledo aderiu à rebelião e foi proclamado governador do estado, assumindo a chefia civil do movimento junto com líderes do PD e do PRP. Quase todas as guarnições federais estacionadas em São Paulo aderiram à revolta. No dia 12, quando o general Bertoldo Klinger chegou a São Paulo para assumir o comando do exército constitucionalista, os rebeldes já controlavam todo o estado e posições fronteiriças em Minas, Paraná e no Estado do Rio.

Vargas recebeu as primeiras notícias do levante na noite de 9 de julho. Telegrafou imediatamente aos interventores federais nos estados e designou o general Góis Monteiro para o comando geral das operações contra os paulistas. O apoio de Minas e do Rio Grande do Sul, que parecia incerto, foi de decisiva importância para Vargas. Flores da Cunha causou algum alarme quando comunicou a Vargas sua renúncia à interventoria, momentos após o início da rebelião. Entretanto, no dia 10, após um dramático apelo de Vargas, o líder gaúcho lançou um manifesto em defesa do Governo Provisório e ordenou o imediato deslocamento da Brigada Militar para o front. Olegário Maciel também se colocou ao lado de Vargas, apesar da indecisão inicial em mobilizar as tropas estaduais contra os paulistas. Os demais interventores reafirmaram seu apoio ao governo federal. São Paulo, sem fronteiras com outros países e tendo o porto de Santos bloqueado pela Marinha, viu-se obrigado a lutar contra 18 estados da Federação.

Em 12 de julho, Vargas lançou um manifesto à nação denunciando o caráter “reacionário” do movimento paulista e tornando clara sua disposição em conduzir a luta até a rendição dos rebeldes. Apesar de seu completo isolamento, o governo revolucionário paulista mobilizou-se para uma guerra civil em larga escala com o apoio entusiástico da classe média. Fábricas foram transformadas para produzir material bélico, voluntários acorreram em massa aos postos de alistamento, donas-de-casa contribuíram com suas jóias na campanha “Ouro para o bem de São Paulo”. O Governo Provisório também abriu o voluntariado e organizou a contra-ofensiva no vale do Paraíba, sob o comando do general Góis Monteiro, e ao sul de São Paulo, onde as tropas legalistas foram comandadas pelo general Valdomiro Lima, tio materno de Darci Vargas.

Após algumas semanas de luta desgastante, as forças federais infligiram as primeiras derrotas aos paulistas. Ainda em julho, Vargas estabeleceu duas condições básicas para o término do conflito: a rendição dos paulistas e a formação de um novo governo em São Paulo, sem a participação dos líderes revolucionários. Os paulistas exigiram, por sua vez, o reconhecimento da situação criada em São Paulo e a formação de uma junta governativa no plano federal. Uma missão conciliadora tentada pelo ex-ministro Maurício Cardoso não deu resultado. A guerra civil iria prolongar-se por quase três meses, deixando um saldo de 15 mil vítimas, entre mortos e feridos.

No decorrer de agosto, as ações de guerra já se revelaram inteiramente desfavoráveis aos paulistas. Apesar do cerco a São Paulo, o general Góis Monteiro aconselhou Vargas a preparar-se para uma “guerra perseverante e demorada”, por causa da falta de equipamentos e munições do Exército brasileiro. Ainda em agosto, num derradeiro esforço para romper o isolamento de São Paulo, Borges de Medeiros conclamou o povo gaúcho a pegar em armas contra o governo estadual. Artur Bernardes também tentou organizar um foco de resistência armada em Minas. Ambos fracassaram e foram presos, tendo sido o pequeno levante gaúcho rapidamente debelado.

Em 20 de setembro, Vargas lançou um manifesto ao povo paulista, conclamando-o a retornar ao “convívio fraternal dos demais estados”. Responsabilizou pela tragédia a classe dirigente paulista, acusando-a de arrastar a população para um movimento de revanche contra o de 1930 e denunciando também seus propósitos de separatismo.

Em 29 de setembro, no momento em que as forças federais apertaram o cerco em torno de Campinas, o general Klinger pediu a suspensão das hostilidades, iniciando conversações de paz com o general Góis Monteiro. Em 1º de outubro, quando Klinger ainda negociava os termos da rendição, a Força Pública paulista acertou um acordo de paz em separado. A Força ficou incumbida de depor o governo revolucionário paulista, o que ocorreu no dia seguinte.

Em 2 de outubro, foi firmado o armistício que selava a derrota dos paulistas. Com o fim das hostilidades, o general Valdomiro Lima assumiu em 6 de outubro o cargo de governador militar de São Paulo. A repressão aos vencidos foi sumária. Após um curto período de detenção, os principais líderes constitucionalistas de São Paulo e Minas seguiram para o exílio em Portugal. No caso de Borges de Medeiros, o governo abriu uma exceção, confinando-o em Recife. Em 8 de dezembro, Vargas suspendeu por três anos os direitos políticos dos líderes constitucionalistas, estendendo a medida aos dirigentes do governo deposto em 1930. Uma parte dos exilados começou logo a preparar um novo movimento contra o governo, tendo Lisboa e Buenos Aires como centros de conspiração. Os coronéis Euclides Figueiredo e Basílio Taborda foram encarregados de coordenar as atividades revolucionárias no Rio Grande do Sul e outros pontos do país. Entretanto, os líderes políticos de São Paulo abandonaram qualquer atuação que desse margem à volta de repressões no estado.

Logo após a pacificação da guerra civil, Vargas retomou com novo empenho o processo de constitucionalização, confirmando a data de 3 de maio de 1933 para as eleições à Assembléia Constituinte. Em novembro de 1932, nomeou para o Ministério da Justiça (chefiado interinamente havia sete meses) o gaúcho Francisco Antunes Maciel Júnior, convocou a comissão nomeada para elaborar o anteprojeto da futura Constituição e desencadeou em âmbito nacional a reorganização partidária com vistas às eleições para a Constituinte. Outras modificações no ministério provocadas pela Revolução de 1932 foram o afastamento de Francisco Campos da pasta da Educação e Saúde Pública, entregue em setembro a Washington Pires, também mineiro, e a nomeação de Juarez Távora para o Ministério da Agricultura, em dezembro de 1932.

A pacificação de São Paulo foi um dos objetivos prioritários do governo vitorioso. Vargas concordou em resgatar, através do Banco do Brasil, os bônus de guerra emitidos pelos bancos paulistas para financiar a guerra. Valdomiro Lima recebeu instruções para realizar uma aproximação efetiva com os diversos setores da população paulista. Em fins de janeiro de 1933, Vargas acabaria por nomeá-lo interventor federal no estado. Em meados de 1933, São Paulo voltaria finalmente ao controle dos paulistas, “encerrando-se de vez a prática federal de enviar para o governo desse estado representantes da corrente revolucionária tenentista, contra a qual a oligarquia se unira e lutara até as últimas conseqüências”.

No Antonio Lassance
Leia Mais ►

O discurso da raiva

As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade, ensinava Victor Hugo. Ulysses Guimarães, comentando um dos maiores oradores do Brasil, Carlos Lacerda, seu colega de Congresso (sim, houve época em que havia na Câmara gente como Ulysses, Lacerda, Tancredo, Vieira de Mello, Almino Affonso e Affonso Arinos entre outros grandes parlamentares), dizia que o efeito de uma frase certeira era idêntico ao de um nocaute físico: a vítima empalidecia, tremia, muitas vezes tinha de sentar-se. As palavras são leves, fáceis de pronunciar, de escrever, de manipular; mas suas consequências são imprevisíveis e frequentemente devastadoras.

O discurso da raiva, alegremente encampado por alguns jornalistas, muitos dos quais se orgulham de “ter lado”, ou de “lutar pelas causas justas”, ou de “contribuir para a moralização dos costumes públicos”, já resvala em terreno perigoso. Dois idiotas radicais conseguiram aproximar-se da comitiva da presidente Dilma Rousseff em Stanford, na Califórnia, com o objetivo de insultá-la e divulgar sua façanha em vídeo. Uma de suas frases: a presidente merecia morrer. Foi o mesmo que se escreveu na rua onde mora Jô Soares, depois que entrevistou Dilma. Algo semelhante berrava a turba reunida pelo assessor parlamentar de uma deputada federal para insultar publicamente o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal.

Vaiar um político, bater panelas para protestar, tocar buzinas, isso faz parte do jogo. Ameaçá-lo por ter ideias diferentes não faz parte do comportamento de pessoas decentes. Pode-se dizer, como este colunista o fez, que a entrevista de Jô Soares com Dilma foi ruim; daí a menosprezar seu talento, sua história de bom trabalho, de querer que ele morra, é inaceitável (e, a propósito, além de inaceitável é de uma imbecil prepotência: todos morrerão um dia, inclusive os vociferantes. Imaginar que se pode antecipar o evento pela simples manifestação de vontade é cretinice).

E como a imprensa se comporta ao noticiar esses rastros de ódio?

Vamos a exemplos:

1 Manifestantes hostilizam Dilma nos EUA com cartazes e mandiocas, diz um título. No texto, informa-se que havia quatro manifestantes. Quatro.

2 Estudantes gravam vídeos insultando Dilma nos EUA, diz o título. O texto é claro: havia dois estudantes. Dois.

3 Só contra o PT? Não: há tempos, Paulo Maluf comandou comício num grande cinema, com público quase totalmente favorável. Foi aplaudidíssimo. Um senhor o vaiou. Título: “Maluf vaiado no comício”. Diante da queixa, o jornal reiterou a informação: “A vaia ocorreu, foi real”. É verdade o que comprova que, com uma verdade, é possível falsear a cobertura.

4 Apesar da crise política, Lula reúne amigos para jogatina, diz o título. E de que se tratava essa tal jogatina? Como ocorre de vez em quando, Lula reuniu em sua casa velhos amigos, como o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, para uma rodada de buraco, a leite de pato, ou com apostas irrisórias, mais um pretexto para bater papo, tomar cerveja e divertir-se com alguns tira-gostos. A conotação da palavra “jogatina” é negativa. Mas o fato que foi descrito é comum, faz parte da vida de boa parte da população, nada tem de negativo. E que é que queriam? Que, com a crise política, Lula tivesse crises permanente de choro? Fizesse greve de fome?

Que os partidários apaixonados de um lado ou de outro falem bobagem, tudo bem desde que se mantenham nos limites da lei. Mas os meios de comunicação não podem cair nessa armadilha. Primeiro, porque com isso fogem à sua missão de retratar os fatos o mais fielmente possível. Segundo, porque mais cedo ou mais tarde, mesmo que catástrofes para as quais contribuiu a má cobertura aconteçam no caminho, os fatos reais acabam aparecendo. Pode demorar, mas tanto a imprensa partidarizada quanto os profissionais que se partidarizaram acabam perdendo público e importância.

Loucura geral

Até que a razão volte a prevalecer, na política e na imprensa, é bom tomar cuidado. Há cretinos fundamentais que dizem que os parlamentares que votam contra a redução da maioridade penal são cúmplices dos bandidos e por isso merecem morrer. Pode-se discordar deles, mas querer que morram? Outros, diante de uma declaração da atriz Marieta Severo, que elogiou a inclusão social no Brasil, concluem que ela recebe do PT para defendê-lo. Besteira sesquipedal: este colunista não tem a menor ideia do pensamento político de Marieta Severo, mas sabe que é uma pessoa séria e uma profissional de alto nível. É perfeitamente possível discordar de suas opiniões, claro; mas apresentando outras opiniões opostas e os argumentos que as sustentem. Como é possível discordar da presidente Dilma Rousseff (e a maioria do eleitorado, hoje, parece fazê-lo) sem cair na grosseria de adesivos pornográficos e desrespeitosos não apenas a ela, mas às mulheres em geral.

Aliás, essa história dos repugnantes adesivos é incrivelmente burra: no momento em que a presidente atinge seus índices mais baixos de popularidade, é preciso ser ignorante total em política para atacá-la nesses termos, que só podem provocar solidariedade. Não se chuta quem está por baixo. E uma rápida pesquisa no portal Mercado Livre mostra que a grosseria tem alcance próprio limitadíssimo: quatro adesivos vendidos até o final desta última semana. Ou seja, aquilo que não teria qualquer importância se tornou conhecido pela ampla divulgação que a imprensa lhe deu. Os veículos de comunicação devem lembrar-se de sua responsabilidade.

Como diz o sempre bem-humorado Ricardo Kotscho, “menas, menas”.

Carlos Brickmann
No OI
Leia Mais ►

Outro pastor que deve procurar uma rola



No DCM
Leia Mais ►

Mais uma pessoa amarrada em poste. Mais um linchamento

Foto: Imirante.com
Um homem de 29 anos foi linchado por moradores do Jardim São Cristóvão, em São Luís (MA). Segundo a polícia civil, ele havia tentado assaltar um bar, quando foi rendido, amarrado nu em um poste e agredido até a morte com socos, chutes, pedradas e garrafadas. Um jovem de 16 anos que seria seu cúmplice também foi espancado, mas sobreviveu.

Fiz questão de postar a imagem. Alguns leitores psicopatas sentirão orgasmo com ela. Para esses, há pouco a ser feito fora da medicina. Contudo, não acredito que a maioria de vocês ache normal uma turba de moradores fazer justiça com as próprias mãos — e com requintes de crueldade.

Ou indo direto ao ponto: a Lei Áurea completou 127 anos, mas a sociedade ainda coloca negros no pelourinho. Por raiva, por vingança, para servir de exemplo.

Desde que jornalistas fizeram apologia ao fato de um jovem ter sido preso a um poste e espancado, como punição por um suposto crime, no ano passado, no Rio de Janeiro, a moda parece ter pegado. Pois, no que pese linchamentos serem corriqueiros por aqui, outros casos de pessoas amarradas em postes pipocaram pelo país.

Parabéns, colegas. Parabéns a todos os envolvidos.

Teoricamente em algum momento da história humana, nós abrimos mão de resolver as coisas por conta própria para impedir que nos devoremos. Sei que parte da população, cansada de esperar que o poder público cumpra seu papel e garanta condições mínimas de segurança, ressuscita seus instintos mais primitivos. O sistema que criamos para isso não é perfeito, longe disso, mas é o que tem para hoje.

O Brasil não tem pena de morte. Oficialmente, é claro. Porque muitos governos e suas polícias fingem que não sabem disso. E, não raro, turbas processam, julgam e executam também.

Foto: Biné Morais
Foto: Biné Morais
Ao criticar linchamentos públicos de “culpados'' ou “inocentes'' não defendo “bandido'' ou “impunidade'', mas sim esse pacto que os membros da sociedade fizeram entre si para poderem conviver (minimamente) em harmonia.

Se algo causa impacto, é claro que será copiado. Não estou jogando a culpa no mensageiro ou dizendo que o mimetismo é a causa, mas nós jornalistas temos certa parcela de responsabilidade. E não falo apenas por conta da banalização da violência. É a sua transmissão acrítica, como se notícias fossem neutras, não houvesse contexto social e todos os receptores da informação compartilhassem dos mesmos valores.

As pessoas veem, as pessoas copiam. E a sociedade vai indo da barbárie para a decadência sem passar pela civilização.

Leonardo Sakamoto
Leia Mais ►

Azenha revela corrupção que envolve Santos e Neymar

Por R$ 80 mil um garoto pode entrar na categoria de base do Santos


O jornalismo existe!

Sem precisar de delação pressionada!

O Azenha fez no Jornal da Record uma reportagem irretocável, que chega à ponta do iceberg da despudorada corrupção que corrói o futebol 7 a 1!

Amigo de Neymar é acusado de cobrar R$ 80 mil de jovens para eles entrararem na base do Santos

A quantia de R$ 50 mil foi cobrada de um ex-jogador que fez a denúncia. Segundo ele, André Luiz Rodrigues Fernandez, amigo do craque Neymar, foi o responsável pelo negócio. E atualmente, o valor cobrado pode ser ainda maior. Confira!


No CAf
Leia Mais ►

"Oxi" neles!

Pode ter sido um voto emocional e apenas simbólico, mas o que simbolizou foi histórico. Votando “não” (“oxi”) num plebiscito que endossou a rebeldia do seu governo diante do capital financeiro da Europa os gregos foram os primeiros a desafiar, oficialmente, a ditadura da Austeridade, que há quase oito anos — contados a partir da crise bancária de 2008 — martiriza populações inteiras sem mostrar nenhum resultado, a não ser aumentar o poder dos credores. Tudo em nome de uma “responsabilidade” fiscal amoral, que ignora o custo humano do arrocho.

O economista Pauld Krugman, que tem sido o crítico mais constante da Austeridade, compara a sua receita para acabar com a crise com a dos médicos medievais cuja cura para qualquer doença era a sangria. Se a sangria não desse certo eles só tinham um recurso: mais sangria. Contra todas as evidências de que a Austeridade não está dando certo e só continua porque favorece os donos do dinheiro e, como um brinde aos neoliberais, desmonta, sob o disfarce da “responsabilidade”, as estruturas do bem-estar social da Europa que eram um exemplo para o mundo, dê-lhe sangrias.

O “oxi” não vai reverter esta situação e talvez a piore, dependendo da punição que vem aí para a malcriação grega. Mas o exemplo está dado. A única diferença entre a rebeldia grega e a inconformidade com o arrocho que tem enchido as ruas na Europa, até na Inglaterra, é que o “oxi” veio de uma consulta ao povo organizada pelo governo, enquanto os protestos em outros lugares são organizados, ou desorganizados, extra-oficialmente. Nenhum país devedor se arriscaria a imitar a Grécia e só se pode especular sobre o resultado de um plebiscito parecido na Espanha, por exemplo. Lá o movimento chamado Podemos não quer outra coisa senão a oportunidade de também oxidar como os gregos.

O Brasil de Joaquim Levy adotou a sangria como tratamento. Sem consultar o paciente, a não ser que se considere a eleição da Dilma para seu segundo mandato como uma espécie de plebiscito. Neste caso, o resultado da consulta não foi respeitado. A maioria disse “oxi”, a Dilma ouviu “sim”. E chamou o Levy.

Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Mantega processa responsável por agressões em restaurante

Homem xingou e insultou o ex-ministro da Fazenda em um restaurante, em SP. Ele será processado por injúria, calúnia e difamação


O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega vai processar o responsável por xingá-lo em um restaurante, em São Paulo. No fim de maio, Mantega estava em um restaurante italiano, acompanhado pela mulher, quando recebeu provocações e vaias de algumas pessoas que frequentavam o local.

De acordo com a coluna da jornalista Mônica Bergamo, do jornal “Folha de S. Paulo”, o homem responsável pelos atos hostis é diretor de uma empresa de empreendimentos imobiliários.

O advogado José Roberto Batochio, o representante do ex-ministro, fará uma queixa-crime por injúria, calúnia e difamação, pois as agressões aconteceram em local público e ainda foram divulgadas pela internet.

Em fevereiro deste ano, o economista que comandou o Ministério da Fazenda nos governos Lula e Dilma também foi alvo de agressões verbais. Na ocasião, Mantega acompanhava a esposa no Hospital Albert Einstein, na capital paulista. Ela frequenta o local para tratar um câncer. Na lanchonete, eles foram surpreendidos com xingamentos.

No Agência PT de Notícias
Leia Mais ►

Petroleiros e senadores derrubam regime de urgência para projeto do regime de partilha no pré-sal

Mobilização dos petroleiros e parlamentares comprometidos com o país derruba regime de
urgência do projeto entreguista de Serra
Categoria permaneceu firme nas galerias do Senado durante os dias 7 e 8 e contribuiu decisivamente para evitar a votação do projeto que pode retirar o controle do estado brasileiro sobre as áreas do pré-sal



Nessa quarta-feira (8), após ampla mobilização de trabalhadores do sistema Petrobrás, profissionais da educação, de representantes de movimentos socais e de parlamentares comprometidos com o desenvolvimento do país, que coletaram 46 assinaturas no Senado Federal, foi derrubado o regime de urgência para a votação do projeto entreguista (PL 131), do senador tucano José Serra (PSDB-SP).

Após discussão sobre o requerimento, os parlamentares aprovaram a criação de uma comissão especial para debater o projeto por 45 dias, antes de ir para votação em plenário. A derrubada do regime de urgência foi muito comemorada por todos os segmentos que estiveram envolvidos na derrubada de urgência do referido regime.

Para o Coordenador Geral da FUP, José Maria Rangel, a presença da categoria no Senado e as diversas atividades de mobilização dos petroleiros que ocorreram em todo o País (em Brasília, quando protestaram contra a votação do pedido de urgência do PL 131 e foram arrastados e presos a mando de Renan Calheiros, na recepção que fizeram ao Serra na feira Brasil Offshore, em Macaé e os atos realizados nos principais aeroportos do Brasil) foram fundamentais para garantir o adiamento da votação.

“O trabalho realizado nas últimas semanas pela Federação e seus sindicatos foi intenso e mostrou que a decisão da categoria, na Plenafup, foi acertada e corajosa. Conseguimos evitar que esse projeto entreguista fosse votado às pressas, sem o devido entendimento dos parlamentares e da sociedade sobre a gravidade que representa para o futuro do nosso País”.

Nesses últimos dois dias, os petroleiros ligados à FUP percorreram gabinetes e conversaram com diversos senadores da base do governo e da oposição, buscando esclarecer os prejuízos do projeto do senador tucano.

Pré-sal é essencial para a Educação

Durante a manhã, os petroleiros acompanharam audiência pública da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, que fez um balanço do primeiro ano do Plano Nacional de Educação (PNE). A audiência contou com a participação de professores, estudantes e representantes de diversos movimentos sociais.

Na sessão, o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, defendeu o financiamento do pré-sal para a educação. Para o ministro, essa é uma fonte essencial para a garantia de ensino de qualidade para todos da infância à universidade. “Tudo o que pudermos ter de orçamento, que não provenha de tributação, é bem-vindo. É importante que aquilo que demorou bilhões de anos para ser constituído [petróleo] não seja queimado à toa e construa estruturas permanentes”, disse aos presentes.

A atual Lei de Partilha, que Serra quer modificar, criou o Fundo Social Soberano que garante que os recursos dos pré-sal sejam destinados ao cumprimento das metas do PNE.

Vencemos mais uma batalha em benefício do povo brasileiro. A luta continua!
Leia Mais ►

“Com roubo e tudo vamos chegar lá”: o ato falho de Eduardo Cunha no Twitter

Os internautas não perdoam.

Eduardo Cunha postou um tuíte que dizia o seguinte: “Com roubo e tudo vamos chegar lá.”

As respostas vieram logo.

“Quanta honestidade, deputado!”, disse um tuiteiro.

“Sincericídio”, afirmou outro.

Um, menos bem humorado, foi direito: “Pilantra!”

Eduardo Cunha, ou quem cuida de sua conta, apagou o tuíte. Mas internautas já o tinham fotografado, e agora a involuntária confissão circula nas redes sociais.


No DCM

Leia Mais ►

“Foi uma convulsão, não uma convenção”: o surpreendente deputado que definiu à perfeição o PSDB

Clap, clap, clap
Jean Wyllys resumiu bem: a mais perfeita descrição do PSDB veio de onde ninguém esperava.

Não de um intelectual petista ou progressista, não de um político habituado a frequentar primeiras páginas ou manchetes, não de um tucano revoltado com a trajetória revoltante que o PSDB tomou nos últimos anos.

Veio, num jorro histórico, de um deputado federal virtualmente desconhecido, e pertencente a um partido de segunda linha, o PSC. Não à toa, o vídeo viralizou nas redes sociais.

Sílvio Costa é o nome.

Certas verdades, muitas vezes, esperam uma voz que as pronuncie.

Foi o que aconteceu.

Costa, com humor, chamou a convenção do PSDB de convulsão. Poderia ter chamado de confissão, uma vez que Aécio afirmou que seu partido faz oposição ao Brasil, numa das raras verdades que  ele disse em muito tempo.

Costa começou pela hipocrisia demagógica do PSDB.

Como o mesmo partido que fez o diabo para aprovar a reeleição quando era de seu interesse agora, tão pouco tempo depois, se volta contra ela?

É sabido que deputados foram comprados para votar a favor da reeleição por 200 mil reais em espécie, em valores da época. Hoje é coisa de três vezes mais.

O que era menos conhecido foi a distribuição de concessões de rádios, sob o silêncio cúmplice e criminoso da imprensa.

Costa lembrou também o ataque oportunista que o PSDB faz, agora, a medidas econômicas acertadas que ele próprio tomou no poder.

Um exemplo é o chamado fator previdenciário, que disciplina as aposentadorias.

Sem coerência não se tem nada, disse Costa. E o PSDB se tornou visceralmente incoerente.

Como matraquear sobre os 39 ministérios de Dilma quando o governo Alckmin, com muito menos atribuições, tem 29?

Costa definiu brilhantemente também os líderes tucanos.

O problema de FHC é a inveja que sente de Lula, porque este é amado pelo povo, e ele desprezado.

Aécio é o “Menino do Rio”, já não tão menino assim, a rigor. As pessoas mangam dele, disse Costa. (Mangar é zombar, no linguajar do Norte.)

Mangam porque ele se comporta como um vencedor de Waterloo depois de ter fracassado miseravelmente nas eleições.

Não apenas perdeu para Dilma, mas viu os mineiros, que ele dizia amá-lo incondicionalmente, enxotá-lo.

O PSDB age, em sua fase terminal, como se o Brasil fosse uma República das Bananas, em que você pode buscar qualquer pretexto para anular dezenas de milhões de votos.

Conte as razões, ou desrazões, citadas pelos tucanos desde sua derrota para tentar dar um golpe na democracia.

Isso não colou? Tentemos aquilo. Não pegou? Ah, então experimentemos isso aqui.

É patético, é canalha, é indecente.

O Brasil não é uma República das Bananas. O PSDB sim: tem a alma viciada de um daqueles partidos vendidos de direita que abundavam em países como a Guatemala na década de 1950.

Volto a Costa, e termino com mais uma de suas frases irretorquíveis.

“O inacreditável é que o PSDB acredita que os brasileiros acreditam nele.”

Parece poesia.

Palmas. Palmas de pé.

Clap, clap, clap.

Paulo Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Crise, crises

Uma expressão tem sido frequente, com pequenas variações formais, a respeito da presente situação política: "Crise complexa". Tanto serve para qualificar o endurecimento do jogo político, como a aparente dificuldade de destrinchar o seu emaranhado.

De fato, nenhuma das faces que compõem a situação é simples. Sequer no interior de si mesmas. Mas o conjunto oferece muita nitidez na delimitação dos campos alimentadores da fermentação.

Um desses campos é o Congresso, com a presidência de Eduardo Cunha na Câmara e, em menor grau, com a de Renan Calheiros no Senado. O primeiro emergiu de surpresa para o país, para o governo e até para o Congresso. E mesmo para a imprensa. Prevenido por tê-lo visto em atividade no Rio, tentei chamar a atenção para as características do emergente e para o que esperar dele, mas nem aqui entre jornalistas suscitei interesse pela novidade interferente.

Eduardo Cunha foi descoberto já por seu domínio de uma rearrumação perturbadora na Câmara e, com a força daí obtida, pela ação em duas linhas associadas. Uma, a bem-sucedida condução de temas polêmicos para fáceis aprovações. Outra, a hostilidade — prática e sem discurseiras de valentão — às iniciativas avulsas e ao "ajuste fiscal" de Dilma. Presidente, para ele, é outra pessoa: é Eduardo Cunha. E sabe como impor seus desejos e conveniência, incluído sob este domínio personalista até o PSDB, que se pretendia paradigmático da modernidade política e da capacitação.

Esse PSDB trouxe uma novidade não menos surpreendente que a de Eduardo Cunha. Inconformado com a derrota na eleição presidencial, Aécio Neves incentivou a bancada do partido na Câmara a uma combinação de irracionalidade e radicalidade cujo propósito, contaminando dentro e fora do PSDB, não é fazer oposição: é retirar Dilma da Presidência. Trata-se de um campo gerador de fermentação próprio do PSDB, não decorrente da reviravolta na Câmara por Eduardo Cunha.

A Lava Jato são duas: como ação policial/judicial e como ação política, esta como efeito da associação entre a primeira e meios de comunicação. É desnecessária qualquer observação sobre os reflexos da Lava Jato na política, no governo e na opinião pública.

Pior do que a fraqueza política do governo é se tratar de governo ruim. Pouco se salva na multidão de ministérios, e o que se salva ou está esquecido, ou está sob fogo do que sobra como base política do governo. Se não bastasse, o confuso e inconvincente "ajuste fiscal" é, sozinho, um fator de fermentação mais potente e geral do que os outros.

Mais do que uma crise bojuda, difusa, sem delimitações com razoável clareza para avaliação das forças, o que se tem é a simultaneidade de situações críticas. Não propriamente, portanto, uma crise complexa, caracterizada pela oscilação e o difícil dimensionamento de forças.

Na situação atual, o Congresso, que faz uma apelidada reforma política, está em crise de natureza: não corresponde ao que lhe prescreve a Constituição e não está a serviço da democracia.

O PSDB contribui para a crise do Congresso com sua própria crise de identidade. O Social do nome esvaiu-se com o desaparecimento de Franco Montoro e Mario Covas. O espírito de democrata, pelo visto, depende de vencer eleição. Mas, sobretudo, não guarda sequer vestígios disfarçantes quando invadido pela ambição de conquistar o poder sem eleição. A divisão é desequilibrada, mas no PSDB os irados não tomaram tudo, persistindo um quadro de crise ainda bem escondida.

Essas duas erupções críticas têm a mesma origem. A adoção da truculência anti-Dilma pelo PSDB e a difícil realidade do governo foram originados na decisão da própria Dilma de surpreender o país com a entrega da área mais decisiva do governo, a sua identidade, a Joaquim Levy. Isso imobilizou as forças de defesa que pudesse ter. Deixou-a mais exposta aos desejosos de derrubá-la. E alimenta o panorama de crise com o insucesso e o desagrado produzidos pelo "ajuste" de Levy.

Mas esta crise do governo é a única com potencial, se solucionada, de abafar, em parte ou no todo, a do Congresso e a guerra à condição de Dilma de presidente eleita.

Janio de Freitas
No fAlha
Leia Mais ►

Troglodita do DEMo diz que Dilma não foi torturada — assista


Líder da bancada da bala e coronel aposentado da Polícia Militar, o deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) disse nesta quarta (8), que a presidente Dilma Rousseff "nunca foi torturada"; o parlamentar disse que a petista usa uma "conversa fiada" para tentar desqualificar o uso da delação premiada na Operação Lava Jato; esta não é a primeira vez que o demista passa dos limites; em maio, ele disse, em referência à deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que "mulher que entra na política e bate como homem, tem que apanhar como homem"


Leia Mais ►