8 de jul de 2015

PF deve investigar repasses de Aécio e Anastasia em MG a firmas de Youssef


A Polícia Federal enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido para investigar ordens bancárias eventualmente emitidas pelo governo de Minas Gerais em 2010, em valores superiores a R$ 500 mil, que tenham tido como beneficiárias empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef.

A linha de investigação é utilizada pela PF como uma das justificativas para um novo pedido de prorrogação do inquérito que investiga o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) por suposta ligação com o esquema de corrupção da Petrobras. A PF, no entanto, não apresenta detalhes dessas supostas transações financeiras.

Anastasia assumiu o governo de Minas em abril de 2010, quando o senador Aécio Neves (PSDB) deixou o cargo para disputar a vaga no Senado. O prazo para investigação de Anastasia terminou no dia 29 de junho.

A solicitação da PF é analisada pelo ministro Teori Zavascki, relator dos inquéritos que apuram o envolvimento de políticos no esquema de corrupção da Petrobras.

O delegado Milton Fornazari Junior argumentou que "ainda restam pendentes a completa análise de todo o material apreendido no âmbito da Operação Lava Jato", como acordos de delação premiada, o que exige mais prazo para a apuração.

A defesa do senador já ingressou no STF com pedido para que seja arquivado o inquérito sem que as investigações sejam aprofundadas.

Um entregador de dinheiro controlado pelo doleiro Alberto Youssef, o "Careca", disse no ano passado à força tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba (PR), que no ano de 2010 entregou uma mala com dinheiro a mando de Youssef em Belo Horizonte (MG). Ao ver uma fotografia do senador tucano, que lhe foi apresentada pela PF, o agente disse que a pessoa da foto era "muito parecida" com "a que recebeu a mala enviada por Youssef".

Por outro lado, Youssef, em depoimento, afirmou que "nunca disse para entregar valores para Anastasia especificamente". Também negou conhecer o senador.

Segundo pessoas que acompanham as investigações, Careca teria permanecido em silêncio durante novo depoimento do caso.

No fAlha
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Como seria o Estado com um presidente evangélico?


Como seria o Estado Brasileiro com a ascensão de um presidente evangélico ao poder?

Já tivemos um presidente protestante no país, o General Ernesto Geisel, porém como aquela era uma época de intolerância política e não religiosa, não sentimos o efeito de um governo religioso no poder. Os outros presidentes eram geralmente católicos e lá não muito praticantes, logo a influência da religião no Estado era somente quando esta apoiava os atos reacionários do poder temporal.

Nos dias atuais a intolerância religiosa aumenta no mundo inteiro e pela primeira vez temos uma bancada que se toma o nome de uma denominação religiosa como o seu nome, a bancada Evangélica, logo o que se pode esperar é que com o executivo na mão a intolerância religiosa aumente profundamente e ocupe espaços típicos da sociedade laica atual. Vendo como agem os religiosos em outros países, podemos imaginar como seria o caso brasileiro, logo vamos aos diversos aspectos que sofreriam mudanças.

Quanto à religião:

Como grande parte da população é ainda católica, não seria possível declarar uma religião oficial no Brasil ou transformar num Estado Religioso, porém é possível imaginar que diversos credos e religiões não cristãs sofrerão uma espécie de perseguição velada. Por exemplo, as religiões afros certamente por conta de alguma lei de proteção aos animais terão suas sacralizações de animais impedidas pela polícia e questionadas no judiciário. Algo como isto já foi tentado no Rio Grande do Sul por uma deputada evangélica, não passou porque por incrível que pareça neste estado o movimento afro é altamente organizado. Centros espíritas provavelmente sofrerão intervenção em função das curas que serão caracterizadas como exercício ilegal da profissão. Talvez, se a influência for mais forte também sobre algo contra os Maçons que são alvos de críticas dos pastores e bispos pentecostais como agentes de forças ocultas e muitas vezes demoníacas. Talvez outras religiões mais exóticas, como as orientais, também achem alguma forma de reprimi-las, isto só o tempo dirá. Faltou chamar a atenção sobre a muito provável repressão ao Islã, pois além das mortes e prisões de pregadores evangélicos causadas por grupos fundamentalistas, como o Estado Islâmico na Síria ou o Boko Haran na África, isto servirá de pretexto de provocar o rompimento para países como o Irã que faz parte da agenda direitista internacional. Aí não haverá diferenciação entre fundamentalistas e não fundamentalistas, serão todos considerados uma ameaça ao estado cristão brasileiro.

Quanto ao relacionamento homoafetivo:

As relações homoafetivas não serão criminalizadas, porém legalmente elas deverão sofrer ataque por dois lados, pelo lado civil, caracterizando o casamento ou ligações válidas somente as heterossexuais, os direitos concedidos pelos tribunais superiores como o direito de herança, pensão e outros serão retirados, assim como poderão estabelecer o impedimento que pessoas com sexualidade não convencional participarem de determinadas carreiras que teoricamente induziriam crianças ao homossexualismo, ou seja, a educação. Também é de se esperar que o internamento involuntário em clinicas de tratamento seja aplicado não só para estes grupos como para viciados em entorpecentes.

Quanto a Educação:

Na educação já estamos sentindo desde já a influência dos grupos religiosos neste setor, provavelmente isto vá mais fundo, adotando-se o criacionismo sob o nome de design inteligente no estudo de primeiro e segundo grau assim como outros dogmas religiosos. Talvez se introduza o ensino religioso obrigatório nas escolas, ensino que provavelmente ficará restrito as religiões consideradas como tal.

Quanto à Ciência:

Com a adoção do ensino do criacionismo fantasiado de ciência através do design inteligente, no ensino de primeiro e segundo grau, ela será esta simplesmente violada nos seus pré-requisitos básicos, ficando uma grande resistência nas Universidades contra isto no início, que poderá ser vencida lentamente. Pesquisas com células troncos e outras do tipo, poderão ser anuladas por comissões de ética sem a necessidade de legislação especial. O ensino de história e outras ciências sociais que não sejam condizentes com os novos padrões morais poderão também ser devidamente reprimidos também não diretamente, mas sim pela restrição de financiamentos públicos que dependem de burocratas colocados em postos chaves.

Conclusão final:

Se alguém acha que isto não é possível é só ver fotos de países como a Afeganistão, Egito e outros países muçulmanos há cinquenta anos e nos dias atuais, e verão como uma sociedade moderna pode ter muitos aspectos da sua vida reduzida a Idade Média em menos de meio século, o fundamentalismo religioso é algo que vem de forma doce e suave como uma forma de moralização da sociedade, e através disto impõe-se a maior das indecências da sociedade nos últimos anos, a intolerância, a regressão social e a perseguição das minorias.

Rogério Maestri
No GGN
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Pré-sal é uma fonte de recursos ‘importantíssima’ para a educação, defende Janine

A defesa do ministro acontece devido ao projeto de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), que pretende reduzir a participação da Petrobras na exploração de petróleo da camada do pré-sal, atualmente estipulada em pelo menos 30% dos blocos licitados


O ministro da Educação, Renato Janine, disse nesta quarta-feira (8) que o pré-sal é uma fonte de recursos “importantíssima” para a educação brasileira. “É importante que aquilo que demorou bilhões de anos para ser constituído (petróleo) não seja queimado à toa e construa estruturas permanentes”, declarou durante audiência interativa na Comissão de Educação do Senado.

A defesa insistente do ministro se dá devido ao Projeto de Lei do Senado 131/2015, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), que cria condições para reduzir a participação da Petrobras nos consórcios de exploração de petróleo da camada do pré-sal, atualmente estipulada em pelo menos 30% dos blocos licitados.

Janine avalia que os recursos do pré-sal, destinado para a educação acabarão por diminuir no longo prazo.

Durante a audiência, representantes de entidades ligadas à educação, como a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, a Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação e a União Nacional dos Estudantes, entregaram um manifesto ao ministro Janine e aos senadores, pedindo o cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE).

Para a senadora Fátima Bezerra (PT-RN), que presidiu a audiência, as metas do PNE serão cumpridas com esforço de todas as áreas ligadas à educação. “Estou certa de que, se trabalharmos juntos, conseguiremos superar os enormes desafios previstos nas metas do PNE. Com isso, estaremos cumprindo a meta maior do nosso governo, de fazer do Brasil uma verdadeira Pátria Educadora”, destacou.

O presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) da Região Sul, André Lemes da Silva, disse que não há como retroceder naquilo que foi pactuado no PNE e que os municípios estão se estruturando, tendo em vista a receita do pré-sal.

“Nós contamos com isso. E essas iniciativas que temos visto no Senado destrói toda e qualquer perspectiva de avanço no PNE. Mas vamos até o final para garantir aquilo que foi pactuado lá atrás”, ressaltou.

Questão de gênero

O ministro da Educação também falou sobre a retirada da questão de gênero de planos estaduais e municipais de educação. Para ele, não existe o que é chamado ideologia de gênero.

“É uma pena que a discussão tenha se desviado desse aspecto de liberdade das pessoas, que faz parte da educação. Educação é liberdade, é acolhimento, é democracia”, destacou Janine.

Durante a tramitação do PNE no Congresso Nacional, a questão de gênero causou polêmica e foi retirada do texto. O trecho suprimido dizia que as escolas deveriam promover a igualdade de gênero, raça e orientação sexual. A expectativa era que os planos estaduais e municipais avançassem no tema.


No Agência PT de Notícias, com informações da Agência Brasil, TV Senado
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Agenda de país 3: para um plano de governo imediato


Se Dilma Rousseff quiser, de fato, implementar a agenda positiva, falta apenas olhar para seu próprio governo.

O Brasil aspira ser uma democracia social. Para tanto necessita ser competitivo, saber como se inserir na economia global e como dosar direitos sociais e competitividade.

Se Dilma quiser montar o mosaico do desenvolvimento social, tem à mão todas as peças.

Competitividade

Infraestrutura — além das concessões, basta recuperar os estudos iniciais da EPL (Empresa de Planejamento e Logística) visando criar condições estruturais para aumentar a eficácia dos investimentos públicos.

Inovação — tem um enorme aparato — constituído do MCTI (Ministério de Ciências, Tecnologia e Inovação), Sebrae, Inmetro, Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), Universidades Federais, Finep, BNDES, entidades empresariais, como a CNI — e uma linha já definida no Plano Nacional de Ciência Tecnologia e Inovação.

Formação — Ciência Sem Fronteiras e Pronatec são políticas bem concebidas e mal implementadas. Basta reavaliar seus métodos e dar foco na gestão.

Financiamento da infraestrutura – além do BNDES, há um conjunto de novos instrumentos, como as debêntures de infraestrutura e, pela desvalorização cambial, instrumentos de captação de financiamento externo. E um mercado de capitais e de fundos aguardando apenas uma taxa Selic na normalidade.

Promoção comercial — a Apex (Agência de Promoção das Exportações) continua um trabalho intenso de promoção comercial. Tem que se envolver novamente o Itamarati.

Modelos para PMEs — existem experiências bem sucedidas de inserção de pequenas e micro empesas nas cadeias produtivas das maiores, com o Sebrae nacional capitaneando projetos junto ao pré-sal e junto às empresas que constituem o MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação).

Indústrias criativas — há grupos formados no meio empresarial e no âmbito do Ministério da Cultura trabalhando as novas indústrias criativas (audiovisual, aplicativos, design).

Políticas de compras públicas — o PDP (Plano de Desenvolvimento Produtivo) do Ministério da Saúde, as encomendas da indústria da defesa e do pré-sal — mais os aportes do Plano Brasil Maior — estão ajudando a consolidar novos setores de maior valor tecnológico. Precisam de ajustes.

Gestão pública

Desburocratização — O Ministério da PME, de Guilherme Afif, iniciou um trabalho de desburocratização. Por outro lado, o grande Nelson Machado trabalhou em um projeto visando dotar todos os ministérios de análises de custo. O desenho dos processos e de uma nova estrutura do Estado brasileiro poderia ser conferido a um Grupo de Trabalho externo à máquina. Não haveria nenhum resultado imediato, mas seriam plantadas as sementes para uma futura reforma do Estado — nos moldes que o presidente norte-americano Dwight Eisenhower encomendou a Nelson Rockefeller.

Desenvolvimento regional

A pernambucana Tânia Bacelar de Araújo e o mineiro Clelio Campolina Diniz têm estudos primorosos para calçar uma política de desenvolvimento regional e começar a planejar as metrópoles do futuro.

Há muito mais, um enorme acervo de diagnósticos e de instituições aptas a desempenhar tarefas.

Luís Nassif
No GGN
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Aliados em off do GGN criticam o que aliados teriam dito em off da Folha


No melhor estilo Sensacionalista, colunista da Folha informa que aliados criticaram o tom utilizado pela presidente em sua entrevista ao jornal. A colunista classificou o tom de Dilma como “bravateiro” e “autossuficiente”, desculpe, os aliados assim classificaram.

Aliados ouvidos pelo GGN, entretanto, disseram o contrário. Para eles, a presidente foi muito corajosa em puxar para si a solução dos problemas com o golpismo instaurado. Eles concordam que Dilma enfrentar o golpismo e o impeachment foi um ato a ser celebrado.

Petistas de alto escalão confirmam que a presidente, por fim, mostrou-se alerta e ao lado de seus pares. “O alheamento demonstrado anteriormente se foi, palmas para Dilma neste momento”, celebrou um cacique.

Fontes ligadas ao PSDB demonstraram, por seu lado, certo alívio por Dilma não ter comentado os foras dados por Aécio, ao dizer que faz oposição “ao Brasil” e que tinha sido eleito “presidente” do país, e não somente do partido que representa. O candidato derrotado pelo PT nas últimas eleições presidenciais está se comportando como um bebê chorão, avaliou alta fonte ligada ao tucanato. "Suas falas nos envergonham", disse ele.

Ministros do STF, do TSE e do TCU estão torcendo por um país mais respeitoso com a democracia. Estes ministros disseram, em off ao GGN, que esse golpismo demonstrado pela oposição à presidente está maculando nossa história. "A luta travada pela sociedade brasileira está sendo conspurcada por uns fedelhos mimados", disse a alta fonte ligada ao TSE, prometendo reação para que esta birra não desacredite as instituições brasileiras.

As fontes ouvidas pelo GGN são diferentes das fontes ouvidas pela colunista da Folha. E, na verdade, nossas fontes são imaginárias, assim como provavelmente as dela, pois ouvir uma fonte sem identificar e sem qualificar é o mesmo que ouvir um transeunte e colocar sua fala como sendo "o povo disse".

Lourdes Nassif
No GGN
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Mais Médicos — 2 anos

O médico Juan Delgado é agredido por colegas em sua chegada; à direita, Dilma pede desculpas
oficiais em nome do governo
Há exatos dois anos, no dia 8 de julho de 2013, o Brasil foi tomado por uma onda de ira corporativista contra um projeto que visava ampliar a oferta de médicos especializados em saúde da família no País. Naquele dia, o governo baixou a MP (Medida Provisória) criando o programa Mais Médicos, que previa a importação de médicos de diversos países, inclusive cubanos. O CFM (Conselho Federal de Medicina) e a oposição ao governo tentaram, de todas as formas, impedir que os estrangeiros viessem suprir a carência de profissionais em áreas rejeitadas pelos médicos brasileiros.

Médicos cubanos chegaram a ser vaiados e insultados por colegas em sua chegada no aeroporto de Fortaleza (CE), em uma atitude que surpreendeu os dirigentes da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), parceira do governo federal no programa. “Nunca pensei que fosse chegar a este extremo de preconceito e até racismo, que fossem dizer que as médicas cubanas pareciam empregadas domésticas, que os médicos negros deveriam voltar para a África ou que eram guerrilheiros disfarçados”, lamenta o representante da OPAS/OMS no Brasil, Joaquín Molina.

Neste meio tempo, sempre que a mídia brasileira noticiou o programa foi para contar quantos cubanos fugiram para Miami ou os erros que porventura cometeram, ainda que nunca tenha se concretizado nenhuma condenação. Molina se queixa que, cada vez que era procurado pelos jornais para defender o programa, ganhava um parágrafo na reportagem, contra dez do presidente do CFM atacando a ideia. “Pessoalmente, acho que a mídia brasileira privilegia a notícia ruim. Nunca vi uma manchete positiva neste país”, critica.

Reuni neste post 10 pontos que a imprensa não destacou para que as pessoas possam conhecer melhor o programa Mais Médicos. Confira.

1. O número de médicos na atenção básica à população na rede pública do País foi ampliado em 36%: tinha cerca de 40 mil antes do programa e ganhou 14.462 profissionais, entre eles 11.429 cubanos e 1.187 com diplomas de outros países. A lei priorizou os brasileiros, mas apenas 1.846 se inscreveram na primeira convocatória. Este ano, a situação se inverteu e 95% das 4.146 vagas foram ocupadas por médicos brasileiros.

2. Além de serem reconhecidos como excelentes médicos de saúde da família, a principal vantagem dos médicos vindos de Cuba, segundo a OPAS, é que vieram todos de uma vez, em um pacote. Outra vantagem é que qualquer abandono que não seja por razões de saúde é coberto pelo governo cubano, que envia outro profissional sem nenhum custo adicional para o governo brasileiro. A OMS situa o sistema de saúde cubano entre os 39 melhores do mundo; o sistema de saúde brasileiro aparece na 125ª posição. Ao contrário dos brasileiros e profissionais de outros países, os cubanos também não escolhem para onde querem ir, é o ministério e a OPAS que decidem para onde serão designados.

3. Os médicos cubanos ganham R$3mil por mês; os outros R$7 mil do salário previsto no acordo vão para o governo de Cuba. Ainda assim, o pagamento que recebem no Brasil é 20 vezes superior ao que receberiam em sua ilha natal. Além disso, os municípios arcam com todas as despesas: transporte, moradia e alimentação. Ou seja, o cubano praticamente não gasta o dinheiro que recebe.

4. Uma avaliação independente feita em 1.837 municípios revelou um aumento de 33% na média mensal de consultas e 32% de aumento em visitas domiciliares; 89% dos pacientes reportaram uma redução no tempo de espera para as consultas. Uma pesquisa feita em 2014 pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), baseada em 4 mil entrevistas em 699 municípios, revelou que 95% dos usuários estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o desempenho dos médicos. 86% dos entrevistados afirmaram que a qualidade da atenção melhorou após a chegada dos profissionais do Mais Médicos e 60% destacaram a presença constante do médico e o cumprimento da carga horária. Queridos por seus pacientes, vários médicos cubanos têm sido homenageados pelas câmaras municipais por seu trabalho no Brasil.

O médico cubano Rafael Henrique Villa Lobos ganha o título de cidadão de Jardim do Seridó-RN
na semana passada
5. O programa cobre 3.785 municípios, sendo que 400 deles nunca haviam tido médicos. Os 34 distritos indígenas contam hoje com 300 médicos; antes não tinham nenhum. Entre os yanomami, por exemplo, houve um aumento de 490 atendimentos em 2013 para 7 mil em 2014, com 15 médicos cubanos dedicados à etnia com exclusividade. 99% dos médicos que atendem os índios no programa são cubanos.

6. Um dos trabalhos mais interessantes desenvolvidos pelos médicos cubanos nas aldeias indígenas é o resgate da Medicina Tradicional, com o uso de plantas. Na aldeia Kumenê, no Oiapoque (AP), o médico Javier Lopez Salazar, pós-graduado em Medicina Tradicional, atua para recuperar a sabedoria local na utilização de plantas e ervas medicinais, perdida por causa da influência evangélica. O médico estimulou os indígenas a buscar as canoas defeituosas e abandonadas nas beiras dos rios para transformá-las em canteiros de uma horta comunitária só com ervas medicinais, identificadas com placas e instruções para uso.



7. Ao contrário do que os jornais veiculam, os médicos e médicas cubanos não são proibidos de se casar com brasileiros. Existe uma cláusula que os obriga a comunicar os casamentos para evitar bigamia em seu país natal, segundo a OPAS. Os casos de romances entre médicos/as e brasileiros/as são numerosos. Houve até uma prefeita em Chorrochó, na Bahia, que se casou com um médico cubano.

8. Desde que o programa Mais Médicos começou, 9 médicos cubanos morreram: cinco por enfarto, 3 por câncer e 1 por suicídio (em 2014, um médico de 52 anos, ainda em treinamento, foi encontrado morto em um hotel de Brasília, possivelmente por enforcamento). Até agora, somente oito abandonaram o programa e deixaram o país rumo aos EUA.

9. O programa Mais Médicos virou modelo no continente e países como a Bolívia, o Paraguai, o Suriname e o Chile, que também sofrem com falta de profissionais, já planejam fazer projetos semelhantes.

10. Além do atendimento de saúde, o Mais Médicos inclui a ampliação da oferta na graduação e na residência médica e a reorientação da formação e integração da carreira. A meta é criar, até 2018, 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil de residência médica, em áreas prioritárias para o SUS. Os municípios onde serão instalados os novos cursos de medicina foram escolhidos de acordo com a necessidade social, ou seja, lugares com carência de médicos.

Cynara Menezes
No Socialista Morena



Mais médicos, menos mídia


À frente, há três anos, no comando da Organização Pan-americana de Saúde (Opas) no Brasil, o dentista cubano Joaquin Molina não se surpreendeu quando, há exatos dois anos, o Conselho Federal de Medicina encabeçou uma violenta reação ao programa Mais Médicos, do governo Federal. “É um tipo de reação corporativista comum em todo o mundo”, explica, diplomático. “Não houve surpresa, é como uma demarcação de território, por causa da chegada de estrangeiros”.

A surpresa, diz Molina, foram as manifestações de racismo e preconceito contra os médicos cubanos. “De repente, passaram a dizer que eles não pareciam médicos, mas trabalhadores domésticos, porque eram negros, que por isso deveriam voltar para a África”, lembra.

Uma cena lamentável tornou-se um emblema dessa sanha levada a cabo por grupos de médicos em todo o País: em agosto de 2013, logo depois de chegar ao Brasil, o médico cubano Juan Delgado, de 49 anos, negro, foi vaiado e chamado de “escravo” por colegas de jaleco brasileiros, em Fortaleza, no Ceará.

A participação da Opas e, especificamente, de Joaquin Molina, na montagem e na operação do Mais Médicos foi fundamental para o sucesso do programa, lançado em 8 de julho de 2013 pelo governo federal para suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades brasileiras — rincões para onde médicos brasileiros, historicamente, sempre se recusaram a ir trabalhar.

Por isso mesmo, tanto a Opas quanto Molina foram os primeiros a serem acusados, junto com o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do PT, de montarem um esquema para, na verdade, injetar dinheiro em Cuba.

Como era de se esperar, tanto a Opas, criada há 110 anos, dos quais, há mais de 50 no Brasil, quanto Molina, se tornaram alvo da mídia. A circunstância, no entanto, não parece alterar o permanente bom humor do cubano. “O problema é que, no Brasil, a mídia é muito apegada às más notícias”, avalia. “Não há manchetes positivas no noticiário, tudo vai pelo lado negativo”.

Por isso, de certa forma, pelo menos no que diz respeito ao Mais Médicos, a Opas desistiu de se comunicar com a população por meio da mídia tradicional e, agora, pretende usar mais os blogs e as redes sociais. “Nunca vi um projeto tão relevante, tão importante para um país como o Mais Médicos, mas o debate em torno dele ficou muito poluído pela política”, diz Joaquin Molina.

Assim, a instituição tem preferido despachar agentes internos de comunicação para muitas das zonas remotas onde atuam os profissionais do Mais Médicos para produzir vídeos e reportagens a serem veiculados na interface brasileira do portal da Opas (www.paho.org/bra) e, daí, passados adiante nas redes sociais.

Nada de coletivas nem viagens com jornalistas previamente pautados para falar mal do programa, não importa a realidade com a qual eles sejam confrontados.

Responsável pelo convênio que trouxe 11.429 mil médicos cubanos para o Brasil (o programa tem 14.182 mil profissionais), a Opas passou ser tratada pela mídia como uma espécie de mercadora de escravos, a partir de uma tese abarcada pelo CFM e reverberada pela oposição, com a ajuda de sociopatas de plantão nas redes sociais.

A tese da escravidão cubana se baseia no fato de que, da bolsa de 10 mil reais contratada pelo governo brasileiro, os cubanos têm direito a parte dela, 3 mil reais. Os outros 7 mil reais vão para o governo de Cuba, de acordo com o convênio firmado pela Opas, uma ação que só pode ser entendida a partir da realidade da ilha caribenha. O salário médio mensal de um médico em Cuba é de 60 dólares (180 reais). No Brasil, portanto, ele ganha, hoje, cerca de mil dólares — mais de 16 vezes do que ganharia em Cuba. Além disso, os municípios arcam com todas as despesas de transporte, moradia e alimentação dos profissionais cubanos trazidos pelo Mais Médicos.

Escapulir da mídia e investir na comunicação em rede ainda é uma experiência embrionária, e o exemplo da Opas pode servir de inspiração para outras entidades colocadas no pelourinho da imprensa por questões políticas, ideológicas ou, simplesmente, mercadológicas. Quando não pelos maus bofes da oligarquia midiática.

O sucesso do programa expôs a deformação da maioria dos médicos brasileiros, acostumados a números e prontuários de hospitais, mas pouco afeitos ao convívio humano, base da medicina de atenção básica, segredo do sucesso dos médicos cubanos em todo o mundo.

Mas, ao que parece, a lição foi aprendida. A próxima fase do Mais Médicos irá colocar outros 4.058 profissionais nos rincões e periferias das grandes cidades, mas nenhum deles será cubano.

São brasileiros que, apesar da mídia e dos detratores arregimentados por ela, conseguiram enxergar uma realidade que mudou a vida de 30 milhões de pessoas em 3.785 municípios atendidos. Destes, 400 nunca tinham tido médicos. Mesma situação dos 34 distritos indígenas, atualmente atendidos por 300 médicos cubanos.

Mas isso, você não vai ver na mídia.

No Esquerda Caviar
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Renan Calheiros vira alvo de ação na Justiça, acusado de receber propina

A Justiça Federal de Brasília abriu ação contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na qual ele é acusado de improbidade administrativa por receber propina da construtora Mendes Júnior para pagar despesas pessoais.

Agora, a defesa de Renan irá se manifestar sobre a ação e, depois, o caso segue para o Ministério Público.

A Procuradoria da República no Distrito Federal enviou à Justiça, no ano passado, uma ação de improbidade administrativa, afirmando que o peemedebista recebeu propina da construtora Mendes Júnior para pagar despesas que teve numa relação extraconjugal com Mônica Veloso, com quem Renan tem uma filha.

De acordo com os procuradores, Renan forjou documentos para justificar que tinha recursos para pagar as despesas com Mônica e sua filha. Ele também é acusado de ter enriquecido ilicitamente.

Na ação ainda é dito que Cláudio Gontijo, lobista da Mendes Júnior, fazia os pagamentos para o peemedebista e que a construtora foi beneficiada por emendas parlamentares apresentadas pelo Senador.

A ação remonta a um caso de 2007, que levou Renan à renúncia do cargo de presidente do Senado para salvar seu mandato de senador.

Se for condenado por improbidade, o presidente do Senado pode ter que ressarcir os cofres públicos e até perder o cargo público.

A assessoria de Renan disse que ele ainda não tomou conhecimento da decisão da Justiça de Brasília e que irá se manifestar no processo.

Caso criminal

O presidente do Senado também é investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) num inquérito que avalia a parte criminal do caso.

Pouco antes de ele voltar à presidência do Senado, o então procurador-geral da República Roberto Gurgel apresentou denúncia contra o senador. Ele acusou Renan pelos crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso e peculato (desvio de dinheiro público).

Para justificar que tinha renda para fazer os pagamentos, Renan apresentou documentos e disse que tinha recebido uma parte com a venda de gado. O suposto comprador, porém, negou que tenha adquirido bois do senador.

Na denúncia, Gurgel disse que Renan não possuía recursos disponíveis para custear os pagamentos feitos a Mônica Veloso entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, e que inseriu "informações diversas das que deveriam ser escritas sobre seus ganhos com atividade rural, com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, qual seja, sua capacidade financeira".

O STF ainda não analisou a denúncia contra Renan. Quando o fizer, e caso a aceite, ele se transformará em réu. O caso está com o ministro Luiz Edson Fachin, que pediu manifestação do Ministério Público.

No fAlha
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Para entender a situação da Grécia

Entrevista com a ex-Auditora Fiscal Maria Lúcia Fattorelli sobre a Grécia. Indispensável para ententer a situação da economia grega. Maria Lúcia já havia participado da auditoria integral da dívida pública do Equador, a convite do presidente Rafael Correa.



“A dívida pública é um mega esquema de corrupção institucionalizado”

Para ex-auditora da Receita, convidada pelo Syriza para analisar a dívida grega, sistema atual provoca desvio de recursos públicos para o mercado financeiro

Maria Lucia Fattorelli já auditou a dívida pública do Equador
e agora faz o mesmo pela Grécia
Nilson Bastian
Dois meses antes de o governo Dilma Rousseff anunciar oficialmente o corte de 70 bilhões de reais do Orçamento por conta do ajuste fiscal, uma brasileira foi convidada pelo Syriza, partido grego de esquerda que venceu as últimas eleições, para compor o Comitê pela Auditoria da Dívida Grega com outros 30 especialistas internacionais. A brasileira em questão é Maria Lucia Fattorelli, auditora aposentada da Receita Federal e fundadora do movimento “Auditoria Cidadã da Dívida” no Brasil. Mas o que o ajuste tem a ver com a recuperação da economia na Grécia? Tudo, diz Fattorelli. “A dívida pública é a espinha dorsal”.

Enquanto o Brasil caminha em direção à austeridade, a estudiosa participa da comissão que vai investigar os acordos, esquemas e fraudes na dívida pública que levaram a Grécia, segundo o Syriza, à crise econômica e social. “Existe um ‘sistema da dívida’. É a utilização desse instrumento [dívida pública] como veículo para desviar recursos públicos em direção ao sistema financeiro”, complementa Fattorelli.

Esta não é a primeira vez que a auditora é acionada para esse tipo de missão. Em 2007, Fattorelli foi convidada pelo presidente do Equador, Rafael Correa, para ajudar na identificação e comprovação de diversas ilegalidades na dívida do país. O trabalho reduziu em 70% o estoque da dívida pública equatoriana.

Em entrevista a CartaCapital, direto da Grécia, Fattorelli falou sobre como o “esquema”, controlado por bancos e grandes empresas, também se repete no pagamento dos juros da dívida brasileira, atualmente em 334,6 bilhões de reais, e provoca a necessidade do tal ajuste.

Leia a entrevista:

O que é a dívida pública?

A dívida pública, de forma técnica, como aprendemos nos livros de Economia, é uma forma de complementar o financiamento do Estado. Em princípio, não há nada errado no fato de um país, de um estado ou de um município se endividar, porque o que está acima de tudo é o atendimento do interesse público. Se o Estado não arrecada o suficiente, em princípio, ele poderia se endividar para o ingresso de recursos para financiar todo o conjunto de obrigações que o Estado tem. Teoricamente, a dívida é isso. É para complementar os recursos necessários para o Estado cumprir com as suas obrigações. Isso em principio.

E onde começa o problema?

O problema começa quando nós começamos a auditar a dívida e não encontramos contrapartida real. Que dívida é essa que não para de crescer e que leva quase a metade do Orçamento? Qual é a contrapartida dessa dívida? Onde é aplicado esse dinheiro? E esse é o problema. Depois de várias investigações, no Brasil, tanto em âmbito federal, como estadual e municipal, em vários países latino-americanos e agora em países europeus, nós determinamos que existe um sistema da dívida. O que é isso? É a utilização desse instrumento, que deveria ser para complementar os recursos em benefício de todos, como o veículo para desviar recursos públicos em direção ao sistema financeiro. Esse é o esquema que identificamos onde quer que a gente investigue.

E quem, normalmente, são os beneficiados por esse esquema? Em 2014, por exemplo, os juros da dívida subiram de 251,1 bilhões de reais para 334,6 bilhões de reais no Brasil. Para onde está indo esse dinheiro de fato?

Nós sabemos quem compra esses títulos da dívida porque essa compra direta é feita por meio dos leilões. O processo é o seguinte: o Tesouro Nacional lança os títulos da dívida pública e o Banco Central vende. Como o Banco Central vende? Ele anuncia um leilão e só podem participar desse leilão 12 instituições credenciadas. São os chamados dealers. A lista dos dealers nós temos. São os maiores bancos do mundo. De seis em seis meses, às vezes, essa lista muda. Mas sempre os maiores estão lá: Citibank, Itaú, HSBC...é por isso que a gente fala que, hoje em dia, falar em dívida externa e interna não faz nem mais sentido. Os bancos estrangeiros estão aí comprando diretamente da boca do caixa. Nós sabemos quem compra e, muito provavelmente, eles são os credores porque não tem nenhuma aplicação do mundo que pague mais do que os títulos da dívida brasileira. É a aplicação mais rentável do mundo. E só eles compram diretamente. Então, muito provavelmente, eles são os credores.

Por quê provavelmente?

Por que nem mesmo na CPI da Dívida Pública, entre 2009 e 2010, e olha que a CPI tem poder de intimação judicial, o Banco Central informou quem são os detentores da dívida brasileira. Eles chegaram a responder que não sabiam porque esses títulos são vendidos nos leilões. O que a gente sabe que é mentira. Porque, se eles não sabem quem são os detentores dos títulos, para quem eles estão pagando os juros? Claro que eles sabem. Se você tem uma dívida e não sabe quem é o credor, para quem você vai pagar? Em outro momento chegaram a falar que essa informação era sigilosa. Seria uma questão de sigilo bancário. O que é uma mentira também. A dívida é pública, a sociedade é que está pagando. O salário do servidor público não está na internet? Por que os detentores da dívida não estão? Nós temos que criar uma campanha nacional para saber quem é que está levando vantagem em cima do Brasil e provocando tudo isso.

Qual é a relação entre os juros da dívida pública e o ajuste fiscal, em curso hoje no Brasil?

Todo mundo fala no corte, no ajuste, na austeridade e tal. Desde o Plano Real, o Brasil produz superávit primário todo ano. Tem ano que produz mais alto, tem ano que produz mais baixo. Mas todo ano tem superávit primário. O que quer dizer isso, superávit primário? Que os gastos primários estão abaixo das receitas primárias. Gasto primários são todos os gastos, com exceção da dívida. É o que o Brasil gasta: saúde, educação...exceto juros. Tudo isso são gastos primários. Se você olhar a receita, o que alimenta o orçamento? Basicamente a receita de tributos. Então superávit primário significa que o que nós estamos arrecadando com tributos está acima do que estamos gastando, estão está sobrando uma parte.

E esse dinheiro que sobra é para pagar os juros dívida pública?

Isso, e essa parte do superávit paga uma pequena parte dos juros porque, no Brasil, nós estamos emitindo nova dívida para pagar grande parte dos juros. Isso é escândalo, é inconstitucional. Nossa Constituição proíbe o que se chama de anatocismo. Quando você contrata dívida para pagar juros, o que você está fazendo? Você está transformando juros em uma nova divida sobre a qual vai incidir juros. É o tal de juros sobre juros. Isso cria uma bola de neve que gera uma despesa em uma escala exponencial, sem contrapartida, e o Estado não pode fazer isso. Quando nós investigamos qual é a contrapartida da dívida interna, percebemos que é uma dívida de juros sobre juros. A divida brasileira assumiu um ciclo automático. Ela tem vida própria e se retroalimenta. Quando isso acontece, aquele juros vai virar capital. E, sobre aquele capital, vai incidir novos juros. E os juros seguintes, de novo vão se transformados em capital. É, por isso, que quando você olha a curva da dívida pública, a reta resultante é exponencial. Está crescendo e está quase na vertical. O problema é que vai explodir a qualquer momento.

Explodir por quê?

Por que o mercado – quando eu falo em mercado, estou me referindo aos dealers – está aceitando novos títulos da dívida como pagamento em vez de receber dinheiro moeda? Eles não querem receber dinheiro moeda, eles querem novos títulos, por dois motivos. Por um lado, o mercado sabe que o juros vão virar novo título e ele vai ter um volume cada vez maior de dívidas para receber. Segundo: dívida elevada tem justificado um continuo processo de privatização. Como tem sido esse processo? Entrega de patrimônio cada vez mais estratégico, cada vez mais lucrativo. Nós vimos há pouco tempo a privatização de aeroportos. Não é pouca coisa os aeroportos de Brasília, de São Paulo e do Rio de Janeiro estarem em mãos privadas. O que no fundo esse poder econômico mundial deseja é patrimônio e controle. A estratégia do sistema da dívida é a seguinte: você cria uma dívida e essa dívida torna o pais submisso. O país vai entregar patrimônio atrás de patrimônio. Assim nós já perdemos as telefônicas, as empresas de energia elétrica, as hidrelétricas, as siderúrgicas. Tudo isso passou para propriedade desse grande poder econômico mundial. E como é que eles [dealers] conseguem esse poder todo? Aí entra o financiamento privado de campanha. É só você entrar no site do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] e dar uma olhada em quem financiou a campanha desses caras. Ou foi grande empresa ou foi banco. O nosso ataque em relação à dívida é porque a dívida é o ponto central, é a espinha dorsal do esquema.

Como funcionaria a auditoria da dívida na prática? Como diferenciar o que é dívida legítima e o que não é?

A auditoria é para identificar o esquema de geração de dívida sem contrapartida. Por exemplo, só deveria ser paga aquela dívida que preenche o requisito da definição de dívida. O que é uma dívida? Se eu disser para você: ‘Me paga os 100 reais que você me deve’. Você vai falar: “Que dia você me entregou esses 100 reais?’ Só existe dívida se há uma entrega. Aconteceu isso aqui na Grécia. Mecanismos financeiros, coisas que não tinham nada ver com dívida, tudo foi empurrado para as estatísticas da dívida. Tudo quanto é derivativo, tudo quanto é garantia do Estado, os tais CDS [Credit Default Swap - espécie de seguro contra calotes], essa parafernália toda desse mundo capitalista 'financeirizado'. Tudo isso, de uma hora para outra, pode virar dívida pública. O que é a auditoria? É desmascarar o esquema. É mostrar o que realmente é dívida e o que é essa farra do mercado financeiro, utilizando um instrumento de endividamento público para desviar recursos e submeter o País ao poder financeiro, impedindo o desenvolvimento socioeconômico equilibrado. Junto com esses bancos estão as grandes corporações e eles não têm escrúpulos. Nós temos que dar um basta nessa situação. E esse basta virá da cidadania. Esse basta não virá da classe politica porque eles são financiados por esse setor. Da elite, muito menos porque eles estão usufruindo desse mecanismo. A solução só virá a partir de uma consciência generalizada da sociedade, da maioria. É a maioria, os 99%, que está pagando essa conta. O Armínio Fraga [ex-presidente do Banco Central] disse isso em depoimento na CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] da Dívida, em 2009, quando perguntado sobre a influência das decisões do Banco Central na vida do povo. Ele respondeu: “Olha, o Brasil foi desenhado para isso”.

Quanto aproximadamente da dívida pública está na mão dos bancos e de grandes empresas? O Tesouro Direto, que todos os brasileiros podem ter acesso, corresponde a que parcela do montante?

Essa história do Tesouro Direto é para criar a impressão que a dívida pública é um negócio correto, que qualquer um pode entrar lá e comprar. E, realmente, se eu ou você comprarmos é uma parte legítima. Agora, se a gente entrar lá e comprar, não é direto. É só para criar essa ilusão. Tenta entrar lá para comprar um título que seja. Você vai chegar numa tela em que vai ter que escolher uma instituição financeira. E essa instituição financeira vai te cobrar uma comissão que não é barata. Ela não vai te pagar o juros todo do título, ela vai ficar com um pedaço. O banco, o dealer, que compra o título da dívida é quem estabelece os juros. Ele estabelece os juros que ele quer porque o governo lança o título e faz uma proposta de juros. Se, na hora do leilão, o dealer não está contente com aquele patamar de juros, ele não compra. Ele só compra quando o juros chega no patamar que ele quer. Invariavelmente, os títulos vêm sendo vendidos muito acima da Selic [taxa básica de juros]. Em 2012, quando a Selic deu uma abaixada e chegou a 7,25%, nós estávamos acompanhando e os títulos estavam sendo vendidos a mais de 10% de juros. E eles sempre compram com deságio. Se o título vale 1000 reais, ele compra por 960 reais ou 970 reais, depende da pressão que ele quer impor no governo aquele dia. Olha a diferença. Se você compra no Tesouro Direto, você não vai ter desconto. Pelo contrário, você vai ter que pagar uma comissão. E você também não vai mandar nos juros. É uma operação totalmente distinta da operação direta de verdade que acontece lá no leilão.

Por que é tão difícil colocar a auditoria em prática? Como o mercado financeiro costuma reagir a uma auditoria?

O mercado late muito, mas na hora ele é covarde. Lá no Equador, quando estávamos na reta final e vários relatórios preliminares já tinham sido divulgados, eles sabiam que tínhamos descoberto o mecanismo de geração de dívida, várias fraudes. Eles fizeram uma proposta para o governo de renegociação. Só que o Rafael Correa [atual presidente do Equador] não queria negociar. Ele queria recomprar e botar um ponto final. Porque quando você negocia, você dá uma vida nova para a dívida. Você dá uma repaginada na dívida. Ele não queria isso. Ele queria que o governo dele fosse um governo que marcasse a história do Equador. Ele sabia que, se aceitasse, ficaria subjugado à dívida. Ele foi até o fim, fez uma proposta e o que os bancos fizeram? 95% dos detentores dos títulos entregaram. Aceitaram a oferta de recompra de no máximo 30% e o Equador eliminou 70% de sua dívida externa em títulos. No Brasil, durante os dez meses da CPI da Dívida, a Selic não subiu. Foi incrível esse movimento. Nós estamos diante de um monstro mundial que controla o poder financeiro e o poder político com esquemas fraudulentos. É muito grave isso. Eu diria que é um mega esquema de corrupção institucionalizado.

O mercado financeiro e parte da imprensa costumam classificar a auditoria da dívida de calote. Por que a auditoria da dívida não é calote?

A auditoria vai investigar e não tem poder de decisão do que vai ser feito. A auditoria só vai mostrar. No Equador, a auditoria só investigou e mostrou as fraudes, mecanismos que não eram dívidas, renúncias à prescrição de dívidas. O que é isso? É um ato nulo. Dívidas que já estavam prescritas. Uma dívida prescrita é morta. E isso aconteceu no Brasil também na época do Plano Brady, que transformou dívidas vencidas em títulos da dívida externa. Depois, esses títulos da dívida externa foram usados para comprar nossas empresas que foram privatizadas na década de 1990: Vale, Usiminas...tudo comprado com título da dívida em grande parte. Você está vendo como recicla? Aqui, na Grécia, o país está sendo pressionado para pagar uma dívida ilegítima. E qual foi a renegociação feita pelo [Geórgios] Papandréu [ex-primeiro-ministro da Grécia]? Ele conseguiu um adiamento em troca de um processo de privatização de 50 bilhões de euros. Esse é o esquema. Deixar de pagar esse tipo de dívida é calote? A gente mostra, simplesmente, a parte da dívida que não existe, que é nula, que é fraude. No dia em que a gente conseguir uma compreensão maior do que é uma auditoria da dívida e a fragilidade que lado está do lado de lá, a gente muda o mundo e o curso da história mundial.

Em comparação com o ajuste fiscal, que vai cortar 70 bilhões de reais de gastos, tem alguma estimativa de quanto a auditoria da dívida pública poderia economizar de despesas para o Brasil?

Essa estimativa é difícil de ser feita antes da auditoria, porém, pelo que já investigamos em termos de origem da dívida brasileira e desse impacto de juros sobre juros, você chega a estimativas assustadoras. Essa questão de juros sobre juros eu abordei no meu último livro. Nos últimos anos, metade do crescimento da divida é nulo. Eu só tive condição de fazer o cálculo de maneira aritmética. Ficou faltando fazer os cálculos de 1995 a 2005 porque o Banco Central não nos deu os dados. E mesmo assim, você chega a 50% de nulidade da dívida, metade dela. Consequentemente para os juros seria o mesmo [montante]. Essa foi a grande jogada do mercado financeiro no Plano Real porque eles conseguiram gerar uma dívida maluca. No início do Plano Real os juros brasileiros chegaram a mais de 40% ao ano. Imagina uma divida com juros de 40% ao ano? Você faz ela crescer quase 50% de um ano para o outro. E temos que considerar que esses juros são mensais. O juro mensal, no mês seguinte, o capital já corrige sobre o capital corrigido no mês anterior. Você inicia um processo exponencial que não tem limite, como aconteceu na explosão da dívida a partir do Plano Real. Quando o Plano Real começou, nossa dívida estava em quase 80 bilhões de reais. Hoje ela está em mais de três trilhões de reais. Mais de 90% da divida é de juros sobre juros.

E isso é algo que seria considerado ilegal na auditoria da dívida pública?

É mais do que ilegal, é inconstitucional. Nossa Constituição proíbe juros sobre juros para o setor público. Tem uma súmula do Supremo Tribunal Federal, súmula 121, que diz que ainda que tenha se estabelecido em contrato, não pode. É inconstitucional. Tudo isso é porque tem muita gente envolvida, favorecida e mal informada. Esses tabus, essa questão do calote, muita gente fala isso. Eles tentam desqualificar. Falamos em auditoria e eles falam em calote. Mas estou falando em investigar. Se você não tem o que temer, vamos abrir os livros. Vamos mostrar tudo. Se a dívida é tão honrada, vamos olhar a origem dessa dívida, a contrapartida dela.

Ao longo da entrevista, a senhora citou diversos momentos da história recente do Brasil, o que mostra que esse problema vem desde o governo Fernando Henrique Cardoso, e passou pelas gestões Lula e Dilma. Mas como a questão da dívida se agravou nos últimos anos? A dívida externa dos anos 1990 se transformou nessa dívida interna de hoje?

Houve essa transformação várias vezes na nossa história. Esses movimentos foram feitos de acordo com o interesse do mercado. Tanto de interna para externa, como de externa para interna, de acordo com o valor do dólar. Esses movimentos são feitos pelo Banco Central do Brasil em favor do mercado financeiro, invariavelmente. Quando o dólar está baixo, e seria interessante o Brasil quitar a dívida externa, por precisar de menos reais, se faz o contrário. Ele contrai mais dívida em dólar. Esses movimentos são sempre feitos contra nós e a favor do mercado financeiro.

E o pagamento da dívida externa, em 2005?

O que a gente critica no governo Lula é que, para pagar a dívida externa em 2005, na época de 15 bilhões de dólares, ele emitiu reais. Ele emitiu dívida interna em reais. A dívida com o FMI [Fundo Monetário Internacional] era 4% ao ano de juros. A dívida interna que foi emitida na época estava em média 19,13% de juros ao ano. Houve uma troca de uma dívida de 4% ao ano para uma de 19% ao ano. Foi uma operação que provocou danos financeiros ao País. E a nossa dívida externa com o FMI não era uma dívida elevada, correspondia a menos de 2% da dívida total. E por que ele pagou uma dívida externa para o FMI que tinha juros baixo? Porque, no inconsciente coletivo, divida externa é com o FMI. Todo mundo acha que o FMI é o grande credor. Isso, realmente, gerou um ganho político para o Lula e uma tranquilidade para o mercado. Quantos debates a gente chama sobre a dívida e as pessoas falam: “Esse debate já não está resolvido? Já não pagamos a dívida toda?’. Não são poucas as pessoas que falam isso por conta dessa propaganda feita de que o Lula resolveu o problema da dívida. E o mercado ajuda a criar essas coisas. Eu falo o mercado porque, na época, eles também exigiram que a Argentina pagasse o FMI. E eles também pagaram de forma antecipada. Você vê as coisas aconteceram em vários lugares, de forma simultânea. Tudo bem armado, de fora para dentro, na mesma época.

O que a experiência grega de auditoria da dívida poderia ensinar ao Brasil, na sua opinião?

São muitas lições. A primeira é a que ponto pode chegar esse plano de austeridade fiscal. Os casos aqui da Grécia são alarmantes. Em termos de desemprego, mais de 100 mil jovens formados deixaram o país nos últimos anos porque não têm emprego. Foram para o Canadá, Alemanha, vários outros países. A queda salarial, em média, é de 50%. E quem está trabalhando está feliz porque normalmente não tem emprego. Jornalista, por exemplo, não tem emprego. Tem até um jornalista que está colaborando com a nossa comissão e disse que só não está passando fome por conta da ajuda da família. A maioria dos empregos foram flexibilizados, as pessoas não têm direitos. Serviços de saúde fechados, escolas fechadas, não tem vacina em posto de saúde. Uma calamidade terrível. Trabalhadores virando mendigos de um dia para o outro. Tem ruas aqui em que todas as lojas estão fechadas. Todos esses pequenos comerciantes ou se tornaram dependentes da família ou foram para a rua ou, pior, se suicidaram. O número de suicídios aqui, reconhecidamente por esse problema econômico, passa de 5 mil. Tem vários casos de suicídio em praça pública para denunciar. Nesses dias em que estou aqui, houve uma homenagem em frente ao Parlamento para um homem que se suicidou e deixou uma carta na qual dizia que estava entregando a vida para que esse plano de austeridade fosse denunciado.

Renan Truffi
No CartaCapital
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Chega ao fim o superfaturamento de R$ 6 bi, cobrado por tucanos na conta de luz


O povo brasileiro finalmente se livrou do superfaturamento de R$ 6 bilhões por ano na conta de luz, cobrado pelos governadores tucanos Geraldo Alckmin (SP), Beto Richa (PR) e os ex-governadores Anastasia e Aécio Neves (MG).

Isto porque vence hoje a concessão de 21 hidrelétricas antigas da CESP, COPEL e CEMIG, estatais sob controle dos respectivos governadores tucanos. Estas usinas respondem por 7% da geração de fonte hídrica. A concessão volta para o governo federal.

O preço médio real do megawatt-hora (MWh) gerado por estas usinas, que o governo federal passará a cobrar, é R$ 27,00. Até hoje os tucanos cobravam da gente o exorbitante preço superfaturado de R$ 150,00.

Há três anos a presidenta Dilma propôs negociar a redução do preço do MWh das antigas hidrelétricas que estavam com investimentos já amortizados e por isso o custo de geração era muito baixo e poderia ser repassado para diminuir as tarifas. Nenhuma empresa era obrigada a aceitar o acordo pois o contrato de concessão não havia vencido, mas a proposta era justamente garantir a renovação antecipada da concessão que estava para vencer em troca de reduzir as tarifas, também antecipadamente.

As hidrelétricas concedidas à Eletrobras, controlada pelo governo federal, e outras empresas aderiram e na época a tarifa da conta de luz caiu perto de 20% por causa disto. E mente quem diz que não adiantou nada, pois se é verdade que com a estiagem prolongada dos dois últimos anos a conta de luz teve que subir mais do que a inflação por causa de ter que ligar as termoelétricas, cujo custo de geração é mais caro, mente quem ignora o fato de que se as hidrelétricas antigas também estivessem com o preço do MWh alto, a conta de luz hoje seria mais alta ainda. Além disso, nos próximos anos em que as chuvas garantirem reservatórios cheios nestas usinas, a conta de luz cairá.

Mas os governadores tucanos boicotaram aquela redução nas tarifas, e continuaram cobrando o preço superfaturado, em vez de negociar a renovação da concessão. Isto para distribuir mais dividendos nas Bolsas de Valores, esfolando o cidadão consumidor nas tarifas.

Agora perderam a concessão e o povo se vê livre do superfaturamento tucano.

O Ministério das Minas e Energia estima em R$ 6 bilhões por ano o impacto na diminuição da conta de luz.

No Amigos do Presidente Lula
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Lula entra com queixa-crime contra Ronaldo Caiado no STF


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ingressou, nesta quarta-feira (8), com um pedido de queixa-crime contra o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) no Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o jornal “Estado de S. Paulo”, a defesa de Lula quer a condenação do parlamentar por calúnia, injúria e difamação.

O motivo da ação penal é uma publicação de Caiado, em fevereiro deste ano, pelo twitter. Ele escreveu que "Lula tem postura de bandido. E bandido frouxo!” e, ainda, que “Lula e sua turma foram pegos roubando a Petrobrás” [sic]. Para os advogados, a publicação pode se enquadrar nos crimes citados.

Além disso, a defesa de Lula argumenta que a agressão feita por Caiado extrapola a imunidade parlamentar.

No Agência PT de Notícias
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O que é e o que não é detalhe. Sobre o que Jorge Furtado nos ensinou, há 12 anos


Em 2002, ano em que Lula foi eleito, o PT gaúcho perdeu as eleições para o governo do Estado e começou a declinar, política e eleitoralmente. Execrado e excomungado por alguns dirigentes nacionais do partido, considerado antro de radicais, conflitantes e jacobinos, os petistas do Rio Grande do Sul amargaram ministérios fora do centro decisório do que viria a ser o governo Lula, a partir de 2003. Essa história ainda está para ser contada, mas, passados mais de dez anos e levando em conta que as árvores são melhor medidas quando estão derrubadas (*) , algumas coisas podem ser ditas.

Durante os anos de estabilidade monetária e dos ajustes protagonizados pela aliança oligárquico-tucana e midiático-familiar, o RS vivia outra possibilidade de redemocratização. Não há qualquer nostalgia nem demarcação política e isso não deve ser requerido; sabemos que nostalgia é a falta de caráter da memória e que demarcação política é para um tipo de militância que foi debilitada por um certo messianismo que se instalou em torno do chamado lulismo. No entanto, a resistência e a oposição ao PT, à esquerda, que ganhou força na medida exata do ajuste após as eleições de 1998, em nível nacional, e após a vitória inesperada da Frente Popular, numa campanha com sangue, suor e lágrimas, para o governo do estado, em 1998, era uma resistência de natureza programática. Era uma resistência refletida e deliberada contra a esquerda, contra o radicalismo, contra a invasão de terra, em defesa da propriedade privada.

Sério, era assim.

Não era nem foi uma resistência moral. Ninguém questionava a envergadura moral daqueles “loucos esquerdistas”. O problema e o combate era político.

Claro, meia dúzia de delinquentes, com o mais vergonhoso e odioso vexame jornalístico protagonizado pelo grande monopólio do sul do país, tentou ligar o PT ao jogo do bicho. A baixaria protagonizada por figuras de nível menor, do PDT e da vida institucional do estado, serviu para cevar uma guerra que era e nunca deixava de ser ideológica.

Eram tempos diferentes. Amigos discordavam do governo, mas não te julgavam cúmplice de bandidagem. Amigos riam do esquerdaloidismo (que, sim, existia), mas sabiam que a guerra midiática, protagonizada pela RBS e pela Zero Hora era, sobretudo, uma guerra com a realidade e por isso muito suja.

Um dos capítulos dessa guerra suja é de uma atualidade tremenda. Diariamente, em tempos em que a internet engatinhava e era usada fundamentalmente para compra e venda e correspondência privada, as notícias eram acompanhadas nas manchetes. Tomávamos café da manhã já com náusea, muitas vezes, com as manchetes garrafais, em Zero Hora. Eram tempos pré-rede social.

A Casa de Cinema é uma produtora de Porto Alegre desde o nascimento ligada, politicamente, à democracia. Fez várias vezes a campanha eleitoral da Frente Popular. Em julho de 2002, pouco antes de a campanha eleitoral começar a ser veiculada nas redes de televisão e rádio, uma das manchetes de Zero Hora levou o diretor de cinema e da Casa de Cinema, Jorge Furtado, a escrever uma crônica luminosa, na própria Zero Hora.

Por acaso peguei esta crônica em mãos, numa faxina. Não tinha versão digital dela. Terei algum trabalho, mas vou fazer isso. Porque ontem, e nesses últimos meses, desde que a oposição de direita enveredou pelo mais despudorado moralismo e golpismo, há dias difíceis em que muita gente fina, elegante e sincera, acredita nessa mídia familiar e nos seus representantes oligárquicos, refratários ao jogo democrático.

O texto de Jorge Furtado é bom demais para não ser transcrito. Voilà:

Resumos e Manchetes

Jorge Furtado, em Zero Hora, 13 de julho de 2002

“Narigudo se apaixona por moça e tem vergonha de se declarar. Este é o resumo de Cyrano de Bergerac, numa revista de televisão. Compreendo a necessidade do redator, tendo que resumir cada filme em uma linha, mas duvido que essa síntese motive alguém a conhecer a história de Cyrano e Roxana (“Como acontece a alguém que fita o sol dourado, e vê depois em tudo um círculo encarnado, tal eu, quando não estás e o meu sol é posto, vejo, em tudo que vejo, o brilho do teu rosto”). Filho conversa com o fantasma do pai, mata todo mundo e morre. Sujeito diz que é filho de Deus e é crucificado. Maluco procura mulher e ataca moinho. Grego casa com a mãe e fura os olhos.

Qualquer história, Hamlet, Cristo, Dom Quixote, Édipo, pode ser resumida em uma linha. Pode, mas não deve. “Deus está nos detalhes” (essa frase já foi atribuída ao Mies van der Rohe, ao Frank Lloyd Wright e ao Guimarães Rosa, mas isso é um detalhe). Billy Wilder uma vez tentou convencer o produtor Samuel Goldwyn a fazer um filme sobre a vida de Nijinsky, o grande bailarino russo. Goldwyn nunca tinha ouvido falar dele e pediu que Wilder lhe resumisse a história. Ele contou que Nijinsky era um camponês que sonhava em ser um grande bailarino, e foi, o maior de todos. Ele foi descoberto por Diaghliev, empresário do balé de Moscou, que se apaixonou por ele. Goldwyn interrompeu a história: “Esse Diaghliev era mulher?’”. “Não, um homem”. “Dois homens? Duas tias? Pode parar, Wilder!”. “Calma, escute mais um pouco. Nijinsky um dia foi levado a um sanatório e começou a ter alucinações, pensava ser um cavalo”. Goldwyn interrompeu mais uma vez, furioso: “Você quer que eu faça um filme sobre um cavalo gay?”. Não, ninguém quer fazer um filme sobre um cavalo gay.

Outro exemplo da imprecisão das sínteses são as manchetes de jornal. Esta semana (quinta), eu li esta manchete em Zero Hora: “Casa de Cinema se afasta do PT”. A notícia informava que a Casa de Cinema (produtora da qual sou sócio), responsável pelos programas eleitorais do PT nas últimas cinco campanhas, não vai fazer os programas este ano. Acho que quem leu a notícia até o fim deve ter entendido os motivos. Quem leu só a manchete (muita gente) pode imaginar que a expressão “se afasta” tem outro sentido, político ou ideológico. Assim como um roteirista precisa ter uma boa síntese da história para convencer o produtor a bancar um filme, uma notícia só se cria se tiver uma boa manchete. “Casa de Cinema não fará a campanha do PT” seria neutro demais, falta o duplo sentido que sugere um conflito, atrativo básico de toda boa trama. “Casa de Cinema não tem como fazer a campanha do PT” é uma péssima manchete e, portanto, não é notícia. “Casa de Cinema rompe com o PT” seria melhor ainda, pena que não é verdade. E se Diaghliev fosse uma mulher (Marlene Dietrich) que descobre Nijinsky (Gene Kelly), um rude camponês, se apaixona por ele e o transforma no maior bailarino da história? Eles casam, tem filhos… Pena que não é verdade. Em tempo: vou votar em Lula, Tarso, Paim, Emília, Henrique Fontana e Flavio Koutzii. Mas isso é um detalhe”.

Há quase 12 anos, Jorge Furtado já nos ensinava a prestar atenção à mentira, para não nos perdermos da verdade, nem mesmo quando esta vem discreta, só no detalhe. Em tempo: Dilma era secretária de estado de Olívio; no ano seguinte, iria ocupar a pasta do Ministério de Minas e Energia e, hoje, reeleita presidenta, enfrenta esses resumos e manchetes. E isso não é um detalhe.

(*) Este é o título de uma biografia de Abraham Lincoln, escrita por Carl Sandburg (em inglês: “Abraham Lincoln, the War years: A tree is best measured when it is down—and so it is with people”.)

Katarina Peixoto
No RS Urgente
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Tramam um golpe e ele não passará

Como não há fatos jurídicos para permitir o afastamento da presidenta dentro da lei, procura-se produzir feitos que justifiquem um “impeachment”. É um ardil torpe. É a “direita” na ofensiva.

Esse quadro vem se formando do início do ano para cá, incentivado pela inconformidade dos que perderam a eleição presidencial, pelas dificuldades advindas da crise internacional do capitalismo, pelos erros do Governo e pela gravidade da corrupção descoberta. Não há sombra de dúvida que problemas subsistem. Mas o dramático é pretender enfrenta-los rompendo com a democracia, a duras penas conquistada.

Percebe-se que um golpe vem sendo urdido pacientemente por setores oposicionistas-judiciais-midiáticos, passo a passo, para asfixiar a democracia e varrer a Constituição que chamávamos de “cidadã”.

Para os que testemunharam o golpe de 1964, como eu, e resistiram à ditadura na clandestinidade, na cadeia e na tortura, os inconformados de hoje procedem irresponsavelmente, como se estivessem fazendo piquenique na cratera de um vulcão. O golpe de 1964 foi rude com a democracia e a nação brasileiras, mas tragou também os que o apoiaram de início.

Hoje, não se vê militares na trama que se gesta. Por enquanto. O golpe seria “moderno”, no estilo do ocorrido no Paraguai, em 2012: sem canhões, com juízes; sem tropa, com delegados, tribunais de contas, apoio midiático e “representante do povo”, temerariamente dispostos a afastar governo legal com pretextos vis.

Nesse período recente, a nação teve seu tecido social esgarçado por contínua, longa, unilateral e exacerbada exposição de problemas e defeitos. Tudo era creditado a uma só corrente política e a alguns líderes. Resultou no despertar do rancor, do desrespeito e do ódio. Os preconceitos foram sublimados, sendo deprimente a estupidez com que se tem investido contra a presidenta por ser mulher. Uma vergonha.

O golpe ousadamente tramado não passará. O povo que se levantou no Araguaia, que derrotou a ditadura, que fez as “diretas já” não aceitará golpe algum. O Brasil é muito, mas muito mais complexo que o Paraguai.

Todo um corpo de ideias atrasadas brota, como ervas daninhas, especialmente na Câmara dos Deputados. Um conservadorismo raivoso ali avança. Estava certo o Departamento Intersindical de Assistência Parlamentar, o Diap, quando disse que “esse Congresso é o mais conservador desde 1964”.

Embalado em tanto reacionarismo, a Câmara vem impondo à nação uma agressiva pauta retrógrada, onde estão: a terceirização de atividades-fim; o financiamento empresarial das campanhas eleitorais; uma legislação repressora para a comunidade LGBT; restrições aos direitos dos homossexuais; redução da maioridade penal. De passagem, o Estado laico é desrespeitado, a intolerância religiosa é fomentada.

A redução da maioridade penal pode desorganizar nossa legislação. Atualmente, jovens com 16 anos não podem consumir bebida alcoólica, comprar cigarro, dirigir carro ou ônibus, ser submetido a atividades insalubres ou noturnas. Se esses menores já são maiores para efeito da lei penal, como seriam menores para outros fins? Juridicamente isto não se sustenta, já dizem especialistas.

A marcha ascensional dos povos não é retilínea, nem irreversível, tem altos e baixos, comporta recuos. Mas o grave, o perigoso, é quando maiorias ocasionais comportam-se como predestinadas e enchem-se da pretensão de moldar a sociedade à sua imagem e semelhança. Aí os recuos vão se repetindo, se generalizando e se consolidando. As posições contrárias vão sendo reprimidas. Na história recente da humanidade isto deu no fascismo.

Protestar é preciso, denunciar os golpistas é imperioso, desmascará-los é vencê-los.

O grande dramaturgo alemão Bertolt Brecht, e antes dele o poeta russo Maiakóvski, em famosos poemas, mostraram o risco que as sociedades correm quando, ante o avanço do obscurantismo, não protestam desde o início. Quando resolvem protestar, já é tarde.

Haroldo Lima foi representante da Bahia na Assembleia Nacional Constituinte (1987 a 1988), ex-deputado federal e membro do Comitê Central do PCdoB
No Vermelho
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TRE MG nega pedido de tucanos para investigar Pimentel

Para o tribunal, não havia provas que comprovassem as denúncias feitas pela coligação "Todos Por Minas", do candidato derrotado Pimenta da Veiga (PSDB)


O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais rejeitou, por unanimidade, pedido de investigação feito pela coligação tucana contra o governador do estado, Fernando Pimentel. Para o tribunal, não havia provas que comprovassem as denúncias feitas pela coligação “Todos Por Minas”, do candidato derrotado Pimenta da Veiga (PSDB).

Em nota, o Diretório Regional do PT em Minas Gerais repudiou as tentativas do PSDB e dos aliados dos tucanos de tentar incriminar a legenda petista, Pimentel e também o deputado Durval Ângelo.

“O apoio recebido dos trabalhadores dos Correios nesta e em outras eleições é resultado da luta contra a privatização da empresa. São cidadãos que exercem o direito constitucional de se engajarem politicamente, conscientes do modo tucano de privatizar, a exemplo do que ocorre hoje com a tentativa de entregar as reservas de petróleo do Pré-sal ao capital estrangeiro”, diz a nota.
Leia a nota divulgada pelo Diretório Estadual do PT em Minas Gerais:

“Em mais uma derrota imposta aos tucanos, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MG) rejeitou, por unanimidade, a ação impetrada pela “Coligação Todos por Minas” do ex-candidato Pimenta da Veiga, derrotado no primeiro turno pelo governador Fernando Pimentel. O pleno do TRE/MG considerou que não há provas para a ação.

O Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais vem a público repudiar as reiteradas tentativas do PSDB, e seus aliados, de incriminar o PT, o Governador Fernando Pimentel e o deputado Durval Ângelo, eleitos democraticamente.

O apoio recebido dos trabalhadores dos Correios nesta e em outras eleições é resultado da luta contra a privatização da empresa. São cidadãos que exercem o direito constitucional de se engajarem politicamente, conscientes do modo tucano de privatizar, a exemplo do que ocorre hoje com a tentativa de entregar as reservas de petróleo do Pré-sal ao capital estrangeiro.

Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais”
No Agência PT de Notícias



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Cunha vota hoje redução da goleada de 7×1 para 5×1


Num impulso para resolver todos os problemas do país, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, vai colocar em votação hoje o projeto de redução da goleada fatal. Aliados do deputado dizem que os problemas brasileiros começaram a partir daquele placar. Antes da derrota, o país ia muito bem.

De acordo com os aliados, escolinhas de futebol não resolvem. Um deputado a favor da redução da goleada bateu boca com manifestantes. “Temos que atacar o problema agora, esse negócio de treinar, treinar, isso é conversa fiada. Quero ver quando o seu time levar uma goleada se você vai ficar falando em escolinha”.

No Sensacionalista
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Aécio estuda assumir a Grécia

Aécio lançou sua campanha para premiê da Grécia
ESPARTA - Preocupado com a onda bolivariana que devasta a Grécia, Aécio Neves revelou que pretende oferecer seu carisma, sua beleza apolínea e sua experiência dionisíaca para tirar o país do buraco. "Caso seja do interesse do povo grego, posso substituir Aléxis Tsípras", discursou, em grego antigo. "Mas caso seja requisitado para presidir o Brasil, terei que conciliar", alertou. "Às segundas, quartas e sextas, despacharei nas ilhas helênicas. Às terças e quintas, ficarei entre a Esplanada e o Leblon", explicou o futuro mandatário transcontinental.

Como prova de sua boa vontade, Aécio recomendou que a Grécia desfizesse todos os contratos de consultoria firmados com a empresa de José Dirceu. "É preciso se adequar às técnicas contemporâneas de choque de gestão. Temos um plano completo para transformar a Acrópole de Atenas em condomínio de luxo, com academia, garagem ampla e Espaço Dionísio para festas e afins", acrescentou. Em seguida, construiu um aeroporto em Mikonos, ao qual batizou Klaudius.

Inconformado, José Serra ameaçou invadir a Grécia com um tucano de Tróia.

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Em novo ato falho, Aécio diz “nós, cariocas…”


O senador Aécio Neves, que ontem disse ter sido reeleito “presidente da república”, voltou a cometer uma gafe hoje. Pela manhã, em discurso no Rio, ele começou sua fala dizendo “Nós, cariocas…”, o que provocou risos na plateia. Mostrando mais uma vez que só pensa naquilo, Aécio disse que seu cérebro está lhe dando alguns golpes ultimamente.

O senador foi traído mais uma vez durante o discurso, quando começou a fazer os “S” chiados dos cariocas em vez do sibilado mineiro. Depois do discurso, Aécio deu entrevista coletiva na qual revelou que também já começou uma dieta para assumir o governo e que quer perder 13 quilos. O senador afirmou que foi grampeado por Obama.

No Sensacionalista
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Deputado Sílvio Costal em pronunciamento imperdível


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Lula faz piada, mas comentário de Sardenberg sobre a Grécia mais parece terrorismo midiático

O ex-presidente Lula brincou publicando a montagem acima, mas Sardenberg usou uma concessão pública
para tocar terror
Carlos Alberto Sardenberg tem acesso diário a milhões de ouvintes e telespectadores brasileiros. É economista e, apresentado como tal, ganha automaticamente a chancela que o título lhe confere entre os leigos. Como disse o perfil do ex-presidente Lula no Facebook, é um homem de seis empregos.

Preso no trânsito, eu mesmo já ouvi dezenas de bobagens ditas por Sardenberg na CBN. Suas análises são rasas, formulaicas e basicamente repetem o que lhe diz o pessoal daquela entidade que paira sobre todas as outras, um ente quase religioso, “o mercado”.

“O mercado”, no mundo de Sardenberg, não representa interesses. Se os bancos têm lucros gigantescos mesmo numa economia desacelerada, não há nada de errado com isso. Sardenberg, se tocar no assunto, vai atribuir o fato à eficiência do setor, aos “ganhos de produtividade” — ainda que eles sejam obtidos com demissões em massa, alta dos juros e superexploração da mão-de-obra.

Em outras palavras, Sardenberg tem lado — o dos banqueiros.

Como crítico do governo, o ápice de sua carreira foi em um comentário no Jornal da Globo, quando previu o caos quando o crescimento econômico do Brasil entrou no ritmo dos 9%. Seria, disse ele então, o terror, por causa dos gargalos da infraestrutura.

Mas, agora, Sardenberg se superou. Em artigo no jornal O Globo e em comentário na rádio CBN, Sardenberg tentou responsabilizar o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma pela situação econômica calamitosa da Grécia.

Segundo Sardenberg, Lula e Dilma deram conselhos ao jovem “que nem usa gravata”, Alexis Tsipras, em dezembro de 2012, quando o líder grego visitou o Brasil: “Ouviu que políticas de austeridade só levam ao desastre e que era preciso, ao contrário, aumentar o gasto público e o consumo”.

O artigo e o comentário sugerem que Tsipras teria adotado políticas equivocadas e afundado a Grécia. Na visão de Sardenberg, seria irônico Tsipras ter feito isso justamente quando Dilma Rousseff, reeleita, adotou no Brasil a austeridade que não recomendou ao colega grego.

No Facebook, o perfil do ex-presidente Lula fez piada:
Carlos Alberto Sardenberg, analista de economia de Rede Globo, Globonews, Estado de S. Paulo, O Globo, G1 e CBN desenvolveu uma explicação original para a crise econômica da Grécia. Diferente de economistas de renome internacional, como Paul Krugman e Joseph Stiglitz, para ele a culpa da crise grega é de Lula e Dilma.

Ele leu no site do Instituto Lula os registros de um encontro do atual primeiro-ministro, Alex Tsipras, com o ex-presidente Lula em 2012, e concluiu que a situação no país europeu piorou graças ao “aconselhamento” do ex-presidente e da presidenta. Já Krugman e Stiglitz acham que Tsipras está no rumo certo.

A imagem é uma brincadeira, mas a análise de Sardenberg sobre a Grécia foi real. Será que ele não está exagerando?
Por mais que o ex-presidente Lula pretenda não levar a sério o que diz Sardenberg, o fato é que, repetimos, ele fala e escreve para milhões de brasileiros, todos os dias.

Portanto, deveria ser desmascarado.

Para isso, basta citar um fato que Sardenberg sonegou em seu artigo e comentário radiofônico.

Alexis Tsipras tornou-se primeiro-ministro da Grécia em janeiro de 2015, quando o país enfrentava profunda crise econômica. Aliás, Tsipras só se tornou primeiro-ministro pelo fracasso de seus antecessores em enfrentar as consequências da crise para o povo grego. Uma crise que dura pelo menos cinco anos.

Ou seja, nem que quisesse seguir supostos conselhos de Lula e Dilma para gastar à vontade o primeiro ministro grego teria condições de fazê-lo. Ele já estava amarrado na camisa-de-forças dos credores e tudo o que fez desde então foi tentar aliviar, aqui e ali, as condições impostas pela política de austeridade exigida em troca de socorro financeiro.

Para além disso, por força da submissão ao euro Tsipras nem teria como imprimir dinheiro e sair torrando, para atender aos desígnios de seus — segundo Sardenberg — “mentores” brasileiros.

Ou seja, para cumprir seu objetivo político, que é atacar o governo, Sardenberg distorce, omite, descontextualiza.

Além de queimar Lula e Dilma, é óbvia a intenção dele de colocar no mesmo prato a Grécia, uma economia falida e completamente dependente de negociações com agentes externos — a troika formada pelo FMI, BCE e Comissão Europeia — e o Brasil, que enfrenta uma crise infinitamente mais amena, com amplo acesso aos mercados financeiros internacionais, menor desemprego e reservas de mais de U$ 350 bilhões.

Há quem prefira ver como piada o que, na verdade, é mais um caso grosseiro de terrorismo midiático.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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