28 de jun de 2015

Ao calar o Faustão, Marieta Severo deve ser a próxima global a receber ameaça de morte

Eles




O próximo empregado da Globo a sofrer ameaça de morte, depois de Jô Soares, será Marieta Severo. Pode anotar. Marieta foi ao programa do Faustão, uma das maiores excrescências da televisão mundial desde a era paleozóica.

Fausto Silva estava fazendo mais uma daquelas homenagens picaretas que servem, na verdade, para promover um programa da emissora. Os artistas vão até lá por obrigação contratual, não porque gostem, embora todos sorriam obsequiosamente. O apresentador insiste que são “grandes figuras humanas”.

Ele se tornou uma espécie de papagaio do que lê e vê em revistas e telejornais, tecendo comentários sem noção sobre política. Em geral, dá liga quando está com uma descerebrada como, digamos, Suzana Vieira ou um genérico de Toni Ramos.

Quando aparece alguém um pouco mais inteligente, porém, ele se complica. Faustão anda tão enlouquecido em sua cavalgada que não lembrou, talvez, de quem se tratava. Começou com uma conversa mole sobre o Brasil ser “o país da desesperança”.

Ela lhe deu uma cacetada: “Não, esse é o país da inclusão social. Vi isso nos últimos anos”. Para Marieta, essa é sua “bandeira”. Ainda criticou os evangélicos. “Nada contra religião. Só não quero uma legislando a minha vida”, afirmou.

Recentemente, Marieta, que está no papel principal de uma nova série, deu uma longa entrevista no Globo. Se confessou chocada com o que chamou de retrocesso nas conquistas de sua geração (ela tem 68 anos).

“Sou contra a redução da maioridade penal e contra muita coisa que está em evidência e que, para a minha geração, é chocante”, disse a ex-mulher de Chico Buarque. “Eu sou da década de 1960, do feminismo, da liberdade sexual, das igualdades todas”.

Não é preciso dizer que a entrevista no Faustão não foi muito além do script. Marieta deu um recado importante no mesmo dia em que Mantega foi novamente hostilizado num restaurante de São Paulo.

Nas redes sociais, os suspeitos de sempre a enxovalhavam por ter “defendido o PT” (ela não falou no nome do partido). Uma medida sensata seria MS contratar um guarda-costas daqui por diante — inclusive para circular no Projac.

Kiko Nogueira
No DCM
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Versão de Aécio para doações da UTC é uma afronta à lógica


No último sábado (27), este Blog divulgou que o líder da oposição ao governo Dilma Rousseff, Aécio Neves, recebeu da empreiteira UTC, de Ricardo Pessoa, R$ 1,2 milhão a mais do que a adversária, a quem o tucano e a imprensa que o apoia atribuem chantagem contra esse empreiteiro para que fizesse doações eleitorais ao PT e à campanha à reeleição.

Enquanto Dilma recebeu R$ 7,5 mi da UTC, Aécio recebeu R$ 8,7 mi.

Aécio esteve em Parintins, no Amazonas, onde participou de festividade local chamada “festa do boi”. Ao embarcar de volta, o tucano deu uma declaração no mínimo espantosa ao ser inquirido pela imprensa sobre a notícia de que recebeu mais doações da UTC do que a adversária, apesar de esta estar sendo acusada de sua campanha ter coagido o dono dessa empresa a lhe fazer doações.

Segundo Aécio, pouco importam os milhões que recebeu da empreiteira porque “Tudo que tinha pra dar à UTC era alforria”, ou seja, libertação do jugo do “malvado” PT.

Antes de prosseguir pelo labirinto retórico tucano, analisemos alguns dados sobre a campanha eleitoral de 2014.

Para quem não sabe, os grupos empresariais citados na Operação Lava-Jato, juntos, fizeram doações eleitorais a partidos no valor de espantosos R$ 484,4 milhões. Isso mesmo, meio bilhão de reais.

Os partidos mais contemplados por essas doações foram PT, PSDB, PMDB e DEM (este último, de forma espantosa porque tem pouquíssima representatividade, atualmente). Entre as empresas doadoras, a UTC, que doou a esses partidos, segundo o TSE, R$ 52,7 milhões.

A tese de Aécio, é a seguinte: se a UTC não tivesse sido pressionada pelo PT, não teria feito doações ao partido. Teria doado a todos os partidos, menos ao PT. Assim, a empresa de Ricardo Pessoa diferiria de todas as outras grandes empresas que doaram ao PT e aos outros partidos citados e que não acusaram a campanha de Dilma de tê-los pressionado.

A UTC, segundo Aécio Neves, apesar de prestar serviços para vários governos tucanos, não tem interesse algum em doar a tucanos. Doa por amor – à democracia e à “social democracia” tucana.

A declaração de Aécio de que “nada tinha a dar” à UTC é espantosa. Uma afronta aos fatos, à lógica e à própria sociedade brasileira. Isso se torna mais evidente quando se analisa o fato de que empresas investigadas por cartel no Metrô de São Paulo, que vicejou durante duas décadas sob o olhar “desatento” da tucanada local, bancaram 56% da campanha de Geraldo Alckmin à reeleição.

Adivinhe, agora, leitor, quem é uma das empresas que bancaram metade dos custos da reeleição do “desinteressado” governador tucano. Se você marcou UTC, do mesmo Ricardo Pessoa, acertou na mosca.

Claro que, pela lógica safada, sem-vergonha, cara-de-pau, o PSDB nada tinha a oferecer à UTC — além, é claro, de polpudos contratos pelo país todo, nas diversas administrações estaduais e municipais que utilizam os serviços das empreiteiras. Isso sem falar que a mesma UTC tinha expectativa de que o PSDB vencesse as eleições nas Minas Gerais de Aécio.

Mas o que a “lógica” aecista contempla ainda menos, é o seguinte:  se o PT tinha todo esse poder de pressão sobre a UTC, por que aceitou que a empreiteira doasse mais a Aécio do que a Dilma. E por que não exigiu, inclusive, que não doasse nada aos adversários? E mais: por que todas as outras empresas não acusam o PT de tê-las pressionado a doar?

Essa acusação de que Dilma, seu partido e sua campanha teriam extorquido o dono da UTC foi, inclusive, desmentida por ele, segundo a coluna Painel, da Folha de São Paulo. Trata-se de uma versão da imprensa sobre supostos desdobramentos da já dita Operação Vaza-Jato, da qual só se tem notícia quando surge alguma acusação ao PT.

O que está acontecendo neste país é um escândalo. Há um golpe de Estado “branco” ocorrendo em capítulos. Uma investigação sigilosa sofre vazamentos de informações seletivas o tempo todo e as autoridades que investigam não tomam providência. Mentiras são “vazadas’ e não são desmentidas.

Enquanto a esquerda caviar se masturba contra o “ajuste fiscal” — cuja necessidade nenhum economista sério ignora —, a democracia brasileira vai sendo feita em picadinho. Mais uma vez, a exemplo do que ocorreu tantas vezes na história, a esquerda fica assistindo de camarote a democracia ser estuprada enquanto se droga com dogmas e palavras de ordem.

Eduardo Guimarães
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Como será o dia seguinte à redução da maioridade penal?

O que vai acontecer tão logo o Congresso Nacional aprove a redução da maioridade penal para 16 anos?

Vamos nos enrolar em nosso cobertor de ignorância e hipocrisia e sair quentinho pelas ruas achando que estamos seguros.

Problemas estruturais precisam de soluções estruturais e não medidas pontuais. Não é simplesmente punindo o jovem em desacordo com a lei, mas também criando condições para que ele não caia nas graças da criminalidade.

Caso contrário, o problema se reorganiza após a mudança da lei. Por exemplo, trazendo jovens de 15 anos para fazerem parte de roubos e serem culpados pelos crimes. E, assim, sobrevive.

Quem ganha com isso? Políticos, comunicadores e falsos profetas que oferecem gratuitamente o discurso do medo, viciando a sociedade, que depois ficará ansiosa para comprar as soluções simplistas que prometem paz e tranquilidade.

Soluções vendidas, aliás, por esses mesmos atores sociais, ao custo de “votem em mim'', “assistam ao meu programa'', “venham à minha igreja''.

Desse ponto de vista, qual a diferença entre alguns dos membros dessa Santíssima Trindade do Medo e aqueles que usam jovens para cometer crimes, uma vez que ambos os grupos lucram horrores com a exploração da violência?

Há jovens que não têm nada a perder porque nada tiveram. E os que podem perder muito mas, sinceramente, não se importam, porque nós não nos importamos como eles quando deveríamos.

E há, é claro, os casos patológicos, cuja prevenção é difícil ou mesmo impossível. Ou alguém acha que um maluco que abre fogo contra uma igreja em nome da supremacia branca, como aconteceu nos Estados Unidos, ou alguém massacra crianças de uma escola, como ocorreu em Realengo, no Rio de Janeiro, pensa na punição que vai sofrer?

Tenho medo de indivíduos que assaltam, roubam e matam, mas também tenho medo de uma sociedade maníaca que não fala, apenas rosna diante do desconhecido. Pois essa sociedade cisma em não se diferenciar de seus ancestrais que tacavam pedras no escuro porque temiam a noite.

Em momentos de emoção extrema, buscamos soluções simples para diminuir a perplexidade, saídas para preencher a falta de sentido e tapar o buraco deixado pela perda individual ou coletiva.

O problema é que elas não são úteis para resolver problemas estruturais, nem mesmo para contribuir com os processos simbólicos de luto e cura. Ajudam, contudo, naquela sede de vingança que carregamos desde sempre.

Por que não elevar a pena para quem se associa a jovens com menos de 18 anos para cometer crimes? Porque precisamos de sangue desses jovens.

São nos momentos de emoção extrema que nossa racionalidade é colocada à prova. Ou seja, que somos chamados a provar que deixamos de ser uma horda tresloucada que segue um único instinto, o medo.

A sensação de insegurança pode levar à raiva, à vingança e à mais violência.

Ou a uma reflexão que gere mudanças estruturais possíveis, mas difíceis, como garantir uma vida melhor para a juventude no Brasil, evitando assim o problema antes dele acontecer.

O que escolheremos? O que veremos no espelho no dia seguinte?

Leonardo Sakamoto
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Sobe e desce

Ascensorista é uma das profissões que desapareceram no mundo moderno. Era certamente a mais tediosa das profissões, e não apenas porque o ascensorista estava condenado a passar o dia ouvindo histórias pela metade, anedotas sem desenlace, brigas sem resolução, só nacos e vislumbres da vida dos passageiros.

Pode-se imaginar que muitos ascensoristas tenham tentado combater o tédio, variando a sua própria fala.

Dizendo “ascende”, em vez de “sobe”, por exemplo.

Ou “Eleva-se”.

Ou “Para cima”.

— Para o alto.

— Escalando.

Quando perguntassem “Sobe ou desce?”, responderia “A primeira alternativa”. Ou diria “Descende”, “Ruma para baixo”. “Cai controladamente”.

E se justificaria, dizendo:

— Gosto de improvisar.

Mas, como toda arte tende para o excesso, o ascensorista entediado chegaria fatalmente ao preciosismo. Quando perguntassem “Sobe?”, responderia “É o que veremos...” Ou então, “Como a Virgem Maria”.

Ou recorreria a trocadilhos:

— Desce?

— Dei.

Nem todo mundo o compreenderia, mas alguns o instigariam.

Quando comentassem que devia ser uma chatice trabalhar em elevador, ele não responderia “tem seus altos e baixos”, como esperavam.

Responderia, “cripticamente”, que era melhor do que trabalhar em escada.

Ou que não se importava, embora seu sonho fosse, um dia, comandar alguma coisa que também andasse para os lados...

E quando ele perdesse o emprego porque substituíssem o elevador antigo por um moderno, daqueles com música ambiental, diria:

— Era só me pedirem. Eu também canto!

Mas, enquanto não o despedissem, continuaria inovando.

— Sobe?

— A ideia é essa.

— Desce?

— Se ainda não revogaram a lei da gravidade, sim.

— Sobe?

— Faremos o possível.

— Desce?

— Pode acreditar.

Luís Fernando Veríssimo
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Sérgio Moro fala de prisão e deleção premiada



Entrevista de Sérgio Moro na CNT, realizada em 20 de setembro de 2009.

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Entrevista de Antônio Carlos de Almeida Castro


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Mantega é outra vez hostilizado por fanáticos de direita em restaurante de SP - assista


Restaurante Trio, na Vila Olímpia, em São Paulo


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Seu pastor


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Morte de sertanejo repercute no exterior. Mas por gafe de Fátima Bernardes

Fátima Bernardes confundiu nome de sertanejo com Cristiano Ronaldo e gafe foi parar na imprensa estrangeira (Reprodução Mundo Deportivo)

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Documentário - Violência Política na Venezuela



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Novamente a fAlha mente


NOTA À IMPRENSA: "Se Lula quisesse falar com a Folha de S. Paulo, falaria com a Folha de S. Paulo"

Assim como algumas pessoas são maníacas por impetrar Habeas Corpus à revelia e contra a vontade das pessoas, a Folha de S.Paulo tem a estranha mania de sem nenhuma procuração ou comprovação, atribuir declarações ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a partir de fontes anônimas.  

O jornal nos procurou na sexta-feira (26) com uma informação incorreta. Respondemos que se tratava de invenção e de que "o ex-presidente repudia e lamenta a reiterada prática do jornal Folha de S. Paulo de lhe atribuir afirmações a partir de supostas fontes anônimas, dando guarida e publicidade a todo o tipo de especulação". Mesmo assim a matéria foi publicada com destaque na capa. 

Na matéria a Folha não coloca a nossa resposta de que se trata de uma invenção, logo, publicamos aqui a troca de e-mails entre a assessoria de imprensa do Instituto Lula e o jornal.

Assessoria de Imprensa do Instituto Lula

Abaixo resposta para a Folha de S.Paulo:
Cara,

Segue nossa resposta:

Parece que todo o sábado o jornal Folha de S. Paulo reserva espaço para atribuir alguma fala ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Semana passada fizeram isso. Fazem novamente esta semana. O ex-presidente repudia e lamenta a reiterada prática do jornal Folha de S. Paulo de lhe atribuir afirmações a partir de supostas fontes anônimas, dando guarida e publicidade a todo o tipo de especulação. Se o ex-presidente quisesse falar com a Folha de S. Paulo, falaria com a Folha de S. Paulo. Esta afirmação é uma invencionice do jornal ou da sua fonte anônima.
Abaixo o email enviado pela Folha de S.Paulo:
Caros,

Estamos fazendo uma matéria sobre uma conversa do ex-presidente Lula com o ministro do TCU José Múcio Monteiro, em que o ministro falou da possibilidade de o órgão rejeitar as contas de 2014 do governo Dilma. Segundo relatos, Lula disse achar razoável o órgão pedir explicações sobre as chamadas "pedaladas fiscais" e disse que isso "daria um susto" na presidente.

Gostaria de saber se o Instituto Lula quer se posicionar sobre o assunto.
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Só um idiota para acreditar no ‘escândalo’ da UTC

Doou para Aécio por causa dos belos dentes branqueados
Somos todos idiotas.

É, pelo menos, o que a grande mídia pensa.

O ridículo estardalhaço em torno das alardeadas revelações do dono da UTC ultrapassa todos os limites do descaro, da hipocrisia e da desonestidade.

Colunistas — os suspeitos de sempre — parecem fingir que acreditam nos disparates que escrevem.

Mais uma, o coro é pelo impeachment de Dilma. Dia sim, dia não, aparecem supostas novidades que levam os colunistas das empresas de mídia a gritar, histéricos, pelo fim de um governo eleito há pouco tempo com 54 milhões de votos.

O caso particular do UTC é icônico.

Todos os holofotes vão, condenatórios, para Dilma e para o PT, pelo dinheiro dado para a campanha petista.

Foram, segundo cálculos de um site ligado à Transparência Brasil, 7,5 milhões de reais.

Não é doação: é achacamento, propina, roubo.

Ninguém diz que a campanha de Aécio levou ainda mais da UTC: 8,7 milhões.

Neste caso, não é propina, não é achaque, não é roubo. É demonstração de afeto e reconhecimento pelos dentes brancos do candidato Aécio.

E eles querem que a sociedade acredite nesse tipo de embuste.

A mídia presta mais um enorme desserviço ao Brasil com essa manipulação grosseira e farisaica.

Você foge do real problema: o financiamento privado de campanhas, a forma como a plutocracia tomou de assalto a democracia.

É um problema mundial, e não apenas brasileiro. Dezenas de países já trataram de evitar que doações de grandes empresas desvirtuem a voz rouca das ruas e das urnas.

No Brasil, a mídia não trata desse assunto, em conluio com políticos atrasados e guiados pelo dinheiro, porque se beneficia da situação.

Nem o mais rematado crédulo compra a história de que as doações empresariais são desinteressadas.

A conta vem depois do resultado, na forma de obras ou leis que beneficiam os doadores.

Veja os projetos de Eduardo Cunha, para ficar num caso clássico, e depois observe as companhias que o têm patrocinado.

Em alguma publicação, li até uma lição de moral na forma como o PT teria abordado o dono da UTC para pedir dinheiro para a campanha de Dilma.

A abordagem não teria sido “elegante”.

Imagina-se que quando o PSDB solicita dinheiro seja coisa de lorde inglês, pelo que pude entender: ninguém fala em dinheiro, ninguém toca em dinheiro. É como uma reunião social, entre amigos, em que o dinheiro é a última coisa que importa.

Como disse Wellington, quem acredita nisso acredita em tudo.

Outro crime jornalístico que é cometido é dar como verdadeiras quaisquer coisas ditas nas delações, como se elas estivessem acima de suspeita.

Quer dizer, esse tratamento só vale contra o PT. Quando se trata dos amigos da mídia, aí sim entram as ressalvas. Há que investigar, provar etc — coisas que absolutamente não valem para o PT.

Que a imprensa, movida pelo interesse de seus donos, aja assim, até que você pode entender.

O que não dá para aceitar é que a justiça faça a mesma coisa, e com ela a Polícia Federal.

Porque aí você subverte, por completo, o conceito de justiça, e retrocede aos tempos de João V no Brasil.

Sua mulher, a rainha Carlota Joaquina, mandou matar uma rival no amor.

Dom João pediu investigação rigorosa.

Quando chegaram a ele os resultados do trabalho, com Carlota Joaquina comprovadamente culpada da morte, ele refletiu, refletiu — e queimou os documentos que a incriminavam.

Aquela era a justiça, e esta nossa não é muito diferente quando se trata da plutocracia.

Paulo Nogueira
No DCM
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Ombudsman da fAlha admite erro grave contra Lula


#erramos

Houve erros nos dois meios, mas no site o modo de correção é pior e merece ser revisto

Foi uma semana infeliz para a Folha. Erros são da natureza extremamente dinâmica do jornalismo, mas o balanço de informações ou títulos incorretos dos últimos dias é preocupante e constrangedor.

Começo pelo mais antigo: no sábado (20), na edição de cobertura da prisão dos executivos das empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez, a editoria "Poder" informou em título: "Operação é severamente criticada pelo meio jurídico". O texto, como bem definiu um leitor, era bisonho: das quatro pessoas ouvidas, três são advogados de réus da Lava Jato, e a quarta, o ex-ministro do STJ Gilson Dipp, escreveu um parecer — pago pela Galvão Engenharia — em que tachava de juridicamente "imprestável" a delação premiada de Alberto Youssef.

"É função dos advogados divulgar a melhor versão para seus clientes, mas eles não caracterizam 'o meio jurídico'. Ninguém na editoria percebeu que o texto não menciona nenhum advogado que não seja parte interessada?", escreveu um leitor.

Na terça (23), "Mercado" relatou que, segundo um estudo global, 23% dos brasileiros haviam pago para acessar notícias online em 2014. O número punha o Brasil na vanguarda mundial, deixando em segundo lugar, com 14%, a Finlândia, um daqueles países nórdicos que exibem em todas as áreas índices de humilhar o restante do mundo.

Observei na crítica interna que lá o dado poderia fazer sentido. A população finlandesa é de cerca de 5,5 milhões de habitantes, 97% com acesso à internet; os pagantes somariam 770 mil. No Brasil, onde só 54% têm acesso à rede, é difícil acreditar que 47 milhões teriam pago para consumir notícia digital.

A correção saiu na sexta (25): "O correto é afirmar que 23% dos internautas brasileiros que leem notícias pagaram pelo menos uma vez por esse tipo de conteúdo durante o ano passado." Alguém sabe quantos são os internautas que leem notícias?

Na quinta (25), a Folha estampou no site por cinco minutos uma manchete bombástica, publicada também no Twitter: "Lula pede à Justiça para não ser preso por juiz da Operação Lava Jato". O petista não tinha nada a ver com o angu. Problema: a notícia foi ao ar antes que a reportagem ouvisse o Instituto Lula.

"O jornal corrigiu o erro após obter a íntegra do habeas corpus. A correção saiu no site e no Twitter", informa a direção de Redação.

O problema é que o sistema de correção no digital é bem pior do que no papel. O registro de erro vem em letras pequenas no pé do texto. A reportagem de Lula é longuíssima; é preciso lê-la até o fim (coisa rara) ou rolar a tela pelo menos quatro vezes para chegar até o aviso — só um link que remete para outro lugar.

Se você nunca viu a seção Erramos no site, não é por distração, leitor. A impressão é a de que ela foi pensada para não aparecer. Não está integrada nos temas da barra superior e, por razão que me escapa, não é elencada em ordem alfabética da lista de "Seções" (botão azul à esquerda, no alto). Vem no fim: a lista tem 41 itens, o Erramos está no 39° lugar.

O problema do Twitter é de outra ordem. "A política do jornal é nunca apagar um tuíte ou texto errado, mas corrigir os erros o mais rapidamente possível e com visibilidade. Na nossa avaliação, é um procedimento mais transparente do que simplesmente apagar o conteúdo original. Nesse caso, o leitor que seguir o tuíte antigo será levado ao texto correto e informado de que uma versão anterior estava errada", declara a direção de Redação.

Nos dois meios, acho que o jornal precisa rediscutir seus procedimentos. Se a intenção é dar transparência e visibilidade a correções no site, seria mais eficiente explicar no mesmo arquivo que uma versão anterior do texto havia informado algo incorretamente. Mais claro e visível, impossível.

Também não vejo lógica em manter a chamada errada no Twitter, onde pode continuar sendo reproduzida. Ao corrigir o texto de Lula, o jornal substituiu a informação incorreta do site; por que não apagar o tuíte errado e deixar um que informa do erro removido?

Vera Guimarães Martins
No fAlha
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fAlha: PSDB corrupto só aparece depois de morto

A blindagem continua. E é fácil de identificar. Se na manchete não tiver nome e partido, o envolvido é do PSDB. Nestes casos, só lendo a matéria até o final. E aí descobre que ele está morto.

A Folha tem um notável incapacidade de entender que os golpistas querem CPI para achacar. Quem ocupa os principais papéis são os que conseguem achacar mais. Taí o Eduardo CUnha que não deixa mentir. O PSDB ocupou, com Sérgio Guerra, o principal papel na CPI da Petrobrás, por isso também recebeu a maior quantia. Aécio Neves foi quem recebeu a maior quantia da UTC, do Ricardo Pessoa. Mas como no PSDB a Folha só vê anjos, o negócio é proteger entregadores de pó e corruptos e acusar quem possa prejudicar seus negócios.

O sadismo da Folha com Lula e o PT é o mesmo que levava seus donos a assistirem, como revelou a Comissão da Verdade, sessões de tortura, estupro e assassinato nos porões do DOI-CODI. E depois a Folha ainda emprestava suas peruas para desovarem os restos dos corpos esquartejados no Cemitério de Perus, em São Paulo.Folh

Com o PSDB é assim, só vale a Lei Rubens Ricúpero. Ou o helipóptero é do amigo, ou fica na gaveta do Rodrigo de Grandis, ou é a citada é irmã (Andrea Neves), ou sai dos “limites da responsabilidade”, ou então a culpa é do morto. Em último caso, não tem erro, é só botar a culpa no Lula.

O Manual de Redação da Folha e sua Lei 171:
“Art. 1º Sempre que o envolvido em corrupção for do PSDB, esconda o nome e o partido.

Parágrafo único. Se não tiver como esconder, deixe para o final do texto e entregue um já morto.

Art. 2º Se for do PT, põe em manchete nome, partido, Dilma, Lula e corrupção.

Art. 3º Se for de outros partidos, só põe na manchete nome e partido se puder acrescentar, PT, Lula e Dilma.

Art. 4º Sempre criminalize e PT, nunca os demais.

Art. 5º Lula deve sempre aparecer como suspeito.

Art. 6º FHC, Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin só podem aparecer como santos combatentes da corrupção.

Art. 7º. Os casos omissos serão tratados pelo departamento comercial em contato com os demais assoCIAdos do Instituto Millenium.”
Delator afirma que doação acertada com senador enterrou CPI

Ricardo Pessoa diz ter repassado R$ 5 milhões a quatro partidos indicados por Gim Argello (PTB) no ano passado

Segundo o empreiteiro, senador era porta-voz de colegas porque tinha influência sobre então presidente de comissão

DE BRASÍLIA
DE CURITIBA

O dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, disse aos procuradores da Operação Lava Jato que negociou com o senador Gim Argello (PTB-DF) o repasse de R$ 5 milhões a quatro partidos para enterrar uma CPI criada pelo Congresso para investigar a Petrobras no ano passado.

Argello era vice-presidente da CPI e foi o porta-voz da negociação porque, segundo Pessoa, exercia influência sobre o presidente da CPI, o então senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), e o relator, deputado Marco Maia (PT-RS).

Vital do Rêgo atualmente é ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), posto que assumiu em fevereiro.

Pessoa diz que se encontrou duas vezes com Argello para tratar do assunto, na casa do senador no Lago Sul, em Brasília. Além de esvaziar a CPI, o empreiteiro pretendia impedir sua convocação para prestar depoimento aos parlamentares. A comissão foi encerrada após alguns meses sem ter avançado nas investigações nem convocado empreiteiros para depor.

Informações sobre a acusação a Argello foram antecipadas pela revista "Veja" na edição que começou a circular neste sábado (27) e confirmadas depois pelaFolha.

De acordo com Pessoa, os R$ 5 milhões foram distribuídos em doações a quatro partidos, PR, DEM, PMN e PRTB, a pedido de Argello.

Procurado pela Folha, o senador não retornou aos contatos feitos na manhã de sábado. Na noite de sexta (26), ele disse que todas as doações recebidas da UTC foram declaradas à Justiça Eleitoral. Vital do Rêgo e Marco Maia também não foram localizados pela reportagem.

Até o momento, nenhum deles ainda havia sido alvo de investigação na Lava Jato.

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, outro delator da Lava Jato, disse no ano passado que pagou propina ao falecido senador Sérgio Guerra (PSDB-CE) para enterrar outra CPI criada para investigar a estatal em 2009.

Em sua delação premiada, Pessoa também afirmou ter pago propina ao senador e ex-presidente da República Fernando Collor (PTB-AL). Segundo a revista "Veja", Collor teria usado sua influência na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, para facilitar negócios para a UTC.

O empreiteiro afirma que pagou R$ 20 milhões a Collor por intermédio do seu ex-ministro Pedro Paulo Leoni Ramos, que tinha negócios com o doleiro Alberto Youssef, um dos principais operadores do esquema de corrupção descoberto na Petrobras.

Youssef, que também fez acordo para colaborar com as investigações, diz que pagou a Collor R$ 3 milhões em propina associada a outro negócio, entre a BR Distribuidora e uma rede de postos de combustível em São Paulo.

Collor é alvo de um inquérito aberto com autorização do Supremo Tribunal Federal por causa das suspeitas em torno dessa transação. Procurada neste sábado, sua assessoria não atendeu aos contatos da Folha.

No Ficha Corrida
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Contículos

Aquela conversa de travesseiro.

– Quem é o meu quindinzinho?

– Sou eu.

– Quem é a minha roim-roim-roim?

– Sou eu.

Aí ele inventou de dizer que jamais se separariam e que ele seria, para ela, como aquele nervinho da carne que fica preso entre os dentes.

E ela:

– Credo, Osmar, que mau gosto!

E saiu da cama para nunca mais.

O amor também pode acabar por uma má escolha de metáforas.

Sentimento. Quase se casaram, mas ela se chamava Dulcineide e ele pressentiu que teria problemas com os sogros.

Investigação. O inspetor que investigava o caso da trapezista checa morta com uma adaga de gelo nas costas tinha um cachimbo permanentemente no canto da boca, mas com o fornilho virado para baixo. Dizia que era para não ter nem a tentação de enchê-lo, pois estava proibido de fumar. Mas o importante é que consultei o dicionário antes de começar a escrever este conto e só então descobri que aquela parte do cachimbo se chama fornilho, o que passei a maior parte da minha vida sem saber.

Toda literatura, no fim, é autobiográfica.

No elevador. Conto erótico. “Lambo você todinha” disse o homem no ouvido da mulher, no elevador. A mulher firme. Silêncio. No décimo andar o homem falou de novo. “Lambo...Palavra engraçada, né?” Nunca tinha se dado conta.

Está bem, mais ou menos erótico.

Amigos. Calçada. Homem com cachorro. Cachorro fazendo cocô. Passa mulher e diz: “Que nojo”. Homem, para mulher que se afasta: “Nós somos apenas amigos!”.

O Arruda. Sete de cada lado, as mulheres assistindo. Todos com barriga e pouco fôlego. Menos o Arruda. O Arruda em grande forma. Cinquenta anos, e brilhando. Foi depois de o Arruda dar um passe para ele mesmo correr lá na frente como um menino, chutar com perfeição e fazer o gol, para delírio das mulheres, que todo o time correu para abraçá-lo.

Empilharam-se em cima do Arruda. Apertaram o Arruda. Beijaram o Arruda. O Arruda depois diria que alguém tentara torcer o seu pé e outro mordera a sua orelha. Quando o Arruda quis se levantar para recomeçarem o jogo, não deixaram. Derrubaram o Arruda outra vez. Quando ele parecia que estava conseguindo se livrar dos companheiros, veio o time adversário e também pulou no bolo para cumprimentar o Arruda. O Arruda acabou tendo que sair de campo, trêmulo, amparado pelas mulheres indignadas, enquanto o jogo recomeçava. Agora só com os fora de forma.

Final. “Puxou o fio, só por curiosidade, e no dia seguinte leu no jornal que o Taj Mahal tinha desmoronado. Até hoje ele não sabe se foi ele.” Ainda vou escrever um conto que termina assim.

Luís Fernando Veríssimo
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Padre e pastor lavam os pés da travesti que se crucificou na Parada LGBT de 2015


O Padre Júlio Lancelotti e o pastor evangélico da Igreja Batista José Barbosa Júnior contrariam a leitura tradicional da Bíblia e lavaram os pés da travesti Viviany Belebone como forma de pedir a ela desculpas pelas ameaças e ofensas que sofreu. Viviany se crucificou na Parada LGBT de 2015, em ato que gerou polêmica por parte dos setores conservadores da sociedade.

Sobre a higiene a transexual disse apenas: “Me sentindo abençoada”. A lavagem aconteceu na tarde deste Sábado (27), em São Paulo.


No Jornalistas Livres
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Ministros rebatem ataques da 'Veja'

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Já virou rotina. A criminosa "Veja" publica na sexta-feira os seus famosos factoides para desgastar o governo Dilma. De imediato, os telejornais replicam as denúncias — sem qualquer rigor na apuração — e os jornalões alimentam as especulações. Na edição desta semana, a revista do esgoto acusou dois ministros e vários políticos de receberam doações da empreiteira UTC, alvo do midiático escândalo da Operação Lava-Jato. A "reporcagem" teve como fonte uma "delação premiada" — e premeditada — do empresário corrupto Ricardo Pessoa, que vazou na peneira sempre seletiva da Polícia Federal. De imediato, os "calunistas" da mídia — Merval Pereira, Ricardo Noblat, Reinado Azevedo e outros da mesma estirpe — já afirmam que a capa da "Veja" reabre o debate sobre o impeachment da presidenta.

Segundo a "Veja", o mafioso Ricardo Pessoa, apontado como um dos líderes do cartel das empresas envolvidas no esquema de propinas na Petrobras, afirmou ter doado R$ 7,5 milhões para a campanha de Dilma. A contribuição foi declarada à Justiça Eleitoral, mas a revista garante que ela foi ilegal. De acordo com a "reporcagem", a doação foi tratada diretamente com o tesoureiro da campanha, Edinho Silva, atual ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência. O empresário ainda incluiu outro ministro em sua "delação premiada". Garantiu que bancou a campanha de Aloizio Mercadante ao governo paulista em 2010. O delator também descreveu as doações para outros 18 políticos, mas esta denúncia não teve o mesmo destaque na revista do esgoto, nos jornais ou nos telejornais. 

Diante dos novos ataques, que sinalizam uma retomada da onda golpista no país, os ministros citados já manifestaram seu repúdio. Edinho Silva foi o mais enfático na crítica aos factoides da "Veja". Ele condenou duramente os vazamentos seletivos das "delações premiadas" e garantiu que processará os envolvidos nos ataques caluniosos. "Como coordenador financeiro da campanha da presidente Dilma, eu agi estritamente dentro da legalidade... Faço questão de ser ouvido nos autos. Caso se confirme as mentiras divulgadas pela imprensa, eu tomarei as medidas judiciais em defesa da minha honra", disse em entrevista coletiva neste sábado (27). 

O atual ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) ainda esclareceu que as contas de campanha da presidente Dilma foram rigorosamente auditadas e aprovadas pelo Superior Tribunal Eleitoral. "Então, me causa indignação que meu nome tenha sido envolvido em uma delação premiada. Me causa indignação o vazamento seletivo desta delação e me causa indignação a tese de criminalização das doações à nossa campanha". Ele lembrou que outros partidos, como o PSDB e o DEM, receberam contribuições financeiras das construtoras agora denunciadas na Lava-Jato.

Já o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, sempre no seu estilo "republicano", evitou criticar os ataques da "Veja" e divulgou uma nota lacônica: "Tendo tomado conhecimento, nesta sexta-feira, por meio de veículos de imprensa, sobre a suposta citação ao meu nome em delação premiada do senhor Ricardo Pessoa, tenho a esclarecer que: 1. Desconheço o teor da delação premiada do senhor Ricardo Pessoa; 2. A empresa UTC, por ocasião da campanha ao governo do Estado de São Paulo, em 2010, fez uma única contribuição, devidamente contabilizada e declarada à Justiça Eleitoral, no valor de R$ 250 mil reais, conforme demonstrado em minha prestação de contas aprovada pela Justiça Eleitoral".

A "reporcagem" da revista do esgoto deverá ter forte repercussão nos próximos dias, reanimando a campanha pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Os outros citados na "delação premiada" do empresário-bandido Ricardo Pessoa — como o senador Aloysio Nunes, vice na chapa derrotada do cambaleante Aécio Neves — não serão incomodados pela mídia. Pelo andar da carruagem golpista, o clima político vai ferver. Ou o governo sai da defensiva e parte para o ataque, enfrentando os barões da mídia e a rancorosa oposição direitista, ou seus dias estarão contados... e não chegarão a 2018.

Altamiro Borges
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Jatos que mancham

Como inquérito "sob segredo de Justiça", a Operação Lava Jato lembra melhor uma agência de propaganda. Ou, em tempos da pedante expressão "crise hídrica", traz a memória saudosa de uma adutora sem seca.

Em princípio, os vazamentos seriam uma transgressão favorável à opinião pública ansiosa por um sistema policial/judicial sem as impunidades tradicionais. Mas, com o jorro contínuo dos tais vazamentos, nos desvãos do sensacionalismo não cessam os indícios que fazem a "nova Justiça" — a dos juízes e procuradores/promotores da nova geração — um perigo equivalente à velha Justiça acusada de discriminação social e inoperância judicial.

É preciso estar muito entregue ao sentimento de vingança para não perceber um certo sadismo na Lava Jato. O exemplo mais perceptível e menos importante: as prisões nas sextas-feiras, para um fim de semana apenas de expectativa penosa do preso ainda sem culpa comprovada. Depois, a distribuição de insinuações e informações a partir de mera menção por um dos inescrupulosos delatores, do tipo "Fulano recebeu dinheiro da Odebrecht". Era dinheiro lícito ou provou-se ser ilícito? É certo que o recebedor sabia da origem, no caso de ilícita?

A hipocrisia domina. São milhares os políticos que receberam doações de empreiteiras e bancos desde que, por conveniência dos candidatos e artimanha dos doadores, esse dinheiro pôde se mover, nas eleições, sob o nome de empresas. Nos últimos 60 anos, todos os presidentes tiveram relações próximas com empreiteiros. Alguns destes foram comensais da residência presidencial em diferentes mandatos. Os mesmos e outros viajaram para participar, convidados, de homenagens arranjadas no exterior para presidente brasileiro. Banqueiros e empreiteiros doaram para os institutos de ex-presidentes. Houve mesmo jantares de arrecadação no Alvorada e pagos pelos cofres públicos. Ninguém na Lava Jato sabe disso?

Mas a imprensa é que faz o sensacionalismo. É. Com o vazamento deformado e o incentivo deformante vindos da Lava Jato.

A partir de Juscelino, e incluídos todos os generais-presidentes, só de Itamar Franco e Jânio Quadros nunca se soube que tivessem relações próximas com empreiteiros e banqueiros. A íntima amizade de José Sarney foi mal e muito comentada, sem que ficasse evidenciada, porém, mais do que a relação pessoal. Benefícios recebidos, sob a forma de trabalhos feitos pela Andrade Gutierrez, foram para outros.

Ocorre mesmo, com os vazamentos deformantes, o deslocamento da suspeita. Não importa, no caso, o sentido com que o presidente da Odebrecht usou a palavra "destruir", referindo-se a um e-mail, em anotação lida e divulgada pela Lava Jato. O episódio foi descrito como um bilhete que Marcelo Odebrecht escreveu com instruções para o seu advogado, e cuja entrega "pediu a um policial" que, no entanto, ao ver a palavra "destruir", levou o bilhete ao grupo da Lava Jato.

Muito inteligível. Até que alguém, talvez meio distraído, ao contar o episódio acrescentasse que Marcelo, quando entregou o bilhete e fez o pedido ao policial, já estava fora da cela e a caminho de encontrar seu defensor.

Então por que pediria ao policial que entregasse o bilhete a quem ele mesmo ia encontrar logo?

As partes da historinha não convivem bem. Não só entre si. Também com a vedação à interferência na comunicação entre um acusado e seu defensor, considerada cerceamento do pleno direito de defesa assegurado pela Constituição.

Já objeto de providências da OAB, a apreensão de material dos advogados de uma empreiteira, em suas salas na empresa, foi uma transgressão à inviolabilidade legal da advocacia. Com esta explicação da Lava Jato: só os documentos referentes ao tema da Lava Jato seriam recolhidos, mas, dada a dificuldade de selecioná-los na própria empresa, entre 25 mil documentos, foram apreendidos todos para coleta dos desejados e posterior devolução dos demais.

Pior que uma, duas violações: a apreensão de documentos invioláveis, porque seus detentores não são suspeitos de ilicitude, e o exame violador de todos para identificar os desejados. Até documentos secretos de natureza militar, referentes a trabalhos e negócios da Odebrecht na área, podem estar vulneráveis.

Exemplos assim se sucedem. Em descompasso com uma banalidade: condenar alguém em nome da legalidade e da ética pede, no mínimo, permanentes legalidade e ética. Na "nova Justiça" como reclamado da "velha Justiça"

Janio de Freitas
No fAlha
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