27 de jun de 2015

Homofobia deve ser julgada como crime de racismo, diz PGR


Janot propõe interpretar a Lei de Racismo para tipificar comportamentos discriminatórios e preconceituosos contra a população LGBT

A homofobia e a transfobia devem ser julgadas como crime de racismo. Esse é entendimento defendido pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Janot, deve-se interpretar a Lei 7.716/89/89 (Lei de Racismo) para tipificar como crime de racismo comportamentos discriminatórios e preconceituosos contra a população LGBT.

A manifestação refere-se à ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADO 26/DF), proposta pelo Partido Popular Socialista (PPS) por inércia do Congresso Nacional em editar uma lei específica para criminalizar todas as formas de homofobia e transfobia. Para o PPS, a criminalização de todas as formas de racismo abrange as condutas de discriminação de de cunho homofóbico e transfóbico.

Os crimes previstos pela Lei 7.716/89, que define os delitos resultantes de preconceito de raça ou de cor, abarcam as condutas homofóbicas. “A homofobia decorre da mesma intolerância que suscitou outros tipos de discriminação, como aqueles em razão de cor, procedência nacional, religião, etnia, classe e gênero”, defende Janot no parecer.

Omissão legislativa

O procurador-geral argumenta que, caso se entenda que a Lei 7.716 não pode tipificar práticas homofóbicas, o Congresso Nacional está omissão em relação ao assunto. “É relevante que o STF intervenha para acelerar o processo de produção normativa e conferir concretização dos comandos constitucionais de punição de qualquer discriminação atentatória aos direitos e liberdades fundamentais e da prática do racismo como crime inafiançável, imprescritível e sujeito à pena de reclusão”, sustenta.

Após mais de treze anos de tramitação, o projeto de lei 5.003 de 2001 foi aprovado originalmente na Câmara dos Deputados e resultou no projeto de lei 122 de 2006 no Senado. O projeto foi apensado ao PL 236/2012, o novo Código Penal, também no Senado, sendo posteriormente arquivado. O PL 236 previa a criminalização da homofobia no capítulo destinado ao racismo e a crimes resultantes de preconceito e discriminação. “O processo legislativo se procrastina há tanto tempo que o efeito prático é o mesmo daqueles em que inexiste o projeto de lei: ausência de regulamentação legislativa para direito constitucionalmente assegurado”, pondera.

Janot afirma que a jurisprudência recente do STF tem admitido a fixação de prazo razoável para atuação legislativa do Congresso Nacional. De acordo com Janot, “tanto no controle abstrato quanto no concreto, o STF vem admitindo fixação de prazo para providências necessárias ao cumprimento dos deveres constitucionais. É cabível estabelecer prazo razoável para que o Congresso Nacional conclua a deliberação acerca das leis apropriadas.” Outra possibilidade, segundo o PGR, é que o próprio Supremo faça a regulamentação enquanto não houver a edição de lei específica pelo Congresso.

Indenização – Para o PGR, no entanto, o pedido de responsabilização civil do Estado, ou seja, a indenização, por práticas homofóbicas e transfóbicas é incompatível com a sistemática desse tipo de ação. “Não cabe ao STF, em controle concentrado de constitucionalidade, condenar o Estado brasileiro a indenizar vítimas desse tipo de conduta, por mais reprovável que seja”, sustenta Janot.

MI 433 – Os argumentos do posicionamento enviado ao Supremo são os mesmos do apresentado, em julho de 2014, no recurso da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) contra decisão desfavorável do STF no mandado de injunção (MI) 4733.

Confira a íntegra do parecer.

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A serpente sem casca

O nosso tea party impõe a pauta do atraso e aplica um golpe branco que agrava a ineficiência do Estado e aprofunda a crise política

Eduardo Cunha comanda a onda conservadora
A característica do ovo da serpente é a quase transparência de sua membrana, o que permite a quem o observe, conhecendo o embrião, antever a peçonha que, adulta, poderá picá-lo. Trata-se de bela e precisa imagem, que nos lembra, no presente, o que o futuro nos pode ameaçar. Ao observador sempre caberá a decisão de interromper ou não a gestação. Mas, a partir do conhecimento da ameaça, não mais lhe será dado o direito de, amanhã, ferido o calcanhar, arguir surpresa. Como na vida social, ao não intervir, o sujeito histórico opta pela cumplicidade.

Ingrid Bergman, em filme notável, descreveu a vida do pós Primeira Guerra Mundial, o encontro da Alemanha com a República e a democracia representada pela Constituição de Weimar, mas, igualmente, a Alemanha dos ‘loucos anos’, de hiperinflação, fracasso industrial, desemprego, antissemitismo e xenofobia. Não por outro motivo o denominou de O ovo da serpente. Enxergava, naqueles tempos, o prenúncio que mais tarde conheceríamos como nazismo.

Lembro a onda absolutista-autoritária de desrespeito aos direitos humanos, à liberdade, que, intoxicada de violência e xenofobia, construiu a Segunda Guerra Mundial. Vimos naquela altura a construção do nazismo, do franquismo, do salazarismo, do stalinismo e da loucura em que se transformou o feroz império japonês. Sabemos que preço foi pago.

O movimento social, que se propaga em ondas, muitas vezes se processa em subterrâneos que não nos é dado pressentir. Nas vésperas do famoso maio de 1968, Daniel Conh-Bendit reclamava da pasmaceira da vida universitária francesa. Imprevistos foram a queda do Muro de Berlim, o suicídio da URSS e, respeitadas as distintas proporções, as jornadas brasileiras de junho de 2013, detonadas por aumento de alguns centavos nas passagens de ônibus em São Paulo. Tais fatos e movimentos, alguns de caráter revolucionário, não foram construídos. Explodiram. Hoje, antecipa o amanhã. Sem forma exata.

Nos tristes idos de 1954, a sociedade brasileira foi despertada para um ‘mar de lama’ que correria nos inexistentes porões do Palácio do Catete. A onda anti-varguista era promovida por uma oposição competente tanto quanto vituperina e inescrupulosa, que compreendia o Congresso, os partidos e, principalmente, a imprensa, atuando em concerto. Naquele então como agora. A deposição de Vargas passou a ser o alvo, o atentado, o grande pretexto. O desfecho faz parte da História.

Nos tristes idos dos anos sessenta, muitos liberais e democratas, que não haviam lido Brecht, engrossaram os arreganhos da direita que prometia cadeia para os comunistas e os corruptos, ‘encastelados no governo Jango’, cuja posse não haviam conseguido impedir em 1961. Nos primeiros momentos da ditadura, revelados seus propósitos, ainda assim nossos liberais não se sentiram ameaçados. Mas, insaciável, o dragão devorou todos.

O processo histórico não se move como uma equação algébrica ou uma lei da física. Não há leis determinando os fatos. Mas seu conhecimento ilumina ao caminhante as frentes por percorrer no presente.

Com a conhecida imagem do ovo da serpente procuro significar que estão dadas, para quem quiser ver, as condições para um perigoso processo de ruptura do pacto social que possibilitou a Constituinte quase progressista de 1988, agredida em seus aspectos mais socialmente avançados já a partir de sua promulgação, indicando de logo a resistência dos setores conservadores. Esse processo desconstitutivo atinge o paroxismo na atual legislatura parlamentar. Se o Congresso que aí está legitima os atos de seus líderes — evidência clara como a luz do sol — resta-nos a amarga indagação se esse caminhar representa também o pensamento majoritário de nossa sociedade. Se a conclusão plausível é pela coerência entre o pensamento social e a ação retrógrada do Congresso, perguntar-se-á, como desafio: como explicar as transformações que revelam o Brasil na contramão do avanço social medido a partir da redemocratização e da da Constituição de 1988?

O País vinha, conquista após conquista, avançando numa trilha iluminada por valores democráticos e progressistas. Um novo Brasil parecia nascer com as vitórias eleitorais da oposição; tinha-se a sociedade majoritariamente identificada em torno das campanhas contra a Tortura, pela Anistia, pelas Diretas-já, unificada na eleição indireta de Tancredo, no impeachment contra Collor e finalmente, nas eleições e reeleições de Lula e Dilma Rousseff. E no apoio popular a seus governos. Como explicar a crise de hoje, cujo ponto de partida é a desconexão entre o voto que escolhe o presidente e aquele que, na mesma eleição, preenche as cadeiras da Câmara dos Deputados? Como explicar que o mesmo eleitorado, na mesma eleição, consagre um candidato a presidente e eleja um Congresso que lhe será hostil?

O que pretendo pôr de manifesto é o subterrâneo da crise política, a saber, a falência do modelo de política e do modelo de Estado. Trata-se do fracasso do processo político eleitoral proporcional, fundado na farsa, na manipulação do poder econômico — que a direita quer aprofundar facilitando a contribuição financeira de empresas nas campanhas eleitorais e no financiamento de partidos e candidatos —, na manipulação do poder político, que distorce a vontade eleitoral. Trata-se da exaustão do ‘presidencialismo de coalizão’. Trata-se da necessidade de reforma de um Estado concebido para não funcionar, senão como conservador dos interesses da classe dominante.

A contrapartida do Estado infuncional é a incapacidade governativa, derivada do pacto imposto pelo ‘presidencialismo de coalização’, mas é igualmente a consequência de uma estrutura montada para impedir o fazer. Vivemos formal e objetivamente a grande crise constituinte, que nasce com o Estado brasileiro e a Carta outorgada de 1824.

Mas ainda não é tudo.

Fruto ou causa dessa ascensão conservadora, vivemos o encontro do esvaziamento da sociedade organizada — dominada por um certo niilismo — com a crise das instituições da República. O povo se ressente do Estado que não lhe assegura os serviços de que carece; não se identifica com o Poder Legislativo, que só legisla segundo os interesses dos parlamentares, e ao fim e ao cabo se sente frágil, à míngua de direitos diante de um Judiciário incompetente, de um ‘sistema’ que só pune os pobres. Dessa sociedade não se pode esperar a defesa da política, que jamais foi a forma de realização de seus interesses. Mas do progresso não pode cuidar a classe dominante, beneficiária e sócia de todos os desarranjos que contaminam a política e a coisa pública, privatizada, pois, na medida em que fracassam os meios republicamos, crescem as negociações de cúpula, no vértice do poder presidencial, onde se encontram líderes políticos e os representantes do grande capital.

A crise da política é a crise da representação que ilustra a crise constituinte, peças da grande crise do Estado, desaparelhado para gerir a sociedade emergente em meio à crise econômica alimentada por fatores internos e exógenos, condicionada pelos humores políticos e financeiros da globalização, um bem-sucedido projeto de poder das potências.

O plano interno parece repetir os ventos que sopram das metrópoles, com o avanço do pensamento e da prática de direita, que hoje domina a Europa, com a falência dos partidos socialistas e comunistas e a rendição de socialdemocracia. Aqui, com a renúncia da socialdemocracia que se transforma no baluarte do pensamento e da ação de direita, a falência dos partidos do campo da esquerda, o recuo do movimento social como um todo, notadamente do sindical, contido em reivindicações econômicas. Desapareceram as lideranças liberais e os quadros de esquerda minguam, como minguam as instituições e as lideranças da sociedade. É nesse vácuo — e não obstante o fracasso do neoliberalismo que detonou a crise econômica – que, lá e cá, crescem as forças da reação, do conservadorismo e da xenofobia. Mas não só o conservadorismo político-congressual-partidário, mas o pior de todos, o conservadorismo na sociedade.

Vínhamos de 12 anos de relativo sucesso de uma sequência de governos de centro-esquerda, que possibilitou a entrada de mais de 40 milhões de brasileiros na economia e no consumo, promovendo a mais notável ascensão social da história republicana. Hoje, esse governo sofre um cerco sem similar na história recente, hostilizado pelos meios de comunicação, hostilizado pelo mais poderoso  partido político da República (que participa do governo e comanda sua política...), hostilizado pelo Congresso (presidido pelo mesmo partido), finalmente, e por tudo isso, hostilizado na ruas.

Esse quadro ensejou a realização de um ‘especioso golpe branco’, volta a repeti-lo, de que resultou a instalação, em pleno presidencialismo, de um ‘parlamentarismo de fato’, mostrengo híbrido que, avançando sobre os poderes da presidência da República, agrava a ineficiência do Estado e aprofunda a crise política. Pois, presidido por um premier comprometido com o atraso fundamentalista de origem evangélico-pentecostal, governando contra o Executivo, o Parlamento cria dificuldades às nossas negociações com o governo chinês — de quem muito dependemos para sair da crise, via investimentos em nossa infraestrutura —, cria dificuldades à nossa participação no banco de investimentos que reúne a China e países europeus da área do euro, dificulta a vida dos BRICS, intenta desconstituir o Mercosul e torpedeia nossa política externa.

É o nosso tea party. No plano social, impõe a pauta do atraso, que compreende a diminuição da menoridade penal, a diminuição da menoridade para o ingresso no trabalho, a precarização do trabalho, a terceirização, o armamentismo, a intolerância à livre manifestação de crenças e credos e os diferentes tipos de discriminação.

Estamos diante do ovo da serpente, que nos antecipa, no presente, o que o futuro no reserva. Resta-nos enxergar as saídas que nos distanciem da premonição do que está sendo gestado. Esse o nosso desafio.

Roberto Amaral
No CartaCapital
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Sérgio Moro quer encarcerar o desenvolvimento do país, diz Urariano Mota

Temos que desmascarar urgente mente a falsidade desse instrumento
de atraso, mais conhecido pela expressão "juiz Sérgio Moro”,
 afirmou o colunista da Rádio Vermelho
Ilustração: Andocides Bezerra
As notícias da mais recente quinta-feira anunciaram que Lula havia pedido à justiça um habeas corpus preventivo para não ser preso na Operação Lava Jato, se o juiz federal Sergio Moro decidisse prendê-lo. Depois, corrigiram, porque não havia sido Lula, mas um esperto da reação que desejou ganhar um minuto de fama. Conseguiu.

Observem que o espertinho atuou no reino das possibilidades, cada vez mais próximas de uma concretização, porque os atos do juiz Moro se dirigem para a prisão da maior liderança popular do Brasil. Existe um ambiente, criado na mídia e na direita, para que se consiga a desmoralização do homem que levou nossa pátria ao respeito do mundo, e fez do governo brasileiro um companheiro ativo dos presidentes à esquerda na América Latina.

Mas o fato é que precisamos mesmo de um habeas corpus, urgente, para o Brasil. Precisamos de uma ação contra os desmandos do juiz Sérgio Moro, que têm levado empresas brasileiras à quebradeira, com demissões em massa de trabalhadores. Esse boneco de ventríloquo dos interesses contra a pátria tem implantado um terror macartista contra o papel da Petrobras. É um indivíduo enfim, numa palavra, que tem mergulhado nas trevas os projetos mais generosos de educação com os recursos do pré-sal.

Em um dia não muito distante, ainda vamos conhecer a verdadeira história desse que chamam de juiz Sérgio Moro, que usa de métodos à margem da constituição federal, além de expedientes que fedem a fascismo. Enquanto esse dia não vem, podemos juntar 2 ou 3 coisas sobre o juiz preferido pela extrema-direita do Brasil.

No seu perfil na Wikipédia, entre outras coisas podemos ler:

“Sérgio Moro foi alvo de procedimentos administrativos no CNJ por conta de sua conduta, considerada parcial e até incompatível com o Código de Ética da Magistratura. ... Entre as reclamações, há o caso em que ele mandou a Polícia Federal oficiar a todas as companhias aéreas para saber os voos em que os advogados de um investigado estavam. ... No STF, o ministro Celso de Mello em seu voto referiu-se a ‘fatos extremamente preocupantes’, como ‘o monitoramento de advogados’ e o ‘retardamento do cumprimento de uma ordem emanada do TRF-4’. Celso de Mello em seu voto fez críticas diretas à atuação do magistrado: ‘O interesse pessoal que o magistrado revela em determinado procedimento persecutório, adotando medidas que fogem à ortodoxia dos meios que o ordenamento positivo coloca à disposição do poder público, transformando-se a atividade do magistrado numa atividade de verdadeira investigação penal. É o magistrado investigador.’

Em outro caso, determinou a gravação de vídeos de conversas de presos com advogados e até familiares por causa da presença de traficantes no presídio federal de Catanduvas (PR)....Para a OAB, as gravações eram feitas sem base em qualquer indício de crime, ou sequer investigação em curso. Durante a investigação do Caso Banestado, na execução da operação Big Brother, o juiz autorizou a interceptação de telefone de um réu renovada por 15 vezes em 2005, embora a Lei das Interceptações Telefônicas só autorize grampos de 15 dias de duração, renováveis uma vez”.

Recupero de pesquisa: o procedimento que ele adota, e que lhe serve de prova definitiva, chamado de “delação premiada”, já foi denunciado como uma delação à la carte pelo criminalista Elias Mattar, de Curitiba. Ou seja, oferta-se ao acusado uma lista de pessoas a serem denunciadas em troca de redução de pena. E afirmou o criminalista:

“Um meu cliente, ora inocentado e reconduzido ao cargo que tinha na Receita Federal, era acusado de um caso que envolvia exportação fraudulenta. Na Polícia Federal do Paraná, na cela, ele era procurado, sobretudo por agentes e delegados, que o pressionavam psicologicamente, perguntando ‘Diga quem está por trás de tudo, diga!!!!!’ Ele não tinha a quem delatar, mas o pressionaram tanto que escrevi ao ministro da Justiça. Até que um dia meu cliente me disse na cela ‘Diga para eles pararem de me pressionar porque não tenho a quem delatar, mas se eles continuarem, podem trazer uma lista de nomes que assino embaixo, porque não aguento mais essa tortura na cela da PF”.

Além disso, advogados acusam Sérgio Moro de criar obstáculos para a defesa, de forma mesquinha, ao atrasar o conhecimento, pelos advogados de defesa dos réus, das palavras incriminadoras dos delatores. Como podem ter tempo para a defesa dos seus representados? Esse é um ardil que contraria todas as constituições brasileiras até hoje. Segundo os defensores, as audiências com advogados de defesa dos réus têm um caráter meramente simbólico. Nos processos de que temos notícia, a culpa vem antes da investigação. Prende-se antes, investiga-se com o réu preso. Com os amigos, o juiz se refere ao ex-presidente Lula como “Nine”, nove, em inglês, para fazer gozação com os nove dedos das mãos da maior liderança do povo brasileiro.

Mas o que está ruim sempre pode ficar pior. Com esses antecedentes, para infelicidade geral da nação existe mais. Na Operação Lava Jato se pediu ajuda aos Estados Unidos para investigar as duas das maiores empresas do Brasil – Odebrecht e Andrade Gutierrez. O que é isso? É a entrega da soberania à polícia do mundo, mais conhecida como a paz norte-americana, queremos dizer, os interesses dos Estados Unidos, cuja águia de símbolo é também a expressão de animal de rapina.

Temos que desmascarar urgente a falsidade desse instrumento de atraso, mais conhecido pela expressão “juiz Sérgio Moro”. Ele, associado às piores forças, quer encarcerar o desenvolvimento do país. Urgente. Precisamos de um habeas corpus em favor do Brasil.

Ouça reflexão na Rádio Vermelho....

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Morreu Michel Teló?


Em um acidente grave às 3h da madrugada o carro do cantor capotou e, ao que tudo indica, ele morreu ao lado da sua namorada, uma famosa atriz.

Esta notícia contém meias verdades. Michel Teló e sua namorada não morreram. Mas a imprensa trata a morte de Cristiano Araújo como se o artista fosse muito maior e mais representativo para sua geração do que de fato ele era. Parece até que quem morreu foi Teló.

É verdade, Cristiano Araújo era rico e famoso, e sua carreira estava em ascensão. Tinha alguns sucessos instantâneos. O que levou a um fato curioso na repercussão da morte. Muitos dos que torcem o nariz para o sertanejo universitário se espantaram com o tamanho da comoção em torno da morte de Cristiano. Em parte isso se deve a um desconhecimento em relação ao “Brasil profundo”, país muito evidente, mas que raramente consegue ser corretamente avaliado pelo Brasil das elites culturais. Muitos se deram conta que já tinham ouvido a voz do cantor somente quando as TVs insistentemente mostraram flashes de cenas dos DVDs do cantor. Outros nem isso. Este texto não compactua com essa ignorância. Mas quer dimensionar corretamente a importância do sertanejo universitário.

Cristiano merece toda nossa piedade diante de um acidente terrível que deixa a família desamparada e os amigos sem rumo. Mas é verdade também que a dimensão  dada a sua carreira e a cobertura das redes de televisão, e entre elas especialmente a Globo, foi desproporcional.


A notícia da morte ganhou todas as mídias por volta das 8h da manhã da quarta-feira. A partir daí veio a enxurrada de homenagens, flashes ao vivo, reportagens cobrindo a saída do corpo do Instituto Médico Legal etc. Ao longo da tarde repórteres mostraram onde seria o velório do cantor em Goiânia, o Centro Cultural Oscar Niemeyer. Cobriram a transferência dos corpos e a tristeza dos fãs.

maxresdefault-1Esse tipo de cobertura era esperada de Record, Band, Rede TV e do SBT. Os programas da tarde dessas emissoras sempre estão em busca de assunto para encher linguiça. Em vez de fofoca, um assunto capaz de sensibilizar as multidões é sempre bem-vindo. O que espanta é que a Globo também tenha entrado na mesma lógica. Depois de incessantes flashes em sua programação, com direito a uma tristonha Fátima Bernardes falando “ao vivo pelo tablet” com vários sertanejos (e até Rogério Flausino, do Jota Quest), os noticiários globais continuaram abordando a morte trágica de Cristiano e conjecturando histórias de amor eterno com sua jovem namorada e o carinho do pai com seus dois filhos. Na parte da tarde o Video Show foi alongado até as 16h30, transformando a programação da Globo num especial em homenagem ao sertanejo.

b128849c1b8fc26b9c5f10485265f3d6264Por que tamanha ênfase da emissora? Alguns amigos supõem que deve-se ao fato de que Cristiano Araújo era um artista da Som Livre, a gravadora da Globo. Pode ser. Outros dizem que a decadente audiência da Globo não poderia ignorar a vontade das multidões digitais. Por volta das 13h o cantor estava no primeiro lugar dos trending topics do Twitter brasileiro e em terceiro no trending topics mundial. Parece algo consistente. Mas, seja como for, a cobertura da Globo não tem precedentes recentes.

Neste ano morreram duas figuras históricas da música rural brasileira: Inezita Barroso e José Rico, da dupla Milionário & José Rico. A primeira ganhou menções honrosas e foi citada em todos os telejornais de forma breve, mas respeitosa. Com José Rico aconteceu o mesmo. Nada além disso. Inezita foi homenageada na emissora em que trabalhava, a TV Cultura. José Rico ganhou homenagens em programas de tarde e também no Programa do Ratinho, no SBT. Nada de novo. Estava tudo no script. O SBT honrava a ligação histórica que tinha com o gênero desde os especiais de Chitãozinho & Xororó em 1986 e programas como o Musicamp, antecessores do famoso Sabadão Sertanejo, criado em 1991 por Gugu Liberato.

Mas a cobertura da morte de Michel Teló, ops, Cristiano Araújo fugiu a todos os padrões. Em parte porque a morte de um James Dean sertanejo (Cristiano tinha apenas 29 anos) tem especial apelo midiático. Mas, se a morte de Inezita não surpreendeu ninguém, a de José Rico pegou muita gente desprevenida.


O goiano Cristiano teve curta carreira. Assim como Michel Teló e Paula Fernandes, fez parte de uma segunda geração de sertanejos universitários que surgiu para o grande público depois de 2010. Cantou sobretudo músicas dançantes e flertou bastante com o arrocha, gênero baiano que vem comendo a música sertaneja por dentro. Um de seus maiores sucessos, “Bara Bara” (2013), incluído na trilha da novela global Salve Jorge, ia exatamente nesta pegada.

Mas, diferentemente de Teló e Paula, Araújo não alcançou a dimensão destes artistas. O jornalista André Piunti, importante blogueiro dos universitários, disse em sua conta do Facebook que Araújo chegou ao auge com menos de 30 anos. É verdade. Não há quem no meio sertanejo não conheça Cristiano Araújo. Mas desde a década de 1990 o sertanejo extrapolou todos os limites da música nacional, tornando-se a mais disseminada música de fato popular brasileira. Estar no auge dentro da música sertaneja não o faz necessariamente conhecido em todos os cantos, embora garanta um “pé de meia” para toda uma vida. Mas para ser conhecido nacionalmente e em todas as classes sociais é preciso mais.

Faça o teste com seus amigos que não gostam de sertanejo. Pergunte a eles se já ouviram falar de Cristiano Araújo. Pergunte a eles sobre Lucas Lucco. Depois pergunte se já ouviram falar de Michel Teló e Paula Fernandes. Os dois primeiros têm sucesso considerável, mas não extravasam suas origens e gênero. Os dois últimos são conhecidos, embora não necessariamente adorados, do Oiapoque ao Chuí.

E aí voltamos à questão da cobertura da mídia. Do jeito que está sendo feita, parece que Cristiano Araújo é Michel Teló. Ou Luan Santana. Não era. Não se dimensiona seu sucesso corretamente. A cobertura que está sendo feita da morte do cantor só encontra paralelo nas transmissão global do câncer de Leandro, da dupla Leandro & Leonardo, lá pelos idos de 1998, quando o velório e o enterro foram cobertos ao vivo pela emissora do Jardim Botânico. Mas Cristiano não era Leandro.

O velório de Cristiano estava lotado. Em parte pela tragédia que a todos comove. Em parte pela bonita história de amor especulada pela imprensa. Em parte pela fama em ascensão do artista. Em parte por que Araújo morreu numa quarta-feira, dia em que muitos amigos sertanejos podem dar o último adeus, já que raramente há shows marcados nesse dia. Mas há um último motivo: com a morte de Cristiano Araújo o sertanejo dá novamente sinais de que esta saindo da universidade e se institucionalizando.

Os novos artistas surgidos a partir de 2005 foram chamados, às vezes contra a própria vontade, de sertanejos universitários. Era a primeira vez na história do Brasil que a universidade brasileira, que já havia abençoado num passado longínquo a MPB e a bossa nova, era usada para salvaguardar o gênero modernizador do interior. Alguns reclamaram, como Zezé di Camargo, que em 2009 chegou a chamar os artistas universitários de “mentira marqueteira”. José Rico, que também rompeu barreiras para ser aceito nos anos 1970, também atacou a nova geração: “Acho que eles têm que se formar primeiro. Agora que eles estão começando na faculdade. Têm muita coisa a aprender”. Pois foi encontrando barreiras assim que artistas como Cristiano Araújo construíram a carreira. Às vezes sendo aceitos e incorporados pelos nomes do passado, às vezes apanhando. Como toda sua geração.

Mas eis que, através de uma morte, o universitário finalmente se gradua. Pela manhã, a TV Record anunciou: “Sertanejo Cristiano Araújo e a namorada dele morrem em acidente”. Às 18h a TV Bandeirantes reprisava cenas de um show em um trio elétrico baiano com os dizeres: “Ídolo da música sertaneja morre aos 29 anos”. Na programação global tampouco houve referências ao fato de Araújo fazer parte da geração chamada universitária. O blogueiro André Piunti chamou-o de “sertanejo da nova geração” em sua coluna no site UOL, mas em nenhum momento citou o sufixo “universitário”. Sula Miranda o chamou de “cantor”. A Folha de São Paulo o chamou simplesmente de “sertanejo”. O site G1 o chamou de “cantor goiano”. Belutti, da dupla com Marcos, o chamou de uma das maiores vozes da música sertaneja. Zezé Di Camargo, Lucas Lucco, Gusttavo Lima, Mariano (da dupla com Munhoz), Leo (da dupla com Victor), João Bosco (da dupla com Vinicius), Bruno Marrone: ninguém usou o sufixo “universitário” para descrever o artista. Araújo tornou-se simplesmente sertanejo. Na quinta-feira, seu Francisco, pai de Zezé & Luciano, disse em reportagem do Jornal Hoje que cobriu o enterro de Cristiano Araújo que sabia o quanto era duro perder um filho. E se emocionou.

O sufixo “universitário” some a olhos vistos. Um ciclo parece se fechar. Aprovados na prova discursiva, os sertanejos criam as categorias de sua própria autenticidade.

Trata-se de um processo comum na música sertaneja. Uma nova geração ascende modernizando o gênero, ultrapassando a geração anterior, que se torna tradição. Faz mais ou menos dez anos que vivemos a onda sertaneja universitária. Já de algum tempo pra cá tem havido uma certa estabilização da carreira de alguns artistas que, aos poucos, vão se tornando referência. Diante da grande quantidade de duplas, o mercado se estrangulou. O inchaço e a construção de uma identidade comum, assim como a longevidade maior de certos artistas, forjou uma identidade geracional e construiu, aos poucos um panteão.

1970 Rock Bravo Chegou para MatarIsso aconteceu com a geração sertaneja inovadora dos anos 1970, como Milionário & José Rico, Leo Canhoto & Robertinho e Trio Parada Dura. Nos anos 1990 eles foram ultrapassados por Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano e Leandro & Leonardo. No boom dos anos 1990 essas duplas modernizadoras não estavam sozinhas. Eles faziam sucesso junto com Gian & Giovani, Alan & Aladim e Cezar & Paulinho, entre dezenas de outras. A clareza de que os “amigos” eram a santíssima trindade da música sertaneja veio com o tempo e com o apelo às raízes.

Chitãozinho & Xororó gravaram em 1996 o disco Grandes Clássicos Sertanejos, no qual cantaram músicas do passado, afastando-se de seu legado modernizante. A morte de Leandro em 1998 serviu bastante a esse propósito e, juntamente como programa global Amigos (1995-1999), serviu para mostrar que os sertanejos eram fiéis às raízes. O filme de Zezé & Luciano, 2 filhos de Francisco (2005), completou o ciclo, remetendo a dupla ao passado rural, longe das guitarras importadas, roupas e cabelos urbanos do início da carreira.

Faz algum tempo os sertanejos universitários vêm demonstrando que acabaram a universidade. O mercado parece ter se estabilizado. Já se pode construir um panteão dos principais nomes. Muitos deles vêm lançando discos nos quais regravam clássicos do passado, buscando o lastro da tradição. E Michel Teló, o nome de maior repercussão (inclusive internacional) de sua geração, vem gestando através do programa Fantástico-global Bem Sertanejo (e do livro homônimo) a ponte entre antigas e novas gerações. Os sertanejos pisam no freio da modernização em busca do lastro da autenticidade, buscando fugir da descartabilidade através da qual muitos deles surgiram.

Não se pode dizer ainda se o nome de Cristiano Araújo será lembrado. Quantos se lembram de Aladim, da dupla com Alan? Que homenagem digna ganhou Barrerito, do Trio Parada Dura? Não sabemos o futuro. Seja como for, a morte de Cristiano já é um marco. O que fica claro com ela é que o sertanejo deixa de ser universitário. O termo perde o sentido.

Em parte isso se deve à cobertura desproporcional da mídia. Surpreendidos com as calças na mão, erraram o tom. E, se se surpreenderam com um artista como Cristiano Araújo, se surpreenderiam ainda mais se um Luan Santana se fosse. A ênfase desproporcional demonstra, novamente, que uma parte das mídias ainda está distante do entendimento deste “Brasil profundo”, “emergente”. E o apagamento do sufixo “universitário” talvez demonstre que essas mídias ainda não suportem a ideia de que um gênero popular-massivo interiorano possa ser associado à universidade.

É por isso que se pode dizer que quem morreu foi Michel Teló. Por isso Araújo foi “telocizado”. Morreu o que o sertanejo universitário, cujo auge foi o sucesso mundial de “Ai se Eu Te Pego” (2011), representou. A morte, para aqueles que creem em vidas futuras, pode ser o renascimento. Na vida cultural não há dúvidas: a morte sempre abre caminhos para novas construções, novas identidades, novas possibilidades. Boa passagem a Cristiano Araújo. Boas novas aos graduados.

Gustavo Alonso, é historiador e autor do livro Cowboys do Asfalto – Música Sertaneja e Modernização Brasileira, que será lançado em 22 de julho de 2015 pela editora Civilização Brasileira e já se encontra em pré-venda em sites de livrarias online. Também é autor de Simonal – Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga, 2011, editora Record.
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MPF condena governo do PT a pagar pelos desvios de tucanos em verbas do SUS. Aécio diz que é bobagem


Pouca gente se atentou para um detalhe que faz pelo menos parte do Poder Judiciário o paraíso dos tucanos.

Uma ação civil até constrange por um dia no noticiário Aécio Neves (PSDB-MG) e Antônio Anastasia (PSDB-MG), mas os dois saem ilesos e impunes, e quem é condenado na prática é o governador Fernando Pimentel (PT-MG), que não teve nada a ver com o assunto.

O MPF moveu uma ação civil reconhecendo que os governos de Aécio Neves (PSDB) e Antônio Anastasia (PSDB) em Minas Gerais desviaram R$ 14 bilhões de verbas do SUS para outras áreas entre 2003 e 2012. Ótimo e muito justo reconhecer isto, ainda que tardiamente.

Só que a ação, quanto aos dois tucanos, se limita a narrar os malfeitos e fazer críticas, incluindo engavetamentos anteriores do Ministério Público Estadual. Mas nem Aécio, nem Anastasia serão réus para responderem pelo que fizeram.

O réu será o Estado de Minas Gerais. Ou seja, a própria vítima dos tucanos vira réu.

A ação propõe condenar o Estado de Minas a repor, só a partir de agora, o dinheiro para o SUS depois de uma década de desvios.

Ação só proposta depois do governo tucano perder as eleições e um governador petista assumir o governo de Minas.

Em tempo: Não estou criticando os Procuradores que propuseram esta Ação agora, e que podem ter agido com total espírito público e a melhor das intenções, mas a crítica vale para os membros do Ministério Público que não agiram antes e aos que agiram para engavetar estas denúncias que são antigas.

Vamos desenhar: o atual governador, Fernando Pimentel (PT), que assumiu o cargo há seis meses, além de cumprir a lei que seus antecessores tucanos não cumpriram, aplicando as verbas da saúde corretamente, sem desvios, somado ao dever que já tem com a população de fazer o possível e o impossível para melhorar o atendimento no SUS, ainda teria de ter dinheiro a mais no orçamento para cobrir o rombo bilionário na saúde produzido por seus dois antecessores por uma década.

Sobra para Pimentel uma dívida equivalente a 3 anos e 4 meses de verbas para a saúde que os tucanos desviaram do SUS. Para quitar em seu mandato, Pimentel teria que praticamente dobrar o orçamento obrigatório da saúde, de 12% da receita de Minas para 24%, todos os meses, desde agora até o fim de seu mandato. Coisa impossível.

A ação civil do MPF pede para transformar os desvios da era tucana em dívida para ser paga no governo Pimentel em diante, pedindo retenção de verbas federais, para ficarem sob intervenção do Poder Judiciário.

Ora, se o MPF está convertendo em dívida o que não foi contabilizado desta forma pelos governos tucanos, configura grave fraude nas contas públicas praticada nos governos tucanos, a princípio tão grave como o escândalo da emissão fraudulenta de precatórios na década de 1990. Como pode, então, não haver fraudadores como réus?

E as outras consequências como a violação da Lei de Responsabilidade Fiscal e dos limites de endividamento do estado estourado ao reconhecer que houveram estas dívidas? Aécio e Anastasia vão continuar inimputáveis?

Se os dois ex-governadores tivessem desviado o dinheiro do SUS para algum fundo ou conta do Estado de Minas, com saldo disponível hoje, Pimentel (ou qualquer outro governador) teria o maior prazer em investir R$ 14 bilhões a mais na saúde, se consagrando popularmente com as realizações.

Mas Aécio e Anastásia não deixaram fundo nenhum disponível, pelo contrário deixaram uma situação calamitosa nas finanças públicas. Já deram sumiço no dinheiro que deveria ter ido para o SUS há muito tempo, torrado em outras áreas. Torraram dinheiro com propaganda, inclusive nas rádios da família de Aécio, com os aeroportos nas cidades de Cláudio e Montezuma, com um Centro Administrativo faraônico que não era prioridade, com festas para a CBF em jogos amistosos no Mineirão, com helicópteros, e tantas outras coisas menos prioritárias.

Na prática, esta ação do MPF oficializa uma "pedalada" bilionária de Aécio e Anastasia para além de seus governos. Os tucanos produziram o rombo por mais de uma década, e quem é condenado a cobrir é o sucessor, com um dinheiro que não existe mais.

Pimentel paga o pato, e os dois tucanos escapam de fininho, impunes, podendo continuar sorrindo à vontade da nossa cara.

A íntegra da Ação do MPF está aqui.



Aécio afirma que é bobagem MPF cobrar R$ 14 bi desviado do SUS por ele e Anastasia

 
O senador Aécio Neves (PSDB) chamou nesta sexta-feira, 26, de "bobagem" a ação movida pelo Ministério Público Federal para investigar a falta de repasse, o desvio de R$ 14 bilhões para a área de saúde, entre 2003 e 2012, nas gestões dele e do também senador tucano Antonio Anastasia no governo de Minas Gerais.


"Isto é uma bobagem. Isto já foi arquivado lá atrás. Isto é coisa requentada. Esta é uma discussão que o Tribunal de Contas (do Estado) considerou que estávamos com a razão e nossas contas foram aprovadas", disse o senador, durante evento em Manaus.

E se fosse com o PT, Aécio classificaria a pedalada como bobagem?

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública contra o Estado de Minas Gerais por descumprimento da Emenda Constitucional 29/2000, que fixou a obrigatoriedade de os estados aplicarem o percentual mínimo de 12% do orçamento na saúde pública. Segundo o MPF, entre 2003 e 2012, durante as gestões dos governadores Aécio Neves (PSDB) e Antonio Anastasia (PSDB), R$ 9,5 bilhões deixaram de ser aplicados no Sistema Único de Saúde (SUS) por Minas Gerais, quantia que, em valores atualizados, chega a R$ 14,2 bilhões. O MPF pede na ação que o estado crie uma conta-corrente específica para receber os recursos destinados à saúde e estudos técnicos para investir nos próximos anos o que não foi aplicado no setor.

Ou seja, Aécio desvia o dinheiro e quem tem que pagar a conta é o governador Petista

De acordo com o MPF, o governo estadual do PSDB fez manobras contábeis — mais conhecida como pedaladas — para aparentar o cumprimento da EC 29. O resultado, prossegue a ação, “revela-se com as filas extenuantes, a falta de leitos nos hospitais, a demora que chega a semanas e até meses para que o cidadão se entreviste com um médico, a demora na marcação e na realização de exames clínico-laboratoriais, as mortes nas filas”. O MPF aponta que as administrações tucanas entre 2003 e 3012 incluíram nos gastos da saúde “até despesas com animais e vegetais”, já que verbas direcionadas ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e à Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) foram computadas como gastos com saúde.

Faltando mais de 3 anos para a eleição presidencial, Aécio já esta em campanha eleitoral

Aécio Neves batizou de Caravana da Gratidão a série de viagens que ele vai fazer por Manaus e Parintins. Hoje o tucano visitará obras com o prefeito da capital amazonense e depois irá ao festival dos grupos de boi-bumbá na cidade ribeirinha. Vai fazer discurso, dar tapinhas nas costas e amassar barro

Na agenda de campanha de Aécio, repassada para a colunista Monica Bergamo, consta que, em julho o ex-presidenciável tucano derrotado por Dilma, deve visitar o Sul e, em agosto, o Nordeste.

No Amigos do Presidente Lula
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Site evangélico é hackeado e pedem coerência ao som de YMCA


Ao som de YMCA, o site Verdade Gospel foi hackeado hoje. O texto exorta a separação de religião e política e o fim da exploração da fé e da boa fé. O original pode ser visto clicando aqui. A reprodução segue abaixo.



"O ser humano em primeiro lugar". Esse é o slogan da campanha de alguns líderes fundamentalistas. Porém, curiosamente, essas lindas palavras não se refletem no rastro de intolerância contra aqueles outros seres humanos, que não são contemplados por suas bençãos. Que ser humano? Naturalmente, o ser humano branco, homem, heterossexual e cristão. De preferência com dinheiro. 

Religião e política não devem se misturar. Como parte da bandeira da Liberdade de Expressão, nós Anonymous defendemos a liberdade religiosa. Mas defendemos a liberdade de TODAS as religiões, que só é possível num estado laico. Alguns políticos da bancada evangélica vem desrespeitando a laicidade do estado, atacando minorias em função de suas identidades e orientações sexuais, movendo ações contra religiões de matriz africana e, claro, tentando colocar a mulher "no seu devido lugar" de submissa.

O pensamento proibicionista sustenta o mesmo critério que as igrejas tinham na idade média, o do castigo para aquele que transgride a moral religiosa. Não basta que cada um pratique sua religião e seja feliz na diversidade, é preciso massificar a cultura e o pensamento, deixar todos iguais, de joelhos, e pagando devidamente seus dízimos.

A todos estes pastores que vêm se aproveitando da religiosidade de pessoas humildes para manipular suas posturas políticas, usaremos lições do próprio cristianismo. Que fique evidente o que diz a bíblia, nas palavras do próprio Jesus, sobre o trabalho de vocês:

Mateus 6 (1-2; 5-6; 24):

"Tenham o cuidado de não praticar suas ‘obras de justiça’ diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial. Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa. (...)

E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará. (...)

"Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro".

Mateus 19 (21-24):

"Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me.

E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades. Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus. E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus."

Comecem a praticar aquilo que pregam, senhores. A hipocrisia de vocês já nos bastou.

Nós somos Anonymous

Nós não perdoamos

Nós não esquecemos

Esperem por nós

!! HACKED !!

No GGN
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Marin ameaça revelar podres do futebol


O jornalista esportivo Ricardo Perrone informa neste sábado (27), em seu blog hospedado na Folha, que o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, está decidido a abrir o bico sobre as falcatruas que enlameiam o futebol. Preso na Suíça, o cartola se sentiu traído por seus comparsas e resolveu atender ao desejo da sua família. Além dos mafiosos dos gramados, Marin foi renegado pela TV Globo — que sempre o bajulou nas negociatas dos bilionários contratados de transmissão dos jogos — e até por seus antigos aliados da política. Nas eleições do ano passado, o cartola apoiou o cambaleante tucano Aécio Neves, que agora finge não conhecê-lo. Vale conferir o relato do Blog do Perrone:

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O que era desejo da família de Marin virou promessa: vai contar o que sabe

Há um mês, José Maria Marin se preparava para deixar seu quarto num nababesco hotel na Suíça quando recebeu de policiais suíços e agentes do FBI voz de prisão. As cenas seguintes foram tragicômicas. O ex-presidente da CBF, sem falar inglês, queria levar para a cadeia a mala grande que trouxera do Brasil, enquanto os tiras exigiam que carregasse apenas uma maleta. No desespero, o cartola pediu pra Neusa, sua mulher, chamar Marco Polo Del Nero, que não chegou até que o amigo fosse levado para o cárcere.

Neusa, então, ficou sozinha. Precisou da ajuda da Conmebol para voltar para casa. Del Nero retornou antes. Nos dias que se seguiram, o sentimento de abandono da família do ex-presidente da Confederação Brasileira cresceu. A CBF não disponibilizou advogado para o cartola, retirou Marin da vice-presidência e sumiu com o nome dele da fachada da sede da entidade.

Nesse cenário, familiares de Marin deixaram transparecer mágoa com Del Nero. Contaram a amigos que confiavam na inocência do ex-presidente da CBF, mas que desejavam que ele contasse tudo que soubesse, mesmo que isso pudesse prejudicar outros dirigentes brasileiros.

O tempo passou. Neusa, ainda sem ver o marido desde a detenção, voltou para a Suíça, com uma advogada, cerca de aproximadamente 15 dias após a detenção. A sensação de que a cúpula do futebol virou as costas para Marin aumentou. O nome dele não aparece também na composição da diretoria da CBF no guia do Campeonato Brasileiro entregue para clubes e federações.

Então, o que era um desejo da família passou a ser uma promessa feita a amigos. “Marin vai falar o que sabe aos policiais”, dizem parentes do cartola, mantendo o raciocínio de confiar na inocência dele e sem explicar se essa sabedoria pode incriminar alguém.

As palavras dos familiares, com peso de ameaça, aumentam a ansiedade de presidentes de federações, que curiosamente se queixam do fato de a imprensa não trazer novidades sobre as investigações. Principalmente, a respeito de quem são os outros dois dirigentes brasileiros suspeitos de receber propina na venda de direitos de transmissão de campeonatos.

Enquanto o mistério não for desvendado, eles seguirão mergulhados na incerteza que domina a cartolagem nacional desde que Marin foi preso. Ou na certeza de que muita coisa pode mudar, se o ex-presidente tiver algo relevante para contar e cumprir a promessa feita por seus parentes.
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Aos poucos, as sujeiras do aecista José Maria Marin estão vindo à tona. Além de chefão da máfia do futebol, agora se sabe que o cartola também estava metido em negócios obscuros no rentável negócio da mídia. Durante o período em que foi presidente da CBF, de 2012 a 2015, o capital da sua empresa, a Rede Associada de Difusão, quase triplicou, passando de R$ 352 mil para R$ 1 milhão. "O salto no valor da empresa ocorreu no dia 16 de abril de 2014, coincidentemente mesma data em que Marco Polo Del Nero foi eleito para suceder Marin na presidência da CBF", descreve matéria do Estadão
"Além de Marin, o outro dono da empresa é seu filho, Marcus Vinícius, ex-diretor do Departamento de Futebol Amador da Federação Paulista durante o período em que Del Nero foi presidente da entidade estadual... De acordo com ficha cadastral na Junta Comercial de São Paulo obtida pelo Estado, a Rede Associada de Difusão tem por objetivo o comércio varejista de produtos não especificados, atividades de rádio e televisão e prestação de serviços. A empresa ganhou a concessão de uma rádio em Santa Isabel, município a 60 quilômetros de São Paulo".
As máfias do futebol e da mídia têm sólidas relações!

Altamiro Borges
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O tempo político de Dilma está prestes a esgotar


O cenário político que se tem atualmente é o seguinte:
  1. Estrangulamento gradativo de todas as ações de governo, ainda que à custa do comprometimento da economia. MPF (Ministério Público Federal) e Lava Jato se empenham em desmontar a cadeia produtiva de petróleo e gás. O TCU (Tribunal de Contas da União) mira suas armas nas hidrelétricas da Amazônia. O Congresso fuzila o ajuste fiscal. O torniquete continuará apertando enquanto o governo não recuperar legitimidade.

  2. Polícia Federal e MPF impondo um cerco severo a todas as atividades do PT e de seus candidatos e o TCU ameaçando rejeitar as contas de Dilma. Esse cerco continuará aumentando.

  3. Ampliação da recessão e do desemprego, agravados pela política monetária do Banco Central. Não há sinais de arrefecimento no horizonte. Vai piorar muito, antes de melhorar.

  4. Incapacidade da presidente de articular um conjunto mínimo de propostas que se assemelhe a um programa de governo, de recriar algum sonho na opinião pública.

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No momento, o quadro é de dispersão ampla do conjunto de forças que, de alguma maneira, apoiaria Dilma.

Em entrevista ao Washington Post, Dilma endossou as ações da PF. Na planície, Lula começa a preparar estratégias de imagem que o descolem do governo Dilma e do PT. E o PT trata de reforçar seus princípios, distanciando-se do governo Dilma.

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Paradoxalmente, há um amplo espectro de forças disponível na sociedade, à procura de uma alternativa contra a frente heterogênea, confluência de ódio, preconceito e uma gana tão ampla de destruir empresas que alguém, no meu Blog, taxou a esse movimento de ofensiva do país improdutivo contra o país que produz.

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Em que pese a crise e a desesperança, há uma enorme energia pronta para vir à tona, quando se resolver o nó político. O país acumulou um enorme acervo de conceitos, organizações, empresas, estruturas.

Hoje em dia, há grupos organizados e conceitos claros sobre políticas industrial, de inovação, há uma experiência acumulada no mercado de capitais, nas parcerias público-privadas, nos programas de gestão, na organização de modelos de atendimentos às pequenas e micro empresas. As políticas sociais estão no estado da arte, tanto no setor público quanto nas organizações privadas, e a nova economia e nova sociedade estão formando uma nova geração de empreendedores e militantes digitais com um perfil totalmente distinto da geração de seus pais.

Nas universidades, acumula-se um conhecimento amplo sobre uma extensa variedade de temas de desenvolvimento, da geografia das médias cidades ao modelo urbano das metrópoles.

Tudo isso confere à crise atual sua verdadeira dimensão: é uma crise política.

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No Planalto se alimenta a esperança de que, passado o ajuste fiscal, possa avançar a agenda positiva, provavelmente sob a batuta do Ministro do Planejamento Nelson Barbosa.

Mas há um problema de “timing”.

Se a presidente não antecipar ações concretas de aproximação com os diversos segmentos sociais, econômicos, acadêmicos para começar a desenhar um plano de governo minimamente factível, não vai chegar até lá.

Seu tempo político encurtou drasticamente. Ou mostra agora alguma capacidade de iniciativa e começa a desenhar a fundo seu segundo governo agora, ou não chegará ao final do ano.

Luís Nassif
No GGN
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E-mail enviado para Aécio Neves. Será que ele vai responder?

http://ppavesi.blogspot.com.br/2015/06/e-mail-enviado-para-aecio-neves-sera.html
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Bom dia caro Senador Aécio Neves,

Meu nome é Paulo Pavesi, e tenho certeza que já deve ter ouvido falar. Temos um amigo em comum, Carlos Mosconi.

Atualmente eu estou asilado na Europa, após sofrer diversas ameaças por parte do poder político de Minas Gerais. A Itália me concedeu asilo por unanimidade após analisar a documentação que apresentei.

O crime que eu cometi? Denunciei um grupo de traficantes de órgãos, da qual meu filho com apenas 10 anos de idade foi vítima.

Não se preocupe em saber detalhes desta história agora, pois a noite publicarei um vídeo explicando.

Fiquei emocionado ao ver a sua preocupação com os presos políticos na Venezuela, que hoje vive um momento de ditadura. (sic)

Por isto estou escrevendo este e-mail. Gostaria de convidá-lo para me visitar aqui em Londres, onde moro atualmente, e saber um pouco da minha história. Afinal, em pleno século 21, mais especificamente em 2008, eu precisei deixar o país — BRASIL — por denunciar um grupo de bandidos marginais assassinos, comandados por Carlos Mosconi, seu ex-assessor especial no governo de Minas Gerais. Na época foi instalada uma CPI e Mosconi não permitiu ser ouvido. O senhor o nomeou superintendente da FHEMIG e a primeira medida foi abraçar toda a rede de transplantes de Minas Gerais (com a sua ajuda é claro) e logo em seguida um escândalo estourou por causa de fraudes na fila de espera (que também não deu em nada). 

Enfim, caro Senador que aprecio tanto, estou publicando este vídeo para convidá-lo a vir me visitar. Tenho vários fatos para narrar sobre a pressão que fizeram contra mim e contra a minha família, e ainda hoje fazem. Ahhh... O processo do meu filho já dura 15 anos, e com frequência o julgamento é adiado a pedido de Mosconi. Mas como disse, não se preocupe em saber os detalhes agora. Mais tarde, o vídeo mostrará tudo, como deve ser mostrado.

Tenho certeza que o sr. como defensor dos direitos humanos vai criar uma comitiva para me visitar não é mesmo?

Nós temos pão de queijo aqui esperando por vocês.

Ah... não poderia esquecer de lhe fazer uma pergunta. Eu estou sendo processado por um desembargador (amigo seu e de Mosconi), só porque ele está tentando afastar o juiz que condenou os sócios de Mosconi à prisão. Como eu tenho visto que o sr. e Mosconi parecem ser blindados, gostaria de saber qual o advogado que vocês contratam. Estou precisando de um. Sabe como é né? Se não for muito caro, quem sabe? A esperança é a última que morre.

Paulo Pavesi



Este vídeo é a continuação de uma guerra. Um desembargador e o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, estão protegendo os assassinos do meu filho, garantindo a impunidade graças à propinas e acordos políticos. E agora estão ameaçando calar o meu blog. Vamos em frente! Estou pronto.



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Planilha de Pessoa é mais um factoide midiático

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Bem, foi mais um factoide da mídia golpista.

Um factoide produzido com ajuda da “Republica do Paraná”, núcleo da conspiração midiático-judicial que visa derrubar o governo Dilma.

Os alardeados R$ 7,5 milhões que Ricardo Pessoa teria dado à campanha de Dilma Rousseff foram devidamente registrados no TSE.

Isso já tinha sido noticiado meses atrás, em maio deste ano. Aliás, naquela ocasião, já se tentava torcer a realidade e transformar doações oficiais em ato criminoso.

A tentativa de “requentar” a notícia, dando-lhe ares de “bala de prata” final contra o governo é apenas jogo sujo.

A hipocrisia, contudo, não termina aí. Nunca termina. A hipocrisia da mídia brasileira sempre nos surpreende.

Faz-se uma tremenda celeuma sobre os R$ 7 milhões da UTC para a campanha de Dilma, e se esconde que a UTC, do mesmo Ricardo Pessoa, fez doações totais de R$ 44 milhões em 2014! Somente o PSDB, recebeu quase R$ 9 milhões!

Está tudo registrado no site Às Claras.

Tenham santa paciência!

Miguel do Rosário
No Cafezinho
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A direita unida...

O bordão mais conhecido da esquerda pode ser ajustado à reação conservadora que, graças ao bombardeio midiático, conquista boa parte da maioria desavisada

A direita brasileira uniu-se e com o objetivo
de derrubar Dilma e desmoralizar Lula
O momento é adverso para a esquerda. A direita brasileira uniu-se e com o objetivo de derrubar Dilma, desmoralizar Lula e, se possível, levá-lo à prisão. Por último, mas não menos importante, exterminar o PT. Coesão como esta ocorreu em 1964. Jango foi derrubado, manu militari, com sinal verde dos Estados Unidos.

Desta vez, as Forças Armadas estão fora da manipulação política e as vivandeiras não rondam os quartéis. Um contingente da classe média já saiu às ruas pedindo o retorno da ditadura. O modelo de antanho parece superado. Permanece ainda um gosto rançoso de 1964 orientando os propósitos sinistros de barões da mídia.

Há tentativas de golpe branco, com certas manifestações emergidas nos últimos meses e é, no momento, repetido com o método de sufocação parecido ao ataque de uma sucuri. O réptil corta a transmissão do ar para o pulmão da vítima.

Talvez se possa moldar um slogan para os direitistas. Eis aqui uma sugestão simples, solidamente sustentada pelos fatos: “A direita unida jamais será vencida”.

Bem, nem sempre. Trata-se de ironia em contraponto à palavra de ordem, simples e forte, criada pelas manifestações da esquerda: “O povo unido jamais será vencido”. Anima. Mas não tem sido assim.

Evidentemente, a história não é explicável pelos bordões. Mas eles absorvem e refletem alguma coisa da realidade. A direita, conforme-se com isso a esquerda, também tem uma parte do povo ao lado dela. Às vezes menos, às vezes mais.

Para ganhar quatro eleições seguidas o PT fez alianças com o centro e a centro-direita. Uma tentativa de unir partidos de campo político diferente encarregados de formar a base governista no Congresso.

Houve, nos últimos tempos, uma radical migração de eleitores para a direita, como aponta o resultado de pesquisa do Datafolha, sobre a tendência ideológica do eleitor (tabela).

De cada 100 brasileiros, 35 se dizem de esquerda e centro-esquerda, e 45 se identificam com a centro-direita ou com a direita simplesmente. O centro absorve 20 brasileiros. Até então, esse agrupamento estava disperso entre um lado e o outro. Produzia uma frágil estabilidade, favorecendo os governos petistas. Ela, no entanto, com as crises econômica e política, pendeu para a direita, compondo uma maioria expressiva: 65 entre 100 formam esse bloco.

Aí a base descontrolou-se de vez. Uma coisa é uma coligação, a outra um ajuntamento de siglas.

A força da direita, além de poderosas relações institucionais, conta com o apoio maciço da mídia, que, na oposição ao governo, cruza a ponte democrática e os limites profissionais para desembocar no jornalismo marrom, a se valer da ignorância e da ingenuidade política da maioria.

Cresceu a repulsa aos petistas. Bresser-Pereira, ex-ministro dos presidentes Sarney e FHC, identifica isso como “ódio de classe”, emergido a partir dos amplos programas sociais e consolidado após a derrota sofrida por Aécio Neves na eleição presidencial.

Não há surpresa nessa história. A questão social é uma intrusa na pauta da direita, que nunca deu prioridade aos pobres. O Programa Bolsa Família e a inclusão econômica são alvo desse repúdio de classe. Manifesta-se aqui e ali. A reação mais conhecida ocorre nos aeroportos do País. Pergunta o usuário burguesote das linhas aéreas: onde já se viu pobre usar avião como meio de transporte?

Desagradável. A culpa é do Lula.

Maurício Dias
No CartaCapital
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Ecce Homo

http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=119

Poucos personagens públicos do Brasil contemporâneo serão homenageados com lápides congratulatórias. Em sua maioria nada têm de si senão a obsessão de sobrepujar o próximo. Aí confraternizam acadêmicos, artistas, esportistas, jornalistas e, claro, políticos, salvo Lula. Atávica inclinação vampiresca, o canibalismo de caráter não é produto exclusivamente nacional, está globalizado, mas temos produzido inspirados episódios de canalhice. Não lhes faltam aplausos externos. Se o vampirismo é inevitável, o afã construtivo é matéria de escolha e competência — aqui a excepcionalidade de Lula. Ninguém dele dirá que tenha sido angelical. Nem isento de graves pecados. Provavelmente só o próprio conhecerá a extensão de sua vilania. Assim como seus adversários saberão das suas. Mas o que é público e notório está à disposição de todos, não obstante o verbo ressentido das denúncias.

Na lápide de Lula hão de constar a incorporação dos miseráveis à agenda governamental, o desmascaramento da ideologia da sociedade sem classes e sem raças, o desafio ao complexo de subalternidade das elites tradicionais. Audácia imperdoável. Há de constar que, ferido o indivíduo, empunharam armas os sombrios heróis dos assassinatos sem risco, das infâmias subsidiadas, da valentia do monólogo. Através do indivíduo miram os descalços e esfarrapados, como se o desejado féretro de um abolisse a existência dos outros. Em vão. Nem sucumbirá o homem público nem o soterrarão os carnavais de almas rotas pelo ódio. É simplesmente triste observar a revelação da mesquinharia das assim chamadas pessoas de bem, justiceiros de oportunismo em busca de um naco da reputação do grande líder popular. Lula, o intérprete dos desassistidos, permanecerá intacto, ainda que o comprovem privadamente pérfido. É possível, mas será o homem com CPF, não o vitorioso no duelo com os reacionários. Estes não terão lápide, não terão memória, não terão registro. Serão abolidos.
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Entenda por que todos os corruptos querem a saída da Dilma?

OBScena: primeiro à esquerda, Augusto Nardes, do PP gaúcho,
chegou ao tCU pelas mãos de Severino Cavalcanti, terceiro
da esquerda para a direita.
O atual estágio da política conduzida pelo consórcio jurídico-policial atualiza um dos mais famosos livros do imortal Machado de Assis: O Alienista. Não é difícil apontar quem seja o Dr. Simão Bacamarte, a Itaguaí e a Casa Verde da atualidade. Com olhos vermelhos e vidrados de ódio, passam a perseguir obsessivamente aquele que é tido, inclusive internacionalmente, o melhor Presidente da História do Brasil.

Os assoCIAdos do Instituto Millenium conseguiram emparedar toda uma manada no tCU, PF, MP e PJ para criminalizar Lula e o PT. Com este diversionismo, escondem a Lista Falciani do HSBC, a Operação Zelotes. Da forma como este consórcio atua, parecem apenas querer eliminar a concorrência na corrupção. Não é sem motivo que verificamos que só avançam denúncias contra o PT e Lula. Todas as demais adormecem nas gavetas dos Rodrigo de Grandis.

Agora só falta o Augusto Nardes vir a público dar uma pedalada na corrupção no tCU. Que ninguém duvide se ainda não convencerem a manada que segue os grupos mafiomidiáticos de que mais esta culpa seja jogada nas costas da Dilma, do Lula e do PT, exatamente quem tornou possível que a corrupção institucionalizada em toda a sociedade pudesse ganhar os holofotes.

PETROLÃO da FOLHA
Delator diz que comprou decisão no TCU

Na delação premiada, Ricardo Pessoa, da UTC, afirmou ter pago R$ 1 mi para liberar licitação da usina de Angra 3

Relator do caso foi o ministro Raimundo Carreiro, que disse nunca ter recebido valores indevidos

FLÁVIO FERREIRA, ESTELITA HASS CARAZZAI, DE CURITIBA, MARIO CESAR CARVALHO, DE SÃO PAULO

Em depoimento de delação premiada, o dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, disse que pagou R$ 1 milhão para o TCU (Tribunal de Contas de União) liberar a licitação da usina nuclear Angra 3. O relator do caso foi o ministro Raimundo Carreiro.

Após as pretensões de Pessoa serem atendidas no tribunal, a Eletronuclear contratou um consórcio integrado pela UTC para fazer a montagem da usina atômica.

A empresa de Pessoa participou do negócio em consórcio com a Odebrecht, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, investigadas na Operação Lava Jato sob suspeita de pagar propina em contratos da Petrobras.

O custo total da obra, na qual atua também um outro consórcio, é de R$ 3,2 bilhões.

O empreiteiro também afirmou que desde 2012 obteve informações privilegiadas do tribunal de contas no julgamento de contratos da UTC com a Petrobras e nas obras que poderiam ser paralisadas.

Quem repassava as informações, segundo Pessoa, era o advogado Tiago Cedraz, filho do ministro da corte de contas Aroldo Cedraz, em troca de pagamento de R$ 50 mil por mês. Cedraz é o presidente do TCU; Carrero, seu vice.

Na última quinta-feira (25), o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki considerou que a delação de Pessoa atende às regras da lei e homologou o acordo. Ele poderá obter redução de penas se as informações forem confirmadas por provas.

No depoimento sobre Angra 3, Pessoa disse que, no final de 2013, conversou com Tiago Cedraz e explicou a ele sobre dificuldades para liberar a licitação.

O tribunal apontava uma série de problemas, como sobrepreço de R$ 314 milhões em relação ao orçamento, equivalente a 10% do valor da obra, e de "limitada competitividade" em razão das exigências da Eletronuclear.

Técnicos chegaram a propor a suspensão da licitação, o maior pesadelo das empresas em virtude dos gastos que tiveram para apresentar propostas.

Na decisão final do TCU, de setembro de 2014, o relator do caso, Raimundo Carreiro, mudou seu entendimento sobre a falta de competitividade e liberou a licitação.

Pessoa disse que na conversa com o advogado sobre o assunto, Tiago lhe perguntou quem relatava o caso no TCU. Ele respondeu que era Carreiro. Tiago, então, teria dito que precisava de R$ 1 milhão para liberar a licitação do modo que a UTC queria.

Pessoa diz ter repassado R$ 1 milhão a Tiago, mas não sabe se o dinheiro foi entregue a Carreiro ou a outros integrantes do tribunal. A concorrência, porém, foi liberada pela corte de acordo com os interesses da UTC, ainda segundo Pessoa.

Tiago disse que teve acesso direto a Carrero, assim como a outros ministros e técnicos do TCU, de acordo com o empresário.

Segundo Pessoa, um dos emissários de Tiago que pegava o dinheiro era Luciano Araújo, tesoureiro do Partido Solidariedade.

Carreiro afirmou à Folha que nunca recebeu valores indevidos nem Tiago no TCU. Tiago disse que nunca atuou no TCU e que vai processar Pessoa. Também disse que foi contratado pelo consórcio do qual a UTC fazia parte, mas não pode revelar o caso.

No Ficha Corrida
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O fracasso de Babilônia marca o fim da tevê como a conhecemos

O fim de um ciclo na mídia
A Globo vive num regime de autoilusão, como se pode verificar pela entrevista com o diretor-geral Carlos Schroder publicada pela Folha. (leia abaixo)

Perguntaram a Schroder sobre o fiasco da novela Babilônia, que dias atrás cravou 17 pontos no Ibope em São Paulo, um extraordinário recorde negativo na trajetória das novelas da Globo.

Schroder achou vários culpados.

O primeiro deles, naturalmente, é o povo brasileiro, “mais conservador” do que as pessoas imaginam.

Depois, ele citou uma novela da Record e outra do SBT.

Admitiu, ligeiramente, que alguma coisa na trama “não funcionou”.

Schroder só não tocou na maior razão do fracasso: o declínio veloz da televisão como mídia na Era Digital.

Rapidamente, a tevê como conhecemos caminha para o mesmo local reservado a jornais e revistas: o cemitério.

Considere o slogan do aplicativo de vídeos que a Reuters acaba de lançar: “A tevê de notícias para quem não vê tevê”.

O consumo de vídeos está cada vez menos na televisão e cada vez mais na internet.

No campo do entretenimento, sites como o Netflix e agora a Amazon oferecem uma fabulosa quantidade de séries, filmes e documentários.

Você vê quando quer, na hora que quer, o que quiser.

No campo das notícias, vídeos selecionados pelas comunidades são postados nas redes sociais, e ali consumidos — fora das emissoras tradicionais.

Uma parte expressiva dos vídeos que viralizam nas redes sociais é produzida pelos próprios internautas — ao flagrar cenas notáveis no dia a dia, como a surpresa que aguardou o dono de um automóvel que parou numa vaga de deficientes.

No esporte, você começa a ter a opção de assinar canais específicos para ver o que deseja — sem ter que comprar um pacote caro de tevê por assinatura.

Sabia-se faz tempo que a internet ia matar jornais e revistas. Mas não se imaginava que a tevê se transformaria tão celeremente na próxima vítima.

Uma pesquisa recente nos Estados Unidos mostrou que o número de pessoas que não se imaginam sem internet e celular cresceu vigorosamente nos últimos anos, na mesma medida em que decresceu o contingente dos que não podem viver sem tevê.

No Brasil, um levantamento deixou claro que televisão é hoje uma coisa para um público velho e com baixo nível de educação, exatamente o oposto daquilo que os anunciantes buscam.

A Globo, neste sentido, é a próxima Abril.

Caíram todas as circulações das revistas da Abril nos últimos anos. A única falsamente estável é a da Veja graças a manobras (custosas) que inflam artificialmente os números, e que os anunciantes fingem não ver.

Do mesmo modo, todas as audiências da Globo são uma sombra do que foram antes do surgimento e expansão da internet.

O Jornal Nacional luta para se manter na casa dos 20 pontos, marca que seria uma tragédia há dez anos.

O Fantástico já escorregou para baixo dos 20, e ninguém mais comenta o que ele deu ou deixou de dar.

Quando, no futuro, alguém for estudar a história da tevê convencional, Babilônia será citada provavelmente como um capítulo especial.

Babilônia, com sua miséria de Ibope, é o grande marco do fim da tevê como a conhecemos.

A culpa não é do povo, como quer a Globo, mas de uma coisa chamada vida, ou mercado, como você preferir.

Paulo Nogueira
No DCM



'O país é mais conservador do que você imagina', diz Schroder

Schroder no evento ‘International Academy
Day’ nos estúdios da Globo, no Rio
O diretor-geral da Globo, Carlos Henrique Schroder, defende que a classificação indicativa na TV não seja mais uma determinação do Ministério da Justiça, mas uma orientação. Desde 2001 tramita no Supremo Tribunal Federal uma ação que pede a alteração na lei.

Schroder nega que a emissora tenha recebido notificação da pasta para alterar o conteúdo da novela “Babilônia” por causa da exibição de um beijo gay. “Existe um acompanhamento [do MJ] com lupa para toda novela. O beijo é pano de fundo”, diz.

“O mundo não é mais o mesmo. Se você se prender a uma lei de um jeito mais antigo, não acompanha o movimento. O beijo [gay] talvez há cinco anos fosse impossível. Mas a gente andou no Brasil.”

O executivo conversou com poucos jornalistas, incluindo a Folha, durante o International Academy Day, nesta sexta (26), no Rio. Ele informou que a Globo lançará em 2015 um “player” para conteúdo sob demanda, em que será possível assistir à programação ao vivo do canal.

Como vocês avaliam o que houve com “Babilônia”?

A gente fez muitas reuniões de avaliação. Tem dois fatores: um, claro, a novela em si. Alguma coisa da trama não funcionou, óbvio.

Mas, ao mesmo tempo, teve uma mudança com a estreia de “Os Dez Mandamentos” [Record] e a novela infantil que o SBT colocou. Algum público já tinha saído ali também. Não vou tirar o mérito de um lado e talvez a fragilidade do outro, mas as duas combinações aconteceram.

Mas isso vai continuar… Vem outra novela bíblica, SBT faz outra infantil.

Vai. Mas acho que sempre que você tem um produto forte, você derruba isso. Por isso acho que tem uma fragilidade do que aconteceu e aí propicia um terreno fértil para o outro crescer. Quando você tem um produto forte não tem jeito, é vencedor.A [próxima] novela do João Emanuel Carneiro [“A Regra do Jogo”] está muito forte, boa.

Estão pisando em ovos após “Babilônia”?

Conversamos muito internamente sobre isso. O país é mais conservador do que você imagina. É mais ou menos essa a resposta.

O Ministério da Justiça diz que a Globo poderia mudar a classificação da novela das 21h para 14 anos, mas vocês querem manter em 12 anos.

Sabe por quê? Eles esquecem que o Brasil tem fuso. Quando aqui [no Rio] são 21h, em Manaus são 20h. E o fuso do verão? Aí você mata a programação.

No Nordeste já é complicado. Lá, invertemos inclusive a novela das 19h. A gente bota o “Jornal Nacional” ao vivo e depois a novela das 19h e a das 21h.

Se você tiver que manter a classificação, mata a estratégia.

Com o aumento da classificação indicativa às vezes acontece o seguinte: a novela acaba e reclassificam. Aí o que isso nos causa como punição? Você não pode usar no “Vale a Pena Ver de Novo”. Aí tiramos histórias de alguns personagens [que não podem ser mostradas mais cedo]. Acabamos de fazer isso agora para “Caminho das Índias”. É um prejuízo para nós, a novela das 21h é a de maior sucesso.

É interessante que o processo para viabilizar uma novela.

Agora se tivesse esse modelo de orientação apenas e não determinação, acaba esse problema.

A Globo anda promovendo muitas mudanças de grade, está mais flexível. Nesta semana tirou a “Sessão da Tarde” para o “Video Show” tratar da morte do cantor Cristiano Araújo.

Quando a gente mudou a programação, combinamos com o Amauri Soares, é diretor de programação, de ter uma atuação mais atenta, acompanhar melhor o que está acontecendo. Então, por exemplo, há um temporal na Bahia, caso concreto. A Fátima [Bernardes] entra, faz dez minutos em rede nacional e aí a TV Bahia fica local. E o programa [“Encontro com Fátima Bernardes”] continua para o resto do Brasil. Santos (SP) teve problema com a chuva outro dia. Aí Santos fica local também.

A gente tem usado espaço local quando aquilo interessa.

Tem dado resultado?

Muito bom resultado. Quando é nacional, a gente avalia o interesse do público. Hoje temos oito capitais no Ibope no ‘real time’ [medição minuto a minuto de audiência]. Porto Alegre, Curitiba, Rio, SP, BH, Recife, Salvador e Brasília.

O que representa 80% [da audiência], dá uma noção melhor. Outra coisa, a gente consegue ver a avaliação de cada programa por essa média, e você começa a ter opção de horário. Por exemplo, no sábado, mexe no horário, puxa um programa, experimenta outro.

A experiência de inverter a “Sessão da Tarde” com a novela [“Vale a Pena Ver De Novo] começou em Brasília e depois em BH. Viu que deu cert,o muda para o Brasil inteiro. Tem mais lógica .A novela entrega para “Malhação”, “Malhação” entrega para a novela [das 18h].

E no caso de “Verdades Secretas” [novela das 23h que foi exibida na faixa das 22h na primeira semana]?

A gente queria fazer experiência de uma semana. A novela não poderia ficar naquele horário [das 22h]. Como a primeira semana era mais leve do ponto de vista da classificação, dava [para testar]. Agora não dá, vai entrar mais fundo na questão da droga. Ela se propõe a isso, entrar numa discussão mais pesada.

A alteração foi de uma semana para implantar melhor a novela. Em vez de deixar um dia mais cedo, colocamos uma semana. E funcionou.

Mas vocês poderiam mudar “Verdades” para ela ir ao ar mais cedo?

Poderíamos. Mas olha só, “Felizes para Sempre? [minissérie exibida em janeiro] eu tinha encomendado para o primeiro horário[de shows, após a novela das 2h]. Quando veio o texto, o desenho do Fernando Meirelles, eu falei: vamos tentar limpar isso aqui, aquilo ali para ver se segura [coma classificação indicativa] o primeiro horário. Chega uma hora que você começa a mexer na obra. Aí liguei pro Euclydes Marinho e falei para deixar no segundo horário, senão começa a perder. Ali era classificação indicativa na veia.

É que o primeiro horário é mais importante como estratégia, você alavanca melhor. Mas nem sempre.

Como vê a chegada da GFK [empresa alemã que irá concorrer com o Ibope na medição de audiência]?

Estamos acompanhando. A gente só não quis fazer um contrato antecipado. Nunca dissemos que não vamos [assinar o contrato].

Existe mercado para duas medições?

Difícil, né. Imagina todas as agências, TV, comprando isso. O que será estranho é se aparecer um número muito diferente, seja para que lado for. Aí alguém vai ficar sob suspeita.

Lígia Mesquita | Victoria Azevedo
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