23 de jun de 2015

Bolsonaro oferece o filho para repórter em Blumenau


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Tucano Beto Richa ainda ataca no Paraná


Beto Richa tenta escapar, mas Ministro do STJ nega pedido do tucano

O ministro João Otávio Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou um pedido do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), para levar à Corte Superior um caso que está em tramitação em uma vara federal em Londrina (PR), e que envolveria o governador.

A reclamação analisada por Noronha é referente a um processo que corre na 3ª Vara Criminal de Londrina, no âmbito da Operação Publicano. No caso é investigado suposto desvio de recursos da Receita Estadual em Londrina. O governador pediu suspensão das investigações na Justiça do Paraná argumentando que o caso seria de competência do STJ, Tribunal no qual governadores têm prerrogativa de foro, de acordo com a Constituição Federal.

Ao decidir negar pedido, Noronha argumento que "para evitar prejuízos à marcha do inquérito, indefiro a liminar por deficiência de fumus boni iuris" (termo jurídico que significa "fumaça do bom direito", ou seja, indício de que o direito pedido exista de fato). O ministro pediu ainda que o juiz da 3ª Vara Criminal de Londrina e o chefe do núcleo do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), prestem informações ao STJ sobre o caso. Além disso, Noronha pediu uma cópia de todas as declarações prestadas pelo Auditor Fiscal Luiz Antônio de Souza.

Nessa notícia, só não dá para entender um ponto. Por que só o Estadão publicou? Nenhum outro jornal tocou no assunto.




Governo Richa pede que pais denunciem professores

Beto Richa tenta impedir que professores falem mal do governo em sala de aula

Em mais uma tentativa de mobilizar a opinião pública contra os professores do Paraná, o governo de Beto Richa (PSDB) publica na segunda (22/6) nota, pelo site da secretaria da Educação, em que afirma que os educadores que fizeram greve estão disseminando “apologias contra o governo do Estado”. E orienta que pais e responsáveis e os próprios estudantes denunciem às Ouvidorias dos Núcleos Regionais de Educação qualquer atividade ou conteúdo que considerarem indevidos.

“A escola é, sim, um espaço democrático, mas para que se desenvolva o processo de ensino e aprendizagem, e não doutrinação”, comenta, na nota, a secretária da Educação, Ana Seres. “Em que pese o direito de cada um ter posição política numa democracia, questões políticas e partidárias não deveriam se sobrepor ao princípio de que os alunos estão na escola para aprender o conteúdo necessário para que sejam preparados para a vida”, acrescenta o chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra.

 
Há menos de uma semana, o governo Richa já havia adotado uma estratégia similar de manipulação de informações. Denunciou a existência de professores-marajás no Paraná, alguns recebendo salários de R$ 27 mil a R$ 17 mil. O texto, publicado no site do governo, afirma que em 111 cidades a remuneração desses profissionais é maior que a dos prefeitos. A nota não esclarece como se chega a esses salários “astronômicos”. Afirma que:
"O impacto é maior, principalmente, nas cidades do interior, onde o custo de vida é menor e o poder de compra dos salários praticados pelo Estado se sobressai em relação aos pagos pela iniciativa privada e pelas prefeituras."
Ao se colocar como vítima, o tucano Richa adota a tática de perseguir os professores que foram brutalmente atacados pelo seu governo em 29 de abril. Professores questionam os “salários” divulgados pelo governo. Os holerites teriam sido escolhidos a dedo, como a situação da uma professora que recebeu o abono de permanência em um mês, acumulados por anos de trabalho, e acabou sendo considerada “marajá”.

Eduardo Nunomura
No Jornalistas Livres
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"Direitos negados" será lançado em SP


No período eleitoral de 2014, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé produziu uma série de reportagens sobre questões relacionadas à comunicação e os prejuízos que a falta de leis, regras e limites para o setor causam à sociedade brasileira e à democracia. A série virou o livro Direitos negados - Um retrato da luta pela democratização da comunicação, que será lançado com debate na segunda-feira (29), às 18h, na sede da entidade (Rua Rego Freitas, 454, conjunto 83 - Próximo ao metrô República).

A organizadora do livro e secretária-geral do Barão de Itararé Renata Mielli terá a companhia de dois nomes de peso para a discussão sobre a obra e as pautas da democratização da comunicação: o jornalista, professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), Dênis de Moraes, autor do prefácio do livro, e o jornalista e apresentador da TV Brasil, Laurindo Leal Filho, o Lalo.

A entrada é franca.

* * *

Direitos negados

“Uma significativa contribuição à causa da democratização da comunicação no Brasil”. É assim que Dênis de Moraes, define o livro Direitos Negados – Um retrato da luta pela democratização da comunicação. São 17 reportagens, distribuídas em 186 páginas, abarcando diversos temas ligados à área de comunicação – Concessões Públicas de Radiodifusão, Rádios e TVs Comunitárias, Banda Larga, Software Livre, Direito de Resposta, Classificação Indicativa, Conselhos de Comunicação, Comunicação Pública, entre outros.

Organizadas por Renata Mielli, a publicação traz reportagens dos seguintes autores, além da própria organizadora: Altamiro Borges, Felipe Bianchi, Claudia Rocha, Fernando Damasceno, Joanne Mota, Luana Bonone, Érika Ceconi, Thiago Cassis, Theófilo Rodrigues, Vanessa Martina Silva, Ana Flavia Marx, Fabrício Solagna e Thaís Rucker.

Como anexo, o livro traz o Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática. “O livro faz diagnósticos, mas também aponta caminhos, dá pistas de como resolver problemas em várias áreas da comunicação”, opina Altamiro Borges. Para o presidente do Barão de Itararé, a qualidade do livro é que, além de ser muito atual e somar diversos assuntos, é um material de fácil acesso. “Os debates em torno da mídia, geralmente, são complexos e restritos a especialistas. O formato da reportagem, com entrevistas, aspas e dados, deixa ele bastante acessível”, avalia.

O movimento social brasileiro, na visão dele, avançou muito no debate sobre comunicação. “Além de terem seus próprios instrumentos midiáticos, o movimento sindical, assim como os estudantes, os camponeses que lutam por reforma agrária, as mulheres e os negros sempre tiveram ciência de que a mídia privada os sacaneava, mas estavam pouco envolvidos na luta para democratizar a comunicação”, diz. “Nos últimos anos, essa postura mudou”.

A publicação, segundo Borges, é uma munição poderosa para o ativista, militante e dirigente de movimentos populares: “O livro dá elementos em uma linguagem acessível e com amplitude de temas, para além da regulação da mídia. Ele municia o lutador social para essa batalha estratégica na sociedade brasileira”.

O prefácio, a cargo de Dênis de Moraes, corrobora a proposta do Barão de Itararé. “Trata-se de um vigoroso conjunto de artigos que expõe uma verdade já impossível de ser sufocada: a diversidade informativa e cultural submerge em um cenário distorcido pela concentração monopólica dos meios de difusão e pela prevalência de intentos lucrativos e conveniências políticas sobre as aspirações coletivas”, sublinha o pesquisador.

Um dos pontos altos de Direitos Negados – Um retrato da luta pela democratização da comunicação, segundo Moraes, é o seu compromisso crítico. “Os autores apontam, convincentemente, as danosas consequências sociais e culturais derivadas do anacrônico e elitista sistema comunicacional vigente. A começar pela frequente exclusão de múltiplas vozes nos noticiários e pelos enfoques tendenciosos que afetam a credibilidade dos veículos e atropelam princípios éticos”.

Por outro lado, acrescenta o estudioso, “cumpre realçar o ânimo propositivo presente na coletânea: não apenas reivindica das instâncias eleitas pela soberania popular ações direcionadas à superação de mazelas e desvios, como também lança luzes sobre alternativas emergentes que valorizam a livre manifestação do pensamento e alargam a consciência sobre o horizonte de transformações”.

O livro, nas palavras de Moraes, “projeta o tema [da comunicação] como prioridade na agenda social, política e legislativa, rompendo-se a cadeia de omissões e protelações que, infelizmente, se formou à sombra da inércia do poder público na matéria (…).

No Barão de Itararé
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‘Brasileiros devem se sentir extremamente orgulhosos do SUS’, diz americano

Dylan Stillwood, que operou o maxilar em um hospital público do Sistema Único de Saúde, afirmou que a mesma cirurgia o levaria à falência se fosse realizada nos Estados Unidos

Dylan Stillwood contou sua experiência com o SUS na perfil do The New England Journal of Medicine
O programador de computadores americano Dylan Stillwood, de 34 anos, mora no Brasil há quatro anos e, em junho de 2012, precisou ser submetido a uma cirurgia no maxilar em um hospital do Serviço Único de Saúde (SUS). Na ocasião, ele visitava o município de Caruaru, em Pernambuco, para conhecer os tradicionais festejos juninos da região.

"Eu precisei operar meu maxilar, e passei oito dias no hospital. Foi o meu maior encontro com o SUS. Eu fiquei muito impressionado com o fato de que o Brasil tem saúde pública de graça, que é uma coisa que não existe nos Estados Unidos. E o fato de que essa garantia é um direito constitucional, considerada dever do Estado, e um direito do cidadão", contou Dylan em entrevista exclusiva ao Portal Planalto. 

Dylan procurou o Hospital Regional do Agreste e foi prontamente atendido e hospitalizado. Recebeu medicação e, posteriormente, foi operado. “Após sair do hospital, ainda fiquei mais uma semana na cidade para esperar uma consulta final e a liberação do médico”, lembra.

Este mês, Dylan leu um artigo dos pesquisadores James Macinko e Matthew Harris, publicado no The New England Journal of Medicine, uma das mais importantes publicações científicas em todo o mundo na área de medicina, sobre a atenção básica no Brasil e a Estratégia de Saúde da Família. Macinko e Harris, ambos professores de universidades americanas,  viveram no Brasil e trabalharam no SUS. Segundo eles, o Saúde da Família é um "poderoso modelo de provimento de cuidados de saúde". 

Dylan leu o texto na página do Facebook do veículo americano e contou a experiência que viveu ao ser atendido no SUS. Na ocasião, ele escreveu na rede social: "Os brasileiros devem exigir sempre melhores condições de saúde pública, mas também devem se sentir extremamente orgulhosos do SUS, uma conquista enorme que poucos países no mundo alcançaram".

Cartão do SUS

Segundo Dylan, que vive hoje em São Paulo (SP), o momento de mais orgulho desde que veio ao Brasil foi o dia em que recebeu seu Cartão Nacional de Saúde. "A operação que foi realizada de graça pelo SUS me levaria à falência nos Estados Unidos. Não entendo porque muitos brasileiros acham estranho um americano ficar com orgulho quando tirou um cartão do SUS", contou.

Ele afirmou que viu os defeitos do sistema, e que sabe que existe muita coisa a se melhorar. "Na experiência que tive, vi que os hospitais são menos modernos que os americanos. Mas, por outro lado, mesmo no interior do Nordeste, em uma região que tem muita pobreza, com muitas pessoas sem condições de pagar um plano de saúde, ninguém se preocupa em falir por ter ficado doente. E isso é uma preocupação muito grande nos Estados Unidos. Pessoas que trabalham, mas morrem de medo de ficar doentes porque não tem dinheiro, não têm poupança para pagar centenas de milhares de dólares em contas médicas. Isso no Brasil não existe", afirmou.

"Os brasileiros devem exigir sempre melhores condições de saúde pública, mas também devem se sentir extremamente orgulhosos do SUS, uma conquista enorme que poucos países no mundo alcançaram", finaliza.

Taxa de satisfação do usuário

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada no último dia 3 de junho, 82,6% das pessoas que se internaram em hospitais públicos, por 24 horas ou mais, avaliaram o atendimento recebido como bom ou muito bom.

O levantamento também apontou que 64,4% das pessoas atendidas pelas equipes de saúde receberam prescrição de medicamento, sendo que 82,5% delas tiveram acesso a todos as medicações e 92,4% obtiveram pelo menos uma.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) foi feita em 64 mil domicílios de 1.600 municípios do País, entre agosto de 2013 e fevereiro de 2014. O estudo é considerado o mais completo de saúde do Brasil e traz dados inéditos sobre vários aspectos, entre eles, acidente no trânsito, acesso aos serviços de saúde (atendimento e medicamentos) e violência.

Gratuidade

Os serviços públicos de saúde no Brasil são gratuitos, e de acordo com a Lei Nº 6.815, de 19 de agosto de 1980, "o estrangeiro residente no Brasil goza de todos os direitos reconhecidos aos brasileiros, nos termos da Constituição e das leis". O estrangeiro que precise de cuidados médicos pode procurar atendimento na rede de atenção básica e urgências do Sistema Único de Saúde (SUS).

No Planalto
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Enquanto a tevê aberta for uma terra de ninguém, malafaias vão se reproduzir e prosperar

Tirando dinheiro de pessoas simples na tevê
Você vai sentir vontade de vomitar, mas é preciso ver um vídeo que está circulando pelas redes sociais, no qual o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, ensina seus incautos fiéis a tirar dinheiro do aluguel e dar para ele. (assista abaixo).

É uma espécie de manual cristão do achaque, mas serve para dar a dimensão exata do tipo de gente que está influenciando parte considerável da sociedade brasileira, além de impor uma agenda política retrógrada e perigosamente medieval ao Congresso Nacional.

Malafaia é uma figura lamentável, mas não teria esse despudor de ir à televisão ludibriar multidões de ignorantes sem contar com um ambiente favorável e algumas condições prévias.

A primeira, e mais importante delas: a leniência do governo com a programação da tevê aberta.

Em um Estado laico, a veiculação de programas religiosos por emissoras concessionárias é, por si só, um absurdo total.

As emissoras vendem malandramente esses horários como se fossem propaganda, e muito além do limite de 25% da programação, conforme prevê o confuso conjunto de normas do setor. A saber: Código Brasileiro de Telecomunicações, Lei Geral de Telecomunicações e outras regulamentações.

Ou seja, são programas que não fazem parte sequer da grade oficial das emissoras, vendidos em um esquema de terceirização criminoso sem que uma única autoridade do Ministério das Comunicações tenha tido coragem, até hoje, de acabar sumariamente com essa pilantragem.

Recentemente, o jornalista Ricardo Boechat, da Rede Bandeirantes, lavou a alma nacional ao escrachar Malafaia, a quem mandou “procurar uma rola”, chamou de “tomador de grana” e acusou de homofóbico. Tudo isso ao vivo, nas ondas da Band News.

Ocorre que, desde o ano passado, o Ministério Público Federal luta, em São Paulo, para conter a sanha da Rede 21, do Grupo Band. Desde 2008, 100% do horário do canal era alugado para a Igreja Mundial do Poder de Deus, chefiada pelo pastor Valdomiro Santiago.

A partir de 2013, a Rede 21 passou a ter 22 horas de programação da Igreja Universal do Reino de Deus, do pastor Edir Macedo, dono de outra emissora concessionária, a Rede Record.

O MPF acusou Paulo Saad Jafet, vice-presidente da Band, e José Carlos Anguita, superintendente de Relações com Mercado da emissora, de violar a legislação e fomentar “enriquecimento sem causa” com o uso de uma concessão pública.

Em janeiro passado, o juiz federal Djalma Moreira Gomes, da 25ª Vara de São Paulo, negou o pedido de suspensão do MPF. Segundo ele, a liminar só poderia ser concedida se, antes, autoridades administrativas responsáveis por fiscalizar as infrações apontadas se pronunciassem. Em seguida, determinou ao Ministério das Comunicações que instaurasse procedimento administrativo para apurar as infrações ao Código Brasileiro de Comunicações.

Não por acaso, e dentro de uma tradição que inclui também a igreja católica, o fundamentalismo cristão é um aliado importante da direita liberal, no Ocidente. Forma com ela um padrão ideológico gelatinoso onde políticos profissionais se unem a fanáticos para, no ventre de embustes patrióticos, tentar emplacar projetos fascistas de poder.

Uma selfie feita, recentemente, durante a Marcha para Jesus, em São Paulo, é um emblema perfeito dessa miscelânea ideológica.

Na foto, amplamente divulgada nas redes, Malafaia aparece ao lado de dois potentados da extrema direita nacional: o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), apologista da tortura e do assassinato de opositores políticos; e o senador Magno Malta (PR-ES), que costuma comparar Lula e o PT ao diabo.

Essa percepção tornou-se palatável na campanha presidencial de 2010. Na época, José Serra, candidato do PSDB, transformou-se em um beato ecumênico e botou a mulher, Mônica, para disseminar a informação de que Dilma Rousseff era a favor de “matar criancinhas”, de forma a ligar a candidata do PT à prática de abortos.

Detalhe: antes do fim da campanha, uma ex-aluna de Mônica revelou que ela havia feito um aborto, fato jamais desmentido. Mais tarde, Serra e Mônica, sempre tão ciosos dos valores da família, se separaram.

De lá para cá, os tucanos passaram a se aliar, sem pudor algum, a todo esgoto religioso disponível, sobretudo aqueles comandados por lideranças pentecostais ultraconservadoras, como Malafaia, Valdemiro e o pastor Everaldo, candidato do PSC à Presidência, nas eleições de 2014.

Foi dessa mistura de fanatismo, ignorância, leniência e pusilanimidade que nasceu a vitoriosa candidatura de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara dos Deputados.

Evangélico, Cunha é a exata simbiose desse triste momento nacional. Nele estão presentes todos os piores elementos dessa circunstância: fanatismo religioso, conservadorismo tacanho e fisiologismo político.

E algo me diz que as coisas ainda vão piorar antes de melhorar.

Leandro Fortes
No DCM



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Até a Shell reconhece a capacidade técnica da Petrobras e os fundamentos do país


É inacreditável. Mas basta comparar a fala do presidente mundial da Shell, Ben van Beurden, e do governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), para ver o abismo em que o país está metido.

O presidente da Shell disse ao Valor que confia na competência técnica da Petrobras, sua sócia no Campo de Libra, e que acredita que “os fundamentos do Brasil são muito fortes e, particularmente, se você olhar sob nossa perspectiva, estamos investindo em um recurso de classe mundial. Temos que ser otimistas. Eu sou”.

Paulo Hartung disse ao Estadão que “mesmo antes da crise que vive a Petrobrás, já havia perda de dinamismo do setor de petróleo e gás. A proposta do senador [José Serra, pelo fim do regime de partilha no pré-sal]) abre o debate e é boa nesse sentido. Precisamos também pensar na convivência entre modelos de concessão e partilha. É uma forma de trazer de volta a concessão sem acabar com a partilha. Dependendo da área licitada, o governo escolheria o modelo, levando em conta a conjuntura, a realidade do mercado. O importante é procurar um caminho para aquecer o setor.”

O investidor estrangeiro confia na Petrobras, em sua capacidade técnica e nos fundamentos do país. Já o governador, aliado dos tucanos, vê perda do dinamismo no setor de óleo e gás, esquecendo que em todo mundo, à parte as conseqüências da Operação Lava Jato na empresa, o setor reduziu investimentos simplesmente porque o preco do petróleo caiu 50% e a demanda caiu. Fora o impacto extraordinário da produção de gás e óleo nos Estados Unidos a partir do xisto…

A prova para desmentir toda essa baboseira do senador José Serra — e agora dos governadores Pezão e do Hartung — está nos noticiários. Enquanto Hartung e Pezão anuncia seu apoio ao projeto de José Serra, a Petrobras confirma o potencial de petróleo leve em mais um poço do pré-sal na Bacia de Santos, Carcará Norte.

O que nossa oposição quer é entregar de mão beijada para as empresas a renda do petróleo do pré-sal, hoje destinada à nação, à educação e à saúde, à tecnologia e ao meio ambiente.

No Blog do Zé
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Fim da imunidade tributária das igrejas obtém 20 mil apoios

Mobilização de ateus
garantiu aprovação de
proposta no e-Cidadania
A Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), com sede em São Paulo, conseguiu no dia 19 deste mês 20 mil apoiamentos no Portal e-Cidadania do Senado Federal para a ideia legislativa de extinguir a imunidade tributária das organizações religiosas (igrejas). Agora, a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado está obrigada a elaborar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para revogar a alínea b do inciso VI do artigo 150 da Carta Magna, a qual proíbe à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre "templos de qualquer culto".

Se a PEC for aprovada, todas as igrejas e templos terão que declarar seus rendimentos à Receita Federal e pagar impostos como qualquer empresa sediada no país, o que dificultará bastante que as organizações religiosas continuem a ser usadas como "fachada" para lavagem de dinheiro oriundo de atividades criminosas, desvio de verbas públicas e aquisição graciosa de concessão de canais de TV e rádio, como ocorre há décadas.

O Programa e-Cidadania foi criado pela Mesa Diretora do Senado Federal, em 2011, "com o objetivo de estimular e possibilitar maior participação dos cidadãos, por meio da tecnologia da informação e comunicação, nas atividades legislativas, orçamentárias, de fiscalização e de representação da Casa", sendo então disponibilizada aos cidadãos a possibilidade de apresentar idéias legislativas no Portal de internet do Senado.

As ideias que, no prazo de 120 dias, conseguem atingir 20 mil apoiamentos de outros cidadãos (diretamente no site) são encaminhadas à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa para serem formalizadas como projeto de lei ou proposta de emenda à Constituição. Foi assim, por exemplo, em 2014, com a ideia de liberação do uso recreativo de maconha, que completou os 20 mil apoiamentos em apenas 8 dias e resultou na Sugestão nº 8/2014.

A ideia legislativa do fim da imunidade tributária para as igrejas, cujo proponente ainda é desconhecido, havia sido publicada no endereço http://www12.senado.gov.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=38723 em 5 de março de 2015 e até 29 de maio conseguira só 564 apoiamentos. Mas a mobilização da Atea começada com uma publicação fixada na página do Facebook da entidade (https://www.facebook.com/groups/ATEA.ORG.BR/) e o envio de 15 mil e-mails para todos os associados no domingo (31) impulsionaram a campanha para instituir a tributação em cima do patrimônio e a renda de igrejas e sacerdotes, atingindo uma média de mil apoiamentos diários, completando os necessários 20 mil apoios em menos de três semanas.

Segundo o presidente da Atea, Daniel Sottomaior, os ateus agora vão fazer do Portal e-Cidadania o canal para apresentar propostas que fortaleçam a laicidade do Estado.

Outras campanhas estão sendo estudadas, como extinguir o estatuto diferenciado das "organizações religiosas" no Código Civil, abolir feriados religiosos e retirar das cédulas de real a frase "Deus seja louvado".

A Atea também cogita de somar esforços com o movimento LGBT e apresentar ideias para instituir no ensino fundamental e médio a disciplina acadêmica de educação contra a homofobia, normatizar o uso do nome social em documentos de identidade de cidadãos(ãs) transgêneros(as) e proibir pretensas "terapias" de reversão da orientação sexual.

A perspectiva é de que cada nova campanha da Atea alcance os 20 mil apoiamentos em ainda menos dias. Os ateus e agnósticos brasileiros têm hoje muito do que se orgulhar, e participarão com maior intensidade da política nacional.

Contra o perigo de retrocesso social criado pelas posturas retrógradas das "bancadas" da Bíblia, da Bala e do Boi, os próprios ateus e agnósticos, sem terem nenhuma filiação partidária específica ou ligação direta com políticos, levarão suas propostas ao Parlamento nos braços da iniciativa popular, assumindo o importante papel de atores das lutas progressistas da sociedade.

Neste delicado momento da História da Nação em que o deputado Eduardo Cunha e seus aliados transformam o Congresso em um "púlpito" para projetos absurdos, como a conversão do delito de "ultraje ou vilipêndio a culto religioso" em crime hediondo (e com a pena aumentada para reclusão, de 4 a 8 anos e multa), praticamente sem sofrer nenhuma resistência dos seus pares ou do Poder Executivo, e o pastor Silas Malafaia (enquanto repousava de suas demandas por columbiformes) ditou (pelo Twitter) alterações no programa de governo de uma ex-candidata à Presidência da República, tornada em súcubo de lideranças conservadoras, a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos se apresenta no horizonte político como uma força de oposição ao poderio dos religiosos, legitimada como instrumento do Poder que vem do Povo (e não de um "Deus" obscuro), amplificada pela voz de Estentor de em uma expressiva massa de cidadãos cansados de assistir ao aumento dos privilégios das igrejas e sacerdotes.

O êxito da Atea em catalizar tão celeremente uma verdadeira multidão de indignados é também um recado para os congressistas evangélicos, de que não colocarão no bolso a República sem que ninguém faça nada para impedi-los.

Os vinte mil apoiamentos dados em apenas vinte dias indicam a existência de um contingente ainda maior de ateus, agnósticos, pessoas sem religião e humanistas conscientizados de seu valor como partícipes do processo político, informados sobre os mecanismos legais de participação popular e dispostos a exercitar os seus sufrágios no sentido do que anseiam.

Os ateus e agnósticos encontram-se na média estatística das pessoas com mais elevado Quociente de Inteligência (Q.I.) e detêm maior escolaridade. Além disso, são um segmento de pessoas notáveis, independente de classificações pelo estrato econômico, pulverizados em todas as classes sociais; eles têm condições de fazer diferença na política nacional, e sabem disso.

Na última sexta-feira, um gigante despertou, pronto para disputar um prélio de proporções épicas.

Eduardo Banks, escritor e jornalista, é militante da laicidade do Estado e voluntário da Atea.



Dilma sanciona lei que altera tributos sobre produtos importados

A presidenta Dilma Rousseff sancionou, na noite de segunda-feira (22), a Lei 13.137/15, fruto da medida provisória 668, que aumenta as alíquotas de PIS/Confins sobre produtos importados. A lei faz parte do ajuste fiscal proposto pelo governo para adequar as contas públicas.

O texto recebeu nove vetos antes de ser sancionado. Entretanto, propostas como a autorização para que o Legislativo possa fazer parcerias público-privadas, incluídas pela Câmara, foram mantidas.

A presidenta manteve também o artigo que desobriga as igrejas de recolherem a contribuição previdenciária ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sobre os valores pagos a padres, pastores e membros de ordem religiosa.

Dilma vetou, entre outros pontos, o artigo que aumentava o número de municípios beneficiados por incentivos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A presidenta justificou a medida por não considerar, segundo ela, “tanto as questões climáticas quanto as diretrizes de política de desenvolvimento regional”. A alteração elevaria também as despesas do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste.

Dilma vetou ainda a criação de um programa de refinanciamento de dívidas para empresas que estão em recuperação judicial, incluída no texto pela Câmara dos Deputados. A presidenta acredita que a medida violaria o conceito da isonomia “ao conceder tratamento diferenciado a determinadas empresas e instituições financeiras, por instituir condições mais favoráveis do que as concedidas aos demais contribuintes”.
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A jornalista que copiava


Joice Hasselmann, a alegre apresentadora da TVeja que costuma ladrar contra a corrupção do PT, da esquerda e dos comunistas em geral, sabe-se, agora, não passa de uma plagiadora.

A partir de denúncia feita por 23 jornalistas do Paraná, e apurada pelo sindicato local da categoria, descobriu-se que a doce musa dos reacionários plagiou nada menos que 65 reportagens, escritas por 42 profissionais diferentes, entre os dias 24 de junho e 17 de julho do ano passado.

65 plágios em 23 dias!

Os textos copiados eram colados em um blog que ela mantinha, no Paraná, antes de ter seu talento descoberto pela Editora Abril.

Registro aqui, à guisa de bom jornalismo, o contra argumento da moça, publicado no Facebook dela, à acusação de 23 (!) jornalistas do Paraná:
"A escória do jornalismo só podia estar num sindicato ligado a CUT. Minha resposta aos vira-latas: Retournez a la Merde!"
Ah, nada como sentir cagaço em francês!"

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Um blogueiro brasileiro em Cuba


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Os novos hábitos do leitor

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Os habitantes das grandes cidades brasileiras são os maiores usuários de redes sociais como meio de acesso a informações. Esse é um dos achados de um estudo encomendado pelo Instituto Reuters, da Inglaterra, à empresa de pesquisas YouGov, intitulado “Relatório de Notícias Digitais 2015”.

Os brasileiros urbanos de renda alta lideram a crescente tendência mundial de migração para os meios digitais que produzem conteúdo jornalístico, em detrimento da mídia tradicional.

A Folha de S. Paulo traz na edição de terça-feira (23/6) uma reportagem curta sobre o assunto, mas o autor do texto selecionou um aspecto mais otimista, do ponto de vista do jornal, no qual se afirma que os brasileiros são mais afeitos a pagar por notícias online.

“Os consumidores do País lideraram nessa categoria (23%), superando os finlandeses (14%), que ficaram em segundo lugar”, diz o jornal paulista. Segundo essa interpretação, “um em cada quatro brasileiros pagaram (sic) para acessar notícias online no ano passado”.

A versão da Folha induz o leitor a engano, porque a pesquisa não se refere a toda a população brasileira, mas apenas aos mais ricos e conectados entre os habitantes das grandes cidades. Portanto, afirmar que 23% dos brasileiros pagaram para acessar informação nos meios digitais é errado.

A verdade é muito mais dolorosa para a mídia tradicional: uma das principais conclusões do estudo é que se acelerou em todo o mundo a preferência por obtenção de notícias em plataformas sociais e móveis.

O cidadão urbano de alta renda e usuário intenso das tecnologias digitais de informação e comunicação — fração da sociedade observada pela YouGov — adere rapidamente e massivamente a fontes de informações imediatas, que tenham sido de alguma forma avalizadas socialmente, e que possam ser acessadas a qualquer momento.

Mas, de modo geral, três quartos dos entrevistados (74%) ainda leem jornal de papel ou online pelo menos uma vez por semana, e 89% mantêm o hábito de se informar por emissoras tradicionais, no rádio, televisão ou internet.

O cenário global mostra a queda contínua da leitura e venda de jornais de papel na maioria dos países, ao mesmo tempo em que não se observa um aumento da disposição de pagar por notícias nos meios digitais. Na Inglaterra, apenas 6% dos cidadãos mais conectados aceitam pagar por informação jornalística em seus aparelhos de comunicação móvel ou nos cada vez menos usados computadores de mesa.

A influência das redes sociais

Entre os brasileiros, 23% dos entrevistados disseram ter pago por notícias online em algum momento no ano passado e 43% se declaram dispostos a repetir a prática no futuro. Em geral, homens com idade entre 25 e 34 anos são mais simpáticos à ideia de investir em conteúdo jornalístico no Brasil.

Também é considerável o hábito de compartilhar informações nas redes sociais no público consultado (47% do total), sendo mais acentuado entre as mulheres (49%) e pessoas com mais de 55 anos (52%).

As marcas online mais valorizadas pelos brasileiros, segundo a pesquisa, são o portal G1, do grupo Globo, com 38% da audiência, seguido pelo UOL, do grupo Folha, com 34%, e R7, do grupo Record, com 31%. O portal do jornal O Estado de S.Paulo, com 12% da preferência, é a 13ª marca mais apreciada, entre as 16 citadas, ficando acima apenas do iG, CNN e BBC.

Nessa vanguarda de usuários mais intensos de mídias digitais, as mídias tradicionais apresentam um quadro curioso: as mais citadas são a GloboNews (50%), o Jornal do SBT (40%), a Record News e BandNews (ambas com 33%).

Jornais de papel, como a Folha de S. Paulo (24%) e O Estado de S. Paulo (17%) estão entre os menos citados. As marcas da Editora Abril, como a revista Veja, não são lembradas.

Um aspecto da pesquisa que as empresas de comunicação poderiam comemorar é a questão da confiança: nada menos do que 62% dos cidadãos de renda mais alta disseram acreditar na mídia informativa em geral, e 70% declaram confiar nas suas fontes prediletas. Mas o cruzamento dos dados mostra que há uma forte influência das interações sociais nessa confiança, ou seja, o compartilhamento das informações nas redes sociais — formadas por grupos muito homogêneos — funciona como aval para essa credibilidade.

Os brasileiros não apenas aderiram fortemente ao WhatsApp, como são os maiores usuários do Facebook, e gastam nas redes sociais 60% mais de tempo do que a média mundial. Portanto, a confiança no noticiário é fortemente consolidada pelo aval dos grupos de relacionamento.

Os dados originais da pesquisa podem ser acessados, em inglês, no site do Instituto Reuters (ver aqui).

Luciano Martins Costa
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Dois bandidos, duas histórias, “uma única convergência”


Vou tentar recompor pelo noticiário a acareação entre os ladrões Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef — o primeiro “arrependido” e o segundo “bandido profissional”, nas palavras do Dr. Sérgio Moro — durante de oito a “cerca de 10 horas” segundo as diferentes versões publicadas — em que estiveram juntos.

“De acordo com ambas as defesas, o único “ponto de convergência” obtido na acareação foi com relação a um pagamento de propina feito pela Braskem ­ braço petroquímico da Odebrecht ­ para uma compra de nafta. Os outros oito pontos destacados para análise, segundo os advogados, terminaram com os delatores mantendo as versões originais das delações premiadas.”
Veja-se como chegaram a esta convergência:
“O advogado João Mestieri, que representa Paulo Roberto Costa, confirmou a convergência entre as versões. “No primeiro momento, o Paulo Roberto Costa disse que não participou disso, porque não se dava com o diretor­-presidente [da Braskem]. Aí começaram a rememorar uma série de questões para então chegar à admissão de que isso ocorreu”, afirmou.”
Reparem que maravilha: Paulo Roberto Costa, responsável pelas refinarias que produzem e vendem nafta, dizia que “não participou disso” e quem lembrava tudo era Alberto Youssef, que provavelmente de nafta só conhece aquelas bolinhas que se colocava nas gavetas para espantar insetos.

Como é que Paulo Roberto Costa “esqueceu” e depois “lembrou” do negócio? Seria um trocado?

Muito ao contrário: a compra de nafta da Braskem à Petrobras monta a quase R$ 1 bilhão por mês. Com a “taxa de roubalheira” que dizem que era praticada — de um a três por cento, uma coisa indefinida que faz lembrar o bordão usado pelo Didi Mocó: “aí vareia, né,  doutor” — dá entre quase R$ 10 milhões e R$ 30 milhões por mês. Aos preços de hoje entre R$ 50 milhões e R$ 150 milhões por um contrato de seis meses, já que venda de nafta não é na base do “me dá aí um quilo e meio, bem pesado”.

Amigo, será que você precisaria “rememorar uma série de questões” para lembrar de uma bolada destas? Mas o advogado de Costa se desculpa, na Folha: “são coisas que aconteceram há cinco, sete anos. É possível que as pessoas se esqueçam de algum ponto.”

Observe o tamanho, em reais,  o tamanho deste “algum ponto”.

O fato de que essa é a questão que interessa agora para incriminar a Odebrecht, sócia da petroleira no controle da Braskem certamente não vem ao caso, não é?

Vejamos outra questão abordada na tal acareação, narrada pelas matérias:
“O ex-diretor da Petrobras disse que, em 2010, autorizou Youssef a fazer contribuições para as campanhas da então governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e do senador Humberto Costa (PT-PE), mas o doleiro afirma que não entregou dinheiro a eles. Segundo Youssef, é possível que Costa tenha se confundido e os repasses tenham sido feitos por outros operadores do esquema de corrupção”. (Folha)
Bem, acusar Rosena Sarney até de roubar balinha de criança é algo que, em geral, todo mundo acredita. No papo de botequim, porque na Justiça tem de haver o pequeno detalhe de provas, ao menos testemunhais.

Só há uma maneira de que os dois estejam dizendo a verdade: Costa mandou pagar e Youssef não pagou, embolsando o dinheiro. Se ambos pediram, como diz Costa, e não receberam, é obvio, iriam queixar-se e o ladrão-diretor daria ao menos um telefonema: “aí, turco, não mandei você dar?”

Mas isso, diz um dos advogados de Youssef, é “bom”: “A divergência mostra que não houve combinação de versões, então dá mais valor para a colaboração de cada um deles”. Certo doutor: um mandava, o outro obedecia; o um diz que mandou, o outro diz que não mandou e isso prova que os dois estão falando a verdade, certo?

Já no Estadão:
“Em relação a Paulo Bernardo, os delatores apontam o pagamento de R$ 1 milhão para a campanha de 2010 da ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR), que foi eleita senadora naquele ano. Bernardo, que é marido da senadora, fez a solicitação. Um dos pontos de divergência explicado foi o de quem efetivamente teria entregue os valores pedidos por Paulo Bernardo. O doleiro (disse?) não ter sido ele pessoalmente o efetivador das entregas.”
Então quem foi? O “Careca”? O motoboy? “Um rapaz que trabalhava lá no escritório, que eu não lembro o nome”? Ou foi por Sedex?

Quando comecei em jornal, um velho jornalista contava, divertido, que sua primeira apuração foi de um incêndio num prédio na Avenida Rio Branco. Voltou da cena, escreveu a matéria e o redator (que virou copydesk) sentiu falta da informação: “qual é o número do edifício?”. “Ih, não reparei”, respondeu o “foca”. “Então volta lá, desgraçado”…

A Folha narra o clima ameno do encontro de Costa e Youssef:
“Segundo os advogados dos dois delatores, não houve tensão durante a acareação. Apenas num determinado momento, de acordo com os advogados, os delatores trocaram farpas, como “Você não está lembrando direito”, e “Não, você é que não está”.
Retiro o que disse sobre papo de botequim, porque no botequim isso faz diferença. Parecem mais duas senhoras dividindo implicâncias enquanto tricotam.

Espremi as matérias para ver se saída mais alguma coisa de concreto de uma acareação-interrogatório que durou de oito a dez horas, mas não tem nada além, segundo os jornais. A história do dinheiro que Costa diz ter sido pedido por Palocci e Youssef “não deu tempo” de tratar. Marcaram outro chopinho para hoje, outro para amanhã e quem sabe, na quinta.

Quem sabe, como no providencial caso Braskem-Odebrecht, até lá lembram ou seus advogados combinam algo?

Ou terminam o casaquinho. Porque tem de prestar atenção: é um ponto meia, outro tricô. Não são iguais, mas formam um belo conjunto.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O stand-up como ethos

Mensagem postada na página oficial de Danilo Gentili no Facebook.

O comediante de stand-up talvez seja o simulacro do cidadão consciente que paga suas contas, declara seu imposto de renda, vai à igreja aos domingos e ajuda o Criança Esperança uma vez ao ano

Já há algum tempo, mas sobretudo desde os episódios de Junho que a crítica de direita no Brasil — aquela que tem sido chamada de “crítica coxinha” (ainda que existam vários tipos de coxinhas, com ou sem catupiry) — tem flertado com um gênero de humor que a partir dos anos 2000 ganhou cada vez mais representantes e entusiastas por aqui: o stand-up. No atual cenário político do país, de acirramento de novas e velhas tensões e de hipertrofia da pequena política (na acepção gramsciana do conceito: a política do dia a dia, parlamentar, de corredor, de intrigas), é possível verificar, principalmente nas redes sociais, que estamos diante de um processo de “standupização” do discurso político, variante da política como espetáculo adaptada aos tempos hodiernos. Uma “ironia piadística”, um tom de anedota de stand-up e traços da arrogância agressiva do “humorista solitário” tem sido a tônica de muitas falas recentes, majoritariamente do campo mais reacionário.

Paripassu com a profusão do stand-up em todo o país, artistas, políticos, humoristas e até figuras de parca expressão passaram a reproduzir este formato comédia em pé em suas falas, formato que assume o papel de invólucro da crítica conservadora, seja ela estritamente política (Kim Kataguiri e Fernando Holiday do Movimento Brasil Livre são os grandes exemplos), oriunda de artistas (Lobão e Roger do Ultraje a rigor) e/ou dos próprios protagonistas deste tipo de comédia (Danilo Gentili).

No intrigante documentário O riso dos outros (2012), de Pedro Arantes, assista abaixo, que radiografa o humor no Brasil contemporâneo tendo como eixo central o stand-up, fica evidente nas falas dos principais representantes do gênero a opção explícita pelo escárnio a priori, o menosprezo pelas minorias, a crítica despolitizada da política. Num dos momentos do filme afirma Gentili: “o comediante tem que ser uma prostituta. O que eu quero é riso. Eu me vendo por riso. Se você riu, eu estou falando”. Vale tudo no mundo da comédia à la carte.

Ao mesmo tempo em que o stand-up e sua difusão monumental chega à tevê e ao teatro (há inclusive programas nos canais à cabo onde comediantes sabatinam convidados), provocando reações as mais diversas (ao abordar questões como a opção sexual, a cor da pele, o sexo com grávidas, a origem social, o estupro, a corrupção, a obesidade etc.), também se difunde para o espaço da política, flertando com a ideologia do cinismo de que fala Žižek ou fundindo-se nela, sendo capaz de assumir um papel de ethos que impregna tanto a fala do coxinha do Leblon quanto do favelado de Pirambu no Ceará.

Da “Dilma sapatão-guerrilheira” ao “Não estupro você porque não merece” vemos todo um repertório dos bares e pubs onde ocorrem apresentações de stand-up comedy, que na maioria das vezes, ao se referirem às mulheres, aos homossexuais, aos negros (as), aos favelados (as), aos gordos (as) destilam toda uma carga de preconceito e de ódio que em alguns momentos lembram — guardadas as enormes diferenças — o crescimento do nazismo na Alemanha dos anos 1920-30, quando o recurso do humor desempenhou uma eficaz função de amálgama social antissemita, anti-estrangeiros, anti-gays, anti-ciganos, anti-portadores de necessidade especial etc. A escalada do autoritarismo, nos mostra a História, quase sempre vem acompanhada de um suporte humorístico que reitera e dissemina o ódio através de uma forma mais soft.

Não estamos dizendo que o humor é tendencialmente de direita ou inclinado naturalmente ao descarte do “cachorro morto”, tampouco que vivemos (como muitos dizem de forma inadvertida ou descuidada conceitualmente) um momento nazi ou fascio. O humor como ruptura, a abordagem lúdica como crítica radical está bastante presente em nossa história recente, como comprovam O Pasquim e as trajetórias de nomes como Jaguar, Ziraldo, Henfil, Laerte, Angeli, Dahmer etc. O que queremos enfatizar é que no Brasil dos Bolsonaros, Sheherazades e Reginas Duarte, o humor, em sua carapuça stand-up, tem sido bastante exitoso na camuflagem do conservadorismo atroz de nossa sociedade, que ainda mantém elevadores de serviço nos prédios, que possui como 80% de seus deputados homens brancos e que condena o aborto a cada esquina.

Talvez o ethos stand-up traduza de maneira vigorosa o ethos liberal da resolução individual das coisas, das miradas atomizadas, como o comediante sozinho no palco, “com a cara limpa” e com texto próprio, que enfrenta a plateia. O comediante de stand-up talvez seja o simulacro do cidadão consciente que paga suas contas, declara seu imposto de renda, vai à igreja aos domingos e ajuda o Criança Esperança uma vez ao ano: ele dá conta sozinho! A standupização da política dialoga diretamente com outros processos cotidianos do Brasil, como a condominização da vida na cidade (que o psicanalista Christian Ingo Lenz Dunker tem trabalhado de forma original), a gourmetização da culinária (vide os reality shows de chefs que estão em todos os canais de tevê), a realityzação das relações humanas, a coxinhização do eleitorado.

Talvez caiba ampliar a assertiva gramsciana acerca da pequena e da grande política (“é grande política reduzir tudo à pequena política”), afirmando que no Brasil do nosso tempo, é grande política “standupizar” os grandes temas historicamente adiados ou atacados, reproduzindo via humor o que existe de pior no pensamento dominante do/no país e tornando a política uma anedota de quem perde o amigo, mas não perde a piada. Perdemos todos.

Referências

DUNKER, Christian I. Lenz. Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros. São Paulo: Boitempo, 2015.
GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere (v. 3). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. p. 21.
ŽIŽEK, Slavoj. “Como Marx inventou o sintoma?” In.: ŽIŽEK, Slavoj (org.). Um mapa da ideologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996. p. 59-61.

Carlos Eduardo Rebuá é Historiador, doutorando em Educação pela UFF e professor da UNIGRANRIO. Dele, leia também, Hereges marxistas: similaridades e permanências, sobre Walter Benjamin e Antonio Gramsci, Sobre Sheherazades, Batmans e demônios, e “Muros e silêncios: o ataque ao Charlie Hebdo em perspectiva ampliada“, no Espaço do Leitor do Blog da Boitempo.
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Sem audiência, série da Fox com Danilo Gentili é cancelada


A série “Politicamente Incorreto”, protagonizada por Danilo Gentili, não terá nova temporada. O comediante fazia o papel de Atílio Pereira, um deputado filiado ao fictício PDU. Os poucos episódios foram ao ar no fim do ano passado.

Pereira dormia no plenário, xingava assessores, enfim, era um picareta. A música tema era do assistente de palco de Gentili no SBT, Roger Moreira, do Ultraje. Chama-se “Filho da Puta”: “A terra é uma beleza / O que estraga é essa gente”. E por aí vai.

Deu traço. Curiosamente para um comunicador que diz que tem ojeriza à mão do estado etc etc, o programa de vida curta só foi possível graças à lei federal que obrigava as TVs a cabo a ter produção nacional.

Assista — se tiver coragem — a episódio inédito (porque ninguém viu):


No DCM
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Golpista das relações de Eduardo Cunha é suspeito do golpe no Postalis


O presidente da Câmara Eduardo Cunha pode alegar, em sua defesa, nunca ter sido condenado.

Mas é inegável o extraordinário grau de conhecimento que tem de pessoas envolvidas em algumas das grandes patifarias da República.

A IstoÉ desta semana traz denúncia sobre um desdobramento do golpe ocorrido com o Fundo Postalis. A denúncia se baseia em delação de funcionário do grupo Galileo Educacional (http://migre.me/qnwXs).

Com base nos recebíveis dos alunos, o grupo lançou debêntures do mercado que acabaram adquiridas pelo Postalis e ela Petros. Depois se constatou que as duas principais universidades do grupo estavam em crise séria, prestes a serem fechadas pelo MEC (Ministério da Educação).

Segundo a matéria o dinheiro desviado teria ido para os senadores Renan Calheiros, Lindbergh Farias e o deputado Luiz Sérgio.

Curiosamente, a revista apresenta uma pista mas não vai atrás. Segundo a fonte da Polícia federal, o dinheiro do Postalis pode ter ido parar na conta de Ricardo Magro, dono da Refinaria de Manguinhos, alvo de inquéritos da polícia por fazer parte do grupo de aventureiros que passou a dar golpes do setor petrolífero através da sonegação de ICMS.

Magro é estreitamente ligado ao presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Em reportagem de Chico Otávio, em O Globo de 22.11.2010 (http://migre.me/qnwZD) fala-se das investigações da Polícia Civil para apurar o envolvimento de Eduardo Cunha com um esquema de fraude envolvendo a refinaria.

Cunha admitiu relações com Magro, mas disse “não ter qualquer atividade comercial de nenhuma natureza com ele”.

A Polícia grampeou conversas de Magro com um deputado que prometera a ele pressionar determinada empresa a retomar a venda de gasolina de Manguinhos, vendida no mercado fluminense em operações ilegais de sonegação de ICMS.

O tal deputado falava de um telefone da rádio Melodia, de propriedade do próprio Cunha.

Na época, Cunha não tinha ainda retomado a aliança com a Globo e atribuiu a reportagem a uma “desavença pessoal com o diretor do mais importante órgão das Organizações Globo”.

O episódio da sonegação de Manguinhos foi relatado pelo GGN em 14 de maio de 2013 (http://migre.me/qnxgi).

Cunha foi livrado do inquérito pelo então Procurador Geral da República Roberto Gurgel. A alegação era a de que a empresa que teria sido pressionada — a Brasken — é uma sociedade anônima. Portanto, não haveria como enquadrá-lo no artigo 312 do Código Penal, que menciona especificamente órgãos da administração pública. Essa opinião foi acatada pelo Ministro Celso de Mello.  

Magro é um empresário com tão pouca visibilidade que as únicas menções a ele no Google são relativos a golpes que aplicou. E a única foto é uma ¾ amarelada, que a revista Época conseguiu anos atrás.

No GGN
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‘Sheherazade da Veja’ é punida por plágio serial


A Direção do SindijorPR identificou plágio da jornalista Joice Hasselmann em 65 reportagens, escritas por 42 profissionais diferentes, somente entre os dias 24 de junho e 17 de julho de 2014. A denúncia de plágio contra Joice Hasselmann foi investigada após solicitação de 23 jornalistas de diversos veículos.

Com um processo de mais de 100 páginas, a punição da jornalista Joice Hasselmann é a primeira por plágio no Paraná. A Direção do SindijorPR rechaçou a atitude da profissional, que se apropriou do trabalho intelectual de colegas de profissão, utilizando isso para dar visibilidade à sua carreira, como se fosse a autora das reportagens.

Em reunião, na noite do dia 16 de junho, os diretores do SindijorPR decidiram levar a investigação da fraude nas publicações cometidas por Joice Hasselmann à Comissão Nacional de Ética da Federação dos Jornalistas. O Sindicato entende que o trâmite estadual foi cumprido e cabe, agora, encaminhar o caso de plágio à Comissão Nacional, onde outras sanções estão previstas.

No parecer final, a jornalista é advertida por Contrafação, que é a produção comercial de um artigo sem autorização do profissional e da entidade que detém a sua propriedade intelectual.

O presidente do Conselho de Ética, Hamilton Cesário, que coordenou a análise do plágio, afirma que Joice Hasselmann teve seu direito de questionar as denúncias garantido por diversas vezes, mas não atendeu a nenhuma convocação. “Ela abriu mão de se defender”, destaca Cesário.
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Comunicado Odebrecht - Operação Lava Jato




A Organização Odebrecht, em respeito a seus Clientes, Sócios, Investidores, Instituições Financeiras, Fornecedores, Usuários de seus Serviços, Amigos e Integrantes, expressa sua indignação com as ordens de prisão de cinco de seus executivos e de busca e apreensão em algumas de nossas empresas como resultado da 14ª fase da Operação Lava Jato, ocorrida nesta última sexta-feira (19/06).

A decisão que decretou as prisões de nossos executivos e deferiu as buscas e apreensões, evidencia que passado mais de um ano do início da Lava Jato, a Polícia Federal não apresentou, como alegado na decisão judicial, qualquer fato novo que justificasse as medidas de força cumpridas, totalmente desnecessárias e, por isso mesmo, ilegais.

Na realidade os únicos elementos novos apresentados agora representam manifesto equívoco de interpretação de fato:

- O “depósito” supostamente feito pela Odebrecht na conta da empresa Canyon View Assets S/A, apontado como um dos principais fundamentos para a decretação das prisões, e amplamente difundido pela imprensa nos últimos dias como prova irrefutável de corrupção, não é um depósito. Trata-se de um investimento realizado por um dos réus da Lava Jato em títulos privados (bonds) emitidos por uma empresa da Organização Odebrecht e livremente negociados no mercado internacional, obrigatoriamente por meio de instituições financeiras e sem qualquer controle ou envolvimento da Odebrecht.

Quanto ao e-mail de 21/03/2011, trocado entre nossos executivos, também amplamente divulgado pela mídia como prova de ilicitude, esclarecemos:

      * a sequência de mensagens que antecede o referido e-mail, constante do Relatório Policial, mas omitida na decisão proferida, deixa claro que se tratam de discussões técnicas entre os executivos para a preparação de proposta visando a contratação de operação de sondas, entre partes privadas, sem qualquer ilegalidade. O uso isolado de apenas uma das mensagens trocadas retirou do seu real contexto a comunicação ocorrida.

   * o termo “sobre-preço” utilizado no e-mail nada tem a ver com superfaturamento, cobrança excessiva, ou qualquer irregularidade. Representa, apenas, a remuneração contratual que a Odebrecht Óleo e Gás, como operadora de sondas, propôs à Sete Brasil, e que compreende o reembolso do custo de operação e manutenção (cost) das sondas, acrescido de uma remuneração fixa sobre o referido custo. Ou seja, representa a tradução do termo usual de mercado “cost plus fee.

Quanto à suposta vinculação da Odebrecht com empresas do Sr. João Antônio Bernardi Filho e com a Sra. Christina Maria da Silva Jorge, esclarecemos que o Sr. Bernardi deixou de integrar qualquer empresa da Organização Odebrecht há mais de uma década, e que a Sra. Christina nunca foi nossa integrante. A Odebrecht não possui, nem nunca possuiu, qualquer relação com as empresas das referidas pessoas.

A sustentação de prisão para evitar a reiteração criminosa, por não terem as autoridades competentes proibido a Construtora Norberto Odebrecht de contratar com a Administração Pública, principalmente no que concerne o último pacote de concessões que no momento é apenas um conjunto anunciado de intenções, é uma afronta aos princípios mais básicos do Estado de Direito. Tanto assim que a Controladoria Geral de União, a Advocacia Geral da União e o Ministro da Justiça afirmaram publicamente que as empresas somente podem sofrer restrições para contratar com a Administração Pública após julgadas e condenadas com observância do devido processo legal.

Outra afronta ao Estado de Direito é a presunção do conhecimento de fatos supostamente ilegais pela alta administração das companhias como medida suficiente para justificar o encarceramento de pessoas. 

Ainda, a afirmação da decisão judicial de que as empresas da Organização Odebrecht nada fizeram para apurar em seu âmbito interno as supostas irregularidades não corresponde à realidade. Todas as nossas empresas possuem e praticam um Código de Conduta e um Sistema de Conformidade (compliance), efetivos e amplamente divulgados, em total alinhamento à legislação anticorrupção brasileira e internacional. Exemplo desta prática é a publicação de Fato Relevante pela Braskem na data de 02/04/2015.

Quanto aos pagamentos supostamente realizados pela Constructora Internacional del Sur, a Odebrecht reitera que nenhuma de suas empresas possui, nem nunca possuiu, qualquer vínculo nem efetuou qualquer pagamento à referida empresa.

A Odebrecht nega ter participado de qualquer cartel. Não há cartel num processo de contratação inteiramente controlado pelo contratante, como ocorre com a Petrobras, onde a mesma sempre definiu seus próprios orçamentos e critérios de avaliação técnico-financeiro e de performance.

Além disso, a Organização Odebrecht nunca colocou qualquer tipo de obstáculo às investigações. Ao contrário, seus executivos sempre se colocaram à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. De fato, quatro dos cinco executivos presos já compareceram à sede da Polícia Federal em Brasília e prestaram depoimentos nos inquéritos da Lava Jato que tramitam perante o STJ e o STF. No âmbito da Justiça Federal do Paraná, forneceram todos os documentos solicitados e ofereceram-se formalmente para prestar depoimentos– depoimentos estes para os quais nunca foram convocados, e que teriam certamente esclarecido todos os pontos.

Ainda que profundamente perplexos e indignados pelo ocorrido, não nos deixaremos abater. Nosso modelo de gestão, baseado nos princípios de delegação e descentralização, assegura que nossas 15 áreas de negócio e mais de 100 empresas, lideradas de forma plena e independente por nossos executivos e por suas equipes, prossigam normalmente com o cumprimento de nossas obrigações, como sempre o fizemos, de forma reconhecida ao longo dos mais de 70 anos de nossa história, dos quais metade dela com presença no exterior.

Este é o nosso compromisso com os Clientes, Sócios, Investidores, Instituições Financeiras, Fornecedores, Usuários de nossos Serviços e Comunidades nos 21 países onde atuamos. Estamos convictos de que nossos mais de 160 mil integrantes manter-se-ão ainda mais unidos pela prática de nossa cultura empresarial e pelos laços de confiança que nos unem, reservando o orgulho de pertencer à Organização Odebrecht.

Finalmente, neste momento, expressamos a nossa solidariedade irrestrita e apoio às famílias dos executivos que injustamente tiveram cerceado seu direito constitucional de liberdade. Seguiremos juntos na defesa de nossos integrantes, e para tal continuaremos ainda mais à disposição das autoridades colaborando para que todas estas questões sejam rapidamente esclarecidas, convictos que a verdade virá à tona e que a justiça prevalecerá, pois acreditamos que os fatos ocorridos decorrem de equívocos de informação e interpretação.
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O espetacular fiasco da capa da Época que prometia o fim da República

O Kim Kataguiri do jornalismo
Quando cheguei à Editora Globo como diretor editorial, em 2007, topei com uma coisa que jamais imaginara ver na carreira.

A Época era a campeã de reclamações no Procon por causa de uma promoção em que prometia — ia escrever dava, mas não era bem o caso — um dvd para quem a assinasse.

Emails de queixas transbordavam dos canais normais da editora — assinatura etc — e, sem resposta, acabavam chegando aos editores.

Foi uma das maiores trapalhadas que presenciei no jornalismo e no mundo corporativo como um todo.

A Globo simplesmente não conseguia entregar os dvds, por conta de um planejamento esdrúxula e uma logística ainda pior.

E em vez de leitores tínhamos, na revista, compradores de dvs. Nas pesquisas com leitores, era constrangedor constatar que eles não liam a revista: simplesmente a recebiam por causa do brinde.

Por trás da operação estava o bom, o competente Fred Kachar, hoje diretor geral da editora e responsável por administrar a agonia dos títulos da casa.

Bem, lembrei dos dvds não entregues por causa da edição da semana passada.

A Época prometia, desta vez, não dvds, mas uma coisa muito maior: o fim da República, por conta da prisão do dono da Odebrecht.

Ele supostamente contaria tudo e a República acabaria.

O pobre leitor da Época passou o final de semana contando para os amigos que a República chegaria ao fim na segunda. E eis que não acontece nada senão uma reação fortíssima da Odebrecht que bate, como jamais ocorrera até aqui, nos fundamentos da Lava Jato.

Antes, a revista não entregou os dvds. Agora, sonegou o fim da República.

Os leitores deveriam se dirigir, de novo, ao Procon.

A sonegação virou, merecidamente, piada na internet.

Mas o bonito foi ver a reação do editor da Época, o Kim Kataguiri do jornalismo, Diego Escosteguy.

No Twitter, onde passou a fazer militância antipetista em vez de jornalismo, ele se manifestou, depois do fiasco, como um Napoleão das notícias.

Se a República de fato houvesse caído, ele não poderia estar mais autocongratulatório do que está.

Postou uma foto de Lula na Odebrecht, como se isso fosse revelador. Você encontra foto de toda a elite política na Odebrecht, ou na companhia de seus donos.

Disse que pegou o apelido de Brahma para Lula. Ora, quem não tem apelido?

Vou dar uma informação a ele. Na Editora Abril, seus patrões, os irmãos Marinhos, eram chamados por Roberto Civita de Três Patetas.

Uma vez, na saída de uma reunião do Conselho Editorial da Globo, José Roberto Marinho correu até mim, incomodado, para me perguntar se era verdade que Roberto Civita os chamava de Três Patetas.

Escosteguy é um exemplo da miséria jornalística que tomou as grandes empresas de mídia na louca cavalgada para derrubar o PT.

Você ascende não pelo talento, mas pela disposição em promover um valetudo contra o PT. A competência exigida é apenas esta — o antipetismo incondicional.

A Época conseguiu, por exemplo, publicar uma pesquisa no começo do segundo turno de um certo Instituto Paraná de acordo com a qual Aécio já estava eleito, tamanha a diferença que estabelecera.

Os assinantes minguam, as vendas em bancas minguam. Mas isso não é problema para Escosteguy, assim como o Ibope pavoroso não é problema para Ali Kamel.

Deles não se espera qualidade e nem a audiência que só a qualidade traz.

São pagos para matar.

Se um dia perderem o emprego será por terem fracassado nisso — matar o PT.

Paulo Nogueira
No DCM
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De volta

A instabilidade que atinge o governo mudou de lugar. Mudou também de motivação, de forma e de intensidade.

O impeachment calou, por pressão dos mais lúcidos do PSDB contra o rock pauleira de Aécio e sua banda. Enquanto soou, Dilma Rousseff pôde ter noção do volume e da natureza do adversário. Joaquim Levy não tem como fazê-lo: a seu respeito, tudo se passa em sussurros.

Em áreas que esperavam regozijar-se com a nova política econômica do governo, aumentam muito os sinais confiáveis de uma inquietação já vista em ocasiões um tanto distantes, quase esquecidas, mas de fins conhecidos. Foram as fases em que movimentações sub-reptícias corroíam o chão de Delfim Netto, Dilson Funaro, Bresser-Pereira, e tantos outros a quem estiveram atribuídos apoios amplos e a imagem de representatividade de fortes setores empresariais. O capítulo final dessas movimentações foi sempre o mesmo.

Distante de percepções públicas, dissemina-se entre empresários importantes a desconfiança — se não mais — de que Joaquim Levy não é o homem certo no lugar certo. Não falta nem a opinião de que não o é apenas na situação atual de agravamento, mas já não era ao ser escolhido — o que se teria mostrado na ausência de efusividade empresarial quando apresentado por Dilma para a Fazenda.

A aceleração dos indicadores negativos está vista, na inquietação, como evidência de que nada se passa conforme o previsto e dito por Levy, faltando-lhe portanto controle sobre o fundamental. Dessa visão decorrem vários temores, dos quais um dos maiores ainda não teve, por cautela, nem simples menção: o temor de que não se esteja longe de uma quebradeira, que se insinua nas demissões em massa, na redução dos turnos de trabalho e já no encerramento de comércios e indústrias.

O desemprego crescente traz consigo o temor empresarial de reativação do movimento sindicalista, com agitações mais propensas às violências hoje comuns à maioria das manifestações reivindicatórias. Com as próprias previsões da Fazenda, do Planejamento e do Banco Central adiando para o final de 2016 o que Levy anunciava para este ano, tudo já fora de controle — como o desemprego e a inflação — só pode agravar-se e agravar os riscos temidos. E nem ao menos o grande objetivo do "ajuste fiscal" foge à regra da falta de controle, já reduzida a previsão de superávit à metade daquele mínimo que justificou toda a nova política econômica. E a nomeação do próprio Levy.

Não se notam sinais de que o mal-estar com a condução do "ajuste" esteja percebido na Presidência. Se já está, Dilma, ainda que possa querer, não tem muito o que fazer em proteção a Joaquim Levy, por falta de condições políticas e de quaisquer outros possíveis apoios.

Situações como a atual são, às vezes, como jogo de paciência. Às vezes.

Janio de Freitas
No fAlha
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Reputação ilibada


Muito já se escreveu — e ainda se escreve — sobre o que seja a tal de “reputação ilibada”, expressão consagrada na Constituição Federal.

A tradição oriental faz com que pessoas sobre as quais recaiam mínimas suspeitas de não possuírem reputação ilibada se matem, abandonem a vida pública, vendam seus negócios…

No Brasil o que fazem as pessoas de reputação ilibada? Reúnem-se para jantar.

Nosso modelo cultural, do tipo colonizados e “os outros sempre são melhores que nós” nos faz tomar como ditado principal “o exemplo deve vir de cima”. É o velho espírito subserviente que nos domina há quinhentos anos.

E quando vemos uma imagem como essa — de homens que podem ter o que bem quiserem, menos a tal da reputação ilibada — somos tomados por uma profunda admiração: nosso sonho mais íntimo é ser como eles. Sentimos inveja por não estarmos ali, naquela mesa.

Mas há um outro que também sente inveja por não pertencer ao seleto grupo. E que pensa ter a mesma reputação ilibada que seus ídolos ali sentados.

Essa imagem e o fato de que nada tem feito o invejoso — ou há de fazer — contra eles é o retrato mais puro de um Brasil que precisa acabar.

Não é a miséria ou a fome o nosso maior problema, Nosso maior problema é aceitarmos quietos cenas como essas e juízes que fazem de tudo para poderem sentar ao lado dessa gente.

Gente de reputação ilibada…

Luiz Afonso Alencastre Escosteguy
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