22 de jun de 2015

G1 dá mais destaque à ‘Bíblia intacta’ do que a mortos

Crença no sobrenatural contamina um relato
jornalístico do G1
A notícia que o G1 publicou no dia 11 deste mês é um exemplo, entre tantos, da distorção que a crença no sobrenatural causa em um relato jornalístico, que, a priori, deve ser o mais objetivo possível.

Ao informar sobre uma colisão entre duas carretas, seguida de uma explosão, na rodovia MS-306, na região da cidade de Costa Rica (MT), a correspondente do portal deu mais destaque a uma Bíblia, por ela ter ficado “praticamente intacta”, do que aos dois motoristas que morreram carbonizados.

O texto da correspondente tem com base as declarações do delegado Cleverson Alves dos Santos, segundo o qual testemunhas, socorristas e policias ficaram emocionados com o fato de a Bíblia com uma capa de couro e zíper estar inteira, com apenas uma mancha de fuligem. "Ela está intacta e tem dedicatória."

A repórter não informou se alguém se condoeu pelos motoristas mortos ou pela família deles.

Objeto foi um dos poucos que não ficou destruído no incêndio, diz delegado (Foto: Igor Santana/ Costa Rica em Foco) 
Uma possível explicação de a Bíblia ter resistido ao fogo é a sua capa de couro, que tem um ponto de combustão mais alto do que o do papel, por exemplo.

A repórter e o delegado Santos aparentemente não sabem disso.

Tanto que ele comentou: “Só a Bíblia ficou assim [inteira], o restante ficou tudo retorcido e queimado. É difícil de explicar. Pra quem tem fé é interessante, foi um fato que chamou a atenção, principalmente porque a Bíblia é feita de papel, fácil de queimar, e foi a única que ficou intacta".

Só faltou Santos dizer que tinha havido ali um milagre e a repórter transcrever sem nenhum questionamento.

Se tivesse sido algo assim, por que o bondoso deus cristão preferiu salvar a Bíblia, da qual existem milhões de exemplares, aos dois motoristas? Qual teria sido, nesse caso, o plano divino?

A reportagem não explica.

Notícias distorcidas pela crença religiosa — e às vezes de forma descarada, como essa — têm sido frequentes na internet, incluindo portais de grande audiência, como o G1.

Talvez fosse o caso de os leitores fazerem a campanha “imprensa laica, já!”. Ou considerar esse tipo de notícia pelo que é: lixo.

No Paulopes
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Vlogueira feminista diz que G1 distorceu “toda” a sua entrevista

Dei entrevista pro G1 e… distorceram tudo!




Hoje foi publicada uma matéria bem interessante no G1 sobre vlogueiras feministas, e contou com a participação das minhas colegas Gabbie Fadel, Bruna Vieira, Jout Jout e Acid Girl. Ah, e eu! Mas sabe o que me deixa mais triste? A edição da reportagem tirar todas as colocações positivas e distorcer qualquer coisa pra ganhar cliques. Na manchete parece que eu desdenho do movimento feminista, me colocando como superior por fazer vídeos. A minha sorte foi que essa entrevista foi por email, então eu tenho aqui EXATAMENTE o que respondi pra jornalista Letícia Mendes. Como teve uns momentos bem bacanas, resolvi dar um Ctrl C+V no email que respondi pra ela pra que vocês possam ler tudo, e acrescentei alguns comentários posteriores, que estão destacados em itálico.

Ah, só pra situar vocês: Ela me enviou email pedindo entrevista por telefone, marcou que ia ligar, mas não ligou. Depois enviou as perguntas por email, dizendo que não teria tempo de fazer por telefone.

Email do dia 15/6/2015

G1 – Primeiro queria saber sua idade, onde você mora e qual sua profissão, se você se formou em alguma faculdade.

Comentário: Começamos bem, a jornalista nem abriu o “about me” do YouTube ou do blog. Tudo isso sempre tá nos meus perfis. Sem falar que na matéria saiu que sou “curitibana”, hehe.

Lully – 24 anos, Rio de Janeiro, vlogueira. Me formei em Cinema e Vídeo pela FAP.

G1 – Como e quando surgiu a ideia do seu canal?

L – Em 2011 eu ganhei um computador bom pra editar trabalhos da faculdade, mas enquanto nada aparecia, resolvi gravar meus próprios vídeos e praticar, postando no blog sem compromisso. Acabou que as pessoas gostaram muito e fui atrás de me profissionalizar. Mas foi só em 2013 que pude me dedicar 100% a isso, sem empregos paralelos.

G1 – Como você faz seus vídeos? Você que faz tudo: monta o cenário, faz um roteiro, edita? Quantas horas leva? Como você define a duração que o vídeo vai ter?

L – Eu anoto qualquer ideia que surja, e quando chega o dia de gravar (normalmente uma vez por mês) eu seleciono os temas e faço os roteiros. O cenário é meu próprio quarto, então só tenho que dar uma organizada, monto luz, câmera e pronto. Em geral gravo mais de um vídeo por vez, na última leva foram 6 vídeos. Pra gravar demora no máximo uma hora cada um, e pra editar talvez meia hora, dependendo se é muito grande. Um vídeo curto como os do quadro “O que é?” demoram poucos minutos.

G1 – Como é sua rotina? Você tem rotina?

L – Semanalmente verifico as cabines de imprensa que vão acontecer, normalmente elas são meu primeiro compromisso do dia. Quando não tem cabine, posso dedicar a manhã a outras coisas. Cada dia é diferente, às vezes tenho que editar vídeo, às vezes escrever uma crítica, mas em geral não tenho horário fixo. Se eu passar o dia sem fazer nada, compenso de madrugada, finais de semana ou feriado. Esse é o lado ruim de não ter chefe: os fins de semana não existem, hehe.

G1 – Qual é o diferencial do seu canal do de outras meninas?

L – Acho que são duas coisas: uma delas é fazer conteúdo unissex, já que sabemos que a maior parte das vlogueiras se sente mais confortável falando apenas com mulheres, em temas como maquiagem, cabelo, moda, etc. A segunda coisa é que meu conteúdo é focado em quem se interesse por cinema, e muitas vezes vai além do superficial. Falo sobre como é estudar e fazer cinema, o que interessa muitos adolescentes que pensam em fazer isso na faculdade.

Comentário: isso não foi pra matéria, só o ponto em que poderia causar um atrito com outras youtubers. O foco em cinema com viés acadêmico é algo muito importante pra mim e acredito, pro meu público também.

G1 – Quais temas você gosta de abordar por serem tabus?

L – Tento evitar polêmicas desnecessárias, mas conforme fui aprendendo quem era meu público, me senti mais confortável pra falar sobre a influência negativa da igreja na política e também sobre questões feministas. Nem todos vão concordar, é claro, mas recebo um apoio muito grande. Meus assuntos favoritos ainda são cinema, é importante ressaltar.

Comentário: “é importante ressaltar, por isso não ressaltamos.” hahahahahahaha

G1 – Qual vídeo mais gostou de fazer? E qual você se arrependeu assim que colocou no ar?

L – São tantos que gostei! Quando rola uma publicidade diferente é legal, porque dá a oportunidade de sair do comum, tentar um cenário ou uma proposta diferente. E as viagens também, claro. Não me arrependo de nenhum vídeo, só fico triste que o vídeo com mais views no meu canal seja justamente uma sátira, que nem sempre é compreendida por quem não é inscrito. Mas já era esperado, afinal tendo como convidado o Felipe Neto, atraiu muita atenção (positiva e negativa).

G1 – Você já falou bastante sobre feminismo no seu canal. Acredita que o feminismo tem ganhado mais espaço na internet, especificamente nos canais de garotas no youtube?

L – Sim! Acho engraçado quando falam que somos “feministas de internet”, pq é por aqui que o mundo tá mudando. Se houvesse necessidade de sair na rua e protestar eu o faria, mas acredito que as minhas atitudes online têm maior alcance. Um vídeo meu sobre feminismo com mais de 100K visualizações fez muito mais pelo movimento do que eu ter ido numa caminhada pró-legalização do aborto que rolou em Copacabana no ano passado.

Comentário: Quem acompanha minhas redes sociais lembra que eu fui nessa manifestação e fiquei chateada que começaram a gongar um homem que tava lá. As mulheres começaram a falar pra ele se calar, porque era homem. Fui embora quando começaram com “a luta pelo feminismo é uma luta pelo comunismo”. É por essas e outras que prefiro me expressar em vídeo, porque as manifestações podem perder o foco facilmente. ENTRETANTO, não tiro de forma alguma a importância delas! São elas que aparecem nas notícias, afinal de contas.

G1 – O que foi mudando no seu canal desde a estreia?

L – Quando comecei, eu não tinha plano de negócios e nenhuma noção de onde iria chegar. Também iniciei falando sobre temas mais femininos, e depois descobri que não queria ser essa pessoa. Me encontrei como formadora de opinião e descobri muito a respeito da comunicação online.

G1 – O que mudou na sua vida depois de lançar o canal?

L – Em 2012 as pessoas começaram a me reconhecer na rua e desde então o número só cresce. No final de semana fui fazer uma prova de inglês e até lá encontrei um inscrito do meu canal. Isso é muito legal, nos dá a oportunidade de conhecer quem nos conhece tão bem.

Além disso, pude me estabelecer financeiramente. Quando criei o canal eu tava no 3o. ano de cinema, e as perspectivas não eram muito animadoras, especialmente em Curitiba. Muita gente me pergunta porque eu não trabalho na área, o motivo é bem simples: vlogar me dá mais liberdade (flexibilidade de horários, viagens, etc) e segurança (quem trabalha com cinema sabe bem como é essa inconstância de ter trabalho agora, mas mês que vem talvez não). Eu amo trabalhar no set, mas ter seu próprio público, seu próprio projeto é muito gratificante.

G1 – As pessoas te abordam na rua? Como é a abordagem?

L – Sim, eu adoro quando isso acontece. Muita gente me chama e fala que gosta do meu canal, conta alguma história legal sobre como os vídeos influenciaram em alguma escolha pessoal. Tem gente que já conseguiu convencer os pais a deixar pintar o cabelo, outras pessoas iniciaram uma faculdade de cinema… Muitas histórias e todas incríveis! Adoro poder conversar com o meu público, sinto que existe um respeito mútuo. Eles são amigáveis, não invadem minha privacidade e em troca eu me sinto confortável pra parar e trocar uma ideia, tirar uma foto, etc.

Comentário: Nem mencionaram essa parte, porque é só fofura e amorzinho. Como a manchete já me vendia como alguém arrogante, isso ia estragar o ponto de vista da matéria.

G1 – Quanto você ganha de publicidade pelo canal? Você conseguiria viver só do YouTube?

L – Não entendo muito bem por que é normal perguntar isso pra um youtuber, mas não pra um empresário ou profissional de outra área. Minha renda é o suficiente pra eu morar com duas amigas num apartamento no Rio. Atualmente vivo só de publicidades nos vídeos e ações pagas. Eu e muitos youtubers somos empresas MEI, emitimos nota fiscal para as agências conforme fechamos jobs.

Comentário: Só eu que fico incomodada com essa pergunta? Parece que o pessoal tá querendo fiscalizar nossa grana, sendo que é dinheiro honesto, com nota fiscal e tudo. As pessoas têm que parar de achar normal sair perguntando isso pra blogueiro e vlogueiro. Se você não perguntaria isso pro seu dentista ou pro seu professor, por que tem que perguntar pra profissional de internet? E outra: é pela nossa própria segurança. Tem gente que fica só de olho nessas matérias pra descobrir próximos alvos de assalto, sequestro, etc…

G1 – Quais outros canais de garotas você assiste?

L – Adoro a Laci Green, que é uma sexóloga americana de 23 anos. O canal dela é sobre sexualidade e ela aborda tudo com muita leveza.

Já as brasileiras: Cíntia Disse (dicas de inglês), Jout Jout (vlogs diferentes), Ana de Cesaro (autoimagem e vlog), Julia Jolie (ciência e política), e claro, minhas duas roommates: Marcela Lahaud (Embarque Imediato, sobre viagens) e Natalia Kreuser (Kreuser Tipo Freud, vlogs, séries e games).

Comentário: “NÃO PÓDJI indicar azamiga, porque mulher tem mais é que se odiar, não pode ser amiga.”

G1 – Quais são seus planos futuros? Continuar com o canal no YouTube está entre eles?

L – Com certeza não pararia com o YouTube tão cedo! Mesmo que ele deixe de ser minha fonte de renda por qualquer motivo, ainda assim continuaria por hobby. Quero muito viajar e conhecer outros países, seria muito bom poder fazer um intercâmbio (sempre quis, mas nunca tive a oportunidade quando era adolescente).

G1 – Ahh, Luisa, quero te pedir um favor. Você pode me mandar fotos suas para eu usar na matéria? Também gostaria muito que você gravasse um vídeo bem rápido, de até 1 minuto, me mostrando o ambiente em que você faz os seus vídeos. Você faria, por favor?

L – Sobre o vídeo, infelizmente não tem como. Eu já fiz um vídeo mostrando meu quarto antigo, de Curitiba. Além disso, já mostramos nossa casa nesse vídeo aqui. Espero que você entenda, mas “gravar um vídeo” é o meu trabalho, então é quase como se eu te pedisse pra escrever uma matéria pra citar em um vídeo meu, hehe. A gente sabe quanto custa nosso trabalho e o tempo investido em cada projeto.

Quanto às fotos, estão anexadas aqui no email.

Comentário: Recebi alguns tweets de apoio em relação a isso. Se a gente quer ser respeitada como profissional, não pode ficar fazendo as coisas de graça, como “favorzinho”, né? Então por mais que na matéria isso pareça arrogante, vocês podem ver acima que foi da maneira mais educada do mundo que eu respondi a esse pedido absurdo. Quem mandou bem mesmo foi a Jout Jout, que respondeu a entrevista TODA em vídeo. Assim não deu margem pra citações erradas, como eu. Arrasou!

Se tiver alguma dúvida, é só falar!

Obrigada

Bjs

Lully

— fim do email —

É muito bom ganhar tanta visibilidade com uma entrevista em um portal grande, mas é uma pena a gente viver na pele essa parcialidade da mídia e ter a certeza de que NADA do que se lê nos portais brasileiros é fiel ao que foi dito pelo entrevistado. Se eles mudaram a minha frase, quem garante que não mudam a de outras pessoas, né?

Bom, fica aí a reflexão e muito obrigada por lerem o meu lado da entrevista :)

Beijos a todos!

UPDATE 22/06/2015 – 18h32

Graças ao barulho dos tweets, a matéria recebeu algumas alterações, como correção de que sou carioca e contextualizando melhor a minha colocação sobre o vídeo de feminismo vs. marcha (Mas a manchete continua igual). Recebi via Twitter um print da foto geral da reportagem, que inclui as quatro outras vlogueiras, só com imagens delas, sem a minha. Não sei se foi proposital, mas de qualquer forma, quero agradecer a todos que ajudaram a verdade se espalhar pela internet hoje :)

Lully
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Nova comitiva de senadores deve ir à Venezuela



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O dia em que o homem mais rico do Brasil pegou um elevador comum

Lemann foi constrangido segundo Fernando Rodrigues
Um texto da grande mídia me chamou particularmente a atenção na semana passada.

O motivo é que ele era extraordinariamente revelador da mentalidade que domina as corporações jornalísticas.

O autor do texto é o jornalista Fernando Rodrigues, do UOL.

Ele escreveu sobre o “constrangimento” imposto ao “homem mais rico do país”, Jorge Paulo Lemann, por este ser obrigado a usar o elevador comum numa visita a Dilma no Palácio do Planalto.

Usar elevador comum é fonte de constrangimento: este é o ponto de Fernando Rodrigues.

Um fotógrafo reconheceu Lemann e registrou a cena. Rodrigues classificou-a, triunfante, como um “furo”.

Pobre sociedade brasileira.

Na Escandinávia, como Claudia Wallin mostrou em seus textos, juízes da Suprema Corte se locomovem de bicicleta de casa rumo ao trabalho. Dirigem seus próprios carros, pagam suas contas, lavam suas roupas.

E dividem os elevadores com as pessoas que querem subir ou descer.

Primeiros ministros também.

É uma cultura igualitária — e é aquela pela qual se bate o DCM.

No Brasil, pelo menos no Brasil das empresas de jornalismo, é o oposto. Um empresário pegar o elevador comum é um embaraço.

É uma coisa que reflete o que os jornalistas vêem em seu ambiente de trabalho. Quase sempre, quando os patrões chegam, os elevadores são imperialmente bloqueados aos demais funcionários.

Sua Majestade chegou.

Essa mentalidade está na raiz dos privilégios dados ao chamado 1%. Entende-se que eles não pertencem ao mesmo mundo de todos os outros, mas a uma esfera superior, digna do tratamento dispensado aos Luíses da França pré-Revolução.

Pegar seu próprio café passa a ser um insulto. Lavar sua própria sujeira, pior ainda. Dirigir seu próprio carro, nem pensar.

Aliás: quem falou em carro próprio?

Veja os juízes do STF. Não apenas andam de carros pagos pelos contribuintes como têm motoristas para levá-los a almoços e jantares que não pagarão com o seu dinheiro.

É isso também que leva um senador como Aécio a achar normal requisitar um avião da FAB, sustentado pelos contribuintes, para uma missão patética na Venezuela.

Na classe média, essa mentalidade é uma tragédia. Não lavamos nossos pratos, não fazemos nossa cama. E se quem faz isso por nós ascende socialmente, como aconteceu nos últimos anos, ficamos revoltados e vamos bater panelas.

Na Escandinávia, vigora a Janteloven, um código de conduta derivado do que vigorava nos romances de um escritor antigo local.

O primeiro mandamento é: “Não sou melhor que você e nem pior.” O lixeiro não é pior que o primeiro ministro, o milionário não é melhor que a faxineira.

No Brasil das companhias jornalísticas, um empresário sofre um constrangimento se pegar um elevador ao lado de gente comum.

O dia em que esse tipo de mentalidade desaparecer — e o DCM contribuirá para tanto, na medida de nossas modestas possibilidades — seremos uma sociedade enfim desenvolvida.

Paulo Nogueira
No DCM
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"O PT precisa construir uma nova utopia", diz Lula


Nesta segunda-feira (22), durante a conferência “Novos Desafios da Democracia”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em discurso que "o PT precisa construir uma nova utopia" e defendeu uma "revolução interna no partido". "Queremos salvar a nossa pele, nossos cargos, ou queremos salvar o nosso projeto?", indagou.

Ao lado do ex-presidente do Governo da Espanha Felipe González, palestrante convidado do evento, Lula afirmou que o Partido dos Trabalhadores "precisa, urgentemente, voltar a falar para a juventude". "Fico pensando se não está na hora de fazer uma revolução neste partido e ter lideranças mais jovens, ousadas, com mais coragem", completou.

O futuro, avaliou o ex-presidente, passa por dominar as novas tecnologias e dar importância à comunicação. "Temos que brigar melhor na internet, nas redes sociais", disse. Se não há espaço na mídia tradicional para os grupos de esquerda, "então vamos nós fazer comunicação".

Fazendo referência a partidos como o Podemos (Espanha) e outras iniciativas populares no Brasil e no mundo, o ex-presidente alertou: "Dos movimentos de hoje, que surja um partido melhor que o PT, mas que surja. Porque quando se nega a política, o que vem é muito pior".

A fala do ex-presidente contemplou um balanço dos avanços da democracia brasileira e identificou desafios para o futuro. A respeito dos últimos 12 anos de gestão do partido, ressaltou que "nunca antes na história do Brasil o povo exerceu tanto a democracia e participou das decisões do governo como no governo do PT". "Se perguntarem qual foi meu maior legado, foi o exercício de democracia que praticamos no governo", afirmou o ex-presidente, depois de relembrar as 74 conferências temáticas nacionais realizadas entre 2003 e 2010 para discutir políticas públicas com a sociedade.

Enquanto relembrava seu governo, Lula refletiu sobre o amadurecimento do PT desde sua fundação, há 35 anos, até a fase atual, no poder. "Quando você é oposição, é muito fácil. Você pensa, acha, acredita. No governo, tem de fazer e tomar posições", afirmou.

A conferência “Novos Desafios da Democracia” foi promovida pelo Instituto Lula em parceria com as Fundações Friedrich Ebert e Perseu Abramo, e contou com a presença de políticos, intelectuais, representantes do movimento sindical e de movimentos populares.



No Instituto Lula
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Por que Moro não viu bilionário sangrar o Banestado

Em 2014 Miguel Gellert Krigsner, dono de O Boticário, entrou para o seleto grupo dos bilionários brasileiros. Segundo a revista Forbes a fortuna dele é avaliada em R$ 2,8 bilhões.

Mas na década de 90, o hoje bilionário, buscava oportunidades para aumentar seus negócios.

E eis que surge o Banestado com um negócio a La Maringá.

Uma das grandes operações que sangraram o Banestado, foi no dia 21 de maio de 1996 quando o Banestado liberou R$ 8 milhões para a construção do Shopping Aspen Park em Maringá.

Em 1998, após a conclusão da obra, a Banestado Leasing vendeu a sua parte no empreendimento para a empresa Kadima, pertencente a Miguel Krigsner, na época único proprietário do Grupo O Boticário, pelo valor de R$ 2.100.000,00.

Desta forma, o banco assumiu um prejuízo de R$ 5.900.000,00, sem falar nos juros e correção monetária do período decorrido entre a compra e a venda da participação no empreendimento. Além disso, pelo fato da obra já estar concluída, é óbvio que o seu valor teria de ser muito maior na época da venda, e não menor do que o que foi pago dois anos antes, na compra.

Sergio Moro, que é natural de Maringá, foi o responsável por julgar as falcatruas do Banestado, mas pelo visto, ele nada viu.

O Boticário é controlado pelo Grupo K&G que tem participação no Müeller Shopping Center, em Joinville (SC), no Shopping Total, em Porto Alegre, além do Aspen Park Center, em Maringá (PR).

Será que nos empreendimentos dos shoppings de Porto Alegre e Joinville o felizardo bilionário também teve tamanha molezinha como foi o caso de Maringá?

* * *

Ouvindo o outro lado

Enviamos ao juiz Sergio Moro o e-mail abaixo, mas até o fechamento da matéria não obtivemos resposta.

e mail para Moro

Detalhe curioso: durante o período eleitoral de 1998, a Secretaria de Comunicação Social paranaense determinou ao Banestado que veiculasse propaganda e patrocinasse diversos órgãos de imprensa do Estado, especialmente jornais, ocasionando um prejuízo, na época, de mais de R$ 16 milhões à instituição financeira.

Ocorreu um silêncio criminoso da maioria dos órgãos de imprensa do Paraná, que se beneficiava dessa roubalheira através de propaganda massiva e milionária feita pelo governo da época, para silenciar sobre as denúncias que surgiam. É fato a participação da imprensa — ainda que de forma indireta — como beneficiária dos escândalos do Banestado.

FONTES:

No Megacidadania
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Ministério Público pede afastamento de juiz da Operação Zelotes


O MPF (Ministério Público Federal) quer o afastamento do juiz Ricardo Augusto Soares Leite da 10ª Vara Federal de Brasília. Leite é o juiz da Operação Zelotes, que apura esquema de corrupção no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão responsável por julgar os autos de infração da Receita Federal.

Segundo a polícia, multas contra empresas somando 19 bilhões de reais tiveram o julgamento alterado pela ação de uma quadrilha que atuava junto ao órgão.

O MPF, no entanto, disse que não conseguirá anular a maioria dos casos, porque várias decisões judiciais dificultaram a obtenção de provas. Leite negou todos os pedidos de prisão dos investigados, suspendeu escuta telefônica e não autorizou buscas e apreensões.

A Procuradoria já representou contra Leite na Corregedoria do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), em abril deste ano. Se nenhuma medida for adotada pela corregedoria da Corte, a Procuradoria da República no Distrito Federal vai recorrer ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Juiz substituto, o magistrado está há aproximadamente dez anos no comando da 10ª Vara, especializada em julgamentos de crimes de lavagem de dinheiro.

Vampiros

Nesse período, passaram pelas mãos de Leite casos como o da máfia dos Vampiros, o de Maurício Marinho (Correios), Waldomiro Diniz (Casa Civil) e o da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo.

Na representação à corregedoria do TRF, os procuradores relataram o que classificam como “a existência de um crônico e grave quadro de ineficiência” na atuação de Leite.

De acordo com o documento, o magistrado prejudicou o andamento dos processos por demorar para tomar decisões simples e por empregar expedientes jurídicos vetados pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Os procuradores dão exemplos de como “a extrema morosidade” no trâmite dos processos na 10 Vara gera “substanciais prejuízos” ao País.

Na Operação Vampiro, deflagrada em 2004, o STJ negou um recurso impetrado pelos réus e autorizou, em 2010, o andamento regular do processo. A ação penal só foi retomada pela 10 Vara em fevereiro de 2012.

A Justiça suíça bloqueou recursos nos nomes de alguns dos réus. O dinheiro não foi repatriado para o Brasil porque até hoje não há uma decisão definitiva sobre o caso.

Na representação ao TRF, o MPF pede que a corregedoria instaure procedimento avulso contra o juiz e uma correição extraordinária na 10ª Vara Federal. Entre as punições previstas que podem ser aplicadas ao juiz, estão advertência, remoção para outra vara e até mesmo aposentadoria compulsória.

Na correição extraordinária, seria feito diagnóstico completo da Vara para acelerar o andamento dos processos. Nos próximos dias, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) vai na mesma direção: solicitará ao CNJ a instauração de sindicância e processo administrativo disciplinar contra o juiz. Segundo Pimenta, relator da subcomissão da Câmara criada para acompanhar a Zelotes, a atitude de Leite tem “prejudicado sobremaneira a apuração dos fatos”.

Outro lado

Foram feitos vários contatos com a assessoria de imprensa da Justiça Federal em Brasília, por mais de uma semana, pedindo uma entrevista com Leite para que ele comentasse as queixas da Procuradoria. Ele não ligou de volta. A reportagem também mandou e-mails para a assessoria, mas as mensagens não foram respondidas.

Em audiências realizadas na Câmara por Pimenta, delegados da Polícia Federal e procuradores da República encarregados do caso reclamaram publicamente do comportamento de Leite.

Frederico Paiva, procurador que coordena as investigações de fraude em julgamentos do Carf, disse que os pedidos de prisão negados por Leite eram importantes para impedir que os investigados combinassem os depoimentos realizados. “Ele [o juiz] tem um histórico de acúmulo de processos, um comportamento que chama atenção e deveria ser examinado de perto”, disse Paiva em uma das audiências públicas.

No O Sul
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O perfume



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Boechat com a história da rola botou o guizo no gato

http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/06/21/boechat-com-historia-da-rola-botou-o-guizo-gato/

O ditado é velho e muito repetido. Mas algo me diz que quase todo mundo sabe o que é gato, mas poucos têm ideia do que é guizo.

O tal do guizo é um objeto de metal que tem umas bolinhas também de metal dentro. Quando aquilo a que ele está preso se movimenta, ele faz um barulho como de um sino.

Ao colocar o guizo no gato, o que não é exatamente algo fácil, seu dono fica sabendo quando ele está em movimento. Se o gato mexer, o guizo avisa.

Sem querer comparar Malafaia com o bichano, até porque, convenhamos, ele guarda mais semelhanças simbólicas com outro bicho, o rato, o que Boechat fez foi pendurar umas frases no pastor que irão tilintar por muito tempo como definidoras do seu caráter.

Homofóbico, otário, explorador do suor alheiro e tomador de dinheiro.

E, claro, o procurar rola.

Antes de continuar na história da rola, nunca é demais lembrar que o ofendido Malafaia é o mesmo que chamou a jornalista Eliane Brum de vagabunda.

E que é o mesmo que, segundo a Revista Forbes, teria uma fortuna estimada em 150 milhões de dólares.

Ou seja, não vai ser difícil para Boechat provar que o pastor é de fato tudo isso que afirmou.

O jornalista da Band pode, via redes sociais, organizar a fila daqueles que gostariam de ser seus testemunhas de defesa.

E pode aproveitar esse momento em que se é possível fazer biografias de forma mais livre para escrever um livro sobre a história do obreiro que virou milionário.

Iria vender mais que sorvete em dia de ano novo na praia.

Eu entendo perfeitamente a crítica que tem sido feita à expressão “procurar rola”. Mas não vou entrar nessa briga com ressalvas.

Boechat merece todo o meu apoio por ter carimbado com ousadia, irreverência e indignação um pastor fundamentalista que tem feito muito mal ao país.

A partir de agora, onde Malafaia for o guizo vai tocar.

Vai ter muita gente lembrando que ele é aquele pastor que alguém mandou procurar rola. Porque essa pessoa, como muitas outras, o acham além de homofóbico um explorador de suor alheio.

E Malafaia, com o guizo tocando, ficou mais fraco e mais vulnerável.

E isso, todos nós que defendemos o direito ao aborto, a união homoafetiva e tantas outras coisas, vamos dever ao Boechat.

Porque colocar o guizo no gato não é fácil.
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Novos detalhes da viagem dos senadores a tornam cada vez mais uma molecagem

A Liga da Justiça na Venezuela
A visita dos oito senadores à Venezuela vai deixando de se parecer com uma farsa para se configurar numa molecagem internacional. Folha e Estadão publicaram a versão do Itamaraty para o episódio. Os paladinos da liberdade não tiveram o cuidado para dar verniz de credibilidade ao factoide.

Aécio Neves, Ronaldo Caiado, Aloysio Nunes, Petecão (Petecão!!) et caterva já sabiam desde o início que o embaixador Ruy Pereira não os acompanharia em Caracas na missão para evitar problemas diplomáticos. Tratava-se, afinal, de um grupo abertamente oposicionista ao regime.

O ministro diplomata Eduardo Saboia, na Venezuela, teria anunciado a ausência de Pereira. De acordo com as fontes ouvidas pelo Estadão, no momento em que os políticos desembarcaram, ao saber que Pereira não estaria com eles, Aécio disse a Saboia que agradecia a recepção dele e que “entendia as limitações de prosseguir com o grupo”.

Não teria havido também objeção da ministra de relações exteriores venezuelana, Delcy Rodríguez, que deu a autorização para o vôo oficial. A programação do pacote foi entregue às autoridades brasileiras só três horas antes da chegada.

A histeria foi insuflada pelos parlamentares desde o primeiro momento. Aécio e Aloysio venderam a história de que o passeio não foi autorizado. Caiado, o Louro José de Aécio, aprimorou sua mitomania. Antes da resposta (ou já ciente dela?), sugeriu em entrevistas “uma moção de repúdio pedindo a exclusão da Venezuela do Mercosul e rompendo todos os acordos legislativos do Brasil com esse país”.

Uma vez lá, o mesmo Caiado inventou que a van foi “apedrejada” por militantes e que postaria o vídeo, mas a internet era “ruim”. As imagens do apedrejamento nunca viram a luz do sol.

À medida em que novos detalhes vêem à tona, a palhaçada diplomática toma contornos mais ridículos. Como já escrevi, não há, a rigor, diferença alguma, em matéria de tática, entre isso e o que o líder dos Revoltados On Line fez em Salvador ao invadir um congresso petista esperando que o pior acontecesse.

Em sua coluna de hoje, Aécio insiste no tema: “O que não nos deixaram ver na Venezuela nos dá uma ideia do que é viver hoje em condições de democracia ameaçada onde não há lugar para vozes dissonantes, para o diálogo e o confronto legítimo de opiniões. Onde a verdade pertence ao governo, como em velhos manuais aposentados pela história”.

Haverá um limite para a patetice e a compulsão de confundir? Não, e a nossa Liga da Justiça está aí para encantar o mundo com seu talento e sua classe.

Kiko Nogueira
No DCM
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O poder discricionário da imprensa

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O noticiário do fim de semana oferece aos estudiosos da mídia informativa um campo fértil para entender alguns dos dilemas da comunicação no nosso tempo. Para toda informação selecionada pelo sistema da imprensa hegemônica há uma contrainformação ou uma variedade de alternativas que podem oferecer interpretações diversas ou opostas ao que propõe a mídia tradicional. Então, por que predomina no imaginário da maioria a versão específica da imprensa?

Por exemplo, no caso da desastrada viagem de políticos brasileiros da oposição à Venezuela, a versão dos jornais, segundo a qual eles tiveram sua movimentação tolhida no caminho entre o aeroporto de Caracas e os endereços que pretendiam visitar, é colocada em dúvida por outras fontes, que dão conta de um trivial engarrafamento de tráfego. A insistência dos parlamentares em dizer que foram abandonados pelo embaixador brasileiro esbarra no esclarecimento de que o Itamaraty nunca lhes havia oferecido essa assistência.

Outro tema, o da possível rejeição de contas do governo federal por parte do Tribunal de Contas da União, se esvazia com a nota técnica pela qual o ex-secretário do Tesouro Arno Augustin se responsabiliza por operações tidas como irregulares, tira a presidente Dilma Rousseff da mira e a exime de ter que responder por manobras que melhoraram o resultado do balanço orçamentário de 2014.

Por outro lado, as acusações que levaram à prisão de executivos de duas das maiores empreiteiras do país, inclusive os presidentes das empresas, são colocadas em dúvida por esclarecimentos publicados pelo grupo Odebrecht em anúncio pago publicado nos jornais de segunda-feira (22/6).

Em cada um desses temas, que compõem a agenda proposta pela mídia tradicional e multiplicada no universo hipermediado das interações digitais, o único fator que consolida uma versão e marginaliza as demais é a escolha do editor. Por consequência, aquilo que o público em geral considera como verdade é apenas uma das possibilidades de cada evento noticiado, definida pelo viés da imprensa.

Ou alguém tem dúvida de que, se o empresário Marcelo Odebrecht estivesse sendo investigado por obras no metrô de São Paulo, ele estaria respondendo a um eventual processo em liberdade?

E mais: que esse assunto estaria enterrado, assim como outros casos de corrupção, como o escândalo da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo, que foi esquecido pela mídia?

Condenações a priori

As discussões sobre a condução de processos que ganham holofotes na imprensa são inconclusivas, não apenas porque o jornalismo declaratório reflete o interesse da mídia tradicional, mas também porque altera o poder discricionário dos investigadores e da Justiça.

Essa relação convergente entre o desejo do investigador e do julgador — de ver confirmadas suas suposições — e a oferta, pela mídia, de um aval para essas versões, cria uma lente que pode distorcer os fatos. Por isso, é interessante observar como a nota publicada pela Odebrecht (ver aqui), que ocupa meia página de jornal, insere uma quantidade considerável de dúvidas nas acusações que ocupam muitas páginas dos mesmos diários. No entanto, o que predomina no imaginário do público, com toda certeza, é a convicção de que a empresa não apenas está envolvida no esquema da Petrobras, como era o eixo principal do suposto cartel.

A imagem de um empresário poderoso algemado mexe com as emoções, e a imprensa sabe manipular esse “espírito da Bastilha”. Alguns teóricos da comunicação observam que a mídia tradicional ganha uma espécie de sobrevida justamente quando exerce o papel de ancorar alguns aspectos das múltiplas informações que formam o ambiente hipermediado. Essa é uma função diversa daquela tradicional, de mediar os fatos tidos como relevantes.

O jornal Valor Econômico contribui para o entendimento de como se dá essa ancoragem, na reportagem principal do caderno especial de fim de semana, sobre como o foco se transforma em artigo de luxo no ambiente saturado de informação.

Ao selecionar os elementos que serão inseridos na agenda pública, e definir a versão predominante dos fatos, a imprensa está exercendo um poder discricionário — de prender o foco do público em um aspecto específico de acontecimentos complexos.

A imagem dos empresários algemados significa uma condenação a priori. Nesse contexto, a liberdade de imprensa, exercida com um viés específico, se reverte em cerceamento de outras liberdades, como o direito de alguém demonstrar que está sendo injustamente acusado de um crime.

Ao contrário do que costumam dizer os representantes da mídia tradicional, o exercício discricionário desse poder atenta contra o direito à informação.

Luciano Martins Costa
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A Operação Lava Jato


Desde março de 2014, somos bombardeados por prisões, amplamente divulgadas, de pessoas identificadas como alvo de “operações” capitaneadas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Justiça Federal no Paraná. Tais “operações” se procedem a acordos de delação premiada, em circunstâncias não muito claras, envolvendo alguns desses presos.

Desde então é também amplamente divulgado que se trata de “operação”, dividida em fases, cujo objetivo é passar o Brasil a limpo, livrando-o da corrupção existente na Petrobras, em esquema orquestrado por empresas privadas e por partidos políticos.

Como consequência dessa “operação”, articularam-se duas propostas: uma promovida pela Justiça Federal e outra, pelo Ministério Público Federal.

A primeira, capitaneada pelo Juiz Federal responsável pelo caso e por sua associação corporativa (AJUFE), tem o propósito de permitir a prisão de condenados por crimes graves já na primeira instância, prisão que seria mantida sem a necessidade dessa condenação transitar em julgado. A segunda, por procuradores da República que atuam na mesma “operação”, pretende alterar a regra que proíbe a utilização de provas ilícitas no direito brasileiro, permitindo tanto a utilização de provas ilícitas quanto das provas delas derivadas.

Com as prisões houve também o já conhecido processo midiático de sua legitimação, reforçado tanto por entrevistas coletivas concedidas pelas autoridades envolvidas no caso quanto por uma estratégia de dividir a instrução processual em diversas fases, todas “batizadas” com nomes excêntricos, cujo propósito é o de fixar no imaginário popular a permanência dessa “operação”, montada para “limpar” a República.

O método empregado tem sido duramente criticado por Ministros do Supremo Tribunal Federal, sendo qualificado pelo Ministro Teori Zavascki como “mediavalesco” e “cobriria de vergonha qualquer sociedade civilizada”; já para o Ministro Marco Aurélio, “a criatividade humana é incrível! Com 25 anos de Supremo, eu nunca tinha visto nada parecido. E as normas continuam as mesmas”.

Após mais de um ano de instrução processual, de acordos de delação firmados, de diversas prisões e de habeas corpus concedidos aos presos na citada “operação”, como é possível que não se tenha, ainda, um quadro jurídico definido para o caso? Após críticas contundentes de Ministros do STF ao referido Juiz Federal, por que não há sinais de que a orientação do STF, manifestada no julgamento dos citados habeas corpus, será acatada?

Minha resposta às duas questões anteriores é a seguinte: Sérgio Moro entende que lhe cabe traçar e implementar política criminal. Porta-se como militante de uma causa, submetendo as regras processuais penais e os direitos fundamentais à obtenção desse resultado. Para obtenção dos fins que justificam sua causa, ele se utiliza do cargo que ocupa e deapoio midiático. Elaborou meticulosamente um enredo para obtenção desse fim e dele não se arredará.

Esse enredo conta com personagens, tanto protagonistas como coadjuvantes, e com uma estratégia de obtenção de apoio popular.

O enredo montado por Sérgio Moro tem como protagonistas Alberto Youssef, João Vaccari Neto e Marcelo Odebrecht; já a obtenção de apoio popular se realiza pela reiterada mensagem de que se trata de uma missão, caracterizada como combate à corrupção e aos poderosos, o que explica a divisão da instrução em diversas fases, cujo propósito é o de permanecer sob holofotes para, assim, impossibilitar decisões dos tribunais que soltem os réus presos e que invalidem decisões e provas obtidas, e tem a finalidade de transformar em lei suas opiniões sobre processo penal.

O enredo traçado por Sérgio Moro se inicia com a prisão de Alberto Youssef e com o “acordo” de delação por ele traçado. Obedece a dois propósitos: firmar em Curitiba a competência paraprocessar e julgar ações judiciais ante a Petrobras, cuja sede é no Rio de Janeiro, e difundir que se trata de algo espúrio, sombrio, vez que a difusão do nome de Youssef é sempre precedida da afirmação de que se trata de doleiro.

Em 2003, Alberto Youssef firmara acordo de delação premiada, pela qual se comprometera a não mais cometer crimes. Esse acordo de delação foi considerado quebrado por Sergio Moro, após manifestação do MPF, o qual afirmara que ele continuava atuando na evasão de divisas e na lavagem de dinheiro. Surpreendente ainda é que ante Alberto Youssef tramitam vários processos na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba. Assim, tanto o Ministério Público Federal quanto Sérgio Moro são conhecedores de seus antecedentes e de sua personalidade.

Antecedentes e personalidade que tiram não apenas a credibilidade de suas afirmações como impedem que com ele se firme novo acordo de delação premiada.

Quanto a isso, o Ministro aposentado Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça, idealizador das varas especializadas nos crimes de lavagem de dinheiro no país e mentor de diversos juízes especializados no tema,considera “imprestável” o novo acordo de delação premiada, firmado por Alberto Youssef e homologado por Sérgio Moro, por “ausência de requisito subjetivo — a credibilidade do colaborador — e requisito formal — omissão de informações importantes no termo do acordo —, consequentemente todos os atos e provas dela advindas também serão imprestáveis”.

Ora, qual a razão para o juiz Sérgio Moro e os membros do MPF emprestarem credibilidade a Alberto Youssef e omitirem do termo de delação premiada, submetido à apreciação do Ministro Teori Zavascki, o cancelamento do acordo de delação anteriormente firmado?

Se, como afirma o Ministro Gilson Dipp, “todos os atos e provas” obtidos com a delação de Youssef são “imprestáveis”, não há nenhuma razão para o processamento e o julgamento desses feitos tramitarem em Curitiba, vez que a delação de Youssef é a única justificativa para esses processos estarem sob os cuidados de Sérgio Moro.

Essa contradição é ainda mais evidente quando se sabe que Sérgio Moro já tinha se declarado suspeito, por motivo de foro íntimo, em processo criminal ante o mesmo Alberto Youssef.

Há uma razão deliberada que submete os direitos fundamentais de réus e suspeitos e impede que Juiz Federal competente, do foro da cidade do Rio de Janeiro, instrua e julgue tais processos. 

O caso Vaccari

Com João Vaccari Neto, o enredo ganha contornos políticos, isto é, a prisão de Vaccari Neto demonstra à opinião pública que nem mesmo o tesoureiro do partido da Presidenta da República e do ex-presidente Lula estão a salvos da “operação Lava Jato”.

Não importa se a prisão de Vaccari Neto seja fundamentada em abstratas razões, como “garantia da ordem pública e da ordem econômica”, e que sua prisão preventiva seja clara antecipação de pena. Também não importa que o triste erro judicial envolvendo sua cunhada Marice Corrêa de Lima, presa sem a mínima verificação não apenas de sua identidade como de sua relação com o caso, demonstre que as prisões foram utilizadas como forma de justiçamento.

Não havendo nada concreto a justificar uma prisão preventiva, medida que deveria ser excepcional, o recurso à garantia da ordem pública e da ordem econômica deveria ser razão secundária a acompanhar a existência de provas concretas a justificar o cerceamento de liberdade.

No entanto, não importa se o réu Pedro Barusco tenha afirmado desconhecer que o PT e Vaccari Neto tenham recebido propina: “O que eu disse e quero esclarecer é que eu ‘estimo’ que o PT tenha recebido” e sobre Vaccari Neto: “Não sei se o Vaccari recebeu, se foi doação legal, se foi no exterior, se foi em dinheiro”.

Ou seja, sem lastro probatório, a prisão preventiva é utilizada para que seja verificada a existência de delitos? Não havendo provas suficientes para embasarem condenação judicial ou sua confirmação nos tribunais, a prisão preventiva é pura antecipação da pena? É utilizada para eliminar os alvos da operação? Para destruir os cidadãos constituídos como seus inimigos? Receio que sim, mas não somente!

No entanto, além de se constituir como estado de exceção dentro de uma democracia constitucional, a prisão de Vaccari Neto se caracteriza como mais um capítulo da criminalização da política em vigor. Claro que há nela componentes ideológicos de quem a promove, porém não está em jogo apenas a interdição do Partido dos Trabalhadores. Trata-se de algo mais profundo. Está em curso um projeto de tutela da sociedade civil e dos poderes políticos pelo sistema de justiça.

O caso Odebrecht

A prisão de Marcelo Odebrecht tem alto valor simbólico. Ele completa o enredo, cuidadosamente traçado por Sérgio Moro, ao reunir elementos que compõem o cenário popular segundo o qual algumas pessoas e segmentos do país não seriam alcançáveis pelo sistema de justiça, encarnando a figura do empreiteiro rico, desligado dos destinos do povo brasileiro e com pouca conexão com seus problemas. Ele seria assim destinatário de uma espécie de vingança.

Não por acaso ele é tratado pelos que executaram a operação como “cereja do bolo”, como o motivo da 14ª fase, isto é, sua prisão demonstra que ninguém está a salvo dela, nem mesmo os ricos e os poderosos.

No entanto, a fundamentação dessa prisão preventiva é muito precária, típica de um método segundo o qual os fins justificam os meios, pois alegar que a condição econômica do preso, tanto tempo após o início dessa “operação”, poderia interferir na instrução, constrangendo testemunhas ou alterando provas, não é admissível, não neste momento.  Do mesmo modo, as provas divulgadas (mensagens eletrônicas) não são suficientes, nessa fase processual, para a decretação da prisão preventiva, uma vez que subvertem a lógica garantista da Constituição, não podendo a prisão ser utilizada como instrumento para produzir prova ou como meio para a investigação.

Por conseguinte, a prisão de Marcelo Odebrecht só se explica como parte desse enredo, mas não tem qualquer fundamento jurídico.

Na Alemanha nazista, era comum que o Ministro da Justiça editasse cartas aos juízes alemães, encorajando-os a aplicar os ideais nazistas. Se houvesse um choque entre as leis e esses ideais, o Estado nazista conclamava os juízes alemães a cumprirem seu papel como funcionários do Reich. Felizmente no Brasil de hoje vivemos sob uma democracia constitucional. Estou certo de que permanecerá no passado o desrespeito aos direitos fundamentais, assim como os tribunais corrigirão quaisquer decisões monocráticas que contornem nossa democracia constitucional.

A transposição de nomenclaturas de guerra para o sistema jurídico brasileiro não pode significar a existência de um regime de exceção, em que cidadãos sejam alvos de uma guerra promovida pelo aparato persecutório nacional.  Assim, os tribunais não permitirão que cidadãos sejam tratados como alvos, nem que se efetivem operações que os transforme em inimigos.

Luiz Moreira, Doutor em Direito, ex-Conselheiro Nacional do Ministério Público, é professor de Direito Constitucional.
No 247
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O discurso político de Emicida na Virada Cultural de São Paulo


“Aos bunda mole, um aviso: não é por que a gente tá sonhando que a gente tá dormindo”, afirmou o rapper em um discurso que abordou a violência contra a mulher e a violência policial, o racismo, a redução da maioridade penal e a greve dos professores em São Paulo; assista na íntegra

O rapper paulista Emicida, que desde o início da carreira se posiciona publicamente em relação a temas políticos e sociais, usou seu show na tarde deste domingo (21) da Virada Cultural, em São Paulo, para fazer um discurso que abordou temas que vão desde o racismo, passando pela violência policial e contra a mulher, até o tratamento dado pelo governo paulista à greve dos professores da rede estadual.

“A fundação é tudo, menos casa, para os internos. É mó boi odiar o diabo. Quero ver vocês viverem lá no inferno”; “Não existe amor em SP. Existe pra caralho. Vocês acham que as Mães de Maio choram por que?” e “Tempo doido, a espinha gela. Quando a mulher é estuprada e a culpa ainda é dela” foram só algumas das frases de impacto ditas pelo artista.

Confira, abaixo, seu discurso na íntegra.



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É hora de reagir em defesa de Lula


Ameaças de prisão de ex-presidente repetem comportamento da ditadura de Figueiredo em 1980 e ameaçam 2018

A ideia de que a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva será a próxima etapa da Operação Lava Jato encontra-se em todas as mentes. O que falta para a prisão de Lula, pergunta-se, depois da absurda prisão do presidente da maior empreiteira brasileira?

Simples: falta reagir.

Falta deixar claro que toda iniciativa para colocar Lula atrás das grades vai além de toda decência e representa um ataque inaceitável à liberdade e à democracia. É o ponto culminante de uma investigação que teve início com um prova ilícita, avançou por medidas que não respeitam o direito de defesa nem a presunção da inocência, através de delações premiadas e prisões provisórias destinadas a quebrar a resistência dos detidos, técnica condenada pelos mais respeitados juristas do Brasil e do mundo, inclusive da Suprema Corte dos EUA.

Vamos abandonar determinadas ilusões, também. Fazendo uma simples análise para ajudar a pensar: se Lula for feito prisioneiro, correrá alto risco de uma condenação criminal. Neste aspecto, cumpre recordar, a Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz Sérgio Moro permanecem invictos. em matéria de condenação. Num processo onde as partes não demonstram isenção nem distanciamento das próprias convicções, não perderam nenhuma. Mesmo quem fez delação premiada não escapa de ser condenado, ainda que a uma pena menor. Alguém tem o direito de pensar, assim, em Lula em 2018? Na boa?

Vamos acordar, gente.

Vamos mostrar que uma eventual prisão de Lula se trata uma medida absurda e injusta que irá representar o primeiro passo para um retrocesso que todos sabem como começa e, ao contrário do que é costume dizer, também sabem como termina.

Basta ler os trabalhos do professor da PUC-SP Pedro Serrano — já escrevi sobre eles aqui neste espaço — mostrando que vivemos um tempo de golpes de Estado sem tanques nem fuzis. Os regimes de exceção, hoje, tem aparência de normalidade. São produzidos por medidas judiciais disfarçadas em cumprimento da lei e da defesa da ordem, quando não passam de uma tentativa de se fazer política por outros meios — sem voto, é claro.

A tentativa de criminalizar as relações entre Lula e os empresários, depois que ele deixou o governo, sugerindo aí qualquer demonstração de mau comportamento ou coisa pior, é apenas uma demonstração de subdesenvolvimento mental e ignorância política.

Vamos falar claro: pela liderança internacional que conquistou, pelos espaços que teve competência de abrir para a venda de produtos e serviços brasileiros durante seus oito anos de mandato, quando mudou o eixo de nossa diplomacia comercial, Lula tem todo direito de fazer isso. Deveria ser aplaudido, até, pois chegou numa altura da vida na qual seria mais fácil descansar e se divertir — além de receber homenagens de vez em quando, não é mesmo?

As viagens internacionais de Lula são um serviço que ele presta ao país e nosso futuro. Tem a ver com interesses nacionais, expressão que a maioria de seus adversários nunca soube o que significa mas é cada vez mais decisiva nessa época de globalização e interesses imperiais.

Imagine se Barack Obama resolvesse fingir que nada tem a ver com a venda de aviões da Boeing.

Será que Bill Clinton, fora da Casa Branca, será criticado por defender medidas de interesse de grandes corporações norte-americanas em suas viagens pelo mundo? Em fazer palestras onde defende ideias como solidariedade e colaboração?

Detalhe: vamos criticar Lula porque ele fala do combate contra a fome? É oportunismo?

Ronaldo Reagan e George Bush, pai, se mobilizaram na década de 1980 para defender a indústria de informática dos EUA. Abriram o mercado brasileiro, numa pressão violenta que incluiu sanções duras contra nossa economia — e foram aplaudidos, sem muito silêncio nem o esperado pudor, pela mesma turma que hoje critica Lula.

Pense nos alemães, grandes exportadores de tecnologia limpa — com auxílio de Angela Merkel, é claro. Ou no pacote de investimentos chineses.

É sempre bom lembrar que não há prova nenhuma contra Lula. O que se quer é humilhar e ofender. Dar-lhe um tratamento indecoroso e mostrar que seus adversários tem força para isso. Enfim, o que se quer é, enfim, dar uma lição neste tipo que não conhece o seu lugar.

Você sabe do que estou falando.

Tudo o que se insinua a respeito de Lula pode-se demonstrar nas relações entre Fernando Henrique Cardoso e grandes empresários na saída do governo.

O que há é uma vontade de mostrar que seus adversários estão acima da Lei e do Direito. Sim, meus amigos. Mais uma vez, é disso que se trata. Isso porque Lula não é uma pessoa física. É uma história, um personagem que ajuda a dar sentido para o Brasil.

“Prendo e arrebento,” dizia João Figueiredo, o general-presidente da ditadura que mandou prender Lula, 35 anos atrás.

Naquela época, as greves operárias que Lula comandava e inspirava serviram de teste político para uma abertura que queria uma democracia sem trabalhadores nem ao povo pobre. Em 2015, a situação se repete. As pressões contra Lula irão definir os direitos da maioria dos brasileiros definir seu destino pelos próximos anos.

Paulo Moreira Leite
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Conversa na Câmara mostra troca de apoio por emendas

"A hora de pressionar é agora que temos votações importantes pro governo. Depois, já era!"

A frase, compartilhada em um grupo de WhatsApp, revela a montagem de uma operação na qual deputados de primeiro mandato ameaçaram derrotar o pacote fiscal da presidente Dilma Rousseff caso não fossem liberadas verbas para seus redutos eleitorais.

A Folha teve acesso às mensagens trocadas nos últimos dias pelo aplicativo. Além da sinceridade raramente tornada pública, elas mostram como os novatos assimilam rapidamente velhas práticas do Parlamento.

Criada pelo deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), a lista "Deputados Federais Novatos" é de composição ecumênica. Há representantes de partidos nanicos, dos aliados PMDB e PC do B, dos oposicionistas DEM e PSDB, e até mesmo do PT.

"Somos 243 de 1º mandato", diz o criador numa das mensagens, ressaltando o poder de pressão dos inscritos —a Câmara tem 513 titulares.

"Amigos: criei esse grupo para trocarmos experiências e nos defendermos de determinadas tradições que visam prejudicar nossos interesses", diz ele na inauguração do fórum, há cerca de uma semana. "Nos enganaram e não vão pagar nossas emendas. [...] Precisamos nos mobilizar", conclama Nascimento.

As chamadas "emendas parlamentares" são as verbas e investimentos do Orçamento da União que deputados destinam para seus redutos.

Embora não tivessem direito neste ano, os novatos haviam recebido a promessa de ter, cada um, R$ 10 milhões para emendas. Na semana passada, porém, o governo deu sinais de que poderia não honrar o acordo por falta de dinheiro.

Os deputados, então, se viraram contra a proposta que revê a política de desoneração da folha de pagamento, medida do governo para tentar reequilibrar as contas públicas ante a escassez de recursos. A votação poderá ocorrer nesta semana.

Depois da mensagem de Nascimento, o grupo foi tomado por uma profusão de mensagens com ameaças de ação em bloco para derrotar ou atrasar a votação do projeto caso a equipe econômica não atendesse à reivindicação.

Como a de Fábio Miditieri (PSD-SE), reproduzida na abertura desta reportagem. Ou a de Aliel Machado (PC do B-PR), segundo quem a ação contra o governo "tem que ser antes de algum anúncio oficial sobre as emendas e antes dessas votações".

A discussão foi ganhando adeptos. "Bora (sic) reunir... Será que fomos vítimas de estelionato?", questiona Delegado Waldir (PSDB-GO).

Uma reunião é então convocada. "Teremos votações de alta relevância nos próximos dias. Deveríamos nos reunir para uma discussão pragmática", defende Carlos Andrade (PHS-RR). "Estarei presente, juntos somos 50% dos votos, independente de partido. Vamos mostrar essa força", reforça Aluisio Mendes (PSDC-MA).

'Vai corinthia'

O ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez (SP), apesar de ser do PT, o partido de Dilma, adere ao motim: "Mas tem que avisar o presidente [Eduardo Cunha] e o governo aviso eu", afirma.

"Aí vão levar a sério a votação da desoneração. Já liga já. Vai Corinthia (sic)", responde Fausto Pinato (PRB-SP).

Os novatos rebeldes acabaram se encontrando com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para cobrar que cumprisse a promessa de campanha de viabilizar emendas não só para os reeleitos. A demanda chegou em tom de imposição ao Palácio do Planalto que, temendo uma derrota, cedeu.

Coube ao vice-presidente, Michel Temer (PMDB), coordenador político do governo, receber parte dos insurgentes e prometer sanar o problema.

O resultado da barganha foi a edição de uma regra permitindo aos calouros acesso já neste ano ao dinheiro do Orçamento.


No fAlha
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Grupo de senadores não foi 'jogado aos leões' em Caracas

Aécio Neves teria dito ao embaixador que agradecia a recepção dele e que entendia 'as limitações' de ele
prosseguir com o grupo
Alvo de ataques de senadores da oposição, fontes ligadas à organização da malsucedida viagem dos parlamentares brasileiros a Caracas, na Venezuela, na última semana, alegam reservadamente que a narrativa dos fatos é diferente do que tem sido declarado pelos parlamentares. Sob acusação de parte do grupo de senadores de oposição de que teria abandonado a comitiva na última quinta-feira, 18, o embaixador brasileiro em Caracas, Rui Pereira, pode ser convocado para prestar esclarecimentos ao Congresso.

Representantes da organização da viagem alegam, porém, que o grupo de senadores "não foi jogado aos leões" e que os parlamentares já tinham o conhecimento prévio de que o embaixador Rui Pereira não iria acompanhá-los nas atividades em Caracas. A decisão, tomada para evitar ruídos diplomáticos, foi comunicada ao embaixador pelo Ministério de Relações Exteriores do Brasil.

O entendimento do governo brasileiro seria o de que a presença de um integrante da embaixada nas atividades do grupo de senadores poderia ser vista como inadequada por parte das autoridades venezuelanas. Na agenda dos parlamentares, estavam encontros com os principais líderes opositores ao governo local, Leopoldo López, Antônio Ledezma, ambos presos, e o governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles.

A ausência de Rui Pereira junto ao grupo teria sido informada pessoalmente pelo embaixador ao ministro diplomata Eduardo Saboia, assessor da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que se deslocou para Caracas na véspera do desembarque dos senadores. No dia em que os senadores chegaram para cumprir a agenda, ao entrar no micro-ônibus que aguardava o grupo, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), sinalizando ter tomado conhecimento da ausência de Pereira, teria dito ao embaixador que agradecia a recepção dele e que entendia "as limitações" de ele prosseguir com o grupo.

A programação dos senadores na capital venezuelana só foi entregue aos organizadores da viagem na Venezuela cerca de três horas antes do desembarque dos parlamentares brasileiros. Na ocasião, Saboia também teria sido alertado sobre a dificuldade de as esposas de políticos venezuelanos opositores entrarem na base aérea, como estava previsto no cronograma. Foi aconselhado, então, que a recepção delas aos senadores ocorresse em outro local. O encontro aconteceu no estacionamento do terminal auxiliar do aeroporto de Maiquetía Simón Bolívar. Integrantes da comitiva de senadores afirmaram na ocasião que tiveram que furar o esquema de segurança para serem recebidos pelas lideranças opositoras locais.

Batedores

As tratativas entre representantes dos governos brasileiro e venezuelano sobre a viagem tiveram início dois dias antes da chegada dos senadores. Comunicado da ida da comitiva, o embaixador brasileiro foi pessoalmente até a ministra de Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, na terça-feira (16), para informar sobre o pedido dos parlamentares brasileiros. A chanceler, na ocasião, não teria feito nenhuma objeção. O comunicado da autorização para os senadores desembarcarem teria ocorrido poucas horas depois por mensagem encaminhada para o celular do embaixador pela chanceler.

Segundo organizadores da viagem, na quarta-feira (17), quando houve a confirmação da ida do grupo já havia a autorização do governo da Venezuela. Na lista inicial dos senadores também constava o nome de José Serra (PSDB-SP) e Romero Jucá (PMDB-RR), que acabaram não integrando o grupo.

No encontro ocorrido entre a ministra de Relações Exteriores e o embaixador, não foi feito pedido de batedores, mas Rodríguez teria informado que o governo venezuelano forneceria segurança e teria comentado que a última coisa que queria era qualquer tipo de incidente. No dia do desembarque dos senadores, foram disponibilizados dois carros e duas motos com objetivo de se fazer uma "cápsula de segurança" em torno do micro-ônibus alugado pela embaixada brasileira e disponibilizado aos senadores. Apesar desse esquema de segurança, também chamou a atenção dos organizadores da viagem o fato de os batedores não terem aberto caminho para o veículo dos senadores passarem pelo trânsito, que estava congestionado na região da saída do aeroporto.

Ligações

Apesar do engarrafamento, os senadores tentaram deixar o local e foram cercados a um quilômetro do aeroporto por um grupo de manifestantes pró-governo Maduro que hostilizou a comitiva batendo com as mãos na lataria do veículo, jogando objetos e gritando palavras de ordem. No momento das agressões, o embaixador já tinha deixado o local e estava preso no trânsito, na autopista que liga o aeroporto a Caracas. Ele teria sido comunicado do incidente por telefone pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). Desde então, teria mantido permanente contato com o senador, e também teria falado com o senador Aécio Neves. Na ligação, o mineiro cobrou um posicionamento oficial do governo brasileiro.

Entre as medidas adotadas pelo organizadores da viagem estaria um pedido de reforço policial a um representante do serviço de Custódia Diplomática e Proteção de Personalidades do Corpo da Polícia Nacional Bolivariana. O reforço, até o momento do retorno dos senadores ao Brasil, não havia chegado. Logo após as manifestações contra o micro-ônibus, uma alternativa levantada por representantes de oposição ao governo Maduro que acompanhavam os senadores foi a de tentarem se deslocar até Caracas pela "estrada velha". Os senadores foram desaconselhados pela organização da viagem, uma vez que a via não estaria em boas condições, passaria por barrancos sem guarda corpo e sairia numa região de favela.

Preso no engarrafamento por cerca de 2 horas, o embaixador brasileiro, além dos contatos com parte do grupo de senadores, também teria realizado cerca de 15 ligações para o Itamaraty em Brasília para informar do incidente. Entre os destinatários dos telefonemas estava o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, e integrantes do gabinete do ministro.



Diplomata que trouxe senador boliviano estava na comitiva de Aécio


A comitiva dos senadores que foi até Caracas tinha um acompanhante especial, que foi ignorado pela reportagem do Jornal Nacional, apesar de ter enviado repórteres até a cidade para cobrir o evento e de tê-lo filmado de relane no ônibus (http://migre.me/qnwjq).

Trata-se do diplomata Eduardo Saboia o mesmo que, dizendo-se movido por sentimentos humanitários, trouxe da embaixada da Bolívia para o Brasil o senador boliviano Roger Molina (http://migre.me/qnvBL).

Saboia refutou qualquer insinuação de que agiria por motivação política. O incidente custou o cargo do chanceler Antônio Patriota

Saboia levou uma suspensão de vinte dias. Na época, seu gesto foi saudado como humanitário, o chefe do posto diplomático que supriu a falta de ação do Itamarati e da presidente da República (http://migre.me/qnvJz).

Na ocasião, Saboia ameaçou o Itamarati: "Se vierem para cima de mim, tenho elementos de sobra para me defender e para acusar. Tenho os e-mails das pessoas, dizendo olha, a gente sabe que é um faz de conta, eles fingem que estão negociando [a saída do senador da embaixada] e a gente finge que acredita”, segundo a Folha (http://migre.me/qnvPG).

Durante a entrevista — segundo o jornal — Saboia chorou a disse ter “ouvido a voz de Deus”.

Seu gesto foi reconhecido pela oposição. O Senador Aloysio Nunes Ferreira convidou-o para ser assistente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Na página “Pró-Eduardo Saboia”, do Facebook (http://migre.me/qnw4H) ele revela ter entrado com uma ação contra o Itamarati. Seu advogado é o ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) nacional, Ophir Cavalcante Jr.

No GGN
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Querido pastor

Querido pastor,

Aqui quem fala é Jesus. Não costumo falar assim, diretamente — mas é que você não tem entendido minhas indiretas. Imagino que já tenha ouvido falar em mim — já que se intitula cristão. Durante um tempo achei que falasse de outro Jesus — talvez do DJ que namorava a Madonna — ou de outro Cristo — aquele que embrulha prédios pra presente — já que nunca recebi um centavo do dinheiro que você coleta em meu nome (nem quero receber, muito obrigado). Às vezes parece que você não me conhece.

Caso queira me conhecer mais, saiu uma biografia bem bacana a meu respeito. Chama-se Bíblia. Já está à venda nas melhores casas do ramo. Sei que você não gosta muito de ler, então pode pular todo o Velho Testamento. Só apareço na segunda temporada.

Se você ler direitinho vai perceber, pastor-deputado, que eu sou de esquerda. Tem uma hora do livro em que isso fica bastante claro (atenção: SPOILER), quando um jovem rico quer ser meu amigo. Digo que, para se juntar a mim, ele tem que doar tudo para os pobres. "É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus".

Analisando a sua conta bancária, percebo que o senhor talvez não esteja familiarizado com um camelo ou com o buraco de uma agulha. Vou esclarecer a metáfora. Um camelo é 3.000 vezes maior do que o buraco de uma agulha. Sou mais socialista que Marx, Engels e Bakunin — esse bando de esquerda-caviar. Sou da esquerda-roots, esquerda-pé-no-chão, esquerda-mujica. Distribuo pão e multiplico peixe -só depois é que ensino a pescar.

Se não quiser ler o livro, não tem problema. Basta olhar as imagens. Passei a vida descalço, pastor. Nunca fiz a barba. Eu abraçava leproso. E na época não existia álcool gel.

Fui crucificado com ladrões e disse, com todas as letras (Mateus, Lucas, todos estão de prova), que elestambém iriam para o paraíso. Você acha mesmo que eu seria a favor da redução da maioridade penal?

Soube que vocês estão me esperando voltar à terra. Más notícias, pastor. Já voltei algumas vezes. Vocês é que não perceberam. Na Idade Média, voltei prostituta e cristãos me queimaram. Depois voltei negro e fui escravizado — os mesmos cristãos afirmavam que eu não tinha alma. Recentemente voltei transexual e morri espancado. Peço, por favor, que preste mais atenção à sua volta. Uma dica: olha para baixo. Agora mesmo, devo estar apanhando — de gente que segue o senhor.

Gregorio Duvivier
No fAlha
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