21 de jun de 2015

Leopoldo Lopez, herói de Aécio Neves e da direita brasileira

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Na Place des Vosges

A Place des Vosges é a praça mais bonita de Paris. Inaugurada em 1612 com o nome de Place Royale, ela é cercada por prédios residenciais construídos sobre arcadas, todos da mesma altura e no mesmo estilo. É um endereço de prestige, como dizem na França, e assim tem sido desde que ali morou o rei, antes de se mudar para o Louvre. Na Place des Vosges nasceu a Madame de Sevigne e morou o cardeal Richelieu e, durante 16 anos, Victor Hugo ocupou um dos seus belos prédios de tijolos vermelhos, hoje transformado em museu. Na praça também fica o Ambroisie, o restaurante mais discretamente classudo da cidade. E até sua separação, ali morou o casal Dominique Strauss-Kahn e Anne Sinclair, ele, chefe do Fundo Monetário Internacional e presumível candidato à Presidência da França até ser preso por assédio sexual a uma camareira de hotel; ela, a rica herdeira, jornalista famosa e personalidade pública que pagou a fiança do marido.

Imagino que das janelas do apartamento do casal na Place des Vosges, depois do escândalo, Strauss-Kahn contemplasse a estátua equestre do rei Luiz XIII mandada erigir no centro da praça pelo cardeal Richelieu. A estátua de bronze não é a original, do século XVII. A original foi derretida durante a Revolução de 1789. O que Strauss-Kahn veria da sua janela seria uma cópia, ou talvez ele preferisse vê-la como uma restauração, uma prova de que tudo, até o bronze derretido, pode voltar, inocentado pelo tempo e absolvido pela História.

Strauss-Kahn sempre alegou que o sexo com a camareira do hotel de Nova York tinha sido consensual. Até hoje tem gente que acredita que o sexo não foi apenas consentido, foi uma armação. Strauss-Kahn seria o candidato natural do Partido Socialista nas eleições presidenciais que se aproximavam, sua desmoralização interessava ao outro lado. Há até quem vai mais longe e diz que, no meio da transa, a mulher arrancou sua máscara de camareira com uma gargalhada — e era o próprio Sarkozy!

O derretimento de Strauss-Kahn não parou no escândalo de Nova York. A camareira aceitou um acordo para desistir de processá-lo, mas em seguida ele foi acusado de organizar orgias num hotel da França. Há dias a Justiça o inocentou desta acusação, mas isto não melhorou sua reputação de velho sátiro com o apetite sexual de um chimpanzé. Levará tempo para ele recuperar seu bom nome.

Não sei quem ficou com o apartamento com janelas sobre a praça, depois da separação do casal. Seja como for, o consolo de bronze de Strauss-Kahn continua lá: Luiz XIII e seu cavalo no meio da Place des Vosges, reabilitados.

Luís Fernando Veríssimo
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Requião destrói argumentos dos entreguistas Serra e Ferraço


A Petrobras deve ser operadora única do pré-sal?

O Projeto de Lei do Senado 131 propõe reduzir o papel da Petrobras no pré-sal, retirando dela a condição de operadora única e o direito de uma participação mínima de 30% do petróleo extraído. Essa questão deve ser analisada com a máxima atenção. A seguir, apresentaremos as posições defendidas pelo autor do projeto, Senador José Serra, e pelo relator, Senador Ricardo Ferraço. Mais adiante, exporemos argumentos e fatos que lançam luz sobre o debate.

A justificativa do Projeto de Lei do Senado 131 do Senador José Serra e do Relatório do Senador Ricardo Ferraço indicam os seguintes argumentos contrários ao direito da Petrobras ser o operador exclusivo e proprietária de no mínimo 30% do petróleo explorado no pré-sal:

a) Justificativa do projeto de lei do Senador José Serra:

1) Justificativa PLS 131 do Senador Serra: Há dúvida de que a Petrobras seja capaz de abastecer o mercado interno de Petróleo em 2020, se for operadora exclusiva do pré-sal.

Os fatos: O argumento não se sustenta. Está francamente desatualizado. O mercado interno já ficou pequeno para a Petrobras, que já tem excedente exportador. Com os investimentos já realizados e os que estão em implantação, a Petrobras estará produzindo 5,2 milhões de barris em 2020, o que tornará o Brasil um dos maiores exportadores mundiais de petróleo.

2) Justificativa PLS 131 do Senador Serra: A Lava-Jato pode levar a uma “desorganização de suas atividades” e a “uma situação quase insustentável” para a empresa, a tal ponto que a impediria de “implementar” seus “programas de investimento”.

Os fatos: Uma investigação não tem, nem pode ter, por objetivo consciente ou consequência indesejada a desorganização ou punição de uma empresa. Ela deve punir — e duramente — os malfeitores, jamais a Petrobras. Ao retirar do comando da Empresa os diretores corruptos, trocando-os por gestores competentes e probos a empresa estará ainda melhor do que já era. Afinal nenhum brasileiro de boa fé e em sã consciência pode negar que a Petrobras é uma empresa extremamente capaz de grandes realizações.

Nenhuma empresa no mundo havia conseguido extrair 800 mil barris dias de uma nova reserva de petróleo apenas 5 anos após o início de sua exploração comercial. E não se trata de uma reserva comum, mas de uma reserva em águas ultra-profundas, da mais complexa exploração no mundo. Os muitos prêmios que a empresa tem ganhado apenas refletem sua competência. Livrando-se dos diretores corruptos a Petrobras sairá deste processo fortalecida e revigorada.

3) Justificativa PLS 131 do Senador Serra: “Os escândalos associados à investigação” da Lava-Jato “geram o risco de que a estatal enfrente mais dificuldades para obter financiamento do mercado externo, o que pode inviabilizar o cumprimento do cronograma de seus projetos.”

Os fatos: A fila de bancos e financiadores na porta da Petrobras para lhe emprestar dinheiro continua crescendo. Este mês, a empresa emitiu no mercado internacional quase R$ 8 bilhões em financiamento de 100 anos. 100 anos para pagar. É sinal da confiança de que a empresa goza no mercado nacional e internacional. No mês passado, os chineses emprestaram R$ 22 bilhões à Petrobras. A empresa só não tomou mais porque não quis. Satisfez-se só com isso. Os chineses queriam emprestar mais, afinal é certo que o pré-sal tem entre 70 e 300 bilhões de barris, o que significa garantias entre US$ 7 e 30 trilhões.

Mas nem precisamos desses empréstimos externos. O governo brasileiro tem US$ 370 bilhões ou R$ 1,150 trilhões de reais em reservas cambiais ociosas no Banco Central do Brasil rendendo juros de 0,25% em títulos públicos americanos. Uma fração desse montante supre todos os investimentos previstos pela Petrobras na década. Em um artigo recente eu propus um modelo para viabilizar esses recursos para a Petrobras sem precisar tocar nas nossas fartas reservas cambiais.

4) Justificativa PLS 131 do Senador Serra: “A conjuntura internacional” prejudica “a rentabilidade dos projetos do pré-sal”, devido redução do preço do petróleo que poderia tornar o pré-sal inviável.

Os fatos: Realmente, o preço do petróleo hoje está quase a metade do que foi há aproximadamente um ano e estamos em um momento de baixa momentânea depois de cinco anos de preços muito elevados. Ainda assim, com o preço atual do Brent em US$ 62, o excedente da Petrobras é significativo, uma vez que o custo de extração reconhecido no último balanço da empresa é de US$ 9.

A maioria dos analistas independentes acredita que o preço do petróleo voltará a US$ 100 em período de tempo razoável, no mais tardar antes do fim da década em razão do crescente apetite chinês por energia. Ou seja, os projetos do pré-sal continuam extremamente rentáveis, o que explica a busca obsessiva de firmas estrangeiras por blocos de exploração no pré-sal e para retirar a exigência legal que a Petrobras detenha no mínimo 30% de todo petróleo nele extraído.

b) Relatório do Senador Ricardo Ferraço:

5) Relatório Ricardo Ferraço: O projeto do Senador José Serra “é extremamente conveniente e oportuno devido à precária situação econômica em que se encontra a Petrobras” em razão da “corrupção e má gestão, que flagelaram a estatal nos últimos anos, conforme reconheceu o próprio presidente da empresa em audiência pública conjunta das Comissões de Assuntos Econômicos e de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal, realizada no dia 28 de abril de 2015.”

Os fatos: A situação econômica da Petrobras está longe de ser precária. Além do farto crédito internacional, a empresa tem 62 bilhões de reais em caixa, lucro no último trimestre de R$ 5,3 bilhões, geração de caixa (EBITDA) de R$ 21,5 bilhões, com elevação de 50% em relação ao ano anterior.

6) Relatório Ricardo Ferraço: “O endividamento da estatal seria alto demais e a necessidade de realizar grandes investimentos, para explorar as áreas que a empresa já detém e para desenvolver as reservas descobertas, constituem impedimento para a Petrobras assumir novos compromissos que exijam investimentos de grande monta, como seria o caso da exploração de um novo bloco no pré-sal”.

Os fatos: A Petrobras não precisa emergencialmente de novas descobertas. Os compromissos de investimentos que ela já assumiu lhe garantem um robusto retorno e uma produção de Petróleo de mais de 5 milhões de barris dia em 2020. O que tornaria o Brasil o 4º maior produtor de petróleo do mundo. É incompreensível que o relatório do ilustre Senador Ferraço considere isso pouco. Mas a empresa pode ir muito além disso, pois o que não falta é dinheiro no mundo e nas reservas cambiais brasileiras para financiar compromissos de investimento ainda maiores, se e quando necessários.

Mas o que realmente é preciso denunciar, porque não atende ao interesse nacional, é a pressão internacional para que a Petrobras acelere absurda e irracionalmente os seus investimentos. A velocidade de aumento da produção já é alto. Jamais um grande produtor de petróleo se propôs a dobrar sua produção de petróleo tão rapidamente quanto o Brasil está se propondo.

7) Relatório Ricardo Ferraço: “O Ministro de Estado de Minas e Energia, em audiência pública realizada no Senado Federal, na Comissão de Serviços de Infraestrutura, no dia 8 de abril de 2015, declarou ser favorável à modificação do modelo de exploração do pré-sal.”

Os fatos: Realmente é uma postura errada e sem fundamento. É inaceitável que um subordinado da Presidente da República destoe de maneira tão evidente. A Presidente Dilma, ao que sabemos pelo que diz e repete, defende o modelo de partilha e o protagonismo da Petrobras no pré-sal.

8) Relatório Ricardo Ferraço: “No mesmo sentido, posicionou-se a Diretora-Geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em evento realizado nos Estados Unidos, no início de maio de 2015.”

Os fatos: Tal posicionamento da Diretora-Geral da ANP é absurdo, incompreensível e absolutamente equivocado. Estranha que não tenha sido compelida a retificar o seu posicionamento.

9) Relatório Ricardo Ferraço: “É praticamente consensual entre os especialistas da indústria do petróleo, dentro e fora do Governo, que o atual modelo de partilha de produção mostrou-se contraproducente”.

Os fatos: Os “especialistas” reiteradamente ouvidos pela velha mídia, em especial a revista Veja e a Rede Globo, são lobistas das petroleiras internacionais, concorrentes da Petrobras.

Em matéria tão sensível e perante senadores da República não se aceita argumentos de autoridade de “especialistas” sem que sejam justificados: por que razão, afinal de contas, o atual modelo de partilha de produção seria contraproducente? Não há resposta alguma, explicação alguma, fato algum que suporte a afirmação vazia e equivocada no relatório do ilustre Senador Ricardo Ferraço.

10) Relatório Ricardo Ferraço: “O pré-sal é grande demais.”

Os fatos: Infelizmente, também faltou o argumento nesse ponto. É claro que os concorrentes da Petrobras querem nos convencer que o pré-sal é grande demais para ser explorado apenas pela Petrobras. Mas não conseguimos entender porque que, por exemplo, a Saudi Aranco da Arábia Saudida produz quase 11 milhões de barris por dia sem que ninguém afirme ser isso grande demais. Porque a Petrobras não poderia produzir 3 ou 5 ou 7 milhões de barris sozinha? Mais uma pergunta sem resposta no relatório do Senador Ferraço.

11) Relatório Ricardo Ferraço: “Restam, ainda, mais de cem mil quilômetros quadrados a licitar nessa área, cuja exploração e desenvolvimento demandarão centenas de bilhões de dólares, quantia muito além da capacidade financeira da Petrobras pelos próximos anos.”

Os fatos: Como foi mostrado acima, obter centenas de bilhões de dólares de financiamento e fluxo de caixa não foi e continua não sendo um desafio intransponível para a Petrobras, dado o volume de petróleo disponível no Pré-Sal, a alta rentabilidade dessa exploração e disponibilidade das reservas cambiais brasileiras, financiamento barato que as petroleiras internacionais não tem acesso.

12) Relatório do senador Ricardo Ferraço: “Não há dúvidas quanto ao acerto das modificações introduzidas pelo PLS nº 131, de 2015, na legislação sobre o pré-sal.”

Os fatos: Na verdade, do que não há dúvidas é da absoluta falta de coerência e de razoabilidade deste projeto.

Considerações Finais

a) Reconhecimento

Não posso negar que tenho diferenças fundamentais em relação à posição dos colegas Senadores José Serra e Ricardo Ferraço sobre o direito da Petrobras de ser operadora única no pré-sal. Porém, sempre prezei pela honestidade em minha vida. Assim não posso deixar de admitir que o relatório do Senador Ferraço está correto em um ponto: os fatos mostram que nosso governo parece estar apoiando a aprovação ou, no mínimo, sendo omisso em assunto de tamanha gravidade e envergadura.

Por alguns breves momentos, chega a parecer que o governo está tendo uma posição deliberadamente ambígua a respeito do PLS. Nos EUA e para os senadores, membros proeminentes do governo dizem que são a favor de reduzir o papel da Petrobras no pré-sal.

Já para o público, para imprensa, militância e eleitores a Presidente diz enfaticamente ser contra a Petrobras ser manietada como quer o PLS 131. Na prática, porém, os projetos contrários ao protagonismo da Petrobras no pré-sal avançam rapidamente na Câmara e no Senado, sob os olhos lânguidos dos líderes da base do governo e seus ministros. Sem resistência das lideranças do governo, para dizer o mínimo.

b) Argumentos adicionais

1) Ônus ou bônus?

A pedra basilar do frágil edifício argumentativo do projeto do ilustre senador José Serra, assim como do relatório do ilustre senador Ricardo Ferraço, é que a exclusividade da Petrobrás na operação do pré-sal e a porcentagem obrigatória de 30% do petróleo extraído seria hoje — e será no futuro — um “fardo” que a empresa não está, nem estará, capacitada técnica e, principalmente, financeiramente para “carregar”.

Trata-se, realmente, um incrível e ousado malabarismo retórico. O que é bônus, vantagem, graça da natureza, pujança e riqueza, passa, na lógica torta da argumentação, a ser tido como ônus, desvantagem, desgraça, risco, caos.

É mesmo difícil de entender o raciocínio pela via dos recursos usuais da lógica argumentativa. Assim, ante tal dificuldade efetivamente intransponível, sinto-me tentado a explorar uma aparentemente inacreditável possibilidade, mas que, ao fim e ao cabo, apresenta-se até mesmo redentora da biografia do ilustre propositor do projeto e do seu relator.

O raciocínio é o seguinte: talvez o que ninguém ainda percebeu é que o PLS 131/2015 representa um complexo caminho oblíquo pelo qual os verdadeiros interesses da Petrobras e da Nação estariam sendo defendidos. Se seguirmos a retórica das “boas intenções” dos seus defensores, o projeto teria um vezo nacionalista e queira retirar da Petrobras o “terrível” fardo do Pré-Sal — que poderia até mesmo desorganizar e quebrar a nossa empresa — repassando-o “matreiramente” para as costas das suas concorrentes, a Chevron e irmãs que dominam e manipulam o mercado internacional do Petróleo.

Com isso, com as concorrentes da Petrobras envoltas nas insuperáveis dificuldades que lhes trará a exploração do “fardo” do Pré-Sal, a nossa empresa nacional estaria livre para desenvolver-se, fortalecer-se e expandir-se nacional e internacionalmente. Obviamente, esta possibilidade é absurda.

Sejamos claros. Argumentemos com honestidade intelectual e seriedade técnica e econômica. É óbvio que a exclusividade na exploração do Pré-Sal não é um ônus para a Petrobras. É óbvio que a exclusividade não é um fardo para a empresa. Pelo contrário, é um direito que aumenta sobremaneira o seu poder de barganha da e de seu controlador, o Estado brasileiro, sobre todo e qualquer consórcio de empresas que queira investir no pré-sal. A exclusividade da Petrobras no Pré-Sal não implica que a empresa será obrigada a investir em qualquer projeto que não seja bom e rentável. E nem implica nem mesmo que terá que investir no momento em que não quiser e nem mesmo acima do volume que deseja investir. A exclusividade na operação do pré-sal dá a opção da Petrobras investir como quiser e quando quiser. A obrigação, o fardo e o dever cabe apenas aos outros consórcios que são obrigados a oferecer para a Petrobrás no mínimo 30% dos consórcios e a nas condições que ela desejar.

Ao contrário do que repetem o autor do PLS 131 e o seu relator, a lei do petróleo não “obriga”, a Petrobras a investir em nenhum projeto que ela considere ruim e em nenhum projeto bom que implique em investimentos superiores aos que ela deseja ou pode realizar sem comprometer suas finanças. A simples leitura da Lei nº 12.351, de 22 de dezembro de 2010 mostra claramente que a Petrobras não é obrigada a investir em nenhum projeto que não ela queira e em momento em que ela não possa.

Ou seja, a exclusividade e a participação mínima de 30% no pré-sal não é um fardo para a Petrobras. É um direito que coloca na mão da Petrobras e do Estado brasileiro, o poder de escolher o ritmo de investimento e produção de todos os projetos do pré-sal. E mais, o poder de dizer que projetos poderão ser feitos e, ao menos na formação inicial dos consórcios, quais empresas e países poderão participar desses projetos. É de clareza solar que essa configuração legal não agrada ao cartel internacional do Petróleo, como ficou provado pelo vazamento pelo Wikileaks dos telegramas da embaixada norte-americana no Brasil e pela comprovada espionagem de que foram vítimas a Petrobras e a Presidente da República. Mas isso é problema deles. O Brasil é um país soberano. O Brasil tem uma empresa estatal criada pela força mobilizadora do povo brasileiro na campanha “O Petróleo é nosso”.

2) O pré-sal é o passaporte para o desenvolvimento social e econômico do Brasil

O pré-sal é o passaporte para o Brasil resolver as suas maiores mazelas sociais. Ele representa um volume de riqueza que sozinho pode ser muitas vezes o PIB do Brasil. Técnicos altamente qualificados da Petrobras afirmam que as reservas da Petrobras podem chegar a 300 bilhões de barris, pois considerando-se diferentes medições calcula-se que já tenham sido descobertos 70 bilhões de barris no pré-sal, que somados às reservas preexistentes de 14 bilhões de barris atingem 84 bilhões de barris. E apenas uma parte muito pequena do pré-sal foi devidamente mensurada. O pré-sal vai de Santa Catarina ao Espírito Santo. É uma área maior do que a maioria dos países. Como reconhece o Senador Ricardo Ferraço, mais de 100 mil km2 de blocos não foram sequer licitados. É óbvio que o pré-sal não se restringe a esses 70 bilhões de barris já medidos na pequena área já explorada.

E, por outro lado, as grandes reservas brasileiras não se restringem ao pré-sal. Recentemente, a Petrobras encontrou óleo em grande quantidade na bacia de Sergipe-Alagoas. Estimativas iniciais dão conta de que apenas um dos blocos já perfurados pode chegar a mais de 3 bilhões de barris. Especialistas consideram que a bacia alcance Pernambuco e que esta reserva deva classificada como supergigante. Isso sem considerar a faixa equatorial que promete ser promissora em decorrência de grandes reservas em formações geológicas semelhantes encontradas na Guiana Francesa. Nesse sentido, considerar para o Brasil como um todo as estimativas de 300 bilhões de barris, feitas pela prestigiosa e reconhecida Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET) apenas para o pré-sal, são realistas.

Considerando que esses 300 bilhões de barris deverão ser extraídos a partir da próxima década a um preço médio superior a 100 dólares o barril, estamos tratando de uma riqueza de mais de 30 trilhões de dólares. Isso significa quase 2 vezes o PIB dos EUA, ou 10 vezes o PIB brasileiro. Se considerarmos uma população brasileira de 200 milhões de pessoas, temos um valor de 150 mil dólares por pessoa ou de R$ 468 mil, ou ainda de 2 milhões e 340 mil reais por família de 5 pessoas.

Em termos de PIB, podemos estimar o papel potencial do pré-sal no PIB brasileiro da seguinte forma. Os EUA produzem quase 11 milhões de barris por dia e possuem uma reserva de petróleo de apenas 35 bilhões de barris. A Rússia tem uma reserva de 87 bilhões de barris, similar à reserva já medida no Brasil, e também produzem quase 11 milhões de barris dia. As reservas brasileiras, que podem chegar a 300 bilhões de barris, também podem ser exploradas ao ritmo de 11 milhões de barris dia. Suponhamos que no final da próxima década o Brasil alcance esses 11 milhões de barris dia e consuma 4 milhões de barris dia. Haverá assim um excedente para exportação de 7 milhões de barris dia. Se o preço médio de exportação na próxima década for de 100 dólares, isso significa 255 bilhões de dólares anuais em exportações. Se considerarmos o atual coeficiente de importações de 15%, esse volume permitiria que o PIB seja expandido em 1,7 trilhões de dólares, sem afetar negativamente a balança comercial. Com isso o PIB brasileiro poderia aumentar para US$ 4,7 bilhões. Teríamos assim, na próxima década, o 4º PIB do mundo, se considerarmos, conservadoramente, que o resto da nossa base econômica cresça em média igual ao Japão e a Alemanha, países cujas economias seriam ultrapassadas pela nossa. Com isso, sem considerar os avanços em outras áreas da economia, o pré-sal sozinho poderia colocar nosso PIB per capita em torno de 24 mil dólares anuais, em valores atuais. Isso é próximo ao PIB per capita dos países mediterrâneos da União Europeia. Isso só com a exploração do pré-sal. É esse o “fardo” que o incrível PLS 131 que nos “livrar” e transferir para o cartel internacional do petróleo.

Por isso, é preciso dizer um rotundo não à desnacionalização do petróleo brasileiro, que, ao final e ao cabo, é ao que o PLS 131 nos levaria. Mas é preciso mais. É absolutamente necessário que a maioria dos equipamentos e serviços sejam fornecidos por empresas brasileiras. Também é absolutamente necessário que a tributação sobre a exploração do petróleo seja aumentada. Caso contrário, boa parte dessa riqueza não ficará no Brasil se esvaindo para o exterior na forma de importações e remessas de lucros.

3) A Petrobras descobriu o pré-sal por sua conta e risco

Depois de décadas de pesquisa e bilhões de reais em investimento brasileiro, a Petrobras descobriu o pré-sal sem ajuda das petroleiras estrangeiras. A partir do desenvolvimento tecnológico eminentemente nacional e do conhecimento acumulado sobre nossa bacias sedimentares foram os brasileiros que descobriram as jazidas gigantes do pré-sal, portanto, cabe a nós brasileiros operarmos essa riqueza para usufruto de nosso povo. Nesse sentido, a exigência de 30% a que obriga a lei, é até modesta.

A Petrobras e o governo brasileiro assumiram todo risco exploratório, o primeiro poço do Pré-Sal foi perfurado pela Petrobras. Custou-nos anos e anos de esforço tenaz e centenas de milhões de reais. Antes disso, nenhuma empresa estrangeira havia sequer cogitado ser possível retirar petróleo sob tamanha profundidade, tão distante da nossa costa e sob milhares de metros de rocha e mais de dois quilômetros de sal. Nós brasileiros acreditamos ser possível. Dedicamos-nos sozinhos a superar esse grande desafio e triunfamos. O Brasil, quando quer, pode mais. Depois disso, o mundo passou a saber que basta furar abaixo da camada de sal que o petróleo está lá em grande quantidade. O Brasil e a nossa Petrobrás ensinaram ao mundo. E aí a rapina acendeu os seus olhos de águia. As empresas estrangeiras podem contratar a preço de ouro técnicos brasileiros aposentados ou da ativa da Petrobras ou de seus fornecedores de serviços ou equipamentos para obter o conhecimento de como chegar lá no fundo, lá no Pré-Sal. A Petrobras e o Brasil nada cobram pela transferência de tecnologia nessa forma. O Brasil não faz nenhuma tributação especial sobre as petroleiras estrangeiras que exploram essa grande riqueza nacional usando o conhecimento que o Brasil desenvolveu. A Lei exige apenas que a Petrobras seja a única operadora e que tenha 30% da participação nas empresas que exploram. É uma exigência realmente modesta, muito menor do que é exigida pelas grandes nações exportadoras de petróleo. Mas a ganância e a rapinagem do cartel internacional do petróleo quer mais, quer tudo, quer a Petrobras fora do Pré-Sal. Quer, cinicamente, assumir o “fardo do Pré-Sal”. Mas os brasileiros não somos idiotas, nem estamos dispostos a trocar riquezas minerais por espelhinhos.

É justo e de direito que quem correu esse custo, a Petrobras, tenha alguma preferência, e que os donos dos recursos e da empresa, o povo brasileiro, tenha um mínimo de exclusividade já garantido em lei sobre sua riqueza. Por isso, convoco Vossa Excelência a dizer um rotundo não ao PLS 131/2015.

4) Riscos mínimos, alta produtividade e baixos custos

Depois que a Petrobras desenvolveu mapeou as reservas, desenvolveu a tecnologia e pagou para ver, os riscos no pré-sal se tornaram mínimos e bem conhecidos, não há necessidade de partilhar riscos. O retorno é garantido e é altíssimo, pois, como mostra o mais recente balanço trimestral relatório da empresa, os custos de extração do pré-sal são de apenas 9 dólares por barril. O que gera muito lucro e excedente, mesmo quando o petróleo está em patamares considerados muito baixos como os atuais 62 dólares por barril. Assim, não se justifica a suposta necessidade de atrair multinacionais pela cessão da condição de operadora dos consórcios, com o suposto objetivo de gerenciar riscos.

A Petrobras é a empresa com maior experiência na operação em águas profundas; conhece, em detalhes, os custos envolvidos na produção nas bacias brasileiras e dispõe de infraestrutura que reduz os custos. A eficiência da exploração e da produção é comprovada pelo índice de sucesso exploratório e pela alta produtividade dos poços, muito superior às médias dos seus competidores.

A atual Diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Solange Guedes, informou, em palestra na Offshore Technology Conference em Houston em maio de 2015, que das treze plataformas em produção no pré-sal seis estão na Bacia de Campos e sete na Bacia de Santos. Na apresentação, a Diretora afirmou que a produção no pré-sal, em fevereiro de 2015, havia atingido 737 mil barris por dia, por meio de apenas 37 poços.

Afirmou, também, que, apesar de que nem todos os poços previstos para os sistemas de produção atuais na província do pré-sal estarem conectados, o custo de extração da Petrobras nessa província está caindo. Segundo a Diretora da Petrobras, o custo de extração no pré-sal é de US$ 9,1 por barril, abaixo da média da empresa, de US$ 14,6 por barril, e da média das empresas do setor, de US$ 15 por barril.

Fica claro, então, que a província do pré-sal é um verdadeiro tesouro público e, com essa visão, deve ser explorada pela Petrobras, de forma a garantir maior retorno para o País dessa riqueza natural.

5) A principal razão da exclusividade da Petrobras é o controle dos custos e da medição

É alto o risco de fraude no cálculo dos custos dos empreendimentos e da operação com a consequente redução da fração de petróleo partilhada com o Estado brasileiro. Os custos dos empreendimentos e da operação são contabilizados pela operadora e descontados do petróleo que é partilhado entre os contratados e a União.

Os custos operacionais do consórcio são ressarcidos em petróleo. Quanto menores esses custos e maior a participação societária da Petrobras, maior a parcela de petróleo que será propriedade do Estado brasileiro. A propriedade do petróleo confere vantagem geopolítica na medida em que o Estado pode administrar a riqueza do pré-sal, finita e vital sob os pontos de vista econômico, diplomático e militar.

Também é importante destacar que o papel da Petrobras como operadora reduz a possibilidade de fraudes na medição dos volumes de petróleo e gás produzidos e, portanto, reduz o risco de sonegação de impostos e evasão de divisas na exploração do óleo feitas a centenas de quilômetros da costa brasileira.

6) Aumento da participação governamental

A operação única com máxima participação societária da Petrobras permite que maior parcela da riqueza natural do petróleo do pré-sal seja convertida em resultados econômicos para a população brasileira, com destaque para as áreas sociais, como educação e saúde.

7) Política industrial e empregos

A Petrobras, como operadora única, conduz os empreendimentos, o que permite a seleção e o desenvolvimento de fornecedores de bens e serviços. Isso permite a implementação de uma política industrial para maximizar o conteúdo local, em bases competitivas, e garantir o desenvolvimento nacional.

A operação e a condução dos empreendimentos pela Petrobras possibilitam que mais e melhores empregos sejam criados no Brasil. As multinacionais contratam serviços especializados em seus países de origem e empregam especialistas, supervisores, gerentes e executivos estrangeiros.

8) Desenvolvimento tecnológico

A experiência operacional é essencial para garantir o domínio e o contínuo desenvolvimento tecnológico. O nível tecnológico atingido pela Petrobras é fruto do desenvolvimento científico e sua aplicação, sendo a operação etapa essencial para o aprendizado e o avanço tecnológico. Ceder a condição de operadora única retira vantagem estratégica, expõe o conhecimento a potenciais competidores e reduz as oportunidades de aprendizado.

A Petrobras detém tecnologia, capacidade operacional e financeira para liderar a produção, na medida do interesse social e do desenvolvimento econômico nacional. A empresa é reconhecida internacionalmente pela sua liderança no desenvolvimento tecnológico da exploração e da produção de petróleo em águas profundas.

A capacidade operacional é atestada pela velocidade em que desenvolveu a produção na camada do pré-sal. Produção que já alcança 800 mil barris por dia em tempo recorde em comparação ao desenvolvimento de províncias marítimas estrangeiras, como, por exemplo, as do Mar do Norte e as do Golfo do México.

A produção de 800 mil barris por dia foi alcançada apenas oito anos após a primeira descoberta de petróleo na província do pré-sal, ocorrida em 2006. Para se alcançar a produção de óleo de 800 mil barris por dia no Brasil, foram necessários 40 anos e a operação de 6.374 poços. Na Bacia de Campos, esse mesmo volume de produção foi alcançado em 24 anos, com 423 poços.

10) Benefícios sociais e interesse nacional

A renda petroleira e a propriedade do petróleo, desde que bem administrados pelo Estado Nacional, podem se transformar em benefícios sociais para o conjunto da população brasileira. Ter a Petrobras como operadora única possibilita maior controle social e diminui o risco de extração predatória dos campos do pré-sal, caso sejam licitados.

Essa extração prejudica a recuperação total de petróleo e compromete os resultados econômicos de médio e longo prazos. Cabe registrar que o art. 12 da Lei nº 12.351/2010 permite entregar à Petrobras, sem licitação, determinadas áreas estratégicas, “visando à preservação do interesse nacional e ao atendimento dos demais objetivos da política energética”.

Quando o governo decide licitar determinado bloco do pré-sal, a política de exploração será determinada no âmbito do seu Comitê Operacional, nos termos do art. 24, composto pelo presidente da PPSA e por um representante de cada uma das empresas consorciadas, conforme art. 23.

No entanto, qualquer decisão estratégica, em termos da quantidade produzida, do destino e do preço, entre outras, será objeto de negociações, disputas e controvérsias no âmbito desse Comitê. Não haverá, necessariamente, convergência entre os interesses do Estado brasileiro, o das empresas estrangeiras e, indiretamente, os dos Estados de origem dessas companhias.

Apesar da relação potencialmente contraditória entre os interesses das empresas multinacionais consorciadas, a Petrobras e o Estado Nacional, o fato de a Petrobras ter a operação dos campos possibilita reunir mais argumentos técnicos para evitar decisões que não sejam do interesse público.

11) Ritmo das licitações

Os blocos já licitados e as áreas já contratadas e em desenvolvimento são suficientes para atender ao mercado interno por décadas. A urgência em promover novas licitações, para as quais poderiam vigorar alterações na atual legislação, não interessa ao desenvolvimento nacional. A realização de novas licitações e a aceleração do ritmo de produção do pré-sal beneficiaria os países importadores na medida em que haveria aumento da oferta mundial e pressão para queda dos preços. Além disso, favoreceria empresas multinacionais, cujas reservas estão em declínio.

12) Manutenção da liderança

A Petrobras é a empresa com melhores perspectivas entre as empresas de capital aberto em termos de reservas, de produção de petróleo e de derivados, de garantia de acesso a mercados pujantes e com potencial de crescimento, além da geração de caixa. Todos esses fatores reservam à Petrobras vantagem competitiva, especialmente em relação às empresas multinacionais com ações negociadas em bolsa e suas competidoras.

A manutenção da Lei nº 12.351/2010, com operação única e máxima participação da Petrobras nos consórcios do pré-sal, é essencial para garantir que as vantagens comparativas do Brasil perdurem e se convertam em resultados econômicos e sociais.

13) O Controle do petróleo é estratégico

O petróleo não é uma mercadoria qualquer e não existe substituto que possa garantir a demanda atual e futura de combustíveis líquidos, de produtos petroquímicos e de fertilizantes.

Sob a alegação de urgência na produção do pré-sal, alguns justificam a necessidade de atrair multinacionais, com a cessão da condição de operadora dos consórcios. Argumentam, ainda, que o petróleo será substituído e assim as reservas perderiam valor caso não ocorra sua urgente extração. Na realidade, o petróleo é um recurso singular, não existe nenhum recurso similar em termos de densidade energética e da diversidade de compostos orgânicos, dificilmente encontrados na natureza, que o constituem.

Cerca de 90% do transporte mundial de carga e de pessoas são movidos por derivados de petróleo, milhares de compostos petroquímicos fazem parte da maioria dos produtos e os fertilizantes são os responsáveis pela produtividade agrícola.

Existe correlação entre o preço do petróleo e o preço dos alimentos, uma vez que o petróleo é fundamental nas cadeias produtivas. O petróleo é o principal recurso natural da humanidade. Ele motivou os principais conflitos militares desde a 1ª Guerra Mundial.
É importante ressaltar que não há evidência científica de que exista recurso natural sucedâneo ao petróleo, em qualidade, quantidade e multiplicidade de usos. Assim, a propriedade do petróleo é estratégica e sua produção deve ser compatível com o desenvolvimento da economia nacional e submetida ao interesse social.

Também é importante que se agregue valor ao petróleo e ao gás natural com operações de refino e que se garanta a autossuficiência nacional em derivados básicos. Fundamental, ainda, é seu processamento com vistas à produção de petroquímicos e fertilizantes.

Com a renda petrolífera, pode-se também realizar investimentos para a produção de energia a partir de fontes renováveis visando à sustentabilidade e à resiliência da sociedade, preparando o País para o futuro. Para evitar que interesses privados se imponham aos interesses da maioria da população brasileira, é essencial que a Petrobras lidere a produção do pré-sal na condição de operadora única.

Roberto Requião é Senador. Foi governador do Paraná por 3 mandatos, prefeito de Curitiba e Senador por 2 mandatos. Agradeço ao consultor da câmara Paulo César Lima pela maior parte dos argumentos.
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O valor do Datafolha pode ser resumido em duas sílabas: zero

A longo prazo estaremos todos mortos
Muita gente progressista teve um surto de esperança quando a Folha publicou um editorial contra Eduardo Cunha.

Teria a Folha recobrado alguma coisa dos anos 1980, quando captou o espírito do tempo e se tornou o maior jornal do país?

Ri sozinho.

Sabia que aquele texto fazia parte da cota da Folha para manter a ilusão, para os crentes, de que é plural.

Passados poucos dias, a manchete de hoje com um Datafolha que põe Lula — sempre ele — atrás de Aécio é a confirmação de que a Folha continua a ser o que é faz muitos anos, um jornal conservador empenhado em devolver os amigos ao poder.

Editorialmente, é um disparate fazer uma pesquisa daquelas quando sequer se passaram seis meses das eleições que deram um segundo mandato a Dilma.

Há uma frase primorosa de Keynes que se aplica a este tipo de futurologia obtusa: “A longo prazo estaremos todos mortos”.

O próximo passo poderia ser especular sobre as eleições de 2022.

Lula não exerce cargo executivo e não fala com a mídia. Só aparece nela quando se trata de associá-lo a uma sucessão infindável de “escândalos”.

Também é grande o espaço que dão a ele para tecer prognósticos sinistros sobre sua saúde.

Um colunista do UOL, não faz muito tempo, disse que Lula estava com câncer no pâncreas.

Veio o desmentido, e ele insistiu. Não aconteceu nada com ele: continua com sua coluna no UOL. E qualquer pessoa com o mínimo de familiaridade com câncer no pâncreas sabe que, se fosse verdade, Lula já estaria morto neste momento em que escrevo.

Lula é massacrado o tempo todo.

Mesmo assim, aparece com 25% das intenções de voto na esdrúxula pesquisa Datafolha.

Aécio tem 10 pontos mais, ele que recebe uma cobertura de herói em jornais e revistas, e que acabou de disputar uma eleição.

O imenso lado b de Aécio simplesmente não existe para a imprensa. Seu afilhado Anastasia apareceu na lista de Janot, mas isso sumiu do noticiário faz tempo, assim como o helicoca de seu amigo Perrela e o vergonhoso aeroporto de Cláudio.

Agora mesmo.

O retumbante fracasso de sua expedição bolivariana foi tratado como um caso de sucesso por um colunista do UOL, Josias de Souza.

A cobertura dada a Aécio — complacente, generosa, amiga — é o exato oposto daquilo que se faz com Lula.

Homenagens internacionais a Lula jamais são noticiadas — o que levou o equilibrado jornalista Xico Sá, que deixou a Folha incomodado com a política editorial do jornal, a classificar o comportamento da mídia com uma palavra próxima de canalha.

Estes os fatos.

Aécio deveria ter muito mais que 35% se não fosse um político tão fraco. E Lula deveria ter bem menos que 25% se não fosse amado por aqueles que a mídia abomina — agrupados numa coisa chamada povo.

Paulo Nogueira
No DCM
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Como o advogado Nélio Machado ajudou a turbinar a Lava Jato


Entre advogados que atuam na Lava Jato começa a se formar um consenso sobre os erros de estratégia de Nélio Machado — advogado criminalista de Paulo Roberto da Costa.

Por ocasião da primeira prisão de Paulo Roberto, seus advogados Fernando Fernandes e Tarcisio Teixeira impetraram habeas corpus e uma reclamação. Alegando manipulação de competência pelo juiz Sérgio Moro, questionavam Curitiba como o foro adequado para julgar a Lava Jato.

O HC permitiu a libertação da Paulo Roberto Costa.

Nélio assumiu o caso e, com a autossuficiência que o caracteriza, desistiu do HC, lixou-se para a reclamação e deixou o processo correr.

Logo em seguida, Paulo Roberto Costa foi preso novamente, sob a alegação de que teria movimentado dinheiro após o início do processo.

Se tivesse dado atenção à reclamação, poderia ter prosperado e mantido a soltura do acusado. O HC já estava em Porto Alegre (sede do Tribunal Regional Federal) e iria para o STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Não havia nenhuma estratégia da parte de Nélio, mas apenas questão de vaidade, do advogado que assume uma ação e desqualifica tudo o que havia sido feito anteriormente.

Habeas corpus que já estavam em POA, iriam para STJ. Tinha sido impetrado muito antes dos demais HCs que se seguiram.

Ambos foram indeferidos em 1ª Instância. Já havia recurso para a 2ª instância, seria julgado em Porto Alegre e depois seguiria para o STJ por recurso especial.

Com a suspensão, houve um prolongamento da prisão preventiva dos executivos até que um novo HC, impetrado pelo advogado Alberto Toron, percorresse os labirintos processuais e chegasse até o STF.

Foram quatro meses perdidos, período em que Moro e a equipe da Lava Jato atingiram seu intento de banalizar a prisão preventiva e ir moldando a opinião pública graças à parceria com a imprensa.

Não é a primeira vez que a vaidade de Nélio Machado prejudica seus próprios clientes. Na Satiagraha, a truculência com que atuou ajudou a reforçar ainda mais a imagem negativa de seu cliente Daniel Dantas.

Luís Nassif
No GGN
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Um prefeito necessário


Só agora, com Haddad, São Paulo se concentra em si mesma como cidade carente de ações que a direcionem para um novo modo de vida 

São Paulo tem, hoje, o prefeito que deveria ter conhecido há mais de uma década. A engenharia antiurbanística da ditadura militar, que se apresentava como solução para o futuro, era, na verdade, um atraso de vida, uma obsessão viarista de olhos fechados para a qualidade de vida na cidade. 

As administrações de Luiza Erundina (1989-93) e Marta Suplicy (2001-05) se voltaram para realizações sociais, mas não exatamente citadinas. José Serra (2005-06) e Gilberto Kassab (2006-2013) deixaram correr solto o barco da urbe neoliberal. E perdemos tempo. 

Só agora, com Fernando Haddad, São Paulo se concentra em si mesma como realidade socioespacial específica, carente de ações que a direcionem para um novo modo de vida. Haddad entrou em campo muito mal, cambaleante, quase ferido de morte por seus supostos companheiros. 

Ainda durante a campanha eleitoral, a novidade que ele pretendia encarnar foi desfigurada impiedosamente por uma aliança oportunista com Paulo Maluf, que foi obrigado por Lula a fazer. 

Em seguida, Dilma o humilhou publicamente, obrigando-o a recuar numa decisão sobre aumento do preço da passagem de ônibus. Haddad parecia um perdido, um sujeito que seria manobrado facilmente em qualquer direção determinada por seus superiores na hierarquia política (ou partidária) brasileira. 

Mas não é isso o que vem acontecendo. Haddad descobriu, em tempo, que a saída era ser ele mesmo. E tirar partido, inclusive, da distância e do isolamento com relação aos ditames tantas vezes estreitos do PT. Sim, há momentos em que a solidão política é boa conselheira. Até porque o pensamento de Haddad encontrou uma "ecologia" favorável para medrar. 

Era cada vez maior o número de paulistanos convencidos de que a cidade precisava buscar soluções fora da cartilha de sempre, encarando a questão da mobilidade urbana e discutindo sem temor o beco sem saída automobilístico, com todas as suas implicações ambientais. 

É certo que esses paulistanos abertos para as novas soluções constituem ainda uma minoria — e não tão barulhenta quanto a dos proprietários de automóveis individuais. O que significa que Haddad se move, ao mesmo tempo, numa conjuntura mental propícia, mas minoritária. 

A situação cultural e política é complicada. Se é cada vez maior o número dos que aceitam a vantagem ambiental da cidade compacta e a mescla programática de classes sociais no espaço citadino, assim como o retorno ao centro, persistem, na contramão, tabus arraigados, signos de status, falsos direitos adquiridos. E a batalha é pesada. 

Mas Haddad entendeu três coisas fundamentais. Que teria de trabalhar com dificuldades orçamentárias, sem esperar qualquer solidariedade federal. Que teria de repensar e rediscutir o sentido desta cidade em maré adversa, enfrentando os preconceitos do conjunto da população, sem contar com a boa vontade da mídia. E deixar taticamente de lado o projetismo tipo "Arco do Futuro" em favor de um realismo mais pedestre, no horizonte do possível. 

Não teremos mais de levar utopia alguma à sociedade. A sociedade é que se verá obrigada a entender que a cidade ideal, agora, está se fazendo cidade necessária. 

Antonio Risério, antropólogo e urbanista, é autor de "A Cidade no Brasil" (Editora 34)
No fAlha
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Um Datafolha que nem tucano acredita


O Datafolha tem um histórico de soltar pesquisas, digamos, anormais, e favoráveis aos tucanos, em períodos distantes das eleições. Em maio de 2010, quando todos os outros institutos já mostravam Dilma ultrapassando Serra (até o Ibope), o Datafolha destoava, e continuou mostrando Serra na frente até julho. Só em agosto, o Datafolha se ajustou aos números dos demais institutos.

As próximas eleições são para prefeito em 2016, mas estranhamente em vez do Datafolha fazer pesquisas municipais, faz para presidente que só ocorrerá em 2018. Assim, pode errar à vontade a pesquisa porque ainda tem três anos e meio para ajustar os números à realidade.

Foi neste contexto que o Datafolha publicou uma pesquisa presidencial colocando Aécio na liderança, com 35%, vencendo até mesmo o presidente Lula que, segundo o Datafolha só teria 25%. Nem tucano acredita nesta lorota, por mais que sonhem com isso.

Nem vale a pena perder tempo analisando detalhes desta pesquisa, para ver se não "esqueceram" de fazer entrevistas no Nordeste, no Rio de Janeiro, em Minas, porque a DataAecio não tem valor nenhum.

Pense em uma campanha eleitoral para valer com Lula dizendo que governará como governou nos seus oito anos de mandato e a partir de um patamar melhor do que o Brasil estava em 2003. Além de ter espaço na TV para se defender. Enquanto Aécio falaria o que bem entender. Lula massacra, inclusive no debate ético.

Nem os tucanos levam a sério este Datafolha porque Aécio aparece melhor do que Alckmin, se trocasse o candidato. Os próprios tucanos estão preparando Alckmin, porque acham que é apenas efeito "recall" (o nome vem à lembrança por ter disputado eleições nacionais recentemente). Aécio saiu bastante queimado da última eleição. Perdeu em Minas e no Rio. Sua imagem pessoal é bem mais rejeitada do que admirada. Sem blindagem da mídia, Aécio se desconstrói sozinho, tanto é que bastou os mineiros conhecerem as notícias nacionais para não votarem nele. Se não conseguiu vencer nem Dilma que não é propriamente carismática, imagine se o tucano teria alguma chance contra adversários mais populares.

O que o governo Dilma tem que se preocupar é com os baixos índices de aprovação, independentemente do que diz o Datafolha. O governo não tem conseguido emplacar uma agenda positiva. O oposição tem conseguido manter em pauta uma agenda negativa o tempo todo. Fora isso, o DataAécio, está só fazendo espuma. Aliás, Aécio ainda nem contou os votos da última eleição.

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Entrevista com o homem que fraudou a Constituição de 88


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Como produzir notícias falsas e fazer sucesso na internet

Um estudo apontou que quase um quarto de tudo o que é publicado no Twitter é falso.

Alguns dos meus alunos de jornalismo defenderam que isso é irrelevante, pois as pessoas sabem reconhecer uma notícia falsa de uma mentira ou de um exagero. Sabem de nada, inocentes.

Para mostrar como é fácil fazer uma boa notícia falsa, produzi esse breve e básico manual (Pera! Pausa para a piada do internauta: “Ah, japonês, decidiu escrever sobre si mesmo, né?''. Pausa para a risada: “Hehehe''. Pronto, voltamos à nossa programação normal rs)

A esquerda e a direita partidárias, além de fundamentalistas e defensores do indefensável já adotam essas ações há muito tempo. Agora é a hora de vocês descobrirem como a máquina funciona.

Como produzir notícias falsas e fazer sucesso na internet

1) Onde escrever

Comece criando uma página na rede com um nome que pareça o de um veículo jornalístico. Muitos leitores que se informam apenas pelo WhatsApp ou pelas redes sociais não fazem distinção entre o que vem da Folha de S.Paulo, de O Globo, da Carta Capital (vocês podem concordar ou não, mas são empresas conhecidas e podem ser processadas em caso de erro ou má fé) ou de qualquer coisa que possa ter sido criada minutos antes, como um “Diário do Amanhã'' ou um “Notícia Expressa''.

Daí, se a página será anônima ou se estará hospedada no Casaquistão depende do que você tiver para esconder e do quanto pretende bater nas pessoas e em instituições a ponto de ser processado.

2) Título

Comece fazendo um título bombástico. Isso mesmo: aquela ideia de que o título é decorrência do texto não vale aqui. Um exemplo, usando a rainha Elsa, de Frozen (#adoro):

Você não vai acreditar nisso! Rainha Elsa é envolvida em escândalo do gelo na Noruega

OK, mas você pode ir mais fundo. O título não precisa ser verdadeiro, desde que chame a atenção do público e jogue dúvida sobre o seu alvo. “Ah, mas os leitores vão cair nessa?''

A graça da coisa é que você não precisa se preocupar com isso. O importante é colocar uma pulga atrás da orelha do internauta, que vai passar a encarar o seu alvo (pessoa, instituição, ideia) de uma forma diferente dali em diante.

O leitor médio brasileiro não diferencia uma fonte confiável de uma que não é. Nem mesmo sente falta delas em um texto de denúncia. Para ele, a validação do texto está, em boa parte das vezes, no próprio texto. Se a “notícia'' lhe parecer factível e for ao encontro de sua visão de mundo (muita gente não admite consumir informações que contestem sua visão de mundo), ele absorve aquilo, forma a opinião e passa o conteúdo adiante.

E, afinal de contas, alguém vai se dignar a checar alguma coisa?

Rainha Elsa é acusada de desviar gelo que iria para a merenda de crianças pobres

Tente reunir no título um elemento que fomente ódio contra o seu alvo junto ao público de forma imediata (corrupção, pedofilia, assassinato de idosos, furto de bebês, o Corinthians…). Se der para colocar mais de um então, será a glória. Seja assertivo, demonstre certeza, não importa o quão ridículo seja essa associação. Você pode até rir da sua obra-prima ao final, mas o público levará a sério.

Rainha Elsa, envolvida em corrupção, também é acusada de incesto com a própria irmã

E tente seguir a fórmula “sujeito – verbo – predicado''. Quanto mais parecido com uma estrutura de manchete de fácil digestão, voltado para a massa (tipo Jornal Nacional), melhor.

Castelo da Rainha Elsa foi erguido com escravos suecos e cubanos

3) Foto

Escolha uma boa foto do seu alvo. Vá até o Google e pegue uma que possa ser usada no contexto que você criou. Corte, edite, transforme, não importa — o Photoshop está aí para isso mesmo. Mas faça a imagem comprovar o que você alertou no título. E use uma legenda para explicitar o novo significado que você queira dar a ela e conduzir o leitor para onde quiser.

Elsa e o castelo superfaturado: luxo sustentado pelo desvio de gelo que iria para

 a  merenda de crianças pobres da periferia de Arendelle
Descontextualize a imagem original. Alguns jornalistas, políticos e empresários fazem isso há tempos: torturam fotos a serviço da tese que estão defendendo. Por que o restante dos cidadãos também não poderia?

A foto abaixo é fruto de uma brincadeira nos Estados Unidos com o personagem da Disney. Não é real — em nenhum sentido possível. Mas, não importa, cabe feito uma luva:

Rainha Elsa é presa pela Operação Uísque Caubói da Polícia Federal
4) Texto

Tenha o cuidado de não cometer erros de gramática e ortografia. Vale lembrar, como dito acima, que o conteúdo dessas “matérias'' não são ratificados por fontes de informação confiáveis. A credibilidade é dada pelo próprio texto, o que inclui o seu nível de correção ortográfica e gramatical. Sim, a forma é conteúdo.

“Claro que esse texto sobre a Elsa diz a verdade! Olha como ele é bem escrito!''

Escreva um texto curto. Não precisa ser genial, pelo contrário: deve que ser simples para poder ser compreendido por um maior número de pessoas e usar alguns códigos do jornalismo. Comece-o com um lide (parágrafo inicial de muitos textos noticiosos, que traz a informação mais relevante do texto, respondendo — de forma objetiva — indagações como quem, quando, onde, por que, o que e como. Crie um histórico das sacanagens anteriores do seu algo — não importa se não mentiras, o que importa é que você faça o histórico. A partir daí, pode lascar opinião.

Muita gente não faz diferença alguma entre um texto opinativo e um narrativo. No jornalismo, os dois têm seu valor, mas informação precede opinião em casos de denúncias — o que, não raro, parece passar despercebido entre muitos dos que defendem ou criticam, por exemplo, o governo Dilma, o governo Alckmin ou o reinado de Elsa. Então, opine à vontade e não se preocupe com muitos dados. Na dúvida, invente.

Se puder, coloque links que mandam para outros sites. Hiperlinks, mesmo que não conectem a nenhuma nova informação, têm um efeito de respaldo: “olha, não sou só eu que digo isso, mas outros também''. Um link, por exemplo, que mostra que a gestão de Elsa fechou um contrato gigante de fornecimento de gelo pode ser muito útil. Não importa se o contrato estava legalmente correto, o que importa é inserir uma dúvida.

O ideal é que você produza vários sites com variações do mesmo texto, um se referindo a outro. Isso dá a impressão de que há um rosário de veículos tratando do mesmo assunto, como se fosse o tema do momento. Percebeu? Um discurso não legitimado necessariamente pelos fatos, mas por outros discursos, em uma teia sem fim, sustentada por coisa alguma. Pós-moderno demais? Desculpe, é a internet.

Como uma cebola: quem nunca a viu, acha que é algo suculento, como uma maçã ou um abacate. Mas, retirando camada por camada, você percebe que, lá dentro, só tem vento.

E lembre-se: pouca gente lê textos na internet. Olham títulos, veem fotos, claro, mas apenas checam se há um texto explicando tudo, sem necessariamente lê-lo. Como disse no início, um bom título e foto é que levam a compartilhamentos, retuítes e likes, ou seja, à disseminação e validação coletiva. Quanto mais perfis falsos ou verdadeiros de Facebook, Twitter e Instagram você tiver para o serviço, melhor. Coloque todos para curtir os textos divulgados e sugeri-los a amigos, fazendo a roda viva girar.

Daí é só correr para o abraço.

E assistir, de camarote, como a população — que sabe escolher entre um alface bom e um ruim na feira, mas não foi educada (e isso deveria fazer parte do currículo escolar) para identificar o que é uma notícia e um argumento falsos, seja com viés de esquerda ou de direita — devora a si mesma. E o próprio futuro.

Leonardo Sakamoto
No Esquerda Caviar
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Milagre, do ovo da serpente nasceram gêmeos

Por que os filhotes da RBS não usam o púlpito do Senado para denunciar as empresas pegas na Operação Zelotes, Operação Pavlova ou na Lista Falciani do HSBC? Por exemplo, o que Ana Amélia Lemos tem a dizer a respeito do PP gaúcho, seu partido, pego inteiro e por completo na Operação Lava Jato? O que Lasier Martins tem a dizer a respeito do envolvimento de seu partido nas falcatruas da Assembleia Legislativa Gaúcha?!

O correligionário de Lasier Martins, Gilmar Sossella foi cassado pelos malfeitos praticados na campanha eleitoral. Lasier, como jornalista metido a saber e ter opinião sobre tudo, sabia das práticas de seu colega? Se sabia e nada fez, é cúmplice. Se não sabia, é ignorante. Mas é uma ignorância conveniente típica de funcionário da RBS.

Era uma vez um deputado chamado Diógenes Basegio que tinha um Gatto, mas o gato, nas palavras do Gatto era ele, Basegio. Dúvida shakespeariana, qual dos dois é mais gato? Com a palavra o filhote da RBS, Lasier Martins. Mas o silêncio fala mais alto.

Os filhos gêmeos da RBS poderiam falar a respeito das Operações Leite Compensado, Queijo Condensado. Contra bandidos que envenenam alimentos, os dois acocam. Sempre que aparece alguém metido em falcatrua no sul os dois desnorteiam. Para não falar dos patrões e de seus financiadores ideológicos, os dois imaturos representantes da manada bovina gaúcha atacam Maduro.

Proposta da senadora Ana Amélia conseguiu apoio de apenas 27 senadores, entre os quais Lasier Martins

A senadora Ana Amélia (PP-RS) propôs ao Plenário do Senado nesta quinta-feira (18) uma moção de repúdio ao tratamento recebido pela comitiva de senadores brasileiros em missão na Venezuela. Apesar de não obter o apoio de 27 dos senadores (um terço dos 81) para votação no Plenário, como prevê o Regimento Interno, a proposta foi acatada e encaminhada às autoridades venezuelanas.

O líder do governo, Delcídio do Amaral (PT-MS), foi um dos senadores que resistiu à aprovação da proposta. Ele reiterou que já havia feito contato com o Palácio do Planalto e com os ministros da Defesa, da Justiça e das Relações Exteriores. O parlamentar considerou suficiente a nota do presidente do Senado, Renan Calheiros, condenando os acontecimentos narrados pelos senadores da comitiva.

— Acho que com qualquer outro tipo de atitude, sem que tomemos um conhecimento claro do que efetivamente aconteceu, poderemos estar nos precipitando desnecessariamente — disse Delcídio, sem descartar medidas mais incisivas se houver confirmação de “algo efetivamente grave”.

O primeiro-vice-presidente do Senado, Jorge Viana, também avaliou que a nota divulgada por Renan seria suficiente. Ele acrescentou que, segundo relatos do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Venezuela estava recebendo hoje da Colômbia um acusado de matar um parlamentar chavista, o que causou confusão em Caracas, que prejudicou os senadores brasileiros.

— A informação é que estão liberando uma das pistas de acesso à cidade de Caracas e há a possibilidade de terem o trânsito [liberado] para que possam chegar a Caracas — disse Viana, reiterando solidariedade aos colegas.

Também a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) afirmou que o melhor seria aguardar notícias mais completas de Caracas. Ela lembrou que, há uma semana, esteve em Caracas o ex-presidente espanhol Felipe González, crítico de Hugo Chávez.

— E nada disso aconteceu. Foi recebido com muito respeito pela população e desenvolveu todas as atividades — disse Vanessa.

Diante da resistência, Ana Amélia, que chegou a receber apoio de Dalírio Beber (PSDB-SC) e Lasier Martins (PDT-RS), pediu a aprovação do requerimento apenas em seu nome, o que foi acatado pelo presidente Renan Calheiros. O expediente seguiu para publicação e envio às autoridades.

Pelo Regimento Interno (art. 222), o senador pode apresentar voto de aplauso, repúdio ou louvor que será encaminhado em nome do autor, após a leitura no Plenário. Se disser respeito a ato público ou a acontecimento de alta significação nacional ou internacional, o voto poderá ser encaminhado em nome do Senado Federal, mediante requerimento subscrito por um terço dos senadores e aprovação pelo Plenário.

No Ficha Corrida
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O conto do Livre Comércio

http://www.maurosantayana.com/2015/06/o-conto-do-livre-comercio.html

 
Se há um “conto do vigário” recorrente, no qual temos caído, sempre, históricamente, ele é o do “livre” comércio. A tradição de negociar com os de fora em condição de inferioridade, como se fosse tremenda vantagem, é uma marca cultural brasileira, que deve ter se inaugurado quando, na areia, contemplando as primeiras caravelas, os nativos destas terras entregaram aos portugueses confessáveis e inconfessáveis riquezas, em troca de espelhinhos e miçangas.

A Presidente Dilma Roussef retornou, há poucos dias, da Cúpula entre a CELAC - Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe, e a União Europeia, realizada na semana passada, em Bruxelas.

Na Bélgica, ela tinha também a expectativa de fazer avançar as negociações em torno do acordo de comércio entre o Mercosul e a União Europeia, mas voltou de mãos abanando.

Na linha do “faça o que eu digo, mas não o que eu faço”, os europeus, como fazem há anos, depois de acusar o Mercosul e o Brasil de protecionismo e de estar atrasando as negociações, pediram para transferir a próxima reunião para outubro.

Muito mais fechados do que querem fazer parecer em jornais brasileiros que divulgam — e muitas vezes defendem, abertamente — suas posições, os europeus não buscam um acordo equilibrado e tem suas próprias dificuldades para chegar a um consenso.

O que a UE quer é abrir o mercado do Mercosul, com um PIB de 3 trilhões de dólares (2.3 trilhões do Brasil) às suas exportações de máquinas e serviços, sem levantar suas barreiras às exportações do Mercosul, mesmo que estas em sua maioria sejam de commodities agrícolas de baixo valor agregado.

Ao contrário da nossa, a agricultura europeia é altamente subsidiada, não apenas em seus principais países, mas também em pequenas nações que entraram para a UE e a OTAN recentemente, em troca de seu afastamento da órbita russa.

O “livre” comércio de europeus e norte-americanos é uma balela.

Uns e outros defendem seus interesses, tanto é que o propalado acordo transcontinental entre a Europa e os Estados Unidos está enfrentando cada vez mais resistências dos dois lados do Atlântico.

E fazem o mesmo com relação ao Brasil, como pode ser visto, com dois exemplos, entre muitos outros:

Para vender aos EUA aviões — que já contam com muitas peças Made in USA — a Embraer teve que, primeiro, montar uma fábrica na Flórida, e associar-se de forma minoritária com uma empresa norte-americana.

E, agora, o empreendedor brasileiro-norte-americano David Nelleman, da AZUL, teve de associar-se também minoritariamente ao português Humberto Pedrosa para disputar e ganhar a privatização da TAP - Transportes Aéreos Portugueses (nascidos em outro continente não podem controlar companhias de aviação europeias).

Enquanto isso, por aqui, esquemas acionários mirabolantes permitem, de fato, o controle externo de companhias aéreas nacionais, e parlamentares defendem, ferrenhamente, no Congresso, o fim das restrições à venda de terras para empresas e cidadãos estrangeiros.
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GPS

E tem aquela do cara que conversava com seu GPS. Instalara um GPS no carro porque precisava fazer viagens pelo interior do Estado, muitas vezes em território desconhecido, e o GPS lhe mostrava os caminhos a tomar. Mostrava e dizia, pois o GPS falava. Tinha uma voz feminina, um pouco autoritária, mas não desagradável.

— Em 700 metros, vire à direita, e logo em seguida à esquerda.

Quando o homem se enganava e não seguia suas instruções, a voz não perdia a calma. Dava novas instruções para corrigir o erro, pausadamente e sem fazer comentários. E o homem nunca deixava de se admirar com aquilo: de algum lugar do espaço um satélite o seguia, e uma voz etérea — Como? Saindo de onde? — lhe dizia o que fazer, baseada na informação do satélite. E o satélite via tudo, e nunca errava. Era como um deus em órbita estacionária da Terra.

Mas um dia o homem discordou do satélite. Depois de ouvir as instruções da voz, disse:

— Não mesmo.

E ouviu a voz dizer:

— O quê?

— Esta estrada eu conheço bem, e sua direção não está certa – disse o homem, antes de se dar conta que a voz estava dialogando com ele. A voz estava dialogando com ele!

— Vai por mim – disse a voz.

E o homem, apavorado (“Devo estar ficando louco”, pensou), obedeceu, e descobriu que o satélite tinha razão. O caminho indicado era mais curto do que o que ele conhecia. E quando chegaram ao destino desejado mais cedo, pelo atalho, a voz disse:

— Viu só?

*

O homem e a voz passaram a conversar. Ficaram íntimos. Agora, a voz terminava cada instrução com um “querido”. E tornou-se confidente do homem, que lhe contava sua vida e pedia sua orientação. Era muito sozinho. Gostava de uma moça, mas ela ainda não sabia. Ele deveria declarar-se?

— Declare-se – mandou a voz.

— Será?

— Vai por mim.

Ele estava descontente no trabalho. Tinham lhe oferecido outro cargo, em que não precisaria viajar tanto. Deveria aceitar? Sim, disse a voz. Ele estava ficando estressado com tantas horas sozinho nas estradas.

Noutro dia ele declarou que sua vida era uma porcaria e ele não queria mais viver.

— Vire para a esquerda, agora! – ordenou a voz.

— Peraí. Se eu virar para a esquerda vou invadir a outra pista.

— E ser amassado por uma jamanta, certo. Não é isso que você quer?

Depois a voz do GPS mandou:

— Daqui a 200 metros, vire para a direita.

— Onde nós estamos indo?

— Um hospital psiquiátrico que eu conheço. Esta nossa conversa é obviamente uma alucinação sua. Você precisa de tratamento.

— Você acha?

— Vai por mim.

Luís Fernando Veríssimo
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A corrupção na Receita Estadual do tucano Beto Richa


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Em Pernambuco, blogueiro confirma que atentado foi político


Em depoimento à diretoria da Associação dos Blogueiros de Pernambuco, o blogueiro Ed Soares, que foi vítima de pistolagem no quarta-feita (17), confirmou o que todos já suspeitávamos: que o atentado contra sua vida teve, de fato, motivações políticas. Provavelmente seja isso que esteja causando o inexplicável silêncio da mídia local, especialmente dos jornais impressos, que vivem dos patrocínios dos poderosos de plantão.

Não se concebe que um crime dessa natureza e ainda cometido contra um comunicador que detém um espaço na Blogosfera dedicado a denunciar desmandos de políticos locais sequer uma linha da imprensa tradicional, acostumada a gastar primeiras páginas com todo tipo de sensacionalismo barato.

Ouçam na íntegra o depoimento de Ed Soares sobre o atentado de que foi vítima:


No Blog da Noélia Brito
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Secretários municipais são presos pelo Gaeco por desviar remédios do SUS no Paraná




Dois secretários municipais da cidade de Ibema (DEM), na região Oeste do Paraná, foram presos na manhã desta sexta-feira (19) pelo Gaeco. O Grupo de Atuação Especial de Combate à Corrupção, cumpriu mandados de prisão contra o secretário de administração, Valdir Scheifer, e a secretária de saúde, Eunice de Lara. O Ministério Público investiga um esquema de fraude na compra de medicamentos para o município. Segundo as investigações, o grupo criminoso já desviou mais de um milhão de reais com o golpe.

Para desviar o dinheiro que deveria ser aplicado na compra de remédios para o município, o grupo cobrava propinas para fraudar licitações.

Menos remédios eram disponibilizados do que o combinado e parte dos que eram entregues estavam vencidos. Além disso, medicamentos comprados com o dinheiro do município eram desviados e vendidos em farmácias particulares pela secretária de saúde.

As investigações já duram quatro meses e outras pessoas, além dos secretários municipais de Ibema, também são investigados. O esquema criminoso, segundo o Gaeco, também acontecia em outras cidades da região e mais prisões podem ser realizadas nas próximas semanas.

As diligências começaram pela manhã e as operações seguem ao longo do dia. O Ministério Público deve divulgar um balanço completo das ações.

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Rafael Correa adverte: “Há um golpe em marcha”

"Muito atentos, há um golpe em marcha. Muito atentos companheiros, porque insisto, somos a imensa maioria pacífica, mas vamos defender nossa revolução no momento que quiserem tocar no Presidente ou no Governo", sublinhou neste sábado Rafael Correa durante a entrega número 429 do programa presidencial na província de Santa Elena.

O líder sul-americano também enfatizou a necessidade de se respeitar as conquistas da revolução equatoriana e exigiu que as pessoas saem às ruas para defender as instituições, a fim de derrotar os conspirações e tentativas de golpe da oposição.

Da mesma forma, ele lamentou que a oligarquia do Equador, que se opõem a um projeto de lei chamado de Lei da Herança ou Redistribuição da Riqueza, não veja com bons olhos a iniciativa do Governo e aspiram voltar ao passado.

A direita, reiterou Correa, ao perturbar a estabilidade do país tem como objetivo alcançar o que não conseguiu nas urnas.

Em sua opinião, "o maior pecado social da nossa América é a desigualdade, e nós enfrentamos uma campanha maciça de desinformação, de desgaste e de manipulação por parte da oposição."

Desde o último dia 5 de junho, data em que o governo equatoriano apresentou o controverso projeto de lei à Assembleia Nacional, diferentes cidades testemunharam manifestações a favor e contra o governo de Correa.

Dada a situação conturbada do país, o chefe de Estado do Equador anunciou na segunda-feira a suspensão temporária dos dois projetos, uma iniciativa que contou com o apoio de 70% dos equatorianos.

Vale ressaltar que de acordo com o Governo de Quito, o projeto de lei, que serve para taxar a riqueza (herança) e os ganhos extraordinários com novos impostos, ajudará, em um futuro próximo, para combater a pobreza extrema.

No entanto, grupos de oposição da direita acreditam que esta lei irá aprofundar a divisão social, argumentando que afetará a maioria da população.

Correa tem afirmado repetidamente que as novas taxas de imposto irão impactar menos de dois por cento dos equatorianos, e que as propostas visam alcançar uma melhor distribuição da riqueza.

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Estão fazendo muito barulho por pouco no caso da reunião vazada de Lula

A mídia explora deliberadamente a reunião
Lembro de várias reuniões de diretoria da Abril em que o tema eram os desafios que tínhamos pela frente.

Roberto Civita, o dono, não participava delas, mas era, com frequência, a pessoa mais citada.

Alguém se queixava de determinado problema. Qualquer problema.

Por exemplo: uma vez o redator-chefe da Veja, Mario Sabino, mandou publicar uma enorme matéria laudatória sobre seu próprio livro.

É simplesmente inaceitável. Nem a Gazeta de Pinheiros tolera este tipo de autofavorecimento descarado. Sabino chegou a ser comparado a Machado de Assis por um livro que, passados uns poucos anos, não é lembrado nem pela família do autor.

Os diretores da Abril acharam tudo aquilo um horror.

“Como isso pode acontecer na principal revista da casa?”, era o coro.

Um dos diretores respondeu.

“Falei já com o Roberto sobre isso. Mas ele ouve e ao mesmo tempo não ouve. Acaba não fazendo nada.”

Sabino, segundo um subordinado do seu tempo na Veja, é o novo Machado de Assis
Sabino, segundo um subordinado do seu tempo na Veja, é o novo Machado de Assis
E então algum outro executivo lembrava que Roberto Civita era muito distante dos funcionários da casa, ao contrário do pai, que vivia circulando pela casa, às vezes dando tapinhas nas bundas das mocinhas bonitas.

“Ah, essa é a cultura da casa”. Uma vez o então presidente executivo Ophir Toledo disse que, ao ser contratado para comandar a Abril, pediu para o veterano VP de recursos humanos que o levasse à redação da Exame.

“Não sei onde fica”, ouviu, atônito.

Bem, contei tudo isso porque as imagens acima me vieram quando li a matéria da Globo sobre uma reunião de Lula com religiosos.

Alguém, traiçoeiramente, gravou-a, e a mídia, como era previsível, está fazendo um estardalhaço.

Mas quem está habituado a reuniões corporativas sabe que é muito barulho por muito pouco.

É claro que, nas reuniões da Abril, falaríamos sobre RC com muito mais cuidado se soubéssemos que estávamos sendo gravados — embora não disséssemos nada de extraordinário.

Esprema o que Lula falou de Dilma.

Que ela não circula como ele. Ora, Lula já disse isso várias vezes.

São estilos diferentes. Lula, sindicalista, adora andar pelo Brasil e conversar com o povo, sobretudo o povo simples.

É um retorno às raízes, à infância, aos dias mais felizes que alguém pode ter, a despeito de dificuldades materiais.

Dilma é de outra natureza. É mais fechada, é uma administradora muito mais de gabinete do que de rua.

Querer que ela se transforme numa Lula, e faça uma expedição pelos rincões, é um erro que muitas pessoas e o próprio Lula cometem.

Ninguém esperava de Roberto Civita que tivesse o walk management — gerência ao caminhar pela empresa — de seu pai. Era outro o estilo, era outra a pessoa.

Aceitávamos todos como dado da vida que os funcionários mais próximos de RC fossem os seguranças que o cercavam o tempo todo dentro e fora da Abril.

(Quando fiz uma cirurgia em 2000, RC foi me visitar no Einstein. O hospital fechou o corredor do quarto em que eu estava para que os seguraças de RC pudessem se instalar adequadamente. Isso numa visita de quinze minutos.)

De volta a Lula, ele disse que Dilma está no “volume morto”. É uma tirada engraçada, típica do humor de Lula. É vital, para entender a piada, saber que ele também se colocou no volume morto.

Tire do contexto e parece uma pancada em Dilma, e não a brincadeira que foi.

Da mesma forma, ele apontou problemas no PT, como nas reuniões da Abril notávamos obstáculos da empresa.

Mas ele falou, e isso faz toda da diferença, que o PT ainda é o “melhor partido do país”.

A mídia está dando uma dimensão ao caso que, definitivamente, é acima da realidade.

Muito acima.

Quem acreditava na gravidade do que Lula disse, para evocar Wellington, acredita em tudo.

Paulo Nogueira
No DCM
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