20 de jun de 2015

O inventor do jornalismo investigativo

Mudou a história da imprensa
Todos nós, jornalistas modernos, somos de alguma forma filhos do editor inglês William T. Stead (1849-1912). No final do século 19, Stead inventou o que se conhece hoje por “jornalismo investigativo” em publicações como “The Pall Mall Gazette” e “Review of the Reviews”.

Como jornalista, ele promoveu cruzadas de grande repercussão contra doenças sociais como a prostituição infantil. Num caso que chocou a Inglaterra vitoriana, ele mostrou que era possível comprar por 5 libras uma garota de família humilde e colocá-la em bordéis. Por causa dessa reportagem, a idade mínima para o sexo consentido na Inglaterra mudou de 13 para 16 anos.

Foi também o primeiro editor inglês a colocar uma entrevista nas páginas de um jornal.

Num artigo, ele mostrou a hipocrisia que havia por trás da condenação de Oscar Wilde, em 1895, pela prática de sodomia. Stead notou que, se em vez de seduzir moços, Wilde tivesse colecionado moças, “e assim gerado filhos bastardos desajustados”, ele seria celebrado e não condenado.

Stead, com seu inovador “jornalismo de ação”, foi uma inspiração para o homem que mais que ninguém representa a imagem histórica do chamado magnata da mídia, o americano William Randolph Hearst, que serviu de base para o clássico do cinema Cidadão Kane, de Orson Welles.

Stead sustentava que o editor era “a maior força da política”. Ele acreditava nas virtudes do “governo pelo jornalismo”. Segundo ele, os jornalistas poderiam aplicar “um estimulante ou um narcótico” na mente dos leitores e com isso moldar, ou manipular, a opinião pública. “O primeiro dever de todo homem de verdade, se ele acredita que a opinião pública está equivocada, é tentar mudá-la”, dizia.

Messiânico, achava que a imprensa tinha mais condições de promover o bem público do que o Estado. O editor, para ele, tinha que ser tão capaz quanto um “primeiro-ministro”. Sua fé na imprensa era total. “Um homem sem jornal é um ser pela metade, despreparado para a batalha da vida”, escreveu ele num ensaio sobre o futuro do jornalismo.

É muito provável que Roberto Marinho em seus mais de 90 anos de existência jamais tenha ouvido falar de Stead. Mas foi ele quem mais incorporou, no Brasil, os atributos de influência que Stead enxergava no jornalismo.

O mundo visualizado por Stead, em que o paraíso poderia ser alcançado caso seguidas as orientações de editores como ele próprio, só começou a desmoronar com a emergência da internet, quase 100 anos depois de sua morte. A internet, ao dar voz e influência às multidões, mitigou o poder do estimulante e do narcótico dos editores.

Um intelectual dos tempos de Stead definiu-o assim: “Nele havia uma mistura rara de força intelectual com convicção moral, idealismo com o utilitarismo, imaginação viril e praticidade — e tudo isso fez sua visão se traduzir em realidade. Determinação sem limites, coragem moral soberba e energia incansável marcaram toda a sua carreira jornalística.”

Cabe aos jornalistas, dizia Stead, “dar profundidade ao inarticulado gemido daqueles que não têm voz”. “Um jornal, nesse sentido, é um apóstolo diário da fraternidade, um mensageiro que traz boas novas para os que jazem nas trevas e na sombra.”

Stead era escritor, além de jornalista. Renascentista nos interesses, dedicou os últimos anos da vida a pesquisas psíquicas. Lutou pela paz tenazmente num movimento chamado “Guerra contra a Guerra”. Foi indicado para o Nobel da Paz algumas vezes, e era dado como quase certo que o ganharia finalmente em 1912.

Mas neste ano ele embarcou rumo aos Estados Unidos no Titanic. Os relatos sobre sua conduta no Titanic atestam sua generosidade e bravura. Stead ajudou a embarcar crianças, mulheres e velhos nos botes. Quando o último bote partiu, ele foi para a sala de fumantes da primeira classe do Titanic. Ali foi visto pela última vez, fumando e lendo um livro.

Montaigne escreveu que a estatura de um homem se mede pela sua atitude diante da morte. Stead por essa medida, e não apenas por ela, foi um colosso.

Paulo Nogueira
No DCM
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A nova pérola jurídica da ministra do STF, Rosa Weber, sobre financiamento eleitoral

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou na quarta-feira (17) pedido de 61 deputados federais para anular a votação que aprovou o financiamento empresarial de partidos, uma das emendas da reforma política. Na decisão, a ministra entendeu que não há motivos para interferir no processo legislativo.

De acordo com a ministra, a interferência somente seria cabível em caso de inconstitucionalidade da votação. “A visão dinâmica do processo legislativo, em oposição à perspectiva estática da comparação simples de dois textos, concede amparo, em juízo de delibação, à votação de propostas em ordem de generalidade, da maior para a menor, demonstrada a ausência de identidade absoluta entre elas”, (sic) argumentou.

Os parlamentares alegaram que é inconstitucional a forma como a Emenda Aglutinativa 28 foi processada por violar o Artigo 60, Parágrafo 5º, da Constituição. Segundos os deputados, matéria constante de proposta de emenda rejeitada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. No caso, uma primeira emenda sobre a matéria foi rejeitada e outra foi aprovada no dia seguinte.

No Claudicando
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Sérgio Moro, um juiz a serviço da TV Globo e do PSDB

Os principais interessados na Operação Lava Jato são o PSDB e as multinacionais do petróleo. Ambos clientes da esposa de Sérgio Moro.

A esposa do juiz Sérgio Moro, que está à frente da Operação Lava Jato, advoga para o PSDB do Paraná e para multinacionais de petróleo. A denúncia foi publicada no Wikleaks.

O fato já seria suficiente para inviabilizar a participação do juiz Moro no processo que apura a corrupção na Petrobrás (Operação Lava Jato). O Código de Processo Civil, em seu artigo 134, manda arguir o impedimento e a suspeição do juiz: “IV — Quando nele estiver como advogado da parte o seu cônjuge ou qualquer parente seu, consanguínio ou afim, em linha reta: ou na linha colateral até o segundo grau”.

Mais claro impossível. Ora, quem são os principais interessados na Operação Lava Jato, que afeta diretamente a Petrobrás? O PSDB e as multinacionais do petróleo, clientes da mulher de Moro! São eles os grandes beneficiados com essa Operação.

Na véspera da eleição presidencial, a Revista Veja estampou uma foto da então candidata Dilma, afirmando: “Dilma e Lula sabiam da corrupção na Petrobras”. A TV Globo repercutiu no Jornal Nacional.

A capa da Veja — um panfleto pró-Aécio — e o noticiário da emissora de maior audiência (ainda que decadente) manipularam até o final e certamente conseguiram arrancar alguns milhões de votos da presidenta, embora não o suficiente para derrotá-la.

Depois do estrago causado, a farsa montada pela Veja e pela Globo foi desmentida. O próprio advogado do doleiro Alberto Youssef (suposto delator) assegurou que “o seu cliente não fez declaração alguma envolvendo os nomes de Lula e Dilma”. Quem provavelmente “sabia” da manipulação montada, era o juiz Sérgio Moro.

Parcialidade e blindagens se revelam como um novo escândalo

A sociedade não deve nenhum respeito a um juiz que extrapola suas funções e, sem nenhuma base jurídica, destrata a autoridade máxima do país. É o que aconteceu no segundo turno das eleições presidenciais, quando foram veiculadas as acusações — depois desmentidas. Por esse fato, o juiz Sérgio Moro deveria se desculpar publicamente.

Por mais que os brasileiros queiram ver na cadeia corruptos e corruptores — também me incluo entre os indignados — não é possível aceitar que a Justiça tenha dois pesos e duas medidas. O juiz Sérgio Moro mantém preso o tesoureiro do PT, mas não mandou prender os tesoureiros dos demais partidos citados em delação premiada, dentro da mesma operação, dentre os quais havia políticos do PSDB, PMDB, PP e outros. O tesoureiro do PSDB, Marcio Fortes, que foi tesoureiro de campanha de FHC e de José Serra, além do envolvido com o PSDB na Lava Jato é titular de conta para lavagem de dinheiro no HSBC da Suíça. Mas continua solto.

A parcialidade de muitos juízes se revela como um novo escândalo, tão grande quanto aqueles que apuram. Pior é a blindagem de personagens, como o atual presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha. Será ele refém ou artífice de um projeto conservador em andamento que pratica uma verdadeira devassa, derrubando conquistas históricas da sociedade civil e dos trabalhadores?

Por que não são investigados e punidos os empresários de comunicação que falam e escrevem o que bem entendem, contra tudo e contra todos, sem nenhuma regulamentação?

Por que esses escândalos não têm a mesma repercussão na mídia? O que se diz é que órgãos de comunicação também estariam envolvidos, em escândalos bilionários, como o Swisslaikes, Zelotes e Trensalão.

A lei determina que todos os envolvidos em corrupção, corruptos e corruptores, depois da ampla defesa e, se condenados, sejam presos e os bens adquiridos por meio da corrupção sejam ressarcidos. Mas a regra deveria valer para todos os partidos!

A TV Globo deu ao juiz Sérgio Moro o título de personalidade do ano. A TV Globo apoiou e cresceu à sombra da ditadura, foi contra as eleições diretas e, no governo de FHC, na década de 1990, fez campanha pela privatização da Petrobrás, comparando a estatal a um paquiderme e chamando os petroleiros de marajás.

A Globo e o PSDB sempre defenderam a privatização da Petrobrás. O seu projeto de país tem sido derrotado nas urnas. Mas, por vias transversas, está sendo retomado. É o que aponta o projeto do senador do José Serra que retira a Petrobrás como operadora única do pré-sal e acaba com o regime de partilha, retornando ao pior modelo, que é o de concessão, instituído em 1997 pelo entreguista FHC.

Como funcionário da Petrobrás e brasileiro não posso aceitar calado essa tramoia contra a empresa que é o maior patrimônio da nação e a única que pode pagar a dívida social que temos com nosso povo. A sociedade não pode permitir que a Globo e o PSDB destruam a Petrobrás.

Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
No Carta Maior
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Saramago em 10 frases

José Saramago, premio Nobel de Literatura
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São Paulo fica no Brasil?

Aposto que José Maria Marin será ovacionado se aparecer naqueles restaurantes que vaiam petistas

José Maria Marin será ovacionado se aparecer naqueles
restaurantes que vaiam petistas
"Paulista é esquisito”, desabafou Gilberto Braga, o Martin Scorsese da teledramaturgia brasileira. Paulista, diz ele, adora o Jamanta — aquele personagem limítrofe que Silvio de Abreu criou em Torre de Babel (de 1999) e repisou em Belíssima (de 2005). “Fora de São Paulo ninguém suporta (o Jamanta), mas lá é um sucesso.”

O autor de Babilônia queixa-se dos baixos índices de audiência da novela das 9, embora alivie com a constatação de que todo o Brasil é que encaretou. De todo modo, os brios quatrocentões imediatamente se exaltaram, argumentando que não é só em São Paulo que duas senhoras maduras e bem-postas não têm o direito de se amar (Gilberto Braga desistiu de fazer de Marcos Pasquim um personagem gay a pedido de dondocas paulistanas) .

São Paulo não explica Babilônia, mas Babilônia expõe muito do espírito retrógrado, oligárquico, racista, preconceituoso da São Paulo dos Jamantas. Talvez console a Gilberto Braga saber que Regina Casé paga, em São Paulo, com uma audiência abaixo da média, o preço da negritude que exala do seu Esquenta, com aquela efusão de samba feliz e suarento.

Dias atrás, Roberto Jefferson anunciou que, tão logo recupere seus direitos políticos, vai mudar o domicílio eleitoral para São Paulo. Faz sentido. O eleitorado de São Paulo tem uma paixão obcena por pilantras de variegadas procedências, desde que tragam no seu blá-blá-blá o ódio ao PT. Onde viceja um Roberto Freire  um delator fará um furor.

Nirlando Beirão
No CartaCapital
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STF abre inquérito para investigar senador Fernando Bezerra Coelho

Senador é suspeito de 4 crimes; defesa disse que ainda não viu processo.


Alvo de outro inquérito na Operação Lava Jato, ele nega suspeitas.

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito para apurar se o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) está envolvido em esquema de fraude a licitação, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e corrupção de autoridades federais. O caso corre em segredo no Supremo.

Uma apuração preliminar sobre o tema foi iniciada na Corte em 2008, mas somente agora a investigação foi oficialmente instaurada. Agora Barroso mandou a Polícia Federal iniciar a coleta de provas. Depois dessa fase, a Procuradoria terá que analisar se denuncia ou não o parlamentar por crimes.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa do senador informou que o parlamentar está "à disposição para prestar todas as informações" que lhe forem solicitadas pelas autoridades que conduzem o inquérito.

A nota também explica que o inquérito trata de contratos relativos a serviços de publicidade e refere-se ao período em que Bezerra Coelho era secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Pernambuco e trata de contratos relativos a serviços de publicidade.

O senador Fernando Bezerra Coelho já é alvo de outro inquérito no Supremo sobre a Operação Lava Jato. O parlamentar foi citado na delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Em depoimento dado em agosto do ano passado, Costa relatou que, em 2010, Bezerra Coelho pediu R$ 20 milhões para a campanha de Eduardo Campos (PSB), morto em 2014, à reeleição ao governo de Pernambuco. Na época, Bezerra Coelho era secretário de Desenvolvimento do Estado.

Segundo Paulo Roberto Costa, o pedido foi feito por Bezerra ao doleiro Alberto Youssef, que, segundo as investigações, era responsável por lavar dinheiro dos desvios em contratos da Petrobras. Os recursos viriam de consórcio entre empreiteiras chamado Ipojuca Interligações, formado por Iesa e Queiroz Galvão para as obras da Refinaria Abreu e Lima.

Paulo Roberto disse que o próprio Youssef confirmou que o dinheiro foi entregue para a campanha no início daquele ano. Fernando Bezerra Coelho negou todas as afirmações.
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Brancaleone brasileiro expôs o país ao ridículo para tentar criar problema para Dilma


O artigo 4º dos Princípios Fundamentais da Constituição da República Federativa do Brasil diz exatamente o seguinte:
A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
I – independência nacional;
II – prevalência dos direitos humanos;
III – autodeterminação dos povos;
IV – não intervenção;
V – igualdade entre os Estados;
VI – defesa da paz;
VII – solução pacífica dos conflitos;
VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX – cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X – concessão de asilo político.
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino americana de nações.
Qualquer pessoa minimamente esclarecida que saiba ler e escrever, além de colorir livros (agora na moda), entenderá o significado dos princípios acima enumerados. O que se dirá, então, de um grupelho de senadores, de políticos brasileiros, que por iniciativa própria se dirigem a um país vizinho para criar um conflito, no mínimo, diplomático?

Arrogantes, irresponsáveis, provocadores será o mínimo a dizer sobre esses cidadãos, a quem o escritor Fernando Morais, chamou de “Os Três Patetas”, muito embora sejam cinco ou seis, todos representantes da já velha e ensebada direita brasileira.

Convidados pelas esposas de dois dirigentes políticos da oposição venezuelana que se encontram detidos por atentarem contra a legalidade democrática da Venezuela (sua pregação golpista e os atentados já praticados levaram à morte dezenas de cidadãos daquele país irmão) e pela derrubada do presidente Maduro.

Internamente, a Venezuela já enfrenta esse tipo de oposição desde que o presidente Hugo Chávez foi eleito pela primeira vez. Oposição, diga-se de passagem, monitorada e orientada pela CIA e o Departamento de Estado dos Estados Unidos. Quem quiser saber a respeito, procure pelos livros e documentos publicados pela advogada Eva Golinger, venezuelana que vive nos EUA. Alguns diplomatas norte americanos já foram expulsos da Venezuela e os dois países ficaram um bom tempo sem embaixadores.

O jogo é pesado, para profissionais e não para amadores, verdadeiros capiaus da política internacional, que perderam o rumo de Caracas tão logo saíram do aeroporto e retornaram ao Brasil em vinte a quatro horas. Papelão, indigno dos brasileiros que, por acaso, representam no senado.

A palhaçada, em nome de “princípios democráticos”, vejam só, abrilhantou o convescote dos irresponsáveis que deixaram Brasília num jato da FAB e regressaram com o rabo entre as pernas. Aliás, bem ao estilo dos nossos vira latas. Machões, impulsivos, alguns até gostam de bater em mulheres e “otras cositas mas”, o exército de Brancaleone brasileiro, expôs o país ao ridículo, na torpe tentativa de criar mais um problema para a presidente Dilma Rousseff.

Voltam ao país exatamente no dia em que a república separatista do Paraná anuncia novas prisões preventivas e a rua do humorista Jô Soares é pichada com ameaças de morte a ele. Uma coisa tem exatamente a ver com outra: perguntem à CIA.

Esse filme é repetido há anos em vários países do mundo. O que muda, por vezes, é a qualidade das marionetes empregada para as tentativas (muitas conseguidas) de desestabilização, sempre em nome da democracia.

Em matéria de patetas, prefiro dos originais: Moe, Larry e Curly.

Izaías Almada
No Viomundo
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Dilma deve tentar salvar traficantes?

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Brasil descarta chamar seu embaixador na Venezuela

Assessor Especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República do Brasil, Marco Aurélio Garcia.
O principal conselheiro da presidente Dilma Rousseff qualificou a visita de senadores da oposição a Venezuela como inoportuna e um ato de "proselitismo".

Assessor Especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República do Brasil, Marco Aurélio Garcia, descartou neste sábado convocar o embaixador do Brasil para a Venezuela pelo caso dos senadores que supostamente afirmam ser vítimas de atos hostis na capital venezuelana Caracas.

"Isso não está contemplado (a chamada do embaixador Ruy Pereira). O governo já se manifestou contra atos extremos e não é o caso de se dar mais extensão a esse episódio", disse Garcia em entrevista ao jornal O Estadao de São Paulo.

Além disso, o principal assessor de Rousseff qualificou a visita de senadores da oposição como inoportuna e um ato de "proselitismo".

A presidente Dilma Rousseff considerou nesta sexta-feira que a intenção de um grupo de senadores brasileiros de visitar os responsáveis pelos atos violentos ocorridos na Venezuela em 2014 constituiu uma afronta à soberania venezuelana.

A chefe de Estado considerou como uma interferência nos assuntos internos da Venezuela a intenção dos senadores de reunirem-secom pessoas que continuam detidas por fazer chamadas a violência durante os protestos da oposição contra o governo de Nicolas Maduro, que causou 43 mortes em chamadas guarimbas (fechamento arbitrário e violento de ruas e avenidas).

Por sua parte, o parlamentar Humberto Costa, do Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil, denunciou nesta sexta-feira que a visita da delegação de senadores brasileiros a Venezuela foi uma estratégia da direita brasileira.

No contexto

A viagem da delegação chefiada pelo senador Aécio Neves se deu poucos dias depois da visita ao país do presidente espanhol Felipe González, que também expressou seu apoio aos responsáveis ​​pelos atos violentos de 2014.

A visita de políticos de diferentes nacionalidades ligadas a setores da direita têm sido denunciadas pelo governo venezuelano por representar uma injerência nos assuntos internos do país sul-americano, além de ser uma afronta à justiça, uma vez que eles pressionam para obter impunidade aos responsáveis ​​por mortes de venezuelanos durante os protestos violentos mencionados.

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Operação Lava Jato é severamente criticada no meio jurídico


Desde o início, em março de 2014, a Operação Lava Jato suscita críticas no meio jurídico. O juiz Sergio Moro, responsável pelo caso na Justiça Federal, é o principal alvo. Critérios e métodos da procuradoria, da Polícia Federal e de tribunais que julgam envolvidos com foro privilegiado também são censurados.

Uma dura acusação foi feita em março pelo advogado Alexandre Lopes, defensor do ex-diretor da Petrobras Renato Duque, que chegou a ser solto por ordem do STF (Supremo Tribunal federal), mas depois voltou à cadeia.

“Tribunais estão amedrontados pelo clamor das ruas. A pressão é tão grande que os ministros acabam violentando suas convicções pessoais”, disse. “Para o juiz Sergio Moro, vigora o princípio contrário: o de presunção de culpa.”

Haveria também uma supervalorização de delações premiadas, dizem alguns. “Delações são provas precárias e inconfiáveis”, disse Nelio Machado, defensor do lobista Fernando Soares. “O delator tem outros interesses do que dizer a verdade.”

Em maio, quando retirou seu apoio a um evento que teria Moro entre os palestrantes, o advogado Arnaldo Malheiros justificou assim a sua decisão: “Não vou pagar para dar palco a quem viola constantemente o direito de defesa e falará sobre colaborações que sabemos bem como se dão”. Era uma referência à constante acusação de que prisões são usadas como pressão para obter delações.

Em parecer para um réu, o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça Gilson Dipp defendeu que o acordo de delação do doleiro Alberto Youssef é ilegal. Apontou omissão ao descumprimento de um pacto anterior, de 2003, e citou falta credibilidade do doleiro, que já mentiu à Justiça.

Quando esse pedido para anulação da delação foi levado ao STF, o ministro Dias Toffoli rejeitou o pleito. Ele não chegou a discutir o mérito da questão, afirmando que o tipo de recurso apresentado pela defesa não era cabível.

Outra crítica constante é contra o fato de o caso correr em Curitiba, na comarca de Moro. Alguns argumentam que os ilícitos contra a Petrobras apontados pelos procuradores teriam sido no Rio, sede da estatal. Moro alega que Youssef, personagem central desde o origem da apuração, atuava em Curitiba.

No fAlha
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Praga de Ratos na Venezuela


Armaram uma ratoeira para nós”. Esta frase proferida durante o patético episódio em Caracas não sai da minha cabeça.

Psicanalisado que sou não consigo deixar de registrar o ato falho contido na frase. Afinal não se arma ratoeiras para pegar outra coisa que não sejam ratos.

Ou não?

Com a palavra os psicanalistas e os fabricantes de ratoeiras.

Mas isso acabou trazendo-me à memória uma piada que eu contava há muito tempo num dos meus shows (hoje chamam de stand up). 

Contava eu que um bêbado vinha cambaleando por uma rua quando encontrou um político com um papagaio no ombro. Disse o bêbado:

— “Quer vender o rato?”

— “Isto não é um rato, é um papagaio!” disse o político.

E o bêbado:

— “Cala a sua boca! Eu estou perguntando ao papagaio!”

Bemvindo Sequeira
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Para que serve o senado? Fim do Senado, já!


Não é de hoje que defendo, por escrito ou em conversas, que deveríamos adotar um sistema unicameral de representação.

A existência de um segundo nível de representação é um resquício medieval que o mundo ainda não se livrou. É a necessidade de uma “classe” superior. A manutenção do sistema de classes ainda imposto para as sociedades.

Não há um único artigo, dentre os que definem as atribuições e competências do Congresso Nacional ou do Senado Federal (art. 52), que não possa ser perfeitamente executado por um sistema de câmara única.

Além de ser o poder mais caro para a sociedade brasileira, o Legislativo bicameral não encontra argumentos que possam contrariar o fato de que é simplesmente ineficiente: custa muito para o puco que produz.

De uns tempos para cá, a inutilidade do Senado tem sido claríssima, demonstrada sobejamente pela conduta dos senadores, muito mais preocupados em resolver questões pessoais do que leis para a sociedade.

Dedicam-se os senadores, em sua grande maioria, a resolver questões de politicagem, isso quando não as criam para proveito próprio.

E antes que alguém mencione, é uma grande falácia dizer que precisamos de um sistema revisor, onde o que um faz deve ser revisto por outro, para garantir que do Congresso saia ‘coisa boa”.

A maturidade democrática não se atinge por aí, mas pela qualidade com que o povo escolhe seus representantes. E sequer com isso nosso “colendo” Senado está preocupado, pois querem apenas fazer por onde serem reeleitos.

O Senado não serve para nada e estamos gastando muito dos nossos impostos para bancar essa gente!

FIM DO SENADO, JÁ!

Luiz Afonso Alencastre Escosteguy
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Globo deturpa fala de Lula. Que novidade...

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
“Ainda hoje, com todas as notícias negativas contra nós, ainda somos o partido mais popular nas pesquisas. As pessoas sonham que o PT volte a ser o que era, e se existe esse sonho, vamos torná-lo realidade”, disse o presidente Lula em encontro com lideranças religiosas na quinta-feira (18).

Lula disse isto após críticas à “acomodação” de governantes e parlamentares petistas pelos líderes religiosos.

Mas o jornal "O Globo" deturpou tudo. Colocou como manchete de capa: "Dilma e eu estamos no volume morto. O PT está abaixo do volume morto". O texto do jornal ainda pinta um quadro como Lula falasse mais mal do governo da presidenta Dilma do que os piores oposicionistas. Não sei se alguma das frases que o jornal publicou foram proferidas por alguém do jeito que foram publicadas, pois o governo Dilma e o PT foram criticados pelos presentes, ou se as frases foram pinçadas para tirar do contexto, mas com certeza a "reporcagem" passa uma informação ao leitor complemente deturpada sobre o que disse Lula.

O encontro foi no Instituto Lula com representantes da entidade de ação social da Igreja Católica, a Cáritas, e das pastorais da Terra, dos Imigrantes, Operária, da Rua, Carcerária e da Criança e do Adolescente. Contou com a presença também do pastor Cloves Oliveira, da Assembleia de Deus de Mogi das Cruzes.

Maioridade penal, pregação do ódio e jovens manipulados pela mídia

O bispo D. Pedro Stringhini, da diocese de Mogi das Cruzes e da Confederação Nacional de Bispos do Brasil, manifestou preocupação com retrocessos nas conquistas sociais, sobretudo com os rumos que o Congresso Nacional vem tomando:

"É importante reconhecer o senhor e os avanços em seus oito anos de governo. Mas, diante da crise atual, esse esforço tem de ser continuado", disse o bispo.

D. Pedro disse que está preocupado com a proposta de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, em análise na Câmara dos Deputados, coisa que a Igreja Católica é contra.

“Realizamos um grande debate sobre o assunto na Câmara Municipal de Mogi, e, em determinado momento, me surpreendi com a presença de um grupo de jovens que não conhecia. Para nossa surpresa, eram jovens a favor da redução da maioridade penal, e jovens da periferia (...) Comentamos na Igreja como os novos seminaristas estão mais conservadores. Não só eles. Eles estão inseridos numa juventude mais conservadora, uma juventude mal informada, manipulada pela mídia”, ponderou.

Gilberto Carvalho, ex-secretário-geral da Presidência da República nos governos de Lula e Dilma, seguiu na mesma linha.

“Nos tempos bons, é muito fácil fazer diagnóstico. Nos tempos ruins, não. Mas temos de ter consciência que a democracia e a liberdade estão em jogo com todo esse ódio à solta. É o ódio que faz um jovem da periferia ser a favor da redução da maioridade penal sem saber que isso se trata de suicídio”.

Para Carvalho, é preciso “romper a barreira” criada pela imprensa demotucana e seus patrocinadores para enfraquecer sindicatos, movimentos e entidades sociais e partidos. “Eles não nos combatem pelos nossos erros. Eles nos combatem fundamentalmente pelos interesses feridos, sobretudo o desejo de lucro do mercado financeiro”, refletiu.

Papa Francisco no combate à pobreza e às desigualdades obscenas

O padre Julio Lancelotti, da pastoral do Povo da Rua, disse que “pagamos o preço por crescer economicamente, mas não humanamente (...) Os sintomas disso são o individualismo, o ódio. A última encíclica do papa critica também os bancos, o capitalismo, esse sistema que causa muita destruição. Precisamos de mais rebeldia contra o sistema, e buscar alternativas”.

Na abertura do encontro, Paulo Vannuchi, diretor do Instituto Lula e ex-ministro do Direitos Humanos, elogiou os posicionamentos que o papa Francisco tem tomado no combate à pobreza, à fome, às desigualdades obscenas e à ordem econômica imposta pelos bancos:

“Este encontro ocorre em um momento muito fortuito, junto com uma encíclica do papa Francisco sobre o meio ambiente que é também muito humana, que compreende o acesso à comida, o direito à terra".

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Jatinho de Eduardo Campos continua sem dono


Empresário nega à Justiça ser dono do avião que caiu com Eduardo Campos

Para evitar o andamento de um processo que pede R$ 350 mil de indenização, um empresário que se apresentava como dono do jatinho usado por Eduardo Campos na campanha presidencial de 2014 diz, agora, que "nunca foi proprietário ou explorador da aeronave acidentada".

Em resposta à ação de três moradores de uma propriedade destruída na queda do avião, em agosto passado, a defesa do pernambucano João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho alegou à Justiça que ele iniciou a compra do avião, mas que a Anac não concluiu os trâmites para a transferência da aeronave.

Os advogados afirmam que, com a não concretização da transferência, os pagamentos foram convertidos em horas de voo. Por isso, dizem, no momento do acidente a operação do voo ainda era de responsabilidade do grupo A. F. Andrade, antigo dono do jato.

"Toda intervenção técnica era realizada pela A. F. Andrade, destacando-se, por exemplo, a escolha do comandante", argumenta, na contestação à ação, o advogado Carlos Gonçalves Júnior.

O avião caiu em Santos em agosto do ano passado e matou o presidenciável e mais seis pessoas. Após o acidente, João Lyra assumiu que estava comprando o jato Cessna do grupo A. F. Andrade — que está em recuperação judicial.

Até este ano, João Lyra e Carlos Gonçalves Júnior negociavam acordos extrajudiciais para indenizar as famílias que tiveram propriedades destruídas na queda do avião.

O próprio Gonçalves havia dito que seu cliente "está assumindo os prejuízos e se propondo a fazer as indenizações e depois vai atrás dos responsáveis pelo acidente, ao final das investigações".

Com base nessa mudança de posição, o representante das pessoas que pedem indenização, Luiz Roberto Stamatis de Arruda Sampaio, pretende responder a João Lyra na Justiça.

"Realmente a transferência [da aeronave] não se concretizou, mas ele é quem estava explorando o uso do avião. Se não tem responsabilidade, por que procurou um monte de gente para pagar indenização?", questionou o advogado dos proprietários.

Procurado, Carlos Gonçalves Júnior não quis comentar a mudança de posição de seu cliente e disse que tudo o que tinha a falar estava nos autos do processo.
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A Venezuela e os políticos brasileiros




No mês de janeiro, eu estava na Venezuela. Naqueles dias o país atravessava uma grave crise de abastecimento provocada por um boicote empresarial. Como uma boa parte da cadeia de distribuição ainda está na mão privada, essa fatia do empresariado decidiu segurar alguns produtos, fazendo com que a população se alarmasse. Pelas emissoras de televisão comercial ficava evidente o clima de quase terrorismo que se tentava impor. Por isso, é absolutamente mentirosa qualquer alegação de censura na Venezuela. O empresariado — de maioria golpista — diz o que quer, como quer e quando quer. Nada os impede de provocar o medo, o terror e a incitação ao golpe. Isso é coisa cotidiana. A diferença é que lá existe também uma rede de emissoras estatais, públicas e comunitárias, que disputam as informações. 

Para aproveitar o clima de desespero que se esperava criar, a oposição liderada por Henrique Capriles resolveu promover um seminário sobre "democracia", chamando para debater o tema conhecidos ex-presidentes de países latino-americanos, conhecidos, inclusive, por seu caráter autoritário, como Felipe Calderón, do México, Pastrana, da Colômbia e Piñedo, do Chile. Não bastasse o paradoxo de se discutir democracia com tipos como esses, os ex-presidentes foram levados para visitar Leopoldo López, o ex-alcade de Chacao, que está preso por incitar à violência, provocar mortes e promover golpe. Obviamente que não entraram na penitenciária. Não haviam solicitado visita, não era dia de visita e não entraram. Foi o que bastou para que iniciassem uma algaravia internacional chamando o presidente Maduro de ditador e outras bobagens do tipo. Há muitas críticas que se pode fazer ao presidente venezuelano, mas essa certamente não cabe.

Ora, para quem não sabe, a Venezuela é um país que, desde o ano de 1998, quando Chávez ganhou a eleição presidencial e inaugurou a quinta república, já passou por quase duas dezenas de eleições e referendos. Lá, a democracia é participativa e a população tem poder. Na nova Constituição, o estado bolivariano — ao contrário da maioria dos estados liberais — tem cinco poderes: o legislativo, o executivo, o judiciário, o eleitoral e o popular. O poder popular é o que se sobrepõe a todos. Qualquer lei pode ser revogada se mais de 20% da população chamar um plebiscito ou um referendo.  Que ditadura seria essa se a população organizada, em número tão pequeno, já pode atuar em consequência e definir os rumos do país? 

Assim que se pode falar tudo sobre Maduro e a Venezuela, menos que naquele país exista uma ditadura. Seria de uma ignorância total ou então má fé. Obviamente que nossa mídia comercial "compra" a ideia da ditadura porque é o que diz a polícia do mundo, os Estados Unidos, fazendo o jogo ideológico contra a Venezuela.  

A ida dos políticos da direita brasileira à Venezuela para uma pretensa visita a Leopoldo López está dentro dessa armação ideológica. Existe uma tentativa, por parte da oposição venezuelana, de apresentar ao mundo o jovem ex-prefeito como um preso político. Ele não é. Em 2014, logo depois da derrota de Capriles nas eleições presidenciais, sem aceitar o resultado das urnas, políticos ligados aos partidos que o apoiaram incentivaram uma série de ações violentas que queimaram postos de saúde, escolas, e causaram mais de 40 mortes. Todas essas violências foram comandadas por Maria Corina Machado, que comprovadamente recebeu recursos dos Estados Unidos através de sua organização Súmate, o próprio Henrique Capriles, que governava o estado de Miranda, e o ex-prefeito de Chacao, Leopoldo López. Esse último convocou os partidários para não só praticarem violência, mas para atuarem no sentido de alavancar um golpe contra o governo democraticamente eleito. Foram dias de conflitos nas ruas que ficaram conhecidos como "guarimbas".



A prisão de Leopoldo López está dentro desse contexto. Imaginem se Aécio tivesse ganho as eleições e Lula fosse à televisão pedir que os jovens saíssem às ruas, matassem pessoas e depusessem o presidente eleito. O que aconteceria? Não seria ele preso por incitar a violência e o golpe, dentro das leis brasileiras, num estado democrático? Pois é o que aconteceu na Venezuela. López está cumprindo pena por um crime.  

Se pessoas como Aécio, Caiado e Agripino querem ir à Venezuela prestar solidariedade a um "companheiro", isso lá é problema deles. Poderiam ir com seu dinheiro próprio, agendar visita, e cumprir com os ritos da amizade, se é que são amigos de López. Creio eu que nem o conhecem. Agora, viajar com um avião do estado brasileiro para interferir na política de outro país, me parece algo bem estranho. Como eles mesmos afirmaram, não foram impedidos de entrar no país e nem mesmo impedidos de ver o ex-prefeito, agora um preso comum. O que viveram nas ruas de Caracas foi o mesmo que, em janeiro, viveram os ex-presidentes que tentaram bancar os democráticos: foram rechaçados pelos bolivarianos. Os partidários da revolução bolivariana, que são a maioria da população, sabem muito bem o que significam as ações da oposição venezuelana. Sabem que existe um ação sistemática de tentativa de desestabilização e para isso são criados esses factoides cotidianos.

Fossem realmente amigos de López e quisessem prestar apoio, os senadores poderiam ter ido à Venezuela, sem alarde, fazer a visita, ver as condições do encarcerado e fazer suas considerações depois. Mas, não. O plano é exatamente esse. Criar o espetáculo para que possam repetir o velho mantra de que há censura, que falta liberdade de expressão e que o ex-prefeito é um injustiçado. 

A Venezuela vive granes dilemas e passa por problemas em todos os campos. Mas não há censura e nem falta liberdade de expressão. Se houvesse, os senadores brasileiros não teriam feito o circo que fizeram.

Para além do papelão que cumpriram na Venezuela é importante salientar o também papel ridículo que cumprem os deputados que aprovaram moção de repúdio contra o governo da Venezuela, sendo que quem botou os senadores brasileiros para correr foram as pessoas nas ruas, o povo, as gentes organizadas. O argumento de que os políticos brasileiros estavam defendendo os "direitos humanos" não se sustenta e a população sabe disso muito bem.  López está preso porque feriu a lei, ele não está tendo os direitos violados. Ele foi o que violou direitos e ajudou a promover incêndios e dezenas de mortes. Não é um bom menino. 

A Câmara dos Deputados deveria investigar os fatos e não votar no calor das emoções dos que levaram o corridão. Assim também a imprensa brasileira deveria se debruçar sobre os fatos e não ficar na vergonhosa fabricação sistemática de ideologia.

A Venezuela está fazendo seu caminho numa revolução que não se fez com armas. Ela vai acontecendo no campo democrático, com os inimigos atuantes e falantes. A liberdade de imprensa e a liberdade de expressão são totais na Venezuela. O que não há é arrego com quem não cumpre a lei. E quem está de olho é o povo que pede ao governo que aplique a mão dura, que não incentive a impunidade. 

Na Venezuela o que manda é o poder popular. Talvez os senadores brasileiros tenham aprendido a lição. 

Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes
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Falta governo e falta oposição no país

O que garante a governabilidade não são apenas as prerrogativas institucionais da presidência, mas a existência de um conjunto coerente de ideias


Tem-se uma quadra complicada na vida do país.

O governo Dilma acabou. Pode ser que renasça mais à frente. Mas, no momento atual, não há comprovação de que os sinais vitais estejam preservados.

Com o esfacelamento do centro de poder, o país tornou-se um salve-se quem puder. Ritos, procedimentos, processos deixam de ser observados, a própria racionalidade é colocada de lado, provocando a ascensão de pequenos tiranetes invadindo todos os poros da vida nacional.

As relações sociais são atropeladas por bandos de trogloditas saindo do baú da inquisição e invadindo as ruas e as instituições.

* * *

Na Câmara Federal, o presidente Eduardo Cunha passou a atropelar os ritos e a impor sua vontade pessoal e a do baixíssimo clero da casa.

No STF (Supremo Tribunal Federal), o Ministro Gilmar Mendes se vale desde o uso da gaveta até procedimentos, que em outras quadras da história, seriam considerados escandalosos: como obter,  para eventos do IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), de sua propriedade, patrocínios de empresas com extensas demandas no Supremo.

Um procurador lotado no TCU (Tribunal de Contas da União), militante de passeatas pró-impeachment, se vê no direito de opinar sobre a viabilidade de empresas-chave na política industrial do pré-sal.

A imprensa ajuda a demolir os financiamentos de serviços do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) duramente construídos nos governos FHC e Lula.

Em Curitiba, um juiz de primeira instância, procuradores e delegados, distribuem prisões preventivas sem a menor preocupação de legitimá-las.

No Banco Central, um grupo de burocratas define a seu talante o nível das taxas de juros da economia, cria um cenário claramente insustentável para a dívida pública, sem que ninguém se interponha no seu caminho.

* * *

O que garante a governabilidade não são apenas as prerrogativas institucionais da presidência da República, mas a existência de um conjunto coerente de ideias, não só econômicas, mas legitimadoras, capazes de juntar setores dos mais diversos em torno da ideia de nação.

A presidência já não consegue mais estruturar nenhum discurso.

* * *

A segunda âncora deveriam ser os partidos políticos. Mas também não existem programaticamente.

O vácuo de poder e de propostas seria a oportunidade da oposição apresentar-se como verdadeira alternativa de poder. Mas consegue ser ainda pior e menos séria do que a situação que combate.

Hoje em dia, o jogo político consiste na fabricação diuturna de factoides para aparecer na mídia.

O jogo de cena armado por Aécio Neves e troupe na visita à Venezuela seria um episódio vergonhoso em qualquer circunstância, uma mera molecagem de praia, não tivesse sido protagonizado por um candidato à presidência da República e por senadores da República.

Transformam um problema de trânsito — registrado inclusive por jornais de oposição na Venezuela — e meras manifestações de rua em incidente diplomático. E ainda conseguem a solidariedade do líder do PT na Câmara. O outro candidato oposicionista, José Serra, aproveita o vácuo de poder para parcerias de negócio com o presidente do Senado Renan Calheiros.

É uma quadra vergonhosa da história, uma comprovação trágica de que falta governo e falta oposição ao país tornasm absolutamente incerto o desenho da saída política da crise.

Luís Nassif
No GGN
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Presidenta Dilma inaugura complexo acrílico em Camaçari (BA)





A presidenta Dilma Rousseff saudou a inauguração do complexo acrílico da Basf em Camaçari (BA), nesta sexta-feira (19), o maior na área petroquímica do hemisfério Sul. Destacou que a produção de ácido acrílico e de polímeros superabsorventes, inédita no Brasil e na América do Sul, preenche uma lacuna na cadeia petroquímica brasileira, o que permitirá agregar um importante valor e competitividade a este segmento industrial.

Com esse investimento, novas plantas industriais virão para Camaçari, para se beneficiar dos insumos que serão produzidos neste complexo, disse. E o Brasil passará da condição de importador para exportador de matérias-primas essenciais para a indústria química, com impactos importantes sobre a balança comercial e sobre a economia brasileiras.

“Tudo isso pode ser traduzido no resultado que mais nos interessa: mais emprego e renda para os baianos e mais desenvolvimento para o Brasil. Por isso é muito gratificante estar aqui, inaugurando uma das maiores e mais modernas plantas de produção acrílica do mundo”.

A presidenta lembrou a importância da indústria petroquímica para o emprego e a renda no País, citando, como exemplo, o próprio Polo de Camaçari, criado há 37 anos.

“Em 29 de junho, Camaçari, passou a figurar no mapa do Brasil como sede do primeiro complexo petroquímico planejado do País, gerando uma grande quantidade empresas a este local. Portanto, de 37 anos para cá, dezenas de empresas de diferentes setores, de áreas mais diversas se instalaram nesse polo e aqui criaram oportunidades de emprego, renda e desenvolvimento para a Bahia e para o Brasil. Industrializando uma região do País que temos a obrigação e o empenho de industrializar”, enfatizou.

Escolas para aprimorar desenvolvimento regional

Dilma apontou que a Bahia é um dos maiores estados do Brasil, em uma das grandes regiões do Pais, que é o Nordeste. E que a instalação da fábrica justamente nesta região, significa um estímulo ao desenvolvimento regional. “Isso [a fábrica] significa mais desenvolvimento e mais qualidade no desenvolvimento do País. Aquilo que desenvolve não pode ser centralizado, tem de ser descentralizado.”

E é por isso, disse a presidenta, que o governo federal instalou várias escolas técnicas na Bahia. “Porque desenvolvimento de qualidade é feito também com a qualidade do emprego, com a qualidade do trabalho que se emprega nessas empresas”.
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Nota do Partido dos Trabalhadores sobre a viagem de senadores brasileiros à Venezuela


O Partido dos Trabalhadores (PT) manifesta sua preocupação com os fatos envolvendo uma comitiva de senadores de oposição brasileiros em recente viagem à Venezuela, com o objetivo de contatar líderes da oposição ao governo local.

A visita da comitiva acarretou um incidente, explorado politicamente, na tentativa frustrada de comprometer o Itamaraty com os lamentáveis episódios.

Diante do factoide provocado pelos oposicionistas, o PT reitera sua defesa dos princípios do respeito à soberania e da não-intervenção em assuntos internos de outros países. E reafirma seu apoio à busca de uma solução política e democrática para os problemas que a Venezuela enfrenta atualmente, tal como unanimemente vem propondo a UNASUL. Também reafirma seu apoio ao governo legitimamente eleito do presidente Nicolás Maduro, que tem procurado manter as políticas sociais e distributivas iniciadas por seu antecessor, o presidente Hugo Chávez.

Rui Falcão - Presidente Nacional
Mônica Valente - Secretária de Relações Internacionais”
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Aviso de Pauta


É possível que o cargo de pauteiro tenha desaparecido, ou simplesmente se tornado inútil, nas redações brasileiras.

Por essa razão, ofereço aos colegas jornalistas, como velho incentivador da causa que sou, umas poucas mas boas pautas que viajaram juntos com Aécio & Caiado nesse confortável Legacy da Força Aérea Brasileira.

Senão, vejamos:

1) Qual é exatamente a regra, norma ou lei que permite à FAB, via Ministério da Defesa, ceder uma aeronave a um grupo de senadores convidados, não pelo governo, mas por opositores do presidente Nicolas Maduro? Qualquer convite, de qualquer pessoa ou entidade, feito a senadores é oficial? Basta o Zé das Couves chamar a tropa para o churrasco da chácara e a FAB tem que disponibilizar um avião para as autoridades?

2) Em julho de 2013, um dos alegres passageiros desse avião da FAB, o senador Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB de São Paulo, infernizou o Ministério da Defesa com pedidos de informações – adivinhem? – sobre voos da FAB com autoridades. O objetivo foi o de constranger, pela mídia, os ministros de Dilma que usavam muito os aviões da Aeronáutica, principalmente um deles: Alexandre Padilha, da Saúde, então pré-candidato ao governo de São Paulo, para as eleições de 2014. Então, quanto custou aos cofres públicos essa arca de noé de lobos e coiotes montada para salvar a democracia venezuelana? Quanto custa cada diária paga pelo Senado a esses heroicos guerreiros da democracia? O combustível do Legacy? As diárias da tripulação?

3) No avião, Aécio Neves afirma que o grupo vai a Caracas para, também, cumprir uma missão diplomática omitida pelo governo brasileiro, esta de visitar os alegados presos políticos da Venezuela. Não é antiético, para não dizer ridículo, senadores brasileiros irem a uma nação estrangeira, amiga, parceira no Mercosul, referendar o golpismo alheio, falar mal do Brasil e, ainda por cima, se arvorar de ser uma “missão diplomática”?

4) Aécio diz que o Brasil, entre tantas outras missões diplomáticas não cumpridas, deveria defender eleições livres, na Venezuela. Que tal levantar quantas eleições foram feitas na Venezuela, nos últimos dez anos? Que tal descobrir que todas foram acompanhadas por observadores internacionais?

Apuração básica.

Eu acredito em vocês.

Segue o vídeo, para conferência.



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