19 de jun de 2015

A “coleção de bonequinhos” do Doutor Moro. Personagens novos, sempre às sexta-feiras


Não tenho nenhuma razão para defender a Odebrecht e acho que pouquíssimos — ou nenhum — empreiteiro entraria no reino dos Céus.

Mas o que está acontecendo é uma insanidade.

Prisão “temporária” a esta altura do campeonato, não pode alegar risco de destruição de provas ou fuga para o exterior, porque estes camaradas têm tempo e recursos de sobra para terem feito isso nos sete meses desde que Moro mandou prender a primeira leva de dirigentes das empresas e nenhum deles mais poderia achar que não estivesse sujeito à mesma ação.

Aliás, há uma singular coincidência na prisão de empreiteiros às sextas feitas: foi assim com aquele lote inicial (sexta, 14 de novembro), foi com o presidente da Galvão Engenharia, Dario de Queiroz Galvão, preso na sexta, 27 de março) e agora com Marcelo Odebrecht, nesta sexta.

Certamente isso não tem qualquer relação com ser o dia do fechamento da edição da Veja ou com o fato de criar mais dificuldades à impetração de habeas-corpus.

Muito menos seria possível imaginar que isso tivesse relação com as declarações de Odebrecht, num evento promovido pelo jornal Valor (Folha +Globo), dizendo que estava sendo colocado no fogo cruzado de interesses políticos.

Tudo isso pode, afinal, entrar na conta da “teoria da conspiração”, tanto quando pode entrar a ideia de que Moro esteja, com a prisão, “retaliando” a decisão do STF de soltar os seus primeiros “bonequinhos” depois de seis meses de um tipo de prisão que, em regra, está limitado a cinco dias.

A menos que estejamos diante de “medida medievalesca que cobriria de vergonha qualquer sociedade civilizada”, como escreveu, em seu voto, o austero Ministro Teori Zavascki.

O fato concreto é que os dados objetivos para a decretação de prisão preventiva ou temporária — destruição de provas, falta de residência física, risco de fuga ao exterior, continuidade delitiva (será que a Odebrecht estaria dando algum para o Youssef em cana ou para o Paulo Roberto Costa, em casa?) — parecem, simplesmente, impossíveis de existir.

O que existe, porém, é a paralisia de tudo o que as maiores empresas de obras e de petróleo brasileiras possam estar fazendo com o Governo brasileiro ou com a Petrobras.

Ponha-se no lugar de diretor de uma delas ou de gestor público. Você iria negociar qualquer coisa, por mais legítima que fosse? Um pagamento, um desconto, um acréscimo por extensão ou modificação em detalhes de um contrato?

Claro que não, não é?

Todos eles se sentem numa prateleira, à disposição do Dr. Moro para, numa sexta-feira qualquer, irem para o xilindró.

E, então, figure-se no lugar de um desembargador federal ou de um ministro do Supremo que tenha de analisar um habeas corpus para sua soltura?

Mesmo que concorde com os argumentos, vai soltar de plano, como faria em outros casos, e ser execrado pela mídia, sujeito à execração como se o estivesse fazendo porque o corpus é de um “empreiteiro da Lava Jato”?

Acabou-se toda aquela história de ritos discretos da Justiça e aplicação responsável do poder do Juiz.

Importa é manter a paralisia pelo terror.

O que vale é a mídia, e está acabado.

Fernando Brito
No Tijolaço
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O dia em que os Hells Angels brasileiros invadiram Caracas



El Universal  é um jornal de oposição na Venezuela que cobriu a visita dos senadores brasileiros a Caracas. Entrevistou a ex-deputada Maria Corina Machado — que acompanhava a comitiva — que explicou que a viagem foi frustrada devido a um congestionamento provocado pela manutenção de um túnel e protestos de um grupo de funcionários da empresa de manutenção (http://www.eluniversal.com/nacional-y-politica/150618/senadores-brasilenos-retornaron-a-maiquetia-por-mantenimiento-en-tunel).

Diz ela que "en menos de 3 horas los Senadores brasileros ya saben lo que significa vivir en dictadura hoy en Venezuela", luego de publicar "totalmente trancada la autopista Caracas - La Guaira porque están limpiando los túneles y por protesta carretera vieja".

O que ocorreu com a comitiva é simples de entender.

A van que a conduzia foi acompanhada por batedores da polícia venezuelana. A comitiva parou no congestionamento. A presença de batedores despertou a curiosidade de populares. Alguns cercaram o ônibus e deram murros na lataria. Em nenhum momento houve ameaças à sua integridade física, porque os batedores estavam lá garantindo a comitiva.

É um episódio da mesma dimensão dos ataques de populares na Paulista a pessoas que vestiam camisas vermelhas. E menos grave do que os tais Revoltados Online atiçando a malta contra repórteres de uma revista tida como de esquerda. Onde existe malta ocorrem problemas típicos de ajuntamento de malta. Simples assim.

Esta é a história real.

A tentativa de transformar um episódio banal em incidente diplomático é indigna para o parlamento brasileiro. Que o governo da Venezuela pague o desgaste da prisão de oposicionistas. Pretender responsabilizá-lo por problemas de trânsito em Caracas é desmoralizante para o parlamento brasileiro.

Valeram-se do mesmo estratagema de José Serra no episódio da bolinha de papel. Seleciona-se uma região claramente hostil ao candidato, já que agrupando ex-funcionários da Funasa demitidos por ele quando Ministro. A comitiva entra provocando e a reação serve de pretexto para a farsa da bolinha.

Desde o início os parlamentares pretenderam "causar". A começar do fato de terem sido acompanhados por repórteres da Globo, prontos a registrar qualquer incidente e da denúncia canhestra de que o voo tinha sido proibido pelas autoridades venezuelanas. Só faltava! Depois de um estadista de dimensão internacional, como Felipe Gonzales, ter visitado os prisioneiros políticos, a troco de quê proibir uma comitiva liderada por um ex-candidato à presidência do Brasil que tem uma imagem internacional de playboy, acompanhado de um conjunto de brucutus que, pela idade e aspecto vociferante, mais se assemelham a um bando de Hell´s Angels que acabaram de chegar de Woodstock.

Admitia-se esse jogo de "causar" na mídia.

Mas nessa manipulação, foi-se longe demais. Valendo-se da perda de dimensão do Congresso — como as eleições do inacreditável Eduardo Cunha e do repaginado Renan Calheiros — levaram esse factoide ridículo para a casa, provocaram o Itamarati e até exigiram rompimento de relações diplomáticas com a Venezuela.

Onde se pretende chegar com essa fabricação irresponsável de factoides?

Luís Nassif
No GGN
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A amarelada histórica de Aécio

Não nasceu para ser heroi
Por mais que se busquem palavras edulcorantes, o fato é o seguinte.

Aécio amarelou.

Eu tinha escrito, antes da viagem, que era uma das ideias mais imbecis da política brasileira nos últimos anos.

Acrescento agora: foi, também, um dos projetos mais ignorantes.

A pergunta essencial é: o que eles esperavam encontrar lá? Flores, palmas, presentes, discursos de agradecimento?

A esquerda venezuelana é, em grande parte pelo exemplo de Chávez, aguerrida e combativa.

Se um doente mental como Marcello Reis ousasse fazer lá o que fez no Congresso do PT, irromper com uma camiseta pregando o impeachment depois de prometer “pegar o Lula”, levaria um corretivo exemplar.

Não teria, depois, que fingir que quebrou um braço ou coisa parecida. Ficaria fora de circulação por muito tempo.

Aécio mostrou não ter noção das coisas ao projetar sua ida à Venezuela.

Minha hipótese, para um descolamento tão forte da realidade, é que ele sempre foi um menino mimado, poupado de riscos.

Garoto, ganhou uma sinecura em Brasília mesmo estudando e morando no Rio, e daí para a frente não parou mais de viver uma vida fácil.

Beneficiou-se, em Minas, de pertencer a uma família da oligarquia local. Não foi diferente dos Sarneys no Maranhão ou dos Magalhães na Bahia.

Governador, virou piada ao ser visto o tempo todo na boemia do Rio de Janeiro. Senador, tem sido uma nulidade. Num levantamento de produtividade publicado pela Veja, ficou em último lugar.

No Brasil, ele é objeto de uma descomunal proteção da mídia. Ninguém mencionou seu nome quando o helicóptero do amigo Perrela foi apanhado com quase meia tonelada de pasta de cocaína.

Parecia que isso não era notícia — a despeito das várias fotos de Aécio e Perrela abraçados fraternalmente.

Ninguém o apertou sobre o aeroporto que ele mandou construir em Cláudio, Minas, em terras que pertenciam a um tio.

Um telefonema dele aos donos das empresas de jornalismo e está tudo controlado. Às vezes, nem este telefonema é necessário.

Tanta proteção e você fica mal-acostumado. Mas esta blindagem é válida para o Brasil, e é aí que as coisas se enroscaram para Aécio.

Na Venezuela, ele é apenas um direitista intrometido. Para os milhões de eleitores que sempre prestigiaram Chávez e por último Maduro, é um sujeito que, definitivamente, não é bem-vindo, um defensor de uma oligarquia predadora que tenta de toda forma subverter a democracia e retomar o poder por ardis.

Rapidamente, ele teve um choque de realidade na Venezuela. Ouviu gritos de “fora” e talvez tenha pensado no que poderia vir depois da gritaria, caso desse uma de valente.

É provável que ele tenha tomado corda por cobra quando disse, dramaticamente, que sua van estava “ilhada”.

Havia um problema sério de trânsito na estrada em que Aécio e colegas senadores estavam.

Para alguém apavorado, este tipo de situação é suficiente para configurar que você está cercado pelos inimigos.

Daí à ordem de bater em retirada é um pulo.

Aécio não nasceu para ser mártir de nada, muito menos da oposição da Venezuela. Nenhum boa vida está disposto a arriscar a pele por nada. O que interessa é a próxima festa.

E assim terminou a aventura bolivariana de Aécio: numa fuga veloz.

Agora, de volta ao Brasil, ele está pronto para as festas deste final de semana, e de tantos outros finais de semana que virão pela frente.

Paulo Nogueira
No DCM
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Aécio e Dória: duas faces da mesma moeda


João Agripino Dória Jr. é o desfrutável chefe da delegação da Seleção Brasileira na Copa América, mas que não fica no Chile nem mesmo quando Neymar será julgado.

Aécio Neves é o corajoso senador que no primeiro obstáculo que encontra ao chegar na Venezuela para se solidarizar com os oposicionistas presos  toma o jatinho da FAB de volta ao Brasil.

Foi Neves quem indicou Doria a Marco Polo Del Nero e José Maria Marin.

Tutti buona gente!

Juca Kfouri
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Sete sugestões de visitas para a trupe de senadores liderada por Aécio



O PSDB é craque em vexames internacionais. Quando FHC era presidente da República e Celso Lafer nosso ministro das Relações Exteriores, o país tirou os sapatos para entrar nos EUA.

O episódio deixou claro o quanto éramos subservientes e o quanto o governo não se dava ao respeito em nível internacional.

Ontem, liderados pelo candidato derrotado à presidência Aécio Neves, o PSDB e seus aliados fizeram o país pagar outro mico. Alguns senadores foram à Venezuela denunciar que o país vizinho é uma “ditadura”. Desceram no aeroporto por uma porta, deram uma volta de van pela cidade, fizeram cara de sérios para sair no Jornal Nacional, e voltaram pela outra porta. E uma viagem custeada com dinheiro público.

Este blogue, porém, achou que a iniciativa merece repeteco. E decidiu fazer uma lista de outros lugares pelo mundo para os senadores demo-tucanos visitarem. Mas dessa vez, detalhe, provavelmente não iriam aparecer no JN.

1 – Guantánamo: Os EUA mantêm em condições subhumanas e expostos a comprovadas sessões de tortura supostos prisioneiros de guerra sem que eles tenham direito à defesa. O governo estadunidense se recusa a tratar o assunto de forma democrática e já sofreu pressão internacional até mesmo do Vaticano, que pediu uma “solução humanitária adequada”. Nunca Aécio ou o PSDB foram aos EUA pressionar Clinton, Bush, Obama ou quem quer que seja.

2 – Palestina: com os territórios de Gaza e da Cisjordânia ocupados desde 1967, o povo palestino sofre com a restrição de direitos básicos e milhares de pessoas e crianças já foram assassinados neste período. A chacina choca a comunidade internacional e Aécio nunca fez um discurso condenando o fato. Sequer postou um tuíte em solidariedade quando a mais sangrenta operação militar israelense na última década deixou 2.205 palestinos mortos.

3 – Síria: Hoje é na Síria que se vive uma das catástrofes humanas mais eloquentes. Calcula-se em 4 milhões o número de pessoas que fogem ou fugiram do país numa guerra que foi insuflada pela chamada comunidade internacional. Ao invés de tentar buscar soluções para isso, a Europa deixa que as pessoas se afoguem no Mediterrâneo. Aécio e sua trupe poderiam ir para os portos da Itália e pressionar os países europeus a darem tratamento humanitário àqueles seres humanos.

4 – Haiti: O país que já era um dos mais pobres do continente foi arrasado por um grande terremoto em 2010 e hoje busca quase sem apoio nenhum sua reconstrução. Ao invés de buscar soluções e fazer, inclusive, as críticas que o governo brasileiro merece neste caso por integrar as tropas de paz da ONU que estão no país, a trupe de senadores faz coro e recebe para o diálogo os líderes do Revoltados on Line que recentemente agrediram um haitiano que trabalhava num posto de gasolina de Canoas, Rio Grande do Sul. A agressão não mereceu uma menção sequer do dileto senador tucano.

5 – Egito: Já que o problema de Aécio e sua trupe é com a falta de democracia na Venezuela, o Egito seria um lugar perfeito para a visita. O país viveu um golpe de Estado e centenas de pessoas que atuavam no então governo eleito ou estão condenadas à morte ou foram executadas. Entre elas, o ex-presidente Mohamed Mursi. Seria o caso de Aécio e seus amigos irem à Praça Tahir e pedir o fim do golpe.

6 – México: 43 estudantes foram assassinados na cidade de Ayotzinapa em setembro de 2014, num dos atos mais bárbaros de que se tem notícia no continente. As investigações estão sendo realizadas sem nenhum tipo de seriedade e as punições provavelmente não ocorrerão. O país, aliás, tem 26 mil cidadãos desaparecidos, segundo registros oficiais. Qual foi a ação da trupe de Aécio neste episódio?

7 – Periferia de SP: O Brasil é um dos países onde se mata mais jovens no mundo. Boa parte deles são negros e pobres, moram nas periferias das grandes cidades, em especial de São Paulo, e são executados pela polícia. Como se trata de um estado governado pelo PSDB, seria altamente eficiente um protesto do grupo de Aécio, até porque ele também conta com o senador Aloysio Nunes. Mas até hoje nem um post em rede social sequer sobre o tema. Ao contrário, a trupe de Aécio quer diminuir a maioridade penal para colocar mais jovens na cadeia.

Como a Globo não acompanharia essas visitas, a Fórum se compromete a fazê-lo.

A Venezuela tem seus problemas, mas querer transformar o país no centro dos problemas do mundo é muita patetice até para a trupe do Aécio.
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Ódio fascista: "Morra Jô Soares"


O apresentador Jô Soares, da TV Globo, é o novo alvo da direita debilóide. Uma semana após a sua entrevista com Dilma Rousseff, ele foi ameaçado de morte na porta da sua residência, no bairro nobre de Higienópolis, no centro da capital paulista. Os fascista picharam na rua "Morra Jô Soares". Diante da ameaça, ele não perdeu o senso de humor: "Ainda bem que não marcaram a data". O ódio mortal ao apresentador deriva das suas posições recentes contra as tentativas golpistas de impeachment da presidenta. Ele inclusive já chegou a polemizar, ao vivo, com as próprias "meninas de Jô", famosas pelo oposicionismo raivoso e o catastrofismo militante.

"Eu comecei a ter a reputação de petista fanático porque saí em sua defesa quando começou aquela onda absurda, louca, do 'fora Dilma'. As pessoas não acreditam muito que na democracia, quando a pessoa é eleita, tem que se respeitar o voto. Saí em sua defesa, não que você precisasse, mas tem certas coisas que me deixam indignado", afirmou Jô Soares durante a entrevista com Dilma Rousseff exibida em 12 de abril. Logo na sequência, vários "calunistas" da mídia destilaram seu ódio contra o apresentador, rotulando-o de governista e "vendido". 

O recalcado Danilo Gentili, talvez deprimido com a perda de audiência do seu patético The Noite, no SBT, chegou a postar uma imagem na qual Jô Soares aparece com uma coleira ao lado da presidenta, que segura um biscoito para cachorro. Ele ainda produziu um vídeo em sua página no Facebook com uma montagem provocativa e de baixo nível contra o seu concorrente. O fascista Olavo de Carvalho também exibiu toda a sua genialidade intelectual ao postar em seu Twitter: "O que é mais difícil de levantar: o ibope da Dilma ou o pau do Jô Soares?".  

A campanha de ódio, estimulada pelas "celebridades midiáticas", logo se espalhou pela internet. Os "imbecis das redes sociais" — conforme recente definição do escritor Umberto Eco — imediatamente passaram a ladrar! Segundo o portal Terra, a página da seita direitista "Avança Brasil" espalhou uma imagem no Facebook sobre o "falecimento" do apresentador. "Faleceu ontem Jô Soares, de infarto agudo de credibilidade após uma polêmica entrevista... Descanse em paz, Jô Soares. O que a obesidade poupou, a falta de credibilidade matou", diz a legenda da foto. Agora, os fascistas deixam as redes sociais para pichar a rua em frente à residência do apresentador.

Diante destes absurdos, o escritor e jornalista Fernando Morais postou nesta sexta-feira (19): “Sou fã, amigo, leitor e espectador do Jô Soares desde o século passado. Andamos meio brigados uns tempos, mas felizmente fizemos as pazes. Nunca deixei de ser seu fã, leitor e espectador, mesmo quando não concordava com ele. Acabam de me mandar a foto de uma pichação na calçada de sua casa, onde algum tarado escreveu 'Morra Jô Soares' — certamente por causa da entrevista que ele fez com a Dilma. Essa barbaridade só me faz ser mais fã, amigo, leitor e espectador do Jô. Viva o gordo!".

Altamiro Borges
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Boechat mitou ao humilhar Malafaia — mas como ficam as igreja$ evangélica$ da Band?

Ele
“Malafaia, vai procurar uma rola, vai. Não me encha o saco. Você é um idiota, um paspalhão, um pilantra, tomador de grana de fiel, explorador da fé alheia. Você gosta é muito de palanque, eu não vou te dar palanque porque tu é um otário”.

Ricardo Boechat mitou ao falar no rádio uma verdade ancestral, com tom de malandro carioca, a uma das figuras mais execráveis da vida pública brasileira.

Tudo no espaço de um dia. Silas Malafaia havia externado seu descontentamento com o jornalista depois que ele atribuiu as pedradas que uma menina recebeu ao sair de uma festa do candomblé à pregação odienta de evangélicos.

A resposta de Boechat motivou um último ataque histérico do pastor, que o desafiou para um debate e avisou que vai processá-lo: “Eu vou dar a oportunidade na justiça para ele provar o que disse de mim no microfone”.

Malafaia é imbatível na arte de ser um pulha, prova isso todos os dias e a invertida que levou está ribombando em sua alma e em alguns órgãos de seu corpo, graças a Javé. Agora: Boechat, provavelmente, se meteu em uma fria, e não apenas por causa do processo.

As igreja neopentecostais são responsáveis por uma fatia enorme do faturamento do Band. No começo do ano, diversos contratos foram fechados. Houve um acerto com a Igreja Internacional da Graça de Deus, do tal Missionário R.R Soares, com a Universal e com, veja bem, a Assembléia de Deus, de Malafaia.

Menciona-se a quantia de 300 milhões de reais com as cessões de espaço na TV. Soares, por exemplo, com suas canções malucas para o Senhor, ocupa o horário nobre. A IURD fica na madrugada. Malafaia entra ao meio dia de sábado. As manhãs dos finais de semana também são alugadas.

Como era de se esperar em se tratando deste grande caráter, Silas já prometeu no Twitter: “Vou perguntar ao meu amigo Johnny, dono da Band, se a política do grupo é caluniar e difamar pessoas. UMA VERGONHA!”

A essa altura, ele provavelmente já falou mesmo com Johnny e a roda está girando. Só para lembrar: Rafinha Bastos foi demitido do CQC por causa de uma piada estúpida com a mulher de Marcos Buaiz, sócio de Ronaldo Fenômeno.

A grana evangélica opera milagres na Bandeirantes. Tomara que Boechat escape de uma retaliação tão baixa. A imagem da emissora sofreria um dano enorme (embora o que valha, nessas horas, seja a grana, e dane-se a imagem). De qualquer maneira, Boechat já marcou um ponto inesquecível. Resta esperar que o pastor atenda a sua recomendação e encontre o que lhe falta há décadas: uma rola de proporções bíblicas.

Kiko Nogueira
No DCM



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Jornalista Ricardo Boechat manda pastor Silas Malafaia 'procurar uma rola'

Pastor publicou no Twitter que jornalista está 'falando asneira' quando diz que 'pastores incitam fiéis a praticarem intolerância'


O jornalista Ricardo Boechat, apresentador da Band News FM, respondeu ao pastor Silas Malafaia em seu programa de rádio o chamando de "paspalhão" e o mandou "procurar uma rola". A troca de insultos começou quando o pastor publicou no Twitter que o jornalista está "falando asneira" quando disse na rádio que "os pastores incitam os fiéis a praticarem a intolerância" e o desafiou para um debate ao vivo.





Em resposta, Boechat falou diretamente em seu programa de rádio. “Malafaia, vai procurar uma rola, vai. Não me encha o saco. Você é um idiota, um paspalhão, um pilantra, tomador de grana de fiel, explorador da fé alheia e agora vai querer me processar. Você gosta é muito de palanque, eu não vou te dar palanque porque tu é um otário”, disse o jornalista.



Em outro vídeo, Malafaia afirmou que levará o caso à justiça e desafiou novamente o jornalista para um debate. "Em qualquer programa, senta na mesa comigo porque eu vou te engolir. Porque tu não tem argumento. Você é bom sozinho, eu quero ver o confronto. E mais uma que você não sabe: a mãe da garota que tomou uma pedrada dessa intolerância ridícula frequenta a minha igreja. Você está por fora. Pergunta pra ela se nós motivamos a intolerância. Se for evangélico [que deu a pedrada na menina por intolerância] bota na cadeia", respondeu o pastor Silas Malafaia.





No O Dia
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Esquema investigado pela Zelotes é maior que o cogitado no início

As investigações da Operação Zelotes são conduzidas por uma força-tarefa formada pela Receita Federal,
Polícia Federal, Ministério Público Federal e Corregedoria do Ministério da Fazenda.
Foto: Agência Brasil
O esquema investigado pela Operação Zelotes é maior que o cogitado inicialmente e vai além dos casos que constam inicialmente no relatório que a Polícia Federal enviou à Justiça. A informação foi publicada quarta-feira (17) pelo jornal O Globo, em uma matéria que atualiza o estado das investigações sobre o esquema de venda de sentenças do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Segundo o jornal, desde o início da fase pública da Zelotes, o número de conselheiros investigados subiu de nove para 21. Além de fraudes cometidas em processos milionários, teria ocorrido manipulação também em julgamentos mais simples, com o objetivo de criar jurisprudência para outros processos.

A Operação Zelotes foi desencadeada no dia 28 de março por diversos órgãos federais para desbaratar um esquema de fraudes tributárias envolvendo grandes empresas brasileiras e multinacionais. As investigações foram conduzidas por uma força-tarefa formada pela Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público Federal e Corregedoria do Ministério da Fazenda. O Grupo RBS, a Gerdau, os bancos Bradesco, Santander, Safra, Pontual e Bank Boston, as montadoras Ford e Mitsubishi e um grupo de outras grandes empresas estão sendo investigados pela suspeita de pagamento de propina a integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para anular multas tributárias milionárias.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, as investigações envolvendo a RBS e o Grupo Gerdau apresentam alguns dos indícios mais fortes de irregularidades. A Polícia Federal teria encontrado fortes indícios de que ao menos 12 empresas negociaram ou pagaram propina para reduzir e, em alguns casos, zerar completamente dívidas com a Receita Federal. Ainda segundo a Folha de S. Paulo, os casos sobre os quais os órgãos investigadores consideram ter indícios mais consistentes envolvem RBS, Gerdau, Cimento Penha, Boston Negócios, J.G. Rodrigues, café Irmãos Júlio, Mundial-Eberle, Ford, Mistubishi, Santander e Safra. As empresas envolvidas na investigação negam qualquer irregularidade.

Entre os crimes investigados na Zelotes, estão advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério da Fazenda, o esquema envolveria a contratação de empresas de consultoria que, mediante trânsito facilitado junto ao Conselho, conseguiam controlar o resultado do julgamento de forma a favorecer o contribuinte autuado. Constatou-se que muitas dessas consultorias tinham como sócios conselheiros ou ex-conselheiros do CARF. Segundo as investigações feitas até aqui, mais de 70 processos tributários podem ter sido fraudados, com um prejuízo superior a R$ 19 bilhões aos cofres públicos. Os casos que estão sob investigação teriam ocorrido entre os anos de 2005 e 2015.

As investigações da Zelotes têm enfrentado uma série de obstáculos em função da dimensão das empresas envolvidas no caso. Em depoimento na Subcomissão da Câmara Federal, criada para acompanhar as investigações, o procurador Frederico Paiva, do Ministério Público Federal, criticou a “falta de entusiasmo” do Judiciário e da mídia com o caso, ao contrário do que ocorreu com a Operação Lava Jato. Na avaliação do procurador, os escândalos de corrupção no Brasil só despertam interesse quando há políticos no meio e esse interesse cai sensivelmente quando as denúncias atingem o poder econômico. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal pediram à Justiça a prisão de 26 pessoas, mas todos os pedidos foram negados.

Essas negativas levaram o Ministério Público a ingressar com uma representação na Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sediado em Brasília, contra o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, responsável pela Operação Zelotres. Para o MP, esse magistrado tem um histórico de segurar processos por muito tempo e sem justificativas razoáveis. Ricardo Leite negou a prisão temporária de 26 suspeitos de integrar o esquema, o pedido de bloqueio de bens de alguns investigados, bem como o pedido de quebra de sigilo do processo.

Segundo os investigadores, essas prisões eram necessárias para evitar que os suspeitos combinassem versões antes de prestar depoimento às autoridades. A Justiça também negou o pedido feito pela Polícia Federal para renovar as escutas telefônicas e telemáticas. “Se compararmos com a Lava-Jato, há um comportamento totalmente diferente”, criticou o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), autor da proposta de criação de uma subcomissão na Câmara para acompanhar as investigações.

Marco Weissheimer
No Sul21
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Slavoj Žižek — O politicamente correto é uma forma mais perigosa de totalitarismo


Slavoj Žižek é um filósofo marxista e um crítico cultural. É professor da European Graduate School, diretor internacional do Instituto Birkbeck para as Humanidades, no Birkbeck College, University of London, e pesquisador sênior no Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Eslovênia. Entre seus livros, Living in the End Times, First as Tragedy, Then as Farce, In Defense of Lost Causes, 4 volumes do Essential Žižek, e Event: A Philosophical Journey Through a Concept.

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As novas aventuras da coluna Aécio

Ouça aqui



Os jornais de sexta-feira (19/6) tratam como saga a barafunda em que se meteram senadores brasileiros que tentavam intervir em problemas internos da Venezuela. Como se sabe, os parlamentares liderados pelo senador Aécio Neves, do PSDB, candidato derrotado à Presidência da República em 2014, voaram até a capital venezuelana mas não puderam sair da região do aeroporto, que foi bloqueada por manifestantes e agentes de trânsito.

A viagem, em avião da Força Aérea Brasileira, tinha como objetivo oficial uma visita a opositores do governo de Nicolás Maduro que se encontram detidos ou em prisão domiciliar, acusados de organizar protestos violentos contra o regime “bolivariano”. Em termos comparativos, seria o equivalente a ter um senador brasileiro privado de sua liberdade por haver estimulado manifestantes que pregam o golpe militar.

Formalmente, pode-se admitir que a comitiva se encontrava em missão humanitária, com o propósito de averiguar as condições dos venezuelanos perseguidos pelo governo de Maduro, um dos quais, segundo se noticia, estaria em greve de fome. Mas, dado o contexto de confrontação política que se vive no Brasil, não se pode descartar a hipótese de que se tratava de uma versão aérea da “coluna Aécio”, que se desmanchou pateticamente na Praça dos Três Poderes no dia 27 de maio (ver aqui).

O governo brasileiro reagiu formalmente, em termos diplomáticos, ao que se considerou um constrangimento a parlamentares nacionais que usavam uma aeronave da FAB. Mas o incidente não deve passar desses protocolos.

A rigor, também para a chamada opinião pública tanto faz se a comitiva foi vítima de truculência ou se foi se meter em assunto afeto à soberania do país vizinho – aquela parcela da população que acredita em tudo que sai na imprensa vai continuar pensando que a Venezuela é governada por uma tirania comunista.

Interessante é notar a cautela das principais lideranças do PSDB, que observam com certo embaraço a nova bravataria do ex-governador mineiro e seu fiel escudeiro, o senador paulista Aloysio Nunes Ferreira, duas das vozes mais radicais da oposição. Na disputa interna pela candidatura presidencial do partido em 2018, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ganha pontos com essas trapalhadas de seu rival.

O ovo da serpente

Nas redes sociais, a iniciativa de Aécio e seus companheiros de voo é testada por perguntas provocativas. “Na próxima viagem, que tal ir resgatar o brasileiro Islã Hamed, que faz greve de fome há dois meses numa prisão da Palestina?”. “E se deputados venezuelanos viessem ao Brasil pedir a libertação de Vaccari?” No entanto, como se pode depreender em dois segundos de reflexão, não é disso que se trata.

A viagem dos senadores oposicionistas a Caracas é parte do programa de confrontação incessante com o governo petista, com a criação sucessiva de situações de crise. A tentativa de produzir um incidente internacional tem o propósito de alimentar a cultura do ódio no campo político e minar a governabilidade. O tempo e o espaço ocupados pela aventura da nova “coluna Aécio” são roubados de questões como o ajuste nas contas públicas e a redução da maioridade penal.

Por outro lado, pode-se afirmar que atos como esse estimulam a ação de radicais, no momento em que o governo, para atender a exigências de órgãos internacionais, se vê obrigado a se adequar apressadamente às normas do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o combate ao terrorismo. Essa é uma nova frente na qual os setores reacionários do Congresso poderão confrontar o Executivo, pressionando para que movimentos sociais sejam criminalizados.

Não custa lembrar que, por conta das manifestações de rua iniciadas em 2013, três senadores propuseram transformar em crime de terrorismo os protestos durante a Copa do Mundo de 2014. Até mesmo um parlamentar petista, o senador Walter Pinheiro, da Bahia, entrou nessa canoa furada. Recentemente, este observador foi alertado para mensagens postadas no Facebook por um empresário e publicitário famoso, que pregava o assassinato de autoridades.

Consultada sobre a investigação de fatos como esse, a Agência Brasileira de Inteligência deu a seguinte resposta: “A área de Contraterrorismo da ABIN tem atuação ampla, que abrange não apenas ações de grupos terroristas publicamente estabelecidos. Atos de violência contra a sociedade cometidos por motivação política são também objeto de interesse desse departamento da ABIN”.

No contexto de radicalismos estimulado pelos pitbulls da mídia, a patética provocação dos senadores oposicionistas contribui para aquecer o ovo da serpente.

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A república Lava Jato


Ao combater acordos de leniência, formula empregada até na Alemanha na saída do nazismo, procurador evidencia estratégia do quanto pior, melhor.

Nós já sabíamos que o modelo de trabalho de Sergio Moro, o juiz que comanda a Operação Lava Jato, é a Operação Mãos Limpas — aquela que entregou o país ao bunga-bunga Sylvio Berlusconi e transformou uma das glórias culturais e políticas da humanidade num reino de segunda classe, dependente e subordinado às potências vizinhas, a começar pela Alemanha de Angela Merkel.

Também sabíamos que, para Daltan Dallagnol, no necessário combate à corrupção o Brasil deveria mirar-se no espelho de Hong Kong — uma cidade-estado onde vivem 7 milhões de pessoas, que não têm sequer direito de escolher seus governantes pelo voto direto, em urna. O Brasil estava neste estágio pré-democrático até 1989. É bom não esquecer.

Sabemos agora, através do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, uma das vozes principais da Lava Jato, que o plano é “refundar a República.” Através de uma Constituinte, numa proposta debatida em seus prós e contras pela população e seus representantes? Nada disso.

O depoimento de Lima ao Estado de S. Paulo deixa claro que se emprega o discurso contra a corrupção para criar um ambiente de quanto pior, melhor. O resto é o dilúvio.

Depois das prisões sem condenação, das delações premiadas, do apoio incondicional que a Lava Jato recebe da grande mídia — que abandonou qualquer espírito crítico para ajoelhar-se diante de um movimento que pode quebrar um governo vitorioso em quatro eleições presidenciais consecutivas — o procurador persevera no esforço contra as garantias democráticas.

Ele volta a defender o projeto do Ministério Público que pretende alterar a regra constitucional que proíbe a aceitação de provas ilícitas — você sabe, aquelas que eram o prato de resistência das investigações e da tortura sob a ditadura militar.

O objetivo imediato, no entanto, é tentar impedir a aplicação de acordos de leniência para empresas condenadas da Lava Jato. Estamos falando de um projeto que irá permitir a punição de dirigentes e executivos responsáveis por atos condenáveis e, ao mesmo tempo, preserva empresas cujo patrimônio econômico, cultural e tecnológico são uma conquista da população, de seus trabalhadores que dão duro todos os dias, e dos consumidores e usuários que também contribuíram para sua existência e seus lucros.

Basta ler um manualzinho de economia para crianças e adolescentes (será que nossas livrarias ainda vendem História da Riqueza do Homem, do Leo Huberman?) para entender de onde vem a propriedade e a riqueza, o emprego, o salário e o lucro, não é mesmo?

Parece absurdo mas é verdade. Embora o debate político já tenha regredido muito nestes tempos, é bom evitar que seja transformado numa Escolinha Ideológica do Professor Raimundo.

Os acordos de leniência são a saída racional encontrada na maioria dos países para enfrentar a corrupção e, ao mesmo tempo, evitar que ela cause prejuízos ainda mais profundos e permanentes à população, que seria forçada a reconstruir um parque produtivo que está pronto para gerar empregos e benefícios. É por isso que a Siemens — cujo papel na corrupção de políticos do mundo inteiro só não é investigado pelo Ministério Público brasileiro — foi obrigada a pagar pesadas multas e livrar-se de dirigentes condenados por atos inaceitáveis. Mas não fechou as portas.

O mesmo ocorreu com grandes instituições do capitalismo norte-americano que ajudaram a produzir o colapso de 2008, a pior crise desde 1929, com um esquema de bônus vergonhosos que traíam a confiança do pequeno investidor e de famílias ainda mais pobres que eram levadas a fazer dívidas que não poderiam pagar.

Podemos até falar de um caso diferente e extremo, que em nada pode ser comparado ao Brasil de hoje mas serve a discussão.

A preservação do patrimônio de empresas, associadas ao nazismo de Adolf Hitler, e até fundadas por ele — como a Volkswagen — foi fundamental para a recuperação da Alemanha no pós guerra. Os líderes do nazismo foram condenados e presos. Os mais envolvidos, acabaram fuzilados. Mas as empresas seguiram em atividade, tornando-se potenciais mundiais. Reanimaram a economia e ajudaram o país a construir um Estado de bem-estar social. Isso porque, mesmo sendo empresas privadas, cumpriam uma função social e o país não podia permitir que fossem atiradas na lata de lixo. A menos, claro, que a meta seja uma Hong Kong tropical com 200 milhões de habitantes, uma Italia onde o esquema bunga-bunga de TV já está pronto e atuante desde a ditadura militar.

Alguma dúvida? Nenhuma.

Se é correto apontar as mazelas da corrupção, é bom registrar que, de 1989 para cá, o povo tem afirmado sua vontade nas urnas — e isso não é pouco — da República. Há corrupção mas ela não impede a vontade soberana da nação. Quem imagina isso está vendo outra coisa e quer o que não deve.

Basta ler trechos de um discurso de Benito Mussolini, quatro meses antes da Marcha sobre o Roma, que levou os fascistas a tomada do poder na Italia, onde se instalaram por 20 anos e só foram retirados com a chegada de tropas aliadas. Falou em demolir a estrutura “socialistóide-democrática” para dar lugar a outra coisa. “Queremos fazer de Roma a cidade de nosso espírito, isto é, uma cidade depurada, desinfetada de todos os elementos que a corrompem.”

Fácil de entender, não?

Paulo Moreira Leite
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Decadente 'Estadão' odeia os professores


Qual poderia ser a intenção do jornal O Estado de S. Paulo ao publicar nesta quinta-feira, 18/06, um editorial tão mentiroso e violento contra a nossa categoria?

Por que este jornal em franca decadência tenta espezinhar uma categoria que já vem sendo desrespeitada, violentada e desvalorizada por um governador que se vangloria de não receber a Apeoesp, de não dialogar e de só fazer o que deseja, como se fosse o senhor absoluto a educação pública estadual?

O Estadão está tão decadente que não para de suplicar por novos assinantes em propagandas na Rede Globo e outras emissoras de TV.

Nós vamos fazer a contrapropaganda, incentivando as pessoas a cancelar suas assinaturas, porque o jornal não cumpre o papel que se espera de uma imprensa democrática. Não vamos compactuar com mentiras e manipulações. O fascismo desta vez não vai vencer.

Os professores estaduais de São Paulo vêm sendo tratados com ódio e crueldade pelo Governo Estadual e pelos setores da mídia que o apoiam, como o Estadão.

A violência, a truculência e a crueldade não ocorrem apenas quando a tropa de choque avança sobre professores e professoras, como já vivemos no estado de São Paulo e em outros estados. Elas estão presentes na forma desprezível como somos tratados no nosso cotidiano, quando ousamos levantar a voz contra o descalabro das nossas escolas, contra a negação dos direitos dos nossos alunos, contra a ausência de democracia e de participação até mesmo nos assuntos que estão afetos diretamente à nossa atividade profissional.

Esta violência aumenta desmesuradamente quando exercemos nosso legítimo direito de greve. A greve, para o trabalhador, é o recurso extremo. É preciso ficar claro que é a intransigência do patrão que leva o trabalhador à greve. Os professores decidiram parar suas atividades porque o Governo do Estado de São Paulo fechou mais de 3.390 classes, realizou uma atribuição de aulas injusta e desorganizada e editou um decreto prevendo reajuste zero para o funcionalismo.

Não vamos deixar de realizar greve sempre que necessário. Em 2010 disseram que não faríamos mais greves, mas fizemos a de 2013 e a de 2015.

A propósito, aconselho os editores do Estadão a entrar em entendimentos com seu chefe, o Governador, para se colocarem de acordo quanto a qual índice de greve utilizar. A opinião pública fica confusa ao se deparar com índices tão díspares quando 4%, 2%, 5% e, agora 9% de paralisação.

Nós sabemos o tamanho da nossa greve: ela começou com 20%, subindo depois para 40%, 60% e chegando a até 80% de paralisação e só refluiu quando o Governo do Estado lançou mão de um expediente sórdido: cortou os salários dos professores, negando-lhes a subsistência. Assim, qualquer um acaba com uma greve.

Se nossa greve não tivesse assumido essas proporções, Governo e Estadão não estariam se incomodando tanto conosco. Por uma decisão consciente dos professores presentes à ultima assembleia, a greve foi suspensa, pois a resistência não poderia colocar em risco a sobrevivência dos que estavam em greve.

A greve foi suspensa, não descartada. Nosso movimento vai continuar e se ampliar em conjunto com estudantes, pais, entidades populares e todos os demais segmentos sociais que queiram participar de uma mobilização social em defesa da escola pública.

Nosso compromisso com a aprendizagem de nossos estudantes é tão sólido que fomos nós, e não a Secretaria Estadual da Educação, que buscamos entendimentos para garantir a reposição das aulas e dos conteúdos que não foram ministrados no período da greve.

O Governo Estadual “não está nem aí” para os estudantes. Durante a greve foram alocados professores eventuais, que foram explorados, ficando alguns responsáveis por grupos de duas ou três turmas. Nessas condições, como ministrar boas aulas? Diversos pais e mães vêm se manifestando nos meios de comunicação, preocupados com o fato de seus filhos chegarem ao final do ano sem nada terem aprendido.

Somos nós, professores, e não o Governador e seu Secretário, muito menos o Estadão, que estamos do lado dessas crianças e jovens, porque conhecemos suas necessidades, seu potencial, seus receios e seus sonhos. São essas crianças e jovens que estão sendo massacrados pela política autoritária e truculenta do Governo Estadual.

A realidade cobrará do Governo e do jornal O Estado de S. Paulo o devido preço pela postura que estão adotando contra a educação pública e contra os professores.

Finalmente uma dica a vocês, do Estadão: governos vão e vêm, mas nós continuaremos. Eu continuarei sendo professora, assim como milhares de outros docentes; milhões de estudantes continuarão nas escolas estaduais; e vamos trabalhar para que seus pais estejam cada vez mais atentos e participantes na educação de seus filhos.

Maria Izabel Azevedo Noronha é presidenta da Apeoesp.
No Blog do Miro
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Folha é condenada a assinar carteira de trabalho de free lancer e indenizá-la

Por estarem presentes todos os requisitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho que caracterizam a relação de emprego, a Justiça do Trabalho reconheceu o vínculo empregatício entre uma jornalista contratada como free lancer e a empresa Folha da Manhã — que edita o jornal Folha de S. Paulo. A empresa ainda foi condenada a pagar R$ 50 mil de indenização por danos morais à jornalista.

"A ofensa é potencializada, ainda mais, por tratar-se de inaceitável fraude trabalhista articulada pelo maior jornal impresso do país, notoriamente reconhecido por denúncias de corrupção nos mais variados segmentos da sociedade e que, por isso, deveria ser o primeiro a dar o exemplo de respeito à legislação pátria", registrou o juiz Elizio Luiz Perez, da 41ª Vara do Trabalho de São Paulo

Diante da constatação da fraude e da possibilidade da mesma situação acontecer com outros jornalistas do veículo, o juiz determinou que fossem enviados ofícios ao Ministério Público do Trabalho e à Secretaria Regional do Trabalho para que estes órgãos adotem providências.

Na decisão, o juiz considerou o depoimento das testemunhas para atender aos pedidos formulados pela jornalista, representada pelo advogado Kiyomori Mori, do Mori, Toni e Costa Teixeira Advogados. Segundo o juiz, um dos depoimentos foi "mais do que suficiente para jogar por terra a condição de autônoma sustentada pela defesa, trazendo à tona a descarada fraude trabalhista perpetrada pela ré, vez que amplamente caracterizados o trabalho por conta do empreendimento e a sujeição da laborista ao poder diretivo da empresa".

Com o reconhecimento do vínculo, o juiz determinou a anotação na Carteira de Trabalho e o pagamento das verbas trabalhistas referente ao período, inclusive a multa por não pagar as verbas relacionadas à rescisão do contrato no prazo estipulado pela CLT.

"A falta de pagamento integral das verbas devidas à época da rescisão, no prazo legal, atrai a multa do artigo 477, parágrafo 8º da CLT ainda que só reconhecido o direito em juízo, pois a ninguém é dado beneficiar-se da própria torpeza", justificou o juiz.

Ao analisar o pedido de dano moral, o juiz condenou a empresa a indenizar a jornalista em R$ 50 mil. De acordo com a decisão, "o ato ilícito e indenizável dolosamente praticado pela reclamada relegou a autora à invisibilidade decorrente da informalidade. Sob essa ótica, a falta de anotação da CTPS privou injustamente a reclamante das garantias inerentes à relação de emprego, circunstância que possui o notório potencial de lesionar os direitos da personalidade, configurando o dano moral".

Ao concluir a sentença e diante da situação que possivelmente prejudica diversos outros trabalhadores o juiz determinou o envio de ofícios à Secretaria Regional do Trabalho e ao MPT, junto com cópias da sentença e das atas de audiência, para que "adotem as providências que reputarem cabíveis".

Clique aqui para ler a decisão.
Processo 000263558.2014.502.0041
No Conjur
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Vai pra Guantánamo, Aécio!

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Fernando Morais: visita de Aecio Neves a Venezuela es una provocación política


El periodista brasileño Fernando Morais explicó que el excandidato presidencial de su país, Aecio Neves, está intentado recuperar el protagonismo perdido en los medios de Brasil tras su derrota electoral, pero ahora con una provocación en Venezuela.

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Molécula presente na urina detecta câncer de próstata

Uma molécula que pode ser usada para diagnosticar o câncer de próstata pela urina tem uma relação íntima com a origem da doença, sugere um novo estudo.

Os exames de urina usados para detectar a molécula PCA3 podem, inclusive, inspirar novas estratégias de ataque ao tumor de próstata.

O PCA3 desliga um mecanismo antitumor do organismo –o que pode levar à multiplicação desenfreada das células da próstata e, portanto, ao câncer. Bloquear a ação da molécula impediu a proliferação das células cancerosas em roedores.

"Em muitos casos, os tumores praticamente desapareciam", diz o biólogo Emmanuel Dias-Neto, do A.C. Camargo Cancer Center. Dias-Neto é coautor do estudo publicado na revista científica "PNAS", que também é assinado por Wadih Arap e Renata Pasqualini, brasileiros que trabalham na Universidade do Texas.

Segundo o biólogo, um dos próximos passos é bolar estratégias para o "delivery" das moléculas que bloqueiam o PCA3, ou seja, criar modos de levá-las até a próstata dos pacientes com precisão. Se funcionar, "teremos uma ferramenta potente", afirma ele.

Do contra

O PCA3 é uma molécula literalmente do contra. Trata-se de uma forma de RNA, a molécula "prima" do DNA cuja função mais conhecida é a transmissão de instruções do material genético para as fábricas de moléculas nas células. Diferentemente dessa forma "normal" do RNA, porém, o PCA3 é originada a partir da fita de DNA que não costuma ser lida pelo organismo, conhecida como antissenso.

Os especialistas sabiam que o PCA3 aparece na urina após a massagem da próstata (feita pelo médico em pacientes com suspeita de alterações na glândula), e também que a molécula é 70 vezes mais comum em tumores do que na próstata saudável. Mas ninguém tinha ideia da função da molécula –ela podia ser apenas um subproduto das alterações genéticas do câncer, por exemplo.

Dias-Neto e seus colegas resolveram olhar os "vizinhos" do PCA3, ou seja, os trechos de DNA que ficam na outra fita da molécula, a fita "certa" que normalmente é lida pela célula. Acabaram descobrindo que as letras químicas do PCA3 se encaixam com precisão em parte de um gene até então desconhecido.

Para ser mais exato: as duas fitas de DNA são transcritas, ou seja, recriadas numa versão de RNA. Em situações normais, no caso do gene, isso seria um passo intermediário para que o RNA servisse de "receita" para uma proteína, a qual, por sua vez, desempenharia seu papel na célula. Só que o PCA3, ao se encaixar no RNA desse gene, acaba evitando esse funcionamento normal, porque surge aí uma forma anômala de RNA que a célula "rejeita" e se põe a desativar.

On/Off

Desligar o gene é uma péssima ideia, pois os pesquisadores mostraram que ele é um gene supressor de tumores. Sua atividade normal impede, em outras palavras, que as células da próstata passem a se multiplicar além da conta e da forma errada. Esse processo foi verificado pelos pesquisadores tanto em células de câncer de próstata cultivadas em laboratório quanto em tumores enxertados em camundongos. E, nesses dois contextos, impedir a ação do PCA3 fez o tumor perder força.

Os achados devem dar mais peso à prática de fazer o exame de PCA3, que ainda é pouco comum. O exame laboratorial mais usado no caso dos tumores de próstata é o do PSA, que tem a vantagem de poder ser detectado no sangue, mas é pouco específico –o aumento nos níveis pode estar ligado a alterações benignas na próstata, que não têm a ver com o câncer.

No entanto, o exame depende de equipamentos modernos, ainda pouco disponíveis, e seus custos não são cobertos por convênios.

Além disso, as descobertas devem dar novo impulso ao estudo desses RNAs "do contra", que ainda são pouco conhecidos, mas têm mostrado elos importantes com doenças, afirma Dias-Neto.

Prostata

No fAlha
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Tiririca ensina paneleiros


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Aécio e mais três patetas pagam o mico do milênio!


Direto de Caracas.

É o mico do século, quiçá do milênio!

Aécio Neves é tão incompetente, tão preguiçoso, que desistiu de visitar Leopoldo Lopez, o terrorista golpista venezuelano, porque ficou — acredite se quiser — preso num engarramento!

Fontes do governo me disseram que, se Aécio tivesse vontade real de visitar Leopoldo, havia duas outras vias que poderiam ser seguidas pela van que levava os senadores. Ou então poderiam ter ido de helicóptero, já que um dos amigos de Leopoldo é dono da maior frota aérea de Caracas.

Eu fico me perguntando: se tivesse interesse real na situação de Lopez, Aécio poderia perfeitamente ter insistido um pouco mais, não?

A troco de quê ele fugiu tão rápido?

Ainda aguardo informações mais detalhadas sobre o que aconteceu. Daqui a algumas horas, tudo será esclarecido. Seja como for, Aécio se meteu num mato sem cachorro. Invadiu um país democrático, onde se realizam, periodicamente, manifestações contra e a favor do governo, usando um avião militar brasileiro para fins partidários, o que é um crime gravíssimo!

Uns dizem que havia protestos contra o governo venezuelano, fechando uma estrada de acesso do aeroporto à Caracas. Outros que se limpava um túnel. Outros que houve protestos contra Aécio por populares apoiadores de Chávez.

O governo venezuelano tinha total interesse que o encontro tivesse acontecido, justamente para desmascarar esse jogo sujo de acusações contra o país, tentando pintar uma das democracias mais avançadas do continente como “violadora de direitos humanos”.

Como é um irresponsável, Aécio — com ajuda da mídia golpista brasileira — já começou a querer transformar o seu fiasco internacional num acidente diplomático.

Por favor, alguém explique a Aécio que ele perdeu as eleições e portanto não pode ditar as relações internacionais do Brasil com nenhum outro país!

Se foram protestos contra Aécio, podem culpar o próprio Cafezinho e a delegação brasileira, porque desde que chegamos demos várias entrevistas denunciando essa ridícula e hipócrita agressão de um punhado de senadores reaças do Brasil, todos acusados de corrupção, a um país irmão, uma democracia amiga.

Hoje mesmo eu e o professor Magalhães (UFMG) demos entrevista a um canal privado, de oposição, Globovision, denunciando a hipocrisia dessa comitiva de senadores.

Aécio, Ronaldo Caiado, Agripino Maia, todos sempre desrespeitaram a liberdade de imprensa e expressão em seus estados. Não tem moral nenhuma para invadir outros países exigindo o que eles não fazem em casa.

A Constituição Brasileira determina o respeito à soberania dos povos, a busca pela paz, etc, o que é exatamente o contrário do que deseja Aécio.

Se ele tentar insuflar o senado e a opinião pública brasileira contra a Venezuela, para desviar a atenção do seu fracasso patético, então é um bandido internacional!

O Cafezinho veio à convite da Presidência da República da Venezuela, juntamente com o escritor Fernando Morais, o professor bolivariano da UFMG, José Luiz Quadros Magalhães, e o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Kerisson Lopes.

Aviso aos coxinhas: chamar o presidente da Venezuela, eleito com margem apertada de votos em 2012, de “ditador”, é prova de profunda ignorância, ou má fé. Podem xingá-lo à vontade, mas ele é presidente eleito pelo sufrágio universal, num país democrático.

Outros aviso: o grau de democracia de um país não é medido pela quantidade de “papel higiênico” disponível nas prateleiras dos supermercados. Na Arábia Saudita, a pior ditadura do mundo, os mercados estão abarrotados de papel higiênico.

Aliás, até o momento não ouvi ninguém por aqui reclamar de papel higiênico. Eu estou tranquilo.

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Conheci diversos jovens e eles estavam mais preocupados e animados com o Festival Internacional de Poesia, que começou ontem, num grande teatro nacionalizado, reformado e democratizado pelo governo atual, e que está colado a uma universidade federal de artes criada por Chávez.

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Numa conversa da nossa delegação com o vice-ministro de Relações Exteriores para América Latina, Alexander Yánez Deleuze, ele nos explicou que o terrorismo midiático ajuda a provocar problemas de abastecimento, porque as pessoas, apavoradas, fazem estoques enormes em casa, desorganizando a distribuição dos produtos. Além disso, há contrabando de produtos venezuelanos, que são mais baratos, para a Colômbia.

“Você vai na casa das pessoas, e tem leite, açúcar, farinha, para mais de três meses!”, denunciou Deleuze.

De qualquer forma, acreditando ou não na versão do governo, e mesmo que se admita que Venezuela tem seus problemas, e é claro que os tem, assim como o Brasil tem os seus (muitos!), a questão democrática no país não é um deles.

Não há nenhum controle dos meios de comunicação. A grande maioria (65%) das rádios são privadas. Há 20% de rádios comunitárias e menos de 10% de rádios estatais. Há três canais privados de TV de alcance nacional e apenas 2 estatais.

Os jornais impressos de oposição circulam normalmente em toda a parte.

Jornais de oposição, numa banca do centro. Observe  a machete do Tal Cual, chamando Maduro de torturador
Jornais de oposição, numa banca do centro.
Observe a manchete do Tal Cual, acusando
Maduro de “tortura”
Que merda de ditadura é essa em que a imprensa é livre, há eleições constantes, a oposição tem total liberdade até trazer senadores de outros países para visitar o que eles chamam de “presos políticos”?

José Dirceu e Genoíno, que também se consideram presos políticos, podem receber visitas de senadores de outros países?

Os meios de comunicação do Brasil tem pavor da Venezuela porque eles aprovaram uma lei que obriga todos os canais de TV a darem 10 minutos por dia ao governo.

Imagine se o governo do Brasil tivesse dez minutos por dia para defender suas ações e projetos? Faríamos a nossa revolução democrática!

Durante o almoço, fiz uma breve entrevista com o escritor Fernando Morais sobre esse estrondoso fiasco aético. Segue abaixo:

Cafezinho: Fernando, queria saber sua opinião sobre o fracasso dessa missão do nosso, quer dizer, do seu senador, já que você é de Minas?

Fernando Morais: Não é meu senador. Ele mora no Rio de Janeiro. É só nascido em Minas Gerais. Ele é senador do pessoal do Baixo Leblon e de Ipanema. Olha, é coisa dos três patetas. Que aliás não eram três, eram quatro patetas. Agora, uma coisa que é importante saber é o seguinte. Esse factoide, essa bobagem, feita por eles, custou quanto aos cofres brasileiros? Quanto é que custou o combustível do jato, quanto é o salário da tripulação, e quanto custaria se eles tivessem que fretar um Legacy — eu sei que é Legacy porque eu vi o Aécio hoje falando na internet, que estava já dentro de um Legacy da FAB. Acho que o ministro Jacques Wagner precisa informar isso ao público com certa urgência.

Miguel do Rosário
No Cafezinho
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A inspiração dos kataguiris e revoltados on line na viagem dos senadores à Venezuela

Eles
A viagem dos oito senadores à Venezuela teve inspiração em dois episódios recentes similares: a Marcha da Liberdade, empreendida pelos kataguiris de São Paulo a Brasilia, e o passeio de Marcello Reis, chefão dos Revoltados On Line, a Salvador durante o congresso do PT.

Todos os casos envolvem um suposto esforço superior, um tour de force, para enfrentar o “inimigo” na casa dele. Assim como todos eles se utilizam da tática de bater a carteira e gritar pega ladrão. Especificamente com relação a Reis e os parlamentares, a ideia é ir a um lugar onde não são bem vindos, provocar uma confusão, levar um troco e, afinal, posar de vítima.

A imbroglio de Caracas é farsesco do início ao fim. Aécio Neves, Aloysio Nunes Ferreira e combinaram de ver as mulheres de políticos detidos e estudantes oposicionistas por “razões humanitárias”, de “solidariedade”, segundo Aécio.

Enquanto o pedido para o vôo oficial era examinado, venderam à imprensa que ele fora vetado. O jornal O Globo, numa cobertura acintosa, comprou toda a balela de primeira, com direito a troca de título de matéria quando a versão dos senadores ficou insustentável.

Ronaldo Caiado mentiu no Brasil e na capital venezuelana. No Twitter, escreveu que a van que levava a turminha havia sido apedrejada. Completou alegando que estava impossibilitado de colocar o vídeo no ar por causa da internet ruim. Até agora as imagens continuam indisponíveis.

Os homens voltaram para casa por causa de um engarrafamento atribuído a uma sabotagem.

As únicas pessoas que correm o risco de acreditar na missão são os fanáticos de sempre. A Venezuela, como qualquer país do mundo, tem direito de não permitir a entrada de políticos assumidamente contra o regime. Leopoldo López não sairia da penitenciária depois de falar com o senador Petecão (Petecão!!!).

Mas isso jamais importou. Nunca foi pelos motivos elevados que Aécio elencou, mas para criar mais instabilidade para o governo e aparecer na mídia amiga jogando lenha na fogueira do “bolivarianismo”. Veja que coincidência: no dia da visita, a TV Cultura pôs no ar um antigo Roda Viva com a mulher de López, Lilian Tintori.

De certo modo, Aécio prestou um tributo ao anão moral Kim Kataguiri, o pequeno reaça cabeludo que traiu ao não comparecer no encerramento do marcha. Vem de qualquer revoltado on line a lição fascista de inverter a lógica democrática em nome da democracia, instigando distúrbios para reclamar deles, ensaiando golpes enquanto se reclama de golpismo.

Na noite em que os oito panacas retornaram, o Movimento Brasil Livre anunciou que está organizando um ato na frente do consulado venezuelano em São Paulo “em decorrência do ataque orquestrado por Maduro”. Importante: “TRAGAM CADEADOS!”

Vai ser uma bela cena quando todos se acorrentarem ao portão, em torno do mesmo ideal (e de Petecão; o que é Petecão??). Ali perto ficam bons restaurantes e dá para ir e voltar rapidinho.

Kiko Nogueira
No DCM
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A contabilidade do golpe

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Leitores assíduos de jornais que têm dificuldade para interpretar a massa fragmentada de notícias sobre política e economia, publicada diariamente pela mídia tradicional, têm nesta quinta-feira (18/6) um guia para entender a linha editorial predominante na imprensa hegemônica.

Como se sabe, desde a posse da presidente Dilma Rousseff em segundo mandato, desatou-se uma crise de governabilidade que tem como epicentro o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, convertido em desafeto da própria aliança que integra após ter o cargo ameaçado por um candidato apoiado pelo Executivo.

Até aí, são farpas no espinhoso caminho da democracia, sempre um jogo de perdas e ganhos no qual a única regra que não pode ser quebrada é aquela que protege a continuidade do próprio jogo — ou seja, ninguém pode colocar em risco a convivência democrática entre os contendores. Mas não é isso que tem acontecido: a intensificação do protagonismo da imprensa, que participa do torneio como convidada, desvirtua o equilíbrio proposto pelas urnas.

Inconformado com o resultado da eleição presidencial, na qual viu derrotado por pequena margem o candidato que apoiava, o sistema da mídia atenta conta o mandato conquistado pela presidente na contagem dos votos. Num primeiro momento, transformou em “voz das ruas” a manifestação de alguns grupos de analfabetos políticos inconformados com a decisão dos eleitores, insuflando a teoria do impeachment ao avalizar o discurso de lideranças fabricadas à base de entrevistas cuidadosamente editadas e maquiadas.

Mas a farsa acabou quando aquele que deveria ser o grande evento da temporada, a marcha de dissidentes rumo a Brasília, acabou em uma pífia reunião com parlamentares ligados à herança da ditadura militar. Os patrocinadores do movimento se viram obrigados a rejeitar suas crias, qualificando-as como “cidadãos sem educação política”.

A “coluna Aécio” se desmanchou na Praça dos Três Poderes com seus integrantes gritando palavras de ordem contra aquele que lhes havia dado o suporte institucional do mandato para sua aventura golpista.

Flertando com o perigo

Mas o partido midiático não desiste: o novo investimento é feito agora no julgamento das contas do Poder Executivo referentes ao ano fiscal de 2014. Em todos os principais jornais de circulação nacional, o noticiário sobre a decisão do Tribunal de Contas da União, de conceder um prazo de 30 dias para a presidente da República esclarecer 13 supostas irregularidades na execução do orçamento do ano passado, é acompanhado pela aposta de será recomendado ao Congresso que rejeite a prestação de contas; se isso ocorrer, opositores ganham munição para pedir o impeachment, sugerem os jornais.

A imprensa não pode, evidentemente, ignorar o processo que corre no TCU. Mas é preciso destacar que nunca antes o tribunal tinha feito mais do que “ressalvas”, em vez de rejeitar as contas de um presidente, e que o Congresso acumula um longo histórico de pareceres que nunca foram votados. A pressa e o empenho em colocar sob suspeição a administração da atual presidente faz parte do processo político de manter a governabilidade por um fio: é a perigosa contabilidade do golpe.

A Folha de S. Paulo, em texto menor num pé de página, relata como o tratamento pode ser diferente em circunstâncias semelhantes, ao informar que as contas do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foram aprovadas pelo Tribunal de Contas estadual em apenas 90 minutos, sem qualquer restrição. Sabe-se, no entanto, que a corte ignorou dezenas de ressalvas feitas por seus técnicos, entre as quais se destacam atrasos em obras que causaram a falta de água na região metropolitana da capital paulista.

Há dois pesos e duas medidas, conforme quem está na pauta. Mas o texto que ajuda o leitor a entender o viés do noticiário é o editorial publicado na quinta-feira (18) pelo Estado de S. Paulo, sob o título “Uma guinada conservadora” (ver aqui). Ali se observa que o perfil dos deputados e senadores eleitos que compõem o atual Congresso “é o mais conservador da história recente da República” e que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, “é a mais legítima expressão dessa nova realidade”. Mas considera que a ascensão desse conservadorismo é decorrência dos “desacertos e contradições” dos governos petistas.

Nenhuma palavra sobre a ação da própria imprensa, que manipula as forças mais reacionárias do campo político para atacar o governo, e, com isso, convalida e estimula seu protagonismo. O editorial admite apenas temer que a ascensão desses grupos conservadores lhes permita “violar a laicidade constitucional do Estado”.

A História ensina que flertar com o obscurantismo faz mal à democracia.

Luciano Martins Costa
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