5 de jun de 2015

A imprensa quer o colinho do Estado

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O Globo aborda, na edição de sexta-feira (5/6), na sua editoria de Opinião, a questão da exigência do diploma específico para o exercício da profissão de jornalista. A posição do jornal (ver aqui), coincidente com a de todas as grandes empresas de comunicação do país, é a mesma que levou o Supremo Tribunal Federal a extinguir a regulamentação da atividade jornalística, em 2009.

Para o diário carioca e seus parceiros da Associação Nacional de Jornais e das entidades que representam as revistas e as emissoras de televisão e rádio, exigir uma qualificação específica para jornalistas profissionais é “corporativismo”.

A contrapartida (ver aqui) ficou a cargo do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que alinha os argumentos básicos levantados pela Federação Nacional dos Jornalistas, na ocasião do julgamento da questão no STF e confirmados com o passar do tempo: a decisão não ampliou o acesso do cidadão aos meios de comunicação, não assegurou a liberdade de expressão e não conteve a concentração da propriedade da mídia – pelo contrário, o que se viu foi a redução da pluralidade nos meios tradicionais. Se há alguma diversidade, ela se encontra no ambiente hipermediado da internet e das redes sociais.

Essas foram as justificativas apresentadas na ocasião pelo ministro Gilmar Mendes, então presidente do STF, ao defender o fim da exigência do diploma. Como observa Paulo Pimenta, o ministro e seus pares que votaram pelo fim da regulamentação da profissão de jornalista demonstraram ignorar um aspecto basilar dessa atividade: jornalismo não é opinião – portanto, a exigência do diploma não afeta a liberdade de expressão.

Por outro lado, também é uma evidente aleivosia afirmar, como fez o então presidente do STF, que a corte estava tratando de defender a liberdade de pensamento. Como lembra o articulista, a livre manifestação do pensamento não depende de acesso a um jornal, revista, programa de rádio ou de TV – ela é garantida a todos, independentemente da profissão. Como se vê, aliás, nas manifestações de golpistas e aloprados aos quais a imprensa concede ampla visibilidade e livre expressão.

Uma decisão vergonhosa

O editorial que reproduz a opinião dos jornais é motivado pela tramitação, no Congresso Nacional, de duas propostas de emenda à Constituição que restauram a exigência do diploma de curso superior de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, para o exercício da profissão. Como há seis anos, as empresas jornalísticas afirmam que tal norma seria “corporativista”, pois significaria a criação de uma espécie de reserva de mercado para uma categoria profissional.

Ora, não é esse mesmo o sentido do princípio da regulamentação no Brasil, que define as funções de praticamente todas as profissões e muitas atividades da vida moderna? Essa é a orientação geral da Constituição de 1988 e das especificações que vieram nos anos subsequentes, incluindo até mesmo atividades físicas coletivas, como o método Pilates.

Se o ordenamento legal de praticamente todas as profissões e atividades remuneradas tem um caráter corporativo, por que justamente o jornalista tem que ficar desprotegido? Porque as empresas de comunicação – que para todas as outras atividades econômicas se declaram adeptas do livre mercado e da concorrência aberta – queriam a proteção do Estado nas eventuais disputas trabalhistas com seus funcionários.

Tanto isso é verdade que, de lá para cá, tornou-se comum a contratação de jornalistas como “pessoas jurídicas”, o que aumentou a precariedade de sua condição profissional – e milhares estão agora em situação vulnerável porque não contam com uma aposentadoria suficiente e não possuem as garantias proporcionadas pela Consolidação das Leis do Trabalho.

O que as empresas jornalísticas pretendiam – e obtiveram da Suprema Corte –, era ganhar essa condição privilegiada de negociação para terceirizar sua atividade-fim.

Era isso que queria o Supremo Tribunal Federal?

Paulo Pimenta também observa que há um aspecto ainda mais hipócrita nessa questão, se considerarmos que, recentemente, em edital de concurso público, o STF exigiu, para contratar jornalistas, a apresentação do diploma específico, que ficou sem valor legal com a decisão de 2009. Para o resto do Brasil, até mesmo um analfabeto pode requerer o registro profissional e se declarar jornalista.

O projeto que corrige esse vergonhoso capítulo na história da Suprema Corte foi aprovado no Senado e tramita na Câmara. O editorial do Globo abre uma nova ofensiva da imprensa para tentar impedir que essa distorção seja corrigida.

As empresas jornalísticas querem continuar no colinho do Estado.

Luciano Martins Costa



É grave a crise!

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Espaço Público recebe o ministro do STF Marco Aurélio Mello


Em entrevista, ministro do STF Marco Aurélio rejeita impeachment, critica Sérgio Moro e diz que Câmara de Deputados não poderia ter votado, pela segunda vez em 2015, emenda que autoriza financiado privado para partidos



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Telesur entrevista Cafezinho sobre corrupção Fifa-Globo


O correspondente da Telesur no Brasil, Nacho Lemos, entrevistou alguns brasileiros sobre o escândalo de corrupção envolvendo dirigentes da CBF e o homem bomba J. Hawilla, sócio da Globo em várias empresas no Brasil.

Como já foi amplamente noticiado, Hawilla é um bandido confesso, preso pelo FBI nos Estados Unidos, onde ele também operava.

O caso tem gerado intenso debate sobre os direitos de transmissão do futebol brasileiro.

Os clubes brasileiros têm a chance de se libertar da relação assimétrica que mantém com a Globo, na qual estes se endividam cada vez mais enquanto a emissora ganha mais e mais dinheiro.

A matéria lembra que, na Argentina, o governo passou a deter, por lei, todos os direitos de transmissão dos jogos, e repassa os sinais para todos os canais.

Os argentinos podem ver todos os jogos pela internet, gratuitamente. Qualquer canal pode exibir os jogos que desejar.

Enquanto isso, no Brasil, às vezes jogos decisivos não são exibidos, quando isso não interessa à Globo; e os horários dos jogos são absurdamente agendados de acordo com os horários das novelas da emissora.

Além disso, agora se sabe que há um jogo sujo de corrupção por trás desses direitos de transmissão, que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal devem investigar, sem medo.

Este que vos escreve também falou à Telesur. Eu apareço no 1:26 minuto, no vídeo abaixo.

E a TV Brasil? Não vai fazer reportagens mais fortes sobre o escândalo da Fifa, estabelecendo as ligações entre a Globo e J. Hawilla, o homem bomba da Traffic, sócio dos Marinho em inúmeros empreendimentos televisivos?

Ou a TV Brasil também faz parte do cartel mafioso que caracteriza a mídia brasileira, cartel cuja regra número 1 é a proibição de falar em nosso Al Capone?



Miguel do Rosário
No O Cafezinho
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Tatu subiu no pau

Nunca se apurou e se prendeu tanto, o que não acontece quando os criminosos pertencem à tucanagem

O gatuno e atiçador dos cães assassinos da ditadura militar J. M. Marin foi preso na Suíça. Por que não aqui? A resposta cabe à Polícia Federal, Receita e outros órgãos complacentes diante da corrupção de direita. J. Hawilla, da Traffic (que não se perca pelo nome), também está entre os envolvidos e já foi confessando geral. Só no caso dele, a roubalheira pode chegar, por baixo, a quase meio bilhão de reais. Será que os outros membros dessa quadrilha de trafficantes serão presos no Brasil?

Aos 68 anos, vi a tal foto que vale por mil, ou bilhões de palavras: no evento de 1º de Maio da Força (faz força, Paulinho, que a sujeira sai!), quase abraçadinhos sob o pé do flamboayant, Dudu Cucunha e Anéscio Neves, o canibal do avô, cochichavam. Cucunha enfiou o indicador da mão direita na deep narina, enquanto fazia Aócio rir feito Mutley, o cachorro do Dick Vigarista. A chopeidança primou pelos discursos que pediam a cabeça da Dilma. Por isso, um dos seus aliados estava lá, quase osculando o Abóstulo do Terceiro Turno. De vomitar. Aócio chamou Dilma de covarde por ter evitado pronunciamento na telinha. Está exercendo seu direito de livre expressão em uma democracia. Minha opinião é diferente: covarde é marmanjo que, entupido de pó, bate em mulher. Outra frase jocosa foi de FHC I e II: “Nunca se roubou tanto nesse país”. Não, Fernandinho. Nunca se apurou e se prendeu tanto, o que não acontece quando os criminosos pertencem à tucanagem. Taí o mensalão do Azeredo, 20 anos de esbórnia nos trens metropolitanos de São Paulo, escândalos nas privatizações selvagens etc. que não me deixam mentir. Empreiteiros corruptos estão sendo soltos. Banqueiro condenado a 21 anos de cadeia tem a sentença anulada, todos em casa, aliviados, preparando o próximo golpe. A balança da Cegueta precisa de um ajuste fiscal…

O cenário pornopolítico foi dominado pelo massacre dos professores no Paraná. Depois do “prendo e arrebento”, temos Bato Racha, vulgo Beto 9.9 em violência na escala Richa. Bato Racha levou nove dias para se arrepender, e com a frase mais — desculpem, não há outra palavra — escrota que pode brotar da boca de um covarde: “Machucou mais a mim…” O perdigoto não agradou, Racha deu ré e agora aprova de novo a pancadaria sanguinolenta, balas na cara, bombas, pitbulls… Foi um tremendo rasgo na Cortina de Penas do bom-mocismo tucano. Eles são aquilo mesmo. Bato Racha mandou fitas para jornalistas comprovarem a ação de “elementos infiltrados” no protesto. Ninguém encontrou um único agente provocador. Bato Racha é também um deslavado mentiroso.

Estão soltas no pedaço as feras do CCE (Comando de Caça aos Esquerdistas). Parecia que o senadô Lulu Menopausa Nunes dedaria sem luva a próstata do Fachin, em plena sabatina. Dez horas de humilhação. Mas vento que venta pra lá… Uma delação premiada saiu pela culatra: propinas para caixa 2 na reeleição de Bato Racha. Não invadiram a casa do espancador para apreender obras de arte. Afinal, convenhamos, são todos “artistas” medíocres.

Aldir Blanc, compositor
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E se os jogadores de futebol fossem ateus?

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Carta revela que Ricardo Teixeira era sócio secreto do ex-presidente do Barcelona

MISSIVA
Trechos da carta (abaixo) que implica o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira (acima)
com duas empresas. Laço com o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell
Foto: Eduardo Knapp/Folhapress
Documento mostra parceria com Sandro Rosell no período em que o ex-presidente da CBF movimentou meio bilhão de reais

Ricardo Teixeira é um craque. Ele foi presidente da Confederação Brasileira de Futebol, a CBF, por 23 anos, entre 1989 e 2012. Nos últimos quatro anos como cartola, acumulou ainda o cargo de presidente do Comitê Organizador Local da Copa. Nesse mesmo período, Teixeira movimentou em suas contas R$ 464,56 milhões, como Época revelou no dia 1º. Quase meio bilhão de reais. É uma bolada digna de um grande time de futebol — o Flamengo, por exemplo, faturou R$ 347 milhões em 2014. A fortuna movimentada por Ricardo Teixeira foi rastreada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf. A descoberta do Coaf foi incluída num inquérito da Polícia Federal do Rio de Janeiro. Em janeiro, nesse inquérito, a PF indiciou Teixeira por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e falsificação de documento público, conforme revelou a reportagem do site de ÉPOCA. Os investigadores convenceram-se de que ele cometera esses crimes numa operação de compra de um apartamento. Teixeira pagou R$ 720 mil pelo imóvel — mas o preço real era de R$ 2 milhões.

Agora, um documento obtido por Época mostra uma nova linha de investigação. Trata-se de uma carta que aponta Teixeira como sócio oculto de duas empresas, em parceria com um personagem notório do mundo da bola: Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona. É a primeira vez que aparecem evidências de um laço societário entre Teixeira e Rosell. Trata-se de um evidente conflito de interesses. Teixeira chegou a presidir a CBF enquanto Rosell era o dirigente da Nike que cuidava do contrato com a entidade. O empresário Cláudio Honigman, parceiro de Teixeira e Rosell, completa o trio. Rosell e Honigman também foram indiciados pela Polícia Federal em janeiro, no caso do apartamento e outras operações.

Trechos da carta que implica o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira (acima) com duas empresas. Laço com o  ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell (Foto: reprodução)

Os três, segundo a PF, atuavam em conjunto. A carta, apreendida em 2011 pela Polícia Civil do Distrito Federal, foi encontrada no computador de Vanessa Precht, sócia de Rosell. O documento integrou uma investigação no Distrito Federal por causa de um jogo da Seleção Brasileira em Brasília. Em 2008, o governo local contratou uma empresa que tinha Rosell como sócio para promover o evento. A PF do Rio pediu aos colegas que compartilhassem as informações. O material foi parar no inquérito que indiciou Teixeira, Rosell e Honigman no começo do ano.

A carta não tem data ou assinatura. O destinatário é Sandro Rosell. Os investigadores sabem que o remetente é um especialista do mercado financeiro. Ele participou das negociações que menciona e diz que tomou um tombo da turma de Teixeira, Rosell e Honigman. O documento detalha a compra de uma corretora chamada Alpes, em 2008, por algo entre R$ 22 milhões e R$ 25 milhões. Foi uma operação para esquentar o dinheiro da turma, segundo a PF. Na compra da Alpes, segundo o ex-sócio da turma, Teixeira, Rosell e outros dois parceiros ficariam responsáveis por 32% da corretora. Tudo às escondidas, de modo que ninguém soubesse da parceria entre Teixeira, que presidia a CBF, e Rosell, que foi o dirigente da Nike responsável pelo contrato da marca com a CBF. De acordo com o documento, Cláudio Honigman, que atualmente está foragido, brigou e rompeu com o resto do grupo. O autor da carta relata então que Sandro Rosell foi pessoalmente à casa de Teixeira informar sobre a intenção de tirar Honigman do negócio. O denunciante narra que Teixeira recebeu a parte que lhe cabia. Conta que teve de pagar a entrada de um imóvel que o grupo comprou em um shopping do Leblon e o descreve: o valor (R$ 646 mil), o tamanho do escritório (506 metros quadrados), a quantidade de salas (três) e o andar (4º).

A turma não pagou ao investidor o dinheiro que lhe devia. Por isso, o autor ameaçou entregar o verdadeiro dono do negócio: Ricardo Teixeira. Escreve o denunciante, atropelando o bom português e a pontuação: “Me liga o Cláudio novamente me pedindo em nome do Sandro Rosell, para eu assinar pois se não o Inácio iria botar na Justiça. E envolveria o nome do Ricardo Teixeira, através da mulher dele, dona da empresa que ele tinha colocado para ser sócio no percentual do Ricardo, na empresa dona das salas justamente para não aparecer o nome do Ricardo Teixeira”. Uma reportagem da Folha de S.Paulo, de 2013, mostra que uma das empresas de Rosell pagou R$ 2,8 milhões a uma empresa da então mulher de Ricardo Teixeira, Ana Carolina Rodrigues, justamente na venda de salas comerciais no Shopping Leblon, em 2011. Em outras palavras, as informações narradas na carta são corroboradas por documentos comerciais e bancários.

Por duas vezes, o autor da carta, indireta e confusamente, cita outra possível sociedade oculta de Ricardo Teixeira: na Brasil 100% Marketing. No papel, é meramente uma empresa de marketing esportivo, cujos donos eram Cláudio Honigman e Sandro Rosell. Ela promovia amistosos da Seleção Brasileira. “O Ricardo Teixeira estaria em Londres para uma reunião sobre a corretora, pois neste momento Cláudio e Sandro falaram que tinham convidado Ricardo para reunião de sócios neste novo negócio, fora a Brasil 100, onde eles já eram sócios no futebol através dos dois.” Em outro trecho, o autor volta a mencionar a Brasil 100% Marketing — desta vez, revelando a razão da briga de Honigman com o resto da turma. “Conversei durante 15 minutos com Sandro e ele veio me perguntar o que tinha havido, pois ele agora estava achando a história do Cláudio muito estranha já que ele tinha descoberto que o Cláudio tinha dado um desfalque na Brasil 100, empresa dele, do Ricardo Teixeira e do Cláudio Honigman.”

Tanto a Alpes quanto a Brasil 100% Marketing são citadas no inquérito da Polícia Federal finalizado no início deste ano. Agora, cabe ao Ministério Público Federal decidir se oferece denúncia contra os envolvidos. O advogado de Sandro Rosell, Antenor Madruga, disse que “toda atuação de Sandro Rosell no Brasil foi estritamente legal e ele explicará qualquer dúvida nas instâncias apropriadas, como tem feito em todas as oportunidades”. Madruga ressaltou que Rosell foi absolvido na ação de improbidade promovida pelo Ministério Público do Distrito Federal pelo jogo da Seleção. Pessoas próximas a Rosell disseram que a negociação na Alpes não prosperou. Ricardo Teixeira e Cláudio Honigman não foram localizados. A Alpes Corretora disse que não tem relação com o caso e que Honigman é ex-funcionário. À PF, a corretora afirmou que nunca fez negócios com Teixeira.

Como é a primeira vez que aparecem evidências de um laço societário entre Teixeira e Rosell, isso pode agravar o peso das acusações contra os dois. Indica que eles agiam em sintonia. As informações da carta e do inquérito da PF mostram que Teixeira era não só beneficiário, como operador do esquema. Em miúdos, mostram Teixeira cruzando, cabeceando, defendendo, apitando. E comemorando gols que rebaixaram o futebol brasileiro.

Como a CBF foi mantida com o apoio de dirigentes regionais acusados de corrupção (Foto: Revista ÉPOCA)
O NEGÓCIO A CBF, que tem a Seleção Brasileira como seu produto mais valioso, organiza os principais torneios: Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Copa Verde (Foto: Revista ÉPOCA)
OS ALIADOS Entre os 27 presidentes de federações, 13 já tiveram problemas com a Justiça. Alguns casos envolvendo os dirigentes (Foto: Revista ÉPOCA)
Capa edição 887 (Foto: época )
Filipe Coutinho
No Época
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Caras de pau-brasil


Foi preciso que o FBI entrasse em cena para desencadear o escândalo do futebol. Porque, se dependesse do governo, da mídia, dos torcedores... Bem, deixemos para lá

José Maria Marin foi detido na Suíça
Pedro Martins
O mundo se curva, o Brasil docet, diriam os antigos romanos. Ensina, leciona de cátedra. Não somos por acaso o país do futebol, a pátria de chuteiras. Em matéria, há tempo deixamos de ser os reis da bola, somos, porém, imbatíveis no gramado da corrupção.

Tudo escancarado há mais de 40 anos, sem ser denunciado e punido. A imponente mazela perpetrada em todos os campos do futebol nativo, a falcatrua constante, o engodo feroz, são vergonhosamente ignorados até pela mídia, esportiva ou não, com raríssimas e digníssimas exceções. Quando não são secundados, ou mesmo incentivados.

Tudo começa, no plano internacional, com João Havelange, dono da Fifa desde 1974, e chega agora a José Maria Marin. Na origem e no desenvolvimento os protagonistas nativos campeiam, graças à inestimável contribuição, com efeitos determinantes no cenário nacional por uma época farta, de Ricardo Teixeira, antecessor de Marin, autoexilado, para salvar a pele, em Boca Raton, paradeiro de nome bastante persuasivo. Nem por isso, seguro, a esta altura do campeonato.

Criatura de Havelange, de quem já foi genro, Teixeira corre riscos até ontem inesperados: entrou no enredo o FBI, aquele que a gente se acostumou a ver triunfar na televisão, e Marin, finalmente alcançado na Suíça, uma vez deportado para os Estados Unidos, lá será julgado e condenado com o rigor de quem leva as coisas a sério. Parece que Teixeira caiu na brasa.

Não haverá um Gilmar Mendes ianque para tirar da enrascada os envolvidos na grande tramoia. Como se deu, só para citar um exemplo, com o banqueiro Daniel Dantas, alcançado pela Operação Satiagraha, preso duas vezes e duas vezes libertado pela intervenção de Mendes, capaz, aliás, de emperrar o funcionamento da Suprema Corte brasileira em proveito dos seus próprios objetivos públicos.

Há certo parentesco entre os casos, a se considerar que Dantas já foi condenado fora do País, em Nova York, em Cayman e em Londres, enquanto aqui na terrinha pode-se permitir viver à larga em perfeito sossego. Desde a clamorosa roubalheira-bandalheira da privatização das comunicações, o maior escândalo da história pátria, até o enterro da Satiagraha e o desterro do delegado Paulo Lacerda para Portugal.

Não recordo que por ocasião destes dois momentos da trajetória de Dantas a mídia nativa tenha entrado em ação para martelar diuturnamente em denúncias e acusações como se dá hoje em relação ao “petrolão”. Do período que vai da Operação Chacal à Satiagraha sobrou a constrangedora impressão de que o banqueiro do Opportunity vive em paz por ter todo mundo no bolso.

A diferença entre Marin, e quantos mais vierem atrás dele, e Dantas, é representada, em primeiro lugar, pela presença do FBI, sem contar que logo após virá a Justiça americana, e os EUA são muito severos em relação à lavagem de dinheiro dentro de suas fronteiras. Por ora, Joseph Blatter, o presidente da Fifa, e outros, estrangeiros e nacionais, todos herdeiros diretos ou indiretos de Havelange, escapam aparentemente à investigação do Federal Bureau. Não se excluam surpresas, contudo.

Faz duas semanas, CartaCapital dedicou uma capa à CBF de Marco Polo Del Nero. A Confederação queixou-se, alegou não ter sido procurada para dirimir nossas dúvidas, como se não estivéssemos largamente habilitados a imaginar quanto tería-

mos de ouvir. Retrucamos, de todo modo, que muito nos agradaria entrevistar o próprio presidente da entidade, com total liberdade para formular perguntas. Não houve resposta.

Sabemos que na terra brasilis, os donos de poder, em qualquer instância, são intérpretes insuperáveis de uma secular tradição de desfaçatez, prepotência e hipocrisia na certeza da impunidade por direito divino. São os caras de pau-brasil. O futebol, está claro, entre nós não é assunto de somenos, e algo intrigante é a razão por que, sempre a ficar em meros exemplos, as partidas noturnas tenham necessariamente de acontecer depois da novela da Globo. Ah, sim, a Globo... Quanto valerão tantas benesses que lhe foram concedidas?

E é possível que o governo federal, hoje representado por um ministro do Esporte inepto, não intervenha nos gramados da política do futebol, entregue a uma máfia de cartola? Permito-me lembrar que a seleção canarinho adentra aos gramados do mundo ao som do Hino Nacional.

Mino Carta
No CartaCapital
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A soberania e o Banco dos Brics

http://www.maurosantayana.com/2015/06/a-soberania-e-o-banco-dos-brics.html

O Senado Federal aprovou, esta semana, a constituição do Novo Banco de Desenvolvimento, o chamado Banco dos BRICS, formado pelos governos do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, com capital final previsto de 100 bilhões de dólares. A Câmara dos Deputados já havia dado sua autorização para a participação do Brasil no projeto, além da constituição de um fundo de reservas para empréstimos multilaterais de emergência também no valor de 100 bilhões de dólares.

Fazer parte do Banco dos BRICS, e do próprio grupo BRICS, de forma cada vez mais ativa, é uma questão essencial para o Brasil, e para a sua inserção, com alguma possibilidade de autonomia e sucesso, no novo mundo que se desenha no Século XXI.

Neste novo mundo, a aliança anglo-norte-americana, e entre os Estados Unidos e a Europa, que já por si não é monolítica, cujas contradições se evidenciaram por sucessivas crises capitalistas nestes primeiros anos do século, está sendo substituída, paulatinamente, pelo deslocamento do poder mundial para uma nova Eurásia emergente — que não inclui a União Europeia — e, principalmente, para a China, prestesa ultrapassar, em poucos anos, os EUA como a maior economia do mundo.

Pequim já é, desde 2009, o maior sócio comercial do Brasil, e também o maior parceiro econômico de muitos dos países latino-americanos.

A China já é, também, a maior plataforma de produção industrial do mundo.

Foi-se o tempo em que suas fábricas produziam artigos de duvidosa qualidade, e, hoje, suas centenas de milhares de engenheiros e cientistas — mesmo nas universidades ocidentais é difícil que se faça uma descoberta científica de importância sem a presença ou a liderança de um chinês na equipe — produzem tecnologia de ponta que, muitas vezes, não está disponível nem mesmo nos mais avançados países ocidentais.

Nesse novo mundo, a China e a Rússia, rivais durante certos períodos do século XX, estão se preparando para ocupar e desenvolver, efetivamente, as vastas estepes e cadeias de montanhas que as separam e os países que nelas se situam, construindo,nessa imensa fronteira, hoje ainda pouco ocupada, dezenas de cidades, estradas, ferrovias e hidrovias.

A peça central desse gigantesco projeto de infraestrutura é o Gasoduto Siberiano.

Também chamado de Gasoduto da Eurásia, ele foi lançado em setembro do ano passado em Yakutsk, na Rússia, e irrigará a economia chinesa com 38 bilhões de metros cúbicos de gás natural por ano, para o atendimento ao maior contrato da história, no valor de 400 bilhões de dólares, que foi assinado entre os dois países.

Nesse novo mundo, a Índia, cuja população era massacrada, ainda há poucas décadas, pela cavalaria inglesa, possui mísseis com ogivas atômicas, é dona da Jaguar e da Land Rover, do maior grupo de aço do planeta, é o segundo maior exportador de software do mundo, e manda, com meios próprios, sondas espaciais para a órbita de Marte.

E o Brasil, que até pouco tempo, devia 40 bilhões de dólares para o FMI, é credor do Fundo Monetário Internacional, e o terceiro maior credor externo dos Estados Unidos.

Manipulada por uma matriz informativa e de entretenimento produzida ou reproduzida a partir dos EUA, disseminada por redes e distribuidoras locais e pelos mesmos canais de TV a cabo norte-americanos que podem ser vistos em muitos outros países, a maioria da população brasileira ignora, infelizmente, a existência desse novo mundo, e a emersão dessa nova realidade que irá influenciar, independentemente de sua vontade, sua própria vida e a vida da humanidade nos próximos anos.

Mais grave ainda. Parte da nossa opinião pública, justamente a que se considera, irônica e teoricamente, a mais bem informada, se empenha em combater a ferro e fogo esse novo mundo, baseada em um anticomunismo tão inconsistente quanto ultrapassado, que ressurge como o exalar podre de uma múmia, ressuscitando, como nos filmes pós-apocalípticos, milhares de ridículos zumbis ideológicos.

Os mesmos hitlernautas que alertam para os perigos do comunismo chinês em seus comentários na internet e acham um absurdo que Pequim, do alto de 4 trilhões de dólares em reservas internacionais, empreste dinheiro à Petrobras, ou para infraestrutura, ao governo brasileiro, usam tablets, celulares, computadores, televisores de tela plana, automóveis, produzidos por marcas chinesas, ou que possuem peças “Made in China”, fabricadas por empresas estatais chinesas ou com capital público chinês do Industrial &Commercial Bank of China, ICBC, o maior banco do mundo.

Filhos de fazendeiros que produzem soja, frango, carne de boi, de porco, destilam ódio contra a política externa brasileira, assim como funcionários de grandes empresas de mineração, quando não teriam para onde vender seus produtos, se não fosse a demanda russa e, em muitos casos, a chinesa.

Nossas empresas com negócios no exterior são atacadas e ridicularizadas, como se só empresas estrangeiras tivessem o direito de se instalar e de fazer negócios em outros países, inclusive o nosso, para enviar divisas e criar empregos, com a venda de serviços e equipamentos, em seus países de origem.

É preciso entender que ao formar uma aliança estratégica com a Rússia, a China, a Índia e a África do Sul, o Brasil não precisa, nem deve, necessariamente, congelar suas relações com os Estados Unidos ou a União Europeia.

Mas poderá, com eles, negociar em uma condição mais altiva e mais digna do que jamais o fez no passado.

É nesse sentido que se insere a aprovação do Banco dos BRICS pelo Congresso.

Apesar de termos escalado, desde 2002, sete posições entre as maiores economias do mundo, a Europa e os EUA se negam, há anos, a reformular o sistema de quotas para dar maior poder ao Brasil, e a outros países dos BRICS, no FMI e no Banco Mundial.

Se não quiserem que não o façam. Como mostra o Banco dos BRICS, podemos criar as nossas próprias instituições financeiras multilaterais.

Os BRICS, têm, hoje, como grupo, não apenas o maior território e população do mundo, mas também mais que o dobro das reservas monetárias dos EUA, Japão, Alemanha, Inglaterra, Canadá, França e Itália, somados.

O que incomoda os Estados Unidos e a Europa, e os seus prepostos, no Brasil, não é o suposto comunismo ou “bolivarianismo” do atual governo, mas o nacionalismo possível, até certo ponto tímido, politicamente contido, e sempre combatido, dos últimos anos.

Existe uma premeditada, permanente, hipócrita, subalterna, entreguista, pressão, que não se afrouxa, voltada para que se abandone uma política externa minimamente independente e soberana, que possa situar o Brasil, geopoliticamente, frente aos desafios e às oportunidades do mundo cada vez mais complexo e competitivo do século XXI.
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Irina Shayk amiga íntima de Blatter

Ex-namorada de Cristiano Ronaldo


Irina Shayk terá sido uma das muitas conquistas de Joseph Blatter, presidente demissionário da FIFA. O nome da ex-namorada de Cristiano Ronaldo surge numa lista extensa que o jornal espanhol "El Mundo" divulgou esta semana. Vejamos.

Além da manequim russa — que terá estado envolvida com Blatter bem antes da sua relação com Ronaldo —, a suíça Linda Barras, mãe de dois dos seus filhos, a polaca Ilona Boguska, Graziella Biana, Liliana Biner ou Barbara Kaser terão sido as conquistas do homem que, segundo o autor do livro "Sepp, o rei do mundo do futebol", é um "tipo encantador".

"O êxito que tem com as mulheres prende-se com o facto de ele ser um tipo encantador, que sabe como abordar as mulheres. Quando se trata de mulheres, não procura concretamente mentes brilhantes; interessa-se sobretudo com o brilho", afirmou à publicação Bruno Affentranger.

No Record



Sepp Blatter, con su primera esposa Liliane y su hija Corinne; con su tercera mujer Graziella y con su pareja sentimental durante muchos años, Ilona. Abajo a la derecha, junto a Linda, su posible nueva novia, y a la izquierda, ésta con su marido e hija.
Sepp Blatter, com sua primeira esposa Liliane e sua filha Corinne; com sua terceira esposa Graziella e sua companheira por muitos anos, Ilona. Abaixo, à direita, junto com Linda, sua possível nova namorada, e à esquerda, esta com seu marido e a filha.
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Por que a Globo não cobre os escândalos do futebol, segundo Ricardo Teixeira

Eles
Depois que o Jornal Nacional dedicou 14 minutos ao escândalo da Fifa no dia em que ele estourou, a cobertura do caso na Globo foi mirrando.

A renúncia de Blatter foi praticamente ignorada, embora houvesse uma chamada dos apresentadores para “as novidades da investigação”. Não havia novidade alguma, a não ser o fato de que Blatter admitia não ter apoio para continuar.

O modo como a emissora fala da roubalheira no futebol evidencia sua saia justa diante da situação de cumplicidade. Isso vem de longa data, evidentemente. E quem foi mais explícito sobre essa relação delicada foi o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira.

Em 2011, a revista Piauí publicou uma longa e reveladora matéria com Teixeira. Ele e a repórter Daniela Pinheiro se encontraram em Zurique dez vezes. O entrevistado fala muito e de quase tudo, mas o assunto principal é sua relação íntima com a TV Globo (em contraposição a seu ódio mortal do valente jornalista inglês Andrew Jennings, autor das reportagens mais devastadoras sobre a corrupção no esporte).

“Só jornalista fala mal de mim”, diz. Não os da Globo. Se orgulha por que sua parceira não repercute as denúncias de irregularidades. “Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional”, afirma.

Um empresário lhe confidencia que tinha receio de ser entrevistado sobre pacotes de viagem para a Copa de 2014 e lhe indagarem sobre “preços estratosféricos”. Ele já combinara tudo. “Não vai ter isso, não: está tudo sob controle”, declara o cartola.

A blindagem de RT contribuiu para a prosperidade de ambos. Daniela faz referência a um Globo Repórter, (assista abaixo), sobre a CPI da Nike em que se deixava claro que o estilo de vida do empresário era incompatível com sua suposta renda. Ele dá o troco alterando o horário de uma partida entre Brasil e Argentina. Segundo Teixeira, aquela foi a última ocasião em que saiu uma matéria negativa sobre a CBF.

“Quanto mais tomo pau da Record, fico com mais crédito na Globo”, afirma. “Em 2014 posso fazer a maldade que for. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada”.

Depois de um longo e tenebroso inverno, com a pressão do FBI no cangote, a Polícia Federal resolveu indiciar Ricardo Teixeira por quatro crimes: lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e falsificação de documento público. A Justiça americana apura contratos possivelmente fraudulentos entre ele e o secretário geral Jérome Valcke.

Fica a dúvida se a lei do silêncio da Máfia vai sobreviver a esse novo capítulo.

Kiko Nogueira
No DCM

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Andrew Jennings: O futebol brasileiro não deveria ir ao congresso de Blatter

Para jornalista britânico, a Fifa está morta e enterrada. Agora é hora dos torcedores tomarem conta do futebol

Blatter teria que sair de uma maneira ou de outra. Mas o que ele fez, anunciando que renunciaria, foi como se o bicheiro Castor de Andrade, quando preso no Rio de Janeiro em 1994, dissesse à polícia: “Certo, eu vou estar muito ocupado nos próximos 4 ou 5 meses, mas posso marcar uma reunião com vocês e meus advogados depois disso”. A resposta obviamente seria: “Entre no carro senhor Andrade”.

A ideia de que os mafiosos de Blatter em Zurique estão organizando a sucessão é de tirar o fôlego.

Basta dar uma olhada na coletiva de imprensa de Blatter e na declaração de Domenico Scala: “fizemos várias reformas e vamos fazer mais algumas”. Eles não fizeram reforma nenhuma! É uma mentira. E Scala é um dos seus capangas intelectuais pagos escalados para organizar um congresso. Bem. Apenas duas palavrinhas e uma delas é “off” em inglês. Você sabe qual é a primeira!

Eles não podem organizar um congresso, o mundo do futebol deveria organizá-lo, não Blatter e seus escroques. Acho que os torcedores brasileiros deveriam dizer “O futebol brasileiro não deve ir ao congresso final de Blatter”. Vocês não deveriam se envolver com esse absurdo.

Acho que Luis Figo é um cara legal, um grande jogador de futebol, mas essa fase já passou. Não é hora de escolher candidatos, temos que ter uma outra estrutura, em primeiro lugar, com transparência e liberdade de informação. Essa eleição vai ser completamente roubada, assim como a outra foi roubada.

Como em muitos outros países, vocês, brasileiros, foram traídos pelos seus líderes, os Marins e Teixeiras. Mas no Brasil há milhões de pessoas honestas que também são torcedores de futebol. Sabemos que não precisamos desse mar de lama no Rio. Não precisamos deles. As torcidas podem eleger seus próprios líderes e dizer: não vamos participar disso. E se a CBF quiser ir para o congresso, que vá, mas não os deixem entrar no país quando voltarem. Eles que fiquem na Suíça.

Que espetáculo maravilhoso!

A Fifa deveria ser completamente desmantelada. Ela fede, está morta e enterrada. Foi o que as últimas eleições mostraram. Não havia eleitores reais, eles foram pagos para votar. Vieram de países inexpressivos, que recebem milhões de dólares por ano de Sepp Blatter que vieram dos ingressos da Copa do Mundo que pertencia aos brasileiros. Claro que eles o amam! Ele cuida deles, faz com que enriqueçam e, em troca, eles dão seu voto. Por isso não! Queremos torcedores de todos os lugares votando.

Os “torcedores” — eu lembro dessa palavra apesar do meu péssimo português — deveriam organizar uma conferência em cada um dos estados, e mandar delegados para que democraticamente discutissem que tipo de Fifa queremos. Apenas mudem o nome, deixem Fifa pra lá. Vamos chamar de “Sindicato do Futebol”, que é mais simpático. Ou, Sindicato do Futebol Limpo.

Apenas imaginem — deixando de lado o 7×1 que não vamos comentar — uma das maiores nações futebolísticas do mundo, vocês, sentando-se com os alemães, outra grande nação do futebol, e mandem os torcedores, não esses picaretas, Teixeira, Marin, Del Nero. Digam: “Não queremos vocês aqui. Vamos reunir nossos torcedores. Não tentem nos impedir”.

Porque vocês deveriam jogar esse jogo? Agora eles nem são mais o tirano que os ameaça com o punho: “Façam como mando ou eu te arrebento a cara”. Agora eles são tipo: “com licença, por favor, vocês poderiam nos apoiar”. Acho que se 50 torcedores de futebol chegassem ao portão em Zurique veriam os ratos correndo para os fundos.

Em todo mundo há organizações de torcedores: na Europa, na Escócia, na Inglaterra. Eles são gente decente. Eles deveriam fazer planos juntos. E pedir para ONU apoiá-los para fazer uma conferência em outro lugar! Então os torcedores assumiriam o controle e dizer: “Todos esses caras bem pagos de Zurique podem ficar por lá”. Porque nós não queremos ir para aí. Não queremos que vocês administrem nada. Vocês nos traíram e não queremos papo com vocês. Vamos simplesmente enxotá-los.

Esses acontecimentos recentes deveriam ter como consequência o fortalecimento dos torcedores para que eles passassem a desempenhar um papel importante. Agora vocês têm muito mais condições de acabar com esses jogos de resultados previamente combinados. Porque os torcedores não puderam fazer nada contra isso. Agora os torcedores podem dizer: “Deixa pra lá, já sabemos quem vocês são”. Isso dá poder aos trocedores. Por que não? Essa porra de jogo é dos torcedores, não é o jogo do Sepp Blatter, nem do Del Nero.

Vocês não vão deixar esses bandidos tomarem conta das investigações a menos que vocês sejam o Castor de Andrade de 20 anos atrás no Rio de Janeiro. Sabemos que os gangsters de todos os países compram a polícia. Mas não dessa vez, queridos. Não dessa vez.

No Pública
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Diretor diz que Fifa pagou € 5 mi para Irlanda não ir à Justiça por mão de Henry




A crise da Fifa ganhou mais um episódio controverso nesta quinta-feira. O diretor executivo da Federação Irlandesa de Futebol, John Delaney, afirmou que sua entidade recebeu dinheiro para não reclamar na Justiça contra um toque de mão do francês Thierry Henry em jogada que terminou com gol contra a seleção da Irlanda.

O lance aconteceu no dia 18 de novembro de 2009, pela repescagem da Copa do Mundo de 2010. Henry deu um claro toque de mão na bola na jogada que terminou com gol de Gallas. O árbitro sueco Martin Hansson não viu a irregularidade, e os Bleus se classificaram para o Mundial, eliminando os irlandeses.

Agora, em entrevista à rádio RTE, Delaney disse que a Federação Irlandesa cogitava buscar a Justiça, mas acabou recebendo um valor que seria como empréstimo, que nunca precisou ser pago. O presidente Joseph Blatter teria participado da decisão. Porém, o dirigente irlandês não confirma o montante, que seria de 5 milhões de euros.

A Fifa, por sua vez, rebateu a declaração do diretor executivo, alegando que se tratava apenas de um empréstimo. No entanto, o valor nunca foi devolvido à entidade máxima do futebol mundial.
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Racismo, mídia e a carta de Porto Alegre

A mídia brasileira tem de nacional apenas o fato de que seus proprietários, por um acaso, nasceram aqui, mas a mentalidade é colonial. E assim, nas TVs, na publicidade, nos filmes, o padrão físico dominante deve seguir um modelo europeu, que retrata pobremente as multifacetadas e maravilhosas belezas do Brasil e da América Latina, pois tudo passa pelo filtro de uma visão de mundo burguesa e elitista.

“Sempre que venho ao Brasil, assisto à TV para ver como o país se representa. Pela TV brasileira, nunca seria possível imaginar que sua população é majoritariamente negra”, disse a famosa ativista estadunidense Angela Davis, ao visitar o país em 2014. O distanciamento da mídia hegemônica em relação à realidade concreta do povo é enorme e sua visão de mundo, tão pasteurizada, que produz coisas como o livro “Não somos racistas” de autoria do diretor nacional de jornalismo do Sistema Globo, Ali Kamel.

Racismo e vida real

Apesar de, formalmente, o discurso midiático contra o racismo ser uma regra, na prática a visão elitista que predomina transforma a condenação do racismo em um gesto meramente simbólico, com pouco conteúdo real. No caso, por exemplo, de um diretor nacional de jornalismo que diz não existir racismo no Brasil a situação é ainda mais evidente, pois como vai se combater o que não existe?

O grupo de mídia sul-africano Naspers, que foi um dos sustentáculos do apartheid, controla 30% do grupo Abril, editora da revista Veja. Neste último mês de maio, ironicamente o mês em que se comemora a abolição dos escravos, a 12ª turma do Tribunal Regional de São Paulo manteve a condenação do jornal Folha de S. Paulo, por racismo. Segundo o portal Comunique-se, em notícia que também foi reproduzida pelo Portal Vermelho, “a decisão foi unânime entre os desembargadores da 12ª Turma do Tribunal Regional de São Paulo”. Segundo o Juiz Jorge Eduardo Assad, o jornal permitiu que seus funcionários trocassem mensagens “com piadinhas sobre raça, cor ou etnia (...) mas nada fez para impedir a prática”. Em sua defesa, a Folha alegou que o caso se tratava de uma simples “brincadeira” entre os funcionários.

Racismo – De brincadeira em brincadeira...

Assim, de brincadeira em brincadeira, o discurso mais comum dos racistas, hoje em dia, começa com “eu não sou racista, mas...” ou uma variante “eu tenho muitos amigos negros, mas...”. Este tipo de hipocrisia é o espelho fiel de uma mídia hegemônica que reproduz integralmente os vícios e preconceitos da elite da qual é porta-voz. Não surpreende, portanto, quando a própria imprensa empresarial se vê confrontada com opiniões que raiam o absurdo, como esta carta (abaixo) publicada pelo jornal Zero Hora de Porto Alegre (RS), neste último domingo (31), onde o leitor contesta um colunista do periódico que havia apoiado a política de acolher refugiados do Haiti e de outros países.

A carta espelha a contradição de uma mídia que vive promovendo pequenas campanhas “contra o preconceito” ao mesmo em que o grosso de sua programação reforça o estigma e o estereótipo. Como se sabe, de nada adiantam bons desejos sem uma prática correspondente ou, como diz o poeta, pouco vale a “distância entre intenção e gesto”. A carta de Porto Alegre, que está longe de ser um exemplo isolado, revela um alarmante grau de atraso cultural e civilizacional que, infelizmente, só tende a aumentar se não formos capazes de promover uma real democratização da comunicação que tenha, como primeira e salutar iniciativa, criar mecanismos que estimulem a mídia a se autocriticar e a refletir sobre sua própria prática.


Dilma: A redução da maioridade penal é um fato gravíssimo

A coluna Painel da edição desta terça-feira (2) do jornal Folha de S. Paulo diz, citando fontes “petistas”, que a presidenta Dilma Rousseff não se posiciona claramente contra a redução da maioridade penal pois lidera um governo “fragilizado”. Se o jornal Folha de S. Paulo de vez em quando resolvesse fazer jornalismo, poderia ter evitado esta “barriga” de sua mais importante coluna. 

O jornal, por questões ideológicas, não fez a cobertura de um fato relevante do mundo político que foi a 10ª Conferência Nacional do mais antigo partido em atividade no Brasil, o PCdoB, que aconteceu em São Paulo nos dias 29, 30 e 31 de maio. A Folha, como os demais órgãos da mídia hegemônica, boicotou o encontro dos comunistas, e não assistiu à veemente condenação da presidenta Dilma à proposta de redução, feita em discurso no ato de abertura da Conferência no dia 29 de maio, portanto cinco dias antes da informação furada do Painel. Assista ao vídeo com o trecho do discurso em que Dilma aborda o tema:



Petrobras: O retumbante sucesso de uma empresa “moribunda”

A mídia hegemônica vaticinou e muita gente acredita: “Dilma acabou com a Petrobras”. No entanto, a estatal lançou recentemente no mercado US$ 2,5 bilhões em títulos com vencimento em cem anos. Só uma empresa com grande futuro e credibilidade poderia atrair investimentos deste tipo. Se alguém perguntasse a opinião de Míriam Leitão, Merval Pereira ou a de qualquer outro colunista amestrado, sobre este investimento, desistiria na hora. 

Mas até os executivos que adoram ler as colunas golpistas desta gente sabem que eles não fazem análise econômica ou conjuntural, travam tão somente a luta política. Ninguém os leva a sério para tomar qualquer tipo de decisão estratégica. Todos os títulos disponíveis foram comprados e o mercado mostrou apetite para quatro vezes mais. O único jornal que deu na capa a informação, na edição desta terça-feira (2), foi o Valor Econômico: “Bônus de cem anos dá US$ 2,5 bi à Petrobras”. E isso por que, segundo a mídia hegemônica, a Petrobras está quebrada. Quando estiver saudável vai lançar o bônus de mil anos. Aí pode ser que algum colunista amestrado compre, achando que tem a ver com o 3º Reich.

Do Notas Vermelhas
Altamiro Borges
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Quem é o boçal que atacou um imigrante haitiano e por que ele não está na cadeia

Barbosa
O nome dele é Daniel Barbosa. Tem 42 anos, é “gerente de vendas”, consome Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo e Danilo Gentili no Facebook, mora na região metropolitana de Porto Alegre, é evangélico e é um boçal.

Mais do que um boçal, é um criminoso.

Barbosa aparece num vídeo que viralizou importunando um haitiano num posto de gasolina. O frentista está enchendo um tanque quando ele o intimida com um interrogatório maluco sobre o desemprego no Brasil e como ele tinha “sorte”.

Para a câmera, operada por um cúmplice, Daniel fala da invasão bolivariana, do comunismo e de como o sujeito faria parte de um exército do “Foro de São Paulo”.

O Foro de São Paulo é o último refúgio do canalha, como diria Samuel Johnson.

Em sua cabeça convoluta, Barbosa acha que quem vem do Haiti tem como objetivo criar a “Pátria Grande”. O passo seguinte é o negro invadir a casa dele, fazer reforma agrária em sua samambaia, fumar maconha em seu quarto e fornicar com sua mulher.

Na filmagem, ele está vestindo o uniforme camuflado do Bope, a tropa de elite da polícia do Rio de Janeiro imortalizada por Wagner Moura. “Aqui tem um dos milhares de haitianos trazidos pelo governo comunista da Dilma Rousseff enquanto milhares, só no mês passado, perderam o emprego no Brasil. Parabéns, irmão, você é muito competente. Aqui no Brasil, são todos incompetentes”, diz ele.

Questiona também o rapaz sobre o treinamento militar que ele teria. Diante da negativa, sai com uma conversa insana: “Vocês estão vendo como funciona o negócio? Meu irmão, a gente já está em guerra”.

Barbosa faz parte de um grupo chamado Cruzada pela Liberdade, bando de desocupados de extrema direita cujo lema é “lutar contra a corrupção”. Esteve em todas as manifestações anti Dilma, acredita em intervenção militar, é fã de Kim Kataguiri.

Enfim, é uma besta. Mas não uma besta inofensiva e nem uma exceção.

Deveria estar na cadeia. A lei nº 7 716, de 5 de janeiro de 1989, em seu artigo 1º, diz que “serão punidos os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Portanto, isso engloba a conduta de segregar estrangeiros, que vem a ser delito inafiançável e imprescritível de acordo com a Constituição, artigo 5º, inciso XLII.

É, de certa forma, um tipo novo de animal por aqui. O Brasil que se orgulhou de receber italianos, judeus, alemães, portugueses etc tem agora um espécime que não fazia parte da nossa fauna: o xenófobo, eventualmente filho ele mesmo de imigrantes.

Quanto tempo até um depravado como Daniel Barbosa linchar um haitiano? Eu diria pouco. Pouquíssimo.



Kiko Nogueira
No DCM

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