4 de jun de 2015

Havelange, o João



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A Editora Abril agoniza em praça pública

Um disparate
Em 1989, a revista Veja deu uma capa que provocou uma barulhenta polêmica.

Cazuza estava morrendo de AIDS, e seu emagrecimento avassalador vinha sendo acompanhado por todos em fotos. Na etapa final, Cazuza parecia uma caveira.

A capa da Veja estampava Cazuza na etapa final com a seguinte chamada: agonia em praça pública.

A Veja matou em vida Cazuza.

Era um tempo em que os autores não assinavam textos na Veja. Aos curiosos, quem escreveu o texto final foi Mario Sergio Conti, um dos jornalistas mais maldosos que conheci. (Hoje, MSC faz os espectadores dormir num programa de entrevistas na Globonewzzzzzzzz.)

Bem, mas o que eu ia dizer é que, passados cerca de 25 anos, a Veja poderia dar uma outra capa na mesma linha agônica.

Apenas, em vez de Cazuza, o personagem seria a Editora Abril, que publica a Veja.

A Abril parece também estar com AIDS, não na versão controlável de hoje, mas no modelo fatal dos dias de Cazuza.

O emagrecimento da editora é extraordinário.

Nesta semana, no que já se tornou uma rotina, mais revistas foram fechadas (ou despachadas para a semimorte na Editora Caras, da qual os Civitas são sócios) e mais demissões foram feitas.

Entre alguns ex-abrilianos, houve uma comoção.

No Facebook, uma jornalista veterana que trabalhou mais de vinte anos na Abril postou a informação e disse que sentia vontade de chorar.

Mas ponderaram a ela que a Abril de hoje em nada parece com a Abril de um passado já remoto.

A alma da empresa se transformou, ou se revelou, ainda não tenho meu diagnóstico definitivo, mesmo tendo passado 25 anos na empresa.

A Abril é maligna.

A Veja faz mal ao país. Pratica um jornalismo criminoso — ou de exceção, como definiu seu diretor Eurípides Alcântara, seja lá o que isso representa.

Mente, distorce, estimula o ódio e a divisão entre os brasileiros. Investe sem pudor nenhum contra a democracia, como se viu na capa lançada um dia antes do segundo turno das últimas eleições. O único objetivo era interferir, com um golpe sujo, no resultado.

A Veja se infestou de discípulos de Olavo de Carvalho, o que significa uma visão de mundo ultraconservadora, homofóbica e outras coisas sinistras do repertório dos olavetes.

A ex-abriliana chorosa se confortou quando lhe foi dito, por algumas pessoas, que já não era a Abril dela.

Ela reconheceu que já não lia nada da Abril fazia muito tempo, por discordar inteiramente da linha da Veja e da empresa. “Sequer em consultório de dentista”, afirmou.

A Veja matou Cazuza en vida em 1989
A Veja matou Cazuza em vida em 1989
A Abril agoniza em parte como resultado da emergência da Era Digital, e em parte como fruto da inépcia de seus donos.

Como um dinossauro, a editora não conseguiu se adaptar aos novos tempos. Demorou para aceitar que a internet ia engolir a mídia impressa (e as demais, como agora ficou claro).

Numa de minhas últimas conversas com Roberto Civita, pouco antes de eu sair da Abril, ele me perguntou, aflito: “Onde estão as fotos como as da Life?”

Ora, elas estavam, e estão, na internet, mas Roberto não conseguia enxergá-las.

Hoje, você vê a Abril fazendo bobagens extraordinárias na internet. Uma das maiores, e escrevi sobre isso, é a TVeja.

Veteranos jornalistas têm conversas intermináveis sob uma câmara em geral estática, numa negação completa à cultura digital.

No canal da TVeja no YouTube, você encontra os resultados desse voo cego. Visualizações miseráveis, às vezes na casa das dezenas.

É claro que ninguém da Veja e da Abril se deu ao trabalho de pesquisar melhores práticas mundiais de tevê no jornalismo digital.

Quanto dura a agonia?

Revistas têm consistentemente cada vez menos leitores e cada vez menos anunciantes.

Como carruagem ou filmes para máquinas fotográficas, revistas se transformaram num produto em extinção.

E o que Abril sabe, ou sabia, fazer era revistas.

É previsível que num prazo entre curto e médio sobrem do quilométrico portfólio da Abril umas três ou quatro revistas, e mesmo assim condenadas, elas também, à morte.

Veja, Exame, talvez a Claudia, talvez a 4 Rodas, e vamos parando.

Um próximo passo inevitável vai ser a saída do caro prédio da Marginal do Pinheiros.

A Abril alugava as duas torres. Já devolveu uma, e não deve tardar a entregar a outra também.

Quanto aos funcionários, os que sobreviveram aos cortes recentes sabem que podem perfeitamente estar no próximo. E isso faz da Abril uma empresa tóxica para trabalhar.

Uma coisa particularmente bizarra é que mesmo agonizando e fazendo bobagens notáveis, a Abril, pela Veja, dá aulas diárias ao governo de como administrar o país.

Parece o Estadão, que uma vez publicou um editorial no qual dizia: “Como vínhamos alertando a Casa Branca etc etc.” Os Mesquitas não conseguiam deixar de pé seu jornal, e mesmo assim ofereciam conselhos ao presidente americano.

Não creio em outra vida, em nada disso. Sou um clássico e irremediável ateu.

Mas fico aqui pensando que Cazuza bem que merecia, de algum lugar, observar a Veja sofrer a agonia em praça pública que ela impiedosamente colocou na capa sobre ele em 1989.

Paulo Nogueira
No DCM
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Jogar o jogo


Já contei as três histórias aqui, separadamente.

José Maria Marin, então presidente da FPF, em 1985, depois de ter sido governador biônico de São Paulo, me garantiu, num voo para Assunção, que era impossível sair pobre do Palácio dos Bandeirantes.

Íamos ambos a um jogo da seleção brasileira contra a paraguaia pelas eliminatórias da Copa de 1986.

Dizia ele que independentemente da vontade do político, tudo que se fazia no Estado separava 10% ao governador e não seria ele a mudar tal estado de coisas.

Nunca antes eu estivera com Marin.

Dez anos depois, recebi a visita de J. Hawilla em meu escritório, pois eu acabara de iniciar minha carreira solo depois de 25 anos de Editora Abril. Roberto Civita me pedira para parar de criticar Ricardo Teixeira, porque eu inviabilizava que a TVA fizesse contratos com a CBF.

Hawilla dizia não aguentar mais ter de acordar antes dos filhos para pegar a Folha, e esconder deles, caso tivesse alguma coluna minha contando seus malfeitos.

Jurou que não era sócio de Ricardo Teixeira e garantiu que adoraria viver num mundo em que não fosse necessário comprar cartolas, mas que ele jogava o jogo.

Tínhamos até pouco tempo antes deste encontro uma boa relação. E ele me propôs ser sócio da Traffic.

Finalmente, em 1992, eu havia sido convidado para almoçar com o engenheiro Norberto Odebrecht.

Então, além da “Placar”, eu dirigia a “Playboy”, que fizera reveladora reportagem sobre as empreiteiras brasileiras, de autoria do repórter Fernando Valeika de Barros.

Era demolidora. Como ilustração, um muro de ouro, lama e sangue.

O fundador de uma das maiores construtoras do país foi direto ao ponto, após elogiar a exatidão do que havia lido: “Você acha que eu gosto de ter de pagar para bandido liberar o que os governos me devem?”

Antes de responder, me lembrei da conversa com Marin.

Ao responder, com a arrogância que caracteriza a nós, jornalistas, primeiramente agradeci o elogio feito à reportagem. E em vez de responder, fiz nova pergunta: “Mas por que alguém tão poderoso como o senhor não denuncia os bandidos?”.

“Porque eles acabam comigo e com milhares de empregos que mantenho no Brasil e no exterior.”

Não me restou outra saída que não a de dizer que por essas e por outras é que sou jornalista, não empreendedor.

Diga-se, a bem da verdade, que em nenhum momento da realização da matéria houve qualquer pressão por parte da Odebrecht, diferentemente do que fez a CBF para negociar direitos de TV com a Abril.

Tudo isso para contar que o mundo das transmissões esportivas pode ser mais sujo e pesado que o das empreiteiras.

Além de ter um charme, um glamour, ainda maior, uma gente esperta que, de repente, vai a Suíça e fica. Presa.

E também para insistir que ou se criam novos métodos de governança ou tudo seguirá na mesma porque o Homem, como se sabe, é um projeto que não deu certo.

Juca Kfouri
No fAlha
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Richa diz que seu Impeachment não é golpe


Nesta quarta-feira (3) o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), almoçou na sede da Folha de S. Paulo, junto com Deonilson Roldo (chefe de gabinete) e os advogados Ives Gandra da Silva Martins (Opus Dei) e René Ariel Dotti.

Em entrevista para a TV Folha a jornalista Daniela Lima perguntou para Richa:



“Folha: O senhor vive momentos difíceis no governo, juristas chegaram a propor o seu Impeachment. Quando o PSDB propôs o Impeachment de Dilma Rousseff, o PT disse que era golpe. Impeachment é golpe?

Richa: Depende em que situação, a minha situação é muito diferente da presidente da República. Nós não temos as denúncias de escândalos que temos visto no Brasil, e eu já defendi que no momento não cabe o Impeachment de Dilma. Em relação ao Paraná a situação financeira é melhor do que em muitos estados”.

Portanto, se o PT disse que o Impeachment de Dilma seria golpe, e se Richa diz que a situação dele é diferente, então na situação dele não é golpe.

Além disso ele não lembrou na sua resposta nas denúncias de corrupção contra o seu governo, envolvendo familiares e amigos íntimos.

Após disse que hoje redobraria o cuidado no incidente do Massacre do Centro Cívico de Curitiba de 29 de abril de 2015.

Portanto, assumiu que não foi cuidadoso no Massacre.

Assine a petição pelo Impeachment de Richa aqui.

No Blog do Tarso
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Os EUA e a Liberdade

http://www.maurosantayana.com/2015/06/os-eua-e-liberdade.html

 

O Senado dos Estados Unidos vota, a toque de caixa, uma nova lei que permita renovar a licença do governo norte-americano para espionar dados e movimentos de seus cidadãos sem necessidade de autorização judicial, expirada na semana passada, e de fazer o mesmo com cidadãos e autoridades estrangeiras — como fez com o Brasil e a Alemanha, entre outros países — mesmo depois das denúncias de Edward Snowden.

Na semana passada, os senadores haviam rejeitado a extensão do Patriot Act, considerado excessivamente rígido, promulgado pelo presidente Bush logo após os atentados terroristas de 11 de setembro.

O “establishment” norte-americano não suporta os diferentes, os rebeldes, os insatisfeitos, e precisa de uma lei que ajude a dominar e a manter sob rédeas seus próprios cidadãos, eliminando rapidamente qualquer contestação, como se viu no caso do Movimento Occupy Wall Street, em 2011.

Assim como precisa de leis que lhe permitam combater quem, em outros países, se opõe ao domínio norte-americano sobre o mundo.

Ao implantarem uma cyber-ditadura futurista, votando leis que agridem a liberdade de seus cidadãos e estendem, com base unicamente na suposição de sua força, a jurisdição de seus órgãos de segurança para outros países, como se não houvesse outra bandeira e fronteiras além das suas, os EUA tratam todas as nações e povos do mundo como inimigos, e dão o direito moral a todos os países do mundo de espionar cidadãos norte-americanos em seus territórios e no próprio território norte-americano.

Pródigos em usar o discurso da liberdade em defesa de seus interesses e dos interesses de suas grandes empresas e de seus donos, os Estados Unidos fazem questão de negar dois princípios fundamentais da liberdade humana: primeiro, o de que não se pode agredir, violentar, eliminar a liberdade, sob o pretexto de defendê-la, restringindo direitos, entre eles o de ir e vir e o da privacidade, de cidadãos que ainda não foram julgados ou condenados por seus supostos crimes.

O segundo, é o de que, quando se defende a liberdade, defende-se também o direito do outro a pensar, viver e agir de forma diferente àquela que pensamos, vivemos e agimos, na linha da afirmação incorretamente atribuída a Voltaire pela leitura do livro da escritora britânica Evelyn Hall a respeito do filósofo francês de que “eu discordo do que você diz, mas vou defender até a morte seu direito de o continuar dizendo”.

Se os Estados Unidos procurassem entender melhor o mundo no lugar de confrontá-lo, e se despissem da condição de tutores iluminados nomeados por Deus para reger o planeta, aceitando a liberdade dos outros e suas eventuais diferenças com o espírito e o estilo de vida norte-americano, não teriam que espionar países teoricamente amigos ou teoricamente inimigos, nem precisariam de uma lei “antiterrorismo” para combater “terroristas” que eles mesmos “fabricaram” para destruir seus desafetos, como é o caso do Estado Islâmico.
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Vídeo de Humor - É muita Mediocridade e Corrupção


Há criações artísticas que não perdem a atualidade, Ao contrário, tornam-se cada vez mais atuais e contundentes.


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Os Senhores da Fome — O documentário que causou a renúncia da prefeita

O Conexão Repórter exibiu o documentário exclusivo "Os Senhores da Fome". Roberto Cabrini comandou uma investigação de quatro meses e revelou uma rede de empresários que se uniu a políticos para fraudar licitações de merenda escolar em uma das regiões mais pobres do país, o interior do estado de Sergipe. Em um trabalho meticuloso, o programa se infiltrou nos bastidores de reuniões, que foram registradas com câmeras escondidas. Os acusados confrontados são chefões e articuladores de um esquema de corrupção que afeta centenas de escolas e que se perpetuou em meio ao sofrimento de uma população indefesa.

O resultado é a fome de mais de 200 mil crianças, que mal têm o que comer e dependem diretamente do alimento que deveria ser servido nas escolas. Gravações secretas revelam como os empresários produzem licitações com cartas marcadas, superfaturam o preço da merenda e condenam crianças carentes à falta de uma nutrição indispensável, definindo quem vai ganhar e quem vai perder com pagamentos de propina que incluem governantes. A reportagem mostrou ainda o desespero de pais e professores, a instalação do medo e como a manipulação que fábrica um sistema perverso.




Após matéria, prefeita renuncia ao cargo

A prefeita de São Cristóvão, Rivanda Batalha, renunciou ao cargo nesta segunda-feira, 1º. Em sua carta renúncia, a gestora alegou diversos fatores, entre eles, as matérias veiculadas na imprensa a respeito da máfia da merenda escolar.

Rivanda Batalha disse que com a plena consciência de que nada tem a dever, coloca à disposição todos os seus dados bancários, fiscais, sigilo telefônico ou qualquer medida que possa colaborar com a elucidação dos fatos.

A prefeita disse ainda que a matéria veiculada deixa clara a falta de caráter de empresário com o objetivo exclusivo de fraudar procedimentos licitatórios, porém, não traz nenhum indício de que a gestão tenha deixado de atender aos princípios que norteiam a administração pública.

Rivanda disse também que na condição de prefeita não é possível controlar as condutas subjetivas desses empresários, que estão vitimando diversos municípios de Sergipe, independente da vontade de seus governantes. A prefeita alegou que a matéria é mentirosa, tendenciosa e foi editada com o objetivo de atrair atenção dos telespectadores para ganhar audiência.

A prefeita esclarece que no município de São Cristóvão todas as escolas possuem merenda escolar de qualidade para oferecer aos estudantes. "As escolas municipais citadas pelo apresentador estão dentro do padrão definido pela Legislação Federal. As merendas são oferecidas regularmente e, inclusive, as escolas foram reformadas. As escolas que estavam sem merenda são unidades que pertencem à rede Estadual de Ensino, ou seja, que não sofrem qualquer ingerência administrativa da prefeitura", enfatiza.

Junto com a carta de renúncia, a prefeita apresentou seu pedido de desfiliação do Partido Socialista do Brasil (PSB), sigla a qual era filiada. Com a renúncia de Rivanda, quem assume o cargo é o vice-prefeito Jorge Eduardo Santos, o Jorjão (PSB).

Todo o conteúdo da carta de renúncia elaborada por Rivanda Batalha pode ser visto através das imagens abaixo:
 



O bate-boca com a prefeita

No final do vídeo acima, a prefeita que renunciou ao cargo, Rivanda Batalha, (PSB), foi tirar satisfação na rádio Liberdade FM na qual o jornalista Roberto Cabrini, recém chegado a terras sergipanas, concedia entrevista nesta tarde de terça-feira (2).

Rivanda tentou se defender contra as acusações da matéria do Conexão Repórter alegando que sua responsabilidade somente era no momento da licitação e não cabia a ela, segundo a própria, vigiar o que acontecia com as merendas das crianças.

“Eu não tenho tempo de estar lá vigiando (…)” disse Batalha que foi interrompida pelo apresentador do SBT, “A senhora não tem tempo para ver se os produtos estão superfaturados?” indagou o jornalista.

Cabrini também perguntou a ex-prefeita o por quê de não denunciar o superfaturamento das merendas e a mesma afirmou que não sabia que estava acontecendo tal crime.

No SBT | Boa Informação | Infonet
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Fluidos

“Lá se foi outro romance”, diz um personagem do Woody Allen depois de transar com uma mulher. Não é incomum a ideia de que os, digamos, fluidos gastos no ato sexual são os mesmos necessários para a criação, literária ou o que seja, e que se deve escolher entre uma atividade ou outra. A ideia está na origem de outro mito, misógino, o da mulher que drena o homem da sua capacidade criativa com o sexo. E tudo tem a ver, indiretamente, com o exemplo de Onã, que desperdiçou o seu sêmen e por isso foi castigado por Deus. Desperdiçar o sêmen numa transa interrompida — o caso de Onã — ou gastá-lo em transas insignificantes são abominações aos olhos de Deus — pelo menos o Deus da Bíblia.

Não seria necessário outro argumento contra a tese de que a transa impede ou substitui a criação do que o exemplo de George Simenon, certamente o autor mais prolixo do seu tempo — só as histórias do inspetor Maigret são dezenas, e elas formam uma pequena parte da sua obra —, e que declarou ter dormido em toda a sua vida com dez mil mulheres. Dez mil! A revelação de Simenon deflagrou varias especulações, começando pela matemática. Dez mil transas contabilizadas dariam quantas por semana, ou por dia? Elas incluiriam mulheres repetidas? Simenon foi casado duas ou três vezes: sexo com as próprias esposas entraria no cálculo? E com prostitutas? O que espanta no caso de Simenon é ele ter tido tempo para produzir tantos livros entre as transas, ou transar tanto entre a produção dos livros. E um dado importante: era um excelente escritor.

Claro que Simenon era um fenômeno que não pode servir de modelo para escritores principiantes.

— E o seu plano de ser como o Simenon?

— Vai bem. Já transei com 300 mulheres.

— Algum livro?

— Até agora, nenhum. Mas eu chego lá.

“Não se pode pensar ou escrever senão sentado”. Comentando esta frase de Gustave Flaubert, Friedrich Nietzsche disse: “Nenhuma ideia que não nos venha caminhando tem valor”. Simenon talvez tenha tentado desmentir os dois e experimentado pensar deitado, e acompanhado. A transa, para ele, seria uma espécie de busca de ideias, um alerta aos fluidos de que o grande ato viria depois do sexo.

Luís Fernando Veríssimo
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A crise e suas interpretações

Pesquisa do Vox Populi revela: quase metade dos brasileiros estima uma inflação mensal superior a 20%. Faz sentido?

Leitor de jornal em Curitiba: boa parte da crise é
provocada pelas expectativas
Orlando Kissner / SMCS
Quanto mal uma mídia partidarizada pode causar a um País? Que prejuízos a irresponsabilidade dos veículos de comunicação traz à sociedade?

No Brasil, essas não são perguntas acadêmicas. Ao contrário. Em nossa história, sobram exemplos de períodos em que a “grande imprensa”, movida por suas opções políticas, jogou contra os interesses da maioria da população. Apoiou ditaduras, avalizou políticas antipopulares, fingiu não ver os desmandos de aliados.

O instituto Vox Populi acaba de realizar uma pesquisa nacional sobre sentimentos e expectativas a respeito da economia. O levantamento deixa claro o preço que pagamos por ter a mídia que temos.

A pesquisa tratou principalmente de inflação e desemprego e mostra que a opinião pública vive um pesadelo. Olha com desconfiança o futuro, teme a perda de renda e emprego, prefere não consumir e não tem disposição de investir. Está com medo da “crise”.

Todos sabem quão importante é o papel das expectativas na vida econômica. Quando a maioria se convence de que as coisas não vão bem, seu comportamento tende a produzir aquilo que teme: a desaceleração da economia e a diminuição do investimento público. A “crise” é, em grande parte, provocada pelas expectativas.

O principal sucesso da mídia oposicionista na desconstrução da imagem do governo ocorreu no primeiro semestre de 2013, quando as pesquisas de opinião apontaram o salto das preocupações com o “descontrole da inflação”. Ali, a inflação crônica que conhecíamos desde o Plano Real foi transformada pela “grande imprensa” em aguda. Sem que a “inflação objetiva” mudasse, a “inflação subjetiva” foi acelerada.

Estampada em manchetes e com tratamento de luxo nos noticiários de tevê, a “crise econômica” estava na pauta dos meios de comunicação muito antes de se tornar uma preocupação real da sociedade. Há ao menos dois anos, é o principal assunto.

A nova pesquisa mostra que a quase totalidade dos brasileiros, depois de ser bombardeada durante tanto tempo com a noção de “crise”, perdeu a capacidade de enxergar com realismo a situação da economia.

A respeito da quantia imaginada para comprar, daqui a um mês, o que compram atualmente com 100 reais, apenas 2% dos entrevistados estimaram um valor próximo àquele. Os demais 98% desconfiam de que vão precisar de mais ou de muito mais. Desse total, 73% temem uma alta dos preços superior a 10%. Quase a metade, 47%, estima uma inflação acima de 20%. E não menos de 35% receiam que os preços subirão mais de 30% em um mês.

Convidados a raciocinar com o horizonte do fim deste ano, tivemos 1% de entrevistados seguros de que até lá os preços vão subir em média menos de 5%. Outro 1% estima uma alta entre 5% e 10%. Ou seja: a crer nas projeções para 2015 da inflação, 1% errou para menos, 1% acertou e 98% erraram para mais. E erraram desmesuradamente. Quase a metade se apavora com a perspectiva de uma inflação anual superior a 50%, e, destes, um terço fantasia uma inflação de 80%.

Os números sãos semelhantes nas análises do desemprego. Apenas 7% dos entrevistados sabem que hoje menos de dez indivíduos em cada cem estão desempregados. Cerca de um quarto acredita que o desemprego varie de 10% a 30% da força de trabalho e 38% imaginam que a proporção de brasileiros sem emprego ultrapassa os 40%.

Por esse raciocínio, o cenário até o fim do ano seria dantesco: quase 40% acreditam que o desemprego em dezembro punirá mais da metade da população ativa.

Para tanta desinformação e medo do futuro, muitos fatores contribuem. Nossa cultura explica parte desses temores. Os erros do governo, especialmente de comunicação, são responsáveis por outra. Mas a maior responsável é a mídia hegemônica.

Ninguém defende que a população seja mantida na ignorância em relação aos problemas reais enfrentados pela economia. Mas vemos outra coisa. A mídia deseduca ao deformar a realidade e por nada fazer para seus leitores e espectadores desenvolverem uma visão realista e informada do País. Fabrica assustados para produzir insatisfeitos.

Com isso, torna-se agente do agravamento de uma crise que estimulou e continua a estimular, apesar de seu custo para as famílias e para o Brasil.

Marcos Coimbra
No CartaCapital
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O Brasil pergunta: Por que as investigações sobre a CBF não deram em nada?


E a Fenapef responde...

Após a prisão de José Maria Marin, ex-Presidente da Confederação Brasileira de Futebol, pelo FBI norte-americano e polícia da Suiça, o Brasil voltou a questionar a falta de capacidade, eficiência ou mesmo a isenção da sua estrutura de investigação criminal nos casos envolvendo corrupção nas entidades que cuidam do futebol nacional.

É fato que nem a Polícia Federal nem a CPI apelidada de “CPI da Nike” resultaram em prisão ou condenação de pessoas ligadas ao futebol brasileiro, em que pesem as graves denúncias veiculadas por jogadores, imprensa e diversos profissionais do ramo.

Mas por que a Polícia Federal norte-americana chegou a essas prisões e nós, no Brasil, não?

Em vários sites de jornais de grande circulação, matérias veiculadas à época das investigações pátrias retornaram às manchetes e, de certa forma, ajudaram — e muito — a desvendar a incrível inoperância do modelo de investigação brasileiro e o envolvimento direto entre a CBF e aqueles que, em tese, seriam os responsáveis pelas investigações.

“Em 15 anos, a Polícia Federal, no Rio, abriu 13 inquéritos contra a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e o seu ex-presidente Ricardo Teixeira. Nenhum deles obteve resultado até hoje.”

Neste periodo, segue a reportagem, “a CBF patrocinou congressos, viagens, e até cedeu a Granja Comary, centro de treinamento da seleção brasileira, para um torneio de futebol de delegados.”

São fatos graves os que foram denunciados, inclusive ligando Ricardo Teixeira à associação dos delegados de Polícia Federal, quando a CBF teria doado R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) para um congresso realizado em Fortaleza, no ano de 2009.


Não obstante os graves fatos denunciados, que ensejam os reais motivos das investigações contra a CBF no Brasil não terem decolado, ainda há muito a ser esclarecido à sociedade.

O modelo de investigação criminal no Brasil é de um retrocesso incalculável. A abertura de 13 (treze) inquéritos policiais por delegados de Polícia Federal não cria uma relação diretamente proporcional com o deslinde de crimes cometidos e nem com a condenação dos eventuais investigados.

As investigações deveriam seguir um ritmo célere e coordenado, com intuito exclusivo de se chegar à verdade dos fatos. E por que isso não acontece no Brasil?

Enquanto o poder de formatação e encaminhamento formal das investigações ficar na mão de servidores burocratas, que priorizam oitivas e o questionável indiciamento, ao invés de análise documental e de evidências mais profunda, utilizando do conhecimento multidisciplinar dos seus policiais, com imediato encaminhamento ao Ministério Público para a elaboração da denúncia, as investigações no Brasil nunca terão números de eficiência satisfatórios.

Abaixo, um esquema comparativo dos ciclos de investigação no Brasil e nos EUA:

Burocracia, prazos, vai-e-vem constante de inquéritos policiais entre a Justiça e a Polícia, passando novamente pelo Ministério Público, tudo isso revela a saga indigesta da fina-flor da inoperância e do gasto público desnecessário, algo que em países como os Estados Unidos não prosperaria jamais. No caso da CBF, investigar e prender criminosos de alto padrão demonstrou ser algo mais simples, mais rápido, mais eficiente e, principalmente, sem qualquer possiblidade de criação de vínculos entre os que deveriam investigar e os investigados.

Imoral e inconcebível o Brasil ainda utilizar um modelo de investigação que possibilite a vinculação entre o potencial investigador e o investigado, a ponto de este vir a ser palestrante em um congresso privado daquele, e de haver uma troca de homenagens e gentilezas como selo do entrelace formado.

A Fenapef fez denúncias do caso à época e publicou as seguintes matérias:

PARA NÃO ESQUECER: Troféu da vergonha para os policiais federais http://www.fenapef.org.br/fenapef/noticia/index/25101

Investigados patrocinam encontro da Polícia Federal http://www.fenapef.org.br/fenapef/noticia/index/25126

A sociedade brasileira não pode assistir pacificamente à degradação do respeito ao trabalho da Polícia Federal e especialmente os policiais federais terão que trilhar novos caminhos em busca de um modelo que não propicie novamente os mesmos erros durante as investigações, seja por omissão, seja por pura ineficiência, sob pena de ter seu nome manchado por elos políticos reprováveis.

A Federação Nacional dos Policiais Federais irá apoiar a CPI que está sendo criada e não medirá esforços para que fiquem esclarecidos os motivos dos insucessos das investigações que foram feitas através de inquéritos policiais no Brasil, pela Polícia Federal.

A Diretoria da Fenapef também abrirá agenda junto à Corregedoria da Polícia Federal, ao Ministério da Justiça para que o caso tenha a devida apuração. Um pedido de abertura de CPI específica para apurar a atuação política da associação dos delegados no Congresso Nacional já havia sido aprovado pelo Conselho Nacional de Representantes e deverá ter desdobramentos nos próximos dias.

A sociedade brasileira precisa de explicações e um dos órgãos de maior credibilidade do País — a Polícia Federal — deve dar sua pronta e suficiente resposta.

No Fenapef
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Apesar do massacre, memória de Lula persiste


Esqueça a lavagem central: sucesso do Brasil em feira internacional de Milão confirma que ex-presidente ajudou a alterar a agenda social de boa parte do planeta

Numa tentativa óbvia de lavagem cerebral dos brasileiros, a maioria dos meios de comunicação tem aproveitado a conjuntura de escândalos sucessivos que ela mesma produz em torno da Operação Lava Jato para tentar esconder e diminuir a memória de Luiz Inácio Lula da Silva, o mais popular dos presidentes brasileiros.

Mas a memória de Lula persiste — inclusive fora do país. Segundo a agência italiana de notícias, ANSA, o pavilhão brasileiro na Exposição Universal de Milão, inaugurada em 1 de maio, já foi visto por 450 000 pessoas desde a abertura. Prevê-se um aumento da visitação por esses dias, quando Lula estará na Itália, para uma série de encontros, palestras e conferências.

Situado na entrada da Exposição, com 4 000 metros quadrados de área, o pavilhão do Brasil tem como tema uma síntese das melhorias sociais ocorridas no país a partir de 2003, quando Lula tomou posse no Planalto, e que até hoje intrigam estudiosos e surpreendem cidadãos de vários países: “Alimentando o Mundo com soluções.” Um dos principais eventos internacionais do planeta desde o século XIX, a Exposição Universal é uma promoção que se prolonga por cinco meses, mobiliza um publico realmente gigantesco — em sua última edição, recebeu nada menos que 73 milhões de visitantes — e suas atrações costumam se modificar de acordo com as necessidades de cada momento.

Durante um bom período, o foco se encontrava em invenções e novidades tecnológicas. Em 1853, em Nova York, período em que a escravidão era um regime de trabalho inclusive nos Estados Unidos, a Exposição serviu para mostrar elevadores. Em 1855, em Paris, a atração foi a máquinas de costura. Foi na Filadélfia, em 1876, que o imperador Pedro II falou pela primeira vez ao telefone, reagindo com espanto: “Isto fala!”

Em 2015, quando a recessão é um pesadelo em boa parte do planeta, o desemprego domina o Velho Mundo, e barcos de imigrantes da África cruzam o Mediterrâneo em busca de abrigo, emprego e futuro, o assunto é outro — e isso explica o lugar de Lula na exposição de Milão, para onde ele embarcou nesta quarta-feira. Gostem ou não seus adversários, ele é um dos principais responsáveis pela inclusão da fome na agenda mundial.

Dias antes da chegada a Itália, Lula publicou nas páginas do Corriere della Sera, o mais importante jornal italiano, um artigo (“Um mundo sem fome e com paz”) escrito em parceria com o assessor e amigo, José Graziano, hoje diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO. “Um mundo sem fome não é um sonho abstrato,” escreveram os dois. “A pobreza e a miséria, dentro dos nossos países ou em outros países, não é um fato inevitável da vida. Podemos, sim, construir um mundo sem fome. E só um mundo sem fome pode nos permitir construir um mundo sem guerras, um mundo de paz.”

A agenda de Lula em Milão prevê, no mesmo local da exposição, a Conferência Magna da Sessão de Encerramento do Fórum de Ministros de Agricultura, convite que por si só é uma prova de prestígio, mas não é só. No sábado ele faz a Conferência McDougall, na abertura da 39ª Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A Conferência McDougall foi instituída em 1958, em homenagem a Frank L. McDougall, um dos fundadores da organização. (Em 2013, a palestra foi ministrada pelo Prêmio Nobel Amartya Sen). No domingo, Lula participa de um debate promovido pela Prefeitura de Roma. Destinado a uma plateia de jovens, o tema da discussão é a mobilização social: “Participar para mudar: empenho civil contra a pobreza e a desigualdade”. Entre um evento e outro, a agenda italiana de Lula previa audiência com o primeiro ministro Matteo Renzi. Ele também iria assistir a recondução de Graziano a direção-geral da FAO, onde o antigo ministro, assessor leal desde os tempos do Instituto de Cidadania, tornou-se candidato único.

Realizado numa conjuntura difícil para o governo Dilma e para o Partido dos Trabalhadores, onde até seus índices de aprovação diminuíram, o circuito italiano de Lula ensina que ele foi capaz de deixar uma herança mais duradoura do que seus dois mandatos.

Também recorda que sua gestão teve um impacto que foi muito além das fronteiras brasileiras e mesmo da América do Sul. Num país que ao longo da história se habituou a importar diversas modas ideológicas, em particular aquelas que nenhum benefício trouxeram a maioria da população, como o Consenso de Washington, o neoconservadorismo e o Estado mínimo, foi um presidente capaz de assumir outra atitude e colheu outro resultado.

Mostrou aos brasileiros que era preciso encarar e modificar a dura realidade do país em que viviam — e assim ajudou a compreender que também era possível lutar por uma vida melhor em outros lugares.

Numa cultura onde a afirmação nacional é vista, frequentemente, como uma necessidade, o lugar de Lula tornou-se, em muitos lugares do país, um motivo de identificação e orgulho.

Pensando bem, não é difícil entender porque, quatro anos e seis meses depois de sua saída do Planalto, ele tenha se tornado motivo de massacre e lavagem cerebral. Alguma dúvida?

Paulo Moreira Leite
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Folha dá mordida banguela em Roberto Amaral


O Painel, principal coluna política da Folha, edição desta quinta-feira, tenta aplicar uma mordida banguela em Roberto Amaral, ex-presidente do PSB.

Banguela e numa boca cheia de mau hálito.

E depois repete o ataque, terceirizando-o para o deputado tucano Beto Albuquerque, que fala em “carguinho” para Amaral.

Seu próprio correligionário!

É muita canalhice.

Não preciso nem procurar: já sei que Albuquerque está rodeado de “carguinhos”.

É incrível.

Tucanos podem dar cargos a quem quiser.

O ditador norte-coreano do PPS, Roberto Freire, durante o tempo em que não tinha mandato político, integrou conselhos paulistas. O mesmo PPS com o qual o PSB aprovou fusão…

Beto Richa nomeou o hoje advogado de Yousseff para o conselho da Sanepar, a estatal da água no Paraná.

Aécio Neves encheu o governo e o conselho das estatais de Minas de parentes seus.

A ala direitosa do PSB sempre viveu de “carguinhos” em governo tucanos, em Minas, Paraná e São Paulo.

Aí quando Dilma dá cargo a um de seus principais aliados, uma pessoa íntegra, que já foi ministro de Ciência e Tecnologia no governo Lula, um dos políticos mais cultos do país (coisa rara hoje em dia), um dos quadros mais valorosos da esquerda brasileira, Folha faz esse jogo sujo.

Diz que foi uma “recompensa”.

Ora, toda nomeação é uma recompensa.

No caso de Amaral, é recompensa por seu próprio talento, sua própria história.

Queriam que Dilma nomeassem quem para Itaipu. Mais um tucano?

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Miguel do Rosário
No O Cafezinho
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Aécio, o “arregão”, abandonou Marin?

Na semana passada, o cambaleante Aécio Neves ganhou um novo e singelo apelido: “arregão”. Ele foi dado pelos golpistas mirins, cheirando a mijo e indignados com a ausência do tucano na marcha que reuniu meia dúzia de fascistas em Brasília pelo impeachment de Dilma. Até o patético “Batman do Leblon” postou vídeo detonando o presidente do PSDB. “Covarde”, “duas caras”, “arregão” e outros carinhosos adjetivos foram destinados ao senador mineiro-carioca. Agora, com a prisão dos mafiosos da Fifa, o apelido ganha consistência. Aécio Neves ainda não prestou solidariedade ao seu amigo José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que se engajou com toda a energia na sua frustrada campanha presidencial de outubro passado.

O tucano “ético” — que até hoje não explicou a grana pública torrada no aeroporto da fazenda do seu tio-avô ou os gastos em publicidade nas rádios da sua família durante seu governo de Minas Gerais — não pronunciou uma palavra sobre a corrupção que corrói o futebol mundial e brasileiro. Ele sequer conseguiu deletar as várias fotos em que aparece, cheio de carinho, ao lado do cartola-corrupto José Maria Marin — mesmo sendo ele um craque da censura na internet. Nesta operação abafa, o “arregão” conta com a cumplicidade da mídia tucana, que evita citar o seu nome no escândalo de corrupção da Fifa e da CBF. Aqui cabe registrar a postura corajosa, quase solitária, do jornalista Juca Kfouri, que não tergiversa sobre a relação do cambaleante com os mafiosos do futebol:

* * *

Aécio ama a CBF

Aécio Neves é amigo de José Maria Marin e o homenageou, escondido, no Mineirão. Deu-se mal porque o que escondeu em sua página na internet, Marin mandou publicar na da CBF. Aécio também é velho amigo de baladas de Ricardo Teixeira e acaba de dizer que o país não precisa de uma “Futebras”, coisa que ninguém propôs e que passa ao largo, por exemplo, das propostas do Bom Senso FC. Uma agência reguladora do Esporte seria bem-vinda e é uma das questões que devem surgir neste momento em que se impõe um amplo debate sobre o futuro de nosso humilhado, depauperado e corrompido futebol. Mas Aécio é amigo de quem o mantém do jeito que está. Não está nem aí para os que reduziram nosso futebol a pó.

Altamiro Borges


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Os desajustados

A orientação do comando petista aos esperados no congresso do partido, para que não façam críticas a Dilma por sua política de "ajuste fiscal", não é a mais justa. Dilma não merece silêncio, merece muito aplauso. E seu parceiro Joaquim Levy não pode ser esquecido.

Em apenas quatro meses, a política de retração econômica adotada por Dilma e traçada por Levy conseguiu chegar ao fim de abril, como divulgado ontem pela IBGE, com a taxa de desemprego elevada a 8%. Quase, faltando muito pouco, o dobro de outra taxa já obtida pelo atual governo, quando Dilma repudiava a política neoliberal que Levy já rezava.

E olha que o novo índice está atrasado. Com perto de um milhão a mais de desempregados entre fevereiro e abril, há ainda, para o total, o contingente dos desempregados de maio. E quando os petistas se reunirem, a partir do dia 11, a defasagem do dado e o desemprego feito por Dilma e Levy serão ainda maiores.

O mesmo se pode dizer da queda de consumo das famílias, basicamente o alimentar. Da classe média para cima, não há essa redução. Já se vê quem compra menos alimentos. E assim, na conexão de aumento do desemprego e queda do consumo alimentar, o governo acha que está fazendo combate à inflação.

Entre o silêncio e o aplauso para mascarar a opinião, não há diferença no autoritarismo de quem ordena e na sujeição de quem se submete. Se a política neoliberal e o consequente desajuste social não são criticáveis, são aceitos. Se aceitos, aplaudir a veloz e progressiva conquista dos seus objetivos é o lógico e o justo.

O PT quer um congresso com censura prévia. Não há por que não a fazer até o fim. Já que não admite sequer crítica, cabe-lhe aplaudir de uma vez o ajuste fiscal que não passa de maior desajuste social.

Idem

Arnaldo Madeira é seguido por Alberto Goldman na reprovação às votações do PSDB, na Câmara, contra criações e teses do partido, como a reeleição e o fator previdenciário, ou a favor do distritão. Ambos (Goldman em carta a dirigentes peessedebistas) apontam a falta de debates no partido, opinião também de vários outros.

Mas que debate? Debate permanente era a ideia de Franco Montoro e Mário Covas, assim como o revezamento na presidência partidária a cada três meses, ao fundarem o partido promissor de uma linha social-democrata. Nunca mais houve debate, de coisa alguma. Nada mais claro, nesse sentido, do que a decisão pela candidatura de José Serra à Presidência da República, tomada por Fernando Henrique, Tasso Jereissati, Sérgio Guerra e Aécio Neves em um restaurante em torno de garrafas de vinho. E depois a de Aécio, em circunstâncias idênticas.

Enquanto os interesses eram os mesmos, o PSDB pôde passar a aparência de unidade nas votações. Quando Eduardo Cunha semeou interesses diversos, os deputados peessedebistas mostraram-se iguais às bancadas de conhecida suscetibilidade.

Só o PSDB não sabe que nada mais tem de PSDB. Não é por engano que está em entendimentos para com o PMDB para algo como uma aliança estratégica. É, partindo de posições muito semelhantes, pelas semelhanças a que chegaram depois das diferentes deformações.

Janio de Freitas
No fAlha
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