30 de mai de 2015

Corrupção e impunidade


O PIG – Partido da Imprensa Golpista — há alguns anos tenta convencer a população brasileira, com relativo sucesso, que a corrupção é coisa recente, quase uma “invenção” do PT. Até podem admitir que ela existia marginalmente, em estado de letargia. Mas o “monstro” despertou e cresceu nos governos petistas, tornando-se prática corrente Há dez anos batem diuturnamente, rádio, jornal e tevê nos episódios do “Mensalão” e do “Petrolão”, da operação Lava Jato. Para isso criaram dois “heróis nacionais”: os justiceiros Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, do Paraná. Falsos heróis, como já se viu (o Barbosão”) e logo se verá (Moro).

A corrupção existe em todas as sociedades desde suas origens. No Brasil ela campeou solta desde o início do período colonial, império e república.

No Brasil Colônia suas formas correntes eram a sonegação fiscal e o contrabando, que perpassaram os ciclos do pau brasil, da cana de açúcar e do ouro. D. João VI aportou no Rio em 1808, fugindo da invasão napoleônica e nomeou o barão Francisco Maria Targini seu Tesoureiro Mor. Em pouco mais de uma década o Tesoureiro Mor de ilícito em ilícito, construiu uma imensa fortuna. Contrariou interesses também poderosos que pediram sua cabeça a D. João VI. Não lograram êxito: Targini mostrou que era um verdadeiro “amigo do rei”: contando com a proteção do conde D’Arcos, não foi punido e ainda lhe foi concedido o título de visconde. Voltou para Portugal com a família real na posse de uma considerável fortuna. Este episódio é sintetizado numa famosa quadrinha: “quem furta pouco é ladrão; quem furta muito é barão; quem mais furta e mais esconde, passa de barão a visconde”. Maria Targini foi o nosso primeiro “intocável” ilustre. Como se sabe, nos dois séculos seguintes surgiram muitos outros.

Nos primeiro e segundo reinados há registros de descumprimento ostensivo das leis anti-escravatura por membros do primeiro escalão do próprio governo. O primeiro ministro de D. Pedro II, marquês de Olinda e o ministro da Justiça Paulino de Souza faziam “vistas grossas” ao tráfico de escravos proibido pela lei Eusébio de Queiroz, sancionada em 1850. Garantiam, assim, mão de obra que movimentava suas propriedades e da “coronelada” dona de grandes latifúndios.

Depois de 1989, na velha República “café com leite” imperaram os absurdos subsídios aos detentores do poder, os “barões do café”. Com ampliação do direito ao voto, campeou, também a corrupção eleitoral aberta sendo prática comum o voto comprado e a “cabresto”. A oligarquia se perpetuava no poder.

No período 1930 a 1945, a primeira fase da era Vargas, surgiu uma outra personagem que se tornaria um mito precursor da corrupção paulista. Ademar de Barros, nomeado interventor por Vargas após a derrota de São Paulo na revolta “constitucionalista” de 1932 começou aí sua longa e bem sucedida carreira política. Elegeu-se prefeito e governador de São Paulo e, paralelamente, foi acumulando uma considerável fortuna. Como à época — anos quarenta e cinquenta — a remessa ilegal de dinheiro para o exterior através de contas CC5 não existia, Ademar guardava os preciosos dólares acumulados — dezenas de milhões —, em grandes cofres instalados em “bunkers” espalhados por todo estado. Um dos seus slogans de campanha ficou famoso: “rouba mais faz”. Um segundo “intocável” ilustre, que mais tarde seria substituído por um terceiro “intocável”, um mestre dos desvios e ilícitos, Paulo Malluf.

No governo JK — 1956/1961 — que alguns denominam de “anos dourados” houve denúncias de superfaturamento e desvios na construção de Brasília: o excesso de gastos com utilização de recursos do sistema previdenciário deu origem a um longo período de espiral inflacionária.

Os vinte e um anos da ditadura militar (1964/1985), apesar da censura à imprensa, foram marcados por inúmeros escândalos de corrupção. Grandes obras superfaturadas foram denunciadas: ponte Rio-Niterói, Transamazônica, Ferrovia do Aço, dentre muitas outras. Na área previdenciária os desvios da Capemi e na área financeira os escândalos do Grupo Delfin e da Coroa-Brastel. Aqueles que hoje protestam pedindo a volta da ditadura militar ou são velhos de má memória ou jovens que não viveram o período. É claro que isso não os exime da responsabilidade: antes de pedir uma absurda “volta ao passado” deveriam consultar os registros históricos e jornalísticos do período.

O primeiro presidente eleito depois da ditadura, Fernando Collor, foi deposto por denúncias de corrupção e prática de ilícitos. PC Farias seu “operador de mal feitos” foi morto numa operação de “queima de arquivos”. Em compensação deixou um discípulo, Eduardo Cunha que prosperou e até se tornou presidente da Câmara Federal. Adquiriu o status de “intocável.

O governo FHC foi, muito provavelmente, “campeão” da corrupção na história brasileira. Nos seus oito anos entre 1995 e 2002 foram vendidos a preço de banana centenas de bilhões do patrimônio público em operações descritas no livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro. Surgiu no período outro poderoso intocável: Daniel Dantas, salvo duas vezes da prisão por liminares de Gilmar Mendes. Houve também a maciça remessa ilegal de dólares para o exterior através de contas CC5 num montante, fala-se, superior a 250 bilhões de dólares. Dentre os 91 indiciados na CPI do Banestado estava o nome de Gustavo Franco um dos presidentes do Banco Central do governo FHC. Como sempre, ninguém foi condenado ou preso. Segundo apurações da operação Lava Jato o início dos desvios da Petrobras datam de 1997, terceiro ano do primeiro governo FHC.

Por fim, nos governos Lula/Dilma (2003/2015) tivemos o episódio do “mensalão”, ao que tudo indica uma repetição de prática já ocorrida no governo FHC para conseguir os votos suficientes para aprovar a emenda da reeleição. Só que a grande mídia deu ao episódio uma dimensão muito maior do que ele realmente merecia: os tradicionais “mal feitos” que o Executivo faz para conseguir os votos necessários no Congresso. O velho “toma lá da cá”. O ataque ao PT e a uma de suas maiores figuras, o ex-ministro José Dirceu, foi impiedoso: depois de muito tentar o PIG, comandado pela Globo, conseguiu seu velho objetivo: ferir mortalmente o PT. Não que os desvios de rota, os acordos e as práticas da velha política não tivessem, como efetivamente tiveram, contaminado boa parte do partido. Mas paulatina transformação do PT, que aos poucos foi perdendo o norte e se “domesticando”, não foi o suficiente para a oligarquia, que tem um objetivo central: varrer o PT do cenário político brasileiro, reduzindo ou eliminando seu potencial eleitoral.

Três outros episódios vieram ao conhecimento público nos últimos anos: os desvios na Petrobras originaram a operação Lava Jato, que ganhou excepcional destaque na grande mídia. Objetivos: atingir o PT e desvalorizar a Petrobras com vistas a uma futura privatização. Outros dois escândalos, de proporções ainda maiores, tiveram pouca — quase nula — divulgação na grande mídia. A operação Zelotes esta investigando a sonegação de 19 bilhões de reais envolvendo grandes empresas, dentre elas a Gerdau. Corrupção da grossa de poderosos empresários, não interessa ao PIG divulgar. Idêntico tratamento teve um segundo escândalo, o do HSBC. Foi descoberta a existência de mais de oito mil contas de brasileiros que sonegaram impostos e “lavaram” centenas de bilhões de dólares enviados ilegalmente para o exterior A turma da “pesada” — donos de redes nacionais de rádio tevê, de grandes jornais, empresários, banqueiros, a velha oligarquia cabocla — impede a divulgação na grande mídia e determina marcha “a passos de cágado” na apuração dos ilícitos.

Paulo Muzell é economista.
No Sul21
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Bomba! As ligações entre a Globo e a máfia da Fifa

J Hawilla e Galvão
O Cafezinho teve acesso, com exclusividade, a documentos que ilustram as relações comerciais íntimas, societárias, entre a Globo e J. Hawilla, o bandidão confesso preso pelo FBI no recente escândalo de corrupção da Fifa.

Os nomes da família global são João Roberto Marinho e Flávia Daudt Marinho, filha de José Roberto Marinho.

Os irmãos Marinho tem usado seus filhos para burlar o decreto lei 236, que limita o número de emissoras em mãos de um proprietário.

A própria Traffic, empresa diretamente ligada aos esquemas de corrupção da Fifa, traz fortes ligações com a Globo, na pessoa de José Geraldo Góes, um dos sócios da Traffic.

Góes aparece em todas as listas de membros societários nas empresas onde os J. Hawilla (ele ou seus filhos) tem participação, incluindo a TV Aliança Paulista e TV Bauru, da qual os Marinho também são sócios.

As tvs dos Hawilla em São Paulo retransmitem o sinal da Globo. São duplamente, portanto, controladas pela Globo: via conteúdo, que é dela, e via participação societária.

A TV Tem, também do interior de São Paulo, reúne a turma toda na lista de sócios: João Roberto Marinho, dois filhos de J.Hawilla, o onipresente José Geraldo Góes, e a empresa Bonanza.

As empresas Bonanza e Lunar aparecem sempre associadas aos Marinho; são usadas para controlar afiliadas da Globo no interior de São Paulo.

José Geraldo Góes é também presidente do Desportivo, um clube de futebol administrado pela Traffic.

Quer dizer, não só administrado. O Traffic é dono do Desportivo, através da empresa T Desenvolvimento, que possui uma participação na sociedade no valor de R$ 102 milhões.

Sempre que você olha para as empresas de J. Hawilla, esbarra com o nome de José Geraldo Góes, em posição superior, como diretor, secretário ou acionista. Góes também é sócio de várias tvs controladas pela Globo.

(TV TEM, do interior de SP: lista de sócios, segundo o site Donos da Mídia).
(TV TEM, do interior de SP: lista de sócios, segundo o site Donos da Mídia).
A mídia não vai investigar isso? Não vai sequer dar a informação de que os Hawilla e os Marinho são sócios diretos em várias empresas no Brasil?

E que, através de Góes, todos eles, Hawilla e Marinho também tem ligações uns com outros em paraísos fiscais?

Ou será que a mídia brasileira continuará insistindo em qualquer factóide barato contra o PT, inventado às pressas, em conluio com setores políticos da PF, para abafar investigações que liguem Hawilla aos negócios da Globo?

Há muitos detalhes picantes e mal explicados. Por exemplo, José Geraldo Góes, que nessa história toda aparece como um laranja oficial de todos esses empreendimentos, é sócio da Continental Sports Marketing, com sede nas ilhas Cayman, uma das empresas que aparecem como sócias da Traffic.

Aliás, é incrível a velocidade como as empresas da Globo vivem mudando seus quadros, fundindo-se, mudando de nome, transferindo valores para outras, sempre com intuito de não pagar impostos.

É preciso entender uma coisa: o poder da Globo, que é excessivo e prejudica a democracia, além de ter nascido de uma ditadura, tem como principal fonte de renda o futebol brasileiro, que a emissora vampiriza há décadas.

Os clubes ficam cada vez mais endividados, e a Globo cada vez mais rica. A cartolagem de José Maria Marin, Ricardo Teixeira, J. Hawilla, entre outros, responde por essa situação. São todos aliados da Globo.

O esporte que os brasileiros mais amam é exibido em horários antipáticos ao trabalhador, porque a Globo não quer perder audiência de suas novelas.

E ainda temos o esquema de venda de jogadores, outro negócio milionário explorado por Hawilla e, portanto, também pela Globo.

Não podemos esquecer que o esquema de sonegação da Globo nas Ilhas Virgens Britâncias, que lhe valeu multa de R$ 615 milhões da Receita Federal (a qual até agora a Globo não provou que pagou), envolveu também o futebol. A emissora tentou comprar, sem pagar impostos, os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002.

Esses direitos de transmissão são o núcleo da corrupção da Fifa.

Tem mais: nos documentos vazados, contendo o processo de sonegação da Globo, há listas com as transferências milionárias da Globo para o clube dos 13, que durante anos controlou os direitos de transmissão dos campeonatos brasileiros. São valores impressionantes, bem maiores, inclusive, que aqueles relacionados à Copa do Mundo, mostrando a importância essencial do futebol para o orçamento da Globo. Procurem lá.

Mas sobre isso falaremos depois.

Essa história espalha pontas incandescentes de manipulação, corrupção, sonegação, para todos os lados. Todos vão tem que ajudar a examinar esses documentos e entendê-los, já que a Polícia Federal do Zé está ocupada demais fabricando factoides anti-PT para a Globo…

* * *

Abaixo, os documentos que embasam esta matéria.


 

 

 

 

 

 
Miguel do Rosário
No O Cafezinho
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Estados Unidos, Intervenção na FIFA! Novo Big Stick à vista?


O mundo ficou estupefato com a notícia dos capi da Fifa; não que alguém, de sã consciência, discorde da necessidade de se sanitizar a Entidade, cuja corrupção campeia há tempo, e não d´agora, deste arroubo “vestal” das rapinas, até onde isto for possível.

O evento, longe de significar fato isolado (nada o é, em se tratando de EUA!), evoca a política descaradamente intervencionista do Big Stick (grande porrete), dos estadunidenses, os xerifes da humanidade; sempre, com a aquiescência dos que ou não enxergam a gravidade das ações destes reacionários neo-romanos e a falta de noção dos que clamam pela própria, ou da intervenção militar constitucional (Sic!); (os políticos brasileiros, notadamente os de direita, que têm à escrivaninha uma bandeira dos EUA, em vez da nossa, que o digam!).

A responsável pela emissão dos mandados de prisão no escândalo que abalou a Fifa (e o mundo!) ora, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta E. Lynch, afirmou:

“… O Departamento de Justiça do país está ‘determinado a acabar com a corrupção no mundo do futebol’.”

Lindo. Como são diligenciosos, estes estadunidenses. De uma hora para outra, eles tentam varrer a corrupção (dos outros!). Num país em que o lobbie é uma atividade regulamentada, os escândalos sempre ficam impunes (vide caso Enron), desde que os corrutos sejam “amigos do rei”, falar em corrupção soa no mínimo estranho. Sem se falar em um país onde se financiam derrubadas de Governos contrários à democracia (pois sim!) e a sociedade civil não se manifesta ou não tem força para. A corrupção dos outros é realmente mais fácil de detectar e de combater, sabe-se. Tanta fome na África, moléstias em todo o mundo, doenças que já deveriam ter sido erradicadas há séculos, tecnologia biomédica, há, e a preocupação destes honrados estadunidenses é com o futebol na Fifa!

Felizmente, nem todos caem neste conto manjado dos “vestais da humanidade”. A Rússia já alertou para as reais intenções da “palmatória do mundo“, embora possa se crer que o problema é bem mais complexo do que continuar a ser simplesmente a régua deste ou somente prejudicar a Rússia, futura sede da Copa: a agenda aponta claramente para um recado. Recado sutil como os são os daqueles senhores falconiformes: — “não vos esqueçais do Destino Manifesto, pois vós sois o meu quintal!“.

O recado, como se diz, nada sutil, é para os bolivarianos (Sic!); a Fifa é só o transdutor, ou seja, — “Nós podemos tudo, inclusive intervir, em qualquer lugar“. É a manifestação inequívoca, embora com o mesmo discurso protoudenista de sempre: a América Latina como nosso (deles, claro) quintal; afinal, para um povo ‘superior’, se lhe parece apenas o cumprimento da ‘profecia’.

Resta saber como a AL se comportará, diante deste farol de udenismo triunfante: ou aceitará o “Destino Manifesto” ou lhes dará um manifesto cacete, ou “Big Stick”, como eles gostam de falar, como fez a pequena, porém imponente Nicarágua, quando lhe tentaram anexar. Anexar o cacete, diriam os nicaraguenses. “peia” para vinte, os valentões “escolhidos” pela “providência” (talvez seja a mesma que “escolheu” o avião onde viajava Eduardo Campos!) levaram sozinhos.

Assim se faz um povo. Viva a Nicarágua. O tal de “Destino Manifesto” não resiste a um povo. Apenas, onde eles e seu “Big Stick” atuam, têm sempre aqueles que vaticinam “A Teoria da Dependência”; depois, fica fácil: uma imprensa a serviço dos ‘superiores’, ‘escolhidos’, e o escritor da teoria da Dependência (É o cacete!) cria leis que facilitam a transferência de patrimônio. Funciona, mesmo. Vale, Petrobrax (felizmente, não deu tempo), nióbio, pedras preciosas, estrutura de telecomunicações, etc. Beleza de teoria. Não funciona na Nicarágua, na Bolívia, na Venezuela. sabe-se… nem em Cuba.

Façam com a Fifa e com seus carcamani o que quiserem, mas, fora da América Latina! É o Pré-Sal, estupendo!

Morvan Bliasby
No Viomundo
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A mão que ajuda o fascismo


Benevolência com atos contra a democracia explica cenas de violência e tentativas de intimidação

Imagine você que na quarta-feira passada eu me encontrava no café da Câmara de Deputados, quando apareceu um dos líderes do PSDB, conhecido de várias entrevistas e conversas civilizadas. Ao reparar que eu tinha um livro aberto, perguntou do que se tratava. Mostrei: era a edição, em espanhol, de “O Fascismo e a marcha sobre Roma” reportagem histórica de Emilio Gentile sobre o assalto ao poder comandado por Benito Mussolini, em 1922, na Itália.

Comentando o que se passava fora do Congresso, onde se fazia uma concentração com barracas de acampamento e faixas que pediam “intervenção militar,” “extinção do PT já,” e outras afirmações de óbvia inspiração fascista, comentei: ”É para ajudar a entender o que está passando lá fora.” Meu interlocutor, cujo nome será preservado porque não se tratava de uma conversa para ser publicada, me corrigiu em tom benevolente:

— Não é nada disso. Os fascistas são uns poucos, que deveriam se juntar com o Jair Bolsonaro e formar um partido de extrema-direita. Mas a maioria dessas pessoas não são nada disso. São democratas, inconformados com a corrupção e os desmandos da turma do PT.

A conversa prosseguiu mais um pouco, incluiu com algumas provocações de parte a parte, mas o essencial está aí. Voltei a minhas leituras. Já me encontrava nas páginas finais da narrativa sobre a ascensão de Mussolini, naquele trecho da história em que a marcha dos fascistas sobre a capital italiana se transformou no golpe de Estado mais pacífico da história europeia, sem enfrentar resistência alguma.

O aspecto mais instrutivo da obra de Emílio Gentile é que ele descreve, detalhadamente, a paralisia das autoridades que tinham o dever legal e político de defender a Constituição italiana e os direitos democráticos da população, inclusive de escolher governos através do voto. Um gabinete que unia liberais e conservadores assistiu à ação das esquadras fascistas pelo país inteiro — invadiam prefeituras, fechavam jornais, atacavam quartéis para pegar armas, feriam e assassinavam — sem mover um músculo. Conforme o autor, os comandantes militares tinham disposição de resistir ao fascismo, possuindo instrumentos e homens para isso. Mas a ordem, que deveria partir do poder civil, não veio.

Horas antes da chegada do próprio Mussolini a Roma, os principais ministros conseguiram imaginar que tudo estava tão tranquilo que recolheram-se a seus aposentos e foram dormir — acredite!

Apenas numa reunião de emergência, alta madrugada, decidiu-se, enfim, convocar o Estado de Sítio, que na pior das hipóteses poderia ter ajudado a retardar a escalada fascista. Mas cabia ao Rei, Vitório Emanuel III, decretar a medida. Quando Sua Majestade, enfim, foi encontrada, ocorreu a cena decisiva. O Rei não apenas se recusou a assinar o Estado de Sítio, como demitiu o ministério e chamou o próprio Benito Mussolini a formar o novo governo, dando início, assim, a uma ditadura que durou 20 anos.

Sabemos que a paralisia daqueles governantes que tinham a responsabilidade legal de preservar o regime democrático obedecia a considerações variadas. A principal dizia respeito a definição de quem era seus verdadeiros adversários políticos e quem poderiam ser seus aliados. Quatro anos antes, o Partido Socialista — muito mais à esquerda do que se tornaria com o passar dos anos — havia se tornado a maior força do parlamento italiano. Ao mesmo tempo, a mobilização de operários ganhou força nos centros industriais do país, onde se formaram conselhos de trabalhadores. O exemplo da Revolução Russa de 1917 estava em muitas mentes — para temer ou admirar.

“Muitos temiam que a ação da força legítima do Estado contra a força ilegal do fascismo pudesse provocar um banho de sangue” que terminaria por fortalecer a esquerda socialista e comunista, escreve Gentile.

A visão da esquerda como adversária principal a ser vencida de qualquer maneira contribuía enormemente para que muitos ministros já sonhassem em chamar Mussolini para integrar o ministério, oferta que ele sempre recusou, deixando claro que não pretendia ser coadjuvante num governo de base parlamentar.

Ex-diretor do Avanti, jornal socialista de tendencias revolucionárias, Mussolini tinha aquela postura problemática de quem passou por uma mudança radical nas próprias convicções. Manifestava um ódio profundo pelos partidos de esquerda, como se quisesse dizer que ele, e apenas ele, fora um “verdadeiro” socialista em seu devido tempo, enquanto seus adversários de hoje não passavam de farsantes. (Acho que todos nós já vimos esse comportamento em nossa paisagem, não é mesmo?)

Mussolini também não escondia que sentia “asco, muito asco,” pelo jogo parlamentar. Mesmo assim, fazia o possível para apresentar-se com um perfil político moderado, necessário para abrir as portas dos salões do capitalismo italiano. Ao mesmo tempo, estimulava atos violentos e criminosos contra lideranças de trabalhadores e do movimento popular, cultivando uma ambiguidade de aparências, que ajudava a convencer quem queria queria ser convencido mas tinha um certo pudor de assumir isso abertamente.

O tempo mostrou que a postura política em relação a comunistas e socialistas contribuiu para o embelezamento do fascismo, enfraqueceu toda possível visão crítica e diminuiu todo esforço que poderia impedir sua ascensão ao poder — inclusive na reta final, quando as milícias passaram a atacar com violência e ameaças militantes católicos e liberais que recusavam a liderança dos camisas negras.

Poucas leituras podem ser instrutivas, sobre a época, como os registros de elogios e avaliações positivas sobre Mussolini e seus aliados. “Estamos assistindo a uma bela revolução de jovens. Nenhum perigo,” escreveu o embaixador dos Estados Unidos numa carta familiar. Sempre lembrando os méritos do fascismo pela derrota do socialismo e comunismo a revista L‘Illustrazione Italiana, leitura preferida da elite do país, também elogiava um governo jovem (“sem barbas grisalhas”) e profetizava: “nunca um governo teve possibilidades tão grandes (de sucesso) como o de Benito Mussolini”, escreveu a revista, torcendo ainda para que o ele “saneasse a Itália” do ódio político.

A ilusão durou pouco mas se desfez quando era tarde. Avaliando, meses mais tarde, o estado ditatorial que se esboçava, meses mais tarde o Corriere della Sera publicou um artigo no qual fazia uma constatação dolorosa: a grande massa dos italianos, incluída “a totalidade de sua classe dirigente, “havia demonstrado “ser capaz de perder todas as suas liberdades civis sem protestar”. Assinado por Giuseppe Prezzolini, o texto dizia: “Somos todos um pouco culpados de termos nos iludido de que as liberdades eram um fato consumado, que não se poderia perder; e descuidamos, deixando que alguém começasse a pisoteá-las.” Sem mencionar o nome de Mussolini, o que poderia revelar-se perigoso, o artigo conclui: “e esse tal indivíduo terminou por defenestrá-las.”

Juro que seguia na leitura do mesmo livro, comprado numa viagem recente a Buenos Aires, quando ocorreu aquela cena inacreditável de sexta feira, no Congresso Nacional. Um bando de fascistas atacou — com empurrões, gritos, e vários atos de provocação — um grupo de parlamentares do PT que convocava uma coletiva para fazer uma denúncia grave: a segunda votação sobre financiamentos de campanha políticas foi um ato juridicamente nulo, pois violou o artigo 60 da Constituição Federal, que estabelece regras claras para se votar um projeto de emenda constitucional.

Isso aconteceu no Salão Verde do Congresso, endereço de tantos atos de resistência democrática durante o regime. No dia seguinte, fiquei sabendo da história do empresário ameaçado durante um voo Brasilia-São Paulo porque lia a Carta Capital.

Quarenta e oito horas antes, naquela conversa no café da Câmara, um parlamentar do PSDB tentava me convencer, explicava, em tom benevolente, que não havia motivos de preocupação com ameaças fascistas.

Paulo Moreira Leite
No Esquerda Caviar
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Ricardo Teixeira censura livro sobre CPI da CBF-Nike há 13 anos


Editora Casa Amarela é processada há 13 anos por Ricardo Teixeira por livro sobre ligações entre CBF e Nike

O escândalo de corrupção entre os altos dirigentes da Federação Internacional de Futebol (Fifa), entre eles a prisão do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, trouxe à luz, na terça-feira (27), um processo internacional de lavagem de dinheiro, desvio de divisas e formação de quadrilha realizada por uma máfia de cartolas. No entanto, a corrupção que inunda as sedes de confederações e federações nacionais e internacionais do esporte mais popular do planeta nos pelo menos últimos 24 anos não é nenhuma novidade. Desde o acordo com a ditadura militar, que colocou João Havelange à frente da Fifa, houve tantas denúncias quanto censuras em relação às relações promíscuas entre os cartolas e as empresas que patrocinam os times e vendem seus produtos em campeonatos.

Censura

Livro CBF-NikeCaso emblemático do silenciamento sofrido por aqueles que ousaram investigar o esporte nacional é a censura que sofreu a Editora Casa Amarela, na época responsável pela publicação da Revista Caros Amigos, além de livros e fascículos. Em 2001, a editora produziu o livro intitulado CBF-Nike, que antes mesmo de começar a ser vendido foi proibido de circular, após um processo aberto pelo então presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Além de vetada a venda do livro, também foi aberto contra a editora e os autores, Aldo Rebelo e Silvio Torres, um processo pedindo indenizações por danos morais de um livro que nem sequer chegou a ser distribuído.

O livro trata de um caso que começou após a Copa do Mundo na França em 98, marcada pela derrota do Brasil em plena final para a França, quando houve um grande debate em relação ao suposto caso de influência da Nike, que tinha contrato de publicidade com diversos jogadores da seleção, além de patrocinar o time. Na época, o que se dizia, era que a empresa estadunidense havia influenciado na escalação e escolhido inclusive aqueles que seriam titulares absolutos do time.

O debate em torno do tema cresceu ao ponto da Câmara dos Deputados instaurar, em 17 de outubro de 2000, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que tinha como objetivo "apurar a regularidade do contrato celebrado entre a CBF e a Nike”, sob a presidência de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e secretaria geral de Silvio Torres (PSDB-SP). Como muitos previam, a CPI foi ocupada majoritariamente por deputados da bancada da bola, deputados da esfera de influência de  Ricardo Teixeira. Após meses de apuração e levantamento de provas para o caso, a bancada não deu quórum para a votação final do relatório, que nunca chegou a ser aprovado.

Ricardo Teixeira

A partir do material que era publicado diariamente na imprensa e as informações veiculadas pela própria CPI, a Editora Casa Amarela resolveu editar o livro CBF-Nike. Os autores do livro foram os então deputados Aldo Rebelo e Sílvio Torres, que tinham todas as informações e conhecimentos sobre o caso. Logo após o lançamento do livro em São Paulo, antes que ele começasse a ser vendido, a editora recebeu uma carta precatória da Justiça do Rio de Janeiro em que uma liminar a pedido de Ricardo Teixeira proibia a distribuição do livro e, ao mesmo tempo, abria uma ação indenizatória por danos morais contra os autores e a editora. 

O processo, que está registrado sob o número 2002.001.028004-5 na 41ª Vara Cível do Rio de Janeiro, sempre tramitou no Rio de Janeiro, onde diversos jornalistas que denunciaram a Rede Globo, como Luis Carlos Azenha, Rodrigo Vianna e Paulo Henrique Amorim, foram condenados a pagar indenizações por danos morais. A editora, sediada em São Paulo, teve como primeira ação requisitar a transferência de foro de julgamento do processo do Rio de Janeiro para São Paulo, mas o pedido nunca foi aceito pela Justiça.

Condenação

Após idas e vindas no processo do livro, a editora foi condenada no TJ carioca a continuar seguindo sem distribuir o livro. Em relação ao processo por danos morais (de um livro que ninguém pôde ler), a editora e os autores chegaram a ser condenados a pagar 500 mil reais a Ricardo Teixeira, decisão que foi revertida após a comprovação de erros no encaminhamento do processo, que continua.

O livro, que há 13 anos relatava o que o FBI está acusando agora, também continua proibido.

No Caros Amigos
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Escândalo no futebol: Ricardo Teixeira, o homem-bomba que a Globo não quer ver indiciado


Anos 2000. A International Sport and Leisure (ISL) corre o risco de falir. A empresa havia sido criada por Horst Dassler, o magnata alemão herdeiro da Adidas. Foi o homem que ajudou a inventar o marketing esportivo. Pegar um evento, empacotar e vender a emissoras de televisão já com os patrocinadores definidos.

Hoje sabemos que a ISL dominou o mercado à custa de dezenas de milhões de dólares em propinas. O homem da mala de Dassler era Jean Marie Weber. O encarregado de molhar a mão da cartolagem e garantir os direitos de TV e de marketing que eram das federações.

Foi o esquema da ISL que enriqueceu João Havelange e Ricardo Teixeira. Na casa dos milhões e milhões de dólares. Mostramos no Brasil — modéstia à parte, pela primeira vez — a relação entre as datas de pagamento das propinas e o enriquecimento de Teixeira. Está tudo em O Lado Sujo do Futebol.

Voltemos à ISL. Fustigada por concorrentes, deu passo maior que as pernas, sem contar a drenagem do dinheiro que destinava à corrupção. No desespero, fez um pedido à Globo Overseas, dos irmãos Marinho. Queria um empréstimo. A Globo concordou em fazer um adiantamento de uma parcela devida, relativa a direitos de TV da Copa do Mundo, com 13% de desconto. Assim foi feito.

Mas, a FIFA chiou, já que não recebeu da ISL o repasse que lhe era devido. Foi à Justiça. O caso resultou numa ação contra seis executivos da ISL, inclusive o homem da mala. A Globo foi ouvida no caso. No dia 26 de agosto de 2001, o todo-poderoso do futebol global, Marcelo Campos Pinto, deu depoimento.

Não era objeto daquele caso investigar a Globo. Como não é agora, com os cartolas presos em Zurique. Mas aquele primeiro caso colocou a bola para rolar. Foi resultante dele a investigação subsequente, do promotor Thomas Hildbrand, que acabou com um acordo envolvendo Teixeira e Havelange. Eles devolveram parte do dinheiro recebido como propina e ficou por isso mesmo. Não admitiram culpa, mas o meticuloso trabalho de Hildbrand seguiu o dinheiro e constatou sem sombra de dúvidas o propinoduto na casa das dezenas de milhões de dólares.

O que há em comum entre o caso suiço e o de agora, nos Estados Unidos? A “eleição” arbitrária de intermediários pela cartolagem, com o objetivo de enriquecimento pessoal. Por que a FIFA não vendeu os direitos diretamente às emissoras de TV? Por que a CBF não vendeu os direitos da Copa do Brasil diretamente às emissoras de TV?  Porque os intermediários levam a bolada de onde sai a propina.

Foi assim com a ISL, foi assim com a Traffic de J. Háwilla. Exemplo? Contrato da Nike com a CBF. De acordo com a promotoria dos Estados Unidos, Háwilla recebeu pelo menos U$ 30 milhões da Nike na Suiça, dos quais repassou 50% a Ricardo Teixeira. Só aí são, em valores de hoje, por baixo, R$ 45 milhões de reais para o cartola! Considerando o valor total do contrato, dá uma taxa de cerca de 20% de propina.

Como sabemos que Teixeira está sendo investigado pelo FBI? Porque na página 74 do indiciamento feito nos Estados Unidos é mencionado que, no dia 11 de julho de 1996, houve a assinatura do contrato entre a Nike e a CBF em Nova York. Quem assinou em nome da CBF foi o co-conspirador de número 11. Como quem assinou em nome da CBF foi Ricardo Teixeira, ele é o co-conspirador número 11 (num documento paralelo, a plea bargain de J. Háwilla, Teixeira é o co-conspirador número 13).

Também é possível identificar J. Háwilla, neste documento, como o co-conspirador número 2. Foi ele que, em abril de 2014, teve uma conversa um tanto bizarra com José Maria Marin na Flórida. Marin tinha ido a Miami tratar da Copa América Centenário, que será disputada em 2016 nos Estados Unidos. Mas falou com Háwilla sobre pagamentos devidos a ele e ao co-conspirador número 12 (presumivelmente Marco Polo Del Nero, o atual presidente da CBF) no esquema da Copa do Brasil.

Háwilla provavelmente usava uma escuta ambiental, já que o diálogo é transcrito ipsis literis pelos promotores (ver abaixo).

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Em resumo, Háwilla perguntou se deveria continuar pagando propina ao antecessor de José Maria Marin, Ricardo Teixeira, no esquema da Copa do Brasil. Marin respondeu mais ou menos assim: “Tá na hora de vir para nós. Verdade ou não?”.

Háwilla: “Certo, certo, certo, o dinheiro tinha de ser dado a você”. Marin: “É isso, certo”.

Disso podemos tirar duas conclusões:

— Tudo indica que o FBI usou escutas ambientais em mais de um dos quatro acusados que fizeram confissão de culpa. Como nos Estados Unidos, diferentemente do Brasil, não há vazamentos seletivos para a imprensa, só saberemos exatamente quando acontecer o julgamento.

— Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero estão sob investigação da polícia federal dos Estados Unidos.

Uma autoridade norte-americana disse ao New York Times que deverá acontecer uma segunda rodada de indiciamentos. O mais provável é que a promotoria aguarde a extradição dos presos em Zurique para tentar obter a colaboração de algum ou alguns deles.

Marin está com 83 anos de idade. Vai passar um tanto deles na cadeia ou fazer acordo com os promotores?

O foco parece ser, acima de tudo, a FIFA e sua cartolagem graúda ainda em atividade. São aqueles que conhecem com intimidade os bastidores e as negociatas do futebol, tanto quanto ou mais que J. Háwilla. Gente que pode denunciar esquemas, identificar negócios ilícitos, enfim, colaborar com a promotoria em troca de leniência.

Neste sentido, pela longevidade no poder, Ricardo Teixeira tem muito a contar.

Tanto quanto o FBI, ele parece gostar de gravações.

Narramos em nosso livro um episódio intrigrante, sobre o dia em que a blindagem de Teixeira na Globo foi brevemente rompida:
Isso durou até 13 de agosto, um sábado. Nesse dia, 12 policiais civis de Brasília cumpriram mandado de busca e apreensão no apartamento de Vanessa Almeida Precht, no Leblon, no Rio de Janeiro. O endereço era a sede da Ailanto, a empresa de Vanessa e Sandro Rosell acusada de desviar dinheiro do amistoso entre Brasil e Portugal.

Diante de novas denúncias, a polícia obteve na Justiça autorização para vasculhar a empresa em busca de documentos e computadores. A busca foi noticiada no “Jornal Nacional”.

Teixeira enfureceu-se. Na quinta-feira subsequente, veio a vingança. O colunista Ricardo Feltrin publicou uma suposta ameaça de Teixeira ao diretor da Globo Esportes, Marcelo Campos Pinto. Segundo Feltrin, o dirigente estava disposto a revelar gravações, em seu poder, que mostrariam a forma como a Globo manipulou horário de partidas de clubes e da seleção. E mais: outras gravações evidenciariam a prepotência da cúpula da Globo Esportes e o desprezo por concorrentes. A pessoas próximas, Teixeira teria dito estar perplexo com “a cacetada da Globo” e se sentindo traído. Sua maior revolta se devia ao fato de, poucos meses antes, ter ajudado a Globo a manter os direitos de transmissão do futebol.

 O recado de Teixeira, via imprensa, inibiu a Globo de avançar no noticiário. Mas o cartola percebeu que alguma coisa estava fora da ordem. Mesmo a contragosto, a Globo havia noticiado alguma coisa contra ele. Era o sinal mais claro de que a informação no Brasil não tinha mais dono.

 Um fenômeno causado tanto pela disseminação do acesso à internet quanto pela redução relativa do alcance de veículos tradicionais. Em 1989, por exemplo, quando o cartola tomou posse na CBF, a média de audiência do Jornal Nacional era de 59 pontos. Em 2013, foi de 26. Ou seja, quase 6 em cada 10 telespectadores do Jornal Nacional mudaram de canal. E grande parte deles estava se informando sobre as denúncias contra Teixeira.
Agora, o ex-presidente da CBF perdeu seu refúgio na Flórida. Ele não obteve a cidadania definitiva que buscava no refúgio fiscal de Andorra, onde ficaria livre de extradição. Agora, como definiu meu colega Leandro Cipoloni, Teixeira se parece com aquele rei que, no xadrez, anda de lado uma casa por vez, para escapar do xeque-mate que fatalmente virá.

Se for indiciado nos Estados Unidos e, consequentemente, acossado por autoridades brasileiras, vai respeitar a lei do silêncio?

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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3º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná acontece em junho


A Associação dos Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná – #ParanáBlogs, com o apoio do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Baronesa de Itararé (Núcleo do Barão de Itararé no Paraná), da APP – Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná, da Frentex-PR, da Artigo 19, do Blogoosfero e da Social Ideias, está organizando o 3º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná ‪#3ParanáBlogs‬, que ocorrerá nos dias 12 e 13 de junho de 2015, em Curitiba, na APP-Sindicato (Av. Iguaçu, 880), com o tema “Democracia, Comunicação e Juventude: a luta contra a repressão no Paraná”.

Em 2013 o #2ParanáBlogs foi o maior encontro estadual de blogueir@s do Brasil. Maiores informações no site do evento: paranablogs.com.br. Curta a página do evento no Facebook.

Os temas das mesas serão “Democratização dos Meios de Comunicação”, “A ofensiva conservadora e o Massacre do Paraná”, “Fui processado. O que eu faço?”, “Novas estratégias de comunicação e a periferia no Brasil” e “Comunicação e o Massacre do Centro Cívico”.

Serão palestrantes:

Jornalista Palmério Dória (autor do livro O Príncipe da Privataria),

Senador Roberto Requião (PMDB-PR),

Deputado estadual Tadeu Veneri (PT-PR),

Doutor Rosinha (Alto Representante-Geral do Mercosul),

Jornalista Renata Mielli (Secretária-Geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC e Diretora do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé),

Preto Zezé Das Quadras (Presidente da Central Única das Favelas – CUFA Brasil),

Jornalista Beto Almeida (Telesur),

Márcio Henrique dos Santos (professor ferido no Massacre de Curitiba)

Walkíria Olegário Mazeto (Secretaria Educacional da APP e membro do Comitê 29 de Abril).

Entre outros nomes a serem confirmados.

Haverá ainda um evento cultural no dia 13 pela noite.

O evento será transmitido on-line pela TV 15.

O custo do evento será de R$ 20,00 (R$ 10,00 meia-entrada para estudantes, professores, namorad@s, bicicleteiros e quem se autodeclarar que veio de transporte coletivo).

Fazer inscrição pelo e-mail paranablogs@blogoosfero.cc enviando as seguintes informações (o pagamento será na hora):

Nome completo:
Nome ou apelido para o crachá:
Instituição:
Profissão:
E-mail:
Fone fixo:
Celular:
Blog:
Facebook:
Twitter:
Blogoosfero:
WhatsApp:
Telegram:
Endereço completo:
É associado da Associação dos Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná?
Como tomou conhecimento do evento?
Participou do 1º ou 2º ParanáBlogs?

Gostaríamos de agradecer a Social Ideias pelos serviços de publicidade do evento.

Programação do #3ParanáBlogs:

“Democracia, Comunicação e Juventude: a luta contra a repressão no Paraná”

12 de junho de 2015 (sexta-feira)

17h Início da entrega de credenciais

18h Abertura do evento com autoridades e dirigentes de movimentos sociais

19h – 1ª Mesa: A ofensiva conservadora e o Massacre do Paraná

13 de junho de 2015 (sábado)

9h30 – 2ª Mesa: Democratização dos Meios de Comunicação

11h30 – Oficina Especial da Artigo 19: “Fui processado. O que eu faço?”

14h – 3ª Mesa: A Periferia do Brasil hoje

16h30 – 4ª Mesa: Comunicação e o Massacre do Centro Cívico

18h – Aprovação da Carta do 3º ParanáBlogs

19h – Evento Cultural
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Bastidores sórdidos da Guantánamo de Moro


Tempos sombrios.

Brutalidade, prepotência, autoritarismo voltaram a fazer sucesso, promovidos pela mesma mídia que, em outras ocasiões, explorou os mesmos vícios populares.

A mesma elite que sempre explorou o povo, agora tenta explorar seus ressentimentos, seus ódios, suas frustrações.

O discurso contra a corrupção, mais uma vez, é manipulado para enganar o povo.

Moro pega empresários quiçá corruptos (como muitos outros, aliás), mas velhos, alquebrados, doentes, cheios de manias e achaques de rico, para quem uma prisão é uma masmorra medieval, e tortura-os para os forçarem a se auto acusarem.

São ricos, então o povo não terá pena… Até o ódio de classe é maquiavelicamente manipulado em prol de seus objetivos.

A esquerda ficará constrangida: como defender seus “inimigos de classe”?

Tudo bem planejado, portanto.

A mídia não quer saber: o povo quer sangue, a oposição lucra com isso, então assim será.

Dane-se a democracia!

Dane-se os direitos humanos e a Constituição!

Não é mais a acusação que precisa trazer elementos comprobatórios para manter um cidadão brasileiro confinado entre quatro paredes.

Agora é o cidadão que precisa provar ao juiz que é inocente.

Pior, precisa provar ao juiz que não cometerá crimes no futuro!

Como alguém pode provar a um juiz esse tipo de coisa?

Nem Kafka, em suas obras-primas, pensou em tamanha crueldade por parte do Estado.

Forçar um cidadão, através da mais insidiosa tortura física, mental e familiar (!), a provar ao juiz que não mais pecará!

Só a delação salva!

Só a delação, mesmo sem provas, desde que ofereça material narrativo à mídia.

Desde que ofereça material para o golpezinho miserável, de república de banana, que a República do Paraná pensou que seria tão fácil dar.

* * *

No GGN.

O jogo de coerção do juiz Sergio Moro

SEX, 29/05/2015 – 12:34
ATUALIZADO EM 29/05/2015 – 14:18

Patricia Faermann

Juiz federal aproveita a fragilidade do réu, que chora em desabafo sobre seu estado de saúde, pedindo a conversão da prisão preventiva em domiciliar, para coagi-lo a confessar

Apontado como um dos 11 lobistas ligados à Diretoria de Serviços da Petrobras, o empresário Mário Frederico Mendonça Góes desabafou durante uma audiência com o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela condução da Operação Lava Jato. “Eu estou ficando fraco, cada vez mais”, disse, chorando. A audiência foi marcada para pedir a conversão da sua prisão preventiva para domiciliar devido a problemas de saúde do acusado. O advogado de Góes deixa claro que o réu não falaria sobre as acusações naquele momento, e que aguardaria para a defesa no inquérito. Após a demonstração de fragilidade do empresário, Sergio Moro inicia um diálogo afirmando que, se Góes colaborasse, seria analisada a revogação da prisão preventiva.

No áudio afirma, categoricamente, que prisão preventiva é “instrumento utilizado para o crime de colarinho branco”, objetivando com ela a “boa vontade em esclarecer” as acusações. O juiz federal ainda defende a ideia de que o ônus da prova cabe ao acusado: “o juízo não tem nenhuma notícia do concreto em que pese a afirmação da defesa de boa vontade em esclarecer, resolver essa situação em mostrar que não existe risco de reiteração [da prática do crime]”, disse.

Inicialmente, o empresário afirma que não se nega a responder o processo e desabafa sobre seu estado de saúde: “Infelizmente, eu to ficando fraco, cada vez mais. Eu tenho problema, eu operei a coluna lombar, eu tenho problema cervical. Para sentar é complicado, tenho que ficar quase sempre deitado, porque sentado é muito complicado. Então o que eu vinha fazendo, eu estava com a minha vida normal. Não estou reclamando, de jeito nenhum, das pessoas, do sistema carcerário. Dentro da legalidade, eu sou tratado com dignidade. Mas é diferente, minhas comidas eu não consigo. Tenho colite, diverticulite, tenho uma série de problemas digestivos. Tenho problema de posicionamento, de articulação, eu não posso ajudar a pegar nada, em cima, em baixo, levantar. Então isso vai me consumindo um pouco”, disse.

Quando Mário Góes afirma que os problemas o prejudicam, inclusive, a colaborar no processo de investigação, Sergio Moro encontra a brecha para iniciar a coerção.

– Eu tento ajudar a descobrir, ver e mostrar, esclarecer, mas eu me sinto cada vez menos capaz de fazer as coisas. Então por exemplo, no exame deve ter, meu coração dispara a noite, eu sinto coisas estranhas; diz o executivo.

– Um dos motivos para a preventiva seriam as contas offshore e que, até hoje, o juizo não teria nenhuma notícia concreta sobre elas; disparou o juiz.

– Tudo isso será muito bem esclarecido no decorrer do processo; respondeu Góes.

– Porque o problema que o juízo vê é que essas contas para prevenir reiteração delitiva, e essas contas não sei se estão ativas, inativas…

Nesse momento, o advogado do empresário interfere afirmando que esse assunto será abordado no interrogatório, e que o pedido atual não era de revogação da prisão, mas de conversão em domiciliar, o que para a defesa atenderia aos mesmos propósitos argumentados para a detenção do executivo.

– Certo, veja doutor, aqui é um crime de colarinho branco e são os instrumentos utilizados pra esses crimes, segundo pelo menos o Ministério Público nessas contas no exterior, o juízo não tem nenhuma notícia do concreto em que pese a afirmação da defesa de boa vontade em esclarecer, resolver essa situação em mostrar que não existe risco de reiteração. Então, se estamos discutindo a prisão preventiva, esse era um elemento importante a ser esclarecido nessa audiência; insiste Sérgio Moro.

– Eu volto a dizer, a defesa não pede a revogação da prisão preventiva nesse momento, apenas a conversão da prisão preventiva em domiciliar, o que me parece que atende aos mesmos propósitos da fundamentação da decretação. De outro lado, a existência ou não dessas contas, que o próprio juízo reconhece que não tem notícia, na verdade são objeto mérito da acusação; afirma o advogado.

– Sim, mas é um instrumento; fala o juiz.

– Vamos abordar sobre ela [acusação] somente no inquérito, vossa Excelência; rebate o advogado.

– Mas aí é como eu disse doutor, é o instrumento do crime, o juízo imputa importantes esclarecimentos, caso se pretenda a reavaliação dessa questão. Mas, tudo bem, eu vou levar em consideração, estou colocando a oportunidade para o acusado, certo?; mais uma vez tenta Sérgio Moro.

Em seguida, o juiz federal conclui a audiência: “O Ministério Público tem alguma questão a colocar? Está bem, esse documentos foram colocados, eu confesso que não os avaliei, vou abrir vista ao Ministério Público para manifestação, e decido, depois, em seguida. E reitero a posição do juízo, a questão dos instrumentos para a prática do crime, segundo o Ministério Público, ainda estaria à disposição do acusado, e esse foi um dos elementos que levaram a decretar a prisão preventiva. Então, fica aí uma sugestão eventual de avaliar essa situação pela defesa e pelo acusado, certo senhor Mário?”, finaliza, em sistemática insistência, Sergio Moro.



Miguel do Rosário
No O Cafezinho
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Tucano Beto Richa gasta quase R$1 milhão com massacre contra professores

Foram usadas mais de dois mil balas de borracha e cerca de 1,4 mil bombas de fumaça


A ação policial violenta que deixou mais de 200 professores feriados no Paraná em abril custou ao governado local, comandado por Beto Richa (PSDB), mais de R$ 940 mil.

Segundo dados da Polícia Militar encaminhados ao Ministério Público na última semana, os policiais chegaram a disparar uma média de 20 tiros por minuto naquele fatídico dia.

Conforme o documento, os 2.516 policiais que trabalharam na operação usaram 2.323 balas de borracha e 1.413 bombas de fumaça, gás lacrimogêneo e de efeito moral e 25 garrafas de spray de pimenta contra um grupo desarmado de servidores públicos.

A PM agiu contra servidores públicos que protestavam contra a votação que autorizou o governo do estado a ter acesso a previdência dos trabalhadores estaduais. Mesmo com a violência exagerada dos policiais militares e o pedido de deputados petistas para que a votação fosse adiada, o projeto foi aprovado.

Dos 2.516 policiais militares de Curitiba, 855 foram deslocados do interior do estado participaram da operação. O gasto com o efetivo chegou a R$ 550 mil.

Já as bombas, havia cerca de 1.500 prontas para o uso, algumas delas foram lançadas contra os educadores e servidores no dia do massacre curitibano.

O artefato usado é chamado de Kit Operacional Especial Não Letal II – Longa distância custa R$ 14 mil a unidade e lança munições não-letais, cartuchos de balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

A PM gastou ainda 1.094 granadas de efeito moral ou lacrimogêneo e 300 projeteis de longo alcance. Cerca de 12 projeteis de borracha eram disparados de uma só vez contra os professores.

Prioridade

O governo do Paraná gastou, só em 2014, R$ 6,3 milhões em uma licitação para compra de munição e artigos de baixa letalidade quando o estado passa por um crise financeira e deve mais de R$ 1 bilhão a fornecedores.

Com o valor aplicado em armas não letais, Beto Richa poderia construir sete ou oito unidade básicas de saúde, aos moldes da construída recentemente na cidade de Pato Branco.

No Agência PT
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Lá no Brasil invisível

 08/12/2013 

Em uma viagem pelo interior mais pobrezinho do Nordeste, este jornalista deu com uma cena que então parecia meio exótica. Crianças alimentadas, numa barulheira alegre, lotavam um ônibus escolar amarelo como aqueles de filme americano, mas estalando de novo.

De onde saíra aquilo? Na lataria, estava escrito: "Programa Caminho da Escola - Governo Federal". O jornalista confessa com vergonha que até este ano jamais ouvira falar do "Caminho da Escola". Além do mais, tende a desconfiar de que alguns desses programas com nomes marqueteiros sejam ficções, que existam apenas naquelas cerimônias cafonas de anúncios oficiais.

O "Caminho da Escola", porém, financiou quase 26 mil ônibus desde 2009, em mais de 4.700 cidades. Digamos que os ônibus carreguem 40 crianças cada um (deve ser mais). Dá mais de 1 milhão de crianças. Conhecendo a falta de dinheiro e as distâncias das escolas nos fundões do país, isso faz uma diferença enorme.

Daqui do centro rico de São Paulo, o Brasil, esse país longínquo, e muitas ações do governo parecem invisíveis. Quase ninguém "daqui" dá muita bola para programas populares dos governos do PT até que o povo miúdo apareça satisfeito em pesquisas eleitorais.

Juntos, tais programas afetam a vida de dezenas de milhões de pessoas, tanto faz a qualidade dessas políticas, umas melhores, outras nem tanto, embora nenhuma delas seja nem de longe tão ruim quanto a política econômica.

Quem "daqui" conhece o Programa Crescer (Programa Nacional de Microcrédito)? Existia desde 2005, foi reformado por Dilma Rousseff em 2011, quando passou a contar com crédito direcionado e juro baixo, ora negativo (5%, abaixo da inflação).

O Crescer já financiou o negociozinho de 3,5 milhões de pessoas, um terço delas recipientes de Bolsa Família. Tem uma versão rural, mais antiga, mas vitaminada nos governos do PT, o Pronaf, que ofereceu crédito a juro real ainda mais baixo a 2,2 milhões de agricultores pequenos na safra 2012/13.

O Pronatec já é mais falado, mas pouco conhecido (até mesmo pelo governo, que só agora começou a fazer uma avaliação de resultados). Irmão mais novo e em geral grátis do universitário Prouni, trata-se de um conjunto variadíssimo de ações que procura oferecer cursos profissionalizantes e técnicos (ensino médio).

Desde sua criação, foram mais de 5 milhões de matrículas (há evidências esparsas de grande evasão, de uns 20%, mas ainda falta estatística séria). A maioria das vagas é reservada para os mais deserdados dos brasileiros.

Reportagem desta Folha mostrou que os 13 mil médicos do Mais Médicos devem estar ao alcance de cerca de 46 milhões de pessoas no ano que vem. Não é uma política ampla de saúde, está claro. Mas, outra vez, vai resolver muito problema de muita gente deserdada desta terra.

O Minha Casa, Minha Vida já entregou 1,32 milhão de casas; tem mais 1,6 milhão contratadas. Beneficia 4,6 milhões de pessoas.

Junte-se a isso tudo as já manjadas transferências sociais, em dinheiro, crescentes em valor e cobertura. É muita gente "de lá" beneficiada. Goste-se ou não do conjunto da obra, o efeito social e político é enorme.

A gente "daqui" precisa visitar mais o Brasil.

Vinícius Torres Freire
No fAlha
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Caos social: a história real por trás da ocupação do exército na Sabesp


O sistema Cantareira, depois de cair para menos de 10% no começo de 2015, mantém-se no nível de 19,5% com o uso de volume morto, enquanto as reservas de Alto Tietê, Guarapiranga e Alto Cotia caíram entre 0,1% e 0,3%. Estamos seguros, então?

Diante da imprensa, o presidente da Sabesp descarta a possibilidade de um rodízio pesado e afirma que passaremos o ano apenas com o racionamento parcial das reservas. No, entanto, desde abril nós entramos no período de redução de chuvas.

De acordo com o relator da CPI da Sabesp, vereador Nelo Rodolfo (PMDB), não está claro quais medidas estão sendo tomadas pela agência reguladora, que possui apenas três funcionários para efetuar a fiscalização.

Na manhã do dia 27 de maio, uma quarta-feira, o exército decidiu ocupar o Complexo Costa Carvalho da companhia, no bairro de Pinheiros. Cerca de 70 militares fizeram um estudo de atuação no local “em caso de caos social”. Parecia um ensaio para uma rebelião civil

O que aconteceu ali?

A resposta para esta pergunta apareceu em uma reunião envolvendo uma pessoa da Sabesp há um mês. O encontro envolveu diretamente o exército.

O Comando Militar do Sudeste (CMSE) organizou um painel no dia 28 de abril em seu quartel-general no bairro do Ibirapuera na zona sul de São Paulo. O tema? “Painel sobre defesa”, como estava escrito nos crachás. A gente precisa se defender do quê?

Foi um debate destinado a oficiais, soldados e alguns professores universitários e simpatizantes do exército. E quem palestrou? O diretor metropolitano Paulo Massato Yoshimoto, ao lado de Anicia Pio, gerente de meio ambiente da Fiesp, e do professor Antonio Carlos Zuffo, do curso de engenharia da Unicamp.

Massato disse a sua plateia seleta que, caso as obras emergenciais não sejam feitas de maneira efetiva, a região metropolitana pode ser severamente afetada em julho deste ano. O diretor é poderoso e é o homem diretamente ligado ao racionamento parcial que ocorre neste momento.

Veio dele a ordem para despressurizar os encanamentos, o que está gerando uma contaminação progressiva da água, além de aumentar as perdas. A medida traz tais problemas, mas evita a necessidade de um rodízio que interrompa de maneira mais severa determinadas regiões da cidade.

Essa estratégia irresponsável ajudou o governador Geraldo Alckmin a passar incólume no primeiro turno das eleições.

Paulo Massato deixou de falar sobre suas previsões catastróficas em público desde o fim do ano passado. Nas audiências públicas na Câmara Municipal, é ele que conversa diretamente com o atual presidente da empresa, Jerson Kelman. O conhecimento técnico está com ele.

A falta de chuvas em 2014 levou o diretor a afirmar em reuniões particulares que talvez fosse melhor que as pessoas deixassem São Paulo.

Fontes do alto e do baixo escalão da Sabesp dizem que Massato, funcionário do setor de perdas de águas desde 1983, seria indicação de Aloysio Nunes Ferreira. Ele está há 32 anos na Sabesp e há 12 no mesmo cargo.

Ainda não sabemos se as previsões apocalípticas de Massato vão se concretizar, mas a imagem dos homens fardados ocupando uma estatal é um sinal eloquente de que os paulistas têm um probleminha pela frente.

Esta é mais uma reportagem da série do DCM dedicada a investigar o papel da Sabesp e de seu controlador, o governo do estado de São Paulo, na crise da falta de água. As demais matérias estão aqui. Fique ligado.

Pedro Zambarda de Araujo
No DCM
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